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02. REGIME JURÍDICO DA ADMINISTRAÇÃO

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se há a COMPATIBILIDADE COM O OBJETIVO DA NORMA, sempre mediante o caso concreto.
Exemplo: Município faz concurso para o cargo de salva-vidas. E diz concurso que o deficiente, que utilize cadeira de rodas, não poderá prestá-lo. Fator de discriminação: exclusão do deficiente que utiliza cadeira de rodas do concurso de salva-vidas. Compatibilidade com o objetivo da norma: está preenchido, pois não desempenharia as funções compatíveis com o cargo de salva-vidas.
Diferentemente ocorreria se houvesse exclusão deste mesmo deficiente no caso de concurso para o cargo de servidor administrativo da instituição da polícia civil. Aí sim haveria ofensa ao princípio da isonomia, já que sua característica não é incompatível com o cargo que será exercido.
Limite de idade em concurso público é constitucional. VERDADEIRO. Supremo já disse que entende que é Constitucional a limitação, desde: 
Seja prevista na lei da carreira; 
Haja compatibilidade da discriminação com as atribuições do cargo. 
E não só sobre a idade poderá haver limitação. Também para o peso e altura dos candidatos poderá haver exigência neste sentido e até mesmo a sobre o tempo de “atividade jurídica” que ele possui.
As exigências de “atividade jurídica” não estão dentro das leis do Ministério Público e da Magistratura, mas entende-se que basta que a disposição sobre a discriminação esteja prevista em disposições dentro da Constituição Federal.
Exame psicotécnico viola o princípio da isonomia? Celso Antonio diz que até mesmo pode ser que o psicólogo seja mais maluco que o candidato. A jurisprudência e doutrina não vêem o exame psicotécnico com bons olhos. Para que seja aceito tem de estar previsto na lei da carreira e com critérios do exame sempre dispostos de forma objetiva.
PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Art. 5º, CF
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
	Na via judicial estes princípios já estão cristalizados. Mas, a grande problemática reside na esfera administrativa. Aos processos administrativos foram assegurados os princípios do contraditório e da ampla defesa somente com a CF/1988.
	Estes princípios vêm ganhando cada vez mais força dentro no processo administrativo, nos recentes entendimentos do Supremo. O STF vem anulando processos administrativos que não observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa causando prejuízos aos servidores e em consequência, fazendo que eles retornem aos seus antigos cargos.
	Quando um ato puder causar prejuízo para o servidor, ele deverá ser chamado a se manifestar, sempre se assegurando respeito ao contraditório e à ampla defesa.
	CONTRADITÓRIO é o conhecimento do processo, a ciência de sua existência para que a parte seja chamada a dele participar. Forma-se com ele a bilateralidade da relação jurídica. Trazendo a parte para o processo, abre-se para a parte a oportunidade de ampla defesa.	
	A AMPLA DEFESA fica cumprida ou satisfeita se há abertura para que a parte a apresente. É a oportunidade para que a parte se defenda de qualquer fato contra ela oposto.
	Alguns autores, como a professora Odete Medauar, fazem a ressalva de que não basta que o prazo seja aberto. É necessário que certas exigências da ampla defesa sejam asseguradas, para que ela aconteça efetivamente:
 
	Qual é a posição da jurisprudência sobre as cópias do processo administrativo? Há direito de reprodução? STJ diz que o direito de cópias não é garantido, mas há a oportunidade de obtenção das cópias do processo. Não se faz carga do processo administrativo, ele não sai da administração. Então, deve o poder público viabilizar as cópias, e o custo delas ficará por conta do servidor. Não é a administração que arca com os custos da reprodução do processo.
	A presença do advogado é essencial no processo administrativo? A jurisprudência do STJ já caminhava há alguns anos reconhecendo que apesar de a presença do advogado ser uma opção, uma faculdade da parte, a garantia de seu auxílio ajudaria muito na legalidade e no contraditório do processo administrativo.
