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AULA 6 – PIGMENTAÇÃO E CALCIFICAÇÃO CAMILA CERQUEIRA Patologia PIGMENTAÇÃO E CALCIFICAÇÃO PIGMENTO O pigmento são moléculas que tem a capacidade de emitir cor. Se chama de pigmentos as substâncias que tem a cor própria. Os pigmentos são divididos de acordo com sua origem, quando se origina no próprio organismos ou não, sendo dividido em endógeno ou exógeno. • Endógeno: que são os pigmentos sintetizados pelo próprio organismo, que vão dar origem a cor da pele, olhos, cabelos, sangue. o A patologia é que vai causar a pigmentação • Exógenos: são pigmentos que absorvemos por via respiratória, digestiva ou parenteral, penetram e depositam-se em diversos órgãos. o É a pigmentação que causara a patologia Quando se tem uma pigmentação anormal: é sinal de perda da homeostase e da morfostase celular. (Pigmentação patológica) O seu acumulo pode ou não ser patológico. Os pigmentos orgânicos podem ser endógenos (melanina, hemoglobina e derivados, lipocromos) e exógenos (Antracose, pigmentação medicamentosa, chumbo e tatuagens.) PIGMENTAÇÃO ENDÓGENAS No organismo humano há três classes de pigmentos: • Melanina • Hemoglobina • Lipocromos Esses são considerados pigmentos endógenos, pois são produzidos através da atividade metabólica das próprias células do organismo. PIGMENTOS DE HEMOGLOBINA • PIGMENTOS BILIARES • HEMATOIDINA • HEMOSSIDERINA • PIGMENTO MALARICO • PIGMENTO ESQUISTOSSOMÓTICOS. PIGMENTOS BILIARES (BILIRRUBINA BB) É um pigmento amarelo, produto final do catabolismo da fração heme da hemoglobina e de outras hemoproteínas. A bilirrubina (Bb) é acoplada à albumina, sendo transportada pela circulação até o fígado. Uma vez no interior do hepatócito, a bilirrubina é conjugada com ácido glicurônico no reticulo endoplasmático, transformando-se em glucoronato de bilirrubina. Após a conjugação a bilirrubina se torna hidrossolúvel, sendo excretada na bile. As causas pre-hepaticas são aquelas que resultam em aumento excessivo da formação de bilirrubina. Como: hemólise, hemorragia, anemias hemolíticas etc. com o aumento da bilirrubina não conjugada ou indireta. Desconjugação: microbiota forma estercobilinogênio (que dá a cor às fezes) e urobilinogênio, que é em parte reabsorvido no íleo terminal, sendo ré excretado pelo fígado e, em menor grau pelos rins (dando cor à urina) O aumento dos níveis sanguíneos de Bb não conjugada, mais específicos em recém-nascidos, pode causar lesão cerebral irreversível, morte e nos casos de sobrevida, sequelas neurológicas permanentes, kernicterus. O diagnostico de diversas doenças, hereditarias ou adquiridas, do figado e do sangue. o aumento da produção de Bb ou defeito hepático na remoção do pigmento da circulação – Hiperbilirrubinemia – ICTEÍCIA (deposição do pigmento na pele, esclera e mucosas.) o aumento da excreção de Bb na bile por doenças hemoliticas crônicas favorece a formação de caçculos pigmentares, constituidos principalmente de bilirrubinato de calcio. AULA 6 – PIGMENTAÇÃO E CALCIFICAÇÃO CAMILA CERQUEIRA HIPERBILIRRUBINEMIA E ICTERICIA • Aumento da produção de Bb, como em anemias hemolíticas • Redução na capacitação e no transporte de Bb nos hepatócitos por defeito genéticos • Diminuição da conjugação da Bb, por carência de enzimas envolvidas no processo • Baixa excreção celular de Bb • Obstrução biliar, intra ou extra-hepática, sobretudo por cálculos ou tumores • Lesões como hepatite e cirrose hepática. HEMATOIDINA É uma molécula composta de uma mistura de lipídeos e um pigmento que se parece com a bilirrubina, desprovido de ferro, e se forma em focos de HEMORRAGIA depois que as hemácias extravasadas são destruídas por macrófagos. O pigmento aparece 6 dias depois do começo do sangramento, conseguimos visualizar ao microscópio pequenos grânulos, sob forma de cristais de cor que varia do amarelo-ouro e amarelo alaranjado. • Não tem função biológica conhecida Ferritina: Fe + Apoferritina