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Aprendizagem segundo Skinner

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no ano de 1883 em Medicina, tendo como tema dos seus 
estudos iniciais a farmacologia, mas abandonou rapidamente passando a 
desenvolver estudos fisiológicos começando pelas influências do sistema nervoso 
sobre o coração e depois sobre a digestão. Ao estudar o processo digestivo dos 
animais, inventou um aparelho que media a saliva dos cães ao receberem o 
alimento. Com essa máquina, acabou descobrindo que a saliva dos animais era 
produzida antes do recebimento da alimentação. Buscando investigar essa 
descoberta, Pavlov montou um experimento específico para o estudo da reação 
salivar do animal. Tal experimento consistia em apresentar um som segundos antes 
da entrega de um alimento (carne em pó), que ao entrar em contato com a boca 
produzia saliva. Após inúmeras repetições desse procedimento, foi percebido que o 
cão salivava apenas com a apresentação do som, o alimento não era mais 
apresentado e, ainda assim, ocorria a salivação do animal. Pavlov denominou essa 
reação produzida de reflexo condicionado e o processo que o originou de 
condicionamento respondente, hoje conhecido também como condicionamento 
clássico. (MILHOLLAN; FORISHA, 1978). 
 
Com o intuito de aprofundar ainda mais seus estudos, Pavlov fez mais 
procedimentos com o cão previamente condicionado. Assim, descobriu que, 
diferentemente do que ocorre com um comportamento reflexo, o reflexo 
condicionado pode ser extinto, uma vez que seja apresentado inúmeras vezes sem 
o aparecimento do estímulo incondicionado, representado no experimento pelo som. 
Outra descoberta feita por Pavlov foi o que ele chamou de recuperação espontânea, 
ou seja, um cão mesmo depois de passar por um procedimento de extinção pode 
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apresentar, após um longo período de latência, a resposta condicionada. 
(MILHOLLAN; FORISHA, 1978). Essas pesquisas feitas por Pavlov foram suas 
principais contribuições para os posteriores estudos de Skinner. 
 
Watson surge em 1913 com o objetivo de propor uma mudança na análise do objeto 
de estudo da psicologia, escrevendo Psychology as the Behaviorist Views it, 
publicado no ano mencionado. Nesse manifesto, Watson propunha que o objeto de 
estudo dessa ciência fosse o comportamento humano, rejeitando todas as 
“entidades” mentalistas (SKINNER, 2006). Essa mudança proposta por Watson 
ocorreu pelo fato de que, no contexto da época, o foco de análise da Psicologia era 
a mente ou as estruturas mentais. Ao tentar trazer modificações para um campo 
científico, este autor acabou por criar muita polêmica na sociedade cientifica da 
época, recebendo muitas críticas e também incentivos. Estes últimos vinham do 
grupo científico que apontava a necessidade da Psicologia de enquadrar-se nas 
ciências naturais. Segundo Carrara (2005), o contexto cultural norte-americano da 
época clamava por uma objetivação da Psicologia. Alguns autores tentaram 
estruturar essa mudança, mas foi Watson quem acabou por elucidar da melhor 
forma tais mudanças. 
 
Assim, diferentemente do que aconteceu com a maioria das correntes filosóficas em 
Psicologia, o behaviorismo foi pensado e estruturado para ser uma nova abordagem 
de estudo para esse campo científico. Matos (1995) afirma que os principais fatores 
da proposta inicial de Watson eram: o estudo do comportamento; oposição ao 
mentalismo, ignorando os estado mentais, a consciência e os sentimentos; a adesão 
ao evolucionismo biológico, comparando os comportamentos humanos a dos 
animais; adoção do determinismo materialístico; uso de procedimentos objetivos na 
coleta de dados; realização de experimentação controlada; observação consensual; 
e a utilização dos conhecimentos fisiológicos. 
 
Percebe-se que os pressupostos colocados por Watson estavam em conformidade 
com os critérios científicos da época, cujo desejo era enquadrar a Psicologia ao 
campo das Ciências Naturais. 
 
