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A Laserterapia de Baixa Intensidade 
brinda a odontologia clínica atual com 
tratamentos ultra-conservadores, efi-
cientes e arrojados.
Essa Terapia Fotônica tem proporcio-
nado maior conforto aos pacientes, 
mas também confiabilidade no traba-
lho do cirurgião-dentista, por buscar 
alternativas para os tratamentos con-
vencionais já estabelecidos e que, em 
alguns casos, têm sido limitados.
A Biofotônica com Lasers de Baixa 
Intensidade alivia dores agudas e crô-
nicas, acelera o reparo de tecidos le-
sionados e abre novos caminhos nas 
áreas da saúde.
Profa. Dra. Rosane Lizarelli
Maio/2010
PROTOCOLOS CLíNICOS ODONTOLÓGICOS
USO DO LASER DE BAIXA INTENSIDADE
FICHA TÉCNICA
Capa: Return Propaganda e Criatividade
Fotos e Ilustrações: Rosane Lizarelli
Correção Ortográfica: Andrea Maria Zanirato Euzébio
Editoração: Return Propaganda e Criatividade
Tiragem: 1.000 exemplares.
Publicação: 4a. Edição - Maio, 2010
Copyright: MM Optics Ltda.
Proibida a reprodução de quaisquer partes deste
livro sem prévia autorização do Editor.
Todos os direitos reservados à MM Optics Ltda.
Profa. Dra. Rosane F. Z. Lizarelli
PROTOCOLOS CLíNICOS ODONTOLÓGICOS
USO DO LASER DE BAIXA INTENSIDADE
Profa. Dra.
ROSANE DE FÁTIMA ZANIRATO LIZARELLI
Graduada pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, em 1990;• 
Residente em Dentística Restauradora de Jan/1991 a Fev/1993, recebendo o título de • 
Especialista, pela FORP-USP, CRO e CFO;
Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela Interunidades IFSC-IQSC-EESC / USP, • 
em Ago/2000;
Doutora em Ciência e Engenharia de Materiais pela Interunidades IFSC-IQSC-EESC / USP, • 
em Nov/2002;
Pós-Doutora em Biofotônica pelo IFSC-USP, em Fev/2008;• 
Pesquisadora na área de Biofotônica (Lasers e Leds) em Odontologia desde 1994, • 
iniciando os estudos junto ao LELO-FO/USP;
Diretora-fundadora do Departamento de Laser (GEL) da Associação Paulista de Cirurgiões-• 
Dentistas (APCD) – Regional de Ribeirão Preto, desde Março/1999;
Diretora-fundadora do Grupo de Estudo de Laser e Led em Odontologia (GELLO) da • 
Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD) – Regional de São Carlos, desde 
Junho/2005;
Pesquisadora em Laser em Odontologia do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica • 
(CePOF) do Instituto de Física de São Carlos – USP;
Docente-Responsável pela disciplina de Laser em Odontologia do Curso de Pós-• 
Graduação em Dentística da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP;
Docente-Responsável pelo curso de Aperfeiçoamento e Especialização em Biofotônica • 
nas Áreas da Saúde, oferecido pelo CePOF/IFSC-USP desde Agosto de 2006;
Consultora Científica da MMOptics Ltda., desde 1998; e,• 
Clínica-Coordenadora do NILO (Núcleo Integrado de Laser em Odontologia), em Ribeirão • 
Preto – SP.
 E-mail: lizarelli@if.sc.usp.br
Colaboradores.....................................................................................................................................................09
Apresentação ......................................................................................................................................................11
Prefácio ...............................................................................................................................................................13
Prefácio da 2a. Edição ..........................................................................................................................................14
Prefácio da 3a. Edição ..........................................................................................................................................15
Prefácio da 4a. Edição ..........................................................................................................................................16
Agradecimentos ..................................................................................................................................................17
1 – O que é o laser de baixa intensidade? ............................................................................................................19
1.1 – Grandezas Físicas Importantes ......................................................................................................20
1.2 – Comprimento de onda e sua interação com o tecido biológico ......................................................22
2 – Quais são as regras de biossegurança necessárias a serem seguidas? .............................................................26
3 – A ficha de autorização ..................................................................................................................................33
4 – Parâmetros e metodologias de irradiação para cada enfermidade da região cabeça-pescoço. ...........................35
4.1 – Métodos de irradiação ...................................................................................................................35
4.2 – Indicações clínicas e parâmetros de irradiação ...............................................................................37
4.2.1 – Afta – úlcera aftosa recorrente (estomatite aftosa recidivante) ....................................................39
4.2.2 – Candidíase .................................................................................................................................41
4.2.3 – Cefaléia (dor-de-cabeça) e enxaqueca .........................................................................................42
4.2.4 – Desordens musculares de cabeça e pescoço................................................................................43
4.2.5 – Dor e disfunção de atm ..............................................................................................................44
4.2.6 – Herpes simples labial recorrente (estomatite herpética recidivante) .............................................46
4.2.7 – Herpes zoster .............................................................................................................................51
4.2.8 – Hipersensibilidade dentinária cervical .........................................................................................52
4.2.9 – Lilt coadjuvante ao tratamento periodontal ................................................................................52
4.2.10 – Lilt coadjuvante na dentística restauradora...............................................................................55
4.2.11 – Lilt coadjuvante ao tratamento endodôntico ............................................................................57
4.2.12 – Lilt coadjuvante ao tratamento ortodôntico/ortopédico ............................................................59
4.2.13 – Língua geográfica (eritema migratório ou glossite migratória benigna) ......................................60
4.2.14 – Liquen plano oral .....................................................................................................................61
4.2.15 – Mucosite oral ...........................................................................................................................62
4.2.16 – Nevralgia do trigêmeo ..............................................................................................................63
4.2.17 – Paralisia facial...........................................................................................................................65
4.2.18 – Parestesia .................................................................................................................................66
4.2.19 – Pericoronarite e/ou alveolite .....................................................................................................67
4.2.20 – Pós-operatório cirúrgico ...........................................................................................................67
4.2.21 – Pós-operatório cirúrgico paraimplantes ...................................................................................70
4.2.22 – Queilite angular .......................................................................................................................74
4.2.23 – Sinusite....................................................................................................................................75
4.2.24 – Trismo ......................................................................................................................................76
4.2.25 – Xerostomia ..............................................................................................................................77
5 – Endereços eletrônicos recomendados ............................................................................................................79
6 – Referências bibliográficas ..............................................................................................................................79
ÍNDICE
COLABORADORES
Prof. Dr. Aguinaldo Silva Garcez
Cirurgião-Dentista; Especialista em Dentística EAP-APCD; Mestre em laser em Odontologia 
FOUSP-IPEN; Doutor em tecnologia Nuclear IPEN/CNEN-SP.
Prof. Dr. Gerdal Roberto de Sousa
Cirurgião-Dentista; Especialista em Periodontia pela FOUI; Mestre em Lasers pelo IPEN / FO-USP; 
Doutor em Bioengenharia pelo Depto de Eng. Mecânica da UFMG; Prof. Titular de Periodontia 
das Disciplinas de Odontologia Integrada II, Odontologia Integrada III e Odontologia Hospitalar 
da FEAD/Minas Gerais. Coordenador da disciplina de Odontologia Hospitalar da FEAD/Minas 
Gerais. Diretor da APTIVALUX Biengenharia Ltda; Pós-doutorando pelo LABBIO (Laboratório 
de Bioengenharia do DEMEC-UFMG). Habilitado pelo Conselho Federal de Odontologia em 
Práticas Integrativas Complementares à Saúde Bucal na área de Laserterapia. 
Prof. Dr. Hermes Pretel
Cirurgião-Dentista; Mestre e Doutor em Ciências Odontológicas pela Faculdade de Odontologia 
de Araraquara – UNESP; Membro e Pesquisador do Grupo de Pesquisa de Biomateriais, Laser 
e LED na Reparação Óssea e Dentária da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP; 
Pós-Doutorado na Universidade da Madeira – Portugal; Pós-Doutorando no Laboratório de 
Materiais Fotônicos do Instituto de Química de Araraquara – Pós-Doutorando no Laboratório 
de Materiais Fotônicos do Instituto de Química de Araraquara – UNESP; Professor Colaborador 
do NUPEN – Núcleo de Pesquisa e Ensino em Fototerapia de São Carlos-SP.
Profa. Jessica Lucia Neves Bastos
Graduada em Fisioterapia pela UFSCar – São Carlos; Mestre em Bioengenharia pela EESC/USP 
(LEDT e LILT em tecido tendíneo); Doutoranda em Bioengenharia pela EESC/USP (PDT / PACT 
em microrganismos e fibroblastos). 
Profa. Dra. Juliana Ferreira
Graduada em Ciências Biológicas – Modalidade Médica, pela Universidade Estadual Júlio de 
Mesquita Filho (UNESP/Botucatu); Mestre e Doutora em Ciências Médicas, pelo Departamento 
de Patologia Experimental e Comparada da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da 
Universidade de São Paulo (USP) . Docente e Pesquisadora da Universidade do Vale do Paraíba 
(UNIVAP) em São José dos Campos – SP. Integrante do CePOF/ FAPESP (Centro de Pesquisa 
em Ótica e Fotônica) do Instituto de Física de São Carlos (IFSC – USP) de 2001 a 2009. Tem 
experiência na de Radiologia e Fotobiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: 
terapia fotodinâmica, neoplasias, fotossensibilizadores, pele, fígado e espectroscopia de 
fluorescência. Atuando na pesquisa e na área clínica.
Profa. Juliana Marotti
Cirurgiã-Dentista; Mestre e Doutoranda do Departamento de Prótese da FOUSP; Colaboradora 
e Ministradora de cursos de Laser no LELO-FOUSP; Habilitada em Laserterapia pelo CFO; ITI 
Scholar do Katharinenhospital, Stuttgart - Alemanha.
09
Profa. Dra. Maria Ângela Palucci,
Cirurgiã-Dentista pela FORP-USP; Especialista em Reabilitação Oral pela FORP-USP; Especialista 
em Ortopedia Funcional do Maxilares pelo CFO; Mestre e Doutora em Reabilitação Oral pela 
FORP-USP; Ministrou aula na UNAERP Universidade de Ribeirão Preto, na Graduação de 
02/1989 à 12/2006 e na Pós-Graduação de 01/2001 à 12/2003. Atua nas áreas de Ortopedia 
Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Reabilitação Neuroclusal e Oral, Oclusão, ATM, DTMs 
(Desordens Temporomandibulares), Estética Facial e Oral.
Profa. Dra. Renata Campi de Andrade Pizzo
Cirurgiã-Dentista pela FO-UNIFENAS; Mestre em Odontologia Restauradora pela FORP/
USP - Dentística (Disciplina de Oclusão); Doutora em Medicina (Neurologia) pela FMRP-
USP; Pesquisadora do Ambulatório de Cefaléia do HCFMRP/USP; Profa. Assistente do Curso 
em Odontologia Fotônica da APCD/RP; Profa. do Curso de Especialização em Disfunção 
Temporomandibular e Dor Orofacial da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic na área 
de Laserterapia; e, Aperfeiçoamento em Odontologia Fotônica em Laser/LED - APCD- Ribeirão 
Preto- concluído em julho/2002, e; e Habilitada em Terapias Complementares – Laserterapia, 
pelo CFO em 2009.
Profa. Dra. Renata Tucci
Cirurgiã-Dentista; Mestre e Doutora em Patologia Bucal pela FO-USP; Coordenadora Científica 
e Pesquisadora do Instituto de Pesquisa em Saúde – INPES/SP; Coordenadora do Centro de 
Diagnóstico Bucal do CETAO – SP.
CD Renata Zanirato Lizarelli
Cirurgiã-Dentista pela FO-UNIUBE; Especialista em Endodontia pela Associação Odontológica 
de Ribeirão Preto (AORP) – SP; Responsável-Clínica e Endodontista do Núcleo Integrado de Laser 
em Odontologia (NILO) – Ribeirão Preto, SP; Laserterapeuta desde 1995; e, Aperfeiçoamento 
em Terapias Fotônicas pelo IFSC-USP e Habilitada em Terapias Complementares – Laserterapia, 
pelo CFO em 2009.
Profa. Dra. Silvia Cristina Núñez
Cirurgiã-Dentista, Mestre em Lasers em Odontologia IPEN/FOUSP, Doutora em Ciências 
IPEN/USP. Coordenadora do Departamento de Ensino e Pesquisa CETAO - SP, Pesquisadora 
do Instituto de Pesquisas em Saúde “Aluísio Calil Mathias”, colaboradora do Laboratório de 
Fotoprocessos Não-Térmicos IPEN/USP.Habilitada pelo Conselho Federal de Odontologia em 
Práticas Integrativas Complementares à Saúde Bucal na área de Laserterapia.
10
APRESENTAÇÃO
A constatação terapêutica das aplicações do laser de baixa intensidade 
em muitas situações clínicas é hoje bastante conhecida e muito divulgada 
na literatura internacional. De acordo com o “Medline data search”, a ação 
bioestimuladora da radiação eletromagnética tem sido descrita em quase 2000 
artigos científicos por ano. Há inúmeras modalidades terapêuticas utilizando 
Lasers, e tem sido consenso que os melhores resultados são atingidos com 
comprimentos de onda dentro da região vermelho e infravermelho. Esta região 
corresponde à chamada janela biológica, definida como sendo a região espectral, 
onde a luz é capaz de penetrar razoavelmente no tecido biológico, ao mesmo 
tempo em que tem a capacidade de interagir com os processos biológicos, 
levando a bioestimulação final. O sucesso da aplicação do laser terapêutico 
depende enormemente do preparo do profissional que a utiliza. A multiplicação 
de empresas neste ramo tem atropelado o mercado, passando ao profissional 
a idéia de que o uso do laser é “fácil” demais, não exigindo nenhum preparo 
especial. O uso do laser terapêutico é de fato fácil, mas exige um mínimo 
de conhecimento do profissional ao utilizá-lo. O livro da Dra. Lizarelli é um 
excelente guia inicial para este treinamento. Ele aborda os princípios básicos do 
instrumento e descreve os protocolos terapêuticos a serem seguidos de modo 
a se atingir os melhores resultados. O diferencial deste livro para os demais 
é o detalhe com que descreve certos pontos importantes das aplicações, 
proporcionando ao profissional entender de forma simples os conceitos ao 
mesmo tempo que lhe dá chances de aprofundar-se com inúmeras referências 
nacionais e internacionais na área.
Em especial merecedestaque a linguagem profissional empregada pela Dra. 
Lizarelli. Os usuários de laser terapia não são necessariamente cientistas da 
área, e, portanto nem sempre precisam saber detalhes que fogem mesmo aos 
especialistas. Por outro lado, estes mesmos profissionais têm em geral, uma 
formação acadêmica sólida, o suficiente para entenderem as bases científicas 
desta modalidade terapêutica, de modo a fazerem o melhor uso possível de 
seus instrumentos em prol dos pacientes. 
Finalmente, o livro é uma adição importante ao acervo brasileiro nesta área, e é 
recomendado a todos usuários desta modalidade terapêutica.
Vanderlei S. Bagnato
Prof. Titular da Universidade de S. Paulo
Grupo de Óptica – IFSC – USP
São Carlos, Abril de 2005.
11
PREFÁCIO
Atualmente a divulgação e o interesse por empregar a laserterapia de baixa 
intensidade nos consultórios odontológicos têm levado o clínico cirurgião-
dentista a adquirir esses novos equipamentos com grande curiosidade e 
rapidez.
Entretanto, nem sempre esse profissional tem a oportunidade de freqüentar um 
curso preparatório que o certifique e lhe confira uma experiência básica nessa 
modalidade terapêutica.
A idéia em escrever esse manual de consulta rápida e prática em nenhum 
momento pretende substituir um curso teórico-prático de aperfeiçoamento na 
área, contudo objetiva auxiliar o clínico num momento inicial de insegurança 
no dia-a-dia do consultório.
É importante e essencial que esse mesmo clínico freqüente um curso de longa 
duração e que se mantenha informado das pesquisas recentes na área, uma 
vez que, assim como medicações sistêmicas, a aplicabilidade e dosimetria dos 
lasers de baixa intensidade não são definitivas, ou seja, trata-se de uma terapia 
em constante evolução, além do fator “subjetividade pessoal” de cada paciente 
ter uma influência direta no resultado.
Sendo assim, ao final desse livro, endereços eletrônicos são sugeridos para que 
essa atualização seja feita semanalmente.
Esse livro apresenta aspectos básicos do laser de baixa intensidade, tanto com 
relação aos seus mecanismos fisiológicos de atuação quanto com relação as 
suas indicações clínicas.
Os protocolos e as metodologias aqui apresentadas são resultantes dos 
meus nove anos de atuação como laserterapeuta, mas como cientista da 
área, coloco-me a disposição, a todo o momento, para discussões e troca 
de experiências, sempre objetivando o crescimento da laserterapia entre os 
cirurgiões-dentistas.
Muito Obrigada,
Rosane Lizarelli
Ribeirão Preto, Agosto de 2003.
13
PREFÁCIO DA 2a. EDIÇÃO
A proposta em realizar uma revisão desse livro e publicar a segunda edição, 
surgiu, em primeiro lugar, da necessidade em atualizar os protocolos clínicos 
que, a experiência clínica, nesses dois anos, me permitiram discutir novas 
abordagens empregando a laserterapia de baixa intensidade.
Além disso, em algumas enfermidades, tais como Cefaléia, Paralisia, Mucosite, 
novas considerações foram colocadas, atentando para a importância da 
participação conjunta de outros profissionais da saúde, como médicos e 
fisioterapeutas, atuando para sanar, da forma mais responsável possível, a 
situação crítica do(a) paciente que procura o atendimento odontológico.
Com relação aos aspectos básicos de interação luz-tecido, as grandezas 
físicas mais empregadas durante o ajuste dos parâmetros de irradiação foram 
adicionadas, tomando o cuidado de explicar como cada uma participa e como 
podem modificar a quantidade de luz depositada no tecido-alvo, o que poderia 
comprometer o resultado final da terapia. Algumas dessas grandezas têm 
gerado pequenas confusões, mas que podem induzir a grandes erros.
Também o mecanismo de interação dos diferentes comprimentos de onda, a 
nível celular, foram mais detalhados, com base nos estudos da Profa. Dra. Tiina 
I. Karu, que tem contribuído muito com toda a comunidade científica há cerca 
de 30 anos.
Novas referências, dissertações, teses e artigos recém-publicados, também foram 
acrescidos. Essas novas fontes de informações vêm confirmando a importância 
de protocolos mais apurados, respeitando o tipo de célula irradiada, o estágio 
individual de cada paciente e atentando para as limitações dos equipamentos 
presentes no mercado.
Esse livro-manual tem sido muito bem aceito, principalmente pelos colegas 
cirurgiões-dentistas, essencialmente clínicos, que necessitam de informações 
práticas e rápidas para otimizarem o atendimento. Contudo, é muito importante 
ressaltar, mais uma vez, que esse guia clínico não substitui um curso teórico-
prático, onde os alunos tem a oportunidade de discutir e ajustar a laserterapia 
para cada paciente, para cada enfermidade, e manter contato com outros 
pesquisadores da área.
Dessa forma, quero agradecer o respeito e o interesse de todos os colegas que 
tem utilizado meu livro e novamente me coloco a disposição para discutir 
achados clínicos e científicos no tocante a laserterapia de baixa intensidade, 
para que possamos juntos contribuir significativamente para a expansão dessa 
terapia com seriedade, pois muito tem ajudado nossos pacientes.
Muito Obrigada,
Rosane Lizarelli
São Carlos, Maio de 2005.
14
PREFÁCIO DA 3a. EDIÇÃO
Nessa 3a. Edição do livro-manual de laserterapia em odontologia visa adicionar 
algumas enfermidades e esclarecimentos quanto a Dosimetria.
Dosimetria não é a Dose ou o conjunto das doses mais indicadas e bem 
sucedidas. Dosimetria não é sequer a forma de calcular “a dose mais indicada”. 
Dosimetria é sim o conjunto de manobras e táticas que o pesquisador/clínico 
utiliza para adequar a fonte de luz e/ou o equipamento a base de laser de baixa 
intensidade, para entregar superficialmente, no tecido-alvo, a quantidade de 
energia mais eficiente para o tratamento em questão.
Outro detalhe importante é saber que os comprimentos de onda tanto na faixa 
do vermelho (de 600 a 700nm) quanto na faixa do infravermelho (de 700 a 
904nm), que normalmente têm sido empregados nas terapias fotônicas para 
modulação fisiológica promoverão efeitos similares clinicamente. Entretanto, os 
comprimentos de onda no espectro eletromagnético vermelho têm uma atuação 
mais interessante em casos de drenagem linfática local (ao redor da lesão), na 
bioestimulação para o reparo de tecidos moles e para efeito antinflamatório nos 
tecidos musculares; por outro lado, os comprimentos de onda infravermelhos 
têm uma atuação mais efetiva no controle da dor, reparo de tecidos duros e 
neurais e drenagem sobre linfonodos.
Outra consideração muito atual está em consideração a coerência da fonte de 
luz, ou seja, um equipamento laser empregado para terapia de baixa intensidade 
poderia ser substituído por um equipamento a base de um sistema led (“light 
emitting diode”) emitindo na mesma potência de saída e faixa espectral? Ou 
seja, poderíamos substituir uma fonte de luz pela outra cuja diferença básica 
está no comprimento de coerência durante a emissão de luz? Essa resposta tem 
sido respondida por alguns trabalhos (WONG-RILEY – 2001; KARU – 2003; 
TAKEZAKI - 2006) e na grande maioria das vezes positivamente. Provavelmente, 
dentro dos próximos 2 anos essa questão possa ser esclarecida e novos 
protocolos clínicos possam ser estabelecidos, visando sempre a resolução mais 
eficiente e confortável para o problema do paciente.
O tecido biológico não é exato. Apesar de toda a fisiologia operar de forma 
organizada, em tecidos lesionados, todo o metabolismo apresentará uma 
alteração, passível de ser observada tanto ao nível molecular quanto ao 
nível comportamental do paciente. Sendo assim, é muito importante que o 
cirurgião-dentista mantenha-se focalizado e atento aos sinais durante e após 
cada irradiação. Serão esses sinais que determinarão o decorrer de todo o 
tratamento com a laserterapia.
Mais uma vez, agradeço o respeito e a oportunidade de prestar um serviço 
aos colegas clínicos,orientando inicialmente os tratamentos odontológicos 
empregando lasers operando em baixa intensidade, através da experiência 
clínica conquistada ao longo de 12 anos.
Muito Obrigada,
Rosane Lizarelli
São Carlos, Janeiro de 2007.
15
PREFÁCIO DA 4a. EDIÇÃO
Buscando atualizar os cirurgiões-dentistas clínicos que utilizam a Laserterapia como 
tratamento em seus consultórios, uma nova revisão foi realizada neste livro-manual.
Algumas novidades foram adicionadas, com o objetivo de aperfeiçoar os protocolos com 
os diferentes lasers que operam em baixa intensidade.
Uma nova configuração de um laser infravermelho emitindo no comprimento de onda de 
808nm e com potência variável de 5 a 120mW passou a fazer parte dos equipamentos 
montados pela MM Optics. Para tanto, essa nova opção de caneta foi inserida nos 
protocolos das diversas enfermidades aqui abordadas. Essa nova opção de instrumento 
terapêutico também ganhou a capa deste livro-manual.
Dentro do assunto “Dosimetria”, um destaque foi dado a grandeza “Energia Total” [E], 
expressa em Joules [J], que colabora com o maior detalhamento dos protocolos, visando 
um diálogo universal entre os pesquisadores e clínicos da comunidade que estuda e 
utiliza a Biofotônica (uso da luz – lasers e leds – como instrumento de diagnóstico e de 
tratamento).
A Terapia Fotodinâmica (PDT ou TFD), uma ramificação de tratamento da biofotônica, 
quando a fotoativação de um fármaco possibilita a necrose programada em casos de 
infecções e alterações tumorais, foi apresentada aqui como terapia auxiliar e associada 
a Laserterapia.
Atualmente, toda a comunidade científica tem se esforçado no sentido de desenvolver e 
implementar novas técnicas para tratamentos oncológicos e no controle microbiollógico, 
uma destas novas alternativas é denominada de Terapia Fotodinâmica - TFD (Photodynamic 
Therapy). Esta é uma modalidade de tratamento que vem crescendo de forma vertiginosa 
nos últimos anos. Trata-se de uma terapia que induz à citotoxicidade celular, utilizando a 
luz, um fotossensibilizador e o oxigênio. A relativa simplicidade e eficiência desta técnica 
têm atraído a comunidade médica de todo o mundo e promovido um grande interesse 
em profissionais da área da saúde em geral, por se tratar de uma terapia multidisciplinar, 
envolvendo não só profissionais da área da saúde bem como físicos e químicos.
Em algumas situações clínicas, a PDT ou TFD permite um resultado final acelerado e 
muito mais satisfatório.
Uma abordagem mais detalhada de Cefaléia foi acrescentada, com ênfase a Cefaléia 
Cervicogênica, uma vez que se trata de uma enfermidade pouco explorada pelos 
cirurgiões-dentistas, mas que têm estado presente em vários quadros clínicos, associada 
a diferentes desordens musculares e/ou articulares.
Para valorizar os protocolos, pesquisadores renomados provenientes de outros centros 
de pesquisa foram convidados a revisar partes dos protocolos e a contribuir. Dessa forma, 
alguns casos clínicos também foram incluídos, permitindo embasar melhor os métodos 
de irradiação, juntamente com as figuras esquematizadas, já divulgadas nas outras 
edições, e refinadas, nesta, digitalmente.
Referencias bibliográficas, trazendo resultados atualizados com relação, principalmente 
a densidades de energias mais eficientes foram adicionadas aqui, e, consequentemente, 
revisei as doses indicadas associadas a com base na minha experiencia clinica e dos 
pesquisadores convidados, ou seja, Laserterapia baseada em evidências e suportada por 
estudos publicados.
Deixo aqui, também a sugestão bastante atual, para todas as enfermidades, pensando 
nas causas multifatoriais, a possibilidade de tratamento integrado, quando o cirurgião-
dentista busca os medicos especiaistas, fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos, 
criando uma equipe que trabalha unida, contribuindo para a resolução mais eficiente de 
cada caso
Muito Obrigada,
Rosane Lizarelli
Ribeirão Preto, Maio de 2010.
16
AGRADECIMENTOS
A Deus, por todas as oportunidades que Ele tem me proporcionado, por ter 
me presenteado com inteligência, coragem, saúde, tolerância e humildade para 
continuar lutando por meus sonhos e por dias mais felizes.
Aos meus amados pais, José Luiz e Marina, pelo apoio eterno e amor infinito.
Aos meus queridos irmãos, Renata e Rogério (“Red”), por serem meus amigos 
e companheiros todos os dias.
Ao meu amigo Prof. Dr. Vanderlei S. Bagnato, por todas as horas de convivência 
e aprendizado.
À amiga Profa. Dra. Luciana Almeida-Lopes, pelos momentos de identificação e 
respeito à Laserterapia de baixa intensidade.
A Grande Mestra Profa. Dra. Tiina I. Karu (Rússia), pelo respeito e apoio nos 
momentos de incertezas.
Aos colegas pesquisadores na área do laser de baixa intensidade Prof. Dr. 
Nivaldo Parizotto (UFSCar-SP), Prof. Dr. Jan Tunér (Suécia) e “my friend” Prof. 
