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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA CAMPUS JARAGUÁ DO SUL CURSO TÉCNICO EM QUÍMICA (MODALIDADE: INTEGRADO) Felipe Machado Meisen Lavínia Marcos Caçador Síntese do biodiesel a partir do óleo residual de fritura e análise de parâmetros de qualidade Jaraguá do Sul, 12 de junho de 2017 Sumário 1 Introdução .................................................................................................... 3 2 Revisão Bibliográfica ................................................................................... 5 2.1 Biodiesel ................................................................................................ 5 2.1.1 Matérias primas para produção de biodiesel .................................. 8 2.2 Óleos vegetais .................................................................................... 10 2.2.1 Óleo de soja ................................................................................. 12 2.3 Reação de Transesterificação via catálise básica ............................... 14 2.4 Especificações e Parâmetros de qualidade do biodiesel .................... 16 3 Metodologia ............................................................................................... 18 3.1 Pré-tratamento do óleo residual de cozinha ........................................ 18 3.2 Síntese do biodiesel metílico a partir do óleo de soja ......................... 18 3.3 Análise dos Parâmetros de Qualidade ................................................ 21 3.3.1 Índice de Acidez ........................................................................... 21 3.3.3 Quantificação de Na e K por Fotometria de Chamas ................... 22 4 Resultados e Discussão ............................................................................ 23 4.1 Índice de acidez .................................................................................. 23 4.1.1 Verificação do volume da bureta .................................................. 23 4.2 Determinação do índice de acidez ...................................................... 25 4.3 Determinação de sódio por fotometria de chama ................................ 28 5 Considerações Finais ................................................................................ 28 6 ....................................................................................................................... 30 7 Referências Bibliográficas ......................................................................... 30 3 1 Introdução Com o passar dos anos, os combustíveis derivados de petróleo se tornaram a principal fonte de energia mundial, uma vez que as reservas energéticas do planeta foram se esgotando. Contudo, a queima excessiva desses combustíveis, seja no setor industrial ou doméstico, se tornaram grandes causadores de poluição para a sociedade e o meio ambiente, visto que o consumo de combustíveis derivados de petróleo apresenta impactos significativos no meio ambiente, gerando a poluição do ar através da emissão de gases poluentes que aumentam o efeito estufa, provocando mudanças climáticas no planeta, além dos derramamentos de óleo e geração de resíduos tóxicos provenientes do uso e da produção desses combustíveis. Os problemas ambientais causados pelo consumo de derivados fósseis de petróleo têm impulsionado a necessidade de desenvolvimento de fontes de energia renováveis, que resultem em um menor impacto ambiental. Nesse sentido, muito tem-se pensado em formas de substituir esses combustíveis por fontes de energias alternativas e sustentáveis, que possam minimizar os problemas gerados pelo o consumo de derivados de petróleo, sendo uma dessas alternativas que vem ganhando destaque, a produção de biocombustíveis. A utilização de biocombustíveis como fonte de energia, é motivada por diversas questões, como ambientais, econômicas e sociais, uma vez que a as reservas de petróleo estão se esgotando, havendo um aumento significativo em seu preço (SCHUCHARDT; RIBEIRO e GONÇALVES, 2001). Dentre as vantagens dos biocombustíveis estão o fator econômico, a diminuição da emissão de gases tóxicos e de efeito estufa na atmosfera, bem como a redução dos poluentes que são emitidos na queima de combustíveis de automóveis, decorrentes principalmente das grandes cidades (ZEZZA, 2011). Atualmente, vêm sendo realizadas diversas pesquisas com combustíveis alternativos, devido a esse aumento da preocupação com o esgotamento das reservas petrolíferas e com as questões ambientais. Dentre uma das alternativas encontradas que vêm ganhando destaque, está a produção de biocombustíveis 4 a partir da reciclagem de resíduos orgânicos, visto que eles são na maioria das vezes, são matérias primas de baixo custo e que em alguns casos, tornam-se acumulativos no meio ambiente, devido às atividades industriais e urbanas, apresentando efeitos de degradação ambiental que atingem níveis alarmantes causados pelo aumento de sua quantidade no ambiente. No Brasil, uma parte do óleo vegetal residual oriundo do consumo humano é destinado a fabricação de sabões e a produção de biodiesel, enquanto que a maior parte deste resíduo é descartado sem nenhum gerenciamento na rede de esgotos, comprometendo a qualidade dos mananciais dos grandes centros, sendo um problema ambiental grave, considerado como crime. Devido à falta de solubilidade dos óleos vegetais na água, quando presentes em quantidades excessivas, podem interferir nos processos de tratamento biológicos dos mananciais utilizados para abastecimento público, gerando a ineficiência do tratamento de águas residuais e problemas de grande impacto social e