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COCCIDIOSE
INTRODUÇÃO
A coccidiose é uma doença causada por protozoários coccídios do gênero Eimeria. Acomete diversas espécies domésticas, principalmente animais jovens.
ETIOLOGIA
A coccidiose é causada por um protozoário do gênero Eimeria que vivem intracelularmente ao longo do epitélio intestinal. Os protozoários do gênero Eimeria aocmetem diversas espécies domésticas. Os oocistos podem ser identificados com base no formato e no tamanho. Em geral, são esféricos, ovais ou elípticos. O oocisto contém 4 esporocistos, e cada um contém 2 esporozoítos.
Sua parede é composta por dupla membrana, de aspecto liso, coloração marron-claro a amarelada. 
Eimeria zuernii, E. bovis e E. alabamensis acomete os bovinos; E. ninakohlyakimovae, E. alijevi e E. arloingi acomete os caprinos; E. crandallis, E. ovinoidalis e E. bakuensis em ovinos; E. leuckarti em equinos. E. flavescens e E. intestinalis em coelhos; e E. tenella, E. necatrix, E. máxima e E. acervulina em aves.
EPIDEMIOLOGIA
A coccidiose é uma doença de distribuição cosmopolita, que acomete diversas espécies domésticas, submetidas aos diferentes sistemas de manejo e produção, embora apresentem maior importância diante da intensificação da criação.
Apesar da doença ser mais prevalente em animais jovens, animais de qualquer faixa etária podem ser acometidos. No Brasil, a coccidiose é considerada a principal parasitose que acomete ruminantes jovens no semiárido nordestino.
Nos confinamentos, a doença assume importância econômica bastante significativa, principalmente na forma subclínica, pois, em geral, nesse sistema de criação ocorre maior permanência dos animais no mesmo ambiente. As condições de concentração de animais e estresse são extremamente favoráveis à ocorrência da coccidiose.
A cocidiose subclinica determina reduções na taxa e eficiência de ganho de peso e no crescimento dos animais afetados, além de deixá-los suscetíveis a agentes de outros doenças, particularmente as de origem enterica. É comum os animais domésticos apresentarem coinfecçoes de Eimeria spp. com patógenos como Salmonella sp., E. coli, Cryptosporidium spp., Clostridium spp., rotavirus, coronavirus e outros patógenos.
Altas taxas de morbidade e mortalidade e impacto econômico negativo nos criatórios estão associadas principalmente aos animais jovens acometidos, responsáveis pela liberação de grande quantidade de oocistos no ambiente.
A eimeriose pode ser responsável por graves surtos em animais jovens, os quais podem desenvolver resistência com o decorrer da idade. Geralmente, os animais são parasitados por um numero significativo de espécies de Eimeria, que apresentam grande especificidade em relação ao hospedeiro.
Na avicultura, a utilização de coccidiostáticos na ração dos frangos não elimina a possibilidade de infecções mistas por diferentes espécies de Eimeria, possivelmente por causa do curto poder residual dos princípios ativos e da alta taxa de prevalência de oocistos.
Os oocistos são estruturas muito resistentes que, em condições favoráveis, podem permanecer infectantes no ambiente por vários meses. Resistem a maior parte dos desinfetantes comerciais, entretanto, são destruídos pela dessecação, luz solar direta e calor.
Acredita-se que o contato dos animais com oocistos no meio ambiente estimule a resposta imune de maneira compensatória. 
PATOGENIA
As espécies do gênero Eimeria completam o ciclo de vida em um único hospedeiro (monóxeno ou homoxeno) apresentando reprodução assexuada (merogonia) e sexuada (gamogania) dentro das células do hospedeiro (estágios endógenos) e esporogonia no meio ambiente (estágio exógeno). 
A patogenicidade varia de acordo com a espécie do parasita, e poucas eimerias são suficientes para causar manifestações clinicas. Em geral, as infecções são mistas e nos casos clínicos de coccidiose é comum a coinfecção por mais de uma espécie de Eimeria ou combinadas com outros patógenos.
