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Exame físico abdominal I Sistematização do cuidar III Profª: Giselle Cristina Introdução: O aparelho digestório é de vital importância, uma vez que fornece ao organismo suprimentos contínuos de água, nutrientes e eletrólitos. Para cumprir essa função básica, o sistema deve estar estruturalmente adaptado para ingerir, mastigar e movimentar o bolo alimentar ao longo do tubo digestivo; secretar enzimas digestivas e substâncias que determinam as alterações químicas nos alimentos que compõem o bolo alimentar; absorver e transportar a água, eletrólitos, as substâncias resultantes da digestão e eliminar os resíduos não aproveitadas pelo organismo. Revisão da anatomia: TGI : tubo em continuidade com meio externo (7-8m). Boca: mastigação e lubrificação (amilase salivar). Esôfago: localizado atrás da traquéia e coração. Possui peristalse ativa. Estômago-porção superior do abdome à esquerda da linha média, com capacidade de cerca de 1500ml, fundo em contato com diafragma, produz ácido clorídrico – digestão proteínas. Duodeno: ligação entre estômago e intestino. Proximal–jejuno; distal- íleo local de drenagem pancreática e biliar Intestino grosso: cólon ascendente, transverso, sigmóide e reto (absorção de água formação bolo fecal, grande população bacteriana). Fígado: principal órgão metabólico. Vesícula biliar: armazena bile. Vias biliares: ligado à vesícula e duodeno pelo colédoco. Revisão da anatomia: Duodeno: localizado próximo ao estômago (cerca de 25 cm), Jejuno: É a parte central (2,5 metros) Íleo: próximo ao intestino grosso (3,5 m). Essas duas últimas regiões são difíceis de serem identificadas e diferenciadas, sendo constante e corretamente chamados de jejunoíleo. INTESTINO DELGADO Planejamento do exame físico: A execução do exame físico do abdome deve ser precedida do planejamento das condições ideais, de modo a garantir o conforto e a segurança do paciente. Ambiente: Deve ter boa iluminação e ventilação; Garantir privacidade; Deve possuir mobiliário básico; Material necessário: Balança antropométrica; Estetoscópio; Fita métrica; Relógio de segundos; Luvas de procedimento; Planejamento do exame físico: O Paciente: A posição mais adequada é o decúbito dorsal, com os brações estendidos ao longo do corpo. Colocar um travesseiro pequeno deve ser colocado sob a cabeça e outro sob os joelhos; Solicite que o paciente esvazie a bexiga; Planejamento do exame físico: A anamnese: Realizada antes do exame físico. História da doença atual (HDA): Início/ Dor/ Intensidade/ duração/ associação e etc. História patológica pregressa(HPP): HAS?/ DM?/ apendicite/ hérnias/ úlceras e etc. História familiar (ex: Câncer) Hábitos alimentares: nº de refeições diárias; tipos de alimentos ingeridos; intolerância alimentar, restrições alimentares culturais ou orientadas por tratamentos e etc. Alterações de peso: peso habitual, peso que ganhou ou perdeu ultimamente e etc. Planejamento do exame físico: Planejamento do exame físico: Hábitos intestinais: frequência e consistência das evacuações e em que período; queixa de diarréia ou constipação; descrição da cor, odor, volume, presença de sangue ou muco, dor associada ao ato de evacuar, perda involuntária de fezes, distensão abdominal e uso de medicamentos; Dor: contínua ou intermitente, superficial ou profunda, intensidade, características, propagação para outras regiões, sinais e sintomas associados e etc. Presença de soluços: início e evolução do sintoma, relação com a ingestão de alimentos; INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO: Sialorreia: produção excessiva de saliva; Disfagia: dificuldade de deglutição Odinofagia: dor associada a deglutição; Pirose: sensação de queimação retroesternal e pode estar relacionada a ingestão de alguns alimentos; Eructação: regurgitação de ar; Dispepsia: Sensação de plenitude gástrica; Náuseas e vômitos: intensidade, frequência, períodos do dia que ocorrem, fatores desencadeantes, material eliminado; Presença de icterícia; Ascite; Planejamento do exame físico: Planejamento do exame físico: Pesquisar a presença de SANGRAMENTOS!!! Hematêmese: Vômitos com sangue vermelho vivo ou em borra de café. Melena: Fezes escuras (sangue oculto nas fezes). Geralmente possuem odor fétido. Realizar o teste da catalase. Hematoquezia: Eliminação de sangue vivo via anal; Examinando o abdome: Para a realização do exame físico abdominal é necessário dividir o abdome, não só para facilitar a descrição, mas também localizar os órgãos