ambiental, como, retenção de sólidos, problemas relacionados à drenagem, entupimentos, dificultando processos de tratamento de água, aumentando em 45% no custo final, além de provocarem a impermeabilização de terrenos, facilitando o acontecimentos de enchentes (LOPES e BALDIN, 2009). Desta forma, a produção de biocombustíveis a partir deste resíduo poderia trazer benefícios para a sociedade, como a diminuição de vários problemas relacionados ao seu descarte, aumentando a produção e a utilização de biocombustíveis, retirando as quantidades destes resíduos presentes no ambiente, bem como, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa. Logo, além de dar um destino adequado aos óleos residuais, a sua utilização diminuiria a emissão de dióxido de carbono, um dos principais responsáveis pelo o efeito estufa, bem como o enxofre, um dos gases causadores da chuva ácida. Nesse sentido, o presente trabalho propõe a reciclagem do óleo de cozinha residual como matéria prima para a produção de um biocombustível, o biodiesel, visando reduzir os impactos ambientais causados pelo óleo de cozinha e derivados de petróleo e verificar se o biodiesel produzido laboratorialmente 5 encontra-se dentro dos parâmetros de qualidade previstos pela legislação para serem utilizados como aditivos no mercado consumidor. Diante disso, elencou-se como objetivo geral da pesquisa a produção de um biodiesel a partir da transesterificação do óleo de soja residual de fritura por rota metílica e catálise alcalina, bem como a análise desse produto sintetizado laboratorialmente por meio de um estudo comparativo com parâmetros de qualidade previstos na Legislação, realizado por meio de técnicas analíticas e um acompanhamento mensal dos resultados obtidos, a fim de verificar-se a variação desses parâmetrosconforme o tempo de armazenamento. Desta forma, este trabalho visa contribuir para a discussão acerca da produção de um biocombustível renovável, de baixo custo e de menor impacto ambiental, a partir de matérias-primas que são descartadas em aterros sanitários, como o óleo residual de cozinha utilizado em frituras, bem como verificar as possíveis alterações quanto aos parâmetros de qualidade relacionados ao índice de acidez e quantidade de sódio presente no biodiesel. E por fim, as sínteses de produtos em escala laboratorial visam uma futura aplicação para o mercado consumidor, reforçando a importância da pesquisa, uma vez que deve-se verificar se esses produtos, neste caso o biodiesel, estão dentro de parâmetros previstos na Legislação e também, se continuam conforme o passar do tempo, quando estão em estocagem. 2 Revisão Bibliográfica 2.1 Biodiesel Conforme o desenvolvimento da sociedade, houve uma dependência muito grande do petróleo como fonte energética e de matéria prima. Contudo, há anos vem sendo realizados estudos com combustíveis alternativos, impulsionados pela preocupação de pesquisadores, governos e sociedade em geral com o eventual esgotamento das reservas petrolíferas, a disponibilidade desta matéria prima no planeta e com as questões ambientais, fazendo com que a humanidade buscasse fontes de energias que fossem renováveis e que causasse menos impactos ao meio ambiente (RATHMANN et al., 2006). 6 Em um desses estudos em 1893, o engenheiro Rudolph Diesel, utilizou em seus ensaios óleo de amendoim como combustível, desenvolvendo o primeiro motor movido a diesel em Augsburg, na Alemanha. A partir de sua descoberta, foram produzidos diversos combustíveis que pudessem ser utilizados em motores, entre eles o álcool produzido a partir de biomassa (KNOTHE et al., 1996). De acordo Diesel: “O uso de óleos vegetais como combustível pode parecer insignificante hoje em dia, mas com o tempo irá se tornar tão importante quanto o petróleo e o carvão são atualmente. (SHAY, 1993). Atualmente, os óleos vegetais são muito utilizados no desenvolvimento de combustíveis alternativos, embora que ainda haja problemas associados ao seu uso direto em motores, como: o excesso de acúmulo de carbono no motor, a obstrução nos filtros de óleo e bicos injetores, a diluição parcial do combustível no lubrificante e o comprometimento da durabilidade do motor, causando o aumento em custos de manutenção (KUCEK, 2004). Entretanto, diversas pesquisas demonstraram que uma reação de transesterificação pode resolver grande parte dos problemas apresentados pelo o uso de óleos em motores, melhorando a qualidade de ignição, as propriedades de fluxo, tais como, a viscosidade e densidade específica, e o ponto de fluidez. Assim, o produto gerado a partir dessa reação, denominado de biodiesel, é compatível ao diesel convencional, apresentando vantagens como um alto poder de lubricidade, renovável e nocivo ao meio ambiente, podendo substituir combustíveis derivados de petróleo (KUCEK, 2004). Segundo a lei nacional número 11.097/2005 o biodiesel pode ser classificado como um: [...] biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão, ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustível de origem fóssil, podendo oferecer vantagens sócio-ambientais 7 ao ser empregado na substituição total ou parcial do diesel de petróleo em motores de ignição por compressão interna (motores do ciclo Diesel). Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como: mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras (FERRARI, SCABIO e OLIVEIRA, 2004). Ainda conforme a Resolução ANP nº 42 de 24 de novembro de 2004, contida na lei, o biodiesel pode ser definido quimicamente como: [...] combustível composto de alquil-ésteres de ácidos graxos de cadeia longa, derivados de óleos vegetais ou de gorduras animais, produzido a partir da transesterificação e ou esterificação, e que atenda a especificação contida no Regulamento Técnico nº 4/2012. (AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (ANP), 2012). Segundo SCHUCHARDT, SERCHELI e VARGAS (1998), com a produção do biodiesel através de uma reação de transesterificação, pode-se produzir um subproduto de denominado de glicerina, obtido através da reação do álcool, comumente o etanol ou metanol, com um éster monoalquílico de ácidos graxos derivados de lipídios, na presença de um catalisador ácido ou básico. , A grande compatibilidade do biodiesel com o diesel convencional, o torna uma alternativa com capacidade de atender à grande parte da frota de veículos a diesel já existente no mercado, sem a necessidade de investimentos tecnológicos no desenvolvimento de motores. Desta forma, no Brasil, tornou-se obrigatório a adição do biodiesel na matriz energética brasileira, conforme a resolução 11.097 de 13 de maio de 2005, que regulamentou a adição deste ao diesel derivado de petróleo (FERRARI, SCABIO e OLIVEIRA, 2004). 8 A partir da implantação desta lei, a obrigatoriedade como meta inicial estabelecida em 2008, era a adição de 2% de biodiesel ao diesel derivado de petróleo, com o objetivo de alcançar 5% de adição em 2013. Contudo, através da resolução CNPE nº 384 de 6 de setembro de 2009, a meta foi antecipada para 1 de janeiro de 2010. Através desse aumento obrigatório, a produção anual brasileira de biodiesel passou a ser de 2,4 bilhões de metros cúbicos, tornando- se uma das maiores do mundo (ABIOVE, 2005). 2.1.1 Matérias primas para produção de biodiesel O biodiesel pode ser produzido a partir de diversas matérias-primas como óleos vegetais, gorduras animais, algas e entre outros. Em diversos países o biodiesel é produzido em maior escala a partir de uma matéria-prima principal, sendo elas: colza (Alemanha), colza e o girassol (Itália e França), óleo residual de fritura (Estados Unidos) e soja, sebo bovino e algodão (Brasil) (GERPEN, 2005). No Brasil, a principal fonte de matéria-prima para produzir o biodiesel é a soja, utilizada em cerca de 80% da produção, seguida por cerca de 14% do sebo bovina e o algodão, representando cerca de 4%, sendo o restante produzido a partir de outras matérias primas (AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (ANP), 2012). Devido à grande diversidade de espécies oleaginosas que podem ser cultivadas no Brasil, o biodiesel pode ser produzido a partir de óleos vegetais, tais como soja, milho, amendoim, babaçu, dendê (palma) e pinhão manso. Além disso, esse biocombustível pode ser obtido a partir de óleos de frituras e sebo bovinos, reduzindo assim, os riscos de poluição ambiental causados por esses materiais (CHIARANDA, 2006). Essas diferentes espécies e tipos de matérias primas podem ser cultivadas em diferentes regiões do Brasil, como representado na Figura 1, contudo a produção de biodiesel deve respeitar a especificidade de cada região, produzindo assim, aquilo que dará maior vantagem econômica e social (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA, 2006). 9 Figura 1: Mapa das regioes e culturas para produção de biodiesel. Fonte: ABIOVE, 2005. Considerando toda a biodiversidade do Brasil, seria possível abastecer todo o mercado mundial anual de produção de oleaginosas,entretanto, no país, não haveria condições para transesterificar essa quantidade significativa de óleo, pois seria necessário disponibilizar toda a produção nacional de álcool para essas reações, cujas representam cerca de 16 bilhões de litros do composto (OLIVÉRIO, 2005). Além disso, existem alguns fatores que interferem na viabilidade econômica para a produção e utilização de biodiesel em grande escala no país, visto que o custo de oportunidades dos óleos vegetais e os custos operacionais são muito elevados, havendo ainda, a formação da glicerina (matéria prima de várias indústrias) na transesterificação, o que pode aumentar a competitividade do biodiesel (BOTELHO, 2012). Desta forma, algumas estratégias vêm sendo utilizadas a fim de reduzir o custo da produção do biocombustível: Nesse sentido, existe o interesse na obtenção de matérias-primas graxas a partir de rejeitos como óleo de fritura usado, gorduras animais, e até mesmo esgoto urbano e águas servidas, com o objetivo de reduzir o custo de produção do biodiesel (SILVA, 2012 apud BOTELHO, 2012). 10 Ferrari, Oliveira e Scabio (2005), afirmam que o aproveitamento dos óleos residuais de fritura para a produção de biodiesel apresenta diversos benefícios e um potencial promissor, uma vez que acaba contribuindo para a revalorização de um resíduo poluente que causa o entupimento de tubulações de esgoto quando não tratado, além de promover a melhoria da qualidade do ar nas grandes cidades, através da substituição do óleo diesel e de outros derivados do petróleo. 2.2 Óleos vegetais Juntamente com as gorduras, os óleos vegetais fazem parte de uma das três maiores classes de alimentos, e devido a sua facilidade de extração, são utilizados desde a antiguidade (NETO apud WEISS, 2008). O Conselho Nacional de Normas e Padrões para Alimentos (CNNPA) resolução de nº 20/77, difere óleos e gorduras pelo seu ponto de fusão, o qual é maior que 20ºC para gorduras, e menor que 20ºC para óleos. Os óleos vegetais são obtidos através de plantas conhecidas como oleaginosas. A obtenção destes se dá, em geral pela extração diretamente dos grãos ou sementes dessas plantas (MORETO E FEET, 1998). No Brasil, há um crescimento no incentivo do aproveitamento de óleos vegetais, não somente na área de alimentos, mas também como fonte energética, visando melhoria em diversos aspectos, como social, econômico, mas principalmente ambiental. A principal destinação do reaproveitamento desses óleos está na produção de biodiesel como fonte alternativa, sendo os óleos de palma, nabo, girassol, babaçu e soja, os mais utilizados para este fim (COUTINHO et al., 2008). Produtos naturais, os óleos vegetais possuem em sua composição uma mistura de ésteres. Estes ésteres são derivados de um glicerol, que pode ser os triacilgliceróis ou os triglicerídeos, os quais os ácidos graxos são constituídos por cadeias carbônicas com até 24 átomos de carbono. Entretanto, possuem variações na sua composição química, correspondente à espécie de oleaginosa pertencente (NETO et al., 2000). 