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COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO 
 
 
 
PROFESSORAS 
MARIA DE FÁTIMA ROCHA MEDINA 
SILVÉRIA APARECIDA BASNIAK SCHIER 
VALQUIRIA MARANHÃO 
 
2016/1
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 2 
 
PLANO DE ENSINO 
 
EMENTA 
 
Linguagem. Língua materna: oral e escrita. Variação linguística. Oralidade e retextualização. 
Leitura e estratégias de leitura. Paráfrase. Paragrafação. Coesão e Coerência. 
 
COMPETÊNCIAS 
 
Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências: 
1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e 
produtivas, em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, 
como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização 
de práticas sociais; 
2. ser ético, pontual e comprometido com a disciplina. 
 
HABILIDADES 
 
1. Compreender os vários tipos de linguagem e as diferenças entre língua falada e escrita. 
2. Distinguir as variedades linguísticas ao ler diferentes textos e aplicar a variante culta nas 
produções textuais. 
3. Reconhecer as próprias peculiaridades da fala a partir das variantes linguísticas e utilizá-las 
adequadamente nas diversas situações comunicativas. 
4. Entender as modalidades da língua - oral e escrita - ao reconhecer peculiaridades de cada 
uma em distintos textos que circulam na sociedade. 
5. Identificar tipos e gêneros textuais em textos lidos/discutidos durante o semestre. 
6. Compreender e interpretar distintos textos, verbais e não verbais, sobretudo, relacionados a 
direitos humanos. 
7. Ler/compreender/deleitar e debater a obra O cavaleiro inexistente, além de produzir textos 
sobre esse romance. 
8. Escrever/refazer textos próprios com coesão e coerência ao aplicar, adequadamente, 
elementos anafóricos, articuladores e conectivos. 
9. Aplicar corretamente particularidades da escrita ao retextualizar textos da oralidade para a 
escrita. 
10. Escrever/refazer paráfrase de forma adequada ao compreender o texto original e 
reorganizá-lo de maneira coerente e coesa, além de primar pela criatividade ao evitar 
transcrição. 
11. Elaborar/refazer parágrafo padrão ao sistematizar argumentos/informações em estrutura 
textual corretamente definida e clara. 
12. Apresentar-se oralmente, com desenvoltura e de maneira adequada, em debates e 
apresentações em sala de aula. 
 
CONTEÚDOS 
 
1. Linguagem - código verbal e código não verbal: conceitos 
2. Língua materna: oral e escrita 
3. Variação linguística 
4. Estratégias de leitura 
 - Tipos e gêneros textuais 
 - Compreensão e interpretação de textos 
 - Relacionamento entre textos (intertextualidade) 
 - Atenção a elementos coesivos dos textos 
 - Relação entre texto e realidade (contexto) 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 3 
 
5. Estratégias de escrita 
 - Recriação textual: paráfrase (citação indireta) 
 - Recriação textual: retextualização da oralidade para a escrita 
 - Escrita de parágrafo com suas partes constituintes: sistematização de argumentos 
 - Utilização de elementos coesivos: anafóricos, articuladores e conectivos 
- Refacção de textos 
 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
 
CALVINO, Italo. O cavaleiro inexistente. Trad. Nilson Moulin. 12. reimpressão. São 
Paulo: Companhia das letras, 2005. 
 
METODOLOGIA 
 
Para que “o aluno seja sujeito de seu processo de aprendizagem”, de acordo 
com os princípios que regem o ensino no CEULP (PDI, 2011, p. 13), a metodologia 
desta disciplina necessita do envolvimento ativo do acadêmico em atividades de leitura 
e compreensão de textos (verbais e não verbais) e da produção/refacção textual oral e 
escrita. 
Por meio de atividades de leitura e produção de textos orais e escritos, em sala 
e extraclasse, o acadêmico deve começar e/ou desenvolver a consciência de que a 
sistematização do texto escrito é distinta do texto oral. Nas aulas, o momento de escrita 
(paráfrase, retextualização, parágrafo) é precedido pela discussão de textos de 
distintos tipos e gêneros textuais a fim de que o aluno desenvolva a prática de 
compreensão ao identificar particularidades e inferências importantes de cada um deles 
(tema, intertextualidades, argumentos, contexto), além de atribuir sentido ao que lê de 
forma crítica e clara. 
Textos que tratam sobre o tema de direitos humanos têm prioridade para que o 
acadêmico adquira proximidade com as diretrizes de direitos humanos no ensino 
superior. E o romance O cavaleiro inexistente permite contato com a particularidade do 
texto literário. 
As aulas presenciais são realizadas a partir de exposições dialogadas e de 
técnicas diversas, como peritos e interrogadores, GV-GO, Phillips 66, discussão 
circular, debates e seminários a fim de que o grupo possa socializar e relacionar 
repertórios e experiências pessoais com novos conteúdos. Relevante, também, é a 
resolução e correção de exercícios para a prática da compreensão e 
produção/refacção textuais com a orientação da docente. Quanto às variantes 
linguísticas, além de identificá-las, o aluno será estimulado a utilizar a variante culta de 
maneira adequada em situações formais. 
Nesta proposta metodológica, são utilizados recursos materiais como: quadro, 
datashow, cd, dvd, livros, textos, projeções e som. O estudante tem oportunidade de 
participar do Palco 2016/1: projeto interdisciplinar que integra as disciplinas 
institucionais Comunicação e Expressão, Sociedade e Contemporaneidade e Cultura 
Religiosa. E as web atividades da disciplina são disponibilizadas no acesso interno - 
Conecta, plataforma da instituição -, a fim de que os alunos reforcem o estudo com 
exercícios de leitura/compreensão textual. 
 
AVALIAÇÃO 
 
A avaliação diagnóstica, formativa e somatória, conforme preconiza a instituição, 
ocorre de forma contínua durante o semestre por meio da prática de atividades de 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 4 
 
compreensão e produção de textos orais e escritos, como também de participação, 
interesse, responsabilidade e pontualidade do estudante. 
Ao apresentar trabalhos individuais e em grupos, orais e/ou por escrito, o 
acadêmico deve demonstrar conhecimento, coerência e consciência crítica sobre o 
conteúdo abordado. A produção escrita que não for inédita e pessoal será 
desconsiderada. E aparelho celular pode ser utilizado, durante a aula, exclusivamente 
para consulta a material específico da disciplina. 
 
Obs.: Textos e referências bibliográficas são disponibilizados no Conecta e na 
reprografia do prédio 4. Os acadêmicos que sentirem dificuldades quanto à 
compreensão e escrita de textos devem frequentar o Laboratório de Produção 
Textual, na sala 409, Prédio 4. 
 
Notas da avaliação somatória 
 
G1 
1) Produção textual oral e escrita de acordo com os critérios estabelecidos: valor 1,0 
2) Participação em atividades orais e escritas em sala de aula: valor 0,5 
3) Livro O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino: 
 a) Apresentação em grupo/debate a partir de roteiro proposto: valor 1,0 
 b) Registro da leitura em cordel, entrevista, rap, paródia, teatro, programa de rádio, 
poema (outros), apresentação oral em sala e escrita em cartaz/banner: valor 1,5 
4) *Prova de acordo com o calendário acadêmico: valor 6,0 
 
G2 
1) Produção textual de acordo com os critérios estabelecidos: valor 2,0 
2) Participação em atividades orais e escritas em sala de aula: valor 0,5 
3) Produção oral/escrita coletiva a partir de Phillips 66: valor 1,5 
4) *Prova deacordo com o calendário acadêmico: valor – valor 6,0 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
 
ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. 
São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. 
FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: 
Contexto, 1998. 
SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001. 
 
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 
 
BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: 
Loyola, 2004. 
BASTOS, Lucia Kopschitz. A produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: 
Martins Fontes, 1992. 
FARACO, Carlos Roberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto: para estudantes 
universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. 
FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: 
Vozes, 2001. 
SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. ed. São Paulo: Ática, 1998. 
 
 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 5 
 
 
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ORAL 
 
Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: 
1. informações precisas do texto proposto; 
2. ideias claras, coerentes e com senso crítico; 
3. volume e entonação de voz adequados, além de entusiasmo ao falar; 
4. sinalização com a mão antes de falar; 
5. respeito às ideias dos colegas; 
6. uso da norma culta da língua de acordo com a oralidade. 
 
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ESCRITA 
 
Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios expostos a seguir. 
 
1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) 
1.1 Apresenta características do tipo e gênero textuais solicitados, de forma que é 
possível identificá-los? 
1.2 Apresenta indicadores que caracterizam o propósito textual? 
1.3 Apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é 
argumentativo? 
1.4 Apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? 
1.5 Apresenta título criativo? 
 
2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: 
(valor: 30%) 
2.1 Apresenta uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de 
articuladores? 
2.2 Apresenta as informações necessárias no texto produzido? 
2.3 Apresenta o assunto de maneira original, clara, crítica, criativa e progressiva? 
 
3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) 
3.1 Está escrito de acordo com a variante linguística proposta? 
3.2 Está adequado quanto à ortografia? 
3.3 Está adequado quanto à acentuação gráfica? 
3.4 Está adequado quanto à concordância? 
3.5 Está adequado quanto à pontuação? 
3.6 Está adequado quanto à sintaxe? 
3.7 Está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 
 
4. Quanto a aspectos estéticos, o texto: (valor: 15%) 
4.1 Apresenta letra legível (quando manuscrito)? 
 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 6 
 
CRONOGRAMA - SEGUNDA-FEIRA 
 
 
DATA 
 
TEMA 
PROCEDIMENTO 
METODOLÓGICO 
 
1/2/16 
Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da 
turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. 
Exercícios e correção. 
Formação de grupos a partir de 
narrativa literária. Compreensão 
de textos. Socialização e 
correção. 
15/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição 
do conteúdo: Linguagem e língua materna. 
Exposição dialogada 
Esclarecimento de dúvidas. 
22/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. 
Atividade escrita. 
29/2/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre 
feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. 
Exposição dialogada. Trabalho 
em pequenos grupos. Correção 
de exercícios. 
7/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser 
mulher. 
Peritos e interrogadores. 
Exercícios e correção. 
Atividade avaliativa: v. 1,0 
12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 
14/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema 
prévio: retângulo 
Phillips 66 
Exposição dialogada 
Exercícios e correção 
21/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem 
tem culpa no cartório. 
Correção e tira dúvidas. 
Texto escrito. 
28/3/16 Avaliação G1 Prova escrita. Valor: 6,0 
4/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- 
da do plano de ensino. 
Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro 
inexistente, de Italo Calvino. 
Seminário v. 1,0 
11/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra 
O cavaleiro inexistente 
Produção de textos de distintos 
gêneros/tipos (grupos) valor 1,5 
18/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: 
flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. 
Batata quente 
Trabalho escrito 
25/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores 
Exercícios. Texto escrito 
 Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 
2/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de 
desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves 
Trabalho em pequenos grupos. 
Socialização. 
9/5/16 Parágrafo padrão: atividades. 
 
Texto escrito e correção quanto 
aos argumentos e à estrutura. V. 
1,5 
14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 
16/5/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para 
a escrita. 
GV-GO 
Retextualização: valor: 0,5 
30/5/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 
Texto escrito: 1,5 
6/6/16 Avaliação G2 Prova escrita valor: 6,0 
13/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 
20/6/16 Substituição de Grau Prova escrita valor: 10,0 
 
 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 7 
 
CRONOGRAMA - TERÇA-FEIRA 
 
 
 
DATA 
 
 
TEMA 
PROCEDIMENTO 
METODOLÓGICO 
 
 
2/2/16 
Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da 
turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. 
Exercícios e correção. 
Formação de grupos a partir de 
narrativa literária. Compreensão 
de textos. Socialização e 
correção. 
16/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição 
do conteúdo: Linguagem e língua materna. 
Exposição dialogada 
Esclarecimento de dúvidas. 
23/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. 
Atividade escrita. 
1/3/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre 
feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. 
Exposição dialogada. Trabalho 
em pequenos grupos. Correção 
de exercícios. 
8/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... 
ser mulher. 
Peritos e interrogadores. 
Exercícios e correção. 
Atividade avaliativa: v. 1,0 
12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 
15/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema 
prévio: retângulo 
 
Phillips 66 
Exposição dialogada 
Exercícios e correção 
22/3/16 Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro 
inexistente, de Italo Calvino. 
Seminário v. 1,0 
29/3/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da 
obra O cavaleiro inexistente 
Produção de textos de distintos 
gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 
5/4/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 
12/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. 
Retomada do plano de ensino. Linguagem, Língua, fala e 
variações linguísticas. Texto: Quem tem culpa no cartório. 
Correção e tira dúvidas. 
Texto escrito. 
19/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: 
flechas. Identificação dos elementoscoesivos em textos. 
Batata quente 
Trabalho escrito 
26/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores 
Exercícios. Texto escrito 
 Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 
3/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de 
desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves 
Trabalho em pequenos grupos. 
Socialização. 
10/5/16 Parágrafo padrão: atividades. 
 
Texto escrito e correção quanto 
aos argumentos e à estrutura. v. 
1,5 
14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 
17/5/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para 
a escrita. 
GV-GO 
Retextualização: v. 0,5 
31/5/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 
Texto escrito: v.1,5 
7/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 
14/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 
21/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 8 
 
CRONOGRAMA - QUARTA-FEIRA 
 
 
 
DATA 
 
 
TEMA 
PROCEDIMENTO 
METODOLÓGICO 
 
 
3/2/16 
Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da 
turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. 
Exercícios e correção. 
Formação de grupos a partir de 
narrativa literária. Compreensão 
de textos. Socialização e 
correção. 
17/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição 
do conteúdo: Linguagem e língua materna. 
Exposição dialogada 
Esclarecimento de dúvidas. 
24/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. 
Atividade escrita. 
2/3/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre 
feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. 
Exposição dialogada. Trabalho 
em pequenos grupos. Correção 
de exercícios. 
9/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser 
mulher. 
Peritos e interrogadores. 
Exercícios e correção. 
Atividade avaliativa: v. 1,0 
12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 
16/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema 
prévio: retângulo 
 
Phillips 66 
Exposição dialogada 
Exercícios e correção 
23/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem 
tem culpa no cartório. 
Correção e tira dúvidas. 
Texto escrito. 
30/3/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 
6/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- 
da do plano de ensino. 
Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro 
inexistente, de Italo Calvino. 
Seminário v. 1,0 
13/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra 
O cavaleiro inexistente 
Produção de textos de distintos 
gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 
20/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: 
flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. 
Batata quente 
Trabalho escrito 
27/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores 
Exercícios. Texto escrito 
 Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 
4/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de 
desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves 
Trabalho em pequenos grupos. 
Socialização. 
11/5/16 Parágrafo padrão: atividades. 
 
Texto escrito e correção quanto 
aos argumentos e à estrutura. v. 
1,5 
14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 
18/5/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para 
a escrita. 
GV-GO 
Retextualização: v. 0,5 
1/6/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 
Texto escrito: v. 1,5 
8/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 
15/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 
22/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 9 
 
CRONOGRAMA - SEXTA-FEIRA 
 
 
 
DATA 
 
 
TEMA 
PROCEDIMENTO 
METODOLÓGICO 
 
 
5/2/16 
Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da 
turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. 
Exercícios e correção. 
Formação de grupos a partir de 
narrativa literária. Compreensão 
de textos. Socialização e 
correção. 
12/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição 
do conteúdo: Linguagem e língua materna. 
Exposição dialogada 
Esclarecimento de dúvidas. 
19/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. 
Atividade escrita. 
26/2/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre 
feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. 
Exposição dialogada. Trabalho 
em pequenos grupos. Correção 
de exercícios. 
4/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser 
mulher. 
Peritos e interrogadores. 
Exercícios e correção. Texto 
escrito: v. 1,0 
11/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema 
prévio: retângulo 
 
Phillips 66 
Exposição dialogada 
Exercícios e correção 
12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 
18/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem 
tem culpa no cartório. 
Correção e tira dúvidas. 
Texto escrito. 
1/4/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 
8/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- 
da do plano de ensino. 
Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro 
inexistente, de Italo Calvino. 
Seminário v. 1,0 
15/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra 
O cavaleiro inexistente 
Produção de textos de distintos 
gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 
22/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: 
flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. 
Batata quente 
Trabalho escrito 
 Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 
29/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores 
Exercícios. Texto escrito 
6/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de 
desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves 
Trabalho em pequenos grupos. 
Socialização. 
13/5/16 Parágrafo padrão: atividades. 
 
Texto escrito e correção quanto 
aos argumentos e à estrutura. v. 
1,0 
14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 
3/6/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para 
a escrita. 
GV-GO 
Retextualização: v. 0,5 
10/6/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 
Texto escrito: v.1,5 
17/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 
24/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 
29/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 
 
 
 
 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 10 
 
CRONOGRAMA – SÁBADO 
 
 
 
DATA 
 
 
TEMA 
PROCEDIMENTO 
METODOLÓGICO 
 
 
6/2/16 
Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da 
turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. 
Exercícios e correção. 
Formação de grupos a partir de 
narrativa literária. Compreensão 
de textos. Socialização e 
correção. 
13/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição 
do conteúdo: Linguagem e língua materna. 
Exposição dialogada 
Esclarecimento de dúvidas. 
20/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. 
Atividade escrita. 
27/2/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre 
feminicídio. Elaboraçãode esquemas distintos. 
Exposição dialogada. Trabalho 
em pequenos grupos. Correção 
de exercícios. 
5/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser 
mulher. 
Peritos e interrogadores. 
Exercícios e correção. Texto 
escrito: v. 1,0 
12/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema 
prévio: retângulo 
 
Phillips 66 
Exposição dialogada 
Exercícios e correção 
12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 
2/4/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem 
tem culpa no cartório. 
Correção e tira dúvidas. 
Texto escrito. 
9/4/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 
16/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- 
da do plano de ensino. 
Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro 
inexistente, de Italo Calvino. 
Seminário v. 1,0 
23/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra 
O cavaleiro inexistente 
Produção de textos de distintos 
gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 
 Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 
30/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: 
flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. 
Batata quente 
Trabalho escrito 
7/5/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores 
Exercícios. Texto escrito 
14/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de 
desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves 
Trabalho em pequenos grupos. 
Socialização. 
14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 
4/6/16 Parágrafo padrão: atividades. 
 
Texto escrito e correção quanto 
aos argumentos e à estrutura. v. 
1,0 
11/6/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para 
a escrita. 
GV-GO 
Retextualização: v. 0,5 
18/6/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 
Texto escrito: v.1,5 
25/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 
28/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 
30/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 
 
 
 
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CAPÍTULO 1: ESTRATÉGIAS DE LEITURA
 
Já é coisa sabida que o mais importante não são as 
informações em si, mas o ato de transformá-las em 
conhecimento. As informações são os tijolos e o 
conhecimento é o edifício que construímos com eles. 
(Antônio Suárez Abreu) 
Introdução 
Neste capítulo, discutiremos sobre o ato de ler. Veremos aspectos relacionados 
à compreensão e à interpretação da leitura, aos posicionamentos do leitor diante dos 
textos e às estratégias que podemos utilizar nessa tarefa. É preciso perceber que a 
leitura é indispensável para nossa formação. Ela deve fazer parte de nossa rotina, 
principalmente quando nos propomos a frequentar um curso superior. 
 
1.1 Noções preliminares 
A leitura auxilia no aprendizado logo nos primeiros anos de nossas vidas. Ela 
está presente no constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que 
nos rodeiam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade 
ficcional com a que vivemos. Enfim, em todos esses casos, estamos, de certa forma, 
lendo. Por meio da leitura, temos a oportunidade de ampliar e aprofundar nossos 
conhecimentos, pois os textos formam uma fonte inesgotável de informações. 
Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa e para que tenhamos uma 
compreensão adequada e assimilação do conteúdo, a atenção no que estamos lendo é 
essencial, caso contrário a leitura se torna superficial e sem aproveitamento para a 
construção do conhecimento. O processo de compreensão de textos não é uma tarefa 
simples, visto que depende de conhecimentos linguísticos, conhecimento prévio a 
respeito do assunto do texto, conhecimento geral a respeito do mundo, motivação e 
interesse na leitura, entre outros. É sobre isso que conversarmos na seção a seguir. 
 
1.2 O que é leitura? 
Segundo Fulgêncio e Liberato (2007), leitura não é uma atividade meramente 
visual. O acesso à informação visual (IV), isto é, à informação captada pelos olhos, é 
obviamente necessário, mas não suficiente. Podemos enxergar perfeitamente um texto 
e, ainda assim, não conseguir lê-lo por estar escrito em uma língua que não 
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conhecemos. Portanto, o conhecimento da língua é imprescindível para a leitura. Ele 
faz parte do conhecimento que temos estocado na memória, ao qual damos o nome de 
conhecimento prévio ou informação não visual (InV). 
Além do conhecimento da língua, outros tipos de InV são igualmente importantes 
na leitura. Um deles é o conhecimento sobre o assunto de que trata o texto. É possível 
que um leitor não consiga ler um texto que, embora escrito em uma língua que ele 
domina, trate de um assunto sobre o qual ele não tem informações. Também nesse 
caso diríamos que lhe falta InV adequada (FULGÊNCIO; LIBERATO, 2007). 
Outro fator que contribui com o ato de ler é todo e qualquer outro conhecimento 
que temos e que compõe a nossa teoria de mundo. Isso inclui tudo o que sabemos, 
desde as coisas mais simples, como a de que “macacos comem bananas”, até 
relações mais complexas que podemos perceber entre objetos e acontecimentos do 
mundo. Todo esse conhecimento está, de alguma forma, armazenado em nossa 
memória, juntamente com o conhecimento da linguagem, e é utilizado no processo da 
leitura, permitindo dar sentido àquilo que a visão capta (FULGÊNCIO; LIBERATO, 
2007). 
Portanto, para o processamento textual, ativamos quatro grandes conjuntos de 
conhecimento: 
 o conhecimento linguístico (o lexical e o gramatical); 
 o conhecimento de mundo (que inclui os esquemas, os cenários, os protótipos 
ou os modelos de eventos e episódios em vigor nos grupos a que pertencemos); 
 o conhecimento referente a modelos globais de texto (que inclui as 
regularidades de construção dos tipos e gêneros); 
 o conhecimento sociointeracional, ou o conhecimento sobre as ações 
verbais (que inclui o saber acerca da realização social das ações verbais ou de 
como as pessoas devem se comportar/interagir em diferentes situações sociais). 
Resumidamente, podemos afirmar que leitura é o resultado da interação entre o 
que o leitor já sabe e o que ele retira do texto. Em outras palavras, a leitura é o 
resultado da interação entre IV e InV. Portanto a atividade pode ser representada pela 
seguinte fórmula: 
 LER = IV + InV 
 
 
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1.3 Aprendizado da leitura 
A partir da definição que vimos sobre leitura, podemos dizer que é possível 
ensinar alguém a ler? Os pesquisadores afirmam que se aprende a ler, lendo. Dizem 
que, para ser um bom leitor, é necessário ler muito. É lendo muito que adquirimos a 
experiência para fazer uma leitura fluente e selecionar as informações mais 
importantes do texto (FULGÊNCIO; LIBERATO, 2007). 
 
1.4 O que é leitura de estudo? 
Castello-Pereira (2003, p. 55) destaca que a leitura de estudo 
 
[...] é a leitura em que se faz uma interlocução com o texto [...], é a leitura que 
tem a finalidade de retirar tudo o que dele se possa extrair. Ou seja, é a leitura 
em que se busca não uma informação pontual, mas perceber como o texto se 
organiza, o que discute e como discute. É a leitura do estudo e do trabalho. A 
leitura necessária no dia a dia de quem exerce uma atividade intelectual, 
necessária aosestudantes de um modo geral, mas ESPECIALMENTE 
NECESSÁRIA AOS ALUNOS UNIVERSITÁRIOS (grifo nosso). 
 
Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir 
uma visão global, para que possamos dominar e entender a mensagem que o autor 
pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem reflexão por 
aqueles que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de 
abordagem. Devemos compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos de criar 
condições capazes de permitir a compreensão, a análise, a síntese e a interpretação 
de seu conteúdo. 
 Analisar: decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las. 
 Sintetizar: reconstituir o texto decomposto pela análise. 
 Interpretar: tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas no 
texto, isto é, dialogar com o autor. 
Precisamos ainda, mais detalhadamente, verificar como se pode estudar um 
texto. Para Geraldi (1984), um bom roteiro para estudar um texto é o de: 
 especificar a tese defendida; 
 os argumentos apresentados em favor da tese; 
 os contra-argumentos expostos em teses contrárias; 
 a coerência entre tese e argumentos. 
Sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à 
veracidade e à validade dos argumentos apresentados. Para tanto, é importante 
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observar a “costura” do texto, isto é, como se dá a passagem de um parágrafo para 
outro e como, no interior do parágrafo, se passa de uma afirmação para outra. Pode-se 
ainda analisar os objetivos do autor, que contra-argumentos invalidam seus 
argumentos, ou de outros argumentos confirmam sua posição etc. 
Para avaliar se o texto foi bem compreendido, responda às três questões 
básicas. 
 Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa 
pergunta, o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da 
principal, isto é, aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando o leitor não 
sabe dizer do que o texto está tratando, ou sabe apenas de maneira genérica e 
confusa, é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor 
não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. 
 Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados 
pelo texto, aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. Por isso, 
uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. Não saber 
responder a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. Quais 
são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião exposta? 
Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para 
convencer o leitor de que está falando a verdade. Saber reconhecer os 
argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita, um sinal claro 
de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das ideias. Na verdade, 
compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso 
argumentatório. 
Cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à 
validade dos argumentos apresentados. Para tanto, é importante observar a “costura” 
do texto, isto é, como ocorre a passagem de um parágrafo para outro, e como, no 
interior do parágrafo, se passa de uma afirmação para outra. Pode-se ainda analisar os 
objetivos do autor, que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-
argumentos confirmam sua posição. 
Outra dica interessante para você localizar a informação principal de um 
parágrafo é identificar o tópico frasal. Mas o que é um tópico frasal? Tópico frasal é a 
introdução do tema, é a ideia-chave do parágrafo. É(são) a(s) frase(s) que traduz(em), 
de maneira geral e sucinta, a ideia núcleo do parágrafo. Sua função é delimitar o tema 
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e fixar os objetivos da redação. Ele introduz o assunto e o aspecto desse assunto, a 
ideia central com o potencial de gerar outros períodos, chamados de ideias 
secundárias. O tópico frasal serve para orientar o restante do parágrafo. Segundo 
Faulstich (2001), em geral, o tópico frasal está na primeira frase do parágrafo – ideia 
genérica –, seguido de períodos que o desenvolvem – ideias secundárias. Observe o 
exemplo a seguir. 
 
Enquanto não existe a norma que regulamenta algum direito constitucional, o cidadão 
ou grupo de cidadão poderá utilizar o mandado de injunção para garantir o exercício do 
direito. Funciona assim: se existe um direito constitucional, e autoridade pública se nega a 
respeitá-lo porque não existe uma lei que regulamente, a pessoa prejudicada entra com um 
mandado de injunção perante a Justiça, e a decisão do Juiz, resolvendo aquele caso concreto, 
fica valendo como lei para as partes. 
 
Há parágrafos em que se particularizam as ideias no início do parágrafo, para, 
ao seu final, lançar a ideia principal genérica, como no exemplo exposto na sequência. 
 
O povo não tinha liberdade para decidir sobre o que seria melhor para si, sobre a própria vida. 
Sua liberdade de manifestação do pensamento foi cerceada por medidas de repressão, as leis 
foram-lhe impostas por uma minoria opressora, ficou à mercê de governantes ditadores. Essa 
foi a situação do povo brasileiro durante o período de ditadura militar. 
 
Também há parágrafos em que a ideia principal é implícita ou diluída. Nesse 
caso, após uma leitura atenta do parágrafo, temos de construir a ideia principal, que 
não estaria expressa claramente. Examine o seguinte exemplo. 
 
Na Idade Média, as aulas da Universidade de Paris começavam às cinco horas da manhã. As 
primeiras atividades constavam de palestras ordinárias; eram as mais importantes palestras do 
dia. Após várias palestras regulares, havia pequeno lanche; depois, os estudantes assistiam a 
leituras extraordinárias, dadas à tarde pelos professores menos importantes, os quais 
geralmente tinham de 14 a 15 anos. O estudante gastava 10 ou 12 horas diárias com os 
professores, assistindo às aulas até à tardinha, quando ocorriam eventos esportivos. Depois 
dos esportes, o dia escolar prosseguia: existiam, ainda, as tarefas de copiar, recopiar e 
memorizar notas, até a luz permitir. Havia pouco intervalo no calendário escolar; as férias do 
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Natal eram de aproximadamente três semanas, e as férias de verão, apenas de um mês. 
(Figueredo) 
 
A ideia principal parcial implícita: “o dia escolar medieval exigia muita 
dedicação”. Detalhamento dessa ideia: 
 palestras comuns das cinco horas até o lanche; 
 palestras extraordinárias após o lanche; 
 eventos esportivos à tardinha; e 
 tediosas tarefas até o cair da tarde. 
Com base no esquema das ideias do parágrafo, podemos formular a ideia 
principal: o longo dia escolar da Universidade de Paris, durante a Idade Média, requeria 
muita dedicação dos estudantes. A ideia principal está implícita no parágrafo, basta 
para tal que façamos um esquema das ideias desenvolvidas. 
 
