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Aprendizagem segundo Skinner

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inglês, a palavra obuchenie tem sido traduzida ora como ensino, 
ora como aprendizagem e assim re-traduzida em português 
(OLIVEIRA, 1993, p. 57). 
 
Vygotsky foi um dos primeiros autores a diferenciar o processo de aprendizagem da 
criança e a formalização escolar. Para este autor, a aprendizagem começa no 
ingresso à escola. Nessa afirmação, fica claro que, para este teórico, o processo de 
formalização do conhecimento proposto pela escola não é a única fonte que o 
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sujeito possui para aprender, isso está inato às capacidades humanas, conseguindo 
assim, aprender com qualquer situação vivida (VYGOTSKY, 2001). 
 
Por a aprendizagem ser algo tão implícito à capacidade humana, acredita-se que 
exista uma associação desta com o processo de desenvolvimento dessa espécie. 
Como se sabe, o desenvolvimento ocorre desde a geração do feto, perpassando por 
toda a vida do homem, sendo finalizado na sua morte. Acredita-se que a 
aprendizagem também seja um dos processos pelo quais se está sujeito em todos 
os momentos da vida. 
 
Oliveira (1993) afirma que para Vygotsky os sujeitos possuem quatro entradas de 
desenvolvimento que juntas caracterizam o funcionamento psicológico do seres 
humanos. A primeira, a filogênese, se refere à história da espécie humana; a 
segunda, à ontogênese ligada à história do individuo da espécie; a sociogênese, à 
história do meio cultural e a microgênese, à história de cada processo psicológico. 
 
Vygotsky, em sua teoria, preocupou-se mais com a aprendizagem escolar e a sua 
relação com o desenvolvimento ocorrido antes e durante o processo escolar. Como 
o processo de desenvolvimento se inicia muito antes da entrada dos sujeitos na 
escola, este autor considerou importante frisar que o rumo da aprendizagem escolar 
não precisa ser necessariamente o mesmo do desenvolvimento pré-escolar, 
podendo existir desvios e até mesmo uma direção contrária. Ainda discorrendo 
sobre a relação entre aprendizagem e desenvolvimento, Vygotsky (2001) afirmou 
que este último ocorre de forma aleatória dentro de um padrão da espécie enquanto 
que a primeira é sistemática e oferece algo de completamente novo ao curso do 
anterior. 
 
Apesar da contribuição que a aprendizagem fornece ao desenvolvimento, não se 
pode pensá-la sem o considerarmos. Tentando ser ainda mais claro sobre a 
importância da análise do desenvolvimento antes da construção de uma 
aprendizagem, Vygotsky afirmou: 
 
Quando se pretende definir a relação entre o processo de 
desenvolvimento e a capacidade potencial de aprendizagem, não 
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podemos limitar-nos a um único nível de desenvolvimento. Tem de 
se determinar pelo menos dois níveis de desenvolvimento de uma 
criança, já que, se não, não se conseguirá encontrar a relação entre 
desenvolvimento e capacidade potencial de aprendizagem em cada 
caso específico. Ao primeiro destes níveis chamamos nível de 
desenvolvimento efetivo da criança. Entendemos por isso o nível de 
desenvolvimento das funções psicointelectuais da criança que se 
conseguiu como resultado de um específico processo de 
desenvolvimento já realizado (VYGOTSKY, 2001, p. 111). 
 
O primeiro nível apontado por Vygotsky na afirmação anterior indica o 
desenvolvimento efetivo de uma criança. Contudo, este não pode ser o único padrão 
para se definir em que nível esta se encontra. Para solucionar esta situação, o autor 
defendeu o uso do segundo nível de desenvolvimento denominando-o de 
capacidade potencial de aprendizagem. Esta consiste no conjunto de atividades que 
a criança é capaz de fazer com o auxílio dos adultos. Desse modo, para Vygotsky 
(2001), o desenvolvimento potencial indica o que a criança conseguirá realizar num 
futuro próximo. É como se a criança possuísse o conhecimento, mas ainda não o 
assimilou. Essa é a razão que define, portanto, a importância da avaliação do 
desenvolvimento como um todo para o estabelecimento do estado do 
desenvolvimento mental da criança. 
 
