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ANTROPOLOGIA
A BUSCA DE COMPREENSÃO DO SER HUMANO EM SUA INTEIREZA
# Daí a busca em relacionar campos de investigação frequentemente separados.
A BUSCA DE COMPREENSÃO DO SER HUMANO EM SUA DIVERSIDADE
# Daí o estudo das várias sociedades humanas (p.16-22)
Revolução do Olhar
Eu sou mil possíveis em mim; mas não posso me resignar a querer apenas um deles. (Roger Bastide)
# A descoberta da alteridade é a de uma relação que nos permite deixar de identificar nossa pequena província de humanidade com a humanidade, e correlativamente deixar de rejeitar o presumido “selvagem” fora de nós mesmos. P.23
CONFRONTO ENTRE PLURALIDADE E UNIDADE
Problemas de ordem metodológica;
Urgência na preservação dos patrimônios culturais ameaçados;
Urgência de análise das mutações culturais;
PRÉ-HISTÓRIA DA ANTROPOLOGIA
Marco: a descoberta do novo mundo durante o Renascimento europeu.
Problema: como explicar o índio? 
Posturas: 
 recusa do estranho
 fascinação pelo estranho
RECUSA PELO ESTRANHO
Centra-se na idéia de que o selvagem é mau e o civilizado é bom
“As pessoas desse país, por sua natureza, são tão ociosas, viciosas, de pouco trabalho, melancólicas, covardes, sujas, de má condição, mentirosas, de mole constância e firmeza (...). Nosso Senhor permitiu, para os grandes, abomináveis pecados dessas pessoas selvagens, rústicas e bestiais, que fossem atirados e banidos da superfície da terra”.(sepulvera, p.42)
A FASCINAÇÃO PELO ESTRANHO
Centra-se na idéia de que o selvagem é bom e o civilizado é mau.
“Àqueles que pretendem que os índios são bárbaros, responderemos que essas pessoas tem aldeias, vilas, cidades, reis, senhores e uma ordem política que , em alguns reinos, é melhor que a nossa. (...) Esses povos igualavam ou até superavam muitas nações do mundo (...) Assim, igualavam-se aos gregos e os romanos, e até, em alguns de seus costumes, os superavam(...).” (Las Casas, p. 38)
ETNOCENTRISMO
É uma visão do mundo onde o “nosso grupo” é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos próprios valores e nossas definições do que é existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc.
De um lado, conhecemos um grupo do “eu”, o “nosso” grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, ou seja, um reflexo de nós. Depois, então, nos deparamos com um grupo diferente, o grupo do “outro”, que às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos como possíveis.
ETNOCENTRISMO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
A “indústria cultural” está freqüentemente fornecendo exemplos de etnocentrismo. Rotulamos e aplicamos estereótipos através dos quais nos guiamos para o confronto cotidiano com a diferença. Como as idéias etnocêntricas que temos sobre as “mulheres”, os “negros”, os “empregados”, os “paraíbas de obras”, os “colunáveis, entre outros”.
RELATIVIZAÇÃO
Existem idéias que se contrapõem ao etnocentrismo. Uma das mais importantes é a da relativização. A Antropologia sempre soube conhecer a diferença, não como ameaça a ser destruída, mas como alternativa a ser preservada, seria uma grande contribuição ao patrimônio de esperanças da humanidade
A ESTRANHEZA DO ESTRANGEIRO
JD: Proponho começar definindo a estranheza do estrangeiro. O que a constitui? (...) “O que é estranho no estrangeiro é o fato de ele não ser eu”. Bom começo. Se ele não é eu, quero ou que se torne, ou desapareça.
PR: O estrangeiro é uma espécie de lugar vazio. Sabemos a que pertencemos, mas não sabemos quem são os outros em suas terras. Só por uma espécie de reação é que nos sentimos nós mesmos estrangeiros, conforme o modelo da estranheza do estrangeiro. A consciência disso nos põe num caminho de reconhecimento mútuo ...
Hoje, as relações de dominação política, que podiam ser traduzidas pela guerra, deslocam-se rumo a polemização das relações econômicas e culturais. As relações de dominação tornam-se mais sorrateiras, mais dissimuladas, mais pregnantes.
O PRINCÍPIO DE HOSPITALIDADE
O princípio de hospitalidade é homogeneizante. 
A dominação é hierarquizante.
JD: Hannah Arendt confidencia esta coisa notável: “Quando eu só sabia uma única língua, a minha, o alemão, tive a impressão de um universo onde tudo o que pudesse ser diferente era um estorvo em meu pensamento. E quando conheço as línguas latinas, tive a impressão de uma transformação incrível, alterei minha visão do mundo, não chamei mais as coisas por seu próprio nome. “No fundo. Esse enriquecimento lingüístico é o do estrangeiro.
O PRINCÍPIO DE HOSPITALIDADE
O problema não é criar um esperanto. É ser poliglota, isto é, praticar, habitar várias casas de linguagem. Tem-se aí um modelo de hospitalidade: a hospitalidade linguageira. Receber a língua estrangeira em casa, e habitar a língua do outro. Politicamente, é muito importante, isso implica o direito de ser recebido em qualquer país não como inimigo, mas como amigo, porque justamente a hospitalidade não anula a diferença. É a mudança de domicílio que não é a abolição da diferença.
... a xenofobia oscila entre a fragilidade constitucional e a patologia que devemos poder curar. Creio que a benevolência para com nossos concidadãos reside em considerá-los não como doentes, mas como tendo juízo falseado, logo tendo opiniões falsas. É um problema de verdade sobre a natureza do pertencer a um grupo social. É preciso começar dizendo que a xenofobia é natural e espontânea. É preciso confessa-lo, e a questão é saber o que fazemos com ela, não negá-la.
Um único ser, um único grupo, uma única raça são estranhos e bastaria suprimi-los para que a estranheza desaparecesse com o mal. Trata-se de uma tentação ainda maior na medida em que a “expiatorização” do estrangeiro permite recuperar uma identidade coletiva, a qual , como a identidade pessoal, é algo incrivelmente frágil.
JD. (...) Como chegamos a matar este outro sem o qual nada somos? A que momento o ato do assassinato triunfa sobre a censura da interdição de matar? Para mim, é um dos problemas mais urgentes e mais concretos da filosofia.
		PR: É este abrandamento da censura do assassinato que me parece perturbador. Ele abre caminho para uma verdadeira cultura da morte que se poderia resumir assim: prefiro perder com meu adversário do que ganhar com ele.”

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