Atividades 
Leia com atenção os parágrafos e grife seus tópicos frasais. Se estiverem 
implícitos, elabore um tópico frasal a partir das informações expostas no parágrafo. 
 
a) Uma das consequências mais visíveis da perda da influência cultural da Igreja é a 
crise de vocações. O número de padres ordenados cai ano a ano, na Europa como na 
América Latina. O Brasil, com um padre para cada10 mil habitantes, é uma das 
maiores vítimas desse esvaziamento. Na Europa, importam-se padres da Ásia e da 
África para ocupar altares vazios. Havia 19.700 padres na Alemanha em 1990. Vinte 
anos depois, o número caiu para 15 mil – dos quais 1.600 estrangeiros. O que se pode 
fazer sobre isso? Cabe agora ao papa Francisco responder a essa pergunta. Sem 
sacerdotes, não há Igreja (Época, n. 773, 18 mar. 2013, p. 77). 
 
b) A Suécia é um primor no que diz respeito à igualdade entre os sexos no trabalho e 
na vida pública. No Parlamento, 45% das cadeiras são ocupadas por mulheres, o maior 
índice internacional de participação feminina e quase o triplo da média europeia. Por 
consenso entre os partidos políticos, elas também estão no comando de metade dos 
ministérios. Um terço dos cargos de confiança no governo é reservado para as 
mulheres. Em nenhum outro lugar da Europa é maior a presença feminina no mercado 
de trabalho e tão alta a média salarial, comparada com a masculina, como na Suécia. 
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Dentro de casa, infelizmente, a história é outra. A violência contra a mulher – incluindo 
aí espancamento doméstico, relações sexuais forçadas e constrangimento psicológico 
– é também uma das maiores da Europa. Nos últimos quinze anos, o número oficial de 
casos de violência contra mulheres na Suécia aumentou 40%. Em 2003, de acordo 
com um relatório da Anistia Internacional, 50% das agressões que chegaram ao 
conhecimento da polícia se referiam a surras aplicadas por marido, namorado e toda 
sorte de ex. Quatro em cada dez suecas, em algum momento da vida, já foram 
agredidas por homens. É o dobro da média europeia e um índice encontrado com 
maior facilidade em países menos desenvolvidos, como o Brasil. Na Europa, só em 
Portugal as mulheres são mais espancadas que as suecas. De acordo com 
estatísticas, metade das portuguesas já foi surrada pelo menos uma vez na vida. Na 
Holanda essa proporção é de 20% e na Espanha, de 11%. Na Inglaterra, onde a 
orientação policial é tratar com rigor os suspeitos de espancamento doméstico, o índice 
de violência no lar caiu 50% desde o início dos anos 90 (Veja, ed. 1902, 27 abr. 2005, 
p. 70). 
 
c) Em uma briga entre lagarto e jararaca, a cobra leva a melhor. A picada dela o deixa 
fraco, perto da morte. Mas ele é esperto: foge da briga e corre atrás de remédio. 
Mastiga umas folhas e dias depois fica forte novamente. O índio, na espreita, 
acompanha todo o processo. Se alguém for picado por uma jararaca, ele corre em 
busca da mesma planta mastigada pelo lagarto. Primeiro, testa o remédio. Se der 
certo, a planta entra na lista de medicações daquela aldeia. Foi assim que, ao verem 
animais machucados roçando em uma árvore, os índios descobriram o poder 
cicatrizante do óleo de uma árvore chamada copaíba, por exemplo (Superinteressante, 
ed. 313, mar. 2013, p. 71-72). 
 
A partir dos exemplos analisados e das atividades, você deve ter notado que não 
há uma regra para identificação do tópico frasal. O importante é que você leia e analise 
o parágrafo com atenção, verifique em torno de que período(s) as informações são 
desenvolvidas. 
Na leitura de estudo, precisamos ficar atentos também na intertextualidade, 
assunto do próximo tópico. 
 
 
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1.5 Intertextualidade 
É o diálogo entre texto. Ocorre quando um texto retoma uma parte ou a 
totalidade de outro texto – o texto fonte. Geralmente, os textos fontes são aqueles 
considerados fundamentais em uma determinada cultura, como podemos notar no 
anúncio publicitário da Chevrolet. 
 
 
No exemplo, percebemos que a propaganda buscou inspiração no texto bíblico 
"Do pó vieste e ao pó voltarás". 
 
Atividades 
Leia os textos para responder às questões 1 e 2. 
 
Texto 1 
FEMINICÍDIO: uma lei necessária? 
2/4/2015 por Valéria Diez Scarance Fernandes 
A história do nosso país revela que as mulheres morrem a todo momento nas mãos dos 
parceiros. Mulheres de todas as idades, classes sociais e níveis de instrução são assassinadas 
porque homens não aceitam receber o “não” da parceira. Não toleram o “não” às suas mínimas 
ordens, ao seu desejo sexual ou ao término do relacionamento. Por isso, matam. 
Mas existe razão para uma lei de feminicídio? Nossas leis não são suficientes? A maior 
incidência de mortes no recinto do lar é de mulheres: 92,1 mil assassinatos entre 1980 e 2010 
(Mapa da Violência 2012: homicídio de mulheres no Brasil), 472 por mês, 15,52 por dia ou 1 a 
cada 90 minutos (Pesquisa do IPEA Violência contra a Mulher). Apesar disso, nunca houve 
norma específica para tratar do assassinado de mulheres no Brasil, nem mesmo a Lei Maria da 
Penha tratou desse grave crime. 
Lentamente a legislação evolui e, quando nasce a nova lei, gestada após inúmeras e 
infindáveis discussões, muitos aplicadores resistem às mudanças e preferem modelos já 
consolidados em seu dia a dia. Estão engessados por um argumento de autoridade, traduzido 
nas sábias palavras do Presidente do Tribunal de Justiça, José Renato Nalini: “é assim porque 
sempre foi assim e cada um acha que está fazendo o máximo que pode. Esse é o argumento 
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de autoridade” (Conferência de Abertura do Curso Psicologia Judiciária, COGEAE-PUC/SP, 
24.03.2015). 
Essa resistência ao novo também ocorreu na proteção sexual da mulher. Pela 
legislação vigente até esta década, o crime de estupro tinha como bem jurídico tutelado a 
honra e não a dignidade sexual da vítima. É fato que, no Código Criminal do Império, de 
1830, estuprar significava praticar um crime contra a “segurança da honra”, tal como a calúnia 
e a injúria. Anos mais tarde, no Código de 1890, o estupro configurava crime contra a 
“segurança da honra e honestidade das famílias” e, em 1940, crime contra “os costumes”. Até o 
advento da Lei 11.106/2005, o casamento do autor do estupro com a vítima acarretava a 
extinção da punibilidade do agente. Essa era a mentalidade que reinava na época. Em 
1969, Magalhães Noronha dizia que o marido tinha direito a ter relação sexual com a esposa, 
que não poderia se negar “por mero capricho”: “As relações sexuais são pertinentes à vida 
conjugal, constituindo direito e dever recíprocos dos que casaram. O marido tem direito à posse 
sexual da mulher, ao qual ela não se pode opor”. 
E os crimes passionais? Por muitos anos, nossa legislação autorizou ou indiretamente 
permitiu o assassinato para a defesa da honra. Nas Ordenações do Reino, legislação vigente 
até 1832, havia autorização expressa para o marido matar a esposa adúltera (Título XXXVIII). 
Anos mais tarde, embora formalmente abolida essa norma, o Código de 1890 criou a isenção 
de pena para o agente privado de sentimentos e inteligência no momento do crime (art. 27, § 
4º), quando era entregue à família ou recolhido em hospitais, se o estado mental assim o 
exigisse (art. 29). As absolvições por legítima defesa da honra eram constantes até a década 
de 1970. 
[...] 
A resistência ao novo por parte de aplicadores não pode fazer cair por terra uma lei que 
sequer chegou a firmar suas raízes. Trata-se de uma lei necessária, pois: 
 a maior incidência de mortes no lar é de mulheres; 
 a repetição da violência reduz a capacidade de resistência – física e psicológica – da 
vítima. O feminicídio – diversamente de uma “briga de bar” – é o resultado final de uma 
história de violência e submissão; 
 pelo sistema antigo,havia denúncias por homicídio simples ou mesmo desclassificação 
para crimes menos graves – ante a retratação da vítima sobrevivente na fase de “lua de 
mel”; 
 o agressor tem um padrão incorporado de violência e pode matar ou colocar em risco 
outras mulheres; 
 com a alteração, o feminicídio passa a ser crime hediondo. 
A Lei nº 13.104/2015, com vigência a partir do dia 10 de março, modificou o Código 
Penal e inseriu uma qualificadora do homicídio, chamada de “feminicído”, quando o crime é 
praticado “contra a mulher por razões da condição de sexo feminino”. A expressão “por razões 
de gênero”, constante do projeto inicial, foi substituída. Apesar disso, foi mantido o conceito de 
gênero: crime praticado contra a mulher, pelo fato de ser mulher. 
[...] 
Nesse momento inicial, a lei de feminicídio tem gerado controvérsias – inclusive quanto 
à sua necessidade. Seus opositores, em regra não familiarizados com a violência de gênero, 
negam-se a ver o caminho de morte que está sendo trilhado por inúmeras mulheres brasileiras. 
Tivessem imperado os ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade na nossa 
sociedade e não haveria necessidade de uma lei de feminicídio: liberdade de escolha (também 
afetiva), igualdade de oportunidades e fraternidade como humanidade para as mulheres. Se 
assim fosse, mulheres não morreriam. Mas é certo que os “Direitos da Mulher e da Cidadã” 
proclamados por Olympe de Gouges na Revolução Francesa tiveram o mesmo destino de sua 
autora: execução em praça pública. E agora: por que querem matar uma lei que pode salvar 
mulheres? (Disponível em: <http://cartaforense.com.br/conteudo/artigos/feminicidio-uma-lei-
necessaria/15183>. Acesso em: 18 nov. 2015) 
 
 
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Texto 2 
A LEI DO FEMINICÍDIO 
Marcelo Jugend 
Desde semana passada passou a fazer parte do vocabulário nacional o termo 
feminicídio, ou seja, o assassinato de uma mulher por razão de seu gênero ou por violência 
doméstica. No dia 9 foi sancionado projeto de lei que modifica o Código Penal para aumentar 
as penas de prisão para esse tipo de delito. 
O tema é sensível. 15 mulheres são assassinadas por dia, no Brasil, em média. Esse 
dado, sozinho, já é aterrorizante. Mas nem é o pior. O pior é que cerca de 42% delas são 
mortas por seus maridos ou companheiros. Então, cerca de 2,3 mil mulheres são vítimas fatais 
de violência doméstica todos os anos em nosso país. Muito embora esses sejam números 
assustadores, o fenômeno em si não é privilégio brasileiro. No mundo inteiro homens agridem 
suas parceiras, pelos mais variados motivos – ou sem motivo algum – com maior ou menor 
frequência e violência. 
Não sou sociólogo, antropólogo ou psicólogo para me atrever a tentar explicar com 
alguma profundidade as razões desse fato. Por isso, limito-me ao lugar comum: a cultura 
machista que em grande parte ainda domina a humanidade e a força da dominação econômica 
à qual homens provedores do lar ainda submetem muitas mulheres que não atingiram a 
autossuficiência ou a autonomia são dois fatores essenciais à sua gênese. Também o álcool 
desempenha papel não desprezível. 
O que não se discute, porém, é a circunstância de que, quaisquer que sejam os fatores 
que o constroem, trata-se de fenômeno que envolve, e muito, a violência. E que necessita, 
portanto, de uma resposta social capaz de inibi-lo com a maior eficácia possível. Daí o debate 
ora em evidência. 
A opção do governo, aumentando as penas para os agressores, vem com endossos 
respeitáveis. É fruto de amplo debate travado por instituições seriamente comprometidas com a 
democracia, os direitos humanos e os padrões civilizatórios. Deveria, portanto, ser consensual 
entre tantos quantos, como o signatário, se pautam pelos mesmos valores e paradigmas. 
Contudo, não é assim tão simples. 
Desta modesta trincheira, tenho defendido com denodo a posição de que aumentar 
penas, endurecer castigos, flagelar criminosos não produz, enquanto medida isolada, qualquer 
impacto significativo nos índices de cometimento dos crimes correspondentes. Está provado 
que isso, por si só, não inibe o perpetrador de agir. Em princípio, não vejo razão pela qual 
neste caso seria diferente. 
É evidente que as causas últimas deste tipo de crime não possuem relação alguma com 
aquele conjunto de injustiças sociais que sabidamente constituem o caldo de cultura da 
violência urbana mais geral, aquela que recheia diariamente os noticiários com atentados 
contra o patrimônio, as pessoas e a própria vida. Estes têm como agentes, na sua grande 
maioria, jovens privados dos mais elementares direitos de cidadania, que se veem empurrados 
para a marginalidade como única e última saída em busca de alguma melhora de vida. Quase 
sempre pelo caminho das drogas ilícitas. 
Mas não aqueles. A eles essa forte condicionante não se aplica. Até porque não 
escolhe classe social ou nível de instrução. Seu ato é de pura, simples e abjeta covardia. Fruto 
de um livre arbítrio muitas vezes distorcido, seja pela cultura, seja pelo álcool, seja por um 
deformado sentimento de posse sobre o(a) outro(a). Merecem, portanto, sem a menor dúvida, 
reprovação social muito maior. 
Nem por tudo isso, entretanto, parece-me, se intimidarão com a ameaça de resposta 
penal mais severa. Vai ser preciso que a sociedade continue debatendo em busca de outras 
alternativas para atacar esse mal, nas causas e nas consequências. (Disponível em: 
<http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/a-lei-do-feminicidio-
4bc2z3mht6akgv9crapab7fu4>. Acesso em: 12 nov. 2015) 
 
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1. Releia os textos para responder às questões a seguir. 
a) Os dois autores têm a mesma opinião a respeito da Lei do Feminicídio? Comente sua resposta. 
b) Quais são os principais argumentos expostos por cada um dos autores para 
defender sua tese. 
 
2. O que você pensa a respeito da Lei do Feminicídio? Produza um texto expondo seu ponto 
de vista e defenda-o com argumentos pertinentes. 
 
3. Analise a imagem a seguir, explique como se dá a intertextualidade e como ela 
contribuiu para a divulgação do produto. 
 
 
4. Leia a tirinha com atenção. 
 
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A partir da leitura da tirinha de Quino, é possível afirmar que 
a) o pai, ao sair, se dirige a Mafalda e deseja “melhoras para o mundo” ao perceber 
que a filha está triste, porque o globo terrestre que ela utiliza na escola está 
quebrado. 
b) o pai de Mafalda, no início, não leva a sério o que a garota afirma, porque ela 
tem costume de brincar com o globo terrestre e inventar inúmeras histórias. 
c) o pai de Mafalda ri da filha, inicialmente, porque não consegue perceber que a 
menina utiliza o globo terrestre como metáfora dos problemas sociais existentes 
no mundo. 
d) os colegas de trabalho se surpreendem com o pai de Mafalda, porque ele teve 
medo de ser assaltado por uma criança no caminho para o escritório. 
e) essa tirinha de Quino, quanto ao gênero, é narrativo e apresenta tipo textual 
injuntivo. 
 
Leia com atenção o texto a seguir para responder às questões 5 e 6. 
 
O galo que logrou a raposa 
Monteiro Lobato 
 
Um velho galo matreiro, percebendo a aproximação da raposa, empoleirou-se numa árvore. 
A raposa, desapontada, murmurou consigo: 
"Deixe estar, seu malandro, que já te curo..." 
Em voz alta: 
- Amigo, venho contar uma grande novidade: acabou-se a guerra entre os animais. 
Lobo e cordeiro, gavião e pinto, onça e veado, raposae galinhas, todos os bichos andam agora 
aos beijos, como namorados. 
Desça desse poleiro e venha receber o meu abraço de paz e amor. 
- Muito bem! - exclama o galo. - Não imagina como tal notícia me alegra! 
Que beleza vai ficar o mundo, limpo de guerras, crueldade e traições! 
Vou já descer para abraçar a amiga raposa, mas... Como lá vêm vindo três cachorros, acho 
bom esperá-los, para que também eles tomem parte na confraternização. 
Ao ouvir falar em cachorro Dona Raposa não quis saber de história, e tratou de pôr-se ao 
fresco, dizendo: 
- Infelizmente, amigo, tenho pressa e não posso esperar pelos amigos cães. 
Fica para a outra vez a festa, sim? Até logo. 
E raspou-se. 
Contra esperteza, esperteza e meia. 
 
5. Em relação ao conteúdo da fábula, o que não podemos afirmar? 
a) Ao perceber que uma raposa se aproximava, o galo esperto subiu em uma árvore. 
b) Para fazer o galo descer da árvore, a raposa disse que a guerra entre os animais 
tinha acabado. 
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c) Para convencer o galo a descer, a raposa disse que os grandes inimigos entre os 
animais viviam como namorados. 
d) O galo acreditou na história da raposa e quis que ela fizesse amizade com os 
cachorros. 
e) A raposa inventou uma desculpa e foi embora com medo dos cachorros. 
 
6. O que significa “contra esperteza, esperteza e meia”? 
a) A raposa queria ser esperta para comer o galo, mas o galo foi mais esperto e 
enganou a raposa e conseguiu fugir da morte. 
b) A raposa foi muita esperta ao inventar que os grandes inimigos da floresta se 
tornaram bons amigos. 
c) A raposa conseguiu seu objetivo com a mentira que inventou. 
d) A raposa só não comeu o galo porque tinha medo dos cachorros que chegaram para 
atrapalhar seus planos. 
e) O galo confiou nas palavras da raposa e pensou que seriam grandes amigos. 
 
7. Analise a charge com atenção. 
 
Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=charges+olimpiadas+2016&rlz=>. Acesso em: 13 fev. 2016. 
As charges utilizam os recursos do desenho e do humor para tecer algum tipo de crítica 
a diversas situações do cotidiano. A partir da charge de Dum, avalie as seguintes 
asserções e a relação proposta entre elas. 
I. A expressão da rainha da Inglaterra apresenta entusiasmo por causa da realização 
das Olimpíadas no Brasil. 
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PORQUE 
II. A expressão da presidente do Brasil sugere que pontualidade britânica será modelo 
para a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil. 
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. 
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. 
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. 
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. 
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. 
e) As asserções I e II são proposições falsas. 
 
1.6 Leitura de estudo: estratégias 
Segundo Brito (apud CASTELLO-PEREIRA, 2003), para estudar um texto, 
podemos usar algumas estratégias, como sublinha, anotações de margem no texto, 
marcas diversas que orientam a leitura, fichamento, resumo, esquema. 
Examinaremos alguns desses recursos mais detalhadamente. 
 
1.6.1 A técnica de sublinhar 
Ao sublinhar um texto, considere o que Castello-Pereira (2003, p. 57-58) 
evidencia em relação a essa estratégia de estudo: 
Sublinhar um texto é destacar as ideias principais, para tanto é importante ter 
a percepção do conteúdo do texto. “Sua finalidade é destacar elementos que 
servirão de orientação para consulta futura; por isso, tem de ser objetivo e 
restringir a palavras ou frases” (BRITO, 2001). Como é necessário encontrar 
as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto, é uma estratégia que 
monitora a compreensão. Permite que se faça um mapeamento do texto, 
destacando partes ou subdivisões, tese, principais argumentos, 
contraposições, definições etc. Para isso, é importante perceber como o autor 
desenvolveu o texto. Essa marcação, além de ajudar na compreensão do texto, 
auxilia na concentração na hora da leitura, pois, com um objetivo, uma tarefa a 
realizar, uma ação concreta, se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura 
e na compreensão das ideias. Além disso, possibilita voltar ao texto lido, num 
outro momento, quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar 
uma posição ou relembrar o lido ou, por qualquer outro motivo, fazer uma 
retomada do texto (grifos nossos). 
 
A autora destaca que, ao estudar um texto, devemos sublinhar apenas as 
ideias principais (apenas palavras-chave ou frases). A finalidade dessa estratégia é: 
 orientar uma consulta futura; 
 mapear as informações principais do texto (tese, principais argumentos, 
contraposições, definições etc.); 
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 ajudar na compreensão do texto e na concentração. 
Sugerimos que, ao utilizar a técnica de sublinhar, realize os seguintes passos: 
 leia integralmente o texto, para ver do que trata e como o conteúdo é 
apresentado; 
esclareça dúvidas de vocabulário e termos técnicos; 
 releia o texto para identificação das ideias principais; 
 grife, em cada parágrafo, as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes 
importantes; 
 assinale com uma linha vertical, à margem do texto, os tópicos mais 
importantes; 
 assinale, à margem do texto, com um ponto de interrogação ou outro sinal, os 
casos de discordâncias, as passagens obscuras, os argumentos discutíveis; 
 leia o que foi grifado para verificar se há sentido; 
 reconstrua o texto, tomando as palavras grifadas como base. 
Ao estudar um texto, sublinhe apenas o estritamente necessário, evite o 
acúmulo de anotações que, em vez de facilitar o trabalho, poderá dificultar e gerar 
confusão. 
 
Atividade 
Leia com atenção o texto, analise-o e grife as informações principais. 
As reuniões periódicas de avaliação do progresso são instrumento fundamental de 
planejamento e controle da equipe. Como o próprio nome sugere, o objetivo é avaliar o 
andamento de uma atividade ou projeto, ou mesmo o estado geral das tarefas de uma 
equipe, sob o ponto de vista técnico e administrativo, e tomar as decisões necessárias a seu 
controle. Uma reunião destas também serve para reavaliar em que pé estão as decisões 
tomadas na reunião anterior, e pode começar com uma apresentação feita pelo líder, sobre 
a situação geral das coisas. Em seguida, cada um dos membros pode fazer um relato das 
atividades sob sua responsabilidade. Depois disso, repete-se o processo para o período que 
vai até a reunião seguinte, especificando-se então quais são os planos e medidas corretivas 
a ser postas em prática nesse período. Dada essa sua característica de estar orientada para 
uma finalidade muito particular, uma reunião desse tipo tende a ser, quando bem 
administrada, extremamente objetiva e de curta duração. 
 
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Você deve ter notado que sublinhamos apenas palavras-chave ou parte de 
frases e o que está grifado faz sentido, já que podemos reconstruir o texto tomando 
os trechos grifados como base. Releia o que está grifado para verificar se realmente 
as informações destacadas fazem sentido e se sintetizam as ideias que embasam o 
texto. Asinformações sublinhadas servem para mapearmos as informações principais 
do texto e, consequentemente, fazermos uma consulta futura sem a necessidade de 
reler o texto todo. Portanto, pratique essa estratégia e verá que ela é bastante útil 
ao seu estudo. 
Até aqui você deve ter percebido que fazer leitura de estudo é bastante 
diferente de ler um romance, uma revista ou um jornal, já que estudar um texto é 
bem mais trabalhoso. Mas é assim que conseguiremos memorizar os conteúdos e 
ampliar nosso conhecimento na área em que estamos nos especializando. 
 
1.6.2 Elaboração de esquemas 
Ao elaborar um esquema, lembre-se das seguintes palavras de Castello Pereira 
(2003, p. 58): 
 
O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos sequenciais ou 
arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e 
rápida” (BRITO, 2001). É uma atividade que pode ajudar na seleção e na 
organização das informações mais importantes. “O esquema é um texto que 
corresponde, grosso modo, a uma radiografia do texto, pois nele aparece 
apenas o ‘esqueleto’, ou seja, as ‘palavras-chave’, sem necessidade de 
apresentar frases redigidas”. Utilizam-se normalmente de colchetes, chaves, 
setas e outros símbolos (ANDRADE, 1997) que possam ajudar na organização 
e visualização das ideias. É um texto que auxilia na leitura, fundamental para 
desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social, estudo e 
trabalho (grifos nossos). 
 
 A autora expõe que, na elaboração do esquema, devemos selecionar e 
organizar as informações mais importantes, apenas palavras-chave (“esqueleto” do 
texto) para que, ao final, tenhamos a visualização global e rápida, a radiografia do 
texto. Para isso, podemos usar chaves, flechas, retângulos, subdivisão numérica, como 
podemos visualizar na sequência. 
 
 
 
 
 
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Esquema: chaves 
 
 
Esquema: retângulos 
 
 
Esquema: flechas 
 
Esquema: retângulos 
 
 
 
 
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Esquema: subdivisão numérica 
 
 
Segundo Galliano (1989), o esquema deve ser disposto em uma sequência 
lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo do texto e que, 
mediante divisões e subdivisões, represente sua hierarquia. Assim, para a elaboração 
do esquema, é necessário compreender bem as relações existentes entre as diversas 
partes do texto, captar os conteúdos principais e refletir melhor sobre o texto. Depois 
de elaborado, o esquema possibilita uma rápida recordação da leitura em consultas 
futuras. 
 
Atividade 
Elabore um esquema do texto grifado na atividade anterior. 
 
1.6.3 Como parafrasear textos 
Paráfrase é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma 
e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico. Para tanto, é necessária uma boa 
compreensão adequada do texto. Consiste no desenvolvimento explicativo (ou 
interpretativo) de um texto. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria 
língua, em que se diz, de maneira mais clara, num texto B, o que contém um texto A 
(GARCIA, 2006). Na paráfrase, ocorre uma transformação da parte formal do texto, 
vocabulário e estrutura da frase, sem, no entanto, haver modificações das ideias ou 
acréscimo de informações. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. 
Leia com atenção o texto exposto a seguir. 
 
A armadilha do PET 
Norbert Suchanek 
 
Foi na última semana, quando uma amiga me enviou uma foto de seu quintal de 
permacultura e com orgulho ela escreveu: "Olha estou reciclando garrafas de PET, utilizando 
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no viveiro para as minhas plantinhas". A minha amiga se acha ecologicamente correta e 
consciente, mas sem querer ela entrou na armadilha da grande indústria do plástico e do 
petróleo. 
Por anos, incontáveis workshops de reciclagem ensinaram a brasileiros, criancinhas, 
adultos, idosos, donas de casa, comunidades carentes e povos indígenas a maravilha de 
“reciclar” garrafas PET. As garrafas de PET usadas passam, então, a servir para várias coisas. 
Vasos para plantas, brinquedos, bijuterias, árvores de Natal, móveis ou qualquer coisa 
inimaginável. Paralelo a isso, foi criado um mercado de roupas com malha PET, identificada 
como ecologicamente correta. Camisas caríssimas, porque salvam o Planeta, diz a 
propaganda. 
Uma mentira que só virou verdade nesta sociedade do século 21, porque foi repetida 
milhares vezes. A realidade é esta: o uso de uma garrafa PET velha no seu quintal ou em 
forma de roupa, ou como um “telhado verde” não é reciclagem e nem preserva o meio 
ambiente. Reciclagem é quando uma garrafa PET velha vira uma garrafa PET nova, como é 
feito com as garrafas de vidro. Só assim o uso da matéria-prima, o petróleo e o gasto de 
energia estarão reduzidos. Mas o que acontece com a PET, na realidade, é o contrário disso. A 
garrafa PET na prática mundial não vira uma nova garrafa PET. A garrafa velha vira outro 
produto, um processo que internacionalmente recebeu o nome “Downcycling”. 
Ao contrário do vidro, a PET não pode ser reutilizada na linha de produção original, e o 
seu processo de reciclagem de verdade é ainda caro e complicado. Por isso a indústria de 
embalagens prefere utilizar matéria-prima para seus produtos e inventou a propaganda da 
PET-Recicling. 
Novos mercados para o lixo de PET foram criados que de fato estão estimulando a 
produção de novas garrafas PET à base da matéria-prima petróleo. Por exemplo, o novo 
mercado de Eco-Camisas, Eco-Bolsas ou Eco-mochilas de PET, precisa de produção de novas 
garrafas de PET à base da matéria-prima. E isso é um ato contra a sustentabilidade, contra o 
meio ambiente e contra a nossa saúde. 
Pior: ao contrário das fadas da propaganda da indústria química, a produção de PET 
nem é fácil ou limpa. Além do uso de petróleo, também várias substâncias tóxicas são 
necessárias ou são criadas durante o processo. Por exemplo, a indústria está usando trióxido 
de antimônio no processo de fazer PET. Mas antimônio é um metal pesado venenoso e pode 
criar câncer. “A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o trióxido de 
antimônio no Grupo 2B – possivelmente carcinogênico para o ser humano.” 
A substância orgânica Bisfenol-A (BPA) é outro grande vilão na produção de garrafas de 
plástico e de outras embalagens. Essa substância de fórmula (CH3)2C(C6H4OH)2 é um 
estrogênio sintético e pode causar câncer e infertilidade. Já foi provado há anos que o Bisfenol-
A pode contaminar os líquidos dentro das garrafas de PET ou de outros plásticos. 
Quem compra garrafas de PET e as usam no seu quintal como um viveiro ou quem cria 
um sofá de PET ou bijuterias também está responsável pela continuidade do uso do petróleo, 
pela mineração de antimônio e seus efeitos danificadores e pela contaminação do meio 
ambiente com substâncias tóxicas e cancerígenas. O mundo não precisa de garrafas, camisas 
ou viveiros de PET. Vidro é o melhor material para guardar qualquer bebida, inclusive a água. 
As garrafas de vidro podem ser reutilizadas centenas de vezes. E o material de vidro pode ser 
reciclado sem fim. O próprio vidro é a melhor matéria-prima para fazer vidro. (Disponível em: 
<http://www.diarioliberdade.org/opiniom/opiniom-propia/45420-a-armadilha-do-
pet.html#.UuD7qM3mYb4.facebook>. Acesso em: 30 jan. 2014.) 
 
