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PRAGAS DA VIDEIRA Prof. Anderson Dionei Grützmacher Departamento de Fitossanidade FAEM/UFPel PRAGAS PRINCIPAIS 1 - Pérola da terra - Eurhizococcus brasiliensis (Hemiptera, Margarodidae) Descrição e Biologia: - “larvas primárias” - 1 mm de comprimento, coloração branco creme brilhante, com pêlos no abdome, rostro desenvolvido e pernas robustas - “larvas quistóides” - forma esférica, 6 mm de diâmetro e protegida por substância amarela brilhante - “larva dermestóide” - corpo rugoso, 5 mm de comprimento, densamente piloso de cor amarelo avermelhada e rostro atrofiado Cistos da pérola-da-terra em raízes de videira Cisto branco da pérola-da-terra Cisto amarelo da pérola-da-terra Cisto com ovos da pérola-da-terra Eclosão das ninfas a partir dos cistos com ovos da pérola-da-terra Fêmea móvel da pérola-da-terra Pré-pupa móvel da pérola-da-terra (macho) Pupa da pérola-da- terra (macho) Vista lateral do macho alado da pérola-da-terra Postura da fêmea ambulatória da pérola- da-terra na forma de cordão de ovos Ciclo de vida da pérola-da-terra Formiga argentina Linepithema humile Cistos da pérola-da-terra com fungos que se desenvolveram sobre as excreções açucaradas na ausência de formigas Cistos da pérola-da-terra envoltos pela casca do porta-enxerto Prejuízos: - murchamento progressivo das folhas secamento queda folhas - contínua sucção de seiva das raízes redução da produção morte da planta Controle: a) revolvimento do solo (subsolagem) viveiros de mudas b) calagem profunda c) uso de fosfina no solo (expurgo das mudas sacos plásticos) d) aplicação de inseticidas sistêmicos granulados no solo (60 a 70 % de controle) aldicarb e dissulfotom (vamidothion) – imidacloprid e thiamethoxam Épocas: setembro (1ª aplicação) e dezembro (2ª aplicação) obs: para não perder a produção do ano após a vindima e em setembro e) adubação orgânica f) eliminação de ervas invasoras (língua-de-vaca) g) variedade com sistema radicular bem desenvolvido Cultivar Magnólia (Vitis rotundifolia) é resistente h) no futuro novas opções de porta-enxerto (híbridos de V. rotundifolia – 043-43, 039-16, NC-66C) Paecilomyces fumosoroseus sobre cistos da pérola-da-terra Larva de Prolepsis lucifer (Diptera: Asilidae) predando cisto da pérola-da-terra Controle biológico 2 - Filoxera - Daktulosphaira vitifoliae (Hemiptera, Phylloxeridae) Descrição e Biologia: - adulto alado: 1,5 mm de comprimento, cor amarela - adulto áptero: de cor amarelo esverdeada Formas galícolas e ovos da filoxera Formas radícolas e ovos da filoxera Ciclo de vida da filoxera Prejuízos: - crescimento retardado ramos mais curtos folhas menores bagas mal formadas - raízes mais finas nodosidades - raízes principais tuberosidades racha apodrece - matrizes de porta-enxertos em viveiros de mudas pode atacar gavinhas, brotos novos e, principalmente folhas, produzindo galhas ou verrugas secamento da folha Suscetibilidade das videiras à filoxera: é máxima nas cultivares Vitis vinifera (européia), baixa em V. labrusca, muito baixa nas V. riparia, V. rupestris e V. berlandieri e praticamente nula em V. rotundifolia e em alguns de seus híbridos Controle: - porta enxerto resistentes ou tolerantes - matrizes de porta-enxertos em viveiros (infestações foliares) produtos sistêmicos ou com ação de profundidade dimetoato, endossulfam, fenitrotiom, fentiom, metidatiom (aplicação primavera/verão) 3 – Cochonilha parda - Parthenolecanium persicae (Hemiptera, Coccidae) Descrição e Biologia: - carapaça oval convexa de 7 a 9 mm de comprimento por 3,5 a 4,5 mm de largura e coloração pardo acinzentada, com estrias escuras no dorso Prejuízos: - ataca parte aérea da videira, associada principalmente a cultivares híbridas ou de origem americana - ocorre exclusivamente sobre as brotações do ano, não tendo condições de infestar o lenho velho (ritidoma) Ciclo de vida da cochonilha parda Controle: - pulverização de inseticidas no repouso hibernal (após a poda) diazinom, dimetoato, fenitrotiom, fentiom e metidatiom Obs: adicionar na calda óleo mineral na dosagem de 2 l/100 l (tratamentos durante a fase estival, reduzir a dosagem do óleo pela metade e aplicar ao final da tarde) 4 - Maromba ou Trombeta - Heilipus naevulus (Coleoptera, Curculionidae) Descrição e Biologia: -12 mm de comprimento, cor marrom escura, com prolongamento cefálico em forma de tromba - faixa esbranquiçada que corta transversalmente os élitros na sua porção distal Prejuízos: - ataque de brotações novas (cortando os primórdios foliares) cortam cachos em formação - um único adulto pode danificar várias plantas por noite Controle: - pulverização com deltametrina, fenitrotiom, fentiom e triclorfom - dar preferência a produtos com baixo efeito residual 5 - Traça dos cachos - Cryptoblabes gnidiella (Lepidoptera, Pyralidae) Descrição e Biologia: - 22 mm de envergadura, coloração cinza - lagartas cor marrom, 10 mm de comprimento 7 dias 35 dias 4 dias 25 dias ADULTO LAGARTA OVO PUPA IMPORTÂNCIA Perdas de 10 a 60% na produção; Depreciação do produto para venda in natura; Proliferação de bactérias, podridão ácida; Proliferação de fungos (Aspergillus carbonarius, A. niger e Penicillium sp.), produtores da Ocratoxina A. DANO DANO Prejuízos: - atacam os cachos de uva verdes raspam a casca do engaço uvas murcham queda das bagas - broqueia as bagas - cacho sujo por dentro (teia e excrementos) Controle: - biológico: Brachymeria pseudovata (Hymenoptera, Chalcididae) - químico: pulverização com deltametrina, fenitrotiom, fentiom e triclorfom (controle localizado) * indoxacarbe (oxadiazina) MONITORAMENTO Com feromônio sexual sintético: Z11-16:Ald e Z13-18:Ald (1:1) formulado pela Yogev Internacional na dose de 1mg/septo PRAGAS SECUNDÁRIAS 1 – Cochonilhas do lenho (Hemiptera, Diaspididae) Pardo-acinzentada - Duplaspidiotus spp. Amarela - Hemiberlesia lataniae Branca - Pseudaulacaspis pentagona Descrição: - circulares (1,5 a 2,0 mm de diâmetro) e levemente convexa Prejuízos: - sugam seiva do tronco e hastes depauperamento dos ramos morte da planta - infestam os ramos velhos grandes aglomerados infiltram por baixo da casca do ritidoma Controle: - inverno: raspando a casca do ritidoma antes do tratamento aplicar óleo emulsionável com fosforado (diazinom, dimetoato, fenitrotiom, fentiom e metidatiom) - primavera: sistêmico em pulverização dimetoato a 50% 2 – Cochonilha algodão - Icerya schrottkyi (Hemiptera, Margarodidae) Descrição e Biologia: - cochonilhas ovais, de 5 a 7,5 mm de comprimento, rosadas, sem carapaça e com corpo coberto por uma massa de cera branca (15 a 20 mm de diâmetro) Prejuízos: - atacam ramos e tronco (lenho velho) enfraquecimento dos ramos queda na produção Controle: - catação manual (poucos