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Lesões ligamentares do tornozelo Profa. Gabriela Maciel ANATOMIA 26 ossos irregulares + de 100 ligamentos + de 23 músculos 3 articulações importantes Talocrural Subtalar Talocalcâneonavicular TORNOZELO A articulação do tornozelo (talocrural) é constituída pelo encaixe do corpo do talus na pinça maleolar Formada por: tíbia e fíbula (articulação tibiofibular) tíbia e talo (articulação tibiotalar) TORNOZELO Ocorrem apenas dois movimentos ativos nesta articulação: Dorso-flexão (20°) Flexão plantar (±30 a 50°) Função + estabilidade ligamentos posição do tornozelo quando recebe a carga parte lateral + susceptível a lesões (85% dos entorses) ESTRUTURAS LIGAMENTARES: Sindesmose tibiofibular distal Complexo ligamentar lateral Complexo ligamentar medial ESTRUTURAS LIGAMENTARES: SINDESMOSE TIBIOFIBULAR DISTAL: Faz o encaixe perfeito do maléolo fibular na incisura fibular da tíbia, é constituída pelos ligamentos: Tibiofibular anterior (LTFA) Tibiofibular posterior (LTFP) Interósseo COMPLEXO LIGAMENTAR LATERAL Faz com que o maléolo fibular seja o mais importante para estabilidade e mobilidade Talofibular anterior (LFTA) Talofibular posterior (LFTP) Calcâneofibular (LFC) COMPLEXO LIGAMENTAR MEDIAL Feixes superficiais do ligamento deltoide: Tibionavicular Tibiocalcâneo Tibiotalar posterior Feixes profundos PATOLOGIA A lesão ligamentar de tornozelo e pé é considerado o trauma mais frequente entre os atletas. De 20 a 40% da lesões tratadas de forma conservadora evoluem com sintoma residual (instabilidade articular e artrose) ?? LESÕES DE TORNOZELO ?? Anatômica: Diferença da pinça bimaleolar Funcional: Articulação de carga Funcional: Articulação de adaptação da locomoção ao solo CONTUSÃO CONTUSÃO É o impacto direto ou indireto sobre tornozelo e pé Podem ser atingidos: pele, tecido subcutâneo, bainhas tendíneas, tendões, vasos e nervos Quadro clínico: Hematoma/edema Dor em determinados movimentos Alteração de sensibilidade Dificuldade de apoio, porém sem incapacidade ENTORSE ENTORSE / LESÃO LIGAMENTAR São as lesões ligamentares mais frequentes nos esportes (15%): 31% no futebol e 45% no basquete Quando não bem tratados apresentam de 20 a 40% de sintomas residuais A maioria dos entorses ocorre em inversão, em 60 a 70% há lesão do talofibular anterior (porção medial) Quando há ruptura do talofibular anterior, pode haver lesão adicional do calcaneofibular (20%) ENTORSE / LESÃO LIGAMENTAR ENTORSE / LESÃO LIGAMENTAR Apenas 1 a 10% das entorses são de lesões na sindesmose tibiofibular, quando ocorre há lesão do LTFA. A lesão isolada do ligamento deltóide é rara (2,5%), o mecanismo de abdução e rotação externa provocam a lesão ligamentar e fratura fibular. DIAGNÓSTICO Avaliar: Mecanismo de trauma Ponto doloroso Capacidade funcional DIAGNÓSTICO Obter a história do paciente: Local do trauma, mecanismo de entorse... Observar os sinais clínicos: Dor, edema/derrame, ADM... Avaliação radiológica (verificar fraturas) DIAGNÓSTICO Testes: Gaveta anterior: Realiza o deslocamento do talo no interior da pinça bimaleolar; testa lesão de LTFA. DIAGNÓSTICO Testes: Inclinação lateral do talo: Realiza deslocamento em varo do talo no interior da pinça bimaleolar; testa lesão de LCF. DIAGNÓSTICO Testes: Teste de Pillings (compressão lateral): Realiza a compressão da fíbula contra a tíbia; testa lesão da sindesmose TF distal. CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES AGUDAS Grau I: Pouca ou nenhuma laceração de fibras Dor instantânea, seguida de alívio e retoma a dor ao repouso Edema discreto, ou nenhum Estabilidade articular Testes negativos CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES AGUDAS Grau II: Laceração moderada de fibras, ligamento alongado Dor instantânea e ininterrupta, dificultando ou impedindo a atividade Edema moderado e rápido Perda parcial da estabilidade articular Algum teste positivo (gaveta anterior) CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES AGUDAS Grau III: Entorse grave com ruptura TOTAL de um ou mais ligamentos Dor instantânea e ininterrupta, impedindo a atividade Aumento de volume rápido (edema e hematoma) Perda da deambulação Geralmente mais de um teste positivo CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES AGUDAS LESÕES CRÔNICAS Paciente com instabilidade crônica relata história de vários episódios de torção de intensidade variada, muitas vezes sem tratamentos adequados. Geralmente