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2 - PROCESSO ADMINISTRATIVO

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Nas hipóteses de omissão, haverá ofensa à ampla defesa, pois não permite à parte conhecer das razões que negaram ao requerimento do administrado, impossibilitando seu recurso (não há ampla defesa quando a parte recorre sem saber sobre o que está recorrendo).
P: E o depósito o prévio para recorrer é possível? 
R: Essa discussão foi grande na jurisprudência, principalmente em matéria tributária, em que se exigia que a parte depositasse o valor da multa para recorrer. A jurisprudência afirmou que não se pode condicionar o recurso a um depósito prévio, até porque a parte perderia o direito de recorrer caso não tivesse dinheiro. Hoje a interpretação da decisão é que se aplica a todo processo administrativo.
SÚMULA VINCULANTE Nº 21	
É INCONSTITUCIONAL A EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIOS DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO.
Observação: Res. 75 CNJ - Prova Oral: não há direito de recurso em face da prova oral. Os autores estão criticando muito essa proibição, pois não se adéqua ao regime constitucional. A prova oral será gravada. Essa discussão já era corrente nos concursos que proibiam a direito de recurso. 
P: Concursando que faz concurso, mas o candidato não tem direito de vista de prova, ou tempo limitado para verificar a prova para embasar o recurso. Isso é possível? 
R: Como a fundamentação é parte indispensável ao recurso, a jurisprudência afirma que a motivação é elemento indispensável ao recurso, assim esse acesso restrito da prova ou não ter acesso a prova é indevido. A Administração Pública deve dar acesso a prova a todos os candidatos, evidenciando todas as correções.
P: Considerando que ao Poder Judiciário não é permitido realizar a recorreção de provas já feitas pela Administração, pode o Judiciário anular correção da Administração quando ela fornece “espelho de prova”, mas não corrige as provas conforme tal espelho?
R: Sim, para a jurisprudência, a Administração tem liberdade para definir o espelho de prova, mas uma vez definido o ato de correção será vinculado, sendo que eventual desconformidade da correção em face do espelho acarretará sua nulo. O controle do Judiciário nesse caso é de Legalidade.
Presença do Advogado no Processo Administrativo: A regra no processo administrativo é que a defesa técnica é facultativa. 
Com o passar do tempo se verificou que a presença do advogado no processo administrativo ajudava a legalidade do processo (o advogado contribui para que muitas nulidades não ocorram dentro do processo administrativo, exigindo que a Administração obedeça aos princípios constitucionais – ampla defesa, contraditório, devido processo legal etc). Assim, a jurisprudência do STJ se consolida, após uma evolução paulatina ao longo dos anos, afirmando que a presença do advogado é obrigatória no processo administrativo disciplinar, editando a S. 343 STJ. 
STJ Súmula nº 343 - 12/09/2007 - DJ 21/09/2007
Obrigatoriedade - Presença de Advogado - Processo Administrativo Disciplinar
    É obrigatória a presença de advogado em todas as fases do processo administrativo disciplinar.
Desta forma, havendo demissão de servidor, sem a presença de advogado, o ato é reputado ilegal, dando ao servidor direito a reintegração, com direito a todas as vantagens do período em que estava afastado. 
Em função disso, o STF, com razões econômicas e políticas, edita a súmula vinculante 5, afirmando que a falta de advogado em processo administrativo disciplinar não ofende a CF, assim a defesa técnica volta a ser facultativa.
Súmula Vinculante 5
A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.
É possível verificar que essa súmula vinculante não adveio de uma grande quantidade de julgamentos, surgindo apenas para evitar grandes “rombos” aos cofres públicos em virtude das inúmeras reintegrações que foram requeridas. A súmula tem conteúdo intimamente político e econômico, e não jurídico.
Para Professora Marinela, a solução deveria ser a modulação de efeitos da decisão, e não enterrar a súmula 343 do STJ, cunhada ao longo de muitos anos.
Da mesma forma que existe o chamado “advogado de porta de cadeia” e “advogado de check-in de aeroporto” surgiu o “advogado de porta de licitação”, sendo que o STJ julgou ilegal a representação realizada por um mesmo advogado a mais de 1 empresa interessada na mesma licitação.
Súmula Vinculante 3: 
Súmula Vinculante 3
Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Essa súmula discute o papel do Tribunal de Contas, afirmando que caso a decisão do TCU lese direito do administrado, esse terá direito de participar do ato. Nos processos perante o TCU que possam alunar ou revogar ato que lese interessado, esse poderá participar do processo.
Contudo, a parte final da súmula fala que o ato de concessão de aposentadoria não terá direito de participar do processo. Isso se dá porque o ato de concessão inicial de aposentadoria é ato administativo complexo (há duas manifestações de vontade). Nesse caso o TCU faz um controle de legalidade. P: Qual o momento na realização do ato é que o direito a aposentadoria irá existir? R: O aperfeiçoamento do ato irá ocorrer com a análise do TCU. P: Quando o TCU controla esse ato ele poderá lesar o interessado? R: Não, pois ainda está dentro da formação do ato, está no processo de aperfeiçoamento do ato (ele ainda não tem o direito). O servidor poderá recorrer, contudo perante a Adm Pub.
PRINCÍPIO DA VERDADE FORMAL X VERDADE REAL
Verdade formal é a verdade produzida no processo, já a verdade real é a aquilo que efetivamente ocorreu. A doutrina critica essas duas formas de verdade, pois a formal não satisfaz e a real é impossível de se atingir. 
Assim, a doutrina deixa de discutir se há verdade real ou formal. O que se deseja no processo é a verossimilhança, é a maior aproximação da verdade possível. Para o processo administrativo aplica-se a verdade real.
PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE 
Oficialidade significa, em uma primeira idéia, impulso oficial. Independentemente da provocação da parte o processo irá se movimentar.
Esse princípio obedece a duas regras precípuas: a) tanto a administração como o interessado pode dar início ao processo administrativo (diversamente do princípio da inércia da jurisdição no âmbito do Judiciário) e; b) vale, ainda, a idéia do informalismo, mas com ressalva, uma vez que essa regra é aplicável apenas para o administrado.
Observação: para o administrado vale o informalismo, já para o administrado vale a formalidade.
PRINCÍPIO DA CELERIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
Hoje esse princípio é regra constitucional expressa (art. 5 LXXVII CF). Contribuem para a celeridade os prazos rígidos etc. No processo administrativo disciplinar os prazos são mais rigorosos.
Art. 5, LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
P: O que é um prazo razoável?
R: A expressão é subjetiva, não sendo um conceito pré-definido. Para os procedimentos administrativos, muitas vezes, a própria lei que os disciplinam já determina qual o prazo de duração do processo administrativo, sendo este o prazo razoável de duração. 
LEI 9784/99 - LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Essa não é só uma lei de processo, ela traz soluções também para o tema atos administrativos (leitura obrigatória).
A competência para legislar sobre processo administrativo será de cada ente. Observação: A maioria dos entes não possuem tal lei própria, geralmente eles adotam a lei 9784/99. 
A lei 9.784 é uma lei geral que regula o processo administrativo no âmbito federal.
Art. 1o Esta Lei estabelece normas