A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
24 pág.
02. REGIME JURÍDICO DA ADMINISTRAÇÃO

Pré-visualização | Página 6 de 7

RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE
O servidor que age de forma sensata e coerente, na verdade age de forma razoável, de acordo com o princípio da razoabilidade.
Agindo com equilíbrio, o servidor também age com proporcionalidade. A doutrina moderna coloca o princípio da proporcionalidade dentro do princípio da razoabilidade, como sendo um desdobramento dele. 
O equilíbrio se manifestará entre os benefícios decorrentes do ato administrativo analisado juntamente com os prejuízos que dele emanam. 
Haverá proporcionalidade entre os atos praticados pela administração ou pelos particulares e as consequentes medidas tomadas pela administração que serão decorrentes desta escolha.
Tanto o princípio da razoabilidade quanto o princípio da proporcionalidade estão implícitos dentro da lei Constitucional. Mas, são princípios expressos da lei ordinária, que trata dos processos administrativos:
        
Art. 2o, lei 9784/1999 - A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
	Os atos administrativos poderão ser revistos pelo poder Judiciário? Qualquer ato administrativo poderá ser revisto pelo poder Judiciário, no que tange ao controle de LEGALIDADE deste ato. Como já visto anteriormente, este controle de legalidade será feito em sentido amplo, utilizando o controle quanto à lei ou quanto à Constituição (e perante seus princípios).
	E pode o poder Judiciário controlar o mérito do ato administrativo? Mérito significa discricionariedade, a liberdade do administrador. O mérito o judiciário não pode rever, regra geral. O Juízo de valor do administrador não será revisto pelo poder Judiciário. 
Caso isso fosse admitido, haveria troca da decisão do administrador pela decisão do Juiz, infringindo assim o princípio da separação dos poderes.
	Exemplos: certo Município necessita de um hospital e de uma escola. Mas, possui dinheiro apenas para construir um deles. O administrador escolheu investir em hospital, por escolha política. O poder Judiciário não poderá analisar o mérito desta decisão. Há razoabilidade e proporcionalidade nesta escolha.
	Mas, no mesmo exemplo, ainda que o Município esteja precisando de uma escola e de um hospital, decide o administrador fazer uma praça. A escolha da praça violou o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. Os interesses não estão equilibrados. 
Desta forma, o poder Judiciário poderá rever esta liberdade do administrador. Será feito o controle de legalidade em sentido amplo, atendendo ao preceito constitucional do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. 
O Poder Judiciário não faz controle de mérito. Mas, com o controle de legalidade em sentido amplo, acaba o ato do judiciário atingindo a discricionariedade do administrador.
	Os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade são limitadores da atividade discricionária do administrador. Por isso têm se dado muita importância para estes dois princípios.
	ADPF 45 não resolveu o caso concreto, mas o Supremo faz o reconhecimento do controle de política pública pelo poder Judiciário (necessária a leitura da íntegra do julgamento). Encontram-se também dois princípios, da reserva do possível e do mínimo existencial, que serão de melhor forma tratados em aulas sobre a responsabilidade da administração.
PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO
O serviço público tem de ser prestado de forma contínua, ininterruptamente. Professor Celso Antonio diz que o princípio da continuidade nada mais é que decorrência da obrigatoriedade de prestação do serviço público que possui o Estado. O serviço público não será interrompido, em regra.
Quando o serviço público poderá ser interrompido? Especialmente o corte do serviço essencial é visto com ressalva. Existem divergências, mas o entendimento é de que a interrupção do serviço público será possível, com fundamento no art. 6º, lei 8987/1995:
Art. 6o, lei 8987/1995 -Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, (princípio da continuidade, como regra) conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato.
        
§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas.
        
§ 2o A atualidade compreende a modernidade das técnicas, do equipamento e das instalações e a sua conservação, bem como a melhoria e expansão do serviço.
        
§ 3o Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção (serviço essencial também será admitido) em situação de emergência ou após prévio aviso, quando:
        
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e,
        
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.
	Prevalece que mediante o inadimplemento, mesmo sendo serviço essencial, ele será interrompido. Atenção ao art. 22 e 42, CDC – estão superados, porque se entende na jurisprudência que seja cortado o serviço essencial, baseado no art. 6º, 8987/1995.
	O raciocínio da Jurisprudência é de que, se houvesse a obrigatoriedade de prestação da empresa mesmo para o usuário inadimplente, a empresa quebraria, pois muitos se aproveitariam da situação de não pagamento e prestação do serviço. E ficariam sem a prestação de serviço aqueles que pagaram. Também não há tratamento isonômico para aquele que paga a tarifa e aquele que não paga nada pelo serviço.
	E se o usuário inadimplente for o próprio Estado? A jurisprudência traça ressalvas: logradouros públicos e hospitais não poderão ter o serviço essencial cortado. Mas, caso o Estado seja inadimplente, outros lugares que são mantidos por ele terão os serviços cortados.
	E poder haver a interrupção do serviço pelo exercício do direito de greve do servidor público? Um longo panorama deverá ser traçado mediante este questionamento.
	O servidor público possui direito de greve, assegurado pelo seguinte artigo da CF:
Art. 37, CF
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) – até a edição da emenda 19 a Constituição exigia a edição de uma lei complementar para a regulamentação do direito de greve. Hoje basta a lei ordinária.
	Trata-se de uma lei de EFICÁCIA LIMITADA, segundo a posição que prevalece. Por isso foi discutida em inúmeros mandados de injunção. 
Mas, a lei até agora não veio, contudo os servidores públicos continuaram fazendo greve. Então, nesta conjuntura, a greve é considerada ilegal. Como o servidor faz greve, não possui animus de abandono do cargo. Aí, não pratica infração grave, então a greve não enseja a pena de demissão. O serviço ficava parado e não há solução para tal desarmonia no sistema.
Então, o Supremo decidia a situação através de Mandados de Injunção. E comunicava ao Congresso Nacional que a lei de regulamentação da greve dos funcionários públicos precisava ser feita. Mas o aviso não era atendido.
Mediante tantas omissões do Congresso, o Supremo, em decisão do mandado de injunção nº 708 (e mais discussões no MI 670 e no MI 712) dá efeito concretista a ele. Deu efeitos constitutivos sobre a decisão (e não deu apenas efeito declaratório para os parlamentares), dizendo que o servidor tem direito de greve, seguindo a lei de greve do trabalhador comum (lei nº 7783/1989).
O Mandado de injunção nº 708 foi reconhecido e a decisão foi dada intra partes. Então, há insurgência pelos servidores do AGU e novamente questionamento do Supremo.
Atenção: a norma, para a posição majoritária da doutrina, continua sendo uma norma de eficácia limitada. Não passou a ser uma norma de eficácia contida após a decisão do Supremo. Mas, existem alguns constitucionalistas (minoria da doutrina) que entendem que a norma de eficácia