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MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 1 
 
Prof. Florestan Rodrigo do Prado 
E-mail: 
 
05/02/2016 
 CONCEITO DE MEDICINA LEGAL 
 “É a medicina a serviço das ciências jurídicas e sociais”. (Genival Veloso de França) 
 “Conjunto de conhecimentos médicos e paramédicos destinados a servir ao Direito, 
cooperando na elaboração, auxiliando na interpretação e colaborando na execução dos 
dispositivos legais, no seu campo de ação de medicina aplicada”. (Hélio Gomes) 
 “É a aplicação dos conhecimentos médicos-biológicos na elaboração e execução das 
leis que deles carecem” (Flamínio Fávero) 
 “É a ciência extrajurídica auxiliar, alicerçada em um conjunto de conhecimentos 
médios, paramédicos e biológicos, destinados a defender os direitos e os interesses dos 
homens e da sociedade” (Deldon Corce e Delton Croce Jr.) 
 “Medicina legal é o ramo da medicina vinculado ao Direito, consistente no emprego de 
técnicas e procedimentos científicos utilizados para o esclarecimento de casos do interesse da 
justiça”. (Florestan) 
 SINONÍMIAS 
 Medicina judiciária, medicina forense, medicina pericial, jurisprudência médica, 
medicina criminal, medicina jurídica. 
 Existem várias espécies de nomenclaturas. No Brasil, o termo mais empregado é 
Medicina Legal, que é a nomeclatura adotada pela “especialização médica”, ou seja, a área da 
medicina com determina particularidade que põe seus conhecimentos específicos a disposição 
da Justiça. 
 Atualmente existe, no Brasil, a ABML – Associação Brasileira de Medicina Legal, 
formada por “médicos legistas” com título de especialidade. 
 MEDICINA LEGAL É UMA CIÊNCIA AUTÔNOMA? 
 Existem divergências doutrinárias quanto a Medicina Legal ser ou não uma ciência 
autônoma. Havendo ainda uma discussão se ela ainda é uma parte da Medicina (ramo das 
Ciências Médicas). Surgiram três correntes a este respeito: 
 Corrente restritiva: Defende que ela não é uma ciência autônoma porque utiliza de 
conhecimentos das ciências médicas a favor do Direito. Sendo, portanto, um segmento da 
medicina. 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 2 
 
 Corrente extensiva: Defende que ela é uma ciência autônoma porque é exercida por 
profissionais habilitados e capacitados para este fim, ou seja, os “médicos legistas”. 
 Corrente eclética ou mista: Possui um posicionamento intermediário, aceitando em 
parte a autonomia científica da Medicina Legal (por ser formada por profissionais capacitados 
e por possuir técnicas e metodologias próprias), mas, ao mesmo tempo não desvinculando 
esta disciplina do campo das “Ciências Médicas”. 
 No Brasil não há uma corrente predominante. No entanto, os maiores expoentes da 
literatura médico-legal adotam a corrente eclética (Flamínio Fávero, Hilário Veiga de Carvalho, 
etc.) 
 ESCORÇO HISTÓRICO DA MEDICINA LEGAL 
 Período antigo: a medicina era uma “arte”. Os médicos eram vinculados à religião 
(sacerdotes). O cadáver era sagrado, não podia ser estudado. Na China, haviam técnicas para 
estudar o cadáver e distinguir as lesões. 
 Período Romano: os cadáveres eram analisados externamente. (O corpo de Júlio César 
foi periciado externamente por Antístio, médico). Com a vigência do Código de Justiniano (483 
dC) a “mulher grávida” poderia ser submetida à perícia pela parteira para se constatar a 
gravidez. 
 Idade Média: prevaleceram a Ordálias até 1215 dC. Na França em 1278, criou-se a 
figura dos cirurgiões juramentados junto à coroa. Em casos de morte violenta, determinou-se a 
necessidade de perícia (1507). 
 Período Canônico: a partir do Decreto do Papa Inocêncio III, as perícias começaram a 
ser autorizadas. Em 1374, o Papa Gregório XI passou a autorizar necropsias em casos 
complexos. Somente em 1532, na Alemanha através de Carlos V, foi instituído o Código 
Criminal Carolina, onde as perícias criminais passaram a ser obrigatórias em caso de morte 
violenta. 
 Período Moderno ou Científico: inicia-se em 1575, através dos estudos do cirurgião 
francês Abróise Paré. Em 1602 foi lançado o primeiro tratado de Medicina Legal através do 
médico Fartunatus Fidelis tratando de questões médico legais (traumatologia, sexologia, 
dentre outras). Em 1621, Paulo Zacharias publica a obra “Questiones medico legales *...+” com 
três volumes expondo tudo que sabia sobre medicina legal. Este livro é considerado, pela 
maioria dos autores, como o verdadeiro “marco” da Medicina Legal moderna. 
 Medicina Legal no Brasil: no período colonial foi influenciada pelos franceses, italianos 
e alemães, sendo praticamente nula a participação portuguesa. Haviam apenas documentos 
médicos esparsos. Em 1832, com a regulamentação do Código de Processo Penal brasileiro, 
foram aplicadas várias regras sobre perícias criminais. 
 O ensino prático de Medicina Legal no Brasil foi iniciado por Souza Lima em 1818 e 
aplicada na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. A nacionalização da Medicina Legal 
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ocorreu pela criação da Escola Brasileira de Medicina Legal fundada por Raymundo Nina 
Rodrigues, na Bahia, no início do Séc. XX. Passou a ser disciplina obrigatória na USP em 1922. 
 Desde então, muitos cursos de Direito e de Medicina adotam a disciplina de Medicina 
Legal. Seus principais expoentes são: Alcântara Machado, Delton Croce, Flamínio Fávero, Hélio 
Gomes, Hilário Veiga de Carvalho, Oscar Freire, Genival França, dentre outros. 
 CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA DA MEDICINA LEGAL 
 Medicina legal pericial: abrangeria o surgimento da Medicina Legal voltada para as 
pericias médicas e a solução dos problemas afetos à Justiça. Para a comprovação dos fatos 
depende-se de perícia. 
 Medicina Legal Legislativa: envolveria aspectos legal, visando normatizar diversas 
condutas médico-legais com a criação de Leis compreendendo a Medicina Legal e o Direito. 
 Medicina Legal Doutrinária: pretende contribuir para a discussão e fundamentação 
científica de institutos jurídicos ligados às áreas médicas. 
 Medicina Legal Filosófica: discute assuntos ligados à ética do exercício da medicina, 
envolvendo assuntos relevantes no âmbito da reflexão filosófica, por exemplo: clonagem 
humana, emprego de células-tronco, relações entre médico e paciente, etc. 
 RELAÇÃO DA MEDICINA LEGAL COM OUTROS RAMOS DO DIREITO 
 Direito Penal e Direito Processual Penal: muitos crimes dependem de provas periciais 
realizadas sobre seus vestígios, como por exemplo, os crimes contra as pessoas (homicídio, 
infanticídio, aborto, lesões corporais, etc.) e os crimes contra a dignidade sexual (estupro, 
estupro de vulnerável, etc.) dentre outros. 
 Também são realizadas pericias em crimes contra o patrimônio que deixam vestígios 
(arrombamento, escalada, etc.), em crimes contra a fé pública (falsificação de moeda, de 
documentos em geral, etc.) 
 Obs: Na busca da solução de problemas judiciais, a Medicina Legal socorre-se de 
inúmeras fontes: Física (fotografia, radiografia, balística), Química (toxicologia, exames 
laboratoriais). Anatomia, Biologia, Parasitologia Psicologia, Psiquiatria, etc. 
 Direito Penitenciário: no âmbito da execução da pena privativa de liberdade são 
realizados vários tipos de perícias psiquiátricas previstas na Lei de Execuções Penais – Lei 
7.210/84. Existe o “Exame Criminológico” realizado como forma de individualização da pena e 
como instrumento para obtenção de benefícios legais (progressão de regimes, livramento 
condicional, etc.). Na execução das Medidas de Segurança são realizados os Exames de 
Cessação de Periculosidade. 
 Direito do Trabalho e Direito Previdenciário: a Medicina Legal investiga os acidentes 
de trabalho e as doenças ocupacionais. Devem ser periciadas as lesões decorrentesdo 
trabalho e as condições de segurança do trabalho. Existem as perícias realizadas nos processos 
trabalhistas, a exemplo das lesões por esforços repetitivos (LER). Além disso, temos uma série 
MEDICINA LEGAL 
 
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de benefícios previdenciários que envolvem doenças que precisam ser submetidas à perícia 
médica (Ex: auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, etc.). 
 Direito Civil e Direito Processual Civil: A Medicina Legal atua no campo das capacidade 
civis. Em certos casos, é necessária a realização de perícia para se verificar se o indivíduo tem 
capacidade civil. (Ex. processo de interdição para verificar a existência de uma doença mental). 
Atua também no Direito de Família (exame de DNA no processo de investigação de 
paternidade), no âmbito da responsabilidade civil (perícia em acidentes, colisões de veículos, 
etc.). No processo civil, tais perícias podem ser determinadas pelo juiz ou a requerimento das 
partes. 
 Direito de Trânsito: a Medicina Legal influencia o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 
9.503/97), quando se refere a embriaguez e as consequências jurídicas provocadas por 
substâncias com efeitos análogos, como drogas. 
 DIVISÃO OU CLASSIFICAÇÃO ESTRUTURAL DA MEDICINA LEGAL 
 Parte Geral: envolve a introdução dos estudos de Medicina Legal. Abordando-se 
conceitos, importância, divisão, tipos de perícias e a forma de atuação dos peritos. Também 
visa o estudo dos deveres (Deontologia) e direitos (Diciologia) dos médicos (Ética médica, sigilo 
profissional, responsabilidade médica, etc.). 
 Parte Especial: envolve as especialidades da Medicina Legal, compreendendo as 
questões de identidade das pessoas, o estudo das doenças mentais, da sexualidade humana, 
das lesões corporais e dos agentes traumáticos, da morte e dos fenômenos que a 
acompanham, das asfixias mecânicas em razão de causas externas, etc. 
 DIVISÃO DIDÁTICA DA MEDICINA LEGAL 
 Antropologia Forense 
Preocupa-se com a identidade (características próprias e exclusivas) e identificação 
(processo que se atribui a identidade a alguém) das pessoas e todos os procedimentos e 
métodos aplicados para tal finalidade. Ex: sistema datiloscópico. 
 Traumatologia Forense 
Importa-se com o estudo das causas (traumas) e das consequências (lesões), 
provocadas a partir do emprego de determinados tipos de energia. Ex: lesões causados por 
instrumentos perfurantes, cortantes, contundentes, lesões causadas pelo calor, eletricidade, 
substâncias químicas, eletricidade, etc. 
 Sexologia Forense 
Estuda a sexualidade normal e anormal, procurando correlaciona-la com as diversas 
doenças e perturbações envolvendo o comportamento sexual humano. Ex: patologias sexuais, 
etc. 
 Asfixiologia Forense 
MEDICINA LEGAL 
 
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Preocupa-se com os mecanismos diversos da privação de oxigênio fornecido ao 
cérebro e demais tecidos do corpo humano, objetivando fazer uma ligação com a morte ou 
alterações deles decorrentes. Ex: enforcamento, esganadura, estrangulamento, etc. 
 Psicopatologia Forense 
Preocupa-se com o estudo da personalidade do ser humano e das doenças mentais 
que influenciam seu comportamento criminal. Ex: psicopatia, esquizofrenia, oligofrenia, 
neuroses, etc. 
 Tanatologia Forense 
Estuda-se a morte em seus diversos aspectos, buscando, sobretudo, desvendar-lhe a 
causa, o tempo estimado de ocorrência, os fenômenos cadavéricos, etc. 
 Toxicologia Forense 
Estuda-se os diversos casos de intoxicações exógenas (externas). Ex: envenenamentos, 
drogadições, alcoolismo, etc. 
MEDICINA LEGAL, CRIMINOLOGIA E CRIMINALÍSTICA 
Uma questão que sempre é levantada e que é muito comum em concursos públicos é 
aquele referente à diferença existente entre a Medicina Legal, Criminologia e Criminalística. 
MEDICINA LEGAL 
É a ciência ou o ramo da medicina aplicada ao Direito que emprega técnicas e 
procedimentos científicos, estudando alterações biopsicológicas do organismo humano (vivo 
ou morto) para a elucidação de casos do interesse da justiça. Objeto: corpo humano (vivo ou 
morto) e suas interações com o meio ambiente. 
CRIMINOLOGIA 
É a ciência multidisciplinar, não normativa, que estuda o crime como fenômeno social, 
o criminoso sob uma perspectiva objetiva e subjetiva, a vítima e sua participação no contexto 
do delito, bem como os mecanismos de controle social que operam em sociedade. 
 CRIMINALÍSTICA 
 É a ciência que estuda os vestígios deixados no local do crime, preocupa-se mais com a 
identificação do delinquente, com a produção de prova e coma dinâmica do evento criminoso. 
Ex: análise de secreções, fios de cabelo, impressões digitais, arma utilizada no crime, etc. 
 
19/02/2016 
 PERÍCIAS – PERITO – DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 
 CONCEITO DE PERÍCIA 
MEDICINA LEGAL 
 
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 As autoridades judiciárias não são obrigadas a conhecerem todos os campos científicos 
(economia, engenharia, medicina, etc.). 
 Assim, a Justiça se socorre das perícias para o esclarecimento de diversos temas de seu 
interesse. 
 Significado: do latim, “Peritia” que significa habilidade, destreza, conhecimento. 
 As perícias são os exames realizados pelos técnicos (peritos) nas diversas áreas do 
conhecimento. Quando realizada por médicos, são chamadas de perícias médicas ou de 
diligências médico-legais. 
 Perícia: é todo procedimento técnico-científico (Laboratorial, necroscópico, clínico, de 
exumação, etc.) realizado por pessoa qualificada para tal trabalho e sob solicitação exclusiva 
da Justiça, visando esclarecer fatos, dirimir dúvidas e fornecer provas concretas da 
materialidade de um fato delituoso. 
 Pode ser entendida como sendo “a capacidade teórica e prática de alguém, em 
determinado campo científico, objetivando sempre esclarecer fatos que interessa à Justiça”; 
ou ainda, “uma modalidade de prova que requer conhecimentos científicos, técnicos ou 
artísticos”. 
 A perícia é uma prova “Objetiva” ou “Matiral”. É o “visum et repertum” (ver e retratar). 
 CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS PERÍCIAS 
As perícias podem ser Médicas ou Não Médicas. 
Perícias médicas: envolvem psiquiatria, traumatologia, sexologia, tanatologia. Ex. 
laudo necroscópico. 
Perícias não médicas: envolvem áreas científicas diversas da medicina. Ex. perícia 
contábil, de engenharia, balística, documentoscópicas, etc. 
Perícias cíveis: são aquelas que refletem no âmbito civil. Ex: Exame de DNA para 
constatação da paternidade. 
Perícias trabalhistas: referem-se ao Direito do Trabalho. Ex: Laudo de caracterização e 
classificação da insalubridade e periculosidade do local de trabalho. 
Perícias Criminais: realizadas para a comprovação da materialidade do crime ou do 
fato que tenha importância no campo criminal. 
o CLASSIFICAÇÃO DAS PERÍCIAS NO ÂMBITO CRIMINAL 
Existem duas grandes vertentes pericias: 
Perícia de retratação (percipiendi): visa apenas a descrição pura e simples daquilo que 
foi observado pelo perito. É uma narração minuciosa daquilo que foi visto pelo perito. É a 
modalidade mais comum de exame pericial. Ex: Exame de local do crime. 
MEDICINA LEGAL 
 
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Perícia interpretativa (deducendi): é a realizada através de um método de 
interpretação dos fatos, no qual o perito, após analisar os elementos encontrados, lança uma 
conclusão técnica. Ex: Laudo necroscópico em que o perito determina a “causa mortis”. 
Outras classificações: 
Direta: quando realizada sobre a própria coisa ou pessoa sempre que o evento tenha 
deixado vestígio. Ex: corpo da vítima (Exame de corpo de delito – Art. 158, CPP). 
Indireta: quando utiliza dados anteriormente registradosem outros órgãos, v.g. fichas 
hospitalares ou prontuários clínicos (Art. 167, CPP). 
Retrospectiva: trata-se de uma perícia confeccionada no presente, mas que versa 
sobre matéria do passado. Ex: laudo psicológico para avaliar a inimputabilidade ou sua 
situação psicológica à época da conduta. (Ex: averiguação de estado puerperal); 
Prospectiva: objetiva o exame de situações presentes cujos efeitos deverão ocorrer no 
futuro. Ex. Exame de cessação de periculosidade. 
Falsa perícia: é uma perícia onde o perito presta informações inverídicas, consistindo: 
a) na afirmação de uma inverdade; b) na negação da verdade; c) no silêncio sobre a verdade. A 
constatação da falsa perícia pode gerar consequências ao perito que responderá por crime de 
“falsa perícia” previsto no Art. 342 do CP, além de consequências no âmbito civil e 
administrativo. 
 Obs. Falsa perícia e Imperícia são coisas diferentes. Na “falsa perícia” o perito tem 
conhecimento sobre o assunto, mas dolosamente, nega a verdade. Já na “imperícia” o perito 
demonstra falta de conhecimentos técnicos-científicos para elaborar a perícia, ou seja, 
demonstra incapacidade técnica para a elaboração do laudo. Ambos podem sofrer penas 
administrativas. 
 Perícias Compulsórias ou Obrigatórias: São aquelas em que o Juiz, o Promotor de 
Justiça ou o Delegado de Polícia não podem deixar de requisitar sua realização, ou seja, são 
obrigatórias tanto no inquérito policial como no inquérito civil ou no processo. 
 Ocorrem nas seguintes hipóteses: a) quando a infração deixar vestígios; b) quando há 
dúvidas sobre a integridade mental do acusado, nesta hipótese, o juiz suspende o processo e o 
converte em diligências, a fim de submeter o réu a perícia psiquiátrica; c) quando a perícia é 
possível e tempestivamente requerida pela parte ou seu representante. 
 Perícia Contraditória: quando dois peritos, num mesmo caso, chegam a conclusões 
divergentes, ou seja, quando os peritos divergirem sobre a conclusão do “visum et repertum”, 
então será nomeado o 3° perito a fim de dirimir a dúvida, divergindo daqueles, poderão ser 
nomeados outros dois peritos que elaborarão um novo laudo, tudo a critério de quem deverá 
emitir o juízo de valores, ou seja, da autoridade requisitante (Art. 180, CPP). Se o perito 
desempatador não for oficial, deverá prestar compromisso. 
 
MEDICINA LEGAL 
 
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 SOBRE QUEM OU SOBRE O QUÊ RECAI UMA PERÍCIA? 
 Todo crime material deixa vestígios de sua existência. As perícias são realizadas sobre 
esses vestígios. Os vestígios compõem o “Corpo de Delito”. 
 “Corpo de Delito é o conjunto dos elementos materiais deixados pela conduta 
criminosa”. Conforme o Art. 158 do CPP, “quando a infração deixar vestígio será 
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão 
do acusado”. 
 Obs.: não confundir “corpo de delito” com o “corpo da vítima”, pois são coisas 
diferentes. O “exame de corpo de delito” é a perícia que se realiza nos elementos materiais 
deixados pela infração. Esses vestígios deixados pelas infrações podem ser permanentes 
(delicta factis permanentis) ou transeuntes (delicta factis transeuntis). 
 Pessoas Vivas: visam determinar a identidade, idade, sexo, altura, doenças físicas ou 
mentais, gravidez, embriaguez, lesão corporal, estupro, etc. 
 Pessoas Mortas (Cadáveres): tem por objetivo diagnosticar o tempo da morte, a 
identificação do morto, diferenciar lesões causadas em vida “intra vitam” e causadas após a 
morte “post mortem”. Realizar exames toxicológicos das vísceras do morto, extrair projéteis do 
corpo, proceder a exumação, etc. 
 Objetos: tem por finalidade a pesquisa de impressões digitais, exames de armas e 
projéteis, instrumentos médicos (em caso de abortos) manchas de saliva, esperma, sangue, 
fezes, etc. 
 Animais: são perícias mais raras, mas podem ocorrer em alguns casos. Exemplo: tráfico 
de drogas com utilização de animais; ato libidinoso para esclarecer crimes sexuais envolvendo 
animais (zoofilia ou bestialismo); lesões nos animais (crueldade contra animais); e, exame 
bromatológico (alimentos deteriorados, envenenamento). O IML de São Paulo não realiza 
exames em animais, devendo a autoridade nomear veterinários como peritos louvados. 
 Obs: Há uma especialidade denominada Entomologia Forense em que se estuda 
insetos e ácaros em processos criminais para desvendar a prática de crimes. 
 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA PERÍCIA 
 A quem interessa a perícia: a) Ao advogado, para a defesa de seu cliente; b) A 
autoridade policial, para a elaboração do inquérito; c) Ao Promotor de Justiça, para iniciar a 
ação penal; d) Ao juiz, na formação de seu convencimento para prolatar a sentença. 
 Quem determina a perícia: é determinada pela autoridade competente à frente do 
caso. Quem as requisita diretamente são os Delegados, os Juízes e os membros do Ministério 
Público. Os advogados podem requerem a realização de perícias, cabendo às autoridades 
determinarem ou não a sua realização (Art. 14, CPP). 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 9 
 
 Formalização da perícia: a perícia é materializada em um documento (relatório) 
denominado “Laudo” ou “Auto” que pode ter natureza técnica, artística, científica, médico-
legal ou criminalística. 
 Limites da Perícia: embora seja prova técnica, objetiva e material, a perícia não tem 
valor absoluto, pois o Juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo rejeitá-lo no todo ou em parte 
(Art. 182, CPP), mesmo porque se aplica em matéria de Direito Penal, o princípio da Verdade 
Material ou Real. 
 Prazo: uma perícia pode ser realizada em qualquer lugar, a qualquer dia ou hora. A 
perícia pode ser realizada em qualquer fase, policial ou judiciária, o prazo para encaminhar o 
Laudo é de 10 dias podendo, em casos excepcionais o perito requerer à autoridade 
requisitante para prorroga-la (Art. 160, Parágrafo único, CPP). Já para os laudos de 
insanidade mental o prazo não será superior a 45 dias, salvo se os peritos demonstrarem 
necessidade de maior prazo (Art. 150, §1°, CPP). 
 Obs.: existem perícias complementares que podem ser realizadas quando o perito não 
puder concluir a natureza das lesões ou quando a lei determinar. Ex. para a constatação da 
lesão corporal grave a pericia é marcada para 30 dias após o fato lesivo. 
 A Necropsia será feita, em regra, depois de 6 (seis) horas do óbito, podendo, em razão 
das evidências tanatológicas, ser realizada antes daquele prazo, devendo constar no laudo o 
incidente (Art. 162 “caput”, CPP), nos casos de morte violenta de causa não criminosa ou as 
lesões externas permitam determinar a causa da morte e não necessitar de exames internos 
poderá a necropsia ser realizada a qualquer momento, como por exemplo, no 
politraumatizado (Art. 162, Parágrafo único do CPP). 
 Entende-se por cadáver quando as características que identificam o ser permanecem 
intactas; por esqueleto entende-se o conjunto completo de ossos que outrora fora de um ser 
humano, porém sem as suas características morfológicas; a ossada é parte incompleta de um 
esqueleto. 
 OS PERITOS 
 Perito: é a pessoa que tem conhecimentos técnicos e especializados em determinada 
ciência ou atividade que é convocado para intervir num certo processo. Ex: Médico-legista, 
perito forense ou perito criminal. 
O Perito pode ser Oficial; Nomeado (louvado) o Assistente Técnico. 
 Perito Oficial: são aqueles que atuam por dever de ofício, ou seja, são funcionários 
públicos de nível superior concursados para a exercer a função de perito em diversas áreas. 
(Ex: os peritos do IML – Instituto Médico Legal, são os “médicos legistas” e peritos do IC – 
Instituto de Criminalística,são os “peritos criminais”, envolvendo diversas áreas do 
conhecimento científico: fotógrafos, papiloscopistas, biólogos, químicos, peritos em balística, 
grafotecnia, etc. 
MEDICINA LEGAL 
 
