Prévia do material em texto
COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO PROFESSORAS MARIA DE FÁTIMA ROCHA MEDINA SILVÉRIA APARECIDA BASNIAK SCHIER VALQUIRIA MARANHÃO 2016/1 Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 2 PLANO DE ENSINO EMENTA Linguagem. Língua materna: oral e escrita. Variação linguística. Oralidade e retextualização. Leitura e estratégias de leitura. Paráfrase. Paragrafação. Coesão e Coerência. COMPETÊNCIAS Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências: 1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas, em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual e comprometido com a disciplina. HABILIDADES 1. Compreender os vários tipos de linguagem e as diferenças entre língua falada e escrita. 2. Distinguir as variedades linguísticas ao ler diferentes textos e aplicar a variante culta nas produções textuais. 3. Reconhecer as próprias peculiaridades da fala a partir das variantes linguísticas e utilizá-las adequadamente nas diversas situações comunicativas. 4. Entender as modalidades da língua - oral e escrita - ao reconhecer peculiaridades de cada uma em distintos textos que circulam na sociedade. 5. Identificar tipos e gêneros textuais em textos lidos/discutidos durante o semestre. 6. Compreender e interpretar distintos textos, verbais e não verbais, sobretudo, relacionados a direitos humanos. 7. Ler/compreender/deleitar e debater a obra O cavaleiro inexistente, além de produzir textos sobre esse romance. 8. Escrever/refazer textos próprios com coesão e coerência ao aplicar, adequadamente, elementos anafóricos, articuladores e conectivos. 9. Aplicar corretamente particularidades da escrita ao retextualizar textos da oralidade para a escrita. 10. Escrever/refazer paráfrase de forma adequada ao compreender o texto original e reorganizá-lo de maneira coerente e coesa, além de primar pela criatividade ao evitar transcrição. 11. Elaborar/refazer parágrafo padrão ao sistematizar argumentos/informações em estrutura textual corretamente definida e clara. 12. Apresentar-se oralmente, com desenvoltura e de maneira adequada, em debates e apresentações em sala de aula. CONTEÚDOS 1. Linguagem - código verbal e código não verbal: conceitos 2. Língua materna: oral e escrita 3. Variação linguística 4. Estratégias de leitura - Tipos e gêneros textuais - Compreensão e interpretação de textos - Relacionamento entre textos (intertextualidade) - Atenção a elementos coesivos dos textos - Relação entre texto e realidade (contexto) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 3 5. Estratégias de escrita - Recriação textual: paráfrase (citação indireta) - Recriação textual: retextualização da oralidade para a escrita - Escrita de parágrafo com suas partes constituintes: sistematização de argumentos - Utilização de elementos coesivos: anafóricos, articuladores e conectivos - Refacção de textos LEITURA OBRIGATÓRIA CALVINO, Italo. O cavaleiro inexistente. Trad. Nilson Moulin. 12. reimpressão. São Paulo: Companhia das letras, 2005. METODOLOGIA Para que “o aluno seja sujeito de seu processo de aprendizagem”, de acordo com os princípios que regem o ensino no CEULP (PDI, 2011, p. 13), a metodologia desta disciplina necessita do envolvimento ativo do acadêmico em atividades de leitura e compreensão de textos (verbais e não verbais) e da produção/refacção textual oral e escrita. Por meio de atividades de leitura e produção de textos orais e escritos, em sala e extraclasse, o acadêmico deve começar e/ou desenvolver a consciência de que a sistematização do texto escrito é distinta do texto oral. Nas aulas, o momento de escrita (paráfrase, retextualização, parágrafo) é precedido pela discussão de textos de distintos tipos e gêneros textuais a fim de que o aluno desenvolva a prática de compreensão ao identificar particularidades e inferências importantes de cada um deles (tema, intertextualidades, argumentos, contexto), além de atribuir sentido ao que lê de forma crítica e clara. Textos que tratam sobre o tema de direitos humanos têm prioridade para que o acadêmico adquira proximidade com as diretrizes de direitos humanos no ensino superior. E o romance O cavaleiro inexistente permite contato com a particularidade do texto literário. As aulas presenciais são realizadas a partir de exposições dialogadas e de técnicas diversas, como peritos e interrogadores, GV-GO, Phillips 66, discussão circular, debates e seminários a fim de que o grupo possa socializar e relacionar repertórios e experiências pessoais com novos conteúdos. Relevante, também, é a resolução e correção de exercícios para a prática da compreensão e produção/refacção textuais com a orientação da docente. Quanto às variantes linguísticas, além de identificá-las, o aluno será estimulado a utilizar a variante culta de maneira adequada em situações formais. Nesta proposta metodológica, são utilizados recursos materiais como: quadro, datashow, cd, dvd, livros, textos, projeções e som. O estudante tem oportunidade de participar do Palco 2016/1: projeto interdisciplinar que integra as disciplinas institucionais Comunicação e Expressão, Sociedade e Contemporaneidade e Cultura Religiosa. E as web atividades da disciplina são disponibilizadas no acesso interno - Conecta, plataforma da instituição -, a fim de que os alunos reforcem o estudo com exercícios de leitura/compreensão textual. AVALIAÇÃO A avaliação diagnóstica, formativa e somatória, conforme preconiza a instituição, ocorre de forma contínua durante o semestre por meio da prática de atividades de Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 4 compreensão e produção de textos orais e escritos, como também de participação, interesse, responsabilidade e pontualidade do estudante. Ao apresentar trabalhos individuais e em grupos, orais e/ou por escrito, o acadêmico deve demonstrar conhecimento, coerência e consciência crítica sobre o conteúdo abordado. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. E aparelho celular pode ser utilizado, durante a aula, exclusivamente para consulta a material específico da disciplina. Obs.: Textos e referências bibliográficas são disponibilizados no Conecta e na reprografia do prédio 4. Os acadêmicos que sentirem dificuldades quanto à compreensão e escrita de textos devem frequentar o Laboratório de Produção Textual, na sala 409, Prédio 4. Notas da avaliação somatória G1 1) Produção textual oral e escrita de acordo com os critérios estabelecidos: valor 1,0 2) Participação em atividades orais e escritas em sala de aula: valor 0,5 3) Livro O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino: a) Apresentação em grupo/debate a partir de roteiro proposto: valor 1,0 b) Registro da leitura em cordel, entrevista, rap, paródia, teatro, programa de rádio, poema (outros), apresentação oral em sala e escrita em cartaz/banner: valor 1,5 4) *Prova de acordo com o calendário acadêmico: valor 6,0 G2 1) Produção textual de acordo com os critérios estabelecidos: valor 2,0 2) Participação em atividades orais e escritas em sala de aula: valor 0,5 3) Produção oral/escrita coletiva a partir de Phillips 66: valor 1,5 4) *Prova deacordo com o calendário acadêmico: valor – valor 6,0 BIBLIOGRAFIA BÁSICA ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. BASTOS, Lucia Kopschitz. A produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto: para estudantes universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. ed. São Paulo: Ática, 1998. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 5 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ORAL Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: 1. informações precisas do texto proposto; 2. ideias claras, coerentes e com senso crítico; 3. volume e entonação de voz adequados, além de entusiasmo ao falar; 4. sinalização com a mão antes de falar; 5. respeito às ideias dos colegas; 6. uso da norma culta da língua de acordo com a oralidade. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ESCRITA Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios expostos a seguir. 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) 1.1 Apresenta características do tipo e gênero textuais solicitados, de forma que é possível identificá-los? 1.2 Apresenta indicadores que caracterizam o propósito textual? 1.3 Apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 1.4 Apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? 1.5 Apresenta título criativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) 2.1 Apresenta uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? 2.2 Apresenta as informações necessárias no texto produzido? 2.3 Apresenta o assunto de maneira original, clara, crítica, criativa e progressiva? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) 3.1 Está escrito de acordo com a variante linguística proposta? 3.2 Está adequado quanto à ortografia? 3.3 Está adequado quanto à acentuação gráfica? 3.4 Está adequado quanto à concordância? 3.5 Está adequado quanto à pontuação? 3.6 Está adequado quanto à sintaxe? 3.7 Está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4. Quanto a aspectos estéticos, o texto: (valor: 15%) 4.1 Apresenta letra legível (quando manuscrito)? Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 6 CRONOGRAMA - SEGUNDA-FEIRA DATA TEMA PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 1/2/16 Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. Exercícios e correção. Formação de grupos a partir de narrativa literária. Compreensão de textos. Socialização e correção. 15/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição do conteúdo: Linguagem e língua materna. Exposição dialogada Esclarecimento de dúvidas. 22/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. Atividade escrita. 29/2/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. Exposição dialogada. Trabalho em pequenos grupos. Correção de exercícios. 7/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser mulher. Peritos e interrogadores. Exercícios e correção. Atividade avaliativa: v. 1,0 12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 14/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema prévio: retângulo Phillips 66 Exposição dialogada Exercícios e correção 21/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem tem culpa no cartório. Correção e tira dúvidas. Texto escrito. 28/3/16 Avaliação G1 Prova escrita. Valor: 6,0 4/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- da do plano de ensino. Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino. Seminário v. 1,0 11/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra O cavaleiro inexistente Produção de textos de distintos gêneros/tipos (grupos) valor 1,5 18/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. Batata quente Trabalho escrito 25/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores Exercícios. Texto escrito Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 2/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves Trabalho em pequenos grupos. Socialização. 9/5/16 Parágrafo padrão: atividades. Texto escrito e correção quanto aos argumentos e à estrutura. V. 1,5 14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 16/5/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para a escrita. GV-GO Retextualização: valor: 0,5 30/5/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 Texto escrito: 1,5 6/6/16 Avaliação G2 Prova escrita valor: 6,0 13/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 20/6/16 Substituição de Grau Prova escrita valor: 10,0 Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 7 CRONOGRAMA - TERÇA-FEIRA DATA TEMA PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 2/2/16 Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. Exercícios e correção. Formação de grupos a partir de narrativa literária. Compreensão de textos. Socialização e correção. 16/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição do conteúdo: Linguagem e língua materna. Exposição dialogada Esclarecimento de dúvidas. 23/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. Atividade escrita. 1/3/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. Exposição dialogada. Trabalho em pequenos grupos. Correção de exercícios. 8/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser mulher. Peritos e interrogadores. Exercícios e correção. Atividade avaliativa: v. 1,0 12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 15/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema prévio: retângulo Phillips 66 Exposição dialogada Exercícios e correção 22/3/16 Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino. Seminário v. 1,0 29/3/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra O cavaleiro inexistente Produção de textos de distintos gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 5/4/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 12/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retomada do plano de ensino. Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem tem culpa no cartório. Correção e tira dúvidas. Texto escrito. 19/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: flechas. Identificação dos elementoscoesivos em textos. Batata quente Trabalho escrito 26/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores Exercícios. Texto escrito Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 3/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves Trabalho em pequenos grupos. Socialização. 10/5/16 Parágrafo padrão: atividades. Texto escrito e correção quanto aos argumentos e à estrutura. v. 1,5 14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 17/5/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para a escrita. GV-GO Retextualização: v. 0,5 31/5/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 Texto escrito: v.1,5 7/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 14/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 21/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 8 CRONOGRAMA - QUARTA-FEIRA DATA TEMA PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 3/2/16 Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. Exercícios e correção. Formação de grupos a partir de narrativa literária. Compreensão de textos. Socialização e correção. 17/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição do conteúdo: Linguagem e língua materna. Exposição dialogada Esclarecimento de dúvidas. 24/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. Atividade escrita. 2/3/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. Exposição dialogada. Trabalho em pequenos grupos. Correção de exercícios. 9/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser mulher. Peritos e interrogadores. Exercícios e correção. Atividade avaliativa: v. 1,0 12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 16/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema prévio: retângulo Phillips 66 Exposição dialogada Exercícios e correção 23/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem tem culpa no cartório. Correção e tira dúvidas. Texto escrito. 30/3/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 6/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- da do plano de ensino. Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino. Seminário v. 1,0 13/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra O cavaleiro inexistente Produção de textos de distintos gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 20/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. Batata quente Trabalho escrito 27/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores Exercícios. Texto escrito Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 4/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves Trabalho em pequenos grupos. Socialização. 11/5/16 Parágrafo padrão: atividades. Texto escrito e correção quanto aos argumentos e à estrutura. v. 1,5 14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 18/5/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para a escrita. GV-GO Retextualização: v. 0,5 1/6/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 Texto escrito: v. 1,5 8/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 15/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 22/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 9 CRONOGRAMA - SEXTA-FEIRA DATA TEMA PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 5/2/16 Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. Exercícios e correção. Formação de grupos a partir de narrativa literária. Compreensão de textos. Socialização e correção. 12/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição do conteúdo: Linguagem e língua materna. Exposição dialogada Esclarecimento de dúvidas. 19/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. Atividade escrita. 26/2/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre feminicídio. Elaboração de esquemas distintos. Exposição dialogada. Trabalho em pequenos grupos. Correção de exercícios. 4/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser mulher. Peritos e interrogadores. Exercícios e correção. Texto escrito: v. 1,0 11/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema prévio: retângulo Phillips 66 Exposição dialogada Exercícios e correção 12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 18/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem tem culpa no cartório. Correção e tira dúvidas. Texto escrito. 1/4/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 8/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- da do plano de ensino. Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino. Seminário v. 1,0 15/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra O cavaleiro inexistente Produção de textos de distintos gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 22/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. Batata quente Trabalho escrito Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 29/4/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores Exercícios. Texto escrito 6/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves Trabalho em pequenos grupos. Socialização. 13/5/16 Parágrafo padrão: atividades. Texto escrito e correção quanto aos argumentos e à estrutura. v. 1,0 14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 3/6/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para a escrita. GV-GO Retextualização: v. 0,5 10/6/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 Texto escrito: v.1,5 17/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 24/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 29/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 10 CRONOGRAMA – SÁBADO DATA TEMA PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 6/2/16 Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento da turma. Diagnóstico: leitura e compreensão de texto verbal. Exercícios e correção. Formação de grupos a partir de narrativa literária. Compreensão de textos. Socialização e correção. 13/2/16 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Exposição do conteúdo: Linguagem e língua materna. Exposição dialogada Esclarecimento de dúvidas. 20/2/16 O que é leitura – importância da leitura. Exercícios Exposição dialogada. Atividade escrita. 27/2/16 Estratégias de leitura de estudo. Exercícios. Textos sobre feminicídio. Elaboraçãode esquemas distintos. Exposição dialogada. Trabalho em pequenos grupos. Correção de exercícios. 5/3/16 Paráfrase. Textos: condições de argumentação e O que é... ser mulher. Peritos e interrogadores. Exercícios e correção. Texto escrito: v. 1,0 12/3/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Esquema prévio: retângulo Phillips 66 Exposição dialogada Exercícios e correção 12/3/16 1ª web atividade Acesso interno – Conecta 2/4/16 Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. Texto: Quem tem culpa no cartório. Correção e tira dúvidas. Texto escrito. 9/4/16 Avaliação G1 Prova escrita. v. 6,0 16/4/16 Devolução das avaliações, correções e comentários. Retoma- da do plano de ensino. Compreensão de texto: debate sobre a obra O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino. Seminário v. 1,0 23/4/16 Produção de textos de distintos gêneros e tipos a partir da obra O cavaleiro inexistente Produção de textos de distintos gêneros/tipos (grupos) v. 1,5 Participação no projeto PALCO Apresentações artísticas 30/4/16 Qualidades textuais – coesão: exercícios. Esquema prévio: flechas. Identificação dos elementos coesivos em textos. Batata quente Trabalho escrito 7/5/16 Qualidades textuais – coerência: exercícios Peritos e interrogadores Exercícios. Texto escrito 14/5/16 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio: chaves Trabalho em pequenos grupos. Socialização. 14/5/16 2ª web atividade Acesso interno – Conecta 4/6/16 Parágrafo padrão: atividades. Texto escrito e correção quanto aos argumentos e à estrutura. v. 1,0 11/6/16 Distinção entre fala e escrita. Retextualização da oralidade para a escrita. GV-GO Retextualização: v. 0,5 18/6/16 Produção textual: oral e escrita. Phillips 66 Texto escrito: v.1,5 25/6/16 Avaliação G2 Prova escrita v. 6,0 28/6/16 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-dialogada 30/6/16 Substituição de Grau Prova escrita v. 10,0 Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 11 CAPÍTULO 1: ESTRATÉGIAS DE LEITURA Já é coisa sabida que o mais importante não são as informações em si, mas o ato de transformá-las em conhecimento. As informações são os tijolos e o conhecimento é o edifício que construímos com eles. (Antônio Suárez Abreu) Introdução Neste capítulo, discutiremos sobre o ato de ler. Veremos aspectos relacionados à compreensão e à interpretação da leitura, aos posicionamentos do leitor diante dos textos e às estratégias que podemos utilizar nessa tarefa. É preciso perceber que a leitura é indispensável para nossa formação. Ela deve fazer parte de nossa rotina, principalmente quando nos propomos a frequentar um curso superior. 1.1 Noções preliminares A leitura auxilia no aprendizado logo nos primeiros anos de nossas vidas. Ela está presente no constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos rodeiam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos. Enfim, em todos esses casos, estamos, de certa forma, lendo. Por meio da leitura, temos a oportunidade de ampliar e aprofundar nossos conhecimentos, pois os textos formam uma fonte inesgotável de informações. Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa e para que tenhamos uma compreensão adequada e assimilação do conteúdo, a atenção no que estamos lendo é essencial, caso contrário a leitura se torna superficial e sem aproveitamento para a construção do conhecimento. O processo de compreensão de textos não é uma tarefa simples, visto que depende de conhecimentos linguísticos, conhecimento prévio a respeito do assunto do texto, conhecimento geral a respeito do mundo, motivação e interesse na leitura, entre outros. É sobre isso que conversarmos na seção a seguir. 1.2 O que é leitura? Segundo Fulgêncio e Liberato (2007), leitura não é uma atividade meramente visual. O acesso à informação visual (IV), isto é, à informação captada pelos olhos, é obviamente necessário, mas não suficiente. Podemos enxergar perfeitamente um texto e, ainda assim, não conseguir lê-lo por estar escrito em uma língua que não Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 12 conhecemos. Portanto, o conhecimento da língua é imprescindível para a leitura. Ele faz parte do conhecimento que temos estocado na memória, ao qual damos o nome de conhecimento prévio ou informação não visual (InV). Além do conhecimento da língua, outros tipos de InV são igualmente importantes na leitura. Um deles é o conhecimento sobre o assunto de que trata o texto. É possível que um leitor não consiga ler um texto que, embora escrito em uma língua que ele domina, trate de um assunto sobre o qual ele não tem informações. Também nesse caso diríamos que lhe falta InV adequada (FULGÊNCIO; LIBERATO, 2007). Outro fator que contribui com o ato de ler é todo e qualquer outro conhecimento que temos e que compõe a nossa teoria de mundo. Isso inclui tudo o que sabemos, desde as coisas mais simples, como a de que “macacos comem bananas”, até relações mais complexas que podemos perceber entre objetos e acontecimentos do mundo. Todo esse conhecimento está, de alguma forma, armazenado em nossa memória, juntamente com o conhecimento da linguagem, e é utilizado no processo da leitura, permitindo dar sentido àquilo que a visão capta (FULGÊNCIO; LIBERATO, 2007). Portanto, para o processamento textual, ativamos quatro grandes conjuntos de conhecimento: o conhecimento linguístico (o lexical e o gramatical); o conhecimento de mundo (que inclui os esquemas, os cenários, os protótipos ou os modelos de eventos e episódios em vigor nos grupos a que pertencemos); o conhecimento referente a modelos globais de texto (que inclui as regularidades de construção dos tipos e gêneros); o conhecimento sociointeracional, ou o conhecimento sobre as ações verbais (que inclui o saber acerca da realização social das ações verbais ou de como as pessoas devem se comportar/interagir em diferentes situações sociais). Resumidamente, podemos afirmar que leitura é o resultado da interação entre o que o leitor já sabe e o que ele retira do texto. Em outras palavras, a leitura é o resultado da interação entre IV e InV. Portanto a atividade pode ser representada pela seguinte fórmula: LER = IV + InV Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 13 1.3 Aprendizado da leitura A partir da definição que vimos sobre leitura, podemos dizer que é possível ensinar alguém a ler? Os pesquisadores afirmam que se aprende a ler, lendo. Dizem que, para ser um bom leitor, é necessário ler muito. É lendo muito que adquirimos a experiência para fazer uma leitura fluente e selecionar as informações mais importantes do texto (FULGÊNCIO; LIBERATO, 2007). 1.4 O que é leitura de estudo? Castello-Pereira (2003, p. 55) destaca que a leitura de estudo [...] é a leitura em que se faz uma interlocução com o texto [...], é a leitura que tem a finalidade de retirar tudo o que dele se possa extrair. Ou seja, é a leitura em que se busca não uma informação pontual, mas perceber como o texto se organiza, o que discute e como discute. É a leitura do estudo e do trabalho. A leitura necessária no dia a dia de quem exerce uma atividade intelectual, necessária aosestudantes de um modo geral, mas ESPECIALMENTE NECESSÁRIA AOS ALUNOS UNIVERSITÁRIOS (grifo nosso). Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir uma visão global, para que possamos dominar e entender a mensagem que o autor pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem reflexão por aqueles que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem. Devemos compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos de criar condições capazes de permitir a compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo. Analisar: decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las. Sintetizar: reconstituir o texto decomposto pela análise. Interpretar: tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas no texto, isto é, dialogar com o autor. Precisamos ainda, mais detalhadamente, verificar como se pode estudar um texto. Para Geraldi (1984), um bom roteiro para estudar um texto é o de: especificar a tese defendida; os argumentos apresentados em favor da tese; os contra-argumentos expostos em teses contrárias; a coerência entre tese e argumentos. Sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados. Para tanto, é importante Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 14 observar a “costura” do texto, isto é, como se dá a passagem de um parágrafo para outro e como, no interior do parágrafo, se passa de uma afirmação para outra. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor, que contra-argumentos invalidam seus argumentos, ou de outros argumentos confirmam sua posição etc. Para avaliar se o texto foi bem compreendido, responda às três questões básicas. Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta, o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal, isto é, aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando, ou sabe apenas de maneira genérica e confusa, é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto, aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. Por isso, uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. Não saber responder a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião exposta? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que está falando a verdade. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita, um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das ideias. Na verdade, compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. Cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados. Para tanto, é importante observar a “costura” do texto, isto é, como ocorre a passagem de um parágrafo para outro, e como, no interior do parágrafo, se passa de uma afirmação para outra. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor, que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra- argumentos confirmam sua posição. Outra dica interessante para você localizar a informação principal de um parágrafo é identificar o tópico frasal. Mas o que é um tópico frasal? Tópico frasal é a introdução do tema, é a ideia-chave do parágrafo. É(são) a(s) frase(s) que traduz(em), de maneira geral e sucinta, a ideia núcleo do parágrafo. Sua função é delimitar o tema Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 15 e fixar os objetivos da redação. Ele introduz o assunto e o aspecto desse assunto, a ideia central com o potencial de gerar outros períodos, chamados de ideias secundárias. O tópico frasal serve para orientar o restante do parágrafo. Segundo Faulstich (2001), em geral, o tópico frasal está na primeira frase do parágrafo – ideia genérica –, seguido de períodos que o desenvolvem – ideias secundárias. Observe o exemplo a seguir. Enquanto não existe a norma que regulamenta algum direito constitucional, o cidadão ou grupo de cidadão poderá utilizar o mandado de injunção para garantir o exercício do direito. Funciona assim: se existe um direito constitucional, e autoridade pública se nega a respeitá-lo porque não existe uma lei que regulamente, a pessoa prejudicada entra com um mandado de injunção perante a Justiça, e a decisão do Juiz, resolvendo aquele caso concreto, fica valendo como lei para as partes. Há parágrafos em que se particularizam as ideias no início do parágrafo, para, ao seu final, lançar a ideia principal genérica, como no exemplo exposto na sequência. O povo não tinha liberdade para decidir sobre o que seria melhor para si, sobre a própria vida. Sua liberdade de manifestação do pensamento foi cerceada por medidas de repressão, as leis foram-lhe impostas por uma minoria opressora, ficou à mercê de governantes ditadores. Essa foi a situação do povo brasileiro durante o período de ditadura militar. Também há parágrafos em que a ideia principal é implícita ou diluída. Nesse caso, após uma leitura atenta do parágrafo, temos de construir a ideia principal, que não estaria expressa claramente. Examine o seguinte exemplo. Na Idade Média, as aulas da Universidade de Paris começavam às cinco horas da manhã. As primeiras atividades constavam de palestras ordinárias; eram as mais importantes palestras do dia. Após várias palestras regulares, havia pequeno lanche; depois, os estudantes assistiam a leituras extraordinárias, dadas à tarde pelos professores menos importantes, os quais geralmente tinham de 14 a 15 anos. O estudante gastava 10 ou 12 horas diárias com os professores, assistindo às aulas até à tardinha, quando ocorriam eventos esportivos. Depois dos esportes, o dia escolar prosseguia: existiam, ainda, as tarefas de copiar, recopiar e memorizar notas, até a luz permitir. Havia pouco intervalo no calendário escolar; as férias do Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 16 Natal eram de aproximadamente três semanas, e as férias de verão, apenas de um mês. (Figueredo) A ideia principal parcial implícita: “o dia escolar medieval exigia muita dedicação”. Detalhamento dessa ideia: palestras comuns das cinco horas até o lanche; palestras extraordinárias após o lanche; eventos esportivos à tardinha; e tediosas tarefas até o cair da tarde. Com base no esquema das ideias do parágrafo, podemos formular a ideia principal: o longo dia escolar da Universidade de Paris, durante a Idade Média, requeria muita dedicação dos estudantes. A ideia principal está implícita no parágrafo, basta para tal que façamos um esquema das ideias desenvolvidas. Atividades Leia com atenção os parágrafos e grife seus tópicos frasais. Se estiverem implícitos, elabore um tópico frasal a partir das informações expostas no parágrafo. a) Uma das consequências mais visíveis da perda da influência cultural da Igreja é a crise de vocações. O número de padres ordenados cai ano a ano, na Europa como na América Latina. O Brasil, com um padre para cada10 mil habitantes, é uma das maiores vítimas desse esvaziamento. Na Europa, importam-se padres da Ásia e da África para ocupar altares vazios. Havia 19.700 padres na Alemanha em 1990. Vinte anos depois, o número caiu para 15 mil – dos quais 1.600 estrangeiros. O que se pode fazer sobre isso? Cabe agora ao papa Francisco responder a essa pergunta. Sem sacerdotes, não há Igreja (Época, n. 773, 18 mar. 2013, p. 77). b) A Suécia é um primor no que diz respeito à igualdade entre os sexos no trabalho e na vida pública. No Parlamento, 45% das cadeiras são ocupadas por mulheres, o maior índice internacional de participação feminina e quase o triplo da média europeia. Por consenso entre os partidos políticos, elas também estão no comando de metade dos ministérios. Um terço dos cargos de confiança no governo é reservado para as mulheres. Em nenhum outro lugar da Europa é maior a presença feminina no mercado de trabalho e tão alta a média salarial, comparada com a masculina, como na Suécia. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 17 Dentro de casa, infelizmente, a história é outra. A violência contra a mulher – incluindo aí espancamento doméstico, relações sexuais forçadas e constrangimento psicológico – é também uma das maiores da Europa. Nos últimos quinze anos, o número oficial de casos de violência contra mulheres na Suécia aumentou 40%. Em 2003, de acordo com um relatório da Anistia Internacional, 50% das agressões que chegaram ao conhecimento da polícia se referiam a surras aplicadas por marido, namorado e toda sorte de ex. Quatro em cada dez suecas, em algum momento da vida, já foram agredidas por homens. É o dobro da média europeia e um índice encontrado com maior facilidade em países menos desenvolvidos, como o Brasil. Na Europa, só em Portugal as mulheres são mais espancadas que as suecas. De acordo com estatísticas, metade das portuguesas já foi surrada pelo menos uma vez na vida. Na Holanda essa proporção é de 20% e na Espanha, de 11%. Na Inglaterra, onde a orientação policial é tratar com rigor os suspeitos de espancamento doméstico, o índice de violência no lar caiu 50% desde o início dos anos 90 (Veja, ed. 1902, 27 abr. 2005, p. 70). c) Em uma briga entre lagarto e jararaca, a cobra leva a melhor. A picada dela o deixa fraco, perto da morte. Mas ele é esperto: foge da briga e corre atrás de remédio. Mastiga umas folhas e dias depois fica forte novamente. O índio, na espreita, acompanha todo o processo. Se alguém for picado por uma jararaca, ele corre em busca da mesma planta mastigada pelo lagarto. Primeiro, testa o remédio. Se der certo, a planta entra na lista de medicações daquela aldeia. Foi assim que, ao verem animais machucados roçando em uma árvore, os índios descobriram o poder cicatrizante do óleo de uma árvore chamada copaíba, por exemplo (Superinteressante, ed. 313, mar. 2013, p. 71-72). A partir dos exemplos analisados e das atividades, você deve ter notado que não há uma regra para identificação do tópico frasal. O importante é que você leia e analise o parágrafo com atenção, verifique em torno de que período(s) as informações são desenvolvidas. Na leitura de estudo, precisamos ficar atentos também na intertextualidade, assunto do próximo tópico. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 18 1.5 Intertextualidade É o diálogo entre texto. Ocorre quando um texto retoma uma parte ou a totalidade de outro texto – o texto fonte. Geralmente, os textos fontes são aqueles considerados fundamentais em uma determinada cultura, como podemos notar no anúncio publicitário da Chevrolet. No exemplo, percebemos que a propaganda buscou inspiração no texto bíblico "Do pó vieste e ao pó voltarás". Atividades Leia os textos para responder às questões 1 e 2. Texto 1 FEMINICÍDIO: uma lei necessária? 2/4/2015 por Valéria Diez Scarance Fernandes A história do nosso país revela que as mulheres morrem a todo momento nas mãos dos parceiros. Mulheres de todas as idades, classes sociais e níveis de instrução são assassinadas porque homens não aceitam receber o “não” da parceira. Não toleram o “não” às suas mínimas ordens, ao seu desejo sexual ou ao término do relacionamento. Por isso, matam. Mas existe razão para uma lei de feminicídio? Nossas leis não são suficientes? A maior incidência de mortes no recinto do lar é de mulheres: 92,1 mil assassinatos entre 1980 e 2010 (Mapa da Violência 2012: homicídio de mulheres no Brasil), 472 por mês, 15,52 por dia ou 1 a cada 90 minutos (Pesquisa do IPEA Violência contra a Mulher). Apesar disso, nunca houve norma específica para tratar do assassinado de mulheres no Brasil, nem mesmo a Lei Maria da Penha tratou desse grave crime. Lentamente a legislação evolui e, quando nasce a nova lei, gestada após inúmeras e infindáveis discussões, muitos aplicadores resistem às mudanças e preferem modelos já consolidados em seu dia a dia. Estão engessados por um argumento de autoridade, traduzido nas sábias palavras do Presidente do Tribunal de Justiça, José Renato Nalini: “é assim porque sempre foi assim e cada um acha que está fazendo o máximo que pode. Esse é o argumento Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 19 de autoridade” (Conferência de Abertura do Curso Psicologia Judiciária, COGEAE-PUC/SP, 24.03.2015). Essa resistência ao novo também ocorreu na proteção sexual da mulher. Pela legislação vigente até esta década, o crime de estupro tinha como bem jurídico tutelado a honra e não a dignidade sexual da vítima. É fato que, no Código Criminal do Império, de 1830, estuprar significava praticar um crime contra a “segurança da honra”, tal como a calúnia e a injúria. Anos mais tarde, no Código de 1890, o estupro configurava crime contra a “segurança da honra e honestidade das famílias” e, em 1940, crime contra “os costumes”. Até o advento da Lei 11.106/2005, o casamento do autor do estupro com a vítima acarretava a extinção da punibilidade do agente. Essa era a mentalidade que reinava na época. Em 1969, Magalhães Noronha dizia que o marido tinha direito a ter relação sexual com a esposa, que não poderia se negar “por mero capricho”: “As relações sexuais são pertinentes à vida conjugal, constituindo direito e dever recíprocos dos que casaram. O marido tem direito à posse sexual da mulher, ao qual ela não se pode opor”. E os crimes passionais? Por muitos anos, nossa legislação autorizou ou indiretamente permitiu o assassinato para a defesa da honra. Nas Ordenações do Reino, legislação vigente até 1832, havia autorização expressa para o marido matar a esposa adúltera (Título XXXVIII). Anos mais tarde, embora formalmente abolida essa norma, o Código de 1890 criou a isenção de pena para o agente privado de sentimentos e inteligência no momento do crime (art. 27, § 4º), quando era entregue à família ou recolhido em hospitais, se o estado mental assim o exigisse (art. 29). As absolvições por legítima defesa da honra eram constantes até a década de 1970. [...] A resistência ao novo por parte de aplicadores não pode fazer cair por terra uma lei que sequer chegou a firmar suas raízes. Trata-se de uma lei necessária, pois: a maior incidência de mortes no lar é de mulheres; a repetição da violência reduz a capacidade de resistência – física e psicológica – da vítima. O feminicídio – diversamente de uma “briga de bar” – é o resultado final de uma história de violência e submissão; pelo sistema antigo,havia denúncias por homicídio simples ou mesmo desclassificação para crimes menos graves – ante a retratação da vítima sobrevivente na fase de “lua de mel”; o agressor tem um padrão incorporado de violência e pode matar ou colocar em risco outras mulheres; com a alteração, o feminicídio passa a ser crime hediondo. A Lei nº 13.104/2015, com vigência a partir do dia 10 de março, modificou o Código Penal e inseriu uma qualificadora do homicídio, chamada de “feminicído”, quando o crime é praticado “contra a mulher por razões da condição de sexo feminino”. A expressão “por razões de gênero”, constante do projeto inicial, foi substituída. Apesar disso, foi mantido o conceito de gênero: crime praticado contra a mulher, pelo fato de ser mulher. [...] Nesse momento inicial, a lei de feminicídio tem gerado controvérsias – inclusive quanto à sua necessidade. Seus opositores, em regra não familiarizados com a violência de gênero, negam-se a ver o caminho de morte que está sendo trilhado por inúmeras mulheres brasileiras. Tivessem imperado os ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade na nossa sociedade e não haveria necessidade de uma lei de feminicídio: liberdade de escolha (também afetiva), igualdade de oportunidades e fraternidade como humanidade para as mulheres. Se assim fosse, mulheres não morreriam. Mas é certo que os “Direitos da Mulher e da Cidadã” proclamados por Olympe de Gouges na Revolução Francesa tiveram o mesmo destino de sua autora: execução em praça pública. E agora: por que querem matar uma lei que pode salvar mulheres? (Disponível em: <http://cartaforense.com.br/conteudo/artigos/feminicidio-uma-lei- necessaria/15183>. Acesso em: 18 nov. 2015) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 20 Texto 2 A LEI DO FEMINICÍDIO Marcelo Jugend Desde semana passada passou a fazer parte do vocabulário nacional o termo feminicídio, ou seja, o assassinato de uma mulher por razão de seu gênero ou por violência doméstica. No dia 9 foi sancionado projeto de lei que modifica o Código Penal para aumentar as penas de prisão para esse tipo de delito. O tema é sensível. 15 mulheres são assassinadas por dia, no Brasil, em média. Esse dado, sozinho, já é aterrorizante. Mas nem é o pior. O pior é que cerca de 42% delas são mortas por seus maridos ou companheiros. Então, cerca de 2,3 mil mulheres são vítimas fatais de violência doméstica todos os anos em nosso país. Muito embora esses sejam números assustadores, o fenômeno em si não é privilégio brasileiro. No mundo inteiro homens agridem suas parceiras, pelos mais variados motivos – ou sem motivo algum – com maior ou menor frequência e violência. Não sou sociólogo, antropólogo ou psicólogo para me atrever a tentar explicar com alguma profundidade as razões desse fato. Por isso, limito-me ao lugar comum: a cultura machista que em grande parte ainda domina a humanidade e a força da dominação econômica à qual homens provedores do lar ainda submetem muitas mulheres que não atingiram a autossuficiência ou a autonomia são dois fatores essenciais à sua gênese. Também o álcool desempenha papel não desprezível. O que não se discute, porém, é a circunstância de que, quaisquer que sejam os fatores que o constroem, trata-se de fenômeno que envolve, e muito, a violência. E que necessita, portanto, de uma resposta social capaz de inibi-lo com a maior eficácia possível. Daí o debate ora em evidência. A opção do governo, aumentando as penas para os agressores, vem com endossos respeitáveis. É fruto de amplo debate travado por instituições seriamente comprometidas com a democracia, os direitos humanos e os padrões civilizatórios. Deveria, portanto, ser consensual entre tantos quantos, como o signatário, se pautam pelos mesmos valores e paradigmas. Contudo, não é assim tão simples. Desta modesta trincheira, tenho defendido com denodo a posição de que aumentar penas, endurecer castigos, flagelar criminosos não produz, enquanto medida isolada, qualquer impacto significativo nos índices de cometimento dos crimes correspondentes. Está provado que isso, por si só, não inibe o perpetrador de agir. Em princípio, não vejo razão pela qual neste caso seria diferente. É evidente que as causas últimas deste tipo de crime não possuem relação alguma com aquele conjunto de injustiças sociais que sabidamente constituem o caldo de cultura da violência urbana mais geral, aquela que recheia diariamente os noticiários com atentados contra o patrimônio, as pessoas e a própria vida. Estes têm como agentes, na sua grande maioria, jovens privados dos mais elementares direitos de cidadania, que se veem empurrados para a marginalidade como única e última saída em busca de alguma melhora de vida. Quase sempre pelo caminho das drogas ilícitas. Mas não aqueles. A eles essa forte condicionante não se aplica. Até porque não escolhe classe social ou nível de instrução. Seu ato é de pura, simples e abjeta covardia. Fruto de um livre arbítrio muitas vezes distorcido, seja pela cultura, seja pelo álcool, seja por um deformado sentimento de posse sobre o(a) outro(a). Merecem, portanto, sem a menor dúvida, reprovação social muito maior. Nem por tudo isso, entretanto, parece-me, se intimidarão com a ameaça de resposta penal mais severa. Vai ser preciso que a sociedade continue debatendo em busca de outras alternativas para atacar esse mal, nas causas e nas consequências. (Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/a-lei-do-feminicidio- 4bc2z3mht6akgv9crapab7fu4>. Acesso em: 12 nov. 2015) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 21 1. Releia os textos para responder às questões a seguir. a) Os dois autores têm a mesma opinião a respeito da Lei do Feminicídio? Comente sua resposta. b) Quais são os principais argumentos expostos por cada um dos autores para defender sua tese. 2. O que você pensa a respeito da Lei do Feminicídio? Produza um texto expondo seu ponto de vista e defenda-o com argumentos pertinentes. 3. Analise a imagem a seguir, explique como se dá a intertextualidade e como ela contribuiu para a divulgação do produto. 4. Leia a tirinha com atenção. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 22 A partir da leitura da tirinha de Quino, é possível afirmar que a) o pai, ao sair, se dirige a Mafalda e deseja “melhoras para o mundo” ao perceber que a filha está triste, porque o globo terrestre que ela utiliza na escola está quebrado. b) o pai de Mafalda, no início, não leva a sério o que a garota afirma, porque ela tem costume de brincar com o globo terrestre e inventar inúmeras histórias. c) o pai de Mafalda ri da filha, inicialmente, porque não consegue perceber que a menina utiliza o globo terrestre como metáfora dos problemas sociais existentes no mundo. d) os colegas de trabalho se surpreendem com o pai de Mafalda, porque ele teve medo de ser assaltado por uma criança no caminho para o escritório. e) essa tirinha de Quino, quanto ao gênero, é narrativo e apresenta tipo textual injuntivo. Leia com atenção o texto a seguir para responder às questões 5 e 6. O galo que logrou a raposa Monteiro Lobato Um velho galo matreiro, percebendo a aproximação da raposa, empoleirou-se numa árvore. A raposa, desapontada, murmurou consigo: "Deixe estar, seu malandro, que já te curo..." Em voz alta: - Amigo, venho contar uma grande novidade: acabou-se a guerra entre os animais. Lobo e cordeiro, gavião e pinto, onça e veado, raposae galinhas, todos os bichos andam agora aos beijos, como namorados. Desça desse poleiro e venha receber o meu abraço de paz e amor. - Muito bem! - exclama o galo. - Não imagina como tal notícia me alegra! Que beleza vai ficar o mundo, limpo de guerras, crueldade e traições! Vou já descer para abraçar a amiga raposa, mas... Como lá vêm vindo três cachorros, acho bom esperá-los, para que também eles tomem parte na confraternização. Ao ouvir falar em cachorro Dona Raposa não quis saber de história, e tratou de pôr-se ao fresco, dizendo: - Infelizmente, amigo, tenho pressa e não posso esperar pelos amigos cães. Fica para a outra vez a festa, sim? Até logo. E raspou-se. Contra esperteza, esperteza e meia. 5. Em relação ao conteúdo da fábula, o que não podemos afirmar? a) Ao perceber que uma raposa se aproximava, o galo esperto subiu em uma árvore. b) Para fazer o galo descer da árvore, a raposa disse que a guerra entre os animais tinha acabado. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 23 c) Para convencer o galo a descer, a raposa disse que os grandes inimigos entre os animais viviam como namorados. d) O galo acreditou na história da raposa e quis que ela fizesse amizade com os cachorros. e) A raposa inventou uma desculpa e foi embora com medo dos cachorros. 6. O que significa “contra esperteza, esperteza e meia”? a) A raposa queria ser esperta para comer o galo, mas o galo foi mais esperto e enganou a raposa e conseguiu fugir da morte. b) A raposa foi muita esperta ao inventar que os grandes inimigos da floresta se tornaram bons amigos. c) A raposa conseguiu seu objetivo com a mentira que inventou. d) A raposa só não comeu o galo porque tinha medo dos cachorros que chegaram para atrapalhar seus planos. e) O galo confiou nas palavras da raposa e pensou que seriam grandes amigos. 7. Analise a charge com atenção. Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=charges+olimpiadas+2016&rlz=>. Acesso em: 13 fev. 2016. As charges utilizam os recursos do desenho e do humor para tecer algum tipo de crítica a diversas situações do cotidiano. A partir da charge de Dum, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. A expressão da rainha da Inglaterra apresenta entusiasmo por causa da realização das Olimpíadas no Brasil. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 24 PORQUE II. A expressão da presidente do Brasil sugere que pontualidade britânica será modelo para a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 1.6 Leitura de estudo: estratégias Segundo Brito (apud CASTELLO-PEREIRA, 2003), para estudar um texto, podemos usar algumas estratégias, como sublinha, anotações de margem no texto, marcas diversas que orientam a leitura, fichamento, resumo, esquema. Examinaremos alguns desses recursos mais detalhadamente. 1.6.1 A técnica de sublinhar Ao sublinhar um texto, considere o que Castello-Pereira (2003, p. 57-58) evidencia em relação a essa estratégia de estudo: Sublinhar um texto é destacar as ideias principais, para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura; por isso, tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases” (BRITO, 2001). Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto, é uma estratégia que monitora a compreensão. Permite que se faça um mapeamento do texto, destacando partes ou subdivisões, tese, principais argumentos, contraposições, definições etc. Para isso, é importante perceber como o autor desenvolveu o texto. Essa marcação, além de ajudar na compreensão do texto, auxilia na concentração na hora da leitura, pois, com um objetivo, uma tarefa a realizar, uma ação concreta, se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. Além disso, possibilita voltar ao texto lido, num outro momento, quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou, por qualquer outro motivo, fazer uma retomada do texto (grifos nossos). A autora destaca que, ao estudar um texto, devemos sublinhar apenas as ideias principais (apenas palavras-chave ou frases). A finalidade dessa estratégia é: orientar uma consulta futura; mapear as informações principais do texto (tese, principais argumentos, contraposições, definições etc.); Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 25 ajudar na compreensão do texto e na concentração. Sugerimos que, ao utilizar a técnica de sublinhar, realize os seguintes passos: leia integralmente o texto, para ver do que trata e como o conteúdo é apresentado; esclareça dúvidas de vocabulário e termos técnicos; releia o texto para identificação das ideias principais; grife, em cada parágrafo, as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes; assinale com uma linha vertical, à margem do texto, os tópicos mais importantes; assinale, à margem do texto, com um ponto de interrogação ou outro sinal, os casos de discordâncias, as passagens obscuras, os argumentos discutíveis; leia o que foi grifado para verificar se há sentido; reconstrua o texto, tomando as palavras grifadas como base. Ao estudar um texto, sublinhe apenas o estritamente necessário, evite o acúmulo de anotações que, em vez de facilitar o trabalho, poderá dificultar e gerar confusão. Atividade Leia com atenção o texto, analise-o e grife as informações principais. As reuniões periódicas de avaliação do progresso são instrumento fundamental de planejamento e controle da equipe. Como o próprio nome sugere, o objetivo é avaliar o andamento de uma atividade ou projeto, ou mesmo o estado geral das tarefas de uma equipe, sob o ponto de vista técnico e administrativo, e tomar as decisões necessárias a seu controle. Uma reunião destas também serve para reavaliar em que pé estão as decisões tomadas na reunião anterior, e pode começar com uma apresentação feita pelo líder, sobre a situação geral das coisas. Em seguida, cada um dos membros pode fazer um relato das atividades sob sua responsabilidade. Depois disso, repete-se o processo para o período que vai até a reunião seguinte, especificando-se então quais são os planos e medidas corretivas a ser postas em prática nesse período. Dada essa sua característica de estar orientada para uma finalidade muito particular, uma reunião desse tipo tende a ser, quando bem administrada, extremamente objetiva e de curta duração. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 26 Você deve ter notado que sublinhamos apenas palavras-chave ou parte de frases e o que está grifado faz sentido, já que podemos reconstruir o texto tomando os trechos grifados como base. Releia o que está grifado para verificar se realmente as informações destacadas fazem sentido e se sintetizam as ideias que embasam o texto. Asinformações sublinhadas servem para mapearmos as informações principais do texto e, consequentemente, fazermos uma consulta futura sem a necessidade de reler o texto todo. Portanto, pratique essa estratégia e verá que ela é bastante útil ao seu estudo. Até aqui você deve ter percebido que fazer leitura de estudo é bastante diferente de ler um romance, uma revista ou um jornal, já que estudar um texto é bem mais trabalhoso. Mas é assim que conseguiremos memorizar os conteúdos e ampliar nosso conhecimento na área em que estamos nos especializando. 1.6.2 Elaboração de esquemas Ao elaborar um esquema, lembre-se das seguintes palavras de Castello Pereira (2003, p. 58): O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos sequenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida” (BRITO, 2001). É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. “O esquema é um texto que corresponde, grosso modo, a uma radiografia do texto, pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’, ou seja, as ‘palavras-chave’, sem necessidade de apresentar frases redigidas”. Utilizam-se normalmente de colchetes, chaves, setas e outros símbolos (ANDRADE, 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. É um texto que auxilia na leitura, fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social, estudo e trabalho (grifos nossos). A autora expõe que, na elaboração do esquema, devemos selecionar e organizar as informações mais importantes, apenas palavras-chave (“esqueleto” do texto) para que, ao final, tenhamos a visualização global e rápida, a radiografia do texto. Para isso, podemos usar chaves, flechas, retângulos, subdivisão numérica, como podemos visualizar na sequência. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 27 Esquema: chaves Esquema: retângulos Esquema: flechas Esquema: retângulos Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 28 Esquema: subdivisão numérica Segundo Galliano (1989), o esquema deve ser disposto em uma sequência lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo do texto e que, mediante divisões e subdivisões, represente sua hierarquia. Assim, para a elaboração do esquema, é necessário compreender bem as relações existentes entre as diversas partes do texto, captar os conteúdos principais e refletir melhor sobre o texto. Depois de elaborado, o esquema possibilita uma rápida recordação da leitura em consultas futuras. Atividade Elabore um esquema do texto grifado na atividade anterior. 1.6.3 Como parafrasear textos Paráfrase é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico. Para tanto, é necessária uma boa compreensão adequada do texto. Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua, em que se diz, de maneira mais clara, num texto B, o que contém um texto A (GARCIA, 2006). Na paráfrase, ocorre uma transformação da parte formal do texto, vocabulário e estrutura da frase, sem, no entanto, haver modificações das ideias ou acréscimo de informações. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. Leia com atenção o texto exposto a seguir. A armadilha do PET Norbert Suchanek Foi na última semana, quando uma amiga me enviou uma foto de seu quintal de permacultura e com orgulho ela escreveu: "Olha estou reciclando garrafas de PET, utilizando Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 29 no viveiro para as minhas plantinhas". A minha amiga se acha ecologicamente correta e consciente, mas sem querer ela entrou na armadilha da grande indústria do plástico e do petróleo. Por anos, incontáveis workshops de reciclagem ensinaram a brasileiros, criancinhas, adultos, idosos, donas de casa, comunidades carentes e povos indígenas a maravilha de “reciclar” garrafas PET. As garrafas de PET usadas passam, então, a servir para várias coisas. Vasos para plantas, brinquedos, bijuterias, árvores de Natal, móveis ou qualquer coisa inimaginável. Paralelo a isso, foi criado um mercado de roupas com malha PET, identificada como ecologicamente correta. Camisas caríssimas, porque salvam o Planeta, diz a propaganda. Uma mentira que só virou verdade nesta sociedade do século 21, porque foi repetida milhares vezes. A realidade é esta: o uso de uma garrafa PET velha no seu quintal ou em forma de roupa, ou como um “telhado verde” não é reciclagem e nem preserva o meio ambiente. Reciclagem é quando uma garrafa PET velha vira uma garrafa PET nova, como é feito com as garrafas de vidro. Só assim o uso da matéria-prima, o petróleo e o gasto de energia estarão reduzidos. Mas o que acontece com a PET, na realidade, é o contrário disso. A garrafa PET na prática mundial não vira uma nova garrafa PET. A garrafa velha vira outro produto, um processo que internacionalmente recebeu o nome “Downcycling”. Ao contrário do vidro, a PET não pode ser reutilizada na linha de produção original, e o seu processo de reciclagem de verdade é ainda caro e complicado. Por isso a indústria de embalagens prefere utilizar matéria-prima para seus produtos e inventou a propaganda da PET-Recicling. Novos mercados para o lixo de PET foram criados que de fato estão estimulando a produção de novas garrafas PET à base da matéria-prima petróleo. Por exemplo, o novo mercado de Eco-Camisas, Eco-Bolsas ou Eco-mochilas de PET, precisa de produção de novas garrafas de PET à base da matéria-prima. E isso é um ato contra a sustentabilidade, contra o meio ambiente e contra a nossa saúde. Pior: ao contrário das fadas da propaganda da indústria química, a produção de PET nem é fácil ou limpa. Além do uso de petróleo, também várias substâncias tóxicas são necessárias ou são criadas durante o processo. Por exemplo, a indústria está usando trióxido de antimônio no processo de fazer PET. Mas antimônio é um metal pesado venenoso e pode criar câncer. “A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o trióxido de antimônio no Grupo 2B – possivelmente carcinogênico para o ser humano.” A substância orgânica Bisfenol-A (BPA) é outro grande vilão na produção de garrafas de plástico e de outras embalagens. Essa substância de fórmula (CH3)2C(C6H4OH)2 é um estrogênio sintético e pode causar câncer e infertilidade. Já foi provado há anos que o Bisfenol- A pode contaminar os líquidos dentro das garrafas de PET ou de outros plásticos. Quem compra garrafas de PET e as usam no seu quintal como um viveiro ou quem cria um sofá de PET ou bijuterias também está responsável pela continuidade do uso do petróleo, pela mineração de antimônio e seus efeitos danificadores e pela contaminação do meio ambiente com substâncias tóxicas e cancerígenas. O mundo não precisa de garrafas, camisas ou viveiros de PET. Vidro é o melhor material para guardar qualquer bebida, inclusive a água. As garrafas de vidro podem ser reutilizadas centenas de vezes. E o material de vidro pode ser reciclado sem fim. O próprio vidro é a melhor matéria-prima para fazer vidro. (Disponível em: <http://www.diarioliberdade.org/opiniom/opiniom-propia/45420-a-armadilha-do- pet.html#.UuD7qM3mYb4.facebook>. Acesso em: 30 jan. 2014.) Depois de reler e compreender o texto, podemos elaborar a paráfrase. Leia, a seguir,uma sugestão de paráfrase do texto em análise. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 30 O PLANETA RESPIRA MELHOR SEM GARRAFAS PET No texto A armadilha do pet, ao constatar que os brasileiros reutilizam garrafas pet como se as reciclassem, Norbert Suchanek rechaça, então, a reutilização do pet e defende o vidro como material adequado para embalagens. A partir de um exemplo rotineiro, o autor critica as pessoas que se consideram ecologicamente corretas ao reutilizarem garrafas pet em distintas situações ou na produção de outros objetos. O mercado da reutilização, inclusive, por vender a ideia de proteção ao planeta, cobra preços altíssimos e beneficia, geralmente, pessoas que apenas visam ao lucro. Norbert afirma que foi a própria indústria de plástico, aliada à mídia, a maior responsável por divulgar a moda da reutilização de tais garrafas como se fosse reciclagem. E muitas pessoas foram enganadas com o discurso publicitário, que, em nome da preservação ambiental, incentivou a produção de novas garrafas. Suchanek esclarece que não ocorre reciclagem com essa embalagem, pois ela não se transforma em nova garrafa. Acontece somente a reutilização do plástico em outros produtos, como camisetas e bolsas, por exemplo, ou ainda em vasos de plantas cujos recipientes vão, no fim, para o lixo mesmo. O autor afirma, ainda, que as indústrias, que pensam apenas no lucro, não encaram a reciclagem do pet porque reciclar é muito caro. Assim, por mais esforços que façam, os cidadãos não conseguem reduzir a utilização de petróleo, que é recurso não renovável, nem de substâncias extremamente prejudiciais à saúde do ser humano na fabricação de novas garrafas. E isso é mais preocupante do que se imagina, de acordo com o autor. Norbert insiste que as pessoas que utilizam garrafas pet, seja como consumidoras ou como defensoras do meio ambiente, são responsáveis pelo aumento desses recipientes no planeta. Ao concluir, ele opta pelo vidro, uma vez que esse material pode ser reciclado e, assim, contribuir na redução dos impactos ambientais. As garrafas pet constituem um grave problema em termos do aumento de lixo no Brasil. Cabe, portanto, ao governo brasileiro, por meio de distintos ministérios, como, por exemplo, do meio ambiente, exigir que as indústrias tratem os recipientes de pet com atenção e responsabilidade ambiental ao reciclá-los. E também o consumidor deve fazer sua parte ao diminuir o consumo de refrigerante a fim de proteger o planeta, que é lugar de todos. Neste capítulo, você viu que a leitura é algo imprescindível ao universitário, que estudará muitos textos. Para fazer a leitura de estudo, podemos utilizar algumas estratégias, como localizar o tópico frasal, sublinhar, esquematizar e parafrasear as informações principais. Essas estratégias nos auxiliam nos estudos, pois são formas que nos conduzem à compreensão mais profunda das principais informações e à sua memorização. Portanto, não deixe de praticá-las, pois só assim você se tornará um leitor eficiente (lembre-se de que só aprendemos a ler lendo!). Bons estudos! Atividades 1. Leia com atenção o capítulo retirado do livro A arte de argumentar, de Antônio Suárez de Abreu, grife as informações principais, depois as esquematize e elabore uma paráfrase. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 31 CONDIÇÕES DA ARGUENTAÇÃO A primeira condição da argumentação é ter definida uma tese e saber para que tipo de problema essa tese é resposta. Se queremos vender um produto, nossa tese é o próprio produto. Mas isso não basta. É preciso saber qual a necessidade que o produto vai satisfazer. Um bom vendedor é alguém capaz de identificar necessidades e satisfazê-las. Um bom vendedor de carros saberá vender um automóvel de passeio a um cliente que se locomove apenas no asfalto e um utilitário àquele que tem de enfrentar estradas de terra. No plano das ideias, as teses são as próprias ideias, mas é preciso saber quais as perguntas que estão em sua origem. Se eu quero vender a ideia de que é preciso sempre poupar um pouco de dinheiro, eu tenho de saber que a pergunta básica é: — O que eu faço com o dinheiro que recebo? Muitas pessoas se queixam de que, nas reuniões da empresa, suas boas ideias nunca são levadas em consideração. O que essas pessoas não percebem é que essas ideias são respostas a perguntas que elas fizeram a si mesmas, dentro de suas cabeças. Ora, de nada adianta lançar uma ideia para um grupo que não conhece a pergunta. É preciso primeiro fazer a pergunta ao grupo. Quando todos estiverem procurando uma solução, aí sim, é o momento de lançar a ideia, como se lança uma semente em um campo previamente adubado. A segunda condição da argumentação é ter uma “linguagem comum” com o auditório. Somos nós que temos de nos adaptar às condições intelectuais e sociais daqueles que nos ouvem, e não o contrário. Temos de ter um especial cuidado para não usar termos de informática para quem não é da área de informática, ou de engenharia, para quem não é da área de engenharia e assim por diante. Durante a campanha para a prefeitura de São Paulo, em 1985, Jânio Quadros contou com o apoio do deputado e ex-ministro Delfim Neto. Durante um comício para moradores de um bairro de periferia, Delfim terminou sua fala dizendo: “- A grande causa do processo inflacionário é o déficit orçamentário”. Logo depois, Jânio chamou Delfim de lado e disse: “- Delfim, olhe para a cara daquele sujeito ali. O que você acha que ele entendeu do seu discurso? Ele não sabe o que é processo. Não sabe o que é inflacionário. Não sabe o que é déficit. E não tem a menor ideia do que é orçamentário. Da próxima vez, diga assim: - A causa da carestia é a roubalheira do governo”. Em um processo argumentativo, nós somos os únicos responsáveis pela clareza de tudo aquilo que dissermos. Se houver alguma falha de comunicação, a culpa é exclusivamente nossa! A terceira condição da argumentação é ter um contato positivo com o auditório, com o outro. Estamos falando outra vez de gerenciamento de relação. Nunca diga, por exemplo, que vai usar cinco minutos de alguém, se vai precisar de vinte minutos. É preferível, nesse caso, dizer que vai usar meia hora. Muitas vezes, há necessidade de respeitar hierarquias e agendas. Faça isso com sinceridade e bom humor. Outra fonte de contato positivo com o outro é saber ouvi-lo. Noventa e nove por cento das pessoas não sabem ouvir. A maior parte de nós tem a tendência de falar o tempo todo. É preciso desenvolver a capacidade da audiência empática. PATHOS, em grego, além de enfermidade, significa SENTIMENTO. EM, preposição, significa DENTRO DE. Ouvir com empatia quer dizer, pois, ouvir dentro do sentimento do outro. As palavras são escolhidas inconscientemente. É preciso prestar atenção a elas. É preciso prestar atenção também ao som da voz do outro! É por meio da voz que expressamos alegria, desespero, tristeza, medo ou raiva. Às vezes, a maneira como uma pessoa usa sua voz nos dá muito mais informações sobre ela do que o sentido lógico daquilo que diz. Devemos também aprender a “ouvir” com nossos olhos! A postura corporal do outro, suas expressões faciais, a maneira como anda, como gesticula e até mesmo a maneira como se veste nos dão informações preciosas. O poeta e semioticista Décio Pignatari costuma dizer que o homem precisa aprender a “OUVIVER”, verbo que ele inventou a partir de OUVIR, VER e VIVER. Finalmente, a quarta condição e a mais importante delas: agir de forma ética. Isso quer dizer que devemos argumentar com o outro, de forma honesta e transparente. Caso contrário,argumentação fica sendo sinônimo de manipulação. O fato de agirmos com honestidade nos Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 32 confere uma característica importante em um processo argumentativo: a credibilidade. Para ter credibilidade é preciso apenas comportar-se de modo verdadeiro, sem medo de revelar propósitos e emoções. Assim como as pessoas possuem ”detectores inconscientes” de interesse sexual em relação ao sexo oposto, capazes de decodificar posturas corporais, expressões faciais e tom de voz, elas também possuem ”detectores de credibilidade” em relação ao outro. Para ter credibilidade, basta procurar a criança que existe dentro de nós. As crianças não dizem aquilo em que não acreditam e não fingem o que não sentem. Se estão tristes, seus rostos refletem nitidamente a tristeza. Se estão alegres, refletem essa alegria. Ao longo da vida, nós, adultos, é que desaprendemos a espontaneidade, depois que outros adultos nos ensinaram a separar nossa inteligência de nossas emoções. (ABREU, A. S. Arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 9. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2006.) Leia o texto para responder às questões 2 e 3. O que é... ser mulher Max Gehringer Alguém que sabe resolver problemas melhor que nós, homens! Calma, este não é um tratado sobre razão e emoção. Nem uma guerra de testosterona versus estrógeno, ou estresse contra TPM. Biologia e fisiologia à parte, existe algo que eu venho, há anos, constatando no mercado de trabalho, e que cada dia me parece mais óbvio: homens são ótimos para encontrar explicações e mulheres são ótimas para resolver problemas. Antes que possa parecer o contrário, as duas coisas são positivas. Desde tempos imemoriais, a classe feminina sempre se encarregou daquelas tarefas muito nobres, mas pouco reconhecidas, como proteger os filhos, cuidar das plantações e garantir a continuidade da vida doméstica. Ao assumir essas funções vitais, as mulheres deram aos homens um bem de inestimável valor: tempo. Aí, os homens usaram esse tempo ou, pelo menos, parte dele, para procurar explicações para os mistérios da natureza. E foi dessas explicações que derivaram todas as ciências e todas as grandes descobertas da humanidade. Quando as empresas surgiram, os homens, que tinham mais tempo livre, assumiram o comando dos negócios. E, além do inegável progresso, legaram para a posteridade algumas heranças puramente masculinas: a burocracia (artimanha para retardar uma decisão), a delegação (arte de deixar que alguém resolva) e as reuniões (a busca da cumplicidade). Até que o século XX chegou e, com ele a globalização e a necessidade de mudanças cada vez mais rápidas. Num mundo assim, onde cada segundo passou a ser vital, resolver problemas/pendências rapidamente e, acima de tudo, corretamente, tornou-se a prioridade número 1 das empresas. E isso beneficiou a mulher. É claro que homens também resolvem e mulheres também explicam, mas, historicamente, isso sempre ocorreu mais por uma questão de adaptação do que de especialização. Não que, de repente, os homens vão se render, entregar os crachás e filosofar em outra freguesia. O mundo nunca progrediu de maneira uniforme. Mas os ventos da mudança já estão soprando. Até 60 anos atrás, “secretário” era uma profissão eminentemente masculina. Agora, é esmagadoramente feminina. Simplesmente porque os chefes homens perceberam que precisavam de alguém capaz de resolver todas aquelas questiúnculas do dia a dia. E secretários não eram bons nisso. Eles eram melhores em explicar por que as decisões não puderam ser tomadas. O resto foi consequência. Nos últimos 20 anos, a presença da mulher se expandiu geometricamente no mercado de trabalho. Como não se espera que o ritmo das mudanças vá desacelerar no século XXI, a capacidade de saber resolver, rapidamente e com precisão, será um fator cada vez mais valorizado. O que me leva a concluir que as mulheres dominarão o topo da hierarquia das empresas. É apenas uma questão de “quando”, porque elas ainda encontrarão muita resistência. Mas, num dia não muito distante, um homem vai receber na maternidade a notícia de que sua mulher acaba de dar à luz. “É uma menina”, anunciará a enfermeira. E o paizão, Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 33 transbordando de felicidade: “Maravilha! Vai ser *CEO!”. Mas a boa notícia é que a classe masculina também sobreviverá, e bem, fazendo o que sabe: em funções de apoio, traçando estratégias e pesquisando. Os homens só não precisarão mais explicar por que chegaram tarde em casa. Porque suas esposas chegarão depois deles. (Disponível em: <http://zoabonito.com/frases/o-que-e-mulher-max-gehringer>. Acesso em: 1 jun. 2015.) *CEO é a sigla inglesa de Chief Executive Officer, que significa Diretor Executivo em Português. CEO é a pessoa com maior autoridade na hierarquia operacional de uma organização. É o responsável pelas estratégias e pela visão da empresa. O termo CEO é um estrangeirismo cada vez mais utilizado em comunicações empresariais. Foi introduzido com a globalização e com a necessidade de um responsável pelas estratégias e visão das grandes empresas no mercado internacional. (Disponível em: <http://www.significados.com.br/ceo/>. Acesso em: 1 jun. 2015.) 2. Sobre a crônica de Max Gehinger, é correto afirmar que: I. o homem conseguiu produzir inumeráveis explicações para os mistérios da natureza e assim se originaram as ciências e as mais inusitadas descobertas, porque o ser humano do gênero masculino tem mais facilidade para pensar; II. o texto foi elaborado por comparação e contraste, ao estabelecer relações comparativas entre a mulher e o homem no mercado de trabalho; III. com a globalização, antigas reivindicações feministas, como igualdade de trabalho/salário em relação aos homens, por exemplo, foram finalmente atendidas; IV. o excerto “é claro que homens também resolvem e mulheres também explicam, mas, historicamente, isso sempre ocorreu mais por uma questão de adaptação do que de especialização”, evidencia a tese principal do autor; V. no trecho “num mundo assim, onde cada segundo passou a ser vital, resolver problemas/pendências rapidamente e, acima de tudo, corretamente, tornou-se a prioridade número 1 das empresas”, o pronome relativo em negrito está corretamente utilizado uma vez que se relaciona com um termo vinculado a lugar; VI. contrariamente ao que ocorria no passado, os pais ficarão muito felizes com o nascimento de uma menina, já que “as mulheres dominarão o topo da hierarquia das empresas”, porque o homem não conseguirá fazer o que elas sabem. Em relação às proposições, podemos afirmar que estão corretas a) I, II e III apenas. b) I, II, IV e V apenas. c) II e IV apenas. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 34 d) II, IV e V apenas. e) I, II, III, IV, V e VI. 3. Releia com atenção o texto e elabore uma paráfrase. Referências CASTELLO-PEREIRA, Leda Tessari. Leitura de estudo. Campinas: Alínea, 2003. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara. Como facilitar a leitura. São Paulo: Contexto, 2000. GALLIANO, A. Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra, 1989. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas– Ceulp 35 CAPÍTULO 2: LÍNGUA, LINGUAGEM, FALA E VARIAÇÃO LINGUÍSTICA As formas discriminadas têm um uso muito mais frequente do que se pensa, inclusive na fala e na escrita das pessoas que discriminam a língua dos outros [...]. Se é essa a realidade, a disposição para apontar erros na fala de outros não tem propósito edificante de corrigi-los; é antes uma forma de excluir o outro e de reforçar uma desigualdade percebida. (Ilari e Basso) Introdução A língua não é imutável e homogênea. Ela está em constantes modificações. O nosso português originou-se do latim vulgar, que, por sua vez, veio de outra língua. Os estudiosos afirmam que as variações de qualquer língua não são aleatórias, pois há alguma razão para que elas ocorram. Dificilmente dois falantes se expressam do mesmo modo, assim como um único falante raramente se expressa da mesma maneira. Por exemplo, um falante pode dizer chegamos como [chegãmus], e outro como [chegãmu], um mesmo falante pode utilizar essas duas formas em situações diferentes. Há vários fatores que contribuem para a variação linguística. Entre elas, estão a identidade do emissor e do receptor e condições sociais de produção. Em relação ao primeiro fator, pertencem as variantes geográficas e socioculturais (nível social, grau de escolaridade, idade, sexo, profissão). Em relação ao segundo, pertencem as variantes de registro ou estilísticas, que se referem à adequação da linguagem à finalidade específica da interação verbal, ou seja, adequar a linguagem à situação e à identidade do receptor. É sobre língua, linguagem, fala e variações linguísticas que conversaremos neste capítulo. 2.1 O que é língua, linguagem e fala? Começaremos este capítulo conhecendo várias definições de língua dadas por alguns linguistas brasileiros renomados. Você verá que grande parte deles sente dificuldade em defini-la, não por falta de conhecimento, mas por causa de sua complexidade. Vamos às definições. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 36 2.1.1 Língua Fiorin (2003, p. 72) assevera que não se satisfaz com definições da língua que a veem [...] como instrumento de comunicação, ou como um sistema ordenado com vistas à expressão do pensamento, nada disso. [...] a linguagem humana é a condensação de todas as experiências históricas de uma dada comunidade, é nesse sentido que nós temos que ver a língua. [...] o aspecto mais relevante a verificar é que a língua é, de certa forma, a condensação de um homem historicamente situado (grifo nosso). Na mesma linha de pensamento, Faraco (2003, p. 63) costuma dizer a seus alunos que [...] nosso objeto de estudo é uma complexa realidade semiótica estruturada sim, mas necessariamente aberta, fluida, cheia de indeterminação e polissemias, porque é atravessada justamente por nossa condição de seres históricos (grifo nosso). Marcuschi (2003, p. 132) acredita que [...] a língua deve ser entendida principalmente como uma atividade e não um sistema ou forma. Ela é um domínio público de construção simbólica e interativa do mundo, ou seja, uma “atividade constitutiva” [...]. Língua é mais do que um conjunto de elementos sistemáticos para dizer o mundo. [...] Língua se manifesta como uma atividade social e histórica desenvolvida interativamente pelos indivíduos com alguma finalidade cognitiva, para dar a entender ou para construir algum sentido. [...] língua é atividade sociointerativa (grifo do autor). Koch (2003, p. 124) vê a língua [...] simultaneamente como um sistema e como uma prática social. [...] A língua é sistema, ela é um conjunto de elementos inter-relacionados em vários níveis, no nível morfológico, no nível fonológico-morfológico, sintático. Mas ela só se realiza enquanto prática social, quer dizer, os seres humanos, nas suas práticas sociais usam a língua e a língua só se configura nessas práticas e é constituída nessas práticas (grifo nosso). Fecharemos a conceituação com Geraldi (2003, p. 78), para quem a língua [...] é o produto de trabalho social e histórico de uma comunidade. É uma sistematização sempre em aberto. [...] É o produto de um trabalho do qual ela mesma é instrumento. [...] a língua, enquanto esse produto de trabalho social, enquanto fenômeno sociológico e histórico, está sendo sempre retomada pela comunidade de falantes. E ao retomar, retoma aquilo que está estabilizado e que se desestabiliza na concretude do discurso, nos processos interativos de uso dessa língua (grifo nosso). Você deve ter observado que a maioria dos pesquisadores citados acredita que a língua é um fenômeno social e histórico. Isso significa que não podemos vê-la Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 37 simplesmente como uma forma de comunicação ou de expressão do pensamento. A língua é uma atividade sociointerativa, pois por meio dela os sujeitos agem uns sobre os outros e realizam suas práticas sociais. E então qual a diferença entre língua e linguagem? 2.1.2 Linguagem Para Matos (2003), a linguagem é um sistema cognitivo e por meio dele podemos adquirir línguas, ou seja, a língua seria uma manifestação particular da linguagem. Marcuschi (2003, p. 133) acrescenta que a linguagem é uma faculdade da espécie humana, e a língua é “uma das formas de se organizar, efetivar, concretizar essa faculdade humana, assumindo histórica, social e culturalmente uma determinada maneira de ser”. Fiorin (2003, p. 72) contribui para a definição de linguagem ensinando que “a língua é uma maneira particular pela qual a linguagem se apresenta. A linguagem humana é essa faculdade de poder construir mundos. [...] E a língua é uma forma particular dessa faculdade de criar mundos”. Ataliba de Castilho (2003, p. 53) concorda com os autores citados ao afirmar que a “linguagem encerra um entendimento mais amplo do que língua. A língua é só de natureza verbal e a linguagem não, é o conjunto de todos os sinais que o ser humano foi criando”. Então a língua é uma das manifestações possíveis da linguagem e ambas se realizam nas práticas sociais pelos sujeitos. 2.1.3 Fala Recorremos à teoria de Saussure para definir o que é fala. O autor assevera que [...] o estudo da linguagem comporta duas partes: uma essencial, tem por objeto o estudo da língua, que é social em sua essência e independe do indivíduo; a outra, secundária, tem por objeto a parte individual da língua, isto é, a fala, e compreende a fonética: ela é psicofisiológica (SAUSSURE apud DUBOIS et al., 2004, p. 261). Como você já tinha visto antes, a língua é produto social. Já a fala é individual, particularizada, meio pelo qual a língua se realiza por determinado sujeito. Chegamos, nesse ponto dos estudos, à seguinte conclusão: língua é o que permite a comunicação em determinada comunidade linguística, em determinado grupo social. Diferencia-se da fala porque, enquanto a língua é um conjunto de potencialidades da fala, a fala é um ato de concretização da língua. Então o que Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 38 diferencia fala de língua é que a língua é sistemática, tem certa regularidade e é falada por uma determinada comunidade; já a fala é parcialmente sistemática, pois é variável e realizada individualmente. Recapitulando: a linguagem é uma característica humana universal; enquanto a língua é a linguagem particularde uma comunidade, um grupo, um povo; já a fala é a realização concreta da língua feita por um indivíduo. E a língua é utilizada pelos falantes da mesma forma? Esse é o próximo assunto: a variação dialetal do português no Brasil. 2.2 Variação dialetal Qualquer língua, falada por qualquer comunidade, exibe sempre variação. Pode- se afirmar mesmo que nenhuma língua se apresenta como entidade homogênea. Isso significa dizer que qualquer língua é representada por um conjunto de variedades. Concretamente, o que chamamos de “língua portuguesa” engloba os diferentes modos de falar utilizados pelo conjunto de seus falantes no Brasil, em Portugal, em Angola, em Moçambique, em Cabo Verde, em Timor etc. Língua e variação são inseparáveis, e essa diversidade da língua não deve ser encarada como um problema, mas como uma qualidade constitutiva do fenômeno linguístico. Os falantes adquirem as variedades linguísticas próprias de sua região, de sua classe social, de seu grau de escolaridade, de sua profissão etc. Ilari e Basso (2006) questionam o fato de muitos escritores e estudiosos afirmarem que a língua portuguesa é uniforme. Os autores argumentam que essa afirmação é um mito, pois esconde em si um nacionalismo exacerbado, uma visão limitada do uso da língua e uma negação da variação, como se os falantes não se adaptassem aos contextos de produção de textos orais e escritos. Seguindo essa linha de raciocínio, Bagno (2007, p. 40) acrescenta que, para a sociolinguística, a variação é “estruturada, organizada, condicionada por vários fatores”. Concordamos com os autores citados quando afirmam que a uniformidade da língua é um mito e que a variedade não é caótica. Procuraremos mostrar isso a você discorrendo sobre as variações através do tempo, geográficas, sociais, decorrentes dos modos de comunicação. Começaremos pelas variações promovidas pelo tempo. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 39 2.2.1 Variação através do tempo As variações que ocorrem na língua através do tempo podem ser externas e internas. A variação externa pode ser descrita como a que ocorre em razão das funções sociais da língua e em sua relação com a comunidade linguística. Como exemplo, podemos citar a evolução do latim para a língua portuguesa. A variação interna se relaciona ao léxico e à gramática: mudanças que ocorrem na fonologia, na morfologia e na sintaxe (ILARI; BASSO, 2006). Por exemplo, na época do descobrimento do Brasil, escrevia-se “dereito”, “frecha”, “escuitar”, “deseja de comprar” (presença da preposição “de”), “esta gente padecem” (verbo no plural com o sujeito no singular) (ALKMIN, 2003). Hoje não escrevemos mais assim! Mas atenção: Ilari e Basso (2006) asseveram que podemos pensar que a variação através do tempo só ocorra em períodos muito distantes, de século em século, o que não é verdade. Os autores afirmam que podemos fazer comparação diacrônica da língua até mesmo no intervalo de geração para geração. É o caso das gírias, que podem não fazer sentido para determinados indivíduos de uma geração e ser bastante conhecidas por indivíduos de outra geração. Você sabe o que é “levar uma tábua”? E “cair a ficha”? “Ela é um pão”? Pergunte aos seus pais... O importante é que você saiba que, “[...] na língua que falamos hoje, convivem palavras e construções que remontam a épocas diferentes” (ILARI; BASSO, 2006, p. 153). Assim, alguns optam, conscientemente ou não, por construções e léxico mais antigo, mesmo que isso represente um distanciamento em relação à língua falada hoje. Mas, como os autores afirmam, “independentemente disso tudo, a língua muda” (ILARI; BASSO, 2006, p. 154). 2.2.2 Variação na dimensão do espaço Segundo Preti (2000), essas variedades são responsáveis pelos regionalismos, provenientes de dialetos ou falares locais. Compreendem-se as diferenças que uma mesma língua pode apresentar na dimensão espacial. Normalmente, essa variação nos leva a comparar o português do Brasil com o de Portugal. Vejamos alguns exemplos entre o português europeu e o português do Brasil. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 40 Quadro 1 – Exemplos de termos do português europeu e do Brasil Português do Brasil Português Europeu Português do Brasil Português Europeu Fila Bicha Carteira de Identidade Bilhete de Identidade Cafezinho Bica / Biquinha Favela Bairro de Lata Restaurante Casa de Pasto Suco Sumo Aeromoça Hospedeira de Bordo Torcida Claque O Brasil, por ser um país bastante extenso e com regiões com culturas e condições sociais distintas, apresenta muitas variações linguísticas. Outro aspecto que devemos levar em consideração é o fato de existir uma intensa migração interna no país, o que resulta em “variedades linguísticas de procedências diferentes, entre as quais acabam se criando diferenças de status e prestígio” (ILARI; BASSO, 2006, p. 161). Assim fica difícil separarmos, com precisão, o que é variação na dimensão do espaço e o que é variação a partir de fatores sociais. Como exemplos de variação na dimensão do espaço, podemos citar (entre tantos outros existentes) os relativos ao léxico, à ordem fonológica e à morfossintática. Na fonologia, podemos observar as mudanças que ocorreram na pronúncia de algumas palavras, como nas vogais médias (“e”, “o”) pretônicas. No Nordeste, elas têm pronúncias abertas ([mƐladƱ]), enquanto que, no Sudeste, são fechadas ([meladƱ]). Na morfologia, citamos como exemplo os vocábulos mexerica, tangerina, mimosa, bergamota, cujo uso varia conforme a região em que vive o falante. Na sintaxe, notamos a preferência pela posposição verbal da negação, como “tem não”, no Nordeste, enquanto que, no Sudeste, se usa “não tem” ou "não tem, não” (ALKMIN, 2003). E na sua região como vocês falam? Uma observação importante feita por Ilari e Basso (2006) diz respeito à falta de delimitação geográfica das variações na dimensão do espaço. Segundo os autores, seria necessário um trabalho conjunto de pesquisadores e de dialetólogos para que as variações pudessem ser localizadas com precisão. 2.2.3 Variação entre os estratos da população Essas variedades estão condicionadas à identidade dos falantes, bem como à organização sociocultural da comunidade de fala. Classe social, grau de escolaridade, idade, sexo são alguns desses fatores. É conhecida também como o tipo Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 41 de variação que é percebida quando se comparam diferentes estratos sociais de um grupo linguístico. Vários estudiosos procuram descrever a variedade subpadrão do português falado pelos mais pobres (consequentemente, menos escolarizados), entre eles Castilho (apud ILARI; BASSO, 2006). O estudioso cita como principais características da variedade subpadrão fatores relacionados à pronúncia, ao léxico e à construção dos enunciados. Citamos, por exemplo, a troca do [l] pelo [r] em encontros consonantais, como em “brusa”, “grobo” ou a tripla negação, como em “eu nem não gosto”, usadas por falantes situados abaixo na escala social (ALKMIN, 2003). Apesar de essa variedade falada poder soar “estranha” aos nossos ouvidos, o que importa é sabermos que, quando entramos em contato com qualquer variedade subpadrão, “[...] estamos diante de um outro código, e não de erros devidos às limitações mentais dos indivíduos que o empregam”. Você deve saberque há maneiras diversas de dizer a mesma coisa, e que cada variedade deve ser adequada ao momento da comunicação, ao contexto da prática social. No quadro 2, apresentamos, a partir de Preti (2000), algumas diferenças da estrutura morfossintática entre as variantes culta e popular. Quadro 2 - Diferenças entre a variante culta e a popular Variante culta Variante popular Indicação precisa das marcas de gênero, número e pessoa (Ex.: Os meninos compraram dois pães.) Economia nas marcas de gênero, número e pessoa (Ex.: Os menino comprou dois pão). Maior utilização da voz passiva (Ex.: Foi atropelada por um carro.) Maior emprego da voz ativa, em lugar da passiva (Ex.: Um carro pegou ela). Organização gramatical cuidada da frase. Simplificação gramatical da frase, emprego de bordões do tipo então, aí etc. Variedade da construção da frase (Vi-o, encontrei-a etc.). Emprego dos pronomes pessoais reto como objetos (Ex.: Vi ele, encontrei ela etc.). 2.2.4 Variação dos modos de comunicação (fala/escrita) A oralidade sempre foi vista como algo que ocorria separadamente da escrita, e esta sempre gozou de um status mais elevado em relação àquela. Mas é necessário Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 42 compreendermos que as duas se complementam, relacionando-se de forma recíproca, ora a fala transformando a escrita, ora a escrita transformando a fala. Veremos, de forma mais detalhada, as diferenças dessas duas modalidades no capítulo 6. Qualquer falante sabe que, conforme o gênero que utilizamos (determinado pelo contexto, interlocutor, finalidade etc.), elegemos uma variedade linguística que seja adequada a ele. Assim também fazemos com os meios pelos quais os textos são distribuídos. Por exemplo, se publicarmos uma descoberta científica em um jornal, utilizaremos uma variante diversa daquela que utilizaríamos se publicássemos a mesma descoberta em uma revista científica. E em um e-mail encaminhado a um amigo, você escreveria seus textos de que forma? Utilizaria a mesma estrutura e vocabulário que utiliza quando faz um requerimento na Universidade? Ilari e Basso (2006, p. 187) acrescentam que [...] todos esses gêneros, além de ter marcas exteriores próprias, e de obedecer a convenções interpretativas próprias, fazem também um uso muito particular da língua, chegando às vezes a desenvolver uma sublíngua exclusiva. A sublíngua de um gênero caracteriza-se normalmente não só pela frequência maior de certas palavras [...], mas pode ser marcada também pela alta frequência de construções gramaticais que não seriam comuns em outros gêneros. Podemos perceber o que os autores afirmam quando entramos em contato com gêneros que não fazem parte do nosso dia a dia, como, por exemplo, um boletim de ocorrência policial. Com certeza, estranharíamos a estrutura e o vocabulário normalmente utilizados nesse gênero. Isso estuda a variação exposta a seguir. 2.2.5 Variação relacionada ao contexto, à estilística ou aos registros Nesse tipo de variação, os falantes diversificam sua fala, usam estilos distintos considerando as circunstâncias, o contexto social das interações verbais. Como exemplo, podemos citar a conversa entre amigos, uma palestra em uma Universidade, ou ainda quando escrevemos um bilhete à/o esposa/o ou ao chefe. Preti (2000) também denomina essa variação como estilística, no sentido de que o falante, conforme a situação, escolhe um estilo que julga mais conveniente para expressar o seu pensamento. Nesse sentido, ele trabalha com os termos níveis de fala ou registros. Por exemplo, você não falará Meu chapa, vai ficar alugando esse telefone até quando? em um jantar com pessoas estranhas ou pouco familiares. Utilizará por favor, poderia me passar o açúcar. Meu chapa, vai ficar alugando o Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 43 açucareiro até quando? você poderá usar em uma mesa de bar, por exemplo, em que se compartilha com pessoas do círculo íntimo. No quadro 3, apresentamos os níveis de registros do uso da língua. Quadro 3 – Níveis de registros do uso da língua NÍVEIS DE USO DA LÍNGUA (REGISTROS) FORMAL Situações de formalidade Predomínio da variante culta Comportamento linguístico mais refletido, mais tenso Vocabulário técnico COMUM COLOQUIAL Situações familiares ou de menor formalidade Predomínio da variante popular Comportamento linguístico mais distenso Linguagem afetiva, expressões obscenas Fonte: Preti (2000) Portanto, não podemos usar o mesmo tipo de variante todas as situações comunicativas. Há situações formais que requerem o uso da língua culta, um uso mais cuidadoso da língua, como, por exemplo, no ambiente de nosso trabalho, na apresentação de um trabalho na Universidade, na participação do fórum de discussão. Nesses casos, não podemos empregar a mesma variante usada em casa, com os nossos amigos. Em textos escritos formais, devemos ficar mais atentos para não utilizarmos expressões da oralidade e nem o internetês. 2.3 Língua urbana de prestígio Essa variedade, também conhecida como língua padrão, segue as regras da gramática normativa e é tida como parâmetro para as outras variedades. Porém, para alguns autores, como Silva (1997, p. 14), além da norma dessa variedade linguística, existem também as normas normais ou sociais. Essas são normas que definem grupos sociais de uma determinada sociedade. Em geral, distinguem-se em normas sem prestígio social e em normas de prestígio social. Apesar de ser a variedade dialetal de prestígio social, a norma padrão não apresenta características superiores a outra qualquer, ainda que tenha sido eleita Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 44 como o padrão de linguagem correta. Essa eleição deve-se à necessidade de uniformização de uma língua na qual serão registrados os documentos e os fatos da sociedade. Fique atento! O nível de prestígio social é a língua culta e, se não quisermos ser discriminados por grupos que a praticam, devemos conhecê-la e utilizá-la em situações comunicativas formais. Para encerrarmos este capítulo, convém lembrar que todas as variações aqui citadas estão presentes, juntas, nos textos e podem ser aplicadas a qualquer produção da fala ou da escrita. O que é preciso entender é que, para cada situação da prática social, existe uma forma de falar considerada mais adequada. E nenhuma é superior à outra, porque todas as variantes constituem e tornam a nossa língua materna viva. Atividades 1. Analise com atenção as imagens retiradas do Google Imagens e identifique as variantes linguísticas. a) b) c) d) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 45 e) f) 2. Analise a imagem com atenção. Disponível em: <http://pt-br.mouse.wikia.com/wiki/Varia%C3%A7%C3%A3o_Lingu%C3%ADstica>. Acesso em: 15 abr. 2015. Podemos afirmar que houve adequação da linguagem na situação comunicativa apresentada na imagem? Explique. 3. Considerando as variações linguísticas e as situações comunicativas, analise os itens a seguir. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 46I) “E aí, ô meu! Como vai essa força?” – um jovem que fala com seu amigo. II) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação” – alguém comenta em uma reunião de trabalho. III) “Venho manifestar meu interesse em participar de sua festa no sábado próximo” – alguém que escreve uma mensagem no WhatsApp a seu amigo. IV) “O carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito” – um repórter comenta o acidente ao vivo em um canal de TV em rede nacional. V) “Na semana passada, os magistrados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro passaram a receber mais um injustificável benefício – ou, para usar a expressão do desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, presidente da corte, um simples ‘estímulo’” – um colunista escreve em artigo de opinião de um jornal de circulação nacional. Em quais itens não ocorre adequação da linguagem à situação comunicativa? a) Apenas em I e III. b) Apenas em I e II. c) Apenas em III e IV. d) Apenas em I, III e IV. e) Apenas em I e IV. 4. Analise a imagem com atenção. Disponível em: <http://recebiporemail.com.br/wp-content/uploads/2010/07/placas- inteligentes-17.jpg>. Acesso em: 18 fev. 2016. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 47 Sobre o texto escrito no carrinho de ambulante, é correto afirmar que: I. quanto ao gênero, é texto publicitário que, possivelmente, foi escrito por um homem, pois esse tipo de serviço tipográfico é realizado, geralmente, por pessoas do sexo masculino, o que é reforçado por exercer o trabalho de ambulante; II. o vendedor demonstrou habilidade ao pintar letras grandes e com traços firmes, além de distribuir as palavras em duas cores, preta e vermelha, a fim de chamar atenção do cliente que gosta de tapioca e quebra-queixo; III. o texto pertence ao código verbal e foi escrito na variante popular, pelo baixo nível de escolaridade de quem escreveu, por isso apresenta alguns desvios em relação à norma culta; IV. embora tenha sido escrito com desvios em relação à variante culta (gramática normativa), o anúncio foi escrito em língua portuguesa. Mas falantes/leitores nativos dessa língua não conseguem compreender esse texto publicitário; V. geralmente pessoas de classe social e de pouca escolaridade tentam sobreviver de forma criativa, da maneira como podem, mas elas sofrem preconceito linguístico na sociedade brasileira. Estão corretas as afirmativas a) I, II, III apenas. b) I, II, III e V apenas. c) II, III e IV apenas. d) I, II, III, IV e V. e) I, III IV e V apenas. 5. Analise o uso das variantes que você faz no dia a dia, especifique-as e comente em que situações comunicativas as utiliza. Leia o texto para responder às questões de 6 a 8. Quem tem culpa no cartório? Mário Prata Vender um carro não é tão difícil assim. O problema é que agora inventaram que a gente tem de ir ao cartório. Assinar lá aquele papelzinho e o sujeito reconhecer a firma da gente. Não adianta mandar ninguém. Tem de ser a gente. Pois é. Vendi o meu carro e lá fui eu, na quarta passada, reconhecer a minha firma, palavra pomposa para a nossa humilde assinatura. Assinei na cara do sujeito e entreguei. Me pediu a carteira de identidade. Meu Deus, esqueci. Tento quebrar o galho. — Sem a carteira de identidade não tem possibilidade. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 48 — Meu amigo, está chovendo, foi uma luta estacionar o carro e… — Impossível. O senhor não viu escrito ali? Foi quando eu me lembrei do Estadão que estava debaixo do braço. Minha coluna, minha foto. Mostro para ele. — Está vendo? Sou eu. Olhou para a foto, olhou para mim. — Reconheceu? — É, reconheci. Mas, para reconhecer a firma, só com a identidade. É lei, olha a fila, meu senhor. — Meu amigo, a carteira de identidade é para provar que eu sou eu, não é? Pois eu acabo de provar que eu sou eu. Ou não? — Eu sei que o senhor é o senhor, mas não adianta. Olha a fila. — Posso falar com o seu chefe? — Não vai adiantar. É aquele. O de peruca. Seu Wilson. Caminho na direção do seu Wilson. De longe, já começo a analisar a peruca dele. Peruca de homem, não sei por que, sempre me fascina. Me dá uma vontade quase incontrolável de arrancar, de fazer com que todo mundo em volta ria. Vou olhando em volta. O cartório evoluiu muito. Agora está cheio de computadores. Tá “muderno”. Numa mesa a Dulce, a Dudu e o Ferreira (gripadíssimo) dominam o computador para, logo em seguida, bater o carimbo. O carimbo! Céus, quando é que o burocrata vai livrar- se do carimbo? Fico olhando o trabalho da Dulce enquanto o da peruca atende uma senhora de laquê, muito nervosa. Conto: a Dulce bateu 93 vezes o carimbo em um minuto. Isso é que é funcionária! Mais ou menos uma e meia carimbada por segundo. Está noiva, a Dulce. Seu Wilson era inteirinho cinza. Ia do cinza claro do terno até o cinza escuro da olheira. Seu Wilson estava conversando com a de laquê, me olhando de lado. Chega a minha vez. Ele: — Conheço o senhor de algum lugar. O senhor já não foi no programa do Jô? — Meu nome é Mário Prata e… — Claro, do Estadão. Reconheci o senhor assim que vi o senhor entrando. Qual é o problema, Marinho? Odeio que me chamem de Marinho. Mas como havia sido reconhecido, tudo bem. — É o seguinte, seu Wilson. Vim reconhecer a assinatura da venda do carro e não trouxe a carteira de identidade e… — lh… — Mas como o senhor me reconheceu, pode reconhecer também a minha assinatura. — É, mas só que, pra reconhecer a assinatura, eu preciso da sua carteira de identidade. É uma questão legal. — Legal, né? Sentei. — Seu Wilson, acompanhe o meu raciocínio. — Pois não. — O senhor precisa da minha carteira de identidade para ter certeza de que eu sou eu, não é isso? — Exatamente, Marinho. — Mário, por favor. Mário Alberto Campos de Morais Prata. Então, continuando, se o senhor sabe que eu sou eu, acho que a gente podia deixar a carteira de identidade pra lá. — Veja, Mário Alberto (piorou!), quando o decreto saiu no Diário Oficial… — Tudo bem, tudo bem. Mas me diga, seu Wilson: quem sou eu (aliás uma pergunta que me tenho feito muito: quem sou eu)? — O senhor é o Mário Prata. — O senhor reconhece isso? — O senhor está querendo me pegar, não é? Olha, Campos, agora não posso mais. O meu funcionário, entende? Eu não posso passar por cima dele, tirar a autoridade dele. Se o senhor tivesse me procurado antes, aí sim, talvez… Fiquei me segurando para não arrancar a peruca dele e colocar fogo. Estava com o isqueiro aceso. Acendi o cigarro, pensei no meu avô Mario que tinha cartório em Uberaba. Pensei em Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 49 Jesus pensando nos pobres de espírito, pensei no Brasil, pensei na mãe do seu Wilson, pensei que eu não era mais eu. Liguei para a Isabela, que ia comprar o meu carro. — Isabela, desisti. Descobri que eu não existo, Isabela. E fui para o divã do dr. Leonardo Ramos, que tem de carimbar a receita para que eu possa comprar Lexotan. (O Estado de São Paulo, 3 jun. 1998) 6. O texto em análise é um exemplo de que gênero textual? Justifique sua resposta comentando as características desse gênero presentes no texto de Mário Prata. 7. Que variante linguística predomina no texto? Mencione alguns exemplos. 8. Elabore uma paráfrase do texto de Mário Prata. Referências ALKMIM, T. M. Sociolinguística. In: MUSSALIN, F.; BENTES, A. C. (Org.). Introdução à linguística 1. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2003. BAGNO, M. Nada na línguaé por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola, 2007. FÁVERO, L. L; ANDRADE, M. L. C. V. O.; AQUINO, Z. G. O. Oralidade e escrita: perspectiva para o ensino de língua materna. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. ILARI, R.; BASSO, R. O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006. PRETI, D. Sociolinguística: os níveis de fala: um estudo sociolinguístico do diálogo na Literatura Brasileira. 9. ed. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2000. SILVA, R. V. M. Contradições no ensino de português: a língua que se fala x a língua que se ensina. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1997. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 50 CAPÍTULO 3: ROTEIRO DE LEITURA - O CAVALEIRO INEXISTENTE Introdução Este roteiro objetiva auxiliar você na leitura da obra O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino, uma vez que não há tempo suficiente para discussão detalhada em sala de aula. Todas as questões devem apresentar evidências/fragmentos do livro e devem, também, ser entendidas no contexto e não de forma isolada e desconexa. Atenção! Não é necessário entregar respostas. Você deve fazer anotações escritas para facilitar a participação no debate e no momento de produzir textos escritos sobre o livro. 3.1 Gênero textual O cavaleiro inexistente é uma novela, pois apresenta características que assemelham esse livro às famosas “novelas de cavalaria”, iniciadas na Idade Média. Em narrativas longas, as novelas misturavam elementos reais, míticos e fantasiosos. Elas eram povoadas de cavaleiros destemidos que, a partir de códigos de conduta específicos, duelavam em lutas épicas, eram protetores dos mais fracos e sentiam amor idealizado por alguma dama a quem resguardavam. Moisés (1999, p. 107) destaca que, “Com o D. Quijote de la mancha, no início do século XVII, Cervantes constrói a obra suprema da novela de cavalaria”. Na obra espanhola, D. Quixote (idealista) e Sancho Pança (realista ao extremo) protagonizam ações bizarras que são o avesso de novelas anteriores. O objetivo de Cervantes era ridicularizar esse gênero literário que estava em decadência na época. Já em O cavaleiro inexistente, podemos considerar o avesso do avesso das novelas de cavalaria e esse é um dos aspectos que discutiremos. As bizarrices do cavaleiro Agilulfo e do seu escudeiro Gurdulu remetem aos dois protagonistas de Cervantes, embora com peculiaridades próprias, evidentemente. É só prestar atenção. Que tal aproveitarmos a leitura desse livro para ver ou rever o filme Lancelot, o primeiro cavaleiro. O trailer está disponível em: <http://www.adorocinema.com/filmes/filme-12995/trailer-19538998/>. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 51 Questão 1 Observe as imagens para responder à questão. 1.a) Lancelot com os companheiros da Távola Redonda 1.b) Lancelot: membro da confraria do Rei Artur 2.a) Dom Quixote e Sancho Pança Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 52 2.b) Dom Quixote e Sancho Pança 3) O cavaleiro inexistente, da confraria do rei Carlos Magno Que diferenças você consegue notar entre os cavaleiros, ou seja, quais são as principais distinções entre o tradicional cavaleiro medieval, o cavaleiro Dom Quixote e o cavaleiro inexistente? 3.2 Tipo textual Quanto ao tipo textual, embora haja trechos descritivos, argumentativos e expositivos, na obra, predomina a narrativa, porque apresenta enredo – sequência de ações, espaço, tempo, narrador e personagens. Sobre esses elementos, responda às questões a seguir. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 53 Questão 2 Sobre o enredo, qual é a narrativa principal e quais são os episódios simultâneos que apresentam peripécias dos personagens em destaque? Questão 3 Em que lugares ocorrem as principais ações? Questão 4 Que referência(s) temporal(is) a(s) narrativa(s) aponta(m)? Questão 5 “Eu, que estou contando esta história, sou irmã Teodora, religiosa da ordem de são Columbano.” (CALVINO, 2005, p. 36) a) Quem é, de fato, a narradora? Explique. b) Há alguma estranheza ou contradições no modo de a narradora construir/elaborar a narrativa? Justifique. c) Por que Italo Calvino, o autor, escolheu uma narradora para contar essa história de cavaleiros? 3.2.1 Sobre personagens Questão 6 Por que/como Agilulfo tornou-se paladino de Carlos Magno? Que relação há entre esse fato e a história de Torrismundo? Questão 7 Nos acampamentos, como é o relacionamento entre Agilulfo e os companheiros? Justifique/atribua sentido às suas percepções. Questão 8 Quem são as mulheres que aparecem na narrativa de Calvino? Como é o comportamento/relacionamento entre Agilulfo e elas? Explique/atribua sentido. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 54 Questão 9 O que levou Rambaldo, Torrismundo e Agilulfo a pertencer ao exército de Carlos Magno? Que distinções há entre eles em relação a isso? Justifique. Questão 10 Quem é, de fato, Agilulfo? Por que ele é um cavaleiro inexistente? Como foi a reação de Carlos Magno quando o viu? Que sentido(s) você atribui a essa estranha personagem? 3.3 Sobre linguagem/fala/discurso Questão 11 Embora falemos a mesma língua materna, temos fala/discurso individual que nos caracteriza de acordo com o lugar que ocupamos na sociedade. As nossas idiossincrasias (peculiaridades) linguísticas dependem de vários fatores, como: classe social, idade, nível de escolaridade, sexo, espaço geográfico, etnia e profissão a partir do que construímos nosso repertório linguístico, de mundo e de carga ideológica. A partir desse comentário, o que você tem a falar sobre a fala/discurso de Agilulfo? Comente. Questão 12 Que distinção há entre o discurso de Agilulfo a Gurdulu (cap. 5, p. 54) e o discurso da comunidade de Curvaldia a Torrismundo (cap. 11, p. 129)? Justifique/atribua sentido. Referência CALVINO, Italo. O cavaleiro inexistente. Trad. Nilson Moulin. 12. reimpressão. São Paulo: Companhia das letras, 2005. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 55 CAPÍTULO 4: QUALIDADES TEXTUAIS Uma ocorrência linguística, para ser texto, precisa ser percebida pelo recebedor como um todo significativo. [...] o texto caracteriza-se por apresentar uma unidade formal, material. Os elementos linguísticos que o formam devem ser reconhecivelmente integrados, de modo a permitirem que ele seja apreendido como um todo coeso. (Maria da Graça Costa Val) Não basta costurar uma frase a outra para dizer que estamos escrevendo bem. Além da coesão, é preciso pensar na coerência. (Antônio Carlos Viana) Introdução Neste capítulo, iniciaremos o estudo sobre a produção textual. Começaremos com análise do que é texto e dos fatores que contribuem para a construção de um texto de qualidade. Na sequência, enfatizaremos a coesão e a coerência textuais. 4.1 O que é texto Provavelmente você já ouviu, leu e estudou muito sobretexto. Mas o que realmente pode ser considerado um texto? Costa Val (1999, p. 3) define texto como “ocorrência linguística falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal”. Koch (2001, p. 10) acrescenta que o texto pode ser [...] entendido como uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em sua situação de interação comunicativa, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente da sua extensão. Percebemos, nas duas definições, que o texto é usado para interação comunicativa oral ou escrita, independentemente de sua extensão. Isso evidencia que texto não é apenas o que está escrito com certa quantidade de palavras, sentenças e parágrafos. Um simples gesto, uma única palavra, se transmitirem uma mensagem, são textos. Abreu (2004) destaca a importância de entendermos o que ouvimos/lemos. Conseguimos isso por meio de nosso conhecimento de mundo, a que o autor chama de repertório, pois, com ele, compreendemos o conteúdo semântico e percebemos a intenção de quem produz o texto. Você deve lembrar que, além do repertório, que é o Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 56 nosso conhecimento prévio, colabora para o entendimento do texto o conhecimento da língua e do assunto, conteúdo que estudamos no capítulo 2. Mas que características um texto deve ter? É sobre isso que conversaremos no próximo item. 4.2 Qualidades do texto Oliveira (2004) expõe seis “cês” que contribuem para a construção de um texto de qualidade. São eles: criatividade, clareza, concisão, coesão, coerência e correção gramatical. Vejamos alguns detalhes sobre esses seis “cês”. Criatividade: um texto criativo mostra ao leitor algo diferente, foge do senso comum. Isso não quer dizer que devemos inventar coisas, mas podermos enxergar além das que já existem e fazermos uso desse conhecimento para nossas próprias produções. Para desenvolver essa habilidade, precisamos ter bagagem intelectual, por isso devemos ler bastante, assistir a bons filmes, conversar com pessoas de distintas áreas, participar de congressos, conhecer outras culturas. Clareza: é uma qualidade essencial de qualquer texto. O texto claro possibilita a imediata compreensão do leitor. Ao produzirmos textos, precisamos prestar bastante atenção no uso de certos termos, como pronomes possessivos e relativos, que podem provocar ambiguidade. Em "Paulo disse à namorada que seu futuro estava decidido", por exemplo, não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (a Paulo, à namorada ou aos dois). Nesse caso, o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele", "dela" ou "deles". Concisão: um texto deve ser preciso, sem rodeios de palavras. Um texto conciso condensa ideias em períodos que expressam o essencial do que se quer comunicar. Para isso, devemos optar por sentenças curtas e eliminar palavras supérfluas. Coesão: é a ligação, a relação, os nexos que se estabelecem entre as partes de um texto, mesmo que não sejam aparentes. Contribuem para essa ligação os pronomes, as conjunções, os sinônimos, as repetições (KOCH, 2001) que estabelecem relações adequadas entre termos e também entre os parágrafos, sobretudo no desenvolvimento do texto, a fim de que o sentido seja construído de maneira clara e objetiva. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 57 Coerência: está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto, ou seja, ela é o que faz com que o texto faça sentido para os leitores. Correção gramatical: é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta, sem incorreções gramaticais. Além desses seis “cês”, é importante também levarmos em consideração a unidade e a argumentação. Unidade: um bom texto mantém unidade temática, ou seja, as ideias são amarradas entre si (alguma coisa as unifica). Um texto que tem unidade temática apresenta uma ideia central e outras que giram em seu redor. Argumentação: procura formar a opinião do leitor, ou seja, busca convencê-lo de que o raciocínio apresentado é o correto. A argumentação precisa fundamentar-se na consistência do raciocínio e na evidência das provas (apresentação de fatos, exemplos, ilustrações, dados estatísticos, fala de especialistas e testemunhos). Assim ela será firme, sedimentada e apresentada com autoridade. Analisemos todos esses fatores que contribuem para a qualidade textual no trecho a seguir. O Brasil é o terceiro mercado mundial de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, atrás apenas de Estados Unidos e Japão e à frente de gigantes como a China. Segundo os últimos dados disponíveis, o setor faturou 42 milhões de dólares no país no ano passado, o que representou um crescimento de 87% desde 2007. Nesse ritmo, o Brasil deve alcançar a vice-liderança no consumo mundial de cosméticos até 2017. Tudo isso torna o país um mercado decisivo para as maiores companhias de beleza do planeta, sobretudo em tempos de retratação das economias americana e europeia. (voces/a, ed. 179, abr. 2013, p. 56) Percebemos que o texto contém os fatores que analisamos. O autor apresenta as informações de forma clara, concisa (sem rodeios de palavras) e coerente (as informações expostas têm sentido). Utiliza elementos coesivos, como, por exemplo, “setor” e “companhias de beleza”, “país”, “nesse ritmo”, entre outros, que são usados para referir-se, respectivamente, ao/à setor/companhia de “produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos”, “Brasil” e “crescimento de 87% desde 2007”. O autor respeita as regras da norma culta da língua. Propõe-se a falar sobre o crescimento do setor de beleza no Brasil (ideia central) e apresenta dados sobre isso Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 58 (ideias secundárias), portanto, mantém a unidade temática. Em seus argumentos, expõe dados para ser consistente e, com isso, convence seu leitor de que o raciocínio apresentado é coerente. Nos próximos itens, daremos continuidade aos fatores de qualidade na construção de um texto, analisaremos com mais detalhes a coesão e a coerência textuais. 