Dr. Shimon Rochkind (Israel), pelos e-mails e telefonemas nas horas mais 
difíceis.
Ao CePOF (Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica) do IFSC/USP, pelo apoio 
técnico-científico.
A todos meus colegas de laboratório (Laboratório de Laser em Medicina e em 
Odontologia do CePOF – IFSC/USP), pela convivência divertida e amiga.
A todos os meus pacientes que têm me confiado seus problemas odontológicos 
e buscado pela laserterapia nesses últimos onze anos.
À MM Optics pela iniciativa e apoio.
A todos os meus alunos da pós-graduação da FOAr-UNESP e da APCD-Ribeirão 
Preto, pela compreensão e respeito.
Aos colegas cirurgiões-dentistas, clínicos e pesquisadores, que acreditam na 
luz como agente terapêutico e instrumento para auxiliar na missão de aliviar a 
dor das pessoas que nos procuram.
17
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
coerência, exigem uma análise mais aprofundada. 
Daí a necessidade de que mesmo o clínico se 
dedique aos estudos básicos do laser e sua 
interação com os tecidos biológicos antes de 
iniciar as aplicações em pacientes.
Todos os estudiosos persuadiram-se de que 
um futuro brilhante estava reservado para esse 
instrumento, alguns chegaram a prever que ele 
seria o instrumento de uma revolução tecnológica 
significativa. E ele o é, dentro da Odontologia. 
Talvez pela dificuldade econômica ainda nem todos 
os cirurgiões-dentistas possam ter conhecimento 
de todas as possibilidades permitidas pelo 
laser, mas aos poucos a “cultura-laser” está se 
instalando em nosso meio e em alguns anos esse 
novo instrumento excepcional e refinado fará parte 
indispensável do equipo odontológico, otimizando 
as terapias não-invasivas e mais seletivas.
Primeiramente, é preciso classificar os sistemas 
lasers quanto ao nível de excitabilidade que poderá 
estar causando no tecido-alvo biológico. Uma vez o 
laser absorvido pelo tecido, ele poderá atuar a nível 
molecular, excitando elétrons ou partes da molécula, 
promovendo movimento das cargas nessa molécula. 
Se essa excitabilidade for relativamente pequena, ou 
seja, se se tratar de um laser de baixa intensidade 
poderá ocorrer uma bioestimulação ou bioinibição 
para as reações químicas e fisiológicas naturais desse 
tecido; contudo, se se tratar de um laser de alta 
intensidade, a energia depositada nesse tecido-alvo 
será tão grande a ponto de romper ligações químicas 
dessas moléculas ou mesmo remover elétrons, 
resultando no rompimento desse tecido. Essa é a 
diferença básica entre um laser de baixa intensidade, 
que regula as funções fisiológicas celulares, e um 
laser de alta intensidade, que rompe ou modifica 
permanentemente o tecido através do corte, ablação, 
coagulação e vaporização do mesmo.
Analgesia temporária, regulação das 
reações envolvidas no processo inflamatório e 
biomodulação das respostas celulares são os 
1 – O que é o laser de baixa intensidade?
O laser é uma excepcional fonte de radiação, 
capaz de produzir, em bandas espectraisextremamente finas, campos eletromagnéticos 
intensos e coerentes que se estendem do 
infravermelho remoto ao ultravioleta. Não mais 
que alguns processos físicos simples concorrem 
para o funcionamento de um laser.
Para que um laser possa funcionar, devem 
ser satisfeitas, simultaneamente, três condições 
fundamentais. Em primeiro lugar, é necessário 
dispor de um meio ativo, ou seja, de uma coleção de 
átomos, moléculas ou íons, que emitam radiação 
na parte óptica do espectro. Em segundo lugar, 
deve ser satisfeita uma condição conhecida sob 
o nome de inversão de população. Esta condição, 
geralmente não preenchida em nosso ambiente 
natural, é gerada por um processo de excitação 
denominado bombeamento: ela transforma o meio 
ativo em meio amplificador de radiação. Finalmente, 
é indispensável dispor de uma reação óptica para 
que o sistema composto por essa reação óptica e 
pelo meio ativo seja a sede de uma oscilação laser 
(figura 1).
Figura 1 – Esquema básico dos componentes 
de um sistema laser (Lizarelli – 2002).
O fascínio que o laser exerce sobre os 
cientistas explica-se por suas características 
excepcionais: monocromaticidade, pequena 
divergência, coerência espacial e temporal, intensa 
energia ou intensa potência, pulsos ultra-curtos, 
possibilidade de ajuste em comprimento de onda, 
etc. As propriedades de intensidade e diretividade 
dos lasers são familiares a qualquer observador, 
pois elas se manifestam imediatamente; já outras 
propriedades, como a monocromaticidade e a 
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
de diodo semicondutor de arseneto de gálio 
(GaAs) podendo estar dopado por diversos outros 
elementos, dependendo do comprimento de onda 
desejado (p. ex., In-índio dopa o cristal para emitir 
no comprimento de onda vermelho).
Os lasers de baixa intensidade possuem um 
efeito eminentemente analgésico, antinflamatório 
e biomodulador, sendo utilizados como nos casos 
de aftas, herpes labial, queilite angular, trismos, 
parestesia, hipersensibilidade dentinária, pós-
cirurgias, pós-intervenções endodônticas, ou 
seja, quando o tecido biológico apresenta um 
desequilíbrio nas suas funções fisiológicas. Como 
efeitos da laserterapia pode-se citar os aumentos 
da microcirculação local e da velocidade da 
cicatrização. A existência da fotoestimulação pelos 
lasers de baixa intensidade, tópico tão controverso 
e pouco entendido antes de 1980, tem sido objeto 
de intenso estudo científico. A aplicação clínica 
demonstra a evidência factual então obtida, onde 
extensivas discussões dos mecanismos de ação da 
luz visível, monocromáticas e infravermelha, nos 
fotorreceptores primários de células e organismos, 
tem encantado tanto os profissionais clínicos 
quanto os pesquisadores.
Sendo assim, o profissional cirurgião-dentista, 
clinico geral ou especialista, que busca oferecer 
um atendimento diferenciado ao seu paciente 
precisa aprender a trabalhar com a laserterapia 
(equipamentos, parâmetros, protocolos, entre 
outros) para atingir os melhores resultados e, de 
fato, promover com seriedade esse instrumento 
terapêutico.
1.1 – Grandezas Físicas Importantes
Para que seja possível entender, medir, 
escolher e controlar a irradiação dos tecidos a 
serem tratados, é necessário que se conheça o 
conceito de algumas grandezas físicas:
• Energia: para os fins a que nos destinamos, 
resultados fisiológicos durante a aplicação dos 
sistemas LILT (Low Intensity Laser Therapy) ou 
LLLT (Low Level Laser Therapy), os lasers de baixa 
intensidade.
A laserterapia de baixa intensidade surgiu 
com Mester, na Hungria, em 1966, e tem sido 
utilizado por cirurgiões-dentistas brasileiros há 
mais de vinte anos. Trata-se de um tipo de laser 
que, sem dúvidas, deveria fazer parte da clínica 
odontológica diária. Mas por quê?
A irradiação de células por certos 
comprimentos de onda pode ativar alguns 
componentes resultando em reações bioquímicas 
que poderão alterar completamente o metabolismo 
celular. Esse tipo de reação é conhecido como a 
base dos efeitos dos lasers de baixa potência 
(KARU – 1987, 1989, 1998; SMITH – 1991).
O laser em baixa intensidade como uma 
fonte de energia muito intensa e monocromática, 
que após absorvido, pode induzir uma resposta 
celular, buscando a homeostase sinestésica. 
Isso é possível porque nossas células não estão 
“acostumadas”, ou seja, adaptadas ainda a 
esse tipo de radiação, então, o laser de baixa 
intensidade age como um novo trauma, porém 
que pode ser controlado pelo operador. Através 
de aplicações em doses ou fluências adequadas, 
com comprimentos de onda (cor) endereçados ao 
sítio celular previamente escolhido, mitocôndrias 
ou membrana citoplasmática, por exemplo, o LILT 
torna possível uma “conversa” entre o terapeuta e 
as células lesadas. Como resultado final o próprio 
organismo estará sendo induzido à cura desejada.
Os primeiros sistemas LILT tinham como meio 
ativo uma mistura gasosa de gás hélio e neônio 
(lasers de HeNe) que emitiam na região do vermelho 
(632,8 nm), mas que apresentavam também 
outra linha de emissão no verde. Atualmente os 
sistemas laser LILT são, na sua grande maioria, 
constituídos de um cristal crescido em laboratório 
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
será possível saber qual foi a potência empregada, 
muito menos por quanto tempo. Por isso, parece 
ser muito mais bem explicado colocar a dose ou 
fluência ou densidade de energia (J/cm2), mas 
mesmo assim, acrescida do comprimento de 
onda e da metodologia utilizada, por ponto ou 
varredura. Concordando com SMITH (2005), todo 
bom trabalho científico em foto-biologia deve 
especificar tudo sobre a fonte de luz escolhida, 
ou seja, comprimento de onda, potência de 
saída, dose ou fluência, área irradiada, tempo de 
irradiação, entre outros; pois, de outra forma, o 
experimento não poderá ser comparado, repetido 
ou tido como referência de apoio.
É importante entender que um laser de 
Potência alta 20,0W (um laser cirúrgico), por 
exemplo, aplicado numa área de 10,0cm2 tem 
Irradiância de 2,0W/cm2. O mesmo laser, numa 
área de 1,0cm2, teria uma Irradiância de 20,0W/
cm2, o que ocasionaria dano térmico ao tecido se 
houvesse exposição prolongada. Porque a mesma 
potência estaria sendo entregue numa área muito 
menor, e conseqüentemente a quantidade de 
energia por segundo, que seria absorvida pelo 
tecido, seria 20 vezes maior. Assim, não é a 
Potência que determina o dano térmico, e sim a 
Irradiância.
Apesar de neste livro os lasers não 
apresentarem potência alta, quanto maior a 
Irradiância, maior será a bioestimulação, de acordo 
com ALMEIDA-LOPES (2003), sendo assim, 
potências mais altas entregues em áreas menores 
parecem ser interessantes quando o objetivo 
principal da terapia seja estimular a neo-formação 
tecidual.
Outra confusão é achar que são sinônimos 
Laser de Baixa Potência e Laser de Baixa Intensidade. 
Na verdade, potências baixas são consideradas 
quando os valores atingem até 100mW. Acima 
disso, consideramos que se trata de Laser de Baixa 
Intensidade Modificada.
pode ser definida como a quantidade de luz 
depositada no tecido tratado, e a unidade utilizada 
é o J (Joule);
• Energia Total: pode ser calculada 
multiplicando a potência de saída (em Watts) 
pelo tempo de irradiação (em segundos), ou seja, 
utilizar a energia total (em Joules) apenas informa 
a quantidade total de energia depositada no tecido 
ao final da irradiação.
• Fluência ou Dose ou Densidade de 
Energia: é a quantidade de energia aplicada no 
tecido com relação à área sobre a qual esta energia 
é aplicada, em outras palavras, é a distribuição da 
energia por unidade de área. A unidade, portanto, 
é J/cm² (Joule por centímetro quadrado);• Potência: é a taxa com que uma quantidade 
de energia é transmitida ao tecido, ou seja, a 
relação entre energia aplicada e o tempo que leva 
para que ela seja aplicada. A unidade é W (Watt 
ou J/s); e,
• Irradiância ou Intensidade ou 
Densidade de Potência: é a razão com que a 
potência é dissipada numa certa área do tecido, 
ou a quantidade de energia por segundo aplicada 
numa certa área. A unidade utilizada é W/cm2.
Estas definições também são necessárias ao 
terapeuta porque há uma confusão ao lidar com 
tais grandezas, especialmente entre a Potência 
e a Irradiância de um laser ou de um aparelho 
utilizado para aplicá-lo em tratamento; e também 
entre Energia e Dose.
A energia poderá ser indicada tanto pela 
energia total (J) quanto pela densidade de energia 
ou dose ou fluência. Entretanto, utilizar a energia 
total como único parâmetro para o protocolo 
clínico não permite saber qual a área do tecido-
alvo, nem ao menos se a irradiação foi realizada 
por varredura ou por pontos. Além disso, não 
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
principalmente pelo mecanismo de absorção pelo 
qual ele interage com o tecido biológico, é indicado 
para lesões superficiais, tais como reparos teciduais 
(cicatrização e drenagem local), enquanto que o 
laser infravermelho, mais penetrante, mas pelo fato 
de interagir através de mudanças de polaridade nas 
biomembranas, tem sido o comprimento de onda 
de eleição para reparos neurais e ósseos, e também 
para promover a analgesia imediata e temporária, 
uma vez que atua alterando o potencial dessas 
membrana citoplasmática. 
Com relação ao local de absorção, é necessário 
considerar os chamados cromóforos.
Os cromóforos, também denominados 
fotorreceptores, consistem em um grupo de 
moléculas inter-relacionadas que podem ser 
enzimas, membranas celulares, ou quaisquer 
outras substancias extracelulares que apresentem 
a capacidade de absorver luz num determinado 
comprimento de onda, mesmo não sendo 
especializadas para isto.
A base dos efeitos do laser de baixa intensidade 
consiste na irradiação de células com um 
comprimento de onda adequado, o qual pode levar 
à ativação de componentes celulares e promover 
reações químicas específicas, responsáveis por 
alterar o metabolismo celular através das reações 
de redução. É a luz gerando uma foto-resposta em 
cadeia.
Os cromóforos, com seus diferentes 
tamanhos e formas, são também componentes 
dos pigmentos da cadeia respiratória, e irão atuar 
ou ressonar através de uma estimulação específica 
ou uma energia de radiação. Dependendo do seu 
comprimento de onda, a radiação eletromagnética, 
na forma de luz absorvida, poderá estimular as 
macromoléculas, gerando uma transferência de 
energia para os elétrons e provocando mudanças 
nas proteínas. É o início de uma reação de oxi-
redução.
Então, quando o equipamento entregar 
até 70mW de potência, trata-se de um laser de 
baixa potência e que poderá trabalhar em baixa 
intensidade, numa área de irradiação em torno 
de 0,04cm2 (ponta convencional), resultará em 
intensidades baixas em torno de 1,75W/cm2, e 
em alta intensidade, em torno de 8,97W/cm2, 
se a área for em torno de 0,0078cm2 (ponta de 
acupuntura).
Por outro lado, um laser que entregue 
potência de 500mW, que já não é considerada 
baixa, poderá trabalhar em baixa intensidade se 
a área da ponta ativa for grande (por exemplo, 
área de 1,0cm2, resultando em 0,5W/cm2), e 
apresentará alta intensidade se a área for muito 
pequena (por exemplo, 0,0078cm2, resultando 
em 64,1W/cm2). Dessa forma, esse segundo laser 
não se trata de laser de baixa potência, mas sim de 
baixa intensidade desde que a área seja grande.
Apesar de estes cálculos demonstrarem que 
Intensidades ou Irradiâncias em torno de 8,0W/
cm2 são considerados altos valores, clinicamente 
não há dano térmico irreversível; portanto essa 
intensidade pode ser considerada baixa. Isso 
porque, para essa classificação terapêutica, 
também devem ser considerados outros fatores 
determinantes para a laserterapia de baixa 
intensidade, tais como o comprimento de onda 
utilizado e as características ópticas do tecido-
alvo.
1.2 – Comprimento de onda e sua 
interação com o tecido biológico
Considerando o espectro eletromagnético, 
os comprimentos de onda (ou cor da luz) mais 
empregados para realizar a laserterapia de baixa 
intensidade estão na faixa do vermelho (de 630 
a 700nm) e infravermelho próximo (de 700 a 
904nm).
O laser vermelho, por penetrar menos, mas 
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
A luz visível emitida em 633nm (vermelha) 
é absorvida pelos citocromos-oxidase e 
flavoproteínas causando oxidação de NAD 
(Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo) e 
mudando o estado de oxi-redução mitocondrial 
e citoplasmático. Essa mudança na velocidade de 
transporte de elétrons da cadeia respiratória gera 
aumento na força próton-motora, no potencial 
elétrico da membrana mitocondrial, na acidez do 
citoplasma e na quantidade de ATP (Adenosina Tri 
Fosfato) endocelular. O aumento na concentração 
de íons H+ intracelular gera mudanças na bomba 
de sódio (Na+) e potássio (K+) na membrana 
celular, aumentando a permeabilidade aos íons 
de cálcio (Ca++) para o meio intra-celular. A 
quantidade aumentada desse cátion afeta o nível 
dos nucleotídeos cíclicos que modulam a síntese 
de RNA e DNA.
Mecanismos primários e secundários da ação 
da luz, monocromática visível e infravermelha 
próxima, nas células, segundo Tiina I. Karu 
(LASERS – 2000), são descritos a seguir.
1.2.1 – Mecanismos primários
Os mecanismos primários da ação da luz nos 
fotorreceptores ainda não estão bem estabelecidos, 
mas os prováveis eventos seriam:
• aceleração de elétrons causando mudanças nas 
propriedades de redução das moléculas;
• em condições fisiológicas a atividade do 
citocromo C oxidase é controlada pelo óxido 
nítrico (NO) que se une ao centro binuclear do 
citocromo. O NO, como um receptor de elétrons, 
compete com o O2 no processo de redução do 
citocromo. Existe a hipótese de que a irradiação 
com laser e a ativação do fluxo de elétrons 
na molécula de citocromo C oxidase possam 
reverter parcialmente o controle do NO sobre o 
citocromo e com isso aumentar a concentração 
de O2. Esta reação pode aumentar também a 
concentração de CuB oxidado;
Citando KARU (1988), o citocromo é o 
fotorreceptor primário presente nas mitocôndrias 
que apresenta uma absorbância nas regiões do 
infravermelho próximo e luz visível, desde que 
esteja na sua forma intermediária; ou seja, não 
pode estar totalmente oxidado ou reduzido.
Ainda citando KARU (1988), a cadeia 
respiratória mitocondrial é considerada um 
receptor da luz visível monocromática de baixa 
intensidade, havendo, desta forma, dependência da 
dose e comprimento de onda de radiação no efeito 
estimulador de tal radiação. Ccomprimentos de 
onda vermelho (de 600 a 683nm) são absorvidos 
pelas semiquinonas e citocromo-oxidases e 
azul (de 400 a 450nm) pelas flavoproteínas e 
hemoproteínas. É através da cadeia respiratória 
que a célula reconhece o meio externo, regulando 
o comportamento celular.
A absorção de luz pelos cromóforos poderá 
causar três tipos de efeitos:
• fotoquímico: ocorre em células eucariontes e 
determina a liberação de substâncias mediadoras 
do processo inflamatório; 
• fotofísico (elétrico): ocorre nas células 
procariontes e na membrana citoplasmática, 
alterando a polarização das mesmas (canais de 
sódio e potássio – Na+ K+); e
• fotoenergético: estímulo da cadeia respiratória 
mitocondrial (citocromo c) levando a um 
incremento da produção de ATP, potencializando 
as reações celulares e, conseqüentemente, 
os processos inflamatórios e de regeneração 
tecidual(cicatrização eficaz e satisfatória).
Contudo, independentemente de onde ocorra 
a fotorrecepção da luz, ambos os comprimentos 
de onda resultarão na transdução do sinal e 
amplificação do estímulo, gerando aumento de 
íons Ca++ no citoplasma, o que resulta em uma 
maior velocidade de duplicação do DNA e da 
replicação de RNA no núcleo celular.
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
potencial de redução do citocromo C oxidase e 
também nos componentes flavinicos, levando a 
outras mudanças nas reações de redução (redox) 
e modulações em reações bioquímicas através da 
membrana celular. Para isto dois caminhos são 
sugeridos:
• Regulação redução-oxidação: conexão entre 
a função redox devido ativação da luz na 
mitocôndria pela absorção dos cromóforos, 
e mudança no estado redox do citoplasma 
levando a uma despolarização da membrana 
e, conseqüentemente, a um aumento do pH 
(alcalinização citoplasmática) e influxo de Ca+2. 
Nas células eucariontes, mudanças no estado 
redox da mitocôndria resultarão em mudanças no 
potencial redox do citoplasma. Este mecanismo 
é denominado de regulação redox; e,
• Controle intracelular de ATP, que está intimamente 
relacionado ao mecanismo de regulação redox; 
portanto, pequenas mudanças no ATP poderão 
alterar significativamente o metabolismo celular. 
A irradiação causa mudanças no estado total 
de redox celular no sentido da oxidação, sendo 
que a luz monocromática visível e próxima ao 
infravermelho inicialmente é absorvida pelas 
mitocôndrias e eventualmente podem determinar 
um estímulo na síntese de DNA.
Com relação à luz infravermelha, SMITH 
(1991) utilizou o modelo de Tiina Karu modificado 
para explicar a interação ao nível celular dessa 
radiação (figura 2). Ocorrem mudanças fotofísicas 
na membrana celular gerando o mesmo efeito para 
aumento da permeabilidade aos íons Ca++, e o 
resultado final será o mesmo.
Os íons Ca++ são mensageiros intra-
celulares em muitos sistemas de transdução 
sinalizadas.
A magnitude do efeito da irradiação será 
determinada pelo potencial de oxi-redução da célula no 
momento da irradiação (KARU in LASERS – 2000).
• em condições patológicas poderá haver um 
aumento na concentração de NO produzido 
pelos macrófagos, ocasionando a diminuição da 
atividade respiratória em várias células. Nestas 
condições a ativação da respiração celular pelo 
laser de baixa intensidade poderá ter um efeito 
benéfico;
• durante a excitação dos elétrons ocorre um 
aquecimento devido ao aumento transitório 
local da temperatura absorvida nos cromóforos, 
e isto poderá causar mudanças celulares tanto a 
nível estrutural quanto na atividade bioquímica 
(reações secundárias) através da ativação ou 
inibição de enzimas;
• em condições normais na cadeia respiratória a 
redução de molécula de água produzira O2
- e 
H2O2. Este aumento na concentração transitória 
de O2 e subseqüente aumento na concentração 
de H2O2 poderá, então, resultar em resposta 
secundária como o aumento na concentração 
intracelular de Ca2+, alcalinizanização celular, 
ativação de Ca2+, Na2+, H+, alterações nas 
trocas de Na+ e Ca2+; e,
• a irradiação das células com altas doses e 
intensidade de luz, leva a hipótese de que 
absorção da luz pelas moléculas de porfirina e 
flavina ocasionaria a geração de O2 que causaria 
a estimulação da síntese de DNA.
O primeiro mecanismo do efeito da luz 
ocorre na cadeia respiratória; isto significa que são 
O2 dependentes, sendo, portanto, uma reação 
aeróbica.
1.2.2 – Mecanismos secundários
A luz absorvida pelos cromóforos iniciará o 
mecanismo primário através da cadeia respiratória 
mitocondrial, que irá conectar-se a síntese 
de DNA no núcleo celular, quando então os 
mecanismos secundários começam outra fase do 
foto-resposta.
A foto-excitação induzirá mudanças no 
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
ela mesma dirigir-se para o fator quimiotático, 
o que gera desorganização de microtúbulos. 
Depois de uns poucos minutos os microtúbulos 
se organizam, mas os centríolos aparecem 
danificados. A irregularidade da motilidade está 
correlacionada ao dano dos centríolos. O sistema 
de membrana NADPH permanece intacto, o que 
explica os dados normais de produção e liberação 
de radicais livres. Em resumo, os efeitos biológicos 
induzidos pelo laser estão relacionados a uma ação 
sobre a polarização da membrana e a um efeito 
sobre o centrossoma (RICEVUTI et al. - 1989).
Seguindo um trabalho de retrospectiva da 
literatura de ORTIZ et al. (2001), algumas das 
explicações dos efeitos mediados pelo laser de 
baixa intensidade são:
• aumento dos níveis de b-endorfina no fluido 
espinal (NAVRATIL, DYLEVSKY – 1997; POKORA 
- 1993);
• aumento da excreção urinária de glicocorticóides, 
um inibidor da síntese de b-endorfina;
• aumento no limiar da dor através de um 
complexo mecanismo de bloqueio eletrolítico das 
fibras nervosas. A permeabilidade da membrana 
das células nervosas para Na e K é diminuída, 
causando hiperpolarização;
• aumento dos níveis de serotonina na excreção 
urinária, um potente inibidor no sistema nervoso 
central;
• diminuição da liberação de substâncias 
algogênicas tais como bradicinina, histamina e 
acetilcolina;
• aumento na síntese de ATP;
• aumento da microcirculação local resolvendo a 
isquemia dos tecidos e facilitando a remoção de 
substâncias algogênicas; e,
• aumento do fluxo linfático, diminuindo o 
edema (SIMUNOVIC – 1996; SIMUNOVIC, 
TROBONJACA, TROBONJACA - 1998).
Outros autores também têm proposto, 
como possíveis explicações, uma interferência na 
Por outro lado, em relação ao mecanismo 
de alívio da dor (analgesia), a luz infravermelha 
atuará na membrana celular, causando sua 
hiperpolarização, ou seja, uma mudança foto-física 
vai acontecer como resultado da interação luz-
célula biológica. A permeabilidade da membrana 
citoplasmática aumenta em relação aos íons de 
Ca++, Na+ e K+, determinando um aumento 
na atividade receptora da membrana celular. Em 
conseqüência disso, a síntese de endorfina e o 
potencial de ação das células neurais aumentam, 
enquanto que a quantidade de bradicinina bem 
como a atividade das fibras C de condução de 
estímulos dolorosos diminuem (WAKABAYASHI 
et al. – 1993). Essa seqüência de eventos resulta 
no alívio dos sintomas álgicos.
Simultaneamente ao processo acima descrito, 
ocorre um aumento na microcirculação local, 
melhorando a oxigenação das células em hipóxia 
(hipóxicas) e dos pontos-gatilho, assim como um 
aumento da circulação linfática, reduzindo quadros 
de edema. Há também um aumento na atividade 
da enzima acetilcolinesterase (VIZI et al. – 1977), 
responsável por bloquear a sinapse neural, o que 
clinicamente é identificado como uma analgesia 
imediata e temporária alguns minutos após 
realizada a irradiação com laser infravermelho 
Outro efeito fisiológico a longo prazo que 
deve ser considerado é a reversibilidade da 
hiperpolarização da membrana celular depois 
da estimulação laser. Esta hiperpolarização 
poderia depender de um fechamento seletivo dos 
canais de sódio, relacionados com a ativação da 
lipoproteína de membrana. O efeito é determinado 
pelo tempo, intensidade e freqüência dos 
impulsos da irradiação. Isto é conseguido pela 
inibição do movimento celular pelo laser porque 
este ataca a área do centrossoma celular que 
determina modificações da morfologia celular. 
Depois de alguns minutos de irradiação e no 
período pós-irradiação, a motilidade celular chega 
a ser descoordenada e perde a capacidade para 
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Mesmo em uso nos consultórios e clínicas 
odontológicas há mais de 20 anos, no Brasil,ainda 
não existem regras de segurança ou mesmo órgãos 
governamentais capazes de controlar e orientar 
esse tipo de modalidade terapêutica, a laserterapia. 
