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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
Departamento de Educação
EDU 117
Prof. Eduardo Simonini Lopes
Aprendizagem Significativa
O conceito de “Aprendizagem Significativa” em muito está relacionado à figura de David Ausubel e seus estudos sobre os processos de aprendizagem.
Para Ausubel, a aprendizagem significativa é um processo por meio do qual uma nova informação se relaciona a uma aspecto relevante da estrutura cognitiva do indivíduo. A idéia ou conceito ou proposição já existente no universo do indivíduo que aprende é chamado de “conceito subsunçor” ou simplesmente “subsunçor”.
De certa maneira, pode-se dizer que a aprendizagem significativa ocorre quando uma nova informação “ancora-se” em conhecimentos relevantes (subsunçores) preexistentes na estrutura cognitiva do indivíduo. Tais conceitos já existentes (construídos a partir da própria experiência de vida dos sujeitos) funcionam como referência e ancoragem para os novos conceitos.
Ausubel considera que o armazenamento de informações na mente humana se dá de forma altamente organizada e hierarquizada, na qual elementos mais específicos são ligados a conceitos e idéias mais gerais.
A aprendizagem significativa é contraposta com a aprendizagem mecânica. Nessa última os conceitos são interiorizados sem necessariamente se interagirem com os conhecimentos que o indivíduo já possui. É chamada também de aprendizagem automática e se relacionado com o ato de “decorar”. Envolve uma memorização sem raciocínio. Mesmo na aprendizagem mecânica, é necessário realizar-se algum tipo de interação e haver elementos de suporte, todavia qualitativamente ela é muito mais frágil que a aprendizagem significativa. Não estando claramente interagindo com a história de conhecimento do sujeito, as informações apreendidas via aprendizagem mecânica tendem facilmente a ser esquecidas.
Porém o próprio Ausubel não estabelece uma divisão entre aprendizagem mecânica e aprendizagem significativa. De certo modo as duas se complementam, fazendo parte de um único processo. Pode-se iniciar um processo de aprendizagem decorando-se uma fórmula importante para, em seguida, fazer relações significativas dessa fórmula com outros conceitos. A aprendizagem significativa é antes de tudo uma aprendizagem de relações entre conceitos.
Ausubel também realiza uma distinção entre aprendizagem por descoberta e aprendizagem por recepção. Na aprendizagem por recepção o conteúdo a ser ensinado é apresentado pronto ao sujeito. Na na aprendizagem por descoberta é o indivíduo quem terá a responsabilidade de desvendar o conteúdo a ser aprendido. Todavia a “descoberta” ou a “recepção” só serão significativos se o novo conteúdo estabelecer relações com os conteúdos que o aprendiz traz consigo.
Por exemplo, na montagem do quebra-cabeça o sujeito vai progressivamente realizando descobertas..., o que necessariamente não significa que ele realmente compreendeu o processo, realizando montagens ao acaso. Por sua vez, ao aprender uma lei física por recepção, o sujeito pode relacioná-la com outros fatores relevantes em sua vida, tornando significativo o conteúdo do que aprendeu por recepção. Se, para haver aprendizagem significativa, o sujeito devesse descobrir tudo sozinho e por si mesmo, teríamos que, a cada geração reinventar a roda.
Seguindo tal raciocínio, não há porque criticar o “método expositivo” ou a instrução organizada por meio de linhas de aprendizagem receptiva. Aprendizagem por descoberta e por recepção constituem (assim como a mecânica e a significativa) como um processo contínuo. Ficar-se preso é qualquer um dos dois extremos é sempre perigoso. Os dois tipo de aprendizagem se complementam dentro do processo de conhecimento.
Há duas condições básicas para a ocorrência da aprendizagem significativa:
que o material apresentado ao aprendiz seja potencialmente significativo;
que o aprendiz manifeste disposição para interagir com o novo material potencialmente significativo a sua estrutura cognitiva.
Muitas vezes o material apresentado traz consigo essa característica de potencialmente significativo, mas se o aprendiz decidir-se por simplesmente memorizá-lo, tanto o processo de aprendizagem quanto seu produto subseqüente será mecânico. Por outro lado, se o indivíduo se manifesta com interesse de aprender, poderá fazê-lo de forma significativa mesmo que o material apresentado não seja estimulante.
