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Administração da Produção I Sergio Fernandes Lima Jouberto Uchôa de Mendonça Reitor Amélia Maria Cerqueira Uchôa Vice-Reitora Jouberto Uchôa de Mendonça Júnior Superintendente Geral Ihanmarck Damasceno dos Santos Superintendente Acadêmico Eduardo Peixoto Rocha Diretor de Graduação Jane Luci Ornelas Freire Gerente de Educação a Distância Ana Maria Plech de Brito Coordenadora Pedagógica de Projetos Unit EAD Lucas Cerqueira do Vale Coordenador de Tecnologias Educacionais Equipe de Produção de Conteúdos Midiáticos: Assessor Rodrigo Sangiovanni Lima Corretores Ancéjo Santana Resende Fabiana dos Santos Diagramadores Andira Maltas dos Santos Claudivan da Silva Santana Edilberto Marcelino da Gama Neto Edivan Santos Guimarães Ilustradores Geová da Silva Borges Junior Matheus Oliveira dos Santos Shirley Jacy Santos Gomes Webdesigners Fábio de Rezende Cardoso José Airton de Oliveira Rocha Júnior Marina Santana Menezes Pedro Antonio Dantas P. Nou Equipe de Elaboração de Conteúdos Midiáticos: Supervisor Alexandre Meneses Chagas Assessoras Pedagógicas Kalyne Andrade Ribeiro Lívia Lima Lessa Redação: Núcleo de Educação a Distância - Nead Av. Murilo Dantas, 300 - Farolândia Prédio da Reitoria - Sala 40 CEP: 49.032-490 - Aracaju / SE Tel.: (79) 3218-2186 E-mail: infonead@unit.br Site: www.ead.unit.br Impressão: Gráfica Gutemberg Telefone: (79) 3218-2154 E-mail: grafica@unit.br Site: www.unit.br Banco de Imagens: Shutterstock Copyright © Sociedade de Educação Tiradentes L732a Lima, Sergio Fernandes. Administração da Produção I. / Sergio Fernandes Lima. – Aracaju : UNIT, 2011. 176 p.: il. : 22 cm. Inclui bibliografi a 1. Administração de produção. I. Universidade Tiradentes – Educação à Distância II. Titulo. CDU : 658.5 Prezado(a) estudante, A modernidade anda cada vez mais atrelada ao tempo, e a educação não pode ficar para trás. A prova disso são as nossas disciplinas on-line, que possibilitam a você estudar com o maior conforto e comodidade possível, sem perder a qualidade do conteúdo. Por meio do nosso programa de disciplinas on-line você pode ter acesso ao conhecimento de forma rápida, prática e eficiente, como deve ser a sua forma de comunicação e interação com o mundo na modernidade. Fóruns on-line, chats, podcasts, livespace, vídeos, MSN, tudo é válido para o seu aprendizado. Mesmo com tantas opções, a Universidade Tiradentes optou por criar a coleção de livros Série Bibliográfica Unit como mais uma opção de acesso ao conhecimento. Escrita por nossos professores, a obra contém todo o conteúdo da disciplina que você está cursando na modalidade EAD e representa, sobretudo, a nossa preocupação em garantir o seu acesso ao conhecimento, onde quer que você esteja. Desejo a você bom aprendizado e muito sucesso! Professor Jouberto Uchôa de Mendonça Reitor da Universidade Tiradentes Apresentação Sumário Parte 01: Administração da Produção e Operações . 11 Tema 01: Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos . . . 13 1.1 Conceitos e evolução da Administração de Produção e Operações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 1.2 Funções gerenciais na Administração da Produção e Operações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 1.3 O Sistema de Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 1.4 Tipos de Sistemas de Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .51 Parte 02: Estratégia da Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .53 2.1 Conceito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 2.2 Conteúdo da Estratégia de Produção – Perspectiva top-down e bottom-up . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 2.3 Conteúdo da Estratégia de Produção – Perspectiva dos Requisitos do Mercado e dos Recursos da Produção . . . . . . 72 2.4 Processo da Estratégia de Produção . . . . . . . . . . . . . . . . 82 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .91 Parte 02: Planejamento e controle da Produção e Operações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Tema 03: Planejamento e controle de capacidade . . . . . . . . . . . . . .95 3.1 Conceitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 3.2 Medição da demanda e da capacidade . . . . . . . . . . . . . 104 3.3 Políticas alternativas de capacidade . . . . . . . . . . . . . . . . 113 3.4 Escolha de uma abordagem de planejamento e controle de capacidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .122 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .132 Tema 04: Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos 133 4.1 Conceitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 4.2 Decisão de volume de ressuprimento e sobre tempo e sistema de controle e análise de estoque . . . . . . . . . . . 143 4.3 Tipos de relacionamento em cadeias de suprimentos . .153 4.4 Comportamento da cadeia de suprimentos . . . . . . . . . . .163 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .172 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 Concepção da Disciplina Ementa Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos: Conceitos e Evolução da Administração de Produção e Operações. Funções Gerenciais na Administração da Produção e Operações. O Siste- ma de Produção. Tipos de Sistemas de Produção. Estratégia da produção: Conceito. Conteúdo da Estratégia de Produção – Perspectiva top-down e bottom-up. Conteúdo da Estratégia de Produção – Perspectiva dos Requisitos do Mercado e dos Recursos da Produção. Processo da Estratégia de Produção. Planejamento e Controle de Capacidade: Conceitos. Medição da Demanda e da Capacidade. Políticas Alternativas de Capacidade. Escolha de uma Abordagem de Planejamento e Controle de Ca- pacidade. Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos: Conceitos. Decisão de Volume de Ressuprimento e sobre Tempo e Sistema de Controle e Análise de Estoque. Tipos de Relacio- namentos em Cadeias de Suprimentos. Comporta- mento da Cadeia de Suprimentos. Objetivos: Geral Conhecer os processos de produção que per- mita a redução de custos e sua otimização. Específicos Compreender os conceitos de empresa / produto / produção; Compreender e planejar os sistemas de produção; Planejar e controlar as operações produ- tivas; Modificar processo produtivo; Atuar criticamente sobre a esfera da pro- dução. Orientação para Estudo A disciplina propõe orientá-lo em seus proce- dimentos de estudo e na produção de trabalhos científicos, possibilitando que você desenvolva em seus trabalhos e pesquisas o rigor metodo- lógico e o espírito crítico necessários ao estudo. Tendo em vista que a experiência de estudar a distância é algo novo, é importante que você observe algumas orientações: Cuide do seu tempo de estudo! Defina um horário regular para acessar todo o conteúdo da sua disciplina disponível neste material impresso e no Ambiente Virtual de Aprendi- zagem (AVA). Organize-se de tal forma para que você possa dedicar tempo suficiente para leitura e reflexão; esforce-separa alcançar os objetivos propos- tos na disciplina; utilize-se dos recursos técnicos e humanos que estão ao seu dispor para buscar escla- recimentos e para aprofundar as suas re- flexões. Estamos nos referindo ao contato permanente com o professor e com os co- legas a partir dos fóruns, chats e encon- tros presenciais. Além dos recursos disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Para que sua trajetória no curso ocorra de forma tranquila, você deve realizar as atividades propostas e estar sempre em contato com o professor, além de acessar o AVA. Para se estudar num curso a distância deve-se ter a clareza que a área da Educação a Distância pauta-se na autonomia, responsabilidade, coopera- ção e colaboração por parte dos envolvidos, o que requer uma nova postura do aluno e uma nova forma de concepção de educação. Por isso, você contará com o apoio das equi- pes pedagógica e técnica envolvidas na operaciona- lização do curso, além dos recursos tecnológicos que contribuirão na mediação entre você e o professor. Parte 1 ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES 1 Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos Para podermos agregar valores à empresa devemos melhorar sua competitividade e lucratividade em longo prazo através da admi- nistração das operações. Veja alguns exemplos para entender isso: A TAM precisa alocar recursos para atender toda sua demanda de clientes por viagens aéreas no próximo mês. Como ela deve desig- nar aeronaves de diferentes tamanhos para as rotas de voo, pilotos para as aeronaves e comissários de bordo para os voos? A Canon precisa aumentar a produção de um novo modelo de cartuchos de tinta de impressora numa linha de produção que já está rodando com capacidade total. Qual é a maneira mais eficiente quanto ao custo de redesenhar a linha de produção para aumentar o volume produzido? Conforme vimos nos parágrafos anteriores a administração da produção e operações é uma tarefa importante para se manter com- petitivo num mercado global que sempre muda. A administração da Produção e Operações se traduz nas atividades orientadas para a produção de um bem físico ou à prestação de um serviço. Neste contexto pode-se ligar a palavra produção às atividades industriais, enquanto operações estariam mais ligadas a atividades desenvolvidas em empresas de serviços. Administração da Produção I14 1.1 Conceitos e evolução da Administração de Produção e Operações Para podermos melhor entender sobre a Ad- ministração de Produção e Operações devemos co- nhecer alguns conceitos essenciais, como também saber a diferença entre eles. Diferenças entre Produtos e Serviços A fabricação de um produto físico é realizada como uma atividade industrial, por exemplo, um computador, um automóvel etc. Entretanto um ser- viço é prestado, e a prestação desse serviço implica em uma ação. Para facilitar essa ação podem ser usados meios físicos como instrumentos em um exame médico ou salas de aulas e quadros brancos em uma universidade. Para se oferecer produtos e serviços ao públi- co, as atividades correspondentes devem ser pla- nejadas, organizadas e controladas. Por isso, que ramos (escola, hospital, fábrica etc.) tão diferentes podem ser estudados em conjunto. Podemos verificar diferenças marcantes entre produtos e serviços como: A natureza do que se oferece ao seu cliente e do seu consumo. A atividade de serviço exige um contato muito mais próximo com o cliente. A pres- tação do serviço facilmente se confunde com seu consumo. Na atividade de produção esse contato qua- se que não ocorre, sendo possível programar as 15Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos tarefas e desenvolver os métodos de trabalho e controles sobre as operações. As indústrias podem se programar para melhor absorver os efeitos de uma possível queda ou alta nas demandas, graças à possibilidade de estocar produtos, ao contrário dos serviços, a exemplo dos bancos, onde é difícil se evitar filas em épocas de grandes movimentos. A seguir estaremos detalhando um pouco mais as diferenças entre produtos e serviços. a) A uniformidade dos insumos necessários: Na indústria, cada produto tem uma lista de insumos ou matérias-primas, bem como habi- lidades humanas necessárias para fabricação do bem. Já no caso dos serviços os insumos podem ser muito variados para a execução da mesma tarefa. b) As possibilidades de mecanização: Na indústria a mecanização é quase que in- dispensável, pois há uma padronização dos produtos ou bens, o que nem sempre ocorre nos serviços. c) O grau de padronização daquilo que é ofere- cido, independente do cliente considerado: A mecanização das indústrias faz com que os produtos oferecidos sejam padronizados. Por outro lado, não é muito provável prestar duas vezes o mesmo serviço exatamente da mesma maneira. Administração da Produção I16 O quadro abaixo resume as principais carac- terísticas de empresas industriais e de serviços. Característica Indústrias Empresas de serviços Produto Físico Intangível Estoques Comuns Impossível Padronização dos insumos Comum Difícil Influência da mão de obra Médio/Pequena Grande Padronização dos produtos Comum Difícil Se analisarmos que grande parte das empre- sas constituem-se de maneira a serem tanto indús- trias quanto prestadoras de serviços, fica visível a necessidade de entender os conceitos e as técni- cas aplicados em ambos os casos. Como exemplo de conceito e técnica, podemos demonstrar uma indústria que tem a característica de estocagem (técnica), que não apresentam nenhum caso de prestadora de serviço. Mas no caso de produto é diferente, pois na indústria é comum pelo âmbi- to físico e também intangível para prestação de serviço. Não devemos esquecer que a organização industrial executa uma série de funções ligadas a serviços a nível interno. Por exemplo, a manuten- ção de máquinas e instalações refere-se às funções ligadas a um serviço. A Administração da Produção e Operações é o estudo de conceitos e técnicas a serem aplicadas a tomadas de decisões na Produção, em indústrias, ou na Operação, nas empresas de serviços. Os conceitos e técnicas aplicados dizem res- peito às funções da administração clássica, ao pla- nejamento, à organização, à direção e ao controle que serão aplicados especificamente à produção de produtos e bens ou à prestação dos serviços. 17Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos Evolução da Administração da produção e ope- rações Podemos, com muita rigorosidade, encon- trar traços comuns entre o que se faz numa mo- derna organização e a coleta de alimentos do ho- mem pré-histórico, passando pela caça, pastoreio, agricultura, pesca etc. até chegarmos às primeiras cidades há cerca de 6000 anos atrás, no tocante à Administração da Produção e Operações. Sempre houve sistemas de produção. É pos- sível observar como exemplos clássicos as pirâmi- des egípcias, o Partenon grego, a Grande Muralha da China e os aquedutos e estradas do Império Ro- mano que atestam a indústria dos povos antigos. Mas a forma pela qual eles produziam produtos era bem diferente da dos métodos de produção atuais. Os sistemas de produção anteriores a 1700 eram sistemas caseiros, porque a produção dava- se nas casas ou cabanas, onde os artesãos orien- tavam aprendizes a executarem trabalho manual nos produtos. Na Inglaterra de 1700 ocorreu um desenvolvimento ao qual nos referimos como Revolução Industrial. Avanço que envolveu dois elementos principais: a difundida substituição da força humana e da água pela força mecanizada e o estabelecimento do sistema fabril. O motor a vapor, inventado por James Watt em 1764, for- neceu a força motriz para asfábricas e estimulou outras invenções da época. A disponibilidade do motor a vapor e de máquinas de produção tornou possível reunir trabalhadores em fábricas distan- tes dos rios. E o grande número de trabalhadores congregados em fábricas criou a necessidade de organizá-los de uma maneira lógica para produzi- rem produtos. (GAITHER, 2004). Administração da Produção I18 A Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX foi o marco da produção industrial moderna através da utilização de máquinas. O grande ber- ço da revolução foi a Inglaterra, que se tornou a maior potência econômica no século XIX. No final da Guerra Civil o capitalismo surgiu com grande potencial através da construção de impérios industriais, gerando uma grande capaci- dade de produção nos Estados Unidos. A veloz e maciça exploração e colonização do Oeste americano criou a necessidade de nu- merosos produtos e de um meio de levá-los aos colonos. Com isso, no período pós-guerra civil, fo- ram construídas grandes ferrovias, tornando essa a segunda grande indústria dos Estados Unidos. Novas linhas férreas foram criadas, novos territó- rios foram desenvolvidos e, já no princípio do sé- culo XX, um sistema de transporte econômico e eficiente estava em operação. Em 1900, todos esses desenvolvimentos - expansão do capital e opacidade de produção, ampliada força de trabalho urbana, novos merca- dos ocidentais e um eficiente sistema de transpor- te nacional prepararam o cenário para a grande explosão de produção do início do século XX. Os Estados Unidos criaram e desenvolveram durante século XX as mais populares e utilizadas técnicas de Administração. Mesmo com a hege- monia da Inglaterra no século XIX, o século XX foi marcado pela predominância industrial, políti- ca e econômica dos Estados Unidos, que por um bom tempo foram responsáveis por cerca de 25% do comércio mundial de produtos manufaturados. Mas, embora países como Japão, Alemanha, Fran- ça e outros em menor grau, tenham ameaçado essa posição de destaque, a maior parte do sécu- lo foi marcada pela era norte-americana. 19Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos Com o fim da Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos se tornaram uma grande potência produtiva. A administração da produção começou a aparecer através das indústrias, principalmente na área de gerência, também começaram apare- cendo nas seguintes áreas: Marketing e Finanças. Na década de 60 as áreas industriais começaram a declinar e surgiu a área de serviços na economia americana. Sendo assim, a evolução na Adminis- tração da Produção tornou a gerência industrial mais ampla na área industrial como na área de serviços. Já na década de 70 a Produção se destacou na moderna empresa industrial. Houve um declí- nio norte-americano na produtividade industrial e no comércio mundial de manufaturas, e o cresci- mento do Japão nesse ramo. Com a chegada da década de 80 ocorreu um desequilíbrio industrial entre o Japão e os Estados Unidos, quando o Ja- pão teve grande vantagem ao instalar suas subsi- diárias no território norte-americano. Oportunidades de Trabalho em Administração da Produção: Relacionando a Administração da Produção com Outras Funções do Negócio A Figura 1 demonstra uma lista dos trabalhos em linha e de staff que são vistos como relaciona- dos à função produção. Existem mais especializa- ções de staff em manufatura do que em serviços, devido ao enfoque sobre gestão de materiais e controle. Administração da Produção I20 Administração da produção tornou-se uma disciplina existente em várias escolas de adminis- tração, não por se tratar de uma questão básica de como os bens e serviços são criados, mas por causa dos conceitos desenvolvidos pela adminis- tração da produção aplicados nas diversas áreas funcionais dentro de uma organização. Na Figura 2, existem alguns processos em cada função. 21Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos Os processos estão sendo melhorados con- tinuamente com aplicações de técnicas e de ferra- mentas de Administração da Produção. Além disso, como também é mostrado na figura apresentada anteriormente, cada uma dessas áreas funcionais interage com a função Administração da Produção. Portanto, para se fazer o trabalho correto é de grande importância que os indivíduos possam tra- balhar nessas áreas compreendidas pelos conceitos básicos de administração da produção. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos os conceitos e evolução da adminis- tração de produção e operações. Com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esses assuntos nos seguintes livros: GAITHER, Norman. Administração da Produção e Operações. 8. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. p. 7-11 Neste livro você poderá aprofundar seus conheci- mentos com relação à evolução da administração de produção e operações. MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produção e Operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1998, p. 4-6. Esta literatura aborda sobre os conceitos da adminis- tração da produção, como produtos e serviços. Serve como aprimoramento desses conceitos para um me- lhor entendimento de como uma organização deve atuar como melhoria na produção de uma empresa. Administração da Produção I22 PARA REFLETIR Até agora conhecemos um pouco dos conceitos e da evolução da administração de produção e ope- rações. A tarefa do administrador da produção se baseia em conceitos e história dos antepassados. Que mu- danças dos administradores da produção podem melhorar com essa nova evolução da administração da produção? Contribua no AVA fazendo menção a essas mudanças dos administradores da produção, discutindo com seus colegas também os conceitos e a evolução da administração da produção. 23Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos 1.2 Funções gerenciais na Administração da Produção e Operações Os objetivos das funções gerenciais vão des- de declarações genéricas de intenções para o fu- turo até a descrição das metas a serem atingidas. Iremos explicar as funções gerenciais após a de- monstração dos seus objetivos. Objetivos empresariais Objetivos são propósitos a serem alcançados que apontam o rumo para o planejamento de uma empresa. É a lógica dos critérios de avaliação de re- sultados ou guias básicos que ajudam nas tomadas de decisões, dependendo do ponto de vista. Os pro- gramas e planos operacionais são selecionados com base na sua contribuição aos objetivos. Como exem- plos de objetivos podemos citar: obter lucros maio- res, promover o bem-estar dos empregados, crescer tecnologicamente etc. O tempo é um dos mais importantes aspectos a considerarmos quando falamos de objetivos. Nor- malmente se diz que os objetivos são de longo prazo (quando a duração é igual ou superior a 5 anos), médio prazo (quando a duração é entre 1 e 5 anos) e curto prazo (quando a duração é menor que 1 ano). Auxiliando o tempo podemos também fazer a divisão dos objetivos dentro dos departamentos da empresa, como Financeiro, Produção, Recursos humanos. Após serem estabelecidos os objetivos gerais, estes devem ser transformados em objetivos específicos de cada área (unidade). Devemos tomas alguns cuidados no estabele- cimento dos objetivos como a sua prioridade, tempo e estrutura. Geralmente uma empresa tem mais de Administração da Produção I24 um objetivo, além dos interesses particulares dos in- divíduos que a compõem. Esses indivíduos ajudam a desenvolver, cumprir e alterar os objetivos traçados. O meio ambiente também é um fator de impor- tante relevância hoje em dia. O turnover é excelente exemplo de controle. Antes de uma decisão de de- missão em massa um bom administrador irá pensar não só nos danos financeiros queessa ação pode trazer, mas também na questão motivacional dos ou- tros funcionários que ficam, no andamento produção, na visão que a empresa passa ao mercado e a socie- dade. O pagamento de impostos, obrigação legal da empresa, deve ser levado em conta. Objetivos podem estar em conflitos. Alguns conflitos são difíceis de ser percebidos e exigem uma análise mais criteriosa. Outros ficam bem à vista, como pagar melhores salários e minimizar custos com mão de obra ou reduzir investimentos e desenvolver novas soluções ou produtos. É muito difícil que todos os objetivos da empresa sejam atingidos ao mesmo tempo, geralmente deve-se traçar prioridades para os objetivos a fim de alcançá-los gradativamente. Dife- renciar os objetivos, colocando-os em uma hierarquia, facilita alocar mais recursos nos objetivos prioritários. Funções gerenciais Administração da Produção e Operações visa o Planejamento, a Organização, a Direção e o Controle das operações produtivas, entrando em consonância com os objetivos da empresa. No Planejamento temos a base para todas as atividades gerenciais, estabelecendo as ações que serão seguidas a fim de reali- zar todos os objetivos traçados e informar 25Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos em que momento realizá-los. A função pla- nejamento significa conhecer o futuro da organização definindo o que fazer, como, quando e com que recursos através dos seguintes instrumentos: planejamento es- tratégico, cronograma e orçamento. Na Organização alinhamos os recursos, como mão de obra, matéria prima, equi- pamentos. Essa organização é essencial para executar as ações planejadas. A fun- ção organização significa a compreensão da capacidade ou a ação de tomar as deci- sões através da definição dos recursos e ter responsabilidade com relação ao trabalho individual ou em grupo a fim de atingir os objetivos determinados pela organização utilizando-se dos instrumentos como: esta- tuto, organograma, normatização e descri- ção de cargos e salários. Na Direção cumprimos tudo que foi plane- jado e organizado no papel, definindo os responsáveis por cada ação, e motivamos a equipe. A função direção significa a con- dução e motivação das pessoas em exe- cutarem suas tarefas a fim de alcançarem os objetivos organizacionais, exigindo do gerente a capacidade de coordenar, liderar, analisar processos decisivos e motivar. No Controle é feita a avaliação dos desem- penhos individuais, dos setores, da em- presa como um todo, a fim de tomarmos medidas corretivas se necessárias. A função controle significa comparar o desempenho real, isto é, obter os resultados efetivos Administração da Produção I26 com relação ao desempenho esperado, ou seja, através dos objetivos definirem o planejamento desejado, a depender deve- rão analisar, monitorar, avaliar, estabelecer padrões de desempenho, mensurar resul- tados e fazer a comparação com o desem- penho real. A gestão do terceiro setor e as funções ge- renciais exigem dos gestores o estabelecimento de algumas características em comum que irão compor a função de gerenciar: planejamento estratégico, gerenciamento descentralizado, trabalho em equi- pe e liderança. Segundo Kotler (1975), o planejamento estra- tégico é uma metodologia gerencial que permite es- tabelecer a direção a ser seguida pela organização, visando maior grau de interação com o ambiente. Quando transferimos os poderes dos níveis centrais para os periféricos estamos descentrali- zando o respectivo gerenciamento do mesmo. No gerenciamento descentralizado ocorre da mesma forma, ou seja, são feitas as transferências dos po- deres dos níveis mais altos da organização para os níveis intermediários. O trabalho em equipe é a maneira pela qual as empresas se organizam para que se possa me- lhorar a qualidade do trabalho, bem como desco- brir as vantagens de ter pessoas de todos os níveis trabalhando juntas em equipe. Com isso, os geren- tes aprendem e planejam a qualidade de trabalho. Podemos identificar os processos ou problemas que necessitem de melhora no trabalho e a equi- pe poderá melhorar cada vez mais esses proces- sos ou problemas se discutirem mais sobre esse assunto. Existem empresas que produzem mais ao trabalhar em equipe, enquanto que outras empre- 27Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos sas não produzem tanto por não trabalharem em equipe. Algumas empresas estão estimulando cada vez mais o trabalho em equipe para que se possa encontrar as melhores soluções para os problemas ou processos encontrados por causa de burocracia da própria empresa. Segundo John Garner (1990), liderança é o processo de persuasão, ou de exemplo, através do qual um indivíduo (ou equipes de liderança) induz um grupo a dedicar-se a objetivos defendidos pelo líder, ou partilhados pelo líder e seus seguidores. Já Chiavenatto (1993), define liderança como a influência interpessoal exercida numa situação e dirigida através do processo da comunicação hu- mana à consecução de um ou de diversos objetivos específicos. Segundo o grande guru da administração, Pe- ter Drucker (2002), diz: “A única definição de líder é alguém que possui seguidores. Algumas pessoas são pensadoras. Outras, profetas. Os dois papéis são importantes e muito necessários. Mas, sem se- guidores, não podem existir líderes.” Se tomássemos como exemplo o lançamento de um novo processador pela fabricante Intel, no planejamento teríamos o corpo diretor da empresa analisando as atividades e as ações que seriam tomadas para que fosse introduzido o produto no mercado, bem como os objetivos que deveriam ser alcançados por toda a empresa. Na organização, seriam definidas as equipes que iriam executar todas as atividades planejadas (marketing, ações publicitárias, logística, produção, armazenagem) e alocados os recursos necessários para cumpri-las. A direção seria responsável pelo cumprimento dos prazos, definição dos líderes das equipes de cada ação e motivação para o desenvolvimento das ati- vidades. Administração da Produção I28 Segundo Valentim (2008), abordaremos so- bre as características, os níveis e os tipos de plane- jamento. Segue abaixo uma tabela com a respecti- va abordagem: Características Níveis Tipos Objetivos e metas Estratégico Planejamento Estratégico Meios para atingir os objetivos e as metas Tático Planejamento Tático Métodos operacion- ais e alocação de recursos Operacional Planejamento Operacional O Planejamento e as tomadas de decisões necessárias a ele podem ser classificadas em três níveis de acordo a abrangência dentro da empresa. 