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Direito Processo Civil

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poderá ter natureza cautelar ou 
satisfativa. Exemplo: busca e apreensão de bem arrestado e maliciosamente desviado 
(cautelar); 
 
c) Ação de Busca e Apreensão de bem alienado fiduciariamente (satisfativa); 
 
d) Busca e Apreensão de menores: cautelar ou satisfativa. 
 
 
252 
 
 Cabimento 
 
 Trata-se de medida subsidiária do arresto e do seqüestro. Quando se refere a 
pessoas, dúvida não há, pois não se arresta ou seqüestra um indivíduo. Já quanto a coisas, 
mais complexa é a distinção. A regra é que, sendo cabível arresto ou sequestro, não se 
deve deferir busca e apreensão. 
 
 Procedimento 
 
 Observa-se o procedimento cautelar geral, com as seguintes particularidades: 
deferida a medida, deverá ser expedido mandado contendo os requisitos do art. 841 do 
CPC. Há entendimento de que o mandado, cumprido por dois oficiais de justiça, deve ser 
sempre acompanhado por suas testemunhas (§ 2° do art. 842), sob pena de nulidade. 
 
 5 – Exibição – arts. 844 a 845 
 
 Conceito 
 
 A ação de exibição tem o objetivo de permitir que o demandante veja, 
examine, uma coisa ou documento. 
 
 Espécies 
 
 O direito brasileiro prevê duas espécies de exibição: 
 
 
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a) exibição incidente, prevista nos arts. 355 a 363 e 381/382; 
 
exibição cautelar, regulada nos arts. 844 e 845 do CPC. 
 
Cabimento 
 
 A ação de exibição, cautelar e antecedente, tem cabimento nos casos expostos 
no art. 844 do CPC. 
 
 Procedimento 
 
 A petição inicial observa o disposto nos arts. 282 e 801 do CPC, além da 
observância ao artigo 356 do CPC. 
 
 6 – Ação de produção antecipada de provas (rectius, asseguração de provas) 
– arts. 846 a 851 
 
 Conceito 
 
 Para Pontes de Miranda é um procedimento cautelar destinado à “obtenção 
preventiva da documentação de estado de fato que possa vir a influir, de futuro, na 
instrução de alguma ação”. 
 
 Produção ou asseguração de prova? – Fases do procedimento probatório no 
processo de conhecimento: proposição, admissão e produção. “O procedimento de 
 
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instrução preventiva (...) ainda não produz a prova” (Ovídio Baptista), consistindo, essa 
cautelar, em instrumento destinado a assegurar uma prova que será futuramente 
produzida no processo principal. 
 
 É medida que tem caráter nitidamente cautelar: proteção do direito à prova – 
tutela de um direito de índole processual (e não substancial). 
 
 Cabimento 
 
 São três os meios de prova (art. 846 do CPC) cuja produção pode ser 
assegurada: interrogatório da parte; inquirição de testemunhas; exame pericial. 
 
 Procedimento 
 
 A medida cautelar de asseguração de prova é sempre antecedente. Se já 
instaurado o processo principal, cabível será a antecipação da produção da prova no 
próprio processo, com um adiantamento ou inversão dos atos do procedimento. 
 
 Na asseguração de prova material (perícia), deve o requerente fazer constar de 
sua petição inicial os quesitos a serem respondidos pelo perito e a indicação de seu 
assistente técnico. O demandado deverá fazer o mesmo, no prazo da resposta. 
 
 Uma vez assegurada a prova, caberá ao juiz proferir sentença homologatória. 
Os autos devem permanecer em cartório, sendo lícito às partes e interessados solicitar as 
certidões que quiserem (art. 851 do CPC). 
 
 
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 O juízo em que se desenvolve a cautelar fica com a sua competência fixada 
para o processo principal. 
 
 Como se trata de medida cautelar não restritiva de direitos, a ela não se aplica 
o art. 808, II, do CPC. 
 
 7 – Alimentos provisionais – arts. 852 a 854 
 
 Conceito 
 
 Para Humberto Theodoro Jr. são alimentos “que a parte pede para seu 
sustento e para os gastos processuais, enquanto durar a demanda”. 
 