11 Em geral, os óleos vegetais são majoritariamente constituídos por triglicerídeos, que são os ácidos graxos. Cerca de 95% da massa dos óleos vegetais corresponde a estes grupos (MORETTO e FEET, 1998). Os ácidos graxos podem ser saturados ou insaturados, porém, nos óleos vegetais há uma predominância de insaturações, e estas raramente encontram-se conjugadas, mas, na grande maioria, as duplas ligações são separadas por um grupo metilênico (NETO, 2008). Os ácidos graxos insaturados mais comuns encontrados nos óleos vegetais são o oléico, linoléico e linolênico (NETO, 2008). (Figura 2). Figura 2: Principais ácidos graxos insaturados em óleos vegetais. Fonte: NETO, 2008. Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2016), na resolução RDC 482/99 os óleos vegetais comercializados no Brasil são: algodão, amendoim, arroz, canola, girassol, soja, milho, uva, babaçu, coco, palma, palmiste, oliva, gergelim e azeite saborizado. O uso direto dos óleos vegetais como combustível implica em uma série de problemas, devido às suas propriedades físicas, principalmente, relacionada a sua alta viscosidade, baixa volatilidade e características de poliinsaturação, que impedem a combustão completa. Neste sentido, faz-se necessário a alteração de algumas dessas propriedades dos óleos vegetais, e uma das alternativas mais utilizadas, é a transesterificação do óleo com o uso de metanol ou etanol, processo que é relativamente simples para a obtenção do biodiesel (FERRARI; OLIVEIRA e SCABIO, 2005). 12 2.2.1 Óleo de soja O óleo de soja é obtido através da extração dos grãos de soja (Glycinemax), leguminosa que pertence à família Fabaceae (VICARI, 2013). Uma das principais características do óleo de soja é o seu odor forte, que faz com que seja necessário um processo de desodorização, uma das etapas do processo de refinação. Após o processo de refinação, o óleo de soja apresenta características como, coloração levemente amarelada, odor e sabor característicos. O óleo de soja é o que apresenta o maior teor de gorduras saturadas, quando comparado com outros óleos vegetais (MELO, 2014). O óleo de soja possui diversas vantagens quando comparado aos outros devido à seu baixo custo e alta qualidade. É muito utilizado no Brasil, não somente para alimentação, mas também tem ganhado destaque na produção de biocombustíveis, como o biodiesel (NETO, 2008). No mundo há uma produção de 312,362 milhões de toneladas de soja, e no Brasil (segundo maior produtor de soja do mundo), 95,631 milhões de toneladas. O grão da soja apresenta aproximadamente 40% de proteínas, 20% de lipídios, o óleo, 34% de carboidratos e 5% de minerais. Os ácidos graxos principais constituintes do óleo de soja, são o linoléico, oléico, palmítico e linolênico (EMBRAPA, 2007). Os ácidos graxos que aparecem em maior quantidade na composição do óleo de soja são os insaturados, sendo eles o ácido linoleico, ácido oleico e o ácido linolênico (Figura 2). Entretanto, as características do óleo variam de acordo com o meio de cultivo e condições climáticas (VICARI, 2013). Conforme Jorge et al. (2005), o óleo de soja é composto majoritariamente por aproximadamente 55,26 % de ácido linoléico, 23,61 de ácido oléico, 4,52% de ácido linolênico e 3,96 % de ácido esteárico. 2.2.1.1 Óleo de soja usado em frituras Os óleos que são utilizados com frequência na fritura de alimentos por imersão acabam se degradando por reações hidrolíticas e oxidativas. Sendo a reação de oxidação o principal fator responsável pela alteração das 13 características físico-químicas dos óleos, devido a esta ocorrer em altas temperaturas. Após essa modificação, o óleo apresenta algumas características como: acidez elevada, mau odor, maior viscosidade e cor escura. A purificação destes óleos é possível, entretanto, partindo do ponto de vista econômico, é inviável (ROSSI e RAMOS, 2000). A diminuição da qualidade do óleo após a fritura se dá principalmente pela ação de três agentes, sendo eles, a umidade dos alimentos (fator da alteração hidrolítica), oxigênio (que promove oxidação), e principalmente às temperaturas elevadas, causadoras de alterações térmicas (JORGE et al., 2005). Os produtos derivados do aquecimento dos óleos por temperaturas elevadas e longos períodos de tempo, em geral, constituem mais de 50% de compostos polares, sendo eles, os ácidos graxos (livres e oxidados), polímeros, diglicerídeos etc., sendo estes, derivados da degradação dos triglicerídeos. Diversos problemas podemser provocados por óleos com elevados teores de compostos polares, como, diarreia, redução no crescimento, e irritações intestinais (CELLA; D'ARCE e SPOTO, 2002). Segundo Almeida et al. (2013), os óleos vegetais são resíduos perigosos para a saúde humana e o meio ambiente pois, causam sérios danos que afetam pessoas, a fauna e a flora, gerando grandes prejuízos. Levam muito tempo para se degradar no meio ambiente pois não são biodegradáveis. Além de matar a vegetação e microrganismos quando em contato com o solo, causando infertilidade na área afetada. Os óleos e gorduras residuais do processo de fritura de alimentos, em grande maioria são dispostos em aterros sanitários, e por consequência, aumentam o volume de resíduos no local (ALMEIDA, et al., 2013). Santos (2009), afirma que somente no Brasil 9,0 bilhões de litros desse tipo de resíduo são descartados por ano, os quais apenas 2,5% são reciclados, e o resto é depositado diretamente ao meio ambiente sem qualquer cuidado. De acordo com Murta e Garcia (2009), esses resíduos descartados seguem para estações de tratamento de esgoto, o qual fica aproximadamente 45 % mais caro, devido a contaminação por esses óleos. 