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Material de pós‑graduação EaD sobre neuropsicopedagogia. Aborda estrutura neurológica, cérebro e aprendizagem, formação de memórias, desenvolvimento da mente e reflexões sobre tecnologias digitais na educação.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
unidade I
unidade II
unidade III
NEUROPSICOPEDAGOGIA:
ESTRUTURA NEUROLÓGICA
E APRENDIZAGEM
Prof. Me. Weslei Jacob
o cérebro e a
aprendizagem
aprendizagem: dimensão
interna do desenvolvimento
humano neurológico
cérebro: o poder de se
reprogramar e formar memórias
O CÉREBRO E A
APRENDIZAGEM
DESENVOLVIMENTO
DA MENTE E DO
COMPORTAMENTO
FORMAÇÃO
DE MEMÓRIAS
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um 
grande desafio para todos os cidadãos. A busca por 
tecnologia, informação, conhecimento de qualida-
de, novas habilidades para liderança e solução de 
problemas com eficiência tornou-se uma questão 
de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsa-
bilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos 
nossos fará grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário 
Cesumar – assume o compromisso de democra-
tizar o conhecimento por meio de alta tecnologia 
e contribuir para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promo-
ver a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando profissionais cida-
dãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro 
Universitário Cesumar busca a integração do 
ensino-pesquisa-extensão com as demandas 
Reitor 
Wilson de Matos Silva
palavra do reitor
Direção UniceSUMar
reitor Wilson de Matos Silva, Vice-reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-reitor de administração Wilson 
de Matos Silva Filho, Pró-reitor de eaD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente da Mantenedora 
Cláudio Ferdinandi.
neaD - núcleo De eDUcação a DiStância
Direção de operações Chrystiano Mincoff, coordenação de Sistemas Fabrício Ricardo Lazilha, coordenação 
de Polos Reginaldo Carneiro, coordenação de Pós-Graduação, extensão e Produção de Materiais Renato 
Dutra, coordenação de Graduação Kátia Coelho, coordenação administrativa/Serviços compartilhados 
Evandro Bolsoni, Gerência de inteligência de Mercado/Digital Bruno Jorge, Gerência de Marketing Harrisson 
Brait, Supervisão do núcleo de Produção de Materiais Nalva Aparecida da Rosa Moura, Design educacional 
Nalva Moura, Diagramação José Jhonny Coelho, revisão textual Yasminn Zagonel, Fotos Shutterstock.
neaD - núcleo de educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900 
Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
institucionais e sociais; a realização de uma 
prática acadêmica que contribua para o desen-
volvimento da consciência social e política e, por 
fim, a democratização do conhecimento aca-
dêmico com a articulação e a integração com 
a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar 
almeja ser reconhecido como uma instituição univer-
sitária de referência regional e nacional pela qualidade 
e compromisso do corpo docente; aquisição de com-
petências institucionais para o desenvolvimento de 
linhas de pesquisa; consolidação da extensão univer-
sitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e 
a distância; bem-estar e satisfação da comunidade 
interna; qualidade da gestão acadêmica e adminis-
trativa; compromisso social de inclusão; processos 
de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, 
como também pelo compromisso e relacionamento 
permanente com os egressos, incentivando a edu-
cação continuada.
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância:
 
 Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem. 
Weslei Jacob. 
 Publicação revista e atualizada, Maringá - PR, 2014.
 100 p.
“Pós-graduação Núcleo Comum - EaD”.
 1. Neuropsicopedagogia. 2. Neurológica. . 3. EaD. I. Título.
CDD-22 ed. 370
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do 
Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a UNICESUMAR tem sido 
conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. 
Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais 
daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um 
conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, de-
mocratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação têm nos 
aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da edu-
cação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em 
diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram a informa-
ção e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso 
horário e atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje 
em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das 
desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a co-
nhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está 
disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda 
uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas fer-
ramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura 
e transformando a todos nós.
Priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos 
em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao 
mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como 
já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso 
que a EAD da UNICesumar se propõe a fazer. 
Pró-Reitor de EaD
Willian Victor Kendrick 
de Matos Silva
boas-vindas
sobre pós-graduação
a importância da pós-graduação
O Brasil está passando por grandes transformações, em especial 
nas últimas décadas, motivadas pela estabilização e crescimento 
da economia, tendo como consequência o aumento da sua impor-
tância e popularidade no cenário global. Esta importância tem se 
refletido em crescentes investimentos internacionais e nacionais 
nas empresas e na infraestrutura do país, fato que só não é maior 
devido a uma grande carência de mão de obra especializada.
Nesse sentindo, as exigências do mercado de trabalho são cada 
vez maiores. A graduação, que no passado era um diferenciador 
da mão de obra, não é mais suficiente para garantir sua emprega-
bilidade. É preciso o constante aperfeiçoamento e a continuidade 
dos estudos para quem quer crescer profissionalmente. 
A pós-graduação Lato Sensu a distância da UNICESUMAR 
conta hoje com 21 cursos de especialização e MBA nas áreas de 
Gestão, Educação e Meio Ambiente. Estes cursos foram planejados 
pensando em você, aliando conteúdo teórico e aplicação prática, 
trazendo informações atualizadas e alinhadas com as necessida-
des deste novo Brasil. 
 Escolhendo um curso de pós-graduação lato sensu na 
UNICESUMAR, você terá a oportunidade de conhecer um conjun-
to de disciplinas e conteúdos mais específicos da área escolhida, 
fortalecendo seu arcabouço teórico, oportunizando sua aplicação 
no dia a dia e, desta forma, ajudando sua transformação pessoal 
e profissional.
Professor Dr. Renato Dutra
Coordenador de Pós-Graduação , Extensão e Produção de Materiais 
NEAD - UNICESUMAR
“Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, 
formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária”
Missão
apresentação do material 
Prezado(a) acadêmico(a), é com enorme sa-
tisfação que apresento a você nosso material 
de estudo, para que sirva de apoio peda-
gógico para o componente curricular de 
Neuropsicopedagogia: Estrutura Neurológica 
e Aprendizagem, referente ao curso de pós-
graduação em Psicopedagogia Institucional, 
oferecido pela Unicesumar.
Permita-meuma breve apresentação. 
Sou graduado em Educação Física pela 
Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 
mestre em Atividade Motora e Educação 
pela Universidade de Barcelona - Espanha e 
Doutorando em Atividade Física, Educação 
Física e Esporte, com a linha de pesquisa: 
Treinamento Esportivo, pela Universidade de 
Barcelona-Espanha. Atualmente, sou Professor 
na União de Faculdades Metropolitanas de 
Maringá - FAMMA, Professor convidado em 
módulos de Pós Graduação pelo Instituto 
Dimensão e pela Troposphera Soluções 
Empresariais e Educacionais e Professor de 
capacitações voltadas à Educação Infantil.
Professor Mestre 
Weslei Jacob
O desafio aqui é levar a você de forma 
simples, conhecimentos relacionados ao 
cérebro da maneira mais usual possível, para 
que você tenha a possibilidade de desfrutar 
ao máximo as informações abordadas por 
expertos da área, sem que perca o interes-
se por essa disciplina e, consequentemente, 
pela especialização em desenvolvimento. 
Buscaremos apresentar os conteúdos atuais 
de forma que você compreenda importância 
deles, sua aplicabilidade e possibilidade de 
intervenção dentro ou fora da escola, permi-
tindo assim, que o docente tenha condições 
de aplicar os conteúdos diários de modo que 
os alunos tenham maior probabilidade de 
alcançar o objetivo inicialmente traçado, elu-
cidando todos os aspectos envolvidos no 
processo de ensino-aprendizagem.
Comumente, situações adversas e com-
plicadas surgem em nosso cotidiano de 
trabalho, fazendo com que professores, 
pedagogos, psicólogos e tantos outros pro-
fissionais que contribuem para educação em 
nosso país fiquem de mãos atadas, sem com-
preender ou, muitas vezes, encontrar uma 
saída para solucionar todos os problemas 
que emergem de uma realidade social bem 
maior que apenas a escola. Será proposto um 
conhecimento biológico, científico e com 
caráter social para que seja possível encon-
trar novas estratégias as quais possibilitem 
que o cérebro reaja bem aos novos estímu-
los proposto por você, consequentemente, 
alcançando a mudança acadêmica que tanto 
esperamos em nossos alunos.