1)Nível estratégico O Planejamento e a tomada de decisão são mais amplos e envolvem as políticas corporativas, localizações de novas unidades, novas linhas de produtos etc. Neste nível as decisões são de longo prazo e ocupam altos riscos e incertezas. 2)Nível tático Este nível cuida basicamente dos recursos, alocando-os e utilizando-os da melhor forma, ocor- re geralmente em fábricas com decisões a médio prazo e ocupam médios riscos e incertezas. 3)Nível operacional Este nível cuida de tarefas rotineiras como o controle de estoques ou programação da produ- ção, ocupa riscos relativamente pequenos. 29Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos Resumindo, o planejamento e tomadas de decisões norteiam os recursos (planos táticos) que, por conseguinte age orientando o operacional da empresa. A responsabilidade da alta gerência é tra- çar os objetivos da organização (competitividade, lucro etc.), objetivos esses que afetam a empresa a longo prazo. Nesses casos o planejamento é essen- cial. As decisões da alta gerência são repassadas para a média gerênciaque, por sua vez, tem o pa- pel de cumprir. O planejamento da média gerência é feito em menor tempo, entretanto, esse tempo deve ser direcionado ao maior número de funcio- nários sob esse nível de gerência. Na supervisão as decisões são feitas sobre curtos prazos. Na maior parte do tempo o supervisor está gerenciando os funcionários. Enquanto o Planejamento e a, Orga- nização não são consideradas atividades criticas, o grande esforço é feito pelo controle, que tem como importante função dar notícia do que está acon- tecendo e ligar os três níveis básicos de gerência. Através da figura 3 demonstraremos os tipos de planejamentos. O planejamento Estratégico nada mais é do que a junção dos planos táticos (planejamento fi- nanceiro; planejamento da produção; planejamento Administração da Produção I30 de marketing e planejamento de RH) com os planos operacionais (fluxo de caixa; investimentos; aplica- ções; produção; manutenção; abastecimento; ven- da; propaganda e treinamento). As características do planejamento estratégico são: visualizar os ob- jetivos em longo prazo; envolver a empresa como um todo e a realização e definição são feitas pela gerência da empresa. Os questionamentos num planejamento es- tratégico são: Onde estou atualmente, ou seja, qual a minha situação? Para onde pretendo ir, ou seja, onde que- ro chegar? Como vou fazer, ou seja, decisão das ações? O planejamento Tático tem como principal objetivo aperfeiçoar determinadas áreas. Os níveis organizacionais trabalham através de gerenciais ou departamentos. Trata-se de um processo decisório organizacional em que existe uma estratégia pré- determinada. As características do planejamento tático são: estratégia operacional; aspectos incertos da realidade; alcance mais limitado que o estratégico; planos direcionados as atividades orga- nizacionais; processo permanente; processo contínuo. Segundo Chiavenato (1994), o conceito de planejamento tático representa uma tentativa da organização de integrar o processo decisório e ali- nhá-lo à estratégia adotada, para orientar o nível operacional em suas atividades e tarefas, a fim de 31Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos atingir os objetivos organizacionais anteriormente propostos. Os questionamentos num planejamento táti- co são: O que fazer? Dá para fazer? Vale a pena fazer? Quem faz? Como fazer bem? Funciona? Quando fazer? O planejamento Operacional tem como prin- cipal objetivo preocupar-se com os métodos ope- racionais e alocação de recursos. As características do planejamento operacional são: detalhamento das etapas do projeto; métodos, processos e sistemas aplica- dos; pessoas: responsabilidade, função, ativi- dades/tarefas; equipamentos necessários; prazos; cronogramas. Os questionamentos num planejamento ope- racional são: Quais são os planos que especificam os detalhes de como devem ser alcançados os objetivos organizacionais globais? Como detalhar e analisar o plano? Qual o prazo? Como fazer? (Procedimento, Orçamento, Programação e Regulamento). Administração da Produção I32 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre as funções gerenciais na adminis- tração da produção e operações. Com isso você pode- rá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produção e Operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1998, p. 6-8. O autor aborda sobre as funções gerenciais através de demonstrações onde devem ser aplicadas junto à administração de produção. CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, proces- so e prática. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 1994. p. 522. Demonstra através de exemplos de empresas uma melhor forma de aplicar as funções gerenciais junto à administração de produção. PARA REFLETIR Nesta aula entendemos quais são as funções ge- renciais na administração da produção e operações. Agora que você já conhece sobre planejamento e tomadas de decisões, tente enquadrar qual seria o melhor cenário de uma empresa com relação ao pla- nejamento organizacional de uma empresa. Após responder o questionamento você deverá com- partilhar as opiniões junto ao ambiente virtual e dis- cutir junto de seus colegas e também com o tutor. 33Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos 1.3 O Sistema de Produção Sistema de Produção é o conjunto de ativida- des inter-relacionadas que envolvem a produção de bens e serviços. O sistema de produção é abstrato, porém é extremamente útil para dar uma ideia de totalidade. Os elementos do sistema de produção são: Os Insumos, o Processo de Conversão, os Produtos ou Serviços e o Subsistema de Controle. Os Insumos São os recursos que se transformam em pro- dutos, podemos demonstrar esses recursos como as matérias-primas. Através dos recursos podemos mover os sistemas como a mão de obra, o capital, as máquinas e equipamentos, as instalações, o co- nhecimento técnico dos processos etc. Os insumos podem ser classificados como: Biológicos, Químicos ou Minerais e Mecânicos. Os insumos biológicos compreendem produ- tos de origem animal e vegetal. Exemplos: semen- tes e mudas, algas e outros produtos de origem marinha, adubos verdes, restos de cultura (palhas, Administração da Produção I34 ramos, folhas), resíduos industriais de abate de animais (sangue, pó de chifres, pêlos etc.). Os insumos químicos são provenientes de rochas e também da produção artificial pelas in- dústrias. Exemplos: pós de rochas, fertilizantes al- tamente solúveis, micronutrientes etc. Os insumos mecânicos são provenientes das máquinas e equipamentos agrícolas. Exemplos: tra- tores, equipamentos de irrigação etc. O Processo de Conversão Na manufatura é feita a mudança da matéria- prima, já nos serviços não existe transformação, pois o serviço é criado e não transformado. O serviço através da tecnologia é baseado em conhecimento (know-how) por isso diferencia da manufatura. Os produtos e/ou serviços Podemos considerar como produto tudo que é produzido através da utilização de um insumo ou maté- ria prima. Já o serviço nada mais é do que aquilo que é executado por alguém. Exemplo de produtos: Leite, Car- ne, Móvel, etc. Exemplo de serviço: operador de caixa: opera um caixa de supermercado; faxineiro: limpeza de um condomínio; jardineiro:planta, cuida do jardim. O sistema de controle nada mais é do que o monitoramento das atividades desenvolvidas no sistema de produção. Estas atividades visam asse- gurar o cumprimento das programações e obede- cem padrões de forma eficaz através da utilização de recursos. O sistema de produção não subsiste isola- damente, ele sofre impactos de fora e dentro da empresa que podem impactar em seu desempenho. 35Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos No ambiente externo temos quatro importan- tes fatores como: a) As Condições Econômicas gerais do país. Taxas de juros, disponibilidade de crédi- to, inflação são fatores econômicos que influenciam externamente, podem inibir investimentos, brecar o crescimento ou, a depender do fator, como a inflação baixa, pode ser benéfico. Quando falamos sobre condições econômicas de um país podemos fazer uma comparação do Bra- sil com outros países, aonde o Brasil possui uma carga tributária bastante elevada em relação a ou- tros países. Já nos outros países a qualidade de vida é mais elevada em relação ao Brasil. Por possuir uma grande carga tributária e os recursos serem mal aplicados que deveriam beneficiar mais a população. Podemos observar em que alguns países menores que o Brasil os recursos não são desviados. Isso não ocorre com nosso país.As condições econômicas de cada país não dependem apenas dos tributos, mas de que forma eles são convertidos em objetivos prá- ticos para a população de cada país. Podemos exemplificar através do transporte coletivo que é feito em cada país. No Brasil existe uma decadência da quantidade de ônibus disponí- vel para a população. Já no Canadá o transporte é suficiente para a devida população e o poder aqui- sitivo é bem melhor. b) A Tecnologia. Novas tecnologias ajudam no processo de produção de bens, servi- ços e manufaturas aceleram esses proces- sos por interferirem diretamente, compu- tadores mais modernos, máquinas mais modernas e softwares mais modernos auxiliam os processos tornando-os mais rápidos e mais precisos. Administração da Produção I36 Uma forma de demonstrar tecnologia poderia ser na utilização da produção de camarão de água doce. Com a utilização de tanques a reprodução é feita através da produção de pós-larvas onde são utilizadas tecnologias num ciclo de aproximada- mente 30 dias. A produção de camarão de água doce vem aumentando em virtude dessas novas tecnologias de reprodução em tanques internos ou em tanques-redes que são instalados nos próprios viveiros de engorda. O aperfeiçoamento do proces- so é uma forma pela qual o avanço tecnológico deve ser utilizado através de pessoal qualificado. c) As Políticas e Regulações Governamentais. Políticas governamentais podem estimular ou desestimular a produção, conforme o caso de cada uma delas. Alguns exemplos são as políticas cambiais, a política fiscal e a política monetária. Quando falamos de política cambial primeira- mente precisamos conhecer alguns termos impor- tantes como: câmbio e mercado de câmbio. Câmbio nada mais é do que a troca de moeda nacional por estrangeira. Por exemplo, quando uma pessoa vai viajar para o exterior e precisa de dinheiro para sua estada ou para suas compras o banco vende a essa pessoa moeda estrangeira. Mercado de câmbio é o local onde as operações de câmbio são realizadas por agentes autorizados pelo Banco Central do Bra- sil. Por exemplo, através dos bancos, corretoras, agências de turismos, casas de câmbio etc. A políti- ca de câmbio são as ações feitas pelo governo com relação ao comportamento de mercado de câmbio e a taxa de câmbio. Por isso que existe a oscilação de mercado entre as moedas existente na bolsa de valores. 37Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos Quando falamos de política fiscal nada mais é do que uma forma pela qual é feita a verificação dos gastos efetuados por um determinado governo em exercício, ou seja, fiscalização dos gastos pú- blicos de acordo com o orçamento do governo. Por isso é que existe licitação e uma forma de verificar se foi feito da forma correta a política fiscal é en- carregada de averiguar e fazer e os devidos ajustes caso haja necessidade. Política monetária nada mais é do que o con- trole da oferta da moeda e da taxa de juros. Cada país tem uma política monetária, que depende do regime cambial adotado. Os tipos de regimes são câmbio fixo e câmbio flutuante. No regime de câm- bio fixo o banco central fixa a taxa de câmbio e estabelece o preço inicial de compra e venda da moeda estrangeira. Já no regime de câmbio flutu- ante o banco central deixa o mercado de câmbio estabelecer o preço da moeda estrangeira. O prin- cipal objetivo da política monetária é o bem estar da sociedade. d) A competição. A competição tem fator im- portante na definição de uma empresa no mercado. Ela influencia nas linhas de produtos, nos processos dos sistemas de produção. Processos mais modernos de fabricação de produtos podem afetar pro- jetos de produtos e métodos de produção. É necessário que as empresas se moder- nizem para continuarem no atual mercado competitivo. Podemos demonstrar uma competição entre supermercados por ser uma forma de verificar o que ocorre quando os produtos baixam de valor em virtude da oferta e procura por determinados tipos Administração da Produção I38 de produtos. Um exemplo prático ocorre quando um supermercado oferece preço barato e também cobre o valor do concorrente. A competição é uma forma pela qual os clientes sempre procuram por produtos de boa qualidade com preço baixo. Nor- malmente os supermercados escolhem dias dife- renciados para fazer a devida promoção para alcan- çar altos índices de vendas em determinados tipos de produtos. Alguns supermercados não divulgam os preços através de meios de comunicação e sim através de anúncios feitos no próprio supermerca- do por um determinado período de tempo. Você sabe por que a padaria fica do ou- tro lado do supermercado, ou seja, no final dele? É por causa do forno? Enganou-se. Uma das estratégias de vendas é que o cliente percorra todo o supermercado a após comprar o pão passe por outras seções e também faça a aquisição de outros produtos. É uma forma de demonstrar aos clientes certa quantidade de produtos diferenciados em to- das as seções pelas quais ele tem que passar e de induzi-lo a adquirir alguns produtos que não estão na relação de compras que lhe foi solicitado. Por que existe a fila de pequenas com- pras? Será que é para facilitar a compra de certa quantidade de produtos? Não. Pode-se observar que existem vários produtos nessas filas e normalmente os clientes ou seus respectivos filhos colocam os produtos nos carrinhos de compra. É onde o supermercado ven- de uma grande quantidade de produtos e sempre fica abastecendo para atender à demanda das ven- 39Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos das. Trata-se de uma logística de vendas de produ- tos de pequenos valores. Porque próximo às fraldas de crianças existem bebidas? Normalmente as mães solicitam aos pais para comprar as fraldas, mas como todo bom pai na maioria gosta de tomar uma bebida para assistir um futebol, aproveitam para comprá-las. Essa é uma das estratégias de marketing dos supermer- cados com relação à venda de bebidas e com isso aumentam cada vez mais as vendas. Demonstraremos alguns exemplos de siste- ma de produção: AMBEV (Companhia de Bebidas das Américas) O sistema da AMBEV é feito através da pro- dução contínua em série. A automatização está em torno de 70%. A produção executa as seguintes etapas: recebimento do vasilhame, lavagem, enva- se (colocar o produto no recipiente), arrolhamento e tampa, colocação do rótulo e transporte para en- gradados. A empresa possui muitos equipamentos especializados que proporcionam essa porcenta- gem de automatização onde o restante é feito de forma manual. RENAULT (Montadora de veículos) O sistema da RENAULT é feito através da produção em massa. A automatização é de apenas 25% do processo. Os produtos Scenic e Clio são montados através de linha de produção. Cada li- nha é dividida em 9 minilinhas contendo 2 (duas) unidades elementares de trabalho (UET) cada uma. Normalmente cada UET tem de 6 a 10 operadores. Administração da Produção I40 Está dividida em três etapas de produção: Primeira – carroceria. Segunda – Pintura e Terceira – Forne- cedores na linha de montagem. A primeira etapa (carroceria) é uma linha flexível de produção. Segue através das seguintes etapas: Base rolante (chas- sis), laterais, teto, partes móveis (portas, laterais, tampa traseira, capô e para-lamas). Na segunda etapa (pintura) os produtos devem ficar no piso superior para detectar vazamentos e também evi- tar que sejam alojados nos lençóis freáticos. Cada robô aplica a massa de vedação no cofre do motor. As demais atividades são realizadas em cabines es- terilizadas. Na terceira e última etapa (fornecedores na linha de montagem) é feita a colocação do esca- pamento, rodas, eixos traseiro e dianteiro, cokpit,bancos e painéis das portas. O processo automati- zado utiliza de 15 a 20 robôs. O processo manual é de 75%. Podemos observar que os dois exemplos são sistemas diferentes, um é feito através da produ- ção contínua e o outro através da produção em massa. Observamos que são muito diferentes es- ses sistemas e que cada linha de produção requer uma atenção nos respectivos modelos de sistemas diferenciados. 41Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre o sistema de produção. Com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto no seguinte livro: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1998, p. 8-10. Para um melhor entendimento sobre sistema de produção deverá conhecer um pouco mais sobre seus elementos. Outra referência seria o artigo sobre implantação do Kanban na linha de montagem de sistema e equi- pamentos hidráulicos e eletromecânicos de Vander- lei Faria, Álvaro Azevedo Cardoso e Carlos Alberto Chaves publicado no XIII SIMPEP na cidade de Bau- ru – São Paulo. 2006. Disponível em: <http://www. simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/542.pdf>. Acessível em: 17 de outubro de 2011. Esse artigo demonstra todo um processo de mon- tagem e melhorias para o aumento da capacidade de produção. É uma forma de conhecer todo um processo de uma linha de produção. Administração da Produção I42 PARA REFLETIR Iniciamos nossa aula falando de vários elementos do sistema de produção que são de suma impor- tância para o desenvolvimento do Sistema de Pro- dução. Agora, sua tarefa é pensar um pouco a res- peito desses elementos e analisar quais atividades e operações estão interligadas no envolvimento na produção de bens. Quais desses elementos são de suma importância para o Sistema de Produção? Após responder os questionamentos você deverá compartilhar as opiniões e discutir as reflexões com seus colegas e com o tutor no ambiente virtual. 43Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos 1.4 Tipos de Sistemas de Produção Moreira (1998), define o que é um siste- ma de produção e descreve brevemente seus elementos e suas interações. Apresenta então duas classificações de sistemas de produção. A primeira é denominada Classificação Tradicional e a segunda Classificação Cruzada de Schroeder. Classificação tradicional Os sistemas de produção estão classificados de acordo com a grande variação das técnicas de plane- jamento e gestão da produção. A seguir demonstrare- mos as categorias dos sistemas de produção: a) Sistemas de produção de grandes projetos sem repetição. b) Sistemas de produção contínua. c) Sistemas de produção em lote (por enco- menda). Sistemas de produção de grandes projetos São sistemas que tem uma duração longa e possuem uma sequência de tarefas que se repe- te muito, pouca ou nenhuma vez, sendo que cada projeto é destinado a apenas um produto. Por ser um projeto único, consideramos como duração lon- ga uma característica forte para esse tipo de siste- ma. Exemplos típicos desse tipo de produção são: produção de aviões, navios, grandes estruturas etc. Sistemas de Produção Contínua São sistemas que tem uma sequência linear para fazer o produto ou serviço, também conhecido como fluxo em linha. Normalmente os produtos são Administração da Produção I44 padronizados e possuem uma sequência prevista no processo de manufatura. As etapas do processo são balanceadas evitando problemas com as de- mais etapas de produção. Algumas vezes encontramos esse sistema subdividido em dois grupos: 1) A produção em massa, para linhas de montagens dos produtos mais variados. 