A distância existente entre o nível de desenvolvimento real e o nível de 
desenvolvimento potencial é o que Vygotsky (2007) conceituou de zona de 
desenvolvimento proximal. Para ele, as funções que se encontram nesta zona são 
os conhecimentos em processo de amadurecimento, de maturação. Assim, pode-se 
dizer que o desenvolvimento real é a parte que se refere ao desenvolvimento 
retrospectivo, enquanto a zona de desenvolvimento proximal aponta para o 
desenvolvimento mental prospectivo (VYGOTSKY, 2007). 
 
Baseado neste pensamento, Vygotsky (2001, p. 114) afirmou que diferentemente do 
que se acreditava, “o único bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento”, 
trabalhando sob a perspectiva da análise da capacidade potencial dos sujeitos. 
Vygotsky (2001) afirma ainda que uma organização coerente da aprendizagem é 
imprescindível para a criança, pois conduz ao desenvolvimento mental. É possível 
concluir, através dessas afirmações, que a análise feita por este autor da relação 
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entre desenvolvimento e aprendizagem é a que esta última depende da maturação 
do primeiro, ao mesmo tempo em que o direciona a novos avanços. 
 
Outra importância atribuída pelo autor à aprendizagem é que esta permite que se 
desenvolva na criança características não-naturais, formadas historicamente, como 
a linguagem e o pensamento. “Assim, o aprendizado é um aspecto necessário e 
universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente 
organizadas e especificamente humanas” (VYGOTSKY, 2007, p.102). 
 
O mesmo autor considera ainda que o aprendizado possui uma seqüência e 
organização características, seguindo uma lógica e um tempo singular. O mesmo 
ocorre com o processo de desenvolvimento, não devendo, assim, esperar uma 
coincidência desses dois processos (VYGOTSKY, 1998). 
 
É importante mencionar também a importância que Vygotsky atribui ao 
desenvolvimento da linguagem para a formação do sujeito. A linguagem, para este 
autor é a principal mediadora dos sujeitos com o mundo, sendo, assim, essencial na 
constituição do sujeito enquanto humano. Oliveira elucida este pensamento de 
Vygotsky ao afirmar que: 
 
a linguagem fornece os conceitos e as formas de organização do real 
que constituem a mediação entre os sujeitos e o objeto de 
conhecimento. A compreensão das relações entre pensamento e 
linguagem é, pois, essencial para a compreensão do funcionamento 
psicológico do ser humano (OLIVEIRA, 1993, p. 43). 
 
Mesmo sabendo da importância dada por este autor ao desenvolvimento da 
linguagem, neste estudo não se fez uma grande exploração sobre o tema. Uma vez 
que se percebe a profundidade que essa relação tem na obra de Vygotsky, e 
abordá-lo de forma consistente acabaria por desviar o objetivo do trabalho. 
 
 
 
 
 
 
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3.3 O PAPEL DO PROFESSOR 
 
Vygotsky afirma que o bom ensino é aquele baseia as suas intervenções pensando 
no que o sujeito está em fase de maturação, isto é, o que está na zona de 
desenvolvimento proximal. “O aprendizado deve ser orientado para o futuro, e não 
para o passado.” (VYGOSTKY, 1998, p. 130). 
 
Com a afirmação de Vygotsky, pode-se perceber a necessidade que o professor tem 
de estar atento àquilo que a criança ainda está em fase de apreensão. As boas 
atividades de aprendizagem são sempre as que trabalham com os aprendizados 
ainda não totalmente conquistados pelos alunos. 
 
Vygotsky também coloca como um fator crucial para um bom trabalho do professor 
que este entenda, de forma clara, a formação dos conceitos pelas crianças. Assim, 
divide conceito em duas categorias: a primeira, os conceitos espontâneos, que são 
aqueles construídos aleatoriamente ao longo da vida, e os conceitos científicos,