Ao longo das três unidades propostas 
neste livro, discutiremos as bases cerebrais 
que interferem de modo positivo ou nega-
tivo na aprendizagem humana, uma vez que 
tudo que sabemos ou conhecemos está ar-
mazenado dentro de sofisticadas estruturas 
plásticas dentro de nosso cérebro. Tais com-
ponentes neurológicos permitem uma vasta 
comunicação e integração entre todo nosso 
encéfalo e organismo por meio de estímu-
los neurais.
Na unidade I, serão abordados diferentes 
aspectos sobre o cérebro e discutiremos de 
qual forma é maior a possibilidade de se apren-
der. Diante das diferenças entre os indivíduos, 
faz-se necessário compreender minimamente 
que uma atividade bem elaborada e direcio-
nada, quando pautada em e preocupada com 
a maneira que o cérebro aprende, apresenta 
uma possibilidade de êxito, dentro do proces-
so pedagógico, muito maior. Assim, sugere-se 
um alicerce para o aprendizado, tentando 
elucidar as principais preocupações que se 
deve ter ao elaborar um planejamento, para 
se ensinar de forma mais propícia a se chegar 
ao sucesso docente e discente.
Ao longo de toda a unidade II, serão dis-
cutidos os aspectos cognitivos relacionados 
ao nosso intelecto, nossos pensamentos, e 
uma breve entrada à memória. Aqui será 
relacionada a maneira pela qual ocorre 
aprendizagem do ponto de vista das bases 
neurológicas e todas as dimensões internas 
que promovem o desenvolvimento. Nesse 
momento, serão explanados aspectos desen-
volvimentistas, principalmente ao longo das 
duas primeiras décadas de vida e os quais 
se prolongam, de modo mais simplista, até 
a terceira idade, apontando e esclarecendo 
aspectos relacionados ao cérebro e sistema 
nervoso, desenvolvimento da mente e do 
comportamento. Nessa segunda etapa, será 
bastante discutida a integração entre am-
biente interno do ser humano, relacionado 
ao cérebro e sua ligação com o ambiente 
externo, diante do meio em que estamos 
inseridos e como essas influências ambien-
tais podem produzir respostas satisfatórias 
para difundir, modificar e variar a aquisição 
de novos conhecimentos.
Por fim, na unidade III, serão abordados, 
brevemente, os estudos sobre a evolução 
cerebral até os dias atuais, a capacidade de 
organização ou reorganização do cérebro, 
conseguida por um evento denominado 
neuroplasticidade. A explanação sobre a for-
mação de memórias fecha nossa discussão, 
abordando suas fragmentações e como elas 
interagem entre si para realizar associações 
referentes aos conhecimentos repassados ou 
experimentados. Aqui, também, é direciona-
do um pequeno fragmento de informações 
referentes à aquisição dos conhecimentos 
coordenativos relacionados à aprendizagem 
motora por meio de feedbacks.
Esperamos que não se torne aqui 
um experto em Bases Neurológicas e 
Aprendizagem, mas que a utilização desse 
material, permita-lhe, de forma autônoma, 
alcançar o êxito em sua intervenção profis-
sional. Espero que você desfrute e obtenha 
sucesso nessa longa caminhada em busca 
de novos e palpáveis conhecimentos.
su
m
ár
io 01
14 cérebro e aprendizagem
25 alicerce para o aprendizado
30 potenciais de membrana e ação
39 considerações finais
O cérebrO e a 
aprendizagem
02 03
46 neurociência cognitiva
50 bases neurológicas e aprendizagem
53 dimensão interna do desenvolvimento
61 o cérebro e o sistema nervoso
66 desenvolvimento da mente e do comportamento
70 considerações finais
78 evolução do estudo do cérebro
81 neurônios em Rede
82 neuroplasticidade cerebral
86 formação de memórias
89 função e duração das memórias
90 feedback e aprendizagem
94 considerações finais
aprendizagem: dimensãO 
interna dO desenvOlvimen-
tO HumanO neurOlógicO
cérebrO: O pOder de se
reprOgramar e fOrmar
memórias
1 O cérebrO e a aprendizagem
Professor Mestre Weslei Jacob
Plano de estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estu-
dará nesta unidade:
•	 O cérebro e a aprendizagem
•	 Alicerce para o aprendizado
•	 Potenciais de membrana e potenciais de açãoobjetivos de aprendizagem
•	 Elucidar o processo de aprendizagem.
•	 Conhecer os alicerces do aprendizado.
•	 Conhecer o funcionamento do cérebro.
Iniciamos, nesse momento, uma viagem pelo nosso cérebro, ou 
pelo menos buscaremos entender algumas situações que nele 
acontecem. Você já se perguntou como nos transformamos de 
um bebê frágil, indefeso, sem nenhum controle corporal ou in-
telectual em um adulto, um médico, um engenheiro, professor e 
tantas outas profissões? O que você mais gosta de fazer? Prefere 
café ou achocolatado? Hoje, já é possível entender de qual forma 
o cérebro aprende, como ele se motiva e se modifica. É eviden-
te que não precisamos ser neurocientistas para vivermos de uma 
forma satisfatória, sermos felizes ou aproveitarmos a vida, contudo, 
quanto mais conhecemos esse magnífico campo, mais compreen-
demos os processos de amadurecimento e evolução da espécie 
humana.
Quando falamos em cérebro, no contexto educacional, podemos 
sugeri-lo como sinônimo de aprendizagem, ou, pelo menos, um co-
nhecimento adquirido que possibilitará desenvolvermos estratégias 
mais eficazes para o transcorrer do processo de ensino-aprendiza-
gem. Para tanto, existem inúmeras estruturas especializadas que 
podem ser moldadas e remoldadas por nossa estimulação diária, 
por exemplo, os neurônios, dentro das suas características individu-
ais podem aprender ou se adaptar a qualquersituação, desde que 
o mediador das atividades leve em consideração os caminhos para 
melhorar a atenção, a motivação e a prática, utilizando métodos 
diferentes e oportunizando a todos o acesso ao conhecimento.
O aprendizado, o movimento motor, o controle dos olhos para ler, 
das mãos para escrever, estão não apenas armazenados em nosso 
cérebro, são dependentes das células nervosas que produzem 
energia dentro do nosso organismo, perfazendo, assim, a melhoria 
das nossas funções cognitivas e também motoras. A discussão nesse 
momento aponta a estreita relação do funcionamento físico-quí-
mico cerebral e a estimulação para levar um aluno ao aprendizado.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
14
Atualmente, existe uma nova ciência, a qual 
abarca todas as demais linhas de estudo 
que envolvem o Sistema Nervoso. Tendo 
sua base dentro da biologia e comumente 
chamada de neurociência, essa ciência se for-
taleceu na década de 90, conhecida como 
“a década do cérebro”, principalmente nos 
Estados Unidos (EUA), onde o governo de-
cretou um período de estudo, investindo e 
contribuindo para a formação de laboratórios 
e, consequentemente, no desenvolvimento 
de pesquisas relacionadas com o funciona-
mento do cérebro. Desse modo, falar nessa 
nova ciência é falar de bases neurológicas e 
aprendizagem, ou seja, de qual forma nosso 
cérebro aprende mesmo? Responda mental-
mente. Isso mesmo, todos que disseram pela 
prática acertaram, porém, logo esclarecere-
mos mais essa condição de aprendizagem.
Aprendizagem nada mais é do que a 
mudança do cérebro pela experiência, é a 
maneira na qual ele se adapta e responde 
melhor, faz diferente na próxima vez. Na apren-
dizagem, simplesmente é aprimorada uma 
determinada resposta cerebral a um problema.
Ainda parece um pouco nebulosa essa 
informação, não é? Bem, façamos um teste: 
saia da sua casa, escritório ou qualquer lugar 
que esteja agora e vá até a avenida mais 
movimentada próxima de você. Ao chegar 
nesse local, vá até o meio da rua, deite-se 
no chão e espere um carro, caminhão ou 
ônibus passar... Esperou tempo suficiente? 
Alguns devem estar pasmos agora e dizendo 
que estou louco, estou errado? Bem, vamos 
tentar de novo, não precisa mais sair do local 
em que está, apenas vá até uma cozinha, 
acenda o fogão e espere por volta de três 
Cérebro
e AprendizAgem
Pós-Graduação | Unicesumar
15
minutos. Ao passar esse tempo, desligue a 
boca do fogão e coloque sua mão por sobre 
a “boca” desse eletrodoméstico, colocou? Já 
está feita a experiência? Novamente, muitos 
devem estar se perguntando, o que esse pro-
fessor maluco está querendo? Simples, tenho 
absoluta certeza que hoje, com a maturida-
de de cada um, as duas sugestões parecem 
absurdas, pois, na primeira, você poderia ser 
atropelado e até mesmo vir a óbito e, na 
segunda, você certamente iria se queimar. 
