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Gestao e Organizacao Escolar   Naura Syria Carapeto Ferreira

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e as outras instâncias do sistema educacional constituem o espaço primordial de atuação do profis-
sional da Educação. Por essa ótica, considera-se necessária a inclusão dessa temática no currículo, de 
forma a propiciar a problematização das relações entre processos produtivos e sociais, as mudanças 
nos padrões de gestão e organização do trabalho, as novas exigências postas para a Educação e os 
projetos pedagógicos que vêm sendo construídos. Isso pela compreensão que se tem de que os 
egressos desses cursos com base na docência provavelmente irão atuar nas escolas e nas demais 
instâncias do sistema educacional, ou mesmo em outros espaços educativos que supõem atividades 
de gestão, requerendo, portanto, uma visão ampla e crítica da gestão educacional, além de compe-
tências específicas e de instrumentalização para essa atuação.
É importante dizer que o aprofundamento de estudos, bem como a pesquisa nessa temática 
têm seu espaço próprio no curso de Pedagogia. A atuação do profissional da Educação no campo 
da gestão requer o desenvolvimento de determinadas competências e habilidades que precisam 
ser tematizadas e experienciadas no decorrer do programa de formação, articulando teoria e prá-
tica de forma sistemática. Nessa perspectiva, um curso de Pedagogia que enfatiza essa formação 
precisa contemplar pelo menos três dimensões ou níveis inter-relacionados.
Um primeiro nível voltado para a discussão dos marcos teóricos que esclareçam: 
3 Consultar KUENZER, A. Z. As mudanças no mundo do trabalho e a educação: novos desafios para a gestão In: FERREIRA, N. S. C. Gestão 
Democrática da Educação: atuais ten dências, novos desafios. São Paulo: Cortez, 1998. p. 33-58.
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o entendimento das políticas educacionais no contexto sócio-político-cultural que as en-::::
gendram, bem como de seus desdobramentos nos diversos níveis e instâncias do Poder 
Público, visando à instrumentalização para a intervenção no plano político, pedagógico e 
curricular;
o entendimento da escola como construção histórica e sociocultural e, portanto, em perma-::::
nente mudança; e 
o entendimento dos parâmetros que orientam os processos de gestão educacional, conside-::::
rando as relações entre o mundo do trabalho, da cultura e as relações sociais. 
O segundo nível contemplaria o desenvolvimento da capacidade de inter locução entre os dife-
rentes atores do campo educacional, na construção de processos pedagógicos nas instituições edu-
cacionais ou nos movimentos sociais, pautados pela ética e pelo compromisso com a democratização 
das relações sociais. A aproximação da realidade educativa com as diversas ciências, desde o início do 
curso, é condição para pensar o real concreto e tomar esta realidade como permanente fonte de estudo, 
pesquisa e intervenção pedagógica democrática.
O terceiro nível possibilitaria a aproximação da discussão teórica sobre o planejamento e a gestão 
dos sistemas de ensino, com vistas à compreensão e à apropriação de instrumentais metodológicos e 
tecnológicos passíveis de serem utilizados nas instituições escolares e não-escolares, como elementos 
internos de apoio ao diálogo, à interação e à articulação dessas instâncias com os movimentos da socie-
dade civil (AGUIAR, 2002).
Todavia, dada a complexidade das realidades social e educacional brasileiras, a articulação 
desses níveis no processo formativo ainda pode ser considerada insuficiente. É fundamental inserir, 
nessa formação, oportunidades de vivência em situações que, de forma intencional, induzam à pro-
blematização do trabalho pedagógico e da gestão, com caráter coletivo e interdisciplinar. A postura 
investigativa do profissional de Educação deverá ser marcante nesse processo, contribuindo para a 
ampliação do conhecimento na área. 
Hoje, mais do que nunca, a demanda por profissionais da Educação – que, tendo como base de 
formação a docência, são capazes de assumir outras tarefas no campo pedagógico – indica o fortaleci-
mento dos cursos de Pedagogia e a formação de qualidade do profissional da Educação. 
Uma prática de gestão comprometida com a formação de brasileiros fortes e capazes de dirigir 
seus destinos – os destinos da nação e os do mundo –, tem que possuir a força do conhecimento, eman-
cipação que possibilita o equilíbrio da afetividade nas relações, a competência em todas as atividades e 
a riqueza firme do caráter que norteia as ações (FERREIRA, 2003, p. 113).
Esses são os princípios científicos, técnicos e éticos que devem nortear as tomadas de decisão dos 
profissionais que formam profissionais da Educação. 
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Atividades
1. Na sua opinião, o que vem a ser um bom profissional da Educação? 
2. Discorra sobre os eixos de Kuenzer aos quais o texto se refere.
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3. Para você o que é ser:
a) professor? 
b) gestor? 
c) coordenador pedagógico?
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A administração da escola: 
o que vem a ser?
O que vem a ser administrar uma escola?
Quem já não se perguntou? Quem, entre os educadores, já não se viu apostando nas possibilida-
des de uma renovação nos métodos de gestão escolar que compensassem as falhas do sistema educa-
cional, confrontassem as políticas governamentais e “salvassem” a escola, recuperando-a plenamente 
aos olhos da comunidade? Quem já não se surpreendeu divagando sobre a necessária, mas difícil repo-
sição da escola em geral e da escola pública em particular, nesses tempos que parecem banalizar a crise 
da escola realmente existente em nome de uma ideologia que hipervaloriza a Educação escolar como 
caminho mais adequado para o êxito profissional?
Vive-se, hoje, em uma época de paradoxos e poucas certezas. É quase impossível visualizar saídas 
que não passem pela edificação de um consistente sistema educacional e pela reinvenção da escola. 
Valoriza-se a escola que não se tem – a escola em si – em nome de convicções filosóficas e ético-po-
líticas, mas também porque a sociedade informatizada que se anuncia como “sociedade inteligente” 
sancionou a Educação como chave do futuro e plataforma para uma efetiva reforma cultural. Critica-se 
a escola que existe porque ela expressa muito mais o passado que deploramos do que o presente que 
nos desafia, porque a escola que temos não parece reunir condições de enfrentar esta época de tran-
sição e rupturas, de paradoxos e incertezas. Criticamos a escola que temos porque enxergamos nela o 
resultado vivo de políticas casuísticas, praticadas nos últimos anos, tendo como norte a idéia do “ajuste” 
e da reforma administrativa. Criticamos a escola existente porque a vemos como o resultado vivo da 
incapacidade social de se interessar ativamente pela escola, defendê-la e brigar por ela. 
Estamos cansados da escola que temos porque a escola é um espaço de confusões e expectativas 
mal-dimensionadas, seja por parte de professores e alunos (que já não parecem mais falar a mesma lín-
gua ou respeitar o mesmo “pacto”), seja por parte dos pais e das famílias, que esperam tudo da escola, 
até mesmo uma oferta de disciplina e Educação que deveria decorrer da própria dinâmica familiar.
Podemos criticar a escola existente, mas temos excelentes motivos para defendê-la, para dedicar 
a ela o melhor de nossos esforços, para convertê-la não só em nosso objeto de estudo e trabalho mas 
numa causa ampla, generosa, democrática.
Que a escola está em “crise” e em busca de uma nova identidade é algo consensual, porque a 
sociedade está em crise e a escola reflete a crise da sociedade. Trata-se de um consenso que aponta 
para outro: precisamos reformar a escola e o sistema educacional, tanto quanto precisamos de novas 
políticas e de novos incentivos para a Educação. Ou seja, estamos convencidos de que precisamos mo-
bilizar