Dessa forma, a biossegurança para utilização dos 
sistemas lasers em Odontologia torna-se alvo de 
discussão muito atual. É preciso, inicialmente, 
entender a luz laser como um fenômeno com 
características especiais e depois a interação dessa 
luz com os tecidos biológicos. Diante disso, os 
conhecimentos dos possíveis riscos durante a 
irradiação e dos níveis de cuidados existentes são 
requisitos essenciais para todos os profissionais 
que utilizam esse agente terapêutico. Um “Laser 
Safety Officer” , um físico como membro da 
equipe odontológica, é o responsável tanto pelo 
bom funcionamento do equipamento laser, bem 
como pela orientação aos profissionais da área 
de saúde e aos pacientes quanto às regras de 
segurança, antes, durante e após o procedimento 
operatório. Seguindo essa filosofia, as principais 
regras de segurança para o uso de lasers, tanto de 
baixa quanto de alta intensidade, serão discutidos, 
buscando difundir, com responsabilidade, esse 
importante e recente instrumento terapêutico, o 
feixe laser.
A proteção pessoal, isto é, das pessoas 
envolvidas no uso do laser, consiste basicamente 
no uso dos óculos de proteção que atenuam o 
feixe a que se submetem (MAILLET - 1987).
As pessoas que estão freqüentemente 
expostas ao risco laser, ou aqueles que 
sofrem uma exposição excessiva, devem ser 
submetidas regularmente a uma supervisão 
médica oftalmológica, a fim de que se detecte 
qualquer dano ocular que possa ter ocorrido. Esta 
preocupação com a visão é proveniente do fato 
de que os mais graves acidentes sejam aqueles 
ocorridos com os olhos, pois a radiação atinge a 
retina após sofrer uma amplificação de um fator 
100.000 vezes. Além disso, o risco ocular está 
mensagem elétrica da dor (HERCH, TERESI – 1997; 
COLLS - 1985), ou aumento da latência sensorial 
(SNYDER-MACKLER, BORK - 1998).
Hoje no mercado, é possível encontrar 
aparelhos com comprimentos de onda vermelho 
e infravermelho, separadamente ou com canetas 
inter-cambiáveis. Basicamente, o vermelho é mais 
indicado para regular a cicatrização e para drenagem 
linfática local, enquanto que o infravermelho 
é mais indicado para controle de sensibilidade 
dolorosa, principalmente quando a aplicação é feita 
nos “trigger-points” ou pontos-gatilho, e para o 
reparo neural e drenagem linfática local sobre os 
linfonodos. Cada um desses comprimentos de 
onda tem suas melhores indicações, sendo ambos, 
importantes na clínica.
Figura 2 – Modelo de interação da luz de baixa 
intensidade com a célula, unidade do sistema biológico 
(SMITH – 1991 modificado por LIZARELLI - 2003).
2 – Quais são as regras de biossegurança 
necessárias a serem seguidas?
Nas atividades odontológicas, é de extrema 
importância a conscientização dos riscos no que 
se refere a biossegurança. A biossegurança é um 
termo que está relacionado aos cuidados que se 
deve ter para evitar e/ou diminuir a possibilidade 
de infecções, as contaminações com produtos 
tóxicos, a ocorrência de doenças profissionais e a 
ocorrência de acidentes.
27
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
presente em praticamente todos os tipos de lasers. 
(MAILLET - 1987)
A segurança deve ser observada em diferentes 
níveis, a saber:
2.1 – Equipamento laser
Algumas precauções devem ser tomadas para 
garantir a segurança do equipamento:
• quando desligado, aconselha-se manter o 
equipamento dentro de um armário; 
• a chave-de-segurança deve ser conectada apenas 
quando se for utilizar o aparelho (figura 3);
a b
Figura 3 – Chave de segurança de um aparelho laser de baixa 
(a) e de alta (b) intensidade (dispositivo removível).
• em caso de lasers que emitem radiação 
infravermelha, deve-se verificar a presença e a 
eficiência da luz-guia visível; e,
• deve ser feita a revisão do equipamento 
semestralmente por técnicos autorizados.
2.2 – Cirurgião-dentista e equipe 
auxiliar
Em relação ao profissional e sua equipe 
auxiliar, devemos abordar os seguintes aspectos 
para garantir uma conduta clínica segura:
• a capacitação e a reciclagem científica 
permanente; 
• escolha da dosimetria indicada para cada caso 
clínico individualmente;
• uso da proteção ocular: os óculos de proteção 
atenuam o feixe a que são submetidos (figura 4) 
(MAILLET - 1987) sendo que no máximo 10% 
poderá atravessar as lentes sem resultar em 
danos; e, 
• a paramentação completa (luvas, máscara, gorro 
e avental) para evitar contaminações.
2.3 – Paciente
Para a segurança do paciente:
• o mesmo deve ter conhecimento dos princípios 
básicos da laserterapia como tratamento e das 
alternativas de tratamento;
• dar autorização por escrito para receber a 
laserterapia; e,
• utilizar proteção ocular durante todo o 
procedimento clínico (figura 4).
Figura 4 – Equipe profissional e paciente utilizando 
óculos apropriados para proteção do laser em uso.
2.4 – Consultório
Em relação ao consultório, deve-se:
• verificar o bom funcionamento da rede elétrica 
que alimenta o aparelho; é recomendado ainda, 
o uso de um estabilizador de voltagem; 
• devem ser colocados avisos de alerta à radiação 
laser na(s) porta(s) do consultório: uma placa 
indicadora informando a classe do aparelho e 
advertindo sobre o perigo da exposição ao feixe 
(figura 5) (MAILLET - 1987); e,
• minimizar móveis de materiais refletores 
próximos ao campo operatório.
28
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Figura 6 – Limpeza facial prévia à aplicação com laser 
de baixa intensidade em pontos extra-orais.
• quando for possível, fazer uma pequena pressão 
da ponta ativa contra o tecido-alvo, provocando 
uma isquemia local e temporária, o que permite 
uma maior penetrabilidade da luz;
a b
Figura 7 – Colocação do filme de PVC de 
forma bem esticada (a) evitando
difusão do feixe de luz na saída da caneta 
(ponta convencional) (b).
a b c
Figura 8 – Aplicação em contato e (a) e em contato com 
pressão (b) (melhores formas de aplicação) e não-contato com 
uma distância superior a 0,5 cm (c), resultando em grande 
perda da energia a ser entregue, sendo desaconselhável.
• ausência de materiais refletores no campo 
operatório: recomenda-se o uso de instrumentos 
não refletores durante o manuseio do laser, visto 
que alguns instrumentos odontológicos são 
capazes de produzir reflexões do feixe que podem 
Figura 5 – Placa de advertência para as portas do consultório.
2.5 – Procedimento clínico
O bom andamento do procedimento clínico 
depende de alguns fatores:
• diagnóstico correto;
• profilaxia prévia do local a ser irradiado, 
empregando anti-sépticos incolores; se a 
aplicação for intra-oral, para diminuir a absorção 
e atenuação da energia, e limpeza da pele, 
quando a aplicação for extra-oral, com solução 
anti-séptica incolor (figura 6);
• proteger a ponta ativa do laser com plástico 
(PVC) descartável, para evitar contaminações 
cruzadas e como medida de higiene (figura 7);
• não realizar aplicações extra-orais em pacientes 
que usam drogas foto-sensibilizantes endógenas 
(tetraciclina, griseofulvina, sulfamida e 
furocumarina) ou exógenas (ácido retinóico e 
glicólico), pois qualquer luz de alta intensidade 
poderá interagir com a droga e provocar manchas 
de pele no local da irradiação (ALMEIDA-LOPES – 
2004);
• preferencialmente realizar a aplicação tipo 
contato, ou seja, tocando a ponta ativa do 
laser no tecido-alvo (figura 8 e 9), se por algum 
motivo isso não for possível, distanciar no 
máximo 0,5cm (figura 10) para não atenuar 
tanto a energia devido a reflexão do feixe;
29
ProtocolosClínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
para adequar a fonte de luz e/ou o equipamento a 
base de laser de baixa intensidade, para entregar 
superficilamente no tecido-alvo a quantidade 
de energia mais eficiente para o tratamento em 
questão.
Trata-se do item mais controverso dentro da 
laserterapia de baixa intensidade. Isso acontece 
porque ainda é muito difícil calcular a quantidade 
exata de energia entregue, absorvida e espalhada.
Quando pensamos em dosimetria temos que 
ter em mente que o seu significado não é apenas 
o entendimento de quanto é a dose, ou qual o 
conjunto de doses seria mais bem indicada em 
cada caso. A dosimetria na verdade representa o 
ponto mais controverso da laserterapia atual. Para 
entender a dosimetria não podemos nos basear 
apenas na forma de como calcular a dose, mas sim 
compreender que existe um conjunto de manobras 
táticas que o pesquisador/clínico se utiliza para 
adequar a fonte de luz e/ou o equipamento às 
base s científicas do laser de baixa intensidade,. 
E assim, podemos de maneira efetiva entregar no 
tecido-alvo a quantidade de energia mais eficiente 
para o tratamento em questão.
A dosimetria reflete diretamente a dose que 
também é conhecida como fluência ou densidade 
de energia. Ao descrever a dosimetria temos que 
incluir mais dois parâmetros muito importantes 
que são a energia e a irradiância. Veremos a 
diante com detalhes esses parâmetros. Ademais 
aos parâmetros dosimétricos temos que levar 
em consideração a interação da luz com esse 
tecido permite diferentes formas de absorção e 
espalhamento dessa luz direcionada num volume 
de tecido que determina sim um volume irradiado 
e não mais uma área irradiada. 
Já não se aceita apenas entender a dose 
como a densidade de energia entregue, sim 
porque no conteúdo inteiro deste livro-manual, 
estaremos sugerindo as doses ou fluências ou 
resultar em danos a tecidos biológicos tanto no 
operador quanto no paciente (MISERENDINO et 
al. - 1995);
• descartar a ponta em fibra óptica para terapia 
fotodinâmica (figura 12b) em recipiente 
apropriado para instrumentos perfuro-
cortantes;
• acompanhamento do caso por pelo menos doze 
meses; e,
• observação das contra-indicações.
Figura 9 – Desenho esquemático mostrando a influência 
da forma de aplicação e distância da ponta ativa do tecido-
alvo na profundidade de penetração do laser.
Figura 10 – Laser sendo aplicado na forma não-contato, porém
com uma distância inferior ou igual a 0,5cm.
2.6 – Dosimetria laser
Dosimetria não é a Dose ou o conjunto das 
doses mais indicadas e bem sucedidas. Dosimetria 
não é sequer a forma de calcular “a dose mais 
indicada”. Dosimetria é sim o conjunto de 
manobras e táticas que o pesquisador/clínico utiliza 
30
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
A ciência vem evoluindo nesse assunto e 
descobrindo fórmulas mais adequadas e com 
menor erro para o cálculo da dose mais indicada 
em cada enfermidade. Porém, o mais importante é 
entender as características ópticas do tecido-alvo; 
entender como determinada fonte de luz pode 
interagir com esse tecido-alvo; e, então, adequar 
as fluências entregues, sempre observando as 
respostas a cada sessão que o paciente relatar.
O tecido biológico não é exato. Apesar de toda 
a fisiologia operar de forma organizada, em tecidos 
lesionados, todo o metabolismo apresentará uma 
alteração, passível de ser observada tanto ao nível 
molecular quanto ao nível comportamental do 
paciente. Sendo assim, é muito importante que 
o cirurgião-dentista mantenha-se focalizado e 
atento aos sinais durante e após cada irradiação. 
Serão esses sinais que determinarão o decorrer de 
todo o tratamento com a laserterapia.
Os parâmetros seguros de operação dos lasers 
devem ser escolhidos segundo a situação clínica a 
ser tratada, a fase na qual a lesão se encontra, as 
características ópticas do tecido a ser irradiado e 
a metodologia de irradiação do laser (puntual ou 
varredura, contato ou não-contato). Além disso, é 
muito importante conhecer bem as características 
técnicas do equipamento que está sendo utilizado, 
tais como: potência máxima, se essa potência é 
fixa ou variável, a área da ponta ativa da caneta de 
aplicação, comprimento de onda, localização do 
ponto de focalização do equipamento.
Para os lasers de baixa intensidade, o cálculo 
mais utilizado na clínica é empregando a fórmula 
para encontrar a fluência ou dose, dada pela energia 
por área (J/cm2), que é a densidade de energia.
No início do uso da laserterapia, nos 
anos sessenta, os pesquisadores acreditavam 
que sempre a área atingida pelo laser de baixa 
intensidade, no tecido irradiado, independente da 
potência, da dose, das características ópticas do 
densidades de energia ENTREGUES na superfície 
do tecido-alvo. Isso porque a interação da luz 
com esse tecido permite diferentes formas de 
absorção e espalhamento dessa luz direcionada 
num volume de tecido que determina sim um 
volume irradiado e não mais uma área irradiada. 
Entretanto, como calcular esse volume? Como 
prever como determinado comprimento de onda 
com determinada potência de saída se distribuirá 
no volume de um determinado tecido biológico?
Figura 11 - Comportamento da luz de um laser vermelho 
660nm, com uma potência de saída de 40mW no tecido 
(pele): a – sobre uma região periférica de uma lesão de 
queimadura; e, b – sobre a lesão propriamente dita.
Na figura 11, de uma forma muito simples, 
basta observar como a luz do laser vermelho 
660nm com a potência de saída de 40mW se 
comporta após ser entregue na superfície. Os 
halos formados ao redor da ponta ativa da caneta-
laser demonstram o comportamento dessa luz 
dentro desse tecido irradiado. Na região onde 
parte desse tecido não está lesionado com a 
queimadura (figura 11a) o halo mais claro (centro 
do feixe laser) tem um diâmetro menor, enquanto 
que o halo mais vermelho (externo) tem um 
diâmetro maior (observar as barras comparativas); 
provavelmente nessa situação da figura 11a, onde 
a absorção do laser foi menor, tendo um halo 
claro de absorção com menor diâmetro e um halo 
vermelho de espalhamento maior. Por outro lado, 
quando o laser irradia o tecido central da lesão de 
queimadura, o halo mais claro, que demonstra a 
absorção do laser, apresenta um diâmetro maior, 
enquanto que o halo vermelho de espalhamento, 
um diâmetro menor.
31
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
0,04W (basta dividir o valor em mW por 1000), 
como demonstrado na tabela 1.
Tabela 1 - Conversão de Unidades para os 
valores de Potência do Twin Laser:
Potência 
em mW
Potência 
em W
01 0,001
05 0,005
10 0,010
15 0,015
20 0,020
25 0,025
30 0,030
35 0,035
40 0,040
45 0,045
50 0,050
55 0,055
60 0,060
65 0,065
70 0,070
80 0,080
90 0,090
100 0,100
110 0,110
120 0,120
Com relação ao cálculo da área da ponta, 
geralmente circular, basta lembrar que a área de 
um círculo é calculada multiplicando-se o valor de 
π (“pi”) pelo valor do raio elevado ao quadrado, ou 
seja, 3,14 X r2.
a b
Figura 12– Ponta projetada para laserpuntura (acupuntura a laser) 
(a) e para terapia fotodinâmica (descartável) (b) que deve ser 
acoplada numa ponta especial e então encaixada na extremidade 
ativa da caneta, removendo-se a ponta convencional.
Portanto a área será diferente se o clínico for 
utilizar a caneta convencional (A = 0,04cm2, na 
figura 7) ou se for utilizar com a ponta especial 
para acupuntura (A = 0,0078cm2, na figura 12). 
Sendo assim, mudando-se a ponta ativa é possível 
mudar a dose que está sendo aplicada no tecido, 
pois a área será alterada também e a potência não, 
como dose é densidade de energia que é a energia 
distribuídana área, diminuindo a área sem alterar 
a potência e o tempo de irradiação, o resultado 
será uma densidade maior de energia depositada 
tecido e do comprimento de onda, era a de 1,0cm2. 
No entanto, com o avanço dos equipamentos para 
medida de penetrabilidade da luz na matéria e 
com o entendimento melhor dessa interação luz-
matéria, hoje sabemos que nem sempre é essa a 
área efetivamente irradiada e para tanto, mudou-
se a forma de calcular a dose adequada. 
Primeiramente é preciso saber se a aplicação 
será realizada pontualmente (pontos separados) 
ou por varredura (ponta do laser em contato e em 
movimento uniforme com velocidade constante). 
Se for pontualmente, é preciso saber a área do 
“spot” da ponta ativa do laser, se for por varredura, 
a área considerada será a da lesão a ser irradiada.
A fórmula empregada é a seguinte:
Dose [J/cm2] = P [W] x T [s]
A [cm2]
sendo P potência de saída; T o tempo de 
irradiação; e A a área a ser considerada.
Para o calculo da Energia total temos a 
seguinte fórmula: 
Energia Total [J] = P [W] x T [s]
sendo P potência de saída; T o tempo de 
irradiação.
Assim, é muito importante diferenciar a 
Energia da Dose. A energia nos fornece o quanto 
foi depositado de energia no tecido alvo. Por 
outro lado, a Dose representa como essa energia 
é depositada, ou seja, a fluência de energia em 
função da ponta da aplicação.
É importante lembrar que a maioria dos 
equipamentos fornece a potência na unidade de 
mW, portanto para inserir o valor na fórmula é 
preciso fazer a transformação de unidades. Por 
exemplo, um laser de 40mW tem a potência de 
32
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
2.7 – Biossegurança específica para o 
uso dos lasers de baixa intensidade
Ao fazer o uso dos lasers de baixa intensidade, 
deve-se observar:
• a escolha do comprimento de onda mais indicado 
para cada enfermidade;
• a escolha da dose adequada para bioestimulação 
ou para bioinibição;
• peles muito escuras ou muito claras pedem 
uma dose maior de energia, cerca de 1/3 acima 
da dose indicada; isto porque quando muito 
escuras absorvem muito na superfície, por outro 
lado quando são muito claras, refletem muito, 
em ambos os casos estarão comprometendo a 
profundidade de penetração;
• se a paciente for gestante, evitar direcionar o 
laser para o feto;
• não irradiar áreas em hemorragia; 
• cautela ao irradiar áreas infectadas, melhor evitar 
e optar pela drenagem linfática;
• não irradiar área com hipoestesia ao calor e/ou 
dor; 
• evitar as linhas epifiseais em crianças; 
• evitar irradiar crianças com menos de 2 anos de 
idade;
• as doses indicadas para crianças são menores 
do que as indicadas para adultos, considerando 
as mesmas enfermidades, a experiência clinica 
considera indicado empregar 1/3 das doses 
indicadas para adultos;
• não irradiar gânglios simpáticos; 
• quando o paciente for cardiopata, evitar a região 
cardíaca;
• não irradiar nervos vagos;
• evitar irradiar as gônadas; e,
• ser cauteloso com pacientes cujos reflexos são 
obtundentes.
no tecido. A tabela 2 apresenta esta relação.
Conseqüentemente, também a intensidade 
ou irradiância, ou ainda, densidade de potência 
(W/cm²) será maior. Sendo a irradiância maior, 
a penetrabilidade no tecido biológico também o 
será.
Tabela 2 - Alteração da dose ou fluência 
segundo a ponta ativa da caneta, quando o tempo 
de irradiação for igual a 10 segundos (T):
POTÊNCIA DE 
SAÍDA [mW]
PONTA 
CONVENCIONAL 
[J/cm2]
PONTA DE 
ACUPUNTURA 
ou FIBRA 
DESCARTÁVEL 
(PDT) [J/cm2]
ENERGIA 
TOTAL [J] (E 
= P X T)
1 0,3 1,9 0,01
5 1,3 6,4 0,05
10 2,5 12,8 0,10
15 3,8 19,2 0,15
20 5,0 25,6 0,20
25 6,3 32,1 0,25
30 7,5 38,5 0,30
35 8,8 44,9 0,35
40 10,0 51,3 0,40
45 11,3 57,7 0,45
50 12,5 64,1 0,50
55 13,8 70,5 0,55
60 15,0 76,9 0,60
65 16,3 83,3 0,65
70 17,5 89,7 0,70
80 20,0 102,6 0,80
90 22,5 115,4 0,90
100 25,0 128,2 1,00
110 27,5 141,0 1,10
120 30,0 153,8 1,20
Para os cálculos desta tabela, consideramos a 
fórmula já apresentada:
Dose [J/cm2] = P [W] x T [s]
A [cm2]
sendo P potência de saída; T o tempo de 
irradiação; e A a área a ser considerada.
Quando empregamos a “Ponta Convencional”do 
equipamento da MM Optics, a área por onde o laser 
é entregue apresenta 0,04cm2, então na fórmula este 
será o valor de “A” a ser considerado. Por outro lado, 
quando utilizamos a “Ponta de Acupuntura” ou a “Fibra 
Descartável para PDT (Terapia Fotodinâmica”, o valor da 
área por onde o laser é entregue é de 0,0078cm2,, então 
este será o valor a ser considerado na fórmula.
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
• um texto onde o paciente autoriza, com sua 
própria letra manuscrita, receber o laser como 
tratamento, tornando-se ciente de todos os 
riscos e benefícios da terapia; e,
• data, local e assinatura do paciente, do seu 
responsável (em caso de menor de idade), 
assinatura do operador (cirurgião-dentista 
responsável pelo tratamento) e assinatura e 
nome de uma testemunha.
Em todas as sessões, o cirurgião-dentista deve 
anotar na tabela (tab.3) qual o laser utilizado, os 
parâmetros de irradiação, a lesão ou área envolvida, 
como foi a metodologia de aplicação, e a resposta 
do paciente antes e após a irradiação (monta-se 
essa informação em forma de tabela horizontal). 
Se for possível, a documentação fotográfica deve 
acompanhar também a ficha (abaixo).
3 – A ficha de autorização
Todas as sessões de aplicação com lasers 
de baixa intensidade devem ser acompanhadas 
por uma autorização por escrito, ou melhor, um 
contrato por escrito entre o cirurgião-dentista e o 
paciente. Esse documento deve conter:
• os dados pessoais do paciente (nome completo, 
endereço, número dos documentos civis, data de 
nascimento, etc...);
• anamnese com a história médica e 
odontológica;
• explicação simplificada do que é a laserterapia;
• quais os riscos que a laserterapia envolve durante 
o tratamento;
• quais os tratamentos alternativos, se a 
laserterapia não for a escolha;
33
Tabela 3 – Tabela para anotar os procedimentos detalhadamente por sessões:
34
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa Intensidade
Autorização do(a) Paciente: Laserterapia de baixa intensidade
Os lasers de baixa intensidade possuem um efeito eminentemente analgésico, antinflamatório e biomodulador, sendo utilizados 
como nos casos de aftas, herpes labial, queilite angular, trismos, parestesia, hipersensibilidade dentinária, pós-cirurgias, pós-intervenções 
endodônticas. Como efeitos da laserterapia pode-se citar os aumentos da microcirculação local e da velocidade da cicatrização, além da 
analgesia temporária e da mudança na polarização celular, permitindo diminuir estados e hiper e de hiposensibilidade. É capaz de auxiliar 
na resposta imunológica do organismo de forma local e sistêmica.
Riscos: Se todas as normas de segurança para a aplicação da luz laser de baixa intensidade forem corretamente respeitadas, não 
existe nenhum risco ao paciente, operador e equipe, durante e após o procedimento clínico.
Benefícios: Tratamento menos agressivo e mais rápido, preservando tecidos saudáveis.
Alternativas: O tratamento odontológico convencional adequado para cada caso.
Eu,______________________________________________RG: ________________, CPF: ________________, concordo em 
receber essa terapia com laser de baixa intensidade. Eu tive a oportunidade de questionar o(a) operador(a) sobre os riscos, benefícios 
e alternativas para o meu tratamento. Eu também tive a oportunidade de questionar sobre as atuais pesquisas e sobre a importância 
desse procedimento. Não me foram feitas promessas ou garantias em relação aos procedimentos em obter resultados miraculosos,existem hipóteses e resultados clínicos e experimentais que têm sido satisfatórios. Eu dou a permissão para que o meu tratamento seja 
documentado com fotografias e radiografias com finalidade didática e profissional.
Eu dou a permissão para receber a laserterapia.
___________________________________________________________ _____________________________________________________________
(assinatura) (assinatura)
Paciente: ___________________________________________________ Operador(a): _________________________________________________
(nome legível) (nome legível)
___________________________________________________________ _____________________________________________________________
(assinatura) (assinatura)
Resp. Legal: ________________________________________________ Testemunha: _________________________________________________
(nome legível) (nome legível)
___________________ , _____ de ___________________ de 20_____.
(cidade) (dia) (mês) (ano)
Modelo da ficha de autorização
Cadastro do(a) Paciente:
Nome: _____________________________________________
Data de Nascimento: ___/___/___
RG: __________________ CPF: _________________________
Endereço Completo: ___________________________________
Indicado(a) por: ______________________________________
Caso clínico: __________________ Código (CID): __________
Região: ____________________ Diagnóstico: ______________
Histórico: ___________________________________________
Tipo de Laser indicado:
( ) laser de baixa intensidade vermelho (660nm)
( ) laser de baixa intensidade infravermelho (780 ou 808nm)
Lizarelli, R. F. Z.
35
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
se somente pontos ao redor da lesão.
Em casos de úlceras sem presença de infecção, 
é importante diminuir a dose de irradiação no 
centro da lesão, ou seja, se ao redor a dose indicada 
for de 4,0J/cm2 por ponto, no centro e mesmo em 
toda a porção interna da lesão, a dose deve ser a 
metade ou 1/3 dessa, ou seja, entre 1,5 e 2,0J/cm2 
por ponto (figura 13).
4.1.2 – Puntual e nos pontos-gatilho 
(“trigger-points”)
Nesse caso, também para o cálculo da dose 
ou fluência será a área da ponta ativa do laser a 
utilizada na fórmula.
Figura 13 – Método de irradiação de úlcera sem 
presença de infecção, segundo Baxter (1994).
Os pontos-gatilho ou “trigger-points” são 
aqueles que desencadeiam o processo doloroso. 
Trata-se de zonas musculares (feixes musculares) 
de particular sensibilidade e projeção mais alta, 
revelando um ponto focal da dor devido condições 
isquêmicas. Os pontos-gatilho podem aparecer 
individualmente ou podem formar uma cadeia-
gatilho.
Esses pontos são resultantes tanto de 
fenômenos neuro-vegetativos, sensoriais ou 
motores, quanto devido a traumas.
Para localizar esses pontos, é necessário 
fazer uma palpação (figura 14) na qual o paciente 
colabora confirmando se se trata do ponto 
correto.
4 – Parâmetros e metodologias de 
irradiação para cada enfermidade da 
região cabeça-pescoço.
Os protocolos e a metodologia clínica para 
cada tipo de enfermidade ou situação clínica são 
sugeridos baseados no levantamento de relatos 
científicos da experiência clínica ao longo de 
dezesseis anos (1994-2010).
4.1 – Métodos de irradiação
O laser pode ser entregue de forma puntual 
ou pontual (pontos eqüidistantes cobrindo a 
área da lesão ou o ponto-alvo) ou por varredura 
(laser varre toda a extensão da lesão). Além disso, 
o laser pode ser aplicado localmente, atingindo 
diretamente a área traumatizada ou a lesão, ou 
pode ser aplicado à distância da lesão em pontos 
pré-determinados, tais como os pontos-gatilho e 
os linfonodos.
Dessa forma, quatro são os métodos de 
irradiação aqui sugeridos:
1.1 – Puntual e local;
1.2 – Puntual e nos pontos-gatilho (“trigger-
points”);
1.3 – Puntual e sobre os linfonodos (drenagem 
linfática); e,
1.4 – Varredura e local.