 Comporta execução na forma dos arts. 732 a 735 do CPC. 
 
 Natureza jurídica 
 
 Para Alexandre de Freitas Câmara é uma medida sumária satisfativa, mesma 
natureza da antecipação da tutela. 
 
 Distinção entre alimentos provisórios e provisionai 
 
 Utiliza-se o procedimento especial da ação de alimentos (PROVISÓRIOS) 
quando se tem prova já constituída da relação jurídica prejudicial (obrigação alimentar). Caso 
contrário, utiliza-se o procedimento do CPC (PROVISIONAIS). 
 
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 8 – Arrolamento de bens – arts. 855 a 860 
 
 Conceito 
 
 O arrolamento de bens é uma medida cautelar destinada a conservar uma 
universalidade de bens que se encontre em perigo de extravio ou dissipação, através de 
sua descrição e depósito. 
 Incide sobre bens indeterminados ou desconhecidos. Tem nítida natureza 
cautelar (referibilidade). 
 
 Cabimento 
 
 Será cabível o arrolamento sempre que se tenha interesse na conservação de 
bens indeterminados que componham uma universalidade. Objetiva inventariar e 
apreender bens compõem essa universalidade. É de abrangência ampla, podendo incidir 
sobre bens móveis, imóveis e documentos. 
 
 9 – Justificação – arts. 861 a 866 
 
 Conceito: 
 
 Para Humberto Theodoro Jr. “Justificação é processo autônomo de coleta 
avulsa de prova testemunhal, utilizável em processo futuro, mas não necessariamente 
destinada a esse fim”. 
 
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 Não se trata de medida cautelar, porquanto (i) desprovida de referibilidade e 
(ii) ausente o requisito do periculum in mora. 
 
 Cabimento 
 
 É cabível a justificação toda vez que alguém tiver interesse em demonstrar, 
através de prova testemunhal, a existência de um fato ou de uma relação jurídica. 
 
 Exemplos de utilização do instituto, segundo a doutrina de Humberto 
Theodoro Jr: 
 
a) Justificar a existência de união estável; 
 
b) Prova junto a órgãos da Previdência Social; 
 
c) Justificar, o servidor público, fatos relativos a sua vida funcional, para suprir deficiências 
e lacunas dos registros das repartições; 
 
d) Justificar a autoria de obra intelectual criada sob regime de anonimato. 
 
 A justificação deve ser sempre antecendente. 
 
 Competência 
 
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 A Justificação segue a regra geral aplicável ao processo cautelar. Para o 
professor Humberto Theodoro Jr. trata-se de procedimento unilateral, sem direito a 
defesa ou recurso 
 
 Procedimento 
 
 A petição inicial deve conter a discriminação pormenorizada dos fatos a 
provar, bem como o rol das testemunhas a inquirir, após deve a citação dos interessados 
na demanda (contra quem a prova seja oponível). Após a citação deve-se designar a 
audiência de inquirição das testemunhas. O juiz deve proferir a sentença, julgando a 
homologação, dizendo se foi justificada ou não a existência do ato ou relação jurídica. Por 
fim, há a entrega dos autos ao promovente, 48 horas após a publicação da sentença. 
 
 10 – Protestos, notificações e interpelações – arts. 867 a 873 
 
 Conceito 
 
 O protesto, a notificação e a interpelação são procedimentos não 
contenciosos, meramente conservativos de direito. São procedimentos de jurisdição 
voluntária e não cautelares (inexistência de referibilidade e periculum in mora) 
 
 Protesto 
 
 “É o protesto (...) ato judicial de comprovação ou documentação da intenção 
do promovente”. (Humberto Theodoro Jr.) 
 
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 Finalidade 
 
 a) prevenir responsabilidade (engenheiro que notifica construtor que não está seguindo o 
projeto); 
 
b) prover conservação de direitos; 
 
prover ressalva de direitos (protesto contra alienação de bem que poderá reduzir o devedor ao 
estado