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2 - PROCESSO ADMINISTRATIVO

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17 de agosto de 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO
CONCEITO
Os atos administrativos são resultado de um processo (não há ato solto na Administração Pública), o processo administrativo é condição de forma do ato. 
Cuidado! Concurso de Procuradorias cai muito essa matéria, da mesma forma que revisão de ato administrativo.
A competência para legislar sobre processo administrativo é de cada ente da federação, contudo os entes ainda não legislaram sobre o assunto, eles acabam utilizando a lei 9784/99, que trata do processo administrativo no âmbito federal.
Conceito de processo administrativo: é o conjunto de atos que levam a um provimento final (ato administrativo). O resultado desse conjunto de atos é o ato administrativo. O conjunto de formalidades para realizar os atos do processo é denominado de procedimento. 
A lei 9784/99 não fez essa distinção técnica entre processo e procedimento, os administrativistas também não utilizam muito essa separação. Processo é o conjunto de atos com finalidade a prática de um ato administrativo, já o procedimento é o meio por meio do qual se realiza o processo.
Finalidade do processo administrativo: tem por finalidade de registro, é um mecanismo de documentação. Se destina também para fundamentar o ato, justificá-lo, é mecanismo de legitimação do ato. Pode se destinar também como mecanismo de defesa. 
A finalidade precípua do processo é PREPARAR a prática de atos administrativos: assim, um decreto expropriatório deve ser guardado dentro do processo administrativo, e não solto, desvinculado a ele. Podem ser realizadas cópias para organizar melhor os atos, mas os originais devem ser vinculados ao processo.
Observação: antes de 1988 existia a possibilidade de se punir um servidor pelo instituto da “VERDADE SABIDA” – situação em que o chefe, autoridade competente, caso presenciasse a prática de uma infração poderia punir o servidor sem a necessidade de processo administrativo. Hoje para se punir um servidor é indispensável o processo administrativo.
Somente com o advento da CF de 1988, moldou-se um formato constitucional de processo administrativo, cada vez mais forte, vinculado a princípios do contraditório e ampla defesa, legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência.
PRINCÍPIOS REGENTES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Hoje o processo administrativo tem papel muito importante na jurisprudência do STF. O processo administrativo é o mecanismo de legitimação do ato do administrador, é elemento de transparência. 
O processo administrativo não pode ser de qualquer forma, deve seguir o modelo constitucional.
Todos os princípios do Direito Administrativo se aplicam ao processo administrativo. Desse modo, somente serão abordados os princípios estritamente ligados ao Processo Administrativo.
19 de agosto de 2010
PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL
Esse princípio está previsto no art. 5 LIV CF e, segundo a doutrina majoritária, é decorrência do princípio da legalidade, é processo conforme determina a lei, vedando ao administrador realizar o processo ao seu bel prazer, sem qualquer formalidade legal.
O Estado é politicamente organizado e obedece suas próprias leis. Assim, fica proibido a junção ou criação de procedimentos, devendo ser aplicados estritamente aqueles previstos em lei.
Tal postulado evita os abusos do administrador, e objetiva afastar as condutas ilegais, evitando a arbitrariedade. Como desdobramento do devido processo legal surgem os princípios do contraditório e ampla defesa.
Esse processo deve seguir o modelo constitucional, assim devem ter contraditório a ampla defesa e recursos cabíveis. 
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
Esses princípios são novos no processo administrativo, de modo que começaram a ser exigidos após a CF88. Hoje a maioria das nulidades em processo administrativo decorre da inobservância desses dois princípios.
Contraditório é dar ciência a existência do processo. Por meio do contraditório é que se constitui a bilateralidade da relação jurídica processual (art. 5 LV CF), permitindo a aplicação da isonomia entre as partes.
A ampla defesa significa oportunidade para que a parte se defenda, mas não é somente permitir de forma inerte que a parte se defenda, dependendo de várias exigências para que ela efetivamente seja aplicada:
Oportunidade de informação: a parte deve ter direito a informação do processo, ex: direito de cópia do processo, mesmo que a parte pague as despesas. 
P: Mas o processo administrativo não é público?
R: Sim, mas excepcionalmente, por determinação legal, ele poderá ser sigiloso, ex: processo ético-disciplinar (só se publica a decisão final), ex: processo disciplinar da lei 8112/90.
A Administração deve oportunizar todos os meios para que o interessado se defenda no processo, mas o exercício dessa ampla defesa é faculdade da parte, de modo que se optar por não exercê-la não nulificará o processo.
Observação: Resolução 80 CNJ – trata do procedimento de declaração de vacância das serventias públicas. Ocorre que em muitos Estados, os respectivos TJ encaminharam a documentação das serventias ao CNJ que declarou a vacância sem oportunizar às partes vistas ao processo.
Garantia de produção de provas: não basta a parte produzir as provas, essas devem interferir no convencimento do julgador. O julgamento deve estar compatível com as provas produzidas. A lei é pobre quanto à matéria de provas, ela admite todas as provas permitidas em direito. Conseqüentemente estão proibidas as provas ilícitas, ex: interceptação telefônica sem determinação judicial.
A garantia de produção de provas e de defesa, de uma forma geral, deve ser realizada PREVIAMENTE ao julgamento, sob pena de sua inocuidade.
Observação: email institucional - P: esse pode ser utilizado como prova? A Administração Pública pode acompanhar os emails institucionais? R: A jurisprudência afirma que a Administração Pública pode ter acesso, pois o material é da Administração e está sendo cedido ao agente para fins exclusivamente profissional, nunca pessoal (se o servidor utiliza para fins pessoais, corre o risco de sua intimidade ser objeto de prova contra ele). 
P: Mas e o sigilo de correspondência? 
R: Não há violação a esse princípio, pois o material é da Administração Pública e não do servidor em particular.
Máfia dos Fiscais: No RJ quando veio à tona a máfia dos fiscais, muitos fiscais corruptos além de serem sujeitos passivos de PAD, foram presos em razão de as condutas serem também infrações penais. Ocorre que para serem realizadas oitivas das testemunhas e depoimento pessoal ou a Administração iria até o acusado ou deveria ser solicitado aparato policial para deslocamento do preso à Administração. Foi optada a primeira opção, sendo que muitas testemunhas com receio de depor nos presídios, se ausentaram, atrasando o PAD. O grande problema é que o PAD tem prazo certo de término, de modo que o atraso excessivo acarreta sua extinção.
Procedimento pré-estabelecido: O pré-conhecimento das etapas do processo permite ao acusado uma estratégia de defesa. Essa estratégia da parte, garantida em razão do prévio conhecimento do procedimento a ser adotado pela Administração, é meio de garantia da ampla defesa.
Um exemplo claro ocorre no Processo Penal, em que as teses principais são clarificadas nas alegações finais e não nas defesas prévias, tendo em vista que as partes sabem que serão oportunizadas posterior momento para sua defesa.
Como as partes já têm conhecimento das posteriores fases do procedimento, podem elas formular estratégias de defesa, de modo a efetivar o princípio da ampla defesa.
Direito de Recurso: é conseqüência da ampla defesa. Não há em processo administrativo os recursos típicos (recursos cabíveis em situações determinadas), mas eles podem ser exercidos.
Em decorrência da garantia de recurso, deve a administração motivar adequadamente a decisão, de modo apto a permitir que a parte conheça inteiramente das fundamentações da Administração para repudiá-las.