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Resumo Perda de Sangue

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processo é complexo e provavelmente envolve distúrbios da função hipotalâmica e um
efeito tóxico direto do álcool nas células de Leydig. A ginecomastia está associada à
hepatopatia alcoólica e está relacionada com a resposta celular exagerada ao estrogênio
e ao metabolismo acelerado da testosterona.
A função sexual das mulheres dependentes de álcool não está muito bem
esclarecida. Algumas mulheres alcoólicas referem redução da libido, diminuição da
lubrificação vaginal e anormalidades do ciclo menstrual. Em geral, os ovários dessas
mulheres são pequenos e não apresentam desenvolvimento folicular. Alguns dados
sugerem que as taxas de fertilidade sejam menores entre as mulheres alcoólatras. A
coexistência de outras doenças, como anorexia nervosa ou bulimia, pode agravar o
problema. O prognóstico dos pacientes que se tornam abstêmios é favorável, desde que
não haja insuficiência hepática ou gonadal significativa.
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
Efeitos hematológicos e imunológicos 
A ingestão crônica de álcool está associada a alguns tipos de anemia. A anemia
microcítica pode ser causada por perda crônica de sangue e por deficiência de ferro. As
anemias macrocíticas e os aumentos do volume corpuscular médio são comuns e podem
ocorrer mesmo que não haja deficiências de vitaminas. As anemias normocíticas também
podem ocorrer em virtude dos efeitos da doença crônica na hematopoiese. Nos pacientes
que apresentam doença hepática grave, as alterações morfológicas podem incluir o
aparecimento de células crenadas, esquistócitos e sideroblastos anulares. A anemia
sideroblástica induzida por álcool pode melhorar com a reposição de vitamina B6. 
A ingestão de álcool também está associada a trombocitopenia reversível, embora
seja raro encontrar contagens de plaquetas abaixo de 20.000/mm3. Os sangramentos não
são comuns, a menos que haja anormalidades dos fatores da coagulação dependentes
da vitamina K1; entre os mecanismos propostos para explicar essa anormalidade está o
sequestro de plaquetas no baço e na medula óssea. 
O álcool também afeta os granulócitos e os linfócitos. Os efeitos são leucopenia,
alteração das subpopulações linfocitárias, diminuição da mitogênese dos linfócitos T e
alterações na produção das imunoglobulinas. Esses distúrbios podem ser importantes na
hepatopatia alcoólica. Em alguns pacientes, a migração leucocitária reduzida para as
áreas inflamadas pode explicar em parte a resistência baixa dos alcoólicos a alguns tipos
de infecção (p. ex., pneumonia por Klebsiella, listeriose e tuberculose). O consumo de
álcool também pode alterar a distribuição e a função das células linfoides por interferir na
regulação das citocinas, principalmente com relação à interleucina-2 (IL-2). O álcool
parece desempenhar papel importante na infecção pelo vírus da imunodeficiência
humana tipo 1 (HIV). Estudos in vitro com linfócitos humanos sugeriram que o álcool pode
suprimir a função dos linfócitos T CD4 e a produção de IL-2 estimulada pela
concanavalina A e favorecer a replicação do HIV in vitro. Além disso, os indivíduos que
fazem uso abusivo de álcool têm índices mais altos de comportamento sexual de alto
risco.
Definições
Hematêmese – Vômito de sangue.
Hemoptise – Expulsão de sangue procedente do sistema respiratório pela boca.
Vômica – Expulsão pela glote de um líquido primitivamente cavitário. É a
eliminação mais ou menos brusca, através da glote, de uma quantidade abundante de
pus ou líquidos de aspecto mucoso ou seroso. É eliminado pela tosse.
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
Melena – Presença de sangue degradado e alterado nas fezes que lhes confere
uma cor preta indicativa de sangramento do tubo digestório, denominado hemorragia
digestiva alta.
Enterorragia – Hemorragia de origem intestinal.
