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Resumo Gestalt

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Farah, Eliane O., Psicóloga, Gestalt-Terapeuta, Mestre em Psicologia Social, Professora Titular e Supervisora de Estágio Clínico da UNESA, Coordenadora e Professora de Cursos de Formação e Introdução em Gestalt-terapia.
Título: Um primeiro contato com a Gestalt-Terapia.
Público alvo: Profissionais e alunos de Psicologia, bem como profissionais de equipes multidisciplinares interessados em conhecer diferentes abordagens da Psicologia.
Ementa: Principais aspectos da teoria e da prática da Gestalt-Terapia.
Objetivos: 1 - Conhecer os fundamentos da teoria e da prática da Gestalt-Terapia;
	2 - Diferenciar a Gestalt-Terapia de outras práticas clínicas da Psicologia;
	3 - Compreender a diferença entre a abordagem Gestáltica e a Psicologia da Gestalt.
A história da Gestalt-Terapia confunde-se com a história pessoal de seu fundador, Fritz Perls (Friedrich Salomon Perls), uma vez que seu contato com diversos teóricos influenciou, marcadamente, o surgimento e o desenvolvimento inicial da GT (Gestalt-Terapia).
Perls (Berlim, 1893 - Chicago, 1970), formou-se em medicina e trabalhou como neuropsiquiatra entre 1920 e 1926 até que, influenciado por Clara Happel, sua analista, resolveu tornar-se psicanalista e como psicanalista ortodoxo trabalhou entre 1927 e 1934.
Foi assistente de Kurt Goldstein, neuropsiquiatra que, a partir dos trabalhos com lesões cerebrais e influenciado pelo Holismo de Jan Smuts, desenvolveu uma teoria (teoria organísmica) segundo a qual a personalidade é concebida como o organismo total, que é composto de partes diferenciadas, porém nunca isoladas entre si e cuja organização de funcionamento segue o processo de figura-fundo. Goldstein afirma também que todas as necessidades do organismo visam a sua auto-regulação sendo também esta a função de todos os sintomas. 
Laura Perls, sua esposa e colaboradora, foi aluna de Goldstein e defendeu sua tese de doutoramento sobre a Psicologia da Gestalt (O todo é diferente da soma das partes - a percepção é determinada pelo todo e não pelas partes).
A influência da Psicologia da Gestalt ou Gestaltismo sobre o desenvolvimento da GT, além de surgir através dos estudos de Laura Perls, surge também através da Teoria de Campo de Kurt Lewin, segundo a qual a personalidade é concebida como um espaço vital, que reúne a pessoa e o seu meio psicológico, um campo de forças, cuja dinâmica é determinada pelo resultado da relação entre a energia das necessidades da pessoa e a força exercida pelo seu meio psicológico.
Podemos destacar ainda, em relação ao Gestaltismo, as pesquisas de Bluma Zeigarnik (efeito Zeigarnik) sobre o aumento da pressão psíquica e conseqüente aumento de atenção decorrentes de uma tarefa inacabada (gestalt aberta).
A influência do Gestaltismo e das teorias nele baseadas produziu em Perls a noção de que fatos, percepções sensoriais, formas de comportamento e fenômenos são definidos e alcançam seu significado independente e específico somente quando de sua organização e não através de seus componentes individuais.
Outros teóricos, além de Kurt Lewin e Kurt Goldstein, influenciaram o desenvolvimento da GT, como Jung (polaridades), Reich (couraça muscular) e Rogers (congruência/incongruência).
Cabe mencionar, que dado o caráter sintético deste texto, estão sendo arroladas apenas as principais influências.
No que diz respeito à psicanálise, Perls critica a supervalorização do princípio de causalidade (lei da causa-efeito), que, segundo ele, tem como conseqüência a busca unilateral de explicações pra o comportamento perturbado e para a qual propõe que se utilize o pensamento por contrários (pensamento diferenciador), que descreve o comportamento de modo dialético.
Segundo Perls, a motivação básica do organismo é a busca do equilíbrio (homeostase ou auto-regulação), sendo então as pulsões subordinadas à essa busca.