indivíduos) - surtos severos: pulverização de inseticidas no repouso hibernal (após a poda) diazinom, dimetoato, fenitrotiom, fentiom e metidatiom Obs: adicionar na calda óleo mineral na dosagem de 2 l/100 l (tratamentos durante a fase estival, reduzir a dosagemdo óleo pela metade e aplicar ao final da tarde) 3 - Lagarta das folhas (mandarová-da-uva) - Eumorpha vitis (Lepidoptera, Sphingidae) Descrição e Biologia: - 100 mm de envergadura, coloração parda - lagartas com 80 mm de comprimento, coloração verde clara Prejuízos: - destroem as folhas da videira consomem o limbo foliar Controle: - pulverização com deltametrina, fenitrotiom, fentiom e triclorfom - controle localizado no verão nos focos de ocorrência 4 - Coleobroca - Xylopsocus capucinus (Coleoptera, Bostrichidae) Descrição e Biologia: - 5 mm de comprimento, coloração marrom e élitros truncados Prejuízos: - abrem galerias longitudinais substância gomosa Controle: - destruição das larvas - eliminação dos ramos e plantas atacadas - fosfina em pasta 5 - Moscas-das-frutas - Ceratitis capitata e Anastrepha spp. (Diptera, Tephritidae) Descrição e Biologia: - 4 a 5 mm de comprimento, coloração amarelada, tórax preto (Ceratitis capitata) - 8 mm de comprimento (Anastrepha) Prejuízos: - uva “Itália” estrias orifício de saída nas bagas - uvas finas de mesa depreciação comercial acentuada queda de bagas cachos debulhados Controle: monitoramento frascos caça-moscas (suco de uva 25%) Cultural: destruir plantas hospedeiras Físico: ensacamento dos cachos (pequenos parreirais) Biológico: Doryctobracon areolatus e D. brasiliensis Químico: iscas tóxicas e pulverização com fosforados 100 l de água + 5 l de melaço + inseticida (diazinon, malation, paration, triclorfom e fention) Aplicar a isca tóxica por baixo das folhas de plantas alternadas na fila, em gotas grossas, gastando-se 50 l/ha Aplicação de inseticida em cobertura total NC = 3,5 moscas/frasco/semana BIO TRIMEDLURE 6 - Besouro verde - Maecolaspis trivialis (Coleoptera, Chrysomelidae) Descrição e Biologia: - 10 mm de comprimento, coloração verde azulada Prejuízos: - destroem brotações novas e folhas ( - nervuras) - destroem os frutos Controle: - pulverização com deltametrina, fenitrotiom, fentiom e triclorfom (novembro) 7 - Besouro pardo - Bolax flavolineatus (Coleoptera, Scarabaeidae) Descrição e Biologia: - 11 a 15 mm de comprimento, coloração marrom clara Prejuízos: - atacam folhas, flores e frutos Controle: - pulverização inseticidas fosforados e clorofosforados 8 - Besouro dos frutos - Euphoria lurida (Coleoptera, Scarabaeidae) Descrição e Biologia: - 10 mm de comprimento, coloração preta brilhante com riscos róseos Prejuízos: - atacam e destroem os frutos em amadurecimento Controle: - ensacamento dos frutos PRAGAS CIRCUNSTANCIAIS Abelhas e Vespas Causas: - falta de alimento (floradas) janeiro a março - superpopulação de abelhas na área (apicultura local mal planejada) Alternativas: - Plantio das áreas marginais com plantas que forneçam floração abundante e prolongada no verão (ex: trigo-mourisco); - Enriquecimento das matas ou reflorestamento das áreas de encostas com espécies que forneçam abundantes floradas (ex: eucalipto); - Alimentação artificial das abelhas; - Ensacamento dos cachos próximo à colheita (uvas finas de mesa); - Pulverização de fungicidas com ação repelente as abelhas (à base de captan).