Oocistos não esporulados liberados por hospedeiros infectados no ambiente dividem-se por esporogonia, originando quatro esporocistos com dois esporozoítos cada, tornando-se oocistos esporulados. Apenas os oocistos esporulados são infectantes ao hospedeiro. Para que ocorra a esporulação, o oocisto necessita de condiççoes adequadas de oxigênio, umidade e temperatura.
Após a ingestão pelos animais, os oocistos esporulados liberam as formas infectantes (esporozoítos) que penetram no epitélio intestinal. Uma vez dentro da célula, os esporozoítos transformam-se em meronte uninucleado ou trofozoíto. Esse núcleo sofre diversas divisões mitóticas, denominado esquizogonia, e cada núcleo se individualiza numa célula alongada, o merozoíto, dentro da célula hospedeira. O conjunto de merozoítos recebe o nome de meronte ou esquizonte. Esses merozoítos deixam a célula hospedeira e invadem novas células, formando varias gerações de merontes contendo merozoítos. Os merozoítos da segunda, terceira e quarta geração de merozoítos penetram em novas células hospedeiras e iniciam a fase sexuada do ciclo endógeno, se diferenciando em gamontes masculinos (microgamontes) e gamontes femininos (macrogamontes). O macrogameta é fertilizado pelo microgameta para formar o zigoto e mais tarde, a parede do oocisto. O oocisto formado é liberado para a luz intestinal e eliminado para o meio exterior juntamente com as fezes, ainda imaturo.
As células intestinais infectadas criam áreas de microulcerações. A lâmina própria se contrai e reduz o tamanho das vilosidades e, comom consequência, diminui a superfície de absorção do epitélio. A demanda contínua das células determina hiperplasia do epitélio das criptas.
As alterações funcionais causadas pela eimeriose dependem das espécies envolvidas, da localização intestinal e do grau de destruição dos tecidos. Essas alterações podem ser locais ou sistêmicas.
CLÍNICA
Clinicamente, a doença é caracterizada por diarreia, sinais de desidratação, perda de apetite, emaciação e apatia. Quando acomete animais de produção, a forma subclinica da eimeriose é a mais importante sob o ponto de vista econômico e frequentemente leva ao baixo desempenho dos animais, mesmo em condições de manejo ideais.
A diarreia é observada em variados graus, com ou sem a presença de sangue, determinando acidose metabólica por alterações na concentração de proteínas e eletrólitos no plasma sanguíneo do hospedeiro.
DIANÓSTICO
Diferentes métodos são utilizados para o diagnóstico do gênero Eimeria. Os meios diagnósticos tradicionais baseiam-se em exame de fezes, os quais visam identificar as características morfológicas dos oocistos, a biologia do parasito, os sinais clínicos dos animais e as lesões macroscópicas dos órgãos afetados durante a necropsia.
No diagnóstico de rotina, utiliza-se o método de flutuação fecal pela técnica de MacMaster, onde se identifica a espécie do agente por meio da mistura de dicromato de potássio às fezes parasitadas para permitir a esporulação.
Exames histopatológicos dos órgãos acometidos dos animais que evoluíram para o óbito permitem identificar o tipo de processo inflamatório e a identificação do agente causal.
Estudos recentes tem utilizado técnicas moleculares (PCR) na detecção de espécies de Eimeria.
TRATAMENTO
De maneira geral, as sulfonamidas são indicadas no tratamento da eimeriose em bovinos, equinos, suínos, pequenos ruminantes, coelhos e aves.
PROFILAXIA E CONTROLE
Recomenda-se que os animais sejam criados em instalações limpas e secas, separados de acordo com a idade. Os bebedouros e comedouros precisam estar dispostos de maneira que não possibilitem a contaminação com matéria fecal dos animais. A remoção de fezes e camas dos animais deve ser realizada com maior frequência. Altas concentrações de hipoclorito de sódio e amônia tem ação moderada sobre as formas parasitarias e podem auxiliar no controle da doença.
Para o controle da coccidiose, muitos coccidiostáticos como amprolium, monensina, salinomicina, são incorporados na alimentação dos animais.

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