Estou certo? Pois bem meu(inha) amigo(a), 
isso é aprendizagem. Um dia você aprendeu 
que, para atravessar a rua, deve olhar para 
os dois lados e jamais, parar, sentar ou deitar 
em uma avenida, onde o risco é grande. 
Aprendeu também que, quando uma su-
perfície está muito quente, você pode se 
queimar em níveis diferentes, mas qualquer 
tipo de queimadura agride muito nosso or-
ganismo, sendo muito lesiva e gerando um 
desconforto muito grande.
Assim, com essas duas experiências, 
exemplos, você já descobriu ou compre-
endeu o que é aprendizagem. Em algum 
momento da sua vida você aprendeu o que 
essas situações supracitadas podem ocasio-
nar. Resumindo, você aprendeu pela vivência, 
como experimentando, sentindo o que gera 
prazer ou dor, incômodo ou satisfação, nada 
mais nada menos do que seu cérebro res-
pondendo a mesma situação diferentemente 
e quanto mais o tempo passa, quanto mais 
amadurecemos, mais se especializa essa fasci-
nante estrutura que aprende a todo instante, 
do princípio da vida até a morte.
Então como a neurociência pode ajudar na 
compreensão do aprendizado? Essa ciência 
pode nos ensinar muitas coisas atualmente, 
iniciando com o que é aprendizado, identifi-
cando inúmeros fatores que podem interferir 
nesse processo, dentre outras possibilidades. 
Usar o cérebro muda o cérebro, a experiên-
cia reorganiza algumas estruturas internas do 
nosso Sistema Nervoso Central, permitindo, 
assim, que o cérebro faça diferente.
Em nosso corpo, acontecem inúme-
ras “tempestades elétricas” (será explicada 
como elas ocorrem ainda nesse capítulo) 
que levam e trazem as diferentes informa-
ções do nosso corpo, por exemplo, a dor 
devido a um beliscão, ou uma mordida, gera 
uma perturbação em receptores específi-
cos para a dor localizados internamente, 
logo abaixo da nossa pele. Tais receptores 
são sensíveis somente para isso, não perce-
bendo outras variações, como a de úmido, 
áspero ou gelado, para essas situações 
existem outros receptores.
Pois bem, suponhamos que você, sem 
perceber, bateu o dedinho do seu pé na 
cadeira, e isso gerou uma dor bastante 
Uma criança superprotegida, que não 
tem a vivência de brincar, correr, pular 
e experimentar o mundo, aprenderá 
tanto ou tão bem como outra criança 
que passa por uma boa estimulação 
motora?
Fonte: Autor.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
16
forte, que fez com que até desse pulinhos. 
De forma simplificada, os receptores de dor 
situados nos dedos de seu pé perceberão a 
situação e devem obrigatoriamente informar 
o cérebro. Como isso não é possível por tele-
patia, a informação deve ir por uma estrada 
que é constituída por inúmeros neurônios 
que ligam os dois locais, os dedos dos pés e 
cérebro. Por essa estrada, passam potenciais 
de ação (eletricidade), fazendo com que as 
informações cheguem ao cérebro, conheci-
das como informações aferentes, e depois 
de decodificadas, saiam do Sistema Nervoso 
como resposta, conhecidas como informa-
ção eferente.
O problema é que temos aproximada-
mente 100 bilhões de neurônios em nosso 
corpo, os quais se comunicam entre si. Essa 
comunicação também acontece por meio 
de potenciais de ação, isso mesmo, por ele-
tricidade. Antes que alguém me pergunte 
se é como um fio de energia que temos em 
nossa casa, que liga o interruptor da tomada à 
lâmpada presa ao teto, sim! É quase a mesma 
coisa, depois de um comando, a eletricidade 
é liberada, permitindo que a lâmpada acenda. 
A diferença é que dentro de nossa cabeça 
tudo é um pouco mais complexo e depende 
de muitas outras coisas.
Se abrirmos nosso crânio e olharmos 
nosso encéfalo, nada, simplesmente nada 
irá acontecer; se colocarmos a mão por 
sobre nossa cabeça agora. Você também não 
tomará nenhum choque, nem sentirá nada, 
mas isso não quer dizer que nosso cérebro 
está desligado ou descansando, apenas não 
podemos ver. Para isso, foram criadas má-
quinas que analisam a atividade cerebral, ou 
simplesmente a atividade elétrica em nossa 
cabeça.
O problema é que temos diferentes tipos 
de neurônios, alguns mais finos e longos, 
outros menores e mais calibrosos, alguns re-
vestidos com uma estrutura denominada 
bainha de mielina que faz com que o es-
tímulo elétrico viaje por nosso corpo mais 
rapidamente, devido a uma condução de-
nominada saltatória. Isso mesmo, o estímulo 
salta por partes desses neurônios, diminuin-
do o trabalho e o tempo de transmissão da 
informação. Por essas estruturas que formam 
essa “estrada” serem diferentes, elas jamais se 
tocam, jamais encostam umas nas outras. 
Diante disso, pergunto: como faz para essa 
informação passar deum neurônio a outro? 
Como ele é levado à outra estrutura? Apenas 
lembrando que não vale condução saltató-
ria, pois o estímulo não pode pular de um 
neurônio para outro. Claro que sempre pode 
ficar mais difícil...
Vamos por partes, se essas estruturas 
não se tocam, teríamos em nossa “estrada” 
uma falha de construção, como uma ponte 
que passa sobre um rio que não foi constru-
ída, certo? Então como eu chego até meu 
destino se não tem ponte, a estrada acaba? 
Para aqueles que disseram vai de barco, 
nadando, quase acertaram... A resposta é 
sinapse, isso mesmo, esse nome difícil, mas 
elegante. Já pensaram em nomear um filho 
assim? ...Brincadeira pessoal, mas, seguin-
do com nossa ideia, sinapse é o nome do 
Pós-Graduação | Unicesumar
17
processo que leva a informação para o outro 
lado do rio, que transmite a informação de 
um neurônio para o outro. Como é mesmo 
que isso ocorre? Eletricidade, não é? Não! 
Agora, por mediadores químicos conhecidos 
como neurotransmissores (podem ser exci-
tatórios ou inibitórios). Aí alguém já pensou, 
mas professor, eu tenho que decorar tudo 
isso? Eu respondo sim, você não precisa saber 
de todos os detalhes, mas tem de saber dife-
renciar o que é potencial de ação e sinapse. 
Ambos estão intimamente ligados e, em 
consequência, ligados ao conhecimento ad-
quirido pelo ser humano ao longo da vida.
Vamos lá, quem nunca brincou de tele-
fone sem fio na infância? Aquela brincadeira 
que cochichávamos no ouvido do colegui-
nha e ele no do outro amiguinho, até chegar 
ao final de uma fila, de um círculo etc. O en-
graçado é que nunca a informação chegava 
ao final perfeitamente, não é verdade?! 
Voltamos ao corpo humano, um potencial 
de ação é propagado por uma fibra nervosa 
(neurônio) e tem que levar a informação de 
jogar uma pedra no lado. Essa informação sai 
do sistema nervoso em direção aos braços, 
mãos e dedos do indivíduo, mas ao longo do 
caminho que a leva até o seu destino, o qual 
fará a pedra ser lançada, muitas vezes, essa in-
formaçãoestará incompleta, quebrada, com 
um rio passando entre dois neurônios. Então, 
uma sinapse ocorrerá até o movimento ser 
executado (existem estruturas que contro-
lam e corrigem o movimento para que ele 
seja executado perfeitamente). Mas o que 
tem a ver a brincadeirinha citada no início 
do parágrafo? Pense que os neurotransmis-
sores que são liberados em uma sinapse são 
os “fofoqueiros”, são mediadores químicos 
que retransmitem a informa-
ção que a eles chegam 
adiante.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
18
Um resumo de como ocorre a sinapse, de forma mais científica, poderia ser explicado assim: (1) Chega o 
potencial de ação; (2) Abertura dos canais vol-
tagem-dependentes de cálcio; (3) Ativação 
das vesículas secretórias que contêm neuro-
transmissores (exemplo. ACH - acetilcolina) 
em direção a membrana pré-sináptica; (4) 
Exocitose, liberação do neurotransmissor na 
fenda sináptica; (5) Neurotrasmissor se liga às 
proteínas situadas no botão pós-sináptico; (6) 
Enzima acetilcolinesterase atua sobre a ACH 
(se for esse neurotransmissor), quebrando-a 
em acetil e colina; (7) Abrem-se os canais de 
NA+; (8) Início de um novo potencial de ação; 
(9) Acetil e colina voltam para o botão pré-si-
náptico para serem reaproveitadas; (10) Fim.