Então, para potencializar a aprendizagem, Ausubel recomenda a utilização de organizadores prévios que sirvam como âncora para a nova aprendizagem e levem ao desenvolvimento de conceitos subsunçores que facilitem a aprendizagem subseqüente. Os organizadores prévios vêm a manipular a estrutura cognitiva a fim de facilitar a aprendizagem
ASSIMILAÇÃO
Em Ausubel , o resultado da interação que ocorre na aprendizagem significativa entre o novo material a ser aprendido e a estrutura cognitiva existente é uma assimilação de antigos e novos significados a qual contribui para a diferenciação dessa estrutura.
O princípio da assimilação pode ser representado esquematicamente da seguinte maneira:
	Nova informação potencialmente significativa
	Relacionada e assimilada por
	Conceito subsunçor existente na estrutura cognitiva
	Produto interacional
Não somente a nova informação, mas também o conceito subsunçor são modificados na relação. A assimilação é também um processo contínuo durante toda a vida do sujeito, envolvendo continuamente novas aprendizagens. Diante disso não se pode dizer que uma assimilação está “completada”... ela é sempre uma janela aberta para novas possibilidades, encontros e aprendizagens.
Todavia, quando um novo conceito é assimilado ele não sobrevive de uma forma isolada dentro do nosso sistema cognitivo, sendo pouco a pouco “erodido” em seu recheio. É mais econômico para nosso sistema cognitivo reter idéias mais gerais, o que justificaria o processo de esquecimento. Todavia, o material que fica é sempre qualitativamente melhor do que o que havia antes. É de se considerar que nós estamos assimilando informações a todo instante e, com isso, nosso sistema cognitivo está continuamente ativo e as estruturas vão lenta e progressivamente transformando-se, buscando atingir níveis de estabilidade de ordem superior.
Se a organização cognitiva tende a um reducionismo de informação.
À medida que a aprendizagem significativa ocorre, conceitos são desenvolvidos, elaborados e diferenciados em decorrência de sucessivas interações. Para Ausubel, o desenvolvimento dos conceitos é facilitado quando os elementos mais gerais de um conceito são introduzidos em primeiro lugar e, posteriormente, este é progressivamente diferenciado em termos de detalhe e especificidade. Ausubel acredita que
é mais fácil para o ser humano captar aspectos diferenciados de um todo previamente aprendido do que chegar ao todo a partir das partes em separado.
A organização do conteúdo do conhecimento responde a uma estrutura hierárquica em que as idéias mais gerais encontram-se no topo da estrutura e progressivamente incorporam-se conceitos, fatos, idéias, mais diferenciados
Quem ensina deve exercitar-se e exercitar o aprendiz na tarefa de realizar relações entre as proposições e conceitos; chamar atenção para diferenças e similaridades importantes entre os diferentes conceitos e idéias. A programação de um material instrucional deve ser montado com o intuito de favorecer essas relações entre idéias.
Para se planejar uma instrução consistente com a teoria de Ausubel, deve-se procurar identificar os conceitos e as relações hierárquicas entre eles para, então, seqüenciar o conteúdo, indo do mais geral para o mais específico (raciocínio dedutivo), tirando vantagem das dependências seqüenciais naturais entre os tópicos. Além disso, um esforço explícito deve ser feito para explorar relações entre conceitos ou idéias e apontar similaridades e diferenças.
Toda aprendizagem para ser significativa, não pode perder de vista a ênfasenaquilo que o aluno já sabe. Essa será a âncora de referência para as aprendizagens seguintes.
Ausubel estimula a construção de “mapas conceituais” para melhor se favorecer a visualização da relação entre os conceitos. Os mapas conceituais são diagramas hierárquicos que procuram refletir a organização conceitual de uma disciplina ou parte dela.
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Esse modelo propõe uma hierarquia vertical, de cima para baixo, indicando relações de subordinação entre conceitos. Conceitos que englobam outros conceitos aparecem no topo, enquanto que conceitos que são englobados por outros, aparecem na base. Conceitos com aproximadamente o mesmo nível de generalidade aparecem próximos e na mesma posição vertical.
Os mapas conceituais não dispensam a orientação do professor, oferecendo também uma visão geral prévia do que será estudado, oferecendo ao aprendiz condições de antever relações para, no futuro, melhor se apropriar das mesmas.
As relações dentro do mapa podem ser exploradas tanto de cima para baixo quanto de baixo para cima, ampliando a dinâmica entre os conceitos.
É aconselhável que os mapas tenham como referência primeira os conhecimentos do aprendiz a fim de que se possa tocar a potencialidade significativa do mesmo. O aprendiz deve sentir que há um pouco de sua contribuição dentro do mapa. Por sua vez deve-se evitar montar mapas por demais complexos que, em vez de clarearem relações, montram-nas de forma confusa.