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 Perito Nomeado (louvado): são os peritos não oficiais (não concursado) que atuam 
geralmente na esfera cível ou trabalhista. Pela diversidade da matéria, normalmente os 
exames são realizados por especialistas nomeados pelo juiz (Art. 465, caput e 1° do NCPC e 
195 da CLT). Ex: perícia ser realizada por bioquímico especializado em medicina nuclear. Tais 
peritos devem prestar juramento e respondem por seus atos. 
 Obs: pode acontecer de inexistirem peritos oficiais ou não oficiais na localidade dos 
fatos (região distante, pequenos municípios sem estrutura). Neste caso, o juiz poderá nomear 
duas pessoas idôneas, de nível superior, de preferência na área técnica específica, para a 
realização da perícia (Art. 159, §1°, CPP). Tais peritos são chamados de Peritos Leigos ou 
Peritos “ad hoc” (para o ato). 
 Assistentes Técnicos: são os profissionais de confiança das partes, indicadas para 
acompanhar o exame do perito oficial (antes era possível apenas na área cível e trabalhista, 
agora é permitido também na área criminal – Art. 159, §3° e 5°, II do CPP). Aos assistentes 
técnicos não se aplicam as regras relativas à suspeição (Art. 466, §1° do NCPC). 
 NÚMERO DE PERITOS 
 Na esfera penal, o número de peritos sempre causou discussão ao longo do tempo. 
 A redação do Art. 159 do CPP, antigamente, falava em “peritos” no plural, gerando 
dúvidas se seriam um ou dois técnicos. Isto gerou a figura do “segundo signatário”, ou seja, 
aquele que, embora não tendo realizado o laudo, assinava a título de confiança, como mero 
subscritor do trabalho do perito alheio. 
 Em 1994 com a edição da Lei n° 8.862/94 a regra passou a ser mais clara, exigindo-se 
dois peritos obrigatoriamente. Na prática a determinação nunca foi cumprida, pois os exames 
continuaram a ser realizados por um único perito e assinado por um segundo. 
 Finalmente, com o advento da Lei 11.690/2008, a distorção foi corrigida, 
autorizando-se a pericia por um perito oficial (atual redação do Art. 159 do CPP). 
 Obs: Nada impede que, pela complexidade do laudo ou pelas várias áreas do 
conhecimento que envolvem o caso, dois peritos ou mais, oficiais venham a elaborar o laudo. 
No entanto, de regra um perito, excepcionalmente, dois ou mais. 
 Após o laudo pronto, em juízo, será facultado ao Ministério Público, ao assistente de 
acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos ou indicação de 
assistente técnico, que apresentarão pareceres (Art. 149, §§ 3° e 4° CPP) 
 O INSTITUTO MÉDICO LEGAL (IML) E O INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA (IC) 
 I.M.L.: o Instituto Médico Legal é o local onde estão lotados os peritos e todo o 
pessoal de apoio a estes (ex: auxiliar de necropsia, fotógrafos, etc.) tem por finalidade a 
elaboração das perícias médico-legais e toxicológicas. 
 Até pouco tempo atrás, o IML era subordinado à Polícia Civil do Estado, mas 
recentemente ocorreu a desvinculação, passando a ser um órgão autônomo dentro da 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 11 
 
Secretaria de Segurança Pública ligado à Superintendência da Polícia Científica com postos na 
capital e interior do Estado. 
 São funções dos médicos legistas: exames de lesões corporais, exame de sanidade 
mental, necropsias, exumação, verificação de aborto recente, exame de conjunção carnal 
recente, perícias em ossos, dentes e pelos, pesquisas bacteriológicas, etc. 
 I.C.: o Instituto de Criminalística se divide em várias seções e setores, realizando tanto 
perícia no local do crime, como em documentos ou objetos. 
 São realizados inúmeros exames no I.C. atingindo a maioria das áreas do 
conhecimento humano. Ex: perícias em sons, imagens, balística, acidentes de trânsito, 
internet, engenharia, contabilidade, etc. 
 Obs.: Em São Paulo, as impressões digitopapilares, identificação datiloscópica e 
expedição de Carteiras de Identidade (RG) são realizadas pelo IIRGD – Instituto de 
Identificação “Ricardo Gumbleton Daunt” ligado à Delegacia Geral de Polícia. 
 LOCAL DO CRIME 
 No local do crime é onde se encontram os vestígios do fato ocorrido. O local do crime 
precisa ser isolado e conservado. Os objetos que tem relação com o crime são apreendidos e 
periciados. Tais determinações constam nos manuais internos do I.C., bem como nos Artigos 
6°, I, II, III e 169 do CPP. 
 É necessário que o mesmo seja preservado em sua totalidade, com a intenção de que 
não se perca uma só informação que seja acerca do crime que ali aconteceu. 
 É muito comum pessoas curiosas ou mesmo policiais despreparados realizarem a 
alteração do local de um crime dificultando as investigações. 
 O local do crime pode conter muitos vestígios: roupas íntimas com sangue ou 
esperma, fios de cabelo, “bitucas” de cigarro, copos ou outros objetos com impressões digitais, 
todos esses materiais compreendem o “corpo de delito”. 
 É realizado um registro pericial do local (descrição narrativa – relatório de tudo que o 
perito encontra no local) o local é fotografado e se elabora um “croqui”, ou seja, um desenho 
da cena do crime. Existem várias nomenclaturas para o Exame de local do crime: 
a) Exame perinecroscópico: vem de “peri”, que significa periferia. Consiste no exame 
realizado sobre a região periférica do cadáver (Art. 164 a 169 do CPP); 
 b) Exame do local do crime: é uma perícia genérica destinada a análise de um local, 
sempre que nele ocorrer um crime que tenha deixado vestígios – Ex: furto qualificado, roubo, 
incêndio, etc. (Art. 151 a 173, CPP) 
 c) Recognição visuográfica do local do crime: é um documento elaborado pelo 
Delegado de Polícia quando o mesmo comparece ao “local do crime”. O Delegado e o Escrivão 
de polícia anotam tudo que observam e realizam uma espécie de relatório, juntando todos os 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 12 
 
dados no Inquérito Policial. Obs.: não é uma perícia, é um documento policial, pois não é 
confeccionado por um perito. Também não se confunde com a reconstituição do crime (Art. 
7°, CPP) que é uma perícia, onde os peritos reproduzem (de maneira simulada) todo o “iter 
criminis” desenvolvido pelo agente. 
 
26/02/2016 
 LAUDO PERICIAL 
 É uma espécie de Relatório Médico-Legal redigido pelo próprio perito, após as 
investigações, consultas, análises, discussões e conclusões acerca do fato que determinou a 
perícia. 
 É um documento médico-legal consistente na corporificação da perícia, onde é 
registrado, minuciosamente, tudo aquilo que se encontrou e analisou durante o ato pericial. 
 Os relatórios médicos podem ser: a) ditados diretamente ao escrivão, na presença de 
testemunha (neste caso, são chamados de AUTO – ex: Auto de Exumação de Cadáver. b) 
redigidos posteriormente pelos próprios peritos, nesta hipótese são denominados de LAUDO – 
ex: Laudo cadavérico (Necropcia). 
 No âmbito criminal os peritos oficiais, via de regra, elaboram o “Laudo Pericial” (eles 
mesmos produzem o laudo) e os peritos nomeados ou louvados participam do Auto, pois eles 
ditam suas conclusões ao escrivão (Art. 179 do CPP). 
 Um Laudo Pericial é composto de várias partes: preâmbulo, quesitos, histórico, 
descrição, discussão, conclusão, e reposta aos quesitos. 
Essencialmente o laudo pericial trata-se de um relatório médico, 
então, na verdade é um documento médico legal que constantemente 
é requisitado pelos juízes para esclarecer fatos do processo. 
Não podemos confundir o laudo pericial com o auto. O laudo é 
realizado pelo próprio perito, já o auto pericial é umdocumento onde 
há a presença de um escrevente, alguém que auxilia o perito na 
escrituração do documento. A diferença formal é praticamente essa, a 
participação ou não de uma pessoa que auxilia o perito. 
 ESTRUTURA DE UM LAUDO PERICIAL 
 Preâmbulo: é a parte do documento onde consta a data, a hora, o local da perícia, os 
dados de identificação do periciado, a autoridade que requisitou o exame, o perito designado 
e os quesitos formulados. 
 Histórico: são narrados dados relacionados com o fato, fornecidos pela autoridade 
solicitante e/ou pelo periciado. Deve ser sucinto e objetivo. É o relato, mais fiel possível dos 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 13 
 
fatos acontecidos. É também chamado de “comemorativo”. Pode ser retirado do registro de 
ocorrência, da própria vítima, ou das informações descritas pela autoridade requisitante. 
 Descrição: também pode ser chamada de “Exposição”, contém o “visum et repertum” 
(visto e referido), sendo a parte mais relevante do Laudo. Trata-se do relato de tudo aquilo que 
foi encontrado no exame físico da vítima, com expressão minuciosa dos procedimentos e 
técnicas empregados para tal. É a parte onde é colocada a descrição das lesões encontradas de 
forma clara e em linguagem adequada. Não há, neste momento, indagações subjetivas e 
hipotéticas dos peritos. Esta parte fornece a materialidade dos fatos. Se for necessário, pode 
constar na descrição croquis, desenhos, fotos, gráficos, esquemas, filmagens ou qualquer 
outro recurso. 
 Discussão: nesta parte teremos a exteriorização da opinião dos peritos. Há uma 
reflexão e discussão dos dados colhidos durante a atuação. Gera-se um diagnóstico lógico, 
racionalmente embasado. Se realiza uma análise criteriosa dos dados encontrados, 
esclarecendo-se as controvérsias. Pode ser realizada a citação de bibliografia nesta parte. O 
laudo pode ou não ter a discussão em seu conteúdo (Ex. perícias de retratação não tem 
discussão). 
 Conclusão: trata-se do resultado da descrição e da discussão do perito, onde ele faz o 
“diagnóstico” de tudo que foi observado. É o fechamento lógico do raciocínio desenvolvido na 
discussão. O perito deve sintetizar com clareza os pontos principais da perícia realizada, 
concluindo seu estudo neste tópico do laudo. 
 Resposta aos quesitos: por fim, os peritos respondem aos questionamentos feitos 
pelas autoridades ou pelas partes no processo. São respostas específicas para cada tipo de 
laudo, devendo ser dadas de forma objetiva. Os quesitos não podem ficar sem responder, 
mesmo que as questões sejam indeterminadas. Os peritos podem dizer: “sim”, “não”, explicar 
sobre o instrumento que causou a lesão. Ex: “instrumento perfuro contuso”, ou pode dizer 
“sem elementos para responder”. No foro penal, os quesitos são previamente formulados (são 
chamados de quesitos oficiais). Nada impede do Juiz, Ministério Público, Delegado, advogado 
formularem quesitos antes da realização da perícia. 
 OUTROS DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 
 Atestados: são certificados médicos que afirmam situações relacionadas com o estado 
de saúde de uma determinada pessoa, informando o fato que justifica e possíveis 
consequências. A falta da verdade na redação de um atestado médico pode configurar o crime 
previsto no Art. 302 do CP, além de infração do Código de Ética Médica. 
 O atestado pode conter ou não a menção do estado mórbido do paciente. Há posições 
no sentido de que isso viola o direito do paciente ao sigilo da doença (alguns são 
estigmatizantes: Aids, Hanseníase, etc.). É possível a citação do CID – Código Internacional de 
Classificação de Doenças. 
 Existe vários tipo de atestados médicos: a) Graciosos: são emitidos sem motivos reais 
que o justifiquem. É o atestado falso. O médico atesta que a pessoa está incapaz, por causa de 
uma doença e não está e nem possui tal enfermidade; b) Oficiosos: são os solicitados pelo 
MEDICINA LEGAL 
 
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paciente ao seu médico para que justifiquem faltas no trabalho, à escola, etc. Também é 
chamado de Atestado Clínico; c) Administrativos: são aqueles solicitados ao médico por 
repartições de trabalho ou pelo serviço público (ex. solicitação para fins de concessão de 
licença maternidade, aposentadoria, abonos por falta, etc.); d) Judiciários: são aqueles que 
interessam à Justiça, solicitados pelos Juízes, Tribunais, etc., para justificar ausência de 
testemunha, de réus, advogados, etc. 
 Obs: existem regras para emissão de certos tipos de atestados, a exemplo do Atestado 
de óbito, Disciplinado pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução 1779/2005). O atestado 
de óbito, em caso de morte suspeita ou violeta, só pode ser emitido pelos peritos oficiais do 
IML – médicos legistas. O atestado de óbito clínico, envolvendo morte natural, pode ser 
emitido por qualquer médico. 
 Relatórios Médico-legais: são os registros minuciosos daquilo que se encontrou e 
analisou durante o ato pericial, sob requisição da autoridade competente à frente do caso. 
Existem dois tipos de relatórios médicos: 
 AUTO PERICIAL: ditado diretamente ao escrivão, com presença de testemunhas (Ex. 
Auto de exumação; Auto de constatação). 
 LAUDO PERICIAL: redigido pelos próprios peritos após observações, consultas, análises 
e discussões acerca do fato que determinou a perícia. 
 Na prática, os “relatórios médico-legais” são os mais requeridos pelas autoridades 
(Juiz, Ministério Público, Delegado). Via de regra, na esfera criminal, os modelos já são 
padronizados, com quesitos padronizados, elaborado de acordo com o tipo de exame pericial. 
São conhecidos como QUESITOS OFICIAIS onde os peritos respondem tais indagações ao final 
do laudo. Nada impede a formulação de quesitos adicionais ou complementares. 
 Principais laudos no âmbito penal: laudo de exame de corpo de delito; laudo de 
exame necroscópico; laudo de exame perinecroscópico; laudo de exame documentoscópico; 
etc. 
 Parecer Médico-legal: é um documento consistente em uma resposta a um 
esclarecimento a um perito oficial ou a uma junta médica sobre um tema específico, ligado ou 
não a uma perícia realizada. 
 É um documento que exprime a opinião técnica de um perito em resposta a eventuais 
dúvidas ou controvérsias presentes em um laudo. São requeridos pelas partes ou requisitado 
pelo Juiz. 
 Se o parecer for falso, o entendimento da jurisprudência é de que o perito responderá 
por falsidade ideológica – Art. 299, CP (não se trata de laudo pericial, assim, não se enquadra 
no Art. 342 do CP – falsa perícia), salvo se tratar de opinião pessoa do parecerista, onde não 
haverá tipificação penal (deve ficar comprovado a intenção criminosa do perito). 
Notificações: são comunicações compulsórias às autoridades competentes da 
constatação de um fato médico relevante, especificamente sobre a existência de moléstias 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 15 
 
graves e contagiosas (Ex. cólera, dengue, difteria, hepatites virais, HIV, tuberculose, sarampo, 
etc. – Portaria 05/2006 – Ministério da Saúde). Caso o médico, injustificadamente, não realize 
a notificação, responderá pelo crime previsto no art. 269 do CP – Omissão de notificação de 
doença. 
ANTROPOLOGIA FORENSE 
CONCEITO 
Antropologia (do grego: “anthropos” *homem+ + “logia” *estudo/conhecimento]) é a 
ciência que está ligada a medicina, que tem como objeto de estudo o “homem” e a 
“humanidade”. 
Antropologia Forense é o ramo da medicina legal que, pautado nos conhecimentos de 
antropologia geral, ocupa-se principalmente com as questões que envolvem a IDENTIDADE e o 
processo de IDENTIFICAÇÃO das pessoas. 
IDENTIDADE 
É o conjunto de elementos que permitem individualizaruma pessoa, fazendo-a 
diferente das demais. 
São caracteres próprios e exclusivos de cada ser humano (pode envolver também 
animais, coisas, objetos, etc.), cuja soma de sinais, marcas e caracteres (positivos ou negativos) 
individualizam esta pessoa, distinguindo-a das demais. 
Pode-se dizer que é o conjunto de características pessoais que diferenciam o indivíduo 
dos outros que lhe confere um status social único. 
IDENTIFICAÇÃO 
É a determinação da identidade ou a demarcação da individualidade. É o processo 
através do qual se determina a identidade de uma pessoa. 
Para se realizar a identificação de uma pessoa é necessário um conjunto de técnicas 
científicas, métodos e sistemas utilizados para se determinar a identidade de alguém. Todos os 
pontos duvidosos devem ser afastados para se estabelecer a identidade. 
Obs. a identificação é um processo científico e não pode ser confundida com 
“reconhecimento”. O reconhecimento é um processo empírico, desprovido de cientificidade 
(não realizado por perito e com baixo grau de precisão). Ex: reconhecimento pessoa pela 
vítima. 
FUNDAMENTOS OU PRINCÍPIOS DOS MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO 
Os processos de identificação são baseados em sinais ou dados peculiares que cada 
indivíduo possui e que, somados, podem excluí-lo de todos os demais. 
Esses sinais e dados são chamados de “elementos sinaléticos”: cor e tipo dos cabelos, 
a cor dos olhos, a forma da orelha, a estatura, são elementos sinaléticos. Quando isolados, são 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 16 
 
de pouco valor (muitas pessoas tem características iguais), mas quando esses elementos são 
associados com outros elementos, passa a existir uma restrição do número de pessoas, o que 
pode possibilitar a identificação. 
A associação de vários elementos sinaléticos constitui a base de todo o processo de 
identificação. Os elementos sinal éticos devem preencher quatro requisitos que também são 
chamados de princípios de identificação: 
A) Unicidade: o conjunto destes elementos deve ser exclusivo do indivíduo, de modo 
a distingui-lo dos demais. O ser é único, ou seja, não pode haver duas pessoas com 
os mesmos caracteres; 
 
B) Imutabilidade: a característica não pode mudar ao longo da existência, ou seja, 
não se pode alterar enquanto o indivíduo existe. 
Obs. alguns elementos sinaléticos não podem ser considerados, porque são mutáveis. 
Ex: peso, espessura da derme (mãos calosas), idade, etc. (outros não mudam, ex: o desenho 
das saliências papilares se formam no sexto mês de vida intrauterina e permanecem mesmo 
após a morte, antes da putrefação destruir a pele). 
C) Praticidade: os caracteres devem ser de fácil registro e obtenção. Devem ser 
manuseáveis (fichas, arquivos, fotos, etc.) de rápida localização e de manuseio 
prático; 
 
D) Classificabilidade: os caracteres devem poder ser catalogados, ordenados e, 
sobretudo, classificados. As informações sobre a identificação dos indivíduos não 
podem ser feita ao acaso. Os processos de identificação devem valer-se de 
elementos e sinais de fácil classificação. A busca dos arquivos deve ser célere (a 
qualquer momento). 
Obs. Além das saliências papilares, a cicatriz umbilical, o vórtice capilar, a íris possuem 
os cinco requisitos científicos, ou seja, são una, variável, imutável e classificável, mas ainda não 
são absolutamente práticas. 
INDENTIFICAÇÃO MÉDICO-LEGAL 
É o processo que utiliza de conhecimentos médicos legais para se estabelecer a 
identificação de alguém. 
Sua determinação pode ser feita em pessoas vivas, em cadáveres ou até mesmo em 
restos mortais ou ossadas (através de procedimentos científicos específicos). A identificação 
médico-legal inclui vários critérios: 
Identificação por raças: raças são subdivisões de uma mesma espécie (humana). 
Geneticamente, as populações se diferenciam na frequência de seus genes ou na estrutura de 
seus cromossomos. Há uma natural diversificação das populações (além de aspectos 
genéticos, também por fatores culturais ou ambientais). Este tipo de critério busca 
MEDICINA LEGAL 
 
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determinados traços comuns aos diversos grupos étnicos, com a finalidade de reuni-los, por 
semelhança para se estabelecer a identidade. 
Existem várias classificações de raças. A mais comum é a de Salvatore Ottolenghi 
(1861-1934), que aponta cinco tipos fundamentais: 
a) Tipo caucásico: pele branca ou trigueira (moreno claro), cabelos crespos ou lisos, 
louros ou castanhos, íris azul ou castanha, contorno crânio-facial ovóide (rosto 
ovalado). Trata-se do homem branco comum. 
b) Tipo mongólico: pelo amarela, cabelos lisos e castanhos, face achatada da frente 
para trás, nariz curto e largo, olhos amendoados e maxilares pequenos e salientes. 
c) Tipo negroide: pelo de tonalidade castanho-escuro ou negra, cabelos crespos e 
crânio alongado, fronte alta e saliente, íris castanhas, nariz pequeno e côncavo 
(largo). 
d) Tipo indiano: pele amarelada, tendendo ao avermelhado, estatura elevada, 
cabelos lisos e pretos, olhos castanhos, orelhas pequenas e nariz saliente, maxilar 
inferior desenvolvido. 
e) Tipo australoide: estatura alta, pele amarelada ou trigueira, cabelos pretos, 
ondulados e longos, nariz curto com maxilar inferior desenvolvido. 
Este critério não é um critério de identificação absoluto, mas secundário. Essas 
classificações de raças tem certo valor histórico e parcial valor antropológico, pois são 
pautadas em critérios trazidos pela ótica americana e europeia, não se levando em conta a 
miscigenação das raças em vários outros lugares do mundo (Ex: no Brasil não temos raça 
definida: mamelucos [índio e branco]). Além disso, após o sequenciamento do genoma 
humano, a definição de raça baseado apenas em traços físicos ficou ultrapassado. Hoje está 
comprovado que pessoas fisicamente semelhantes podem apresentar carga genética 
significativamente diversa. 
Identificação por sexo médico-legal: a determinação do sexo na pessoa viva e no 
cadáver recente e sem mutilações do aparelho reprodutor e dos caracteres sexuais 
secundários não oferece dificuldade, mas em alguns casos há certa complexidade, como por 
exemplo, no cadáver putrefeito ou carbonizado, bem como no esqueleto ou na ossada 
humana, além dos casos de anomalias congênitas (hermafroditismo). Dentre outros, pode-se 
destacar os seguinte métodos: 
a) Gonadal: Masculino: presença de testículos; Feminino: presença de ovários; 
b) Genitália externa: Masculino: presença de pênis e escroto; Feminino: presença de 
vulva e vagina; e 
c) Genético: Masculino: constituição cromossômica 46XY; Feminino: constituição 
cromossômica 46XX. 
Obs. O útero é um órgão extremamente resistente à carbonização e putrefação, sendo 
possível a distinção através deste órgão. 
MEDICINA LEGAL 
 
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Obs. Na ausência da genitália externa ou de órgãos internos, a diferenciação é 
realizada através do “esqueleto”, dando-se especial atenção à bacia, que, anatomicamente, 
apresenta grandes diferenças entre o homem e a mulher. 
A bacia feminina tem constituição mais frágil que a do homem. Além disso, os 
diâmetros transversais são diferentes. O ângulo sacrovertebral do homem é mais fechado 
(107°) e o ângulo subpubiano da mulher é mais amplo (110°). 
Identificação por Idade: a determinação da idade também é de fundamental 
importância para a Medicina Legal. A determinação da idade é realizada principalmente, pelo 
tamanho e estado de desenvolvimento dos ossos. A calcificação óssea é um padrão para se 
estabelecer a idade. A dentição também é um item de reconhecimento da identidade, 
sobretudo em cadáveres e esqueletos encontrados. As vezes,sem impressões digitais ou na 
impossibilidade de obtenção de DNA para análise, restam os dentes e os ossos para a 
identificação do indivíduo. 
São várias as técnicas e inúmeras as maneiras de se estabelecer a idade através do 
estudo dos ossos e da dentição, lembrando o diagnóstico é sempre por “estimativa”, não 
sendo possível estabelecer, com exatidão precisa a idade de uma pessoa através deste critério. 
Exemplos: estudos radiológicos do sistema ósseo (punho, cotovelo, fêmur, joelho, 
vértebras, costelas, etc.); estudo dos ossos do crânio; análise dos dentes permanentes 
irrompidos; estudo do ângulo mandibular; etc. 
Fases da vida humana: 
 Da concepção até o 3° mês  embrião – vida intrauterina; 
 Do 3° mês até o parto  feto – vida intrauterina; 
 Nascido que não recebeu cuidados higiênicos  infante nascido; 
 Nascido que já recebeu cuidados higiênicos  recém-nascido; 
 Até os 7 anos  1° infância; 
 Dos 7 aos 12 anos  2° infância; 
 Dos 12 aos 18 anos  adolescência; 
 Dos 18 aos 21 anos  mocidade; 
 Dos 22 aos 59 anos  adulto; 
 Dos 60 aos 80 anos  velhice (aplica-se o Estatuto do Idoso); 
 Acima dos 80 anos  senilidade. 
Identificação por Estatura: também se pode determinar a identidade pela estatura (é 
mais um critério). Estatura diz respeito à medida de um ser humano em pé, tomando sua 
metragem do topo da cabeça até a planta do pé apoiada no solo. Não confundir com altura 
MEDICINA LEGAL 
 
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que representa a medida do indivíduo também em pé e com os braços erguidos ao máximo 
que consiga. No caso da avaliação da estatura de um cadáver, a medida deverá ser tomada 
pelas linhas tangentes ao topo do crânio e da sola dos pés. Isto é feito através de uma régua 
métrica específica. 
Também é realizada a medição de ossos isolados para a constatação da estatura 
(Rádio, Tíbia, Fêmur, etc.). Existem várias tabelas para cálculos específicos da estatura à partir 
da medição dos ossos. 
Impressão Genética do DNA: 
O DNA é um aglomerado de moléculas que contém material genético. Esse material é 
determinante para o bom funcionamento dos seres vivos e da formação das características 
físicas (No Brasil é ADN em português: ácido desoxirribonucleico). 
Cada indivíduo possui o seu próprio DNA, que é único (são raras exceções com pessoas 
de DNA iguais – Ex: certas categorias de gêmeos). Com base neste princípio, na década de 80 
(1984), foi possível desenvolver uma técnica que visa identificar porções de DNA. Designa-se 
esta técnica por Impressões Digitais Genéticas ou “impressão genética do DNA”. 
No DNA encontram-se as zonas de restrição, isto é, sequências que se repetem ao 
longo da molécula, cujo número e tamanho variam de indivíduo para indivíduo. A partir de 
uma pequena amostra de material biológico que contenha material genético (Ex.: saliva ou 
mesmo um fio de cabelo) é possível se realizar a extração do DNA. O DNA é fragmentado em 
pequenos pedações, em pequenas porções de tamanhos diferentes, depois de ser submetido a 
um trabalho científico é possível se estabelecer uma identificação. 
A Lei 12.654 de 28 de Maio de 2012 dispõe sobre a colheita de material e 
estruturação do banco de dados do perfil genético dos criminosos no Brasil. 
 