Cadeia H ( pesada MICELAS Cadeia L ( leve) Excesso de ferro micelas de ferritina se agregam, formando HEMOSSIDERINA HEMOSSIDERINA É um pigmento anormal microscópico de origem endógena, presente no corpo humano. • Coloração vermelho acastanhada – degradação de hemácias. É formado por oxido de FERRO e pode ser acumulada em vários órgãos em diversas doenças. HEMOSSIDEROSE: • LOCALIZADA • SISTÊMICA LOCALIZADA: excesso local de Fe hemorragias no tecido. SISTÊMICA: Ocorre por aumento da absorção intestinal de ferro, em anemias hemolíticas e após transfusão de sangue repetidas. O pigmento se acumula nos macrófagos do fígado, baço, medula óssea, linfonodos, e mais esparsamente, na derme, pâncreas e rins. • HEMOSSIDEROSE HEPATICA: deposição de ferro evidenciada como grânulos azulados na coloração de perls. • HEMOCREMATOSE: forma especial de hemossiderose sistêmica em que há aumento da absorção intestinal de ferro por defeitos genéticos. Absorção e transporte de ferro. Na borda em escova de enterócitos, o Fe+++ É transformado em Fe++ pela redutase férrica. O Fe++ é absorvido por ação do transportador de metal divalente 1 (DMT1). Do enterócitos, o ferro absorvido é lançado no sangue por meio da ferroportina. Na circulação, o AULA 6 – PIGMENTAÇÃO E CALCIFICAÇÃO CAMILA CERQUEIRA ferro é transportado pela transferrina. Na fase basal do enterócitos, por ação do receptor de transferrina 1 e do produto do gene HFE, o ferro circulante é internalizado no eritrócito passando a formar pool intracelular do metal. Aumento do pool citosolico reduz a atividade da redutase férrica e do DMT1; portanto, diminui a absorção intestinal de ferro, aumento da saturação de transferrina sangue estimula a produção de hepcidina por hepatócitos, aumento da hepcidina diminui a disponibilidade de ferro sanguíneo porque: (1) reduz a atividade de DMT1 nos enterócitos e, assim, diminui a absorção intestinal de ferro; ferroportina, impedindo sua ação transportadora de ferro de enterócitos para o sangue. PIGMENTO MALÁRICO • Hemozoína Degradação pelo plasmodium durante seu ciclo de vida assexuado nas hemácias. Grânulos castanho escuto acumulados nos macrófagos do fígado, baço, medula óssea, linfonodo. • Quantidade de pigmento aumenta com a duração da infecção. Pigmento inerte e não toxico, pode afetar a função dos macrófagos e monócitos. PIGMENTO ESQUISTOSSOMÓTICO Degradação de hemoglobina no tubo digestivo do schistosoma Proteases do intestino (hemoglobinase) degradam a hemoglobina em peptídeos, aminoácidos e heme – cristais de heme similar à Hemozoína castanho- escuros ou negros nas células de kupfer (macrófagos localizados no fígado) ou nos macrófagos do baço. LIPOFUSCINA LIPOCROMO ou pigmento do desgaste: é um pigmento insolúvel composto por polímeros de lipídios e fosfolipídios formando complexos com proteínas. Sua presença é sinal de lesão por radicais livres de peroxidação lipídica de membranas (autofagocitose) • Observado em células sofrendo alterações regressivas lentas – envelhecimento ou caquexia do câncer, especialmente no fígado e coração. Não é nocivo à célula ou às suas funções. ACIDO HOMOGENTÍSICO Pigmento negro; Seu acumulo no corpo caracteriza a ocronose e ocorre em pacientes com alcaptonúria, doença metabólica rara com ausência da enzima oxidase homogentísica; Deposita-se na pele, tendões e cartilagem por se ligar ao colágeno no tecido conjuntivo, sendo mais evidentenas orelhas, nariz e bochechas. • O deposito nas cartilagens articulares causa artropatia degenerativa. A ocronose exógena ocorre após tratamento tópico com hidroquinona, resorcina, antimaláricos e fenol. MELANINA É um pigmento preto-acastanhado (melas=preto) • Produzida pelos melanócitos dentro de melanossomos a partir da enzima tirosinase; Protege os queratinócitos (células da epiderme) contra a radiação UV. Potencialmente lesiva ao DNA. EUMELANINA • Cor castanho-enegrecida • Protege contra RUV • Menor predisposição a lesões • Maior concentração em pele negra. FEOMELANINA • Cor vermelho-amarelada • Não protege contra RUV • Maior predisposição a lesões • Maior concentração em pele clara. AULA 6 – PIGMENTAÇÃO E CALCIFICAÇÃO CAMILA CERQUEIRA ALBINISMO: melanócitos, mesmo em número não produzem melanina, deixa o paciente apigmentado. VITILIGO: Despigmentação devido a um processo autoimune, onde células de defesa não reconhecem os melanócitos. Diminuição da quantidade de melanócitos na epiderme. LESÕES HIPERPIGMRNTADAS EFÉLIDES (SARDAS) ASPECTOS MACROSCÓPICOS: • Maculas pequenas • Marrom-clara • Aparecem após exposição solar. ASPECTOS MICROSCÓPICOS: • Aumento na quantidade de melanina nos queratinócitos. LESÕES HIPERPIGMENTADAS NEVOS Melanócitos em processo hiperplásico sinais ou pintas, dependendo do seu tipo. Podem estar presentes desde o nascimento ou surgirem ao longo do tempo. Podem aparecer como pequenas manchas marrons a enegrecidas que podem permanecer planas ou, com o tempo aumentarem sua espessura, tornando-se elevadas. LESÕES HIPERPIGMENTADAS NEVO JUNCIONAL ASPECTOS MACROSCÓPICOS • Lesões pequenas, planas, simétricas e uniformes. ASPECTOS MICROSCÓPICOS: • Ninho esférico de células névicas • Ocupam as pontas de cristais interpapilares LESÕES HIPERPIGMENTADAS NEVO COMPOSTO ASPECTOS MACROSCÓPICOS • Lesão elevada, com forma de cúpula, simétrica e uniforme. ASPECTOS MICROSCÓPICOS: • Ninhos esféricos de células intraepidérmicas. • Ninhos e cordões de células na derme subjacente. LESÕES HIPERPIGMENTADAS NEVO DISPLÁSICO. ASPECTOS MACROSCÓPICOS • Maior que a maioria dos nevos • Variabilidade na pigmentação • Limites irregulares. ASPECTOS MICROSCÓPICOS: • Atipia arquitetural e citológica • Fibrose linear na derme subjacente. LESÕES HIPERPIGMENTADAS MELANOMA ASPECTOS MACROSCÓPICOS • Assimétrico • Bordas irregulares; • Variação de cor • Diâmetro > 6mm ASPECTOS MICROSCÓPICOS: • Crescimento radial e vertical • Sem maturação • Células grandes • Atipias nucleares , AULA 6 – PIGMENTAÇÃO E CALCIFICAÇÃO CAMILA CERQUEIRA PIGMENTAÇÕES EXÓGENAS • Amianto (mineral de silicato) -> asbestose • Poeira de sílica -> silicose • Óxido de ferro -> siderose • Sais de prata -> Argiria • Sais de ouro -> Crisíase • Sais de chumbo -> saturnismo • Sais de enxofre, mercúrio, ferro e outros (amálgama) -> tatuagem • Sais de carbono -> Antracose ANTRACOSE É a deposição de sais de carbono (poeira de carvão); afeta mineradores, tabagistas e moradores urbanos. Após inalado, é assimilado por macrófagos alveolares; em seguida é transportado pelos linfáticos para os linfonodos regionais pleurais, brônquicos e hilares; seu acumulo escurece os tecidos dos pulmões e os linfonodos envolvidos. Não causa grandes disfunções, mais pode induzir um enfisema ou uma reação fibroblástica, gerando a pneumoconiase do minerador de carvão. ARGIRIA Pigmentação por sais de prata. • Contaminação sistêmica por medicação • Amalgma (tratamento odontológico.) • Cor acinzentada azulada CALCIFICAÇÃO CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA É mais frequente, localmente. Tecidos previamente lesados: paredes de vasos esclerosados, tendões, valvas cardíacas e em alguns tumores. Restos necróticos (necrose caseosa, coagulativa ou gordurosa), ao redor de parasitas e larvas mortas encistadas. CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA Cálcio reabsorvido do tecido ósseo ocasiona depósitos em outros locais. Estroma dos rins e pulmões, o estomago, o coração, a parede das artérias e a córnea. Hipercalcemia e, mais raramente, hiperfosfatemia. • Principal causa: hipersecreção de paratormônio – estimula atividade osteoclástica e reabsorção óssea. CALCULOSE OU LITÍASE Calcificações em estruturas tubulares diferentes de vasos sanguíneos. Levar a obstrução, lesão ou infecção de ductos, principalmente do pâncreas, glândula salivar, próstata e dos tratos urinários e biliar. Maioria dos cálculos formados por oxalato de cálcio e oxalato de fosfato.