4.1.1 – Puntual e local
O cálculo da dose ou fluência é realizado 
utilizando-se a área da ponta ativa do laser. O 
local de irradiação coincide com o local do trauma 
ou enfermidade.
Na presença de infecção, como por exemplo, 
herpes simples labial na fase bolhosa ou mesmo 
úlcera aftosa recorrente, é importante evitar a 
irradiação do centro da lesão para não estimular a 
proliferação dos microrganismos, portanto irradia-
36
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
(relacionados com a imunidade celular) alojam-se 
nas áreas paracorticais e medular MICHALANY - 
1995).
A técnica descrita por ALMEIDA-LOPES 
(2002) visa ativar a drenagem linfática de 
uma região onde está estabelecido um quadro 
inflamatório. Essa ativação é feita com o laser 
terapêutico, cuja ponteira é colocada diretamente 
sobre os linfonodos responsáveis pela drenagem 
da região acometida, com a finalidade de estimulá-
los diretamente. 
Utiliza-se um laser infravermelho e a ponteira 
é colocada sobre os linfonodos responsáveis pela 
drenagem da região acometida. Aplica-se fluência 
ou dose de cerca de 70,0J/cm2 em cada linfonodo. 
O número de sessões varia de 2 a 6, com intervalo 
de dois dias entre as sessões. O número de sessões 
varia segundo o tempo que varia a solução do 
quadro inflamatório.
A vantagem dessa técnica aqui preconizada 
e descrita evita ativar o microorganismo que 
infecta o local da lesão, no caso de lesões 
altamente contaminadas (como o herpes em fase 
de vesicular), lesões apicais agudas ou purulentas 
(quadros de pericoronarites ou alveolites). Essa 
técnica visa ativar a imunidade local do paciente, 
ativando a drenagem da região, fazendo com que o 
paciente passe pela inflamação com um quadro de 
menor edema, e conseqüentemente menos dor e 
desconforto (ALMEIDA-LOPES - 2002; ALMEIDA-
LOPES et al. - 2002).
4.1.4 – Varredura e local
Nesse caso para o cálculo da dose utiliza-
se a área da lesão ou região a ser irradiada, além 
disso, o laser é aplicado em movimento contínuo 
e uniformemente acelerado, buscando entregar 
no tecido a mesma dose ao longo de toda a área 
(figura 15).
Figura 14 – Como detectar os pontos-gatilho (LASERS – 2000).
4.1.3 – Puntual e sobre os linfonodos 
(drenagem linfática)
Também aqui a dose é calculada da mesma 
forma, utilizando a área da ponta ativa.
A irradiação é realizada sobre os gânglios 
linfáticos ou atualmente denominados linfonodos, 
que estiverem relacionadas a lesão a ser tratada.
Essa é uma técnica desenvolvida pela 
Profa Luciana Almeida-Lopes (2002) e que tem 
promovido uma aceleração nos processos de 
inflamação com ou sem presença de infecção. A 
drenagem linfática é uma técnica de tratamento 
pouco utilizada na odontologia, mas é grande 
sua indicação em processos inflamatórios, 
uma vez que em processos infecciosos agudos 
(como pericoronarites, abscessos endodônticos, 
alveolites e herpes), pode-se utilizar o laser 
terapêutico atuando diretamente na drenagem da 
região, evitando-se a irradiação direta da lesão.
Os linfonodos são órgãos linfóides secundários 
(VERLAG - 2001) (figura 15). São constituídos 
por conglomerados mistos de linfócitos T e B, 
localizados em regiões distintas e oriundas da 
proliferação de linfócitos. São formados pela cortical 
externa e medular interna. A cortical contém os 
folículos linfóides com seus centros germinativos e 
a medula é composta de fileiras de células linfáticas 
(os cordões medulares). Além de células dos 
linfonodos, contem macrófagos, mais numerosos 
na medular. Os linfócitos B (relacionados com a 
imunidade humoral) encontram-se principalmente 
nos folículos corticais, ao passo que os linfócitos T 
37
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
do cirurgião-dentista se mescla com o do 
fisioterapeuta e com o domédico. Cabe ressaltar 
que, em nenhum momento, é intencional atuar em 
áreas além da odontologia, contudo é importante 
lembrar que o paciente se constitui em uma 
entidade complexa que deve ser tratada como 
um todo, e não somente órgãos dentais contidos 
em uma cavidade oral. Além disso, a laserterapia 
de baixa intensidade se constitui em uma terapia 
que teve sua origem na Medicina e que apresenta 
efeitos sistêmicos bem característicos, mesmo 
quando a irradiação se restringe em áreas como 
cabeça e pescoço. 
Sendo assim, é muito importante que, em 
casos, de sinusite ou cefaléia, como por exemplo, 
o paciente consulte o médico-especialista e 
apresente o diagnóstico por escrito ao seu 
cirurgião-dentista, para ser arquivado juntamente 
com a autorização para receber a laserterapia.
A associação com medicação sistêmica não 
é proibitiva, como a antibioticoterapia, uma vez 
que a laserterapia pura não resulta em efeitos anti-
sépticos, ou mesmo a ingestão de vitaminas, mas 
a administração de antiinflamatórios e analgésicos 
é desnecessária, exceto se o paciente apresentar 
certa ansiedade na resolução do quadro ou se 
no momento que iniciar o tratamento estiver 
sob tratamento sistêmico. Ou então, no caso 
de corticosteróides, a laserterapia é iniciada e 
a medicação vai sendo removida lentamente, 
diminuindo-se as doses da medição aos poucos.
Outro detalhe importante é saber que 
os comprimentos de onda tanto na faixa do 
vermelho (de 600 a 700nm) quanto na faixa do 
infravermelho (de 700 a 904nm), que normalmente 
têm sido empregados nas terapias fotônicas para 
modulação fisiológica promoverão efeitos similares 
clinicamente. Entretanto, os comprimentos de 
onda no espectro eletromagnético vermelho 
têm uma atuação mais interessante em casos 
de drenagem linfática local (ao redor da lesão), 
Trata-se de uma técnica pouco empregada 
atualmente, uma vez que é difícil, manualmente, 
manter a mesma aceleração do movimento, exceto 
nos casos onde o próprio equipamento laser possui 
um sistema de entrega em forma de “scanner”, 
facilitando essa técnica.
Porém, pode ser útil quando existir uma 
lesão muito extensa para ser bioestimulada, 
por exemplo, como nos casos de queimaduras 
superficiais e extensas.
Figura 15 – Linfonodos da cabeça e pescoço (NETTER et al. – 1999).
Figura 16 – Aplicação na forma de varredura 
(escaneamento) de uma lesão.
4.2 – Indicações clínicas e parâmetros 
de irradiação
A seguir, serão apresentadas as principais 
situações clínicas e enfermidades onde o laser de 
baixa intensidade tem contribuído positivamente.
Existem algumas indicações onde o papel 
38
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
de infecções locais contra microorganismos como 
fungos, bactérias e vírus. A TFD, atualmente, vem 
sendo amplamente empregada no tratamento de 
microorganismo, tanto em estudos laboratoriais 
como em estudos clínicos, mostrando-se como 
uma técnica promissora na área de microbilogia. 
A terapia fotodinâmica é caracterizada por 
um conjunto de processos físicos, químicos e 
biológicos que ocorrem após a administração 
de um fotossensibilizador ou corante, que pode 
ser administrado por via endovenosa, tópica ou 
subcutânea no paciente, dependendo do objetivo 
fim e da patologia a ser tratada, os quais são 
retidos exclusivamente em células neoplásicas 
ou nos microorganismos, seguida pela irradiação 
local de luz visível, utilizando a propriedade de 
seletividade da luz laser.
Os fotossensibilizadores são moléculas 
heterocíclicas grandes, que absorvem luz. Quando 
estas moléculas são irradiadas com luz visível, 
um elétron é excitado do estado fundamental 
para o estado singleto. Este elétron pode retornar 
ao estado fundamental emitindo fluorescência 
ou passar para o estado tripleto, de menor 
energia, através de cruzamento intersistema (do 
inglês inter-system crossing – ISC). De acordo 
com as regras de seleção, este processo não é 
permitido, pois ele requer uma inversão de spins 
e a probabilidade para que ele ocorra é menor do 
que para os processos permitidos. Entretanto, 
uma das propriedades desejáveis para um bom 
fotossensibilizador é a alta eficiência para sofrer 
cruzamento intersistema. Como o tempo de vida 
do estado tripleto é relativamente longo (10-3 a 
10 segundos) o fotossensibilizador excitado pode 
interagir com moléculas vizinhas. Esta interação 
pode ocorrer através de dois mecanismos 
principais:
- mecanismo tipo I ou via formação de 
radical: o sensibilizador no estado excitado pode 
agir abstraindo um átomo de hidrogênio de uma 
na bioestimulação para o reparo de tecidos 
moles e para efeito antinflamatório nos tecidos 
musculares; por outro lado, os comprimentos 
de onda infravermelhos têm uma atuação mais 
efetiva no controle da dor, reparo de tecidos duros 
e neurais e drenagem sobre linfonodos.
Outra consideração muito atual está em 
consideração a coerência da fonte de luz, ou seja, 
um equipamento laser empregado para terapia 
de baixa intensidade poderia ser substituído por 
um equipamento a base de um sistema led (“light 
emitting diode”) emitindo na mesma potência 
de saída e faixa espectral? Ou seja, poderíamos 
substituir uma fonte de luz pela outra cuja 
diferença básica está no comprimento de coerência 
durante a emissão de luz? Essa resposta tem 
sido respondida por alguns trabalhos (WONG-
RILEY – 2001; KARU – 2003; TAKEZAKI - 2006) 
e na grande maioria das vezes positivamente. 
Provavelmente, dentro dos próximos 2 anos essa 
questão possa ser esclarecida e novos protocolos 
clínicos possam ser estabelecidos, visando sempre 
a resolução mais eficiente e confortável para o 
problema do paciente.
4.3 – Associação com a Terapia 
Fotodinâmica (PDT ou TFD)
Os princípios da Terapia Fotodinâmica (PDT) 
existem a cerca de 100 anos e tem sido uma 
modalidade clínica experimental nas últimas 
décadas. Na América, Ásia e Europa, vários 
fotossensibilizadores foram aprovados para uso 
clínico. Geralmente, a TFD é utilizada como terapia 
paliativa ou terapia curativa, dependendo das 
indicações específicas.
A terapia fotodinâmica tem sido utilizada na 
área da saúde para destruição seletiva de neoplasias 
e na redução bacteriana. Raab, em 1900, observou 
a morte de microorganismos quando exposto à 
luz solar e ao ar, na presença de certos corantes, 
apresentando uma alternativa para o tratamento 
39
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
condições ideais para a aplicação da droga no 
paciente (concentração da droga, dose de luz, 
fracionamento de luz, intervalo de tempo entre 
a administração da medicação e a iluminação). 
Pesquisas também visam o desenvolvimento de 
Clinical Trials (Pesquisas em pacientes), último 
estágio exigido para a aprovação de medicamentos 
e técnicas pelos órgãos competentes (ANVISA), 
que envolve estudos de distribuição da 
droga no paciente (localização seletiva do 
fotossensibilizador) e a pesquisa de fontes de 
luz que sejam mais adequadas à aplicação clínica 
(como os sistemas a base de LEDs). Além da 
aplicação em lesões neoplásicas, e nas áreas de 
microbiologia (tratamento bacteriano, fúngico e 
virais) a TFD vem ganhando um grande espaço e na 
área estética (acne, fotorrejuvenescimento, entre 
outros). 
4.2.1 – Afta – úlcera aftosa recorrente 
(estomatite aftosa recidivante)
A estomatite aftosa recorrente (EAR) é 
uma doença comum que afeta a mucosa oral e 
acomete mais de 10% da população mundial. 
Muitas evidências fazem crer que a EAR está 
associada à reações imune-mediadas. As lesões 
são classificadas em três grupos: úlceras aftosas 
menores, aftosas maiores e herpetiformes. A 
EAR se caracteriza pelo aparecimento de lesões 
ulcerativas que apresentam leito amarelado e são 
delimitadaspor um halo eritematoso, em qualquer 
região da mucosa bucal. Estas lesões podem 
variar em tamanho, quantidade e localização. 
Normalmente se resolvem de maneira espontânea 
podendo apresentar caráter recorrente (FRAIHA et 
al., 2002). Embora seu curso clínico seja benigno, 
causa dor e desconforto, com comprometimento 
da qualidade de vida (WECKX et al. 2009). Sua 
etiologia é multifatorial, estando associada a 
causas de origem local, como os traumatismos, 
ou sistêmicas, como as infecções e as doenças 
imuno-hematológicas. Alguns autores sugerem 
que fatores predisponentes e condições associadas 
molécula de substrato ou transferindo elétrons. 
Os radicais assim formados podem reagir com 
oxigênio, dando origem a uma variedade de 
produtos oxidados de alta energia (O2
.-, H2O2 
ou .OH) que provocam lesões celulares e a 
subseqüente morte da célula. Representando o 
substrato biológico como SB, o sensibilizador no 
estado fundamental com carga positiva como S+ e 
com carga negativa como S-.;
- mecanismo tipo II ou via formação de 
oxigênio singleto: o fotossensibilizador no estado 
tripleto transfere energia ao oxigênio molecular no 
estado fundamental, (tripleto) produzindo oxigênio 
singleto. O oxigênio singleto é uma forma reativa 
de oxigênio e é considerado o principal mediador 
do dano fotoquímico causado à célula por muitos 
fotossensibilizadores. O oxigênio singleto pode 
se difundir a uma pequena distância antes de 
ser desativado e voltar ao estado fundamental 
ou então sofrer várias reações com substratos 
biológicos, tais como, oxidação e cicloadição, que 
são bastante destrutivas aos processos biológicos. 
Representando o fotossensibilizador no estado 
tripleto como 3S*, o oxigênio molecular como 3O2 e 
o oxigênio singleto como 1O2.
Além da influência fotoquímica direta nas 
células neoplásicas tratadas por TFD, há outros 
mecanismos importantes envolvidos na morte 
celular. A perturbação do suprimento sangüíneo 
ao tumor devido à destruição do endotélio dos 
vasos, pode levar a uma isquemia e hipóxia celular. 
O efeito hipertérmico, condicionado pela absorção 
ativa da luz pelas células neoplásicas, também 
pode causar dano celular. Reações citotóxicas, 
condicionadas pelo estimulo da produção do 
fator de necrose tumoral, produzem um infiltrado 
inflamatório com a migração de macrófagos, 
leucócitos e linfócitos
Para a aplicação da TFD, busca-se a 
otimização de protocolos clínicos e experimentais, 
estabelecendo-se a dosimetria, isto é, buscando 
40
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
dias.
A aplicação local de laserterapia de baixa 
intensidade é indicada para analgesia e diminuição 
da inflamação. A irradiação dos linfonodos para 
drenagem linfática também demonstra bons 
resultados.
1 – Analgesia e desinflamação (figura 17):
• irradiação puntual e direta;
• comprimento de onda infravermelho (780 ou 
808nm);
• 4 ou 5 pontos ao redor da lesão;
• dose em torno de 105,0J/cm2 (780nm, 70mW, 
60 segundos ou 808nm, 120mW, 35 segundos) 
ou 4,2J por ponto;
• 2 sessões de aplicação, de 24 em 24 horas; e,
• ponta convencional.
Figura 17 – Pontos de irradiação ao redor da lesão.
2 – Drenagem Linfática (figuras 18):
• irradiação puntual e sobre os linfonodos 
submandibulares e cervicais, do lado referente à 
podem ser atribuídos ao desenvolvimento da 
afecção, tais como: trauma local, tabagismo, 
estado psicológico, ciclo menstrual, bactérias, 
vírus, fatores genéticos, hipersensibilidade 
alimentar, deficiência hematológica, deficiências 
nutricionais, fatores imunológicos, dentre outros 
(FRAIHA, 2002). 
A palavra afta é, em geral, usada para 
denominar qualquer úlcera dolorosa da mucosa, 
em especial da oral, porém as aftas verdadeiras 
são consideradas uma ou múltiplas áreas de 
perda de substância, com erosão ou ulceração, 
não traumáticas, de localização na mucosa oral, 
dolorosas, de aparição sub-aguda, bem demarcadas, 
inicialmente necróticas e não vesiculo-bolhosas, 
com padrão recorrente. O melhor termo para definir 
a entidade da mucosa oral de etiologia múltipla é 
estomatite aftosa recorrente. Pelo conceito atual, 
outros processos ulcerosos da mucosa oral não 
devem ser denominados afta, como é o caso das 
úlceras traumáticas, de contato, medicamentosa, 
da doença de Behçet, entre outras (SILVA – 
2005).
A orientação de higiene oral prévia é 
imprescindível e a associação com ingestão de 
vitamina A e bochechos com anti-sépticos é 
recomendável.
A causa pode estar relacionada com frio, trauma 
local, distúrbios estomacais, menstruação, mas 
sua etiologia tem sido atribuída à autoimunidade a 
anticorpos contra Streptococcus sanguis induzindo 
lesões pela citotoxidade de linfócitos às células do 
epitélio bucal, ou ainda relacionada a Streptococcus 
beta-hemolíticos. Contudo, pela impossibilidade de 
confirmar esta teoria atribuiu-se a um desequilibrio 
na subpopulação de células imunitárias.
Trata-se de úlceras superficiais cobertas com 
uma camada amarela e um círculo eritematoso. 
Ocorre uma sensação de queimação que prejudica 
a fala e a mastigação. Dura em torno de 4 a 8 
41
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
segundos, resultando numa dose de 120mJ/cm2 (c); e aspecto do 
pós-operatório de 48 horas depois (d), quando a paciente relatou que 
não existia dor mais, apesar do tecido mole ainda estar se reparando., 
4.2.2 – Candidíase
A candidíase, causada pelo fungo Candidas 
albicans, é a infecção fúngica mais comum na 
cavidade bucal. Pode exibir uma grande variedade 
clínica, sendo a mais comum a forma denominada 
pseudomembranosa. Esta manifestação clínica da 
Candidíase é caracterizada pela presença de placas 
brancas aderidas na mucosa oral que lembram 
leite coalhado. Tais placas podem ser removidas 
pela raspagem (NEVILLE et al., 2009). Outra 
apresentação clínica é a forma eritematos, que se 
apresenta como manchas vermelhas usualmente 
sobre o palato duro ou mole. Os pacientes com 
Candidíase eritematosa podem queixar-se de 
queimação. 
Trata-se de uma micose que atinge a superfície 
cutânea ou membranas mucosas, resultando em 
candidíase oral, vaginal, intertrigo, paroníquia e 
onicornicose (CANDIDÍASE – 2003). A forma mais 
comum é a pseudomembranosa, caracterizada por 
placas brancas removíveis na mucosa oral. Outra 
apresentação clínica é a forma atrófica, que se 
apresenta como placas vermelhas, lisas sobre o 
palato duro ou mole.
Nesse caso, como a lesão é uma infecção, 
pode-se apenas irradiar os linfonodos que drenam 
a região afetada com doses em torno de 105,0J/
cm2 (780nm, 70mW e 60 segundos ou 808nm, 
120mW, 35 segundos) ou 4,2J por ponto, 
diariamente durante 7 dias, como mostrado na 
figura 20.
localização da lesão;
• comprimento de onda infravermelho (780 ou 
808nm);
• ponta convencional;
• dose em torno de 105,0J/cm2 (780nm, 70mW, 
60 segundos ou 808nm, 120mW, 35 segundos) 
ou 4,2J por ponto; e,
• 2 sessões de aplicação, de 24 em 24 horas.
Figura 18 – Linfonodos que devem ser palpados e 
irradiados (adaptado de NETTER et al. – 1999).
3 – Terapia Fotodinâmica
Uma terceira forma muito eficiente e atual 
para tratar uma lesão infectada, como as “aftas” 
é a terapia fotodinâmica. A PDT permite uma 
descontaminação da úlcera, o que facilita a 
resposta imunológica para reparo do tecido mole.
a b
c d
Figura 19 – Paciente R. S., sexo feminino, jovem (20 anos) procurou 
o atendimento com dor insuportável (a) e a lesão de dimensão 
consideravelmente grande; foi aplicado a solução aquosa de azul de 
metileno a 0,05% (Chimiolux) e foi esperado 5 minutos (b); então, 
o laser de baixa intensidade 660nm, com 40mW, irradiando por 120 
42
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de BaixaIntensidadeLizarelli, R. F. Z.
cefaléia neurovascular recorrente manifestando-se 
em crises que duram de 4 a 72 horas. É caracterizada 
por dor de caráter pulsátil, intensidade moderada 
ou forte, exarcebada por atividade física rotineira 
e associação com náusea, vômito e/ou fotofobia e 
fonofobia (intolerância a luz e ruídos). Distúrbios 
visuais (auras), formigamento e parestesia dos 
lábios, tontura e sonolência, poderão estar 
presentes.
Por outro lado, na Cefaléia Tensional, a dor 
ocorre em pontadas ou peso, intolerância a luz 
e/ou ruídos. Não piora ao subir escadas ou ao 
abaixar a cabeça (que acontece nas enxaquecas). 
A intensidade é leve. Há tensão ou espasmo 
nos músculos trapézios em aproximadamente 
50% dos casos, além dos músculos escalenos, 
esternocleidomastoideos e longos da cabeça.
O tratamento para ambos os casos aqui é 
analgesia e descongestiona mento vascular, ou seja, 
poderão ser associados os comprimentos de onda 
infravermelho (780 ou 808nm), para analgesia e 
em doses altas; e, o vermelho (660nm), buscando 
aumentar a circulação sanguínea e linfática, 
aplicando então doses baixas e moderadas. 
O laser infravermelho (780 ou 808nm) deverá 
ser aplicado com a ponta convencional nos pontos 
indicados na figura 21, com a dose em torno de 50 
a 60J/cm2 ( 780nm, 70mW durante 30 segundos, 
2,1 J de energia total; ou com 808nm, 120mW 
durante 20 segundos, 2,4J) por ponto.
a b c d
Figura 21 – Pontos de irradiação do laser infravermelho 
(a – adaptado de ROGER - 1999).
Já o laser vermelho (660nm) deverá ser 
aplicado na musculatura associada, como está 
mostrado na figura 22 (músculos do pescoço 
Figura 20 – Linfonodos que devem ser irradiados no caso 
de candidíase oral (Adaptado de NETTER et al. – 1999).
4.2.3 – Cefaléia (dor-de-cabeça) e 
enxaqueca
A congestão circulatória ocasiona essa 
dor latejante, que pode ter origem em diversos 
fatores, tais como, estresse (psicológico), 
desordens músculo-esqueléticos, alterações 
posturais, alimentos condimentados e má 
oclusão. Independente da causa, também aqui 
o diagnóstico e acompanhamento médico são 
essenciais, eliminando, previamente, a presença 
de qualquer outro tipo de lesão mais grave.
O cirurgião-dentista poderá atuar apenas nos 
casos onde não existam sinais neurológicos e febre, 
do contrário o paciente deverá ser encaminhado 
ao médico neurologista. Quando há febre, 
quadros infecciosos agudos, tais como, sinusites 
e resfriados, podem estar associados. Quando há 
sinais neurológicos (rigidez da nuca, alteração de 
equilíbrio, nível de consciência, convulsões) existe 
a necessidade de exames complementares, que 
cabe ao neurologista realizar.
As cefaléias primárias que ocorrem com maior 
freqüência são a cefaléia tipo tensional (episódica 
ou crônica) e a Migrânea popularmente conhecida 
como Enxaqueca. 
De acordo com a Classificação Internacional 
das Cefaléias (ICHD-II, 2004) a Enxaqueca é uma 
43
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Figura 22 – Pontos de irradiação do laser infravermelho (NETTER, Frank 
H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000). 
4.2.4 – Desordens musculares de 
cabeça e pescoço
O sucesso do tratamento pode ser avaliado 
clinicamente observando-se os seguintes pontos:
• menor desconforto à palpação;
• diminuição da dor ao movimento passivo ou 
ativo;
• diminuição da tensão muscular;
• diminuição do tamanho e da sensibilidade dos 
módulos musculares próximos aos
• “trigger points”; e,
• aumento da amplitude de movimento e 
restabelecimento a força muscular.
A ponta convencional é a mais indicada por 
irradiar uma área maior, facilitando atingir várias 
fibras musculares. Os músculos (fibra superior do 
trapézio, escaleno, Esternocleidoocciptomastoideo 
(ECOM) e músculos faciais, como temporal, 
zigomático, bucinador e auricular) envolvidos 
devem ser irradiados de forma que os pontos de 
aplicação, equidistantes de 1,0 a 2,0cm, sigam a 
direção dos feixes musculares (figura 23).
Co-contração Protetora: nesta condição 
o laser pode evitar a administração de relaxantes 
musculares e analgésicos. Laser infravermelho 
– esternocleidomastoideo e trapézio) de forma 
bilateral, com dose em torno de 20,0J/cm2 (40mW 
durante 20 segundos) ou 0,8J por ponto.
Ainda de acordo com a Classificação 
Internacional das Cefaléias na parte 2 referente 
às cefaléias secundárias encontram-se os critérios 
diagnósticos para a Cefaléia Cervicogênica. Mas os 
critérios clínicos mais conhecidos para o diagnóstico 
da cefaléia cervicogênica são os de Sjasstad (1998) 
sendo caracterizada por dor nucal e/ou fronto-
temporal desencadeada por distúrbio na região do 
pescoço, C1, C2 ou C3. A dor é unilateral, iniciada 
na região fronto-temporal sendo episódica ou 
crônica. Encontram-se sinais que se originam no 
pescoço, tais como, redução da amplitude dos 
movimentos, precipitação por alguns movimentos 
do pescoço, por dígito-pressão de pontos da 
região da nuca, propagação da dor ou algum tipo 
de sensação para nuca, ombro e braço ipsilateral 
com característica não radicular. Os bloqueios dos 
nervos occipitais maior ou menor é feito com duas 
finalidades: terapêutica e diagnóstica. Após um 
bloqueio, a dor pode desaparecer por meses ou 
definitivamente. Indica-se novos bloqueios quando 
da recidiva da dor, quer a curto ou longo prazo. 
Não há orientações na literatura sobre o numero 
de bloqueios convencionais nem o intervalo de 
tempo entre eles, ficando por conta da evolução 
clínica e do julgamento do médico neurologista 
(Speciali, 2002).
Para este tipo de cefaléia o laser infravermelho 
deve ser utilizado para analgesia e deve ser aplicado 
na região dos nervos occipitais maior e menor e/
ou da raiz C2 do lado sintomático. O bloqueio 
com laser infravermelho deverá ser feito com uma 
dose em torno de 157,5J/cm² (70mW durante 
90 segundos, ou 120mW durante 55 segundos) 
ou 6,3 ou 6,6 J de energia total, por ponto, em 
4 pontos na região do nervo occipital maior e 4 
pontos na região do nervo occipital menor como 
indicados na figura 22.
44
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
no controle da dor e do desconforto do paciente, 
sendo os pontos de irradiação os pontos-
gatilho da dor. Doses menores, de 6,0 a 10,0J/
cm2 (660nm, de 25 a 40mW e 10 segundos, 
ou de 0,25 a 0,4J por ponto) aplicadas nas 
sessões seguintes do tratamento têm efeito no 
sistema circulatório (atuando na eliminação de 
substâncias algógenas) e no trofismo celular, os 
pontos de aplicação cobrem os músculos faciais. 