Uma criança já nasce com muitas cone-
xões sinápticas (conexão entre neurônios, 
atividade elétrica entre eles). Aos 12 meses de 
vida ela tem praticamente o dobro de sinap-
ses que um cérebro adulto, com isso tem-se 
um maior gasto de energia. Acreditava-se 
que, com passar dos anos, iríamos aumentan-
do cada vez mais o número dessas sinapses, 
no entanto, isso acontece basicamente nos 
primeiros anos de vida. Depois nosso cérebro 
se adapta, estabiliza e reorganiza essas si-
napses, fazendo com que elas aconteçam 
de maneira direta e utilizando o menor 
caminho possível, economizando energia 
e trabalhando de maneira objetiva, ou seja, 
se as conexões servem para algum objetivo 
elas são fortalecidas, caso contrário elas são 
eliminadas. Esse é um processo natural no 
desenvolvimento humano.
Diante dessa informação, podemos pressupor 
que um recém-nascido seja mais inteligente 
que um adulto, bem como sua capacidade 
de controlar o copo como um todo, desde 
o intelecto até o recurso motor mais com-
plexo? E podemos afirmar, como muito se 
diz, que uma criança é um adulto em mi-
niatura, estou certo? O que você acha? Para 
a primeira pergunta, aqueles que concorda-
ram estão errados, pois façamos a seguinte 
analogia, quando você compra um copo, 
uma roupa, uma obra de arte ou até mesmo 
um carro, todos esses produtos para o seu 
gosto serão maravilhosos, lindos, bem aca-
bados etc., mas eles sempre foram perfeitos 
assim? Boa parte de tudo o que consumimos 
passa por uma produção, onde a matéria-pri-
ma bruta será lapidada até ficar exuberante 
como se deve, mesmo que para isso tenha 
de ser queimada, engraxada, banhada quimi-
camente, destruída e remoldada. Pois bem, 
para uma criança, esse excesso de sinapses 
nada mais é do que matéria prima para o 
aprendizado, é a matéria bruta que deve ser 
lapidada, construída, moldada, e tudo isso 
só é conquistado pela experiência. Quem 
nunca escutou algumas histórias ou viven-
ciou dentro da própria casa uma criança 
Por que um recém-nascido tudo que 
segura leva até a boca?
Fonte: Elaborado pelo Autor.
Pós-Graduação | Unicesumar
19
que estava em cima do sofá, olhando pela 
janela, ou mexendo na gaveta de facas, ou 
ainda quietinha, aprontando algo? Impossível 
nunca termos escutado ou visto essas situ-
ações, mas porque crianças novinhas fazem 
isso mesmo? Responda essa indagação. Já 
chegou a resposta? Perfeito! Pela experiên-
cia! Basicamente o que ela estava fazendo 
quando estava sobre o sofá, explorando o 
ambiente, nem que para isso ela tenha de se 
cortar na gaveta de facas, e não, não adianta 
falar que ela vai cair ou se cortar. Esse pequeno 
humano ainda não sabe pela sua própria vi-
vência o que é a dor, a queda, o corte etc, 
ele tem de conhecer isso por conta própria. 
Então, se não quer que ele mexa na gaveta 
de facas, troque ela de lugar, se não quer que 
ele faça algo, esconda, pois certamente esse 
bebê irá, assim que possível, mexer, fuçar, co-
nhecer e aprender pela experiência. 
Lembre-se, para a maioria, no início da vida, a 
boca é o lugar onde se conhece e se explora 
esse magnífico meio onde vivemos. Voltamos 
lá para o início do texto, você colocou a mão 
na chapa quente do fogão? Deitou na rua? 
Não, é claro que não, você sabe o que é cair, 
bater e se machucar, você sabe o que signi-
fica e como dói o queimar do fogão, então 
se antecipa para que isso não aconteça. A 
criança deve e tem que aprender por conta 
própria, não estou aqui dizendo que tem que 
deixar ela se queimar ou cair de algum lugar 
muito alto, mas ela deve aprender também 
pela experiência, pela exploração do ambien-
te. Não estamos aqui entrando em teorias 
Vygotskianas ou Piagetianas, apenas estou 
dizendo que a criança é curiosa por nature-
za e buscará conhecer o mundo pelas suas 
próprias mãos ou pela própria boca.
Quanto à segunda informação apontada 
lá atrás, uma criança é um adulto em minia-
tura? Não! Uma criança é uma criança, bem 
diferente de um adulto, ela ainda está bus-
cando, por tentativa e erro, a adaptação, o 
amadurecimento das conexões sinápticas, 
aprendendo um pouco sobre tudo que a 
cerca. Não se esqueça, você sabe que o fogão 
pode queimar e o que é queimar.A criança 
ainda tem de aprender isso, então nunca mais 
comparem uma criança com um adulto, no 
que se refere a esse aspecto, criança é uma 
criança.
Em termos gerais e bastante abrangen-
tes, toda essa tempestade elétrica que se 
tem na cabeça de uma criança é a matéria 
bruta que deve ser lapidada para se chegar 
ao conhecimento, ao aprendizado. É evidente 
que, para isso, podemos percorrer caminhos 
diferentes, errar, voltar e recomeçar até alcan-
çarmos o êxito. Pense que essas conexões 
devem chegar a um objetivo final. Acredito 
que todos já tenham jogado ou praticado um 
labirinto, seja em uma folha de papel ou um 
labirinto dentro de um jardim ou parque de 
diversões. Muitas vezes, temos várias possi-
bilidades de sair (objetivo) desse labirinto e 
sempre buscamos fazer isso de forma mais 
rápida. Isso não quer dizer que aquele in-
divíduo que encontrou outro caminho, 
um pouco mais longo, não tenha aprendi-
do. Sim, ele aprendeu, apenas encontrou 
outra forma de chegar ao aprendizado. À 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
20
medida que nosso cérebro, pela experiência, 
encontra uma resposta satisfatória a uma de-
terminada situação ou problema. Por meio 
da ligação entre dois pontos, é identifica-
do esse caminho sináptico como a principal 
via de acesso àquela informação requerida, 
passando assim a ser utilizada mais vezes, 
pouco a pouco, reforçando essa estrada 
de ligação para um significado ou objeti-
vo específico. Em suma, quanto mais se usa 
o mesmo caminho, mais fácil será para en-
contrar essa estrada em um momento futuro. 
Em nosso cérebro, isso sempre acontecerá, 
ou pelo menos deverá acontecer, na busca 
pelo caminho mais curto.
Por esses motivos, é extremamente im-
portante esse excesso de sinapses no início 
da vida, pois permite ao cérebro não só uma 
riqueza de conexões, mas sim uma riqueza 
de possibilidades que irão ser explora-
das por uma criança em desenvolvimento. 
Evidentemente que o cérebro adulto pode 
tomar várias formas, dependendo do que se 
aprendeu, do que foi vivenciado na infância, 
ou seja, depende dessa remodelagem do 
cérebro que é ocasionada pelas experiên-
cias de vida que cada um de nós passamos.
Diante de tudo o que foi abordado até 
agora, você deve estar se perguntando: como 
faço para aumentar o número de sinapses, 
não é? Na verdade, você não quer muitas 
sinapses, mas sim as sinapses corretas, elas 
podem ser poucas, desde que façam sentido. 
Então, certamente, seu cérebro irá esculpir 
todo aquele emaranhado de conexões 
perdidas e sem lógica transformando-as em 
algo coerente, lógica e que tenha alguma 
finalidade real. Para isso, ocorrerá um 
enfraquecimento daquelas conexões que 
não fazem o menor sentido ou são pouco 
usuais e ocorrerá um fortalecimento daquelas 
que realmente servem para alguma coisa, 
para algum objetivo que seja importante para 
você, que, por exemplo, permita realizar um 
movimento certo, processar a informação de 
maneira significativa, encontrar uma respos-
ta matemática eficaz, dentre outras tantas 
“esculturas” alcançadas pelo nosso cérebro.
Diante do exposto até aqui, o ato de 
aprender trabalha simultaneamente em 
duas bases, fortalecer aquilo que é utiliza-
do e enfraquecer ou até eliminar aquilo que 
não usamos.
