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Aristoteles em Nova Perspectiva   Olavo de Carvalho

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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo
nível."
OLAVO DE CARVALHO
Aristóteles
em nova Perspectiva
Introdução à Teoria dos Quatro Discursos
Dedico este livro a minha mãe
NICÉA PIMENTEL DE CARVALHO
e à memória de meu pai
LUIZ GONZAGA DE CARVALHO
“Quanto maior a obra pensada de um pensador — a qual não coincide de
maneira alguma com a extensão e o número de seus escritos —, tanto maior,
nessa obra, aquilo que foi deixado sem pensar, isto é, aquilo que, através dela e
somente dela, chega a nós como jamais pensado.”
MARTIN HEIDEGGER
SUMÁRIO
Capa
Folha de Rosto
Dedicatória
Epígrafe
Prólogo
Nota Prévia à Primeira Edição de Uma Filosofia Aristotélica da Cultura
I. Os Quatro Discursos
II. Um Modelo Aristotélico da História Cultural
III. A Presença da Teoria Aristotélica do Discurso na História Ocidental
IV. A Tipologia Universal dos Discursos
I. Conceitos de base
II. Possibilidade de uma tipologia universal dos discursos
III. Escala das premissas
IV. Os quatro discursos
V. Os Motivos de Credibilidade
I. Discurso Poético
II. Discurso Retórico
III. Discurso Dialético
IV. Discurso Analítico
VI. Marcos na história dos estudos aristotélicos no Ocidente
VII. Notas para Uma Possível Conclusão
Aristóteles no Dentista
I. De re aristotelica opiniones abominandæ
I. Da bibliografia
II. Originalmente velho
III. Muito assunto para um livro só
IV. As ciências introdutórias
V. Apofântico
VI. A função da Dialética
VII. Valha-me S. Gregório!
VIII. Não acerto uma
IX. Novamente a dialética
X. Do saber desinteressado
XI. Poética e mímese
XII. Verossímil?
XIII. Tragédia e metafísica
XIV. Evolução histórica
XV. Continuo não acertando uma
XVI. Os Quatro Discursos no tempo
XVII. Conclusão
II. Desafio aos usurpadores corporativistas
III. Cartas a Ênio Candotti
Leituras Sugeridas
A) Traduções mais recomendáveis dos textos de Aristóteles que interessam
ao tema do presente estudo
b) Comentários e Estudos
C) Outras obras de interesse para o estudo dos Quatro Discursos
Créditos
PRÓLOGO
ESTE LIVRO É VELHO E É NOVO: reproduz o texto de Uma Filosofia
Aristotélica da Cultura (Rio de Janeiro, IAL & Stella Caymmi, 1994), mas
acrescido de quatro capítulos (IV, “A Tipologia Universal dos Discursos”,1 V, “Os
Motivos de Credibilidade”, VI, “Marcos na História dos Estudos Aristotélicos”, e
VII, “Notas para uma Possível Conclusão”), e de um suplemento, Aristóteles no
Dentista: Polêmica entre o Autor e a SBPC. Os capítulos acrescentados não são
novos, mas inéditos: circularam, até agora, apenas como apostilas de meus cursos.
Quanto ao suplemento, que circulou por um tempo num folheto que anexei a
alguns exemplares de Uma Filosofia Aristotélica da Cultura, mas não a todos,
reúne: (a) o texto com que respondi à inacreditável “Avaliação crítica” que o
Comitê Editorial da revista Ciência Hoje2 fez de Uma Filosofia Aristotélica da
Cultura; (b) o artigo que publiquei em O Globo em resposta a dois bocós de mola
(ou antes, de borla e capelo), que saíam em defesa do indefensável e
aproveitavam para opinar contra uma tese que admitiam não ter lido (tratando-se
portanto de um caso de telepatia crítica); (c) algumas das cartas que remeti ao
diretor da publicação, Ênio Candotti, tentando conscientizá-lo de suas obrigações,
esforço a que ele resistiu com a bravura necessária a me fazer compreender
finalmente o que a velha teologia queria dizer com a expressão ignorantia
invincibilis.