14 2.3 Reação de Transesterificação via catálise básica O biodiesel é obtido através da reação de transesterificação, que é uma reação entre um éster e um álcool (metanol ou etanol) na presença de um catalisador, que pode ser ácido ou básico, gerando ésteres alquílicos e glicerina ou glicerol, como subprodutos (LOTERO et al., 2005), como pode ser observado na Figura 3. Figura 3: Reação de transesterificação do biodiesel. Fonte: SPUDEIT, 2012. No caso do biodiesel, os ésteres são os triglicerídios presentes no óleo. Os álcoois mais utilizados são o metanol e o etanol, sendo o catalisador mais comumente utilizado é o básico, que são em grande parte das vezes, alcóxidos metálicos, por apresentarem maior eficiência e elevado rendimento de reação. Estes são adicionados ao meio da reação mediante a uma dissolução de NaOH ou KOH no álcool utilizado no processo de transesterificação (RAMOS et al., 2011). A reação de transesterificação ocorre em etapas (Figura 4), onde a reação do íon hidróxido (OH-) com o álcool gera alcóxido e água. Quando há a ocorrência da adição direta de alcóxidos metálicos ao meio de reação, estes fazem o ataque nucleofílico no carbono da carbonila do triacilglicerol, o que gera um intermediário tetraédrico, ocorrendo a eliminação de uma molécula de éster metílico, formando outro íon alcóxido, que resulta em um diacilglicerol. Esse processo se repete mais duas vezes, havendo a formação de uma molécula de glicerol e duas de ésteres metílicos (RAMOS et al., 2011) 15 Figura 4: Mecanismo de transesterificação alcalina de óleos vegetais. Fonte: RAMOS et al., 2011. Como a reação de transesterificação é reversível, faz-se necessário um excesso de álcool para deslocar o equilíbrio para a direita. A estequiometria para a reação é de 3 mols de álcool para 1 mol de óleo (álcool:lipídio). Contudo, costuma-se utilizar um excesso de álcool, como 6:1 ou 12:1, para ocorrer um deslocamento do equilíbrio para a maior produção de ésteres graxos, aumentando assim, a geração do produto (SAAD, 2005). Um catalisador é utilizado a fim de acelerar a reação, podendo ser de natureza básica, ácida ou enzimática. O hidróxido de sódio ou o hidróxido de potássio são os catalisadores mais usados, tanto por razões econômicas como pela sua disponibilidade no mercado. Além disso, as reações com catalisadores básicos são mais rápidas do que as com catalisadores ácidos, fazendo-se assim, mais uso desses (RAMOS et al., 2011). Contudo, a alcoólise em meio básico é sensível à presença de ácidos graxos livres, pois estes reagem com a base (catalisador), havendo a ocorrência de reações intermediárias indesejáveis, onde a reação de alcoólise é interrompida e o éster é transformado em sal de ácido graxo (sabão) (RAMOS et al., 2011), como pode ser observado na Figura 5. 16 Figura 5: Reações secundárias que podem ocorrer durante a transesterificação por catálise alcalina. Fonte: SOLOMONS, 1996. Esta reação intermediária indesejável, a saponificação, reduz o rendimento da produção de ésteres, e devido a formação de emulsões (sabão), dificulta a separação do glicerol com o biodiesel. Além disso, o teor de água no álcool e no óleo deve ser controlado na reação, pois esses catalisadores básicos são desativados pela água, fazendo com que não haja um bom rendimento na produção de biodiesel (FELIZARDO et al., 2003). Em uma reação de transesterificação, diversos fatores podem determinar a cinética e a qualidade do produto final obtido, como o tipo de catalisador e álcool utilizados, as condições reacionais (como agitação da mistura, temperatura e tempo de reação) e a concentração de impurezas e contaminantes, como o álcool, catalisador, água, ácidos graxos livres remanescentes, glicerol e intermediários de reação, mono e diacilglicerídeos (KNOTHE et al., 1996). 2.4 Especificações e Parâmetros de qualidade do biodiesel Devido à grande diversidade de matéria-prima e técnicas utilizadas para produzir o biodiesel, existem padrões de qualidade estabelecidos pela legislação, que estão relacionados a fixação de limites máximos para contaminantes, com a finalidade de não danificar suas propriedades físico- químicas (MELO, 2014). 17 Durante sua produção e estocagem o biodiesel adquire algumas propriedades que podem afetar a sua qualidade, prejudicando o bom funcionamento de um motor. Deste modo, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), estabelece limites e metodologias para os principais parâmetros de qualidade que serão avaliados nesta pesquisa, conforme a tabela 1. Tabela 1: Parâmetros de qualidade do biodiesel. Característica Unidade ANP 07/2008 EN 14214 Sódio + Potássio, máx mg Kg -1 5 5 Teor de éster, mín % massa 96,5 96,5 Índice de acidez, máx mg KOH Kg-1 0,50 0,5 Glicerina Livre, máx % massa 0,02 0,02 Glicerina total, máx % massa 0,25 0,25 Monoglicerídeos % massa - 0,8 Diglicerídeos %massa - 0,2 Triglicerídeos % massa - 0,2 Índice de Iodo g I2/ 100 g - 120 Fonte: Resolução ANP Nº 14/2012. No Brasil, o órgão que é responsável pelo estabelecimento de padrões de comercialização, distribuição, qualidade e fiscalização dos combustíveis é a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis através da resolução ANP 14/2012 (ANP, 2012). 