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Fichamento KLEIN, Richard G.; BLAKE, Edgar. O despertar da cultura: a polêmica teoria sobre a origem da criatividade humana. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. p. 11-24. - Citações “Os sedimentos da caverna (Enkapune Ya Muto ou Caverna do Crepúsculo) trazem gravadas importantes transformações culturais ocorridas há alguns milhares de anos (...) estão enterrados a mais de três metros de profundidade na areia (...) milhares de pedaços de obsidiana (...) foram a muito tempo talhados na forma de facas do comprimento de um dedo, com gumes tão afiados quanto o de bisturi (...) cerca de 600 fragmentos de casca de ovo de avestruz, dos quais 13 talhados como contas em forma de discos (...) Há 40 mil anos uma pessoa, ou um grupo de pessoas, agachava-se perto da entrada de Enkapune Ya Muto para perfurar buracos em fragmento angulares de casca de ovo de avestruz e raspar as extremidades de cada pedaço até sobra apenas um anel delicado.” Pag. 11. “Se dedica a essa atividade aparentemente esotérica. Há mais de 30 mil anos (...) Ambrose acredita que essas antigas contas desempenharam um papel fundamental na estratégia de sobrevivência dos artesões e suas famílias. (...) os presentes mais apropriados para todas as ocasiões são exatamente cordões de contas de casca de ovo de avestruz. (...) as contas servem como símbolos. Elas representam cooperação entre vizinhos ou grupos distantes de pessoas. (...) um símbolo leve e portátil de obrigações mútuas (...) um sistema de segurança social de longo período e longa distância (...) então a ‘caverna do crepúsculo’ pode ter registrado o despertar do comportamento humano moderno. A comunicação pelos símbolos.” Pag. 12. “as contas simples, laboriosamente modeladas a partir da casca do ovo de avestruz, indicam que os habitantes da África oriental naquela época tinham alcançado capacidades cognitivas superiores às de qualquer população precedente na humanidade.” Pag. 14. “nenhuma das cavernas klaises havia contas de casca de ovo de avestruz como as de Enkapune Ya Muto ou forneceu algum outro objeto indiscutivelmente simbólico.” Pag. 16. “há aproximadamente 20 mil anos, as pessoas tinham desenvolvidos armas de arremesso como o arco e a flecham, que lhes permitiram atacar presas perigosas a distância e dessa forma limitar o risco pessoal.” Pag. 17. “Após o período de 50 mil anos, a evolução anatômica cessou, enquanto a revolução comportamental se acelerou de forma acentuada. Pela primeira vez havia desabrochado entre os seres humanos a capacidade para a produção de cultura, baseada numa quase infinita aptidão para inovar.” Pag. 19. “Apesar de nossos corpos terem mudado pouco nos últimos 50 mil anos, a cultura evoluiu num ritmo espantoso e continuamente acelerado.” Pag. 20. “inovações evolutivas aparecem de maneira repentina e com pouca freqüência. É nesses pontos de mudança abrupta, muitas vezes marcados por modificações climáticas ou do ambiente, que novas espécies tendem a surgir. Grandes transformações climáticas não só criam novas oportunidades ecológicas, elas também extinguem espécies existentes, desobstruindo o campo ecológico para novas espécies.” Pag. 20-21. “três ou quatro eventos repentinos que apresentamos levou a um despertar da cultura humana moderna (...) o primeiro evento aconteceu por volta de 2,5 milhões de anos atrás, quando os instrumentos de pedra lascada fizeram sua primeira aparição (...) o segundo evento teve lugar por volta de 1,7 milhões de anos atrás. As pessoas daquela época foram as primeiras cujos corpos tinham proporções humanas em comparação aos macacos (...) o terceiro evento documentado de maneira menos positiva, ocorrei por volta de 600 mil anos atrás. Naquele momento houve um rápido avanço quanto ao tamanho do cérebro (...) o quarto e mais recente evento ocorreu há cerca de 50 mil anos e é – especula-se – o mais importante de todos, pois produziu a habilidade moderna de inventar e manipular a cultura.” Pag. 21-22. “a cultura fornece um modo vantajoso e inigualável de adaptação às mudanças ambientais. As inovações culturais podem ser acumuladas muito mais rapidamente do que as mutações genéticas, e as boas idéias podem espalhar-se tanto horizontalmente, pelos povos, quanto verticalmente, pelas gerações.” Pag. 24. - Reflexões O texto mostra para o leitor a história de algumas civilizações africanas das quais a cultura humana teria surgido, derrubando a teoria que o homem teria nascido na Europa. Faz um relato histórico, arqueológico e antropológico para mostrar que a capacidade humana de “pensar” é um fato recente cerca de 50 mil anos atrás. Desde a descoberta de contas feita de casca de ovo de avestruz na caverna do crepúsculo, que seria isso o primeiro vestígio de pensamento cultura humano, ficou claro para os pesquisadores que desde essa época o homem desenvolveu uma capacidade cognitiva, pois utiliza as contas como uma simbologia de relações entre as possíveis sociedades daquela época. Seria um colar feito dessas contas uma forma de acordo de mutua ajuda entre essas sociedades. Mas o uso da cognição não ficou apenas na simbologia da contas, mas pode ser vista também com a evolução das ferramentas fabricadas pelos homens daquele período que passaram de algumas pedras afiadas para machados de mãos, arco e flecha, iscas para pescar, entre outras formas que eles encontram para suprir a necessidade de ferramentas para tira à pele das caças, cortarem a carne, quebrem os ossos. Os autores tentam dar uma explicação de porque a evolução não ocorre hoje, dizendo que a cerca de 50 mil anos atrás o desenvolvimento físico cessou, porém o desenvolvimento cultural teve uma disparada. E falam ainda de algumas teorias evolutivas, pois segundo como comentado no livro a evolução ocorre de forma abrupta, com alterações climáticas de onde podem surgi novas espécies e melhoramento de outras. No capitulo lido eles mostram também quatro possíveis eventos que teve papel importante na evolução humana, sendo o primeiro deles o desenvolvimento de ferramenta de pedra lascada, o segundo foi a alteração biológica onde os homens passaram a aparecer com os homens modernos se com parados a macacos, o terceiro seria o desenvolvimento de um cérebro maior e o quarto e ultimo seria a capacidade de inventar e manipular a cultura. E por fim eles dizem que a evolução cultural faz com que o homem se adapte as alterações climáticas e que essa evolução pode ser acumulada muito mais rapidamente que a evolução genética. Este capitula lido apresenta de forma clara a importância do surgimento de cultura para humanidade, fazendo nos refletir sobre alguns problemas existentes hoje como o aquecimento global e as possíveis alterações que serão necessárias para adaptação do homem. Mostram que a capacidade humana de criar fez diferença para a evolução humana.