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Direito Processo Civil

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ao tribunal (é o que defende 
Sergio Bermudes). 
 
 Classificação 
 
 Diversas são as classificações propostas pela doutrina acerca do processo 
cautelar. Adota-se, por sua simplicidade, a proposta pelo Professor Alexandre Freitas 
Câmara, que defende sejam as medidas cautelares classificadas de 3 formas: quanto à 
tipicidade, quanto ao momento de postulação e quanto à finalidade. 
 
- Quanto à tipicidade, as medidas podem ser típicas (nominadas), caso estejam descritas 
em lei, ou atípicas (inominadas), caso sejam requeridas e deferidas com base no poder 
geral de cautela. 
 
- Quanto ao momento da postulação, as cautelares poderão ser antecedentes, se 
pleiteadas antes da propositura da ação principal, ou incidentes, acaso postuladas quando 
já em curso a demanda principal. 
 
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- Quanto à finalidade, as cautelares podem ser classificadas em medidas de garantia de 
cognição, quando objetivas assegurar a eficácia de um processo de cognição (exemplo: 
asseguração de prova); medidas de garantia de execução, que se destinam a garantir a 
eficácia de um processo executivo (exemplo: arresto); e medidas que consistem em 
caução, como é o caso da contracautela prevista no art. 804 do CPC. 
 
 Requisitos genéricos para a concessão da tutela cautelar 
 
 A missão do processo cautelar é proteger a eficácia de um outro processo, dito 
principal, quando esteja este – o principal – correndo risco de tornar-se ineficaz pelo 
decurso do tempo. 
 
 Periculum in mora 
 
 Trata-se a tutela cautelar de medida que nasce sob o signo da urgência. É 
preciso pressa para que o processo principal possa ser garantido. Dessa situação de 
urgência decorre o primeiro requisito para a concessão das cautelares: o chamado 
periculum in mora ou perigo na demora. 
 
Fumus boni iuris 
 
 Ainda em decorrência da urgência inerente ao processo cautelar, tem-se o 
segundo requisito para a concessão desse tipo de tutela: o fumus boni iuris. 
 
 
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 Em sede de processo cautelar, justamente porque não há tempo para que o 
juiz perquira profundamente sobre o direito debatido (cognição essa dita exauriente e que 
só terá lugar no processo principal), há que se analisar apenas a aparência desse direito. 
Não se pode pretender, em sede de processo cautelar, constatar cabalmente a existência 
do direito afirmado pela parte requerente, mas apenas a possibilidade de que esse direito 
afirmado possa existir. 
 
 Por isso, afirma-se ser superficial a cognição realizada no processo cautelar. 
Não é necessária a demonstração exaustiva, pelo requerente, do direito que afirma 
assistir-lhe, mas apenas a sua possibilidade ou, em outras palavras, a sua fumaça. 
 
 Com efeito, presentes esses dois requisitos – fumus boni iuris e periculum in 
mora -, deve a tutela cautelar ser concedida. 
 
 Procedimento 
 
 A petição inicial 
 
 Tendo em vista que uma das características do processo cautelar é a sua 
autonomia formal, nada mais natural que se inicie esse processo com a apresentação, em 
juízo, de uma petição inicial, a qual, na lição abalizada de DINAMARCO, é o instrumento da 
demanda, no caso, o instrumento da demanda cautelar. 
 
 Essa petição inicial do processo cautelar deve observar, primeiramente, todos 
os requisitos do artigo 282 do CPC, e também as disposições contidas no artigo 801 do 
mesmo diploma legal. 
 
 
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 Desse dispositivo, merecem atenção especial os incisos III e IV. 
 
 O inciso IV determina que o requerente da medida cautelar deverá indicar a 
exposição sumária do direito ameaçado e o receio da lesão. Trata-se, em outras palavras, 
de exigência da demonstração do fumus boni iuris e do periculum in mora, requisitos 
genéricos para a concessão de tutela cautelar e, como visto anteriormente, consistentes 
no seu próprio mérito. 
 