18 Na Europa, as especificações para o biodiesel são definidas pela norma EN14214 (BIODIESEL STANDARD, 2003). E nos Estados Unidos as normas estão regulamentadas pela ASTM 6751D (BIODIESEL STANDARD, 1999; BIODIESEL STARDARD, 2002). 3 Metodologia O presente trabalho foi realizado durante o primeiro semestre de 2017 no Laboratório de Química do Instituto Federal de Santa Catarina - Câmpus Jaraguá do Sul e utilizou os seguintes materiais e metodologia. 3.1 Pré-tratamento do óleo residual de cozinha Foi realizado previamente o tratamento do óleo residual de cozinha, por meio de seu aquecimento à uma temperatura aproximada de 40ºC, para a redução dos níveis de acidez e de umidade do óleo. Após isso, a amostra de óleo foi filtrada por meio de um sistema de vácuo, a fim de torná-la totalmente líquida, sendo posteriormente armazenada em garrafas de politereftalato de etileno (PET). 3.2 Síntese do biodiesel metílico a partir do óleo de soja Para a síntese do biodiesel, foi realizada a reação de transesterificação via catálise básica,visto que esta reação ocorre de forma mais rápida (QUESSADA, 2017). A transesterificação foi conduzida via rota metílica, com excesso de álcool (RM de 6:1) (óleo:álcool), a fim de aumentar o rendimento de alquil ésteres e permitir a formação de uma fase separada de glicerol, subproduto formado na reação. As etapas para a síntese do biodiesel pela rota metílica e via alcalina a partir do óleo residual de fritura em escala laboratorial podem ser observadas na Figura 6, sendo descritas a seguir. 19 Figura 6: Processos de escala laboratorial para a produção de biodiesel a partir do óleo residual de fritura. Fonte: CHRISTOFF, 2006. Para o ensaio, foi misturado 0,360 g de Hidróxido de sódio Dinâmica Química Contemporânea Ltda. e 20 mL metanol anidro da mesma marca, para a formação dos íons alcóxidos, que funcionam como catalisadores da reação. Em seguida, foi realizada a adição dessa mistura ao óleo de fritura residual previamente tratado em um balão de fundo redondo, onde a mistura foi mantida em um sistema reacional sob refluxo durante 1 hora, como pode ser observado na Figura 7, sendo conduzido a uma faixa de temperatura em torno de 40-55 ºC. 20 Figura 7: Sistema de síntese do biodiesel via rota metílica alcalina. Fonte: Autoria própria. Ao término da reação, houve a formação de duas fases, uma fase menos densa e clara, correspondente ao biodiesel, e outra fase mais densa e escura correspondente à glicerina. Esse conteúdo reacional foi transferido para um funil de separação, sendo removida a fase inferior (rica em glicerina). Após isso, foram realizadas lavagens no biodiesel, adicionando-se aproximadamente 15 mL de água morna, seguido de agitação manual para efetuar um melhor contato entre as fases, com cuidado para que não ocorresse a formação de uma emulsão. Esse processo foi realizado várias vezes até que a água da lavagem ficasse totalmente incolor, sendo o pH da água, até que esta estivesse próxima a neutralidade, indicando a remoção dos contaminantes, que são provenientes de vestígios de bases alcalinas, excesso de álcool ou sabão presente no meio, formados durante a reação de transesterificação. Após essas etapas, foi realizada a secagem do biodiesel por meio de um aquecimento com a barra magnética, a uma temperatura em torno de 70 ºC e agitação vigorosa, a fim de eliminar qualquer resíduo de metanol e água presente no biodiesel. 21 Ao final de todos os procedimentos realizados anteriormente, foi pesada a massa final de biodiesel, a qual resultou em 39,46 g, sendo este, armazenado em frasco de vidro até a utilização para as análises. 3.3 Análise dos Parâmetros de Qualidade As análises realizadas no biodiesel, foram conforme as normas da American Society of Testing And Materials (ASTM) e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR), indicadas pela Resolução nº 14 de novembro da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 3.3.1 Índice de Acidez Para a determinação do índice de acidez, foi pesado aproximadamente 0,83 gramas de biodiesel, adicionando-se 15 mL de uma mistura de éter etílico com álcool etílico (2:1) para solubilizar o biodiesel, adicionando-se três gotas de fenolftaleína. Em seguida, a mistura foi titulada com uma solução padrão de hidróxido de sódio (NaOH) 0,001 N, em uma bureta previamente calibrada. O volume de base gasto foi anotado, calculando-se o índice de acidez, conforme a equação 1. Equação 1: Fórmula para determinação do Índice de Acidez. Índice de acidez = Onde: V: Volume de NaOH gasto na titulação (mL); N: Normalidade da solução de NaOH; f: fator de correção da concentração da solução de NaOH; g: massa da amostra de biodiesel em gramas. 22 Os resultados do índice de acidez são expressados em mg de KOH por Kg. Foi realizada uma titulação da solução de hidróxido de sódio 0,001 N, a qual o titulante utilizado foi o ácido sulfúrico 0,1 N. A partir disso foi possível determinar a concentração real dessa solução. O fator de correção da solução foi determinado a partir da relação entre a concentração real obtida (0,0009 N) e a concentração nominal (0,001 N). As análises de índice de acidez foram realizadas mensalmente, a fim de verificar-se a variação desse índice conforme o tempo de armazenamento do biodiesel. Nesse sentido, foi realizado o tratamento estatístico dos valores obtidos para verificar a confiabilidade dos resultados. 