A restrição dos movimentos mandibulares dentro 
de limites indolores, a aplicação de calor úmido e a 
utilização de uma placa miorrelaxante também são 
importantes modalidades terapêuticas, que podem 
ser associadas à laserterapia neste caso.
a b c
Figura 23 – Pontos para LILT sobre a musculatura facial 
(a); pontos de irradiação quando músculos do pescoço 
apresentarem tensão e dor (b) (a e b adaptados de NETTER et 
al. – 1999); e, pontos de irradiação laterais à coluna vertebral, 
atingindo músculos longos da cabeça e do pescoço.
4.2.5 – Dor e disfunção de atm
DTM (Disfunção Têmporo-Mandibular) é o 
conjunto de anormalidades responsáveis por dores 
crônicas do tipo recorrente, não progressivas e 
associadas a um impacto leve, moderado, na 
atividade social do paciente. A dor da DTM é 
músculo-esquelética, ou seja: de origem muscular, 
articular ou mista. A designação DTM é genérica, 
e designa vários subgrupos de dores músculo-
esqueléticas relacionadas à atividade mandibular, 
portanto, a denominação (DTM) engloba as 
condições dolorosas crônicas decorrentes 
dos músculos mastigatórios, das articulações 
temporomandibulares e das estruturas associadas 
(McNEILL, 1993).Estas desordens podem causar sofrimento 
a milhões de pessoas ao redor do mundo, 
diminuindo a qualidade de vida e restringindo o 
(780nm) e doses em torno de 17,5J/cm2 (70mW 
e 10 segundos) ou 0,7J por ponto podem exercer 
um efeito analgésico. No entanto, também é 
importante a remoção do fator etiológico, como 
por exemplo, o ajuste oclusal de uma restauração 
recém confeccionada que apresentava um contato 
exagerado, alterações da coluna cérvico-toraco-
lombar e espasmos musculares cervicais.
Mioespasmo: as aplicações iniciais devem 
ser realizadas com doses altas (cerca de 35,0J/
cm2, 780nm, 70mW e 20 segundos ou 1,4J por 
ponto) com o intuito de eliminar a dor e promover 
o relaxamento muscular. Doses menores podem 
ser utilizadas após o controle do quadro clínico 
inicial, atuando na estimulação do trofismo celular 
e na circulação para a recuperação muscular. A 
restrição dos movimentos mandibulares dentro de 
limites indolores, a aplicação de termoterapia (uso 
do calor como terapia), o ultra-som contínuo e o 
TENS e manipulação cervical (massagem) também 
podem ser associados à laserterapia.
Dor Miofascial Generalizada: o laser 
deve ser aplicado em doses altas (70,0J/cm2, 
70mW, 40 segundos ou 2.8J por ponto) na região 
de origem da dor (“trigger-points”) e também 
sobre os linfonodos associados a essa região. 
Irradiar puntualmente (ponta convencional), 
cobrindo toda a musculatura atingida, com laser 
vermelho (660nm) e doses baixas, para drenar 
o processo inflamatório, em torno de 2,5J/cm2 
por ponto (10mW, 10 segundos). Resultados 
positivos de imediato não são comuns, podendo 
inclusive ocorrer exacerbação da dor no início 
do tratamento. O alongamento muscular após 
anestesia ou termoterapia e orientações posturais, 
massagem profunda e o ultra-som podem ser 
também utilizados como coadjuvantes no processo 
terapêutico.
Dor Muscular Localizada: doses iniciais 
em torno de 40,0J/cm2 (780nm, 40mW e 60 
segundos ou 2,4J por ponto) são interessantes 
45
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
1 a 2 meses. Os resultados terapêuticos podem 
aparecer nesse intervalo. 
A resposta do paciente deverá ser observada 
a cada aplicação, verificando-se a necessidade de 
alteração da dose.
Comprimentos de onda 780 ou 808nm 
(infravermelho) são os mais indicados nos pontos 
indicados na figura 24.
Em casos crônicos: ponta convencional, doses 
em torno de 35J/cm2 ou 1,4J por ponto (70mW, 20 
segundos), duas vezes por semana, em todos os 
quatro (4) pontos.
Em casos agudos,, doses em torno de 100,0 J/
cm2 por ponto seguindo o protocolo sugerido pelo 
Prof. Paul Bradley (LASERS – 2000).
Se o laser infravermelho 780nm for o escolhido, 
então os parâmetros de irradiação serão: ponta de 
acupuntura, 70mW por 15 segundos (135 J/cm2 
ou 1,05J), nos pontos ao redor da ATM; ou, com a 
ponta convencional com dose em torno de 105,0J/
cm2 ou 4,2J por ponto (70mW, 60 segundos), nos 
pontos gatilho (4, como apresentados na figura 
22b)), três vezes por semana.
Se o laser infravermelho emitindo em 808nm 
for o escolhido, então os parâmetros serão: 80mW 
por 10 segundos com a ponta de acupuntura 
(102,6 J/cm2 ou 0,8J) e de 40 segundos, com a 
ponta convencional (120 J/cm2 ou 4,8J).
Considerando a musculatura associada 
a ATM, é indicado irradiar com laser de baixa 
intensidade emitindo no comprimento de onda 
vermelho (660nm) com dose em torno de 40 J/ 
cm² (40mW, 40 segundos) ou 1,6 J de energia 
total, com a ponta convencional, por ponto, 
ou seja, 1 ponto localizado medianamente 
sobre os músculos Temporal, Masseter e 
Esternocleidoocciptomastoideo (ECOM).
convívio social, o aconselhamento e orientações 
de AVDs (atividades de vida diária) também são 
importantes no tratamento desses pacientes. 
Vale ressaltar ainda, que em casos crônicos, a 
influência de fatores psicossociais na etiologia, 
desencadeamento e perpetuação da dor devem ser 
considerados.
Um dos sintomas mais comuns da DTM são 
as dores de cabeça. Muitos pacientes apresentam 
este sintoma e não sabem que possa ser causado 
pela DTM.
Segundo estudos recentes, a incidência 
mundial de DTM é de 3% da população ao ano. 
Apesar de ser uma incidência baixa, a duração da 
doença é longa, fazendo com que haja um grande 
número de pacientes. Atualmente, tem sido 
observado um aumento dos casos de DTM em 
adolescentes e crianças. 
O paciente com DTM geralmente é um doente 
crônico que demora anos para buscar tratamento. 
Como os sintomas são muito subjetivos 
e podem estar ligados a outros problemas 
médicos (depressão, problemas otológicos ou 
reumatológicos), o dentista, muitas vezes, é o 
último profissional da saúde a ser procurado. 
Tratamentos de casos agudos devem ser 
iniciados com doses mais altas, em cinco sessões 
semanais. Com a melhora do caso, a dose pode ser 
diminuída e as sessões serem realizadas de duas 
a três vezes por semana. Em condições dolorosas 
severas, o laser pode ser aplicado 2 vezes por 
dia, com intervalo de 6 horas entre as aplicações. 
Geralmente, dez sessões são suficientes para o 
alívio da dor.
Casos crônicos devem ser tratados com duas 
a três sessões semanais, com doses mais baixas, 
que podem ser aumentadas em 20 a 25% por 
sessão. Resultados pobres depois de 30 sessões, 
indicam que o tratamento deve ser paralisado por 
46
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
a partir da fase prodrômica (primeiros sinais e 
sintomas) até a cicatrização e resolução da lesão 
herpética. A autocontaminação é possível entre o 
VHS-1 e a região genital e o VHS-2 existente nas 
genitálias para o sítio bucal.
A partir do momento da exposição do vírus, 
este pode ficar incubado em até 2 semanas, 
ocorrendo ou não a gengivoestomatite herpética 
primária (infecção primária), pois nem sempre 
ocorre a manifestação clínica desta fase. Esta 
consiste em sintomatologia gripal, como febre, 
mal-estar, cefaléia, linfadenopatia cervical, e 
lesões vesiculobolhosas em lábios, gengiva e 
mucosas bucais que podem perdurar entre sete a 
dez dias. Caso não seja constatada clinicamente 
a infecção primária, o paciente encontra-se em 
infecção subclínica. Após a infecção primária 
ocorre remissão da lesão, e o indivíduo se torna 
soropositivo para VHS-1 e os vírus se alojam nos 
gânglios nervosos.
Os vírus ficam alojados no gânglio trigeminal 
em estado latente, ou seja, inócuo ao indivíduo. 
Determinados fatores excitadores ativam o vírus 
fazendo com que haja migração do vírus para 
todo o feixe nervoso, se dirigindo até a inervação 
dos lábios. Neste momento ocorrem as lesões 
características do herpes labial, fase conhecida 
como infecção secundária. Tais agentes 
ativadores/excitadores/desencadeantes podem 
ser: distúrbios psicológicos (ansiedade/estresse 
emocional/depressão), exposição ao frio e ao 
sol, alteração hormonal (período menstrual), luz 
ultravioleta, etc (BAPTISTA NETO – 2005).
O tratamento (comprimento de onda, dose 
e intensidade) é dependente da fase em que se 
encontra a lesão.
Após a infecção primária, a recorrência pode 
acontecer a qualquer hora quando o paciente 
passar por uma situação de estresse. O vírus 
permanece no organismo mas fica inativo. A 
Realizar seis sessões iniciais e após, se a dor 
persistir, tratá-la como dor crônica irradiando uma 
vez por semana (quatro sessões) e encaminhar 
o paciente para receber o tratamento com 
ortopedista Funcional/Reabilitador neuro-oclusal 
concomitantemente a laserterapia.
a b c
Figura 24 – Pontos para irradiação com laser de baixa intensidade 
para enfermidades que envolvam dores na articulação têmporo-
mandibular: a) pontos recomendados para a região da ATM e 
músculos associados, e b) um ponto localizado internamente 
na orelha, irradiandoa região dos nervos póstero-auriculares da 
ATM, segundo Prof. Paul Bradley (LASERS – 2000); e, c) pontos 
sugeridos por PIZZO (2003), circundando toda a articulação.
4.2.6 – Herpes simples labial 
recorrente (estomatite herpética 
recidivante)
O herpes é uma doença viral cujo agente 
etiológico pertence à família dos HHV (vírus do 
herpes humano). Seu membro mais conhecido é 
vírus do herpes simples (VHS). Outros membros 
da família são: varicela zoster (VVZ), que 
promove a varicela (catapora) e o herpes zoster; 
o citomegalovírus, responsável por doenças das 
glândulas salivares e doenças por imunossupressão; 
o vírus Epstein Barr que está relacionado à 
mononucleose infecciosa (“doença do beijo”), 
certo tipo de linfoma (Burkitt), leucoplasia pilosa, 
entre outras.
Existem dois tipos de vírus do herpes 
simples:VHS-1 e VHS-2. O VHS-1 dissemina-se 
predominantemente através da saliva infectada ou 
lesões periorais. Já o VHS-2 se adapta melhor às 
regiões genitais.
O contágio se dá através do contato da saliva 
ou do líqüido, contido nas vesículas ou bolhas das 
lesões herpéticas presentes, com o hospedeiro. 
Para maior segurança deve-se evitar tal contato 
47
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Figura 25 – Um único ponto central para ser irradiado nessa fase.
2 – Fase Pré-Vesicular
Na fase Pré-Vesicular, quando a região se 
apresenta com eritema intenso e edemaciado 
(Fig. 24a), a intenção é diminuir o edema e 
conseqüentemente a sensibilidade dolorosa. 
Nesse caso, seria interessante empregar:
• ponta convencional;
• comprimento de onda vermelho (660nm) ou 
infravermelho (780 ou 808nm), com 1/3 da 
dose;
• 660nm: dose em torno de 30J/cm2 (40mW, 30 
segundos) ou 1,2 J por ponto; ou,
• 780nm ou 808nm: dose em torno de 10J/cm2 
(40mW, 10 segundos) ou 0,4 J por ponto; e,
• aplicar um ponto central e 4 ou 5 pontos 
periféricos, como mostra a figura 26.
infecção recorrente geralmente causa vesículas. 
As lesões se espalham pelos lábios, língua, ou 
na mucosa jugal. É comum haver algum grau de 
inchaço, queimação ou dor com as lesões. 
Cada fase dessa patologia não possui mais do 
que 24 horas de duração, portanto, para cada uma 
dessas fases, abaixo destacadas, uma única sessão 
de aplicação é recomendada.
1 – Fase Prodrômica
Sem dúvidas a melhor fase para o tratamento 
é a Prodrômica, ou seja, bem no começo, quando 
o paciente sente um leve formigamento. Nessa 
fase inicial, a idéia é utilizar o laser para inibir o 
desenvolvimento subseqüente da lesão, então, é 
interessante usar o comprimento de onda vermelho 
(de 630 a 690nm), com dose para inibição, ou 
seja, dose alta, uma única sessão. Pode acontecer 
da lesão se desenvolver, contudo, mesmo assim, 
o ciclo se completará em um período menor. O 
protocolo indicado é:
• ponta convencional;
• comprimento de onda vermelho (660nm) ou 
infravermelho (780 ou 808nm), empregando 1/3 
da dose indicada no comprimento 660nm;
• 660nm: dose em torno de 120J/cm2 (40mW e 2 
minutos) ou 4,8J por ponto; ou,
• 780nm ou 808nm: dose em torno de 40J/cm2 
(40mW e 40 segundos) ou 1,6 J por ponto; e,
• aplicar um único ponto central, como mostrado 
na figura 25.
48
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Figura 27 – Pontos de irradiação, para após 
curetagem, com laser de baixa intensidade.
Uma segunda opção é a de não curetar 
as vesículas previamente, então o LILT deverá 
ser aplicado somente ao redor da lesão, para 
auxiliar na drenagem do edema e para diminuir a 
sensibilidade dolorosa. A drenagem linfática pode 
ser empregada nessa fase.
Sendo assim, para essa fase da doença são 
recomendados métodos associados de:
• Aplicação puntual e direta: ponta 
convencional, comprimento de onda infravermelho 
(780 ou 808nm), dose em torno de 10,0J/cm2 
(40mW, 10 segundos) ou 0,4J por ponto, aplicar 4 
ou 5 pontos periféricos (figura 28a); e,
• Drenagem linfática: irradiação puntual e 
sobre os linfonodos submandibulares e cervicais, do 
lado referente à localização da lesão, comprimento 
de onda infravermelho (780 ou 808nm), ponta 
convencional, dose em torno de 70,0J/cm2 (70mW, 
40 segundos) ou 2,8J por ponto (figura 28b).
a b c
Figura 26 – Aspecto clínico (a), os pontos para irradiação 
quando a lesão apresenta-se edemaciada (b) e como 
irradiar a lesão considerando esses pontos (c).
3 – Fase Vesicular
Já na fase Bolhosa ou Vesicular, a fase onde 
o contágio é perigoso, pois o paciente pode 
transmitir essa enfermidade, é quando se deve 
primeiramente promover uma descontaminação 
inicial, diminuindo essa infecção através do 
rompimento das vesículas e da curetagem do seu 
conteúdo (com lasers de alta intensidade ou não). 
Somente depois disso é que o LILT vermelho pode 
ser aplicado para bioestimular a cicatrização. 
É indicada a seguinte seqüência operatória:
• anti-sepsia da lesão com água oxigenada 10V;
• aplicação de anestésico tópico;
• rompimento das vesículas;
• curetagem do conteúdo;
• segunda anti-sepsia da região curetada com água 
oxigenada 10V; e,
• irradiação com LILT vermelho: ponta 
convencional, comprimento de onda vermelho 
(660nm), dose em torno de 20 J/cm2 (40mW, 
20 segundos) ou 0,8J por ponto, aplicar um 
ponto central e quatro pontos periféricos (figura 
27), e aplicação de vaselina sólida para evitar 
o ressecamento da região e abertura de uma 
solução de continuidade ou protetor solar se a 
lesão estiver localizada sobre pele.
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
(C) e irradiação com laser de baixa potência (Twin 
Flex Laser – MM Optics) pela técnica pontual em 
contato, modo contínuo, comprimento de onda 
de 660 nm, 120 J/cm² de densidade de energia, 40 
mW de potência, 2 minutos por ponto, 4 pontos 
na lesão. A paciente retornou após 24 h, 72 h 
(D) e 1 semana para a laserterapia objetivando-
se aceleração do processo de reparação tecidual 
(E): Twin Flex Laser, técnica pontual em contato, 
modo contínuo, comprimento de onda de 660 
nm, 3,8 J/cm² de densidade de energia, 15 mW 
de potência, 10 segundos por ponto, 4 pontos na 
lesão. Observou-se reparação completa das lesões 
após 1 semana (F). 
a b
c d
e f
Figura 29– (A) Herpes labial na fase de vesícula; (B) Drenagem 
das vesículas com agulha estéril; (C) Aplicação do corante azul de 
metileno; (D) Irradiação com laser de baixa potência; (E) Aspecto 
após 72h; (F) Reparação completa da lesão após 1 semana (Caso 
gentilmente cedido pela Dra. Juliana Marotti – LELO/FO-USP).
Caso 2
Paciente do gênero feminino, 22 anos, 
apresentou-se com queixa de herpes labial na 
fase de vesícula no lábio inferior (Figura 30A). 
Após drenagem das vesículas com agulha estéril, 
foi aplicado o corante azul de metileno a 0,01% 
a b
Figura 28 – Na ausência da curetagem, esses serão os pontos:
locais (a) e sobre os linfonodos (b).
Uma nova e terceira abordagem para os 
casos de lesões com infecção e/ou em uma fase 
infectada, como esta, é a de empregar a Terapia 
Fotodinâmica (PDT).
Dessa forma, a indicação é iniciar com limpeza 
da lesão com água oxigenada 10V, aplicação 
de anestésico tópico, então proceder com o 
rompimento das vesículas (com agulha estéril), 
aplicação da solução aquosa (água destilada por 
osmose reversa) de azul de metileno a 0,05%, 
aguardar 2 minutos e então irradiar com o laser 
emitindo em 660nm (vermelho) com 40 mW 
de potência de saída durante 120 segundos ou 
2 minutos de irradiação, em contato, um único 
ponto no centro da lesão. Esses parâmetros 
resultarão em uma dose ou densidade de energia 
de 120,0 J/cm2 ou 4,8 J de energia total.
A seguir, casos clínicos gentilmente cedidos 
pela Dra. Juliana Marotti:
Caso 1
Paciente do gênerofeminino, 25 anos, 
apresentou-se com queixa de herpes labial na fase 
de vesícula no lábio superior esquerdo (A) devido 
a intenso estresse no dia anterior. Foi proposto 
tratamento por meio da terapia fotodinâmica para a 
fase de vesícula e laserterapia para a fase de crosta. 
A Figura 29 mostra os passos utilizados durante 
o tratamento: drenagem das vesículas com agulha 
estéril (B), aplicação do corante azul de metileno 
0,01% m/V (Chimiolux – Hypofarma) por 5 minutos 
50
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
4 – Fase Ulcerada
Na última fase, a Ulcerada, quando existe uma 
ferida aberta, o objetivo será apenas de estimular 
a cicatrização, sendo o laser de baixa intensidade 
vermelho, em baixíssimas doses e por duas a três 
sessões, o mais indicado. Portanto, o protocolo 
recomendado seria:
• ponta convencional;
• comprimento de onda vermelho (660nm);
• dose em torno de 10 J/cm2 (40mW e 10 
segundos) ou 0,4 J de energia total por ponto;
• aplicar um ponto central e 4 pontos periféricos 
(figura 31); e,
• aplicação de vaselina sólida para evitar o 
ressecamento da região e abertura de uma 
solução de continuidade ou protetor solar se a 
lesão estiver localizada sobre pele.
Se optar por aplicar apenas um ponto central 
na lesão, então a densidade de energia entregue 
deverá ser em torno de 40 J/cm2 (40mW e 40 
segundos) ou 1,6 J de energia total no único 
ponto.
por 5 minutos (B) e então realizada a irradiação 
com o laser de baixa potência (C), conforme 
protocolo de PDT descrito no Caso 1. A paciente 
foi acompanhada 24, 48h e 1 semana após. Após 
24h a lesão já se encontrava na fase de crosta (D), 
apesar da permanência do edema. Foi realizada 
então a laserterapia com laser vermelho (conforme 
protocolo descrito no Caso 1) objetivando-se 
acelerar o processo de reparação da lesão. Após 48h 
(E) observou-se redução do edema e, após 1 semana 
(F), a lesão estava completamente reparada.
a b
c d
e f
Figura 30 – (A) Herpes labial no lábio inferior na fase de vesícula; (B) 
após drenagem das vesículas, foi aplicado o corante azul de metileno; 
(C) irradiação com o laser vermelho de baixa potência; (D) aspecto 
após 24h; (E) 48h após e (F) 1 semana após, com reparação completa. 
Caso gentilmente cedido pela Dra. Juliana Marotti LELO/FO-USP
A terapia fotodinâmica, associada à 
laserterapia, mostrou ser uma alternativa eficaz 
para o tratamento do herpes labial, de acordo com 
os protocolos utilizados. O tratamento foi bem 
aceito pelos pacientes, não havendo relato de dor 
ou desconforto. Os resultados foram satisfatórios, 
acelerando clinicamente o processo de reparação 
da lesão, cuja resolução dos casos aconteceu em 
apenas uma semana.
51
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Doses em torno de 180 J/cm2 (70mW e 120 
segundos ou 120mW por 70 segundos) ou 8,4 
J, com o laser infravermelho, por ponto (pontos 
eqüidistantes de 2,0cm) ao longo de todo o ramo 
envolvido, com a ponta convencional.
Com o comprimento de onda vermelho 
(660nm) pode-se irradiar os tecidos vizinhos à 
região traumatizada para melhorar a circulação 
sanguínea, empregando-se uma dose em torno 
de 10,0J/cm2 (40mW e 10 segundos) ou 0,4J por 
ponto.
Três sessões semanais durante três semanas 
constituem um tratamento inicial. Se ainda 
persistir a dor, diminui-se a freqüência de sessões 
para duas por mais três semanas.
À medida que a dor for diminuindo e/ou 
cessando periodicamente, manter as irradiações, 
com dose alta e laser infravermelho (180 J/cm2, 
sendo 70mW e 120 segundos ou 120mW por 70 
segundos, totalizando 8,4 J por ponto) apenas nas 
regiões ainda sensíveis, até “zerar” a sensibilidade, 
e irradiar o restante do ramo acometido com dose 
moderada e o mesmo comprimento de onda 
infravermelho (90J/cm2, 70mW por 60 segundos 
ou 2,1J por ponto).
Atentar para manter uma distância média 
entre os pontos em torno de 2,0cm. Dependendo 
do formato da lesão, pode-se utilizar a figura 13 
como guia para “gradear” e irradiar de uma maneira 
mais homogênea possível o herpes zoster. Mas, na 
maioria dos casos, esse tipo de lesão apresenta 
uma forma de “cordão”, sendo assim, basta aplicar 
uma linha de pontos eqüidistantes em 2,0cm, 
sendo que no centro da lesão, emprega-se o laser 
no comprimento de onda infravermelho, e ao redor 
desse cordão, duas linhas (acima e abaixo) com o 
laser no comprimento de onda vermelho.
Figura 31 – Pontos para o LILT vermelho.
O paciente precisa ficar ciente que não será 
com um único tratamento que o “seu herpes” 
estará curado. O que se percebe, clinicamente, é 
que à medida que o paciente recebe a laserterapia, a 
recorrência e a dimensão da lesão vão diminuindo.
4.2.7 – Herpes zoster
Existem dois tipos de herpes: o simples, 
anteriormente apresentado e mais comum, que 
não tem cura e que se manifesta sob condições de 
queda da imunidade; e o herpes zoster, transmitido 
pelo vírus VVZ (vírus varicela zoster). Após a 
infecção inicial pelo VVZ o vírus é transportado 
para os nervos sensitivos e presumivelmente 
estabelece sua latência no gânglio espinhal dorsal. 
O Herpes Zoster clinicamente evidente ocorre 
após a reativação do vírus, com o envolvimento da 
distribuição do nervo sensitivo afetado (NEVILLE 
et al., 2009). O herpes zoster provoca uma dor 
desesperadora porque destrói o ramo neural onde 
está alojado. Geralmente atinge os ramos neurais 
que ficam entre as costelas (na horizontal) e o 
nervo trigêmeo da face. A atividade viral pode durar 
de quatro a seis semanas, mas a dor permanece 
por meses ou anos. Essa dor persiste por meses 
e até anos porque essas fibras neurais danificadas 
demoram muito para se regenerar.
O herpes zoster acomete nervos e pele, 
causando dor terrível, em pessoas com baixa 
imunidade. Geralmente atinge os ramos neurais 
que ficam entre as costelas (na horizontal) e o 
nervo trigêmeo da face. A atividade viral pode durar 
de quatro a seis semanas, mas a dor permanece por 
meses ou anos, quase enlouquecendo a pessoa.
O laser, com comprimentos de onda 
infravermelhos (780 ou 808nm), é muito 
bem indicado para primeiramente amenizar a 
sensibilidade dolorosa, e, em segundo lugar, 
auxiliar no reparo neural.
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
do comprimento de onda infravermelho (780 ou 
808nm), com uma dose em torno de 57,5 J/cm2 (70 
mW e 30 segundos) ou 2,1 J por ponto, buscando 
a bioinibição para o estímulo doloroso. Nas outras 
2 ou 3 sessões, o comprimento de onda vermelho 
(660nm) ou mesmo os comprimentos de onda 
infravermelho (780 ou 808nm) são indicados, mas 
a dose deve ser em torno de 20 J/cm2 (40mW e 
20 segundos) ou 0,4J por ponto, para que ocorra 
desinflamação do tecido pulpar e bioestimulação 
para a formação de dentina reacional (LIZARELLI 
et al. - 2001).
Realmente a experiência clínica tem 
demonstrado que o intervalo de 72 horas parece 
ser o mais interessante, tanto para manter um nível 
confortável, durante o tratamento, quanto pra 
minimizar a inflamação pulpar, contribuindo para o 
resultado final. Intervalos de uma semana entre as 
aplicações, não se mostram efetivas clinicamente, 
não para a maioria dos casos realizados.
Figura 32 – Pontos de irradiação de cada elemento 
dental para tratamento da hipersensibilidade dentinária 
cervical (adaptado de Netter et al. – 1999).
4.2.9 – Lilt coadjuvante ao tratamento 
periodontal
1 – Técnica RELIZA
A técnica RELIZA consta de pontos de 
irradiação pelas faces vestibulares e linguais do 
sextante a ser tratado, no início e no final da sessão 
4.2.8 – Hipersensibilidade dentinária 
cervical
A aplicação do laser de baixa intensidade 
para o tratamento da hipersensibilidade dentináriacervical é, em si, uma técnica muito simples. Para 
cada elemento dental, quatro pontos são eleitos, 
sendo três pontos na região cervical e um ponto 
correspondente ao ápice radicular, se o elemento 
for unirradicular, do contrário, um ponto para 
cada ápice, aplicando aos dentes molares essa 
particularidade.
Um ponto cervical na face onde o paciente 
acusar a sensibilidade dolorosa, ou seja, por 
vestibular ou por lingual. O ponto apical é irradiado 
sempre por vestibular por estar mais próximo aos 
ápices (figura 32).