04/03/2016 
 Identificação por Peso: existem tabelas teóricas de aproximação em quilos de acordo 
com a idade e altura. Como afirmado, são pesos teóricos em que se faz a equação e o cálculo 
com base na estatura e na idade da pessoa. Insta dizer que trata-se de uma “estimativa” não 
se levando em consideração a biotipologia dos diferentes indivíduos (magreza, adiposidade, 
etc.) 
 Identificação por tipos sanguíneos: grupos ABO e Rh podem servir de parâmetros de 
investigação. 
 Identificação por Malformações: os defeitos congênitos, como o lábio leporino, a 
sindactilia, a polidactilia, as malformações genitais, os vícios ósseos também são elementos 
valiosos para a identificação médico-legal. 
 Características Psíquicas: as características psíquicas de uma pessoa, desde que 
delimitadas, podem servir de elemento de identificação. Entretanto, tais características são 
MEDICINA LEGAL 
 
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secundárias (por serem mutáveis) e não são seguras para estabelecer uma identificação 
absoluta. Ex: presença de doenças ou transtornos mentais (transtornos bipolares, 
esquizofrenias, oligofrenias, etc) 
 Identificação por Sinais Individuais: são sinais personalíssimos que todas pessoas 
possuem e que podem variar de um indivíduo para outro. Ex: forma e a disposição dos olhos, 
formato das orelhas, verrugas, desgastes na dentição, cáries, fraturas, amputações, cicatrizes, 
etc. 
 Dinâmica Funcional: refere-se a comportamento e hábitos de todos indivíduo, 
levando-se em conta seu gestual, postura física, tom de voz, escrita, atitude diante de certas 
situações, etc. 
 CARACTERÍSTICAS PARTICULARES FÍSICAS ADQUIRIDAS 
 As características que estudamos até o momento são “naturais” de cada indivíduo, 
envolvendo estatura, peso, marcas de nascimento, malformações genéticas, etc. 
 Ao lado destas, temos as características particulares adquiridas, que também são 
importantes para a identificação das pessoas. 
 Sinais profissionais: são os estigmas de uma determinada profissão. Ex: calosidades 
nas mãos dos trabalhadores braçais, vestígios de chumbo no organismo de operários de 
indústrias insalubres, mutilações por acidente de trabalho, etc. 
 Tatuagens: são adornos estéticos consistentes em pigmentos de tintas na derme. 
Podem ser: ornamentais, afetivas, religiosas, patrióticas, desportistas, etc. No âmbito da 
subcultura carcerária, as tatuagens representam códigos ou simbologia entre os detentos. 
 IDENTIFICAÇÃO POLICIAL OU JUDICIÁRIA 
 É o processo que utiliza de inúmeros métodos de identificação sem natureza médico-
legal, extraídos de outras áreas técnicas ou científicas, ou até mesmo da prática policial para 
identificar criminosos. Ex: fotografias, impressões digitais, etc. 
 Histórico: muitos sistemas remotos aplicavam a amputação de partes do corpo para 
identificar os criminosos (Código de Hamurabi) ou o Ferrete, que era a marcação de ferro em 
brasa (na testa). Muitos sistemas se aperfeiçoaram com o passar dos anos. 
 SISTEMAS POLICIAS/JUDICIÁRIOS 
 Assinalamento sucinto ou sumário: são as anotações das principais características do 
identificando, tais como raça, estatura, idade, cabelos, presença de tatuagens, sinais 
particulares, etc. Ainda é muito utilizado atualmente (temos o BIC – Boletim de Identificação 
Criminal); 
 Sistema dermográfico de Bentham: idealizado pelo jurista inglês Benjamim Bentham, 
consistia na identificação através de tatuagem de todas as pessoas no momento do 
nascimento, facilitando a identificação de todos. 
MEDICINA LEGAL 
 
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 Sistema antropométrico de Bertillon: são medidas tomadas do corpo da pessoa com 
base na antropometria (medida dos braços, pernas, crânio, etc.) utilizando-se de técnicas 
desenvolvidas para fins de identificação (as medidas eram classificadas e arquivadas). 
 Sistema de Icard: previa a injeção de parafina em determinadas regiões do corpo, 
criando-se tumores perceptíveis ao tato. Se retirados, teríamos a presença da cicatriz. 
 Sistema otométrico de Frigério: consistia na identificação através dos desenhos dos 
pavilhões auriculares e suas medidas. 
 METODOS TRADICIONAIS E RECENTES: 
 Fotografia: ainda muito utilizada até os dias de hoje. Consiste em um dos principais 
meios de identificação policial (simples e prático). Entretanto, não é absolutamente seguro 
pois há a possibilidade de modificações decorrentesda idade, disfarces, sócias, etc. 
 Fotografia Sinaléptica: consiste na tomada de fotografias de frente e de perfil, sempre 
do mesmo tamanho, possibilitando a posterior comparação. Muitos países (inclusive o Brasil) 
utilizam este sistema. 
 Retrato Falado: é uma reprodução artística da face do criminoso, baseada nas 
descrições fornecidas pela vítima ou testemunha. Antes se realizavam os desenhos “a mão”, 
mas atualmente existem programas de computador que auxiliam o desenhista policial. 
 Prosopografia (descrição da face): é o reconhecimento que se faz através da imagem 
facial, seja por comparação ou por sobreposição fotográfica permitindo correlações e 
coincidências sobre pontos específicos de identidade buscada. Antes se fazia manualmente, 
hoje existem modernos recursos visuais e computadorizados que permitem o reconhecimento 
com exatidão. 
 A BIOMETRIA 
 Com o surgimento da computação e o aumento da capacidade e velocidade do 
processamento de dados, muitos métodos antigos de identificação (quase impraticáveis) 
passaram a ser reconsiderados. 
 O sistema de identificação biométrico é um método automatizado de reconhecimento 
de padrões que busca a identidade de uma pessoa por algumas de suas características físicas 
comparando os dados de uma pessoa com os arquivos anteriormente gravados no sistema. É 
realizada uma “varredura” em toda uma base de dados. 
 O método é comparativo, cuja finalidade é responder “quem é a pessoa pesquisada” 
partindo-se de “um” para “muitos”. A biometria detém sistemas de módulos informatizados, 
possuindo velocidade, aceitação e confiabilidade. 
 Os principais sistemas biométricos envolvem: reconhecimento das impressões digitais; 
reconhecimento da face; reconhecimento da voz; reconhecimento da íris; reconhecimento de 
assinatura; reconhecimento da geometria das mãos; reconhecimento de fundo de olho 
(retina); etc. 
MEDICINA LEGAL 
 
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 SISTEMA DATILOSCÓPICO 
 “Dactiloscopia” que do grego, Dakylos(dedos) e Scopein (examinar) é a técnica que 
estuda os desenhos das extremidades digitais (impressão digital). 
 Foi criado em 1891 por Juan Vacetih (1858 – 1925), o sistema datiloscópico estuda as 
impressões digitais ou os vestígios deixados pelas polpas dos dedos nos mais variados 
suportes. 
Juan Vucetich (1558 – 1925). Foi um antropólogo Croata que se naturalizou argentino 
e que criou em 1891 o notável sistema de identificação datiloscópico. 
 É também chamado de “Sistema Datiloscópico de Vucetich” e foi adotado no Brasil à 
partir de 1903. 
 Esse sistema foi considerado revolucionário uma vez que é extremamente prático, 
simples e eficiente, estabelecendo a identificação das pessoas de maneira absolutamente 
segura. 
 Obs: Outros países adotam outros sistemas datiloscópicos (EUA – Sistema Henry; 
França – Sistema Bertillon e Locard). 
 Os desenhos digitais dos dedos apresentam as seguintes características fundamentais: 
 São perenes e imutáveis: as cristas papilares se formam no sexto mês de vida 
intrauterina e perduram por toda a vida, mesmo após a morte (antes da destruição do tecido) 
com exceções dos cortes na polpa digital. Mesmo pela queimadura de até segundo grau, não 
desaparecem, recompondo-se sem qualquer alteração do desenho original, em curto período. 
 Há uma variedade e unicidade: cada desenho papilar é único. Não há duas impressões 
digitais idênticas, mesmo em gêmeos univitelinos são diferentes. 
 Obs: alguns autores modernos questionam a individualidade das impressões digitais, 
sustentando a teoria de que os desenhos papilares são únicos quando as características 
biológicas são distintas, mas, dependendo do método de comparação (grau de detalhamento 
do exame realizado) é possível que as impressões digitais sejam 95% similares. 
 Com o advento da informática, a característica da classificabilidade também permitiu 
difusão e a estruturação do método de Vucetich, tornando-o extremamente eficaz. 
 PAPILOSCOPIA E DATILOSCOPIA 
 De início, é necessário realizar uma diferenciação entre os termos Papiloscopia e 
Datiloscopia. 
 Não são apenas as pontas dos dedos que apresentam desenhos formados por linhas e 
sulcos. Outras partes do corpo também possuem, tais como as faces palmares (das mãos) e as 
faces plantares (dos pés), que possuem esses padrões de desenhos, que tem origem na derme 
e são perenes e imutáveis. 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 23 
 
 Assim, as “impressões papilares” englobam, além das impressões digitais, também as 
impressões palmares e as plantares. 
 A “Papiloscopia” estuda o desenho de todas as impressões papilares (digito-papilares, 
das mãos e dos pés). 
 A “Datiloscopia” envolve o estudo mais aprimorado da face interna dos dedos, 
buscando a identificação humana, uma vez que a região digital é a que oferece maior 
variabilidade de padrões de desenhos, facilitando a coleta e o arquivo das informações. 
 O profissional especialista na área é o “Papiloscopista”. 
 GÊNESE DOS DESENHOS PAPILARES 
 A pele é o maior órgão do corpo humano, ela é uma espécie de “capa” para os órgãos 
internos. 
 A pele é composta por: 
 Epiderme: camada visível formada por células mortas ou prestes a morrer. Derme: fica 
logo abaixo da epiderme e contém a raiz dos pelos, terminações nervosas e vasos sanguíneos, 
além do colágeno, que dá elasticidade à pele. Hipoderme: onde ficam as gorduras, as veias e 
os músculos. 
 O local em que a derme e a epiderme se encontram é “irregular”, pois elas se 
interpenetram formando ondulações denominadas “papilas dérmicas”. Onde a pele é mais 
espessa, como a palma das mãos e a sola dos pés, elas se tornam visíveis e possuem 
configurações distintas, peculiar a cada indivíduo. 
 As papilas dérmicas são formadas por cristas papilares e sulcos interpapilares e se 
formam no sexto mês de gravidez, permanecendo imutáveis – aos olhos do perito 
papiloscópico – por toda a vida, até a putrefação. 
 A pele contém glândulas sudoríparas que exalam suor através dos poros, que existem 
na palma das mãos e na planta dos pés, sendo encontradas também em outras regiões (axilas 
e genitais). 
 É exatamente a secreção das glândulas sudoríparas que, depositadas sobre as cristas e 
sulcos papilares, irá criar a “tinta biológica” que permite sejam deixadas as impressões do 
desenho digital sobre vários objetos. 
 Terminologias: Na epiderme há um conjunto de sulcos e cristas, que assumem 
configurações variadas, ao qual denominamos desenho papilar. No caso das pontas dos dedos, 
o nome aplicado ao desenho papilar é Desenho Digital. 
 Esse “Desenho Digital” dos dedos formado pelas papilas dérmicas deixa a “Impressão 
Digital” onde as linhas negras são formadas pelas cristas papilares e os espaços em branco 
formados pelos sulcos interpapilares. 
MEDICINA LEGAL 
 
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 A “impressão papilar” (digital, palmar ou plantar) é o reverso do desenho papilar (a 
impressão digital é o reverso do desenho digital). Ela pode estar inteira ou fragmentada e pode 
ser encontrada nos locais de crime, em objetos ou outros instrumentos relacionados. 
 O “papilograma” é o local físico (papel, objeto, suporte, etc) onde são encontradas as 
impressões papilares. 
“Albodatilograma”: as vezes é possível identificar linhas transversais que 
acompanham as cristas papilares. São chamadas de linhas albodatiloscópicas ou linhas 
brancas. São alterações patológicas do desenho digital causadas geralmente por atividades 
profissionais e podem desaparecer durante a vida. 
 IMPRESSÕES PAPILARES EM LOCAIS DE CRIMES 
 Impressões visíveis: são aquelas deixadas com tinta, graxa, sangue ou outros 
pigmentos eque podem ser observadas a olho nu. É possível fotografá-las diretamente pelo 
pesquisador. 
 Impressões moldadas: também são chamadas de modeladas são aquelas deixadas em 
suportes de consistência pastosa ou modelável, tais como sabão, cimento fresco, piche, resina, 
etc. Também podem ser fotografadas diretamente pelo pesquisador. 
 Impressões latentes: são as mais comuns na cena do crime. São deixadas por dedos, 
mãos ou pés limpos, e que não podem ser visualizadas a olho nu. Para visualizar essas 
impressões, é necessário um procedimento especial, realizado com materiais próprios para 
revelar as impressões latentes. 
 Impressões reveladas: são aquelas trazidas à visualização pela aplicação de materiais 
reveladores especiais. 
 Marca de dedos: não são impressões, são meros esfregaços produzidos com os dedos 
ou com as mãos. Não há como fazer a identificação neste caso, são inúteis para fins de 
investigação da identidade. 
 Suportes: são as superfícies que recebem as impressões papilares. Os melhores 
suportes são as superfícies lisas e polidas (vidro, metais, latas, plásticos objetos de louça, 
frutas de casca lisa, couro liso, papel, etc.). 
 Tomada de impressões dígito-papilares no local do crime: ao chegar no local do crime 
os peritos procuram, incialmente, as impressões visíveis ou moldadas, para depois procurar as 
impressões latentes. 
 Nas impressões latentes, ao ser localizado um possível suporte, sobre ele é aplicado 
um material “revelador” (pode ser pós magnéticos, grafites, materiais florescentes *antraceno, 
eosina, etc.], carbonatos de chumbo, etc.) que varia de acordo com a cor ou natureza do 
suporte. 
MEDICINA LEGAL 
 
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 Os materiais são aplicados com pincéis próprios e, uma vez revelada a impressão, ela é 
fotografada no próprio local ou “levantada” para ser transportada até o Instituto de 
Identificação, através de fitas especiais. 
 Na sede do Instituto, as impressões serão estudadas pelos papiloscopistas que irão 
realizar uma busca nas fichas datiloscópicas, através de aparelhos e programas de computação 
próprios. 
Tomada de impressões dígito-papilares das pessoas: 
 A tomada de impressões digitais pode ocorrer na pessoa “viva” ou na pessoa “morta”. 
 Na pessoa viva, o procedimento mais comum é o “entintamento dos dedos”. Deve-se 
utilizar um equipamento correto (tinta, rolo, suporte e o impresso destinado ao recebimento 
das impressões. (Impresso para a Identificação Civil, utilizado ao retirar o RG e o BIC – Boletim 
de Identificação Criminal). Também é possível colher o material datiloscópico através do 
“digitofotograma” (chapas radiográficas dos dedos). 
 Na pessoa morta o procedimento de coleta do material depende muito do estado do 
cadáver. Se estiver em rigidez cadavérica não há tantos obstáculos, tornando-se apenas um 
pouco mais dificultosa a coleta. 
 Quando o cadáver está em início de estado de putrefação (com o amolecimento 
excessivos do tecido) é preciso aplicar uma injeção subdérmica de parafina ou glicerina para 
devolver a conformação da extremidade digita. 
 Nos corpos em estado de decomposição é necessária a retirada da “luva cadavérica”, 
onde, através de técnicas especiais se faz a retirada da pele que recobre os dedos da mão do 
cadáver. O pesquisador “veste” esta pele para fazer a tomada das impressões digitais. 
 O SISTEMA DE “VUCETICH” – CLASSIFICAÇÃO 
 O desenho digital é formado por cristas papilares (linhas pretas) e os sulcos (parte 
branca). 
 Essas linhas se desenvolvem paralelamente formando desenhos. Essas “cristas 
papilares” formam três grupos que são chamados de “sistemas” (sistemas principais de linhas 
de datilograma) que formam figuras que vão constituir a base da classificação. São três 
sistemas: Marginal, Nuclear e Basilar. 
 Sistema “Marginal” 
 É constituído pelo conjunto de cristas papilares que estão nas bordas e nas 
extremidades da falange (extremidade da ponta dos dedos). 
 Sistema Basilar ou “Basal” 
 É formado pelas cristas papilares horizontais que se encontram próximas ao sulco 
articular entre as duas últimas falantes (base da ponta dos dedos). 
MEDICINA LEGAL 
 
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 Sistema “Nuclear ou Central” 
 Esta localizado na porção central do conjunto e limitado pelos outros dois sistemas 
(marginal e basilar). 
 Delta 
 Do encontro entre esses sistemas aparece o “Delta” que é um dos elementos mais 
importantes do desenho digital. O Delta é um pequeno ângulo formado pelo encontro dos três 
sistemas antes descritos (marginal, basal e nuclear). Assim, da junção de dois ou três sistemas 
lineares, forma-se o delta. 
 
 Tipos fundamentais 
 Com base na presença ou na ausência do Delta, sua posição no desenho digital e no 
sistema de linhas dos datilogramas, Vucetich classificou quatro tipos fundamentais: Verticilo, 
Presilha Externa; Presilha Interna e Arco. 
 
 Verticilo 
 Tem a presença de DOIS DELTAS (à direita e à esquerda do observador). O verticilo é 
designado pela letra “V” (polegar) e número “4” para os dedos das mãos (esquerda e direita) 
 Presilha Externa 
 Tem a presença de UM ÚNICO DELTA (à esquerda do observador). A presilha externa é 
designada pela letra “E” (polegar) e número “3” para os demais dedos das mãos (esquerda e 
direita) 
MEDICINA LEGAL 
 
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 Presilha Interna 
 Tem a presença de UM ÚNICO DELTA (à direita do observador). A presilha interna é 
designado pela letra “l” (polegar) e número “2” para os demais dedos das mãos (esquerda e 
direita). 
 Arco 
 É a figura que NÃO APRESENTA DELTA. É constituído de linhas paralelas que vão 
“arqueando” da base para o ápice. O arco é designado pela letra “A” (polegar) e número “1” 
para os demais dedos das mãos (esquerda e direita). 
Observações: 
 A indicação da posição do Delta é feita sempre com base na impressão digital e não 
diretamente no desenho digital do dedo considerado. 
 O Arco também é chamado de “figura adeltica” ou “Adelta”. 
 Percentuais: Arcos 5%; Presilhas (internas e externas) 60%; Verticilos 35%. 
 Os sistemas de arquivos dividem-se “Decadatilar” (Planilhas com os dez dedos, 
colhidos no momento de tirar o RG ou quando da Identificação Criminal) e “Monodatilar” 
impressões colhidas em locais de crimes, envolvendo um ou alguns dos dedos das mãos. 
 Fórmula Datiloscópica 
 Para as figuras fundamentais dos polegares associa-se uma LETRA e aos tipos dos 
demais dedos da mão um NÚMERO. 
 Polegares: Demais dedos: 
 Verticilo  “V” Verticilo  “4” 
 Presilha Externa  “E” Presília Externa  “3” 
 Presilha Interna  “I” Presilha Interna  “2” 
 Arco  “A” Arco  “1” 
 As amputações são indicadas com o número “0”. 
 E os dedos defeituosos ou com cicatrizes são representados pela letra “X” 
(inqualificável). 
 Assim, analisando os dedos de ambos as mãos e exprimindo os tipos fundamentais, 
Vucetich estabeleceu uma “fórmula” com a finalidade de agrupar os indivíduos de acordo com 
as combinações extraídas das impressões digitais, a “Formula Datiloscópica”. 
 A fórmula tem a seguinte sistemática: 
 Dedos da mão direita: SÉRIE 
MEDICINA LEGAL 
 
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 Dedos da mão esquerda: SEÇÃO 
 A fórmula é montada da seguinte maneira: 
 Série V 4313 
 Seção I 2241 
 Significa que este indivíduo: Na mão direita tem: polegar (verticilo); indicador 
(verticilo), médio (presilha externa); Anular (arco), mínimo (presilha externa). Na mão 
esquerda tem: polegar (presilha interna); indicador (presilha interna); médio (presilha interna); 
Anular (verticilo); mínimo (arco). 
 Série E 4441 
 SeçãoV 1112 
 Significa que este indivíduo: Na mão direita tem: polegar (presilha externa); indicador 
(verticilo), médio (verticilo); Anular (verticilo), mínimo (arco). Na mão esquerda tem: polegar 
(verticilo); indicador (arco); médio (arco); Anular (arco); mínimo (presilha interna). 
 
11/03/2016 
 Observações: 
 Existem muitas pessoas com a mesma fórmula datiloscópicas: segundo pesquisas, são 
1.048.576 (um milhão, quarenta e oito mil, quinhentos e setenta e seis combinações). 
 No entanto, à partir dai são realizadas outras SUBCLASSIFICAÇÕES de acordo com 
particularidades de cada tipo fundamental, que propiciam uma divisão ainda maior. Ex: 
Existem vários tipos de Arcos (plano, angular, bifurcado à direita, à esquerda, destro-
apresilhado, sinistro-apresilhado) Presilhas (normal, invadida, dupla, ganchosa), Verticilo 
(circular, espiral, ovoidal, sinuoso, ganchoso). 
 Fora essas circunstâncias, examinando as linhas dos desenhos papilares nota-se que 
umas são cheias, outras pontudas, outras interrompidas, bifurcadas, etc. 
 Esses sinais são chamados de PONTOS CARACTERÍSTICOS. Em uma impressão digital 
existem cerca de 20 à 25 pontos característicos que permitem a identificação perfeita do 
indivíduo. 
 Os principais pontos característicos são: o ponto, a ilhota, a cortada, a bifurcação, a 
Anastomose, o Encerro, etc. 
 PONTOS CARACTERÍSTICOS 
MEDICINA LEGAL 
 
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Ponto: é como se fosse um ponto final entre duas 
linhas. 
 
 
Ilhota: é maior que um ponto, sendo um pedaço 
de linha menor. 
 