3.3.1.1 Verificação do Volume da Bureta Para a verificação do volume da bureta de 25 mL utilizada na pesquisa, esta foi preenchida completamente com água destilada. Posteriormente, foi pesado um béquer de 50 mL vazio obtendo-se o valor da massa, que foi desconsiderada nas medições seguintes. Em seguida, a água contida na bureta foi gotejada, e o béquer era pesado a cada 2,5 mL adicionado, até completar o total de 25 mL. Com os dados obtidos, foi construído um gráfico do volume nominal (lido na bureta) versus o volume real obtido, sendo obtida uma curva de calibração, que foi utilizada na real determinação do índice de acide. Também foi realizado o tratamento estatístico desses dados através da determinação do erro absoluto e relativo. 3.3.2 Quantificação de Na e K por Fotometria de Chamas A quantificação dos íons de sódio nas amostras de biodiesel foi realizada por meio da Espectrometria de Chamas, de acordo com a metodologia oficial recomendada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), visto que grandes quantidades de elementos metálicos no biodiesel podem causar sérios danos ambientais e aos motores dos automóveis, por promoveram sua corrosão, sendo um dos parâmetros analíticos realizado no biodiesel. Para a quantificação dos metais de sódio, foi preparada uma solução padrão de álcool etílico com concentração de 100 ppm de Sódio, por meio da 23 solubilização de Hidróxido de Sódio ao álcool etílico, sendo a solução homogeneizada com Ultrassom Essa solução foi utilizada para a realização da curva analítica e calibração do Fotômetro de Chamas. Para a preparação das amostras, foi pesado 5,0 gramas de biodiesel no balão volumétrico de 50 mL, que foi completado com etanol P.A.. As amostras foram dispostas no fotômetro de chama para as análises, onde primeiramente o equipamento realizou a leitura do branco, álcool etílico, em seguida a solução padrão, e por fim o analito, o biodiesel. As análises foram realizadas mensalmente em quintuplicatas, sendo realizado o tratamento estatístico dos resultados obtidos. 4 Resultados e Discussão 4.1 Índice de acidez 4.1.1 Verificação do volume da bureta Os resultados obtidos na verificação do volume da bureta podem ser observados na Tabela 2. Tabela 2: Valores de massa e volume obtidos em cada pesagem. Volume adicionado (mL) Massa (g) Volume obtido (mL) 2,5 2,45 2,46 5,0 4,94 4,95 7,5 7,42 7,44 10,0 9,92 9,95 12,5 12,45 12,48 15,0 14,89 14,93 17,5 17,44 17,49 20,0 19,85 19,90 22,5 22,32 22,38 25,0 24,84 24,92 Fonte: autoria própria. A partir desses valores, foi construído um gráfico (Figura 8) do volume nominal (lido na bureta) versus o volume real obtido (calculado através da massa registrada nas pesagens). 24 Figura 8: Gráfico do Volume Nominal versus o Volume Real da Bureta. Fonte: autoria própria. Nota-se que o gráfico apresentou um coeficiente de correlação (R²) de 1,0, o que significa que os valores obtidos pela leitura da bureta (volume nominal) foram significativamente próximos dos volumes reais obtidos.O gráfico apresentou a equação da reta de y= 0,9983x - 0,0867 (onde: onde: 0,9883= coeficiente angular; x= variação; 0,0867= coeficiente linear) e através dessa reta foi possível obter a curva de calibração, que foi utilizada para determinação real do índice de acidez. 4.1.1.1 Erro absoluto e relativo Os valores de erro absoluto foram obtidos através da subtração do volume correspondente à massa de água pesada (valor real) pelo volume marcado na bureta (valor nominal) (Tabela 3). Tabela 3: Erro absoluto e relativo de cada pesagem. Volume nominal (mL) Volume real (mL) Erro absoluto Erro relativo (%) 25 2,5 2,4 0,1 4,0 5,0 4,9 0,1 2,0 7,5 7,4 0,1 1,3 10,0 9,9 0,1 1,0 12,5 12,4 0,1 0,8 15,0 14,9 0,1 0,6 17,5 17,4 0,1 0,5 20,0 19,9 0,1 0,5 22,5 22,3 0,2 0,8 25,0 24,9 0,1 0,4 Fonte: autoria própria. Nesse sentido, constata-se que o erro absoluto se manteve constante na maior parte das medições, sendo este valor de 0,1, com exceção do intervalo de medida no volume de 22,5 mL, que apresentou um erro absoluto de 0,2. Já em relação ao erro relativo, o maior valor obtido foi no intervalo de 2,5 mL, onde o erro foi de 4,0%, e o menor foi no intervalo de 25,0 mL, que apresentou um erro relativo de 0,4%. Os valores obtidos experimentalmente tiveram poucas diferenças significativas com os valores nominais. Considerando os desvios apresentados pelo próprio instrumento, que era de 25 mL ± 0,1 à 20 ºC, conclui-se que a bureta estava calibrada e que os resultados experimentais estão dentro dos padrões previstos por ela, indicando a exatidão do instrumento, garantindo maior confiabilidade dos resultados obtidos nas titulações. 4.2 Determinação do índice de acidez Inicialmente foi realizada uma titulação somente com etanol e éter etílico (branco), a fim de obter o volume de titulante gasto para neutralizar o solvente. Para o branco foi gasto um total de 3,0 mL de NaOH 0,001 N. Na determinação do índice de acidez foram realizadas 8 titulações a cada 30 dias por um período de três meses, com hidróxido de sódio 0,001 N (tabela 4). 