e os pontos de referência relativos à dor ou à presença de massas. São utilizados dois métodos: a divisão em quatro quadrantes e em nove regiões. Abdome em quadrantes: Examinando o abdome: Quadrante superior direito: lobo direito do fígado, vesícula biliar, piloro, duodeno, cabeça do pâncreas e partes do colos ascendente e transverso. Quadrante superior esquerdo: lobo esquerdo do fígado, estômago, corpo do pâncreas e parte dos colos transverso e descendente. Quadrante inferior direito: ceco, apêndice vermiforme e parte do colo ascendente. Quadrante inferior esquerdo: colo descendente e parte do colo sigmoide. Examinando o abdome: Abdome em regiões: Examinando o abdome: Técnicas do exame do abdome: 1.INSPEÇÃO 2.AUSCULTA 3.PERCUSSÃO 4.PALPAÇÃO A inspeção do abdome inclui a observação de sua superfície quanto à: Contorno; Forma; Simetria; Cicatrizes; Estrias; Manchas; Lesões; Presença de circulação colateral; Localização e contorno umbilical; Pulsações Peristaltismo visível; Inspeção: Tipos de abdome: Plano (pessoas com bom tônus muscular e peso regular ); Arredondado (Musculatura flácida ou excesso de gordura); Protuberante (Obesidade, gestação, ascite ou distensão abdominal); Avental (Obesidade grave) Escavado (Indivíduos magros); Inspeção: Formas do abdome: Tipos de cicatrizes: AUSCULTA: Finalidade: Avaliar a presença de ruídos hidroaéreos que ocorrem em consequência dos movimentos peristálticos e do deslocamento de ar e líquidos ao longo dos intestinos. Iniciar a ausculta no QID, prosseguir no sentido horário, por 2 minutos, antes de determinar ausência de RHA. Ouvidos com intervalos de 5-10 minutos; Variam de 5-35 RHA/ minuto; Normais Hipoativos: Pós operatório de cirurgias abdominais, íleo paralitico, peritonite e etc. Hiperativos: Diarreia, uso de laxantes e etc. AUSCULTA: Borborigmo: é o som produzido pela contração dos músculos gástricos e intestinais. PERCUSSÃO: É utilizada para definir tamanho e localização dos órgãos abdominais e detectar a presença de ar, líquidos e massas. Pode ser: Direta Indireta Inicia-se no QID, prosseguindo pelos demais quadrantes, em sentido horário, até percutir todo o abdome. Sons produzidos: Timpânicos: Encontrados no estomago vazio e intestinos. Maciço ou submaciços: Encontrados em órgãos sólidos como fígado e baço. Hipertimpanismo em abdome distendido pode ser obstrução intestinal. Observar macicez que possa indicar uma massa ou aumento de um órgão; PERCUSSÃO: Ascite: Quatro sinais mais importantes: Macicez nos flancos; Flancos proeminentes; Macicez móvel; Sinal da onda líquida (piparote); Ascite: Quatro sinais mais importantes: Macicez nos flancos; Flancos proeminentes; Macicez móvel; Sinal da ondalíquida (piparote); Sinal de Jobert: Presença de timpanismo na região da linha hemiclavicular direita onde normalmente se encontra macicez hepática, caracteriza pneumoperitônio (presença de ar na cavidade abdominal – perfuração de vísceras ocas). PALPAÇÃO: A palpação abdominal inclui as palpações superficial e profunda, que auxiliam na determinação do tamanho, da forma, da posição e da sensibilidade da maioria dos órgãos abdominais. Os quatro quadrantes devem ser palpados, começando pelo QID e seguindo no sentido horário. PALPAÇÃO SUPERFICIAL: PALPAÇÃO PROFUNDA: Achados especiais: Sinal de Blumberg: Dor a descompressão brusca. É feita no ponto médio entre a cicatriz umbilical e a crista ilíaca D. (Ponto de MC Burney). Sinal de Rosving: Palpação profunda e contínua QIE que produz dor intensa no QID. APENDICITE AGUDA Sinal de Murphy: Na palpação, comprimir o ponto cístico (linha HCD até o rebordo costal descendo 2 dedos), solicitando que o paciente inspire profundamente. A resposta de dor intensa indica COLECISTITE AGUDA Achados especiais: Palpação do fígado: Para realizar a palpação, podemos utilizar duas técnicas: as mãos espalmadas ou as mãos em garra. Utilizaremos as mãos em garras quando o indivíduo apresentar um acúmulo de gordura na região abdominal, pois deveremos realizar uma palpação mais profunda para localizarmos o fígado. Palpação em garra do fígado HEPATOMEGALIAS Evolução de enfermagem: Modelo 1: abdome plano, peristáltico, distendido, timpânico a percussão, sem visceromegalias, indolor a palpação superficial e profunda, fígado a 2cm do RCD; função intestinal ausente há dois dias. Modelo 2: abdome globoso, peristaltismo débil, timpânico a percussão, piparote negativo, dolor a palpação superficial em flanco D, fezes diarréicas em grande quantidade. Agora vocês já sabem tudo de mim!!!!