 
Cortada: é um traço maior que a ilhota. 
 
 
Bifurcação: quando as linhas se separam em 
ângulo curvilíneo 
 
 
 
Anastomose: é uma ponte, quando duas linhas são 
ligadas por um segmento curto. 
 
 
Encerro: formado por uma abertura da linha e seu 
fechamento logo em seguida formando com isso 
uma espécie de “lago” na linha. 
 
 
 Poros: Os poros são aberturas dos canais sudoríparos, localizados sobre as cristas 
papilares. Existem inúmeros poros nas saliências papilares (94 poros por cm2 de pele). 
 Existe a possibilidade de, através de análise microscópica, estudar os poros da 
impressão digital. São analisados o tamanho dos poros, sua dimensão, sua forma, sua posição, 
etc. 
MEDICINA LEGAL 
 
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 Tal técnica é chamada de “Poroscopia” que auxilia o sistema datiloscópico, 
estabelecendo-se uma identificação certa e segura. 
 
 Anomalias 
 As anomalias são defeitos que atingem os dedos das mãos ou dos pés. Podem ser 
congênitas ou adquiridas. Ex: amputações, polidactilia, dermatopatias, etc. 
 As amputações são representadas pelo “0” e as anomalia que ocasionam a 
inqualificação, são representadas pela letra “X” na fórmula datiloscópica. 
 No caso de polidactilia, a anotação é realizada à margem do polegar da mesma mão, 
empregando a letra minúscula correspondente a esse tipo. 
 Na hipótese de ausência de impressões digitais em razão de Dermatopatias (Ex.: 
Síndrome de Naegeli-Francheschetti-Jadassohn), a pessoa deve ser individualizada por meio de 
outro métodos (ex. biometria). 
 
18/03/2016 
 TRAUMATOLOGIA FORENSE 
 Conceito de Traumatologia Forense 
“A traumatologia estuda as lesões e os estados patológicos imediatos ou tardios 
produzidos por violência sobre o corpo humano” (Genival França) 
“É o capítulo da Medicina Legal no qual se estudam as lesões corporais resultantes de 
traumatismos de ordem material ou moral, danosos ao corpo ou à saúde física ou mental” 
(Delton Groce) 
“É a área da Medicina Legal que estuda todas as formas de agressão à integridade 
física e à vida dos indivíduos. Por consequência, estuda os meios de atuação de todos os 
agentes lesivos, classificando-os e conhecendo seus efeitos” (Luís Renato Costa e Bruno 
Miranda Costa). 
 Lesão Corporal (sob o ponto de vista penal) 
MEDICINA LEGAL 
 
Kleber Luciano Ancioto Página 31 
 
No aspecto jurídico-penal “é qualquer ofensa à integridade corporal ou à saúde de 
outrem” – Espécies: Lesões leves (art. 129, caput, CP); Lesão Grave (art. 129, §1°, CP); Lesão 
Gravíssima (art. 129, §2°, CP); Lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3°, CP). 
Nelson Hungria, conceituou como “todas as ofensas ocasionadas à normalidade 
funcional do corpo ou organismo humano, seja do ponto de vista anatômico , fisiológico ou 
psíquico”. 
Lesão Corporal e Trauma: trauma é sinônimo de ferimento ou lesão à integridade 
física (mais aplicado à Medicina Legal). Alguns autores (Del Campo) chamam de “energia”, uma 
vez que a energia gera a lesão corporal. O trauma seria a consequência da energia. 
 Energias causadoras das Lesões Corporais 
Os danos causados ao corpo humano podem ser decorrentes de ação de várias formas 
de energia. 
Na medicina legal, há uma certa multiplicidade de nomenclaturas quanto a este tema. 
Alguns autores chama as energias de “agentes lesivos” (ou vulnerantes) que consistem no 
conjunto de objetos e meios capazes de produzir dano à integridade física ou à saúde do 
homem. 
Assim, a palavra “agente” e “energia”, para a medicina legal são “sinônimas”, ou seja, 
significam aquilo que causou o trauma ou a lesão. 
Trauma: é a consequência (lesão/dano). 
Energia: o agente causador do trauma. 
Existem vários tipos de energia capazes de gerar lesões: Mecânica, Física, Química, 
Físico-química, Bioquímica, Mistas, etc. 
 Energias Mecânicas 
As energias mecânicas são aquelas que, incidindo sobre um corpo, são capazes de 
modificar o seu estado de repouso ou de movimento. (Del Campo) 
Existem vários tipos de agentes mecânicos. Alguns são materializados em forma de 
instrumentos (ex.: armas) outros são energias de qualquer natureza (ex.: desmoronamentos, 
terremotos, quedas, explosões, etc.). 
Poderá existir ou não a manipulação humana sobre a energia. 
A energia mecânica pode possuir um instrumento capaz de produzir o trauma. Assim, 
o instrumento é um agente mecânico manipulado pelo homem para causar uma lesão. 
O mesmo instrumento pode causar mais de um tipo de lesão. A faca pode ser 
empregada pelo homem em um crime e poderá produzir lesões cortantes ou perfurocortantes. 
MEDICINA LEGAL 
 
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Uma pedra, por exemplo, pode ou não ser um instrumento. Se a pedra for 
arremessada por uma pessoa contra a outra, teremos um instrumento contundente (energia 
ativa). 
Mas se a pessoa tropeçar e cair sobre uma pedra e bater sua cabeça nesta pedra 
(apoiada ao chão), a pedra funcionará como uma energia passiva (agente) e não será um 
instrumento. 
 Exemplos de energias Mecânicas: 
Armas naturais: socos, pontapés, tapas, arranhões, cabeçadas, cotoveladas, mordidas, 
etc. 
Armas próprias: armas de fogo (revólver, pistola, fuzil, espingarda, etc.), armas 
brancas (com lâminas: facas, punhais, adagas, espadas, etc.); Armas propriamente ditas: soco-
inglês, cassetete, tonfa, tacape, etc. 
Armas eventuais: foice, enxada, tijolo, garrafas, facas de cozinha, estiletes, barra de 
ferro, balaústre, etc. 
Animais: cães, cavalos, gado, cobras, macaco, onça, etc. 
Energias da natureza: desmoronamento, inundação, explosões naturais, queda de 
raios, incêndios não criminosos, terremotos, etc. 
Outras: quedas acidentais, acidentes automobilísticos, maquinismos e peças de 
máquinas, etc. 
 Classificação dos instrumentos Mecânicos 
Os instrumentos mecânicos podem ser classificados de várias maneiras. Depende da 
sua forma de atuação, ou até das suas próprias características, tais como forma, tamanho, 
peso, tipo de bordas, etc. 
A maneira como o instrumento é manejado também pode ser levada em conta:força, 
velocidade, pressão, inclinação, etc. 
Os instrumentos mecânicos, segundo o contato com o corpo humano, o modo de ação 
e as características que estes imprimem às lesões podem receber inúmeras classificações (ex.: 
instrumentos perfurantes, cortantes, contundentes, perfurocortantes, perfurocontundentes, 
etc.). 
o Classificação quanto à relação entre o corpo e o instrumento 
Levando-se em consideração a relação entre o corpo e o instrumento causador da 
lesão, podemos estabelecer três classificações: 
Meio ativo: o instrumento vai de encontro ao corpo. Há uma ação do instrumento 
sobre o corpo (Ex.: atropelamento de um carro sobre uma pessoa imóvel); 
MEDICINA LEGAL 
 
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Meio passivo: o instrumento fica inerte e o corpo vem sobre seu encontro. Há uma 
ação do corpo sobre o instrumento (Ex.: queda em que a pessoa cai sobre o solo); 
 Forma Mista: ocorre a ação do corpo em movimento sobre o instrumento que 
também está em movimento, ou seja, um atua sobre o outro (Ex.: carro atropela ciclista em 
movimento). 
 Obs: a gravidade da lesão vai depender da intensidade com que a energia atingiu o 
corpo, da natureza da lesão e da maior ou menor resistência do tecido humano atingido. 
INSTRUMENTOS PERFURANTES (PUNCTÓRIOS) 
Os instrumentos perfurantes ou “punctórios” apresentam uma ponta e não possuem 
gume (lâmina) agem por meio de pressão exercida em um ponto, afastando fibras, sem 
secciona-las. 
São instrumentos puntiformes, alongados, finos, compridos, pontiagudos, cilíndricos 
ou cônicos. Ex: furadores de papel, furadores de gelo, pregos, arames, agulhas, alfinetes, 
espetos de churrasco, estiletes agulhados, etc. 
As lesões produzidas por instrumentos perfurantes são chamadas de “lesões 
punctórias”. Quando o instrumento tem a ponta muito fina, as lesões dele decorrentes se 
caracterizam pelo pouco sangramento e por um minúsculo orifício ou lesão de entrada. 
 Características da lesão punctória * 
O orifício de entrada é pequeno e consiste em um ponto colorido vermelho escuro. 
Quando o instrumento tem calibre maior, poderá ocorrer a presença de uma orla escoriada; 
são feridas de raro sangramento. 
Quando o instrumento for cônico e de maior calibre, o orifício de entrada (e, 
eventualmente, de saída) tomam forma de “botoeira” (casa de botão). 
A lesão punctória possui uma deformação devido ao fato das fibras do tecido serem 
dotadas de elasticidade. Nem sempre teremos uma correspondência entre o objeto 
vulnerante (instrumento) e a lesão por ele deixada. Há um predomínio marcante da 
profundidade sobre a superfície externa (que geralmente é pequena). 
Assim, as principais características da lesão punctória são a pouca extensão ou 
tamanho da ferida e a maior profundidade, provocando um ferimento mais profundo do que 
extenso e que pode causar a morte dependendo de onde atinge e da profundidade da lesão 
(ex.: lesões cavitárias que atravessam tecidos e invadem uma cavidade do corpo: tórax, 
addômen, etc.). 
Se o instrumento atravessa um segmento ou órgão do corpo, produzindo orifício de 
saída, o ferimento é chamado de ferimento punctório transfixante. 
o Leis de Filhos e Langer 
MEDICINA LEGAL 
 
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As lesões punctórias tem menor diâmetro que o do instrumento causador em razão da 
elasticidade ou retratilidade dos tecidos cutâneos. 
Conforme mencionado, se o instrumento é de pequeno calibre a lesão será 
representada apenas por um pequeno ponto na pele. 
Se o instrumento é de médio calibre, teremos um afastamento maior do tecido e, por 
causa das linhas de tensão da pele, a lesão assumirá a conformação de um ferimento 
semelhante a uma “botoeira”, podendo, ainda, dependendo da região do corpo, assumir 
característica de “ponta de seta”, “triângulo” ou “quadrilátero”. 
As Leis de Filhos e Langer traçam uma série de direções das tensões dos tecidos do 
nosso corpo. Cada região do corpo humano tem uma tensão e um direcionamento que puxa a 
pele para um determinado lado. 
Assim, as lesões punctórias orientam-se segundo as linhas de Langer que existem em 
nossa pele e que vão dar forma às lesões. 
 Eduard Filhos e Karl Ritter Vom Langer: realizaram diversos estudos em 1861 e 
detectaram que a grande maioria dos ferimentos punctórios tinham forma de “casa de botão” 
em razão da tensão da pele humana, criando algumas leis que auxiliam na interpretação 
destes ferimentos. 
 Primeira Lei de Filhos: as feridas deixadas são semelhantes às produzidas por 
instrumentos de dois gumes e têm aparência de casa de botão. 
 Segunda Lei de Filhos: quando estas lesões se produzem numa mesma região, 
o maior eixo da ferida está orientado no sentido das fibras musculares das subjacentes. 
 Lei de Langer: nas regiões onde existe cruzamento de muitas fibras, a ferida 
toma forma de ponta de seta, triângulo ou quadrilátero. 
INSTRUMENTOS CORTANTES 
Os instrumentos cortantes agem por meio de pressão e deslizamento sobre a pele, 
tecido ou órgãos. São instrumentos que possuem borda afiada (gume/fio). 
São exemplos de instrumentos cortantes: lâminas de barbear (gilete), navalhas, bisturi, 
facas, estiletes, fragmentos de vidro, cerol, papel, etc. Geralmente possuem borda longa e 
fina. 
Atuam por pressão e deslizamento sobre seu fio ou gume. A profundidade depende da 
pressão e do fio, e a extensão da lesão depende do deslizamento do instrumento. 
As lesões produzidas por instrumentos cortantes são chamadas de “lesões incisas”. 
Segundo Genival França, as lesões incisas são apenas verificadas em cirurgia, sendo a melhor 
expressão “feridas cortantes”. No entanto, a grande maioria dos autores utilizam a expressão 
“lesões incisas”. Obs.: incisão ou abscisão é a ferida causada por médico em ato operatório 
(Delton Groce). 
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o Características da lesão incisa (cortante) 
Nas lesões incisas, as extremidades são mais superficiais e a parte mediana é mais 
profunda. São ferimentos de forma linear, reta ou curvilínea, com predomínio do 
comprimento sobre a profundidade; 
O ferimento é extenso e raso (diferente do punctório que é pequeno e profundo) e 
apresenta duas caudas: uma de entrada (mais larga devido a maior pressão) e uma de saída 
(mais estreita devido a menor pressão e maior deslizamento). 
As bordas da lesão incisa são nítidas e regulares, as margens são livres de traumas 
(sem esmagamento do bordo) e esta lesão pode apresentar a chamada “cauda de saída ou de 
escoriação” que são escoriações localizadas junto à saída do instrumento ao nível da pele 
(extremidade distal). 
A “cauda de escoriação” consiste numa espécie de arranhão que caracteriza a 
diminuição da força de pressão sobre os tecidos. Sua descrição é fundamental, pois determina 
a direção da ação do instrumento no corpo da vítima. (direita, esquerda, acima, abaixo). 
A hemorragia é quase sempre abundante na lesão incisa, pois a lesão alcança vasos 
sanguíneos, seccionando-os (dependendo da vascularização da região). 
As feridas incisas são, habitualmente, pouco profundas não penetrando nas cavidades. 
No entanto, a profundidade da ferida incisa depende do gume afiado e da resistência dos 
tecidos. Dependendo da região, podem ocasionar lesões das articulações. No abdômen, se 
utilizado o instrumento cortante com intensa força agressora, em indivíduos magros, pode 
ocasionar a evisceração. 
As lesões incisas são frequentemente encontradas em suicídios, particularmente onde 
as vítimas cortam pescoços ou os pulsos. Também são características de ferimentos de defesa, 
em caso de agressão com armas brancas (facas, navalhas, etc.) hipótese em que os ferimentos 
recaem, quasesempre, nas mãos e braços. 
Em resumo as lesões incisas possuem as seguintes caraterísticas: Margens lisas e 
regulares; Ausência de contusão; Geralmente mais largas e profundas na porção média; 
Existência frequente da cauda de escoriação ou de saída; Hemorragia abundante. 
INSTRUMENTOS PERFURO-CORTANTES 
Os instrumentos perfuro-cortantes são representados, principalmente, pelas armas 
brancas, que, além da ponta (instrumento puntiforme) também possuem borda afiada 
(gume/fio). 
Agem pela força exercida em sua ponta e também cortam pelo gume que apresentam: 
perfuram + cortam. 
São exemplos de instrumentos perfuro-cortantes: punhais, canivetes, facas, 
“peixeiras”, adagas, lima, dentre outros. 
MEDICINA LEGAL 
 
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As lesões produzidas por instrumentos perfuro-cortantes são chamadas de “lesões 
perfuro-incisas”. Essas lesões correspondem à associação das lesões anteriormente 
explanadas (punctória + incisa), assumido características mistas. Em geral, apresentam bordas 
afastadas, mas, ao contrário das lesões incisas, possuem uma menor extensão e grande 
profundidade. Trata-se de uma lesão extremamente grave, uma vez que, via de regra, atingem 
órgãos internos (cavidade torácica, abdominal, etc.). 
o Características da lesão perfuro-incisa 
Há um predomínio da profundidade sobre o comprimento; as bordas são nítidas e lisas 
e as margens não apresentam traumas (contusão). 
Também possuem forma de botoeira (ângulo agudo e canto arredondado: instrumento 
com um só gume; ou ambos os ângulos agudos, nos instrumentos de dois gumes). Pode haver 
pequena cauda no local correspondente ao gume. O tamanho do ferimento nem sempre 
corresponde à largura da lâmina que o produziu, podendo ser menor em razão da elasticidade 
da pele (também são influenciados pela Lei de Filhos e Langer). 
Eventualmente, os instrumentos podem ter três gumes, onde a ferida terá forma 
triangular ou estrelada. 
É a lesão mais comum nos homicídios causados por armas brancas. As chamadas 
“lesões de defesa” encontradas na palma das mãos, nos antebraços, ombros, etc. demonstram 
o esforço da vítima na tentativa de salvar sua própria vida. 
 Esgorjamento, Degolamento e Decapitação 
Tanto as lesões incisas como as lesões perfuro-incisas são comumente encontradas em 
suicídios ou homicídios atingindo a região do pescoço. 
Neste caso, as lesões produzidas na região do pescoço são chamadas de Esgorjamento, 
Degolamento e Decapitação. 
ESGORJAMENTO: são as lesões (incisas ou perfuro-incisas) localizadas na região 
anterior do pescoço (ou nas laterais do pescoço). A ferida pode ser única ou múltipla. No 
esgorjamento há um acentuado afastamento das margens da ferida em razão dos músculos e 
por causa da tonicidade do tecido. Pode atingir a coluna cervical dependendo da intensidade 
do manejo do instrumento. A morte decorre da anemia aguda em consequência da 
hemorragia fulminante (lesão dos vasos do pescoço – secção da carótida) e por asfixia 
(introdução de sangue nas vias respiratórias). 
DEGOLAMENTO: são as lesões provocadas por instrumentos cortantes ou perfuro-
cortantes na região posterior do pescoço (nuca). A morte decorre por hemorragia, por lesão 
vascular importante ou por traumatismo raquimedular (lesão na medula), nos casos de golpe 
profundo e violento, atingindo a coluna cervical. 
Obs: via de regra, quando o esgorjamento ou o degolamento atingem a coluna 
cervical, a hipótese sugere homicídio. 
MEDICINA LEGAL 
 
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DECAPITAÇÃO: Se traduz pela separação da cabeça do corpo (separação do 
seguimento cefálico do tronco) e pode ser oriunda de outras formas de ação além da cortante. 
 
