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TOSSE CRÔNICA

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É possivel que os cigarros mentolados aumentem o risco de cancro do pulmão, nomeadamente no homem. Cerca de 90 a 95% dos tumores do pulmão estão relacionados com o tabagismo e presentemente a grande maioria desses tumores são adenocarcinomas. Os fumadores passivos têm também um risco acrescido de 1,3 vezes. Tabagismo passivo nas crianças - Está provado que a exposição das crianças ao fumo do cigarro está relacionado com algumas doenças. Existe aumento de incidência de doenças respiratórias agudas, como pneumonias, bronquites e ainda otites do ouvido médio. Têm aind, mais sintomas crónicos de tosse e podem ter alterações da função pulmonar. As exacerbações da asma são mais frequentes e alguns estudos sugerem mesmo a indução de asma. Estas alterações agravam consoante é o pai, mãe ou os dois a fumarem. Assim, o risco de uma crise de asma aumenta 14%, 38% e 48%, respectivamente, se fôr o pai, a mãe ou os dois a fumar e o risco de bronquites agudas aumenta 72% se fôr a mãe a fumar e 29% se fôr outro membro da família a fumar. Tabagismo e medicação inalatória - O fumo do tabaco vai interferir com a corticoterapia inalatória. A sua eficácia vai estar reduzida, nos asmáticos fumadores. Assim, os fumadores cuja medicação interaja com o tabaco podem necessitar de uma dosagem de medicamento superior à dos não fumadores, de modo a este ser eficaz no tratamento. Da mesma forma, indivíduos em processo de cessação tabágica podem necessitar de uma redução na dosagem e sendo assim o tabagismo está intimamente relacionado com a tosse crônica, por conta de todos os seus efeitos maléficos que o envolvem diretamente com as patologias citadas, dentre outras.
2.2. EXAMES SUBSIDIÁRIOS
	A. Testes de função respiratória: Sinais e sintomas pulmonares, entre eles a tosse, têm a causa frequentemente esclarecida através do estudo da função respiratória. Os testes mais úteis são a espirometria com prova broncodilatadora, os testes de provocação brônquica e o pico de fluxo expiratório seriado.
	B. Espirometria (prova de função pulmonar): A espirometria é um teste que mede quanto um indivíduo inspira ou expira volumes de ar em função do tempo, devendo ser parte integrante da avaliação de pacientes com sintomas respiratórios. A espirometria é um exame indicado tanto para o diagnóstico de algumas doenças quanto para a aferição de sua gravidade e avaliação dos efeitos de tratamentos ou da exposição a determinados elementos ocupacionais ou ambientais. É útil no diagnóstico de uma variedade de doenças pulmonares, como história de sintomas pulmonares (dispneia, chiado) e alterações de exame físico (anormalidade de caixa torácica); na quantificação da gravidade de doenças já diagnosticadas, como fibrose cística, asma, doenças cardíacas e neuromusculares; na avaliação dos efeitos da exposição ocupacional ou ambiental a agentes como fumo e poeira, do uso de determinados medicamentos, como broncodilatadores e corticoides, e do risco cirúrgico em procedimentos como lobectomia, pneumectomia; assim como na avaliação de deficiência ou invalidez.
	C. Testes de provocação brônquica: Estes testes medem a resposta das vias aéreas quando expostas a agentes farmacológicos inalatórios que causam broncoespasmo, como metacolina, carbacol e histamina. Uma resposta broncoconstritora limitada é esperada em qualquer pessoa hígida, mas em um paciente asmático esta resposta é exagerada, sendo indicativa de hiperresponsividade das vias aéreas. Por definição, a hiperresponsividade brônquica é a resposta broncoconstritora exagerada a um estímulo broncoconstritor. A hiperresponsividade brônquica também pode ocorrer em pacientes com quadro de infecção respiratória, rinite alérgica e em tabagistas assintomáticos. O exame consiste na inalação de concentrações crescentes do fármaco broncoconstritor, sendo considerado positivo quando a queda do VEF1 atinge 20% do valor inicial. A variável principal é a dose cumulativa da substância que levou a este decréscimo funcional (PD20). Uma alternativa é o teste de provocação brônquica por esforço, para o diagnóstico de asma induzida por exercício, sendo considerada positiva, neste caso, a queda igual ou acima de 10% do VEF1 em relação ao valor inicial. A realização do teste de provocação é preconizada na suspeita de asma como etiologia da tosse, principalmente naqueles pacientes com história clínica compatível, quando outros exames, em particular a espirometria, não estabeleceram ou eliminaram o diagnóstico. O valor preditivo positivo do teste é elevado, mas a confirmação diagnóstica só ocorre após a melhora clínica com o tratamento da asma, visto que outras causas de tosse (tabagismo, rinossinusite, refluxo gastresofágico, bronquiectasias) também podem apresentar positividade no exame.