Outra divergência está associada à ênfase da psicanálise nas experiências infantis, o que a torna voltada para o passado, enquanto Perls considera que o passado e o futuro devem ser investigados apenas a partir da experiência no presente.
Perls propõe, ainda, a substituição da associação livre pela concentração na descrição dos aspectos presentes, bem como a troca das associações verbais ou do sonho pela escuta do corpo, das sensações e da emoção.
O rompimento com a Psicanálise foi iniciado com a forte oposição dos membros do Congresso Internacional de Psicanálise em Praga (1936) e a recusa de Freud em recebê-lo, pessoalmente, para discutir seu trabalho intitulado “As resistências orais”.
Em 1946 Fritz mudou-se para os EUA onde trabalhou como psicanalista não ortodoxo até 1950, quando forma o chamado grupo dos sete, composto por ele, sua mulher Laura, Paul Goodman, Isadore From, Paul Weisz, Elliot Shapiro, Sylvester Eastman e Ralph Hefferline. Em 1951 publica o livro “Gestalt-Terapia” que marca oficialmente o início da prática clínica da Gestalt-terapia.
É importante assinalar que a escolha do nome Gestalt-Terapia foi alvo de críticas dentro do próprio grupo uma vez que ela não consistia apenas na prática clínica do Gestaltismo e sim numa prática clínica baseada em várias teorias e conceitos, dentre eles a Psicologia da Gestalt, reunidos em torno de uma base filosófica comum. Outros nomes foram sugeridos como: Psicanálise Existencial, Terapia Integrativa, Terapia Experiencial, Terapia de Concentração, etc.
Assim, o mérito da GT não reside na criação de novos conceitos, embora os tenha, mas sim na originalidade com que muitos conhecimentos da Psicologia são organizados.
A GT surgiu como uma prática clínica e uma teoria desta prática. Contudo, à medida que estudiosos de várias áreas da Psicologia utilizaram seus princípios para o desenvolvimento de novas teorias, surgiu o que se chama de Abordagem Gestáltica, Atualmente já existe uma Abordagem Gestáltica, na Psicologia Clínica, na Psicologia Organizacional, na Psicologia Jurídica, na Psicologia Educacional, na Psicologia Hospitalar, além de outras áreas em desenvolvimento.
Bases Filosóficas da GT
Humanismo - Quando nos referimos ao Humanismo em GT, estamos nos referindo ao chamado “movimento do potencial humano” ou “Psicologia humanista” que em 1961 reuniu muitos teóricos da Psicologia insatisfeitos com a Psicanálise ortodoxa e o Condutismo que haviam reduzido o homem a uma condição de objeto de estudo, sem responsabilidade nem possibilidade de crescimento. Todavia não se desvincula do pensamento filosófico surgido no Renascimento.
A Psicologia humanista sustenta que todo comportamento humano é normal e acentua o desenvolvimento do potencial dos indivíduos.
Existencialismo
Ênfase na vivência concreta; a experiência humana é singular e intransferível; cada pessoa é responsável pelo seu projeto existencial e assim cria sua liberdade relativa.
Fenomenologia
A descrição é mais importante do que a explicação; a percepção corporal da vivência imediata é essencial; o processo fundamental é o que se desenvolve aqui-agora.
Filosofias Orientais - Taoísmo e Zen Budismo
Essa influência em GT surge com a experiência pessoal de Perls como também pela física pós-newtoniana (Frijtof Capra e outros).
Em GT, tal influência enfatiza os seguintes aspectos: a expressão espontânea; a importância do corpo; a liberação das introjeções moralizantes (“devemos ...”); integração das polaridades opostas (bom/mau, força/fraqueza, etc.); concentração no aqui-agora; aceitação “daquilo que é”; continuum de consciência.
Bases teóricas
As mais importantes são: A Psicologia da Gestalt, a Teoria de Campo de Kurt Lewin e a Teoria Organísmica de Kurt Goldstein (já citadas anteriormente).
Pressupostos básicos
1 - Self-suporte como conceituação básica (o ser humano dispõe de todo o equipamento necessário para enfrentar a vida, precisando apenas de tomar consciência de sua força).
2 - Totalidade e integração:
. entre o sentir, o pensar e o agir
. entre o passado, o presente e o futuro
3 - A unidade

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