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 INSTRUMENTOS CONTUNDENTES 
Os instrumentos contundentes são os agentes mecânicos, líquidos, gasosos, sólidos, 
etc. que atuam por pressão, explosão, flexão, torção, sucção, percussão, distensão, 
arrastamento, deslizamento, fricção, dentre outras e que traumatizam o organismo do 
indivíduo. 
São exemplos de instrumentos contundentes: armas naturais (mãos, pés, cabeça, 
joelho, cotovelo, unhas, etc.); armas eventuais (pedaço de madeira, pedra, tijolo, barra de 
ferro, martelo, taco, etc.); saliências obtusas e as superfícies duras (solo, árvores, postes, 
pavimento, automóvel, etc.) armas de ataque (soco inglês, cassetete, tonfa, etc.) outros 
instrumentos: desmoronamentos, explosões, acidentes com máquinas, jatos de ar, superfície 
de água de uma piscina, etc. 
As lesões produzidas por instrumentos contundentes são chamadas de “lesões 
contusas” (ferimentos contusos) e podem ser superfícies ou profundas. 
 Características da lesão contusa 
As lesões contusas, segundo Delton Croce englobam as “Contusões” e as “Feridas 
Contusas”. 
CONTUSÕES (lesões superficiais): as contusões são lesões contusas superficiais em 
que o instrumento atua sobre a superfície corporal sem muita força de impacto. As lesões 
atingem os tecidos mais superficiais, como a pele e o tecido subcutâneo. São irregulares e 
caracterizadas pela inexistência de um ferimento aberto (lesões fechadas) comprometendo a 
pele. 
São espécies de contusões: 
Rubefações: consistem na vasodilatação da pele atingida pelo objeto contundente 
(palma da mão, pedaço de madeira, etc.) de forma branda o suficiente para que não haja lesão 
tecidual. A vermelhidão (hiperemia) é fruto da dilatação dos vasos sanguíneos da região 
afetada. Tem caráter transitório, desaparecendo em algumas horas (Ex. tapas, bofetadas, etc.). 
Escoriações: é o que chamamos de “arranhões”, “ralados” ou “esfolados”, são lesões 
superficiais que atingem a superfície da pele (epiderme), arrancando algumas camadas de 
célula ou, eventualmente, a derme, provando sangramento de pequena intensidade, com 
coagulação e formação de crosta que tende a se soltar após alguns dias (abrasão). Não causam 
cicatrizes, pois há uma regeneração da epiderme e da derme, que readquire seu aspecto 
original (“restituo in integrum”). 
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Equimose: também chamada de “equisema” é uma mancha na pele produzida pelo 
rompimento e infiltração de sangue nas malhas dos tecidos. São as comumente chamadas 
“manchas roxas”. A intensidade da equimose depende do instrumento e do grau de violência. 
Equimona: é o nome da equimose de grande proporção. A infiltração de sangue nos tecidos 
desencadeia um processo de reabsorção, com degradação da hemoglobina, produzindo 
alterações da coloração da lesão, com o passar do tempo. Essas modificações foram descritas 
por Legrad du Salle que as chamou de “espectro equimótico”. 
Espectro equimótico: é a transformação química porque passa a hemoglobina fora do 
vaso sanguíneo, causando um alteração da coloração da equimose. Segue a seguinte marcha: 
1° dia: vermelho escuro; 2° ao 3°: violeta; 4° ao 6°: azulado; 7° ao 10°: verde escuro; 11° ao 12°: 
verde-amarelado; 12° ao 17°: amarelado; A partir do 22° dia: desaparece a equimose. 
Obs. esta cronologia é um referencial para se verificar o tempo de evolução da lesão e 
correlaciona-la com a data do crime. É importante nos casos de violência doméstica e maus-
tratos. Equimoses com colorações diferentes indicam que uma criança vem sofrendo 
agressões continuamente. As equimoses só existem em “vida”, não há este tipo de lesão no 
cadáver (não são produzidas após a morte). 
Hematomas: são as lesões que ocorrem pelos mesmos mecanismos da equimose, 
porém de uma maneira mais intensa. 
No hematoma também ocorre o rompimento de vasos sanguíneos, no entanto, são 
mais calibrosos e volumosos, ocorrendo um maior sangramento, onde a lesão se manifesta 
como uma espécie de tumor (bolsa de sangue).A diferença da equimose para o hematoma é 
que, na equimose o sangue se espalha pelos tecidos subjacentes ao do impacto, enquanto 
no hematoma há a formação de uma bolsa de sangue, que fica represada numa pequena 
área. Dependendo da localização também segue o “espectro equimótico”. 
Edema traumático: é um aumento difuso de volume, por acúmulo de líquido 
intercelular (seroso) em razão de uma modificação traumática da permeabilidade dos vasos, 
onde ocorre um extravasamento de líquido no tecido. Ocorre nos impactos onde há resistência 
óssea (calota craniana). Desaparece em menos de 24 horas. Ex.: inchaço, vulgarmente 
conhecido como “galo”. Pode ter outras causas que não o trauma, por ex: doenças renais, 
vasculares, etc. 
FERIDAS CONTUSAS (Lesões profundas): são causadas pela força do instrumento, 
atuando com violência proporcionalmente grande, alcançando tecidos profundos, músculos, 
articulações, vísceras, ossos, etc. São exemplos: atropelamentos, acidentes automobilísticos, 
quedas de grande altura, explosões, etc. Podem ser fechadas ou feridas abertas. 
Podem ser citadas: Fratura: é a perda da continuidade óssea. Luxação: é a perda da 
continuidade articular (deslocamento de ossos) podendo ou não ser acompanhada da ruptura 
dos ligamentos articulares; Entorse: lesão nos ligamentos sem deslocamento dos ossos. 
RUPTURA VISCERAL: é a lesão de órgãos das cavidades, torácica, abdominal, etc. As 
vísceras mais frequentemente lesadas são o fígado e o baço. 
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 INSTRUMENTOS CORTO-CONTUNDENTES 
Os instrumentos corto-contundentes agem contundindo pela pressão aplicada e 
cortam pelo fio/gume grosseiro que apresentam. São objetos via de regra pesados, com gume 
pouco afiado. Não há deslizamento, mas pressão e impacto. 
 São exemplos de instrumentos corto-contundentes: machado, enxada, grandes 
peixeiras, cutelos, dentes, facão, foice, etc. 
 As lesões produzidas por instrumentos corto-contundentes são chamadas de “lesões 
corto-contusas” (ferimentos corto-contusos) e possuem as seguintes características: bordas 
irregulares e sem cauda; presença de equimose e edema traumático junto às margens (sinais 
típicos das contusões); grande extensão e profundidade, podendo provocar fraturas, 
dependendo do peso do instrumento e da força aplicada a ele. Trata-se de um ferimento 
hibrido, mesclando o ferimento inciso e o contuso. 
 Obs. são lesões homicidas e podem também estar relacionadas a acidentes de 
trabalho. 
INSTRUMENTOS PERFURO-CONTUNDENTES 
Os instrumentos perfuro-contundentes agem “amassando” e despedaçando os tecidos 
por ação de sua ponta. 
São exemplos de instrumento perfuro-contundentes: projétil de arma de fogo (balas); 
chaves de fenda; brocas; ferros de construção; setas de flechas; etc. 
As lesões produzidas por instrumentos perfuro-contundentes são chamadas de “lesões 
perfuro-contusas” (ferimentos perfuro-contusos) e possuem as seguintes características: 
bordas irregulares; predomínio da profundidade sobre a superfície; caráter penetrante ou 
transfixante. 
Obs. as lesões perfuro-contusas são, classicamente, as lesões produzidas por projéteis 
de arma de fogo que agem por impulsão e rotação causando a formação de um orifício de 
entrada e zonas de contorno junto à pele. A forma do orifício e as zonas de contorno 
dependem da incidência do tiro e da distância (tiro a queima roupa, tiro encostado, tiro à 
distância, etc). 
 INSTRUMENTOS LACERANTES OU DILACERANTES 
 Os instrumentos lacerantes ou dilacerantes são aqueles com bordas irregulares, sem 
corte ou com corte cego, como facas com serra ou dentadas, chamas de ferro retorcidas 
(acidentes automobilísticos), etc. 
 Ao invés de cortar o tecido como ocorre no ferimento inciso, a ação dilacerante, por 
não ter fio, rasga o tecido. O fio cego puxa a pele e os tecidos adjacentes até o seu 
rompimento. O ferimento apresenta caraterística amorfa ou irregular. Alguns peritos 
denominam “ferimento lacerocontuso”. 
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 Alguns autores (Delton Croce, Genival França, Del Campo) entendem que não existem 
ferimentos dilacerantes, que na verdade são ferimentos contundentes de grandes proporções, 
uma vez que os instrumentos podem causar lesões diversas, independente de sua natureza. 
 ENERGIAS FÍSICAS 
 As energias físicas são aquelas que, incidindo sobre um corpo, são capazes de 
modificar o seu estado físico e provocar lesões corporais ou a morte. 
 Também podem ser chamados de agentes físicos, pois consistem em objetos, coisas 
ou fenômenos capazes de causar um trauma. As energias físicas também podem se 
materializar através de um instrumento criminoso. Ex. incêndio criminoso, armas de choque, 
etc.) 
 Existem vários tipos de agentes físicos. Podemos classificar os agentes físicos em: 
Calor; Eletricidade; Frio; Pressão; e Radioatividade. 
 AGENTE FÍSICO: CALOR 
 O calor pode lesar o corpo humano de diversas formas, dependendo da maneira como 
atinge a pessoa. 
 TERMONOSES: são resultantes da ação do calor difuso sobre a superfície corporal 
causando um desequilíbrio hidroeletrolítico (desidratação) e uma falha dos centros 
termorreguladores, causando uma elevação constante da temperatura do corpo, queda de 
pressão arterial, aceleração do pulso e da respiração, levando à perda da consciência e até a 
morte. 
 Insolação: é causada pela exposição à luz solar (calor solar). Não se exige exposição 
direta, pode ser indireta também (mesmo ao abrigo do sol é possível a insolação através da 
canícula). Via de regra tem natureza acidental (alcoolismo, vestuário inadequado, etc.). 
 Intermação: o calor age sobre o corpo em espaços confinados (calor industrial) sem 
arejamento. Pode ser acidental ou, excepcionalmente criminosa (Ex: fornalhas, caldeiras, 
bronzeadores artificiais, etc.). 
 QUEIMADURAS: são resultantes da ação direta do calor, em qualquer de suas formas, 
em contato com o corpo, atuando sobre a pele ou sobre o organismo. A queimadura pode ser 
produzida através de: chama, sólido aquecido (metal incandescente), líquido aquecido, gás 
aquecido, etc. As queimaduras podem ser classificadas quanto a profundidade e extensão. A 
temperatura e o tempo de exposição serão relevantes para a natureza da queimadura. 
Classificação quanto a profundidade (intensidade): 
Queimaduras de 1° Grau: a pele fica avermelhada por causa da vasodilatação dos 
vasos sanguíneos da derme. Não há formação de cicatrizes, pois a camada geradora da pele 
não é atingida. 
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Queimaduras de 2° Grau: há um acúmulo de líquido abaixo da epiderme com 
formação de bolhas (flictenas). No ser vivo, as bolhas detém um líquido seroso (plasma). No 
caso da queimadura “post mortem” não existe este líquido seroso nas flictenas. 
Queimaduras de 3° Grau: ocorre morte celular da pele e tecidos moles por 
coagulação, com formação de placas chamadas “escaras”. Esses tecidos são substituídos por 
outros, chamados de tecidos de granulação, resultante da cicatrização por segunda intenção 
(de dentro para fora). As cicatrizes são retrateis e queloides. 
Queimaduras de 4° Grau: é a mais grave de todas, ocorrendo a destruição dos tecidos 
moles e até dos ossos por ação direta do calor através da carbonização que pode ser local ou 
generalizada. Na carbonização generalizada há uma redução do volume do corpo por 
condensação dos tecidos. 
Esta redução pode ocorrer até a fração de um terço do corpo que fica em “posição de 
lutador”, em face da semiflexão dos membros superiores e dedos em regra. A pele se torna 
enegrecida e rígida, com exposição dos dentes. Pela ação do calor, pode ocorrer amputaçãode 
seguimentos do corpo. 
O tempo para o cadáver adulto ser reduzido a cinzas é de aproximadamente uma hora 
e meia, duas horas (crianças de cinquenta a setenta minutos). 
Existem outras classificações por profundidade, estabelecendo limites em até o sexto 
grau (Dupuytren), no entanto, essas são as mais tradicionalmente aceitas. 
 Obs I: Nas carbonizações totais, a primeira preocupação é com a identificação do 
corpo. Neste caso, a arcada dentária é um importante elemento de identificação, já que os 
dentes não são destruídos. 
 Obs II: A pericia também deve esclarecer se a morte foi por causa do fogo (ex. durante 
o incêndio) ou se o indivíduo estava morto quando alcançado pelas chamas. Verifica-se se a 
vítima respirou durante o incêndio através da presença de monóxido de carbono no sangue e 
fuligem nas vias respiratórias. Este procedimento é chamado de Sinal de Montalti. Além disso, 
as “bolhas” (flictenas) também são analisadas, verificando se elas possuem o conteúdo seroso, 
que está ausente no corpo do cadáver e presente no ser humano vivo (sinais de Janesie-Jeliac). 
 Queimaduras por extensão: 
 As queimaduras também podem ser classificadas por extensão, dependendo do 
percentual de comprometimento do corpo, da área vital comprometida e da idade da vítima. 
 Um idoso ou uma criança com 5% ou 10% da área corporal atingia podem ser 
considerados grandes queimados. Um adulto, o percentual é 20% ou mais. 
 Regra das Nove (Pulaski e Tennisan): é uma técnica onde se divide o corpo em frações 
correspondente a 9%, permitindo-se calcular com boa aproximação o percentual do corpo 
atingido. 
 AGENTE FÍSICO: ELETRICIDADE 
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 A eletricidade é uma energia física capaz de se transformar em calor ou passar pelo 
corpo, produzindo queimaduras, podendo levar a óbito. Condições individuais, tais como 
espessura da pele, umidade, resistência à corrente elétrica vão determinar o grau das lesões. 
Se a pele estiver molhada, oferecerá menor resistência à passagem da corrente elétrica, com 
lesões externas de menor gravidade, no entanto, a corrente passará com maior facilidade para 
o interior do corpo, acarretando sérios danos fisiológicos, podendo levar à morte por parada 
cardíaca. 
 Os danos ocasionados pela eletricidade podem ser classificados da seguinte forma: 
 ELETROPLESSÃO: É o dano corporal, com ou sem morte, desencadeado pela 
eletricidade artificial, doméstica ou industrial. Tem natureza acidental. A corrente elétrica 
determina lesões esbranquiçadas no ponto onde penetra o corpo, denominadas “Marcas 
elétricas de Jellinek”. 
A morte por eletroplessão admite três teorias: 
 Morte por lesão cerebral: quando há uma grande descarga elétrica (acima de 1.200 
volts); Morte por asfixia: correntes entre 120 e 1.200 volts que podem levar a uma paralisação 
dos músculos respiratórios e consequente parada respiratória; Morte por parada cardíaca: 
ocorre uma fibrilação ventricular quando uma corrente elétrica, mesmo de 120 volts, cruza o 
eixo do coração, alterando sua condição elétrica normal. 
 FULMINAÇÃO: É determinada pela eletricidade cósmica (natural – raio) levando a 
óbito. O efeito da descarga elétrica atmosférica sobre o organismo humano é instantânea. 
Causa grandes traumatismos, amputações de membros, ruptura de vasos sanguíneos, etc. 
 FULGURAÇÃO: Quando o resultado da eletricidade cósmica sobre o corpo humano 
causa lesões corporais. Tais lesões tem aspecto de “folhas de samambaias” decorrentes de 
fenômenos vasomotores, são também conhecidas como Marcas de Lichtemberg. 
 ELETROCUSSÃO: É a execução judicial em cadeira elétrica, muito praticada ao longo de 
anos nos EUA e abolida em 2003, sendo substituída pela injeção letal por questões de 
humanidade. 
 Obs.: as lesões por eletricidade dependem da frequência de voltagem e do trajeto da 
corrente. As correntes de baixa tensão (até 250 volts) não oferecem tanto perigo, mas, 
dependendo do trajeto pode levar a óbito, como ocorre na fibrilação ventricular. 
 Além da marca elétrica que é o sinal de entrada da corrente elétrica no corpo, é 
possível encontrar ferimentos de saída, indicando onde a descarga elétrica deixou o corpo. A 
maioria dessas lesões encontram-se nos pés. 
 
08/04/2016 
 AGENTE FÍSICO: FRIO 
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 A temperatura corporal mínima é de 31°C. 
 As lesões pelo frio são mais comuns em outros países. No Brasil, os casos envolvem o 
frio industrial (artificial): Câmaras frigoríficas, geladeiras, congeladores, etc. Via de regra em 
questões acidentais. 
 As lesões produzidas pelo frio são chamadas de: “geladuras” e possuem aspecto pálido 
evoluindo para uma lesão mais grave, chegando até a necrose. Guardam certa semelhança 
com as lesões produzidas pelo calor. Alguns autores chamam de “queimaduras pelo frio”. 
 O frio produz lesões locais e sistêmicas. A morte por congelamento se dá em 
consequência à exposição a temperaturas atmosféricas muito baixas. Pode ocorrer em 
situações naturais ou industriais. 
 Podem ser classificadas em três graus: 
 Eritema: primeiro grau (vermelhidão em razão da vasoconstrição da pele); 
 Flictenas: segundo grau (bolhas similares à queimadura); 
 Gangrena: terceiro grau (morte tecidual); 
 A gangrena leva a necrose, que significa morte do tecido, principalmente nas 
extremidades corpóreas: nariz, orelha, dedos, etc. Pode destruir parte ou todo o segmento. 
Quando ocorre nos pés são chamados de “pés de trincheira” (em alusão aos soldados da 
primeira guerra mundial). 
 Os efeitos sistêmicos são oriundos da queda do metabolismo e da insuficiência 
circulatória que se instala efeitos que são agravados pela fadiga, inanição, idade avançada, 
alcoolismo, etc. (ex. mendigos em regiões frias, alpinistas perdidos na neve). 
 AGENTE FÍSICO: PRESSÃO 
 A pressão atmosférica normal é de 760 mm de HG (milímetros de mercúrio) – pressão 
ao nível do mar. 
 A pressão pode causar alteração do organismo do homem. O corpo precisa de um 
tempo para se adaptar à pressão, podendo ocorrer lesões ou até a morte. 
 O organismo humano está adaptado a suportar a pressão de uma atmosfera dentro 
dos padrões normais. Quando ocorre variações intensas de pressão, sem a necessária 
adaptação, alguns fenômenos podem ocorrer. 
 Esses fenômenos são chamados genericamente de “Baropatias”. São eles: 
 Hiperbarismo: é o aumento acentuado da pressão, comum nos mergulhadores. É 
chamado de “mal dos caixões” ou “doença do escanfandro”, indicando sintomas de 
intoxicação pelo oxigênio, nitrogênio e gás carbônico. 
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 Quando o mergulhador retorna muito rápido à superfície há uma descompressão 
brusca formando bolhas de ar no sangue por causa da oxigenação realizada pelo cilindro de ar, 
que injeta mais ar nos pulmões à medida que a pressão aumenta. 
 A cada 10 metros de profundidade há uma pressão equivalente a uma atmosfera e o 
volume de ar no organismo do mergulhador reduz pela metade. O volume de ar inspirado pelo 
mergulhador deve ser expirado gradativamente durante a subida para se evitar as lesões que 
são chamadas de “barotraumas”. 
 Os barotraumas podem se manifestar através da perfuração do tímpano, rompimento 
dos alvéolos, embolia gasosa e até fraturas de dentes. 
 Hipobarismo: é produzido pela refração de ar em grandes altitudes. À medida que a 
altura aumenta, o nível de oxigênio diminui. Para compensar o organismo produz mais 
glóbulos vermelhos. Pode também ocorrer vazamento de líquido para os pulmões, 
ocasionando a morte por asfixia. 
 Quando não há tempo para adaptação, ocorre aumento dos batimentos cardíacos,náuseas, diarreia, vômitos, problemas hematológicos (epistaxe: diminuição das hemácias), 
desmaios e até morte. 
 Tais problemas ocorrem em altitudes entre 4.600m e 6.100m. 
 Esta espécie de “barotrauma” é chamada de “mal das montanhas” ou “mal dos 
aviadores”. 
 AGENTE FÍSICO: RADIOATIVIDADE 
 As radiações podem causar lesões e morte. As principais fontes de radiação, segundo 
Genival França são: raios X (ondas eletromagnéticas), o rádio (partículas beta) e a energia 
atômica (aniquilação de partículas). 
 Os efeitos da radiação no organismo são: alterações genéticas; vários tipos de câncer; 
alterações de células do sangue, produzindo hemorragias, queimaduras podendo atingir o 
nível ósseo. 
 As queimaduras produzidas pela radiação são chamadas tecnicamente de 
radiotermites e adquirem aspectos de eritemas (vermelhidão) ou, dependendo da 
intensidade, se manifestam através de úlceras, havendo uma necrose constante, sem 
cicatrização levando a alterações genéticas e reprodutivas através da multiplicação de células 
cancerosas. 
 ENERGIAS QUÍMICAS 
 As energias químicas são aquelas que atuam nos tecidos vivos através de substâncias 
que provocam alterações de natureza corporal, fisiológica ou psíquica, causando danos à 
saúde ou à vida da pessoa. 
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 As energias químicas também podem ser chamadas de agentes de ordem química, e 
atuam no organismo humano através da destruição (cáusticos ou corrosivos) ou por alterações 
metabólicas (venenos ou tóxicos). 
 Os agentes químicos atuam através de ações acidentais (acidente de trabalho) ou por 
intermédio de ação criminosa (homicídio por envenenamento). 
 AGENTE QUÍMICO: CÁUSTICOS 
 Os cáusticos ou corrosivos são substâncias químicas que provocam profunda 
desorganização dos tecidos vivos, quer por desidratação (coagulantes) quer por dissolução 
(liquefacientes). Os cáusticos (do grego “Kaustikos” – aquilo que queima) destroem os tecidos 
vivos causando escaras secas e endurecidas ou lesões úmidas pelo amolecimento (liquefação) 
dos tecidos. 
 São exemplos de cáusticos: a soda, o ácido clorídrico, o ácido sulfúrico, etc. O ácido 
sulfúrico também é chamado de vitriolo, de onde deriva a expressão “vitrolagem” para 
caracterizar as lesões cutâneas por agentes cáusticos ou corrosivos. 
 A atuação dos agentes químicos corrosivos pode estar relacionada com homicídio, 
suicídio ou acidente. O arremesso de ácido na face, pescoço ou tórax podem causar lesões 
deformante (lesão gravíssima – Art. 129, §2°, IV, CP). É comum o suicídio por ingestão de 
soda cáustica. 
 AGENTE QUÍMICO: VENENOS 
 Existem várias definições para venenos ou tóxicos. São substâncias de qualquer 
natureza que, uma vez introduzidas no organismo e por ele assimilado e metabolizado, podem 
levar a danos à saúde física e mental. 
 Dependendo da natureza ou da quantidade, em um plano genérico, tudo pode fazer 
mal à saúde, inclusive alimentos ou a própria água. E o inverso também é verdadeiro, pois, as 
drogas (remédios), em doses específicas podem fazer “bem” ao organismo. 
 Para alguns a substância é veneno quando a “ação tóxica” é seu efeito habitual. Os 
venenos possuem uma dose tóxica, capaz de produzir um dano (intoxicação) ou uma dose 
letal, capaz de matar. 
 São exemplos de venenos: inseticidas e raticidas domésticos, agrotóxicos, substâncias 
medicinais, produtos inflamáveis, alguns tipos de cosméticos, etc. 
 Os envenenamentos podem ter etiologia acidental, suicida ou criminosa. O exame de 
local e a perícia toxicológica serão fundamentais para a comprovação do caso. 
 As vias de penetração do veneno incluem o trato gastrointestinal, pele, mucosas, trato 
respiratório e sangue. 
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 Para firmar o diagnóstico de morte por envenenamento, a perícia deverá isolar, 
identificar e dosar, no sangue colhido, na urina, nas vísceras ou no tecido as substâncias 
tóxicas suspeitas. 
 Existem várias classificações de envenenamentos: 
 Envenenamento por medicamentos (psicotrópicos, ansiolíticos ingeridos em larga 
escala); 
 Por produtos químicos (Estricnina; monóxido de carbono; cianeto; arsênico; chumbo; 
etc); 
 Por plantas tóxicas (cicuta, rícino de mamona vermelha, etc.); e 
 Por venenos de animais peçonhentos (cobras, aranhas, escorpiões, peixes venenosos, 
etc.) 
 ASFIXIOLOGIA FORENCE (AGENTES FÍSICO-QUÍMICOS) 
 Sob o título de energias de ordem físico-química iremos estudar a ASFIXIOLOGIA 
FORENSE, abordando o capítulo da medicina legal que estuda as asfixias. 
 Asfixia, do grego, “asphuksia” significa “falta de pulso”, utilizado mais comumente para 
apontar a falta de respiração. A maioria da doutrina conceitua asfixia como “supressão da 
respiração” (privação de ar). 
 Tecnicamente pode ser conceituada como “a insuficiência de oxigenação sistêmica 
ocorrendo a diminuição do teor de oxigênio no sangue e nos tecidos, causando danos e 
podendo levar à morte”. 
 O termo “asfixia” é extremamente abrangente e pode englobar várias causas de 
morte. Para a medicina legal, interessa três espécies de asfixias: Primitiva, Violenta e 
Mecânica. 
 ASFIXIA PRIMITIVA: aquela que é causa primária da morte, parte-se do critério 
temporal, onde a asfixia se apresenta como causa direta da morte (Asfixia Pura) e não como 
consequência de algum fenômeno orgânico prévio (doença cardíaca ou pulmonar, etc). 
 ASFIXIA VIOLENTA: é o modo como a morte por asfixia se concretizou, por 
consequência de uma ação violenta, não natural. 
 ASFIXIA MECÂNICA: é classificada quanto ao meio, tratando-se de asfixia em que 
“ocorre a privação de oxigênio ocasionada por um obstáculo mecânico à penetração do ar 
atmosférico e criando um déficit da ventilação pulmonar, incompatível com a sobrevivência” 
(Hofmann). 
 Para que a respiração ocorra normalmente, é necessário um ambiente gasoso externo 
com teor de oxigênio em torno de 21% livre de gases tóxicos. Abaixo de 7% pode levar a graves 
alterações orgânicas e abaixo de 3% causa a morte. 
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 O indivíduo deve estar em condições normais de respiração, ou seja, sem nenhum tipo 
de impedimento orgânico (expansibilidade pulmonar, movimentação toracodiafragmática e 
circulação sanguínea compatível para transportar oxigênio até os tecidos) sob pena de iniciar-
se um processo asfíxico. 
 Sinais externos da asfixia: face cianótica (máscara equimótica azulada); globos 
oculares proeminentes (hemorragia na conjuntiva ocular); língua projetada; cogumelo de 
espuma (bolhas de espuma que cobre a boca). 
 Sinais internos: sangue escuro nas cavidades cardíacas e acúmulo de sangue no fígado 
e rins. 
 Nos casos de asfixia mecânica, os pulmões ficam com pequenas manchas 
avermelhadas (hemorrágicas) que decorrem de alta pressão arterial provocada pelo aumento 
da concentração de gás carbônico no sangue. Tais manchas são chamadas de “Manchas de 
Tardieu”. 
 Esses sinais podem variar dependendo da espécie de asfixia. 
 O número de movimentos respiratórios diminui com a idade, sendo de, 
aproximadamente, 40 a 45 por minutos em crianças e 16 (aproximadamente) em adultos. 
 Quanto aos movimentos respiratórios, existem as seguintes classificações: Eupneia: 
respiração normal; Bradpneia ou oligopneia: número de movimentos respiratórios 
diminuídos; Polipneia ou hiperpneia: número de movimentos respiratórios aumentados; 
Dispneia: dificuldade para respirar ou respiração difícil (grau máximo é chamado de 
ortopneia); Apneia: parada respiratória. 
 O tempo total de asfixia é de aproximadamente 7 (sete) minutos, dependendo da 
idade e da capacidade pulmonar da vítima.No afogamento o processo é mais rápido (4 a 5 
minutos). No enforcamento pode durar até 10 minutos. 
 No direito Penal, o homicídio praticado através da asfixia, qualifica o crime (Art. 121, 
§2°, III, CP). 
 Existem os seguintes tipos de asfixia mecânica: 
 ENFORCAMENTO 
 O enforcamento consiste na espécie de asfixia mecânica em que ocorre a constrição 
do pescoço por intermédio de uma força aplicada pelo próprio corpo que pende sob o laço. 
 Segundo Del Campo é a contrição do pescoço por baraço mecânico (corda ou outro 
objeto similar) tracionado pela força do peso do próprio corpo da vítima. A força ativa distende 
o laço com o peso do indivíduo. 
 O laço pode ser de cordas, arames, fios elétricos, lençóis, camisetas, cortinas, gravatas, 
cintos, correntes, etc. 
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 O enforcamento é meio mais comum para a prática do “suicídio”, mas também pode 
ser acidental ou criminoso. A morte, pelo enforcamento, também é uma forma de execução da 
pena de morte em vários países. 
 Sulco do Pescoço 
 O sulco do pescoço é um elemento extremamente importante para o diagnóstico do 
enforcamento. 
 O “sulco” (depressão linear na pele – lesão ou marca da corda na pele) no 
enforcamento tem as seguintes características: oblíquo (forma de “U”) e descontínuo (sendo 
interrompido na altura do nó), apergaminhado, com profundidade desigual (a profundidade do 
sulco é maior na região oposta ao nó). 
 O tipo de nó, a natureza e a largura do laço (material áspero, material mole, etc.) o 
número de voltas, o peso do corpo e o tempo de suspensão podem interferir nas 
características do sulco. 
 A permanência do sulco é proporcional a consistência do laço e ao tempo de 
suspensão do corpo. Dependendo da posição do nó, caso este venha a existir, o enforcamento 
é chamado de: 
 Enforcamento típico: o nó está situado na região posterior do pescoço (nuca); 
Enforcamento atípico: na região anterior do pescoço ou na lateral. Quando não há nó (meio 
constritivo que pressione o pescoço para interromper a circulação), o enforcamento também é 
chamado de atípico. 
 As veias jugulares podem ser bloqueadas com uma compressão local de 2 Kg; as 
artérias carótidas com 5 kg; a traqueia fecha-se com 15 kg. 
 Para que ocorra, no enforcamento, um processo asfíxico, é necessária a compressão 
completa da traqueia. É também possível o fechamento da glote pela fratura da faringe. 
 Não é necessário que o corpo fique completamente suspenso para a ocorrência do 
enforcamento. Quando o corpo permanece absolutamente suspenso, o enforcamento é 
chamado de enforcamento por suspensão completa. A morte pode acontecer mesmo quando 
a vítima permanece com os pés apoiados ao solo. É chamado de enforcamento por suspensão 
incompleta. 
 A morte por enforcamento ocorre: Pela asfixia mecânica: quando a constrição do 
pescoço bloqueia as vias respiratórias, produzindo a morte; Por inibição: a constrição do 
pescoço lesa os nervos e a carótida, determinado uma parada cardiorrespiratória e a 
consequente morte; Por obstrução da circulação: a pressão exercida no pescoço interrompe a 
circulação sanguínea para o cérebro, ocasionando a morte. 
 ESTRANGULAMENTO 
 É a constrição do pescoço por corda ou outro mecanismo acionado por força estranha 
ao peso da pessoa. 
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 Caracteriza-se pela constrição através de um laço ou mecanismo similar acionado por 
qualquer força ativa (chave de braço, gravata, etc.), que não seja o peso do corpo da vítima, 
com obstrução da passagem de ar para os pulmões, interrupção da circulação cerebral e 
compressão dos nervos do pescoço. 
 O estrangulamento é comum nos homicídios, mas é possível também no suicídio (auto 
estrangulamento através de um torniquete) e na execução por intermédio do “garrote vil”. 
 O sulco do estrangulamento é transversal e horizontal, contínuo (não há nó típico 
como no enforcamento) e homogêneo em relação à profundidade (inexiste a ação do peso do 
corpo); pode ter mais de uma volta e também é apergaminhado (com lábios iguais). 
 ESGANADURA 
 É a asfixia mecânica pela constrição do pescoço produzida pela ação direta das mãos 
do agente. O aperto do pescoço pelas mãos do agente impede a passagem de ar pelas vias 
aéreas. 
 A esganadura é uma asfixia essencialmente homicida, via de regra existindo 
superioridade de forças. A esganadura é comum no infanticídio e nos estupros qualificados 
pela morte. A doutrina médica afasta o suicídio na esganadura. 
 Não existe sulco na esganadura. No seu lugar existem os chamados “estigmas 
ungueais” que são as arcas das unhas no pescoço da vítima (região ântero-lateral). É possível 
também encontrar equimoses localizadas bilateralmente na região do pescoço, 
correspondendo a ação compressiva dos dedos das mãos do agressor. 
 A morte decorre da compressão do pescoço (inibição vagal) e consequente asfixia, 
podendo ocorrer a fratura do osso hioide. 
 