26 Tabela 4: valores obtidos na titulação do biodiesel em relação ao tempo de armazenamento. Titulação Amostra titulada Volume NaOH 0,001 N (mL) 30 dias 60 dias 90 dias 1ª 5 mL de etOH 10 mL de éter etílico 0,83 g de biodiesel 5,8 6,0 7,2 2ª 5,9 6,0 7,5 3ª 5,7 6,2 7,3 4ª 6,0 6,3 7,1 5ª 5,8 5,7 7,5 6ª 6,0 5,9 7,2 7ª 5,8 6,1 7,3 8ª 5,8 6,3 7,1 Fonte: autoria própria. Com a quantidade de NaOH 0,001 N gasto foi possível determinar o índice de acidez para cada titulação (Tabela 5), sendo que o valor obtido no branco foi considerado em todos os cálculos. Tabela 5: Índice de acidez em mg KOH .kg-1 em relação ao tempo de armazenamento. Titulação Índice de acidez (mg KOH. Kg -1) 30 dias 90 dias 60 dias 1ª 0,170 0,180 0,250 2ª 0,180 0,180 0,270 3ª 0,160 0,190 0,260 4ª 0,180 0,200 0,240 5ª 0,170 0,160 0,270 6ª 0,180 0,180 0,250 7ª 0,170 0,190 0,260 8ª 0,170 0,200 0,240 Fonte: autoria própria. Para determinar possíveis resultados espúrios foi realizado o Teste Q com índice de confiança de 95 % para cada valor. Através dele, pode-se observar que não houve resultados espúrios com os valores obtidos experimentalmente para esse índice de confiança, sendo assim, nenhum dado foi excluído. Para quantificar a incerteza das medições, foi realizado o cálculo do desvio padrão para os índices de acidez obtidos em cada mês, o qual foi de 27 0,007, 0,013 e 0,011 para o primeiro, segundo e terceiro mês, respectivamente. Assim, determinou-se o índice de acidez correspondente a cada mês (Tabela 6) Tabela 6: Índice de acidez obtido nas amostras de biodiesel em relação ao tempo de armazenamento. Índice de acidez (mg KOH.L-1) 30 dias 60 dias 90 dias 0,17 ± 0,007 0,19 ± 0,013 0,26 ± 0,011 Fonte: autoria própria. Com base nos dados obtidos no experimento, nota-se que no primeiro e segundo mês de análise, o resultado não teve grande variação. Entretanto, houve um aumento significativo no índice do terceiro mês de análise para o primeiro. Morais et al. (2013), relaciona esse aumento com a quantidade de ácidos graxos produzidos conforme a degradação no biodiesel, além disso, afirma que pode estar relacionado à pequenas quantidades de água presente na amostra. Em relação ao índice de acidez, ainda que tenha tido um aumento no valor, as amostras de biodiesel poderiam ser introduzidas no diesel em qualquer um dos períodos, visto que ambos estão dentro da concentração máxima permitida pela norma da ANP 07/2008, que é de 0,50 mg KOH. kg-1. A partir dos resultados obtidos nas análises, foi construído um gráfico (Figura 9) para melhor visualização, sendo feito um comparativo com o limite máximo permito. Figura 9: Índice de acidez do biodiesel metílico em relação ao tempo de armazenamento e Legislação vigente. Fonte: autoria própria. 28 Como pode ser observado na Figura 9, ocorreu um aumento gradativo no índice de acidez do biodiesel conforme o tempo de armazenamento, contudo, esses valores ainda se mostraram abaixo do limite máximo permitido pela Legislação, o que mostra um indicativo de que o biodiesel sintetizado apresenta- se com bons parâmetros de acordo com o estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP. 4.3 Determinação de sódio por fotometria de chama Em relação a determinação dos íons de sódio nas amostras de biodiesel, as análises foram realizadas em quintuplicata, a cada 30 dias por um período de 90 dias (Tabela 7). Tabela 7: Concentração dos íons de sódio em amostras de biodiesel em relação ao tempo de armazenamento. Análise Concentração de sódio (ppm) 30 dias 60 dias 90 dias 1 5 5 5 2 5 5 5 3 5 5 5 4 5 5 5 5 5 5 5 Fonte: autoria própria. Não houve variação na concentração dos íons sódio em relação ao tempo de armazenamento do biodiesel, portanto, em relação a este parâmetro, o biodiesel produzido poderia ser utilizado na composição do diesel, pois a concentração determinada foi de 5,0 ppm de sódio, valor máximo estipulado pela norma ANP 07/2008. 5 Considerações Finais O biodiesel é um combustível de grandes vantagens ecológicas quando se diz respeito a uma matéria energética, sobre os derivados de petróleo e o diesel, tanto que tende a ser utilizado em grande escala no futuro, uma vez que pode ser obtido através de várias matérias-primas renováveis e menos poluentes. Para a introdução de combustíveis automotivos na matriz energética é necessário estabelecer padrões de qualidade de forma a garantir a segurança 29 do consumidor por meio de parâmetros associados as características químicas do combustível, que podem ser avaliadas através de métodos físico-químicos de análise. Nesse sentido, este trabalho visa contribuir para os estudos relacionados a este combustível e para isso, foi necessário entender a sua composição química, sua produção e análises realizadas sobre ele, para assim, garantir que o biodiesel produzido em escala laboratorial possa ir futuramente para um mercado consumidor. Desta forma, nesta pesquisa conclui-se que a produção de biodiesel via rota metílica foi satisfatória, juntamente com as análises realizadas conforme metodologias previstas pela ANP. No que diz respeito às análises de índice de acidez, ressalta-se que houve um aumento, que está relacionado ao tempo deestocagem do biodiesel, através da absorção de água e formação de ácidos graxos, contudo, os resultados obtidos ainda se mostraram abaixo dos valores estabelecidos pelas normas vigentes. Em relação a quantificação de íons de sódio, a metodologia utilizada se mostrou muito eficiente, rápida e prática e demonstrou bons resultados, onde o biodiesel sintetizado laboratorialmente esteve dentro dos valores estipulados pela ANP. Ressalta-se neste trabalho, que não foi possível a realização da análise de outros parâmetros através de metodologias propostas no projeto, contudo, as metodologias viáveis apresentaram resultados muito satisfatórios e podem ser realizadas facilmente no laboratório de química. Assim, elucida-se que devem ser realizados outros estudos sobre os diversos parâmetros do biodiesel para que esse biodiesel produzido em escala laboratorial possa ir para o mercado consumidor, contudo, o biodiesel produzido, a partir de uma perspectiva considerando o acompanhamento e análises realizadas, se mostra satisfatório para o mercado consumidor. 30 6 7 Referências Bibliográficas AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Resolução CNNPA nº 20/77. 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