Na polêmica eclodida em torno de Uma Filosofia Aristotélica da Cultura entre
dezembro de 1994 e fevereiro de 1995 na imprensa carioca, o mais curioso foi que
meus oponentes, pródigos em opiniões sobre a pessoa de um autor que nunca
tinham visto mais gordo nem viram depois da dieta, não fossem capazes de dizer
uma só palavra sobre o conteúdo da tese aqui defendida, a qual certamente
escapava não somente à sua compreensão como também ao seu círculo de
interesses, sendo, como é, inteiramente alheia a conversas fúteis de velhas
corocas. Desafiados publicamente a discuti-la, preferiram refugiar-se no terreno
dos insultos pessoais, onde suas alminhas trêmulas e rancorosas se sentiam mais
protegidas por ser talvez seu habitat natural. Mas, pela coincidência infausta ou
fausta de que a essa polêmica em O Globo corresse parelha uma outra, sobre
diverso assunto, pelas páginas do Jornal do Brasil, aconteceu que as duas disputas
acabaram se confundindo. Não se confundiriam, é certo, se muitas cabeças
supostamente intelectualizadas, neste país, não percebessem as coisas menos
segundo as distinções categoriais de Aristóteles do que segundo uma pueril
superposição eisensteiniana de imagens ou uma “lógica das aparências” de molde
epicúreo, método em que um suíno ou galináceo pode revelar certa perícia antes
mesmo de atingir a idade madura. E como o assunto da segunda polêmica fosse
nada menos explosivo que o julgamento moral da intelligentzia, que, certo ou não,
eu acusava de cumplicidade inconsciente com o banditismo carioca,3 aconteceu
que muitos membros da classe, sentindo-se atingidos num ponto qualquer
vulnerável da sua epiderme corporativa e não sabendo ao certo de onde vinha a
pancada, acharam que, por via das dúvidas, era melhor se precaverem também
contra o meu inocentíssimo Aristóteles. Para o que, naturalmente, era melhor
mesmo não tê-lo lido. O resultado foi efetivamente um imbroglio, no melhor estilo
crioulo doido, em que se aliaram má consciência, vaidades classistas, picuinhas
ideológicas, uma prodigiosa incultura filosófica e uma firme decisão de não
entender nada, para dar combate em cerrada frente única a algo que não tinham a
menor idéia do que fosse, mas no qual suas células olfativas, desconfiadíssimas
como as de um capiau em Nova York, acreditavam reconhecer o vago odor de
uma ameaça temível. Ao ver todos aqueles pintainhos correndo esbaforidos para
baixo das asas protetoras da solidariedade corporativa, não pude deixar de
conjeturar que, na peça que se encenava em seu cirquinho mental, me haviam
atribuído o papel de raposa no galinheiro. Atribuição muito lisonjeira para a minha
diminuta pessoa, mas, positivamente, maluquice. Ou talvez não: talvez
pressentimento certeiro de que uma voz que fale perfeitamente a sério, com
aquela sinceridade que une coração e cérebro, ethos e logos, pode estragar todo o
efeito da comédia tão meticulosamente montada em que se transformou a vida
intelectual brasileira, pode espantar o público e forçar a troupe de surrados
palhaços a buscar outro emprego. Não sei, na verdade nem me interessa: o
problema é deles.
Meu problema, o único que no caso vinha ao caso, era saber se existe ou não
uma unidade dos quatro discursos na lógica de Aristóteles e se dela podemos
aproveitar alguma coisa para a nossa busca atual de um saber interdisciplinar. Não
entendo como aqueles fulanos chegaram a imaginar que um sujeito metido até a
goela numa questão encrencada como esta pudesse ter tempo ou curiosidade de
saber a opinião deles sobre a sua pessoa, da qual ele mesmo não se dá