Plantas forrageiras para ovinos
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Plantas forrageiras para ovinos


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Plantas Forrageiras para Ovinos
 Trabalho realizado à disciplina de Produção e Nutrição de Ovinos,
 lecionada pela Professora Helen Barros,
 com intuito de obtenção de nota parcial da média final.
Sinop, Julho 2014
As pastagens constituem a base natural da alimentação dos animais ruminantes, sendo considerada a forma de alimentação de menor custo. Os ovinos, sendo ruminantes, possuem elevada capacidade de aproveitar alimentos fibrosos. Por isso, recomenda-se que a maior parte de sua dieta seja constituída de alimentos volumosos, inclusive pelo menor custo.
 	É importante destacar que para a formação de áreas de pastagens de qualquer espécie é fundamental a realização de análise de solo da área para o conhecimento da fertilidade do solo. A partir daí, far-se-ão os cálculos de adubação de formação e de manutenção das pastagens. 
Hábito de pastejo
 	Os ovinos revelam uma capacidade de pastejar um pouco mais próximo ao solo comparado aos bovinos, sendo este comportamento ligado principalmente à sua estrutura buco-maxilar de preensão de alimento. Dessa forma, em razão dos lábios superiores fendidos e móveis, o animal apresenta maior capacidade de preensão da forragem em relação aos bovinos, pois pode utilizar os lábios, os dentes e a língua, o que lhes confere alto poder de seleção no pastejo.
 	Os ovinos são muito seletivos do ponto de vista nutricional, e a rejeição por materiais altos ocorre não devido à altura por si só, mas sim em função da preferência pelo extrato inferior das plantas por razões nutricionais (onde se localizam folhas novas e brotos). Apresentam comportamento de pastejo em lotes, dificilmente sendo avistados animais isolados. Cita-se que o ovino deslanado apresenta comportamento um pouco diverso, explorando mais o pasto e caminhando mais na busca e seleção do alimento.
 	Em relação ao tempo de pastejo, para os ovinos observa-se entre 8 (Favoretto, 1990) até 13 horas por dia (Carvalho et al., 2001), sendo que uma parte importante do tempo de pastejo ocorre nas quatro horas que antecedem ao pôr do sol. Assim, o recolhimento dos animais para o aprisco à noite para evitar o ataque dos predadores deve respeitar esse horário de maior pastejo.
Espécies forrageiras
 	As plantas forrageiras têm sua quantidade e qualidade dependentes da produção de matéria seca, distribuição e desenvolvimento vertical das diferentes partes da planta (estrutura da pastagem), densidade da vegetação, relação folha:caule, arranjo e acessibilidade das folhas e facilidade de preensão e remoção dos componentes das folhas.
 	De acordo com Carvalho et al. (2002), a premissa básica do manejo da pastagem começa pela escolha de forrageiras de qualidade, passando à otimização do consumo individual dos animais, ao mesmo tempo em que otimiza a interceptação da radiação solar através de um grande número de folhas na pastagem, devido à grande importância da qualidade das folhas para a nutrição dos ovinos. A seguir, apresenta-se um quadro com as principais características de algumas plantas forrageiras utilizadas por ovinos, na região Sul e Sudeste do Brasil.
Tabela 1. Características das espécies forrageiras mais comuns para utilização com ovinos.
* Estão incluídos nesse grupo os diversos híbridos selecionados a partir da espécie de Cynodon dactylon: Coat cross-1, Tifton-85, Tifton-68, Florakirk, Florona etc. 
Dentro desse quadro temos o capim Aruana (Panicum maximum cv. IZ-5), que vem sendo utilizado na Unidade de Ovinos do Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa (SP), há mais de 10 anos, em pastejo com lotação rotacionada com ovinos.
O Aruana é um cultivar do colonião introduzido no Instituto de Zootecnia em 1974, através de sementes provenientes da África, sendo selecionado a partir daí pelos técnicos da então Seção de Agronomia de Plantas Forrageiras, tendo sido lançado comercialmente em 1995.