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Watson rejeitou as explicações mentais como a causa dos comportamentos e, 
como, após a física newtoniana, no campo científico, passou a se acreditava ser 
imprescindível a procura das causas de cada evento, esse teórico definiu o 
comportamento como um resultado de questões ambientais, ou seja, o corpo 
respondia à instigação dos estímulos ambientais (MATOS, 1995). 
 
Watson afirmou também que todo o comportamento de interesse é aprendido e que 
para entender a sua causalidade se fazia necessário analisar seus antecedentes. 
Para validar o seu pensamento científico, esse autor preocupou-se muito com a 
metodologia de sua “nova” abordagem psicológica. Os principais pilares dos seus 
métodos foram baseados nos conceitos do positivismo, primeiramente a rejeição da 
introspecção enquanto instrumento de trabalho de uma ciência, por não ser 
acessível a todos e ao fato de suas observações serem tomadas por impressões 
individuais. Ao rejeitar a introspecção, Watson promoveu a idéia de que o 
comportamento era passível de observação, no entanto, para ter validade científica, 
precisava ser percebido por outras pessoas. O segundo pilar baseia-se no 
operacionismo, que determina ser essencial o uso de uma linguagem objetiva e bem 
definida para a descrição dos comportamentos (MATOS, 1995). 
 
Devido à atenção dada à definição de uma metodologia científica, essa primeira fase 
do behaviorismo encabeçado por Watson é hoje conhecida como behaviorismo 
metodológico. 
 
Skinner surge na reformulação da filosofia behaviorista, propondo algumas 
mudanças – o behaviorismo deste autor ficou conhecido com behaviorismo radical. 
Na explicação da escolha do termo radical já se pode tirar as principais conclusões 
do que Skinner propunha para essa filosofia. Matos (1995, p. 31) afirma que o 
 
termo radical foi empregado em dois sentidos: por negar 
radicalmente (i.e., negar absolutamente) a existência de algo que 
escapa ao mundo físico, isto é, que não tenha uma existência 
identificável no espaço e no tempo (como a mente, a consciência e a 
cognição); e por radicalmente aceitar (i.e., aceitar integralmente) 
todos os fenômenos comportamentais. 
 
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Visto isso, pode-se perceber que o behaviorismo radical adota uma postura 
diferenciada em relação ao que deve ser observado por uma posição behaviorista. 
Outro ponto de diferença exposto por Skinner é a aceitação da auto-observação – 
este apenas questiona a fidedignidade dessa informação. Skinner (2006) afirma que 
uma pessoa pode observar o funcionamento do seu corpo, o que não garante que 
esteja fazendo uma descrição da fisiologia do mesmo e tampouco que explique a 
causa do seu comportamento. Ainda fez parte da obra desse autor a corroboração 
da importância da busca pela causalidade dos comportamentos e valorizou, ainda 
mais, o estudo do ambiente. 
 
É importante mencionar que Skinner desenvolveu o conceito de Comportamento 
Operante, hoje é este o cerne principal da Análise do Comportamento. Este conceito 
consiste num comportamento voluntário, no qual as conseqüências determinam a 
sua probabilidade de ocorrência (SKINNER, 2003). Para entendê-lo melhor, faz-se 
necessário entender o condicionamento operante. 
 
O condicionamento operante é um processo no qual se pretende condicionar uma 
resposta de um indivíduo, seja para aumentar a sua probabilidade de ocorrência ou 
para extingui-la. No primeiro caso, são apresentados reforços toda vez que o sujeito 
apresenta a resposta adequada. Vale ressaltar que o conceito de reforço está 
diretamente ligado a ocorrência da resposta, um estímulo só pode ser considerado 
reforçador se aumentar a probabilidade do comportamento ocorrer. O reforço pode 
ser positivo quando é apresentado algo ao indivíduo ou negativo quando se retira 
algo do ambiente. Percebe-se, com isso, que,