2) A produção contínua propriamente dita. Nesse último subgrupo temos as indústrias de processos, como química, papel, aço etc. Os processos contínuos têm tendência a ser automa- tizados, produzindo assim produtos com elevados graus de padronização, tornando diferenciação rara ou não permitida. Os sistemas em fluxo de linha possuem as seguintes características: alta inflexibilidade e gran- de eficiência. Quando falamos de eficiência quere- mos dizer que podemos substituir a mão de obra humana por máquinas e também padronizar o tra- balho restante. Com relação ao alto custo devemos manter por causa dos equipamentos especializados e o grande volume de produção que deve ser man- tido. Fica muito difícil modificar o volume ou a linha de produção devido aos altos custos que nos leva à inflexibilidade do sistema. A produção em massa nada mais é do que a produção das linhas de montagens. Esse tipo de produção tem como característica a larga escala de fabricação de produtos que sofrem alteração míni- ma no grau de diferenciação. Exemplos: automó- veis, fogões, geladeiras etc. A produção em massa ocorre quando são utilizados equipamentos especí- ficos para a produção de um produto final. Na pro- dução em massa pode ocorrer diferenciação, desde que se façam adaptações nas linhas de montagem 45Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos e também que a fábrica dos produtos permita essa alteração. Por fim, devemos pesar alguns fatores cui- dadosamente antes da adoção de um sistema de produção de fluxo em linha, pois além da com- petitividade temos o risco de o produto se tornar obsoleto, o risco das mudanças tecnológicas no processo (que custa caro para se adaptar) ou até a monotonia dos funcionários. Sistema de produção em lote (Intervalos Re- gulares) O sistema de produção onde existam inter- valos regulares pode ser considerado na linha de produção como produção em lote. Ao término de uma produção em lote podem ser feitos ajustes nas máquinas para que se possa começar a nova linha de produção, por isso que chamados esse tipo de produção de intermitente. Exemplo: Fábrica de biscoito, onde é feita a produção de um deter- minado tipo de biscoito e após o término do lote as máquinas são preparadas para um novo modelo e existe todo um ajuste para que se possa começar essa nova linha de produção. Devemos organizar o sistema de produção em lote desde a mão de obra até os equipamen- tos nos centros de trabalho distribuindo por ha- bilidade, operação ou equipamento. Normalmente um produto percorre toda uma trajetória irregular de um centro de trabalho para outro. Na fabrica- ção de produtos distintos as fábricas devem ter equipamentos genéricos, sendo necessário mão de obra especializada para fazer os devidos ajustes nos equipamentos e com isso seja feita a fabrica- ção de novos produtos, com essas modificações a produção mais lenta. Resumindo, apesar de o sistema ganhar em Administração da Produção I46 flexibilidade de produção, ele perde em volume de produção. Este tipo de produção pode ser usado quando a produção é de um volume relativamente baixo. É comum encontrarmos este sistema de pro- dução em empresas de pequenas dimensões ou em produtos em fase inicial de vida. Classificação Cruzada de Schroeder O modelo de classificação cruzada de Schro- eder é considerado como uma tipologia clássica em decorrência de trabalhar apenas a dimensão do processo. A dimensão nada mais é do que o tipo de fluxo, ou seja, como a indústria trabalha todo o processo de um determinado produto através de um fluxo, caso seja tratado como serviço podemos considerar como incompleta. Na classificação cruzada trabalhamos com dois tipos de dimensões: Por ponto de fluxo é semelhante à tipo- logia clássica. Por tipo de atendimento ao consumidor. Na dimensão por tipo de ponto de aten- dimento ao consumidor podemos desta- car os seguintes tipos de sistema: 1. Sistemas orientados para estoque. 2. Sistemas orientados para a enco- menda. Sistemasorientados para estoque Esse sistema tem as seguintes característi- cas: serviço rápido e baixo custo. No sistema orientado a estoque são estrita- mente cruciais, com relação ao gerenciamento de es- toque, a previsão da demanda e o planejamento da capacidade de produção. Com o gerenciamento de 47Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos estoque podemos fazer um planejamento e abastecer o mercado de acordo com a demanda. Na previsão da demanda poderemos prever os meses que estão em baixa de acordo com o produto. Já no planejamento da capacidade de produção poderemos aumentar a pro- dução de acordo com a demanda e o planejamento feito anualmente dentro da empresa através de me- tas estabelecidas pela organização. Toda vez que um produto atingir o estoque mínimo tolerável o sistema deverá informar a falta do mesmo para que a gerência de estoque tome as devidas providências para tentar sanar o controle de vendas de um produto. Os pedidos devem ser atendidos em função do estoque e da capacidade de produção atual da organização, tornando difícil identificar cada cliente para atender a demanda. Algumas medidas devem ser tomadas caso o produto venha a faltar para o cliente. Com isso deverão entrar em contato com o mesmo para informar o prazo de entrega do produ- to em virtude do estoque ter zerado. Em resumo, o objetivo maior é atender ao cliente com o mínimo possível de custo. Sistemas orientados para a encomenda Já nesse sistema a principal característica é a flexibilidade do cliente com relação à escolha do produto por um preço menor. Neste processo orientado à encomenda suas operações são ligadas diretamente com o cliente, onde são discutidos o preço e o prazo de entrega do produto. Numa situação como essa é feita toda uma estimativa para que o cliente saiba quando irá receber a mercadoria de acordo com o que foi solicitado. Com isso a empresa terá um acompa- nhamento interno que deverá se basear em pa- râmetros dos pedidos de entrega dos clientes e respectivo prazo. Administração da Produção I48 Os exemplos da classificação cruzada devem atender, ao mesmo tempo, aos requisitos das duas dimensões. O quadro abaixo mostra alguns casos, tanto na área industrial quanto de serviço. Plossl (1993), com um enfoque pragmático, afirma que do ponto de vista gerencial a classifica- ção mais útil é por tipo de produção: Fabricado sob medida ou pedido (poucos de um tipo). Lote ou intermitente (muita variedade, volume reduzido). Processo ou contínuo (pouca variedade, grande volume). Repetitivo (pouca variedade, grande vo- lume). Controlada – rigidamente regulamentada pelo governo (alimentos, produtos farma- cêuticos, serviços públicos). Tubino (1997) discute de maneira mais ampla as classificações dos sistemas de produção, iden- tifica o critério que serve de base para três delas: a) pelo grau de padronização sistemas que produzem produtos padro- nizados: bens ou serviços que apresen- tam alto grau de uniformidade e são pro- duzidos em grande escala; 49Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos sistemas que produzem produto sob me- dida: bens ou serviços desenvolvidos para um cliente específico; b) pelo tipo de operação processos contínuos: envolvem a produ- ção de bens ou serviços que não podem ser identificados individualmente; processos discretos: envolvem a produ- ção de bens ou serviços que não podem ser isolados, em lotes ou unidades, e identificados em relação aos demais. Po- dem ser subdivididos em: processos re- petitivos em massa, processos repetitivos em lote, processos por projeto; c) pela natureza do produto manufatura de bens: quando o produto fabricado é tangível; prestador de serviços: quando o produto gerado é intangível. Slack (1999) apresenta um modelo de trans- formação que nada mais é do que a aplicação da teoria de sistemas à análise dos sistemas de pro- dução. Depois de descrever detalhadamente cada um de seus elementos, apresenta uma classificação cruzada em função dos tipos de recursos a serem transformados e dos tipos de processos de trans- formação. (ver Figura) Administração da Produção I50 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre os tipos de sistemas de produção. Com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produção e Operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1998, p. 10- 13. Com essa leitura você terá um melhor entendimento sobre os tipos de sistemas de produção. Nessa obra o autor faz algumas demonstrações sobre os mesmos. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Ope- rações. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 2-15 Aprofundamento sobre o assunto abordado neste ca- pítulo através de exemplos sobre cada tipo de siste- ma de produção. PARA REFLETIR Uma organização que trabalha com sistema de pro- dução deve crescer e desenvolver os procedimen- tos de produção, e trabalhar sempre de forma orga- nizada de acordo com sua classificação. Nesta aula abordamos sobre os tipos de sistema de produção. Qual seria o melhor tipo de sistema de produção para uma empresa do ramo alimentício? Que reco- mendações você faria para que a empresa pudesse melhorar cada vez mais a eficiência do sistema de produção? Após responder os questionamentos você deverá compartilhar as opiniões e discutir as reflexões com seus colegas e com o tutor no ambiente virtual. 51Tema 1 | Fundamentos, Conceitos Básicos e Aspectos Técnicos RESUMO No conteúdo 1.1 vimos sobre conceitos, diferença entre produto e serviços e a evolução da admi- nistração de produção e operações, ou seja, um aprofundamento sobre o assunto de produtos e serviços para uma melhor compreensão teórica do administrador no ramo da produção, como também a evolução da administração da produção. No conteúdo 1.2 vimos sobre as funções gerenciais da administração da produção, ou seja, uma abor- dagem sobre planejamento, organização, direção e controle que são complementos das funções geren- ciais do administrador da produção. Também abor- damos sobre os tipos de planejamentos: Estratégi- co, Tático e Operacional. No conteúdo 1.3 estudamos sobre o sistema de produção que está relacionado ao conjunto de ati- vidades que envolvem a produção de bens e ser- viços. Também abordamos sobre os respectivos elementos de produção: insumos, processos de conversão, os Produtos ou Serviços e o Subsistema de Controle. No conteúdo 1.4 conhecemos um pouco mais sobre os tipos de sistemas de produção que são: Siste- mas de produção de grandes projetos sem repeti- ção; Sistemas de produção contínua e Sistemas de produção em lote (por encomenda). Estratégia da Produção2 Uma organização pode planejar todos os aspectos de suas ações atuais ou futuras, mas as organizações necessitam de alguma direção estratégica, podendo beneficiar-se ao saber para onde es- tão se dirigindo e como podem chegar. Quando a função produção entender seu papel dentro do negócio e determinar seus objetivos de desempenho, poderá formular um conjunto de princípios gerais para que possa guiar o processo de tomada de decisões. A Figura 6 a seguir mostra a relação das ideias descritas com o modelo geral de gestão de produção. Administração da Produção I54 2.1 - Conceito Estratégia é o padrão global de decisões e ações que influencia a direção de longo prazo de uma organização. (SLACK et al., 2009) Decisões estratégicas significam as decisões que: Têm efeito abrangente na organização à qual a estratégia se refere. Definem a posição da organização relati- vamente a seu ambiente. Aproximam a organização de seus objeti- vos delongo prazo. Estratégia da produção Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), a estratégia da produção refere-se ao padrão de decisões e ações estratégicas que define o papel, os objetivos e as atividades da produção. Como pode a produção, um assunto geralmente ligado à criação e entrega diária de bens e serviços, ser es- tratégica? As atividades de rotina diárias são opos- tas à estratégia. Produção ou operação não são sinônimos de operacional. Produção ou operação são os recursos que criam produtos ou serviços. Operacional é o oposto de estratégico, significando atividades diárias e detalhadas. Portanto, podemos examinar tanto os aspectos operacionais como os estratégicos das operações. Existe distinção entre conteúdo e o processo da estratégia da produção. O papel, os objetivos e as atividades de produção estão relacionados com o conteúdo da estratégia da produção através de decisões e ações específi- cas. O método que produz as decisões específicas de conteúdo é o processo da estratégia da produ- 55Tema 2 | Estratégia da Produção ção. Segue algumas perspectivas da estratégia da produção (Slack et al., 2009): A estratégia da produção é um reflexo de cima para baixo (top-down) do que o gru- po ou negócio todo deseja fazer; A estratégia da produção é uma ativida- de de baixo para cima (bottom-up), em que as melhorias da produção cumulati- vamente constroem a estratégia; A estratégia da produção envolve a tradu- ção dos requisitos do mercado em deci- sões da produção; A estratégia da produção envolve a ex- ploração das capacidades dos recursos da produção em mercados eleitos. Nenhumas dessas perspectivas sozinhas dão uma visão geral do que seja a estratégia de pro- dução. Juntas fornecem uma ideia das pressões em jogo para formar o conteúdo da estratégia da pro- dução. (veja a Figura) Administração da Produção I56 Desenvolvendo uma estratégia de operações orientada para cliente Uma estratégia corporativa coordena os obje- tivos gerais da empresa com seus processos essen- ciais para o desenvolvimento de uma estratégia de operações orientadas para o cliente. (veja a Figura) A estratégia corporativa faz uma análise de mercado para categorizar os clientes da empresa, identificando suas necessidades e avalia as forças dos concorrentes. Para se desenvolver as priori- dades competitivas os gerentes desenvolvem ser- viços ou produtos para que as empresas possam se tornar mais competitivas no mercado. As com- petências da empresa devem priorizar e verificar qualquer falha de desempenho como sendo uma estratégia de operação. 57Tema 2 | Estratégia da Produção Estratégia Corporativa A estratégia corporativa nada mais é do que uma direção na qual serve a estrutura para que sejam realizadas todas as funções da organização. São três considerações que desenvolvem uma es- tratégia corporativa: 1. efetuar controles e ajustes em função de mudanças no ambiente empresarial; 2. identificar e desenvolver as capacitações essenciais da empresa; 3. desenvolver os processos essenciais da empresa. Investigação do ambiente É o processo pelo qual os gerentes monito- ram as tendências do ambiente, podendo ser na indústria, no mercado ou na sociedade na busca de oportunidades ou ameaças potenciais. Por exem- plo, as montadoras de automóveis reconhecem que a diminuição das reservas de petróleo exigirá o uso de combustíveis alternativos. Por consequên- cia, elas têm desenvolvido protótipos de carros que utilizam hidrogênio ou eletricidade para substituir a gasolina como combustível. Competências essenciais Segundo Krajewski et al. (2009), são os re- cursos e pontos fortes exclusivos que a gerência de uma organização considera ao formular estratégias. As competências refletem o conhecimento coletivo da organização, principalmente de como coordenar processos e integrar tecnologias. Segue algumas competências: 1. Equipe de trabalho – nada mais é do que quando uma equipe está bem preparada para atender as necessidades de sua or- ganização no que diz respeito a atender o mercado de trabalho em tempo hábil. Administração da Produção I58 2. Instalações – tem que existir uma boa lo- calização e ter vantagens em relação à construção de novas instalações. 3. Know-how mercadológico e financeiro – uma boa otimização de seu capital no mercado de ações proporcionará uma co- mercialização de seus produtos e serviços. 4. Sistemas e tecnologias – quando uma empresa possui um excelente sistema de informações terá como acompanhar a produção e se destacará no mercado mais rapidamente qualidade e rapidez na produção em massa. Como exemplo te- mos o setor bancário. O domínio de tec- nologias e aplicações de internet, como os sistemas B2C (business-to-consumer) e B2B (business-to-business) é muito vantajoso no mercado competitivo. Processos essenciais São as competências essenciais de uma em- presa que determinam os processos essenciais. Se- gue alguns processos essenciais: relacionamento com o cliente; desenvolvimento de novos serviços ou produtos; atendimento de pedido; e relaciona- mento com fornecedores. Por exemplo, normalmen- te um jornal atraía a leitores e patrocinadores (rela- cionamento com o cliente). Ele desenvolvia a maior parte de seu produto – as notícias impressas em suas páginas (desenvolvimento de novo serviço ou produto) e administrava seus próprios processos de produção, entrega e suprimentos (atendimento de pedidos e relacionamento com fornecedores). As empresas sempre precisam avaliar suas compe- tências essenciais e concentrar os processos que proporcionam maior força competitiva. 59Tema 2 | Estratégia da Produção Demonstraremos um exemplo de estratégia de operações na prática. Ryanair Ryanair é a maior empresa aérea de baixo cus- to (LCA-low-cost airline) da Europa. Ao operar com tarifas baixas, usando uma fórmula sem luxo, com mais de 1.700 funcionários e uma frota crescente de aeronaves Boeing 737 (cerca de 50), oferece serviços entre mais de 70 rotas em 13 países pela Europa. Opera de sua sede em Dublin e transporta cerca de 12 milhões de passageiros por ano. A empresa cresceu oferecendo serviços básicos de custo baixo e criou uma estratégia de operações alinhada com sua posição de mercado. A eficiência das operações da empresa aérea apoia sua posição no mercado de baixo custo. Mantém-se o mínimo de tempo de espera da aeronave nos aeroportos. Além disso, a empresa, geralmente, usa aeroportos se- cundários que cobram taxas de pouso e decolagem menores. Finalmente, o custo de venda do serviço é reduzido onde possível. A Ryanair desenvolveu seu próprio serviço de reservas via internet a baixo custo. Adicionalmente, as experiências diárias dos gerentes de operações da empresa podem modifi- car ou refinar essas decisões estratégias. A política da empresa em serviço ao consumidor também é clara “Nosso serviço ao consumidor”, afirma Michael O’Leary, “é um dos mais bem definidos do mundo. Garantimos o menor preço em passagens aéreas. For- necemos um voo seguro. Fornecemos, geralmente, um voo pontual. Esse é o pacote. Não vamos dar e não damos nada mais. Vamos desculpar-nos pela fal- ta de serviço ao consumidor? Absolutamente não. Se um voo é cancelado, ofereceremos estada em hotel para o passageiro? Absolutamente não. Se um voo é cancelado, oferecemos um vale para refeições? Abso- lutamente não”. Administração da Produção I60 Estratégias Globais Para uma perspectiva global devemos iden- tificar as oportunidades e ameaças de mercado. A estratégia global pode ser desde a compra de servi- ços ou peças no exterior, como combater ameaças dos concorrentes estrangeiros. Podemos demons- trar duas estratégias globais eficazesa seguir: Alianças estratégicas Localização no exterior Alianças estratégicas A aliança estratégica é criada através do in- gresso em mercado estrangeiro. Podemos dizer que aliança estratégica nada mais é do que um acordo realizado com outra empresa que poderá assumir essa empresa no mercado global. Existem algumas formas de aliança estratégi- ca que são: esforço colaborativo, joint venture e o licenciamento da tecnologia. O esforço colaborativo nada mais é do que as competências essenciais necessárias para desenvolver a empresa no merca- do global. A joint venture é a produção do mesmo produto ou serviço em conjunto. Já o licenciamento da tecnologia é quando uma empresa licencia os métodos de produção ou de serviços da outra. Localização no exterior Sediar as operações num país estrangeiro ao ingressar nos mercados globais. Por exemplo, o McDonald’s é conhecido pela consistência de seus produtos – um Big Mac possui praticamente as mesmas características e sabor em qualquer lugar do mundo. A experiência do McDonald’s demonstra as estratégias corporativas em que se levam em conta costumes, preferências e condições econômi- cas em outros países. 61Tema 2 | Estratégia da Produção INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre a estratégia da produção, con- ceitos, estratégias. Com isso você poderá se apro- fundar um pouco mais sobre esses assuntos nos seguintes livros: SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Rob- ert. Administração da Produção. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 59-61. Conheça um pouco mais sobre a estratégia da pro- dução e aperfeiçoando como a empresa possa me- lhorar cada vez mais sua estratégia. RITZMAN, Larry P.; KRAJEWSKI, Lee J.; MALHOTRA, Manoj. Administração de Produção e Operações. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 36-56. Esse livro traz muitas informações e exemplos de organizações que tendem a melhorar cada vez mais sobre a estratégia da produção. PARA REFLETIR Até agora conhecemos um pouco da Administração da Produção, o que se entende por estratégia, es- tratégia da produção, perspectivas de estratégias e estratégia corporativa. A tarefa do administrador da produção na área es- tratégia não é nem um pouco fácil e exige vários desafios a vencer. Qual(is) seria(m) a(s) grande(s) preocupação(ões) dos administradores da produ- ção no que diz respeito à estratégia? Como fazer Administração da Produção I62 para enfrentá-las e obtermos êxito? Sugiro que suas opiniões sejam compar- tilhadas junto ao AVA para um melhor aprendizado sobre a estratégia com seus colegas. Há, também, a possibilidade de um de- bate, junto ao tutor, sobre esse questionamento. 2.2 Conteúdo da Estratégia de Produção – Perspectiva top-down e bottom-up A seguir estaremos fazendo uma abordagem sobre a perspectiva top-down e bottom-up com re- lação à estratégia de produção. A perspectiva “de cima para baixo” (top-do- wn) nos leva a verificar que toda empresa tem a necessidade de possuir uma estratégia para colo- car-se no ambiente global, econômico, político e social. As decisões consistem nos tipos de negó- cios em que o grupo deve investir, deve operar e empregar o capital de giro da empresa e assim por diante. As decisões formam a estratégia corporativa da empresa. Cada departamento da empresa tem a necessidade de desenvolver sua própria estratégia de negócios e de estabelecer sua missão e objeti- vos individuais. A estratégia de negócios nada mais é do que um guia para a empresa com relação a seus consumidores, mercados e concorrentes. Já as estratégias funcionais são consideradas como parte de cada função, devendo desempenhar para que os objetivos estratégicos da empresa sejam alcança- dos. Dentre as funções de produção, o marketing, o desenvolvimento de produto/serviço e outras fun- ções precisaram organizar e definir a melhor forma de apoiar os objetivos da empresa. 63Tema 2 | Estratégia da Produção Portanto, um ponto importante é que a es- tratégia da produção tome seu lugar na hierarquia de estratégias. Sua influência será tudo aquilo que a empresa entender como direção estratégica. Por exemplo, um grupo de serviços de impressão pos- sui uma empresa que imprime embalagens para produtos de consumo. Os dados da administração do grupo indicam que, a longo prazo, somente em- presas com uma significativa parcela do mercado obterá lucratividade substancial. Seus objetivos corporativos, dessa forma, enfatizam o domínio do mercado. A empresa de embalagens para produtos de consumo decide obter crescimento de volume, acima da lucratividade de curto prazo ou do retor- no sobre o investimento. A implicação para a estra- tégia da produção é que ela necessita expandir-se rapidamente, investindo em capacidade extra (fá- bricas, equipamentos e mão de obra), mesmo que isso signifique alguma capacidade excedente. Tam- bém necessita estabelecer novas fábricas em todas as partes de seu mercado para oferecer entrega relativamente rápida. O ponto importante aqui é que objetivos de negócios diferentes provavelmen- te resultariam em uma estratégia da produção mui- to diferente. O papel da produção é, dessa forma, largamente o de implementar ou “operacionalizar” a estratégia da empresa. A Figura a seguir ilustra essa hierarquia es- tratégica, com algumas das decisões em cada nível e as principais influências sobre as decisões estra- tégicas. Administração da Produção I64 A perspectiva de “baixo para cima” (bottom-up) A perspectiva “de cima para baixo” demons- tra uma visão ortodoxa onde as estratégias funcio- nais definem como devem ser montadas. Os níveis de hierarquia da estratégia são mais complexos que os relacionamentos entre os níveis. O mode- lo hierárquico não representa a maneira como as estratégias são formuladas. Sempre os grupos revi- sam as estratégias corporativas devido às circuns- tâncias, experiências e capacidades das várias em- presas que a compõem. As empresas consultam as funções individuais dentro da empresa sobre suas restrições e capacidades de forma similar às revi- sões estratégicas. As empresas também incorporam as ideias das experiências diárias de cada função. As ideias estratégicas surgem da experiência opera- cional de uma visão de cima para baixo de acordo com as alternativas decorrentes nas empresas. 