Depois de reler e compreender o texto, podemos elaborar a paráfrase. Leia, a seguir,uma sugestão de paráfrase do texto em análise. 
 
 
 
 
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O PLANETA RESPIRA MELHOR SEM GARRAFAS PET 
 
No texto A armadilha do pet, ao constatar que os brasileiros reutilizam garrafas pet 
como se as reciclassem, Norbert Suchanek rechaça, então, a reutilização do pet e defende o 
vidro como material adequado para embalagens. 
A partir de um exemplo rotineiro, o autor critica as pessoas que se consideram 
ecologicamente corretas ao reutilizarem garrafas pet em distintas situações ou na produção de 
outros objetos. O mercado da reutilização, inclusive, por vender a ideia de proteção ao planeta, 
cobra preços altíssimos e beneficia, geralmente, pessoas que apenas visam ao lucro. 
Norbert afirma que foi a própria indústria de plástico, aliada à mídia, a maior 
responsável por divulgar a moda da reutilização de tais garrafas como se fosse reciclagem. E 
muitas pessoas foram enganadas com o discurso publicitário, que, em nome da preservação 
ambiental, incentivou a produção de novas garrafas. Suchanek esclarece que não ocorre 
reciclagem com essa embalagem, pois ela não se transforma em nova garrafa. Acontece 
somente a reutilização do plástico em outros produtos, como camisetas e bolsas, por exemplo, 
ou ainda em vasos de plantas cujos recipientes vão, no fim, para o lixo mesmo. O autor afirma, 
ainda, que as indústrias, que pensam apenas no lucro, não encaram a reciclagem do pet 
porque reciclar é muito caro. 
Assim, por mais esforços que façam, os cidadãos não conseguem reduzir a utilização 
de petróleo, que é recurso não renovável, nem de substâncias extremamente prejudiciais à 
saúde do ser humano na fabricação de novas garrafas. E isso é mais preocupante do que se 
imagina, de acordo com o autor. 
Norbert insiste que as pessoas que utilizam garrafas pet, seja como consumidoras ou 
como defensoras do meio ambiente, são responsáveis pelo aumento desses recipientes no 
planeta. Ao concluir, ele opta pelo vidro, uma vez que esse material pode ser reciclado e, 
assim, contribuir na redução dos impactos ambientais. 
As garrafas pet constituem um grave problema em termos do aumento de lixo no Brasil. 
Cabe, portanto, ao governo brasileiro, por meio de distintos ministérios, como, por exemplo, do 
meio ambiente, exigir que as indústrias tratem os recipientes de pet com atenção e 
responsabilidade ambiental ao reciclá-los. E também o consumidor deve fazer sua parte ao 
diminuir o consumo de refrigerante a fim de proteger o planeta, que é lugar de todos. 
 
Neste capítulo, você viu que a leitura é algo imprescindível ao universitário, que 
estudará muitos textos. Para fazer a leitura de estudo, podemos utilizar algumas 
estratégias, como localizar o tópico frasal, sublinhar, esquematizar e parafrasear as 
informações principais. Essas estratégias nos auxiliam nos estudos, pois são formas 
que nos conduzem à compreensão mais profunda das principais informações e à sua 
memorização. Portanto, não deixe de praticá-las, pois só assim você se tornará um 
leitor eficiente (lembre-se de que só aprendemos a ler lendo!). Bons estudos! 
 
Atividades 
1. Leia com atenção o capítulo retirado do livro A arte de argumentar, de Antônio 
Suárez de Abreu, grife as informações principais, depois as esquematize e elabore 
uma paráfrase. 
 
 
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CONDIÇÕES DA ARGUENTAÇÃO 
 
A primeira condição da argumentação é ter definida uma tese e saber para que tipo de 
problema essa tese é resposta. Se queremos vender um produto, nossa tese é o próprio 
produto. Mas isso não basta. É preciso saber qual a necessidade que o produto vai satisfazer. 
Um bom vendedor é alguém capaz de identificar necessidades e satisfazê-las. Um bom 
vendedor de carros saberá vender um automóvel de passeio a um cliente que se locomove 
apenas no asfalto e um utilitário àquele que tem de enfrentar estradas de terra. 
No plano das ideias, as teses são as próprias ideias, mas é preciso saber quais as 
perguntas que estão em sua origem. Se eu quero vender a ideia de que é preciso sempre 
poupar um pouco de dinheiro, eu tenho de saber que a pergunta básica é: — O que eu faço 
com o dinheiro que recebo? Muitas pessoas se queixam de que, nas reuniões da empresa, 
suas boas ideias nunca são levadas em consideração. O que essas pessoas não percebem é 
que essas ideias são respostas a perguntas que elas fizeram a si mesmas, dentro de suas 
cabeças. Ora, de nada adianta lançar uma ideia para um grupo que não conhece a pergunta. É 
preciso primeiro fazer a pergunta ao grupo. Quando todos estiverem procurando uma solução, 
aí sim, é o momento de lançar a ideia, como se lança uma semente em um campo previamente 
adubado. 
A segunda condição da argumentação é ter uma “linguagem comum” com o auditório. 
Somos nós que temos de nos adaptar às condições intelectuais e sociais daqueles que nos 
ouvem, e não o contrário. Temos de ter um especial cuidado para não usar termos de 
informática para quem não é da área de informática, ou de engenharia, para quem não é da 
área de engenharia e assim por diante. 
Durante a campanha para a prefeitura de São Paulo, em 1985, Jânio Quadros contou 
com o apoio do deputado e ex-ministro Delfim Neto. Durante um comício para moradores de 
um bairro de periferia, Delfim terminou sua fala dizendo: “- A grande causa do processo 
inflacionário é o déficit orçamentário”. Logo depois, Jânio chamou Delfim de lado e disse: “-
Delfim, olhe para a cara daquele sujeito ali. O que você acha que ele entendeu do seu 
discurso? Ele não sabe o que é processo. Não sabe o que é inflacionário. Não sabe o que é 
déficit. E não tem a menor ideia do que é orçamentário. Da próxima vez, diga assim: - A causa 
da carestia é a roubalheira do governo”. 
Em um processo argumentativo, nós somos os únicos responsáveis pela clareza de 
tudo aquilo que dissermos. Se houver alguma falha de comunicação, a culpa é exclusivamente 
nossa! 
A terceira condição da argumentação é ter um contato positivo com o auditório, com o 
outro. Estamos falando outra vez de gerenciamento de relação. Nunca diga, por exemplo, que 
vai usar cinco minutos de alguém, se vai precisar de vinte minutos. É preferível, nesse caso, 
dizer que vai usar meia hora. Muitas vezes, há necessidade de respeitar hierarquias e 
agendas. Faça isso com sinceridade e bom humor. 
Outra fonte de contato positivo com o outro é saber ouvi-lo. Noventa e nove por cento 
das pessoas não sabem ouvir. A maior parte de nós tem a tendência de falar o tempo todo. É 
preciso desenvolver a capacidade da audiência empática. PATHOS, em grego, além de 
enfermidade, significa SENTIMENTO. EM, preposição, significa DENTRO DE. Ouvir com 
empatia quer dizer, pois, ouvir dentro do sentimento do outro. 
As palavras são escolhidas inconscientemente. É preciso prestar atenção a elas. É 
preciso prestar atenção também ao som da voz do outro! É por meio da voz que expressamos 
alegria, desespero, tristeza, medo ou raiva. Às vezes, a maneira como uma pessoa usa sua 
voz nos dá muito mais informações sobre ela do que o sentido lógico daquilo que diz. Devemos 
também aprender a “ouvir” com nossos olhos! A postura corporal do outro, suas expressões 
faciais, a maneira como anda, como gesticula e até mesmo a maneira como se veste nos dão 
informações preciosas. O poeta e semioticista Décio Pignatari costuma dizer que o homem 
precisa aprender a “OUVIVER”, verbo que ele inventou a partir de OUVIR, VER e VIVER. 
Finalmente, a quarta condição e a mais importante delas: agir de forma ética. Isso quer 
dizer que devemos argumentar com o outro, de forma honesta e transparente. Caso contrário,argumentação fica sendo sinônimo de manipulação. O fato de agirmos com honestidade nos 
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confere uma característica importante em um processo argumentativo: a credibilidade. Para ter 
credibilidade é preciso apenas comportar-se de modo verdadeiro, sem medo de revelar 
propósitos e emoções. Assim como as pessoas possuem ”detectores inconscientes” de 
interesse sexual em relação ao sexo oposto, capazes de decodificar posturas corporais, 
expressões faciais e tom de voz, elas também possuem ”detectores de credibilidade” em 
relação ao outro. Para ter credibilidade, basta procurar a criança que existe dentro de nós. As 
crianças não dizem aquilo em que não acreditam e não fingem o que não sentem. Se estão 
tristes, seus rostos refletem nitidamente a tristeza. Se estão alegres, refletem essa alegria. Ao 
longo da vida, nós, adultos, é que desaprendemos a espontaneidade, depois que outros 
adultos nos ensinaram a separar nossa inteligência de nossas emoções. (ABREU, A. S. Arte de 
argumentar: gerenciando razão e emoção. 9. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2006.) 
 
Leia o texto para responder às questões 2 e 3. 
 
O que é... ser mulher 
Max Gehringer 
Alguém que sabe resolver problemas melhor que nós, homens! Calma, este não é um 
tratado sobre razão e emoção. Nem uma guerra de testosterona versus estrógeno, ou estresse 
contra TPM. Biologia e fisiologia à parte, existe algo que eu venho, há anos, constatando 
no mercado de trabalho, e que cada dia me parece mais óbvio: homens são ótimos para 
encontrar explicações e mulheres são ótimas para resolver problemas. 
Antes que possa parecer o contrário, as duas coisas são positivas. Desde tempos 
imemoriais, a classe feminina sempre se encarregou daquelas tarefas muito nobres, mas 
pouco reconhecidas, como proteger os filhos, cuidar das plantações e garantir a continuidade 
da vida doméstica. 
Ao assumir essas funções vitais, as mulheres deram aos homens um bem de 
inestimável valor: tempo. Aí, os homens usaram esse tempo ou, pelo menos, parte dele, para 
procurar explicações para os mistérios da natureza. E foi dessas explicações que derivaram 
todas as ciências e todas as grandes descobertas da humanidade. 
Quando as empresas surgiram, os homens, que tinham mais tempo livre, assumiram o 
comando dos negócios. E, além do inegável progresso, legaram para a posteridade algumas 
heranças puramente masculinas: a burocracia (artimanha para retardar uma decisão), a 
delegação (arte de deixar que alguém resolva) e as reuniões (a busca da cumplicidade). Até 
que o século XX chegou e, com ele a globalização e a necessidade de mudanças cada vez 
mais rápidas. Num mundo assim, onde cada segundo passou a ser vital, resolver 
problemas/pendências rapidamente e, acima de tudo, corretamente, tornou-se a prioridade 
número 1 das empresas. E isso beneficiou a mulher. É claro que homens também resolvem e 
mulheres também explicam, mas, historicamente, isso sempre ocorreu mais por uma questão 
de adaptação do que de especialização. Não que, de repente, os homens vão se render, 
entregar os crachás e filosofar em outra freguesia. O mundo nunca progrediu de maneira 
uniforme. Mas os ventos da mudança já estão soprando. Até 60 anos atrás, “secretário” era 
uma profissão eminentemente masculina. Agora, é esmagadoramente feminina. Simplesmente 
porque os chefes homens perceberam que precisavam de alguém capaz de resolver todas 
aquelas questiúnculas do dia a dia. E secretários não eram bons nisso. Eles eram melhores em 
explicar por que as decisões não puderam ser tomadas. 
O resto foi consequência. Nos últimos 20 anos, a presença da mulher se expandiu 
geometricamente no mercado de trabalho. Como não se espera que o ritmo das mudanças vá 
desacelerar no século XXI, a capacidade de saber resolver, rapidamente e com precisão, será 
um fator cada vez mais valorizado. O que me leva a concluir que as mulheres dominarão o topo 
da hierarquia das empresas. É apenas uma questão de “quando”, porque elas ainda 
encontrarão muita resistência. 
Mas, num dia não muito distante, um homem vai receber na maternidade a notícia de 
que sua mulher acaba de dar à luz. “É uma menina”, anunciará a enfermeira. E o paizão, 
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transbordando de felicidade: “Maravilha! Vai ser *CEO!”. Mas a boa notícia é que a classe 
masculina também sobreviverá, e bem, fazendo o que sabe: em funções de apoio, traçando 
estratégias e pesquisando. Os homens só não precisarão mais explicar por que chegaram 
tarde em casa. Porque suas esposas chegarão depois deles. (Disponível em: 
<http://zoabonito.com/frases/o-que-e-mulher-max-gehringer>. Acesso em: 1 jun. 2015.) 
 
*CEO é a sigla inglesa de Chief Executive Officer, que significa Diretor Executivo em Português. CEO é a 
pessoa com maior autoridade na hierarquia operacional de uma organização. É o responsável 
pelas estratégias e pela visão da empresa. O termo CEO é um estrangeirismo cada vez mais utilizado 
em comunicações empresariais. Foi introduzido com a globalização e com a necessidade de um 
responsável pelas estratégias e visão das grandes empresas no mercado internacional. (Disponível em: 
<http://www.significados.com.br/ceo/>. Acesso em: 1 jun. 2015.) 
 
2. Sobre a crônica de Max Gehinger, é correto afirmar que: 
I. o homem conseguiu produzir inumeráveis explicações para os mistérios da 
natureza e assim se originaram as ciências e as mais inusitadas descobertas, 
porque o ser humano do gênero masculino tem mais facilidade para pensar; 
II. o texto foi elaborado por comparação e contraste, ao estabelecer relações 
comparativas entre a mulher e o homem no mercado de trabalho; 
III. com a globalização, antigas reivindicações feministas, como igualdade de 
trabalho/salário em relação aos homens, por exemplo, foram finalmente 
atendidas; 
IV. o excerto “é claro que homens também resolvem e mulheres também explicam, 
mas, historicamente, isso sempre ocorreu mais por uma questão de adaptação 
do que de especialização”, evidencia a tese principal do autor; 
V. no trecho “num mundo assim, onde cada segundo passou a ser vital, resolver 
problemas/pendências rapidamente e, acima de tudo, corretamente, tornou-se a 
prioridade número 1 das empresas”, o pronome relativo em negrito está 
corretamente utilizado uma vez que se relaciona com um termo vinculado a 
lugar; 
VI. contrariamente ao que ocorria no passado, os pais ficarão muito felizes com o 
nascimento de uma menina, já que “as mulheres dominarão o topo da hierarquia 
das empresas”, porque o homem não conseguirá fazer o que elas sabem. 
 
Em relação às proposições, podemos afirmar que estão corretas 
a) I, II e III apenas. 
b) I, II, IV e V apenas. 
c) II e IV apenas. 
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d) II, IV e V apenas. 
e) I, II, III, IV, V e VI. 
 
3. Releia com atenção o texto e elabore uma paráfrase. 
 
Referências 
CASTELLO-PEREIRA, Leda Tessari. Leitura de estudo. Campinas: Alínea, 2003. 
FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: 
Vozes, 2001. 
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. 
FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara. Como facilitar a leitura. São Paulo: Contexto, 
2000. 
GALLIANO, A. Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra, 
1989. 
 
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CAPÍTULO 2: LÍNGUA, LINGUAGEM, FALA E VARIAÇÃO 
LINGUÍSTICA 
 
As formas discriminadas têm um uso muito mais frequente 
do que se pensa, inclusive na fala e na escrita das pessoas 
que discriminam a língua dos outros [...]. Se é essa a 
realidade, a disposição para apontar erros na fala de outros 
não tem propósito edificante de corrigi-los; é antes uma 
forma de excluir o outro e de reforçar uma desigualdade 
percebida. (Ilari e Basso) 
Introdução 
A língua não é imutável e homogênea. Ela está em constantes modificações. O 
nosso português originou-se do latim vulgar, que, por sua vez, veio de outra língua. Os 
estudiosos afirmam que as variações de qualquer língua não são aleatórias, pois há 
alguma razão para que elas ocorram. Dificilmente dois falantes se expressam do 
mesmo modo, assim como um único falante raramente se expressa da mesma 
maneira. Por exemplo, um falante pode dizer chegamos como [chegãmus], e outro 
como [chegãmu], um mesmo falante pode utilizar essas duas formas em situações 
diferentes. 
Há vários fatores que contribuem para a variação linguística. Entre elas, estão a 
identidade do emissor e do receptor e condições sociais de produção. Em relação 
ao primeiro fator, pertencem as variantes geográficas e socioculturais (nível social, grau 
de escolaridade, idade, sexo, profissão). Em relação ao segundo, pertencem as 
variantes de registro ou estilísticas, que se referem à adequação da linguagem à 
finalidade específica da interação verbal, ou seja, adequar a linguagem à situação e à 
identidade do receptor. É sobre língua, linguagem, fala e variações linguísticas que 
conversaremos neste capítulo. 
 
2.1 O que é língua, linguagem e fala? 
 Começaremos este capítulo conhecendo várias definições de língua dadas por 
alguns linguistas brasileiros renomados. Você verá que grande parte deles sente 
dificuldade em defini-la, não por falta de conhecimento, mas por causa de sua 
complexidade. Vamos às definições. 
 
 
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2.1.1 Língua 
 Fiorin (2003, p. 72) assevera que não se satisfaz com definições da língua que a 
veem 
[...] como instrumento de comunicação, ou como um sistema ordenado com 
vistas à expressão do pensamento, nada disso. [...] a linguagem humana é a 
condensação de todas as experiências históricas de uma dada 
comunidade, é nesse sentido que nós temos que ver a língua. [...] o aspecto 
mais relevante a verificar é que a língua é, de certa forma, a condensação de 
um homem historicamente situado (grifo nosso). 
 
 Na mesma linha de pensamento, Faraco (2003, p. 63) costuma dizer a seus 
alunos que 
[...] nosso objeto de estudo é uma complexa realidade semiótica estruturada 
sim, mas necessariamente aberta, fluida, cheia de indeterminação e 
polissemias, porque é atravessada justamente por nossa condição de seres 
históricos (grifo nosso). 
 
 Marcuschi (2003, p. 132) acredita que 
[...] a língua deve ser entendida principalmente como uma atividade e não um 
sistema ou forma. Ela é um domínio público de construção simbólica e 
interativa do mundo, ou seja, uma “atividade constitutiva” [...]. Língua é mais 
do que um conjunto de elementos sistemáticos para dizer o mundo. [...] Língua 
se manifesta como uma atividade social e histórica desenvolvida 
interativamente pelos indivíduos com alguma finalidade cognitiva, para dar a 
entender ou para construir algum sentido. [...] língua é atividade 
sociointerativa (grifo do autor). 
 
Koch (2003, p. 124) vê a língua 
[...] simultaneamente como um sistema e como uma prática social. [...] A 
língua é sistema, ela é um conjunto de elementos inter-relacionados em vários 
níveis, no nível morfológico, no nível fonológico-morfológico, sintático. Mas ela 
só se realiza enquanto prática social, quer dizer, os seres humanos, nas suas 
práticas sociais usam a língua e a língua só se configura nessas práticas e é 
constituída nessas práticas (grifo nosso). 
 
Fecharemos a conceituação com Geraldi (2003, p. 78), para quem a língua 
[...] é o produto de trabalho social e histórico de uma comunidade. É uma 
sistematização sempre em aberto. [...] É o produto de um trabalho do qual ela 
mesma é instrumento. [...] a língua, enquanto esse produto de trabalho social, 
enquanto fenômeno sociológico e histórico, está sendo sempre retomada 
pela comunidade de falantes. E ao retomar, retoma aquilo que está estabilizado 
e que se desestabiliza na concretude do discurso, nos processos interativos de 
uso dessa língua (grifo nosso). 
 
Você deve ter observado que a maioria dos pesquisadores citados acredita que 
a língua é um fenômeno social e histórico. Isso significa que não podemos vê-la 
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simplesmente como uma forma de comunicação ou de expressão do pensamento. A 
língua é uma atividade sociointerativa, pois por meio dela os sujeitos agem uns sobre 
os outros e realizam suas práticas sociais. 
E então qual a diferença entre língua e linguagem? 
 
2.1.2 Linguagem 
Para Matos (2003), a linguagem é um sistema cognitivo e por meio dele 
podemos adquirir línguas, ou seja, a língua seria uma manifestação particular da 
linguagem. Marcuschi (2003, p. 133) acrescenta que a linguagem é uma faculdade da 
espécie humana, e a língua é “uma das formas de se organizar, efetivar, concretizar 
essa faculdade humana, assumindo histórica, social e culturalmente uma determinada 
maneira de ser”. 
Fiorin (2003, p. 72) contribui para a definição de linguagem ensinando que “a 
língua é uma maneira particular pela qual a linguagem se apresenta. A linguagem 
humana é essa faculdade de poder construir mundos. [...] E a língua é uma forma 
particular dessa faculdade de criar mundos”. Ataliba de Castilho (2003, p. 53) concorda 
com os autores citados ao afirmar que a “linguagem encerra um entendimento mais 
amplo do que língua. A língua é só de natureza verbal e a linguagem não, é o conjunto 
de todos os sinais que o ser humano foi criando”. 
 Então a língua é uma das manifestações possíveis da linguagem e ambas se 
realizam nas práticas sociais pelos sujeitos. 
 
2.1.3 Fala 
Recorremos à teoria de Saussure para definir o que é fala. O autor assevera que 
[...] o estudo da linguagem comporta duas partes: uma essencial, tem por 
objeto o estudo da língua, que é social em sua essência e independe do 
indivíduo; a outra, secundária, tem por objeto a parte individual da língua, isto 
é, a fala, e compreende a fonética: ela é psicofisiológica (SAUSSURE apud 
DUBOIS et al., 2004, p. 261). 
 
Como você já tinha visto antes, a língua é produto social. Já a fala é individual, 
particularizada, meio pelo qual a língua se realiza por determinado sujeito. 
Chegamos, nesse ponto dos estudos, à seguinte conclusão: língua é o que 
permite a comunicação em determinada comunidade linguística, em determinado grupo 
social. Diferencia-se da fala porque, enquanto a língua é um conjunto de 
potencialidades da fala, a fala é um ato de concretização da língua. Então o que 
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diferencia fala de língua é que a língua é sistemática, tem certa regularidade e é falada 
por uma determinada comunidade; já a fala é parcialmente sistemática, pois é variável 
e realizada individualmente. 
 
Recapitulando: a linguagem é uma característica humana universal; enquanto a 
língua é a linguagem particularde uma comunidade, um grupo, um povo; já a fala é a 
realização concreta da língua feita por um indivíduo. 
 
E a língua é utilizada pelos falantes da mesma forma? Esse é o próximo 
assunto: a variação dialetal do português no Brasil. 
 
2.2 Variação dialetal 
Qualquer língua, falada por qualquer comunidade, exibe sempre variação. Pode-
se afirmar mesmo que nenhuma língua se apresenta como entidade homogênea. Isso 
significa dizer que qualquer língua é representada por um conjunto de variedades. 
Concretamente, o que chamamos de “língua portuguesa” engloba os diferentes modos 
de falar utilizados pelo conjunto de seus falantes no Brasil, em Portugal, em Angola, em 
Moçambique, em Cabo Verde, em Timor etc. 
Língua e variação são inseparáveis, e essa diversidade da língua não deve ser 
encarada como um problema, mas como uma qualidade constitutiva do fenômeno 
linguístico. Os falantes adquirem as variedades linguísticas próprias de sua região, de 
sua classe social, de seu grau de escolaridade, de sua profissão etc. 
 Ilari e Basso (2006) questionam o fato de muitos escritores e estudiosos 
afirmarem que a língua portuguesa é uniforme. Os autores argumentam que essa 
afirmação é um mito, pois esconde em si um nacionalismo exacerbado, uma visão 
limitada do uso da língua e uma negação da variação, como se os falantes não se 
adaptassem aos contextos de produção de textos orais e escritos. Seguindo essa linha 
de raciocínio, Bagno (2007, p. 40) acrescenta que, para a sociolinguística, a variação é 
“estruturada, organizada, condicionada por vários fatores”. 
 Concordamos com os autores citados quando afirmam que a uniformidade da 
língua é um mito e que a variedade não é caótica. Procuraremos mostrar isso a você 
discorrendo sobre as variações através do tempo, geográficas, sociais, decorrentes dos 
modos de comunicação. Começaremos pelas variações promovidas pelo tempo. 
 
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2.2.1 Variação através do tempo 
 As variações que ocorrem na língua através do tempo podem ser externas e 
internas. A variação externa pode ser descrita como a que ocorre em razão das 
funções sociais da língua e em sua relação com a comunidade linguística. Como 
exemplo, podemos citar a evolução do latim para a língua portuguesa. A variação 
interna se relaciona ao léxico e à gramática: mudanças que ocorrem na fonologia, na 
morfologia e na sintaxe (ILARI; BASSO, 2006). Por exemplo, na época do 
descobrimento do Brasil, escrevia-se “dereito”, “frecha”, “escuitar”, “deseja de comprar” 
(presença da preposição “de”), “esta gente padecem” (verbo no plural com o sujeito no 
singular) (ALKMIN, 2003). Hoje não escrevemos mais assim! 
 Mas atenção: Ilari e Basso (2006) asseveram que podemos pensar que a 
variação através do tempo só ocorra em períodos muito distantes, de século em 
século, o que não é verdade. Os autores afirmam que podemos fazer comparação 
diacrônica da língua até mesmo no intervalo de geração para geração. É o caso das 
gírias, que podem não fazer sentido para determinados indivíduos de uma geração e 
ser bastante conhecidas por indivíduos de outra geração. Você sabe o que é “levar 
uma tábua”? E “cair a ficha”? “Ela é um pão”? Pergunte aos seus pais... 
 O importante é que você saiba que, “[...] na língua que falamos hoje, convivem 
palavras e construções que remontam a épocas diferentes” (ILARI; BASSO, 2006, p. 
153). Assim, alguns optam, conscientemente ou não, por construções e léxico mais 
antigo, mesmo que isso represente um distanciamento em relação à língua falada hoje. 
Mas, como os autores afirmam, “independentemente disso tudo, a língua muda” (ILARI; 
BASSO, 2006, p. 154). 
 
2.2.2 Variação na dimensão do espaço 
 Segundo Preti (2000), essas variedades são responsáveis pelos regionalismos, 
provenientes de dialetos ou falares locais. Compreendem-se as diferenças que uma 
mesma língua pode apresentar na dimensão espacial. Normalmente, essa variação nos 
leva a comparar o português do Brasil com o de Portugal. Vejamos alguns exemplos 
entre o português europeu e o português do Brasil. 
 
 
 
 
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Quadro 1 – Exemplos de termos do português europeu e do Brasil 
Português do Brasil Português Europeu Português do Brasil Português Europeu 
Fila Bicha Carteira de Identidade Bilhete de Identidade 
Cafezinho Bica / Biquinha Favela Bairro de Lata 
Restaurante Casa de Pasto Suco Sumo 
Aeromoça Hospedeira de Bordo Torcida Claque 
 
 O Brasil, por ser um país bastante extenso e com regiões com culturas e 
condições sociais distintas, apresenta muitas variações linguísticas. Outro aspecto que 
devemos levar em consideração é o fato de existir uma intensa migração interna no 
país, o que resulta em “variedades linguísticas de procedências diferentes, entre as 
quais acabam se criando diferenças de status e prestígio” (ILARI; BASSO, 2006, p. 
161). Assim fica difícil separarmos, com precisão, o que é variação na dimensão do 
espaço e o que é variação a partir de fatores sociais. 
 Como exemplos de variação na dimensão do espaço, podemos citar (entre 
tantos outros existentes) os relativos ao léxico, à ordem fonológica e à morfossintática. 
Na fonologia, podemos observar as mudanças que ocorreram na pronúncia de algumas 
palavras, como nas vogais médias (“e”, “o”) pretônicas. No Nordeste, elas têm 
pronúncias abertas ([mƐladƱ]), enquanto que, no Sudeste, são fechadas ([meladƱ]). 
Na morfologia, citamos como exemplo os vocábulos mexerica, tangerina, mimosa, 
bergamota, cujo uso varia conforme a região em que vive o falante. Na sintaxe, 
notamos a preferência pela posposição verbal da negação, como “tem não”, no 
Nordeste, enquanto que, no Sudeste, se usa “não tem” ou "não tem, não” (ALKMIN, 
2003). E na sua região como vocês falam? 
Uma observação importante feita por Ilari e Basso (2006) diz respeito à falta de 
delimitação geográfica das variações na dimensão do espaço. Segundo os autores, 
seria necessário um trabalho conjunto de pesquisadores e de dialetólogos para que as 
variações pudessem ser localizadas com precisão. 
 
2.2.3 Variação entre os estratos da população 
Essas variedades estão condicionadas à identidade dos falantes, bem como à 
organização sociocultural da comunidade de fala. Classe social, grau de 
escolaridade, idade, sexo são alguns desses fatores. É conhecida também como o tipo 
Comunicação e Expressão 
 
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de variação que é percebida quando se comparam diferentes estratos sociais de um 
grupo linguístico. 
 Vários estudiosos procuram descrever a variedade subpadrão do português 
falado pelos mais pobres (consequentemente, menos escolarizados), entre eles 
Castilho (apud ILARI; BASSO, 2006). O estudioso cita como principais características 
da variedade subpadrão fatores relacionados à pronúncia, ao léxico e à construção dos 
enunciados. Citamos, por exemplo, a troca do [l] pelo [r] em encontros consonantais, 
como em “brusa”, “grobo” ou a tripla negação, como em “eu nem não gosto”, usadas 
por falantes situados abaixo na escala social (ALKMIN, 2003). 
Apesar de essa variedade falada poder soar “estranha” aos nossos ouvidos, o 
que importa é sabermos que, quando entramos em contato com qualquer variedade 
subpadrão, “[...] estamos diante de um outro código, e não de erros devidos às 
limitações mentais dos indivíduos que o empregam”. 
Você deve saberque há maneiras diversas de dizer a mesma coisa, e que cada 
variedade deve ser adequada ao momento da comunicação, ao contexto da prática 
social. 
No quadro 2, apresentamos, a partir de Preti (2000), algumas diferenças da 
estrutura morfossintática entre as variantes culta e popular. 
 
