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INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA DISCIPLINA: ERGONOMIA PROFESSOR: MARCOS VEZZANI ALUNA: LORENA BOTELHO PAVANATTI RESENHA CRÍTICA “O operário”, escrito por Scott Kosar e dirigido por Brad Anderson, tem como protagonista Travor Reznik (Christian Bale), um homem solitário que trabalha em uma fábrica de máquinas e há um ano foi diagnosticado com insônia crônica. Após um acidente de trabalho, aparentemente causado por seu déficit de atenção, sua vida torna-se uma grande paranoia. Desde então, o cansaço vem destruindo sua integridade física e mental. O filme é apresentado de forma segmentada, repleto de cenas sem coerência, mas que tem suas cenas "interrompidas" preenchidas ao fim de um quebra-cabeça como um processo de memória recuperada. O filme se passa num ritmo um tanto “e frenético” até que os acontecimentos sejam explicados, sendo difícil diferenciar o que é realidade ou alucinação. Fazendo uma ponte com o homem no trabalho, vale salientar que os seres humanos participam simultaneamente e integralmente dos processos e da organização da empresa ou grupo em que trabalham, e continua ao afirmar que as camadas do sistema biopsicossocial que compreendem o integral da pessoa estão indissociadas e comprometidas com o processo de vida e funcionamento da empresa ou instituição. O trabalhador se empenha não apenas fisicamente, pois, há um engajamento de subjetividade, inteligência do seu próprio eu na atividade que este executa; isso é chamado de mobilização subjetiva por Dejoursapud Mendes. O dinamismo humano fruto da interação do ser (seus sistemas, sua razão, sua mente) com o meio que o circunda pode acarretar em impactos graves desde estresse a somatizações e doenças mentais, Limongi- França (2008). E no discurso dessa totalidade de participação e compreensão do homem na sua complexidade que se pode localizar o Reznik no filme, assim sendo, ele permite a visualização do surgimento de um “eu psíquico” no seu ambiente de trabalho, onde ainda se manifestam muitos dos seus receios relacionados à história de vida, recentemente marcada pela negação de si mesmo. Pode-se afirmar que o filme se inicia com a imagem de uma espécie de crime e então surge uma pergunta que norteia toda a história: “Quem é você?”. É possível observar que o personagem Reznik, entorno do qual as cenas circulam, tem atitudes consideradas “esquisitas” e uma gradação física notadamente percebida pelos seus colegas de trabalho, vindo, pois, a ser chamado pelo administrador que o alerta sobre cuidados para com a saúde. Algo que também pode ser percebido tendo por base Spector (2010), é que seu ambiente de trabalho não era muito favorável à saúde, isso por vários motivos, entre eles, no ambiente - viam-se ruídos excessivos e quase constantes, movimentações repetitivas e monotonia. O autor afirma que ruídos não apenas ampliam a possibilidade de perda de audição, como também diz ter alguma relação com um futuro problema cardíaco; a partir desse problema dos movimentos repetitivos e monotonia é possível desenvolver alguma lesão por esforço repetitivo e ainda desenvolver estresse, uma vez que o fator estressor pode ser não só a monotonia ou a repetitividade de estar sempre operando uma máquina, mas também é estressante o ambiente sombrio intensamente perigoso, cujo um descuido pode resultar em mutilação de um membro. Por último, a excessiva cobrança e fiscalização (do filme) é um fator estressor relevante a partir das pesquisas de Jacques (2003), o Reznik, sendo visto como “esquisito” pelos seus colegas de trabalho, logo que não frequentava o jogo de baralho com os mesmos, sofria de insônia há um ano e estava ou era solitário; tudo o aqui mencionado aumenta a possibilidade de um estresse biológico, psicológico e social. Tanto afetado estar o Reznik, que se percebe outro até então desconhecido; e torna-se vítima de ilusões auditivas e visuais – como também sintomas de transtorno obsessivo compulsivo – lavava sempre as mãos e na primeira oportunidade limpava cerâmica ou o banheiro com alvejante independente do horário à noite. Não se percebeu por parte da empresa um aparato de apoio no mínimo psicológico, emocional, e nem sequer era perceptível uma relação mais próxima interpessoal entre empresa e o trabalhador, há sim um questionamento sobre a saúde de Reznik, não tendo em vista a saúde nela mesmo, mas sim o maior desempenho no serviço e mais produtividade.