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O ESTADO E O DIREITO

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que o termo “ciência política” contempla complexidade e um vasto campo de atuação. E, considerando o fato de que se estuda o comportamento humano em sociedade e a sua relação com o poder, a dimensão do tema é fascinante. 
O brilhante doutrinador italiano, Norberto Bobbio�, em sua obra que contempla uma coleção de trabalhos literários, define ciência política como o “estudo dos fenômenos políticos realizado com a metodologia das ciências empíricas e com o uso das técnicas de investigação da ciência do comportamento.” 
Analisa-se a organização e o comportamento do homem em sociedade, entrelaçado com a figura do Estado, que por sua vez tem a incumbência de coordenar as diretrizes jurídicas e funcionais do país, manter a ordem interna e externa. 
Quanto maior o índice de consciência ética, política e cultural, maior o desenvolvimento social e coletivo. Cabe à ciência política buscar mecanismos para aprimorar este estágio evolucionista, impingindo a cada qual uma responsabilidade individual e ao mesmo tempo coletiva. O homem deve buscar sempre o seu aprimoramento, em todos os sentidos, mas sem esquecer de que convive em ambiente coletivo e a excelência encontrada no seu íntimo só garantirá uma vida plena se a sociedade como um todo, também evoluir. 
Para o mestre Dalmo de Abreu Dallari� “a Ciência Política faz o estudo da organização política e dos comportamentos políticos, tratando dessa temática à luz da Teoria política, sem levar em conta os elementos jurídicos. Tal enfoque é de evidente utilidade para complementar os estudos de Teoria do Estado, mas, obviamente, é insuficiente para a compreensão dos direitos, das obrigações e das implicações jurídicas que se contêm no fato político ou decorrem dele.”
A Ciência Política ocupa-se primordialmente desta análise ou estudo do comportamento do homem em sociedade, onde os aspectos práticos do exercício do poder são de grande relevância. Cuida do papel dos cidadãos e do governo, nas tomadas de decisões de cada qual. Os grupos de pressão, os atos públicos e as decisões políticas carecem de análise da Ciência Política. O objetivo é avaliar e se aproximar ao máximo da compreensão do efetivo e real funcionamento o governo. 
Estuda-se o poder político e sua aplicabilidade e receptividade junto à sociedade. O conceito passa por uma avalição do Estado no contexto do “ser” e não do “dever ser”. Temas bem trabalhados por Aristóteles (“ser”) e Platão (“dever ser”). 
O objeto da ciência política é considerado tão vasto quanto a natureza do governo ou poder. Ela estuda o papel dos cidadãos na tomada de decisões, influência de grupos de pressão, criação e funcionamento de partidos políticos, o papel da imprensa no processo político, etc. É um constante observar da sociedade e sua forma de agir e coordenar atividades. Analisa-se de forma preocupada e atenta o comportamento humano, onde carrega uma grande tarefa de melhor equacionar a interação entre os homens e suas crenças, ideologias, religião e pensamentos.
A história moldou e forjou a “ciência política”, tendo o homem como principal personagem, o qual através de sua conduta transformou o mundo. E agora precisa ajustar esta forma de conviver social dentro de uma máquina denominada Estado. Tarefa árdua e complexa, em face das dificuldades que nos deparamos, quando se trata regulamentar formas de ser e de agir do homem. 
Por sinal, a escola alemã contribuiu para uma importante conquista do período contemporâneo, na qual prega-se a desvinculação da pessoa física do rei com a figura do Estado (pessoa jurídica). Várias consequências decorrem da institucionalização do Estado como ente jurídico. A principal foi a desvinculação da figura do governante do próprio Estado, o que permitiu o controle do poder e das autoridades governamentais e fortaleceu o Legislativo e a identificação do Direito à legalidade formal. 
