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O ensino de ciências naturais em espaços não formais

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os danos causados”. 
Apesar destas advertências, nem o Estado, nem o Município, através de órgãos próprios, 
conseguiram impor serviços de vigilância e normas ambientais severas que possam assegurar o 
equilíbrio ecológico do igarapé que corta o Parque Municipal do Mindu. 
Os resíduos ambientais, as erosões, poluição do solo e da água, lixo e esgoto a céu aberto, 
despejos de dejetos domésticos e industriais nas águas poluídas, são verdadeiros cartões postais de 
um dos setores mais belos do parque, as cachoeiras. Este ambiente já foi um dia limpo e possuía 
diversos animais, contudo os animais que ali ainda vivem, estão sob forte ameaça de extinção 
devido à resíduos sólidos e químicos despejados na água por industrias que se situam próximo ao 
parque. Todo este material se espalha pela vegetação que circunda o igarapé, trazidos pela 
enxurrada durante o período da cheia. A água contaminada diminui a oxigenação das águas que 
impossibilitam a vida de peixes nos rios. Poluição demais acarreta consumo maciço de oxigênio do 
curso de água, que mata os peixes, não por toxidade, mas por asfixia” (VERNIER, 2004, p.17), e o 
rio poluído, afeta não só os peixes, mas também todo o ecossistema como um todo. 
Na época da seca, estes resíduos ficam à mostra, entremeando-se nas matas de igapó, 
destacando-se as garrafas pet’s, sacos plásticos, camisinhas, latas de refrigerantes, colchões e 
materiais de construção entre outros que formam o conjunto de elementos alheios ao ambiente e que 
reclamam por melhoria e recuperação do meio ambiente e proteção à biótica dos seres aquáticos. A 
Lei Estadual nº 1532 de 06 de julho de 1982 garante ao meio ambiente um conjunto de condições, 
influência e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em 
todas as suas formas. 
As águas do igarapé do Mindu estão em estado de degradação. A água que flui é de cor 
barrenta (água branca), com elevadas quantidades de sedimentos argilosos e espumas que fluem em 
suspensão. No seu curso dentro do parque, o igarapé recebe constantemente carga de matéria 
orgânica, a diminuição a até a ausência da mata ciliar, a estagnação da água em trechos específicos 
do igarapé, contribuem na alternação do metabolismo do sistema aquático, acelerando os processos 
de decomposição da matéria orgânica repercutindo, por sua vez, no consumo acelerado e 
conseqüentemente depleção de oxigênio dissolvido. 
A área ao longo do igarapé do Mindu é coberta por floresta primária de terra firme, mata 
de baixo que pode sofrer inundações quando os igarapés apresentam suas vazões aumentadas nas 
épocas chuvosas, campinas, capoeira (vegetação secundária) e áreas degradadas. No seu curso 
intermediário, a maior parte da vegetação encontrada atualmente é composta por representantes da 
floresta secundária, com vários estágios de formação. Podemos relacionar diversas espécies como: 
jatobazeiro, muricizeiro, tucumãzeiro, cupiúba, carapanaubeira, embaubeira, marupazeiro, além de 
trechos com canaranas e buritizeiros. 
Os espaços de educação não formal proporcionam uma maior aproximação do ensino de 
ciências à realidade vivida. Ao utilizar os esses espaços urbanos são oportunizados uma educação 
científica que aproxime este conhecimento com a realidade do cidadão, como é visto através do 
conhecimento adquirido por meio de uma prática educacional em espaços não formais, como é o 
caso do Parque do Mindu, o que acarreta a necessidade de inseri-los nos programas das escolas 
como complemento ao ensino formal, visto que os espaços das escolas não dispõem de áreas verdes 
ou até de mesmo de áreas amplas que permitam aos alunos explorar este contato direto com a 
natureza. 
Com as observações realizadas durante visita ao Parque Municipal do Mindu, pode-se 