Dentre as características mais interessantes pode-se destacar:
a)  Porte médio (adequado ao ovino), atingindo aproximadamente 80 cm de altura.
b)  Grande capacidade e rapidez de perfilhamento, com um bom número de gemas basais rebrotando após cada ciclo de pastejo.
c)  Boa capacidade de ocupação da área de pasto, não deixando áreas de solo descoberto, evitando o praguejamento e auxiliando no controle da erosão.
d)   Propagação por sementes (formação mais fácil, rápida e de menor custo).
e)  Boa produção de sementes, garantindo o restabelecimento rápido da pastagem em caso de necessidade de recuperação (após eventuais "acidentes" como queima, geadas, pragas ou degradação por falha de manejo).
f)  Boa tolerância ao pastejo baixo (rente ao solo) promovido pelo ovino, o que possibilita a adoção dessa técnica de manejo como parte da estratégia no controle de helmintos parasitas (favorecendo a exposição de larvas às intempéries climáticas (radiação solar e vento).
g)  A arquitetura foliar ereta e aberta, típica das forragens cespitosas (em touceiras), propicia uma maior incidência de radiação solar e maior ventilação dentro do perfil da pastagem. Isso faz com que o perfil superior da forrageira apresente uma menor concentração de larvas de helmintos parasitas às primeiras horas da manhã, logo após a secagem do orvalho, favorecendo o controle da verminose. Isso acontece porque, com esse tipo de forrageira, o ambiente da parte superior da pastagem, por ação da insolação e da maior ventilação, apresenta um menor nível de umidade, o que, aliado à ação da radiação solar, notadamente da radiação ultra-violeta, elimina uma parte considerável das larvas. Esse ambiente menos favorável causa, ainda, a migração de uma parcela das larvas para a base do capim, onde o ambiente é mais úmido e menos exposto à radiação solar.
h)  Alta produtividade de forragem, com 35 a 40% da produção anual ocorrendo no \u201cinverno\u201d (período seco do ano).
i)  Excelente aceitabilidade pelos animais.
Obviamente existem outras espécies forrageiras que podem ser indicadas para utilização, sempre respeitando as condições de solo e clima da região, e principalmente observando as exigências dos animais quanto à sua disponibilidade. 
 	Pastagens manejadas com excesso de lotação apresentam elevada infestação de plantas indesejáveis, pois não conseguem repor seu crescimento (rebrota) no mesmo ritmo em que suas folhas são retiradas pelos ovinos e também pode resultar em elevada ocorrência de verminoses.
Sistemas de manejo contínuo e rotacionado
 	As pastagens podem ser utilizadas através de sistemas de manejo contínuo ou rotacionado. O primeiro refere-se ao sistema em que os animais permanecem longos períodos de pastejo em uma única área. Neste sistema, deve-se observar a carga animal com bastante cuidado, observando sempre o ajuste da carga conforme a disponibilidade de pasto, para que a oferta de forragem não fique abaixo da recomendação por categoria (chamado manejo contínuo com lotação animal variável).
 	O sistema rotativo ou rotacionado estabelece um número de dias de ocupação e de descanso, conforme o ciclo vegetativo da forrageira, de forma que os animais utilizem os piquetes por período curto, promovendo um período de descanso para a rebrota das plantas. Normalmente o número de dias de ocupação está ao redor de 1 até 5 dias. Destacam-se as seguintes características dos sistemas de manejo contínuo e rotativo (ou rotacionado).
Sistema rotacionado
- maior controle do consumo
- pastejo mais uniforme na área
- a manipulação da produção e da oferta de forragem é mais fácil
- maior custo em função das divisões em cercas
- mais material morto e colmos, principalmente com espécies tropicais, que têm maior taxa de crescimento
Sistema contínuo
- consumo a vontade (maior oportunidade de seleção)
- formação de áreas de sub e superpastejo (áreas rejeitadas)
- a manipulação da produção e da oferta de forragem é mais difícil
-menor custo
 	Quanto ao manejo de pastagens em sistema rotacionado, as espécies de pastagens comumente utilizadas devem ficar em descanso por