	D. Pico de fluxo expiratório seriado: O registro seriado do pico de fluxo expiratório permite a detecção de variações temporais deste parâmetro. A variabilidade do pico de fluxo expiratório intradiária maior que 15% é característica de asma, ainda que não seja critério obrigatório para o seu diagnóstico. O grau de variação intradiária pode também ser utilizado na estratificação de gravidade da doença. A sensibilidade para o diagnóstico de asma é maior com os testes de provocação brônquica, mas em casos duvidosos, a adição de medidas seriadas do pico de fluxo expiratório pode adicionar sensibilidade ao diagnóstico. O teste tem ainda valor em medicina ocupacional, visto que permite estabelecer variações funcionais, correlacionadas com sintomas respiratórios, decorrentes da exposição a agentes inalatórios no ambiente de trabalho.
	E. Carga tabágica: A quantificação da carga tabágica é feita com o cálculo de maços/ano (pack- years) que é o número de cigarros fumados por dia, dividido por vinte e multiplicado pelo número de anos que o indivíduo fumou, designando a exposição do indivíduo ao tabagismo, levando em conta número de cigarros consumidos por dia ao longo dos anos. 
Exemplo: O paciente fumou 30 cigarros por dia durante 15 anos - 30/20 x 15 = 22,5 anos-maço. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia a DPOC começa a surgir a partir de 20 maços/ano. Sendo mais comumente encontrado em cargas tabágicas iguais ou superiores a 40 maços/ano.
	F. Outros testes: Em casos de suspeita de doença intersticial pulmonar como causa da tosse, a determinação dos volumes pulmonares e a prova de difusão do monóxido de carbono devem ser realizadas.
2.3. TRATAMENTO DA TOSSE
	Antes de mais nada, a tosse é um mecanismo de defesa das vias aéreas. A tosse é um sintoma e não uma doença. Tomar remédios indiscriminadamente para interrompê-la pode ser danoso. A maior parte dos casos de tosse são causados por viroses respiratórias que se curam espontaneamente após alguns dias, sendo, portanto, desnecessário tomar remédios para estes quadros. Se as vias aéreas estão cheias de secreções, a tosse é o mais importante mecanismo para limpá-las; inibir a tosse nestes casos só irá causar acúmulo de secreções no pulmão, o que obviamente não é uma boa ideia. Portanto, nenhuma tosse produtiva deve ser interrompida através de remédios, xaropes ou receitas caseiras. Na verdade, nenhum remédio que aja inibindo a tosse deve ser usado sem orientação médica. “Acalmar” a tosse nem sempre é o procedimento mais indicado. Por incrível que pareça, o melhor tratamento para tosse é água, que serve para manter as vias aéreas hidratadas, diminuir a irritação dos tecidos e deixar o muco mais líquido, facilitando sua expectoração. Evitar contato com cigarro também é essencial. Na maioria dos casos o tratamento da tosse passa pelo tratamento da doença que a está causando. O mais importante é lembrar que a tosse é um sintoma, portanto o tratamento deve ser feito contra a condição que a está causando e não contra o próprio sintoma.
	Se a história, exame físico e a radiografia de tórax fornecem subsídios efetivos e suficientes para o diagnóstico etiológico, deve-se realizar o tratamento adequado. Alguns autores estudaram adultos com tosse crônica e encontraram um