Quadro 2 - Diferenças entre a variante culta e a popular 
Variante culta Variante popular 
Indicação precisa das marcas de gênero, 
número e pessoa (Ex.: Os meninos 
compraram dois pães.) 
Economia nas marcas de gênero, número e pessoa 
(Ex.: Os menino comprou dois pão). 
Maior utilização da voz passiva (Ex.: Foi 
atropelada por um carro.) 
Maior emprego da voz ativa, em lugar da passiva 
(Ex.: Um carro pegou ela). 
Organização gramatical cuidada da frase. Simplificação gramatical da frase, emprego de 
bordões do tipo então, aí etc. 
Variedade da construção da frase (Vi-o, 
encontrei-a etc.). 
Emprego dos pronomes pessoais reto como 
objetos (Ex.: Vi ele, encontrei ela etc.). 
 
2.2.4 Variação dos modos de comunicação (fala/escrita) 
A oralidade sempre foi vista como algo que ocorria separadamente da escrita, e 
esta sempre gozou de um status mais elevado em relação àquela. Mas é necessário 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 42 
 
compreendermos que as duas se complementam, relacionando-se de forma recíproca, 
ora a fala transformando a escrita, ora a escrita transformando a fala. 
Veremos, de forma mais detalhada, as diferenças dessas duas modalidades no 
capítulo 6. 
Qualquer falante sabe que, conforme o gênero que utilizamos (determinado pelo 
contexto, interlocutor, finalidade etc.), elegemos uma variedade linguística que seja 
adequada a ele. Assim também fazemos com os meios pelos quais os textos são 
distribuídos. Por exemplo, se publicarmos uma descoberta científica em um jornal, 
utilizaremos uma variante diversa daquela que utilizaríamos se publicássemos a 
mesma descoberta em uma revista científica. E em um e-mail encaminhado a um 
amigo, você escreveria seus textos de que forma? Utilizaria a mesma estrutura e 
vocabulário que utiliza quando faz um requerimento na Universidade? Ilari e Basso 
(2006, p. 187) acrescentam que 
[...] todos esses gêneros, além de ter marcas exteriores próprias, e de 
obedecer a convenções interpretativas próprias, fazem também um uso muito 
particular da língua, chegando às vezes a desenvolver uma sublíngua 
exclusiva. A sublíngua de um gênero caracteriza-se normalmente não só pela 
frequência maior de certas palavras [...], mas pode ser marcada também pela 
alta frequência de construções gramaticais que não seriam comuns em outros 
gêneros. 
 
Podemos perceber o que os autores afirmam quando entramos em contato com 
gêneros que não fazem parte do nosso dia a dia, como, por exemplo, um boletim de 
ocorrência policial. Com certeza, estranharíamos a estrutura e o vocabulário 
normalmente utilizados nesse gênero. Isso estuda a variação exposta a seguir. 
 
2.2.5 Variação relacionada ao contexto, à estilística ou aos registros 
Nesse tipo de variação, os falantes diversificam sua fala, usam estilos distintos 
considerando as circunstâncias, o contexto social das interações verbais. Como 
exemplo, podemos citar a conversa entre amigos, uma palestra em uma Universidade, 
ou ainda quando escrevemos um bilhete à/o esposa/o ou ao chefe. 
Preti (2000) também denomina essa variação como estilística, no sentido de 
que o falante, conforme a situação, escolhe um estilo que julga mais conveniente para 
expressar o seu pensamento. Nesse sentido, ele trabalha com os termos níveis de fala 
ou registros. Por exemplo, você não falará Meu chapa, vai ficar alugando esse 
telefone até quando? em um jantar com pessoas estranhas ou pouco familiares. 
Utilizará por favor, poderia me passar o açúcar. Meu chapa, vai ficar alugando o 
Comunicação e Expressão 
 
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açucareiro até quando? você poderá usar em uma mesa de bar, por exemplo, em que 
se compartilha com pessoas do círculo íntimo. 
No quadro 3, apresentamos os níveis de registros do uso da língua. 
 
Quadro 3 – Níveis de registros do uso da língua 
NÍVEIS DE USO 
DA LÍNGUA 
 (REGISTROS) 
FORMAL 
Situações de formalidade 
Predomínio da variante culta 
Comportamento linguístico mais refletido, mais 
tenso 
Vocabulário técnico 
 COMUM 
COLOQUIAL 
Situações familiares ou de menor formalidade 
Predomínio da variante popular 
Comportamento linguístico mais distenso 
Linguagem afetiva, expressões obscenas 
Fonte: Preti (2000) 
 
Portanto, não podemos usar o mesmo tipo de variante todas as situações 
comunicativas. Há situações formais que requerem o uso da língua culta, um uso mais 
cuidadoso da língua, como, por exemplo, no ambiente de nosso trabalho, na 
apresentação de um trabalho na Universidade, na participação do fórum de discussão. 
Nesses casos, não podemos empregar a mesma variante usada em casa, com os 
nossos amigos. Em textos escritos formais, devemos ficar mais atentos para não 
utilizarmos expressões da oralidade e nem o internetês. 
 
2.3 Língua urbana de prestígio 
Essa variedade, também conhecida como língua padrão, segue as regras da 
gramática normativa e é tida como parâmetro para as outras variedades. Porém, 
para alguns autores, como Silva (1997, p. 14), além da norma dessa variedade 
linguística, existem também as normas normais ou sociais. Essas são normas que 
definem grupos sociais de uma determinada sociedade. Em geral, distinguem-se em 
normas sem prestígio social e em normas de prestígio social. 
Apesar de ser a variedade dialetal de prestígio social, a norma padrão não 
apresenta características superiores a outra qualquer, ainda que tenha sido eleita 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 44 
 
como o padrão de linguagem correta. Essa eleição deve-se à necessidade de 
uniformização de uma língua na qual serão registrados os documentos e os fatos da 
sociedade. 
 
Fique atento! 
O nível de prestígio social é a língua culta e, se não quisermos ser discriminados 
por grupos que a praticam, devemos conhecê-la e utilizá-la em situações 
comunicativas formais. 
 
Para encerrarmos este capítulo, convém lembrar que todas as variações aqui 
citadas estão presentes, juntas, nos textos e podem ser aplicadas a qualquer produção 
da fala ou da escrita. O que é preciso entender é que, para cada situação da 
prática social, existe uma forma de falar considerada mais adequada. E nenhuma é 
superior à outra, porque todas as variantes constituem e tornam a nossa língua 
materna viva. 
 
Atividades 
1. Analise com atenção as imagens retiradas do Google Imagens e identifique as 
variantes linguísticas. 
a) b) 
c) d) 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 45 
 
e) 
f) 
 
2. Analise a imagem com atenção. 
 
Disponível em: <http://pt-br.mouse.wikia.com/wiki/Varia%C3%A7%C3%A3o_Lingu%C3%ADstica>. 
Acesso em: 15 abr. 2015. 
Podemos afirmar que houve adequação da linguagem na situação comunicativa 
apresentada na imagem? Explique. 
 
3. Considerando as variações linguísticas e as situações comunicativas, analise os 
itens a seguir. 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 46I) “E aí, ô meu! Como vai essa força?” – um jovem que fala com seu amigo. 
II) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação” – alguém comenta 
em uma reunião de trabalho. 
III) “Venho manifestar meu interesse em participar de sua festa no sábado próximo” – 
alguém que escreve uma mensagem no WhatsApp a seu amigo. 
IV) “O carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito” – um repórter comenta o 
acidente ao vivo em um canal de TV em rede nacional. 
V) “Na semana passada, os magistrados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro 
passaram a receber mais um injustificável benefício – ou, para usar a expressão do 
desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, presidente da corte, um simples 
‘estímulo’” – um colunista escreve em artigo de opinião de um jornal de circulação 
nacional. 
Em quais itens não ocorre adequação da linguagem à situação comunicativa? 
a) Apenas em I e III. 
b) Apenas em I e II. 
c) Apenas em III e IV. 
d) Apenas em I, III e IV. 
e) Apenas em I e IV. 
 
4. Analise a imagem com atenção. 
 
Disponível em: <http://recebiporemail.com.br/wp-content/uploads/2010/07/placas-
inteligentes-17.jpg>. Acesso em: 18 fev. 2016. 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 47 
 
Sobre o texto escrito no carrinho de ambulante, é correto afirmar que: 
I. quanto ao gênero, é texto publicitário que, possivelmente, foi escrito por um 
homem, pois esse tipo de serviço tipográfico é realizado, geralmente, por pessoas do 
sexo masculino, o que é reforçado por exercer o trabalho de ambulante; 
II. o vendedor demonstrou habilidade ao pintar letras grandes e com traços firmes, 
além de distribuir as palavras em duas cores, preta e vermelha, a fim de chamar 
atenção do cliente que gosta de tapioca e quebra-queixo; 
III. o texto pertence ao código verbal e foi escrito na variante popular, pelo baixo 
nível de escolaridade de quem escreveu, por isso apresenta alguns desvios em relação 
à norma culta; 
IV. embora tenha sido escrito com desvios em relação à variante culta (gramática 
normativa), o anúncio foi escrito em língua portuguesa. Mas falantes/leitores nativos 
dessa língua não conseguem compreender esse texto publicitário; 
V. geralmente pessoas de classe social e de pouca escolaridade tentam sobreviver 
de forma criativa, da maneira como podem, mas elas sofrem preconceito linguístico na 
sociedade brasileira. 
Estão corretas as afirmativas 
a) I, II, III apenas. 
b) I, II, III e V apenas. 
c) II, III e IV apenas. 
d) I, II, III, IV e V. 
e) I, III IV e V apenas. 
 
5. Analise o uso das variantes que você faz no dia a dia, especifique-as e comente em 
que situações comunicativas as utiliza. 
 
Leia o texto para responder às questões de 6 a 8. 
 
Quem tem culpa no cartório? 
Mário Prata 
 
Vender um carro não é tão difícil assim. O problema é que agora inventaram que a gente tem 
de ir ao cartório. Assinar lá aquele papelzinho e o sujeito reconhecer a firma da gente. Não 
adianta mandar ninguém. Tem de ser a gente. 
Pois é. Vendi o meu carro e lá fui eu, na quarta passada, reconhecer a minha firma, palavra 
pomposa para a nossa humilde assinatura. Assinei na cara do sujeito e entreguei. Me pediu a 
carteira de identidade. Meu Deus, esqueci. Tento quebrar o galho. 
— Sem a carteira de identidade não tem possibilidade. 
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— Meu amigo, está chovendo, foi uma luta estacionar o carro e… 
— Impossível. O senhor não viu escrito ali? 
Foi quando eu me lembrei do Estadão que estava debaixo do braço. Minha coluna, minha foto. 
Mostro para ele. 
— Está vendo? Sou eu. 
Olhou para a foto, olhou para mim. 
— Reconheceu? 
— É, reconheci. Mas, para reconhecer a firma, só com a identidade. É lei, olha a fila, meu 
senhor. 
— Meu amigo, a carteira de identidade é para provar que eu sou eu, não é? Pois eu acabo de 
provar que eu sou eu. Ou não? 
— Eu sei que o senhor é o senhor, mas não adianta. Olha a fila. 
— Posso falar com o seu chefe? 
— Não vai adiantar. É aquele. O de peruca. Seu Wilson. 
Caminho na direção do seu Wilson. De longe, já começo a analisar a peruca dele. Peruca de 
homem, não sei por que, sempre me fascina. Me dá uma vontade quase incontrolável de 
arrancar, de fazer com que todo mundo em volta ria. 
Vou olhando em volta. O cartório evoluiu muito. Agora está cheio de computadores. Tá 
“muderno”. Numa mesa a Dulce, a Dudu e o Ferreira (gripadíssimo) dominam o computador 
para, logo em seguida, bater o carimbo. O carimbo! Céus, quando é que o burocrata vai livrar-
se do carimbo? Fico olhando o trabalho da Dulce enquanto o da peruca atende uma senhora 
de laquê, muito nervosa. Conto: a Dulce bateu 93 vezes o carimbo em um minuto. Isso é que é 
funcionária! Mais ou menos uma e meia carimbada por segundo. Está noiva, a Dulce. 
Seu Wilson era inteirinho cinza. Ia do cinza claro do terno até o cinza escuro da olheira. Seu 
Wilson estava conversando com a de laquê, me olhando de lado. Chega a minha vez. Ele: 
— Conheço o senhor de algum lugar. O senhor já não foi no programa do Jô? 
— Meu nome é Mário Prata e… 
— Claro, do Estadão. Reconheci o senhor assim que vi o senhor entrando. Qual é o problema, 
Marinho? 
Odeio que me chamem de Marinho. Mas como havia sido reconhecido, tudo bem. 
— É o seguinte, seu Wilson. Vim reconhecer a assinatura da venda do carro e não trouxe a 
carteira de identidade e… 
— lh… 
— Mas como o senhor me reconheceu, pode reconhecer também a minha assinatura. 
— É, mas só que, pra reconhecer a assinatura, eu preciso da sua carteira de identidade. É uma 
questão legal. 
— Legal, né? 
Sentei. 
— Seu Wilson, acompanhe o meu raciocínio. 
— Pois não. 
— O senhor precisa da minha carteira de identidade para ter certeza de que eu sou eu, não é 
isso? 
— Exatamente, Marinho. 
— Mário, por favor. Mário Alberto Campos de Morais Prata. Então, continuando, se o senhor 
sabe que eu sou eu, acho que a gente podia deixar a carteira de identidade pra lá. 
— Veja, Mário Alberto (piorou!), quando o decreto saiu no Diário Oficial… 
— Tudo bem, tudo bem. Mas me diga, seu Wilson: quem sou eu (aliás uma pergunta que me 
tenho feito muito: quem sou eu)? 
— O senhor é o Mário Prata. 
— O senhor reconhece isso? 
— O senhor está querendo me pegar, não é? Olha, Campos, agora não posso mais. O meu 
funcionário, entende? Eu não posso passar por cima dele, tirar a autoridade dele. Se o senhor 
tivesse me procurado antes, aí sim, talvez… 
Fiquei me segurando para não arrancar a peruca dele e colocar fogo. Estava com o isqueiro 
aceso. Acendi o cigarro, pensei no meu avô Mario que tinha cartório em Uberaba. Pensei em 
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Jesus pensando nos pobres de espírito, pensei no Brasil, pensei na mãe do seu Wilson, pensei 
que eu não era mais eu. 
Liguei para a Isabela, que ia comprar o meu carro. 
— Isabela, desisti. Descobri que eu não existo, Isabela. 
E fui para o divã do dr. Leonardo Ramos, que tem de carimbar a receita para que eu possa 
comprar Lexotan. (O Estado de São Paulo, 3 jun. 1998) 
 
6. O texto em análise é um exemplo de que gênero textual? Justifique sua resposta 
comentando as características desse gênero presentes no texto de Mário Prata. 
 
7. Que variante linguística predomina no texto? Mencione alguns exemplos. 
 
8. Elabore uma paráfrase do texto de Mário Prata. 
 
Referências 
ALKMIM, T. M. Sociolinguística. In: MUSSALIN, F.; BENTES, A. C. (Org.). Introdução 
à linguística 1. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2003. 
BAGNO, M. Nada na línguaé por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. 
São Paulo: Parábola, 2007. 
FÁVERO, L. L; ANDRADE, M. L. C. V. O.; AQUINO, Z. G. O. Oralidade e escrita: 
perspectiva para o ensino de língua materna. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. 
ILARI, R.; BASSO, R. O português da gente: a língua que estudamos a língua que 
falamos. São Paulo: Contexto, 2006. 
PRETI, D. Sociolinguística: os níveis de fala: um estudo sociolinguístico do diálogo na 
Literatura Brasileira. 9. ed. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2000. 
SILVA, R. V. M. Contradições no ensino de português: a língua que se fala x a 
língua que se ensina. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1997. 
 
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CAPÍTULO 3: ROTEIRO DE LEITURA - O CAVALEIRO INEXISTENTE 
 
Introdução 
Este roteiro objetiva auxiliar você na leitura da obra O cavaleiro inexistente, de 
Italo Calvino, uma vez que não há tempo suficiente para discussão detalhada em sala 
de aula. Todas as questões devem apresentar evidências/fragmentos do livro e devem, 
também, ser entendidas no contexto e não de forma isolada e desconexa. 
Atenção! Não é necessário entregar respostas. Você deve fazer anotações 
escritas para facilitar a participação no debate e no momento de produzir textos 
escritos sobre o livro. 
 
3.1 Gênero textual 
O cavaleiro inexistente é uma novela, pois apresenta características que 
assemelham esse livro às famosas “novelas de cavalaria”, iniciadas na Idade Média. 
Em narrativas longas, as novelas misturavam elementos reais, míticos e fantasiosos. 
Elas eram povoadas de cavaleiros destemidos que, a partir de códigos de conduta 
específicos, duelavam em lutas épicas, eram protetores dos mais fracos e sentiam 
amor idealizado por alguma dama a quem resguardavam. 
Moisés (1999, p. 107) destaca que, “Com o D. Quijote de la mancha, no início do 
século XVII, Cervantes constrói a obra suprema da novela de cavalaria”. Na obra 
espanhola, D. Quixote (idealista) e Sancho Pança (realista ao extremo) protagonizam 
ações bizarras que são o avesso de novelas anteriores. O objetivo de Cervantes era 
ridicularizar esse gênero literário que estava em decadência na época. Já em O 
cavaleiro inexistente, podemos considerar o avesso do avesso das novelas de 
cavalaria e esse é um dos aspectos que discutiremos. As bizarrices do cavaleiro 
Agilulfo e do seu escudeiro Gurdulu remetem aos dois protagonistas de Cervantes, 
embora com peculiaridades próprias, evidentemente. É só prestar atenção. 
 
 
Que tal aproveitarmos a leitura desse livro para ver ou rever o filme Lancelot, 
o primeiro cavaleiro. O trailer está disponível em: 
<http://www.adorocinema.com/filmes/filme-12995/trailer-19538998/>. 
 
 
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Questão 1 
Observe as imagens para responder à questão. 
 
1.a) Lancelot com os companheiros da Távola Redonda 
 
 
1.b) Lancelot: membro da confraria do Rei Artur 
 
 
2.a) Dom Quixote e Sancho Pança 
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2.b) Dom Quixote e Sancho Pança 
 
 
3) O cavaleiro inexistente, da confraria do rei Carlos Magno 
 
Que diferenças você consegue notar entre os cavaleiros, ou seja, quais são as 
principais distinções entre o tradicional cavaleiro medieval, o cavaleiro Dom Quixote e o 
cavaleiro inexistente? 
 
3.2 Tipo textual 
Quanto ao tipo textual, embora haja trechos descritivos, argumentativos e 
expositivos, na obra, predomina a narrativa, porque apresenta enredo – sequência de 
ações, espaço, tempo, narrador e personagens. Sobre esses elementos, responda às 
questões a seguir. 
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Questão 2 
Sobre o enredo, qual é a narrativa principal e quais são os episódios simultâneos que 
apresentam peripécias dos personagens em destaque? 
 
Questão 3 
Em que lugares ocorrem as principais ações? 
 
Questão 4 
Que referência(s) temporal(is) a(s) narrativa(s) aponta(m)? 
 
Questão 5 
“Eu, que estou contando esta história, sou irmã Teodora, religiosa da ordem de são 
Columbano.” (CALVINO, 2005, p. 36) 
a) Quem é, de fato, a narradora? Explique. 
b) Há alguma estranheza ou contradições no modo de a narradora construir/elaborar a 
narrativa? Justifique. 
c) Por que Italo Calvino, o autor, escolheu uma narradora para contar essa história de 
cavaleiros? 
 
3.2.1 Sobre personagens 
Questão 6 
Por que/como Agilulfo tornou-se paladino de Carlos Magno? Que relação há entre esse 
fato e a história de Torrismundo? 
 
Questão 7 
Nos acampamentos, como é o relacionamento entre Agilulfo e os companheiros? 
Justifique/atribua sentido às suas percepções. 
 
Questão 8 
Quem são as mulheres que aparecem na narrativa de Calvino? Como é o 
comportamento/relacionamento entre Agilulfo e elas? Explique/atribua sentido. 
 
 
 
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Questão 9 
O que levou Rambaldo, Torrismundo e Agilulfo a pertencer ao exército de Carlos 
Magno? Que distinções há entre eles em relação a isso? Justifique. 
 
Questão 10 
Quem é, de fato, Agilulfo? Por que ele é um cavaleiro inexistente? Como foi a reação 
de Carlos Magno quando o viu? Que sentido(s) você atribui a essa estranha 
personagem? 
 
3.3 Sobre linguagem/fala/discurso 
Questão 11 
Embora falemos a mesma língua materna, temos fala/discurso individual que nos 
caracteriza de acordo com o lugar que ocupamos na sociedade. As nossas 
idiossincrasias (peculiaridades) linguísticas dependem de vários fatores, como: classe 
social, idade, nível de escolaridade, sexo, espaço geográfico, etnia e profissão a partir 
do que construímos nosso repertório linguístico, de mundo e de carga ideológica. 
A partir desse comentário, o que você tem a falar sobre a fala/discurso de Agilulfo? 
Comente. 
 
Questão 12 
Que distinção há entre o discurso de Agilulfo a Gurdulu (cap. 5, p. 54) e o discurso da 
comunidade de Curvaldia a Torrismundo (cap. 11, p. 129)? Justifique/atribua sentido. 
 
Referência 
CALVINO, Italo. O cavaleiro inexistente. Trad. Nilson Moulin. 12. reimpressão. São 
Paulo: Companhia das letras, 2005. 
 
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CAPÍTULO 4: QUALIDADES TEXTUAIS 
Uma ocorrência linguística, para ser texto, precisa ser 
percebida pelo recebedor como um todo significativo. [...] o 
texto caracteriza-se por apresentar uma unidade formal, 
material. Os elementos linguísticos que o formam devem ser 
reconhecivelmente integrados, de modo a permitirem que 
ele seja apreendido como um todo coeso. (Maria da Graça 
Costa Val) 
Não basta costurar uma frase a outra para dizer que 
estamos escrevendo bem. Além da coesão, é preciso 
pensar na coerência. (Antônio Carlos Viana) 
 
Introdução 
Neste capítulo, iniciaremos o estudo sobre a produção textual. Começaremos 
com análise do que é texto e dos fatores que contribuem para a construção de um texto 
de qualidade. Na sequência, enfatizaremos a coesão e a coerência textuais. 
 
4.1 O que é texto 
Provavelmente você já ouviu, leu e estudou muito sobretexto. Mas o que 
realmente pode ser considerado um texto? Costa Val (1999, p. 3) define texto como 
“ocorrência linguística falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade 
sociocomunicativa, semântica e formal”. 
Koch (2001, p. 10) acrescenta que o texto pode ser 
[...] entendido como uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou 
audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, 
leitor), em sua situação de interação comunicativa, como uma unidade de 
sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e 
reconhecida, independentemente da sua extensão. 
 
Percebemos, nas duas definições, que o texto é usado para interação 
comunicativa oral ou escrita, independentemente de sua extensão. Isso evidencia que 
texto não é apenas o que está escrito com certa quantidade de palavras, sentenças e 
parágrafos. Um simples gesto, uma única palavra, se transmitirem uma mensagem, 
são textos. 
Abreu (2004) destaca a importância de entendermos o que ouvimos/lemos. 
Conseguimos isso por meio de nosso conhecimento de mundo, a que o autor chama 
de repertório, pois, com ele, compreendemos o conteúdo semântico e percebemos a 
intenção de quem produz o texto. Você deve lembrar que, além do repertório, que é o 
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nosso conhecimento prévio, colabora para o entendimento do texto o conhecimento da 
língua e do assunto, conteúdo que estudamos no capítulo 2. 
Mas que características um texto deve ter? É sobre isso que conversaremos no 
próximo item. 
 
4.2 Qualidades do texto 
Oliveira (2004) expõe seis “cês” que contribuem para a construção de um texto 
de qualidade. São eles: criatividade, clareza, concisão, coesão, coerência e correção 
gramatical. Vejamos alguns detalhes sobre esses seis “cês”. 
 Criatividade: um texto criativo mostra ao leitor algo diferente, foge do senso 
comum. Isso não quer dizer que devemos inventar coisas, mas podermos 
enxergar além das que já existem e fazermos uso desse conhecimento para 
nossas próprias produções. Para desenvolver essa habilidade, precisamos ter 
bagagem intelectual, por isso devemos ler bastante, assistir a bons filmes, 
conversar com pessoas de distintas áreas, participar de congressos, conhecer 
outras culturas. 
 Clareza: é uma qualidade essencial de qualquer texto. O texto claro possibilita a 
imediata compreensão do leitor. Ao produzirmos textos, precisamos prestar 
bastante atenção no uso de certos termos, como pronomes possessivos e 
relativos, que podem provocar ambiguidade. Em "Paulo disse à namorada que 
seu futuro estava decidido", por exemplo, não se sabe a quem se refere o 
possessivo "seu" (a Paulo, à namorada ou aos dois). Nesse caso, o problema 
pode ser resolvido com o emprego de "dele", "dela" ou "deles". 
 Concisão: um texto deve ser preciso, sem rodeios de palavras. Um texto 
conciso condensa ideias em períodos que expressam o essencial do que se 
quer comunicar. Para isso, devemos optar por sentenças curtas e eliminar 
palavras supérfluas. 
 Coesão: é a ligação, a relação, os nexos que se estabelecem entre as partes de 
um texto, mesmo que não sejam aparentes. Contribuem para essa ligação os 
pronomes, as conjunções, os sinônimos, as repetições (KOCH, 2001) que 
estabelecem relações adequadas entre termos e também entre os parágrafos, 
sobretudo no desenvolvimento do texto, a fim de que o sentido seja construído 
de maneira clara e objetiva. 
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 Coerência: está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto, 
ou seja, ela é o que faz com que o texto faça sentido para os leitores. 
 Correção gramatical: é o uso da língua de acordo com os padrões da norma 
culta, sem incorreções gramaticais. 
Além desses seis “cês”, é importante também levarmos em consideração a 
unidade e a argumentação. 
 Unidade: um bom texto mantém unidade temática, ou seja, as ideias são 
amarradas entre si (alguma coisa as unifica). Um texto que tem unidade 
temática apresenta uma ideia central e outras que giram em seu redor. 
 Argumentação: procura formar a opinião do leitor, ou seja, busca convencê-lo 
de que o raciocínio apresentado é o correto. A argumentação precisa 
fundamentar-se na consistência do raciocínio e na evidência das provas 
(apresentação de fatos, exemplos, ilustrações, dados estatísticos, fala de 
especialistas e testemunhos). Assim ela será firme, sedimentada e apresentada 
com autoridade. 
Analisemos todos esses fatores que contribuem para a qualidade textual no 
trecho a seguir. 
 
O Brasil é o terceiro mercado mundial de produtos de higiene pessoal, perfumaria e 
cosméticos, atrás apenas de Estados Unidos e Japão e à frente de gigantes como a China. 
Segundo os últimos dados disponíveis, o setor faturou 42 milhões de dólares no país no ano 
passado, o que representou um crescimento de 87% desde 2007. Nesse ritmo, o Brasil deve 
alcançar a vice-liderança no consumo mundial de cosméticos até 2017. Tudo isso torna o país 
um mercado decisivo para as maiores companhias de beleza do planeta, sobretudo em tempos 
de retratação das economias americana e europeia. (voces/a, ed. 179, abr. 2013, p. 56) 
 
Percebemos que o texto contém os fatores que analisamos. O autor apresenta 
as informações de forma clara, concisa (sem rodeios de palavras) e coerente (as 
informações expostas têm sentido). Utiliza elementos coesivos, como, por exemplo, 
“setor” e “companhias de beleza”, “país”, “nesse ritmo”, entre outros, que são usados 
para referir-se, respectivamente, ao/à setor/companhia de “produtos de higiene 
pessoal, perfumaria e cosméticos”, “Brasil” e “crescimento de 87% desde 2007”. O 
autor respeita as regras da norma culta da língua. Propõe-se a falar sobre o 
crescimento do setor de beleza no Brasil (ideia central) e apresenta dados sobre isso 
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(ideias secundárias), portanto, mantém a unidade temática. Em seus argumentos, 
expõe dados para ser consistente e, com isso, convence seu leitor de que o raciocínio 
apresentado é coerente. 
Nos próximos itens, daremos continuidade aos fatores de qualidade na 
construção de um texto, analisaremos com mais detalhes a coesão e a coerência 
textuais. 
 
4.3 Coesão textual 
A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre palavras, expressões 
ou sentenças do texto. Ela é manifestada por elementos linguísticos que assinalam o 
vínculo entre os componentes do texto. Ela pode ser referencial ou sequencial. 
 