Tanto o comprimento de onda vermelho 
(660nm) quanto os infravermelhos (780 ou 
808nm) são indicados nesse tratamento da 
hipersensibilidade dentinária cervical (VILLA el al - 
2001). Porém, o infravermelho seria o mais indicado 
para a primeira sessão e talvez na segunda, se a 
sensibilidade dolorosa ainda estiver insuportável, 
isso porque esse comprimento de onda parece 
ser mais adequado e eficiente para a analgesia 
temporária. O vermelho, que tem demonstrado ser 
mais conveniente para bioestimulação no reparo.
É recomendável que o operador realize um 
exame clínico diferencial para que se tenha a 
certeza de que o tecido pulpar se encontra com 
uma inflamação reversível, sem trincas, sem lesão 
cariosa, sem contato prematuro ou excesso de 
carga mastigatória. Em cada sessão de irradiação, 
uma profilaxia e isolamento relativo devem 
preceder a laserterapia.
São realizadas de três a quatro sessões, 
podendo-se acrescentar a quarta sessão, de 
aplicação, com intervalos de 72 horas entre elas. 
Na primeira sessão é recomendável o emprego 
53
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
inflamados ou traumatizados, a sensação de 
dor não se prolongará por horas após a sessão.
a b 
Figura 33 – Pontos de irradiação puntual e em contato da técnica 
RELIZA (a - previamente à raspagem; e, b - posteriormente 
à raspagem) (Lizarelli, R. Z.; Lizarelli, R. F. Z. - 2003).
2 – Terapia Fotodinâmica na Periodontia
A doença periodontal é uma doença 
inflamatória que afeta os tecidos de suporte dental 
e é induzida pelo acúmulo de bactérias em forma 
de biofilme sobre a superfície dental. A inflamação 
do tecido gengival segue seu curso, se deixada 
sem tratamento, causando a formação de bolsas 
periodontais, perda progressiva de inserção do 
dente nos tecidos de suporte e destruição do 
osso alveolar levando à perda do elemento dental 
(GROLLMUS, CHÁVEZ, DONAT - 2007). Estudos 
epidemiológicos sugerem que de 30% a 50% das 
populações de países desenvolvidos sofrem de 
doença periodontal (BOURGEOIS, BOUCHARD, 
MATTOUT - 2007).
A terapia convencional para o tratamento 
desta entidade clínica inclui o controle da formação 
de placa bacteriana através de medidas de higiene 
oral, raspagem e alisamente radicular para 
eliminação de depósitos bacterianos em tecidos 
moles e duros, e tratamento cirúrgico em alguns 
casos (GROLLMUS, CHÁVEZ, DONAT - 2007).
O uso de estratégias antimicrobianas 
é comum em periodontia nos casos onde o 
paciente não apresenta resposta satisfatória ao 
tratamento inicial ou em casos mais graves como 
na peridontite agressiva de progressão rápida, na 
gengivite ulcero necrosante aguda, e em pacientes 
imunocomprometidos. 
para realização do tratamento básico periodontal, 
ou seja, as raspagens ultrasônica e manual, o 
polimento coronário-radicular e/ou profilaxia e a 
aplicação tópica da solução gel de flúor-fosfato-
acidulado a 1,23%. 
Esses pontos especificamente se localizam 
nas papilas e nas regiões cervicais e apicais de cada 
elemento dental (figura 33).
Inicia-se a irradiação com laser de baixa 
intensidade infravermelho (de 780 ou 808nm) 
para analgesia das estruturas.
Se o comprimento de onda escolhido for 
780nm, então os parâmetros serão: 70mW, 60 
segundos por ponto, ponta convencional, 105 J/
cm2 ou 4,2 J. Se for o de 808nm, então a potência 
de saída será mais alta, de 120mW, então, para 
manutenção da energia total entregue proposta, 
de 4,2 J, o tempo de irradiação deverá ser de 35 
segundos, o que resultará numa dose de 105 J/
cm2, ou seja, a mesma proposta.
O laser é aplicado na região das papilas e 
região cervical (colo) de cada elemento, pela face 
vestibular do rebordo, e estará atuando sobre as 
fibras periféricas A-delta, enquanto que aplicando 
no ponto apical, serão as fibras periféricas C as 
atingidas.
Dificilmente o paciente relatará sensação 
dolorosa durante o procedimento periodontal. 
Após as raspagens ultra-sônica e manual e a 
profilaxia, novamente deve ser feita a irradiação, 
porém mudando o comprimento de onda e os 
parâmetros, buscando agora drenagem e reparo 
dos tecidos. O laser vermelho (660nm) é então 
aplicado sobre as papilas e região cervical de 
cada elemento envolvido, por vestibular, sob a 
dose por ponto em torno de 10,0J/cm2 ou 0,4J 
por ponto (40mW e 10 segundos). Além da 
drenagem e reparo dos tecidos que possam estar 
54
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
e concavidades radiculares, o uso da TFD durante 
a fase de manutenção da terapia evitando novas 
raspagens com conseqüente eliminação de tecido 
dental e muitas vezes tendo como efeito colateral à 
hipersensibilidade dentinária, diminuição do risco 
de bacteremia, diminuição do uso de antibióticos 
sistêmicos entre outras. 
Portanto, diante deste quadro o papel da 
TFD na terapêutica periodontal hoje é de um 
valioso coadjuvante e seu potencial deve ser 
prontamente estabelecido, através de estudos 
clínicos controlados para que os possíveis 
benefícios advindos desta modalidade terapêutica 
possam ser empregados com segurança na clínica 
periodontal. 
Caso 1 - Terapia fotodinâmica antimicrobiana 
associada a raspagem e alisamento radicular 
(Gentilmente cedido pelo Prof. Dr. Gerdal Roberto 
de Souza – UFMG).
a b
Figura 34 - Paciente 60 anos Periodontite crônica 
localizada no elemento 12 com presença de exsudato 
(a) e com profundidade de sondagem 7mm (b).
a b c
Figura 35 - Deposição do azul de metileno em solução 
aquosa a 0,05% (Chimiolux, Hypofarma, AptivaLux, 
Anvisa: 25351.075433/2008-25) dentro do sulco gengival 
com seringa e agulha apropriados (a); tempo de espera de 
5 minutos (b); e, irradiação (diretamente sobre a papila 
gengival pela face vestibular do elemento acometido) com 
laser de baixa intensidade 660nm com potência de saída 
de 40mW durante 90 segundos, com a ponta convencional 
de 0,04cm2 de área, totalizando uma densidade de 
energia de 90 J/cm2 ou uma energia total de 3,6J.
Neste contexto, as infecções odontológicas, 
por se tratarem de infecções localizadas e de 
pouca profundidade, têm sido alvo de estudos 
relacionados à terapia fotodinâmica (TFD) 
antimicrobiana (GARCEZ – 2007) especialmente a 
doença periodontal, bem como os microorganismos 
responsáveis por seu desenvolvimento (MEISEL, 
KOCHER - 2005). Alguns importantes parâmetros 
foram obtidos destes estudos pioneiros incluindo, 
um conhecimento mais acentuado sobre a 
sensibilidade de diversos microorganismos à TFD. 
De uma forma geral sabe-se que microorganismos 
anaeróbios são mais susceptíveis a esta terapia, 
o que no contexto da periodontia já se apresenta 
como uma vantagem devido à patogenicidade 
de microorganismos anaeróbios sobre os tecidos 
periodontais. Bactérias Gram positivas são mais 
susceptíveis a TFD do que microorganismos 
Gram negativos, sendo que estes, geralmente 
necessitam de fotossensibilizadores empregados 
em concentrações mais altas e maiores densidades 
de energia da radiação para serem eliminados de 
forma efetiva. 
A tendência nos estudos relacionados 
ao emprego da TFD na peridontia tem sido de 
associação da terapia convencional com a TDF com 
a finalidade de melhorar os resultados obtidos 
com o tratamentoconvencional, bem como, evitar 
o uso de agentes antimicrobianos sistêmicos ou 
mesmo tópicos que poderiam colaborar com o 
aumento da resistência microbiana. 
Atualmente alguns estudos clínicos podem 
ser encontrados, porém ainda com um pequeno 
número de pacientes envolvidos. Estudos clínicos 
recentes (OLIVEIRA - 2007) testaram a eficiência da 
TFD sem a associação com a terapia convencional, 
observando que os efeitos da TFD como terapia solo 
podem ser similares ao tratamento com a raspagem 
e alisamento radicular. Porém, benefícios ainda 
maiores podem advir da junção das duas formas 
terapêuticas. Alguns exemplos são a eliminação de 
patógenos em áreas de dificil acesso como furcas 
55
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
de pesquisa podem suportá-las cientificamente 
(ALMEIDA-LOPES – 2004; VILLA – 2005).
2 – Analgesia e desinflamação de 
mucosa traumatizada
O LILT infravermelho (780 ou 808nm) é 
indicado para ser aplicado sobre o local de punção 
da agulha para a injeção do anestésico (3 pontos 
de aplicação – central e 2 periféricos), sobre a 
gengiva marginal do elemento tratado onde o 
grampo do isolamento absoluto permaneceu 
preso durante a sessão (3 pontos por vestibular 
e 3 pontos por lingual), e, finalmente, após uma 
sessão de clareamento in office o LILT deve ser 
aplicado tratando o tecido gengival que sofreu 
queimadura química devido contato com o agente 
clareador (pontos equidistantes de 0,5cm).
Figura 38 – Irradiação internamente ao preparo 
cavitário com a ponta de acupuntura.
A ponta convencional é indicada e dose 
em torno de 105 J/cm² - 780nm (70mW por 60 
segundos) ou 808nm (70mW por 60 segundos), 
totalizando 4,2 J de energia total entregue nos 
pontos apresentados nas figuras 39 e 40.
a b
Figura 39 – Em caso de queimadura após sessão de clareamento 
(a), os pontos, para irradiação com LILT, coincidem com 
papilas e área cervical de cada elemento envolvido (b).
a b c
Figura 36 - A raspagem é realizada na mesma sessão 
da terapia fotodinâmica. Raspagem e alisamento 
radicular com cureta Gracey (a); tecido de granulação 
removido (b); e, aspecto logo após raspagem (c).
Figura 37 - Resultado após 30 dias: profundidade a 
sondagem de 1,0 mm, tecido gengival saudável.
4.2.10 – LILT coadjuvante na dentística 
restauradora
1 – Desinflamação pulpar após preparo 
cavitário
O laser vermelho (660nm) é aplicado logo 
após o término do preparo cavitário, antes da 
confecção da restauração. A ponta de acupuntura 
é a indicada, buscando a irradiação por contato 
(figura 38). Dose em torno de 20 J/cm2 ou 0,8J (1 
ponto central internamente à cavidade, 40mW, 
20 segundos) é recomendada, quando a intenção 
primeira da aplicação for diminuir a sensibilidade 
pós-operatória e formar uma camada espessa de 
dentina reacional num período de tempo menor. 
Entretando, quando o emprego do LILT for realizado 
com o objetivo de bioestimular a formação de uma 
dentina reacional mais organizada e de uma forma 
não tão rápida, nos casos, por exemplo, de preparo 
protético em dente vital, onde o elemento dental 
será preparado em mais de uma sessão, a dose ou 
fluência recomendada será em torno de 89,7J/cm2 
ou 0,7J (780 ou 808nm, 70mW, 10 segundos) por 
sessão. Essas doses podem ser recomendadas não 
somente pela experiência clínica, mas trabalhos 
56
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Figura 41 – LILT sobre musculatura facial envolvida durante a abertura 
bucal em sessão operatória longa (adaptado de NETTER et al. – 1999).
4 – Analgesia para ponto de injeção de 
anestesia local
Com o objetivo de promover uma analgesia 
temporária, tal como uma anestesia tópica (com o 
uso de pastas comerciais), a irradiação com laser 
de baixa intensidade emitindo nos comprimentos 
de onda infravermelho (780 ou 808nm), pode-se 
irradiar o local onde a agulha será inserida para 
administração da solução anestésica.
Um ponto único no local previamente a 
anestesia infiltrativa com dose em torno de 210 
J/cm² - 780nm (70mW por 120 segundos) ou 
808nm (120mW por 70 segundos), totalizando 
8,4 J de energia total entregue.
Essa aplicação do laser operando em baixa 
intensidade não substitui o anestésico tópico, 
entretanto poderá, em associação, potencializar 
a analgesia local, dificultando a sensação do 
rompimento do tecido pela agulha.
a b c
Figura 40 – LILT sobre local que grampo do isolamento absoluto 
estivera colocado (a – lesão; b – ponto proximal; e, c – ponto médio).
3 – Desinflamação e analgesia muscular 
após sessão longa
Nesse caso tanto o infravermelho (780nm) 
quanto o vermelho (660nm) poderão ser 
empregados. Não são indicadas potências de 
saída maiores do que 40mW sobre musculatura 
inflamada.
Doses moderadas, em torno de 20 J/cm2 
ou 0,8J por ponto (40mW e 20 segundos) são 
indicadas, e a aplicação é feita ao término do 
procedimento operatório (figura 41).
A irradiação da musculatura, com o 
comprimento de onda vermelho (660nm), é muito 
oportuna para re-ativar essas fibras musculares 
que ficaram em repouso durante o procedimento 
operatório. Isso prevenirá a exposição desses 
músculos a mudanças bruscas de temperatura, 
por exemplo, o que poderia resultar em danos 
colaterais.
Pontos sobre a região da ATM e musculatura 
associada também estão bem indicados (figura 
24), devido ao longo tempo de permanência com a 
boca aberta, e a dose poderá ser a mesma.
57
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
3 – Prevenção de pericementite
Para prevenir a pericementite com o LILT, basta 
aplicar 2 pontos coincidindo com a região periapical 
de cada raiz do elemento (por vestibular e por 
lingual) ao término da sessão de instrumentação, 
empregando um laser infravermelho com 35,0J/
cm2 ou 1,4J por ponto (70mW e 20 segundos) 
(figura 43).
4 – Cicatrização e reparo dos tecidos 
periapicais
A cicatrização e reparo dos tecidos periapicais 
é realizada como pós-opera tório cirúrgico 
envolvendo tecidos duros (bioestimulação para 
formação óssea). 
Para a formação óssea, o LILT infravermelho 
(780 ou 808nm) com uma dose ou fluência por 
ponto em torno de 178,0J/cm2 (70mW, 1 minuto 
e 40 segundos, totalizando 175,0J/cm2 ou 7J, com 
a ponta convencional; ou 70mW, 20 segundos, 
totalizando 179,4J/cm2 ou 1,4J, com a ponta para 
acupuntura), como sugerido por PRETEL (2005). 
Essa fluência deve ser entregue ao tecido-alvo 
através de um ponto de aplicação sobre a região 
de interesse.
a b
Figura 42 – Drenagem do abscesso endodôntico com 
LILT 780nm (a) e conseqüente exsudato (b).
4.2.11 – LILT coadjuvante ao 
tratamento endodôntico
As indicações do LILT na endodontia são:
• diagnóstico diferencial;
• drenagem de abscessos;
• prevenção de pericementite, na presença ou não 
de sensibilidade dolorosa;
• desinflamação pulpar (após pulpotomia); e,
• cicatrização e reparo dos tecidos periapicais.
1 – Diagnóstico diferencial
Quando o paciente procura o atendimento 
emergencial sem conseguir identificar qual o 
elemento que, de fato, está comprometido 
endodonticamente, e a dor apresenta-se difusa, 
o laser infravermelho com doses moderadas para 
analgesia deve ser aplicado, puntuando todas 
as regiões de mucosa gengival e jugal, músculos 
faciais e ATM. Dose em torno de 35,0J/cm2 ou 
1,4J (70mW e 20 segundos) por ponto é indicada. 
Após 24 horas, o paciente estará apto para auxiliar 
o cirurgião-dentista a encontrar o elemento 
envolvido no processo, do contrário, repete-se o 
mesmo procedimento e aguarda-se novamente 24 
horas.
2 – Drenagem de abscessos
Paciente deve estar sob antibioticoterapia. 
O comprimento de onda mais indicado é o 
infravermelho (780 ou 808nm) com a ponta 
convencionale dose em torno de 17,5J/cm2 
ou 0,7J por ponto (70mW por 10 segundos). É 
indicada a drenagem linfática nesses casos, com 
a ponta convencional, aplicando o comprimento 
de onda infravermelho de forma puntual e sobre 
os linfonodos, sob dose em torno de 105,0J/cm2 
ou (70mW por 60 segundos) ou 4,2J por ponto 
(figura 42).
58
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
O aumento da resistência microbiana pode estar 
determinando o fim de uma era que já se estende 
por 60 anos nas ciências da saúde, conhecida 
como “A era dos antibióticos”. Atualmente 
a batalha contra doenças infecciosas esta em 
crise devido ao aparecimento de microrganismos 
resistente à maioria dos antibióticos conhecidos 
e o surgimento de um método alternativo 
para o tratamento destas infecções é urgente 
(YOSHIKAWA - 2002; HANCOCK, BELL - 1988; 
LIVERMORE - 2001). Portanto o aparecimento de 
um tratamento que pudesse evitar o aparecimento 
de resistência microbiana e com mínimos efeitos 
colaterais é altamente desejável.
A terapia fotodinâmica (PDT) representa esta 
alternativa antimicrobiana para o tratamento 
de infecções multi-resistentes (GARCEZ et al. - 
2007).
A PDT envolve o uso de uma fonte de luz e 
um agente fotossensibilizador (ou corante) para 
a morte microbiana. O fotossensibilizador ao 
absorver a luz, produz espécies reativas de oxigênio 
que são letais aos microrganismos (PHOENIX - 
2003; WAINWRIGHT - MOHR, WALKER - 2007; 
HAMBLIN et al. – 2002; WAINWRIGHT et al. – 
1997).
Esta terapia tem se mostrado eficiente frente 
a diversos microrganismos, como bactérias Gram 
positivas, Gram negativas, fungos e vírus. E parece 
ser também eficiente contra microrganismos 
multi-resistente a antibióticos e antimicrobianos 
(DAHL, MIDDEN, HARTMAN – 1989).
O desenvolvimento de resistência à Terapia 
Fotodinâmica parece ser improvável, pois espécies 
reativas de oxigênio, como o oxigênio singleto, 
radicais hidroxila ou superóxidos, interagem 
com diversos componentes celulares de forma 
inespecífica e interferem em diferentes níveis 
do metabolismo vital da célula, dificultando o 
desenvolvimento de processos que possam evitar 
Figura 43 – Ponto de irradiação apical.
5 – Desinflamação pulpar
A desinflamação pulpar é realizada como uma 
última tentativa antes de iniciar a endodontia, ou 
seja, se os testes de vitalidade não confirmarem 
a indicação para tratamento radical, trata-se o 
elemento dental como se o mesmo apresentasse 
hipersensibilidade dentinária. Mas também pode 
ser empregada após pulpotomia e o laser vermelho 
(660nm) é o indicado com a ponta de acupuntura, 
buscando a irradiação por contato. Dose em torno 
de 12,8J/cm2 ou 0,1J (1 ponto central internamente 
à cavidade, 10mW, 10 segundos) é recomendada, 
como já apresentado na figura 44.
6 – Associando a Terapia Fotodinâmica 
(PDT) na Endodontia
Infecções microbianas são um dos principais 
fatores no desenvolvimento de necroses pulpares 
e lesões periapicais. Portanto o maior objetivo 
do tratamento endodôntico é a eliminação da 
infecção bacteriana associada a inflamação dos 
tecidos pulpares.
Em caso de insucesso do tratamento 
endodôntico, um retratamento, uma cirurgia 
parendodôntica ou a extração do elemento dentário 
pode ser uma alternativa. Também a utilização de 
antibióticos e antimicrobianos podem colaborar 
para o sucesso do tratamento. Entretanto o uso 
inadequado e por períodos de tempo prolongados 
de antibióticos pode levar ao aparecimento de 
microrganismos resistentes à estas medicações 
(GARCEZ et al. - 2007).
59
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Figura 46 – Espalhamento de luz pelos tecidos circunvizinhos. 
No interior do canal, onde há fotossensibilizador esta 
ocorrendo a PDT, entretanto nos tecidos periapicais, 
como não há fotossensibilizador exógeno está ocorrendo 
biomodulação por LILT, acelerando o processo cicatricial.
a b c d
Figura 47 – Radiografia inicial mostrando a extensa lesão nos incisivos 
inferiores (a). Acompanhamento radiográfico comprovando o sucesso 
do tratamento. As radiografias mostram respectivamente, a lesão 
óssea após 6 (b), 12 (c) e 24 (d) meses após a obturação dos canais.
4.2.12 – LILT coadjuvante ao 
tratamento ortodôntico/ortopédico
O comprimento de onda infravermelho é o 
mais indicado.
1 – Alívio da dor após ativação do 
dispositivo
Para promover alívio da sensibilidade dolorosa 
logo após a ativação do dispositivo ortodôntico/
ortopédico, doses altas são recomendadas, em 
torno de 35,0J/cm2 ou 1,4J por ponto (70mW 
e 20 segundos), com a ponta convencional. 
É importante evitar o tecido ósseo que está 
sendo trabalhado pelo tratamento ortodôntico, 
pois se trata de uma dose que pode retardar a 
movimentação dental. Além disso, essa aplicação 
para o alívio da dor deve ser, no máximo, repetida 
apenas 1 vez, ou seja, uma segunda sessão após 
24 horas da ativação. A figura 48 mostra os pontos 
ou reparar os danos sofridos (FRIEDBERG et al. – 
2001).
Os trabalhos na literatura (GARCEZ et al. 
– 2007; GARCEZ et al – 2008; SILVA GARCEZ 
et al. – 2006; BONSOR et al. - 2006) sugerem 
o uso da PDT como coadjuvante ao tratamento 
endodôntico convencional, esta terapia leva a 
um aumento significante na redução bacteriana 
intracanal e a presença de microrganismos multi-
resistente a antibióticos parece não afetar a 
eficiência antimicrobiana da PDT. Alem disso, 
a PDT é um tratamento local não cumulativo e 
pode ser um enfoque alternativo ao tratamento 
de infecções orais, especialmente em tratamentos 
endodônticos recidivos.
A seguir, dois casos clínicos gentilmente 
cedidos pelo Dr. Aguinaldo Silva Garcez:
a b
Figura 44 – Aspecto clínico intra e extra oral, prévio ao 
tratamento. Note a presença de edema no dente 46
a b
Figura 45 – Colocação da solução aquosa de azul de metileno 
a 0,05% (Chimiolux) (a) e o modo de irradiação em cada 
uma dos canais radiculares, utilizando-se movimentos 
helicoidais no sentido coroa-ápice-coroa (b).
60
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
3 – Tratamento de Gengivite Eritematosa
É muito comum, devido a dificuldade de 
higienização, o paciente apresentar a gengivite 
eritematosa sub-aguda ou crônica. Trata-se de 
uma situação clínica que promove sangramento 
facilmente, há eritema com descamação e placas 
brancas. A laserterapia de baixa intensidade 
pode ser aplicada para desinflamação e drenagem 
linfática, sendo assim o comprimento de onda 
vermelho (660nm) com dose em torno de 2,5J/
cm2 ou 0,1J (10mW, 10 segundos por ponto) nas 
papilas, pela faces vestibular e lingual, promoverá 
drenagem local e desinflamação; e o infravermelho 
(780 ou 808nm) com dose em torno de 105,0J/
cm2 ou 4,2J (70mW, 60 segundos por ponto) sobre 
os linfonodos submandibulares, submentuais e 
cervicais (as duas cadeias) bilaterais, resultará na 
drenagem linfática efetiva. Os pontos sugeridos na 
técnica RELIZA também são válidos aqui.
4 – Auxílio na adaptação da ATM e 
sistema muscular associado
A irradiação da região da ATM, bem como da 
musculatura associada, como mostrado na figura 
24, poderá ser realizada também nas sessões 
de instalação do dispositivo ortodôntico ou 
ortopédico, bem como nas sessões de ativação 
do dispositivo. O objetivo é auxiliar o sistema 
da ATM na adaptação à nova posição e ralação 
dental. Uma fluência de 35,0J/cm2 ou uma energia 
total de 1,4J por ponto (70mW por 20 segundos), 
com a ponta convencional e comprimento de onda 
infravermelho (780nm) é indicada como protocolo 
para essa indicação clínica.
4.2.13 – Língua geográfica (eritema 
migratório ou glossite migratória 
benigna)
O eritema migratório é uma condição 
benigna comum que afeta principalmentea 
língua. Manifesta-se principalmente nos dois 
de irradiação (ao longo da porção radicular de cada 
elemento envolvido).
Figura 48 – Pontos de irradiação com laser infravermelho para alívio 
da dor na sessão de ativação do aparelho ortodôntico (fotografia 
gentilmente cedida pelo Prof. Dr. Paulo César Gomes Silva).
2 – Estimulação para aposição e absorção 
óssea
Com a ponta para acupuntura (10mW e 5 
segundos) uma dose em torno de 5J/cm2 ou 0,05J 
por ponto diariamente, durante os primeiros sete 
dias logo após a sessão de ativação. Para cada 
elemento dental envolvido, quatro pontos são 
indicados (figura 49).
Figura 49 – Pontos de irradiação com laser infravermelho 
para estimular a aposição óssea e absorção (fotografia 
gentilmente cedida pelo Prof. Dr. Paulo César Gomes Silva).
Poucos trabalhos clínicos e em animais tem 
sido relatados, até o momento, na literatura, 
porém alguns podem suportar as doses aqui 
sugeridas (CRUZ et al. – 2004; GOULART – 2004; 
GOULART et al. - 2006), bem como a experiência 
de colegas especialistas na área e que tem 
empregado a laserterapia corriqueiramente.
61
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Figura 50 – Pontos de irradiação no dorso da 
língua (adaptado de NETTER et al. – 1999).
4.2.14 – Liquen plano oral
Líquen Plano é uma condição patológica 
mucocutânea que pode afetar as membranas 
da mucosa oral, genital e pele. Observamos 
basicamente duas formas clínicas: reticular e 
erosiva. A forma reticular manifesta-se como linhas 
brancas entrelaçadas envolvendo a região posterior 
da mucosa jugal bilateralmente, apesar de outros 
sítios da mucosa bucal também serem acometidos. 
Não apresenta sintomatologia. Já a forma erosiva 
manifesta-se como áreas eritematosas e atróficas 
muito dolorosas (NEVILLE et al. - 2009).
É uma doença com uma progressão crônica 
típica e clinicamente, podemos observar 
sucessões de recidivas e remissões, algumas 
vezes espontâneas. Na literatura observamos que 
pode afetar de 0,5 a 2% da população (JUNGELL, 
1991). 
O laser tem sido utilizado para o tratamento 
de diversas patogenias entre elas está o Líquen 
Plano (MAIORANA et al. - 2002). O tratamento 
com laser de baixa intensidade nas lesões 
provocadas pelo Líquen Plano busca estimular o 
terços anteriores da superfície dorsal da língua 
como múltiplas áreas bem demarcadas de eritema, 
circundadas por áreas esbranquiçadas (NEVILLE et 
al., 2009). As lesões podem ser assintomáticas 
ou provocar sensação de ardor e sensibilidade a 
alimentos quentes ou picantes.
Não se trata de uma enfermidade, mas sim 
de uma anomalia de desenvolvimento. Também 
conhecida como Língua Geográfica ou Glossite 
Migratória Benigna.
Devido ao desconforto que promove no 
paciente a sensação de ardor, que advém da 
atrofia das papilas filiformes e manutenção das 
fungiformes gerando máculas avermelhadas com 
bordas bem definidas e esbranquiçadas.