	O STJ então edita a súmula 343, de acordo com sua jurisprudência consolidada, entendendo pela necessidade do advogado atuar junto ao processo administrativo:
Súmula 343, STJ - É obrigatória a presença de advogado em todas as fases do processo administrativo disciplinar.
	A partir desta súmula, o processo administrativo em que não houve a participação do advogado e que demitiu o servidor, teria a anulação deste processo. O servidor seria reintegrado a partir da anulação deste processo que não observou tal obrigatoriedade.
	Governo Federal começa a refazer as contas, pelas reintegrações e indenizações que deveriam ser pagas a todos esses servidores demitidos por processo em que não houve participação do advogado.
	O assunto questionado chega ao STF, e como resultado de interesse econômico do Governo Federal, há a edição da súmula vinculante nº05, lamentavelmente:
SÚMULA VINCULANTE Nº 5
A FALTA DE DEFESA TÉCNICA POR ADVOGADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR NÃO OFENDE A CONSTITUIÇÃO.
	Professora entende que esta súmula foi um regresso, encobrindo o posicionamento do STJ que se mostrava muito mais compatível com a realidade do processo de nosso novo século. Com a decisão do STF há retrocesso e compatibilidade com a norma prevista na lei 8112/1990, que entendia pela facultatividade da participação do advogado no processo administrativo.
	A súmula 343, STJ não foi cancelada, mas ninguém mais julgará contra a ideia da súmula vinculante nº 05.
	Processo administrativo tributário e o depósito prévio: a exigência do depósito prévio para ter o direito à interposição de qualquer recurso é considerada INCONSTITUCIONAL. O recurso deverá ser viabilizado para a parte, assegurado pelo devido processo legal. É pacífico este entendimento. Para o processo administrativo tributário ou para qualquer outro processo administrativo, não será necessário o depósito prévio.
ANÁLISE DA SÚMULA VINCULANTE Nº03
SÚMULA VINCULANTE Nº 3
NOS PROCESSOS PERANTE O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO ASSEGURAM-SE O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA QUANDO DA DECISÃO PUDER RESULTAR ANULAÇÃO OU REVOGAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO QUE BENEFICIE O INTERESSADO, EXCETUADA (excetuada porque o direito ainda não se formou, não há a possibilidade de prejuízo sobre um direito, porque ele ainda nem existe) A APRECIAÇÃO DA LEGALIDADE DO ATO DE CONCESSÃO INICIAL DE APOSENTADORIA, REFORMA E PENSÃO.
	O STF possui claro entendimento no sentido de que, se determinado processo/ato atingir a órbita de direito de alguém, deverá sempre ser assegurado o direito ao contraditório e a ampla defesa. Este entendimento se mostra bem colocado através da primeira parte da súmula vinculante. 
	Há participação pelo contraditório e da ampla defesa porque o interessado já possui o direito (um contrato com a administração, por exemplo), e ele poderá ser prejudicado com a anulação ou revogação deste ato que embasa o seu direito. Por esta razão ele deverá participar e se defender de qualquer coisa que possa vir a lhe prejudicar.
	Mas, na segunda parte da súmula, o caso é diverso. Em se tratando de concessão de aposentadoria, há a necessidade de um ato complexo. A administração se manifesta sobre a concessão da aposentadoria, que depois consulta o tribunal de contas e só depois deste momento da autorização do tribunal, o direito passará a existir.
	E a parte final desta súmula fala disso: não há oportunidade de manifestação do servidor antes da concessão inicial do direito à aposentadoria. Há vínculo do servidor somente com a administração e não com o tribunal de contas. 
O contraditório dele poderá ser feito dentro da administração. Não será chamada a parte para a formação do ato (concessão da aposentadoria) porque ainda não existe seu direito formado por este ato complexo e nenhuma relação com ele junto ao Tribunal de Contas.
PRINCÍPIO DA