4.3.1 Coesão referencial 
Refere-se à retomada de termos, expressões ou sentenças já mencionadas ou 
sua antecipação. A isso Koch (2001) chama de referência anafórica e catafórica, 
respectivamente. Vamos entender melhor cada um dos tipos de referência? 
Tradicionalmente, a anáfora é a retomada de elemento anterior em um texto, 
mantendo-se a identidade com o termo a que se refere. É o que podemos perceber no 
trecho a seguir. 
 
O Ministério da educação chegou anunciar a entrada em vigor da reforma ortográfica 
no Brasil já em 2008. Felizmente, essa data foi adiada (Veja, n. 2025, 12 set. 2007, p. 88). 
 
A expressão “essa data” refere-se a “2008”, data mencionada anteriormente, 
com a qual mantém a identidade. 
A catáfora refere-se a termos, expressões ou sentenças que serão ainda 
mencionados no texto, ou seja, ao que será dito adiante. É o que podemosperceber 
no exemplo a seguir. 
 
Eles já recomendaram bochechos com xixi e foram especialistas em cortar cabelos – mas 
salvaram nossa pele ao inventar a anestesia. Conheça a milenar (e assustadora) saga dos 
dentistas (Aventuras na História, n. 51, nov. 2007, p. 40). 
 
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O pronome destacado é um exemplo de catáfora porque se refere a “dentistas”, 
que foi mencionado depois do pronome “eles”. 
Além da anáfora e da catáfora, temos o dêitico, que é a relação referencial que 
se estabelece entre uma expressão linguística (dita dêitica) e um elemento da situação 
comunicativa, isto é, um referente exterior ao texto. Analisemos um trecho do poema 
Ausência, de Vinícius de Morais. 
 
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces... 
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto... 
No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida... 
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto... 
E em minha voz, a tua voz... 
(MORAES, Vinícius de. Antologia poética) 
 
Notamos que as expressões grifadas referem-se à situação comunicativa. Só 
sabemos quem é o “eu” (a pessoa que lamenta a ausência) e a quem se ele se refere 
(a amada) a partir do contexto comunicativo. Os termos “eu deixarei”, “mim”, “me”, “eu 
sinto”, “meu”, “minha” referem ao eu do poema; os termos “seus”, “te”, “veres”, “tua”, 
“teu” referem-se à amada a quem se dirige o eu do poema. 
Você verá que a coesão referencial serve para evitar repetições a partir dos 
recursos expostos na sequência. 
 
 Pronomes: uso de pronomes pessoais, demonstrativos, possessivos, relativos 
para fazer remissão a outros elementos textuais ou cotextuais (fora do texto). 
 
Reunir todo o conhecimento já produzido pelo ser humano, em placas de argila, papiros ou 
bits, é uma das ambições mais nobres e difíceis da história da humanidade. Dos idealizadores 
da Biblioteca de Alexandria, no século III a.C., aos tecnófilos do Vale do Silício, passado pelos 
iluministas do século XVIII e por políticos de todas as eras, muitos já se dedicaram a esse 
sonho. Com os esforços de grandes instituições para converter seus arquivos ao formato 
digital, surgiram novas tentativas de concretizá-lo. A recém-inaugurada Biblioteca Pública 
Digital da América é a mais recente delas – e uma das mais ambiciosas. (Época, n. 778, 22 
abr. 2013, p. 60). 
 
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A autora usou os pronomes “seus” para referir-se aos arquivos de grandes 
instituições, “lo” para referir-se a “sonho” e “delas” para referir-se a “novas tentativas”. 
Com isso, evitou a repetição de termos, como também estabeleceu a coesão textual. 
 
 Elipse: omissão de termo recuperável pelo contexto. 
 
“Só no Brasil” — eis aí três palavras que todo brasileiro costuma ouvir, 365 dias por ano, a 
respeito de coisas que só acontecem por aqui, geralmente muito ruins, e que são 
desconhecidas no resto do mundo. Em geral começam como uma discreta trapaça no uso do 
dinheiro público, depois se transformam num hábito nacional e, no fim, acabam virando um 
maciço conto do vigário aplicado o tempo todo pelos governos – que, como viciados em 
drogas, não conseguem mais viver sem ele. (Veja, n. 23, 6 jun. 2012, p. 174). 
 
No exemplo, ocorre a omissão do sujeito dos verbos “começam”, “transformam” 
e “acabam”, que é “coisas que só acontecem por aqui”. A elipse é utilizada para não 
repetirmos expressões desnecessariamente. 
 
 Sinônimo 
 
A população de Petrópolis, que somava 242 mil habitantes em 1980 subiu para 300 mil. Dados 
do IBGE revelam que mais de 25 mil moram em áreas de riscos, invasões ou habitações 
rudimentares. [...] O que impede as autoridades de retirar os moradores dos locais perigosos? 
(Época, n. 774, 25 mar. 2013, p. 40). 
 
O termo “moradores” retoma “habitantes”. Esses dois termos são sinônimos. 
 
 Antonomásia: substituição vocabular de um nome por um apelido ou 
característica/feito/ação pelo qual é reconhecido. 
 
Dilma Rousseff voltou de Roma convencida de que a preocupação com a pobreza pode ser um 
ponto em comum com Francisco. A presidenta acha que a estrutura capilar da Igreja pode 
ajudar o Bolsa Família a localizar os miseráveis não cadastrados, que o governo considera a 
última barreira para eliminar a miséria. (IstoÉ, Ano 37, n. 2262, nov. 2013, p. 29). 
 
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No exemplo, “presidenta” é um exemplo de antonomásia, pois é como Dilma 
Rousseff é reconhecida desde que foi eleita em 2010. 
 
 Repetição do nome próprio (ou parte dele): normalmente, citamos o nome 
completo e, depois, parte dele. 
 
Horas de conceder uma entrevista à IstoÉ, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, 
havia desembarcado de um voo procedente dos Estados Unidos. Apesar de estar saindo de 
um momento conturbado em que viveu sob artilharia pesada da oposição, o governador era o 
retrato de um político animado. [...] ele assinou um tratado tornando Brasília a primeira cidade 
da América do Sul oficialmente “irmã” de Washington. Com isso, assegura Agnelo, serão 
realizados intercâmbios entre técnicos de várias áreas das suas capitais, bem como haverá a 
promoção de inúmeras missões empresariais. (IstoÉ, Ano 37, n. 2262, 27 mar., p. 6). 
 
No exemplo, temos a substituição vocabular que se dá por meio de repetição de 
parte do nome próprio, ou seja, ao invés de repetir “Agnelo Queiroz”, retomou-se 
somente “Agnelo”. 
 
 Termo síntese: termo que condensa e resume o conteúdo de uma sentença, de 
um parágrafo ou de todo um fragmento do texto. Veja o exemplo. 
 
A ciência propõe duas explicações para o sentido da vida. A primeira, mais tradicional, é: o 
sentido (objetivo) da vida é reproduzir, ou seja, ter filhos. Ponto. Isso vale tanto para nós como 
para o sabiá, o cordeiro patagônico ou o bicho-da-seda. (Superinteressante, ed. 313, mar. 
2013, p. 49). 
 
No exemplo, o autor usou o termo síntese “isso” para sintetizar as informações 
expostas anteriormente (“o sentido (objetivo) da vida é reproduzir, ou seja, ter filhos”). 
 
 Advérbios: os mais utilizados são os de lugar e de tempo. 
 
A cobertura da imprensa de Primeiro Mundo sobre a violência no Brasil tende a ser 
sensacionalista, não apenas porque esse tipo de notícia vende, mas porque faz o público 
pensar que vive no melhor dos mundos possíveis. Ironicamente, para mim, o Brasil preenche 
essa descrição muito melhor que os Estados Unidos. Primeiro porque as pessoas daqui têm 
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mais generosidade, ginga e prazer de viver que a maioria dos americanos. (Superinteressante, 
n. 193, out. 2003, p. 122). 
 
No exemplo, o elemento de coesão utilizado é o advérbio “daqui”, que retoma 
“Brasil”. 
 
 Nominalização: uso de um substantivo que remete a um verbo enunciado 
anteriormente ou um verbo retoma um substantivo já enunciado. 
 
Casar, no século XXI, é uma atitude bem diferente daquela que motivava o casamento no início 
do século passado. 
 
No exemplo, o substantivo “casamento” retoma o verbo “casar”. 
 
4.3.2 Coesão sequencial 
A coesão sequencial tem a finalidade de ligar vocábulos, frases e parágrafos por 
meio dos conectores ou dos operadores argumentativosclassificados, pela gramática 
tradicional, como conjunções ou locuções conjuntivas. Eles designam os variados tipos 
de interdependência semântica existente entre as sentenças na superfície textual. É 
necessário, portanto, usar o operador adequado à relação que queremos expressar. 
Vamos conhecê-los. 
 
 Operadores de oposição: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, 
embora, apesar de que etc. 
 
Apesar do otimismo, o fato é que quase nada que os portugueses entendiam por comida 
nascia no Brasil. Os portugueses até tentaram: em 1532, na primeira expedição colonizadora, 
Martim Afonso de Souza plantou trigo em São Vicente. As plantas davam flores, mas 
murchavam sem grãos. As parreiras nasciam esquisitas, com uvas isoladas e não rendiam 
vinho decente. Arroz nascia, mas pouco e em grãos pequenos. Os bois morriam ou passavam 
mal com o calor e não conseguiam se reproduzir. (Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 
50). 
 
A ideia veiculada pelos articuladores apesar de, mas, no exemplo, é de 
oposição. No primeiro enunciado, apesar de quase nada nascer no Brasil, havia 
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otimismo por parte dos portugueses. Nos outros dois períodos (“as plantas davam 
flores” e “o arroz nascia”), o leitor cria uma expectativa ao que é exposto: espera-se 
que haja produção; porém o articulador contraria essa expectativa: “murchavam sem 
grãos” e “pouco e em grãos pequenos”. Portanto, há oposição entre as informações 
expostas entre as orações. 
 
 Operadores de causa: já que, visto que, uma vez que, como, pois, porque etc. 
 
Gêneros textuais como a carta circular ou o requerimento estão em extinção, pois o e-mail 
absorveu essas funções. (Veja, n. 2025, 12 set. 2007, p. 90). 
 
Observamos que a segunda proposição (“pois o e-mail absorveu essas 
funções”) iniciada por pois aponta para a causa, para o motivo de os gêneros textuais 
como a carta circular ou o requerimento estarem em extinção. Assim a proposição 
inicial (“Gêneros textuais como a carta circular ou o requerimento estão em extinção”) é 
a consequência da segunda. 
As conjunções uma vez que, visto que, já que podem tanto vir no início quanto 
no meio do período: “Uma vez que o e-mail absorveu as funções da carta circular ou 
do requerimento, esses gêneros textuais estão em extinção” ou “Gêneros textuais 
como a carta circular ou o requerimento estão em extinção, uma vez que o e-mail 
absorveu essas funções”. 
 
 Operadores de conformidade: conforme, de acordo, como, segundo etc. 
 
Falta muito pouco para os sul-coreanos ficarem mais ricos que os japoneses. Dentro de cinco 
anos, o PIB per capital da Coreia do Sul, calculado considerando o índice de custo de vida, 
deve ultrapassar o do Japão, segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional. (Veja, n. 
22, 30 maio 2012, p. 104). 
 
A relação de conformidade manifesta o acordo entre duas informações. O 
exemplo demonstra isso. Em lugar de segundo, poderíamos usar o articulador 
conforme, de acordo, pois todos apontam para o mesmo sentido. 
 
 Operadores de finalidade: para, para que, a fim de etc. 
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O Brasil tem feito conquistas fundamentais no combate ao tabagismo. Em decorrência de 
incisivas campanhas de conscientização e das políticas anticigarro, o número de fumantes caiu 
drasticamente nos últimos anos. [...] Mas, como acontece no tratamento de qualquer vício, um 
dos maiores entraves na luta contra o cigarro é o risco de recaídas. Identificar os motivos que 
levam um ex-fumante a voltar às tragadas é um movimento decisivo para evitar a reincidência e 
também para aperfeiçoar as estratégias terapêuticas contra o problema. (Veja, n. 23, 6 jun. 
2012, p. 100). 
 
Esse articulador indica finalidade entre duas proposições, implicando a ideia de 
fim previsto para uma determinada ação expressa na primeira oração. No exemplo, a 
identificação dos motivos que levam um ex-fumante a voltar às tragadas tem duas 
finalidades: evitar a reincidência e aperfeiçoar as estratégias terapêuticas contra o 
problema. 
 
 Operadores de temporalidade: quando, enquanto, sempre que, logo que, antes 
que, assim que, cada vez que, depois que, até que etc. 
 
Quando você vê um rosto pela primeira vez, o seu inconsciente decide, em frações de 
segundo, se aquela pessoa é amiga ou inimiga. É uma habilidade vital para a sobrevivência – e 
também permitiu que um homem totalmente cego voltasse a enxergar. (Superinteressante, ed. 
315, fev. 2013, p. 65). 
 
A ideia veiculada pelo articulador destacado (quando) no exemplo é de 
temporalidade. 
 
 Operadores de conclusão: portanto, logo, por isso, por conseguinte etc. 
 
A palavra ecologia estreou num dicionário em 1928, segundo Houaiss. Cerca de meio 
século, portanto, depois de ser criada pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel como 
Ökologie (a partir do grego oikos, “casa, habitação”), para designar o nascente estudo 
das relações entre seres vivos e meio ambiente. (Veja, n. 24, 13 jun. 2012, p. 122). 
 
O conector portanto introduz um enunciado de valor conclusivo em relação a 
um (ou mais) ato da fala anterior que contém uma dada informação. No exemplo, a 
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conclusão é introduzida a partir do que é exposto na primeira oração (“A palavra 
ecologia estreou num dicionário em 1928”). 
 
 Operadores de comparação: (tanto, tal, tão)... como (quanto), mais... do que, 
menos... do que etc. 
 
Cuidado com a mentira 
Pesquisa revela que mentimos mais no trabalho do que em casa. Receio de conflitos e falta de 
diálogo são alguns dos motivos. (vocês/a, ed. 179, abr. 2013, p. 68) 
 
O exemplo apresenta comparação entre a mentira no trabalho e em casa 
(“mais... do que”). 
 
 Operadores de adição: e, também, não só... mas também, tanto... como, além 
de, além disso, ainda, nem etc. 
 
Os gregos adoravam o equilíbrio, a ordem e a simetria. Por causa disso, o filósofo Aristóteles 
concluiu, no século 4 a.C., não apenas que a terra era uma esfera, e não um disco, como 
também que deveria existir, ao sul, um continente equivalente à massa que havia no norte. 
(Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 40). 
 
A função dos articuladores de adição é encaminhar o interlocutor da 
comunicação para uma mesma conclusão. No exemplo, temos operadores que somam 
um argumento adicional a um argumento já mencionado (enumeração do que os 
gregos adoram (“e”) e a conclusão de Aristóteles (“não apenas... como também”)). 
 
 Operadores de condição: se... então, caso etc. 
 
Se o julgamento do mensalão acontecesse hoje e os principais réus fossem condenados à 
pena mínima de prisão pelos crimes de que são acusados, apenas três deles (o empresário 
Marcos Valério, o deputado João Paulo Cunha e o ex-deputado Roberto Jefferson) teriam de 
cumprir a decisão. Os demais estariam livres, dado que suas penas já teriam prescrito. (Veja, 
n. 23, 6 jun. 2012, p. 70). 
 
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Como podemos notar, a realização de uma informação (“apenas três deles [o 
empresário Marcos Valério, o deputado João Paulo Cunha e o ex-deputado Roberto 
Jefferson] teriam de cumprir a decisão”) está condicionada à realização da outra (“Se o 
julgamento domensalão acontecesse hoje e os principais réus fossem condenados à 
pena mínima de prisão pelos crimes de que são acusados”). É essa ideia de condição 
que o articulador se introduz. 
 
 Operadores de disjunção: ou 
 
A Campanha Nacional contra a Saúva tinha o lema “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou 
a saúva acaba com o Brasil”. Foi a primeira iniciativa científica do estado em lidar com 
as condições agrícolas. (Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 53). 
Às vezes, confunde-se gentileza e cavalheiriso com romantismo. Abrir a porta do carro ou do 
elevador para a mulher, oferecer lugar para ela sentar [...], ter atitudes de proteção, tratar com 
educação [...] são comportamentos que qualquer homem deve ter com a mulher [...]. (Lola, fev. 
2012, p. 80). 
 
O conector “ou” é ambíguo, ora correspondente à forma exclusiva (isto é, um ou 
outro, mas não ambos, conforme o primeiro exemplo), ora à forma com valor inclusivo 
(ou seja, um ou outro, possivelmente ambos, conforme o segundo exemplo). Observe 
que, quando inclusivo, o ou pode ser substituído por e. 
 
Quando estivermos produzindo textos, é importante usarmos os operadores 
argumentativos adequados para não prejudicarmos a coerência textual. 
 
4.4 Coerência textual 
A coerência é o fator essencial da textualidade, uma vez que ela é responsável 
pelo sentido do texto (COSTAL VAL, 1999). É ela que dá origem à textualidade (KOCH; 
TRAVAGLIA, 2001). 
 
A textualidade faz “com que um texto seja um texto, e não apenas uma 
sequência de frases” (COSTAL VAL, 1999, p. 5). A coesão e a coerência são 
alguns dos fatores que contribuem para isso. 
 
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Na sequência, examinaremos os princípios fundamentais responsáveis pela 
construção de um texto coerente. 
 
a) Coesão textual: um texto coerente deve ter elementos recorrentes, por meio de 
pronomes, elipses, sinônimos ou qualquer outro recurso. Vejamos, no exemplo a 
seguir, se há ou não coesão textual. 
 
As cadeias brasileiras estão cheias de celulares contrabandeados. Mas, nos Estados Unidos, 
os detentos de três Estados (Louisiana, Virgínia e Washington) já podem comprar e usar 
legalmente um gadget: tablet JP4, que custa US$ 50 e foi criado pela empresa JPay a pedido 
do governo. O tablet da cadeia é bem pequeno – sua tela tem 4,3 polegadas (menos da 
metade de um iPad comum) –, mas a memória até que não é tão ruim: 8 gigabytes. Por 
segurança, o JP4 não tem acesso à internet. Mas vem com games, rádio e calendário e pode 
ser abastecido com músicas e audiolivros [...]. O preso também pode baixar fotos e e-mails 
enviados por sua família – mas esse conteúdo é vistoriado previamente pelos carcereiros. [...] 
(Superinteressante, ed. 317, abr. 2013). 
 
No exemplo, os termos destacados recuperam informações anteriores, como, 
por exemplo, “tablet da cadeia”, “sua” e “JP4” referem-se ao “tablet JP4”; “sua” refere-
se à família do “preso”; “esse conteúdo” retoma “e-mails enviados por sua família”. 
 
b) Progressão: um texto coerente deve apresentar renovação do conteúdo, ou 
seja, um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai 
sendo escrito. Vejamos, no texto a seguir, se há ou não progressão de 
conteúdo. 
 
Esse funcionário não faz nada. Fica apenas reclamando de suas tarefas, ou seja, chega, liga 
seu computador e reclama de seus afazeres no escritório. Acha que trabalha muito e reclama 
do que tem de ser feito. Não faz nada! 
 
Não há, no exemplo, informações novas, há sim repetição do que já foi dito. 
Poderíamos reduzir essa informação a: “esse funcionário não faz nada. Só reclama de 
suas tarefas”. Portanto, como o autor desconsiderou a progressão, a coerência foi 
prejudicada. 
 
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c) Não contradição: em um texto coerente, o que se diz depois não se pode 
contradizer com o que se disse antes ou o que ficou pressuposto. Cada pedaço 
do texto deve fazer sentido com o que se disse antes. Analisemos se, no texto 
seguir, isso é considerado pelo autor. 
 
O quarto espelha as características de seu dono: um esportista, que adorava a vida ao ar livre 
e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia sinais disso: 
raquetes de tênis, prancha de surf, equipamento de alpinismo, um tabuleiro de xadrez com as 
peças arrumadas sobre mesinha, as obras completas de Shakespeare. (PLATÃO, F.; FIORIN, 
J. L. Lições de texto: leitura e redação. 5. ed. São Paulo: Ática, 2006). 
 
Uma das qualidades de um bom texto é não apresentar contradição. No 
exemplo, há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que o quarto tinha as 
características de seu dono, que era um esportista que não gostava de atividades 
intelectuais, e, depois, menciona que, no quarto, havia um tabuleiro de xadrez 
arrumado e as obras completas Shakespeare. Portanto, o autor acaba se 
contradizendo. É um texto sem credibilidade argumentativa. 
Portanto, para produzirmos um texto de qualidade, devemos ser criativos, claros, 
coerentes na exposição de nossas ideias, usar a língua padrão, utilizar os elementos 
de coesão, argumentar bem e manter a unidade temática. 
 
Atividades 
1. Leia e analise o trecho a seguir. 
“Sinto falta da galinha da minha mãe, do peixe do meu pai e da energia do povo brasileiro” 
(Gisele Bündchen, Veja, n. 2025, 12 set. 2007, p. 53). 
a) O texto de Gisele, a top model, apresenta ambiguidades. Identifique-as. 
b) Dos fatores que contribuem para a qualidade textual, qual foi prejudicado devido às 
ambiguidades? Por quê? 
c) Para torná-lo um texto bem escrito, reescreva o trecho, tirando essas ambiguidades. 
 
2. Para Koch (2001), a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um 
sentido ao texto, ou seja, é o que faz o texto fazer sentido para os usuários, devendo, 
portanto, ser entendida como um princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade 
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do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para 
calcular o sentido desse texto. 
Os trechos abaixo pertencem a um único texto, mas estão desordenados. Ordene-os 
conforme a estrutura textual de introdução, desenvolvimento e conclusão. Em seguida, 
indique a respectiva sequência correta. 
( ) E os adolescentes entre 16 e 17 anos são os que mais leem diariamente. No Brasil 
se lê bastante e a cada dia o consumo de livros cresce. Nas faixas etárias que vão do 
infantil ao juvenil, vimos um expressivo crescimento do número de leitores nos últimos 
dez anos. Há uma geração ávida por romances, aventuras, sagas, histórias de não 
ficção. 
( ) Entretanto ela cita que a maioria dos estudos que falam de menos leitura entre 
pessoas de até 40 anos é baseada em livros de papel e, em geral, só contabilizam 
textos narrativos e não informativos. Apesar desse “preconceito”, são os nativos digitais 
que têm lido mais livros. O Centro de Pesquisa Pew indicou que os americanos jovens 
estão lendo significativamente mais títulos que os adultos, incluindo o formato 
impresso. 
( ) E isso se deve à combinação escola, lições de casa e um número expressivo de 
leitura por prazer – 67% dos jovens com menos de 30 anos leem pelo menos uma 
obra, em qualquer formato, por semana. Enquanto esse número é de 58% para os 
mais velhos. 
( ) Jessica E.Moyer, doutora em filosofia pela Universidade de Minnesota, nos EUA, 
concluiu em sua dissertação que o engajamento e a compreensão dos jovens é o 
mesmo em qualquer formato, seja no papel, digital ou áudio-livro. 
A sequência correta é 
a) 2° - 1° - 4° - 3°. 
b) 1º - 2° - 3°- 4°. 
c) 3° - 4° - 2° - 1°. 
d) 4° - 2° - 3° - 1°. 
e) 4° - 3° - 1° - 2°. 
 
Leia o trecho a seguir para responder às questões de 3 a 5. 
Wasaburo Otake nem imaginava que se tornaria carioca da gema quando foi designado 
intérprete de oito oficiais da Marinha brasileira em visita ao Japão. Ele nem sequer falava 
nosso idioma – o inglês era a língua usada nas conversas com os militares. Mas o aristocrata 
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japonês, então com 17 anos, ganhou a simpatia de Augusto Leopoldo, neto do imperador D. 
Pedro II, que o convidou para acompanhá-Io em sua viagem de volta para conhecer o Brasil. O 
navio nem deixou a Ásia e a aventura já começou a esquentar. No Ceilão (atual Sri Lanka), o 
príncipe teve de descer: era 1889, e a República, proclamada, obrigava a família real a se 
afastar das instituições brasileiras. Chegando ao Rio, Otake não tinha mais a proteção real. 
Precisou se virar. Aprendeu português, ingressou na Escola Naval e entrou para a história. É o 
primeiro japonês de que se têm registros concretos de ter morado no Brasil (Superinteressante, 
n. 245, nov. 2007, p. 56). 
 
3. Em relação ao trecho em análise, examine as afirmativas a seguir e depois assinale 
a alternativa correta. 
I) O texto apresenta os fatores que contribuem para a qualidade texto. Um desses 
fatores é a unidade temática. Apresenta uma ideia central, que é Wasaburo Otake, o 
primeiro japonês brasileiro, e outras que giram em seu redor, em que a autora mostra 
como Otake se tornou o primeiro japonês que morou no Brasil. 
II) Outro fator de qualidade presente no texto é a concisão, pois a autora menciona as 
informações de uma forma objetiva, sem rodeios de palavras. Também há clareza, uma 
vez que essas informações são facilmente entendidas pelo leitor. 
III) O texto também é coerente e coeso, visto que o que é exposto faz sentido para o 
leitor e as informações estão ligadas, como podemos perceber pelos termos em negrito 
(coesão por remissão). 
a) Todas as afirmativas estão corretas. 
b) Todas as afirmativas estão incorretas. 
c) Apenas a afirmativa II está incorreta. 
d) Apenas a afirmativa III está incorreta. 
 
4. Em relação à coesão textual, assinale a única alternativa incorreta. 
a) Os termos em negrito, “ele”, “o aristocrata japonês”, “o”, “Otake” referem-se ao 
Wasaburo Otake. 
b) Os pronomes “lo”, “sua” e “o príncipe” referem-se a Augusto Leopoldo. 
c) A autora, ao empregar todos os termos que estão em negrito, utilizou a referência 
catafórica, uma vez que os termos referentes retomam palavras já mencionadas. 
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d) A autora utilizou os seguintes processos de coesão: pronominalização (“ele”, “o”, “lo” 
e “sua”), antonomásia (“aristocrata japonês”, “príncipe”) e repetição de parte do nome 
próprio (“Otake”). 
 
5. Analise o trecho a seguir. 
Chegando ao Rio, Otake não tinha mais a proteção real. Precisou se virar. Aprendeu 
português, ingressou na Escola Naval e entrou para a história. É o primeiro japonês de 
que se têm registros concretos de ter morado no Brasil. 
Identifique onde estão as elipses e diga qual é o termo que foi omitido. 
 
6. O uso inadequado dos operadores argumentativos nas sentenças a seguir provoca 
um efeito de incoerência. Reescreva-as, fazendo as alterações necessárias para 
garantir o estabelecimento das relações de sentido corretas. 
a) Moramos no mesmo andar, mas vemo-nos com frequência, por isso mal nos 
falamos. 
b) O livro é muito interessante porque tem 570 páginas. 
c) O show estava excelente, por isso eles saíram antes de terminar, porém tinham um 
aniversário para ir. 
 
7. Leia com atenção as manchetes e explique a incoerência presente em cada uma 
delas. 
a) "A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano." 
JORNAL DO BRASIL. 
b) "Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente." O 
GLOBO 
c) "Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável." O GLOBO 
d) "Parece que ela foi morta pelo seu assassino." EXTRA 
e) "O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão." O DIA. 
f) "A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço." EXTRA 
g) "Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio." O 
GLOBO 
h) "Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel." EXTRA 
i) "O cadáver foi encontrado morto dentro do carro." O GLOBO 
 
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Referências 
ABREU, A. S. Curso de redação. 11. ed. São Paulo: Ática, 2004. 
COSTA VAL, M. da G. Redação e textualidade. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 
1999. 
KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2001. 
______; TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2001. 
OLIVEIRA, J. L. de. Texto técnico: guia de pesquisa e de redação. Brasília: abc BSB, 
2004. 
 
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CAPÍTULO 5: O PARÁGRAFO E A PRODUÇÃO TEXTUAL 
Escrever é uma atividade complexa, resultado de uma boa 
alfabetização, hábito de leitura, formação intelectual, 
acesso a boas fontes de informação e muita, muita prática. 
(Dad Squarisi e Arlete Salvador) 
 
Introdução 
A sociedade contemporânea exige pessoas que escrevam bem. Comunicamo-
nos por e-mail e nas redes sociais. No nosso trabalho, fazemos ofícios, memorandos 
ou qualquer outro tipo de documentos. Nessas situações, é necessário ser claro, 
conciso, coerente, usar a coesão, estar atento à correção gramatical e à unidade 
temática e apresentar argumentos adequados para ser convincente. Esses são fatores 
responsáveis pela qualidade, estudados no capítulo anterior. 
Sabemos que produzir um texto de qualidade não é fácil. Nem por isso devemos 
desanimar. Precisamos treinar muito, pois só assim conseguiremos aperfeiçoar nossa 
escrita. Por isso, neste capítulo, daremos continuidade à produção textual. Veremos o 
que é parágrafo, analisaremos sua estrutura e examinaremos formas de elaborar o 
tópico frasal, o desenvolvimento e a conclusão, que lhe ajudarão na produção de seus 
textos. É importante ter esses conhecimentos, mas o primordial é conhecer o assunto 
sobre o que escreverá. Portanto, mantenha-se informado lendo bons livros, jornais e 
revistas e praticando o que verá neste capítulo. 
 
