Pastagens Consorciadas
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Pastagens Consorciadas


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FACULDADES ASSOCIADAS DE UBERABA - FAZU 
Mantenedora : Fundação Educacional para o Desenvolvimento das Ciências Agrárias - FUNDAGRI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDMUNDO BENEDETTI 
 
 
 
 
 
 
 
Módulo VI 
 
Pastagens Consorciadas 
 
 
 
 
 
 
 
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Benedetti, Edmundo 
B398p Pastagens consorciadas / Edmundo Benedetti -- Uberaba 
 : FAZU, 2004. 
 100 p. -- (Curso de Pós-graduação \u201clato sensu\u201d em 
 Manejo da Pastagem, Módulo 6). 
 
 
 
 
 
 1. Pastagem. I. Título 
 
 CDD 633.2 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
O uso de leguminosas nas pastagens brasileiras, embora há mais de 50 anos se conhecem 
os seus benefícios, ainda pouco se tem feito no sentido de adotá-las rotineiramente nos sistemas 
de produção da pecuária. Esta, por sua vez, é uma das atividades do setor agropecuário mais 
importante nos trópicos e subtrópicos e, também, uma das principais fontes de proteína animal 
para os habitantes dessas regiões. 
Durante a década de 70, a pecuária respondeu por 7 a 17% da proteína na dieta dos 
habitantes da Ásia e África, 30% na América Latina e mais de 30% nos países desenvolvidos. As 
forrageiras, incluindo todo o material vegetal, exceto os grãos e concentrados, foram 
responsáveis por mais de 90% dos alimentos consumidos pelos ruminantes (VALENTIM, 1985). 
As pastagens cultivadas e nativas constituem a principal fonte alimentar dos rebanhos. 
Somente no ambiente Cerrado existem 49,4 milhões de hectares de pastagens cultivadas (SANO 
et al., 1999), que abrigam cerca de 40 milhões de cabeças de bovinos. 
A produção, por animal e por hectare, pode ser comprometida pela baixa qualidade e 
produção estacional, especialmente quando em cultivo de gramíneas puras e sem a correção da 
fertilidade do solo. Essa constatação pode ser comprovada pela perda da capacidade produtiva 
das pastagens na região dos Cerrados, constituindo-se no principal problema social, econômico e 
ambiental da região. 
Os pesquisadores e produtores enfrentam o desafio de conciliar a necessidade contínua de 
aumentar a produtividade e a qualidade da forragem produzida, reduzindo custos, e, ao mesmo 
tempo, manter a qualidade do meio ambiente. 
 
 
 
 
Prof. Edmundo Benedetti 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
APRESENTAÇÃO....................................................................................................................................... 1 
SUMÁRIO .................................................................................................................................................... 2 
CAPITULO 1 - IMPORTÂNCIA DA CONSORCIAÇÃO NO SETOR AGROPECUÁRIO............... 3 
CAPÍTULO 2 - IMPORTÂNCIA DAS LEGUMINOSAS NAS PASTAGENS ..................................... 6 
CAPÍTULO 3 - IMPLANTAÇÃO E CONDUÇÃO DE SISTEMAS CONSORCIADOS..................... 12 
3.1 - Transferência do nitrogênio (N) para as gramíneas em consórcio.............................12 
3.2 - Implantação e/ou plantio das leguminosas por meio de sementes.............................21 
CAPÍTULO 4 - UTILIZAÇÃO E MANEJO DAS PASTAGENS CONSORCIADAS.......................... 29 
4.1 - Aspectos da fertilidade do solo e a implantação da leguminosa...............................29 
4.2 \u2013 Manejo de pastagens consorciadas ..........................................................................36 
CAPÍTULO 5 - ALTERNATIVAS NO USO DAS LEGUMINOSAS..................................................... 54 
5.1 - Uso de bancos de proteínas e ou leguminosas arbóreas/arbustivas ...........................54 
5.2 - Rotação agricultura: pasto ......................................................................................60 
BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................................................... 75 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPITULO 1 - IMPORTÂNCIA DA CONSORCIAÇÃO NO SETOR 
AGROPECUÁRIO 
 
 
 Neste capítulo, você vai encontrar assuntos que evidenciam a importância do consórcio das 
pastagens com leguminosas, no sentido geral, e seu destaque na condução de sistemas de 
produção nas quais existem dificuldades de insumos e outras alternativas. Abordará também, a 
atual situação da pecuária bovídea nacional, ressaltando as potencialidades das leguminosas no 
enriquecimento da qualidade nutricional das pastagens. 
 
O atual momento vivido pela pecuária brasileira pode ser considerado como paradoxal, em 
especial na região do Cerrado. A abertura dos mercados de exportação, pela declaração de zonas 
livres de aftosa, o aumento do consumo interno e a melhoria da qualidade do produto carne se 
contrapõem à realidade de um sistema de produção fortemente desestruturado. Pastagens com 
baixa capacidade produtiva, exauridas pelos anos de exploração, descapitalização do setor e 
linhas de crédito limitadas evidenciam a dificuldade de resposta do setor a esse novo cenário. 
As forrageiras podem dar uma importante contribuição para a produção mundial de 
alimentos no futuro, por meio da manutenção e aumento da sua participação na dieta dos 
ruminantes que produzem carne e leite a preços acessíveis. As forrageiras podem aumentar a 
disponibilidade de alimentos produzidos pelas plantas para a humanidade, das seguintes formas: 
a) por meio da substituição dos grãos que atualmente são utilizados como alimento pelos animais 
herbívoros; b) permitindo que plantas produtoras de alimentos sejam cultivadas em áreas 
atualmente ocupadas com pastagens; c) melhorando a fertilidade das terras agricultáveis; d) 
economizando no uso de combustíveis e fertilizantes nitrogenados. 
Uma das alternativas apresentadas para resolver o problema constitui-se na introdução de 
leguminosas forrageiras na pastagem. A adaptação de algumas espécies nativas da flora do 
Cerrado, com alta qualidade nutritiva ao longo do ano, em comparação com as gramíneas, e a 
possibilidade de incremento de nitrogênio no sistema solo-planta-animal, correspondem um forte 
apelo para a implantação de pastagens com essas espécies. 
Os programas de introdução, avaliação e seleção de leguminosas forrageiras, 
desenvolvidos pelas instituições nacionais e internacionais, representam um grande esforço, que 
resultou num estoque de conhecimento e material genérico para validação nos diferentes 
sistemas de produção. 
 6 
A adoção de leguminosas em consórcio de pastagens tem sido muito limitada no país. A 
pequena oferta de cultivares, os insucessos ocorridos no passado e a falta de persistência 
configuram um forte entrave à adoção pelos produtores. Sem dúvida, o manejo de consorciações 
é mais complexo que pastagens puras, pois inclui os efeitos de competição entre espécies da 
comunidade, a seletividade animal sobre os componentes, além do desconhecimento, por parte 
dos produtores e por muitos técnicos, do manejo dessas pastagens. 
Estima-se que a consorciação já alcança 120 mil hectares de pastagens apenas com a 
utilização da leguminosa multilinha da Embrapa \u2013 Gado de Corte (Stylosanthes sp. cv. Campo 
Grande), considerada a mais promissora entre as avaliadas pela pesquisa. Entretanto, em relação 
à área ocupada pela pecuária \u2013 200 milhões de hectares \u2013 aquela área torna-se pouco expressiva 
no contexto da produção de forragem consorciada, mas tem grande significado sob o ponto de 
vista técnico, evidenciando o uso comercial das