Caso ocorra alguma anomalia na forma-
ção gênica do indivíduo, pode-se ocorrer 
um “congelamento” nessa readaptação ce-
rebral, fazendo com que o cérebro desse 
indivíduo permaneça sempre em um estado 
infantil, com muitas possibilidades, mas sem 
nenhuma concretização das sinapses, sem 
nenhuma significação, o que, certamente, 
dificultará o aprendizado.
Acredita-se que existe, nas crianças de 
modo geral, uma janela de aprendizado, um 
momento no qual devemos aproveitar ao 
máximo e ensinar o máximo possível a uma 
criança. Isso não quer dizer que devemos 
entupir uma criança de conteúdo ou afa-
zeres, mas sim, embasar nossas práticas 
pedagógicas tanto dentro da escola, como 
professor, pedagogo, psicólogo, quanto 
simplesmente como pais, tias e irmãos, 
Pós-Graduação | Unicesumar
21
aproveitando esse momento no desenvol-
vimento infantil que ocorre por volta dos 10 
anos de idade, permitindo que uma criança, 
quando bem estimulada, aprenda mais facil-
mente gramática, por exemplo. Daí surge à 
ideia de que quanto mais jovem, mais fácil 
se aprende um segundo idioma. Antes que 
você questione algo relacionado ao aprendi-
zado de outra língua, pense comigo, alguém 
já viu o nascer de um bebê? O médico, a 
mãe ou alguém muda um botão na nuca da 
criança, para que ela aprenda o português, 
inglês, árabe, dentre tantos outros idiomas. 
Resumindo, podemos aprender qualquer 
tipo de gramática, fonética, escrita ou fala, 
tudo dependerá de qual lugar do mundo se 
irá nascer ou crescer. Talvez por esse motivo 
um adolescente que muda de país tenha 
mais dificuldade de aprender o novo idioma, 
devido à mudança de localidade ter ocorri-
do após a primeira década de vida.
Posto isso, é extremamente interessante a 
mudança no currículo escolar, a qual permita 
que o ensino de um segundo idioma ocorra 
ainda nas séries iniciais e não mais após os 
11 anos, lá na fase final do ensino fundamen-
tal, leva a perder, em partes, essa janela de 
aprendizagem.
João, aluno do terceiro ano do ensino Fun-
damental I com 8/9 anos. Ele é um aluno 
mediano, com aprendizado satisfatório para 
sua idade, comportamento normal, com 
relacionamento interpessoal bom com os 
colegas e professores, durante todo o ano 
de 2013 e início de 2014. A partir do fim do 
primeiro bimestre, o aluno começou a faltar, 
tornou-se agressivo, fechado para os ami-
gos e perdeu o interesse para os estudos. A 
escola buscou a família para saber se estava 
acontecendo algo em casa e descobriu que 
o irmão mais velho é um usuário de drogas 
e contrabandista, e que a mãe é submissa 
a ele. Há desconfiança de que esse aluno 
também está usando drogas. 
Diante de tal situação, a professora tenta 
conquistar a confiança de João, para trazê
-lo de volta à escola e proporcionar suporte 
emocional. Haverá uma tentativa de encami-
nhá-lo a um psicólogo, a fim de solucionar ou 
amenizar o problema, uma vez que também 
cabe ao docente encontrar soluções inteli-
gentes para proporcionar o melhor processo 
de ensino-aprendizagem possível. 
Fonte: Elaborado pelo Autor. O nome é fictício, mas 
o conteúdo do caso é real, com adaptações.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
22
Na adolescência, diferentemente do que se 
acreditava, ocorre uma nova fase de formação 
de muitas conexões sinápticas. Essa fase de 
exuberância sináptica proporciona ao adoles-
cente um mundo de possibilidades que pode 
ser desenhado ou firmado em aprendizado.
Agora, isso não quer dizer que perder essas 
janelas de aprendizagem, ou não ser influen-
ciado a aprender outro idioma na primeira 
década de vida, torne impossível a aquisição 
desses conhecimentos na idade adulta. É pos-
sível sim aprender tudo ou tão bem como uma 
criança, porém, fica claro, por nossa vivência e 
observação em nosso cotidiano, que com o 
avançar da idade algumas coisas ficam mais 
difíceis de serem adquiridas, armazenadas em 
nossa cabeça como novo conhecimento. Você 
já se deu conta de que nossos anciões, avós, 
pais, amigos ou qualquer pessoa que tenha 
uma idade mais avançada, em grande parte, 
têm uma dificuldade significativamente maior 
para compreender e aprender algo que gira 
em torno da tecnologia?
Vamos lá, suponhamos que comprásse-
mos um computador, lindo e novo.Quando 
tentássemos abrir um arquivo, página ou 
qualquer coisa, normalmente ele de modo 
rápido, dar-nos-ia as respostas que desejásse-
mos por meio de um clique, correto? Agora, 
após dois anos de uso, esse computador já 
não é tão novo e, provavelmente, levará mais 
tempo para responder aos mesmos coman-
dos. Comparar uma criança a um adulto ou 
a um ancião é a mesma coisa que fazer essa 
analogia com um computador ou até mesmo 
com um carro. Não quer dizer que é impossível 
se aprender depois de certa idade, mas com 
toda a certeza esse aprendizado demandará 
mais tempo. Talvez por isso torna-se compli-
cado ensinar gramática, um segundo idioma 
ou a mexer em um computador, smartpho-
ne, tablets etc.
Dislexia em iDaDe De pré-alfabetização
A criança com dislexia possui características que podem ser percebidas desde a Educação Infantil, 
tais como: atraso na linguagem, dificuldade de nomear objetos, cores etc., utilizar palavras incon-
clusas (“tipo”, “coisa”...) ou alguns vícios de linguagem presentes na sociedade atual ou dependentes 
da localidade em que vive. Possui vocabulário pobre, dificuldade de aprender rimas, memorizar 
músicas ou não consegue expressar uma história dentro de uma sequência lógica. Existem ainda, 
as características motoras, como tropeçar com frequência, apresentar dificuldades para abotoar 
uma calça ou uma camisa, amarrar os cadarços em outras palavras, acabam por ser desastrados.
As características apresentadas acima antecedem o período de alfabetização e se as intervenções 
pedagógicas forem efetivadas nessa fase (Educação Infantil) a dislexia poderá ser amenizada ou 
até superada logo. As intervenções envolvem a assimilação de fonemas (na alfabetização e letra-
mento desde a Educação Infantil), trava-línguas, rimas, desenvolvimento do vocabulário, melhoria 
da compreensão e fluência da leitura. Outra maneira para ensinar as crianças disléxicas poderia 
ser pela utilização das vias táteis, identificando o traçado das letras, bem como a escrita em caixas 
de areia e tatearem letras escritas em lixas (folha de lixa).
Fonte: Elaborado pelo autor.
Pós-Graduação | Unicesumar
23
alguém poderia indagar o seguin-te: mas e uma pessoa com dislexia, por exemplo, ela não aprende como 
todas as outras pessoas, não é verdade? Exato, 
mas junto da pergunta já temos a resposta, 
é uma situação diferente, uma pessoa que 
tem algum distúrbio que interfere no pro-
cessamento de informações, podendo ser 
hereditário, como é o caso da dislexia, mas 
isso não quer dizer que seu portador é incapaz 
de aprender. Esse indivíduo apenas tem di-
ficuldade e sempre irá requerer ainda mais 
atenção de todos aqueles que trabalham 
com ele. Posto isso, nunca devemos dizer a 
uma criança, ou qualquer aprendiz, que ela 
não consegue aprender, que é “burra” ou algo 
do gênero, pelo contrário, devemos sempre 
trabalhar com incentivo, por exemplo, você 
consegue, continue tentando etc.
Ante essa informação, devemos sempre 
incentivar, mas, se possível, evitar o incentivo 
utilizando a palavra inteligente, por exemplo, 
seu aluno acertou um cálculo matemático, 
e você o elogia, “nossa muito bem, como 
você é inteligente”, na verdade, deve incen-
tivá-lo com “parabéns esse é o caminho, ficou 
muito bom, mas você pode melhorar”. São 
apenas sugestões, mas a base para a refle-
xão gira em torno do seguinte: um aluno que 
se percebe pela fala do professor como uma 
pessoa inteligente, perfeita e que acertou, 
não arriscará perder essa imagem aos olhos 
do docente. Já aquele aluno que foi incen-
tivado pela tentativa, pelo esforço, sempre 
tentará melhorar em uma busca incessan-
te pelos elogios advindos do professor, pois 
isso massageia o ego, melhora a autoestima 
e a confiança, além, obviamente, de incluir 
em sua conduta a motivação extrema, com 
o intuito de se alcançar o aprendizado.