5.1 Parágrafo: conceituação 
Garcia (2000, p. 203) define o parágrafo como “uma unidade de composição, 
constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve ou se explana 
determinada ideia central, a que geralmente se agregam outras, secundárias, mas 
intimamente relacionadas pelo sentido". Portanto, um parágrafo bem elaborado não é 
apenas a exposição de uma ou várias informações, mas, além de apresentar a 
informação, é preciso desenvolvê-la. 
O conceito exposto se aplica ao chamado parágrafo padrão, que é constituído 
de três partes essenciais: tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. No entanto 
há diferentes formasde construção do parágrafo, dependendo da natureza do assunto, 
do gênero da composição, do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o 
texto escrito. 
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Depois de analisarmos o conceito de parágrafo, é interessante conhecermos a 
sua estrutura detalhadamente, a fim de organizá-lo. 
 
5.2 Parágrafo: redação 
Neste item, explicitaremos cada uma das partes do parágrafo padrão, como se 
dá sua redação e suas formas diversas de construção. Fique atento! 
 
5.2.1 A formulação do tópico frasal 
Como já estudamos no capítulo 2, o tópico frasal traduz, de maneira geral e 
sucinta, a ideia-núcleo do parágrafo. Ele introduz o assunto e o aspecto desse 
assunto, a ideia central com o potencial de gerar outros períodos, chamados de ideias 
secundárias. Serve para orientar o resto do parágrafo. Assim, o tópico frasal garante 
que você não se afaste do objetivo estabelecido e mantenha a coerência do texto. 
Passemos ao estudo das principais formas de elaborar o tópico frasal do 
parágrafo, a partir do que é exposto por Abreu (2004) e Viana (2000). 
 
 Declaração inicial: você inicia o parágrafo com uma declaração sucinta na qual 
apresenta o assunto e seu aspecto que serão desenvolvidos no parágrafo, como 
podemos observar no exemplo a seguir. 
 
A remuneração dos executivos de finanças que trabalham em São Paulo está entre as 
maiores do mundo. O salário médio anual desses profissionais é de 545.000 reais, sem 
contar o bônus. Os brasileiros só perdem para seus pares em Nova York, que recebem 
640.000 reais, e para os de Londres, que ganham 590.000 reais. Os brasileiros ficam na frente 
dos chineses, dos espanhóis e dos franceses. Os dados vêm de uma pesquisa divulgada no 
mês passado pela Robert Walters, consultoria inglesa de recrutamento executivo, que analisou 
informações de 53 empresas em 24 países (VOCÊ S/A, ed. 179, abr. 2013, p. 46). 
 
Você deve ter notado que o autor apresentou uma declaração sucinta no tópico 
frasal (em negrito) e depois a desenvolveu em outros enunciados (ideias secundárias 
que são o desenvolvimento da informação exposta no tópico frasal). 
 
 Definição: você abre o parágrafo com uma definição. É o que podemos notar no 
parágrafo a seguir, em que o autor define a expressão “céu de brigadeiro”. 
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“Céu de brigadeiro” é uma gíria carioca que foi popularizada pelos locutores de rádio. 
Ela é dita quando alguém pretende descrever um dia em que tudo parece conspirar a 
favor ou mesmo para dizer que o dia está bonito. Surgiu entre as décadas de 1940 e 1950. 
Na época, o Rio de Janeiro era a capital do Brasil, responsável por boa parte do tráfego aéreo. 
Brigadeiro é o posto máximo da Aeronáutica. E é um oficial que só comanda um avião quando 
o céu está limpo, sem nuvens. Por isso, ao dizer que o céu estava “de brigadeiro”, a intenção 
era reforçar que não havia problemas à vista. (Aventuras na História, n. 48, ago. 2007, p. 19). 
 
 Divisão: o tópico frasal é apresentado sob a forma de divisão ou discriminação 
das ideias que serão desenvolvidas no parágrafo. Essa forma é apresentada no 
exemplo a seguir, em que o autor menciona que o tiro de escopeta no 
sindicalista Chico Mendes “fez surgir dois mitos”, apresenta-os e os explana no 
desenvolvimento. 
 
O tiro de escopeta que cravou 42 grãos de chumbo no peito do sindicalista Chico 
Mendes poucos dias antes do Natal de 1988 tirou-lhe a vida e fez surgir dois mitos. O 
primeiro conferiu ao seringueiro uma aura heroica, de mártir das matas de Xapuri, no Acre. O 
segundo se refere à nova ideologia que se propagou a partir das causas defendidas por Chico 
Mendes. Para ele, o modo de vida extrativista seria capaz de proporcionar um sustento digno 
aos povos da floresta sem prejuízo ambiental, desde que amparado pelo governo. Ou seja, em 
vez de derrubar a mata para dar lugar à agropecuária, a população local poderia viver da coleta 
de seivas e frutos e da venda da madeira de árvores mais velhas. [...] (Veja, n. 8, 20 fev. 2013, 
p. 107). 
 
 Alusão histórica: você introduz o parágrafo mencionando um fato ou um 
período histórico, como podemos observar no parágrafo a seguir, em que o 
autor faz referência ao primeiro século da era cristã. 
 
Ao longo do primeiro século da era crista, pelo menos dez pessoas diferentes se 
declararam "messias". A expressão “messias” significa "o consagrado" e remete à profecia de 
um descendente do rei judeu Davi que iria reconstruir Israel em toda a sua força. É por isso que 
os Evangelhos dizem que Jesus nasceu em Belém, a terra de origem do rei mítico, enquanto 
os historiadores acreditam que ele veio ao mundo em Nazaré, na época um pequeno vilarejo 
de apenas 500 habitantes. (Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 30 (adaptado)). 
 
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 Pergunta: o parágrafo é iniciado com uma interrogação. A pergunta deve ser 
respondida ou esclarecida no desenvolvimento, como podemos notar no 
exemplo a seguir, em que o autor esclarece no desenvolvimento o que 
questionou no tópico frasal. 
 
Quem disse que o cérebro não precisa de boa alimentação? Assim como, para manter o 
corpo em forma, seguimos uma alimentação balanceada, o cérebro também pede alimentos 
pouco calóricos, muitas frutas, verduras, vegetais e peixes. Afinal, os antioxidantes, além de 
contribuírem para uma aparência mais jovem, ajudam o cérebro a se rejuvenescer. (Língua 
Portuguesa, ed. 34, jan. 2012, p. 18). 
 
 Citação: consiste em mencionar trecho de algum autor, livro, revista, dados de 
pesquisa etc. A citação pode ser: direta (quando citamos as palavras ditas ou 
escritas por alguém, por isso devemos usar as aspas); ou indireta (quando 
reproduzimos com nossas palavras o que o autor disse ou escreveu). Observe, 
no parágrafo a seguir, um exemplo de tópico frasal com citação indireta, que 
expõe o posicionamento da crítica em relação ao jazz. 
 
O jazz estagnou, mudou-se e não deixou endereço conhecido, morreu para nunca mais 
voltar. Esse costuma ser o tom da crítica mais ranheta e nostálgica, que há muito acusa 
a falta de inovação do gênero musical americano. Existe aí uma parcela de razão: desde 
que o trompetista Miles Davis aproximou os improvisos do jazz à pulsação do rock em Bitches 
Brew, de 1970, não apareceram mais novas receitas nem ideias para fusões tão instigantes. 
Mas isso não significa que os jazzistas tenham perdido toda a capacidade de se renovar. 
Basicamente, eles hoje utilizam a régua e o compasso – no caso, os ritmos – da tradição para 
fazer figuras geométricas diferentes. [...]. (Veja, n. 23, 6 jun. 2012, p. 174). 
 
Você pode perceber, nos exemplos expostos, que as sentenças iniciais 
introduziram o assunto, que é a ideia central. A partir dessa ideia, surgiram outros 
períodos que orientaram o desenvolvimento do restante do parágrafo. 
Depois de aprendermos como podemos iniciar a elaboração de um parágrafo, 
examinaremos as formas para construir seu desenvolvimento. 
 
 
 
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5.2.2 O desenvolvimento do parágrafo 
Nessa etapa de redação do parágrafo, você passa a expandir as ideias 
indicadas no tópico frasal. Para isso, em primeiro lugar, deve selecionar aspectosou 
detalhes particulares que desenvolvam o tópico frasal e, após, ordená-los, ou seja, 
construir um plano de desenvolvimento que servirá como forma de controle. Isso 
evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o 
objetivo fixado. 
Veremos as formas de construir o desenvolvimento do parágrafo a partir do que 
é exposto por Garcia (2000). 
 
 Ordenação por enumeração: consiste em enumerar diferentes situações ou 
características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal. 
Organiza-se, frequentemente, por meio de certos articuladores que têm a função 
de marcar a ordem, segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. 
Alguns desses articuladores são: primeiro, segundo, em primeiro lugar, em 
segundo lugar, inicialmente, após, a seguir, depois, em seguida, mais adiante, 
por fim, ainda, além, também etc. Analisemos o desenvolvimento por 
enumeração no seguinte parágrafo. 
 
Há três motivos prováveis para o comportamento ofensivo ou falta da boa educação em 
discussões sobre temas polêmicos nas redes sociais. O primeiro é que o contato a distância, 
pela internet, não dispõe dos elementos que provocam empatia com o interlocutor, como o 
olhar, a expressão corporal e o tom de voz, e que servem de freio às ofensas. Quando se está 
frente a frente com alguém, até a disposição para tocar em temas sensíveis diminui. O 
segundo motivo é que as redes sociais colocam na mesma sala virtual amigos próximos e 
meros conhecidos. Nas relações do mundo real, as pessoas se afastam naturalmente de 
amigos com os quais deixaram de ter afinidade por alguma razão – seja por terem adotado 
estilos de vida diferentes, seja pelas posições políticas. As redes sociais, grosso modo, nos 
fazem essa distinção e muitas vezes obrigam o dono do perfil a ler as opiniões desbaratadas 
publicadas por "amigos" com os quais mantém apenas uma relação superficial. Terceiro, as 
redes on-line incentivam os membros a expor seu lado militante. O mural (onde as mensagens 
são publicadas) do Facebook, por exemplo, é, como o próprio nome sugere, um ótimo lugar 
para "colar" cartazes e "estender" bandeiras ideológicas virtuais. Ali se faz proselitismo de 
vegetarianismo, de crenças religiosas, de posições políticas e de outras causas. Como não há 
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botão de "Não Curtir" no Facebook, resta discordar por meio de um comentário ou se calar. 
(Veja, n. 6, 8 fev. 2012, p. 86-87). 
 
 O parágrafo em análise exemplifica a ordenação por enumeração, em que o 
autor aponta os três prováveis motivos que levam as pessoas a serem ofensivas e sem 
educação nas discussões de temas polêmicos em redes sociais. 
 
 Ordenação por causa-consequência: consiste em indicar a(s) causa(s) do fato 
apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). A relação causa-
consequência, estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo, ou é evi-
denciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida 
semanticamente, ou seja, por meio da interpretação das ideias relacionadas. 
São expressões indicadoras de causa: porque, já que, visto que, uma vez 
que, pois, a razão disso, a causa disso, devido a, por motivo de, em virtude de, 
graças a etc.; de consequência: tão que, tal que, tanto que, tamanho que, de 
forma que, de maneira que, de modo que, em consequência, como resultado, 
por isso, em vista disso etc. 
Analisemos de que forma a ordenação por causa é trabalhada no 
parágrafo a seguir. 
 
Por que o transporte ferroviário é tão precário no Brasil? O país se afastou dos trilhos nos anos 
1950, com plano de crescimento rápido do presidente Juscelino Kubitschek, que priorizou 
rodovias. A construção de ferrovias era lenta para fazer o Brasil crescer “50 anos em cinco”, 
como ele queria. [...] Além disso, o lobby das rodovias foi forte. Desde a era JK, os 
investimentos e subsídios no setor são grandes, não só para abrir montadoras. Outro 
responsável foi o café, em baixa nos anos 1930. Ele era transportado principalmente por trens, 
então várias empresas férreas faliram com a falta de trabalho. Em 1957, o governo estatizou as 
companhias ferroviárias. Desde então, o foco é o transporte de carga. Por isso, em 2012, os 
trens carregam só 3% dos passageiros do País (isso porque incluímos o metrô na conta). Mas, 
na próxima década, o cenário deve mudar. (Superinteressante, ed. 315, fev. 2013, p. 24). 
 
O autor expõe as causas de o transporte ferroviário ser tão precário no 
Brasil: plano de crescimento rápido do presidente JK, que priorizou rodovias 
devido à construção de ferrovias ser muito lenta; investimentos e subsídios altos 
tanto para abrir estradas como para atrair montadoras; falência de empresas 
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férreas devido à baixa do café, transportado principalmente por trens; 
estatização das companhias ferroviárias com o foco no transporte de carga. 
Você deve ter notado também que, para expor as causas, o autor utilizou a 
enumeração: “além disso” e “outro responsável” (releia o texto e verifique com 
mais nitidez esse detalhe). 
 
 Ordenação por comparação ou confronto - semelhança ou contraste: 
consiste em estabelecer um confronto de ideias, seres, coisas, fatos ou 
fenômenos, mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes 
(diferenças). Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como... 
também, tanto como... tanto quanto, além de... também, não só... (como) 
também, de igual modo, em ambos os casos, de um lado... de outro lado, por 
um lado... por outro lado, se por um lado... por outro lado, (para) uns... (para) 
outros, este... aquele, ao contrário..., em oposição..., enquanto..., já..., ao passo 
que..., mas..., porém etc. Observe o texto a seguir. 
 
Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud, é a de que mudou nossa maneira de 
compreender a cultura, o outro e a nós mesmos. Mas as divergências em torno de sua pessoa 
e de sua obra são imensas. Para alguns, Freud foi um gênio, um herói que desbravou as 
profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau 
desconhecido até então, por amor à ciência [...]. Para outros, não foi mais do que uno 
charlatão, um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública, um homem que 
enxergava o sexual em todas as coisas, alguém que perseguia os discípulos dissidentes, que 
não media os meios para impor suas ideias. (Freud: a exploração do inconsciente. História do 
Pensamento, Fasc. 54, p. 641.) 
 
Esse parágrafo exemplifica a comparação por contraste, visto que apresenta 
opiniões divergentes em relação a Freud (gênio x charlatão). 
 
 Ordenação por tempo e/ou espaço: algumas vezes, ao elaborarmos um texto, 
surge a necessidade de organizarmos os fatos, as ideias pelo critério tempo e/ou 
espaço. As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente 
mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. Já a ordenação temporal 
exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento 
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de algo acontecido. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de 
ordenação de ideias por tempo e espaço. 
Examinemos as expressões indicativas dessas formas de ordenação: 
tempo: agora, já, ainda, antes, depois, em seguida, breve, logo que, finalmente, 
frequentemente, após, antes de, à medida que, à proporção que,enquanto, 
sempre que, assim que, ultimamente, presentemente, no século tal, muitos anos 
atrás, naquele tempo etc.; espaço: longe de, perto de, em frente de, atrás de, 
diante de, detrás de, abaixo de, dentro de, fora de, aí, ali, cá, além, à direita, à 
esquerda, no país tal, no local tal etc. 
 No parágrafo a seguir, observe, a partir dos termos destacados, que o 
desenvolvimento se dá por meio de indicação de tempo e de espaço. 
 
Nos anos 80, o imenso progresso social e econômico da Coreia do Sul chamou a atenção do 
mundo. O país tornou-se o mais vistoso dos tigres asiáticos. Nessa mesma década, a menos 
de 200 quilômetros de distância, o Japão, que emergira como a grande potência asiática do 
pós-guerra, chegando ao posto de segunda maior economia do mundo, começava a declinar. 
O modelo exportador japonês criou enorme riqueza e elevou o padrão de vida dos japoneses a 
níveis extraordinários, mas a excessiva valorização cambial evoluiu para uma bolha 
especulativa que se materializou principalmente nos salários e no ramo imobiliário. No começo 
dos anos 90, o terreno do Palácio Imperial em Tóquio custava em dólares mais do que todos 
os imóveis da Califórnia. Secretárias japonesas ofereciam lances maiores do que executivos 
americanos por casas luxuosas no Havaí. Em 1992, a bolha estourou. A economia japonesa 
estagnou e, desde então, vem se arrastando com índices mínimos de crescimento. A crise 
mundial de 2007 e 2008 reduziu as exportações. Um de cada três dekasseguis, brasileiros que 
foram para a terra dos avós em busca de uma vida melhor, voltou ao Brasil. No mesmo ano 
(2011) em que um terremoto seguido de tsunami quase provocou uma tragédia nuclear em 
Fukushima, o Japão perdeu o posto de segunda maior economia para a China. (Veja, n. 22, 
30 maio 2012, p. 106). 
 
 Ordenação por definição: de todas as formas de ordenação, essa é a mais 
abstrata, pois revela os atributos essenciais de um objeto, sentimentos, 
expressões por meio de sua definição. É muito utilizada em textos técnicos ou 
científicos. Nessa forma de ordenação, é frequente o emprego do verbo ser ou 
de verbos como chamar-se, denominar-se, considerar-se, tratar-se de. 
Comunicação e Expressão 
 
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Analisemos de que maneira a ordenação de desenvolvimento por definição é 
utilizada no parágrafo a seguir. 
 
A expressão “não ter papas na língua” é uma mistura de espanhol com português. Ela tem 
origem no termo estrangeiro “no tiene pepiras en Ia lengua” - em português, "não tem pevides 
na língua". Pevides são pequenos tumores que revestem a língua de algumas aves, 
obstruindo-lhes o cacarejo. A doença dificulta a ingestão de água e de alimentos, podendo até 
matar. No singular, pevide é ainda um distúrbio da fala - o paciente apresenta dificuldade e até 
mesmo incapacidade de pronunciar alguns fonemas. Portanto, quando fulano não tem as tais 
pepitas - que, no aumentativo em espanhol, viram as papas da expressão - na língua, significa 
que ele fala muito, à vontade e sem obstáculos. (Aventuras na História, ed. 48, ago. 2007, p. 
19). 
 
A ordenação do desenvolvimento por definição foi usada para explicar o 
significado da expressão “não ter papas na língua”. 
 
 Ordenação por exemplificação: consiste em elucidar um conceito ou justificar 
uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. O exemplo estabelece um elo, 
uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor, principalmente quando se 
trata de algo muito abstrato. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para 
justificar a afirmação feita no tópico frasal. 
 
Os visionários que tentaram levar desenvolvimento econômico e progresso social à Amazônia 
brasileira raramente foram bem-sucedidos. Em 1928, o americano que popularizou o 
automóvel, Henry Ford, fundou nas margens do Rio Tapajós, no Pará, a cidade de Fordlândia. 
O magnata queria plantar 2 milhões de seringueiras para criar um polo de produção de 
borracha. Seu objetivo era ficar independente dos fornecedores ingleses, que detinham o 
monopólio do produto. O investimento de dezenas de milhões de dólares seria depois custeado 
pela borracha, pela madeira e pelos minerais extraídos da região. A cidade, erguida ao estilo 
americano e com casas de madeira, chegou a ter 25 000 habitantes, 5 000 deles empregados 
na iniciativa. Havia esgoto, luz elétrica, cinema, campo de golfe e um dos hospitais mais 
avançados do Brasil. Em 1936, Ford fundou outro povoado, Belterra, também próximo do 
Tapajós. O projeto fracassou. As árvores foram destruídas por pragas desconhecidas, que não 
existiam na Malásia nem na Indonésia. Ford investiu quase 300 milhões, em valores atuais, em 
sua empreitada tropical. Os 31 000 habitantes que vivem em Aveiro, onde ficava Fordlândia e 
Belterra, hoje se dedicam à agricultura e à pecuária. (Veja, n. 8, 20 fev. 2013, p. 109). 
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 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 82 
 
Você deve ter notado que o desenvolvimento exemplifica o que é exposto no 
tópico frasal. O autor menciona o projeto visionário de Henry Ford nas margens do Rio 
Tapajós, no Pará, que, apesar de arrojado, fracassou devido às pragas desconhecidas 
que atacaram os pés de seringueiras. 
 
 Argumento de autoridade: consiste em apresentar, no desenvolvimento, dados 
colhidos da realidade, citações de autoridades (principais autores sobre o 
assunto do qual faremos a exposição), exemplos e ilustrações, argumentos de 
valor universal (os irrefutáveis) (VIANA, 2000). Utilizando essas estratégias, 
nossos argumentos se tornam mais fortes, têm mais poder de convencimento. 
Analise o parágrafo a seguir. 
 
A grande maioria dos abusadores são pedófilos – ou, segundo o manual da psiquiatria, 
portadores de transtorno parafílico – que agem em casa, de forma dissimulada, sem apelar 
para atos violentos como espancamentos. Esse agressor, muitas vezes, é tímido, solitário e 
não tem comportamento criminoso. Inepto na relação com pessoas da sua idade, ele deseja a 
criança de forma patológica, compulsiva, agravada pela sensação de poder do homem adulto 
diante da criança pequena. Quando sai do plano da fantasia para a realidade, o que nem 
sempre acontece, tem consciência do caráter nocivo de seus atos, mas é incapaz de se 
controlar. Suas ações são planejadas, e o agressor se convence de que a criança também 
deseja o que está acontecendo e, sendo assim, ele não está fazendo nada de errado. “São 
pessoas com predileção por praticar atos sexuais com crianças, mas podem levar uma vida 
paralela aparentemente comum”, explica Antônio de Pádua Serafim, coordenador do 
Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense da Universidade de São Paulo (USP). 
Contribui para a impunidade reinante, além do silêncio da vítima, a dificuldade de estabelecer 
um perfil do agressor – os registros mostram que o abuso sexual pode acontecer em 
qualquer família, independentemente de sua situação econômica. Alerta Rosana Morgado, 
professora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro: 
“Dissociar o fenômeno da pobreza é fundamental para desconstruir o mito de que ele não 
ocorre nos lares mais abastados”. (Veja, n. 22, 30 maio 2012, p. 92-94). 
 
No parágrafo ilustrativo, há argumento de autoridade, pois o autor utiliza o 
manual da psiquiatria para afirmar que “a grande maioria dos abusadores são 
pedófilos”; expõe a opinião de Antônio de Pádua Serafim, coordenador do 
Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense da Universidade de São 
Comunicação e ExpressãoCentro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 83 
 
Paulo (USP), e de Rosana Morgado, professora da Escola de Serviço Social 
da Universidade Federal do Rio de Janeiro para fortalecer a argumentação, 
afinal quem opina tem conhecimento sobre o assunto. 
 
 Dados estatísticos: os dados estatísticos são mais esclarecedores e 
convincentes do que qualquer outra estratégia de argumento. Salientamos que 
esse tipo de argumentação requer conhecimento para não se incorrer em erros 
grosseiros. Observe, no exemplo, o efeito dos dados estatísticos no 
desenvolvimento do texto. 
 
Quantificar um crime sobre o qual paira o segredo é tarefa dificílima. As estatísticas são 
sempre menores que a realidade, e só muito raramente o silêncio é sacudido por uma 
constatação de abuso em massa – como, por exemplo, a da comissão holandesa que, em 
dezembro do ano passado, encerrou uma investigação que concluiu que entre 10.000 e 20.000 
crianças sofreram abuso sexual de 800 padres e funcionários ligados à Igreja Católica da 
Holanda entre 1945 e 1981. Guardadas as devidas reservas, portanto, calcula-se que por volta 
de 20% das meninas e dos meninos sofram abuso sexual no mundo. No Brasil, quase 65% 
das crianças agredidas são meninas, a maioria com idade entre 6 e 10 anos. Os números 
rompem definitivamente o mito de que o agressor é alguém de fora: 97% são conhecidos da 
família – 38% o próprio pai; 29% o padrasto; e os demais irmão, avô, tio, primo, 
professor ou amigo da família. A proporção entre sexos pode ser muito diferente, porque 
abusos de meninos (como o que o novelista Aguinaldo Silva relata) ocupam um canto ainda 
mais obscuro desse poço de horrores, visto que as evidências inexistem e eles falam menos 
ainda. Também o submundo das mulheres que abusam é quase inexplorado. (Veja, n. 22, 30 
maio 2012, p. 91-92). 
 
Você deve ter observado que, em alguns parágrafos, predomina mais de uma 
forma de ordenação de desenvolvimento. Isso é bastante comum nos bons tempos, em 
que o autor opta por mais de uma forma para melhor desenvolver o seu texto. 
E, para finalizarmos o estudo sobre paragrafação, vamos analisar como 
podemos proceder na elaboração da conclusão. 
 
5.2.3 A elaboração da conclusão 
A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita, 
geralmente, por meio de articuladores que indicam a relação que desejamos 
Comunicação e Expressão 
 
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estabelecer, tais como: assim, logo, dessa forma, então, portanto etc. Algumas 
vezes, no entanto, o nexo não vem explicitado, pois se caracteriza por uma apreciação 
do autor e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. 
Para concluir um parágrafo, podemos optar por uma das formas mencionadas a 
seguir. 
 
 Retomada do objetivo: na formulação da conclusão, podemos retomar o 
objetivo expresso na introdução, recapitulando o conjunto de detalhes ou 
aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. Em outras palavras, 
reorganizamos resumidamente os diversos aspectos expostos que fechem o 
texto. Essas características podem ser observadas no parágrafo a seguir. 
 
A dedicação trouxe recompensa porque, quando se pratica muito alguma coisa, ela fica 
gravada num tipo especial de memória: a memória não declarativa, que faz parte do 
inconsciente e registra ações e movimentos do corpo. É ela que permite que o violinista 
consiga tocar bem. Se dependesse apenas do consciente, ele não daria conta de todos os 
procedimentos envolvidos na tarefa (ler a partitura, equilibrar o instrumento no ombro, 
posicionar os dedos, mover o arco, respirar e, ainda por cima, tocar de maneira natural e 
relaxada). E ninguém conseguiria aprender a falar fluentemente um segundo idioma. Em 
suma: a chave para ensinar uma nova habilidade ao próprio inconsciente é treinar, 
treinar e treinar. É um processo bem demorado. Mas já existe gente tentando deixá-lo 
mais rápido. (Superinteressante, n. 315, fev. 2013, p. 43-44). 
 
 Apresentação de consequências, implicações: apresenta, de modo conciso, 
consequências, implicações daquilo que foi expresso na introdução e no 
desenvolvimento. Observe essa forma no parágrafo seguinte. 
 
Em 1992, o poder público removeu grande parte das pessoas que viviam nos morros da 
Providência, Santo Antônio e Gávea-Leblon. No fim dos anos 20, o francês Alfred Agache 
propôs um projeto urbanístico para o Rio. Nele não havia espaço para as favelas, consideradas 
um problema “sob o ponto de vista da ordem social, da segurança, da higiene, sem falar de 
estética”. A impressão se manteve na década seguinte. Em 1937, o Código de Obras da cidade 
citou as favelas como “aberração urbana” e propôs sua eliminação, proibindo a construção de 
novos barracos. Mais que isso, o Código proibia melhorias nos morros já ocupados. Portanto, 
em vez de encarar a questão das favelas, mais uma vez os governantes resolviam 
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 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 85 
 
apenas tentar fazer com que elas desaparecessem. (Aventuras na História, n. 48, ago. 
2007, p. 49). 
 
 Sugestão de uma perspectiva de solução: principalmente se o tema for 
polêmico, podemos sugerir uma possível solução para o problema exposto no 
parágrafo. É o que podemos notar no parágrafo a seguir. 
 
A fiscalização do governo é falha. Nem todos os tipos de eletrodomésticos passam por 
certificação do Inmetro, que tem uma lista limitada de produtos que precisam passar por esse 
processo. Os produtos que ficam de fora da lista não são certificados nem fiscalizados. E 
mesmo nos aparelhos certificados, muitas das fiscalizações só são feitas após denúncias de 
irregularidades. Sem esquecer que, quando o Inmetro decide testar se os aparelhos estão 
seguindo as normas técnicas, ele pede aos fabricantes que mandem amostras de seus 
produtos para análise. Tal prática permite que os fabricantes escolham os produtos que serão 
testados, o que pode ocultar ou maquiar resultados. O ideal seria que os testes do governo 
fossem anônimos e aleatórios, como os realizados pela Pro Teste. (Pro Teste, n. 63, out. 
2007, p. 14). 
 
Os parágrafos analisados que têm as três partes essenciais à sua redação, ou 
seja, tópico frasal, desenvolvimento e conclusão, são parágrafos padrões. 
Registrarmos que existem parágrafos que apresentam apenas tópico frasal e 
desenvolvimento, desenvolvimento e conclusão ou somente desenvolvimento, isso 
quando inseridos em um texto. São os chamados parágrafos em aberto. 
 Portanto, neste capítulo, você pôde observar que há várias formas de se 
construir um parágrafo. Para que você produza textos com qualidade, é necessário que 
tenha conhecimento sobre o assunto e que pratique bastante o que aprendeu aqui. 
 
Atividades 
Leia o parágrafo a seguir para responder às questões 1 e 2. 
O Alcorão não é mais violento ou cheio de leis do que outros textos sagrados, como a própria 
Bíblia. O livro bíblico do Levítico, que trata de leis e foi herdado da Torá dos judeus, é um caso 
exemplar. Afinal, ele está repleto de normas que, se fossem seguidas ao pé da letra hoje em 
dia, fariam com que nossa sociedade fosse pouco diferente de um regime opressor como o do 
Talibã. Além disso, é bom lembrar que a separação entre Igreja e Estado é uma conquista 
recente no Ocidente, que ainda vem se aprofundando (devido à pressão da Igreja Católica, o 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 86 
 
divórcio,por exemplo, só foi legalizado no Brasil na década de 1970). Portanto a violência 
sempre associada aos países muçulmanos contidas no Alcorão não são tão diferentes assim 
de outros textos religiosos (Aventuras na História, n. 48, ago. 2007, p. 30). 
 