65Tema 2 | Estratégia da Produção Algumas vezes as empresas se preocupam com o fornecimento de produtos e serviços aos consu- midores no nível operacional em fazer a coisa certa numa direção estratégica particular. Nas opções es- tratégicas não devemos decidir, mas a melhor esco- lha deve ser feita pelo escalão mais alto ao exami- nar e escolher a melhor saída. Normalmente o nível operacional da organização elege num consenso. O consenso do processo decisório estratégico vem do “alto nível” que fornece recursos para fazer acontecer efetivamente. A empresa de embalagens demonstrada ante- riormente foi bem-sucedida no plano de expansão. Para possuir capacidade excedente deverá espalhar a rede através de fábricas que permitam um serviço excepcional para os consumidores. A empresa deverá ter experiência para estabelecer uma divisão sepa- rada com o fornecimento de serviços de impressão de margens altas para os que estiverem dispostos a pagar. A alta lucratividade irá depender dos objetivos estratégicos dessa nova divisão que não diz respeito ao crescimento de alto volume. Segundo Slack (2009), estratégias emergentes são as experiências do nível operacional ao longo do tempo que demonstram ideias de estratégia (veja a Figura 10). A estratégia se molda com o tempo e com experiências de vida real ao invés de posicio- namento teórico. As estratégias são relacionamentos fragmentados e não estruturadosno qual refletem o futuro imparcial, desconhecido e imprevisível. A visão estratégia de produção demonstra as coisas realmen- te como acontecem, mas parece ser menos útil em fornecer um guia para o processo decisório específico. Mesmo assim, as estratégias emergentes são menos fáceis de serem classificadas, pois o princípio que go- verna a perspectiva de baixo para cima é claro em moldar os objetivos e as ações da produção pelo co- nhecimento adquirido das atividades diárias. Administração da Produção I66 Abordagens Top-Down e Bottom-Up Segundo Lapide (1998), a abordagem top- down a previsão de vendas é feita com a soma de todos os itens, ou seja, item-a-item com base no percentual histórico do item no total. Na abordagem bottom-up temos uma previ- são inicial do agregado e posteriormente fazemos o rateio dos itens conforme proporção histórica. Já na abordagem top-down podemos cancelar a agregação dos itens caso ocorra picos e vales característicos. Também na abordagem bottom-up é feita uma previsão direta de cada item e depois é feita a junção por família/grupos de produtos ou por regiões. Segundo Gelly (1999), a abordagem top- down mostrou-se mais adequada para itens que possuem um padrão de vendas previsível ao lon- go do tempo. 67Tema 2 | Estratégia da Produção Na abordagem bottom-up a previsão de venda é feita por cada item e os centros de distri- buição são responsáveis pela montagem desses itens, ou seja, a fábrica envia os itens produzidos e os centros de distribuição montam as peças. Na figura apresentamos um modelo de uma abordagem bottom-up. Os centros de distribui- ção têm total autonomia para realizarem a previ- são de vendas de um determinado produto, ou seja, a fábrica recebe as ordens de produção e as remete para os centros de distribuição. Na abordagem top-down conhecida como abordagem analítica, a previsão de venda é feita para o grupo ou família de produtos e depois de- sagregada para cada item, ou seja, a venda é feita em série consolidada e a separação dos itens é feita pelas distribuidoras dos produtos. Na figura a seguir apresentamos um mode- lo de uma abordagem top-down. Os centros de distribuição não têm autonomia para realizarem a previsão de vendas de um determinado produto, ou seja, a fábrica encaminha os itens de produção e a separação dos itens são feitas pelos centros de distribuição. Administração da Produção I68 A seguir as vantagens e desvantagens das abordagens Top-Down e Bottom-Up: Vantagens da Abordagem Top-Down Controle de distribuição dos produtos para os respectivos centros de distribui- ção são feitos pela fábrica. Previsão da linha de produção depende da fábrica, ou seja, caso queira aumen- tar a produção para atender a demanda, será feita uma programação para atender a demanda. Desvantagens da Abordagem Top-Down Demora na entrega dos produtos para os centros de distribuição por parte da fá- brica. Dependerá da linha de produção para atender à demanda dos clientes. Vantagens da Abordagem Bottom-Up Os centros de distribuição têm total auto- nomia para fazerem os pedidos. Os centros de distribuição planejam as vendas de acordo com a demanda. 69Tema 2 | Estratégia da Produção Desvantagens da Abordagem Bottom-Up Sobrecarregar a fábrica com esses pedi- dos em excesso para atender os clientes. Demora na entrega dos pedidos feitos pelos centros de distribuição. A seguir um exemplo de uma abordagem Top-Down: Uma empresa A produz uma quantidade de 50.000 produtos por mês para atender a de- manda dos centros de distribuição de acordo com o planejamento estratégico da empresa. A empre- sa possui três centros de distribuição que recebem mensalmente certa quantidade de produtos feitos por essa fábrica. O centro de distribuição X recebe mensalmente 15.000 produtos por mês, o centro de distribuição Y recebe mensalmente 25.000 pro- dutos por mês e o centro de distribuição Z recebe 10.000 produtos por mês. Desta forma é feita a distribuição dos produtos de acordo com o plane- jamento feito pela fábrica para atender a demanda dos centros de distribuição. Caso ocorra que um centro de distribuição necessite de um aumento em seu pedido mensal a fábrica terá que rever como poderá atender a respectiva demanda. Já na abordagem Bottom-Up: Uma empresa B produz uma quantidade de 100.000 produtos por mês para atender a demanda dos centros de distri- buição e sempre verifica os novos pedidos para de- tectar se sofreu alguma alteração para que a mesma faça uma programação para atender a demanda. A empresa possui quatro centros de distribuição que recebem mensalmente certa quantidade de produ- tos feitos por essa fábrica. O cento de distribuição W recebe mensalmente 25.000 produtos por mês. O centro de distribuição T recebe mensalmente 15.000 produtos por mês. O centro de distribuição U recebe mensalmente 20.000 produtos por mês Administração da Produção I70 e o centro de distribuição S recebe mensalmente 50.000 por mês. Desta forma é feita a distribuição dos produtos de acordo com os pedidos feitos pe- los centros de distribuição. Caso ocorra que um centro de distribuição faça um pedido maior que o planejamento mensalmente a fábrica terá que rees- truturar a linha de produção para atender a deman- da, podendo verificar junto aos outros centros de distribuição se tiveram uma sobra do produto para atender ao pedido desse centro. A fábrica deverá ficar sempre de prontidão em atender a demanda dos centros de acordo com os pedidos feitos men- salmente que poderão sofrer alterações de acordo com a demanda de cada centro de distribuição. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Esta leitura lhe possibilitará complementar o assun- to abordado neste capítulo. Abordamos sobre a perspectiva Top-Down e Bottom up. Com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes livros: SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Rob- ert. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 61-64. Esse livro demonstra alguns exemplos sobre a perspectiva Top-Down e Bottom up para um melhor entendimento sobre esse assunto. Uma outra referência seria o artigo sobre: WANKE, Peter. Previsão top-down ou bottom-up? Impacto nos níveis de erro e de estoques de segu- rança. Gest. Prod., São Carlos, v. 15, n. 2, p. 231- 71Tema 2 | Estratégia da Produção 245, maio-ago. 2008. Disponível em: < http://www. scielo.br/pdf/gp/v15n2/a03v15n2.pdf>.Acessado em: 17 de outubro de 2011. Esse artigo demonstra uma abordagem de vendas numa previsão top-down ou botton-up e demons- tra os níveis de erro e de estoque de segurança. PARA REFLETIR Discuta com seus colegas no ambiente AVA so- bre essas duas perspectivas e faça uma reflexão para saber qual seria a melhor empregada dentro de uma organização. As perspectivas Top-Down e Bottom-up são muito importantes para uma orga- nização. Então, formule sua opinião e debata com seus colegas. Administração da Produção I72 2.3 Conteúdo da Estratégia de Produção – Perspectiva dos Requisitos do Mercado e dos Recursos da Produção A perspectiva dos requisitos do mercado O principal objetivo de uma empresa é sa- tisfazer o mercado que está tentando servir a seus clientes. Caso a empresa apresente falhas continu- amente ao servir o mercado de forma adequada, tem chance de sobreviver em longo prazo. A função de marketing é muito importante para a administra- ção da produção, pois é o departamento que mais compreende o mercado. A prioridade entre os ob- jetivos de desempenho devem ser compreendidos de acordo com as operações de mercado, pois o mercado requer qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custo. Por exemplo, o casobreve sobre a Giordano descreve uma empresa que dese- nhou suas operações para servir a um mercado que estava começando a valorizar qualidade de serviço. Caso breve Giordano Com uma visão que explicitamente estabele- ce sua ambição de ser “a melhor e maior marca do mundo no varejo de roupas”, Giordano estabelece seus horizontes em um patamar elevado. Dado que essa é a empresa que mudou as regras no vare- jo de roupas em mercados crescentes como Hong Kong, China, Malásia e Cingapura, os especialistas da indústria levam tais ambições a sério. Antes da Giordano, lojas sofisticadas ven- diam produtos de qualidade e ofereciam um bom serviço. Roupas mais baratas eram empilhadas e vendidas por assistentes de vendas mais preocu- 73Tema 2 | Estratégia da Produção pados em ganhar algum dinheiro do que sorrir para os clientes. Jimmy Lai, fundador e presidente execu- tivo da Giordano Holdings, mudou tudo isto. Ele per- cebeu que qualidade imprevisível e níveis de serviço baixos ofereciam uma oportunidade no mercado de roupas despojadas. Por que não poderiam valor e serviço, juntamente com preço baixo, gerar maiores lucros? Seus métodos eram radicais. De um dia para o outro ele aumentou o salário de seus funcionários de vendas entre 30% e 40%; todos foram informa- dos que receberiam pelo menos 60 horas de treina- mento por ano e que um novo cargo seria alocado entre os funcionários mais experientes, o de “irmão mais velho” ou “irmã mais velha”, para ajudar os funcionários mais novos a desenvolver habilidades referentes à qualidade de serviço. Ainda mais chocante, considerando o padrão dos concorrentes, foi a introdução de uma política de troca de mercadorias baseadas em “nada de pergun- tas”, em que se efetuam trocas independentemente da data de compra da mercadoria. Os vendedores foram treinados para conversar com os clientes e ouvir suas opiniões sobre os produtos e tipos de serviços desejados. Essa informação seria imediata- mente repassada para os estilistas da empresa para que fosse incorporada em novos produtos. Atualmente, Giordano alcança a maior taxa de vendas por metro quadrado no mercado varejis- ta de roupas na região e seus princípios básicos em operações são resumidos na lista abaixo: Qualidade – fazer as coisas certas. Conhecimento – atualizar a experiência e compartilhar o conhecimento. Inovação – pensar “fora da caixa”. Simplicidade – menos é mais. Serviço – exceder as expectativas do con- sumidor. Administração da Produção I74 Influência do consumidor nos objetivos de desempenho A produção se preocupa em satisfazer seus clientes e desenvolver os objetivos de desempenho. Por exemplo, se a produção dá ênfase no seu de- sempenho com relação ao custo, provavelmente os consumidores irão valorizar os produtos ou serviços de baixo preço. De forma alternativa, se a ênfase dos consumidores concentrar-se em entrega rápida, o critério velocidade tornar-se-á importante para a produção, e assim por diante. Fatores competitivos nada mais são do que as exigências dos clientes. A Figura 13 mostra a relação entre alguns fa- tores competitivos mais comuns e os objetivos de desempenho da produção. O ponto importante é que os fatores competitivos valorizados por consu- midores irão influenciar a prioridade de cada obje- tivo de desempenho. 75Tema 2 | Estratégia da Produção Objetivos qualificadores e ganhadores de pedidos Para que se possamos determinar a importân- cia dos fatores competitivos primeiro precisamos sa- ber distinguir entre os fatores “ganhadores de pedi- dos” e os “qualificadores”. Para uma boa contribuição com relação a um negócio devemos seguir alguns cri- térios no que diz respeito a pedido. As razões chaves para comprar o produto ou serviço são considera- ções feitas pelos consumidores. O desempenho é um dos critérios ganhadores de pedidos por resultar um aumento de pedidos ou a melhora da probabilidade de ganhar mais pedidos. Ao comentarmos sobre os critérios qualificadores podemos verificar que são im- portantes de uma forma por não serem determinados como sucesso competitivo. O nível que determina o aspecto de competição deve estar acima de um ní- vel determinado pelo desempenho da produção e ser bem considerado pelo cliente. Porém, um benefício competitivo é bem relevante em relação aos fatores qualificadores. A Figura 14 mostra a diferença entre os critérios ganhadores de pedidos, os qualificadores e os menos importantes em termos de sua utilidade ou valor para a competitividade da organização. O grau relativo de competitividade poderá ser apresentado através de curvas à medida que o desempenho da produção varia no critério. Quando houver um aumento cons- tante nos critérios ganhadores de pedidos significará que a competição está sendo aperfeiçoada cada vez mais em relação à operação. Já os fatores qualifica- dores são nada mais que dados que são esperados pelos clientes e são representados através de uma desvantagem com relação à competição da operação quando o desempenho não estiver acima do nível qualificador. Com isso seus objetivos têm menos im- pacto em relação aos consumidores e não importa o desempenho da produção. Administração da Produção I76 Influência do ciclo de vida do produto/serviço nos objetivos de desempenho Através do ciclo de vida dos produtos ou serviços podemos observar o comportamento de clientes e concorrentes. Nas curvas de ciclo de vida do produto/serviço será demonstrada a variação do volume de venda ao longo dos quatro estágios: in- trodução, crescimento, maturidade e declínio.(Veja a Figura 15) 77Tema 2 | Estratégia da Produção Etapa de introdução – é a apresentação de um produto ou serviço como algo novo em termos de seu projeto ou desempenho que os concorrentes estão oferecendo. Estágio de crescimento – Os concorrentes come- çam a entrar no mercado crescente à medida que o volume cresce. A produção se preocupa em acompa- nhar a demanda. A empresa mantém sua participação no mercado à medida que a concorrência começa a aumentar desde que se tenha uma resposta rápida e confiável para manter os níveis de demanda atendidos. Estágio de maturidade – Com a demanda esta- bilizada, alguns concorrentes terão deixado o merca- do e abrirão o domínio para poucas empresas maio- res. Com isso a produção reduz seus custos com o intuito de manter os lucros ou permitir a redução de preços ou ambos. Já as principais preocupações da operação são as questões de custo e produtividade junto ao fornecimento confiável. Estágio de declínio – Com o tempo as vendas diminuirão e os concorrentes provavelmente começa- rão a sair do mercado. Pode haver um mercado resi- dual, mas, a menos que haja escassez de capacidade, o mercado continuará a ser dominado por concorrên- cia em preços. Os objetivos da produção ainda serão dominados pelo custo. A perspectiva dos recursos da produção Essa perspectiva é baseada em uma teoria par- ticularmente influente em estratégia de empresas – a visão baseada em recursos (RBV – resource-based view) da empresa. A visão está baseada em recursos sustentáveis que as empresas usam como desempe- nho estratégico “acima da média”. A grande vantagem é a competição sustentável devido às competências ou capacitações centrais de seus recursos. Desta for- ma, as empresas herdam, adquirem ou desenvolvem Administração da Produção I78 seus recursos de produção em longo prazo e com impacto significativo em seu sucesso estratégico. Por- tanto, compreender e desenvolver seus recursos de produção nada mais é do que uma perspectiva parti- cularmente importante para a estratégia de produção. Por exemplo, a Flextronics (veja o caso breve) desen- volveu sua prática de localizar “parques industriais”em áreas de custo relativamente baixo como uma for- ma de fornecer um recurso de produção baseado em vantagem competitiva. Caso breve Flextronics (Slack, 2009) Por trás de toda marca famosa no mercado de eletrônicos para consumo, muito da fabricação de alta tecnologia que forma o coração dos produtos é provavelmente desenvolvida por empresas que pou- cos de nós sequer ouvimos falar. Empresas como a Ericsson e a IBM cada vez mais utilizam empresas de serviços terceirizados de fabricação de eletrôni- cos (Electronic Manufacturing Services – SEM), que são especializadas em fornecer projeto terceirizado e operações de engenharia, manufatura e logística para grandes marcas. Flextronics é um dos fornecedores líderes de “serviços operacionais” para empresas de tecnologia. Com mais de 70.000 funcionários espalha- dos por suas instalações em 28 países, possui pre- sença global que permite ter flexibilidade para servir aos consumidores em todos os mercados-chave ao redor do mundo. Da perspectiva de requisitos do mercado, as instalações de manufatura da Flextronics necessitam equilibrar as necessidades de seus consumidores por baixo custo (bens eletrônicos são geralmente comer- cializados em um mercado altamente competitivo) com sua necessidade de serviço flexível e de rápida resposta (o mercado de eletrônicos pode também ser volátil). De uma perspectiva de recursos de opera- 79Tema 2 | Estratégia da Produção ções, a Flextronics poderia ter implantado suas fábri- cas perto de seus principais consumidores na América do Norte e Europa Ocidental. Isso com certeza facili- taria a resposta rápida e a prestação de um ótimo serviço aos consumidores; infelizmente, no entanto, esses mercados tendem a possuir um alto custo de manufatura. A estratégia de operações da Flextronics necessita, portanto, alcançar um equilíbrio entre cus- tos baixos e altos níveis de serviço em suas localiza- ções estratégicas e decisões de rede de suprimentos. Uma forma de a Flextronics conseguir isso por meio de sua estratégia de operações é adotar o que é denominado de “estratégia de parque industrial”. Isso envolve descobrir localizações que são relativamente baratas do ponto de vista manufatureiro, mas ainda perto de seus principais mercados. A Flextronics mon- tou seu parque industrial em países como Hungria, Polônia, Brasil e México. Os próprios fornecedores da Flextronics são também encorajados a localizarem-se dentro do parque para garantir estabilidade e redução do tempo de resposta. Decisões estruturais e infraestruturais Segundo Slack et al. (2009), a estratégia de produção divide-se em decisões estratégicas que de- terminam a estrutura da produção e decisões estraté- gicas que determinam sua infraestrutura. As decisões estruturais de uma operação produtiva são as que influenciam principalmente as atividades de projeto, enquanto as decisões de infraestrutura são as que influenciam a força de trabalho de uma organização, as atividades de planejamento, controle e melhoria. A tabela 4 ilustra tanto áreas de decisões estru- turais como infraestruturais, arranjadas para corres- ponder a alguns títulos utilizados neste livro. A tabela também ilustra algumas questões típicas a que cada área de decisão estratégica deve se dedicar. Administração da Produção I80 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre perspectivas dos requisitos do mercado e dos recursos da produção, com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes livros: 81Tema 2 | Estratégia da Produção MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1998, p. 225-251. Quando se trata de perspectivas dos requisitos do mercado podemos aperfeiçoar um pouco mais so- bre esse assunto através desse livro. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 99-121 Para um melhor entendimento sobre as perspectivas dos recursos da produção podemos adquirir uma complementação do assunto através desse livro. PARA REFLETIR Iniciamos nossa aula falando de várias perspecti- vas dos requisitos do mercado e dos recursos da produção. Agora, sua tarefa é pensar um pouco a respeito dos requisitos de mercados como tam- bém em relação aos recursos de produção. Será que uma empresa não deve se preocupar com os requisitos de mercado? Qual seria a melhor forma? Será que também não deverá se preocupar com os recursos da produção? Qual seria a melhor forma? Compartilhe com seus colegas o aprendizado so- bre os questionamentos abordados acima. Depois debata com eles e o tutor no ambiente virtual de aprendizagem. Administração da Produção I82 2.4 Processo da Estratégia de Produção Segundo Slack et al. (2009), o processo da estratégia da produção refere-se aos procedimentos que são usados para formular aquelas estratégias de produção que a empresa deve adotar. Muitas empresas de consultoria desenvolveram seus pró- prios quadros de referência. Muitos desses proces- sos de formulação incluem os seguintes elementos: um processo que liga formalmente os ob- jetivos estratégicos da operação com os objetivos de nível de recursos; o uso de fatores competitivos como dis- positivo de tradução entre a estratégia da empresa e a estratégia da operação; um passo que envolve o julgamento da importância relativa dos vários fatores competitivos em termos da preferência dos consumidores; ênfase na formulação da estratégia de operações como um processo iterativo; o conceito de uma operação “ideal” ou com base numa “página em branco” com a qual comparar operações em curso; uma abordagem “baseada em lacunas”. É uma abordagem muito utilizada em toda a formulação de estratégia, que en- volve a comparação do que é exigido da operação pelo mercado com os níveis de desempenho da operação pelo mercado com os níveis de desempenho da opera- ção em curso. 83Tema 2 | Estratégia da Produção Implementação A importância de uma implementação eficaz é um grande debate pelos autores que escrevem sobre as diferentes formas de estratégia. Na aceitação deve- mos refletir sobre os suportes intelectuais e analíticos de uma estratégia, bem como implementar um do- cumento. Ken Platts tem escrito sobre a natureza do processo de formulação da estratégia de operações. Os cinco Ps a seguir: 1. Propósito. Como em qualquer forma de ges- tão de projeto, quanto mais clareza houver a respeito da meta final, mais chances ha- verá de ela se alcançada. Nesse contexto, é crucial possuir uma compreensão comparti- lhada sobre a motivação, limites e contexto do desenvolvimento de estratégia. 2. Ponto de entrada. Ligado ao item anterior, qualquer processo de análise, formulação e implementação é, potencialmente, politica- mente sensível e o apoio que o processo possui dentro da hierarquia da organização é central para o sucesso da implementação. 3. Processo. Qualquer processo de formulação necessita ser explícito. É importante que os gerentes engajados em formar estratégias de operações reflitam sobre o processo de que estão participando. Os três níveis de análise que propomos (adequação, susten- tabilidade e risco) foram pensados para for- necer uma cobertura relativamente ampla das questões críticas. Administração da Produção I84 4. Gestão de Projeto. Existe um custo associado a qualquer processo de estratégia. Na verda- de, uma das razões pelas quais as operações não possuíam tradicionalmente estratégias explícitas refere-se à dificuldade de liberar tempo suficiente do nível de gerenciamento. As disciplinas básicas de gestão de projeto, como planejamento de tempo e de recursos, controles, mecanismos de comunicação, re- visõese assim por diante, devem estar em funcionamento. 5. Participação. Intimamente ligada aos itens anteriores, a seleção de pessoal para par- ticipar do processo de implementação é também crucial. Assim, por exemplo, o uso de consultores externos pode fornecer expertise adicional, o uso de gerentes de linha (e funcionários) pode fornecer uma experiência de “mundo real” e a inclusão de gerentes de diferentes funções (e forne- cedores etc.) pode ajudar a integrar a estra- tégia finalizada. O processo da estratégia de operações guia os compromissos (trade-offs) entre os objetivos de de- sempenho. Uma parte importante da implementação da estratégia de operações é identificar como a estra- tégia deve endereçar a prioridade relativa dos obje- tivos de desempenho da operação. Para isso, é ne- cessário considerar a possibilidade de melhoria de desempenho de um objetivo em detrimento de outro. Por exemplo, uma operação pode desejar aprimorar sua eficiência de custo ao reduzir a variedade de pro- dutos ou serviços que oferece a seus consumidores. 