constituir uma melhor maneira de delimitar a ecologia moderna, considerando-se o conceito de 
níveis de organização e interação dos seres vivos e suas relações harmônicas. São os genes, células, 
organismos, comunidades, população, ecossistema e biosfera, termos largamente empregados para 
denominar os principais níveis bióticos, mostrados num arranjo hierárquico do maior ao menor. 
A interação em cada nível com o ambiente físico (energia e matéria) produz os sistemas 
funcionais característicos. Conforme Odum (1983), um sistema consiste em “componentes 
interdependentes que interagem regularmente e formam um todo unificado”. Da mesma forma, a 
comunidade biótica, inclui todas as populações que ocupam uma dada área. A isto chamamos de 
sistema ecológico ou ecossistema, isto é, qualquer unidade (biossistema) que abranja todos os 
organismos que funcionam em conjunto (a comunidade biótica) numa dada área, interagindo com o 
ambiente físico de tal forma que um fluxo de energia produza estruturas bióticas claramente 
definidas e uma ciclagem de materiais entre as partes vivas e não-vivas. 
Ecossistema é a unidade funcional básica na ecologia. Já bioma é um termo conveniente, 
largamente usado, para denominar um grande biossistema regional ou subcontinental caracterizado 
por um tipo principal de vegetação ou outro aspecto identificador da paisagem. Com isso, biosfera 
inclui todos os organismos vivos da terra que interagem com o ambiente físico como um todo, para 
manter um sistema de estado contínuo, intermediário no fluxo de energia entre a entrada de energia 
de origem solar e o dissipador térmico do espaço. 
Ademais, o meio ambiente do Parque Municipal do Mindu é dotado de outras estruturas 
“integrados pelo conjunto de bens, instrumentos e meios, de natureza material e imaterial, em face 
dos quais o ser humano exerce as atividades laborais”. É uma área, conforme a Constituição Federal 
de 1988, dividida em físico ou natural, cultural, artificial e do trabalho. 
Desta feita, o professor deve utilizar-se deste biossistema para estimular os seus alunos a se 
interessar mais sobre o ensino das ciências naturais, pois, é através da prática o aluno aprenda mais 
sentindo a natureza e não ensinar os assuntos naturais da mesma forma metódica e tradicional 
fazendo com que o seu aluno se desinteresse do conteúdo ministrado pelo professor. 
Este trabalho é de grande relevância para o desenvolvimento do aluno, principalmente 
quando se trata de uma pesquisa que possibilita a observação e a identificação de diferentes 
interações entre seres vivos que habitam o Parque Municipal do Mindu. Desta forma a prática em 
espaço educativo como este poderá ampliar os conhecimentos sobre os assuntos trabalhados em 
sala, permitindo também estudar as relações harmônicas e desarmônicas no contexto amazônico. A 
prática da pesquisa de campo é a oportunidade de vivenciar a teoria na prática podendo ser usado 
pelos docentes em sua prática em sala de aula com os seus alunos. 
 
 
Considerações finais 
 
Numa análise dos procedimentos do ensino desenvolvidos no percurso da experiência de 
aprendizagem no campo, verifica-se que um roteiro pré-estabelecido facilita sobremaneira o 
desenvolvimento maturacional do estudante concernente ao conhecimento científico. Sabendo que 
os parques urbanos de Manaus fazem parte do cotidiano dos habitantes desta cidade, é um erro não 
se utilizar destes recursos como metodologia para ensino das ciências naturais. 
Após a prática de observação pretendida com a visitação no Parque Municipal do Mindu, 
temos a concluir que a relação dos seres vivos do parque do Mindu tem sofrido constante agressões 
pelo homem, sendo que, estas ações são contraditórias pois se de um lado a comunidade busca 
preservar as relações das espécies ameaçadas de extinção, por outro, se vê um quadro de agressão às 
espécies com a poluição dos igarapés e com os lixos no solo. Contudo, esta prática educacional 
deve ser realizada