29/04/2016 
 AFOGAMENTO 
 O afogamento é a espécie de asfixia em que ocorre a penetração de um meio líquido 
(água) ou semilíquido (lama) nas vias aéreas da vítima, impedindo a passagem do ar até os 
pulmões. Não há necessidade de imersão total do corpo, bastando que as vias aéreas (orifícios 
respiratórios) estejam submersas, impedindo a respiração. 
 A maioria dos afogamentos são acidentais, havendo casos de homicídio e de suicídio 
também. O crime de tortura pode ser praticado por intermédio do afogamento (ex.: caldo). 
 Segundo a doutrina médica, existem dois tipos de afogados: o afogado azul (afogado 
real), que morreu em razão do afogamento, com sinais externos e internos típicos do 
afogamento e o afogado branco (afogado falso), ou seja, consistente na hipótese em que o 
corpo foi atirado sem vida na água. 
 FASES DO AFOGAMENTO 
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 Segundo Hoffman, a morte por afogamento é constituída de três fases: 
 1° Fase de Defesa ou Resistência: a vítima tenta conter a respiração o máximo 
possível, ocorrendo a contenção e a pausa, ou suspensão da respiração (apneia); 
 2° Fase da Exaustão: ocorre atos respiratórios desordenados (respiração forçada e 
difícil), por reflexo, a vítima começa a inspirar líquido profundamente (dispneia); 
 3° Fase de Asfixia: a vítima perde a consciência, tem convulsões e morre. 
 Outros autores estabelecem etapas diferentes do afogamento. Ponsold descreve cinco 
etapas: 
 1° Fase: ao cair na água, a primeira reação da pessoa é efetuar uma inspiração 
profunda, antes de afundar; 
 2° Fase: há uma pausa respiratória voluntária (apneia inicial) para impedir a entrada de 
líquido nas vias respiratórias; 
 3° Fase: o aumento de gás carbônico provoca irritação dos centros nervosos, 
obrigando a vítima a fazer uma respiração forçada (dispneia); 
 4° Fase: começam a ocorrer convulsões asfíxicas em razão da inspiração de líquidos e 
estímulo dos centros nervosos; 
 5° Fase: há uma parada respiratória, a boca se abre e o corpo se encolhe, constituindo 
uma respiração agônica e anóxia cerebral irreversível, provocando a morte. 
 O processo de afogamento pode levar em torno de 5 a 10 minutos, dependendo da 
resistência individual da vítima e do tipo de líquido onde há a imersão. 
 
 SINAIS PRINCIPAIS DO AFOGAMENTO 
 Os achados necroscópicos frequentes no afogamento são: 
 Sinais externos: Pele anserina (enrugamento da pele, comumente chamado de “pele 
de galinha” (sinal de Bernt); Maceração epidérmica: a epiderme fica infiltrada de água, com 
aspecto esbranquiçado e rugosos (principalmente mãos e pés); Cianose da face: o rosto fica 
com coloração azulada/verde ou enegrecida(presente em todas as espécies de asfixias); 
Cristais e areias sob as unhas; Genitália externa aumentada de volume (genitália gigantóide); 
Lesões de arrasto: pelo embate do corpo no leito do curso a agua (nos pés, joelhos, mãos e 
cabeça); Cogumelo de espuma: formação de espuma na boca em razão da secreção das vias 
aéreas; Lesões “post mortem” produzidas por peixes ou outros animais aquáticos. 
 Sinais internos: Diluição do sangue (em razão da ingestão de grande quantidade de 
líquido); Presença de agua no estômago; Enfisema hidroaéreo do pulmão; Manchas de 
“Paltauf” (Hemorragias pleurais no pulmão); Presença de plâncton e água nas vias respiratórias 
(nariz e boca); Presença de líquido nos ouvidos. 
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 SUFOCAÇÃO 
 A sufocação é a asfixia mecânica decorrente do bloqueio direto ou indireto das vias 
respiratórias, impedindo a penetração do ar. 
 SUFOCAÇÃO DIRETA: é a obstrução dos orifícios externos respiratórios (nariz e boca), 
através das próprias mãos ou por intermédio de agentes moles (panos, travesseiros, 
almofadas, etc.) de origem homicida. Também pode ocorrer através da aspiração de corpos 
estranhos (obstrução acidental), tais como alimentos, brinquedos, moedas, pequenos objetos, 
etc. Neste caso, há oclusão das vias respiratórias internas (traqueia, brônquios, etc.). 
 SUFOCAÇÃO INDIRETA: ocorre através da compressão do tórax em grau suficiente 
para impedir os movimentos respiratórios e levando à asfixia. Pode ser acidental (sufocação 
por grandes multidões, acidentes de trabalho) ou criminosa. 
 A sufocação tem como sinal a máscara equimótica (cianose); nos casos de sufocação 
direta acidental, o objeto estranho pode ser encontrado no interior das vias aéreas (ex. 
traqueia). Na indireta é possível lesões no esqueleto torácico e vísceras. 
 SOTERRAMENTO 
 Soterramento é a asfixia mecânica decorrente da obstrução das vias respiratórias por 
terra ou substância sólidas ou poeirentas (pó, cimento, areia, grãos, cascalho, etc). 
 Normalmente é acidental, mas pode ser homicida ou suicida. A situação mais 
frequente envolve desmoronamento ou o desabamento. 
 Nos achados necroscópicos é possível encontrar substâncias sólidas no interior das vias 
respiratórias, na boca, no esôfago. Também estão presentes os sinais gerais da asfixia. 
 No soterrado, também se encontram lesões traumáticas de várias espécies, 
principalmente nas hipóteses de desabamento e desmoronamento, onde, por vezes, tais 
lesões, por si só, já causam o óbito da vítima (traumas de crânio, lesões no tórax, etc.). 
 CONFINAMENTO 
 Caracteriza-se pela permanência da pessoa em uma área restrita e fechada (ex. 
elevadores, celas, carros, caixas, etc.) sem haver renovação do ar ambiente, com consumo 
progressivo de oxigênio, aumento gradativo do gás carbônico, elevação da temperatura e 
saturação do ambiente, causando a asfixia da vítima. 
 Na maioria das vezes o confinamento é acidental, mas também pode ser homicida ou 
suicida. Além dos sinais gerais da asfixia, podem ser vistas algumas lesões produzidas em ações 
desesperadas da vítima, como escoriações no pescoço, desgastes das unhas, ferimentos na 
face, etc. 
 ASFIXIA POR MONÓXIDO DE CARBONO 
 A ação do monóxido de carbono (CO) pode causar asfixia. Isto porque quando inalado 
demasiadamente se fixa na hemoglobina do sangue impedindo que ela leve oxigênio aos 
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tecidos, criando a “carboxiemoglobina”, levando à hematose que causa a asfixia tecidual. 
Segundo a doutrina médica não é uma intoxicação, mas uma asfixia. 
 É muito comum em suicídio (abertura do gás para morrer), mas também existem 
muitos casos acidentais. 
 O diagnóstico deste tipo de asfixia se faz quando o sangue periciado da vítima 
apresenta uma taxa entre 75 a 90% de carboxiemoglobina. Assim, há necessidade de perícia 
hematológica para a confirmação do diagnóstico. 
 Os achados necroscópicos indicam: rigidez precoce; face rosada; sangue avermelhado 
em razão do monóxido de carbono; putrefação tardia. 
 ENERGIAS MISTAS 
 ENERGIAS BIOQUÍMICAS (Agentes Mistos) 
 São aquelas que se manifestam de modo combinado, envolvendo fatores orgânicos e 
químicos. Alguns autores chamam de agentes mistos, pois incluem uma série de eventos que 
não são atribuíveis a somente uma causa. 
 Há um fator relacionado com o excesso ou com a falta de alguma substância no 
organismo que interfere no estado de saúde da vítima, alterando sua capacidade de 
resistência. As energias bioquímicas podem atuar de forma negativa ou positiva, através da 
inanição ou das intoxicações. 
 INANIÇÃO: para sobreviver e ter um desenvolvimento completo e sadio, o ser humano 
precisa de uma alimentação balanceada, rica em nutrientes fundamentais: carboidratos, 
proteínas, gorduras, vitaminas, sais minerais e água. 
 A ausência prolongada destes nutrientes podem causar transtornos ao organismo. A 
fome se manifesta após 24 horas de alimentação (média). Uma pessoa normal consegue 
resistir de 7 a 10 dias ingerindo apenas água. A desidratação decorre das alterações da 
concentração dos líquidos corporais em consequência de perda de água. 
 A inanição é o enfraquecimento externo por falta ou redução exagerada de alimentos 
imprescindíveis para a sobrevivência humana. Sua etiologia pode ser acidental, voluntária, 
econômica, criminosa, etc. 
 Inanição acidental pode ocorrer quando a pessoa fica presa por vários dias em algum 
lugar onde não tem acesso a alimentos ou água (quedas em buracos); Inanição voluntária 
pode ocorrer em situações de protesto (greve de fome); Inanição econômica é comum em 
países pobres onde predomina a miséria; Inanição criminosa pode ser observada em situações 
em que crianças, velhos ou enfermos são abondados sem alimentos (ex. infanticídio, 
abandono material, etc.). 
 O grau máximo de inanição é chamado de “caqueixa”, que normalmente evolui para a 
morte. 
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 INTOXICAÇÕES ALIMENTARES: as intoxicações alimentares ocorrem quando o 
alimento ingerido contém substâncias ou microrganismos prejudiciais à saúde. As intoxicações 
alimentares mais comuns são a salmonelose e o botulismo, que tem como sintomatologia o 
vômito, a diarreia, etc. A etiologia mais comum é a acidental, quando a vítima ingere alimentos 
contaminados. 
 INFECÇÕES: são perturbações causadas por organismos patogênicos (bactérias, 
fungos, vírus, etc.) podendo causar inúmeros malefícios ao homem. As infeções são, via de 
regra, acidentais. No entanto, existem crimes específicos descritos no Código Penal (Art. 130 
do CP perigo de contágio venéreo e Art. 131, CP perigo de contágio de moléstia grave) 
 FADIGA: é o conjunto de sintomas experimentados pelo organismo humano em razão 
de um regime de trabalho ou de um esforço que vai além da capacidade normal de resistência. 
Pode ser fadiga aguda ou crônica. Na fadiga aguda, a vítima realiza atividades físicas em 
excesso, de forma contínua, excedendo os limites orgânicos (ex. maratonas). Na fadiga 
crônica, a vítima não permite ao seu corpo o tempo de repouso e recuperação necessários, 
minando a resistência orgânica (estresse ou estafa). Os sintomas incluem a taquicardia, 
palpitações, depressão, insônia, diminuição da capacidade mental, etc. 
 DOENÇAS PARASITÁRIAS (agentes biológicos): existem dois tipos de parasitas, os 
ectoparasitas e os endoparasitas. Os ectoparasitas vivem na superfície do corpo do 
hospedeiro, incluindo as aberturas e as cavidades naturais do corpo humano (fossas nasais, 
ouvidos, boca, ânus, olhos, etc.). São exemplos: escabiose (sarna); miíases (conhecidas 
vulgarmente por micoses/bicheiras);infestações por carrapatos, piolhos, pulgas, etc. Os 
ectoparasitas podem levar o hospedeiro, dependendo do grau de infestação, a um 
desconforto crônico, ocasionando o estresse. 
 Os endoparasitas são aqueles que habitam órgãos ou sistemas de órgãos ou o interior 
dos tecidos. Se dividem em dois grupos: os helmintos e os protozoários e são responsáveis por 
várias doenças, tais como a Doença de Chagas, a malária, a leishmaniose, a esquistossomose, 
infestações por tênia (cisticercose), etc. 
 Os ectoparasitas podem ser vetores de endoparasitas, como por exemplo a pulga do 
rato que transmite a peste bubônica. 
 EMOÇÃO VIOLENTA E REPENTINA: a emoção pode causar uma morte mediata, ou 
seja, quando o trauma psíquico desencadeia uma doença subjacente, como o infarto. 
 SEVÍCIAS: são várias modalidades de agressões caracterizando energias de ordem 
mista. Envolvem, segundo a doutrina médica, três situações: a Síndrome da criança 
maltratada; a Síndrome do ancião maltratado e a tortura. 
 Síndrome da criança maltratada: também é chamada de síndrome da criança 
espancada ou síndrome de Silverman. Compreende um conjunto de lesões externas e internas 
apresentados por crianças submetidas a espancamentos, prisão, queimadura e outras sevícias 
(maus-tratos). A tipificação está prevista no Código Penal (Art. 136) e no Estatuto da Criança e 
Adolescente (Lei n.° 8.069/90). 
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 Em regra, os próprios pais ou alguém da família cometem as sevícias. Em geral, detém 
as seguintes características: 
o Atinge crianças na primeira infância (ate os 4 anos); 
o Lesões variadas em múltiplas regiões do corpo; 
o Lesões produzidas em épocas diversas; 
o Abuso no meio de correção, castigos corporais, privação de alimentos, 
abuso emocional, abuso sexual, etc.; 
o Fatores existentes: pobreza, deficiência física e mental da criança, 
dependência química dos pais, etc. 
Síndrome do ancião maltratado: o idoso, pela sua condição física, torna-se presa fácil 
dos agressores. São comuns os maus-tratos, o abandono, agressões físicas e psicológicas. 
Também é uma espécie de violência familiar, sendo também observada com frequência em 
hospitais, casas de repouso, asilos, etc. (Estatuto do Idoso Lei n.° 10.741/03). 
 TORTURA: a tortura, no Brasil, está tipificada no art. 1° da Lei 9.455/97. Em resumo, 
tortura significa constranger a vítima a suportar um intenso sofrimento físico e psicológico 
(suplícios e dor) com a finalidade de fazê-la confessar algo ou prestar alguma informação ou 
firmar uma declaração. A tortura também pode ter natureza discriminatória (racial, religiosa, 
social, etc). 
Existem vários métodos de tortura (choques elétricos, submersão em água, extração 
de dentes, lesões sob a unha, etc.). 
A perícia, na tortura, é sempre muito difícil, pois quase sempre é praticada com a 
preocupação de não deixar vestígios. Os torturadores são pessoas, por vezes, treinadas, com 
habilidade e técnicas para se torturar. 
Os sobreviventes da tortura, além de sequelas físicas, também ficam acometidos de 
consequências psicológicas, tais como a síndrome pós-tortura, caracterizada por imagens 
recorrentes dos suplícios aplicados (desorientação, irritabilidade, isolamento, tendências 
suicidas, etc.). 
Alguns métodos de tortura são empregados comumente: “pau-de-arara”, 
“pimentinha”, “afogamento”, “cadeira do dragão”, “telefone”, dentre vários outros. 
 
06/05/2016 
LESÕES PERFURO-CONTUSAS 
Após as noções gerais de balística, vamos analisar as lesões causadas por instrumentos 
perfuro contundentes, isto é, aqueles que perfuram e contundem simultaneamente (lesões 
perfuro-contusas); 
Esses ferimentos apresentam bordas irregulares, com grande predomínio da 
profundidade sobre a superfície e caráter penetrante ou transfixante. 
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As lesões perfuro-contusas mais típicas são aquelas produzidas por projéteis 
acionadas por arma de fogo, estes, agindo por impulsão e rotação, determinam a formação de 
um orifício e de zonas de contorno junto a pele. A forma desse orifício e de suas zonas de 
contorno depende da incidência do tiro (obliquo, perpendicular, etc) e de sua distância. 
O verdadeiro agente vulnerante das lesões perfuro-contusas, no caso de armas de 
fogo, é o projétil (a “bala” ou os grãos de chumbo), sempre impulsionados pela carga, pela 
força expansiva dos gases, que ocorre no momento da deflagração do disparo ou da 
detonação do tiro, da combustão da pólvora. 
O projétil de arma de fogo trata-se de um agente mecânico perfuro-contundente, que 
determina uma lesão de natureza perfuro-contusa. 
O estudo das lesões produzidas pela ação de projéteis de arma de fogo sejam eles 
unitários ou múltiplos, apresenta relevância especial, primeiro porque constituem número 
expressivo de ocorrências, em grande número de etiologia criminosa. 
Além disso, pela multiplicidade de características, geralmente fornecem elementos 
preciosos à investigação, determinação da causa jurídica do evento ou ainda da possível 
autoria. 
Na análise dos ferimentos produzidos por projéteis de arma de fogo, quatro são os 
pontos que devem merecer atenção: 
a) Determinação e descrição dos ferimentos de entrada e saída; 
b) A trajetória do projétil no interior do corpo, bem como a descrição das lesões 
internas; 
c) A orientação do disparo em relação à posição do corpo; 
d) A distância provável do disparo. 
FERIMENTOS DE ENTRADA 
As características dos ferimentos de entrada produzidos por projéteis de arma de fogo 
dependem, basicamente, de três fatores principais, quais sejam: tipo de munição empregada 
(projétil unitário ou projéteis múltiplos), ângulo de incidência e distancia do tiro. 
o As características do ferimento de entrada dependem: 
 Do tipo de munição empregada 
 Projétil único 
 Projéteis múltiplos 
 Do ângulo de incidência; e 
 Da distância em que foi efetuado o disparo. 
 FERIMENTOS DE SAÍDA 
Os ferimentos de saída somente existem, por óbvio, se o projétil transfixar o corpo. A 
importância médico-legal é relativa, salvo na determinação da trajetória, porque não possuem 
características próprias. 
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Como regra, o ferimento de saída é irregular, maior que o de entrada, até porque o 
projétil frequentemente se deforma em sua passagem pelos tecidos orgânicos, e tem as 
bordas voltadas para fora. 
Alguns projéteis especiais, de alta energia, em razão das ondas de choque produzidas 
pelo seu deslocamento, costumam produzir ferimentos de saída de grandes proporções (Ex. 
disparo de fuzil). 
FERIMENTOS PRODUZIDOS POR PROJÉTEIS MÚLTIPLOS (BALINS) 
Nos disparos efetuados com cartuchos de munição de projéteis múltiplos (armas de 
alma lisa), o aspecto da lesão depende, basicamente, da distância em que foram realizados e 
da consequente abertura do cone de dispersão. 
Em tiros muito próximos ou encostados, os projéteis múltiplos causam grande 
destruição tecidual, muitas vezes acompanhada de significativa perda de substância. 
Nos disparos efetuados a distância, o que observamos é a existência de lesões 
múltiplas, como se produzidas por vários disparos unitários, distribuídas ao redor de um ponto 
central, e que se afastam mais uma da outra quanto maior for a distância entre o atirador e o 
alvo. 
O ângulo de tiro irá determinar o formato da lesão única (se o tiro for a curta distância) 
ou do desenho formado pela distribuição das múltiplas lesões (nos tiros a distância), que 
poderá ser circular, nos disparos perpendiculares ao alvo, e elíptico ou cônico, quando a carga 
de projéteis incidir de maneira obliqua sobreo alvo. 
FERIMENTOS PRODUZIDOS POR PROJÉTEIS UNITÁRIOS 
A lesão de entrada produzida por projétil de arma de fogo é geralmente circular “O”, 
na dependência do ângulo de incidência e das linhas de tensão que atuam sobre a pele (Leis de 
Filhós e Langer). 
Excepcionalmente, podem ter formato diverso ou atípico, quando o projétil se 
deforma, ou perde sua trajetória, para penetrar no corpo com sua face lateral, cilíndrica, 
determinando, assim, um ferimento de entrada com formato de letra “D”. 
A lesão também terá conformação atípica quando o projétil atingir tangencialmente a 
pele, “de raspão”, hipótese em que o ferimento irá apresentar-se como uma escoriação de 
formato alongado. Nesse caso, é claro, não se pode falar em ferimento de entrada, pois o 
projétil não penetrou no corpo. 
Apesar de haver certa correspondência de forma entre o tipo do projétil e o ferimento, 
não é possível determinar o calibre da arma pelo diâmetro da lesão, visto que, em razão da 
elasticidade da pele e das linhas de tensão, o orifício de entrada pode ser menor, maior ou 
igual ao diâmetro do projétil que lhe deu origem. 
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O ferimento de entrada tem geralmente bordos invertidos, voltados para o interior do 
corpo, característica contrária à dos ferimentos de saída que possuem as bordas evertidas, 
levantadas, indicando claramente o sentido de sua trajetória. 
Como exceção, temos a câmara de Hoffmann ou câmara de mina, observada nos tiros 
encostados em regiões que recobrem tábuas ósseas, em que o ferimento de entrada tem os 
bordos evertidos, voltados para fora. 
Ao redor dos ferimentos de entrada produzidos por projéteis de arma de fogo, 
podemos observar algumas espécies de orlas (ou halos) e zonas, fenômenos que se 
apresentam de fundamental importância tanto para a caraterização da natureza do ferimento 
como para a determinação da distância em que foi realizado o disparo. 
As orlas (ou halos) são regiões circunscritas, regulares, que circundam o ferimento 
como pequenas auréolas, dando-lhe características especiais que permitem diferenciar as 
lesões produzidas por projétil de outras determinadas por instrumentos diversos. 
As zonas compreendem áreas maiores, irregulares, que podem ou não estarem 
presentes e que terão importância fundamental na determinação da distância do disparo. 
o Ferimento de entrada de projétil 
 Orlas ou halos 
 Escoriação 
 Contusão 
 Enxugo 
 Zonas 
 Esfumaçamento 
 Chamuscamento 
 Tatuagem 
ORLAS OU HALOS DE CONTUSÃO, ESCORIAÇÃO E ENXUGO 
A pele é constituída por duas camadas distintas, a epiderme e a derme. A primeira é 
mais fina e menos elástica, rompendo-se de imediato pelo embate do projétil. A segunda, a 
derme, mais elástica, acompanha o projétil, encapsulando-o parcialmente antes de se romper, 
para depois voltar à posição original. 
ORLA DE CONTUSÃO 
Em que pese o projétil ser mais ou menos pontiagudo, para ele penetrar ao corpo, tem 
que forçar a pele, produzindo ali uma contusão. 
Assim, a primeira orla produzida é a de contusão, que corresponde a “região 
equimótica” decorrente da lesão ocasionada pelo embate do projétil na pele. 
Trata-se de um halo (círculo) róseo que circunda o orifício de entrada e que é mais 
evidente nas pessoas de pele clara, sendo difícil de observar em peles de tonalidade mais 
escura. 
MEDICINA LEGAL 
 