É comum escutar, em nosso cotidiano, 
que meninas aprendem mais que meninos 
ou, ao menos, mais rápido. Você concorda 
com isso? Falamos em termos gerais, até 
agora, de processos superiores que possi-
bilitaram o aprendizado, no entanto, não foi 
mencionado, em nenhum momento, sobre 
diferenças de aprendizado em cérebro mas-
culino ou feminino, isso é mito. Os cérebros 
aprendem da mesma maneira, independen-
temente se estão na cabeça de um homem 
ou uma mulher. O que muda é a motivação 
de cada um para aprender uma coisa ou 
outra, podendo obviamente estar relacio-
nada diretamente por uma pré-disposição 
individual, por exemplo, ter maior facilida-
de em matemática, quando comparada à 
gramática, sendo a primeira aquela que se 
aprende facilmente e normalmente é mais 
agradável.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
24
Diferenças no tamanho Do 
cérebro masculino e feminino
Atualmente, sabe-se que um homem tem 
um cérebro 10% maior quando compara-
dos ao do sexo feminino, no entanto, isso 
não representa que os homens sejam mais 
inteligentes ou apresentem um maior de-
sempenho. O cérebro feminino atinge a ma-
turidade por volta dos 11 anos e o masculino 
somente aos 14 anos, aproximadamente. 
Por outro lado, algumas regiões cerebrais 
envolvidas em raciocínio mecânico, concen-
tração visual e raciocínio espacial amadure-
cem até oito anos antes nos meninos. Talvez 
seja essa a explicação para que homens se-
jam muito mais aptos para áreas de exatas, 
apresentam habilidades esportivas em dife-
rentes modalidades, por exemplo, corridas 
automobilísticas. Mulheres, por outro lado, 
amadurecem mais rapidamente áreas que 
controlam a fluência verbal, escrita e reco-
nhecimento fácil dos familiares.
Estudos que utilizaram imagens de ressonân-
cia magnética concluíram volumes diferentes 
do cérebro entre homens e mulheres, apre-
sentando resultados que colaboram muito 
para a área da educação, uma vez que com-
provam a diferença cerebral entre meninos 
e meninas, na escola ou no ensino superior. 
As imagens coletadas mostram que mulhe-
res tem um volume 23% maior na área de 
Broca, no córtex pré-frontal dorsolateral e 
13% maior na área de Wernicke, no córtex 
temporal superior, quando comparado aos 
homens. Assim, os estudos demonstram que 
mulheres tem maior habilidade na leitura e 
na fala.
Fonte: Texto baseado no livro Relvas, M. P. Neuro-
ciência e Educação: potencialidades dos gêneros 
humanos na sala de aula. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak 
Ed. 2010. 160 p.
o intelecto entre 
homens e mulheres
Existem diferenças intelectuais entre ho-
mens e mulheres? As mulheres, imagino, 
sorriram e disseram que sim, que são mais 
inteligentes que os homens. O desempenho 
masculino é maior em raciocínios matemáti-
cos, testes de manipulação de objetos diver-
sos, testes de habilidades motoras com alvo 
e até de navegação de rotas. Já mulheres 
tem a capacidade de lembrar-se de palavras 
específicas, são melhores em tarefas manu-
ais ou em um simples jogo de memória com 
cartas viradas, onde devemos lembrar-nos 
da localização dos pares. Estudos nessa li-
nha de discussão comprovam que homens 
aprendem um caminho para chegar a algum 
local mais rapidamente que o sexo oposto, 
por outro lado, as mulheres têm a habilida-
de de demarcar pontos estratégicos para a 
orientação espacial.
Apesar das diferenças entre gêneros se-
rem pequenas, podemos encontrar uma 
variação cognitiva bastante grande entre 
homens e mulheres e, ao contrário do que 
sempre se imaginou, tais diferenças iniciam-
se por volta de 3 anos de idade, muito antes 
da puberdade.
Fonte: Texto baseado no livro Relvas, M. P. Neuro-
ciência e Educação: potencialidades dos gêneros 
humanos na sala de aula. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak 
Ed. 2010. 160 p.
Pós-Graduação | Unicesumar
25
Diante do exposto até o presente momento,conseguimos traçar parâmetros e 
adquirir informações que nos propiciassem um alicerce para começarmos a en-
tender ou compreender o aprendizado.
Tome um papel e uma caneta, escreva a palavra APRENDIZADO no centro 
da folha, a partir daí iniciaremos nossa discussão da seguinte maneira, pense no 
que é importante para o aprendizado. Alguns provavelmente levantaram a repe-
tição, isso está inteiramente correto, mas, dando um pequeno espaço, vá a folha 
de papel e escreva acima da palavra aprendizado um novo tópico denominado 
PRÁTICA. Posto isso, você, quando está em seu tempo livre, gosta de fazer o que? 
Sei que pensará em milhões de coisa, então permita que eu refaça a indagação, 
para realizar algo que goste, o que é necessário? Isso mesmo, prazer, então volte a 
folha e abaixo da palavra aprendizado escreva MOTIVAçãO. Para se ensinar qual-
quer coisa, o que é necessário obter em sua conduta como docente, para facilitar 
o aprendizado de seu aluno? Quem disse estratégia também acertou. Volte a folha 
e escreva MÉTODOS ao lado esquerdo do aprendizado. Por fim, para fecharmos 
alicerce para 
o aprendizado
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
26
nossa estrutura que auxiliará na promoção do aprendizado, pense: adianta obter 
as melhores estratégias, os métodos mais atuais para ensinar se o aluno não quer 
aprender? Não, é claro que não. Então, fica evidente que esse alicerce se completa 
pela ATENçãO. Vá à folha e escreva essa palavra ao lado direito da palavra apren-
dizado. Pronto, temos em nosso guia a palavra aprendizado ao centro, rodeada 
pelos nossos alicerces que propiciaram o ato de aprender. Abaixo a palavra mo-
tivação, acima prática, à esquerda métodos e a direita atenção.
Seguindo com nossa ideia, trace uma flecha da palavra prática até motivação 
e outra no sentido inverso, cruzando a palavra aprendizado. Todos devem con-
cordar que aprendemos quando praticamos, devemos repetir e repetir quantas 
vezes forem necessárias até firmar aquilo que pretendemos em nossa memória 
e, para isso, devemos estar motivados, não existe prática sem motivação, ou você 
vai a academia de ginástica sem um objetivo? Você estuda sem que tenha que 
realizar uma prova? Pois bem, para aprender, devemos estar motivados, com 
vontade de praticar tal ação até que ela fique retida em nosso cérebro. Só recor-
dando, temos em nosso cotidiano um tempo significativamente curto. Sendo 
assim, não podemos praticar muitas coisas ao longo de um dia. Sendo assim, 
devemos voltar nossos esforços a algumas coisas específicas, tornando-nos es-
pecialistas em algo, por isso, também, é impossível ser ótimo em tudo.
A motivação é fundamental por uma série de fatores, como encorajamento, a 
sinalização positiva que gera a perspectiva de que estamos no caminho correto, 
de que estamos fazendo certo e devemos continuar praticando, é ela quem nos 
proporciona um feedback sobre nossos atos, permitindo o querer melhorar in-
dividual. A motivação também depende do nível de dificuldade, fácil demais é 
ruim e difícil de mais também é ruim. Inicia-se a partir daí um ciclo vicioso, quanto 
mais motivado, mais horas de prática, maior a motivação e assim por diante.
É bem verdade que sem essa tal motivação não conseguimos aprender e o 
grande responsável por isso é o nosso cérebro. Todos nós temos estruturas intrín-
secas localizadas no cérebro que são afetadas positivamente, sendo que centros 
específicos de prazer produzem uma substância chamada de dopamina, um neu-
rotransmissor relacionado ao prazer. Sempre que temos essa substância liberada, 
uma situação de bem-estar será estimulada em nosso organismo, melhorando 
nossa atenção e reforçando todo o comportamento corporal para o objetivo em 
questão. Por outro lado, tarefas demasiadamente fáceis ou difíceis demais, frus-
tram o cérebro e levam a desmotivação.