O laser de baixa intensidade contribui para 
aliviar a dor localizada, porém é importante 
orientar ao paciente para manter uma alimentação 
mais leve 
O laser infravermelho é o mais indicado e a 
dose alta para gerar o efeito analgésico local. Doses 
em torno de 35,0J/cm2 ou 1,4J (780nm, 70mW e 
20 segundos) entregues pontualmente cobrindo 
todo o dorso da língua (figura 50).
Como a aplicação do laser se constitui em 
uma terapia para melhorar a qualidade de vida do 
paciente, não há regras quanto à freqüência de 
aplicações.
62
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Os sinais e os sintomas iniciais da mucosite 
oral incluem eritema, edema, sensação de ardência, 
e sensibilidade aumentada a alimentos quentes ou 
ácidos. Cursa com ulcerações dolorosas recobertas 
por exsudato fibrinoso (pseudomembrana) de 
coloração esbranquiçada ou opalescente. Essas 
úlceras podem ser múltiplas e extensas, levando à 
má nutrição e à desidratação. Além da importante 
sintomatologia, as ulcerações aumentam o risco de 
infecção local e sistêmica, comprometem a função 
oral e interferem no tratamento antineoplásico, 
podendo levar à sua interrupção, o que compromete 
a sobrevida do paciente (SANTOS et al., 2009).
Acomete a mucosa do trato gastrointestinal, 
especialmente, a mucosa da cavidade oral e 
orofaríngea. A Quimioterapia e a Radioterapia 
interferem nas divisões celulares associadas à 
renovação epitelial da mucosa oral ou causam 
danos ao DNA, levando a formação de ulcerações 
orais denominada de Mucosite Oral (SONIS - 
2004).
a b
Figura 51 – Pontos de irradiação local e em contato com 
a lesão (a) localização dos linfonodos que devem ser 
irradiados (b – Adaptado de NETTER et al. – 1999).
Manifesta-se na mucosa não-queratinizada 
como a mucosa labial, jugal, a face ventral e lateral 
da língua e palato mole. Apresentam eritema, 
formação de úlceras, sangramento e exsudato 
(KHAN; WINGARD - 2001). 
As lesões podem induzir a uma dor severa 
que necessite da administração de analgésicos 
opiódes e coincida com a fase de neutropenia e 
trombocitopenia, aumentando respectivamente 
os riscos de infecções orais e sistêmicas e 
hemorragias orais.
sistema imunológico e proporcionar uma melhor 
qualidade de cicatrização (ALMEIDA-LOPES et al. - 
2002; FIGUEIREDO et al. - 2002; TUNÉR E HODE 
- 1996). 
O comprimento de onda de 660nm (vermelho) 
utilizando, pois é verificado na literatura que esse 
é o melhor comprimento de onda na reparação de 
tecidos moles atuando no aumento da produção 
de ATP e acelerando o processo de mitose celular 
(ALMEIDA-LOPES - 1999), para a irradiação local e 
em contato da lesão nos parâmetros de 40mW de 
potência e 10 segundos de forma contínua em cada 
ponto, dessa forma fornecendo uma densidade de 
energia de 10,0J/cm2 ou uma emergia total de 0,4J 
por ponto.
Com o laser infravermelho (780 ou 808nm) 
sob a dose de 70,0J/cm2 (70mW e 40 segundos) 
ou 2,8J por ponto e ao redor da lesão, e pontos 
extraorais em cada hemiface e nos linfonodos 
auriculares anteriores, cervicais profundo superior, 
cervicais superficiais, submandibular e submentual 
como proposto na técnica de drenagem linfática, 
com isso, promovendo uma ativação do fluxo 
linfático da região irradiada e estimulação da 
imunidade local (LIEVENS - 1986), com uma dose 
por ponto de 105,0J/cm2 ou energia total de 4,2J 
(70mW e 60 segundos).
Aplicações diárias, durante quatro semanas, 
são indicadas, sendo que, no início, é recomendada 
a suspensão no uso do corticosteróide oral, porém 
de forma gradual, ou seja, diminuindo a dose até 
sua total isenção.
4.2.15 – Mucosite oral
A mucosite oral é uma sequela do tratamento 
citoredutivo induzido por radioterapia e/ou 
quimioterapia, sendo a causa mais comum de 
dor oral durante o tratamento antineoplásico e a 
complicação mais comum em pacientes submetidos 
a transplante de medula óssea (SONIS, 2004). 
63
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
inclusive, levar o paciente a óbito.
Sugere-se utilizar tanto o laser vermelho 
(660nm) quanto o infravermelho (780 ou 808nm) 
com potência em torno de 25mW, 10 segundos 
por ponto, com dose ou fluência em torno de 6,3J/
cm2 ou energia total de 0,25J, com intervalo de 24 
horas (figura 51a).
A drenagem linfática é bem indicada, desde 
que não exista a possibilidade de presença de 
células tumorais nas regiões dos linfonodos 
(figura 51b). Nesse caso, o comprimento de onda 
infravermelho (780 ou 808nm) sob os parâmetros 
de 70mW, 60 segundos por ponto, resultando em 
105,0J/cm2 ou 4,2J.
As sessões devem ser realizadas durante a 
vigência da Quimioterapia e Radioterapia. 
Em pacientes submetidos ao transplante de 
medula óssea as aplicações devem prosseguir até 
a recuperação imunológicae restabelecimento 
da proliferação celular, entretanto, durante os 
quinze dias após o transplante, nas sessões 
diárias de laserterapia, é interessante alternar 
os comprimentos de onda vermelho (660nm) e 
infravermelho (780 ou 808nm), buscando ora 
preferencialmente o alívio de dor, ora a aceleração 
da cicatrização.
4.2.16 – Nevralgia do trigêmeo
O termo nevralgia define-se como dor ao 
longo do curso de um nervo, de curta duração 
(cerca de 1 segundo), lancinante, em “choque 
elétrico”.
A intensidade da dor é muito forte, lancinante 
mesmo. Deve-se ter cuidado ao questionar a 
duração da dor ao paciente, pois muitos podem 
responder que esta dura minutos ou mesmo 
horas, quando na verdade, se os interrogarmos 
mais cuidadosamente, haveremos de perceber que 
Então, a laserterapia de baixa intensidade 
poderá proporcionar efeitos analgésicos e 
antinflamatórios nos tecidos e melhorar a 
cicatrização das feridas. Dessa forma, consiste em 
um tratamento eficiente e indicado na reparação 
do tecido bucal e na redução da dor quando da 
manifestação da Mucosite Oral (NES; POSSO - 
2005).
Podem ser realizadas aplicações para prevenção 
(de 3 a 5 sessões – 1 por dia) imediatamente antes 
do início das terapias oncológicas. Nesse caso, é 
recomendado o comprimento de onda vermelho 
(660nm), com a ponta convencional, potências 
de saída entre 20 e 30mW, e dose ou fluência em 
torno de 3,0J/cm2,por ponto. Os pontos devem 
cobrir toda a mucosa oral, inclusive superfície 
lingual (dorso e ventre). Os pontos devem ficar 
eqüidistantes de 2,0cm. Os parâmetros empregados 
preventivamente podem ser portanto:
• 20mW de potência, 5 segundos por ponto, 
resultando em 2,50J/cm2; ou,
• 30mW de potência, 5 segundos por ponto, 
resultando em 4,0J/cm2.
Com relação ao tratamento curativo com laser, 
as mucosites podem ser irradiadas considerando 
de forma preferencial o alívio da dor, quando se 
emprega o comprimento de onda infravermelho 
(780 ou 808nm), ou elegendo a aceleração da 
cicatrização dessas lesões, quando o vermelho 
(660nm) é escolhido.
No caso curativo, existe uma grande 
variabilidade de doses que têm sido testadas, 
desde bem baixas, em torno de 1,0J/cm2, a doses 
moderadas em torno de 24,0J/cm2. E na grande 
maioria dos trabalhos científicos (NICCOLI 
FILHO – 1995; MIGLIORATI et al. – 2001; 
BENSADOUN, CIAIS – 2002; FERRARI – 2005), 
o laser tem demonstrado a capacidade de evitar o 
aparecimento de graus mais graves que poderiam, 
64
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
fase adulta tardia (FELDMAN – 2005).
Conhecendo-se ou não a etiologia da 
Nevralgia, o mais importante é identificar o ramo 
acometido.
O laser infravermelho (780 ou 808nm) é o 
mais indicado por ser absorvido na membrana 
citoplasmática e por mudar o potencial dessa 
membrana, resultando no alívio de dor. A 
associação com vitamina B12 pode ser prescrita.
Com a ponta convencional, dose em torno 
de 210,0J/cm2 (780nm, 70mW por 120 segundos 
ou 808nm, 120mW por 70 segundos) resultando 
numa energia total de 8,4J por ponto. Pontos 
eqüidistantes de 1,0cm ao longo do ramo neural. 
A figura 52 exemplifica os pontos de irradiação em 
casos de nevralgia da segunda divisão do nervo 
trigêmeo. Se for possível utilizar a ponta para 
acupuntura, então a profundidade de penetração 
do laser infravermelho será aumentada, com 
os comprimentos de onda de 780 ou 808nm, 
mantendo a dose em torno de 210,0J/cm2, então 
os parâmetros de irradiação serão: 780nm, 70mW 
por 25 segundos ou 808nm, 120mW por 15 
segundos, pois a área da ponta de acupuntura é 
menor.
É interessante mudar a medicação sistêmica 
lentamente, ou seja, primeiramente inicia-se a 
laserterapia e após duas sessões, a dosagem da 
medicação vai sendo reduzida até atingir o objetivo 
de manter o paciente sem dor e sem a necessidade 
de medicação sistêmica.
Podem-se fazer sessões diárias ou de 48 em 
48 horas.
Os pontos de aplicação anteriormente eram 
somente extra-orais, hoje se podem associar 
pontos extra e intra-orais, sempre buscando atingir, 
da melhor forma, o ramo neural acometido.
estão, na verdade, se referindo à duração de um 
“pacote” de “mini-séries” de dor lancinante de 
curtíssima duração. O que pode também ocorrer 
é a presença de uma dor residual, em queimação, 
de duração mais prolongada (horas), após uma 
série de “pontadas” e “choques” dolorosos ao 
longo do dia.
Classicamente, o paciente protege sua face 
contra o vento frio; ele não gosta de escovar os 
dentes, lavar o rosto, tocar os próprios lábios, 
ou mesmo falar e colocar maquiagem, uma vez 
que todas essas atividades podem resultar no 
desencadeamento súbito da dor, em “choque 
elétrico”. É interessante e estranha a observação 
que o quadro raramente ocorre à noite. Se o 
paciente foi acordado pela dor, geralmente é 
porque se virou na cama e sua face foi atritada 
contra o travesseiro. Porém, a maioria dos doentes 
relata passar bem a noite.
O exame do paciente com nevralgia do 
trigêmeo deve ser normal. Na eventualidade 
de serem detectadas parestesias nas regiões de 
distribuição da dor, a conclusão é de que não se 
está lidando com nevralgia idiopática do trigêmeo, 
mas alguma outra patologia, como neuropatia 
trigeminal, ou um quadro pós-traumático. De 
modo que, ao exame, não se deve encontrar 
qualquer perda ou alteração sensitiva ou motora 
na distribuição do quinto par. Caso contrário, 
certamente estaríamos defronte a uma neuropatia. 
Geralmente, os pacientes contam que sua dor 
pode desaparecer por longos períodos (o que 
lembra a cefaléia em salvas). Mas ela geralmente 
retorna, após um período variável.
O quadro é quase que invariavelmente 
unilateral, e caso seja bilateral, deve-se levantar 
forte suspeita de alguma causa central, como 
esclerose múltipla. Nesses casos, um exame 
de ressonância magnética constituiria método 
apropriado para investigar formação de placas na 
ponte. A idade de início da afecção costuma ser a 
65
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
desvio de boca para um dos lados da face.
A laserterapia é indicada para casos de: 
Paralisia Facial de Bell e Facial Traumática. Deve-
se evitar laserterapia em casos de Paralisia por 
Infecção e Paralisia por Tumores. O diagnóstico 
médico diferencial é necessário.
Doença que pode ser causada pela compressão 
do nervo próximo ao forame estilomastoide, 
exposição abrupta ao frio ou mesmo infecção 
ou traumatismo cirúrgico. Resulta em paralisia 
muscular facial geralmente unilateral, com queda 
do ângulo bucal e incapacidade de piscar ou fechar 
o olho (SHAFER et al. –1985).
Prescrever um colírio é importante para 
prevenir ressecamento do olho acometido 
enquanto o paciente tenta recuperar a capacidade 
de fechamento.
Três diferentes doses são recomendadas, 
segundo os pontos de aplicação: uma dose alta 
para o ponto na região próxima ao processo 
estilomastoide (em torno de 157,5J/cm2 ou 
6,3J, empregando (780 ou 808nm, 70mW e 90 
segundos) (pontos assinalados com “X” na figura 
41); pontos eqüidistantes ao longo dos ramos 
neurais (dose em torno de 105,0J/cm2, 780 ou 
808nm, 70mW e 60 segundos); e, pontos ao 
longo dos vasos sanguíneos, com laser vermelho 
(660nm), com dose em torno de 10,0J/cm2 (40mW 
por 10 segundos) (figura 53).
Figura 53 – Pontos de irradiação com lasers vermelho e infravermelho
(adaptado de ROGER et al. - 1999).
Figura 52 - Pontos de irradiação para Nevralgia da 2a. 
Divisão do Trigêmeo (adaptado de ROGER – 1998).
4.2.17 – Paralisia facial
O nervo facial é um nervo misto, dividido 
em duas porções. A maior porção, motora, 
inerva os músculos da expressão facial, e a menor 
porção, de fibras aferentes sensitivas e eferentes 
parassimpáticas (Nervo intermédio de Wrisberg),inervam os dois terços anteriores da língua, e 
as glândulas lacrimais e salivares, submaxilar e 
sublingual, consecutivamente (BENTO; BARBOSA 
- 1994).
As paralisias faciais periféricas são decorrentes 
de uma lesão do núcleo de origem ou do próprio 
tronco nervoso, afetando os músculos inervados 
pelo facial do lado da lesão. Toda esta hemi face 
estará comprometida, em maior ou menor grau de 
acometimento (BENTO, BARBOSA - 1994).
Neste tipo de paralisia ocorre hipotonia da 
musculatura facial, pois o nervo está comprometido 
e não permite a passagem de impulsos nervosos, 
além de, geralmente, o lacrimejamento encontrar-
se alterado. Há também o comprometimento dos 
movimentos voluntários e involuntários, devido a 
lesão ocorrer no tronco nervoso (GÓMEZ - 2000).
Para se obter um diagnóstico diferencial, 
basta solicitar ao paciente que feche os olhos. Se 
ele não conseguir, estaremos diante de um caso 
de paralisia facial periférica. No caso de ser uma 
paralisia facial central, é possível que ele feche 
os olhos sem dificuldade, porém apresentará um 
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
Deve-se irradiar o local do trauma com 
doses altas, com a ponta convencional, em 
torno de 180,0J/cm2 ou 7J (70mW e 1 minuto e 
40 segundos) por ponto (paciente pode acusar 
“choque”, “vibração” ou “queimação”) e com 
doses médias, de 105,0J/cm2 ou 4,2J (780nm, 
70mW por 60 segundos, ou 808nm, 120mW 
por 35 segundos) por ponto ao longo de todo 
o ramo envolvido (relembrar os ramos neurais 
responsáveis por essa região na figura 54), com a 
ponta convencional.
Por outro lado, com o comprimento de onda 
vermelho (660nm) pode-se irradiar os tecidos 
vizinhos à região traumatizada para melhorar a 
circulação sanguínea, empregando-se uma dose 
em torno de 10,0J/cm2 ou 0,4J (40mW e 10 
segundos) por ponto.
A figura 55 exemplifica os pontos de irradiação 
num caso de parestesia lingual.
Podem-se irradiar também porções mais 
posteriores à região do trauma, se o paciente 
sentir a sensação de “choque”, continua-se 
iniciando os pontos mais posteriormente à região 
do trauma; quando o paciente já não mais sentir 
a estimulação em forma de descargas elétricas 
ou mesmo “vibração”, então se pode retomar 
o início dos pontos de irradiação sobre a região 
traumatizada.
A freqüência de aplicação deve ser alta (duas 
ou três vezes por semana) e geralmente ocorre 
uma melhora em torno de 60% após dez sessões. 
Os sinais clínicos de que é necessário diminuir 
a dose de irradiação são: sensação de edema e 
hiperestesia.
É interessante realizar de seis a dez sessões 
iniciais e suspender o tratamento durante um 
período em torno de um mês. Após esse espaço 
de tempo, retomam-se as sessões, em torno de 
quatro a oito sessões e, novamente, dá-se um 
É interessante realizar pelo menos duas 
sessões semanais, sendo que o ideal são três 
sessões. É importante, sempre, antes de iniciar 
a sessão, perguntar ao paciente quais foram as 
sensações diferentes percebidas após a última 
irradiação realizada. Se houve a sensação de inchaço 
ou de hipersensibilidade localizada, as doses com 
o comprimento de onda infravermelho devem ser 
diminuídas em pelo menos 1/3. Se o paciente 
relatar que não nada sentiu, manter as mesmas 
doses por mais uma sessão. Entretanto, se na 
manutenção não houver indução no reparo neural, 
aumentar as doses do infravermelho em 1/3. Por 
fim, se o paciente relatar que sentira “choquinhos” 
e/ou formigamento, manter as doses, existem, 
claramente, sinais de reparo neural.
4.2.18 – Parestesia
A parestesia é um distúrbio neurosensitivo 
causado por uma lesão no tecido neural. Pode ser 
definida como uma alteração de sensibilidade na 
área percorrida pelo nervo atingido. Na odontologia 
ela se manifesta, na maioria das vezes, através dos 
nervos mentual, lingual e alveolar inferior (figura 
42), e é decorrente de fatores locais e sistêmicos. 
Dos fatores locais pode-se incluir: fraturas 
mandibulares, lesões compressivas (neoplasias 
benignas, malignas e cistos), dentes impactados, 
infecções locais, lesões iatrogênicas (após 
tratamento endodôntico, exodontias e bloqueios 
anestésicos), cirurgia de implantes e de finalidade 
ortodôntica e as pré-protéticas. Dos fatores 
sistêmicos podemos citar: doenças degenerativas, 
infecções virais, desordens metabólicas e algumas 
interações medicamentosas (PRADO – 2004).
O laser infravermelho (780 ou 808nm) é o mais 
indicado por apresentar maior penetrabilidade. A 
associação com vitamina B1 pode ser prescrita.
Quanto mais recente o trauma ocorrido, 
melhor o prognóstico de recuperação da 
sensibilidade.
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Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
a b
Figura 56 – Pontos de irradiação local (a) e Pontos locais e 
sobre os linfonodos (b) (Adaptado de NETTER et al. -1999).
A metodologia de escolha é a drenagem 
linfática (linfonodos submandibulares) com o laser 
780 ou 808nm e dose alta em torno de 70,0J/
cm2 ou 2,8J (70mW e 40 segundos) ou 105,0J/
cm2 ou 4,2J (70mW e 60 segundos) por ponto. 
E com o laser 660nm, ao redor do local afetado, 
como no caso de herpes simples labial recorrente 
na fase bolhosa sem curetagem prévia, ponta 
convencional, dose em torno de 10,0J/cm2 ou 0,4J 
(40mW, 10 segundos) por ponto, aplicar quatro 
pontos periféricos (figura 56).
Deve ser instituído o bochecho com anti-
séptico a base de clorexidina a 0,12%, três vezes 
ao dia, e a curetagem, quando possível, é indicada 
previamente à laserterapia.
Se o paciente apresentar Trismo associado, 
realizar a Laserterapia também para essa 
enfermidade, como descrito mais a frente nesse 
livro (4.2.24).
4.2.20 – Pós-operatório cirúrgico
A metodologia de tratamento pode ser a 
puntual e local associada à puntual e sobre os 
linfonodos. Sendo que, para todas as situações, a 
drenagem linfática sobre os linfonodos é realizada 
com o comprimento de onda infravermelho (780 
ou 808nm) e sob dose em torno de 70,0J/cm2 
ou 2,8J (70mW por 40 segundos) a 105,0J/cm2 
ou 4,2J (70mW por 60 segundos) por ponto, 
dependendo da gravidade do edema e/ou da 
presença de infecção no local operado.
novo período de ausência de irradiações.
Figura 54 – Ramos neurais mais comumente lesados na 
região oral (adaptado de NETTER et al. – 1999).
a b
Figura 55 – Pontos de irradiação no caso de parestesia lingual 
(a - adaptado de NETTER et al. – 1999) e em caso de parestesia 
do alveolar inferior (b – adaptado de ROGER – 1998).
4.2.19 – Pericoronarite e/ou alveolite
A pericoronarite pode ser definida como um 
estado inflamatório de caráter infeccioso ou não, 
envolvendo o tecido mole localizado ao redor da 
coroa de um dente, geralmente um terceiro molar 
inferior em processo de erupção ou semi-incluso 
(PINTO et al., 2005).
Inicia-se durante a erupção desses dentes, 
provocada pela ruptura dos tecidos gengivais 
(gengivite de erupção) e a presença da placa 
bacteriana no local, devido a dificuldade de acesso 
para higienização e presença de desconforto pela 
erupção. Com isto, a gengiva que ainda recobre o 
dente (capuz pericoronário), inflama-se, aumenta 
de volume e tamanho e passa a ser macerada 
durante a oclusão. O paciente pode apresentar dor 
intensa refletida para o ouvido e cabeça, trismo 
e dificuldade de deglutir (PATOLOGIA bucal – 
2005).
68
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
1.2 – Extrações complexas
Laser de baixa intensidade infravermelho (780 
ou 808nm) nos seguintes tempos de tratamento 
(ponta para acupuntura):
• nos momento pré e trans-cirúrgico, logo após 
a remoção do elemento dental e se não houver 
infecção, poderá ser feita uma irradiação dentro 
do alvéolo utilizando a fibra óptica descartável 
– figura12b – sob potência de saída de 10mW 
durante o tempo de 10 segundos) e após a 
sutura (como sugerido para extrações simples 
(item 1.1 acima - dose ou fluência em torno de 
5,0J/cm2 ou 0,2J - 20mW e 10 segundos - por 
ponto, pela face vestibular e pela face lingual);
• nos períodos pós-operatório de 24, 48, 72hs 
e também de 1, 2, 3 e 4 semanas, a dose será 
em torno de 20,0J/cm2 ou 0,8J (40mW e 20 
segundos) por ponto (figura 58).
Figura 58 – Pontos de aplicação do LILT após extração complexa.
Nos casos de remoção cirúrgica de elementos 
inclusos com a utilização de eletrocirurgia ou 
lasercirurgia (laser de Nd:YAG 1064nm ou laser 
de diodo 810nm) microprocessada, técnica que 
promove o corte por meio de vaporização celular 
onde o sangramento é plenamente controlado, 
podemos utilizar a aplicação pré, trans e pós-
operatória.
O protocolo sugerido é o seguinte:
a - anestesia convencional (bloqueio dos 
ramos neurais e infiltrativas, se necessário);
b - aplicação de LILT em 3 pontos (1 na face 
vestibular, 1 por oclusal e 1 pela face lingual) 
1 – Extrações dentais
Após a anestesia infiltrativa e após a sutura, 
nesses dois tempos cirúrgicos, o comprimento 
de onda mais indicado é o infravermelho (780 ou 
808nm), buscando a analgesia e a drenagem local. 
Poderá ser aplicado com uma dose em torno de 
35,0J/cm2 ou a energia total de 1,4J por ponto 
(70mW por 20 segundos).
Se durante o planejamento do ato cirúrgico 
algum processo infeccioso tiver sido detectado, 
associado ou não com o local operado, uma 
drenagem linfática sobre os linfonodos (que 
drenam a região infectada) poderá ser realizada, 
empregando também o comprimento de onda 
infravermelho (780 ou 808nm) sob uma dose 
em torno de 70,0J/cm2 ou a energia total de 2,8J 
por ponto (70mW por 40 segundos de tempo de 
irradiação).
O laser de baixa intensidade é utilizado para 
promover a alívio de dor e para estimular o reparo 
dos tecidos traumatizados.
1.1 – Extrações simples
Laser de baixa intensidade vermelho (660nm) 
nos seguintes tempos de tratamento (ponta 
convencional):
• pós-operatório de 24hs e de 48hs; e,
• dose ou fluência em torno de 40,0 J/cm2 ou 
0,8J (40mW e 20 segundos) por ponto, como 
mostrado na figura 57.
Figura 57 – Pontos de irradiação do LILT após extração simples.
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2 – Cirurgias em tecido mole
O laser é aplicado ao longo da ferida cirúrgica, 
de forma puntual, como mostrado na figura 59.
a b c
Figura 59 – Ferida cirúrgica (a), pontos de irradiação pós-
operatória imediata após frenectomia lingual, sobre a ferida 
cirúrgica (b), e, ponta ativa do laser posicionado (c).
No pós-operatório imediato (na mesma 
sessão da cirurgia), o comprimento de onda mais 
indicado é o infravermelho (780nm), com a ponta 
convencional e a dose em torno de 35,0J/cm2 ou 
1,4J (70mW e 20 segundos) por ponto.
Nos pós-operatórios mediatos de 24 e de 48 
horas, o comprimento de onda mais indicado é o 
vermelho (660nm), e com a ponta convencional, 
doses em torno de 5,0J/cm2 ou 0,2J (20mW e 10 
segundos) por ponto.
A drenagem linfática irradiando os linfonodos 
submandibulares pode ser executada nas 3 sessões 
de aplicação, empregando o laser infravermelho 
(780nm) com a dose de 70,0J/cm2 ou 2,8J (70mW 
e 40 segundos), com a ponta convencional.
3 – Cirurgias em tecido mode e duro
O laser de baixa intensidade pode ser 
aplicado da mesma forma que no caso anterior e 
também em tempos posteriores à cirurgia (de uma 
semana a dois meses após) buscando promover a 
bioestimulação para formação de tecido ósseo.
O comprimento de onda mais indicado é o 
infravermelho (780nm) com a ponta convencional e 
dose em torno de 105,0J/cm2 ou 4,2J (70mW e 60 
segundos) por ponto. Duas sessões semanais são 
indicadas durante o primeiro mês e depois apenas 
uma sessão por semana até completar dois meses.
empregando o laser vermelho (660nm) com uma 
dose ou fluência em torno de 7,5J/cm2 ou 0,3J 
(10mW por 30 segundos) por ponto, com a 
ponta convencional e em contato. Neste período, 
já ocorreu a difusão do anestésico, permitindo, 
assim, o início da cirurgia.
Após a remoção do elemento, logo após 
a irrigação, repete-se a técnica descrita acima 
sendo repetida após a sutura. Entretanto, para 
facilitar o acoplamento do laser com as células 
indiferenciadas na região mais profunda do 
alvéolo, essa irradiação trans-cirúrgica poderá ser 
realizada como explicado no item 4.2.21 (figura 
64), empregando a fibra óptica descartável e o 
comprimento de onda infravermelho (780nm).
Esta técnica proporciona alívio de dor pós-
operatória, diminuindo a dosagem de analgésicos, 
melhor qualidade cicatricial gerando menor 
quantidade de tecido de granulação nos limites 
da incisão proporcionando em mais de 90% dos 
casos cicatrização por primeira intenção.