1. Em relação ao parágrafo que você leu, faça o que se pede: 
a) identifique a estrutura (tópico frasal, desenvolvimento e conclusão); 
b) especifique o assunto, a delimitação e o objetivo fixado pelo autor do texto. 
 
2. Quanto à estrutura do parágrafo e ao tipo de forma utilizada pelo autor para elaborar 
o tópico, o desenvolvimento e a conclusão, use V para as afirmativas verdadeiras e F 
para as falsas. Depois, assinale a opção correta. 
I. ( ) O parágrafo é padrão, visto que tem tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. 
II. ( ) A forma selecionada para construir o tópico frasal foi declaração inicial. 
III. ( ) O autor desenvolveu o tópico frasal por meio da exemplificação. 
IV. ( ) Na conclusão, o autor utilizou a retomada do objetivo. 
a) F, V, V, V 
b) V, V, V, V 
c) F, F, V, V 
d) V, V, F, F 
 
3. Analise as afirmações a seguir considerando a teoria que estudamos a respeito do 
parágrafo. 
I. Todo parágrafo tem introdução, desenvolvimento e conclusão. 
II. A ideia central do parágrafo é enunciada por meio do período denominado tópico 
frasal. 
III. O tópico frasal contribui para que o escritor não se afaste do objetivo estabelecido. 
IV. O desenvolvimento corresponde a uma ampliação do tópico frasal, com 
apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou esclarecem. 
V. Na conclusão, podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. 
São verdadeiras apenas as afirmativas 
a) I, II e III. 
b) II, III, IV e V. 
c) II e III. 
d) I, II, III e IV. 
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4. Elabore um parágrafo padrão falando sobre a importância da leitura para o aluno que 
está iniciando um curso universitário. Lembre-se de que o parágrafo padrão contém 
tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. Analise de que forma construirá cada um 
desses elementos. Para que seu parágrafo tenha qualidade, leve em consideração os 
fatores que contribuem para a qualidade textual. 
 
5. Em relação aos parágrafos a seguir, faça o que se pede: 
a) identificar a estrutura de cada um (tópico frasal, desenvolvimento e conclusão); 
b) especificar o assunto, a delimitação e o objetivo fixado; 
c) tipo de ordenação do desenvolvimento. 
 
Ainda ignoramos a influência que terá, a longo prazo, uma longevidade sobre o estado de 
saúde e o modo de vida dos idosos. Nesse aspecto as opiniões dos autores divergem. Para 
alguns, as pessoas idosas gozarão de boa saúde até os 85 anos, após o que o funcionamento 
de seu organismo se deteriorará rapidamente. Nessa perspectiva, a morte resultará do 
envelhecimento e não de doenças crônicas. Outros, ao contrário, preveem uma lenta 
deterioração do funcionamento orgânico acompanhado da incapacidade, e, por conseguinte, 
de um número elevado de doenças crônicas. Portanto, consideram essencial que a Medicina 
se dedique a melhorar esta última fase da vida. Por último, outros sustentam que graças à 
extensão da "segunda idade", pode-se prever um prolongamento da vida em melhores 
condições. Estudos demonstram que, hoje, as pessoas de 75 anos possuem melhor saúde que 
as da mesma idade há 10 anos. Essa evolução é consequência de medidas preventivas 
adotadas contra doenças mais frequentes da velhice. (BEREGI, Edith. O Correio, Unesco) 
 
O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher é o mais sublime dos ideais. Deus fez o 
homem um trono; para a mulher, um altar. O trono exalta, o altar santifica. O homem é o 
cérebro, a mulher, coração. O cérebro produz a luz; o coração, o amor. A luz fecunda, o amor 
ressuscita. O homem é o gênio; a mulher, o anjo. O gênio é imensurável, o anjo, indefinível. A 
aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher, a virtude extrema. A glória 
traduz a grandeza, a virtude traduz divindade. O homem é forte pela razão; a mulher, invencível 
pela lágrima. A razão convence, a lágrima comove. O homem é capaz de todos os heroísmos; 
a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece, o martírio sublima. O homem é um 
oceano, a mulher, um lago. O oceano tem pérola que o embeleza, o lago tem poesia que o 
deslumbra... Enfim o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu! 
(Victor Hugo) 
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O abismo em termos de desenvolvimento econômico que separa os Estados Unidos do Brasil é 
mínimo quando o assunto é inclusão social da população negra. Em ambos os países, o 
racismo ainda é um fator de risco seja no acesso à educação de qualidade, ao trabalho e 
remuneração e mesmo no atendimento no sistema de saúde. O último relatório da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), "A Hora da Igualdade no Trabalho", divulgado no dia 12 de 
maio, mostra que apesar de avanços em alguns indicadores sociais, no Brasil, a situação de 
desemprego persiste na população negra: a renda mensal de um trabalhador negro é 50% 
inferior a do branco. Nos EUA, para cada dólar pago a um branco, um negro recebe o 
equivalente a 40% desse valor. De acordo com os Indicadores Socioeconômicos do Censo 
norte-americano sobre a década passada, 10% da população branca vivia na pobreza, contra 
29,5% da negra. Os dados são do sociólogo e professor David Willians, do Institute for Social 
Research da Universidade de Michigan (EUA), anunciados durante palestra realizada na 
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, nesta semana. O foco de trabalho 
de Willians é nas causas sociais que implicam diretamente na saúde da população negra nos 
EUA. Segundo ele, o racismo não está apenas nos setores educacionais e no mercado de 
trabalho. "O número de mortes em consequência de doenças consideradas mais incidentes na 
população, como problemas cardíacos, câncer e diabetes é maior entre os negros. Em muitos 
casos, isso se deve a diferença racial que existe desde o momento do diagnóstico até a 
qualidade do tratamento oferecido", explica. (Portal Aprendiz - 14.05.03) 
 
No ambiente de trabalho, o uso inadequado de celulares está se tornando um problema para 
várias indústrias. De acordo com o Departamento de Assistência Sindical (DAS) da Fiep, há 
inclusive sindicatos que já buscam meios de coibir o mau uso desses aparelhos. “Algumas 
entidades relatam problemas de redução na produtividade. Elas também temem que o seu uso 
indiscriminado cause acidentes de trabalho como consequência da falta de atenção provocada 
pelo telefone”, conta Juliana Raschke Dias Bacarin, integrante do DAS. O Brasil conta com 
uma média de 1,3 celulares por habitante, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações 
(Anatel). Nesse contexto, especialmente os jovens fazem uso constante dos smarthphones: 
aparelhos que oferecem recursos de computador e acesso à internet. “Estar online é um hábito 
para esse público. Eles dispõem de aplicativos como Facebook, WhatsApp, Viber, Twitter e 
trocam mensagens por SMS. Essa é uma nova geração de trabalhadores e as empresas terão 
que achar um modo de lidar com isso”, observa Luciano Nadolny, psicólogo e consultor de 
Segurança e Saúde no Trabalho (SST) do Sesi. Para conter abusos, especialistas sugerem a 
criação de regras internas e a conscientização constante dos trabalhadores. (Disponível em: 
<http://www.fiepr.org.br/boletimsindical/sindemcap/News18801content253371.shtml>. Acesso 
em: 25 fev.2016.) 
 
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Todos sabem que, no Brasil, há muito tempo, observa-se um grande número de grupos 
migratórios, os quais, provenientes do campo, deslocam-se em direção às grandes cidades à 
procura de melhores condições de vida. Esse êxodo ocorre por inúmeros problemas que 
dificultam a permanência do homem no campo, como por exemplo, os fatores climáticos, a má 
distribuição de terras e também a falta de incentivo à atividade agrária por parte do governo. 
Esses fatores contribuíram para o aumento considerável do fluxo para as cidades industriais, 
capitais ou grandes centros financeiros. Em consequência, vê-se a chegada de enorme 
contingente de trabalhadores rurais ao meio urbano. As cidades estão despreparadas para 
absorver os migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho dignos. Cresce, 
assim, o número de pessoas que vivem à margem dos benefícios oferecidos por uma 
metrópole. Por falta de opção, eles instalam-se em zonas periféricas o que ocasiona a 
proliferação de favelas. Por isso o êxodo rural agrava os problemas do campo e das próprias 
cidades. (Adaptado do livro Técnicas Básicas de Redação, Ed. Scipione) 
6. Analise, com atenção, a construção do parágrafo e elabore uma conclusão. 
O mercado editorial brasileiro cresceu de 2012 para 2013. Entretanto, o aumento foi de livros 
didáticos vendidos para o governo, usados em escolas públicas. Se é um indicador que a 
escola, em tese, cumpre seu papel de estimular a leitura, por outro lado escancara que 56% 
dos brasileiros nunca compraram um livro. Mais: 85% não compraram nem edições impressas, 
digitais, cópias e apostilas nos três meses anteriores à pesquisa. Crianças e adolescentes têm 
acesso por meio de doações. Fora desse cenário, a venda ainda não decolou. (Disponível em: 
<http://contaumahistoria.com.br/?cat=12>. Acesso em: 25 fev. 2016.) 
 
7. Analise, com atenção, a construção do parágrafo e elabore uma introdução e uma 
conclusão. 
As aulas da universidade parisiense começavam às cinco horas da manhã. As 
primeiras atividades constavam de palestras ordinárias; eram as mais importantes 
palestras do dia. Após várias palestras regulares, havia pequeno lanche. Depois, os 
estudantes assistiam a leituras extraordinárias, dadas à tarde pelos professores menos 
importantes, os quais geralmente tinham de 14 a 15 anos. O estudante gastava 10 ou 
12 horas diárias com os professores, assistindo às aulas até à tardinha, quando 
ocorriam eventos esportivos. Depois dos esportes, o dia escolar prosseguia: existiam, 
ainda, as tarefas de copiar, recopiar e memorizar notas, até a luz permitir. Havia pouco 
intervalo no calendário escolar; as férias de Natal eram de aproximadamente três 
semanas, e as férias de verão, apenas de um mês. (Figueredo) 
 
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8. Analise com atenção a charge. 
 
Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=charge+sobre+o+zika+virus&rlz>. Acesso em: 14 
fev. 2016. 
 
A partir da charge de Alpino, elabore um parágrafo em que você apresente argumentos 
a respeito do tema proposto. Lembre-se de delimitar o assunto e escolher o tipo de 
parágrafo que seja mais pertinente para a situação. Além disso, recorde que o texto 
deve ter tópico-frasal (introdução), desenvolvimento, conclusão e título. 
 
Referências 
ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2004. 
GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. 25. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006. 
VIANA, A. C. (Coord.) Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo: 
Scipione, 2000. 
 
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CAPÍTULO 6: RETEXTUALIZAÇÃO DA FALA PARA A ESCRITA 
 
Introdução 
Neste capítulo, analisaremos as diferenças entre as duas modalidades da língua 
– fala e escrita – e trataremos da retextualização da fala para a escrita. 
 
6.1 Diferenças entre fala e escrita 
Já estudamos que a fala e a escrita são as duas modalidades da língua. Aqui 
veremos algumas diferenças nas condições de produção de um texto oral e de um 
texto escrito e as distinções entre essas duas modalidades. De acordo com Fávero, 
Andrade e Aquino (2000), podemos distinguir a modalidade oral e a escrita por meio do 
que é exposto no quadro 1. 
 
Quadro 1 – Condições de produção (em geral)* 
 Fala Escrita 
Interação 
Ocorre face a face. Ocorre a distância (espaço-
temporal). 
Planejamento 
É simultâneo ou quase simultâneo à 
produção. 
É anterior à produção. 
Criação É coletiva: administrada passo a passo. É individual. 
Revisão Não há possibilidade de apagamento. Há possibilidade de revisão. 
Consultas 
Não há condições de consulta a outros 
textos. 
A consulta é livre. 
Reformulação 
Pode ser promovida tanto pelo falante 
como pelo interlocutor. 
É promovida apenas pelo escritor. 
Reações do 
interlocutor 
O acesso é imediato. Não há possibilidade de acesso 
imediato. 
Processamento 
do texto 
Pode redirecionar o texto, a partir das 
reações do interlocutor. 
Pode processar o texto a partir das 
possíveis reações do leitor. 
Processo de 
criação 
Mostra todo processo. Tende a esconder processo de 
criação, mostrando apenas o 
resultado. 
*É preciso ficar atento às modificações constantes de produção textual promovidas pelas 
ferramentas digitais. 
 
Além dessas diferenças, destacamos as que estão expostas no quadro 2. 
Analise-o com atenção. 
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Quadro 2 – Distinções específicas entre fala e escrita 
Fala Escrita 
Ampla variedade Modalidade única (“língua padrão”) 
Elementos extralinguísticos Sinais gráficos 
Prosódia e entonação Sinais gráficos 
Frases mais curtas Frases mais longas 
Redundância Concisão 
Flutuação quanto à temática Rigidez de tema 
Presença do interlocutor Ausência de interlocutor 
Aprendizagem “natural” Aprendizagem “artificial” 
 
 
Essas diferenças são meramente ilustrativas, já que tanto o texto oral como o 
texto escrito têm níveis de formalidade e de informalidade que variam de acordo com o 
contexto em que foram produzidos (interlocutor, intenção, objetivo etc.). 
Após analisarmos as diferenças entre as modalidades da língua, veremos como 
retextualizar um texto da oralidade para a escrita. 
 
6.2 Retextualização 
Denomina-se retextualização o processo de produção de um novo texto a partir 
de um ou mais textos-base. Em eventos linguísticos rotineiros, a atividade de 
retextualização é exercida para atender aos mais diversos propósitos comunicativos: 
uma secretária que anota informações orais do chefe para redigir uma carta, uma 
pessoa contando a outra o que leu em jornais e/ou revistas, alunos que fazem 
anotações em uma aula, entre outros. Embora esse processo aconteça naturalmente, 
não é mecânico, pois envolve operações complexas que interferem tanto na linguagem 
e no gênero como no sentido, uma vez que se opera, fundamentalmente, com novos 
parâmetros de ação interlocutiva, porque é um novo texto que será produzido: trata-se 
de atribuir novo propósito à interação, além de redimensionar as projeções de imagem 
dos interlocutores, de seus papéis sociais e comunicativos, dos conhecimentos 
partilhados, das motivações e das intenções, do espaço e do tempo de produção e 
recepção.São várias as possibilidades de retextualização: de texto oral para texto oral; de 
texto oral para texto escrito; de texto escrito para texto escrito; de texto multimodal para 
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texto oral; de texto multimodal para texto escrito; de texto não verbal para texto escrito, 
dentre outras. 
Ao retextaulizar um texto, precisamos refletir sobre as regularidades linguísticas, 
textuais e discursivas dos gêneros envolvidos, visto que tal atividade implica realizar 
um movimento que engloba a organização das informações do texto (em tópicos e 
subtópicos), o esquema global do gênero a que pertence, seu tipo textual predominante 
e as sequências de que se compõe (narração, descrição, exposição, argumentação e 
injunção), passando pelo uso das unidades linguísticas, no trabalho de produção (uso 
do vocabulário, dos recursos morfossintáticos, dos mecanismos coesivos, entre 
outros), e pelos aspectos discursivos, que remetem ao evento de interação no qual o 
texto emerge (por exemplo, a construção do quadro interlocutivo, a delimitação de 
propósitos comunicativos, do tempo e do espaço da interação). (Disponível em: 
<http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/retextualizacao>. Acesso 
em: 16 fev. 2016. Com adaptações.) 
Aqui veremos como retextualizar um texto da oralidade para a escrita. Marcuschi 
(2001, p. 47) enfatiza que a passagem da fala para a escrita “não é a passagem do 
caos para a ordem: é a passagem de uma ordem para outra ordem”. Por isso para sua 
realização é de extrema importância levar em conta, antes de tudo, a compreensão da 
fala que se quer retextualizar. Essa atividade de compreensão nunca deve ser 
ignorada, pois pode acarretar problemas quanto à coerência durante o processo de 
retextualização. As atividades de transformação que constituem a retextualização são 
operações que vão além da simples regularização linguística, pois envolvem 
procedimentos de substituição, reordenação, ampliação/redução e mudanças de estilo, 
desde que não atinjam as informações como tais. (Disponível em: 
<http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/6278/5696>. 
Acesso em: 16 fev. 2016. Com adaptações.) 
Veja as operações que realizamos ao retextualizar um texto da oralidade para a 
escrita. 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 3 – Operações para realização do processo de retextualização 
 
Fonte: Marcuschi (2004, p. 75) 
 
Na sequência, expomos um exemplo de retextualização de uma conversa 
espontânea. 
 
Conversação espontânea 
 
1ª operação 
Eliminação de marcas estritamente interacionais, hesitações e partes de palavras 
 
Por exemplo: “eh... eu vou falar sobre a minha família... sobre os meus pais... o que eu acho 
deles... como eles me tratam... bem... eu tenho uma família... pequena... ela é composta pelo 
meu pai... pela minha mãe... pelo meu irmão... eu tenho um irmão pequeno de... dez anos... 
eh... o meu irmão não influencia em nada... minha mãe é uma pessoa super legal... sabe?” 
 
Nesse texto, percebemos hesitações (eh..., de...) e marcas interacionais (sabe?). 
 
 
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2ª operação 
Introdução da pontuação 
 
3ª operação 
Retirada de repetições, reduplicações e redundâncias 
 
Se forem efetuadas essas operações, o texto acima poderá ficar assim, dependendo 
da decisão que for tomada: 
 
Vou falar de minha família e de como eles me tratam. Minha família é pequena – meu pai, 
minha mãe e um irmão pequeno de 10 anos que não influencia em nada. Minha mãe é legal. 
(Disponível em: <http://alb.com.br/arquivo-
morto/edicoes_anteriores/anais16/sem10pdf/sm10ss02 _09.pdf>. Acesso em: 8 fev. 2015.) 
 
O estudo da retextualização, ao transpor da conversa espontânea para o texto 
escrito, deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão, e a escrita 
constitui-se em outra forma de comunicação, a qual deve ser clara, direta, coesa, 
coerente e elegante. 
 
Atividades 
1. Identifique com O as características que se referem à oralidade e E as que se 
referem à escrita. 
a) ( ) É mais abrangente. Mesmo as pessoas não alfabetizadas, mas que conheçam o 
código, são capazes de se comunicar, fazendo uso dessa modalidade. 
b) ( ) Há possibilidade de correção e apagamento. 
c) ( ) É mais prestigiada socialmente. 
d) ( ) O emissor pode perceber a reação do receptor, pois estão face a face. 
e) ( ) A presença de pausas é constante, ora vazias, ora preenchidas por expressões 
como “hã”, “hum”, entre outras. 
f) ( ) Usa pontuação para representar, de alguma forma, a entonação e o ritmo da 
modalidade oral. 
 
2. Transponha da oralidade para a escrita o texto a seguir. Acrescente introdução e 
conclusão ao texto. 
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Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? 
Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu 
dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem 
agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::... tem ... elis 
omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus 
E sobre o centro da cidade? 
sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas 
éh::: sei lá ... tem muitus crianças ah... pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: 
muitas coisas assim extragada né? cumidas ex- tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras 
coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu... 
 
3. Leia o segmento. 
Bom... o... eu tenho impressão que o rádio provocou uma revolução... no país na medida que:: 
.. ah... principalmente o rádio de pilha, né? quer dizer o rádio de pilha representou a quebra de 
um isolamento do homem do campo principalmente quer dizer então o homem do campo que 
nunca teria condição de ouvir:: falar:: de outras coisa... de outros lugar... de outras pessoas, 
entende? Através do rádio de pilha ele pôde se ligar ao resto do mundo (...). (Fragmento de 
texto do NURC/SP – D2 255 [diálogos entre dois informantes], 116-117). 
A partir do texto acima: 
a) faça um levantamento de características que definem o excerto como texto oral. 
Assinale tudo o que você descobrir: vocabulário, extensão das frases, 
concordância, regência, repetição, redundância, gíria, marcas interacionais, 
hesitações, flutuação... 
b) transponha o texto oral para a modalidade escrita (retextualização). Atenção! O 
texto deve ter introdução e conclusão. 
 
4. Transponha da oralidade para a escrita o texto a seguir. Acrescente introdução e 
conclusão ao texto. 
"... em hipótese alguma... porque o aborto pra mim:: é crime:: é assassinato né? Nós cristãos 
em momento algum podemos ser a favor do aborto... ( ) então::... o aborto é uma violação 
tremenda aos direitos humanos cara/ é:: que todo mundo tem o direito de ver a luz do sol:: 
entendeu? ::... eu acho que a igreja:: as discussões religiosas deveriam pensar mais com 
relação aos meios pra evitar a gravidez:: né mesmo? ( ) evitar a gravidez pra mim não é nada 
grave::... não é pecado...". (texto retirado do artigo A digressãocomo estratégia discursiva na 
produção de textos orais e escritos, de Maria Lúcia da Cunha. Publicado em ABRALIN – 
Boletim da Associação Brasileira de Linguística) 
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Referências 
FÁVERO, L. L; ANDRADE, M. L. C. V. O.; AQUINO, Z. G. O. Oralidade e escrita: 
perspectiva para o ensino de língua materna. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. 
GLOSSÁRIO CEALE. Retextualização. Disponível em: 
<http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/retextualizacao>. Acesso 
em: 16 fev. 2016. 
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: 
Cortez, 2004. 
SANTOS, F. A. dos; CABRERA, L. G.; GÓES, V. L. Retextualização de texto oral. 
Disponível em: 
<http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/6278/5696>. 
Acesso em: 16 fev. 2016. 
 
 
 
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ANEXOS 
 
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CAPÍTULO 7: PRODUÇÃO TEXTUAL: GÊNERO E TIPOLOGIA 
Cada vez mais, evidencia-se a necessidade de novos estudos sobre 
diferentes gêneros textuais que desenvolvam instrumentais teóricos e 
práticos para demonstrar que, através de textos orais e escritos, 
criamos representações que refletem, constroem e/ou desafiam 
nossos conhecimentos e crenças, e cooperam para o estabelecimento 
de relações sociais identitárias. 
(José Luiz Meurer) 
 
Introdução 
Marcuschi (2002) acredita que o conhecimento dos gêneros textuais que fazem parte 
das interações sociais diárias favoreça tanto a leitura como a compreensão de textos. O 
autor considera que, 
Tendo em vista que todos os textos se manifestam sempre num ou noutro gênero 
textual, um maior conhecimento do funcionamento dos gêneros textuais é importante 
tanto para a produção como para a compreensão. Em certo sentido, é esta ideia básica 
que se acha no centro dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), quando sugerem 
que o trabalho com o texto deve ser feito na base dos gêneros, sejam eles orais ou 
escritos (MARCUSCHI, 2002, p. 32-33). 
 
Os gêneros textuais são grandes aliados para várias atividades: leitura crítica, 
produção textual significativa, desenvolvimento da oralidade, conscientização de que a 
leitura e a escrita estão presentes em tudo que fazemos etc. Por isso, conheceremos as 
características do que se chama gênero textual e qual a diferença entre os gêneros e os 
tipos textuais. 
 
7.1 Gênero textual 
Vamos começar procurando entender o que é gênero textual. Baltar (2004, p. 46-47) 
nos ensina que 
Gêneros textuais são unidades triádicas relativamente estáveis, passíveis de serem 
divididas para fim de análise em unidade composicional, unidade temática e estilo, 
disponíveis num inventário de textos, criado historicamente pela prática social, com 
ocorrência nos mais variados ambientes discursivos, que os usuários de uma língua 
natural atualizam quando participam de uma atividade de linguagem, de acordo com o 
efeito de sentido que querem provocar nos seus interlocutores (grifos nossos). 
 
O autor define gênero textual como unidade triádica por ser formado de três 
elementos: 
 unidade composicional: relaciona-se à maneira como o gênero está estruturado. 
Por exemplo, o bilhete prevê um formato que é diferente de uma carta. As formas 
precisam levar em conta o autor e os demais participantes da situação de interação; 
 unidade temática: relaciona-se ao tema da interação, ou seja, o tema determina 
qual gênero será utilizado na interação comunicativa; 
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 estilo: são as marcas linguísticas que configuram a seleção de recursos léxicos, 
fraseológicos e gramaticais da língua. O estilo tem ligação com o tema e com a 
forma composicional. 
Por que a crônica é um exemplo de gênero textual? Vejamos algumas de suas 
características que a diferenciam de outros gêneros textuais. 
 Trata de temas do cotidiano. 
 Explora o assunto de forma crítica, cômica e/ou irônica. 
 É escrita em prosa e organizada em parágrafos. 
 É publicada, normalmente, em jornais, livros e revistas, podendo também integrar 
uma coletânea. 
Essas características diferenciam a crônica de um conto, de um romance, de uma 
fábula ou de um apólogo. Marcuschi (2002, p. 29) expõe que os gêneros podem ser 
caracterizados conforme a atividade sociodiscursiva a que servem. Quando dominamos um 
gênero, dominamos “uma forma de realizar linguisticamente objetivos específicos em 
situações sociais e particulares”. Por isso, a importância do estudo de gêneros 
diversificados, pois ficamos em contato com variadas formas de interação social, nas mais 
diversas práticas cotidianas de comunicação. 
Quanto à classificação dos gêneros textuais, podemos dizer que é impossível fazer 
um inventário fechado e fixo, pois os gêneros surgem conforme a necessidade das práticas 
sociais. Como exemplo, temos os e-mails. Há quanto tempo esse gênero surgiu? Qual era o 
gênero que o substituía em muitas situações? Ele surgiu há pouco tempo e derivou de 
cartas comuns. 
 
 
 
Por exemplo, as cartas ainda resistem, mas foram substituídas em muitas situações 
da prática social pelos e-mails. Assim, a classificação dos gêneros, como um inventário 
fechado, fixo, é impossível. Vejamos alguns exemplos de gêneros: carta, bilhete, receita, 
bula de remédio, telefonema, sermão, horóscopo, lista de compras, resenha, resumo, 
cardápio, romance, piada, conferência, artigo de opinião, reportagem, notícia, anúncio 
publicitário, bate-papo por computador, outdoor, edital de concurso, entrevista etc. Nossa 
lista seria infinita... 
Aqui trataremos de dois gêneros: e-mail e fórum de discussão. 
 
Mas preste atenção! Muitas vezes, quando surge um novo gênero textual, 
isso não quer dizer que outro tenha de desaparecer! 
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7.1.1 E-mail 
O e-mail é uma mensagem eletrônica produzida pela pessoa que a transmite e pelo(s) 
receptor(es) que é(são) o(s) destinatário(s) da mensagem. O envio e a entrega de 
mensagens são mediados por um ou mais provedores de internet, e seu tráfego é 
determinado pela rede mundial de computadores. 
Paiva (2004, s/p) destaca que o e-mail é 
[...] um gênero eletrônico escrito, com características típicas de memorando, bilhete, 
carta, conversa face a face e telefônica, cuja representação adquire ora a forma de 
monólogo ora de diálogo. [Distingue-se] de outros tipos de mensagens devido a 
características bastante peculiares de seu meio de transmissão, em especial a 
velocidade e a assincronia na comunicação entre usuários de computadores. Os 
seguintes aspectos – autor, leitor, comunidade discursiva, tecnologia, contexto, texto, 
organização retórica, léxico, sinais não verbais (emoticons ou smileys), e normas de 
interação – ganham características especiais quando se trata desse gênero. 
 
Segundo a autora, o e-mail agregou características de outros gêneros textuais: do 
memorando, “toma de empréstimo semelhanças de forma que é automaticamente gerada 
pelo software”; do bilhete, pega “a informalidade e a predominância de um ou poucos 
tópicos”; da carta, usa “fórmulas de aberturas e fechamentos”; daconversa face a face, 
encontramos “a semelhança com a tomada de turno”; da interação telefônica, temos “a 
possibilidade de colocar em contato pessoas que se encontram geograficamente distantes”; 
dos gêneros orais, “herda a rapidez, a objetividade e a possibilidade de se estabelecer um 
‘diálogo’” (PAIVA, 2004, s/p). 
O e-mail é um dos gêneros textuais mais produzidos em todo o mundo, devido à 
rapidez e à praticidade desse meio eletrônico. Para que as pessoas possam se entender 
bem dentro desse novo contexto, criou-se a padronização do texto nele desenvolvido: a 
Netiqueta, que é um conjunto de regras que deve ser considerado no uso da internet. 
A partir de uma pesquisa, Paiva (2004) sintetiza algumas normas para que a interação 
por e-mail seja bem sucedida. Vejamos. 
 Evite escrever a mensagem inteira em caixa alta, pois elas indicam que você está 
gritando ou enfatizando algum termo ou expressão. 
 Especifique o assunto da mensagem no assunto/subject, isso ajuda o destinatário a 
selecionar as mensagens que quer ler. 
 Seja claro, breve e objetivo, isso significa dizer que deve evitar erros gramaticais e 
mensagens muito extensas. 
 Não mande e-mails que não foram solicitados: correntes, avisos de vírus, 
propagandas etc., pois geram trafego inútil na rede e podem irritar o interlocutor. 
 Não adicione telefones pessoais nem endereços nas assinaturas em e-mails. 
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 Evite flames (brigas) nem envie ou responda a material provocativo, como ofender, 
xingar ou gritar com alguém, ao contrário, seja conservador com o que escreve e 
liberal com o que recebe. 
 Apague as linhas da mensagem recebida ao responder a um e-mail, deixando 
somente as partes essenciais da mensagem referenciada. 
 Antes de fazer alguma pergunta ou enviar alguma mensagem para a lista, observe a 
discussão para não enviar mensagens que nada acrescentam ao tema da lista. 
 Não mande arquivos anexados para uma lista de discussão, ou quando o 
destinatário não o solicitou. 
 Evite cross-posting, mensagens enviadas para diversas listas, pois a maioria delas 
não aceita esse tipo de ação. 
 Mande respostas individuais diretamente para o destinatário e não para a lista 
inteira. 
 Então, ao usar o e-mail para se comunicar, considere essas regras. 
 