4.3 Coesão textual A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre palavras, expressões ou sentenças do texto. Ela é manifestada por elementos linguísticos que assinalam o vínculo entre os componentes do texto. Ela pode ser referencial ou sequencial. 4.3.1 Coesão referencial Refere-se à retomada de termos, expressões ou sentenças já mencionadas ou sua antecipação. A isso Koch (2001) chama de referência anafórica e catafórica, respectivamente. Vamos entender melhor cada um dos tipos de referência? Tradicionalmente, a anáfora é a retomada de elemento anterior em um texto, mantendo-se a identidade com o termo a que se refere. É o que podemos perceber no trecho a seguir. O Ministério da educação chegou anunciar a entrada em vigor da reforma ortográfica no Brasil já em 2008. Felizmente, essa data foi adiada (Veja, n. 2025, 12 set. 2007, p. 88). A expressão “essa data” refere-se a “2008”, data mencionada anteriormente, com a qual mantém a identidade. A catáfora refere-se a termos, expressões ou sentenças que serão ainda mencionados no texto, ou seja, ao que será dito adiante. É o que podemosperceber no exemplo a seguir. Eles já recomendaram bochechos com xixi e foram especialistas em cortar cabelos – mas salvaram nossa pele ao inventar a anestesia. Conheça a milenar (e assustadora) saga dos dentistas (Aventuras na História, n. 51, nov. 2007, p. 40). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 59 O pronome destacado é um exemplo de catáfora porque se refere a “dentistas”, que foi mencionado depois do pronome “eles”. Além da anáfora e da catáfora, temos o dêitico, que é a relação referencial que se estabelece entre uma expressão linguística (dita dêitica) e um elemento da situação comunicativa, isto é, um referente exterior ao texto. Analisemos um trecho do poema Ausência, de Vinícius de Morais. Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces... Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto... No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida... E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto... E em minha voz, a tua voz... (MORAES, Vinícius de. Antologia poética) Notamos que as expressões grifadas referem-se à situação comunicativa. Só sabemos quem é o “eu” (a pessoa que lamenta a ausência) e a quem se ele se refere (a amada) a partir do contexto comunicativo. Os termos “eu deixarei”, “mim”, “me”, “eu sinto”, “meu”, “minha” referem ao eu do poema; os termos “seus”, “te”, “veres”, “tua”, “teu” referem-se à amada a quem se dirige o eu do poema. Você verá que a coesão referencial serve para evitar repetições a partir dos recursos expostos na sequência. Pronomes: uso de pronomes pessoais, demonstrativos, possessivos, relativos para fazer remissão a outros elementos textuais ou cotextuais (fora do texto). Reunir todo o conhecimento já produzido pelo ser humano, em placas de argila, papiros ou bits, é uma das ambições mais nobres e difíceis da história da humanidade. Dos idealizadores da Biblioteca de Alexandria, no século III a.C., aos tecnófilos do Vale do Silício, passado pelos iluministas do século XVIII e por políticos de todas as eras, muitos já se dedicaram a esse sonho. Com os esforços de grandes instituições para converter seus arquivos ao formato digital, surgiram novas tentativas de concretizá-lo. A recém-inaugurada Biblioteca Pública Digital da América é a mais recente delas – e uma das mais ambiciosas. (Época, n. 778, 22 abr. 2013, p. 60). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 60 A autora usou os pronomes “seus” para referir-se aos arquivos de grandes instituições, “lo” para referir-se a “sonho” e “delas” para referir-se a “novas tentativas”. Com isso, evitou a repetição de termos, como também estabeleceu a coesão textual. Elipse: omissão de termo recuperável pelo contexto. “Só no Brasil” — eis aí três palavras que todo brasileiro costuma ouvir, 365 dias por ano, a respeito de coisas que só acontecem por aqui, geralmente muito ruins, e que são desconhecidas no resto do mundo. Em geral começam como uma discreta trapaça no uso do dinheiro público, depois se transformam num hábito nacional e, no fim, acabam virando um maciço conto do vigário aplicado o tempo todo pelos governos – que, como viciados em drogas, não conseguem mais viver sem ele. (Veja, n. 23, 6 jun. 2012, p. 174). No exemplo, ocorre a omissão do sujeito dos verbos “começam”, “transformam” e “acabam”, que é “coisas que só acontecem por aqui”. A elipse é utilizada para não repetirmos expressões desnecessariamente. Sinônimo A população de Petrópolis, que somava 242 mil habitantes em 1980 subiu para 300 mil. Dados do IBGE revelam que mais de 25 mil moram em áreas de riscos, invasões ou habitações rudimentares. [...] O que impede as autoridades de retirar os moradores dos locais perigosos? (Época, n. 774, 25 mar. 2013, p. 40). O termo “moradores” retoma “habitantes”. Esses dois termos são sinônimos. Antonomásia: substituição vocabular de um nome por um apelido ou característica/feito/ação pelo qual é reconhecido. Dilma Rousseff voltou de Roma convencida de que a preocupação com a pobreza pode ser um ponto em comum com Francisco. A presidenta acha que a estrutura capilar da Igreja pode ajudar o Bolsa Família a localizar os miseráveis não cadastrados, que o governo considera a última barreira para eliminar a miséria. (IstoÉ, Ano 37, n. 2262, nov. 2013, p. 29). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 61 No exemplo, “presidenta” é um exemplo de antonomásia, pois é como Dilma Rousseff é reconhecida desde que foi eleita em 2010. Repetição do nome próprio (ou parte dele): normalmente, citamos o nome completo e, depois, parte dele. Horas de conceder uma entrevista à IstoÉ, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, havia desembarcado de um voo procedente dos Estados Unidos. Apesar de estar saindo de um momento conturbado em que viveu sob artilharia pesada da oposição, o governador era o retrato de um político animado. [...] ele assinou um tratado tornando Brasília a primeira cidade da América do Sul oficialmente “irmã” de Washington. Com isso, assegura Agnelo, serão realizados intercâmbios entre técnicos de várias áreas das suas capitais, bem como haverá a promoção de inúmeras missões empresariais. (IstoÉ, Ano 37, n. 2262, 27 mar., p. 6). No exemplo, temos a substituição vocabular que se dá por meio de repetição de parte do nome próprio, ou seja, ao invés de repetir “Agnelo Queiroz”, retomou-se somente “Agnelo”. Termo síntese: termo que condensa e resume o conteúdo de uma sentença, de um parágrafo ou de todo um fragmento do texto. Veja o exemplo. A ciência propõe duas explicações para o sentido da vida. A primeira, mais tradicional, é: o sentido (objetivo) da vida é reproduzir, ou seja, ter filhos. Ponto. Isso vale tanto para nós como para o sabiá, o cordeiro patagônico ou o bicho-da-seda. (Superinteressante, ed. 313, mar. 2013, p. 49). No exemplo, o autor usou o termo síntese “isso” para sintetizar as informações expostas anteriormente (“o sentido (objetivo) da vida é reproduzir, ou seja, ter filhos”). Advérbios: os mais utilizados são os de lugar e de tempo. A cobertura da imprensa de Primeiro Mundo sobre a violência no Brasil tende a ser sensacionalista, não apenas porque esse tipo de notícia vende, mas porque faz o público pensar que vive no melhor dos mundos possíveis. Ironicamente, para mim, o Brasil preenche essa descrição muito melhor que os Estados Unidos. Primeiro porque as pessoas daqui têm Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 62 mais generosidade, ginga e prazer de viver que a maioria dos americanos. (Superinteressante, n. 193, out. 2003, p. 122). No exemplo, o elemento de coesão utilizado é o advérbio “daqui”, que retoma “Brasil”. Nominalização: uso de um substantivo que remete a um verbo enunciado anteriormente ou um verbo retoma um substantivo já enunciado. Casar, no século XXI, é uma atitude bem diferente daquela que motivava o casamento no início do século passado. No exemplo, o substantivo “casamento” retoma o verbo “casar”. 4.3.2 Coesão sequencial A coesão sequencial tem a finalidade de ligar vocábulos, frases e parágrafos por meio dos conectores ou dos operadores argumentativosclassificados, pela gramática tradicional, como conjunções ou locuções conjuntivas. Eles designam os variados tipos de interdependência semântica existente entre as sentenças na superfície textual. É necessário, portanto, usar o operador adequado à relação que queremos expressar. Vamos conhecê-los. Operadores de oposição: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, embora, apesar de que etc. Apesar do otimismo, o fato é que quase nada que os portugueses entendiam por comida nascia no Brasil. Os portugueses até tentaram: em 1532, na primeira expedição colonizadora, Martim Afonso de Souza plantou trigo em São Vicente. As plantas davam flores, mas murchavam sem grãos. As parreiras nasciam esquisitas, com uvas isoladas e não rendiam vinho decente. Arroz nascia, mas pouco e em grãos pequenos. Os bois morriam ou passavam mal com o calor e não conseguiam se reproduzir. (Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 50). A ideia veiculada pelos articuladores apesar de, mas, no exemplo, é de oposição. No primeiro enunciado, apesar de quase nada nascer no Brasil, havia Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 63 otimismo por parte dos portugueses. Nos outros dois períodos (“as plantas davam flores” e “o arroz nascia”), o leitor cria uma expectativa ao que é exposto: espera-se que haja produção; porém o articulador contraria essa expectativa: “murchavam sem grãos” e “pouco e em grãos pequenos”. Portanto, há oposição entre as informações expostas entre as orações. Operadores de causa: já que, visto que, uma vez que, como, pois, porque etc. Gêneros textuais como a carta circular ou o requerimento estão em extinção, pois o e-mail absorveu essas funções. (Veja, n. 2025, 12 set. 2007, p. 90). Observamos que a segunda proposição (“pois o e-mail absorveu essas funções”) iniciada por pois aponta para a causa, para o motivo de os gêneros textuais como a carta circular ou o requerimento estarem em extinção. Assim a proposição inicial (“Gêneros textuais como a carta circular ou o requerimento estão em extinção”) é a consequência da segunda. As conjunções uma vez que, visto que, já que podem tanto vir no início quanto no meio do período: “Uma vez que o e-mail absorveu as funções da carta circular ou do requerimento, esses gêneros textuais estão em extinção” ou “Gêneros textuais como a carta circular ou o requerimento estão em extinção, uma vez que o e-mail absorveu essas funções”. Operadores de conformidade: conforme, de acordo, como, segundo etc. Falta muito pouco para os sul-coreanos ficarem mais ricos que os japoneses. Dentro de cinco anos, o PIB per capital da Coreia do Sul, calculado considerando o índice de custo de vida, deve ultrapassar o do Japão, segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional. (Veja, n. 22, 30 maio 2012, p. 104). A relação de conformidade manifesta o acordo entre duas informações. O exemplo demonstra isso. Em lugar de segundo, poderíamos usar o articulador conforme, de acordo, pois todos apontam para o mesmo sentido. Operadores de finalidade: para, para que, a fim de etc. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 64 O Brasil tem feito conquistas fundamentais no combate ao tabagismo. Em decorrência de incisivas campanhas de conscientização e das políticas anticigarro, o número de fumantes caiu drasticamente nos últimos anos. [...] Mas, como acontece no tratamento de qualquer vício, um dos maiores entraves na luta contra o cigarro é o risco de recaídas. Identificar os motivos que levam um ex-fumante a voltar às tragadas é um movimento decisivo para evitar a reincidência e também para aperfeiçoar as estratégias terapêuticas contra o problema. (Veja, n. 23, 6 jun. 2012, p. 100). Esse articulador indica finalidade entre duas proposições, implicando a ideia de fim previsto para uma determinada ação expressa na primeira oração. No exemplo, a identificação dos motivos que levam um ex-fumante a voltar às tragadas tem duas finalidades: evitar a reincidência e aperfeiçoar as estratégias terapêuticas contra o problema. Operadores de temporalidade: quando, enquanto, sempre que, logo que, antes que, assim que, cada vez que, depois que, até que etc. Quando você vê um rosto pela primeira vez, o seu inconsciente decide, em frações de segundo, se aquela pessoa é amiga ou inimiga. É uma habilidade vital para a sobrevivência – e também permitiu que um homem totalmente cego voltasse a enxergar. (Superinteressante, ed. 315, fev. 2013, p. 65). A ideia veiculada pelo articulador destacado (quando) no exemplo é de temporalidade. Operadores de conclusão: portanto, logo, por isso, por conseguinte etc. A palavra ecologia estreou num dicionário em 1928, segundo Houaiss. Cerca de meio século, portanto, depois de ser criada pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel como Ökologie (a partir do grego oikos, “casa, habitação”), para designar o nascente estudo das relações entre seres vivos e meio ambiente. (Veja, n. 24, 13 jun. 2012, p. 122). O conector portanto introduz um enunciado de valor conclusivo em relação a um (ou mais) ato da fala anterior que contém uma dada informação. No exemplo, a Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 65 conclusão é introduzida a partir do que é exposto na primeira oração (“A palavra ecologia estreou num dicionário em 1928”). Operadores de comparação: (tanto, tal, tão)... como (quanto), mais... do que, menos... do que etc. Cuidado com a mentira Pesquisa revela que mentimos mais no trabalho do que em casa. Receio de conflitos e falta de diálogo são alguns dos motivos. (vocês/a, ed. 179, abr. 2013, p. 68) O exemplo apresenta comparação entre a mentira no trabalho e em casa (“mais... do que”). Operadores de adição: e, também, não só... mas também, tanto... como, além de, além disso, ainda, nem etc. Os gregos adoravam o equilíbrio, a ordem e a simetria. Por causa disso, o filósofo Aristóteles concluiu, no século 4 a.C., não apenas que a terra era uma esfera, e não um disco, como também que deveria existir, ao sul, um continente equivalente à massa que havia no norte. (Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 40). A função dos articuladores de adição é encaminhar o interlocutor da comunicação para uma mesma conclusão. No exemplo, temos operadores que somam um argumento adicional a um argumento já mencionado (enumeração do que os gregos adoram (“e”) e a conclusão de Aristóteles (“não apenas... como também”)). Operadores de condição: se... então, caso etc. Se o julgamento do mensalão acontecesse hoje e os principais réus fossem condenados à pena mínima de prisão pelos crimes de que são acusados, apenas três deles (o empresário Marcos Valério, o deputado João Paulo Cunha e o ex-deputado Roberto Jefferson) teriam de cumprir a decisão. Os demais estariam livres, dado que suas penas já teriam prescrito. (Veja, n. 23, 6 jun. 2012, p. 70). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 66 Como podemos notar, a realização de uma informação (“apenas três deles [o empresário Marcos Valério, o deputado João Paulo Cunha e o ex-deputado Roberto Jefferson] teriam de cumprir a decisão”) está condicionada à realização da outra (“Se o julgamento domensalão acontecesse hoje e os principais réus fossem condenados à pena mínima de prisão pelos crimes de que são acusados”). É essa ideia de condição que o articulador se introduz. Operadores de disjunção: ou A Campanha Nacional contra a Saúva tinha o lema “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Foi a primeira iniciativa científica do estado em lidar com as condições agrícolas. (Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 53). Às vezes, confunde-se gentileza e cavalheiriso com romantismo. Abrir a porta do carro ou do elevador para a mulher, oferecer lugar para ela sentar [...], ter atitudes de proteção, tratar com educação [...] são comportamentos que qualquer homem deve ter com a mulher [...]. (Lola, fev. 2012, p. 80). O conector “ou” é ambíguo, ora correspondente à forma exclusiva (isto é, um ou outro, mas não ambos, conforme o primeiro exemplo), ora à forma com valor inclusivo (ou seja, um ou outro, possivelmente ambos, conforme o segundo exemplo). Observe que, quando inclusivo, o ou pode ser substituído por e. Quando estivermos produzindo textos, é importante usarmos os operadores argumentativos adequados para não prejudicarmos a coerência textual. 4.4 Coerência textual A coerência é o fator essencial da textualidade, uma vez que ela é responsável pelo sentido do texto (COSTAL VAL, 1999). É ela que dá origem à textualidade (KOCH; TRAVAGLIA, 2001). A textualidade faz “com que um texto seja um texto, e não apenas uma sequência de frases” (COSTAL VAL, 1999, p. 5). A coesão e a coerência são alguns dos fatores que contribuem para isso. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 67 Na sequência, examinaremos os princípios fundamentais responsáveis pela construção de um texto coerente. a) Coesão textual: um texto coerente deve ter elementos recorrentes, por meio de pronomes, elipses, sinônimos ou qualquer outro recurso. Vejamos, no exemplo a seguir, se há ou não coesão textual. As cadeias brasileiras estão cheias de celulares contrabandeados. Mas, nos Estados Unidos, os detentos de três Estados (Louisiana, Virgínia e Washington) já podem comprar e usar legalmente um gadget: tablet JP4, que custa US$ 50 e foi criado pela empresa JPay a pedido do governo. O tablet da cadeia é bem pequeno – sua tela tem 4,3 polegadas (menos da metade de um iPad comum) –, mas a memória até que não é tão ruim: 8 gigabytes. Por segurança, o JP4 não tem acesso à internet. Mas vem com games, rádio e calendário e pode ser abastecido com músicas e audiolivros [...]. O preso também pode baixar fotos e e-mails enviados por sua família – mas esse conteúdo é vistoriado previamente pelos carcereiros. [...] (Superinteressante, ed. 317, abr. 2013). No exemplo, os termos destacados recuperam informações anteriores, como, por exemplo, “tablet da cadeia”, “sua” e “JP4” referem-se ao “tablet JP4”; “sua” refere- se à família do “preso”; “esse conteúdo” retoma “e-mails enviados por sua família”. b) Progressão: um texto coerente deve apresentar renovação do conteúdo, ou seja, um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos, no texto a seguir, se há ou não progressão de conteúdo. Esse funcionário não faz nada. Fica apenas reclamando de suas tarefas, ou seja, chega, liga seu computador e reclama de seus afazeres no escritório. Acha que trabalha muito e reclama do que tem de ser feito. Não faz nada! Não há, no exemplo, informações novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir essa informação a: “esse funcionário não faz nada. Só reclama de suas tarefas”. Portanto, como o autor desconsiderou a progressão, a coerência foi prejudicada. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 68 c) Não contradição: em um texto coerente, o que se diz depois não se pode contradizer com o que se disse antes ou o que ficou pressuposto. Cada pedaço do texto deve fazer sentido com o que se disse antes. Analisemos se, no texto seguir, isso é considerado pelo autor. O quarto espelha as características de seu dono: um esportista, que adorava a vida ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia sinais disso: raquetes de tênis, prancha de surf, equipamento de alpinismo, um tabuleiro de xadrez com as peças arrumadas sobre mesinha, as obras completas de Shakespeare. (PLATÃO, F.; FIORIN, J. L. Lições de texto: leitura e redação. 5. ed. São Paulo: Ática, 2006). Uma das qualidades de um bom texto é não apresentar contradição. No exemplo, há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que o quarto tinha as características de seu dono, que era um esportista que não gostava de atividades intelectuais, e, depois, menciona que, no quarto, havia um tabuleiro de xadrez arrumado e as obras completas Shakespeare. Portanto, o autor acaba se contradizendo. É um texto sem credibilidade argumentativa. Portanto, para produzirmos um texto de qualidade, devemos ser criativos, claros, coerentes na exposição de nossas ideias, usar a língua padrão, utilizar os elementos de coesão, argumentar bem e manter a unidade temática. Atividades 1. Leia e analise o trecho a seguir. “Sinto falta da galinha da minha mãe, do peixe do meu pai e da energia do povo brasileiro” (Gisele Bündchen, Veja, n. 2025, 12 set. 2007, p. 53). a) O texto de Gisele, a top model, apresenta ambiguidades. Identifique-as. b) Dos fatores que contribuem para a qualidade textual, qual foi prejudicado devido às ambiguidades? Por quê? c) Para torná-lo um texto bem escrito, reescreva o trecho, tirando essas ambiguidades. 2. Para Koch (2001), a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto, ou seja, é o que faz o texto fazer sentido para os usuários, devendo, portanto, ser entendida como um princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 69 do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. Os trechos abaixo pertencem a um único texto, mas estão desordenados. Ordene-os conforme a estrutura textual de introdução, desenvolvimento e conclusão. Em seguida, indique a respectiva sequência correta. ( ) E os adolescentes entre 16 e 17 anos são os que mais leem diariamente. No Brasil se lê bastante e a cada dia o consumo de livros cresce. Nas faixas etárias que vão do infantil ao juvenil, vimos um expressivo crescimento do número de leitores nos últimos dez anos. Há uma geração ávida por romances, aventuras, sagas, histórias de não ficção. ( ) Entretanto ela cita que a maioria dos estudos que falam de menos leitura entre pessoas de até 40 anos é baseada em livros de papel e, em geral, só contabilizam textos narrativos e não informativos. Apesar desse “preconceito”, são os nativos digitais que têm lido mais livros. O Centro de Pesquisa Pew indicou que os americanos jovens estão lendo significativamente mais títulos que os adultos, incluindo o formato impresso. ( ) E isso se deve à combinação escola, lições de casa e um número expressivo de leitura por prazer – 67% dos jovens com menos de 30 anos leem pelo menos uma obra, em qualquer formato, por semana. Enquanto esse número é de 58% para os mais velhos. ( ) Jessica E.Moyer, doutora em filosofia pela Universidade de Minnesota, nos EUA, concluiu em sua dissertação que o engajamento e a compreensão dos jovens é o mesmo em qualquer formato, seja no papel, digital ou áudio-livro. A sequência correta é a) 2° - 1° - 4° - 3°. b) 1º - 2° - 3°- 4°. c) 3° - 4° - 2° - 1°. d) 4° - 2° - 3° - 1°. e) 4° - 3° - 1° - 2°. Leia o trecho a seguir para responder às questões de 3 a 5. Wasaburo Otake nem imaginava que se tornaria carioca da gema quando foi designado intérprete de oito oficiais da Marinha brasileira em visita ao Japão. Ele nem sequer falava nosso idioma – o inglês era a língua usada nas conversas com os militares. Mas o aristocrata Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 70 japonês, então com 17 anos, ganhou a simpatia de Augusto Leopoldo, neto do imperador D. Pedro II, que o convidou para acompanhá-Io em sua viagem de volta para conhecer o Brasil. O navio nem deixou a Ásia e a aventura já começou a esquentar. No Ceilão (atual Sri Lanka), o príncipe teve de descer: era 1889, e a República, proclamada, obrigava a família real a se afastar das instituições brasileiras. Chegando ao Rio, Otake não tinha mais a proteção real. Precisou se virar. Aprendeu português, ingressou na Escola Naval e entrou para a história. É o primeiro japonês de que se têm registros concretos de ter morado no Brasil (Superinteressante, n. 245, nov. 2007, p. 56). 3. Em relação ao trecho em análise, examine as afirmativas a seguir e depois assinale a alternativa correta. I) O texto apresenta os fatores que contribuem para a qualidade texto. Um desses fatores é a unidade temática. Apresenta uma ideia central, que é Wasaburo Otake, o primeiro japonês brasileiro, e outras que giram em seu redor, em que a autora mostra como Otake se tornou o primeiro japonês que morou no Brasil. II) Outro fator de qualidade presente no texto é a concisão, pois a autora menciona as informações de uma forma objetiva, sem rodeios de palavras. Também há clareza, uma vez que essas informações são facilmente entendidas pelo leitor. III) O texto também é coerente e coeso, visto que o que é exposto faz sentido para o leitor e as informações estão ligadas, como podemos perceber pelos termos em negrito (coesão por remissão). a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Todas as afirmativas estão incorretas. c) Apenas a afirmativa II está incorreta. d) Apenas a afirmativa III está incorreta. 4. Em relação à coesão textual, assinale a única alternativa incorreta. a) Os termos em negrito, “ele”, “o aristocrata japonês”, “o”, “Otake” referem-se ao Wasaburo Otake. b) Os pronomes “lo”, “sua” e “o príncipe” referem-se a Augusto Leopoldo. c) A autora, ao empregar todos os termos que estão em negrito, utilizou a referência catafórica, uma vez que os termos referentes retomam palavras já mencionadas. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 71 d) A autora utilizou os seguintes processos de coesão: pronominalização (“ele”, “o”, “lo” e “sua”), antonomásia (“aristocrata japonês”, “príncipe”) e repetição de parte do nome próprio (“Otake”). 5. Analise o trecho a seguir. Chegando ao Rio, Otake não tinha mais a proteção real. Precisou se virar. Aprendeu português, ingressou na Escola Naval e entrou para a história. É o primeiro japonês de que se têm registros concretos de ter morado no Brasil. Identifique onde estão as elipses e diga qual é o termo que foi omitido. 6. O uso inadequado dos operadores argumentativos nas sentenças a seguir provoca um efeito de incoerência. Reescreva-as, fazendo as alterações necessárias para garantir o estabelecimento das relações de sentido corretas. a) Moramos no mesmo andar, mas vemo-nos com frequência, por isso mal nos falamos. b) O livro é muito interessante porque tem 570 páginas. c) O show estava excelente, por isso eles saíram antes de terminar, porém tinham um aniversário para ir. 7. Leia com atenção as manchetes e explique a incoerência presente em cada uma delas. a) "A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano." JORNAL DO BRASIL. b) "Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente." O GLOBO c) "Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável." O GLOBO d) "Parece que ela foi morta pelo seu assassino." EXTRA e) "O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão." O DIA. f) "A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço." EXTRA g) "Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio." O GLOBO h) "Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel." EXTRA i) "O cadáver foi encontrado morto dentro do carro." O GLOBO Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 72 Referências ABREU, A. S. Curso de redação. 11. ed. São Paulo: Ática, 2004. COSTA VAL, M. da G. Redação e textualidade. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2001. ______; TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2001. OLIVEIRA, J. L. de. Texto técnico: guia de pesquisa e de redação. Brasília: abc BSB, 2004. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 73 CAPÍTULO 5: O PARÁGRAFO E A PRODUÇÃO TEXTUAL Escrever é uma atividade complexa, resultado de uma boa alfabetização, hábito de leitura, formação intelectual, acesso a boas fontes de informação e muita, muita prática. (Dad Squarisi e Arlete Salvador) Introdução A sociedade contemporânea exige pessoas que escrevam bem. Comunicamo- nos por e-mail e nas redes sociais. No nosso trabalho, fazemos ofícios, memorandos ou qualquer outro tipo de documentos. Nessas situações, é necessário ser claro, conciso, coerente, usar a coesão, estar atento à correção gramatical e à unidade temática e apresentar argumentos adequados para ser convincente. Esses são fatores responsáveis pela qualidade, estudados no capítulo anterior. Sabemos que produzir um texto de qualidade não é fácil. Nem por isso devemos desanimar. Precisamos treinar muito, pois só assim conseguiremos aperfeiçoar nossa escrita. Por isso, neste capítulo, daremos continuidade à produção textual. Veremos o que é parágrafo, analisaremos sua estrutura e examinaremos formas de elaborar o tópico frasal, o desenvolvimento e a conclusão, que lhe ajudarão na produção de seus textos. É importante ter esses conhecimentos, mas o primordial é conhecer o assunto sobre o que escreverá. Portanto, mantenha-se informado lendo bons livros, jornais e revistas e praticando o que verá neste capítulo. 