Hematoquezia – Também chamado de sangramento retal, é o nome dado à
presença de sangue vivo em pequena ou moderada quantidade, que fica envolto às fezes
e só aparece quado o paciente evacua. A hematoquezia é um sinal típico dos
sangramentos digestivos baixos.
Choque
O choque é uma síndrome caracterizada por insuficiência circulatória aguda com
má distribuição generalizada do fluxo sanguíneo, que implica falência de oferta e/ou
utilização do oxigênio nos tecidos. Nem todos os danos teciduais advêm da hipóxia, mas
podem decorrer da baixa oferta de nutrientes, reduzida depuração de substâncias tóxicas,
maior afluxo de substâncias nocivas aos tecidos, ativação de mecanismos agressores e
redução de defesas do hospedeiro.
Faz parte da via final comum em inúmeras doenças fatais, contribuindo, portanto,
para milhões de mortes em todo o mundo. É fundamental o seu reconhecimento precoce
para correção das disfunções por ele provocadas e sua causa de base, pois quanto mais
precoce o tratamento, melhor o prognóstico para o doente.
Este trabalho tem como objetivo abordar os aspectos de relevância do assunto e,
desta maneira, auxiliar o profissional de saúde (médico, médico-residente, estudantes de
medicina, enfermeiros e técnicos de enfermagem) no atendimento de pacientes com
choque no Pronto-Atendimento, conduzindo à padronização de normas e estabelecimento
de condutas para melhor atendimento e tratamento desses pacientes. 
Classificação do choque
Hipovolêmico
Desidratação(diarreia, vômitos, poliúria, queimaduras extensas, febre) 
Hemorragia (politraumatizados, ferimentos com arma de fogo ou arma 
branca) 
Sequestro de líquidos (pancreatite, peritonite, colite, pleurite)
Drenagem de grandes volumes de transudatos (ascite, hidrotórax) 
Obstrutivo
Coarctação da aorta
Embolia pulmonar
Pneumotórax hipertensivo
Tamponamento cardíaco 
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
Cardiogênico
 Aneurisma ventricular 
Arritmias Defeitos mecânicos 
Disfunção miocárdica da sepse 
Disfunção de condução 
Falência ventricular esquerda 
Infarto agudo do miocárdio 
Lesões valvares 
Miocardite e cardiomiopatias 
Shunt arteriovenoso 
Distributivo
Anafilaxia 
Choque séptico
Choque neurogênico (trauma raquimedular, traumatismo craniano)
Doenças endócrinas (hipocortisolismo/hipotireoidismo)
Síndrome vasoplégica, pós-circulação extracorpórea
Classificação
Os estados de choque podem ser classificados em: hipovolêmico, obstrutivo,
cardiogênico e distributivo:
➔ Hipovolêmico: caracterizado por baixo volume intravascular ou baixo volume
relativo à sua capacitância, o que determina hipovolemia absoluta ou relativa. O
volume contido no compartimento intravascular é inadequado para perfusão
tecidual. Há diminuição na pré-carga e diminuição do débito cardíaco (DC). A
resistência vascular sistêmica está tipicamente aumentada na tentativa de
compensar a diminuição do DC e manter a perfusão nos órgãos vitais. Pode ser
dividido em quatro classes com base na gravidade da perda volêmica, como
demonstrado na Tabela 2. Exemplos: desidratação, hemorragia, sequestro de
líquidos.
➔ Obstrutivo: ocorre em consequência de uma obstrução mecânica ao débito
cardíaco, o que ocasiona hipoperfusão tecidual. Causas comuns são:
tamponamento cardíaco, tromboembolismo pulmonar e pneumotórax
hipertensivo.
➔ Cardiogênico: é consequência da falência primária da bomba cardíaca, que
resulta na diminuição do débito cardíaco. Decorre de interferências sobre o
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
inotropismo e/ou cronotropismo cardíacos. Causas: infarto do miocárdio,
arritmias, miocardite, entre outras.
➔ Distributivo: caracterizado por inadequação entre a demanda tecidual e