85Tema 2 | Estratégia da Produção Essa abordagem poderia ser resumida pela expressão “Não existe almoço de graça”. Existem duas visões a respeito de trade-offs. A primeira enfatiza o “reposicionamento” dos objetivos de desempenho ao comprometer a redução de desempe- nho de algum objetivo para favorecer melhoramentos em outros objetivos. A segunda visão enfatiza o aumen- to de “eficácia” da operação ao ultrapassar os trade-offs, de modo que melhoramentos em um ou mais aspectos de desempenho possam ser alcançados sem nenhuma redução no desempenho de outros aspectos. Muitos negócios vão adotar ambas as abordagens em um mo- mento ou outro. Isso é mais bem ilustrado por meio do conceito de “fronteira eficiente” do desempenho de operações. Trade-offs e a fronteira eficiente A Figura 16 (a) ilustra o desempenho relativo de várias empresas no mesmo setor em termos de sua eficiência de custo e a variedade de produtos ou serviços que oferecem a seus consumidores. Presu- mivelmente, todas as operações gostariam, de forma ideal, de oferecer alta variedade e, ao mesmo tempo, garantir altos níveis de eficiência de custo. Entretanto, a maior complexidade que a oferta de uma alta va- riedade de produtos ou serviços traz vai, geralmente, reduzir a habilidade da operação de operar eficiente- mente. De forma inversa, uma maneira de melhorar a eficiência de custo é limitar severamente a variedade de oferta ao consumidor. A distribuição de resultados na Figura 16 (a) é típica de um exercício como esse. As operações A, B, C e D escolheram, todas, um equilíbro diferente entre variedade e eficiência de custo, mas nenhuma é dominada por outra no sentido de ter desempenho necessariamente “superior”. A operação Administração da Produção I86 X, entretanto, possui um desempenho inferior porque a operação A é capaz de oferecer maior variedade pelo mesmo nível de eficiência de custo e a operação C oferece a mesma variedade com melhor eficiência de custo. A linha convexa que engloba as operações A, B, C e D é conhecida como a “fronteira eficiente”. As empresas nessa linha podem escolher posiciona- mentos a diferentes (provavelmente para atender a diferentes estratégias de mercado), mas não podem ser criticadas por serem ineficazes. É evidente que qualquer uma dessas operações na fronteira eficien- te pode chegar à conclusão de que o equilíbrio que escolheram entre variedade e eficiência de custo é inapropriado. Nessas circunstâncias, poderão escolher reposicionarem-se em algum outro ponto ao longo da fronteira eficiente. Em contraste, a operação X tam- bém escolhe balancear variedade e eficiência de custo de uma maneira particular, porém não tão eficazmen- te. A operação B conseguiu a mesma taxa entre os dois objetivos de desempenho de forma mais eficaz. (SLACK, 2009) 87Tema 2 | Estratégia da Produção Uma estratégia, entretanto, que enfatize o aumento da eficácia não estará confinada àquelas operações que são superadas por outras, como a operação X. As empresas posicionadas na fronteira eficiente vão também, em geral, querer melhorar sua eficácia de operações ao ultrapassar o trade- off implícito na curva a “fronteira eficiente”. Por exemplo, suponha que a operação B da Figura 16 (b) deseja aprimorar, ao mesmo tempo, tanto sua variedade como sua eficiência de custo e passe a ocupar a posição B1. Só poderá conseguir isso se adotar melhorias em operações que estendam a fronteira eficiente. Por exemplo, uma das deci- sões que qualquer gerente de supermercado pre- cisa tomar é quantas caixas registradoras abrir em um determinado momento. Se muitas caixas forem abertas, haverá momentos em que os funcionários ficarão ociosos, sem nenhum cliente para atender. Os clientes, no entanto, vão ter acesso a um exce- lente serviço em termos de pouco ou nenhum tem- po de espera. De forma inversa, se poucas caixas registradoras forem abertas, os funcionários esta- rão trabalhando o tempo todo mas os consumido- res terão que esperar em longas filas. Parece existir um trade-off direto entre a utilização dos funcio- nários (e, portanto, o custo) e o tempo de espera do consumidor (rapidez de serviço). Ainda assim, o gerente do supermercado poderá, por exemplo, alocar um número de funcionários “titulares” para operar as caixas registradoras e também destinar funcionários adicionais, que desempenhem outras funções dentro do supermercado, para ficarem “de plantão” e assumirem a posição de caixa caso a demanda aumente repentinamente. Se o gerente observar um aumento de consumidores nas filas, esses outros funcionários poderão rapidamente ser alocados pra trabalhar nas caixas registrado- Administração da Produção I88 ras. Ao planejar um sistema flexível de alocação de funcionários, o gerente poderá ao mesmo tempo melhorar o serviço ao consumidor e manter alta a utilização de funcionários. É importante salientar a distinção entre es- tar posicionado na fronteira eficiente e aumentar a eficácia da operação por meio do alargamento da fronteira. Qualquer estratégia de operações ne- cessita deixar claro em que medida espera que a operação posicione-se em termos de seus objetivos de desempenho e em que medida espera que a operação aumente sua eficácia. Foco e trade-offs Uma forma de algumas operações é empurrar seu reposicionamento na curva de trade-off de for- ma externa de modo a “focalizar” suas operações. O foco em operações nada mais é do que dedicar a cada operação um conjunto limitado, conciso e administrável de objetivos, produtos, tecnologias ou mercados e estruturar políticas e apoiar serviços de modo que focalizem em uma tarefa explícita em vez de em uma variedade de tarefas conflitantes e inconsistentes. Concentrar-se em objetivos especí- ficos e focalizar no equipamento, sistemas e pro- cedimentos das operações para realizar uma gama mais limitada de tarefas resulta em um desempe- nho substancialmente superior desses objetivos. O conceito de foco é poderoso e comprovado porque apoia-se em uma noção bastante simples de que muitas operações estão realizando tarefas demais. O resultado evidente é que são incapazes de de- sempenhá-las com algum nível real de sucesso. A ideia de “foco” é muito parecida com a de processo de segmentação de mercado, usada pelos gerentes 89Tema 2 | Estratégia da Produção de marketing para entender seus mercados, quan- do quebram mercados heterogêneos em mercados menores, mais homogêneos. De fato, foco pode ser visto como uma “segmentação de operações”. O conceito de “operação dentro da operação” É uma resposta prática que permite que uma empresa obtenha os benefícios do foco sem a des- pesa considerável de estabelecer operações inde-pendentes. Por exemplo, um negócio que fabrica tinta pode servir a dois mercados distintos. Alguns de seus produtos são destinados a consumidores domésticos, sensíveis a preço, mas que demandam somente uma variedade limitada de cores e tama- nhos. O outro mercado é composto de decoradores profissionais, que demandam uma ampla variedade de cores e tamanhos mas são menos sensíveis a preço. O negócio pode escolher sair de uma posi- ção em que todos os tipos de tintas são fabricados por meio do mesmo processo para uma posição em que possui dois conjuntos separados de pro- cessos: um que fabrica tinta somente para o mer- cado doméstico e outro que fabrica tinta somente para o mercado profissional. Na verdade, o negócio terá segmentado seus processos de operações para atender à segmentação do mercado. Administração da Produção I90 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Esta leitura lhe possibilitará complementar o assun- to abordado neste capítulo. Abordamos sobre o processo da estratégia da pro- dução. Com isso você poderá se aprofundar um pou- co mais sobre esse assunto nos seguintes livros: SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Rob- ert. Administração da produção. 3. ed., São Paulo: Atlas, 2009. p. 72-76. O autor demonstra todo um processo de estratégia da produção que serve como complemento sobre o assunto abordado neste capítulo. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 99-121 Nesse livro você verá uma melhor abordagem so- bre um processo de estratégia da produção atra- vés de exemplos. Com isso você poderá compre- ender um pouco mais sobre o assunto abordado. 91Tema 2 | Estratégia da Produção PARA REFLETIR Toda organização necessita, desenvolver o proces- so da estratégia da produção e desempenhar um bom desenvolvimento com qualidade. Nesta aula abordamos sobre o processo da estratégia da pro- dução. Quais procedimentos deveriam ser adotados num processo da estratégia da produção? Como es- ses procedimentos devem ser implementados na empresa? Após responder os questionamentos você deverá compartilhar suas opiniões e discutir as reflexões com os colegas e com o tutor no ambiente virtual. RESUMO No conteúdo 2.1 estudamos sobre conceitos de es- tratégia, estratégia da produção, estratégia corpo- rativa, dentre outros tipos de estratégia, ou seja, uma boa estratégia depende da maneira pela qual deverá ser abordada dentro da própria empresa, pois se um administrador não escolher uma boa estratégia provavelmente a empresa estará fora do mercado de trabalho dentro de alguns anos. No item 2.2 vimos sobre as perspectivas top-down e bottom-up, ou seja, trata-se de perspectivas da estratégia de operações. A depender da escolha o administrador da produção deverá escolher a me- lhor perspectiva para se obter um bom resultado dentro da empresa. A perspectiva top-down é uma Administração da Produção I92 visão estratégica de cima para baixo enquanto que a bottom-up é uma visão estratégica de baixo para cima. No conteúdo 2.3 conhecemos sobre as perspectivas das exigências do mercado e as perspectivas dos recursos de operações. Uma trata dos recursos de operações (o que os recursos de operações podem fazer), enquanto que a outra trata das exigências do mercado (o que o posicionamento de mercado requer que as operações façam). E por último, no conteúdo 2.4, vimos sobre o pro- cesso da estratégia da produção, momento no qual se devem escolher os procedimentos a serem usa- dos na estratégia de produção. PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES Parte 2 Planejamento e controle de capacidade3 A principal responsabilidade da administração da produção é prover a capacidade produtiva para satisfazer à demanda atual e fu- tura de uma empresa. Devendo sempre manter o equilíbrio adequado entre capacidade e demanda para que se possam satisfazer seus clientes de forma eficaz em custo. Caso deixe de atender à demanda, obterá um equilíbro errado e com isso terá custos excessivos. Segundo Slack, Chambers e Jo- hnston (2009), planejamento e controle de capacidade são também chamados de planejamento e controle agregados. Deve-se realizar de maneira agregada os cálculos de demanda e capacidade normalmen- te de forma que não discrimine a diferença entre produtos e serviços numa operação produtiva. Para o nível de demanda ser considerado como satisfeito, deve-se conciliar o suprimento de capacidade através da tarefa. Desta forma, devem-se possuir suplementos que lidam com os modelos analíticos de gestão de filas, uma das formar de considerar o planejamento e controle da capacidade, especialmente em algumas operações de serviços. Administração da Produção I96 3.1 Conceitos Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009) o uso mais comum do termo capacidade é no senti- do estático, físico, do volume fixo de um recipiente ou do espaço em um edifício. Por exemplo, uma fábrica de produção de gelo pode investir em reci- pientes de capacidade de 10.000 litros, empresas podem fazer investimento em propriedades com- prando áreas para proporcionar estacionamento com capacidades para 1.000 carros próximos a grandes shoppings e um teatro pode ser construído com capacidade total de 4.500 lugares. Sua capa- cidade de processamento não reflete a essas me- didas demonstradas em escala de operações. Com isso, deveremos incorporar a dimensão de tempo adequado para o uso da produção. Dessa forma, uma fábrica de produção de gelo terá um nível de produção com os 6.000 litros. Se a cada hora podem ser produzidos cubos gelo, a capacidade de processamento planejada pode ser equivalente a 60.000 litros por dia. Se o resfriamento demorar cinco horas e for necessária uma hora para limpeza, o recipiente poderá produzir 10.000 litros por dia. Analogicamente, o estacionamento pode estar to- talmente ocupado pelos trabalhadores de escritórios durante o dia, processamento de 1.000 carros por dia. Alternativamente, pode ser usado por pessoas que usam o estacionamento somente uma hora en- quanto fazem compras e por pessoas que o usam durante três horas, à noite, enquanto estão no cine- ma. A capacidade de processamento seria até 10.000 carros por dia. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), a definição da capacidade de uma operação é o máximo nível de atividade de valor adicionado em determinado período de tempo que o processo pode realizar sob condições normais de operação. 97Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Restrições de capacidade Segundo Slack et al. (2009), algumas empresas sempre operam abaixo de sua capacidade máxima de processamento, isto porque a demanda é insuficien- te para preencher completamente sua capacidade. A depender da política deliberada devemos responder rapidamente a cada novo pedido de acordo com a forma de operação. As empresas encontram algumas partes de sua operação funcionando abaixo da capa- cidade máxima. As restrições de capacidade de toda a operação são as partes que estão trabalhando em sua capacidade máxima. Por exemplo, um grande supermercado varejista pode oferecer um serviço de embalagens para presentes que, em épocas normais, pode atender toda a demanda por seus serviços sem atrasar indevidamente os clientes. No Natal, entretan- to, a demanda por embalagens para presentes pode aumentar proporcionalmente, muito mais do que o aumento geral de clientes da loja. A menos que re- cursos extraordinários sejam providenciados para au- mentar a capacidade dessa microoperação, ela pode restringir a capacidade de toda a loja. Planejamento e controle de capacidade Podemos definir planejamento e controle de capacidade como uma tarefa ao determinarmos a capacidade efetiva da operação produtivacomo uma forma em que ela possa responder à deman- da. Isso implica em decidir o comportamento da operação em flutuações da demanda. Existem mu- danças de longo prazo na demanda e estratégias alternativas de capacidade para lidar com essas mudanças. As estratégias devem introduzir incre- mentos de grande capacidade física. Administração da Produção I98 Capacidade de médio e curto prazos Após definir a capacidade de longo prazo, os gerentes de produção devem decidir como ajustar a capacidade de operação no médio prazo. Isso normal- mente envolve uma avaliação da demanda futura em um período de 2 a 18 meses, durante o qual o volume de produção pode ser variado, por exemplo, alterando o número de horas que os equipamentos são usados. Por exemplo, hotéis e restaurantes apresentam varia- ções de demanda inesperadas e aparentemente alea- tórias de uma noite para a seguinte, mas também sa- bem pela experiência que determinados dias são mais movimentados do que outros. Com isso, os gerentes de produção procuram fazer ajustes de capacidade em curto prazo para permitir flexibilidade no volume pro- duzido num curto período com base nas previsões. Demanda e capacidade agregadas Segundo Slack et al. (2009), o planejamento e controle de capacidade possui uma característica importante que é definir os níveis de capacidade no médio e curto prazos em termos agregados. Isto é, toma decisões de capacidade amplas e gerais, mas não se preocupa com todos os detalhes dos produtos e serviços individuais oferecidos. A figura 17 mostra como quatro operações podem agregar seus níveis de capacidade e demanda. 99Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Objetivos do planejamento e controle de capa- cidade As decisões tomadas por gerentes de pro- dução no planejamento de suas políticas de capa- cidade afetará diversos aspectos de desempenho. (Slack et al., 2009). Os custos serão afetados pelo equilíbrio entre capacidade e demanda. As receitas também serão afetadas pelo equilíbrio entre capacidade e demanda, mas de forma oposta. O capital de giro será afetado se uma operação decidir produzir estoque de bens acabados antecipando-se à deman- da. A qualidade dos bens ou servços pode ser afetada por um planejamento de ca- pacidade que inclui grandes flutuações nos níveis de capacidade, através da contratação de pessoal temporário, por exemplo. A velocidade de resposta à demanda do cliente pode ser melhorada, seja pelo aumento dos estoques ou pela provisão deliberada de capacidade excedente para evitar filas. A confiabilidade do fornecimento também será afetada pela proximidade dos níveis de demanda e de capacidade. Administração da Produção I100 A flexibilidade será melhorada por capaci- dade excedente. Etapas de planejamento e controle de capacidade A sequência das decisões de planejamento e controle da capacidade que precisam ser tomadas pelos gerentes de produção é ilustrada na Figu- ra 18. A gerência de produção depara-se com uma previsão de demanda que tem pouca probabilidade de ser correta ou constante. Com isso terão ideia de sua habilidade própria para atender a essa de- manda. Antes de tomar qualquer decisão devem ter uma ideia quantitativa tanto da capacidade quanto da demanda. Logo, para o período de planejamen- to deve medir a demanda e a capacidade agrega- das, depois poderiam ser adotadas em resposta a flutuações da demanda a identificação das políticas alternativas de capacidade e por fim, para suas cir- cunstâncias, escolher a política de capacidade mais adequada. 101Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Segue abaixo um exemplo de operações na prática: Britvic – fornecendo bebidas para atender à de- manda Britvic está entre os principais fabricantes de refrigerantes e sucos da Europa, um importan- te ator em um mercado que consome aproxima- damente 10 bilhões de litros por ano. Todo ano, a Britvic engarrafa, distribui e vende mais de 1 bilhão de bebidas prontas, em cerca de 400 diferentes sa- bores, formas e tamanhos, incluindo marcas como Pepsi, Tango, Robinsons, Aqua Libra, Purdey’s e J20. Suas seis fábricas no Reino Unido possuem linhas de produção de até 1.500 latas por minuto, com a distribuição organizada em escala gigantesca. No centro de sua rede de distribuição, encontra-se o National Distribuition Centre (NDC), localizado em Lutterworth, Grã-Bretanha. Esse centro foi planeja- do para operar 24 horas por dia, durante todo o ano, e lidar com 620 caminhões de bebidas por dia que, junto com uma rede nacional de 12 depósitos, garantem que 250.000 pontos-de-venda na Grã- Bretanha recebam seus pedidos em dia. Projetado e construído em colaboração com a Wincanton, em- presa especializada em rede de suprimentos, que atualmente gerencia o NDC da Britvic, é capaz de manter até 140 milhões de latas em seus depósi- to de 50.000 pallets. Toda a informação, desde o pedido inicial até a entrega final, é mantida ele- tronicamente. Os carregamentos são examinados nas fábricas Britvic e alimentados no “Sistema de controle e planejamento do negócio”, que cria um plano de entrega. Essa informação é passada para o “Sistema de gestão do depósito” e, quando a transportadora chega ao NDC, as informações são Administração da Produção I102 passadas para o “Sistema de controle da movimen- tação”, que controla a separação dos pallets. A gestão de recursos humanos é também chave na gestão da capacidade. Por toda a manhã, o gerente de turno recebe pedidos para o dia, em- bora pedidos adicionais possam ser feitos ao longo do dia. As reuniões diárias também permitem que qualquer problema seja discutido e encaminhado antes que se torne crítico. Finalmente, ao terceiri- zar a gestão do NDC para a Wincanton, é possível ter o reforço de funcionários de outros centros da Wincanton quando a demanda está alta. “Nossos outros centros no país possuem picos e baixas de demanda diferente durante o ano, o que nos ajuda a manusear o número de funcionários.” INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre o planejamento e controle de capacidade, com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esses assuntos nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 391-412. Conhecer um pouco sobre o planejamento e contro- le de capacidade onde o autor demonstra exemplos específicos sobre o assunto. Depois do aprendiza- do deverá debater no ambiente virtual junto de seus colegas. 103Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade CORRÊA, Henrique L. Planejamento, Programação e Controle da Produção: MRP II/ERP: conceitos, uso e implantação: base para SAP, Oracle Applications e outros softwares integrados de gestão. 5. ed., São Paulo, Atlas, 2009. p. 291-319 Aperfeiçoar sobre o planejamento e controle de ca- pacidade que o autor aborda. Após aprofundamen- to, deverá debater com seus colegas no ambiente virtual sobre o aprendizado. PARA REFLETIR A tarefa do administrador da produção com re- lação ao planejamento e controle de capacidade nada mais é do que verificar onde estão as falhas e corrigi-las em seguida, para que a empresa não tome grandes prejuízos por falta de planejamento e controle por parte do administrador da produção. Qual(is) seria(m) a(s) grande(s) preocupação(ões) dos administradores da produção com relação ao planejamento e o controle de capacidade dentro de uma empresa? Como fazer para encarar os respecti- vos problemas que por ventura ocorrerem? Após responder os questionamentos, deverá dis- cutir junto do ambiente virtual com seus colegas sobre o aprendizado. Administração da Produção I104 3.2 Medição da demanda e da capacidade Previsãode flutuações da demanda Sempre a previsão da demanda é de res- ponsabilidade dos departamentos de vendas e/ou marketing, é um insumo muito importante para a decisão do planejamento e controle de capacidade, normalmente uma responsabilidade da gerência da produção. Afinal, não é possível planejar efetiva- mente para futuros eventos sem uma estimativa da demanda futura, somente reagir a eles. É importan- te que os gerentes de produção entendam a base e os fundamentos lógicos para essas previsões de demanda. Quando se fala a respeito de planeja- mento e controle de capacidade, existem três re- quisitos para uma previsão de demanda. (Slack et al., 2009) Ser expressa em termos úteis para o planeja- mento e controle de capacidade Precisam ser traduzidas em expectativas re- alistas de demanda, expressas nas mesmas uni- dades que a capacidade se as previsões somente forem expressas em termos monetários, não dando nenhuma indicação das demandas sobre a capaci- dade da operação (SLACK et al., 2009). Exemplos: Horas-máquinas trabalhadas por ano. Pessoal operacional necessário no trabalho. Espaço adequado para o trabalho. 105Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Ser tão exata quanto possível Numa previsão, devemos verificar o plane- jamento e controle de capacidade uma vez que poderão ocorrer defasagens entre alterar a capa- cidade ou mudanças. Com isso, os gerentes de produção devem ficar atentos e estabelecerem o volume da produção antecipadamente, pois uma previsão poderá mudar antes que a demanda ocorra e afetará a demanda real. Devemos traba- lhar com precisão e termos uma margem de erro para possíveis contratempos. Dar uma indicação da incerteza relativa É quando a demanda real é conduzida atra- vés de custos desnecessários ou de serviços insa- tisfatórios aos seus clientes. Contudo, as decisões de trabalhar com horas extras e recrutar pessoal poderá ter alterações nos níveis de demanda pre- vistos na prática. Por exemplo, a previsão dos ní- veis de demanda de um shopping pode se mostrar inicialmente baixa, mas depois aumentar até a hora do almoço. Depois disso, a demanda pode diminuir para somente aumentar no início da noite e depois cair novamente no final da atividade comercial. O gerente do shopping pode usar essa previsão para ajustar a capacidade dos restaurantes e lojistas du- rante o dia. Embora essa possa ser uma previsão precisa da demanda média, nenhum dia será exa- tamente igual a esse padrão. De igual importân- cia é uma estimativa de quanto a demanda real pode diferir da previsão. Isto pode ser descober- to examinando-se a estatística de demanda, para determinar uma distribuição da demanda em cada momento do dia. A importância disso reside no fato Administração da Produção I106 de que o gerente agora sabe quando será impor- tante ter pessoal de reserva, talvez para orientar os clientes nas alimentações ou compras, mas es- tando de prontidão para atender nas lojas se a demanda o justificar. Geralmente, a vantagem de previsões probabilísticas como essa é que permite que os gerentes de produção optem entre possí- veis políticas que minimizam custos. Idealmente, essa opção deve ser influenciada pela forma como o negócio ganha pedidos: mercados que valori- zam agilidade de resposta e qualidade do serviço podem justificar uma provisão mais generosa de capacidade operacional. Sazonalidade da demanda As flutuações sazonais da demanda são tra- tadas pelas organizações através do planejamento e controle da capacidade. Quase todos os produ- tos e serviços têm alguma sazonalidade da de- manda, e alguns também têm sazonalidade de su- primentos, normalmente quando os insumos são produtos de agricultura sazonal, por exemplo, o processamento de vegetais congelados. As flutua- ções na demanda ou no suprimento podem sofrer alterações por causa de algumas variações inespe- radas, como exemplo: o clima, condições econô- micas etc. A Figura 19 mostra alguns exemplos de sazonalidade, enquanto o caso breve “Produzindo enquanto o sol brilha” discute a ligação, algumas vezes inesperada, entre as condições climáticas e os níveis de demanda. 107Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Através das quatro organizações (Hotelaria, Fábrica de malhas de lã, Produtos de alumínios e Loja varejista): o negócio de malhas de lã, o hotel na cidade, um supermercado e um fabricante de alumínio ilustramos seus padrões de demanda na Figura 20. Seus padrões de demanda são ilustra- dos na Figura 20. O fabricante de malhas de lã e o hotel na cidade têm padrões sazonais de demanda de vendas, mas por razões diferentes: a malharia de lã devido aos padrões climáticos (invernos frios, verões quentes) e o hotel devido à demanda de pessoal de negócios, que tira férias do trabalho no Natal e no verão. O supermercado varejista é um pouco menos sazonal, mas é afetado por picos pré-férias e vendas reduzidas durante os períodos de férias. O produtor de alumínio não mostra real- mente nenhuma sazonalidade, mas um crescimento constante das vendas no período de previsão. Administração da Produção I108 Flutuações semanais e diárias da demanda A sazonalidade da demanda ocorre em um ano, mas variações previsíveis similares na deman- da também podem ocorrer para alguns produtos e serviços em um ciclo mais curto. O grau em que uma operação terá que lidar com flutuações de de- manda de prazo muito curto é determinado parcial- mente pelo tempo que seus clientes estão dispos- tos a esperar por seus produtos ou serviços. Uma operação cujos clientes são incapazes ou não que- rem esperar deve ser planejada para flutuações de demanda de prazo muito curto. Serviços de emer- gência, por exemplo, precisam entender a variação horária da demanda por seus serviços e planejar a capacidade de acordo com isso. 109Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Medir a capacidade Segundo Slack (2009), medir a demanda for- nece parte da informação básica para o planeja- mento de capacidade. O problema principal para obter esta informação é que a demanda é intrinse- camente incerta. O problema principal com a medi- ção da capacidade não é tanto sua incerteza, mas sua complexidade. Somente quando a produção é altamente padronizada e repetitiva é fácil definir a capacidade sem ambiguidade. Logo, se uma fábrica de geladeiras produzir somente um modelo bási- co, a capacidade semanal pode ser descrita como 3.000 geladeiras do modelo A. Um departamento do governo pode ter a capacidade de imprimir e postar 200.000 formulários de impostos por se- mana. Um passeio rápido em um parque temáti- co pode ser projetado para processar lotes de 50 pessoas a cada 2 minutos – uma capacidade de “processar” 1.500 pessoas por hora. Em cada caso, a medida de capacidade de volume de produção é a medida mais adequada de capacidade, porque a natureza do produto da operação não varia. Em algumas operações, defini-se que capacidade não é tão claro. A depender dos produtos apresentam-se demandas variáveis para um processo, onde as me- didas de volume de produção são menosprezadas. Nesse caso, medidas baseadas nos insumos são frequentemente usadas para definir capacidade. (Veja a Tabela 5) Administração da Produção I110 Capacidade depende do Mix de atividades O hospital mede sua capacidade parcialmen- te em termos de seus recursos porque não há re- lação clara entre o número de leitos que possui e o número de pacientes que trata. Se todos seus pacientes precisassem de tratamentos relativamen- te pequenos com estadias curtas no hospital, este poderia tratar muitas pessoas por semana. Alterna- tivamente, se a maioria de seus pacientes precisar de longos períodos de observação ou recuperação, um número muito menor seria tratado.O volume de produção depende do mix de atividades nas quais o hospital está engajado. Como a maior parte dos hospitais desempenha muitos tipos diferentes de atividades, é difícil predizer o volume de pro- dução. Certamente, é difícil comparar diretamente a capacidade de hospitais que exercem atividades muito diferentes. Capacidade de projeto e capacidade efetiva A capacidade teórica de uma operação nada mais é do que a capacidade do projeto técnico pre- visto que quando efetivada a operação poderá ser atingida na prática. Capacidade teórica de projeto = produto de velocidade máxima de cobertura X tempo de ope- ração da planta. Capacidade efetiva de operação = capacida- de real – perdas. 111Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Eficácia geral de equipamentos A medida da eficácia geral de equipamento (OEE) é o método cada vez mais popular de julgar a eficácia dos equipamentos de operações produ- tivas. É baseada em três aspectos de desempenho (Slack et al., 2009): 1. Tempo que o equipamento está disponível. 2. Qualidade do produto ou do serviço que produz. 3. Velocidade ou taxa de atravessamento do equipamento. Administração da Produção I112 OEE = a x p x q, onde: a – Taxa de disponibilidade p – Taxa de desempenho (velocidade) q – Taxa de qualidade INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre a capacidade efetiva da operação produtiva e a demanda da empresa. Agora você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esses assuntos nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 149-158; 317-349. Um melhor conhecimento sobre o assunto de capa- cidade efetiva da operação onde o autor demonstra alguns exemplos práticos. Depois deverá debater com seus colegas junto ao ambiente virtual. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 5. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 212-213 Conhecer a abordagem do autor sobre a capaci- dade efetiva da operação produtiva e a demanda da empresa, pois o autor demonstra um melhor entendimento sobre o assunto abordado. Depois você deverá debater no ambiente virtual junto de seus colegas. 113Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade PARA REFLETIR Nesta aula, entendemos o que é uma capacidade efetiva da operação produtiva e de que forma ela possa responder à demanda. Agora que você já co- nhece sobre capacidade efetiva, tente enquadrar qual seria o melhor forma de atender a demanda da empresa com relação a seus consumidores? Através desse questionamento, reflita e faça seus questionamento no ambiente virtual junto de seus colegas. 3.3 Políticas alternativas de capacidade Segundo Slack et al. (2009), com uma com- preensão da demanda e da capacidade, o próxi- mo passo é considerar os métodos alternativos de responder a flutuações na demanda. Existem três opções para lidar com essas variações: Ignorar as flutuações e manter os níveis das atividades constantes (política de ca- pacidade constante). Ajustar a capacidade para refletir as flutu- ações da demanda (política de acompa- nhamento da demanda). Tentar mudar a demanda para ajustá-la à disponibilidade da capacidade (gestão da demanda). Administração da Produção I114 Na prática, a maior parte das organizações usará uma combinação dessas políticas, embora em geral uma delas domine. Política de capacidade constante Demonstraremos algumas opções disponíveis com relação as variações dos métodos alternativos existentes entre as flutuações da demanda com re- lação a compreensão da demanda e da capacidade. Políticas de capacidade constante. Política de acompanhamento da demanda. Gestão da demanda. Na prática, as organizações fazem uma combinação dessas políticas, embora exista uma política dominante. Em uma política de capacidade constante, a capacidade de processamento é estabelecida em um nível constante durante todo o período de pla- nejamento, sem considerar as flutuações da previ- são da demanda. Isso significa que o mesmo nú- mero de pessoas opera os mesmos processos e por isso deveria ser capaz de produzir o mesmo volume agregado de produção em cada período. Essa política é viável para empresas de malhas de lã e para produtos de alumínio.(SLACK et al., 2009) (Veja a Figura 21) 115Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Políticas de capacidade constante podem atingir os objetivos de padrões de emprego es- táveis, alta utilização do processo e também alta produtividade com baixos custos unitários. Um dos maiores problemas é a necessidade de tomar de- cisões quanto ao que produzir para estocar e não para vendas imediatas. As empresas que seguem essa política dão prioridade em criar estoques so- mente para os casos em que as vendas futuras se- jam relativamente certas e não sejam afetadas por mudanças na moda ou no projeto. Não se enqua- dra essa política para produtos perecíveis como ali- mentos, alguns fármacos e produtos para os quais a moda muda rápida. A política poderá ser usada pelo hotel e pelo supermercado, desde que não seja uma abordagem usual de tais organizações, porque poderá resultar em desperdício de recursos de pessoal, refletido em baixa produtividade. Por ter serviços que não podem ser estocados, uma política de capacidade constante envolveria o funcionamento da operação em um nível uniforme alto de disponibilidade de capacidade. O hotel empregaria pessoal para aten- der a todas as seções (quartos, restaurante, recep- ção etc.) mesmo em meses nos quais a demanda esperada estivesse bem abaixo da capacidade. Já o supermercado planejaria em colocar pessoal em todos os caixas, operações de estocagem e assim por diante, mesmo em períodos tranquilos. (Veja a Figura 22). Administração da Produção I116 Níveis de subutilização baixos podem tornar dispendiosas nessas políticas em muitas operações de serviços, mas podem ser considerados adequa- dos quando os custos de oportunidade de vendas individuais perdidas são muitos altos: por exemplo, na venda no varejo de joalheria e também na alta em imobiliárias. Também é possível reduzir o grau de subutilização desde que se estabeleça a capa- cidade abaixo do nível do pico de demanda pre- visto. O serviço ao cliente pode deteriorar se nos períodos em que a demanda exceda a capacidade planejada. Embora isso esteja obviamente longe do ideal, os benefícios da estabilidade e produtividade para a organização podem compensar as desvanta- gens de desagradar alguns clientes. Política de acompanhamento da demanda Segundo Slack (2009), as políticas puras de acompanhamento da demanda têm pouca probabi- lidade de atrair operações que fabricam produtos- padrão não perecíveis. Também quando as opera- ções de manufatura são especialmente intensivas em capital, essa política exige um nível de capaci- dade física que seria totalmente usado só ocasional- mente. A política é normalmente mais adotada por operações que não podem estocar sua produção, como as operações de processamento de clientes ou fabricantes de produtos perecíveis. Evita a provisão desnecessária de pessoal em excesso que ocorre com uma política de capacidade constante e ainda deve satisfazer à demanda dos clientes ao longo do período planejado. Nos casos em que a produção pode ser estocada, a política de acompanhamento da demanda pode ser adotada para minimizar ou eliminar estoques de produtos acabados. 117Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Métodos para ajustar a capacidade Podemos ajustar a capacidade através de al- gumas formas. Segue alguns métodos diferentes para todos os tipos de produção: Hora extras e tempo ocioso. Variar o tamanho da força de trabalho. Usar pessoal em tempo parcial. Subcontratação. Horas extras e tempo ocioso. Quanto maior for a demanda em relação à ca- pacidade, haverá horas extras a serem trabalhadas, caso contrário haverá desperdício de tempo pelo pessoal no trabalho. Esse método só poderá ser utilizado se coincidir a programação da capacidade com a demanda. Os custos associados com este mé- todo são o pagamento extra que é normalmente ne- cessário para assegurar a concordância do pessoal em trabalhar além do expediente normal, no caso de tempo ocioso, os custos do pagamento do pessoal que não está engajado em trabalho produtivo direto. Além disso, pode haver custos associados com os custos fixos para manter a operação aquecida, ilumi- nada e segura durante o período extra de trabalho. Também há um limite para a quantidade de tempo extra que a força de trabalho pode trabalhar antes que os níveis de produtividade caiam. ornm54 Variar o tempo da força de trabalho Podemos compensar o número de pessoas através da variação do tamanho da força de traba- lho. Através de contratação de pessoal para horas extras por um determinado período de acordo com a demanda, caso haja diminuição de demanda o pessoal contratado é dispensado. Gera custos de contratação tanto com o pessoal contratado como Administração da Produção I118 o pessoal de baixa produtividade. Os custos de de- missão geram indenizações, como também a perda na produção e o mercado de trabalho com a res- pectiva mão de obra. ornm54 Usar pessoal em tempo parcial Segundo Slack et al. (2009), uma variação da estratégia é recrutar pessoal em tempo parcial para trabalhar menos do que um dia normal. Esse méto- do é muito usado em operações de serviços como supermercados e restaurantes fast-food, mas tam- bém por alguns fabricantes para alocar pessoal ao período noturno depois do dia normal de trabalho. ornm54 Subcontratação Em períodos de alta demanda, uma operação pode comprar capacidade de outras organizações. Existem custos associados com esse método. O mais óbvio é que a subcontratação pode ser mui- to dispendiosa. O subcontratante também desejará ter margem suficiente no negócio. Um subcontra- tado pode não estar tão motivado a fornecer no prazo ou nos níveis desejados de qualidade. Pode- rá haver riscos de que os subcontratados também decidam entrar no mesmo mercado (SLACK, 2009). Gerenciar a demanda Uma forma de gerenciar a demanda é alterá-la por meio do preço. Embora essa seja provavelmente a abordagem mais amplamente aplicada na gestão da demanda, é menos comum para produtos do que para serviços. Por exemplo, criadores de peru no Reino Unido e nos EUA fazem tentativas vigorosas para promover seus produtos em épocas diferentes do Natal e do Dia de Ação de Graças. 119Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Produtos e serviços alternativos O desenvolvimento de serviços e produtos alternativos podem ser produzidos nos processos existentes, mas têm padrões de demanda diferen- tes ao longo do ano. As universidades enchem seus alojamentos e anfiteatros com congressos e reuni- ões de empresas durante as férias. Estações de es- qui oferecem férias com atividades organizadas na montanha durante o verão. Algumas empresas de equipamentos de jardinagem nos Estados Unidos agora produzem removedores de neve no outono e inverno. Os benefícios aparentes de preencher a capacidade dessa forma devem ser comparados com os riscos de prejudicar o produto ou serviço principal, e a operação deve ser totalmente capaz de servir os dois mercados. Políticas mistas Para muitas organizações, essas abordagens não atendem à combinação necessária de objetivos competitivos operacionais. Da maioria dos gerentes de produção é exigido que reduza simultaneamente os custos e os estoques, minimize o investimen- to em capital e ainda proporcione uma abordagem ágil e orientada para o cliente em todos os mo- mentos. Por essa razão, a maioria das organizações escolhe um misto das três abordagens. Gestão do rendimento É um conjunto de métodos que podem ser usados para assegurar que uma operação maximize seu potencial para gerar lucros. A gestão do rendi- mento é especialmente útil quando: Administração da Produção I120 a capacidade é relativamente fixa. o mercado pode ser segmentado de for- ma bastante clara. o serviço não pode ser estocado de ne- nhuma forma. os serviços são vendidos antecipadamen- te. o custo marginal de realização de uma venda é relativamente baixo. As companhias aéreas, por exemplo, encai- xam-se em todos esses critérios. Adotam um conjun- to de métodos para tentar maximizar o rendimento de sua capacidade. Estes métodos compreendem os seguintes: Overbooking de capacidade. Descontos em preço. Variação dos tipos de serviços. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre as políticas alternativas de ca- pacidade, com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes li- vros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 463-494. O autor demonstra algumas políticas alternativas de capacidade devendo aprofundar-se sobre o as- sunto e depois comparara junto ao que foi visto neste capítulo. 121Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 3. Ed., reimpressão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004. p. 150-152; 334. Demonstra alguns exemplos de políticas alternati- vas que servirão como referências para um melhor aprendizado sobre o assunto abordado. PARA REFLETIR Iniciamos nossa aula falando de várias políticas al- ternativas de capacidade. Agora, sua tarefa é pen- sar um pouco a respeito de qual política seria a melhor para atender a necessidade de uma empre- sa com relação à capacidade da mesma. Será que poderíamos adotar algum modelo entre essas polí- ticas ou misturá-las e fazer um próprio modelo? Ou será que há necessidade de rever a política adapta pela empresa e reavaliar uma mudança nela? Após responder os questionamentos, deverá deba- ter junto de seus colegas no ambiente virtual. Administração da Produção I122 3.4 Escolha de uma abordagem de planejamento e controle de capacidade Uma política de capacidade deve ser escolhi- da após uma análise de acordo com as circunstân- cias do momento. A seguir, demonstraremos dois métodos que irão lhe proporcionar uma ajuda para que se faça uma avaliação das consequências da adaptação de políticas de capacidade: representações acumuladas. teoria das filas. Representações acumuladas A figura 23 mostra a previsão de deman- da agregada para uma fábrica de chocolates, que faz produtos de confeitaria. A demanda por seus produtos em suas lojas é mais alta no Natal. Para atender a esta demanda e reservar tempo para os produtos passarem pelo sistema de distribuição, a fábrica deve atender a uma demanda cujo pico é em setembro, como mostrado. Um método para avaliar se um nível específico de capacidade pode satisfazer a demanda, seria calcular o grau de so- brecapacidade abaixo do gráfico, que representa os níveis de capacidade (áreas A e C) e o grau de subcapacidade acima do gráfico (área B). Se a sobrecapacidade total for maior do que o total de subcapacidade para determinado nível de ca- pacidade, então essa capacidade poderia ser vista como adequada para satisfazer completamente a demanda, com a hipótese de que o estoque tenha sido acumulado nos períodos de sobrecapacida- de. (SLACK et al., 1999) 123Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Uma forma bem superior de avaliar as políti- cas de capacidade é fazer um gráfico da demanda acumulada, que é mostrado na Figura 24.Administração da Produção I124 A representação acumulada da demanda imediatamente revela mais informações. Primeiro, embora a demanda total tenha pico em setembro, devido ao número restrito de dias produtivos dis- poníveis, o pico de demanda por dia produtivo ocorre um mês antes, em agosto. Segundo, mostra que a flutuação na demanda durante o ano é ain- da maior do que parecia. A proporção do pico de demanda mensal para a menor demanda mensal é 6,5:1, mas a razão do pico para a menor demanda por dia produtivo é 10:1. A demanda por dia produ- tivo é mais relevante para os gerentes de produção, porque os dias produtivos representam o elemento de tempo da capacidade. A consequência mais útil do gráfico da de- manda acumulada é que, desenhado a linha da capacidade acumulada no mesmo gráfico, a viabili- dade e as consequências de uma política de capaci- dade podem ser avaliadas. A Figura 25 mostra uma política de capacidade constante que produz 14,03 toneladas por dia produtivo. Isto atende à deman- da acumulada no final do ano. Também passaria em nosso teste anterior de sobrecapacidade total sendo igual ou maior do que a subcapacidade. 125Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade Comparação de políticas com base em dados acumulados Políticas de acompanhamento da demanda também podem ser ilustradas em uma represen- tação acumulada. Em vez de a linha de produção acumulada ter um gradiente constante, ela tem um gradiente variável representando o volume de pro- dução horária em qualquer momento. Se for ado- tada uma política pura de acompanhamento da de- manda, a linha de produção acumulada atenderia à linha de demanda acumulada. A defasagem entre as duas linhas seria zero e, portanto, o estoque seria zero. Embora isto elimine custos de manuten- ção de estoques, haveria custos associados com a mudança de níveis de capacidade. O custo de uma alteração de capacidade depende do grau da mudança, da direção da mudança e do nível de ca- pacidade a partir do qual a alteração é feita. A Figura 26 demonstra uma comparação de duas políticas alternativas de capacidade. (SLACK et al., 2009) Administração da Produção I126 Teoria das filas No planejamento e controle da capacidade é que abordamos mais sobre a teoria das filas, que é a razão pela qual as operações não podem ocorrer a estocagem de seus produtos, pois não acontece com a maior parte das operações de serviço. Gestão de filas Encarar essa questão como um problema de fila pressupõe que, enquanto em alguns momentos a demanda poder ser satisfeita instantaneamente, em outros períodos os consumidores devem espe- rar. Com a chegada das demandas individuais em uma operação é difícil de prever ou o tempo para produção de um produto ou serviço é incerto, ou em ambos os casos. A Figura 27 mostra a forma geral dessa questão de capacidade. Os clientes 127Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade chegam de acordo com alguma distribuição de pro- babilidade, esperam para ser processados; quan- do chega sua vez, são processados por um dos n “atendentes” que trabalham em paralelo, após o que deixam a operação. A tabela 6 ilustra algumas dessas situações. A fonte de clientes – é a fonte de suprimento dos clientes. Em gestão de filas, os clientes nem sempre são humanos. Os clientes podem ser cami- nhões chegando em uma parada obrigatória para pesagem, pedidos que chegam para ser processados ou máquinas que esperam para ser reparadas etc. Administração da Produção I128 Taxa de chegada – é a proporção em que os clientes que necessitam ser servidos chegam aos atendentes. A fila – clientes que esperam para ser servi- dos formam filas. Rejeição – se o número de clientes em uma fila já atingiu o número máximo permitido, os clien- tes excedentes podem ser rejeitados pelo sistema. Recusa – quando um cliente é um ser hu- mano com vontade própria, ele pode recusar-se a juntar-se à fila e esperar pelo serviço, se julgar que ela é muito longa. Deserção – é similar à recusa, mas nesse caso o cliente enfrentou a fila por algum tempo e então abandonou a fila, perdendo a chance de ser servido. Disciplina da fila – é o conjunto de regras que determina a ordem na qual os clientes que esperam na fila serão servidos. Atendentes – é a entidade que processa os clientes na fila. Desta forma, o tempo de processamento, como o tempo de chegada, é geralmente descrito como distribuição probabilística. Equilibrando capacidade e demanda A administração sempre tem um dilema que é administrar a capacidade de um sistema de fi- las, ou seja, estabelecer quantos atendentes devem estar disponíveis em dado momento, de modo a evitar tempos de fila prolongada ou utilização ina- ceitavelmente baixa de atendentes. Devido à dis- tribuição probabilística da chegada e dos tempos de processamento, somente em raras situações as chegas dos clientes irão coincidir com a habilida- 129Tema 3 | Planejamento e controle de capacidade de da operação em lidar com eles. Assim, mesmo quando a capacidade média da operação coinci- dir com a demanda média do sistema, tanto filas quanto ociosidade podem ocorrer. Caso exista falta de atendentes nesta opera- ção, irá formar filas e num determinado momento os clientes irá ficar insatisfeitos com o tempo de espera, sendo neste caso o nível de utilização dos atendentes estará em alta, caso contrário o nível de utilização dos atendentes estará em baixa. Por essa razão, o problema de planejamento e controle da capacidade para esse tipo de ope- ração é frequentemente apresentando como um trade-off (escolha) entre o tempo de espera dos clientes e a utilização do sistema. Variabilidade na demanda ou suprimento Quanto maior a variabilidade no tempo de chegada ou tempo de atendimento de um proces- so, mais o processo irá sofrer tempos de atravessa- mento altos e utilização baixa. A implicação disso é que, quanto maior a variabilidade, mais capacidade adicional será necessária para compensar a utiliza- ção reduzida da capacidade disponível. Para existir uma capacidade adicional, o nível de variabilidade deverá estar em alta junto às operações e deverão estabelecer que os níveis base de capacidade es- tejam em alta. Percepções do cliente quanto a filas Se os clientes que esperam em uma fila fo- rem humanos, um aspecto importante de como eles julgam o serviço que recebem de um siste- Administração da Produção I130 ma de fila é como percebem o tempo gasto ali. O cliente percebe que ao ser informado que deverá esperar em fila por 20 minutos e acaba sendo aten- dido em 10 minutos, teve um atendimento positivo do que se fosse o contrário. Por isso, a gestão dos sistemas de fila geralmente envolve tentar adminis- trar as percepções e expectativas dos clientes de alguma forma. Dinâmica do planejamento e controle de capa- cidade A gestão de capacidade é um processo muito mais dinâmico, que envolve controle e reação à de- manda real e à capacidade real, à medida que ocor- re. O processo de controle de capacidade pode ser visto como uma sequência de processos de decisão de capacidade parcialmente reativos. Inicialmente, a cada período é feito pela gerência de produção as previsões da demanda, sua compreensão da ca- pacidade atual e, se adequado, quanto estoque foi criado no período anterior. Baseado nessas infor- mações faz-se planos para a capacidade do período seguinte. No próximo período, a demanda pode, ou não, revelar-se como prevista e a capacidade real da operação pode vir a atender ou não à demanda, como previsto. No entanto, quaisquer que sejam as condições reais durante esse período, no início do próximo, o mesmo tipo de decisão deverá ser tomado, mas à luz de novas circunstâncias. 