5.1 Parágrafo: conceituação Garcia (2000, p. 203) define o parágrafo como “uma unidade de composição, constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve ou se explana determinada ideia central, a que geralmente se agregam outras, secundárias, mas intimamente relacionadas pelo sentido". Portanto, um parágrafo bem elaborado não é apenas a exposição de uma ou várias informações, mas, além de apresentar a informação, é preciso desenvolvê-la. O conceito exposto se aplica ao chamado parágrafo padrão, que é constituído de três partes essenciais: tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. No entanto há diferentes formasde construção do parágrafo, dependendo da natureza do assunto, do gênero da composição, do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 74 Depois de analisarmos o conceito de parágrafo, é interessante conhecermos a sua estrutura detalhadamente, a fim de organizá-lo. 5.2 Parágrafo: redação Neste item, explicitaremos cada uma das partes do parágrafo padrão, como se dá sua redação e suas formas diversas de construção. Fique atento! 5.2.1 A formulação do tópico frasal Como já estudamos no capítulo 2, o tópico frasal traduz, de maneira geral e sucinta, a ideia-núcleo do parágrafo. Ele introduz o assunto e o aspecto desse assunto, a ideia central com o potencial de gerar outros períodos, chamados de ideias secundárias. Serve para orientar o resto do parágrafo. Assim, o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido e mantenha a coerência do texto. Passemos ao estudo das principais formas de elaborar o tópico frasal do parágrafo, a partir do que é exposto por Abreu (2004) e Viana (2000). Declaração inicial: você inicia o parágrafo com uma declaração sucinta na qual apresenta o assunto e seu aspecto que serão desenvolvidos no parágrafo, como podemos observar no exemplo a seguir. A remuneração dos executivos de finanças que trabalham em São Paulo está entre as maiores do mundo. O salário médio anual desses profissionais é de 545.000 reais, sem contar o bônus. Os brasileiros só perdem para seus pares em Nova York, que recebem 640.000 reais, e para os de Londres, que ganham 590.000 reais. Os brasileiros ficam na frente dos chineses, dos espanhóis e dos franceses. Os dados vêm de uma pesquisa divulgada no mês passado pela Robert Walters, consultoria inglesa de recrutamento executivo, que analisou informações de 53 empresas em 24 países (VOCÊ S/A, ed. 179, abr. 2013, p. 46). Você deve ter notado que o autor apresentou uma declaração sucinta no tópico frasal (em negrito) e depois a desenvolveu em outros enunciados (ideias secundárias que são o desenvolvimento da informação exposta no tópico frasal). Definição: você abre o parágrafo com uma definição. É o que podemos notar no parágrafo a seguir, em que o autor define a expressão “céu de brigadeiro”. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 75 “Céu de brigadeiro” é uma gíria carioca que foi popularizada pelos locutores de rádio. Ela é dita quando alguém pretende descrever um dia em que tudo parece conspirar a favor ou mesmo para dizer que o dia está bonito. Surgiu entre as décadas de 1940 e 1950. Na época, o Rio de Janeiro era a capital do Brasil, responsável por boa parte do tráfego aéreo. Brigadeiro é o posto máximo da Aeronáutica. E é um oficial que só comanda um avião quando o céu está limpo, sem nuvens. Por isso, ao dizer que o céu estava “de brigadeiro”, a intenção era reforçar que não havia problemas à vista. (Aventuras na História, n. 48, ago. 2007, p. 19). Divisão: o tópico frasal é apresentado sob a forma de divisão ou discriminação das ideias que serão desenvolvidas no parágrafo. Essa forma é apresentada no exemplo a seguir, em que o autor menciona que o tiro de escopeta no sindicalista Chico Mendes “fez surgir dois mitos”, apresenta-os e os explana no desenvolvimento. O tiro de escopeta que cravou 42 grãos de chumbo no peito do sindicalista Chico Mendes poucos dias antes do Natal de 1988 tirou-lhe a vida e fez surgir dois mitos. O primeiro conferiu ao seringueiro uma aura heroica, de mártir das matas de Xapuri, no Acre. O segundo se refere à nova ideologia que se propagou a partir das causas defendidas por Chico Mendes. Para ele, o modo de vida extrativista seria capaz de proporcionar um sustento digno aos povos da floresta sem prejuízo ambiental, desde que amparado pelo governo. Ou seja, em vez de derrubar a mata para dar lugar à agropecuária, a população local poderia viver da coleta de seivas e frutos e da venda da madeira de árvores mais velhas. [...] (Veja, n. 8, 20 fev. 2013, p. 107). Alusão histórica: você introduz o parágrafo mencionando um fato ou um período histórico, como podemos observar no parágrafo a seguir, em que o autor faz referência ao primeiro século da era cristã. Ao longo do primeiro século da era crista, pelo menos dez pessoas diferentes se declararam "messias". A expressão “messias” significa "o consagrado" e remete à profecia de um descendente do rei judeu Davi que iria reconstruir Israel em toda a sua força. É por isso que os Evangelhos dizem que Jesus nasceu em Belém, a terra de origem do rei mítico, enquanto os historiadores acreditam que ele veio ao mundo em Nazaré, na época um pequeno vilarejo de apenas 500 habitantes. (Aventuras na História, ed. 101, dez. 2011, p. 30 (adaptado)). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 76 Pergunta: o parágrafo é iniciado com uma interrogação. A pergunta deve ser respondida ou esclarecida no desenvolvimento, como podemos notar no exemplo a seguir, em que o autor esclarece no desenvolvimento o que questionou no tópico frasal. Quem disse que o cérebro não precisa de boa alimentação? Assim como, para manter o corpo em forma, seguimos uma alimentação balanceada, o cérebro também pede alimentos pouco calóricos, muitas frutas, verduras, vegetais e peixes. Afinal, os antioxidantes, além de contribuírem para uma aparência mais jovem, ajudam o cérebro a se rejuvenescer. (Língua Portuguesa, ed. 34, jan. 2012, p. 18). Citação: consiste em mencionar trecho de algum autor, livro, revista, dados de pesquisa etc. A citação pode ser: direta (quando citamos as palavras ditas ou escritas por alguém, por isso devemos usar as aspas); ou indireta (quando reproduzimos com nossas palavras o que o autor disse ou escreveu). Observe, no parágrafo a seguir, um exemplo de tópico frasal com citação indireta, que expõe o posicionamento da crítica em relação ao jazz. O jazz estagnou, mudou-se e não deixou endereço conhecido, morreu para nunca mais voltar. Esse costuma ser o tom da crítica mais ranheta e nostálgica, que há muito acusa a falta de inovação do gênero musical americano. Existe aí uma parcela de razão: desde que o trompetista Miles Davis aproximou os improvisos do jazz à pulsação do rock em Bitches Brew, de 1970, não apareceram mais novas receitas nem ideias para fusões tão instigantes. Mas isso não significa que os jazzistas tenham perdido toda a capacidade de se renovar. Basicamente, eles hoje utilizam a régua e o compasso – no caso, os ritmos – da tradição para fazer figuras geométricas diferentes. [...]. (Veja, n. 23, 6 jun. 2012, p. 174). Você pode perceber, nos exemplos expostos, que as sentenças iniciais introduziram o assunto, que é a ideia central. A partir dessa ideia, surgiram outros períodos que orientaram o desenvolvimento do restante do parágrafo. Depois de aprendermos como podemos iniciar a elaboração de um parágrafo, examinaremos as formas para construir seu desenvolvimento. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 77 5.2.2 O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo, você passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. Para isso, em primeiro lugar, deve selecionar aspectosou detalhes particulares que desenvolvam o tópico frasal e, após, ordená-los, ou seja, construir um plano de desenvolvimento que servirá como forma de controle. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. Veremos as formas de construir o desenvolvimento do parágrafo a partir do que é exposto por Garcia (2000). Ordenação por enumeração: consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal. Organiza-se, frequentemente, por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem, segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. Alguns desses articuladores são: primeiro, segundo, em primeiro lugar, em segundo lugar, inicialmente, após, a seguir, depois, em seguida, mais adiante, por fim, ainda, além, também etc. Analisemos o desenvolvimento por enumeração no seguinte parágrafo. Há três motivos prováveis para o comportamento ofensivo ou falta da boa educação em discussões sobre temas polêmicos nas redes sociais. O primeiro é que o contato a distância, pela internet, não dispõe dos elementos que provocam empatia com o interlocutor, como o olhar, a expressão corporal e o tom de voz, e que servem de freio às ofensas. Quando se está frente a frente com alguém, até a disposição para tocar em temas sensíveis diminui. O segundo motivo é que as redes sociais colocam na mesma sala virtual amigos próximos e meros conhecidos. Nas relações do mundo real, as pessoas se afastam naturalmente de amigos com os quais deixaram de ter afinidade por alguma razão – seja por terem adotado estilos de vida diferentes, seja pelas posições políticas. As redes sociais, grosso modo, nos fazem essa distinção e muitas vezes obrigam o dono do perfil a ler as opiniões desbaratadas publicadas por "amigos" com os quais mantém apenas uma relação superficial. Terceiro, as redes on-line incentivam os membros a expor seu lado militante. O mural (onde as mensagens são publicadas) do Facebook, por exemplo, é, como o próprio nome sugere, um ótimo lugar para "colar" cartazes e "estender" bandeiras ideológicas virtuais. Ali se faz proselitismo de vegetarianismo, de crenças religiosas, de posições políticas e de outras causas. Como não há Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 78 botão de "Não Curtir" no Facebook, resta discordar por meio de um comentário ou se calar. (Veja, n. 6, 8 fev. 2012, p. 86-87). O parágrafo em análise exemplifica a ordenação por enumeração, em que o autor aponta os três prováveis motivos que levam as pessoas a serem ofensivas e sem educação nas discussões de temas polêmicos em redes sociais. Ordenação por causa-consequência: consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). A relação causa- consequência, estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo, ou é evi- denciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente, ou seja, por meio da interpretação das ideias relacionadas. São expressões indicadoras de causa: porque, já que, visto que, uma vez que, pois, a razão disso, a causa disso, devido a, por motivo de, em virtude de, graças a etc.; de consequência: tão que, tal que, tanto que, tamanho que, de forma que, de maneira que, de modo que, em consequência, como resultado, por isso, em vista disso etc. Analisemos de que forma a ordenação por causa é trabalhada no parágrafo a seguir. Por que o transporte ferroviário é tão precário no Brasil? O país se afastou dos trilhos nos anos 1950, com plano de crescimento rápido do presidente Juscelino Kubitschek, que priorizou rodovias. A construção de ferrovias era lenta para fazer o Brasil crescer “50 anos em cinco”, como ele queria. [...] Além disso, o lobby das rodovias foi forte. Desde a era JK, os investimentos e subsídios no setor são grandes, não só para abrir montadoras. Outro responsável foi o café, em baixa nos anos 1930. Ele era transportado principalmente por trens, então várias empresas férreas faliram com a falta de trabalho. Em 1957, o governo estatizou as companhias ferroviárias. Desde então, o foco é o transporte de carga. Por isso, em 2012, os trens carregam só 3% dos passageiros do País (isso porque incluímos o metrô na conta). Mas, na próxima década, o cenário deve mudar. (Superinteressante, ed. 315, fev. 2013, p. 24). O autor expõe as causas de o transporte ferroviário ser tão precário no Brasil: plano de crescimento rápido do presidente JK, que priorizou rodovias devido à construção de ferrovias ser muito lenta; investimentos e subsídios altos tanto para abrir estradas como para atrair montadoras; falência de empresas Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 79 férreas devido à baixa do café, transportado principalmente por trens; estatização das companhias ferroviárias com o foco no transporte de carga. Você deve ter notado também que, para expor as causas, o autor utilizou a enumeração: “além disso” e “outro responsável” (releia o texto e verifique com mais nitidez esse detalhe). Ordenação por comparação ou confronto - semelhança ou contraste: consiste em estabelecer um confronto de ideias, seres, coisas, fatos ou fenômenos, mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças). Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como... também, tanto como... tanto quanto, além de... também, não só... (como) também, de igual modo, em ambos os casos, de um lado... de outro lado, por um lado... por outro lado, se por um lado... por outro lado, (para) uns... (para) outros, este... aquele, ao contrário..., em oposição..., enquanto..., já..., ao passo que..., mas..., porém etc. Observe o texto a seguir. Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud, é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura, o outro e a nós mesmos. Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. Para alguns, Freud foi um gênio, um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então, por amor à ciência [...]. Para outros, não foi mais do que uno charlatão, um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública, um homem que enxergava o sexual em todas as coisas, alguém que perseguia os discípulos dissidentes, que não media os meios para impor suas ideias. (Freud: a exploração do inconsciente. História do Pensamento, Fasc. 54, p. 641.) Esse parágrafo exemplifica a comparação por contraste, visto que apresenta opiniões divergentes em relação a Freud (gênio x charlatão). Ordenação por tempo e/ou espaço: algumas vezes, ao elaborarmos um texto, surge a necessidade de organizarmos os fatos, as ideias pelo critério tempo e/ou espaço. As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 80 de algo acontecido. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço. Examinemos as expressões indicativas dessas formas de ordenação: tempo: agora, já, ainda, antes, depois, em seguida, breve, logo que, finalmente, frequentemente, após, antes de, à medida que, à proporção que,enquanto, sempre que, assim que, ultimamente, presentemente, no século tal, muitos anos atrás, naquele tempo etc.; espaço: longe de, perto de, em frente de, atrás de, diante de, detrás de, abaixo de, dentro de, fora de, aí, ali, cá, além, à direita, à esquerda, no país tal, no local tal etc. No parágrafo a seguir, observe, a partir dos termos destacados, que o desenvolvimento se dá por meio de indicação de tempo e de espaço. Nos anos 80, o imenso progresso social e econômico da Coreia do Sul chamou a atenção do mundo. O país tornou-se o mais vistoso dos tigres asiáticos. Nessa mesma década, a menos de 200 quilômetros de distância, o Japão, que emergira como a grande potência asiática do pós-guerra, chegando ao posto de segunda maior economia do mundo, começava a declinar. O modelo exportador japonês criou enorme riqueza e elevou o padrão de vida dos japoneses a níveis extraordinários, mas a excessiva valorização cambial evoluiu para uma bolha especulativa que se materializou principalmente nos salários e no ramo imobiliário. No começo dos anos 90, o terreno do Palácio Imperial em Tóquio custava em dólares mais do que todos os imóveis da Califórnia. Secretárias japonesas ofereciam lances maiores do que executivos americanos por casas luxuosas no Havaí. Em 1992, a bolha estourou. A economia japonesa estagnou e, desde então, vem se arrastando com índices mínimos de crescimento. A crise mundial de 2007 e 2008 reduziu as exportações. Um de cada três dekasseguis, brasileiros que foram para a terra dos avós em busca de uma vida melhor, voltou ao Brasil. No mesmo ano (2011) em que um terremoto seguido de tsunami quase provocou uma tragédia nuclear em Fukushima, o Japão perdeu o posto de segunda maior economia para a China. (Veja, n. 22, 30 maio 2012, p. 106). Ordenação por definição: de todas as formas de ordenação, essa é a mais abstrata, pois revela os atributos essenciais de um objeto, sentimentos, expressões por meio de sua definição. É muito utilizada em textos técnicos ou científicos. Nessa forma de ordenação, é frequente o emprego do verbo ser ou de verbos como chamar-se, denominar-se, considerar-se, tratar-se de. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 81 Analisemos de que maneira a ordenação de desenvolvimento por definição é utilizada no parágrafo a seguir. A expressão “não ter papas na língua” é uma mistura de espanhol com português. Ela tem origem no termo estrangeiro “no tiene pepiras en Ia lengua” - em português, "não tem pevides na língua". Pevides são pequenos tumores que revestem a língua de algumas aves, obstruindo-lhes o cacarejo. A doença dificulta a ingestão de água e de alimentos, podendo até matar. No singular, pevide é ainda um distúrbio da fala - o paciente apresenta dificuldade e até mesmo incapacidade de pronunciar alguns fonemas. Portanto, quando fulano não tem as tais pepitas - que, no aumentativo em espanhol, viram as papas da expressão - na língua, significa que ele fala muito, à vontade e sem obstáculos. (Aventuras na História, ed. 48, ago. 2007, p. 19). A ordenação do desenvolvimento por definição foi usada para explicar o significado da expressão “não ter papas na língua”. Ordenação por exemplificação: consiste em elucidar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. O exemplo estabelece um elo, uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor, principalmente quando se trata de algo muito abstrato. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. Os visionários que tentaram levar desenvolvimento econômico e progresso social à Amazônia brasileira raramente foram bem-sucedidos. Em 1928, o americano que popularizou o automóvel, Henry Ford, fundou nas margens do Rio Tapajós, no Pará, a cidade de Fordlândia. O magnata queria plantar 2 milhões de seringueiras para criar um polo de produção de borracha. Seu objetivo era ficar independente dos fornecedores ingleses, que detinham o monopólio do produto. O investimento de dezenas de milhões de dólares seria depois custeado pela borracha, pela madeira e pelos minerais extraídos da região. A cidade, erguida ao estilo americano e com casas de madeira, chegou a ter 25 000 habitantes, 5 000 deles empregados na iniciativa. Havia esgoto, luz elétrica, cinema, campo de golfe e um dos hospitais mais avançados do Brasil. Em 1936, Ford fundou outro povoado, Belterra, também próximo do Tapajós. O projeto fracassou. As árvores foram destruídas por pragas desconhecidas, que não existiam na Malásia nem na Indonésia. Ford investiu quase 300 milhões, em valores atuais, em sua empreitada tropical. Os 31 000 habitantes que vivem em Aveiro, onde ficava Fordlândia e Belterra, hoje se dedicam à agricultura e à pecuária. (Veja, n. 8, 20 fev. 2013, p. 109). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 82 Você deve ter notado que o desenvolvimento exemplifica o que é exposto no tópico frasal. O autor menciona o projeto visionário de Henry Ford nas margens do Rio Tapajós, no Pará, que, apesar de arrojado, fracassou devido às pragas desconhecidas que atacaram os pés de seringueiras. Argumento de autoridade: consiste em apresentar, no desenvolvimento, dados colhidos da realidade, citações de autoridades (principais autores sobre o assunto do qual faremos a exposição), exemplos e ilustrações, argumentos de valor universal (os irrefutáveis) (VIANA, 2000). Utilizando essas estratégias, nossos argumentos se tornam mais fortes, têm mais poder de convencimento. Analise o parágrafo a seguir. A grande maioria dos abusadores são pedófilos – ou, segundo o manual da psiquiatria, portadores de transtorno parafílico – que agem em casa, de forma dissimulada, sem apelar para atos violentos como espancamentos. Esse agressor, muitas vezes, é tímido, solitário e não tem comportamento criminoso. Inepto na relação com pessoas da sua idade, ele deseja a criança de forma patológica, compulsiva, agravada pela sensação de poder do homem adulto diante da criança pequena. Quando sai do plano da fantasia para a realidade, o que nem sempre acontece, tem consciência do caráter nocivo de seus atos, mas é incapaz de se controlar. Suas ações são planejadas, e o agressor se convence de que a criança também deseja o que está acontecendo e, sendo assim, ele não está fazendo nada de errado. “São pessoas com predileção por praticar atos sexuais com crianças, mas podem levar uma vida paralela aparentemente comum”, explica Antônio de Pádua Serafim, coordenador do Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense da Universidade de São Paulo (USP). Contribui para a impunidade reinante, além do silêncio da vítima, a dificuldade de estabelecer um perfil do agressor – os registros mostram que o abuso sexual pode acontecer em qualquer família, independentemente de sua situação econômica. Alerta Rosana Morgado, professora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro: “Dissociar o fenômeno da pobreza é fundamental para desconstruir o mito de que ele não ocorre nos lares mais abastados”. (Veja, n. 22, 30 maio 2012, p. 92-94). No parágrafo ilustrativo, há argumento de autoridade, pois o autor utiliza o manual da psiquiatria para afirmar que “a grande maioria dos abusadores são pedófilos”; expõe a opinião de Antônio de Pádua Serafim, coordenador do Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense da Universidade de São Comunicação e ExpressãoCentro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 83 Paulo (USP), e de Rosana Morgado, professora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro para fortalecer a argumentação, afinal quem opina tem conhecimento sobre o assunto. Dados estatísticos: os dados estatísticos são mais esclarecedores e convincentes do que qualquer outra estratégia de argumento. Salientamos que esse tipo de argumentação requer conhecimento para não se incorrer em erros grosseiros. Observe, no exemplo, o efeito dos dados estatísticos no desenvolvimento do texto. Quantificar um crime sobre o qual paira o segredo é tarefa dificílima. As estatísticas são sempre menores que a realidade, e só muito raramente o silêncio é sacudido por uma constatação de abuso em massa – como, por exemplo, a da comissão holandesa que, em dezembro do ano passado, encerrou uma investigação que concluiu que entre 10.000 e 20.000 crianças sofreram abuso sexual de 800 padres e funcionários ligados à Igreja Católica da Holanda entre 1945 e 1981. Guardadas as devidas reservas, portanto, calcula-se que por volta de 20% das meninas e dos meninos sofram abuso sexual no mundo. No Brasil, quase 65% das crianças agredidas são meninas, a maioria com idade entre 6 e 10 anos. Os números rompem definitivamente o mito de que o agressor é alguém de fora: 97% são conhecidos da família – 38% o próprio pai; 29% o padrasto; e os demais irmão, avô, tio, primo, professor ou amigo da família. A proporção entre sexos pode ser muito diferente, porque abusos de meninos (como o que o novelista Aguinaldo Silva relata) ocupam um canto ainda mais obscuro desse poço de horrores, visto que as evidências inexistem e eles falam menos ainda. Também o submundo das mulheres que abusam é quase inexplorado. (Veja, n. 22, 30 maio 2012, p. 91-92). Você deve ter observado que, em alguns parágrafos, predomina mais de uma forma de ordenação de desenvolvimento. Isso é bastante comum nos bons tempos, em que o autor opta por mais de uma forma para melhor desenvolver o seu texto. E, para finalizarmos o estudo sobre paragrafação, vamos analisar como podemos proceder na elaboração da conclusão. 5.2.3 A elaboração da conclusão A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita, geralmente, por meio de articuladores que indicam a relação que desejamos Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 84 estabelecer, tais como: assim, logo, dessa forma, então, portanto etc. Algumas vezes, no entanto, o nexo não vem explicitado, pois se caracteriza por uma apreciação do autor e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. Para concluir um parágrafo, podemos optar por uma das formas mencionadas a seguir. Retomada do objetivo: na formulação da conclusão, podemos retomar o objetivo expresso na introdução, recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. Em outras palavras, reorganizamos resumidamente os diversos aspectos expostos que fechem o texto. Essas características podem ser observadas no parágrafo a seguir. A dedicação trouxe recompensa porque, quando se pratica muito alguma coisa, ela fica gravada num tipo especial de memória: a memória não declarativa, que faz parte do inconsciente e registra ações e movimentos do corpo. É ela que permite que o violinista consiga tocar bem. Se dependesse apenas do consciente, ele não daria conta de todos os procedimentos envolvidos na tarefa (ler a partitura, equilibrar o instrumento no ombro, posicionar os dedos, mover o arco, respirar e, ainda por cima, tocar de maneira natural e relaxada). E ninguém conseguiria aprender a falar fluentemente um segundo idioma. Em suma: a chave para ensinar uma nova habilidade ao próprio inconsciente é treinar, treinar e treinar. É um processo bem demorado. Mas já existe gente tentando deixá-lo mais rápido. (Superinteressante, n. 315, fev. 2013, p. 43-44). Apresentação de consequências, implicações: apresenta, de modo conciso, consequências, implicações daquilo que foi expresso na introdução e no desenvolvimento. Observe essa forma no parágrafo seguinte. Em 1992, o poder público removeu grande parte das pessoas que viviam nos morros da Providência, Santo Antônio e Gávea-Leblon. No fim dos anos 20, o francês Alfred Agache propôs um projeto urbanístico para o Rio. Nele não havia espaço para as favelas, consideradas um problema “sob o ponto de vista da ordem social, da segurança, da higiene, sem falar de estética”. A impressão se manteve na década seguinte. Em 1937, o Código de Obras da cidade citou as favelas como “aberração urbana” e propôs sua eliminação, proibindo a construção de novos barracos. Mais que isso, o Código proibia melhorias nos morros já ocupados. Portanto, em vez de encarar a questão das favelas, mais uma vez os governantes resolviam Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 85 apenas tentar fazer com que elas desaparecessem. (Aventuras na História, n. 48, ago. 2007, p. 49). Sugestão de uma perspectiva de solução: principalmente se o tema for polêmico, podemos sugerir uma possível solução para o problema exposto no parágrafo. É o que podemos notar no parágrafo a seguir. A fiscalização do governo é falha. Nem todos os tipos de eletrodomésticos passam por certificação do Inmetro, que tem uma lista limitada de produtos que precisam passar por esse processo. Os produtos que ficam de fora da lista não são certificados nem fiscalizados. E mesmo nos aparelhos certificados, muitas das fiscalizações só são feitas após denúncias de irregularidades. Sem esquecer que, quando o Inmetro decide testar se os aparelhos estão seguindo as normas técnicas, ele pede aos fabricantes que mandem amostras de seus produtos para análise. Tal prática permite que os fabricantes escolham os produtos que serão testados, o que pode ocultar ou maquiar resultados. O ideal seria que os testes do governo fossem anônimos e aleatórios, como os realizados pela Pro Teste. (Pro Teste, n. 63, out. 2007, p. 14). Os parágrafos analisados que têm as três partes essenciais à sua redação, ou seja, tópico frasal, desenvolvimento e conclusão, são parágrafos padrões. Registrarmos que existem parágrafos que apresentam apenas tópico frasal e desenvolvimento, desenvolvimento e conclusão ou somente desenvolvimento, isso quando inseridos em um texto. São os chamados parágrafos em aberto. Portanto, neste capítulo, você pôde observar que há várias formas de se construir um parágrafo. Para que você produza textos com qualidade, é necessário que tenha conhecimento sobre o assunto e que pratique bastante o que aprendeu aqui. Atividades Leia o parágrafo a seguir para responder às questões 1 e 2. O Alcorão não é mais violento ou cheio de leis do que outros textos sagrados, como a própria Bíblia. O livro bíblico do Levítico, que trata de leis e foi herdado da Torá dos judeus, é um caso exemplar. Afinal, ele está repleto de normas que, se fossem seguidas ao pé da letra hoje em dia, fariam com que nossa sociedade fosse pouco diferente de um regime opressor como o do Talibã. Além disso, é bom lembrar que a separação entre Igreja e Estado é uma conquista recente no Ocidente, que ainda vem se aprofundando (devido à pressão da Igreja Católica, o Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 86 divórcio,por exemplo, só foi legalizado no Brasil na década de 1970). Portanto a violência sempre associada aos países muçulmanos contidas no Alcorão não são tão diferentes assim de outros textos religiosos (Aventuras na História, n. 48, ago. 2007, p. 30). 