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ORLA DE ESCORIAÇÃO 
 Como a epiderme é menos elástica que a derme, após a passagem do projétil é 
possível observar uma pequena retração com consequente exposição da derme, como se 
tivéssemos dois anéis, um, de diâmetro maior, formado pela ruptura da epiderme (orla de 
contusão), e outro, de diâmetro menor, formado pela exposição da derme. A esse anel (de 
exposição da derme) denominamos orla ou halo de escoriação. 
 A orla de escoriação é originada durante a formação do túnel de penetração do 
projétil, quando pequenos vasos sanguíneos são tracionados e rompidos, formando 
escoriações em torno do ferimento. Esta orla, que consiste um túnel hemorrágico, permite 
determinar o trajeto do projétil. 
 OBS: os autores costumam agrupar as orlas de contusão e de escoriação como se 
formassem uma única “orla”, apresentando, também, como sinônimos os termos orla erosiva 
e anel ou orla de Fisch (Croce). 
 A orla de contusão indica uma área maior, que circunda o ferimento, e é formada pelo 
halo decorrente da lesão dos vasos capilares da área atingida pela entrada do projétil. 
 Na verdade, a orla de escoriação corresponde à diminuta exposição da derme sobre a 
lesão causada na epiderme, em razão da diferença de elasticidade entre as camadas. 
 ORLA DE ENXUGO 
 Quando o projétil passa pelo cano da arma, ele “se suja” com as impurezas ali 
existentes, e ao atravessar a pele, “se lava e enxuga”, deixando na epiderme a sua marca. 
 É caracterizada por uma aréola apergaminhada, milimétrica, que circunda a borda do 
orifício, resultante do impacto e da pressão rotatória feita pelo projétil contra a pele, antes de 
rompê-la, limpando-o da ferrugem, óleo ou fumaça que traz. 
 Geralmente tem cor escura, circular nos tiros perpendiculares e ovular ou elíptica nos 
tiros oblíquos. 
 Assim, ao atravessar a derme, o projétil literalmente se enxuga. Limpa-se das sujeiras e 
impurezas trazidas do cano da arma, restos de pólvora e fuligem depositados em sua 
superfície, deixando na derme um anel enegrecido a que se convencionou chamar de orla de 
enxugo e que normalmente impede que observemos a orla de escoriação, que fica 
parcialmente sobreposta a ela. 
 ZONAS DE CHAMUSCAMENTO, ESFUMAÇAMENTO E TATUAGEM 
 Quando uma arma é disparada, juntamente com o projétil são expelidos pela boca do 
cano um considerável volume de gases em alta temperatura e em combustão, certa 
quantidade de fumaça (que varia de acordo com o propelente utilizado) e pequenos grãos de 
pólvora (combustos, semicombustos ou em combustão), assim como micropartículas 
metálicas oriundas da abrasão do projétil no cano da arma. 
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 Esses componentes são expelidos juntamente com o projétil, mas, como têm massa 
infinitamente menor, não possuem energia cinética para ir além de uns poucos centímetros da 
boca do cano da arma, podendo não atingir o alvo. 
 ZONAS DE CHAMUSCAMENTO 
 Resulta da ação do calor e dos gases quentes que saem pelo cano da arma, queimando 
os pelos e a epiderme. Também é chamada de zona de queimadura. 
 Se o disparo for efetuado muito próximo do alvo, algo em torno de 5 cm, poderemos 
ter a zona de chamuscamento, que nada mais é que uma região onde a pele é literalmente 
queimada pela chama que sai pela boca do cano da arma. 
 ZONA DE ESFUMAÇAMENTO 
 Para uma distância maior, de até 30 cm, a fumaça decorrente do disparo poderá 
atingir o alvo e depositar-se ao redor do ferimento de entrada, produzindo a chamada zona de 
esfumaçamento. 
ZONA DE TATUAGEM 
Exatamente porque têm massa maior que as partículas de fuligem, restam os grãos de 
pólvora e as partículas metálicas decorrentes da abrasão do projétil no cano da arma, que 
incidem sobre o alvo como verdadeiros projéteis secundários, por vezes incrustando-se na 
pelo de tal maneira que formam verdadeiras tatuagens (zona de tatuagem). 
Os fenômenos aqui observados ocorrem porque o calor, a fumaça e os grânulos de 
pólvora combusta ou em combustão, além de outras impurezas que saem do cano da arma, 
alcançam a pele. São as hipóteses dos famosos “tiros à queima roupa” (curta distância). 
Esta nuvem de elementos forma um cone com a base voltada para o alvo. Esta base 
será maior quanto mais afastado do alvo for disparadoo projétil, tendendo a diminuir a 
medida que esta distância é reduzida. 
Logo, as características desse disparo dependem diretamente de fatores como a 
munição e o tipo de arma empregada, não podendo apresentar como regra uma distância 
categórica. 
O ferimento, nesses casos, é rico em elementos característicos, sendo formado por um 
orifício de bordas invertidas com orla de contusão, escoriação e enxugo e zona de 
esfumaçamento, chamuscamento e de tatuagem. 
Nos casos de tiros à distância (além de cinquenta centímetro) só o projétil alcança o 
alvo, formando um orifício de bordas invertidas com orla de contusão, escoriação e enxugo, 
sem as zonas de chamuscamento, esfumaçamento e de tatuagem. 
DISPAROS ENCONSTADOS 
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Nos disparos encostados temos de diferenciar duas situações distintas: os disparos que 
atingem unicamente tecidos moles e os que incidem sobre partes do corpo que recobrem 
ossos planos, por exemplo, os do crânio. 
Quando o disparo encontrado atinge unicamente tecidos moles, além do projétil, 
todos os demais elementos penetram no ferimento, causando uma lesão interna de grande 
monta. 
As zonas de chamuscamento, esfumaçamento e a tatuagem ficam todas no interior do 
corpo, mas o orifício de entrada permanece com sua configuração circular ou elíptica, com 
bordas invertidas. 
Por vezes, na dependência da força com que a arma foi pressionada sobre a região 
atingida, é possível evidenciar a marca do cano sobre a pele. Isso é chamado de Sinal de 
Werkgaertner. Esses ferimentos são frequentemente observados em suicídios. 
Neste tipo de disparo (tiro de encosto), o cano da arma fica intimamente encostado no 
alvo. O ferimento de entrada caracteriza-se por ser um orifício de bordas denteadas, 
desarranjadas e invertidas, sendo este último elemento decorrente da violenta força expansiva 
dos gases. A presença de pólvora na porção inicial do trajeto torna o orifício enegrecido. 
 Quando logo abaixo da região atingida, existe uma tábua óssea, o projétil pode (ou 
não) conseguir perfura-la, mas os gases e as micropartículas certamente não. 
Nesses casos há um deslocamento dos tecidos e uma verdadeira explosão, no sentido 
inverso (de dentro para fora), pelo refluxo dos gases, formando um ferimento de conformação 
estrelada e de bordos evertidos (para fora), como se fosse uma “cratera”. Isto é denominado 
de câmara de mina ou câmara de Hoffmann. 
OBSERVAÇÕES CONCLUSIVAS 
Devemos ainda considerar o trajeto, que é o caminho percorrido pelo projétil em seu 
efeito danoso. 
Geralmente, é retilíneo e cilíndrico e quando transfixante termina no orifício de saída. 
Nas necrópsias, no trajeto percorrido pelo projétil dentro do corpo, pode-se encontrar restos 
do cartucho, como pólvora incombusta, a bucha, ou, ainda, fragmentos de roupa, pele, pelos, 
fragmentos ósseos, etc. 
No entanto, o trajeto pode ser diferente dependendo do tipo de projétil (ex. projéteis 
jaquetados ou encamisados “balas dum-dum”). 
O orifício de saída, nas lições de Benedito Soares de Camargo Júnior, é único e 
apresenta bordos evertidos (virados para fora), é irregular ou em fenda, maior que o orifício 
de entrada e maior que o diâmetro do projétil. 
Comumente há saída de matérias orgânicas: massa encefálica, ossos, muito sangue, 
etc. Não apresentam zonas de tatuagem, chamuscamento ou esfumaçamento. 
MEDICINA LEGAL 
 
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 COMPARAÇÃO ESQUEMÁTICA EM RELAÇÃO AOS ORIFÍCIOS DE ENTRADA EM 
COMPARAÇÃO COM OS DE SAÍDA 
Entrada Saída 
Regular Dilacerado 
Invertido Evertido 
Proporcional ao projétil Desproporcional ao projétil (maior) 
Com orlas e zonas Sem orlas ou zonas 
 
A diferenciação tem grande importância, pois pode fornecer subsídios para o estudo 
da direção do disparo, de alta valia no estudo da natureza do evento letal. 
É imprescindível que o Médico-Legista, proceda a minuciosa descrição das 
características de ambos os orifícios (se existirem). 
Insta salientar que várias são as questões periciais de interesse jurídico que se 
apresentam, dentre as quais destacamos: 
o Natureza do fato: acidente, suicídio ou homicídio; 
o Distância do disparo, para estudo de autoria; 
o Identificação da arma, também visando o estabelecimento da autoria. 
 
13/05/2016 
 TANATOLOGIA FORENSE 
 CONCEITO DE TANATOLOGIA 
 Tanatalogia é a ciência que estuda a morte e seus efeitos. “Thanatus” (do grego) 
significa morte. Assim, podemos dizer que: “Tanatologia forense é a parte da Medicina Legal 
que estuda a “morte”, bem como também o “morto” e suas consequências jurídicas, 
abordando os fenômenos morfológicos deles decorrentes”. 
 CONCEITO DE MORTE 
 O conceito mais simples de morte pode ser resumido na “cessão completa e definitiva 
das funções vitais”. 
 A morte, em princípio, é um evento único e determinado, que ocorre em um instante 
preciso. No entanto, para a medicina, a morte é um processo mais complexo, dinâmico e 
prolongado, que envolve uma série de transformações. 
 A morte começa nos centros vitais (cérebro e coração) e se propaga, 
progressivamente, para todos os órgãos e tecidos. 
 Assim, o conceito técnico de morte é polêmico em Medicina Legal. Atualmente, no 
plano geral, admitem-se dois conceitos de morte: 
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 Morte circulatória: corresponde à parada cardíaca irreversível; 
 Morte cerebral: definida como a parada neurológica ou a morte encefálica geral. 
 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O CONCEITO DE “MORTE” 
 O Comitê de Ressuscitação e Transplante de órgãos da Sociedade Alemã de Cirurgia 
(1968) conclui que existem várias condições para determinar-se a realidade da morte: 
1) Cérebro morto após 12 horas de inconsciência; 
2) Falta de respiração espontânea; 
3) EEG (eletroencefalograma) isoelétrico (plano, com linha reta); 
4) Angiograma revelando cessação da circulação intracraniana; e 
5) Ausência de batimentos cardíacos após o término dos procedimentos de 
ressuscitação. 
O Brasil vem adotando como o “momento da morte”, a morte encefálica, conforme 
dispõe o Art. 3° da Lei 9.434/97 (Lei de Transplante de Órgãos). 
ESPÉCIES DE “MORTES” 
Morte aparente: é um estado em que na verdade o indivíduo apenas parece morto em 
razão da baixa atividade metabólica e circulatória. Há inconsciência, relaxamento muscular, 
respiração, diminuída ou apnéia (falta de respiração). Ex. Termopatias, Catalepsias, etc. Obs: 
As leis municipais estabelecem o prazo de 24 horas para inumação. 
Morte histológica: é a morte das células que compõe os vários tecidos e órgãos. A 
morte é um fenômeno que se protrai no tempo. Mesmo após dias de inumação, pode-se 
encontrar células vivas no cadáver. 
Morte relativa: é o estado de parada cardíaca reversível, em que o organismo ainda 
não ultrapassou o “ponto de não retorno”, podendo ser submetido aos procedimentos de 
ressuscitação (massagem cardíaca, etc.) e retornar à vida. 
 Morte real ou absoluta: é a morte propriamente dita, ou seja, a cessação de toda a 
atividade biológica do indivíduo. 
 Morte clínica: na ausência de aparelhagem especial para a determinação do momento 
da morte, utiliza-se o conceito clássico de que ela ocorreu com a parada irreversível da 
respiração e circulação, isto é chamado de “morte clínica”. 
OBSERVAÇÕES 
Perda da sensibilidade: na prática o diagnóstico é realizado através da análise da 
sensibilidade em regiões mais sensíveis (sola do pé), espetando uma agulha para verificar 
alguma reação reflexa; 
Cessação dos movimentos respiratórios: é diagnosticada através da ausculta dos 
movimentos peitorais. Antigamente colocava-se um espelho próximo dasnarinas e boca para 
saber se havia entrada e saída de ar nos pulmões. Se o espelho embaçava é porque a pessoa 
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estava respirando. Outro meio era aproximação de uma vela acesa. Se a chama permanecesse 
imóvel era caso de morte, se agitava, pela presença da respiração, o indivíduo estava vivo. 
Outros diagnósticos: atualmente existem aparelhos próprios para verificar se a pessoa 
está viva (ex. aparelhos eletro cardiorrespiratórios ou eletrocardiogramas onde são medidas as 
frequência cardiológicas ou neurais), mas, na prática médica, ainda hoje, a circulação 
sanguínea é aferida pela auscultação (através do estetoscópio). 
TANATAGNOSE E CRONOTANATAGNOSE. 
Tanatagnose: é a parte da tanatologia forense que estuda a realidade da morte, 
analisando todos os fatores que envolvem o evento “morte”. 
Cronotanatagnose: se ocupa da determinação do tempo em que a morte ocorreu, 
pautando-se na questão “cronológica”. A morte não é um acontecimento instantâneo, mas um 
processo gradativo que vai evoluindo com o tempo. Ambas se pautam nos chamados 
“Fenômenos Cadavéricos”. 
FENÔMENOS CADAVÉRICOS 
A morte é uma sucessão de fenômenos que se prolongam no tempo. 
Os fenômenos cadavéricos são várias transformações por que passa o corpo na sua 
transição da vida para a morte. 
a) Fenômenos Abióticos: (avitais ou vitais negativos) que existem em todas as 
mortes; 
b) Fenômenos Transformativos: existem apenas em determinados tipos de mortes 
(variando de caso a caso). 
Os Fenômenos Cadavéricos Abióticos podem ser observados indiscriminadamente em 
todas as mortes. Se dividem em duas categorias: Fenômenos Abióticos Imediatos e 
Fenômenos Abióticos Mediatos (consecutivos). 
FENÔMENOS CADAVÉRICOS ABIÓTICOS IMEDIATOS 
São os fenômenos que surgem instantaneamente com a constatação do óbito. Podem 
ser chamados de “sinais imediatos de morte”. Constatada a morte, estão presentes os 
fenômenos abióticos imediatos, consistentes em um conjunto de sinais precoces sugestivos de 
morte, embora, nenhum deles, isoladamente, seja totalmente convincente. 
São fenômenos que insinuam a morte, indicando a “morte clínica”. Isto porque, não 
são sinais de certeza de morte em que o médico pode se basear, permitem diagnosticar 
“clinicamente” o óbito. 
 Podem ser mencionados os seguintes fenômenos imediatos: 
Perda da consciência: a perda da consciência é total e irreversível, com ausência de 
respostas reflexas. Em muitos casos o indivíduo pode ter alterações e prejuízos da consciência, 
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como ocorrem em desmaios, anestesias gerais, confusões mentais, etc. Consciência significa o 
conhecimento do “eu” em relação ao meio circundante. 
Imobilidade: o cadáver não se move. Com a morte, ocorre a perda do tônus muscular 
e a abolição dos movimentos corpóreos (imobilidade cadavérica). Obs. há casos relatados por 
leigos em que o cadáver se mexeu ou que o morto foi encontrado em posição diversa daquele 
que foi sepultado. Isto realmente pode acontecer, tal fenômeno é chamado de 
“movimentação passiva” e ocorre por efeito dos gases de putrefação. 
Relaxamento dos esfíncteres: com a perda do tônus muscular, ocorre o relaxamento 
dos esfíncteres, com possível eliminação de fezes. 
Parada Cardíaca: há cessação da circulação sanguínea, com inércia do coração e 
ausência de circulação do sangue pelo corpo humano. A ausculta do coração e os exames de 
eletrocardiografia e de ecocardiografia são importantes para o diagnóstico da realidade da 
morte. Em função da parada cardíaca temos, por óbvio, a ausência de pulso do indivíduo. 
Parada respiratória: é a apneia, ou seja, a inexistência de atividade respiratória. Com a 
morte, a função respiratória é interrompida, cessando-se a captação de oxigênio do ar. Com a 
cessação da respiração/circulação, também ocorre a falta de distribuição de oxigênio para os 
tecidos. O exame de eletromiografia registra graficamente a atividade respiratória. 
Insensibilidade: a sensibilidade é um fenômeno vital e termina com a morte. Não há 
reflexo no cadáver. 
Facie hipocrática (máscara da morte): é a expressão fisionômica do cadáver. Em 
decorrência da perda do tônus muscular, o indivíduo morto perde as tensões de expressão da 
musculatura facial e passa a ter a seguinte aparência: fronte enrugada e árida, olhos fundos, 
nariz afilado com orla escura, têmporas deprimidas, lábios caídos, queixo enrugado e seco, 
pele seca e semblante carregado (França, 1998, p. 307). 
Em decorrência do relaxamento muscular, as pupilas do morto se dilatam, ocorrendo o 
relaxamento da íris, o que é chamado tecnicamente de midríase. 
FENÔMENOS CADAVÉRICOS ABIÓTICOS MEDIATOS OU CONSECUTIVOS 
Os fenômenos abióticos mediatos surgem logo após os imediatos, levando minutos, 
horas ou até dias para ocorrerem. 
Os fenômenos abióticos mediatos são também chamados de consecutivos ou tardios, 
pois vão se instalando progressivamente, de maneira paulatina. 
 Não são instantâneos e nem sempre são visíveis a olho nu, podendo ser verificados no 
exame perinescroscópico. Esses fenômenos tem grande importância para determinar o tempo 
estimado da morte. 
Podem ser mencionados os seguintes fenômenos: 
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Resfriamento do corpo (algidez cadavérica): o resfriamento do corpo depende de 
vários fatores, tais como a temperatura do corpo no momento da morte, a temperatura e a 
umidade do ambiente, a idade do indivíduo, as vestimentas, etc. Crianças e idosos esfriam 
mais rapidamente que adultos. Obesos mais lentamente que magros, os vestidos mais 
lentamente que os com menos roupas ou nus. O esfriamento cadavérico é chamado de “algor 
mortis” ou algidez cadavérica (algor significa frio). 
O resfriamento do corpo acontece porque, com a morte, cessam-se as queimas 
metabólicas e o organismo sem vida não consegue manter a temperatura (o homem vivo é 
homeotérmico). Com a morte, progressivamente vai ocorrendo a equalização da temperatura 
do cadáver com à do meio ambiente. 
Há divergências entre os autores a respeito da velocidade do resfriamento. 
Desconsiderando fatores excepcionais de meio ambiente, entende-se que o corpo resfria, em 
regra 0,5°C nas primeiras três horas do óbito e, em seguida, 1°C por hora até encontrar o 
equilíbrio da temperatura ambiente (20 horas para crianças e idosos e 24 a 26 horas para 
adultos de compleição média). 
No entanto, tal critério está sujeito a um conjunto de elementos, entre eles: no frio, o 
processos é mais rápido, a nudez acelera o resfriamento; certas doenças protelam o 
esfriamento (doenças infecciosas, intoxicações, insolação, etc.); tamanho do corpo e 
obesidade protelam o esfriamento; cadáveres na água esfriam mais rapidamente, nível 
térmico inicial do indivíduo (febre, hipotermia, esforço físico) etc. 
Rigidez Cadavérica: também chamada de “rigor mortis” (rigor cadavérico). Com a 
morte, imediatamente ocorre um relaxamento muscular do indivíduo e, com o passar das 
horas, aos o óbito, vão se instalando as primeiras modificações moleculares teciduais no 
cadáver, ocorrendo um aumento do teor de ácido lático nos músculos, ocasionando o 
endurecimento do corpo. 
 Segundo a Lei de Nysten, a rigidez atinge inicialmente a musculatura da mandíbula, 
para em seguida atingir os músculos do pescoço, do tórax, membros superiores, abdômen e 
membros inferiores (de cima para baixo). 
Em regra, a rigidez inicia-se de 3 a 5 horas após o óbito, se instalando completamente 
ente 8 a 12 horas. A rigidez permanece por um período de 12 a 36 horas no cadáver, 
retornando ao estado de flacidez. O processo reverso de desaparecimento da rigidezobedece 
à mesma ordem de instalação, ou seja, os primeiros músculos que se enrijeceram serão os 
primeiros a se tornarem flácidos. 
No entanto, tais números são relativos já que em certos casos a rigidez pode começar 
em trinta minutos após o óbito ou até seis horas depois da morte, dependendo de vários 
fatores. 
Há casos em que a rigidez começa após 36 horas do óbito e termina depois de 72 horas 
(dois ou três dias). O processo de rigidez pode se acelerar em pacientes desidratados, que 
sofreram convulsões, que tiveram hemorragia, em ambientes mais quentes, etc. 
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A rigidez é mais demorada em casos de pacientes com câncer, aids, doenças 
caquectizantes (por causa da redução da massa muscular), em caso de crianças de tenra idade 
(pouca musculatura) e nas hipóteses de corpo asfixiado por afogamento (submerso). 
Espasmo Cadavérico (rigidez cataléptica, rigidez plástica ou rigidez estatuária): a 
rigidez cadavérica não se confunde com o espasmo cadavérico. Em certos casos associados às 
mortes rápidas e violentas, a rigidez cadavérica pode se instalar de maneira abrupta, situação 
em que o cadáver assume a posição em que estava no momento de transição da vida para a 
morte (o corpo fica estático no momento do óbito). Alguns autores afirmam que o espasmo 
cadavérico resta de uma lesão natural (espontânea) ou traumática (provocada) do diencéfalo 
(localizado bem no centro do nosso cérebro). 
Trata-se de um fenômeno incomum, mas que pode acontecer em casos de aneurisma, 
lesões encefálicas, lesões destrutivas provocadas por projétil de arma de fogo, etc. 
O espasmo cadavérico é importante para a perícia porque demonstra a dinâmica 
assumida pela vítima no “momento da morte”. 
Hipóstases: são também chamadas manchas de hipóstases ou hipóstases cutâneas ou 
viscerais. Em razão da morte, o sangue não mais circula no cadáver (o coração para de com a 
posição do cadáver. Há um acúmulo passivo e progressivo de sangue através da força 
gravitacional que é encontrado também dentro dos órgãos e cavidades do corpo (rins, fígado, 
etc). As manchas tem uma coloração vermelha-arroxeada com tendência ao escurecimento. 
As hipóstases se formam nos locais de maior declive, ou seja, na parte do corpo do 
cadáver que esteja em contato com a superfície ou nos enforcados nas partes mais baixas. 
As manchas surgem, em geral, em tono de 2 a 3 horas após a morte e passadas 8 a 12 
horas, não se modificam mais, mesmo que o corpo tenha sua posição alterada. SE antes de 
08/12 horas após a morte, o cadáver mudar de posição, as hipóstases se deslocarão para as 
novas regiões deixando pequenas manchas nas suas posições primitivas. Este fenômeno é 
chamado de “migração das hipóstases”. 
As hipóteses tem grande importância na determinação da posição do cadáver no 
momento do óbito. 
Livores Cadavéricos: em contrapartida, nas áreas opostas às manchas e nas áreas em 
que o corpo está pressionado por algum objeto ou algum anteparo (chão, cadeira, corda, 
cinto, vestimenta apertada, etc.) surgirão áreas mais claras ou lívidas, denominadas de livores 
cadavéricos, cutâneos ou livores paradoxos. 
Os livores Cadavéricos (que são regiões claras do corpo do cadáver) existem porque os 
vasos sanguíneos, nesta área, não sofrem a congestão passiva do sangue, o mesmo acontece 
nas partes da pele que sejam submetidas a compressão, que fecha os vasos sanguíneos 
impedindo a formação das hipóstases. 
Nas pessoas de raça negra os livores cadavéricos são dificilmente observados a olho 
nu, sendo evidenciados com uso de um procedimento especial (colorímetro). 
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Nas crianças recém nascidas as hipóstases são bastante evidentes, o que faz parecer, 
para os leigos, que a criança teria sofrido agressões por parte de alguma pessoa. 
Desidratação cadavérica (evaporação tegumentar): a evaporação da água que integra 
o organismo vivo, com o passar do tempo, leva a uma perda gradativa de peso, que varia de 
indivíduo para indivíduo, e é mais aguda nos recém nascidos, que possuem uma taxa de água 
corporal maior do que os adultos. 
A perda envolve 8/18 gramas por dia. Com a evaporação da água dos tecidos, a pele 
do cadáver se desseca, tornando-se apergaminhada e endurecida ao toque, semelhante ao 
couro dessecado e com coloração amarelada. 
A desidratação também se manifesta nos olhos, ocorrendo a perda da tensão do globo 
ocular e o surgimento de uma mancha escurecida na parte branca do olho (mancha 
esclerótica), com consequente turvação da córnea (perda do brilho), que fica opaca e leitosa 
(Sinal de Sommer & Lacher). 
 FENÔMENOS CADAVÉRICOS TRANSFORMATIVOS 
 Os fenômenos transformativos também são eventos progressivos e que alteram a 
aparência normal do cadáver. Isto porque, os tecidos do corpo se decompõem e ocorre uma 
modificação geral da estrutura do cadáver. É também chamado de processo de transformação 
“post mortem”. 
 Os fenômenos cadavéricos transformativos podem se dividir da seguinte forma: 
Destrutivos: Autólise, Putrefação e Maceração; Conservadores: Mumificação e Saponificação. 
 FENÔMENOS CADAVÉRICOS TRANSFORMATIVOS DESTRUTIVOS 
 Autólise: trata-se da primeira fase da decomposição. Autólise é a autodestruição 
celular e tecidual do corpo em decorrência da falta de nutrição e oxigenação das células. É 
chamada também de destruição autolítica. 
 O “pH” dos tecidos mortos se torna mais ácido logo após o óbito, promovendo a 
destruição de células e tecidos através da liberação de enzimas. As membranas celulares vão 
se rompendo e o s tecidos vão se desintegrando. Este processo se inicia no aparelho intestinal, 
mucosa gástrica e pâncreas, se espalhando para todo o corpo. 
 A acidificação dos tecidos e células é um sinal evidente de morte e pode ser 
comprovada através de várias provas laboratoriais com o uso de substâncias químicas que 
medem essa acidez (Ex. Sinal de Labord). 
 Putrefação: consiste na progressão da autólise, iniciando-se a decomposição do 
cadáver. 
 A putrefação ocorre por causa da ação das bactérias e de suas toxinas que, após a 
morte, proliferam-se nos tecidos. Tais bactérias são aquelas que já possuímos em nosso corpo 
durante a vida e que são controladas pelo nosso organismo vivo (Ex. flora intestinal). 
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 O processo de putrefação é mais rápido no calor e mais lento no frio ou em lugares 
úmidos (no congelamento, impede). A putrefação ao ar livre é mais rápida que na água ou 
debaixo do solo (uma semana ao ar livre é igual a duas na água e a oito na terra). 
 A putrefação se inicia, geralmente, no intestino grosso, dando origem à chamada 
“mancha verde abdominal” espalhando-se, posteriormente, para todo o organismo. 
 A chamada “marca da putrefação” possui, segundo Denton Croce, as seguintes etapas: 
1) fase da coloração; 2) fase gasosa; 3) fase coliquativa; 4) fase da esqueletização. 
1) Fase da Coloração (fase cromática): surge com a mancha abdominal que é uma 
evidência da decomposição dos tecidos, pois ela surge onde justamente há uma 
maior abundância das bactérias, ou seja, nas alças intestinais. 
A mancha aparece entre 20 e 24 horas após a morte (no inverso, entre 36/48 horas) e 
pode durar até 7 até 12 dias. 
 Este prazo depende de condições do clima, umidade, tipo de solo, temperatura do 
corpo, etc. 
 A “macha abdominal” tem coloração verde-escura e aparece, geralmente, na fossa 
ilíaca direita (quadrante inferior direito do abdômen), espalhando-se por todo o corpo e 
adquirindo tonalidade mais escura. 
2) Fase Gasosa (etapa enfisematosa): começa em 24 horas, momento em que são 
formados os “gasesda putrefação” no interior do corpo e pode durar até 30 dias. 
Com a morte, as enzimas bacterianas passam a decompor os tecidos, produzindo 
grande quantidade de gases (ex: metano, gás carbônico, gás sulfídrico, amônia, 
hidrogênio fosforado, etc.). Tais gases também geram o odor característico da 
putrefação, principalmente o gás sulfídrico. 
A força dos gases faz com que o sangue e as secreções sejam forçadas a sair pela boca 
e narina. 
Há uma grande quantidade de bolhas com conteúdo serosanguinolento espalhadas 
pela pele (flictenas putrefativas). 
O sangue é forçado para a periferia do corpo, dando origem ao desenho dos vasos na 
superfície da pele. Tais desenhos vasculares são chamados de “circulação póstuma” ou 
“circulação póstuma de Brouardel”. 
Os gases internos (também chamados de enfisemas) se espalham pelas vísceras ocas e 
pelo abdômen, fazendo com que o cadáver tenha uma aparência de agigantamento, onde os 
olhos e a língua sofrem protusão (os globos oculares saltam para fora e a língua aumenta e se 
projeta para fora das arcadas dentárias) e a genitália (nos homens) aumenta de tamanho, 
principalmente a bolsa escrotal. 
Nas mulheres grávidas, a compressão dos gases no útero é capaz de fazer expelir o 
feto, o que é chamado de “parto póstumo” ou parto de putrefação (parto “post mortem”). 
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O corpo geralmente assume uma “Posição de Lutador”, pois os gases fazem com que o 
cadáver adote um aspecto de “boxeador”. 
 