 O inciso III, a seu turno, exige que o requerente indique, na petição inicial, a 
lide e seu fundamento, norma que é complementada pelo parágrafo único do mesmo 
artigo, que assevera tratar-se de exigência aplicável apenas às cautelares preparatórias, ou 
seja, às cautelares antecedentes. 
 
 Ao se referir, o dispositivo em comento, a lide e seu fundamento, está o 
legislador a se referir à ação principal, ou seja, ao processo (conhecimento ou execução) a 
ser protegido pela demanda cautelar. Outrossim, dispensa as cautelares incidentes desse 
requisito por já estarem, a lide principal e seu fundamento, declinadas e expostas na 
própria petição inicial do processo principal, o que torna despicienda a sua repetição na 
petição inicial da demanda acessória. 
 
 Esse requisito, aplicável, como visto, apenas às cautelares antecedentes, tem 
sua razão de ser. O requerente da medida cautelar antecedente, ao declinar a lide e o 
fundamento da ação principal, permite que o juiz analise o interesse de agir do 
demandante, pesquisando a necessidade e a adequação da medida pleiteada. 
 
 Essa petição inicial terá autuação própria e deve correr em apenso à lide 
principal. 
 
 
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 Havendo pedido de concessão da tutela cautelar liminarmente, inaudita altera 
pars, deverá o magistrado apreciá-lo com a máxima urgência, sob pena de se frustrar a 
presteza e a eficácia da própria medida requerida. Não estando o julgador inteiramente 
convencido do alegado, poderá determinar a realização de audiência de justificação (art. 
804), de forma que possa melhor decidir sobre o deferimento ou não do pleito de 
urgência. Outrossim, poderá o juiz condicionar a concessão da liminar à prestação, pelo 
requerente, de contracautela. 
 
 Citação e resposta do requerido 
 
 Segundo dispõe o artigo 802 do CPC, o requerido será citado, qualquer que seja 
o procedimento cautelar, para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar o pedido, indicando as 
provas que pretende produzir. A norma em comento exige atenção especial, uma vez que, 
contemplando o caráter de urgência e sumariedade da ação cautelar, reduz o prazo para o 
oferecimento de defesa pelo requerido para exíguos 5 dias. Outra observação pertinente é 
que, não obstante refira-se o dispositivo a contestar o pedido, é certo que outras 
modalidades de resposta do réu serão possíveis, tais como as exceções de impedimento, 
suspeição e incompetência relativa. A resposta na modalidade de reconvenção, contudo, 
não é possível, dado os estreitos limites da cognição que se realiza em sede cautelar. 
Outrossim, não se admite ação declaratória incidental. 
 
 O prazo para apresentar a defesa começa a correr: 
 
I) da juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido; ou 
 
II) da juntada aos autos do mandado de execução da cautela, quando concedida 
liminarmente ou após justificação prévia. Vale lembrar que na hipótese do inciso 
II só se terá por iniciado o prazo para a defesa se : a) a execução da cautela for 
cumprida contra o requerido, e não contra terceiro; b) no momento da efetivação 
 
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da medida o requerido assinar o mandado ou a carta citatória. Finalmente, as 
modalidades de citação no processo cautelar são aquelas descritas no artigo 221 
do CPC, observadas as peculiaridades de cada caso concreto. 
 
 
 Conforme lição do Professor Marcio Louzada Carpena, “havendo mais de um 
réu com procuradores diferentes, o prazo para contestar, bem como para recorrer ou falar 
nos autos de modo geral, será em dobro, já que empregável é o art. 191 do CPC”. 
 
 Quanto ao conteúdo da contestação, parece óbvio que, sendo os requisitos do 
periculum in mora e do fumus boni iuris o próprio mérito da ação cautelar, é 
principalmente no sentido de demonstrar