Teoria Geral do Estado 
Partindo-se da premissa defendida por alguns doutrinadores de que a Ciência Política é mais ampla que a Teoria Geral do Estado, seria lícito concluir que o objeto da Ciência Política é o estudo da convivência humana em coletividade – especialmente a mais complexa delas, que é o Estado; ao passo que o objeto da Teoria Geral do Estado limitar-se-ia ao Estado em si mesmo, ainda que de forma abrangente a incluir o exame de sua totalidade material, formal e teleológica.� 
Para Dalmo de Abreu Dallari quanto ao objeto da Teoria Geral do Estado “pode-se dizer, de maneira ampla, que é o estudo do Estado sob todos os aspectos, incluindo a origem, a organização, o funcionamento e as finalidades, compreendendo-se no seu âmbito tudo o que se considere existindo no Estado e influindo sobre ele.”�
Segundo Darcy Azambuja�, a Teoria Geral do Estado é uma verdadeira ciência pois estuda como aparece o Estado, os diversos tipos que apresenta através da história, a sua estrutura, a sua forma, os seus objetivos.
Alguns doutrinadores encaixam a Teoria Geral do Estado como um ramo da Ciência Política, a qual procura compreender e retratar a realidade de um país, através do conhecimento do fenômeno político e sua relação com o poder. 
Entende-se também Teoria Geral do Estado como um conjunto de direitos ordenados, sistematizados e explicados, que se sucedem na estrutura do poder, regulando a sociedade que compõem o Estado. 
Para Aderson de Menezes� "a Teoria Geral do Estado é a ciência geral que, na análise dos fatos sociais, jurídicos e políticos do Estado, unifica esse tríplice aspecto e elabora uma síntese que lhe é peculiar, para estudá-lo e explicá-lo na origem, na evolução e nos fundamentos de sua existência".
Estado: “relação de dominação do homem sobre o homem”. “Monopólio do uso legítimo da violência física – Direito à violência” (Max Weber).
O Estado é uma instituição social e jurídica e esta natureza justifica a maneira de indagá-lo. 
Segundo Dallari, pode-se dizer que, assim como a ciência política, a noção de Teoria Geral do Estado envolve uma disciplina que sistematiza e contempla conhecimentos jurídicos, filosóficos, sociológicos, políticos, históricos, antropológicos, econômicos, psicológicos, valendo-se de tais conhecimentos para buscar o aperfeiçoamento do Estado, concebendo-o, ao mesmo tempo, como um fato social e uma ordem, que procura atingir os seus fins com eficácia e com justiça.
Atesta-se ainda que a Teoria Geral do Estado configura a parte geral do Direito Constitucional, a sua estrutura teórica. Não se limita a estudar a organização de um único Estado, mas os princípios essenciais que regem a formação e a organização de todos os Estados, seja no campo sociológico, axiológico ou político. Pedro Calmon, citado por Maluf enumera que a Teoria Geral do Estado é exatamente a mais sociológica, a mais histórica, a mais variável das esferas reservadas à compreensão do fenômeno da ordem coletiva.�.
É imperioso reconhecer a importância e amplitude da disciplina: “O de que mais se precisa no preparo dos juristas de hoje é fazê-los conhecer bem as instituições e os problemas da sociedade contemporânea, levando-os a compreender o papel que representam na atuação daqueles e aprenderem as técnicas requeridas para a solução destes”�. 
Há três pontos que devem ser ressaltados: 
	a) é necessário o conhecimento das instituições, pois quem vive numa sociedade sem consciência de como ela está organizada e do papel que nela representa não é mais do que um autômato, sem inteligência e sem vontade; 
	b) é necessário saber de que forma e através de que métodos os problemas sociais deverão ser conhecidos e as soluções elaboradas, para que não se incorra no gravíssimo erro de pretender o transplante, puro e simples, de fórmulas importadas, ou a aplicação simplista de idéias consagradas, sem a necessária adequação às exigências e possibilidades da realidade social;
	c) o conhecimento da estruturação do ordenamento jurídico e aspectos que irão influir na própria elaboração do direito.
A matéria política

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