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Direito Processo Civil

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divergente do relator do recurso especial, o Supremo 
Tribunal Federal devolverá os autos para o Superior Tribunal de Justiça, visando o 
julgamento do recurso especial, cuja decisão deverá ser acatada pelo relator supracitado. 
 
- Preparo: juntamente com a interposição do recurso extraordinário, a parte deverá 
comprovar o pagamento das custas relativas ao seu processamento, sob pena de 
deserção. Assim, a prova do pagamento das custas deve acompanhar a petição de 
interposição do recurso. 
- Efeito do recurso extraordinário: o efeito do recurso extraordinário é apenas devolutivo, 
portanto, o acórdão poderá ser executado provisoriamente (ver Súmulas 634 e 635 do 
STF). 
 
- Admissibilidade: admitido o recurso pelo presidente do tribunal recorrido, ele será 
remetido ao Supremo Tribunal Federal. Entretanto, se inadmitido, a parte poderá interpor 
o recurso de agravo de instrumento (art. 544 do CPC) perante o presidente do tribunal 
recorrido, uma vez que na modalidade retida não surtirá o efeito desejado, isto é, 
promover a subida do recurso extraordinário. 
 
- Extraordinário retido: ver art. 542, § 3º, Código de Processo Civil. 
 
 Pressupostos recursais específicos 
 
a) Esgotamento prévio das vias ordinárias: o vocábulo causas decididas indica que só 
é cabível o apelo excepcional quando não mais comporte a decisão impugnação 
pelas vias recursais ordinárias; 
 
 
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b) Imprestabilidade para mera revisão de prova: tendo em vista que o apelo 
excepcional só conhece sobre questão de direito, nunca de fato, não deve veicular 
o recorrente pretensão de reapreciação de prova. Exceção se faz a 
questionamento quanto ao valor da prova abstratamente considerado (ônus da 
prova, valor da confissão, meio de prova de certo negócio jurídico etc); 
 
c) Prequestionamento: consiste na discussão, no debate, pela corte local, das 
questões constitucionais ou federais que se pretende submeter aos tribunais 
superiores; 
 
d) REPERCUSSÃO GERAL: por força do § 3◦ acrescentado ao artigo 102, III, da CF/88 
pela EC n◦ 45/04, há um novo pressuposto específico de admissibilidade do RE, 
qual seja, a demonstração, pelo recorrente, da repercussão geral das questões 
constitucionais discutidas no caso levado ao STF. É exigência que não se aplica ao 
REsp. 
 
 
 Nota específica sobre a repercussão geral 
 
 A Lei Federal n◦ 11.418, de 19 de dezembro de 2006, com vacatio legis de 60 
(sessenta) dias, regulamentou ou § 3◦ do art. 102 da CF/88, tratando, definitivamente, do 
detalhamento desse requisito específico de admissibilidade do RE. Em termos gerais, o que 
se pode entender por repercussão geral vem descrito no § 1◦ do novo art. 543-A do CPC, 
que diz: “para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de 
questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que 
ultrapassem os interesses subjetivos da causa”. 
 
 Nota-se, da leitura do dispositivo, que o STF não mais apreciará matérias que 
espelhem interesses meramente individuais, passando a ser tribunal cuja vocação é decidir 
questões efetivamente relevantes, com desdobramentos nas esferas econômica, política, 
social ou jurídica. Assim, ainda que o RE veicule matéria constitucional e que todos os 
 
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demais requisitos de admissibilidade tenham sido preenchidos, o recurso não será 
conhecido se não houver relevância (entenda-se repercussão geral) sobre o ponto 
discutido. 
 
 Ainda segundo a lei 11.418/06, deve o recorrente, em preliminar do RE, 
demonstrar em que consiste a repercussão geral da matéria debatida no recurso, sendo 
que, se a decisão recorrida estiver em confronto com súmula do STF ou jurisprudência 
dominante do tribunal, o requisito da repercussão geral presume-se presente. 
 
 Quando uma determinada questão for considerada como não-relevante, os 
recursos extraordinários que versem sobre o mesmo tema também não serão admitidos. 
 
 Finalmente, a lei remete ao RISTF a tarefa de regulamentar a execução da lei 
em comento. 
 
 
 VII. Embargos de divergência em Resp e RE 
 
 Inicialmente, embargos significam recurso oposto perante o mesmo juízo que 
proferiu a decisão atacada, objetivando a sua declaração e/ou reforma. Embargos de 
divergência, por sua vez, é o recurso oposto contra a decisão da turma que, em recurso 
especial, divergir do julgamento da outra turma, da seção ou do órgão especial; ou, em 
recurso extraordinário, divergir do julgamento da outra turma ou do plenário. Portanto, 
esse recurso só é admissível no Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. 
 
 
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 Os embargos de divergência estão previstos e regulados no Código de Processo 
Civil (art. 546) e Regimentos Internos do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal 
Federal, sendo cabíveis quando houver divergência de interpretações de teses jurídicas. 
 
 Os embargos de divergência são cabíveis quando houver divergência de 
interpretações de teses jurídicas dentro do mesmo tribunal, ou seja, quando a decisão da 
turma, em recurso especial, divergir do julgamento da outra turma, da seção ou do órgão 
especial; ou, em recurso extraordinário, divergir do julgamento da outra turma ou do 
plenário. 
 
 Procedimento 
 
 Os embargos de divergência são opostos mediante petição, no prazo de 15 
(quinze) da intimação da decisão recorrida, perante a secretaria do tribunal, sendo a 
referida pela junta aos autos, independentemente de despacho, conforme Regimento 
Interno do Superior Tribunal de Justiça (arts. 266, § 2º, e 260) e do Supremo Tribunal 
Federal (art. 334). 
 
 Registre-se, ainda, que deverá acompanhar a petição do recurso documento 
comprobatório da divergência, podendo, para tanto, ser mediante certidão ou cópia 
autenticada, ou, ainda, a citação do repositório jurisprudencial, oficial ou autorizado, 
identificando os trechos da divergência. Realizada a distribuição, os autos serão conclusos 
para a realização do juízo de admissibilidade, nos termos do regimento interno do Superior 
Tribunal de Justiça (art. 266, § 3º) e Supremo Tribunal Federal (art. 335). 
 
21. Da Ação Rescisória 
21.1 Conceito 
 
 
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 É a forma de impugnar uma ação judicial transitada em julgado, para 
desconstituir a coisa julgada material. Ação de competência originária dos tribunais por 
meio do qual se pede a anulação ou desconstituição de uma sentença ou acórdão 
transitado materialmente em julgado e a eventual reapreciação do mérito. 
 
 A sentença de mérito não pode ser anulada por ação anulatória, sentença de 
mérito deve ser impugnada por ação rescisória, conforme prevê o artigo 485 do Código de 
Processo Civil. 
 
 A sentença meramente homologatória e a sentença terminativa não podem 
ser impugnadas por meio de ação rescisória, nesses casos, cabem apenas os recursos 
conforme previsto na lei. 
 
 21.2 Hipóteses 
 
 O artigo 485 descreve os fundamentos (rol taxativo) que podem ensejar a ação 
rescisória, quando na sentença definitiva houver: 
 
a) prevaricação, concussão ou corrupção do juiz da causa; 
b) juiz impedido ou absolutamente incompetente; 
c) dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou conluio com objetivo de 
fraudar a lei; 
d) ofensa à coisa julgada; 
e) violação literal à disposição de lei; 
f) baseada em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal, ou seja, 
provada na própria ação rescisória; 
g) fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que baseou a 
sentença; 
h) documento novo, depois da sentença, cuja existência a parte ignorava