20/05/2016 
3) Fase Coliquativa (Etapa da redução tecidual): é a fase da dissolução do cadáver 
pela ação das bactérias e da fauna cadavérica (dissolução pútrida). Há uma 
destruição e desintegração dos tecidos orgânicos, que amolecem e se 
“desmancham”. Praticamente teremos a liquefação do corpo cadavérico. 
A pele se rompe, os orifícios naturais se abrem, as partes moles começam a se 
desmanchar. Nesta etapa os gases desaparecem, o odor continua fétido e o corpo vai 
perdendo gradativamente sua forma. 
Nesta fase opera-se a ação dos insetos necrófagos que participam ativamente deste 
processo (moscas, mosquitos, besouros etc.). A ação de larvas surgidas dos ovos depositados 
pelos insetos destrói rapidamente os tecidos moles (“trabalhadores da morte”). 
O tempo desta etapa depende muito da resistência do corpo e do local onde foi 
inumado. Os cabelos, os dentes e os ossos resistem mais ao tempo. 
Começa em aproximadamente em um mês e pode durar meses ou até três anos, 
terminando pela esqueletização. 
4) Fase de Esqueletização: é a fase final da putrefação. Inicia-se, aproximadamente, 
em quatro semanas, quando os ossos do cadáver começam a ficar expostos em 
decorrência da destruição das partes moles. O esqueleto humano será descoberto. 
O meio ambiente e a ação da fauna cadavérica contribuem para a esqueletização, pois 
os tecidos e os ligamentos articulares são destruídos por esses fatores, expondo os ossos e 
deixando-os completamente livres. Nos cadáveres expostos ao ar livre esta fase é mais rápida, 
em duas semanas já se inicia por causa de questões climáticas e do ataque da fauna cadavérica 
ao ar livre (oito legiões de insetos). 
Nos cadáveres inumados (sepultados) a fauna é menos exuberante que ao ar livre 
(fauna dos túmulos: escaravelhos, mariposas, etc.) e o processo será mais lento. 
A esqueletização completa do cadáver inumado poderá demorar até 36 meses (Delton 
Croce). 
Os ossos resistem anos a fio, mas, com o tempo, perdem sua estrutura, tornando-se 
mais leves e quebradiços, ficando frágeis e sendo reduzidos a pó. (“mor omnia solvit”: a morte 
dissolve tudo). 
Maceração: é um processo especial de transformação que ocorre quando o cadáver 
fica imerso em meio líquido. Isso se dá com os afogados e com os fetos retidos no útero 
(grávida que falece). 
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No cadáver do afogado, a água penetra nos tecidos do organismo morto e as bactérias 
aceleram a putrefação. Os tecidos se soltam com mais facilidade e a pele fica extremamente 
enrugada. Nesta hipótese a maceração é chamada de “maceração séptica”, uma vez que o 
meio líquido é contaminado. Nesta etapa é possível a ação da “Fauna aquática”, pois os 
cadáveres imersos em água doce ou salgada podem apresentar inúmeras lesões produzidas 
por peixes, crustáceos, mamíferos, etc. 
No caso dos fetos retidos na cavidade uterina, a maceração é asséptica, pois o meio 
não é contaminado e a maceração pode ser considerada um fenômeno conservador. 
FENÔMENOS CADAVÉRICOS CONSERVADORES 
São aqueles fenômenos cadavéricos que preservam, de certa forma, o cadáver. 
Diferentemente dos destrutivos que alteram demasiadamente a aparência do corpo, os 
fenômenos cadavéricos conservadores, impedem o avanço da putrefação, porque a ação 
bacteriana é bloqueada, permanecendo estacionada na etapa da autólise. 
Os fenômenos conservadores dependem de ocorrências biológicas ou físico-químicas, 
sejam artificiais ou naturais, provocadas ou espontâneas, onde os tecidos orgânicos do 
cadáver ficam preservados. São eles: 
Mumuficação: trata-se de um processo rápido de dessecação do cadáver, ou seja, de 
uma aceleração da desidratação do corpo sem vida. Ocorrendo isto, as bactérias responsáveis 
pela putrefação serão mortas e a matéria orgânica do corpo sofrerá uma preservação, 
assumindo um aspecto enegrecido e endurecido, que fica com uma consistência de couro e 
com vagos traços fisionômicos, apresentando rugas e diminuição do volume corporal por 
causa da rápida desidratação (o peso corporal diminui até 70%). Unhas, dentes e cabelos ficam 
preservados. 
A mumificação pode ser natural ou artificial. 
A mumificação natural é também chamada de espontânea e ocorre nos seguintes 
casos: ambiente seco (abaixo de 6% de umidade); alta temperatura (acima de 40°C) e 
ventilação abundante (ex: cadáver no deserto, certos tipos de cavernas, etc.). Fatores 
individuais também contribuem: idade avançada; caqueixa; hemorragia aguda; desidratações 
severas, dentre outros fatores. A mumificação natural depende muito da intensidade dos 
fatores climáticos apontados e pode acontecer em aproximadamente três meses depois do 
óbito. 
A mumificação artificial é também conhecida por mumificação provocada ou 
embalsamento (tanatopraxia), e ocorre através do uso de substâncias químicas utilizadas no 
cadáver para inibir a proliferação bacteriana. Ex: arsênico, estricnina, antibióticos potentes, 
etc. As múmias dos faraós egípcios tinham todos os órgãos internos retirados e o corpo era 
submerso em água e sal por senta dias, sofrendo severa desidratação. Após, os cadáveres 
eram preenchidos por ervas aromáticas e depois cobertos por ataduras. 
Alguns autores apontam a possibilidade de mumificação mista, envolvendo os dois 
fatores (meio ambiente e processo artificial). 
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Saponificação: ocorre em solos extremamente úmidos (fossa, pântanos, terrenos 
argilosos ou alagados) ricos em sais calcários, onde, condições do corpo e enzimas microbianas 
podem transformar a gordura do corpo em cera. É um fenômeno raro. 
Nesses lugares a ausência de ventilação ou sua escassez pode gerar um processo em 
que os tecidos são convertidos em adipocera (substância amarelo-clara, semelhante a cera ou 
queijo, com um odor rançoso e desagradável). 
O processo químico consiste na hidratação e desidrogenização das gorduras do corpo, 
transformando-o em uma massa mole e engordurada. 
O processo ocorre devido a fatores que são intrínsecos ao cadáver e principalmente ao 
meio onde este permanece. Como condições individuais temos: a idade (facilidade nas 
crianças); obesidade; causamortis (intoxicações pelo álcool e pelo fósforo facilitam). E como 
condições ambientais temos: local úmido ou meio semilíquido com água que se escoa e se 
renova e solo argiloso que retém a água, ricos em sais de cálcio, transformando o terreno ao 
redor da cova, numa espécie de tanque de conservação. 
A adipocera transforma quimicamente todos os tecidos do cadáver. A pele é pouco 
alterada. As gorduras se transformam em sabões calcários, por ação dos sais de água, 
adquirindo o cadáver uma maior resistência à decomposição. A saponificação permite uma 
melhor identificação do cadáver, inclusive as impressões digitais costumam ser preservadas, 
assim como os principais traços fisionômicos. 
Essa transformação pode ocorrer em todo o corpo ou apenas em partes do cadáver (é 
comum ocorrer na face, membros, regiões glúteas, mamas e abdômen). 
Como é formada à partir das gorduras do corpo, é mais frequente nos indivíduos 
obesos. 
Não é um processos inicial. Para que a saponificação aconteça é necessário o início da 
putrefação do cadáver, pois as enzimas bacterianas vão hidrolisar as gorduras para que os 
ácidos sejam liberados. Pode se iniciar na primeira semana de morte, mas só é percebida 
externamente em três meses. 
Calcificação (petrificação): é a petrificação do corpo humano, um fenômeno 
transformador incomum que atinge fetos retidos na cavidade abdominal que podem sofrer 
uma incrustação de sais de cálcio, adquirindo uma aparência de pedra (são chamados de 
litopédios, que significa “criança de pedra”). Tal fenômeno pode acontecer nos embriões ou 
fetos mortos resultantes de gravidez tubária (fora do útero) e assim, em vez de entrar em 
maceração, sofrerá infiltração de sais de cálcio, originando um litopédio. 
Congelamento: a temperatura muito baixa possibilita a conservação quase indefinida 
do cadáver, já que o frio é um agente físico capaz de interromper a putrefação. Pode ser 
natural e artificial. 
Em 1991 foi descoberto um cadáver do período neolítico, chamado de “Homem do 
Gelo”. Seu corpo foi encontrado nos alpes situados na fronteira entre a Áustria e Itália a 3.210 
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metros de altitude. O corpo foi amplamente estudado, chegando-se à conclusão de que o 
mesmo tinha mais de 5.000 anos de idade. 
Atualmente é muito utilizada a “criogenia” (congelamento em nitrogênio líquido a 
menos 196°C) para preservação de material biológico (embriões, óvulos, espermatozoides, 
etc). Também é possível o congelamento total do corpo (transplantes, pesquisas, etc). 
Alpinistas e esquiadores podem ser vítimas de congelamento natural em casos de 
avalanches, quedas em fendas, ou por inanição na neve. Seus corpos são encontrados depois 
de vários anos ou, quando houver degelo, na hipótese em que os cadáveres vem à tona. 
Corificação: é um fenômeno conservador muito raro, sendo encontrado em cadáveres 
sepultado em urnas metálicas (principalmente de zinco galvanizado) hermeticamente 
fechados. 
Há um ressecamento do corpo com consequente diminuição do volume. A putrefação 
chega a iniciar-se, no entanto é bloqueada pelas condições desfavoráveis do ambiente. A pele 
do cadáver adquire uma cor cinza-amarelada ou marrom (parecendo um couro curtido), mais 
macia e maleável que a pele mumificada. Os órgãos e a musculatura permanecem 
parcialmente conservadas e amolecidas (França, 2012). 
Segundo pesquisas, partículas de Zinco e de Arsênio da uma penetram nos tecidos do 
cadáver, intoxicando o corpo e impedindo a proliferação das bactérias. Este processo pode 
levar de um a dois anos. 
CALENDÁRIO TANATOLÓGICO (DELTON CROCE) 
A cronotanatagnose procura determinar o tempo da morte a partir das mudanças 
físico-químicas do cadáver. Trata-se de uma espécie de “relógio post mortem”. 
Por causa da significativa variação na velocidade dos fenômenos cadavéricos, o tempo 
de morte não pode ser apontado de uma forma exata, mas sim, estimada. 
A velocidade da decomposição e de esqueletização de um corpo depende de 
condições climáticas (temperatura, umidade, etc.), de características do próprio cadáver e da 
atividade da fauna cadavérica. 
Assim, o tempo dos fenômenos cadavéricos será “estimado” e não “preciso”. As 
assinalações de tempo compreendem uma avaliação aproximada, com pouca variação 
temporal. Vejamos: 
a) Corpo quente, flácido e sem livores – menos de 2 horas 
b) Rigidez 
a. Da face, nuca e mandíbula – 1 a 2 horas 
b. Dos músculos tóraco-abdominais – 2 a 4 horas 
c. Dos membros superiores – 4 a 6 horas 
d. Generalizada – mais de 8 e menos de 36 horas 
c) Manchas de hipóstase 
a. Início – 2 a 3 horas 
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b. Fixação macroscópica – 8 a 12 horas 
d) Manchas verde abdominal – entre 18 e 24 horas 
e) Extensão da verde abdominal – 3 a 5 dias 
f) Flacidez 
a. Inicio – cerca de 36 horas 
b. Generalizada – mais de 48 horas 
g) Mancha verde abdominal e flacidez generalizada – mais de 48 horas 
h) Gases de putrefação – entre 9 e 12 horas 
i) Fauna cadavérica 
a. 1° Legião – 8 a 15 dias; 
b. 2° Legião – 15 a 20 dias; 
c. 3° Legião – 3 a 6 meses; 
d. 4° Legião – 10 meses; 
e. 5° Legião – 10 meses; 
f. 6° Legião – 10 a 12 meses; 
g. 7° Legião – 12 a 24 meses; 
h. 8° Legião – Mais de 36 meses. 
j) Esqueletização – mais de 36 meses. 
FAUNA CADAVÉRICA 
A fauna cadavérica é o conjunto de animais de diferentes espécies, os quais se nutrem 
dos restos cadavéricos em decomposição, auxiliando na destruição da matéria orgânica 
apodrecida. São chamados de “trabalhadores da morte”. 
Há uma sequencia cronológica destes animais ao local onde o corpo se encontra e 
podem ser utilizados para a determinação do tempo da morte, principalmente nos corpos 
deixados ao ar livre. 
A fauna cadavérica é composta de todos os organismos vivos que concorrem para a 
destruição do cadáver. Para alguns autores, abrangem somente as larvas dos insetos, que 
possuem maior importância pericial. No entanto, a grande maioria indica a existência de várias 
tipos de fauna. Vejamos: 
Fauna terrestre: composta por cães, lobos, felinos, raposas, ratos, gambás, besouros 
não voadores, formigas, ácaros, etc. 
Fauna aquática: composta por piranhas, piraras, outros peixes, jacarés, tubarões, 
caranguejos, tartarugas e outros animais mamíferos (lontras, botos, golfinhos, etc.). 
Fauna aérea: composta por aves (urubus, gaviões, corujas e outras aves) e insetos 
voadores (moscas, besouros, gafanhotos, mariposas, baratas, etc.). 
Com asseverado, os insetos são os mais relevantes pois atuam através de uma “ação 
cronológica”, conforme o empo que gastam para chegar ao loca onde se encontra o corpo e a 
parte do cadáver que referidos insetos consomem. Tal fenômeno também é chamado de 
“sucessão entomológica” 
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As moscas são atraídas pelo cheiro dos gases da putrefação e procuram os cadáveres 
para depositar seus ovos nas narinas, boca, olhos, ouvidos, orifícios provocados por traumas. 
As larvas são muito numerosas e se proliferam rapidamente, causando uma destruição rápida 
das partes moles e das vísceras do cadáver. 
As moscas também se alimentam de sangue e de secreções do cadáver; existem 
besouros que devoram cartilagens e tecidos, que só atuarão depois de devoradas as partes 
moles. Cada legião de insetos aguarda que seus antecessores ajam, de maneira que deixem 
expostas partes, tecidos ou materiais que serão por eles devorados. 
Desta forma, o ciclo vital dos insetos necrófilos permite identificar uma cronologia dos 
fenômenos cadavéricos. 
Flamínio Fávero Identifica três faunas distintas: fauna ao ar livre, fauna dos túmulose 
fauna aquática. 
Fauna ao ar livre: é a mais rica de insetos, possui oito legiões consecutivas. 
Fauna dos túmulos: menos exuberante, com algumas espécies de insetos encontradas 
no corpo. 
Fauna aquática: [...] 
DESTINO DO CADÁVER 
O cadáver é o corpo morto com aparência humana, incluindo-se nesta acepção o feto 
expulso através do aborto após 180 dias (antes disso é chamado de natimorto). Restos mortais 
em estado de putrefação (despojos humanos), membros amputados, cinzas e esqueleto não se 
incluem neste conceito. 
Confirmada a morte, após o registro do óbito no cartório, o cadáver segue os seguintes 
destinos: inumação simples, inumação com necropsia; cremação; embalsamento; doação para 
fins científicos. 
Inumação simples: é o sepultamento em caixões próprios (existem regras especificas 
sobre inumação: Municipais, Estaduais, Federais). Ex: tamanho do caixão, profundidade da 
inumação (1,75 m) prazo para sepultamento: nunca antes de 24 horas, nem após 36 horas da 
morte. Obs: existem exceções – ex: epidemias, catástrofes, tec.). 
Inumação com necropsia: a necropsia é obrigatória em casos de morte violenta (ex: 
homicídios, suicídios, acidentes automobilísticos, etc.) ou de morte suspeita. Na morte natural 
se surgir alguma dúvida ou interesse científico no diagnóstico da morte a necropsia será 
realizada. O perito que verificará a situação em concreto e com a autorização ou determinação 
da autoridade policial (também com consentimento da família) realizará a perícia no prazo 
legal (Art. 162 do CPP). 
Cremação: é a incineração do cadáver, reduzindo-o a cinzas, que serão colocadas em 
uma urna, que poderá ser guardada, enterrada ou lançada em determinados lugares. Nos 
casos de morte violenta ou suspeita, o juiz é que vai autorizar a cremação, podendo ser 
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indeferida por interesse provatório. (Portarias da ANVISA e Legislação Funerária Municipal 
regulamentam a cremação). 
Embalsamento: consiste na introdução nos vasos sanguíneos do cadáver de líquidos 
desinfetantes conservadores que irão impedir o processo de putrefação. Está indicada nos 
casos em que o sepultamento será realizado em prazo superior a 4 dias (transporte para outra 
cidade, estado, país, etc). 
Doação para fins científicos: o cadáver pode ser doado para fins de científicos e de 
estudo pela família ou pela própria pessoa em vida (A USP mantém um programa de doação 
de corpo para estudo). Dispõe o art. 14 do Código Civil: “é válida, com objetivo científico ou 
altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte para depois da morte”. 
A Lei n° 8.501/92 dispõe sobre a utilização de cadáver não reclamado par afins de estudo ou 
pesquisas científicas. 
Obs. A Lei 9.434/97 regulamenta a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo 
humano para fins de transplante e tratamento médico. 
Exumação: do latim (ex, para fora + húmus, solo, terra) é o ato de retirar da sepultura 
o cadáver humano ou seus restos mortais, a fim de ser submetido à perícia médico-legal (Art. 
163 e seguintes do CPP).

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