Os mapas conceituais também podem ser utilizados como instrumento de avaliação. Avaliação não no sentido de testar conhecimento e pontuar o aprendiz, mas sim para se obter informação a respeito do tipo de estrutura que o aluno visualiza para um dado conjunto de conceitos.
Joseph Novak, colaborador de Ausubel, também ofereceu sua contribuição aos questionamentos a respeito da aprendizagem significativa. Para ele, a aprendizagem significativa subentende uma relação construtiva entre pensamento, sentimento e ação a fim de se engrandecer o ser humano.
Para ele, todo evento educativo envolve cinco elementos:
o aprendiz
o professor
o conhecimento
o contexto
a avaliação
Na relação professor-aprendiz deve-se levar em conta a importância do fator afetivo. Se o aprendiz consegue compreender o material que lhe é apresentado, os resultados afetivos positivos e o crescimento intelectual tendem a ocorrer; por sua vez, se o aprendiz não consegue compreender o que conteúdo, podem ocorrer dispersões, insatisfações, dificuldades as mais variadas na relação com o professor. 
Diante disso, tem que se considerar que toda aprendizagem é contextual. A aprendizagem significativa é sempre aquela vivenciada e compartilhada dentro de um contexto conhecido pelo aprendiz. Os jesuítas quando invadiram a América no empreendimento “salvador” de evangelizar os índios, desconsideraram completamente o sentido de mundo no qual os indígenas viviam. Por essa desconsideração, ocorreram contínuos conflitos entre os supostos sábios jesuítas e os supostos ignorantes e animalescos indígenas. O professor realiza um sério erro quando supõe que apenas ele é detentor de um saber real. O saber do professor é também contextualizado dentro do mundo de referências sociais, emocionais e profissionais no qual ele se situa. 
Um professor universitário, por exemplo, se encontro envolto em um contexto de conhecimento de seu universo acadêmico, onde reinam brigas de poder entre os teóricos..., as teorias se alternam no poder e de acordo com tais alternâncias contextuais, os conceitos dos professores também mudam.
O fator primordial da aprendizagem significativa reside exatamente em um ponto: o aprendiz não é um ignorante esperando para ser “catequisado” na verdade do mundo. O aprendiz é um ser ativo, dinâmico, que possui sua própria história e concepção sobre o universo que o rodeia. Qualquer nova informação só fará sentido se for inserida dentro desse universo conhecido pelo aprendiz. Não que esse universo seja mais limitado que o do professor, mas sim que esse universo se extende por paisagens que muitas vezes o professor não conhece. Então a tarefa do professor e do aprendiz seria a de compartilhar os universos que conhecem e tentar fazer encontros entre o que o professor pode ensinar e o que o aprendiz já conhece... e como tudo isso pode ser útil a ambos.
Os conhecimentos adquiridos via aprendizagem significativa tornam-se muito resistentes a mudanças porque passam a fazer parte da própria leitura da realidade e segurança de mundo do aprendiz. Aprendizagem significativa é aquela vivida pela pessoa por inteiro. Negar tal aprendizagem é negar a própria pessoa que vivenciou tal experiência.
Ocorre muitas vezes que os significados trazidos para a sala de aula pelos alunos, estão em desacordo com aqueles aceitos no contexto da matéria de ensino. De forma simplista, poderia se considerar tais significados dos alunos como sendo errôneos e um bom ensino se encarregaria de fazer com que o aluno aprendesse “os significados corretos das coisas”. Todavia nada é tão simples. Os significados prévios que os alunos trazem são hoje considerados como sendo “alternativos” e se reconhece que são muito resistentes a mudanças.
A mudança conceitual tem sido erroneamente interpretada como sendo a substituição de um significado errado por outro correto. Todavia é necessário se Ter em conta que os significados alternativos podem ser errôneos dentro do contexto da matéria que está sendo ensinada, mas, para o aprendiz, eles são o resultado de uma aprendizagem significativa dentro de seu contexto diário. O importante é se tentar buscar construir junto ao aprendiz novas estruturas de significado que possam crescer paralelas ou menos por dentro do significado alternativo. Considerando o significado alternativo como um elemento constituinte da estrutura cognitiva do sujeito, uma atitude positiva do professor é utilizar tal significado alternativo como aliado e não como inimigo.
BIBLIOGRAFIA
MOREIRA, M. A . – Aprendizagem Significativa
 Editora UNB, 1999, Brasília
MOREIRA, M. A .
MASINI, E. F. S. – Aprendizagem Significativa: teoria de David Ausubel
 Editora Moraes, 1982, São Paulo
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