apresentam dor e edema residuais que não incapacitam para as atividades corriqueiras, mas interferem na prática de atividade esportiva ou em atividades de maior intensidade. O paciente normalmente refere receio de realizar movimentos de mudança rápida de direção ou o uso de salto alto, sob pena de manifestar a instabilidade. LESÕES CRÔNICAS CAUSAS: Instabilidade funcional Ruptura ligamentar completa Entorses ligamentares inadequadamente tratados Deformidades do pé Causas não diagnosticadas CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CRÔNICAS Instabilidade funcional: Caracterizada pela sensação subjetiva de que o tornozelo cede ou se “desloca” Ocorre após a lesão da articulação, cápsula e ligamentos, com perda de fibras nervosas sensoriais proprioceptivas Deficiência proprioceptiva Provoca entorses de repetição Dificuldade para andar em solo irregular Ø movimento anormal CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CRÔNICAS Instabilidade funcional: Teste de Romberg modificado: Testa a instabilidade; paciente com apoio unipodal inicialmente com o pé sadio, de olhos abertos e depois fechado, depois testa o pé lesionado. Oberva a diferença entre os lados. CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CRÔNICAS Instabilidade mecânica: Movimento anormal da articulação Limite de movimento além do limite fisiológico Testes de instabilidade positivos (frouxidão ligamentar) Normalmente envolve lesão do talofibular anterior (LFTA), do calcâneofibular ou ambos. CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CRÔNICAS Entorses ligamentares tratados de forma inadequada: Ocorre a formação de tecido de granulação crônico na origem do ligamento ou a formação de aderências. Paciente apresenta frouxidão súbita ao realizar movimentos rápidos com mudança de direção Presença de dor excessiva ao estirar a área inadequadamente tratada CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CRÔNICAS Deformidade do pé: CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CRÔNICAS Causas não diagnosticadas: Em uma pequena proporção de pacientes, particularmente mulheres, nenhuma causa óbvia pode ser demonstrada As vezes são atribuídas a uso de calçados inadequados, salto alto ou que se desgastam desigualmente Exercícios ativos e reeducação proprioceptiva são indicados ?? TRATAMENTO CONSERVADOR X CIRUGIA ?? Não há ≠ entre tratamento conservador com imobilização, conservador funcional e cirúrgico quanto as chances de instabilidade funcional tardia Não há ≠ para persistência da dor, edema e limitação funcional O tratamento funcional devolve a ADM mais rápido, mas após 1 ano não há ≠ ?? TRATAMENTO CONSERVADOR X CIRUGIA ?? Tratamento com imobilização ou cirurgia causa maior atrofia mm de panturrilha, mas após 6 meses não há ≠ Tratamento funcional tem menor tempo para volta as atividades Não há ≠ em relação à reincidência Não há ≠ em relação à estabilidade Os tratamentos conservadores tem menor índice de complicações TRATAMENTO CONSERVADOR GRAU I e II Tratamento funcional: 1ª fase: PRICE por 1 a 2 semanas Deambulação reduzida Quando a dor, realizar flexo-extensão ativa GRAU I e II Tratamento funcional: 2ª fase: Recuperação funcional muscular Propriocepção 3ª fase: Exercícios de força, agilidade, amplitude de movimento e propriocepção PROGRAMA DE TTO – 2ªe 3ª fase: Andar o mais normal possível, realizando o apoio do calcanhar para dedos Uso de anti-inflamatórios Crioterapia PROGRAMA DE TTO – 2ª e 3ª fase: Exercícios ativos e de reeducação postural, com prancha proprioceptiva, para estimular as fibras nervosas e mecanorreceptores lesionados Mobilização passiva GRAU III Imobilização por 4 a 6 semanas, podendo realizar ICE por alguns dias Após 3 semanas apoio sem muletas e exercícios leves TRATAMENTO CONSERVADOR LESÃO CRÔNICA Programa de tratamento: Alongamento músculo-tendíneo Melhora da força muscular, principalmente eversora Readequação do equilíbrio e controle neural TRATAMENTO CIRÚRGICO LESÃO AGUDA Realizada na intenção de evitar cicatrização ligamentar viciosa, frouxidão e instabilidade Indicado principalmente no grau III em esportista Bons estudos !!! REFERÊNCIAS: MAITLAND, G. D.; CORRIGAN, B. Prática clínica Ortopedia e Reumatologia. São Paulo: Editora Premier, 2000. HEBERT, S. et al. Ortopedia e traumatologia: princípios e prática. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. FALOPPA, F.; ALBERTONI, W. M. Guia de Ortopedia e Traumatologia. São Paulo: Manole, 2008.