131Tema4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Tratamos sobre uma abordagem de planejamento e controle de capacidade, com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3 ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 149-158. O autor aborda sobre planejamento e controle de capacidade através de exemplos, onde deverá en- tender um pouco mais sobre o assunto abordado. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 5. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 221-222; 547 Para um melhor aprofundamento sobre o assunto visto neste capítulo deverá conhecer alguns outros planejamentos e controle de capacidade que o au- tor aborda. PARA REFLETIR Toda organização necessita, para crescer e manter- se no cenário atual, criar um planejamento e fazer o devido controle de capacidade da mesma. Nesta aula, abordamos sobre planejamento e controle de capacidade. Como você caracteriza o estilo de pla- nejamento e de controle na empresa com as filas de espera? Que recomendações você faria para que Administração da Produção I132 a empresa pudesse melhorar cada vez mais a efici- ência desse atendimento ao cliente? Compartilhe com seus colegas os questionamentos abordados no ambiente virtual. RESUMO No Conteúdo 3.1, vimos sobre conceitos de pla- nejamento e controle da capacidade, ou seja, um aprofundamento sobre o assunto de planejar e con- trolar a capacidade de uma determinada empresa feita pelo gerente de produção. E no item 3.2, vimos sobre a medição da demanda e a capacidade, ou seja, uma abordagem a medição da demanda e também sobre a capacidade onde o gerente de produção deverá tomar as devidas providências com relação ao planejamento da de- manda e capacidade da empresa. Já no Conteúdo 3.3, vimos sobre as políticas alter- nativas de capacidade, onde um bom gerente de produção deve escolher a melhor política a ado- tar para o desenvolvimento da respectiva empresa com relação à capacidade. E por último, no conteúdo 3.4, vimos sobre o pla- nejamento e controle de capacidade, onde um gerente de produção deve analisar todos os pro- cedimentos existentes num planejamento de capa- cidade e efetuar todo o controle dessa capacidade com relação a linha de produção. Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos4 No planejamento e controle de estoque, existe uma atitude am- bivalente (gerência ou controle) que torna os gerentes de produção responsável pelos estoques. Existe um grande risco por manter itens em estoque podendo deteriorar ou tornar-se obsoletos ou apenas perdê-los, além disso, ocupam espaço na produção. Por outro lado se faltar itens em estoque para os consumidores irão procurar outro fornecedor concorrente. Gerenciamentos de estoque geram algumas desvantagens que são os custos e manutenção. Também iremos abordar sobre os gerentes de operações que são responsáveis pelo planejamento e controle da cadeia de supri- mentos. A gestão do fluxo de materiais se relaciona com a gestão da cadeia de suprimentos e as informações entre essas unidades produ- tivas formam as cadeias da rede de suprimentos. Administração da Produção I134 4.1 Conceitos Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), estoque é a acumulação armazenada de recursos materiais em um sistema de transformação. Por exemplo, um hotel pode armazenar um estoque de itens de alimentação, itens de toalete, materiais de limpeza etc. O valor de estoque Em algumas situações é relativamente pe- queno com relação aos custos dos insumos totais da operação e, em outras situações, poderão ser muito mais alto, principalmente quando os bens precisam ficar num armazém. Por exemplo, num hospital os insumos como: gaze, instrumentos des- cartáveis, sangue, alimentos, materiais de limpeza não ocupam grande espaço e com isso terão ape- nas custos de armazenamento em pequenos com- partimentos do hospital. Já para uma revendedora de veículos que possui os bens maiores deverão ser armazenados em galpão e com isso o custo de armazenamento é muito maior. Por que existe estoque? Às vezes, os produtos não são consumidos de acordo com a demanda dos clientes e com isso sempre será preciso estocá-los. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), se o forne- cimento de qualquer item ocorresse exatamente quando fosse demandado, este nunca necessita- ria ser estocado. Por exemplo, se uma casa não tivesse caixa d’água então será que os consumi- 135Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos dores estariam sempre satisfeito com a falta de água para tomar banho, lavar as louças, lavar as roupas? É claro que não ficaria satisfeito. Com isso deve-se estocar água para quando o for- necimento não consiga atender a demanda dos consumidores e, com isso, na falta de água pelo fornecedor, o consumidor poderá utilizar seu es- toque, que seria a caixa d’água. Tipos de estoque Com relação ao desequilíbrio entre as taxas de fornecimentos e de demanda podemos dizer que existem tipos de estoque. São eles: estoque de segurança, estoque de ciclo, estoque de desa- coplamento, estoque de antecipação e estoque no canal (de distribuição). Estoque de segurança Tem como finalidade compensar as incertezas com relação ao fornecimento e demanda. Garante a quantidade dos itens em estoque cobrindo a possi- bilidade de aumento da demanda ou incertezas do fornecimento. Por exemplo, um supermercado coloca a ven- da uma grande quantidade de geladeiras em um determinado período. Para isso terá que atender a todos os pedidos dos consumidores e terá que encomendar as geladeiras de seus fornecedores de modo que sempre haja pelo menos certa quantida- de em estoque. Administração da Produção I136 Estoque de ciclo Acontece através de estágios na operação e o fornecimento dos itens não é feito através de uma única produção. Os estoques são feitos pela produção de bens em lotes e suas quantidades dependem do volume de cada um. É considerado como demanda média para atingir a necessida- de dos estoques durante o tempo de reabasteci- mento sucessivo. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), por exemplo: suponhamos que uma padaria faça três tipos de pães, todos igualmente populares en- tre os seus consumidores. Devido à natureza dos processos de misturar e assar, somente um tipo de pão pode ser produzido por vez. O padeiro teria que produzir cada tipo de pão em fornadas, como mostra a Figura 28. As fornadas devem ser grandes o bastante para satisfazer à demanda de cada tipo de pão entre os momentos em que cada fornada fica pronta para venda. Portanto, mesmo quando a demanda é estabelecida e previsível, como na Figura 28, haverá sempre algum estoque para com- pensar o fornecimento irregular de cada tipo de pão. O estoque de ciclo resulta da necessidade de produzir bens em lotes e sua quantidade depende de decisões sobre volume, que serão descritas em sessão mais à frente neste capítulo. 137Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Estoque de desacoplamento É o estoque que engloba os materiais que estão esperando para ser processados, permitin- do que cada operação seja programada com sua velocidade ótima, independente dos processos anteriores (SLACK, 2009). Por exemplo, este tipo de estoque ocorre numa montadora de veículos, onde os materiais são montados numa determinada velocidade para os processos possam permitir que os operadores possam fazer a montagem final dos veículos. Estoque de antecipação É o estoque utilizado para suportar a de- manda sazonal (diferentes fornecimentos e de- mandas), um exemplobem claro é a fabricação de chocolates, onde ele é produzido ao longo do ano para suprir a demanda da época da Páscoa, este tipo de estoque é mais utilizado quando há grandes variações na demanda (SLACK, 2009). Estoque no canal (de distribuição) Este tipo de estoque existe quando o pro- duto não consegue ser transportado instantane- amente entre o ponto de fornecimento e deman- da, e quando o arranjo físico é disperso. Sua função é transportar os produtos de um lugar para outro, ou de uma fábrica para outra, ou da fábrica para o centro de distribuição ou a um cliente. Este estoque é proporcional ao tempo para efetuar o transporte e ao volume transporta- do. São os estoques que estão em trânsito entre Administração da Produção I138 os pontos de estocagem (SLACK, 2009). Por exemplo, um grande fabricante europeu de aço especializado movimenta regularmente car- ga de materiais parcialmente acabados entre suas duas usinas no Reino Unido e Escandinávia, utili- zando um navio especializado que transita entre os dois países toda semana. Todos os milhares de toneladas de material em trânsito são estoque no canal de distribuição. Algumas desvantagens de manter estoque Estoque congela dinheiro que fica indisponí- vel para outros usos. Estoque acarreta custos de armazenamento. Estoque pode tornar-se obsoleto. Estoque pode danificar-se ou deteriorar-se. Estoque pode ser perdido ou caro para re- cuperar. Estoque pode ser perigoso para armazenar. Estoque consome espaço. Estoque envolve custos administrativos e securitários. A posição do estoque Não só existe desequilíbrio entre fornecimen- to e demanda como também em diversos pontos dos diferentes estágios de produção. A Figura 29 ilustra diferentes níveis de complexidade de rela- cionamento de estoque dentro de uma operação. Talvez o nível mais simples seja o sistema de es- toque de estágio simples, como na loja de varejo, que somente tem um estoque de bens para ge- renciar. A operação de distribuição de autopeças terá um depósito central e vários pontos de distri- 139Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos buição locais, que também contêm estoques. Com isso temos alguns tipos de estoque: os estoques de componentes e matérias-primas; o estoque de produtos acabados e o estoque multiescalonado. Os estoques de componentes e matérias-pri- mas percorrem seu caminho ao longo dos vários estágios do processo de produção. Já o estoque de produtos acabados nada mais é do que a monta- gem dos componentes e matérias-primas no decor- rer do final de todos os estágios do processo de produção. E para finalizarmos o estoque multiesca- lonado nada mais é que o mapeamento entre os estoques e as várias operações dentro de uma rede de fornecimentos. Administração da Produção I140 Decisões de estoque A responsabilidade por gerir as tarefas do dia-a-dia dos sistemas é feita pelos geren- tes de produção que devem acompanhar cada ponto no sistema de estoque. Sempre são feitos novos pedidos por consumidores internos e externos que devem ser despa- chados, e a demanda vai consumindo cada vez mais o estoque. Com isso, as entregas chegam e requerem armazenamento contu- do serão necessários colocações de pedi- dos para reposição de estoques. Os geren- tes de produção num bom gerenciamento devem lidar com alguns tipos de decisão: quanto pedir, quando pedir. e como contro- lar o sistema. Quanto pedir: cada vez que um pedido de reabastecimento é colocado, de que tamanho ele deve ser? Por exemplo, uma empresa que vende 10 televisões por semana e passa a vender 15. O geren- te deverá fazer o pedido de acordo com a demanda dos consumidores e sempre manter um estoque para atendê-los. Quando pedir: em que momento, ou em que nível de estoque, o pedido de reabas- tecimento deveria ser colocado? Por exem- plo, uma empresa que vende geladeiras deverá sempre manter o estoque mínimo desejável para atender a demanda dos consumidores e quando chega ao índice de estoque mínimo tolerável pela empresa deverá logo fazer o próximo pedido para não haver perda nas vendas das lojas des- ta empresa. 141Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Como controlar o sistema: que procedi- mentos e rotinas devem ser implantados para ajudar a tomar essas decisões? Di- ferentes prioridades devem ser atribuídas a diferentes itens de estoque? Como a informação sobre estoque deve ser ar- mazenada? Por exemplo, um sistema de controle de estoque bem informado deve controlar a demanda dos consumidores, podendo os gerentes tomar as devidas providências com os relatórios gerencias fornecidos pelo sistema. Um sistema bem administrado poderá fornecer as devidas informações para que os gerentes pos- sam priorizar os estoques e armazenar os produtos melhor nas lojas. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre o estoque, tipos de estoque, estocagem e decisões de estoque, com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esses assuntos nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 463-519. Podemos conhecer um pouco mais sobre a impor- tância dos estoques junto com a estrutura de cus- tos em estoques e depois debater com seus colegas junto ao ambiente virtual e também tirar algumas dúvidas com o tutor sobre o assunto abordado. CORRÊA, Henrique L. Planejamento, Programação e Controle da Produção: MRP II/ERP: conceitos, uso e implantação: base para SAP, Oracle Applications e Administração da Produção I142 outros softwares integrados de gestão. 5. ed., São Paulo, Atlas, 2009. p. 29-73. Abordagem sobre gestão de estoque, modelo bási- co de gestão de estoque e também gestão de es- toque de itens de demanda onde poderemos apro- fundar mais sobre esses assuntos e depois refletir junto de seus colegas no ambiente virtual. PARA REFLETIR A tarefa do administrador da produção não é nem um pouco fácil e exige vários desafios a vencer. Qual(is) seria(m) a(s) grande(s) preocupação(ões) dos administradores da produção para o futuro? Como fazer para enfrentá-las e obtermos êxito? As respostas devem ser discutidas com os demais colegas e o tutor como auxílio ao entendimento do assunto abordado. 143Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos 4.2 Decisão de volume de ressuprimento e sobre tempo, sistema de controle e análise de estoque Um exemplo prático para se falar sobre de- cisão seria o suprimento de comida e bebida em nossa casa. Todo gerenciamento deverá ser ba- seado nas tomadas de decisões de quantidade a pedir, ou seja, quanto comprar em cada momento. Podemos equilibrar os custos na tomada dessas decisões da seguinte forma: custo associado com sair para comprar os itens de comida e os cus- tos associados com a manutenção dos estoques. Uma opção seria manter muito pouco ou nenhum estoque de comida e comprar cada item somente quando necessário. Esta opção envolveria sair- mos para comprar provisões mais vezes por dia, o que seria inconveniente. Uma vantagem é que teríamos que levantar a grande quantidade de dinheiro necessária para fazer as principais com- pras, gastando somente quando necessário. Ou- tra opção seria uma ida ao supermercado local a cada poucos meses e comprar todas as provisões que vamos precisar até a próxima compra. Em consequência, os tempos e custos envolvidos na compra são incluídos com pouca frequência. Com isso, teríamos que pagar muito dinheiro cada vez que a viagem fosse feita, aonde poderíamos de outro modo aplicar o dinheiro no banco para ren- der juros. Também poderíamos investir em armá- rios extras e um congelador grande. Emalgum lugar entre esses extremos estará a estratégia de pedidos que minimizará os custos totais e o esforço envolvido na compra de comida. Administração da Produção I144 Custos de estoque Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), na tomada de decisão de quanto comprar, os gerentes de produção primeiro tentam identificar os custos que serão afetados por sua decisão. Alguns custos são dire- tamente associados com o tamanho do pedido: Custo de colocação do pedido: cada vez que um pedido é feito acarreta custos que incluem tarefas de escritório, preparo do pedido e toda documentação. Custos de desconto de preços: quando ocorre compra em grande quantidade o fornecedor pode oferecer um desconto. Custos de falta de estoque: quando acon- tece de um erro na decisão da quantida- de e ocorre a falta de estoque. Custos de capital de giro: é o custo ne- cessário como fundo de reserva, entre o tempo de pagar o fornecedor e receber do consumidor. Custos de armazenagem: são os custos asso- ciados a condição adequada para o produto, tais como: locação, climatização e iluminação. Custos de obsolescência: são os custos as- sociados a um grande pedido envolvendo a estocagem por um período prolongada. Custos de ineficiência de produção: altos níveis de estoque impedem-nos de ver a completa extensão de problemas dentro da produção. 145Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Abordaremos sobre duas questões sobre essa lista de custos. A primeira é que alguns desses cus- tos vão diminuir à medida que o tamanho do pedido aumento. Ocorrendo somente nas três primeiras ca- tegorias, enquanto nas outras três os custos asso- ciados crescem à medida que o tamanho do pedido é aumentado. A segunda questão é que pode não ser a mesma empresa que incorra com os custos. Por exemplo, os fornecedores concordam em manter estoque consignado. Isso significa que eles entre- gam grandes quantidades de estoque a seus clien- tes, mas só irão cobrar por seus bens à medida que eles forem usados. Enquanto isso, eles permanecem como propriedade do fornecedor, de modo que não precisam ser financiados pelo cliente, que por sua vez fornece as instalações de armazenagem. Perfis de estoque É a representação visual do nível de estoque ao longo do tempo. A Figura 30 mostra um perfil de estoque simplificado para um item particular de es- toque em uma operação de varejo. Sempre que um pedido é colocado, Q itens são pedidos. O pedido de reabastecimento chega em um lote instantane- amente. A demanda do item é fixa e perfeitamente previsível à taxa de D unidades por mês. Quando a demanda acabou inteiramente com o estoque de itens, outro pedido de Q itens chega instantanea- mente e assim por diante. Sob essas circunstâncias: Estoque médio = (porque as duas áreas sombreadas na Figura 30 são iguais) Intervalo de tempo entre entregas = Q/D Frequência de entregas = recíproco do intervalo de tempo = D/Q Administração da Produção I146 A fórmula do Lote Econômico de Compra O lote econômico de compra (LEC) é a quan- tidade a ser comprada que vai minimizar os custos de estocagem e de aquisição. Antes de apresentar a fórmula do LEC, vamos conhecer os elementos que o compõe. Assim, o custo total por um período é composto pelo núme- ro de pedidos que fazemos (multiplicado pelo cus- to de pedido) mais o estoque médio (multiplicado pelo custo unitário de estoques). Com alguns cálculos matemáticos encontra- mos que o tamanho do lote Q (LEC) que minimiza o custo total é então: 147Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Onde D é a demanda do período, C p é o custo do pedido e C e é o custo unitário de estocagem. Será demonstrado um exercício resolvido para entender melhor sobre lote econômico de compra (LEC). Um atacadista de materiais de construção obtém seu cimento de um fornecedor único. A demanda de cimento é razoavelmente constante ao longo do ano. No último ano, a empresa vendeu 2.000 toneladas de cimentos. Seus custos estimados de colocação de um pedido são cerca de $ 25 cada vez que um pedido é colocado, e os custos de manutenção de estoque são de 20% do custo de aquisição, por ano. A empresa adquire cimento a $ 60 por tonelada. Quanto cimento deve a empresa pedir por vez? Depois de calcular o LEC da operação, o ge- rente de produção sente que colocar um pedido para exatamente 91,287 toneladas parece ser algo preciso demais. Por que não pedir convenientes 100 toneladas? Administração da Produção I148 Custo total para o plano de pedidos de Q = 91,287: Os custos extras de pedidos de 100 toneladas por vez são de $ 1.100,00 - $ 1.095,45 = $ 4,55. O ge- rente de produção, portanto, deve sentir-se confiante usando a quantidade de pedido mais conveniente. Reabastecimento gradual – o modelo da quan- tidade de lote econômico de produção (LEP) É típico de estoques de ciclos, fornecidos em lotes de itens produzidos interna e intermitente- mente. Um exemplo típico é um pedido colocado dentro da operação para um lote de peças a ser produzido em uma máquina. A máquina vai come- çar a produzir as peças e entregá-las num fluxo mais ou menos contínuo no ponto de estoque. Du- rante o tempo em que essas unidades estão sendo acrescentadas ao estoque, a demanda continua a acontecer. Desde que a taxa à qual as partes estão sendo feitas e colocadas em estoque (P) seja maior 149Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos do que a taxa em que a demanda está consumindo o estoque (D), o tamanho do estoque vai crescer. Depois de o lote ter sido completado, a máquina vai seguir produzindo outro item, e a demanda vai continuar a consumir o nível de estoque até que recomece a produção de novo lote do produto. O perfil resultante é mostrado na Figura 31. Será demonstrado um exercício resolvido para en- tender melhor sobre lote econômico de produção (LEP). Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), o gerente de uma fábrica que engarrafa refrigeran- tes precisa decidir qual o tamanho do lote de cada tipo de refrigerante a processar. A demanda de cada tipo de refrigerante é razoavelmente constante em 80.000 unidades por mês (um mês tem 160 horas de produção). As linhas de engarrafamento enchem a uma taxa de 3.000 unidades por hora, mas levam uma hora para serem limpas e reprogramadas entre os diferentes refrigerantes. O custo de cada troca (de trabalho e de capacidade de produção perdida) foi calculado como em $ 100 por hora. Os custos de manutenção de estoque são contados a $ 0,1 por unidade (garrafa) ao mês. Administração da Produção I150 D = 80.000 por mês = 500 por hora LEP = 13.586 O pessoal que opera as linhas idealizou um método de reduzir o tempo de troca de 1 hora para 30 minutos. Como isso mudaria o LEP? Decisão sobre tempo – quando colocar um pedido Quando demonstramos que os pedidos che- gavam instantaneamente e que a demanda era constante e previsível, a decisão de quando colo- car um pedido de reabastecimento era evidente. Assim que o nível de estoque atingisse zero, um pedido seria colocado. Com isso chegaria instanta- neamente e evitaria qualquer ocorrência de falta de estoque. Caso os pedidos de reabastecimento não chegassem instantaneamente, poderia ocorrer um lapso entre o pedido sendo colocado e chegando no estoque, podemos calcular o momento de pe- dido de reabastecimento como mostrado na Figura 32. O lead time para um pedido chegar neste caso é de duas semanas, assim o ponto de ressuprimen- 151Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos to é o ponto no qual o estoque vai cair para zero menos o lead time do pedido.Alternativamente, podemos definir o ponto em termos de nível que o estoque terá atingido quando um pedido de re- abastecimento tiver que ser colocado. Neste caso, isso ocorre no nível de ressuprimento de 200 itens. Assim o gerente de produção deverá sempre verificar o ponto de ressuprimento para que não ocorra a perda na produção pela demora na entre- ga do pedido. Lembrando que existe uma previsão na entrega do pedido e deve sempre ser verificado caso o nível de estoque atinja zero. Sistemas de Controle e Análise de Estoque Para os gerentes de produção controlar e analisar os estoques através de sistemas devem se basear nos seguintes pontos: 1. Discriminar os diferentes itens estocados, de modo que possam aplicar um grau de controle a cada item que seja adequado a sua importância. Administração da Produção I152 2. Precisam investir em um sistema de pro- cessamento de informação que possa li- dar com seus conjuntos particulares de circunstâncias de controle de estoque. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre o lote econômico de compras e o lote econômico de produção, com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 463-494. Conhecer um pouco mais sobre LEC e LEP e debater com seus colegas no ambiente virtual. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 5. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 391-395 Fazer uma boa comparação entre os lotes econô- micos de compras e de produção de acordo com a abordagem do autor e depois debater com seus colegas no ambiente virtual. PARA REFLETIR Nesta aula, entendemos o que é o lote econômico de compras (LEC) e o lote econômico de produção (LEP). Agora que você já conhece sobre lote econô- mico, tente enquadrar qual seria o melhor cenário de uma empresa com relação ao LEC e o LEP? 153Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Com o entendimento dos conceitos abordados, poderá debater sobre o questionamento junto de seus colegas e também aprimorar mais os conheci- mento junto ao tutor. 4.3 Tipos de relacionamento em cadeias de su- primentos Os gerentes de operações possuem a res- ponsabilidade sobre suas próprias unidades pro- dutivas. À medida que as empresas estão focadas num conjunto restrito e bem definidas das tarefas, comprando cada vez mais materiais e serviços de fornecedores especialistas, a contribuição das fun- ções de compras e suprimentos tem aumentando de importância. Sabe-se que 25% dos custos totais recaem sobre a cadeia de distribuição que distribui os bens e serviços aos clientes pelo lado da de- manda da empresa. Os gerentes procuram contro- lar esses processos e percebem os benefícios em termos de velocidade, confiabilidade, flexibilidade, custos e qualidade, em comparação à gestão do processo dentro da empresa. A figura 33 ilustra a ligação entre suprimento e demanda. Administração da Produção I154 Que é gestão da cadeia de suprimento? É a sincronização entre os processos de uma empresa com seus fornecedores. Isto implica em es- tratégias, onde o sistema de suprimentos poderá usar para estabelecer prioridades competitivas importantes. Objetivos da gestão da cadeia de suprimento Focalizar na satisfação dos clientes finais. Formular e implementar estratégias baseadas na obtenção e retenção de clientes finais. Gerenciar a cadeia de maneira eficaz e efi- ciente. O objetivo da cadeia de suprimento É atender aos requisitos dos consumidores finais quando necessários a preços competitivos. A cadeia de suprimento tem níveis adequados de desempenho da operação que são: qualidade, rapi- dez, confiabilidade, flexibilidade e custo. Tipos de relacionamento em cadeias de su- primento Abordar sobre relacionamento em cadeias de suprimentos é a mesma coisa que administrar o rela- cionamento com seus fornecedores e consumidores imediatos. O comportamento de toda a cadeia de suprimento é construído a partir de relacionamentos que são formados entre pares individuais da cadeia. Relacionamentos entre negócios ou entre consumidores? A Figura 34 ilustra essa categorização e dis- tingue os relacionamentos que são o elo final da cadeia de suprimento, envolvendo o consumidor final ou dois negócios comerciais. 155Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Relacionamentos de negócio a negócio (B2B) são mais comuns no contexto da cadeia de supri- mento e incluem algumas redes de troca de e-pro- curement (termo genérico usado para descrever o uso de métodos eletrônicos em cada estágio do processo de compra, desde a identificação das exi- gências até o pagamento e a gestão do contrato). Relacionamentos de negócio a consumidor (B2C) são operações varejistas, operações de catá- logo e também varejistas da internet. Relacionamentos de consumidor a negócios (C2B) envolvem consumidores que despacham suas necessidades pela rede e estabelecem o preço que estão dispostos a pagar. Relacionamento de consumidor a consumidor (C2C) incluem trocas online e serviços de leilão ofe- recidos por algumas empresas. Administração da Produção I156 Tipos de relacionamento de negócio a negócio Os relacionamentos da cadeia de suprimento examinam a extensão e a natureza do que se deve uma empresa escolher terceirizar um determinado serviço. É importante saber o que a empresa es- colhe terceirizar e para quem escolhe terceirizar. Segue alguns questionamentos referente a tercei- rização: Quantas atividades? Qual a importância dessas atividades? Ao responder esses questiona- mentos a empresa poderá ou não terceirizar es- sas atividades. Após definir as atividades que são terceirizadas deverão escolher quem irá fornecer os produtos e serviços, pois são questionamentos muito importantes, como: quantos fornecedores se- rão usados pela operação e quão próximos são os relacionamentos. A Figura 35 ilustra essa forma de caracterizar os relacionamentos. Também identifica alguns dos tipos mais comuns de relacionamento e mostra algumas tendências de mudanças dos rela- cionamentos da cadeia de suprimento. 157Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Segue um caso breve KLM Catering Services de- monstrando um tipo de relacionamento da cadeia de su- primentos e algumas questões para serem respondidas. A KLM Catering Services é o maior fornecedor de suprimentos e alimentação para aeronaves no ae- roporto de Schiphol, nas proximidades de Amsterdã. A empresa prepara todos os dias cerca de 30.000 refeições e “serve” a 250 voos da KLM, além de ou- tras operadoras. Normalmente, não há mais de 40 minutos para todas essas atividades (serviços de bor- do, equipamento, comida e bebida, jornais, toalhas, fones de ouvido). Logo, uma preparação completa e o sequenciamento adequado são essenciais. Essas ne- cessidades de velocidade e confiabilidade já seriam suficientemente difíceis de satisfazer num ambiente estável. Embora a KLM Catering Service seja avisada do número provável de passageiros para cada voo, o verdadeiro número mínimo de passageiros para cada classe somente é fixado seis horas antes da decola- gem. Os acordos sobre cardápios são normalmente fixados por períodos de seis meses, mas as neces- sidades reais de cada voo dependem do destino, do tipo de aeronave e do mix de passageiros por classe de bilhete. Finalmente, algumas vezes os pousos são atrasados, o que pressiona todo mundo a reduzir os tempos de ciclo e aperta a programação. Um problema adicional é que, embora a KLM use itens padronizados (como carrinhos de comida, talheres, bandejas e descartáveis), outrascompanhias aéreas têm necessidades completamente diferentes. O estoque de todos esses equipamentos segue junto com as aeronaves. Alguns se danificam ou perdem, e podem facilmente acumular-se noutros aeroportos. Se uma aeronave pousa sem o conjunto completo de equipamentos e outros itens, a empresa é obrigada a repor seu estoque, o qual é composto de mais de 15.000 itens diferentes. Administração da Produção I158 Relacionamentos tradicionais de fornecimento de mercado Para se ter um melhor relacionamento entre comprador e vendedor deve construir um desempe- nho de operação dentro da empresa no qual a em- presa possa comprar bens e serviços de fora numa forma “pura” de mercado e buscar o “melhor” for- necedor cada vez que é necessário comprar. No mo- mento em que os bens e serviços são entregues e o pagamento é efetuado, não pode haver nenhuma negociação futura. Citaremos algumas vantagens dos relaciona- mentos tradicionais de fornecimento: Concorrência entre os fornecedores alter- nativos. Fornecedor especializado num determina- do número pequeno de produtos e ser- viços. Flexibilidade inerente em fornecimento terceirizado. Inovações podem ser exploradas. Ajudar as operações a concentrar atenção nas atividades centrais. Também existem desvantagens em comprar: Incertezas de mercado. Escolha de quem comprar consome tem- po e esforço. Riscos estratégicos em subcontratar ativi- dades de outras empresas. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), os relacionamentos de curto prazo podem ser usa- dos como experiência quando novas empresas esti- verem sendo consideradas como fornecedores mais 159Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos regulares. Além disso, muitas compras que são fei- tas por operações são únicas ou muito irregulares. Por exemplo, a substituição de todas as janelas de um bloco de escritórios de uma empresa nor- malmente envolve esse tipo de relacionamento de mercado baseado em licitação competitiva. Em al- gumas operações do setor público, as compras são ainda baseadas em contratos de curto prazo. Isso pode ser explicado pela necessidade de se provar que o dinheiro público está sendo usado da forma mais idônea possível. Entretanto, esse tipo de re- lacionamento de curto prazo, orientado para preço, pode ter um lado negativo em termos de apoio constante e confiabilidade. Isso pode significar que a decisão de comprar “pelo menor valor” poderá levar a um custo total maior no longo prazo. Operações virtuais Operações virtuais baseiam em uma rede de fornecedores que podem fornecer produtos e ser- viços conforme a demanda. Por exemplo, algumas empresas de software e Internet são virtuais no sentido de que compram todos os serviços neces- sários para um desenvolvimento particular. Isso pode incluir não só o desenvolvimento de habili- dades de software específicas, mas outras, como gestão de projeto, teste, aplicações de prototipa- gem, marketing, produção física e assim por diante. Grande parte da indústria de cinema de Hollywood opera dessa forma. Uma empresa de produção pode comprar e desenvolver uma ideia para um filme, mas ele é criado, editado e distribuído por uma rede de agentes, atores, técnicos, estúdios e empresas de distribuição. Administração da Produção I160 As vantagens de operações virtuais são: Flexibilidade Rapidez em operação Risco de investimento baixo Os recursos utilizados por empresas virtuais estão sempre disponíveis para os concorrentes. Com isso a competência de uma operação virtual baseia-se na habilidade de gerenciar sua rede de suprimento. Relacionamento de fornecimento “em parceria” São vistos como compromissos entre a inte- gração vertical, em um lado, e puro relacionamento de mercado, no outro lado. Isso significa que forne- cedores e consumidores cooperem, compartilhem recursos e habilidades para alcançar benefícios em conjunto. Segue alguns fatores de acordo com o grau de influência com relação ao relacionamento em parceria: Compartilhar sucesso. Expectativas de longo prazo. Múltiplos pontos de contato. Aprendizagem conjunta. Poucos relacionamentos. Coordenação conjunta das atividades. Transparência de informações. Resolução conjunta dos problemas. Confiança. 161Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos Gestão do relacionamento com o consumidor (CRM) É um método usado para aprender mais sobre as necessidades e os comportamentos dos consumidores de modo a desenvolver relaciona- mentos mais fortes com eles. O CRM deve conter as informações necessárias sobre os consumidores de modo que se possa perceber todo seu compor- tamento e seu valor para o negócio. Alguns meios para se tornar mais eficaz a venda de produtos e serviços e um aumento na receita são: Fornecer serviços e produtos de acordo com o perfil dos consumidores. Reter consumidores existentes e desco- brir novos consumidores. Cruzar vendas de produtos de forma mais eficaz. O CRM ajuda a diversas organizações a en- tender quem são seus consumidores e quais são seus valores durante a vida. Com isso, consegue o perfil de um consumidor através de uma série de passos em processos de compras feitas pelos consumidores. Administração da Produção I162 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre o relacionamento com os clientes desde a compra de um determinado produto até sua entrega, com isso você poderá se aprofundar um pouco mais sobre esse assunto nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 463-494. Um complemento sobre o relacionamento com os clientes a partir da compra de um determinado pro- duto até sua entrega. O autor demonstra exemplos específicos. Após aprofundamento, deverá debater com seus colegas no ambiente virtual. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 5. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 5; 46 Abordagem prática sobre o relacionamento com os clientes onde deverá conhecer um pouco mais so- bre o assunto e após um bom aproveitamento de- verá debater no ambiente virtual com seus colegas. PARA REFLETIR Agora, sua tarefa é pensar um pouco a respeito do comportamento organizacional da empresa com re- lação aos fornecedores e consumidores. Será que o 163Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos modelo estrutural dessa organização está prepara- do para os andamentos das atividades e processos com eficiência e eficácia? Ou será que há necessi- dade de rever e reavaliar a estrutura organizacional atualmente adotada? Compartilhe sua opção com seus colegas junto ao ambiente virtual e debata com o tutor sobre o assunto abordado. 4.4 Comportamento da cadeia de suprimentos Numa cadeia de suprimentos é de fundamen- tal importância numa gestão saber responder a seguinte questão: “Como as cadeias de suprimen- to devem ser administradas quando as operações competem de formas diferentes em mercados dife- rentes?”. O professor Marshall Fisher da Wharton Business School respondeu essa questão da se- guinte forma: é organizar as cadeias de suprimento que servem aos mercados individuais de formas diferentes. Também informa que as empresas pro- duzem produtos similares e que competem entre si de várias formas. As políticas da cadeia de suprimento consi- deradas apropriadas para produtos funcionais ou produtos inovadores são chamadas por Fisher de políticas eficientes da cadeia de suprimento e po- líticas responsivas (saber reagir, reação, resposta) da cadeia de suprimento, respectivamente. Já as políticas eficientes da cadeia de suprimento in- cluem estoques baixos,especialmente nas partes do caminho da rede, de modo a manter tempo de atravessamento rápido e reduzido volume de capi- tal preso no estoque. A cadeia é administrada para Administração da Produção I164 assegurar que os produtos possam fluir abaixo na cadeia o mais rápido possível para reabastecer os poucos estoques que são mantidos no caminho. A cadeia pode ainda suprir mesmo quando mudanças dramáticas acontecem na demanda do consumidor. A Figura 36 ilustra como as diferentes políti- cas da cadeia de suprimento casam-se com as di- ferentes exigências do mercado subentendidas por produtos funcionais e inovadores. A dinâmica da cadeia de suprimento Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), nos anos 60 foi demonstrado por Jay Forrester que existe certa dinâmica entre empresas que causa er- ros, inexatidão e volatilidade, e que esses proble- 165Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos mas são crescentes para empresas mais a montante da cadeia de suprimento. Existe um efeito chama- do “efeito chicote” que nada mais é do que uma pequena perturbação que poderá encadeirar várias perturbações cada vez maiores na cadeia à medida que caminha para a outra ponta da cadeia. A prin- cipal causa é um desejo, racional e perfeitamente compreensível de gerenciar suas taxas de produção e níveis de estoque de maneira independente. Para que seja demonstrado a taxa de produ- ção e os níveis de estoque para a cadeia de supri- mentos podemos demonstrar através da Tabela 7. Essa é uma cadeia de suprimento de quatro estágios, na qual uma montadora de equipamentos é servida por três camadas de fornecedores. A demanda que vem da montadora tem sido de uma taxa de 100 itens por período, mas no período 2 a demanda é reduzida para 95 itens por período. Todos os estágios na cadeia de suprimento trabalham com o princípio de que devem manter estoque equivalente à deman- Administração da Produção I166 da de um período. A coluna denominada “Estoque” mostra, para cada nível de fornecimento, o estoque inicial, no começo do período, e o estoque final, no fim do período. No início do período 2, a montadora tem 100 unidades em estoque. A demanda no perío- do 2 é 95 e a montadora sabe que precisa produzir itens suficientes para terminar o período com 95 itens em estoque. Para conseguir isso, ela precisa produzir apenas 90 itens, o que, junto com cinco itens do es- toque inicial, irá suprir a demanda e deixar o estoque final em 95 itens. A montadora pode operar com uma taxa estável de 95 itens por período. Note, entretanto, que a mudança na demanda de apenas cinco itens produziu uma flutuação de dez itens na taxa de pro- dução da montadora. Agora leve essa mesma lógica para o fornecedor de primeira camada. No início do período 2, o fornece- dor de segunda camada tem 100 itens em estoque. A demanda que ele deve atender no período 2 é deriva- da da taxa de produção da montadora. Esta foi redu- zida a 90 itens no período 2. O fornecedor de primeira camada deve, então, produzir o suficiente para atender à demanda de 90 itens e deixar um mês de demanda como seu estoque final. Uma taxa de produção de 80 itens por período será suficiente. Ele irá iniciar, portan- to, o período 3 com um estoque inicial de 90 itens; mas a demanda da montadora aumentou agora para 95 itens. Portanto, ele tem de produzir o suficiente para atender a essa demanda de 95 itens e manter 95 itens em estoque. Para conseguir isso, ele preci- sa produzir 100 itens no período 3. Essa lógica pode ser entendida até o fornecedor de terceira camada. Se você fizer isso, notará que, quanto mais a montante na rede de suprimentos estiver a empresa, mais drásticas serão as flutuações causadas por uma mudança relati- vamente pequena na demanda do cliente final. Nesse caso simples, a decisão de quanto produzir em cada 167Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos período foi governada pela seguinte relação: Total disponível para a venda em qualquer pe- ríodo = total exigido no período Estoque inicial + taxa de produção = demanda + estoque final Estoque inicial + taxa de produção = 2 x de- manda (porque o estoque final deve ser igual à demanda do período) Taxa de produção = 2 x demanda – estoque inicial Problemas de comunicação na cadeia de supri- mento Poderá ocorrer falta ou falhas de comunicação quando duas operações em uma cadeia de suprimen- to faça arranjos para que uma operação forneça pro- dutos ou serviços para a outra. Isso é semelhante a brincadeira de “telefone sem fio”. A primeira pes- soa cochicha uma mensagem para a próxima, a qual, quer tenha escutado de forma clara ou não, cochicha uma interpretação para a próxima pessoa e assim por diante. Quanto maior o número de pessoas pelas quais a mensagem passa, maior tende a ser a dis- torção. Quando o jogo termina, a última pessoa fala em voz alta qual é a mensagem, a primeira pessoa e as demais normalmente ficam espantadas com a distorção da mensagem original. A Figura 37 ilustra o efeito chicote em uma cadeia de suprimento típica, com flutuações relativamente pequenas no mercado que causam uma volatilidade crescente quanto mais para trás na cadeia. Administração da Produção I168 Melhoria da cadeia de suprimento A tentativa dos gerentes de operações de melhorar seu desempenho é um aspecto impor- tante do planejamento da cadeia de suprimento. A maioria dessas tentativas relaciona-se com a coor- denção das atividades das operações da cadeia e tem sido significativamente ajudada pelo desenvol- vimento do e-business. Alguns efeitos do e-business sobre a prática da gestão da cadeia de suprimento Com a combinação de e-business e novas aplicações de tecnologia da informação podemos transformar em prática a gestão da cadeia de su- primento. Isso ocorre com informações melhores e mais rápidas são fornecidas para todos os estágios da cadeia de suprimento. Para a gestão da cadeia de suprimento, o importante é a informação. Sem as informações os gerentes da cadeia de suprimen- to não podem tomar decisões que coordenem ati- vidades e fluxos ao longo da cadeia. Sem essas informações, cada estágio na cadeia de suprimento tem relativamente poucas indicações do que está ocorrendo em outras partes da cadeia. A Tabela 8 resume alguns dos efeitos do e-business em três 169Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos aspectos importantes da gestão da cadeia de supri- mento – fluxo de informação de negócio e merca- do; fluxo de produto e serviço; e fluxo de dinheiro resultante do fluxo de produto e serviço. Informações compartilhadas Para que uma cadeia de suprimento possa trabalhar em conjunto em cada operação na cadeia de acordo com os pedidos feitos por seus clientes deve-se ter uma ideia geral do que está acontecen- do ao longo da cadeia. As informações devem ser compartilhadas ao longo da cadeia para que não ocorra grandes flutuações. A transmissão das infor- mações pela cadeia de modo que todas as opera- ções possam monitorar a demanda verdadeira fica livre dessas distorções. Devendo aprimorar cada vez mais em disponibilizar as informações sobre a demanda corrente dos consumidores finais na ca- deia de suprimento para as operações a montante. O intercâmbio eletrônico de dados também podem afetar a quantidade de pedidos econômicos a se- rem transportadas entre as operações da cadeia de suprimento. Administração da Produção I170 Alinhamento de canal Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), é o ajuste da programação, movimentos de mate- rial, níveis de estoque, preço e outras estratégias de vendas de modo a alinhar todas as operações da cadeia. Isso significa que os sistemas e métodosdo processo decisório do planejamento e controle estão harmonizados ao longo da cadeia. Eficiência operacional Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), são os esforços que cada operação na cadeia pode fazer para reduzir sua própria complexidade, re- duzindo os custos de fazer negócios com outras operações na cadeia e reduzindo o tempo de atra- vessamento. O principal efeito cumulativo dessas atividades individuais é simplificar o atravessamen- to de toda a cadeia. Podemos dizer que para aprimoramos as eficiên- cias operacionais das cadeias de suprimento precisaram fazer abordagens através da compreensão de tempo. Vulnerabilidade da cadeia de suprimento Existe a possibilidade de problemas e riscos da cadeia de suprimento, mas, com consequência, a cadeia ágil tem sido levada mais a sério. Agilida- de são considerações de como as cadeias de su- primento necessitam lidar com problemas comuns, como: entregas tardias, falhas de qualidade, infor- mação incorreta etc. Com o crescimento vulnerável das cadeias de suprimento, as empresas se preocuparam em au- mentar a compreensão dos riscos envolvidos nas cadeias de suprimento. 171Tema 4 | Planejamento e Controle de Estoque e da Cadeia de Suprimentos INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Abordamos sobre a cadeia de suprimentos de uma empresa na linha de produção, com isso você po- derá se aprofundar um pouco mais sobre esse as- sunto nos seguintes livros: MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produ- ção e Operações. 3. ed., São Paulo: Pioneira, 1998, p. 463-494. Um melhor conhecimento sobre a cadeia de supri- mento de uma empresa onde o autor demonstra exemplos sobre o assunto. Após aprofundamento, deverá debater junto de seus colegas no ambiente virtual. KRAJEWSKI, Lee J. Administração de Produção e Operações. 5. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. p. 310-340 Verificar como o autor aborda sobre o assunto de- monstrado neste capítulo e depois debater com seus colegas no ambiente virtual. PARA REFLETIR Toda organização necessita, para crescer e manter- se no cenário atual, desenvolvendo as seguintes funções: planejamento, organização, direção e con- trole. Nesta aula, abordamos sobre a cadeia de su- primentos. Como você caracteriza o estilo de pla- nejamento e de controle na empresa com relação à cadeia de suprimentos? Que recomendações você faria para que a empresa pudesse melhorar cada Administração da Produção I172 vez mais a eficiência da cadeia de suprimentos? Após refletir sobre os questionamentos abordados compartilhem com os colegas e também com o tu- tor para um melhor aprimoramento no assunto. RESUMO Estudamos no conteúdo 4.1 sobre estoque, tipos de estoque, desvantagens de estocagem e decisões de estoque, ou seja, um aprofundamento sobre o as- sunto de estoque para uma melhor compreensão de um administrador no ramo da produção. No item 4.2, vimos sobre o lote econômico de com- pras e o lote econômico de produção, ou seja, uma abordagem para determinar a quantidade de pedi- do que envolva aperfeiçoar os custos de manuten- ção com relação ao custo de pedido de estoque usando os modelos LEC e LEP. Em seguida, no conteúdo, 4.3, vimos sobre o re- lacionamento com o consumidor e o fornecedor, onde um bom relacionamento deve ser levado em consideração com o consumidor e seu fornecedor por parte da organização num modo geral. E, para finalizar, no conteúdo 4.4, vimos sobre a cadeia de suprimentos, onde um gerente de produ- ção deve analisar todos os procedimentos existen- tes numa cadeia de suprimento para que sua orga- nização não pare de funcionar por falta de algum suprimento. 173Administração da Produção I Referências CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, pro- cesso e prática. 2. ed., São Paulo: Makron Books, 1994. CORRÊA, Henrique Luiz; GIANESI, Irineu Gustavo Nogueira; CAON, Mauro. Planejamento, programa- ção e controle da produção: MRP II/ERP: conceitos, uso e implantação: base para SAP, Oracle Applica- tions e outros softwares integrados de gestão. 5. ed., – 3. reimpr. – São Paulo: Altas, 2009. DRUCKER, Peter F. Managing in the next society. 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