7.1.2 Fórum de discussão 
O fórum de discussão eletrônico é uma reedição do fórum oral utilizado para expor 
opiniões, debater e discutir problemáticas antes do surgimento da internet (XAVIER; 
SANTOS, 2005). 
Paiva e Rodrigues Jr. (2004, p. 171) caracterizam o fórum de discussão como “um 
espaço virtual que reúne as opiniões de uma comunidade discursiva”, caracterizado 
especialmente por seu caráter dialógico e interativo, já que várias pessoas discutem um 
tema. 
Reis e Souza (2010) expõem que o fórum é um gênero textual on-line e apresenta 
características próprias, como marcas de discussões assíncronas e linguagem adequada 
para internet – frases curtas e marcas da oralidade. Também há um moderador que é 
responsável pelas mensagens postadas, publicando-as ou não, conforme relevância e 
adequação com a discussão. 
Os autores destacam que o fórum é marcado pela discussão assíncrona. Mas o que é 
uma discussão assíncrona? Vieira e Anjos (2009, s/p) salientam que, “Nesse tipo de 
discussão, os interlocutores não precisam estar “presentes”, ou melhor, conectados ao 
mesmo tempo. As mensagens ficam armazenadas e podem ser lidas a qualquer momento”. 
No caso dos fóruns educacionais, os interlocutores são professores, tutores e alunos, e os 
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temas são pré-definidos em função dos programas de ensino, das disciplinas e dos planos 
de curso. 
Além das características já expostas, segundo Vieira e Anjos (2009), o fórum 
eletrônico pode ser caracterizado: 
 pelo espaço de debate de temas ou questões polêmicas: exposição de opiniões, 
com apresentação de argumentos e contra-argumentos; 
 pela dinâmica variável: pode ser público ou fechado; mediado ou não; pode referir -
se a temas específicos ou ser livre para que os usuários definam os temas; 
 por ser organizado por mensagens ou tópicos, que podem ser comentados ou 
respondidos, e por esses comentários ou respostas também poderem ser 
comentados ou respondidos. 
Vieira e Anjos (2009, s/d) nos dão algumas dicas para usarmos adequadamente o 
fórum de discussão. Vejamos. 
 Como as mensagens são públicas, não usar termos chulos, palavrões ou 
expressões rudes, evitar abreviações e expressões usadas em mensagens 
instantâneas. 
 Participar frequentemente para interagir com os demais participantes, “pois, embora 
o fórum seja uma ferramenta assíncrona, se o tempo decorrido entre a mensagem 
original e a resposta for muito grande, a resposta pode não ser mais importante ou 
os demais participantes podem não ter mais interesse nela”. 
 Não é conveniente responder a uma mensagem criando uma nova mensagem, mas 
comentando-a diretamente no tópico já criado. 
 Seguir as regras de Netiqueta (não escrever com letras maiúsculas e nem usar o 
negrito). 
 Ler as várias mensagens dos membros do fórum para saber como eles interagem e 
do que o fórum trata. 
Portanto, ao participar dos fóruns no Conecta, considere essas dicas. 
 
7.2 Tipologia textual 
Para Marcuschi (2002), usamos a expressão tipo textual para textos em que 
examinamos sua natureza linguística, ou seja, o léxico, a sintaxe, os tempos verbais, as 
relações lógicas etc. Os tipos textuais mais utilizados, conforme Werlich (apud 
MARCUSCHI, 2002), são as bases temáticas descritiva, narrativa, expositiva, argumentativa 
e injuntiva, assunto que examinaremos na sequência. 
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7.2.1 Descrição 
Utilizamos essa tipologia para caracterizar algo ou alguém. Isso é possível por meio 
do uso dos cinco sentidos (olfato, tato, audição, paladar e visão) e de sensações 
psicológicas. Primeiramente, quando descrevemos, devemos fazer um levantamento 
sensorial (BARBOSA, 2002). Os sentidos são explorados em sua totalidade, pois assim 
conseguimos transmitir para o interlocutor o máximo de informações para que ele possa 
“criar” o objeto em questão. 
Podemos fazer descrição objetiva (sem interferência de julgamento), ou subjetiva 
(como eu penso que é, minha opinião sobre o objeto). Também temos a descrição física (o 
que eu vejo) e a psicológica (julgamento de valor sobre o outro). 
Um fator interessante na descrição é a determinação do ponto de vista: de onde você 
está analisando o objeto? Qual seu lugar na observação? Por exemplo: você está ao lado 
do objeto? De frente para ele? Isso é importante para que o interlocutor tenha mais 
informações na reconstrução da coisa em análise. Leia o texto que exemplifica essa 
tipologia. 
 
Da janela de seu quarto podia ver o mar. Estava calmo e, por isso, parecia até mais azul. A maresia 
inundava seu cantinho de descanso e arrepiava seu corpo... estava muito frio, ela sentia, mas não 
queria fechar a entrada daquela sensação boa. Ao norte, a ilha a que mais gostava de ir, era só um 
pedacinho de terra iluminado pelos últimos raios solares do final daquela tarde; estava longe... 
longe! Não sabia como agradecer a Deus, morava em um paraíso! (Descrição – Brasil Escola. 
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/redacao/descricao.htm>. Acesso em: 11 dez. 2013)Observamos que essa é uma descrição em que prevalece a subjetividade. O autor 
descreveu os sentimentos que a paisagem causava nele, e não seu aspecto físico. 
Na descrição, são bastante comuns os verbos de estado, como ser, estar, ficar, 
parecer (“Estava calmo e, por isso, parecia até mais azul.”, “estava muito frio”). A 
descrição é utilizada normalmente como base para outras tipologias, como a narração e a 
exposição. 
 
7.2.2 Narração 
Podemos considerar a narração como relato de fatos ocorridos. Abreu (2004) 
considera que a base da tipologia narrativa dramática está nos plots (unidade dramática que 
se compõe de uma situação, uma complicação e uma solução). 
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Além da formulação dos plots, devemos atentar para a fórmula de Oswald de 
Andrade (apud BARBOSA, 2002), em relação a notícias. 
 
 
 
 
Com essa fórmula, é mais fácil identificarmos a estrutura da narração e seus 
componentes. 
Mas quem narra um fato? Conforme a intenção do autor, ele escolherá um tipo de 
narrador, que pode ser narrador-personagem (primeira pessoa), narrador-observador 
(terceira pessoa) ou narrador-onisciente (terceira pessoa). Quando temos um narrador-
personagem, quem narra está inserido na história, podendo ser um personagem principal 
ou secundário. O narrador-observador não interfere nos fatos narrados, pois só expõe o 
que vê .Já o narrador-onisciente, apesar de não ser um personagem, é um “sabedor de 
tudo” (BARBOSA, 2002, p. 71), ou seja, sabe até mesmo o que os personagens pensam. 
Analisemos o exemplo. 
 
A ação de vândalos na madrugada deste sábado, 30, provocou transtorno a moradores de algumas 
quadras da região Sul de Palmas. Eles retiraram o lixo que estava nas lixeiras das residências e 
jogaram pelas ruas das quadras. O fato foi registrado nas quadras 704 Sul, 804 Sul, 904 Sul e 1004 
Sul. A empresa responsável pela limpeza urbana de Palmas destinou uma equipe para fazer toda a 
limpeza no local (adaptado – Conexão Tocantins. Disponível em: 
<http://conexaoto.com.br/2013/11/30/acao-de-vandalos-causa-transtornos-a-moradores-da-regiao-
sul>. Acesso em: 11 dez. 2013). 
 
Nesse texto, há um narrador-observador (“A ação de vândalos na madrugada deste 
sábado, 30, provocou transtorno [...]”) que faz um relato de fatos ocorridos. Os três Q (que, 
quem, quando) foram respondidos: que – lixos serem jogados nas ruas; quem – vândalos; 
quando – sábado, dia 30. Os outros itens também: como – retiraram o lixo que estava nas 
lixeiras das residências e jogaram pelas ruas das quadras; onde – em quadras da região 
Sul de Palmas; por que – vandalismo. 
Há enunciados indicativos de ação, por exemplo, em “Eles retiraram o lixo [...] e 
jogaram pelas ruas das quadras” e “A empresa responsável pela limpeza urbana de 
3 Q = que, quem, quando 
Como, onde e por que 
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Palmas destinou uma equipe para fazer toda a limpeza no local” e os verbos estão no 
pretérito, características de textos narrativos. 
 
7.2.3 Exposição 
O tipo expositivo caracteriza-se por explanar ou explicar um assunto, um tema, uma 
coisa, uma situação ou um acontecimento, que pretendemos desenvolver ou apresentar. O 
objetivo dessa tipologia textual é informar, definir, explicar, aclarar algo sem expor opiniões 
particulares. Apesar dessa característica, é quase impossível não deixar transparecer 
pontos de vista em textos que produzimos, pois a linguagem é argumentativa. Dizemos, 
então, que nesse tipo há uma incidência reduzida da individualidade. Veja o exemplo. 
 
O significado da palavra chat vem do inglês e quer dizer “conversa”. Essa conversa acontece em 
tempo real, e, para isso, é necessário que duas ou mais pessoas estejam conectadas ao mesmo 
tempo, o que chamamos de comunicação síncrona. São muitos os sites que oferecem a opção de 
bate-papo na internet, basta escolher a sala que deseja “entrar”, salas são divididas por assuntos, 
como educação, cinema, esporte, música, sexo, entre outros. Para entrar, é necessário escolher um 
nick, uma espécie de apelido que identificará o participante durante a conversa. Algumas salas 
restringem a idade, mas não existe nenhum controle para verificar se a idade informada é realmente 
a idade de quem está acessando, facilitando que crianças e adolescentes acessem salas com 
conteúdos inadequados para sua faixa etária. (AMARAL, S. F. Internet: novos valores e novos 
comportamentos. In: SILVA, E. T. (Coord.). A leitura nos oceanos da internet. São Paulo: Cortez, 
2003.). 
 
Esse texto explana sobre o chat (que é outro gênero textual que surgiu com a 
internet), sem opinar sobre o tema abordado, ou seja, autor expõe o que é chat e como 
funciona. 
O texto expositivo pode ser utilizado como introdução de um texto argumentativo, 
como base para futuras discussões. 
 
7.2.4 Argumentação 
Em textos argumentativos, estão presentes tema, problema, hipótese, tese e 
argumentação. Para temas abrangentes, deve haver uma delimitação, ou seja, eleger um 
problema para se discorrer. Após essa etapa, levantam-se as hipóteses, as possíveis 
respostas ao problema inicial. Quando a melhor é eleita, tem-se a tese a ser defendida, na 
base da qual se constrói a argumentação. 
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Abreu (2004, p. 49) nos ensina que “a construção prévia de um esquema, levando em 
conta as partes da macroestrutura da argumentação e a execução desse esquema, levará a 
um grau de coerência textual bastante grande”. Veja um exemplo de texto argumentativo. 
 
Um jornal carioca, de grande circulação nacional, destaca em sua edição de hoje a seguinte 
manchete: “Despreparado, Rio fica refém das chuvas e terá ajuda para conter saques e arrastões”. 
A preocupação no Rio de Janeiro hoje, onde os índices de criminalidade aumentaram em todos os 
níveis, encontra na questão da segurança o grande problema do momento, a ponto da grande 
imprensa destacar a necessidade de mais ações contra a violência, ao invés de abordar o 
despreparo dos administradores da cidade por transformar o Rio num grande buraco de obras. O 
articulista do jornal Folha de São Paulo, Bernardo Mello Franco, na edição de hoje (12), destaca em 
seu artigo que “Eduardo Paes, o prefeito da vez, tem repetido a prática de antecessores: gasta muito 
com obras de maquiagem e investe pouco no combate às enchentes. No ano passado, prometeu 
acabar com as cheias na Tijuca e na Praça da Bandeira, outro problema ancestral do Rio. O sistema 
de reservatórios deveria estar pronto, mas já atrasou duas vezes. Agora, a promessa da prefeitura é 
acabar com as inundações em 2014. Alguém acredita?” (Jornal do Brasil, disponível em: 
<http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2013/12/12/opiniao-arrastoes-e-saques/>. Acesso em: 12 dez. 
2013). 
 
No exemplo dado, percebemos que há um tema (Rio de Janeiro), uma delimitação ou 
problema (as chuvas, os saques e os arrastões), a hipótese que se transformou em tese 
(administradores não resolvem problemas da violência que cresce na cidade e não 
terminam obras) e a construção da argumentação na defesa da ideia apresentada 
(necessidade de mais ações contra a violência, ao invés de abordarem o despreparo dos 
administradores da cidade por transformar o Rio em um grande buraco de obras). Com esse 
esquema, alcançamos a coerência textual e somos bem sucedidos na defesa de nossas 
ideias. 
 
4.2.5Injunção 
A característica que distingue o tipo injunção dos outros é seu “caráter normativo, 
impositivo de mandar ou pedir” (ABREU, 2004, p. 54, grifo nosso). Há muitos gêneros 
textuais que trazem em si essa tipologia, como oração, normas, leis e manuais. Ve ja o 
exemplo. 
 
 
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Ingredientes 
125 gr de manteiga 
4 unidades de ovo 
2 xícaras (chá) de açúcar 
1 xícara (chá) de leite 
2 xícaras (chá) de farinha de trigo 
1 colher (sopa) de fermento químico em pó 
Modo de fazer 
Bata as claras em neve bem firme e reserve na geladeira. Bata as gemas com o açúcar e a 
manteiga até ficar bem branquinho. Adicione o leite aos poucos, alternando com a farinha. Continue 
batendo. Quando estiver bem misturado, pare de bater e misture a clara em neve e o fermento bem 
devagar. Coloque a massa em uma forma untada com manteiga e polvilhada com farinha de trigo. 
Asse em forno médio, pré-aquecido. (CyberCook. Disponível em: 
<http://cybercook.terra.com.br/bolo-simples-r-12-1640.html>. Acesso em: 12 dez. 2013). 
 
Nesse texto, há verbo no imperat ivo (“bata”) e determinações como “continue 
batendo”, característica da tipologia injuntiva. Essa estrutura evidencia o tom normativo, 
impositivo do texto. 
 
7.3 Tipologia X gênero 
Agora que temos a definição de gênero textual e de tipo textual, faremos a 
comparação entre eles, conforme Marcuschi (2002). 
 
Quadro – Comparação entre os tipos e os gêneros textuais 
 Tipos textuais Gêneros textuais 
1 Construções teóricas definidas por 
propriedades linguísticas próprias. 
Realizações linguísticas concretas definidas pela 
situação sociocomunicativa. 
2 Sequências linguísticas ou de enunciados no 
interior de gêneros. 
Textos empiricamente realizados cumprindo funções 
em situações comunicativas. 
3 Nomeação limitada determinada por 
aspectos: lexicais, sintáticos, relações 
lógicas, tempo verbal. 
Nomeação ilimitada determinada pelo: canal, estilo, 
conteúdo, composição e função. 
4 Designações: descrição, narração, exposição, 
argumentação, injunção. 
Exemplos de gêneros: carta, bilhete, receita, bula de 
remédio, telefonema, sermão, horóscopo, lista de 
compras, resenha, resumo, cardápio, romance, piada, 
conferência, bate-papo por computador, outdoor, edital 
de concurso, entrevista, reunião de condomínio, 
instruções de uso etc. 
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Um gênero pode conter vários tipos textuais. Uma carta pessoal seria um gênero 
com a função social de mandar informações de uma pessoa distante para outra, por 
exemplo. Esse gênero poderá ter em seu conteúdo vários tipos textuais, como descrição de 
uma cena, narração de um fato, argumentação de um ponto de vista etc. A isso chamamos 
de heterogeneidade tipológica, ou seja, a presença de vários tipos textuais em um só 
gênero. 
Atente para o fato de que, para identificar o gênero, é necessário ter em mente, 
principalmente, seu propósito, pois assim terá menos chance de cometer equívocos na 
classificação. Para identificar o tipo textual, deve ver se nas sequências predomina a 
narração, a descrição, a informação, a exposição de ideias ou a injunção. 
Portanto, os gêneros textuais são instrumentos que devem ser utilizados na 
formação do cidadão de forma abrangente, pois é por meio deles que podemos fazer com 
que o indivíduo tenha contato com vários textos orais e escritos que fazem parte de seu dia 
a dia e, assim, inserirem-se na sociedade letrada. 
Tipologia textual diz respeito ao léxico, à sintaxe, aos tempos verbais, às relações 
lógicas etc. É classificada em: descrição, narração, exposição, argumentação e injunção. 
Normalmente, utilizamos o tipo descrição quando queremos que o interlocutor consiga 
visualizar a coisa descrita por meio dos sentidos, podendo ser objetiva/subjetiva, 
física/psicológica. O tipo narração é usado para narrar um fato ocorrido e é utilizado em 
vários gêneros textuais, como novelas, romances, reportagens jornalísticas etc. A 
exposição é adequada para definições em que não há a opinião do autor. Já a 
argumentação é utilizada em muitas ocasiões cotidianas, tanto na oralidade quanto na 
escrita. Com esse tipo textual, expomos e defendemos pontos de vista por meio de 
argumentos. Finalmente, a injunção serve para darmos ordens e fazermos pedidos. 
Não se esqueça de que, na maioria dos gêneros textuais, há presença de variados 
tipos textuais, sobressaindo-se um ou outro. A distinção entre tipo textual (classificação 
limitada e definida por aspectos linguísticos) e gênero textual (classificação ilimitada e feita 
por meio da função na prática social) deve estar clara para compreender textos e escolher o 
melhor tipo de composição para a produção textual, conforme os objetivos estabelecidos . 
 
Referências 
ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2004. 
BALTAR, M. A. Competência discursiva e gêneros textuais: uma experiência com o 
jornal de sala de aula. Caxias do Sul: EDUCS, 2004. 
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BARBOSA, S. A. M. Redação: escrever é desvendar o mundo. 15. ed. Campinas: Papirus, 
2002. 
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. P.; 
MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.). Gêneros textuais e ensino. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Lucerna, 2002. 
PAIVA, V. L. M. E-mail: um novo gênero textual. In: MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. 
(Org.). Hipertextos e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. p. 68-90. Disponível 
em: <http://www.veramenezes.com/emailgenero.htm>. Acesso em: 25 mar. 2013. 
PAIVA, V. L. M.; RODRIGUES JR., A. S. Fóruns on-line: intertextualidade e footing na 
construção do conhecimento. In: MACHADO, I. L.; MELLO, R. (Org.). Gêneros: reflexões 
em análise do discurso. Belo Horizonte: UFMG, 2004. p. 171-189. 
REIS, I. M.; SOUZA, L. S. V. de. Fórum como gênero discursivo na era digital: 
caracterização e problematização. In: I CIPLOM, Foz do Iguaçu, 19-22 out. 2010. Artigo. p. 
1-10. Disponível em: <http://www.apeesp.com.br/web/ciplom/Arquivos/artigos/pdf/isabel -
reis-ludmila-souza.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2013. 
VIEIRA, A.; ANJOS, R. dos. Fórum: que gênero é esse? 2009. Disponível em: 
<http://escrevendo.cenpec.org.br/?option=com_content&view=article&id=164&catid=57&Ite
mid=161>. Acesso em: 25 mar. 2013. 
XAVIER, A. C.; SANTOS, C. F. E-forum na internet: um gênero digital. In: ARAÚJO, J. C.; 
BIASI-RODRIGUES, B. (Org.). Interação na internet: novas formas de usar a linguagem. 
Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. p. 30-38. 
 
 
 
 
 
 
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ATIVIDADES 
 
Leia o texto “Igualdade só no governo”, escrito por José Barella, retirado da revista 
Veja, de 2004, para responder às questões de 1 a 5. 
 
IGUALDADE SÓ NO GOVERNO 
José Eduardo Barella 
 
A Suécia é um primor no que diz respeito à igualdade entre os sexos no trabalho 
e na vida pública. No Parlamento, 45% das cadeiras são ocupadas por mulheres, o 
maior índice internacional de participação feminina e quase o triplo da média europeia. 
Por consenso entre os partidos políticos, elas também estão no comando de metade 
dos ministérios. Um terço dos cargos de confiança no governo é reservado para as 
mulheres. Em nenhum outro lugar da Europa é maior apresença feminina no mercado 
de trabalho e tão alta a média salarial, comparada com a masculina, como na Suécia. 
Dentro de casa, infelizmente, a história é outra. A violência contra a mulher – incluindo 
aí espancamento doméstico, relações sexuais forçadas e constrangimento psicológico 
– é também uma das maiores da Europa. Nos últimos quinze anos, o número oficial de 
casos de violência contra mulheres na Suécia aumentou 40%. Em 2003, de acordo 
com um relatório da Anistia Internacional, 50% das agressões que chegaram ao 
conhecimento da polícia se referiam a surras aplicadas por marido, namorado e toda 
sorte de ex. Quatro em cada dez suecas, em algum momento da vida, já foram 
agredidas por homens. É o dobro da média europeia e um índice encontrado com 
maior facilidade em países menos desenvolvidos, como o Brasil. Na Europa, só em 
Portugal as mulheres são mais espancadas que as suecas. De acordo com 
estatísticas, metade das portuguesas já foi surrada pelo menos uma vez na vida. Na 
Holanda essa proporção é de 20% e na Espanha, de 11%. Na Inglaterra, onde a 
orientação policial é tratar com rigor os suspeitos de espancamento doméstico, o índice 
de violência no lar caiu 50% desde o início dos anos 90. 
Como explicar o paradoxo de que o país europeu que melhor protege a mulher 
do ponto de vista legal seja também aquele que a trata pior dentro de casa? "Na 
verdade, por contraditório que possa parecer, uma coisa está relacionada a outra", 
explica Margareta Winberg, embaixadora da Suécia no Brasil e ex-ministra de Assuntos 
para a Igualdade de Gêneros. "Os suecos batem nas mulheres para deixar claro que 
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ainda são capazes de subjugá-las, apesar de ter perdido o poder sobre elas fora de 
casa." Talvez isso decorra do fato de a igualdade de direitos no trabalho ter sido 
imposta de cima para baixo, por meio de leis apresentadas no Parlamento. A legislação 
aprovada treze anos atrás estabelece punição severa para a companhia que deixar de 
contratar alguém só por ser mulher. As planilhas das empresas privadas são checadas 
pelo governo para ver se não há disparidade de salários entre homens e mulheres. 
"Nada disso garante às mulheres coragem para denunciar as agressões que sofrem 
dentro de casa", disse a VEJA Gerd Johnsson, diretora do projeto de combate à 
violência contra a mulher do governo da Suécia. "Algumas suportam caladas para 
preservar a imagem de pessoa forte e independente que construíram na sociedade.” 
(Veja, ed. 1902, 27 abr. 2005, p. 70). 
 
1. Em relação às informações do texto, podemos afirmar que 
a) na Suécia existe igualdade entre sexo tanto no trabalho quanto em casa. 
b) quase metade das cadeiras do Parlamento sueco é ocupada por mulheres. 
c) o maior índice internacional de participação feminina em cargos públicos é quase o 
triplo da média sueca. 
d) as mulheres suecas estão em um terço dos cargos dos ministérios, um índice 
considerado baixo em relação ao restante da Europa. 
e) a média salarial é bem mais alta em outros lugares da Europa do que na Suécia. 
 
2. Em relação à violência doméstica na Europa, não podemos afirmar que 
a) a mulher sueca, dentro de casa, tem uma vida muito diferente das mulheres 
europeias, visto que recebe toda a ajuda de seu marido. 
b) a violência contra a mulher sueca, nos últimos quinze anos, diminuiu 40%. 
c) apesar de no trabalho ter se igualado ao homem, infelizmente, entre 10 mulheres 
suecas, quatro, em algum momento da vida, já foram agredidas por homens. 
d) as mulheres suecas sofrem mais com a violência doméstica do que as portuguesas. 
e) tanto em Portugal, quanto na Holanda e na Espanha, 50% das mulheres sofrem com 
a violência dentro de casa. 
 
3. Considerando o questionamento de “Como explicar o paradoxo de que o país 
europeu que melhor protege a mulher do ponto de vista legal seja também aquele que 
a trata pior dentro de casa?”, assinale a alternativa incorreta. 
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a) Margareta Winberg, embaixadora da Suécia no Brasil, diz que os homens suecos 
são violentos com suas mulheres para mostrar que tem domínio sobre elas. 
b) Uma das possíveis razões para a violência sofrida pela mulher sueca é devido à 
imposição da lei em relação à igualdade de direitos no trabalho. 
c) A lei em relação à igualdade de direitos entre homem e mulher no trabalho é seguida 
rigorosamente na Suécia. 
d) O rigor das leis suecas garante às mulheres coragem para denunciar as agressões 
que sofrem de seus parceiros. 
e) Algumas mulheres suecas não denunciam a violência que sofrem dentro de casa 
para preservar a imagem de pessoa forte e independente que construíram na 
sociedade. 
 
4. Observe o trecho a seguir. 
“Como explicar o paradoxo de que o país europeu que melhor protege a mulher do 
ponto de vista legal seja também aquele que a trata pior dentro de casa?” 
O que significa o termo “paradoxo” nesse contexto? 
a) Uma situação contraditória. 
b) Uma situação metafórica. 
c) Uma situação muito complexa. 
d) Uma situação indesejável. 
e) Uma situação insuportável. 
 
5. No texto “Igualdade só no governo”, predomina a 
a) narração. 
b) descrição. 
c) argumentação. 
d) narração e descrição. 
e) exposição. 
 
Leia o texto para responder às questões de 6 a 8. 
 
Por que o texto técnico é tão chato? 
 
O texto técnico geralmente é mais chato que um texto jornalístico ou que um 
livro de divulgação científica. Existem algumas boas razões para que isto ocorra. 
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Em primeiro lugar, é muito difícil escrever fácil, de forma simples, sem perder a 
precisão. Assim, muitos cientistas, que são especialistas em fazer pesquisas, têm uma 
grande dificuldade de escrever seus relatórios numa linguagem acessível. Muitos 
pesquisadores achavam as aulas (e as regras) de português desnecessárias. Afinal, 
"qual a necessidade de um contador saber escrever? Ele precisa saber fazer os 
lançamentos contábeis, nada mais que isto". 
Uma segunda explicação possível para a nossa questão é que as pessoas que 
escrevem textos técnicos acham que seus artigos devem ser "chatos". Muitas vezes as 
pessoas não querem que outros estudem com profundidade suas pesquisas ou 
relatórios, mas querem que os mesmo sejam elogiados. Uma forma de fazer isto é 
tornar o texto hermético, ou seja, difícil de ser compreendido. As pessoas associam 
textos complicados com textos de boa qualidade, o que nem sempre é verdade (veja o 
exemplo da postagem de hoje sobre o comunicado da CVM). Em certos casos, uma 
forma de aprovar um texto sem muita dor de cabeça para o autor é torná-lo inacessível. 
Se eu uso um monte de fórmulas quantitativas no meu texto, as chances do mesmo ser 
aceito num periódico aumenta, mas provavelmente a possibilidade de difusão das suas 
conclusões é menor. 
Mas acredito que exista outra explicação: o texto científico deve ser preciso. E 
fazer um texto preciso exige muitas vezes repetição de palavras. Veja o seguinte 
exemplo, muito comum nas dissertações, artigos e outros textos científicos: "as 
empresas americanas foram usadas como amostra na pesquisa". Que empresas são 
essas? No meu dicionário, América significa uma porção de terra que vai da Patagônia 
até o Alasca. Mas parece que algumas pessoas acham que a América é sinônimo de 
"Estados Unidos". Para resolver este problema, outraspessoas escrevem: "as 
empresas norte-americanas foram usadas como amostra na pesquisa". Ou seja, a 
pesquisa contou com empresas do Canadá, Estados Unidos e México. Mas não é isto 
que era para ser dito. A solução seria escrever: "as empresas dos Estados Unidos 
foram usadas como amostra na pesquisa" ou "as empresas estadunidenses foram 
usadas como amostra na pesquisa". Agora chegamos à precisão necessária. Mas para 
isto, o texto ficou mais chato, com certeza, pois "estadunidenses" é muito mais esnobe 
e complicado que "americanas". 
Finalmente, a linguagem científica, como qualquer outro tipo de comunicação, 
está carregada de abreviações, atalhos e termos técnicos que afastam o leitor comum. 
Falamos em "ceteribus paribus" e o entendimento é imediato para quem é da área. 
Comunicação e Expressão 
 
 Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 115 
 
Escrever sobre impairment é natural para quem conhece, mas é "grego" para quem 
possui pouco conhecimento contábil. Para entendermos certos textos é necessário um 
mínimo de conhecimento do linguajar usado (Disponível em: http://www.contabilidade-
financeira.com/2011/01/por-que-o-texto-tecnico-e-tao-chato.html>. Acesso em: 12 ago. 
2015). 
 
6. Qual é a tipologia textual predominante no texto? Comente como o autor estruturou 
seu texto. 
7. Releia os parágrafos e identifique os tópicos frasais. 
8. A partir do que estudamos sobre a técnica de sublinhar, localize as informações 
principais do texto e grife-as, esquematize e elabore uma paráfrase.

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