Pós-Graduação | Unicesumar
27
Para os métodos, também acredito que não haverá discussão, mas vamos 
em frente. Posso afirmar que um professor deve ter na manga vários métodos de 
ensino, correto? Evidente que sim, pois a forma de ensino nem sempre deve ser 
a mesma, ela pode variar em função da necessidade. Alguns aprendem de um 
jeito, mas não quer dizer que todos os demais aprendam da mesma maneira ou 
na mesma velocidade, e é sua responsabilidade criar estratégias e oportunizar 
situações para que todos aprendam. Não confunda essas palavras com a im-
plicação em obter 40 métodos diferentes para a mesma aula, mas você deverá 
estar atento as mais diversas possibilidades, proporcionando aos discentes as 
mais variadas condições de ensino, pois se um aluno não aprendeu não quer 
dizer que nunca poderá aprender. Apenas esteja antenado para alterar o método, 
quem sabe assim isso facilite o aprendizado dessa criança, jovem ou adulto. 
Para fecharmos essa terceira ideia referente aos métodos, os quais são diver-
sos, pense em uma multiplicação de cabeça, em um cálculo mental, e outra em 
uma folha de papel. As formas de realizar as operações matemáticas são iguais? 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
28
Não. As operações convencionais, colocando um número abaixo do outro e reali-
zando o cálculo por etapas e depois somando-o, são grandes demais para nossa 
memória de trabalho, que consegue guardar e armazenar de 6 a 8 informações 
a cada instante. Então, quando você tenta realizar o mesmo cálculo que seria re-
alizado no papel de cabeça, normalmente, você se perde no meio. Talvez isso 
não ocorra para contas menores como de dois algarismos. Vamos lá, pense em 
uma multiplicação de cabeça, faça o seguinte cálculo matemático, multiplique 
2 x 2; agora 5 x 4; 12 x 3; todos muito fáceis não é? Agora para que você entenda 
melhor o que eu estava tentando explicar, continue com operações matemáti-
cas e, rapidamente, calcule para mim, 2 x2 x 4 ÷ 5 x 2 – 8 +16 +13, o resultado 
é? Confuso, eu sei, mas veja como seu cérebro foi sobrecarregado, mesmo com 
contas relativamente simples, pois ele deve lembrar qual é o problema, realizar o 
cálculo, multiplicar 2 com 2, igual a 4 e multiplicar com mais 4, 16 e assim suces-
sivamente até o final das operações. Quando concluir, o cérebro deve se lembrar 
de qual era o problema inicial para gerar a resposta, ou seja, ele teria de realizar 
muitas contas lembrando da pergunta, sem esquecer de nada. Infelizmente, nossa 
memória de trabalho não consegue controlar e lembrar de tanta coisa, assim você 
se perde no meio do cálculo. Sobretudo, mesmo que esse fosse um método per-
feito, nem todas as pessoas teriam facilidade de realizar operações matemáticas 
dessa maneira. Somos diferentes, e encontramos caminhos para realizar tarefas, 
até chegar ao aprendizado diferentemente, jamais se esqueça disso.
Já ao falar em atenção, podemos apontar que o aprendizado está sugerido como 
algo que só é adquirido mediante o foco, a atenção sobre algo específico. Você só 
entende um trecho de um livro ou o livro todo se estiver focado nas palavras que está 
lendo, caso contrário, cairá em esquecimento e, ao final da leitura, não compreende-
rá nada e deverá recomeçar a ler. Quantos já não passaram por isso em seus anos de 
estudo? Alguns (principalmente as mulheres), vão falar que é mentira, que mulher 
consegue realizar inúmeras coisas ao mesmo tempo, por exemplo, cuidar das crian-
ças, falar no telefone, cuidar da comida, navegar na internet e ainda fazer contas. Pois 
bem, meu(inha) amigo(a), a mulher tem o dom sim de alternar o foco muito rapi-
damente, mas do ponto de vista biológico isso é impossível, tanto homens quanto 
mulheres podem manter o foco apenas em uma coisa de cada vez.
Pós-Graduação | Unicesumar
29
Leandro era um menino aparentementesem nenhum tipo de problema, sen-
tava sempre no fundo da sala, realizava sempre as atividades propostas e não 
apresentava problemas de comportamento. Foi assim até o 1º ano. Ao iniciar 
o 2º ano, de imediato, a professora percebeu uma mudança, Leandro passara 
sempre a se posicionar de frente para qualquer pessoa que viesse a falar com 
ele, fosse coleguinha ou quando a professora solicitava alguma atividade. Foi 
ficando cada vez mais evidente que, se conversasse de costas para ele, Leandro 
acabava por não realizar a tarefa solicitada. Com essa observação, aliada ao 
diagnóstico clinico, constatou-se que Leandro estava com dificuldade auditiva. 
A partir de então, além de profissionais específicos que passaram a trabalhar 
com Leandro, a professora começou a buscar novas estratégias ou métodos 
para continuar ensinado de forma satisfatória, por exemplo, falar de forma 
mais lenta e espaçada, utilizar em seus lábios, batons com cores mais “vivas”, 
para facilitar a leitura labial, mantê-lo a frente dos demais alunos, sempre que 
possível apresentando as atividades de forma escrita e integrá-lo em brinca-
deiras. Devido ao esforço e boa vontade da professora, para a alegria de todos, 
Leandro, em seis meses, já obtinha resultados muito satisfatórios.
Fonte: Elaborado pelo autor. O nome é fictício, mas o conteúdo do caso é real, 
com adaptações.
Posto isso, fechamos nossa ideia inicial de aprendizado, a qual expõe que, para que ele aconteça, devemos nos alicerçar em quatro pilares, motiva-ção, prática, métodos e atenção, sem eles, sozinhos e ao mesmo tempo 
interligados diretamente não é possível aprender nada.
Também devemos considerar a oportunidade como ponto mais globalizado. 
Como se aprende a tocar piano? A chutar a bola? A andar de bicicleta? Somente 
tendo a oportunidade de conhecer e manusear um piano, uma bola ou uma 
bicicleta.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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poTenCiAiS 
de membrAnA e AÇÃo
Potenciais de membrana são causados pela difusão de íons que passam de 
um lado para o outro da membrana celular.
Fibras nervosas normais, como neurônios, são até 100 vezes mais permeáveis 
ao potássio que ao sódio.
A Bomba de Sódio-Potássio transporta 3 moléculas de sódio para fora da 
célula e 2 moléculas de potássio para dentro da célula. Essa perda continua-
da de cargas positivas pelo interior gera um grau adicional de negatividade.
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potencial de ação neural
Segundo Guyton e Hall (2006), os sinais neurais são transmitidos por meio de po-
tenciais de ação, que são variações muito rápidas do potencial de membrana. Cada 
potencial de ação começa com uma modificação abrupta do potencial de repouso 
negativo normal, para um potencial positivo, e em seguida, termina com a modi-
ficação quase tão rápida para o potencial negativo. Para conduzir o sinal neural, o 
potencial de ação se desloca ao longo de toda a fibra nervosa até atingir seu término.
As fases sucessivas do potencial de ação são as seguintes:
Fase de Repouso: É o momento em que o potencial de membrana está, 
como sugerido pelo processo, em repouso. Antes de iniciar um potencial de 
ação. Nessa fase, diz-se que a membrana está “polarizada”.
Fase de Despolarização: É o momento em que a membrana fica muito per-
meável a íons de sódio, o que permite sua entrada para o interior do axônio 
em grande quantidade. O estado “polarizado” normal é de -90mV, quando for 
perdida essa tensão em repouso, com o potencial variando rapidamente na 
direção da positividade.
Fase de Repolarização: Devido a poucos décimos de segundo após a mem-
brana ter ficado permeável a íons de sódio, os canais de sódio começam a se 
fechar, enquanto os canais de potássio se abrem mais que o normal. Dessa 
forma, a rápida difusão do potássio para o exterior da célula restaura o po-
tencial de membrana negativo normal do repouso.
Permita-me tentar explicar rapidamente, de forma simplificada e com uma lin-
guagem o mais informal possível, essa base de processos pelos quais é gerado 
o potencial de ação, como surge essa eletricidade dentro do nosso corpo.
Somos seres vivos, e com isso obtemos várias estruturas celulares. Não caro(a) 
aluno(a), não quero que você aprenda biologia novamente, mas apenas que 
compreenda melhor alguns desses aspectos inerentes ao fenômeno denomi-
nado potencial de ação. Pois bem, pense em uma célula, melhor, desenhe uma 
linha em um papel, uma linha espessa, feito isso, escolha um dos lados da linha 
e escreva a palavra INTRACELULAR e, do outro lado, a palavra ExTRACELULAR. 