1. Em relação ao parágrafo que você leu, faça o que se pede: a) identifique a estrutura (tópico frasal, desenvolvimento e conclusão); b) especifique o assunto, a delimitação e o objetivo fixado pelo autor do texto. 2. Quanto à estrutura do parágrafo e ao tipo de forma utilizada pelo autor para elaborar o tópico, o desenvolvimento e a conclusão, use V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. Depois, assinale a opção correta. I. ( ) O parágrafo é padrão, visto que tem tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. II. ( ) A forma selecionada para construir o tópico frasal foi declaração inicial. III. ( ) O autor desenvolveu o tópico frasal por meio da exemplificação. IV. ( ) Na conclusão, o autor utilizou a retomada do objetivo. a) F, V, V, V b) V, V, V, V c) F, F, V, V d) V, V, F, F 3. Analise as afirmações a seguir considerando a teoria que estudamos a respeito do parágrafo. I. Todo parágrafo tem introdução, desenvolvimento e conclusão. II. A ideia central do parágrafo é enunciada por meio do período denominado tópico frasal. III. O tópico frasal contribui para que o escritor não se afaste do objetivo estabelecido. IV. O desenvolvimento corresponde a uma ampliação do tópico frasal, com apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou esclarecem. V. Na conclusão, podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. São verdadeiras apenas as afirmativas a) I, II e III. b) II, III, IV e V. c) II e III. d) I, II, III e IV. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 87 4. Elabore um parágrafo padrão falando sobre a importância da leitura para o aluno que está iniciando um curso universitário. Lembre-se de que o parágrafo padrão contém tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. Analise de que forma construirá cada um desses elementos. Para que seu parágrafo tenha qualidade, leve em consideração os fatores que contribuem para a qualidade textual. 5. Em relação aos parágrafos a seguir, faça o que se pede: a) identificar a estrutura de cada um (tópico frasal, desenvolvimento e conclusão); b) especificar o assunto, a delimitação e o objetivo fixado; c) tipo de ordenação do desenvolvimento. Ainda ignoramos a influência que terá, a longo prazo, uma longevidade sobre o estado de saúde e o modo de vida dos idosos. Nesse aspecto as opiniões dos autores divergem. Para alguns, as pessoas idosas gozarão de boa saúde até os 85 anos, após o que o funcionamento de seu organismo se deteriorará rapidamente. Nessa perspectiva, a morte resultará do envelhecimento e não de doenças crônicas. Outros, ao contrário, preveem uma lenta deterioração do funcionamento orgânico acompanhado da incapacidade, e, por conseguinte, de um número elevado de doenças crônicas. Portanto, consideram essencial que a Medicina se dedique a melhorar esta última fase da vida. Por último, outros sustentam que graças à extensão da "segunda idade", pode-se prever um prolongamento da vida em melhores condições. Estudos demonstram que, hoje, as pessoas de 75 anos possuem melhor saúde que as da mesma idade há 10 anos. Essa evolução é consequência de medidas preventivas adotadas contra doenças mais frequentes da velhice. (BEREGI, Edith. O Correio, Unesco) O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher é o mais sublime dos ideais. Deus fez o homem um trono; para a mulher, um altar. O trono exalta, o altar santifica. O homem é o cérebro, a mulher, coração. O cérebro produz a luz; o coração, o amor. A luz fecunda, o amor ressuscita. O homem é o gênio; a mulher, o anjo. O gênio é imensurável, o anjo, indefinível. A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher, a virtude extrema. A glória traduz a grandeza, a virtude traduz divindade. O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pela lágrima. A razão convence, a lágrima comove. O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece, o martírio sublima. O homem é um oceano, a mulher, um lago. O oceano tem pérola que o embeleza, o lago tem poesia que o deslumbra... Enfim o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu! (Victor Hugo) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 88 O abismo em termos de desenvolvimento econômico que separa os Estados Unidos do Brasil é mínimo quando o assunto é inclusão social da população negra. Em ambos os países, o racismo ainda é um fator de risco seja no acesso à educação de qualidade, ao trabalho e remuneração e mesmo no atendimento no sistema de saúde. O último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), "A Hora da Igualdade no Trabalho", divulgado no dia 12 de maio, mostra que apesar de avanços em alguns indicadores sociais, no Brasil, a situação de desemprego persiste na população negra: a renda mensal de um trabalhador negro é 50% inferior a do branco. Nos EUA, para cada dólar pago a um branco, um negro recebe o equivalente a 40% desse valor. De acordo com os Indicadores Socioeconômicos do Censo norte-americano sobre a década passada, 10% da população branca vivia na pobreza, contra 29,5% da negra. Os dados são do sociólogo e professor David Willians, do Institute for Social Research da Universidade de Michigan (EUA), anunciados durante palestra realizada na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, nesta semana. O foco de trabalho de Willians é nas causas sociais que implicam diretamente na saúde da população negra nos EUA. Segundo ele, o racismo não está apenas nos setores educacionais e no mercado de trabalho. "O número de mortes em consequência de doenças consideradas mais incidentes na população, como problemas cardíacos, câncer e diabetes é maior entre os negros. Em muitos casos, isso se deve a diferença racial que existe desde o momento do diagnóstico até a qualidade do tratamento oferecido", explica. (Portal Aprendiz - 14.05.03) No ambiente de trabalho, o uso inadequado de celulares está se tornando um problema para várias indústrias. De acordo com o Departamento de Assistência Sindical (DAS) da Fiep, há inclusive sindicatos que já buscam meios de coibir o mau uso desses aparelhos. “Algumas entidades relatam problemas de redução na produtividade. Elas também temem que o seu uso indiscriminado cause acidentes de trabalho como consequência da falta de atenção provocada pelo telefone”, conta Juliana Raschke Dias Bacarin, integrante do DAS. O Brasil conta com uma média de 1,3 celulares por habitante, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Nesse contexto, especialmente os jovens fazem uso constante dos smarthphones: aparelhos que oferecem recursos de computador e acesso à internet. “Estar online é um hábito para esse público. Eles dispõem de aplicativos como Facebook, WhatsApp, Viber, Twitter e trocam mensagens por SMS. Essa é uma nova geração de trabalhadores e as empresas terão que achar um modo de lidar com isso”, observa Luciano Nadolny, psicólogo e consultor de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) do Sesi. Para conter abusos, especialistas sugerem a criação de regras internas e a conscientização constante dos trabalhadores. (Disponível em: <http://www.fiepr.org.br/boletimsindical/sindemcap/News18801content253371.shtml>. Acesso em: 25 fev.2016.) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 89 Todos sabem que, no Brasil, há muito tempo, observa-se um grande número de grupos migratórios, os quais, provenientes do campo, deslocam-se em direção às grandes cidades à procura de melhores condições de vida. Esse êxodo ocorre por inúmeros problemas que dificultam a permanência do homem no campo, como por exemplo, os fatores climáticos, a má distribuição de terras e também a falta de incentivo à atividade agrária por parte do governo. Esses fatores contribuíram para o aumento considerável do fluxo para as cidades industriais, capitais ou grandes centros financeiros. Em consequência, vê-se a chegada de enorme contingente de trabalhadores rurais ao meio urbano. As cidades estão despreparadas para absorver os migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho dignos. Cresce, assim, o número de pessoas que vivem à margem dos benefícios oferecidos por uma metrópole. Por falta de opção, eles instalam-se em zonas periféricas o que ocasiona a proliferação de favelas. Por isso o êxodo rural agrava os problemas do campo e das próprias cidades. (Adaptado do livro Técnicas Básicas de Redação, Ed. Scipione) 6. Analise, com atenção, a construção do parágrafo e elabore uma conclusão. O mercado editorial brasileiro cresceu de 2012 para 2013. Entretanto, o aumento foi de livros didáticos vendidos para o governo, usados em escolas públicas. Se é um indicador que a escola, em tese, cumpre seu papel de estimular a leitura, por outro lado escancara que 56% dos brasileiros nunca compraram um livro. Mais: 85% não compraram nem edições impressas, digitais, cópias e apostilas nos três meses anteriores à pesquisa. Crianças e adolescentes têm acesso por meio de doações. Fora desse cenário, a venda ainda não decolou. (Disponível em: <http://contaumahistoria.com.br/?cat=12>. Acesso em: 25 fev. 2016.) 7. Analise, com atenção, a construção do parágrafo e elabore uma introdução e uma conclusão. As aulas da universidade parisiense começavam às cinco horas da manhã. As primeiras atividades constavam de palestras ordinárias; eram as mais importantes palestras do dia. Após várias palestras regulares, havia pequeno lanche. Depois, os estudantes assistiam a leituras extraordinárias, dadas à tarde pelos professores menos importantes, os quais geralmente tinham de 14 a 15 anos. O estudante gastava 10 ou 12 horas diárias com os professores, assistindo às aulas até à tardinha, quando ocorriam eventos esportivos. Depois dos esportes, o dia escolar prosseguia: existiam, ainda, as tarefas de copiar, recopiar e memorizar notas, até a luz permitir. Havia pouco intervalo no calendário escolar; as férias de Natal eram de aproximadamente três semanas, e as férias de verão, apenas de um mês. (Figueredo) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 90 8. Analise com atenção a charge. Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=charge+sobre+o+zika+virus&rlz>. Acesso em: 14 fev. 2016. A partir da charge de Alpino, elabore um parágrafo em que você apresente argumentos a respeito do tema proposto. Lembre-se de delimitar o assunto e escolher o tipo de parágrafo que seja mais pertinente para a situação. Além disso, recorde que o texto deve ter tópico-frasal (introdução), desenvolvimento, conclusão e título. Referências ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2004. GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. 25. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006. VIANA, A. C. (Coord.) Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 2000. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 91 CAPÍTULO 6: RETEXTUALIZAÇÃO DA FALA PARA A ESCRITA Introdução Neste capítulo, analisaremos as diferenças entre as duas modalidades da língua – fala e escrita – e trataremos da retextualização da fala para a escrita. 6.1 Diferenças entre fala e escrita Já estudamos que a fala e a escrita são as duas modalidades da língua. Aqui veremos algumas diferenças nas condições de produção de um texto oral e de um texto escrito e as distinções entre essas duas modalidades. De acordo com Fávero, Andrade e Aquino (2000), podemos distinguir a modalidade oral e a escrita por meio do que é exposto no quadro 1. Quadro 1 – Condições de produção (em geral)* Fala Escrita Interação Ocorre face a face. Ocorre a distância (espaço- temporal). Planejamento É simultâneo ou quase simultâneo à produção. É anterior à produção. Criação É coletiva: administrada passo a passo. É individual. Revisão Não há possibilidade de apagamento. Há possibilidade de revisão. Consultas Não há condições de consulta a outros textos. A consulta é livre. Reformulação Pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor. É promovida apenas pelo escritor. Reações do interlocutor O acesso é imediato. Não há possibilidade de acesso imediato. Processamento do texto Pode redirecionar o texto, a partir das reações do interlocutor. Pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. Processo de criação Mostra todo processo. Tende a esconder processo de criação, mostrando apenas o resultado. *É preciso ficar atento às modificações constantes de produção textual promovidas pelas ferramentas digitais. Além dessas diferenças, destacamos as que estão expostas no quadro 2. Analise-o com atenção. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 92 Quadro 2 – Distinções específicas entre fala e escrita Fala Escrita Ampla variedade Modalidade única (“língua padrão”) Elementos extralinguísticos Sinais gráficos Prosódia e entonação Sinais gráficos Frases mais curtas Frases mais longas Redundância Concisão Flutuação quanto à temática Rigidez de tema Presença do interlocutor Ausência de interlocutor Aprendizagem “natural” Aprendizagem “artificial” Essas diferenças são meramente ilustrativas, já que tanto o texto oral como o texto escrito têm níveis de formalidade e de informalidade que variam de acordo com o contexto em que foram produzidos (interlocutor, intenção, objetivo etc.). Após analisarmos as diferenças entre as modalidades da língua, veremos como retextualizar um texto da oralidade para a escrita. 6.2 Retextualização Denomina-se retextualização o processo de produção de um novo texto a partir de um ou mais textos-base. Em eventos linguísticos rotineiros, a atividade de retextualização é exercida para atender aos mais diversos propósitos comunicativos: uma secretária que anota informações orais do chefe para redigir uma carta, uma pessoa contando a outra o que leu em jornais e/ou revistas, alunos que fazem anotações em uma aula, entre outros. Embora esse processo aconteça naturalmente, não é mecânico, pois envolve operações complexas que interferem tanto na linguagem e no gênero como no sentido, uma vez que se opera, fundamentalmente, com novos parâmetros de ação interlocutiva, porque é um novo texto que será produzido: trata-se de atribuir novo propósito à interação, além de redimensionar as projeções de imagem dos interlocutores, de seus papéis sociais e comunicativos, dos conhecimentos partilhados, das motivações e das intenções, do espaço e do tempo de produção e recepção.São várias as possibilidades de retextualização: de texto oral para texto oral; de texto oral para texto escrito; de texto escrito para texto escrito; de texto multimodal para Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 93 texto oral; de texto multimodal para texto escrito; de texto não verbal para texto escrito, dentre outras. Ao retextaulizar um texto, precisamos refletir sobre as regularidades linguísticas, textuais e discursivas dos gêneros envolvidos, visto que tal atividade implica realizar um movimento que engloba a organização das informações do texto (em tópicos e subtópicos), o esquema global do gênero a que pertence, seu tipo textual predominante e as sequências de que se compõe (narração, descrição, exposição, argumentação e injunção), passando pelo uso das unidades linguísticas, no trabalho de produção (uso do vocabulário, dos recursos morfossintáticos, dos mecanismos coesivos, entre outros), e pelos aspectos discursivos, que remetem ao evento de interação no qual o texto emerge (por exemplo, a construção do quadro interlocutivo, a delimitação de propósitos comunicativos, do tempo e do espaço da interação). (Disponível em: <http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/retextualizacao>. Acesso em: 16 fev. 2016. Com adaptações.) Aqui veremos como retextualizar um texto da oralidade para a escrita. Marcuschi (2001, p. 47) enfatiza que a passagem da fala para a escrita “não é a passagem do caos para a ordem: é a passagem de uma ordem para outra ordem”. Por isso para sua realização é de extrema importância levar em conta, antes de tudo, a compreensão da fala que se quer retextualizar. Essa atividade de compreensão nunca deve ser ignorada, pois pode acarretar problemas quanto à coerência durante o processo de retextualização. As atividades de transformação que constituem a retextualização são operações que vão além da simples regularização linguística, pois envolvem procedimentos de substituição, reordenação, ampliação/redução e mudanças de estilo, desde que não atinjam as informações como tais. (Disponível em: <http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/6278/5696>. Acesso em: 16 fev. 2016. Com adaptações.) Veja as operações que realizamos ao retextualizar um texto da oralidade para a escrita. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 94 Quadro 3 – Operações para realização do processo de retextualização Fonte: Marcuschi (2004, p. 75) Na sequência, expomos um exemplo de retextualização de uma conversa espontânea. Conversação espontânea 1ª operação Eliminação de marcas estritamente interacionais, hesitações e partes de palavras Por exemplo: “eh... eu vou falar sobre a minha família... sobre os meus pais... o que eu acho deles... como eles me tratam... bem... eu tenho uma família... pequena... ela é composta pelo meu pai... pela minha mãe... pelo meu irmão... eu tenho um irmão pequeno de... dez anos... eh... o meu irmão não influencia em nada... minha mãe é uma pessoa super legal... sabe?” Nesse texto, percebemos hesitações (eh..., de...) e marcas interacionais (sabe?). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 95 2ª operação Introdução da pontuação 3ª operação Retirada de repetições, reduplicações e redundâncias Se forem efetuadas essas operações, o texto acima poderá ficar assim, dependendo da decisão que for tomada: Vou falar de minha família e de como eles me tratam. Minha família é pequena – meu pai, minha mãe e um irmão pequeno de 10 anos que não influencia em nada. Minha mãe é legal. (Disponível em: <http://alb.com.br/arquivo- morto/edicoes_anteriores/anais16/sem10pdf/sm10ss02 _09.pdf>. Acesso em: 8 fev. 2015.) O estudo da retextualização, ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito, deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão, e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação, a qual deve ser clara, direta, coesa, coerente e elegante. Atividades 1. Identifique com O as características que se referem à oralidade e E as que se referem à escrita. a) ( ) É mais abrangente. Mesmo as pessoas não alfabetizadas, mas que conheçam o código, são capazes de se comunicar, fazendo uso dessa modalidade. b) ( ) Há possibilidade de correção e apagamento. c) ( ) É mais prestigiada socialmente. d) ( ) O emissor pode perceber a reação do receptor, pois estão face a face. e) ( ) A presença de pausas é constante, ora vazias, ora preenchidas por expressões como “hã”, “hum”, entre outras. f) ( ) Usa pontuação para representar, de alguma forma, a entonação e o ritmo da modalidade oral. 2. Transponha da oralidade para a escrita o texto a seguir. Acrescente introdução e conclusão ao texto. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 96 Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::... tem ... elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá ... tem muitus crianças ah... pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex- tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu... 3. Leia o segmento. Bom... o... eu tenho impressão que o rádio provocou uma revolução... no país na medida que:: .. ah... principalmente o rádio de pilha, né? quer dizer o rádio de pilha representou a quebra de um isolamento do homem do campo principalmente quer dizer então o homem do campo que nunca teria condição de ouvir:: falar:: de outras coisa... de outros lugar... de outras pessoas, entende? Através do rádio de pilha ele pôde se ligar ao resto do mundo (...). (Fragmento de texto do NURC/SP – D2 255 [diálogos entre dois informantes], 116-117). A partir do texto acima: a) faça um levantamento de características que definem o excerto como texto oral. Assinale tudo o que você descobrir: vocabulário, extensão das frases, concordância, regência, repetição, redundância, gíria, marcas interacionais, hesitações, flutuação... b) transponha o texto oral para a modalidade escrita (retextualização). Atenção! O texto deve ter introdução e conclusão. 4. Transponha da oralidade para a escrita o texto a seguir. Acrescente introdução e conclusão ao texto. "... em hipótese alguma... porque o aborto pra mim:: é crime:: é assassinato né? Nós cristãos em momento algum podemos ser a favor do aborto... ( ) então::... o aborto é uma violação tremenda aos direitos humanos cara/ é:: que todo mundo tem o direito de ver a luz do sol:: entendeu? ::... eu acho que a igreja:: as discussões religiosas deveriam pensar mais com relação aos meios pra evitar a gravidez:: né mesmo? ( ) evitar a gravidez pra mim não é nada grave::... não é pecado...". (texto retirado do artigo A digressãocomo estratégia discursiva na produção de textos orais e escritos, de Maria Lúcia da Cunha. Publicado em ABRALIN – Boletim da Associação Brasileira de Linguística) Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 97 Referências FÁVERO, L. L; ANDRADE, M. L. C. V. O.; AQUINO, Z. G. O. Oralidade e escrita: perspectiva para o ensino de língua materna. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. GLOSSÁRIO CEALE. Retextualização. Disponível em: <http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/retextualizacao>. Acesso em: 16 fev. 2016. MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2004. SANTOS, F. A. dos; CABRERA, L. G.; GÓES, V. L. Retextualização de texto oral. Disponível em: <http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/6278/5696>. Acesso em: 16 fev. 2016. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 98 ANEXOS Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 99 CAPÍTULO 7: PRODUÇÃO TEXTUAL: GÊNERO E TIPOLOGIA Cada vez mais, evidencia-se a necessidade de novos estudos sobre diferentes gêneros textuais que desenvolvam instrumentais teóricos e práticos para demonstrar que, através de textos orais e escritos, criamos representações que refletem, constroem e/ou desafiam nossos conhecimentos e crenças, e cooperam para o estabelecimento de relações sociais identitárias. (José Luiz Meurer) Introdução Marcuschi (2002) acredita que o conhecimento dos gêneros textuais que fazem parte das interações sociais diárias favoreça tanto a leitura como a compreensão de textos. O autor considera que, Tendo em vista que todos os textos se manifestam sempre num ou noutro gênero textual, um maior conhecimento do funcionamento dos gêneros textuais é importante tanto para a produção como para a compreensão. Em certo sentido, é esta ideia básica que se acha no centro dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), quando sugerem que o trabalho com o texto deve ser feito na base dos gêneros, sejam eles orais ou escritos (MARCUSCHI, 2002, p. 32-33). Os gêneros textuais são grandes aliados para várias atividades: leitura crítica, produção textual significativa, desenvolvimento da oralidade, conscientização de que a leitura e a escrita estão presentes em tudo que fazemos etc. Por isso, conheceremos as características do que se chama gênero textual e qual a diferença entre os gêneros e os tipos textuais. 7.1 Gênero textual Vamos começar procurando entender o que é gênero textual. Baltar (2004, p. 46-47) nos ensina que Gêneros textuais são unidades triádicas relativamente estáveis, passíveis de serem divididas para fim de análise em unidade composicional, unidade temática e estilo, disponíveis num inventário de textos, criado historicamente pela prática social, com ocorrência nos mais variados ambientes discursivos, que os usuários de uma língua natural atualizam quando participam de uma atividade de linguagem, de acordo com o efeito de sentido que querem provocar nos seus interlocutores (grifos nossos). O autor define gênero textual como unidade triádica por ser formado de três elementos: unidade composicional: relaciona-se à maneira como o gênero está estruturado. Por exemplo, o bilhete prevê um formato que é diferente de uma carta. As formas precisam levar em conta o autor e os demais participantes da situação de interação; unidade temática: relaciona-se ao tema da interação, ou seja, o tema determina qual gênero será utilizado na interação comunicativa; Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 100 estilo: são as marcas linguísticas que configuram a seleção de recursos léxicos, fraseológicos e gramaticais da língua. O estilo tem ligação com o tema e com a forma composicional. Por que a crônica é um exemplo de gênero textual? Vejamos algumas de suas características que a diferenciam de outros gêneros textuais. Trata de temas do cotidiano. Explora o assunto de forma crítica, cômica e/ou irônica. É escrita em prosa e organizada em parágrafos. É publicada, normalmente, em jornais, livros e revistas, podendo também integrar uma coletânea. Essas características diferenciam a crônica de um conto, de um romance, de uma fábula ou de um apólogo. Marcuschi (2002, p. 29) expõe que os gêneros podem ser caracterizados conforme a atividade sociodiscursiva a que servem. Quando dominamos um gênero, dominamos “uma forma de realizar linguisticamente objetivos específicos em situações sociais e particulares”. Por isso, a importância do estudo de gêneros diversificados, pois ficamos em contato com variadas formas de interação social, nas mais diversas práticas cotidianas de comunicação. Quanto à classificação dos gêneros textuais, podemos dizer que é impossível fazer um inventário fechado e fixo, pois os gêneros surgem conforme a necessidade das práticas sociais. Como exemplo, temos os e-mails. Há quanto tempo esse gênero surgiu? Qual era o gênero que o substituía em muitas situações? Ele surgiu há pouco tempo e derivou de cartas comuns. Por exemplo, as cartas ainda resistem, mas foram substituídas em muitas situações da prática social pelos e-mails. Assim, a classificação dos gêneros, como um inventário fechado, fixo, é impossível. Vejamos alguns exemplos de gêneros: carta, bilhete, receita, bula de remédio, telefonema, sermão, horóscopo, lista de compras, resenha, resumo, cardápio, romance, piada, conferência, artigo de opinião, reportagem, notícia, anúncio publicitário, bate-papo por computador, outdoor, edital de concurso, entrevista etc. Nossa lista seria infinita... Aqui trataremos de dois gêneros: e-mail e fórum de discussão. Mas preste atenção! Muitas vezes, quando surge um novo gênero textual, isso não quer dizer que outro tenha de desaparecer! Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 101 7.1.1 E-mail O e-mail é uma mensagem eletrônica produzida pela pessoa que a transmite e pelo(s) receptor(es) que é(são) o(s) destinatário(s) da mensagem. O envio e a entrega de mensagens são mediados por um ou mais provedores de internet, e seu tráfego é determinado pela rede mundial de computadores. Paiva (2004, s/p) destaca que o e-mail é [...] um gênero eletrônico escrito, com características típicas de memorando, bilhete, carta, conversa face a face e telefônica, cuja representação adquire ora a forma de monólogo ora de diálogo. [Distingue-se] de outros tipos de mensagens devido a características bastante peculiares de seu meio de transmissão, em especial a velocidade e a assincronia na comunicação entre usuários de computadores. Os seguintes aspectos – autor, leitor, comunidade discursiva, tecnologia, contexto, texto, organização retórica, léxico, sinais não verbais (emoticons ou smileys), e normas de interação – ganham características especiais quando se trata desse gênero. Segundo a autora, o e-mail agregou características de outros gêneros textuais: do memorando, “toma de empréstimo semelhanças de forma que é automaticamente gerada pelo software”; do bilhete, pega “a informalidade e a predominância de um ou poucos tópicos”; da carta, usa “fórmulas de aberturas e fechamentos”; daconversa face a face, encontramos “a semelhança com a tomada de turno”; da interação telefônica, temos “a possibilidade de colocar em contato pessoas que se encontram geograficamente distantes”; dos gêneros orais, “herda a rapidez, a objetividade e a possibilidade de se estabelecer um ‘diálogo’” (PAIVA, 2004, s/p). O e-mail é um dos gêneros textuais mais produzidos em todo o mundo, devido à rapidez e à praticidade desse meio eletrônico. Para que as pessoas possam se entender bem dentro desse novo contexto, criou-se a padronização do texto nele desenvolvido: a Netiqueta, que é um conjunto de regras que deve ser considerado no uso da internet. A partir de uma pesquisa, Paiva (2004) sintetiza algumas normas para que a interação por e-mail seja bem sucedida. Vejamos. Evite escrever a mensagem inteira em caixa alta, pois elas indicam que você está gritando ou enfatizando algum termo ou expressão. Especifique o assunto da mensagem no assunto/subject, isso ajuda o destinatário a selecionar as mensagens que quer ler. Seja claro, breve e objetivo, isso significa dizer que deve evitar erros gramaticais e mensagens muito extensas. Não mande e-mails que não foram solicitados: correntes, avisos de vírus, propagandas etc., pois geram trafego inútil na rede e podem irritar o interlocutor. Não adicione telefones pessoais nem endereços nas assinaturas em e-mails. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 102 Evite flames (brigas) nem envie ou responda a material provocativo, como ofender, xingar ou gritar com alguém, ao contrário, seja conservador com o que escreve e liberal com o que recebe. Apague as linhas da mensagem recebida ao responder a um e-mail, deixando somente as partes essenciais da mensagem referenciada. Antes de fazer alguma pergunta ou enviar alguma mensagem para a lista, observe a discussão para não enviar mensagens que nada acrescentam ao tema da lista. Não mande arquivos anexados para uma lista de discussão, ou quando o destinatário não o solicitou. Evite cross-posting, mensagens enviadas para diversas listas, pois a maioria delas não aceita esse tipo de ação. Mande respostas individuais diretamente para o destinatário e não para a lista inteira. Então, ao usar o e-mail para se comunicar, considere essas regras. 7.1.2 Fórum de discussão O fórum de discussão eletrônico é uma reedição do fórum oral utilizado para expor opiniões, debater e discutir problemáticas antes do surgimento da internet (XAVIER; SANTOS, 2005). Paiva e Rodrigues Jr. (2004, p. 171) caracterizam o fórum de discussão como “um espaço virtual que reúne as opiniões de uma comunidade discursiva”, caracterizado especialmente por seu caráter dialógico e interativo, já que várias pessoas discutem um tema. Reis e Souza (2010) expõem que o fórum é um gênero textual on-line e apresenta características próprias, como marcas de discussões assíncronas e linguagem adequada para internet – frases curtas e marcas da oralidade. Também há um moderador que é responsável pelas mensagens postadas, publicando-as ou não, conforme relevância e adequação com a discussão. Os autores destacam que o fórum é marcado pela discussão assíncrona. Mas o que é uma discussão assíncrona? Vieira e Anjos (2009, s/p) salientam que, “Nesse tipo de discussão, os interlocutores não precisam estar “presentes”, ou melhor, conectados ao mesmo tempo. As mensagens ficam armazenadas e podem ser lidas a qualquer momento”. No caso dos fóruns educacionais, os interlocutores são professores, tutores e alunos, e os Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 103 temas são pré-definidos em função dos programas de ensino, das disciplinas e dos planos de curso. Além das características já expostas, segundo Vieira e Anjos (2009), o fórum eletrônico pode ser caracterizado: pelo espaço de debate de temas ou questões polêmicas: exposição de opiniões, com apresentação de argumentos e contra-argumentos; pela dinâmica variável: pode ser público ou fechado; mediado ou não; pode referir - se a temas específicos ou ser livre para que os usuários definam os temas; por ser organizado por mensagens ou tópicos, que podem ser comentados ou respondidos, e por esses comentários ou respostas também poderem ser comentados ou respondidos. Vieira e Anjos (2009, s/d) nos dão algumas dicas para usarmos adequadamente o fórum de discussão. Vejamos. Como as mensagens são públicas, não usar termos chulos, palavrões ou expressões rudes, evitar abreviações e expressões usadas em mensagens instantâneas. Participar frequentemente para interagir com os demais participantes, “pois, embora o fórum seja uma ferramenta assíncrona, se o tempo decorrido entre a mensagem original e a resposta for muito grande, a resposta pode não ser mais importante ou os demais participantes podem não ter mais interesse nela”. Não é conveniente responder a uma mensagem criando uma nova mensagem, mas comentando-a diretamente no tópico já criado. Seguir as regras de Netiqueta (não escrever com letras maiúsculas e nem usar o negrito). Ler as várias mensagens dos membros do fórum para saber como eles interagem e do que o fórum trata. Portanto, ao participar dos fóruns no Conecta, considere essas dicas. 7.2 Tipologia textual Para Marcuschi (2002), usamos a expressão tipo textual para textos em que examinamos sua natureza linguística, ou seja, o léxico, a sintaxe, os tempos verbais, as relações lógicas etc. Os tipos textuais mais utilizados, conforme Werlich (apud MARCUSCHI, 2002), são as bases temáticas descritiva, narrativa, expositiva, argumentativa e injuntiva, assunto que examinaremos na sequência. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 104 7.2.1 Descrição Utilizamos essa tipologia para caracterizar algo ou alguém. Isso é possível por meio do uso dos cinco sentidos (olfato, tato, audição, paladar e visão) e de sensações psicológicas. Primeiramente, quando descrevemos, devemos fazer um levantamento sensorial (BARBOSA, 2002). Os sentidos são explorados em sua totalidade, pois assim conseguimos transmitir para o interlocutor o máximo de informações para que ele possa “criar” o objeto em questão. Podemos fazer descrição objetiva (sem interferência de julgamento), ou subjetiva (como eu penso que é, minha opinião sobre o objeto). Também temos a descrição física (o que eu vejo) e a psicológica (julgamento de valor sobre o outro). Um fator interessante na descrição é a determinação do ponto de vista: de onde você está analisando o objeto? Qual seu lugar na observação? Por exemplo: você está ao lado do objeto? De frente para ele? Isso é importante para que o interlocutor tenha mais informações na reconstrução da coisa em análise. Leia o texto que exemplifica essa tipologia. Da janela de seu quarto podia ver o mar. Estava calmo e, por isso, parecia até mais azul. A maresia inundava seu cantinho de descanso e arrepiava seu corpo... estava muito frio, ela sentia, mas não queria fechar a entrada daquela sensação boa. Ao norte, a ilha a que mais gostava de ir, era só um pedacinho de terra iluminado pelos últimos raios solares do final daquela tarde; estava longe... longe! Não sabia como agradecer a Deus, morava em um paraíso! (Descrição – Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/redacao/descricao.htm>. Acesso em: 11 dez. 2013)Observamos que essa é uma descrição em que prevalece a subjetividade. O autor descreveu os sentimentos que a paisagem causava nele, e não seu aspecto físico. Na descrição, são bastante comuns os verbos de estado, como ser, estar, ficar, parecer (“Estava calmo e, por isso, parecia até mais azul.”, “estava muito frio”). A descrição é utilizada normalmente como base para outras tipologias, como a narração e a exposição. 7.2.2 Narração Podemos considerar a narração como relato de fatos ocorridos. Abreu (2004) considera que a base da tipologia narrativa dramática está nos plots (unidade dramática que se compõe de uma situação, uma complicação e uma solução). Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 105 Além da formulação dos plots, devemos atentar para a fórmula de Oswald de Andrade (apud BARBOSA, 2002), em relação a notícias. Com essa fórmula, é mais fácil identificarmos a estrutura da narração e seus componentes. Mas quem narra um fato? Conforme a intenção do autor, ele escolherá um tipo de narrador, que pode ser narrador-personagem (primeira pessoa), narrador-observador (terceira pessoa) ou narrador-onisciente (terceira pessoa). Quando temos um narrador- personagem, quem narra está inserido na história, podendo ser um personagem principal ou secundário. O narrador-observador não interfere nos fatos narrados, pois só expõe o que vê .Já o narrador-onisciente, apesar de não ser um personagem, é um “sabedor de tudo” (BARBOSA, 2002, p. 71), ou seja, sabe até mesmo o que os personagens pensam. Analisemos o exemplo. A ação de vândalos na madrugada deste sábado, 30, provocou transtorno a moradores de algumas quadras da região Sul de Palmas. Eles retiraram o lixo que estava nas lixeiras das residências e jogaram pelas ruas das quadras. O fato foi registrado nas quadras 704 Sul, 804 Sul, 904 Sul e 1004 Sul. A empresa responsável pela limpeza urbana de Palmas destinou uma equipe para fazer toda a limpeza no local (adaptado – Conexão Tocantins. Disponível em: <http://conexaoto.com.br/2013/11/30/acao-de-vandalos-causa-transtornos-a-moradores-da-regiao- sul>. Acesso em: 11 dez. 2013). Nesse texto, há um narrador-observador (“A ação de vândalos na madrugada deste sábado, 30, provocou transtorno [...]”) que faz um relato de fatos ocorridos. Os três Q (que, quem, quando) foram respondidos: que – lixos serem jogados nas ruas; quem – vândalos; quando – sábado, dia 30. Os outros itens também: como – retiraram o lixo que estava nas lixeiras das residências e jogaram pelas ruas das quadras; onde – em quadras da região Sul de Palmas; por que – vandalismo. Há enunciados indicativos de ação, por exemplo, em “Eles retiraram o lixo [...] e jogaram pelas ruas das quadras” e “A empresa responsável pela limpeza urbana de 3 Q = que, quem, quando Como, onde e por que Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 106 Palmas destinou uma equipe para fazer toda a limpeza no local” e os verbos estão no pretérito, características de textos narrativos. 7.2.3 Exposição O tipo expositivo caracteriza-se por explanar ou explicar um assunto, um tema, uma coisa, uma situação ou um acontecimento, que pretendemos desenvolver ou apresentar. O objetivo dessa tipologia textual é informar, definir, explicar, aclarar algo sem expor opiniões particulares. Apesar dessa característica, é quase impossível não deixar transparecer pontos de vista em textos que produzimos, pois a linguagem é argumentativa. Dizemos, então, que nesse tipo há uma incidência reduzida da individualidade. Veja o exemplo. O significado da palavra chat vem do inglês e quer dizer “conversa”. Essa conversa acontece em tempo real, e, para isso, é necessário que duas ou mais pessoas estejam conectadas ao mesmo tempo, o que chamamos de comunicação síncrona. São muitos os sites que oferecem a opção de bate-papo na internet, basta escolher a sala que deseja “entrar”, salas são divididas por assuntos, como educação, cinema, esporte, música, sexo, entre outros. Para entrar, é necessário escolher um nick, uma espécie de apelido que identificará o participante durante a conversa. Algumas salas restringem a idade, mas não existe nenhum controle para verificar se a idade informada é realmente a idade de quem está acessando, facilitando que crianças e adolescentes acessem salas com conteúdos inadequados para sua faixa etária. (AMARAL, S. F. Internet: novos valores e novos comportamentos. In: SILVA, E. T. (Coord.). A leitura nos oceanos da internet. São Paulo: Cortez, 2003.). Esse texto explana sobre o chat (que é outro gênero textual que surgiu com a internet), sem opinar sobre o tema abordado, ou seja, autor expõe o que é chat e como funciona. O texto expositivo pode ser utilizado como introdução de um texto argumentativo, como base para futuras discussões. 7.2.4 Argumentação Em textos argumentativos, estão presentes tema, problema, hipótese, tese e argumentação. Para temas abrangentes, deve haver uma delimitação, ou seja, eleger um problema para se discorrer. Após essa etapa, levantam-se as hipóteses, as possíveis respostas ao problema inicial. Quando a melhor é eleita, tem-se a tese a ser defendida, na base da qual se constrói a argumentação. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 107 Abreu (2004, p. 49) nos ensina que “a construção prévia de um esquema, levando em conta as partes da macroestrutura da argumentação e a execução desse esquema, levará a um grau de coerência textual bastante grande”. Veja um exemplo de texto argumentativo. Um jornal carioca, de grande circulação nacional, destaca em sua edição de hoje a seguinte manchete: “Despreparado, Rio fica refém das chuvas e terá ajuda para conter saques e arrastões”. A preocupação no Rio de Janeiro hoje, onde os índices de criminalidade aumentaram em todos os níveis, encontra na questão da segurança o grande problema do momento, a ponto da grande imprensa destacar a necessidade de mais ações contra a violência, ao invés de abordar o despreparo dos administradores da cidade por transformar o Rio num grande buraco de obras. O articulista do jornal Folha de São Paulo, Bernardo Mello Franco, na edição de hoje (12), destaca em seu artigo que “Eduardo Paes, o prefeito da vez, tem repetido a prática de antecessores: gasta muito com obras de maquiagem e investe pouco no combate às enchentes. No ano passado, prometeu acabar com as cheias na Tijuca e na Praça da Bandeira, outro problema ancestral do Rio. O sistema de reservatórios deveria estar pronto, mas já atrasou duas vezes. Agora, a promessa da prefeitura é acabar com as inundações em 2014. Alguém acredita?” (Jornal do Brasil, disponível em: <http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2013/12/12/opiniao-arrastoes-e-saques/>. Acesso em: 12 dez. 2013). No exemplo dado, percebemos que há um tema (Rio de Janeiro), uma delimitação ou problema (as chuvas, os saques e os arrastões), a hipótese que se transformou em tese (administradores não resolvem problemas da violência que cresce na cidade e não terminam obras) e a construção da argumentação na defesa da ideia apresentada (necessidade de mais ações contra a violência, ao invés de abordarem o despreparo dos administradores da cidade por transformar o Rio em um grande buraco de obras). Com esse esquema, alcançamos a coerência textual e somos bem sucedidos na defesa de nossas ideias. 4.2.5Injunção A característica que distingue o tipo injunção dos outros é seu “caráter normativo, impositivo de mandar ou pedir” (ABREU, 2004, p. 54, grifo nosso). Há muitos gêneros textuais que trazem em si essa tipologia, como oração, normas, leis e manuais. Ve ja o exemplo. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 108 Ingredientes 125 gr de manteiga 4 unidades de ovo 2 xícaras (chá) de açúcar 1 xícara (chá) de leite 2 xícaras (chá) de farinha de trigo 1 colher (sopa) de fermento químico em pó Modo de fazer Bata as claras em neve bem firme e reserve na geladeira. Bata as gemas com o açúcar e a manteiga até ficar bem branquinho. Adicione o leite aos poucos, alternando com a farinha. Continue batendo. Quando estiver bem misturado, pare de bater e misture a clara em neve e o fermento bem devagar. Coloque a massa em uma forma untada com manteiga e polvilhada com farinha de trigo. Asse em forno médio, pré-aquecido. (CyberCook. Disponível em: <http://cybercook.terra.com.br/bolo-simples-r-12-1640.html>. Acesso em: 12 dez. 2013). Nesse texto, há verbo no imperat ivo (“bata”) e determinações como “continue batendo”, característica da tipologia injuntiva. Essa estrutura evidencia o tom normativo, impositivo do texto. 7.3 Tipologia X gênero Agora que temos a definição de gênero textual e de tipo textual, faremos a comparação entre eles, conforme Marcuschi (2002). Quadro – Comparação entre os tipos e os gêneros textuais Tipos textuais Gêneros textuais 1 Construções teóricas definidas por propriedades linguísticas próprias. Realizações linguísticas concretas definidas pela situação sociocomunicativa. 2 Sequências linguísticas ou de enunciados no interior de gêneros. Textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas. 3 Nomeação limitada determinada por aspectos: lexicais, sintáticos, relações lógicas, tempo verbal. Nomeação ilimitada determinada pelo: canal, estilo, conteúdo, composição e função. 4 Designações: descrição, narração, exposição, argumentação, injunção. Exemplos de gêneros: carta, bilhete, receita, bula de remédio, telefonema, sermão, horóscopo, lista de compras, resenha, resumo, cardápio, romance, piada, conferência, bate-papo por computador, outdoor, edital de concurso, entrevista, reunião de condomínio, instruções de uso etc. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 109 Um gênero pode conter vários tipos textuais. Uma carta pessoal seria um gênero com a função social de mandar informações de uma pessoa distante para outra, por exemplo. Esse gênero poderá ter em seu conteúdo vários tipos textuais, como descrição de uma cena, narração de um fato, argumentação de um ponto de vista etc. A isso chamamos de heterogeneidade tipológica, ou seja, a presença de vários tipos textuais em um só gênero. Atente para o fato de que, para identificar o gênero, é necessário ter em mente, principalmente, seu propósito, pois assim terá menos chance de cometer equívocos na classificação. Para identificar o tipo textual, deve ver se nas sequências predomina a narração, a descrição, a informação, a exposição de ideias ou a injunção. Portanto, os gêneros textuais são instrumentos que devem ser utilizados na formação do cidadão de forma abrangente, pois é por meio deles que podemos fazer com que o indivíduo tenha contato com vários textos orais e escritos que fazem parte de seu dia a dia e, assim, inserirem-se na sociedade letrada. Tipologia textual diz respeito ao léxico, à sintaxe, aos tempos verbais, às relações lógicas etc. É classificada em: descrição, narração, exposição, argumentação e injunção. Normalmente, utilizamos o tipo descrição quando queremos que o interlocutor consiga visualizar a coisa descrita por meio dos sentidos, podendo ser objetiva/subjetiva, física/psicológica. O tipo narração é usado para narrar um fato ocorrido e é utilizado em vários gêneros textuais, como novelas, romances, reportagens jornalísticas etc. A exposição é adequada para definições em que não há a opinião do autor. Já a argumentação é utilizada em muitas ocasiões cotidianas, tanto na oralidade quanto na escrita. Com esse tipo textual, expomos e defendemos pontos de vista por meio de argumentos. Finalmente, a injunção serve para darmos ordens e fazermos pedidos. Não se esqueça de que, na maioria dos gêneros textuais, há presença de variados tipos textuais, sobressaindo-se um ou outro. A distinção entre tipo textual (classificação limitada e definida por aspectos linguísticos) e gênero textual (classificação ilimitada e feita por meio da função na prática social) deve estar clara para compreender textos e escolher o melhor tipo de composição para a produção textual, conforme os objetivos estabelecidos . Referências ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2004. BALTAR, M. A. Competência discursiva e gêneros textuais: uma experiência com o jornal de sala de aula. Caxias do Sul: EDUCS, 2004. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 110 BARBOSA, S. A. M. Redação: escrever é desvendar o mundo. 15. ed. Campinas: Papirus, 2002. MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.). Gêneros textuais e ensino. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. PAIVA, V. L. M. E-mail: um novo gênero textual. In: MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. (Org.). Hipertextos e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. p. 68-90. Disponível em: <http://www.veramenezes.com/emailgenero.htm>. Acesso em: 25 mar. 2013. PAIVA, V. L. M.; RODRIGUES JR., A. S. Fóruns on-line: intertextualidade e footing na construção do conhecimento. In: MACHADO, I. L.; MELLO, R. (Org.). Gêneros: reflexões em análise do discurso. Belo Horizonte: UFMG, 2004. p. 171-189. REIS, I. M.; SOUZA, L. S. V. de. Fórum como gênero discursivo na era digital: caracterização e problematização. In: I CIPLOM, Foz do Iguaçu, 19-22 out. 2010. Artigo. p. 1-10. Disponível em: <http://www.apeesp.com.br/web/ciplom/Arquivos/artigos/pdf/isabel - reis-ludmila-souza.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2013. VIEIRA, A.; ANJOS, R. dos. Fórum: que gênero é esse? 2009. Disponível em: <http://escrevendo.cenpec.org.br/?option=com_content&view=article&id=164&catid=57&Ite mid=161>. Acesso em: 25 mar. 2013. XAVIER, A. C.; SANTOS, C. F. E-forum na internet: um gênero digital. In: ARAÚJO, J. C.; BIASI-RODRIGUES, B. (Org.). Interação na internet: novas formas de usar a linguagem. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. p. 30-38. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 111 ATIVIDADES Leia o texto “Igualdade só no governo”, escrito por José Barella, retirado da revista Veja, de 2004, para responder às questões de 1 a 5. IGUALDADE SÓ NO GOVERNO José Eduardo Barella A Suécia é um primor no que diz respeito à igualdade entre os sexos no trabalho e na vida pública. No Parlamento, 45% das cadeiras são ocupadas por mulheres, o maior índice internacional de participação feminina e quase o triplo da média europeia. Por consenso entre os partidos políticos, elas também estão no comando de metade dos ministérios. Um terço dos cargos de confiança no governo é reservado para as mulheres. Em nenhum outro lugar da Europa é maior apresença feminina no mercado de trabalho e tão alta a média salarial, comparada com a masculina, como na Suécia. Dentro de casa, infelizmente, a história é outra. A violência contra a mulher – incluindo aí espancamento doméstico, relações sexuais forçadas e constrangimento psicológico – é também uma das maiores da Europa. Nos últimos quinze anos, o número oficial de casos de violência contra mulheres na Suécia aumentou 40%. Em 2003, de acordo com um relatório da Anistia Internacional, 50% das agressões que chegaram ao conhecimento da polícia se referiam a surras aplicadas por marido, namorado e toda sorte de ex. Quatro em cada dez suecas, em algum momento da vida, já foram agredidas por homens. É o dobro da média europeia e um índice encontrado com maior facilidade em países menos desenvolvidos, como o Brasil. Na Europa, só em Portugal as mulheres são mais espancadas que as suecas. De acordo com estatísticas, metade das portuguesas já foi surrada pelo menos uma vez na vida. Na Holanda essa proporção é de 20% e na Espanha, de 11%. Na Inglaterra, onde a orientação policial é tratar com rigor os suspeitos de espancamento doméstico, o índice de violência no lar caiu 50% desde o início dos anos 90. Como explicar o paradoxo de que o país europeu que melhor protege a mulher do ponto de vista legal seja também aquele que a trata pior dentro de casa? "Na verdade, por contraditório que possa parecer, uma coisa está relacionada a outra", explica Margareta Winberg, embaixadora da Suécia no Brasil e ex-ministra de Assuntos para a Igualdade de Gêneros. "Os suecos batem nas mulheres para deixar claro que Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 112 ainda são capazes de subjugá-las, apesar de ter perdido o poder sobre elas fora de casa." Talvez isso decorra do fato de a igualdade de direitos no trabalho ter sido imposta de cima para baixo, por meio de leis apresentadas no Parlamento. A legislação aprovada treze anos atrás estabelece punição severa para a companhia que deixar de contratar alguém só por ser mulher. As planilhas das empresas privadas são checadas pelo governo para ver se não há disparidade de salários entre homens e mulheres. "Nada disso garante às mulheres coragem para denunciar as agressões que sofrem dentro de casa", disse a VEJA Gerd Johnsson, diretora do projeto de combate à violência contra a mulher do governo da Suécia. "Algumas suportam caladas para preservar a imagem de pessoa forte e independente que construíram na sociedade.” (Veja, ed. 1902, 27 abr. 2005, p. 70). 1. Em relação às informações do texto, podemos afirmar que a) na Suécia existe igualdade entre sexo tanto no trabalho quanto em casa. b) quase metade das cadeiras do Parlamento sueco é ocupada por mulheres. c) o maior índice internacional de participação feminina em cargos públicos é quase o triplo da média sueca. d) as mulheres suecas estão em um terço dos cargos dos ministérios, um índice considerado baixo em relação ao restante da Europa. e) a média salarial é bem mais alta em outros lugares da Europa do que na Suécia. 2. Em relação à violência doméstica na Europa, não podemos afirmar que a) a mulher sueca, dentro de casa, tem uma vida muito diferente das mulheres europeias, visto que recebe toda a ajuda de seu marido. b) a violência contra a mulher sueca, nos últimos quinze anos, diminuiu 40%. c) apesar de no trabalho ter se igualado ao homem, infelizmente, entre 10 mulheres suecas, quatro, em algum momento da vida, já foram agredidas por homens. d) as mulheres suecas sofrem mais com a violência doméstica do que as portuguesas. e) tanto em Portugal, quanto na Holanda e na Espanha, 50% das mulheres sofrem com a violência dentro de casa. 3. Considerando o questionamento de “Como explicar o paradoxo de que o país europeu que melhor protege a mulher do ponto de vista legal seja também aquele que a trata pior dentro de casa?”, assinale a alternativa incorreta. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 113 a) Margareta Winberg, embaixadora da Suécia no Brasil, diz que os homens suecos são violentos com suas mulheres para mostrar que tem domínio sobre elas. b) Uma das possíveis razões para a violência sofrida pela mulher sueca é devido à imposição da lei em relação à igualdade de direitos no trabalho. c) A lei em relação à igualdade de direitos entre homem e mulher no trabalho é seguida rigorosamente na Suécia. d) O rigor das leis suecas garante às mulheres coragem para denunciar as agressões que sofrem de seus parceiros. e) Algumas mulheres suecas não denunciam a violência que sofrem dentro de casa para preservar a imagem de pessoa forte e independente que construíram na sociedade. 4. Observe o trecho a seguir. “Como explicar o paradoxo de que o país europeu que melhor protege a mulher do ponto de vista legal seja também aquele que a trata pior dentro de casa?” O que significa o termo “paradoxo” nesse contexto? a) Uma situação contraditória. b) Uma situação metafórica. c) Uma situação muito complexa. d) Uma situação indesejável. e) Uma situação insuportável. 5. No texto “Igualdade só no governo”, predomina a a) narração. b) descrição. c) argumentação. d) narração e descrição. e) exposição. Leia o texto para responder às questões de 6 a 8. Por que o texto técnico é tão chato? O texto técnico geralmente é mais chato que um texto jornalístico ou que um livro de divulgação científica. Existem algumas boas razões para que isto ocorra. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 114 Em primeiro lugar, é muito difícil escrever fácil, de forma simples, sem perder a precisão. Assim, muitos cientistas, que são especialistas em fazer pesquisas, têm uma grande dificuldade de escrever seus relatórios numa linguagem acessível. Muitos pesquisadores achavam as aulas (e as regras) de português desnecessárias. Afinal, "qual a necessidade de um contador saber escrever? Ele precisa saber fazer os lançamentos contábeis, nada mais que isto". Uma segunda explicação possível para a nossa questão é que as pessoas que escrevem textos técnicos acham que seus artigos devem ser "chatos". Muitas vezes as pessoas não querem que outros estudem com profundidade suas pesquisas ou relatórios, mas querem que os mesmo sejam elogiados. Uma forma de fazer isto é tornar o texto hermético, ou seja, difícil de ser compreendido. As pessoas associam textos complicados com textos de boa qualidade, o que nem sempre é verdade (veja o exemplo da postagem de hoje sobre o comunicado da CVM). Em certos casos, uma forma de aprovar um texto sem muita dor de cabeça para o autor é torná-lo inacessível. Se eu uso um monte de fórmulas quantitativas no meu texto, as chances do mesmo ser aceito num periódico aumenta, mas provavelmente a possibilidade de difusão das suas conclusões é menor. Mas acredito que exista outra explicação: o texto científico deve ser preciso. E fazer um texto preciso exige muitas vezes repetição de palavras. Veja o seguinte exemplo, muito comum nas dissertações, artigos e outros textos científicos: "as empresas americanas foram usadas como amostra na pesquisa". Que empresas são essas? No meu dicionário, América significa uma porção de terra que vai da Patagônia até o Alasca. Mas parece que algumas pessoas acham que a América é sinônimo de "Estados Unidos". Para resolver este problema, outraspessoas escrevem: "as empresas norte-americanas foram usadas como amostra na pesquisa". Ou seja, a pesquisa contou com empresas do Canadá, Estados Unidos e México. Mas não é isto que era para ser dito. A solução seria escrever: "as empresas dos Estados Unidos foram usadas como amostra na pesquisa" ou "as empresas estadunidenses foram usadas como amostra na pesquisa". Agora chegamos à precisão necessária. Mas para isto, o texto ficou mais chato, com certeza, pois "estadunidenses" é muito mais esnobe e complicado que "americanas". Finalmente, a linguagem científica, como qualquer outro tipo de comunicação, está carregada de abreviações, atalhos e termos técnicos que afastam o leitor comum. Falamos em "ceteribus paribus" e o entendimento é imediato para quem é da área. Comunicação e Expressão Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 115 Escrever sobre impairment é natural para quem conhece, mas é "grego" para quem possui pouco conhecimento contábil. Para entendermos certos textos é necessário um mínimo de conhecimento do linguajar usado (Disponível em: http://www.contabilidade- financeira.com/2011/01/por-que-o-texto-tecnico-e-tao-chato.html>. Acesso em: 12 ago. 2015). 6. Qual é a tipologia textual predominante no texto? Comente como o autor estruturou seu texto. 7. Releia os parágrafos e identifique os tópicos frasais. 8. A partir do que estudamos sobre a técnica de sublinhar, localize as informações principais do texto e grife-as, esquematize e elabore uma paráfrase.