1.3 – Extrações de dentes decíduos
Empregar o comprimento de onda 
infravermelho (780nm) nos seguintes tempos de 
tratamento (ponta convencional):
• após a aplicação do anestésico tópico, irradiando 
quatro pontos ao redor do elemento a ser 
removido (sobre as papilas: mésio-vestibular, 
mésio-lingual, disto-vestibular e disto-lingual) 
com dose em torno de 105,0J/cm2 ou 4,2J 
(70mW por 60 segundos) por ponto, para 
analgesia pré-operatória; e,
• após a remoção do elemento, irradiando três 
pontos – um oclusal, um por lingual e outro por 
vestibular, com dose em torno de 35,0J/cm2 ou 
1,4J (70mW por 20 segundos) por ponto, para 
alívio da dor pós-operatória, drenagem local e 
bioestimulação do reparo para tecido mole.
70
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
a b
Figura 62 – Aspecto clínico 7 dias após a terapia fotodinâmica 
(a) e 30 dias após, cicatrização completada e sem sinais 
de infecção ou edema, tecido gengival saudável (b).
4.2.21 – Pós-operatório cirúrgico para 
implantes
Na complexa biofisiologia óssea, diversos 
fatores locais e sistêmicos acontecem 
simultaneamente durante a osteogênese per 
se bem como durante a osseointegração de 
dispositivos ortopédicos e odontológicos. As 
recentes descobertas neste campo permitem uma 
constante adequação dos protocolos terapêuticos 
visando incrementar a interação destes dispositivos 
com os tecidos humanos, melhorando sua função 
e a recuperação dos pacientes. 
Recentemente, o efeito biomodulador da 
laserterapia de baixa intensidade na regeneração 
óssea tornou-se um importante foco de pesquisa 
e utilização clínica em Implantodontia com o 
objetivo principal de acelerar a osseointegração 
dos implantes de titânio e de outros biomateriais. 
Estudos in vitro e in vivo demonstraram 
que o laser aumenta a produção e liberação de 
fatores locais que favorecem a osteogênese num 
efeito dose-dependente (MUSTAFA et al. – 2003; 
KHADRA et al – 2004; KHADRA et al. – 2005; 
KHADRA – 2005; KHADRA et al. – 2005; LOPES 
et al. - 2005).
Os comprovados efeitos do laser de baixa 
intensidade no tecido ósseo podem ter importância 
ainda maior em situações potencialmente 
desfavoráveis para osseointegração como em 
condições sistêmicas de osteoporose e diabetes 
mellitus descompensados, regiões anatômicas de 
Pode ser indicado para os casos de perdas 
ósseas devido abscessos periodontais e 
endodônticos, desde que já não exista mais tecido 
infectado no local.
4 – Cirurgias com infecção instalada
Com a intenção de controle microbiológico, 
a terapia fotodinâmica poderá ser instituída em 
casos de extrações com presença de exsudato 
purulento, ou seja, quando uma infecção clínica 
ou subclínica for diagnosticada no período pré, 
trans ou no pós-cirurgico.
Caso clínico gentilmente cedido pelo Prof. 
Dr. Gerdal Roberto de Souza (UFMG), onde a 
terapia fotodinâmica (PDT) foiempregada como 
agente antimicrobiano em alvéolo contaminado de 
paciente especial. 
a b
Figura 60 – Paciente especial sexo feminino 77 anos, polifármaco, 
diabetes e cardiopata. Três dias pós extração de raiz residual (a); e sete 
dias pós cirúrgico e a cicatrização com sinais clínicos de infecção (b).
a b c
Figura 61 – Deposição do azul de metileno em solução aquosa a 0,05% 
(Chimiolux, Hypofarma, AptivaLux, Anvisa: 25351.075433/2008-25) 
na loja cirúrgica (a); tempo de espera de 5 minutos (b); e, irradiação 
(diretamente sobre a região acometida) com laser de baixa intensidade 
vermelho, 660nm com potência de saída de 40mW durante 90 
segundos, com a ponta convencional de 0,04cm2 de área, totalizando 
uma densidade de energia de 90 J/cm2 ou uma energia total de 3,6J.
71
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
a b 
Figura 64 – Irradiação trans-cirúrgica: a – desenho esquemático 
mostrando como introduzir a fibra óptica no leito cirúrgico 
(adaptado de DENTAL implants – 2006); e, b – irradiação sendo 
realizada (caso clínico de Liporaci Jr.; Lizarelli – 2006).
Durante o ato cirúrgico, após o preparo 
do leito que receberá o implante, deve-se fazer 
uma irradiação com a fibra óptica indicada para 
terapia fotodinâmica, que é descartável. Essa 
irradiação visa atingir as células mesenquimais 
indiferenciadas, acelerando ainda mais a formação 
óssea (WEBER et al. - 2006). Como essa situação 
facilita o acoplamento do laser e sua absorção 
diretamente pelas células-alvo, a fluência ou a 
dose indicada poderá baixa, muito semelhante 
as doses ou fluências bem sucedidas em 
experimentos realizados em cultura de células. Ou 
seja, a dose ou fluência sugerida será em torno de 
10,0J/cm2, com o laser no comprimento de onda 
infravermelho (780 ou 808nm) sob os parâmetros 
de 10mW, irradiando o ponto mais profundo do 
leito cirúrgico durante 10 segundos, totalizando 
uma energia total de 0,1J (figura 64).
Então o implante deverá ser colocado e a 
sutura realizada.
Logo depois de realizada a sutura, o laser 
poderá ser aplicado novamente em diferentes 
locais. Inicialmente na região operada (4 pontos: 
oclusal, ápico-vestibular, mesio-vestibular e disto-
vestibular), como apresentado na figura 65a. Os 
parâmetros de irradiação deverão ser em torno de 
15,0 a 20,0J/cm2, com o laser infravermelho (780 
ou 808nm), com a ponta convencional, com a 
potência de saída de 40mW, durante 20 segundos 
por ponto, totalizando uma dose o fluência ou 
menor qualidade óssea como em região posterior de 
maxila, implantes com baixa estabilidade primária 
ou ainda em implantes que serão submetidos a 
carga imediata.
Baseado em estudos e aplicações clínicas do 
nosso grupo, o protocolo de aplicação do laser 
de baixa intensidade visando principalmente a 
aceleração da osseointegração dos implantes de 
titâneo, pode ser dividido em etapas pré, trans e 
pós-cirúrgicas, como apresentam as figuras 63 a 
67.
1 – Protocolo LILT específico para 
Implantodontia
a b
Figura 63 – Irradiação pré-cirúrgica: a – irradiação na região 
que será operada (adaptado de DENTAL implants – 2006); 
e, b – irradiação do linfonodo mandibular do lado que será 
operado (caso clínico de Liporaci Jr.; Lizarelli – 2006).
A irradiação pré-cirúrgica (previamente o 
início do procedimento propriamente dito) é 
indicada quando o paciente apresenta algum 
tipo de desequilíbrio no sistema imunológico, 
ou ainda, quando se tratar de paciente idoso e/
ou com organismo debilitado. Faz uso do laser 
infravermelho (780nm) com a ponta convencional 
irradiando a região que será operada pela face 
vestibular do rebordo (figura 63a) e também sobre 
os linfonodos que drenam a cavidade oral (figura 
63b). Os parâmetros sugeridos são: 70mW por 
40 segundos em cada ponto, totalizando uma 
fluência ou dose superficial de 70,0J/cm2 ou uma 
energia total de 2,8J por ponto.
72
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
157,5J/cm2 ou uma energia total de 7J (figura 66).
No pós-operatório de 24, 48 e 72 hs, os 
pontos a serem irradiados serão os mesmos 
irradiados no pós-operatório imediato, na sessão 
quando foi realizada a cirurgia, o ponto oclusal 
pelo ápico-vestibular.
a b c
Figura 66 – Irradiação pós-cirúrgica mediata de 24hs a 30 
dias após a colocação do implante: a – desenho esquemático 
apresentando os e pontos a serem irradiados (adaptado de 
DENTAL implants – 2006); e, b e c – irradiação sendo executada 
no ponto apico-vestibular, sem e com visão do espectro 
infravermelho (caso clínico de Liporaci Jr.; Lizarelli – 2006).
Nas segunda, terceira e quarta semanas 
seguintes ao dia da cirurgia para a colocação do 
implante, as irradiações deverão ser realizadas 
apenas em 3 pontos, referentes a região apical 
do implante e referente as faces mesial e distal 
do implante, mas sempre pela face vestibular do 
rebordo alveolar. A freqüência de aplicação deverá 
ser de 3 vezes na segunda semana e de 2 vezes nas 
terceira e quarta semanas.
O acompanhamento radiográfico (radiografias 
periapicais) (figura 67) deve ser realizado ao 
completar 2 e 4 meses após a colocação do 
implante, quando, na grande maioria dos casos, já 
é possível passar para o estágio protético.
densidade de energia de 20,0J/cm2, e uma energia 
total de 0,8J, por ponto.
Além desses pontos, também a drenagem 
linfática sobre os linfonodos, como apresentado 
na figura 65b e 65c deverá ser executada 
extraoralmente (780 ou 808nm, 70mW, 40 
segundos, 40,0J/cm2, por linfonodo) com a ponta 
convencional.
a b c
Figura 65 – Irradiação pós-cirúrgica imediata: a – desenho 
esquemático apresentando os pontos a serem irradiados 
(adaptado de DENTAL implants – 2006); b – ponto oclusal 
(com visão para espectro infravermelho); e, c – ponto cervico-
vestibular (caso clínico de Liporaci Jr.; Lizarelli – 2006).
A região da ATM e musculatura facial poderá 
ser irradiada, como apresentado no item 4.2.24 
(Trismo) desse livro, visando o relaxamento 
muscular e prevenindo desconforto pós-operatório 
nessas regiões, ou mesmo prevenindo o trismo.
No período pós-cirúrgico, a intenção 
em empregar a laserterapia inicia no controle 
edematoso e da sensibilidade dolorosa nas 72hs 
logo depois de realizada a cirurgia, mas também 
tem a intenção de acelerar a deposição óssea ao 
redor do implante colocado.
Sendo assim, o protocolo a ser seguido apenas 
terá diferenciação apenas na freqüência de sessões 
e nas regiões a serem irradiadas (os pontos), mas 
não nos parâmetros para a irradiação por ponto.
Deve-se empregar o laser infravermelho 
(780 ou 808nm) e com a ponta convencional. A 
potência de saída deverá ser 70mW e o tempo de 
irradiação por ponto de 1 minuto e 30 segundos, 
totalizando, por ponto, uma dose ou fluência de 
73
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
reparação tecidual) ou na terapia fotodinâmica 
para redução bacteriana no combate as 
periimplantites.
A seguir, a apresentação de dois casos clínicos 
gentilmente cedidos pela Dra. Juliana Marotti:
CASO 1 – Paciente do gênero masculino, 56 
anos, apresentou-se na clínica de Implantodontia 
do Katharinenhospital, Stuttgart – Alemanha, 
com periimplantite na região dos elementos 13, 
11, 21 e 23, com perda óssea >5mm, exposição 
das roscas dos implantes, inflamação gengival 
e supuração (Figura 1). Foi proposto tratamento 
por meio da terapia fotodinâmica aliada a terapia 
convencional. Apos retirada da prótese (Figura 
2A) e anestesia, foi aberto retalho (Figura 2B) 
para debridamento mecânico com cureta (Figura 
3A) e irrigação com solução de clorexidina. Após 
limpeza da superfície dos implantes, foi aplicado 
o corante azul de metileno (Chimiolux – 0,01%) 
por5 minutos e então realizada a irradiação com o 
laser de baixa potência (660nm, 90J/cm2) em toda 
a superfície do implante. Após PDT, os implantes 
foram irrigados com soro fisiológico e o retalho foi 
fechado. Após 1 semana, foi possível observar a 
melhora dos sinais clínicos da inflamação, ausência 
de sangramento e supuração. Este caso continua 
sob controle.
a b
Figura 68 – Aspecto clínico (A) e radiográfico (B) da 
periimplantite nos elementos 13, 11, 21 e 23.
a b
Figura 69 – Aspecto oclusal após retirada da 
prótese (A) e abertura de retalho (B).
a b
Figura 67 – Radiografias periapicais para acompanhamento: 
a – pós-operatorio imediato; e, b – após 2 meses 
(caso clínico de Liporaci Jr.; Lizarelli – 2006).
2 - Associando a Terapia Fotodinâmica 
em Implantodontia
As lesões da periimplantite são caracterizadas 
por inflamação da gengiva, migração apical 
do epitélio juncional e exposição das roscas 
do implante ao ambiente oral, gerando bolsas 
periimplantares. Se não tratada propriamente, 
pode levar à reabsorção óssea e conseqüente perda 
do implante (HAYEK et al. – 2005; MAROTTI et 
al. – 2008). Ainda não há relato na literatura 
de um tratamento efetivo para a periimplantite 
(MAROTTI – 2008). 
O laser de baixa potência surge como um 
coadjuvante objetivando-se acelerar o processo 
de reparação, diminuir os sinais da inflamação e 
viabilizar a neoformação óssea. 
A terapia fotodinâmica, por meio da associação 
da luz vermelha do laser com o corante azul de 
metileno, irá promover a redução bacteriana, 
sendo uma importante ferramenta, aliada a terapia 
convencional, no tratamento da periimplantite 
(MAROTTI – 2008; MAROTTI et al. – 2008).
O laser de baixa potência pode e deve ser 
utilizado, dentro dos parâmetros adequados, 
como auxiliar aos tratamentos convencionais na 
área de Implantodontia, como laser terapêutico 
(diminuição da dor e do edema, aceleração da 
74
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
a b
Figura 73 – Terapia fotodinâmica transmucosa por vestibular e 
palatinal. Aqui, o provisório já havia sido trocado (2a sessão de PDT).
Figura 74 – Aspecto clínico após 3 sessões de PDT (1 
mês), com melhora dos sinais da inflamação e diminuição 
considerável da deiscência por vestibular.
4.2.22 – Queilite angular
A queilite angular é um processo inflamatório 
localizado no ângulo da boca, uni ou bilateral, 
caracterizado por discreto edema, eritema, 
descamação, erosão e fissuras. É freqüente a 
ocorrência de períodos de remissão e exacerbação 
espontânea. Geralmente está relacionada a um 
ou mais dos seguintes fatores implicados na sua 
etiologia: agentes infecciosos (estreptococos, 
estafilococos e Candida albicans); doenças 
dermatológicas (dermatite atópica, envolvendo a 
face, e dermatite seborreica); deficiência nutricional 
(riboflavina, fosfato e ferro), imunodeficiência 
(HIV, diabetes mellitus, câncer e transplante), 
hipersalivação e fatores mecânicos provocando 
a perda da dimensão vertical de oclusão, com 
queda do lábio superior sobre o inferior na altura 
do ângulo da boca, como ocorre no processo 
normal de envelhecimento, no prognatismo, na 
ausência de dentes ou com o uso de próteses mal 
adaptadas. 
a b
Figura 70 – Debridamento mecânico (A) e aspecto 
clínico após limpeza dos implantes (B).
a b
Figura 71 – Irrigação com o corante azul de metileno 
em todas as superfícies dos implantes (A) e irradiação 
com o laser vermelho de baixa potência (B).
CASO 2 – Paciente do gênero feminino, 32 
anos, apresentou-se no LELO-FOUSP (Laboratório 
Especial de Laser em Odontologia) encaminhada 
para tentar interromper o processo de perda 
óssea decorrente da periimplantite no elemento 
14, apresentando deiscência por vestibular 
causando desconforto estético para a paciente 
(Figura 5). Foram realizadas 3 sessões semanais 
de PDT (660nm, 90J/cm2, 40mW) com aplicações 
por vestibular e palatinal. Após 1 mês, pôde-se 
observar uma melhora considerável dos sinais 
clínicos da inflamação, com fechamento quase 
completo da deiscência por vestibular.
a b
Figura 72 – a) Periimplantite na região do elemento 14 e deiscência 
por vestibular. b) Aplicação do corante azul de metileno para PDT.
75
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
• aplicação de vaselina sólida para evitar o 
ressecamento da região e abertura de uma 
solução de continuidade ou protetor solar se a 
lesão estiver localizada sobre pele.
Porém, se apresentar infecção, será tratada 
como o herpes simples labial na fase vesicular, da 
seguinte forma:
• aplicação puntual e direta: ponta convencional, 
comprimento de onda infravermelho (780nm), 
dose em torno de 10,0J/cm2 ou 0,4J (40mW, 
10 segundos) por ponto, aplicar quatro pontos 
periféricos (figura 76a); e,
• drenagem linfática: irradiação puntual e sobre os 
linfonodos submandibulares e cervicais, do lado 
referente a localização da lesão, comprimento 
de onda infravermelho (780nm), ponta 
convencional, dose em torno de 70,0J/cm2 ou 
2,8J (70mW, 40 segundos) por ponto (figura 
76b).
a b
Figura 76 – Na presença de infecção esses 
serão os pontos locais (a) e para
drenagem linfática (b - adaptado de NETTER et al. - 1999).
4.2.23 – Sinusite
A sinusite maxilar, inflamação aguda ou 
crônica do seio maxilar, pode ser ocasionada por 
infecções odontogênicas, trauma dentário, lesões 
odontogênicas não inflamatórias, ou por causas 
iatrogênicas como exodontias, osteotomias 
maxilares ou colocações de implantes. Além das 
causas odontogênicas, condições sistêmicas 
predispõem o aparecimento da sinusite, como 
infecção viral recente e rinite alérgica (NEVILLE et 
al., 2009)
Além do exame clínico detalhado para 
identificar alteração oclusal e outros sinais de 
alteração nutricional ou imunológica, os exames 
bacteriológico e micológico da lesão podem 
auxiliar na elucidação diagnóstica e na escolha 
do tratamento, apesar dos microorganismos 
envolvidos serem saprófitas (PENNINI et al. – 
2005).
A localização dessa lesão (comissura labial) 
facilita a infecção secundária, portanto é importante 
orientar o paciente quanto a higienização local 
com anti-sépticos.
Se a lesão não estiver infectada, será tratada 
como o herpes simples labial na fase ulcerada, ou 
seja, empregando:
• a ponta convencional, com o comprimento de 
onda vermelho (660nm);
• dose em torno de 10,0J/cm2 ou 0,4J (40mW e 
10 segundos) a 20,0J/cm2 ou 0,8J (40mW e 20 
segundos) por ponto;
• irradiação de um ponto central e quatro pontos 
periféricos, como apresentado na figura 75; e,
Figura 75 – Pontos de tratamento.
76
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
(encontrada em lojas de produtos para tratamento 
estético) para manter os olhos fechados e protegidos 
(figuras 78b e 78c) ou colocar camada tripla de 
gaze presa com esparadrapos, por exemplo. Outra 
forma, muito eficiente e econômica, é utilizar duas 
colheres de sobremesa sem os cabos, prendendo 
ambas sobre os olhos fechados com o auxílio de 
esparadrapos também, ou mesmo segura pelos 
cabos (figura 78d).
a b c d
Figura 78 – Paciente com os óculos de proteção (a); paciente sendo 
irradiada com a máscara de proteção nos pontos sobre seios da face 
(a – maxilar; b – frontal) e, utilizando uma colher de sopa de metal (d).
4.2.24 – Trismo
Tratando-se de Trismo Leve ou Moderado, 
a abertura bucal torna-se difícil ou impossível. É 
uma situação transitória. Pode ser devido a um 
ferimento da face, extração dental ou mesmo 
amigdalectomia. O reflexo não ultrapassa a zona 
dos músculos mastigatórios. Também pode ser 
infeccioso, ou seja, resultante de parotidites, 
artrite aguda da(s) ATM(s), estomatite, alveolite. 
Algumas vezes,um trismo intenso pode ser 
confundido com otite.
O tratamento indicado é o relaxamento 
muscular, analgesia local e antibioticoterapia, se 
houver infecção.
Sendo assim, a laserterapia de baixa 
intensidade pode ser utilizada da seguinte forma:
• relaxamento muscular: comprimento de onda 
vermelho (660nm) deve ser aplicado sobre a 
musculatura facial (como mostrado na figura 24, 
com dose em torno de 20,0J/cm2 ou 0,8J (40mW 
por 20 segundos) por ponto;
• alívio local da dor: comprimento de onda 
infravermelho (780 ou 808nm) com dose alta 
Nesse tipo de enfermidade, o 
acompanhamento médico é essencial, tanto 
para confirmar o diagnóstico por escrito, quanto 
para re-avaliar o paciente ao final do tratamento. 
A radiografia postero-anterior oblíqua da face 
(Projeção de Water), que permite a visualização 
de todos os seios da face, mostra a situação 
previamente à laserterapia e logo após o término 
do tratamento (uma semana), portanto devem ser 
realizadas, principalmente para o paciente tornar-
se consciente do tratamento e da evolução do 
quadro.
As irradiações podem ser feitas diariamente, 
durante três dias, e a re-avaliação ao final de uma 
semana O protocolo é o seguinte:
• desinflamação das mucosas sinusais: ponta 
convencional, comprimento de onda vermelho 
(660nm) ou infravermelho (780nm), dose em 
torno de 10,0J/cm2 ou 0,4J (40mW, 10 segundos) 
por ponto, aplicar pontos eqüidistantes de 
1,0cm sobre os seios da face – células etmoidais, 
seios frontais e seios maxilares (figura 77a); e,
• drenagem linfática: irradiação puntual e sobre o 
trajeto dos vasos linfáticos e sobre os linfonodos 
submandibulares e cervicais, bilaterais, comprimento 
de onda infravermelho (780nm), ponta convencional, 
dose em torno de 70,0J/cm2 ou 2,8J (70mW, 40 
segundos) por ponto (figura 77b).
a b
Figura 77 – Pontos de irradiação para drenagem local e bilateral (a); e, 
sobre linfonodos e vasos linfáticos (Adaptado de NETTER et al. – 1999).
Como os óculos de proteção cobrem a maior 
parte dos pontos a serem irradiados (figura 78a) 
se pode utilizar uma máscara de relaxamento facial 
77
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
o próprio organismo reage contra as glândulas 
salivares; diabetes; radioterapia da região de cabeça 
e pescoço; quimioterapia; problemas psiquiátricos 
e agenesia congênita de glândulas salivares.
Outras causas podem ser: afecção geral, 
nefrite, desidratação, antibioticoterapia, belladona, 
radiomucite e parotidite. Com exceção da agenesia 
congênita, pode-se tentar reverter o quadro 
irradiando com LILT as glandulas salivares para 
estimular a produção de saliva.
Sobre a ação da radiação ionizante em 
glândulas salivares, é sabido que ocorrem dois 
tipos de efeitos resultantes e deletérios:
• efeito agudo: ocorre imediatamente depois de 
iniciada a Radioterapia, tanto devido a ação direta 
desta radiação (a radiação passando pela célula 
e a lesionando) como ação indireta (formação de 
íons principalmente devido a radiólise da água). 
É observado principalmente 24 horas após e 
até 40 dias, quando se observam diminuições 
na função da glândula salivar. O dano é 
dependente da dose de radiação empregada, 
área irradiada (volume da glândula atingida) 
assim como da energia empregada na terapia 
oncológica. Nesta fase observam-se alterações 
morfológicas na glândula irradiada que podem 
ser vacúolos, diminuição no número de acinos, 
ruptura das membranas celulares, destruição 
nas mitocôndrias, apoptose celular e necrose 
tecidual; e,
• efeito crônico: ocorre o cessamento da destruição 
celular (da fase aguda) e formação de tecido de 
preenchimento (tecido conjuntivo) na região 
destruída anteriormente.
Para prevenir a ação destrutiva da radiação 
ionizante na glândula é necessário agir na fase 
aguda diminuindo a agressão da radiação com 
limitação do campo de radiação, dose e energia 
adequada ou na aplicação de radioprotetores que 
não permitam a destruição gerada pelos íons. 
em torno de 52,5J/cm2 ou 2,1J (70mW por 30 
segundos) por ponto, deve ser aplicado sobre a 
região da(s) ATM(s) envolvida(s), como mostrado 
na figura 24; e,
• drenagem linfática (se houver infecção) nos 
linfonodos pré-auricular, mandibular e cervical: 
comprimento de onda infravermelho (780 ou 
808nm) aplicado sobre os linfonodos envolvidos 
no processo, com dose em torno de 157,5J/cm2 
ou 6,3J (70mW por 90 segundos) por ponto 
(consultar a figura 14). É recomendado fazer 
a palpação previamente para localização dos 
pontos de aplicação.
Sessões diárias, durante três ou quatro dias 
são recomendadas.
4.2.25 – Xerostomia
A xerostomia refere-se à sensação subjetiva 
de boca seca. É frequentemente, mas não sempre, 
associada à hipofunção da glândula salivar 
(NEVILLE et al., 2009). Xerostomia é definida 
como diminuição na produção de saliva. Acomete, 
intensidade e duração variáveis, um grande 
número de pessoas e suas causas podem variar 
consideravelmente.
A redução da secreção salivar leva o paciente 
a se queixar de secura na boca. Outros sintomas 
também podem aparecer: sensação de queimação 
bucal, dificuldade em movimentação lingual, 
dificuldades para mastigar e engolir. As funções 
da fala e do gosto podem ficar prejudicadas, assim 
como se observa um aumento na prevalência de 
candidíase bucal. 
Pode ser causada pela idade avançada, 
pela ingestão de certos medicamentos, tais 
como: antidepressivos, anti-hipertensivos, 
tranquilizantes, anti-histamínicos e 
anticolinérgicos; por hábitos e vícios como o 
alcoolismo e a ingestão de alimentos e bebidas 
ricos em cafeína; pela síndrome de Sjogren, na qual 
78
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Sendo assim, a laserterapia de baixa intensidade 
parece ser muito interessante nessa fase.
O protocolo indicado é:
• comprimento de onda vermelho (660nm), ponta 
convencional, 40mW, 10 segundos por ponto, 
resultando em uma dose ou fluência em torno 
de 10,0J/cm2, puntuar internamente (em contato 
com mucosa) as regiões correspondentes às 
glândulas salivares; e,
• se houver a suspeita da presença de células 
tumorais nessas áreas, não irradiar, não realizar 
a laserterapia de baixa intensidade.
Quando o paciente já estiver manifestando 
a fase crônica da enfermidade, doses altar em 
torno de 70,0J/cm2 ou 2,8J (70mW, 40 segundos) 
a 105,0J/cm2 ou 4,2J (70mW, 60 segundos) com 
o comprimento de onda infravermelho (780 ou 
808nm) devem ser usadas por ponto (figura 79), 3 
vezes por semana durante quatro semanas e depois 
duas vezes por semana durante quatro semanas. 
Após essas oito sessões, se o paciente estiver 
salivando com pelo menos 50% da normalidade, 
fazer a manutenção com uma irradiação semanal 
por quatro semanas.
A ingestão de água deve aumentar 
diariamente.
Figura 79 – Pontos de irradiação sobre as glândulas 
salivares (Adaptado de NETTER et al. – 1999).
Protocolos Clínicos Odontológicos | Uso do Laser de Baixa IntensidadeLizarelli, R. F. Z.
79
5 – Endereços eletrônicos recomendados
www.aalo.com.ar
www.ablo.org.br
www.connectodonto.com.br
www.esola.at
www.ipen.br/mestrados
www.laser.nu
www.laserdentistry.org
www.laserlow.com
www.laserworld.uk.com
www.lelo.fo.usp.br
www.naalt.org
www.walt.nu
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