Pense que isso é um círculo, uma célula, um lado é dentro (intra) da célula e outro 
fora (extra) da célula. Após isso, coloque várias letras K+ (íons de potássio) do lado 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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intracelular, e vários Na++ (íons de sódio) do lado extracelular. Posto isso, come-
ça-se complicar um pouco mais, toda célula, em seu interior, é muito negativa 
e em seu exterior muito positiva. Pergunta, se os dois íons que coloquei a vocês 
são positivos, como isso é possível? Exatamente, existem outras cargas negativas 
dentro da célula e em grandes quantidades por sinal. Esses demais íons ficam 
próximos à membrana do lado interno da célula e as cargas positivas próximas 
às membranas do lado externo.
No interior do axônio, existem muitos íons com carga negativa que não podem 
passar pelos canais. Eles incluem moléculas de proteína, muitos compostos orgâ-
nicos de fosfato, compostos sulfatados e muitos outros. Devido a não poderem 
sair da fibra, qualquer déficit de íons positivos no interior da membrana leva a 
excesso de íons negativos impermeantes.
Não entrarei em aspectos moleculares da membrana celular, saiba apenas 
que ela é formada por duas camadas de lipídios e nela teremos as cargas negati-
vas e positivas que atraíram os íons opostos para próximo dela, tanto no interior 
quanto no exterior da célula, isso mesmo, uma reação similar a de um imã, onde 
os opostos se atraem.
Seguindo com o funcionamento de um potencial de ação, volte à folha e 
coloque muitos Na++ do lado de fora da célula, mas muitos mesmo. Feito isso, temos 
estruturas na membrana celular que permitem a entrada de íons específicos, pode 
ocorrer difusão simples, facilidade ou mediada por carreadores. Simplificando, 
existem estruturas que permitem a passagem de íons pela membrana da célula, 
tanto para dentro quanto para fora, mas não aprofundaremos esses conhecimentos 
para o momento. Temos uma quantidade absurda de íons de Na++ do lado extrace-
lular, correto? Mas faça a seguinte analogia, se você embarcar em um ônibus que 
está muito lotado na parte da frente, e você visualiza que, do outro lado, ao final 
do ônibus, está um pouco mais vazio, o que você faria? Certamente, como lei de 
sobrevivência humana, buscará o ambiente mais folgado, que não esteja muito 
lotado, correto? Com os íons acontece da mesma maneira, tem muito Na++ do 
lado de fora da célula, portanto, eles buscarão um lugar um pouco mais vazio. E 
onde tem pouco Na++ em nosso exemplo? Isso mesmo, dentro da célula, e mesmo 
com aquelas estruturas que transportam esses íons pela membrana boqueando 
a livre passagem, alguns felizardos conseguiram ir ao lado de dentro da célula, 
lado mais tranquilo e vazio. Assim, com a entrada de cargas positivas no meio in-
tracelular, o que acontece? Dentro da célula era muito negativo correto? Com a 
entrada íons positivos, teremos uma curva crescente em direção a zero. Assim, a 
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célula, aos poucos, deixa de ser tão negativa e começa a ficar lentamente positi-
va. À medida que muitos íons de Na++ começam a passar de fora para dentro da 
célula, um evento ocorrerá na membrana e as portas seletivasaos íons positivos 
de Na++ se abrirão e como consequência, a célula terá seu interior inundado de 
cargas positivas. Nesse sentido, a célula que era negativa passa a ficar positiva e 
evento conhecido como despolarização da célula.
A ativação dos canais de sódio acontece quando o potencial de membra-
na fica menos negativo que durante o período de repouso, passando de -90 mV 
para zero. Esse potencial passa por uma voltagem, em geral, entre -70 e -50 mV, 
que provoca alteração conformacional da comporta de ativação, fazendo com 
que ela se abra. Isso é chamado de estado ativado; durante ele, os íons de sódio 
podem literalmente jorrar por esses canais, aumentando a permeabilidade ao 
sódio da membrana de 500 a 5.000 vezes (GUYTON, HALL, 2006).
Para a inativação desses canais de sódio, o mesmo aumento da voltagem que 
abre a comporta de ativação também fecha a comporta de inativação. Contudo, o 
fechamento da comporta de inativação só ocorre após alguns décimos de milési-
mos de segundo de sua abertura. Isto é, a alteração conformacional que modifica 
o canal de inativação para a posição fechada é um processo mais lento, enquan-
to a alteração conformacional que abre a comporta de ativação é muito rápida. 
Como resultado, após o canal de sódio ter ficado aberto por alguns décimos mi-
lésimos de segundo, ele se fecha e os íons de sódio não mais podem jorrar para 
o interior da membrana. A partir desse momento, o potencial de membrana 
começa a variar em direção ao valor vigente no estado de repouso da membra-
na, o que constitui o processo de repolarização (GUYTON, HALL, 2006).
Característica muito importante do processo de inativação do canal de sódio 
é a de que a comporta de inativação não voltará a se abrir até que o potencial de 
membrana retorne ao (ou bastante próximo) valor do potencial de membrana 
de repouso inicial. Como consequência, não é possível nova abertura dos canais 
de sódio até que a fibra nervosa se tenha repolarizado (GUYTON, HALL, 2006).
Em seu estado de repouso, a célula é negativa em seu interior e positiva em 
seu exterior, se a célula tem cargas positivas em excesso no meio intracelular o 
que deve acontecer? Lembra-se do outro íon positivo que você escreveu na folha, 
que fica dentro da célula? Isso mesmo, estamos falando do K+, este não suporta 
ficar em lugar apertado, ainda mais misturado a excessivas quantidades de sódio. 
Assim, ele começa a se retirar da célula, migrando para o meio extracelular. Mas 
pense comigo, cargas positivas saindo de dentro da célula fará com que a curva 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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decresça em direção a zero e, consequentemente, a negatividade, correto? Isso 
mesmo, com o inchaço de íons de Na++dentro da célula, ocorre uma mudança na 
membrana que fecha as comportas seletivas a esse íon, e conforme inicia a saída 
de potássio, mais portas se abrem seletivamente para esse íon, permitindo que a 
célula volte a ficar negativa. Esse momento é conhecido como repolarização.
O canal de potássio voltagem-dependente atua em dois estados distintos: 
durante o estado de repouso e próximo ao término do potencial de ação. Durante 
o estado de repouso, o canal de potássio fica fechado, e os íons de potássio são im-
pedidos de passar por esse canal para o exterior. Quando o potencial de membrana 
começa a aumentar, a partir de -90 mV, em direção ao zero, essa variação de vol-
tagem provoca alteração conformacional, abrindo o canal e permitindo aumento 
da difusão do potássio por ele. Contudo, esses canais de K+ são mais lentos tanto 
para abrir quanto para fechar, dessa forma, a célula não só fica negativa, mas devido 
à lentidão no fechamento dos canais, muito potássio sai da célula, fazendo com 
que seu interior fique muito negativo, mais do que seu normal em repouso, evento 
conhecido como hiperpolarização, a qual pode ser subdividida em hiperpolariza-
ção absoluta ou refratária. Na absoluta, não é possível iniciar um novo potencial de 
ação nunca, já na refratária se um novo estímulo perturbar a membrana celular em 
uma magnitude muito grande é possível iniciar um novo evento elétrico.
A causa do pós-potencial positivo é, em grande parte, que muitos canais de 
potássio permanecem abertos após o processo de repolarização da membrana 
ter se completado. Isso permite que excesso de íons de potássio se difunda para 
fora da fibra nervosa, deixando déficit extra de íons positivos no interior, o que 
implica negatividade. Enquanto esse estado de hiperpolarização persistir, não 
ocorrerá reexcitação, mas, gradativamente, a condutância excessiva do potássio 
(e o estado de hiperpolarização) diminui até desaparecer, o que permite que o 
potencial de membrana aumente até atingir o limiar para excitação, então, subi-
tamente, aparece novo potencial de ação (GUYTON, HALL, 2006).
Temos apenas um pequeno problema, volte a seu papel. No interior da célula, 
devem estar os íons de K+ e do lado de fora íons de Na++, portanto, algo não está 
correto. Depois de todo o evento, a célula que ficou positiva, voltou a ser negativa, 
até ai perfeito, mas a ordem dos íons está incorreta, está invertida, o que fazer? Como 
corrigir esse erro? E lá surge outro mocinho na história, conhecido como bomba de 
Na++/ K+, localizada na membrana celular, a qual é responsável pela reorganização 
iônica, enviando três íons de Na++ de dentro para fora da célula e simultaneamen-
te, colocando dois íons de K+ que estavam fora para dentro da célula.
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bomba de sódio-potássio
É o processo de transporte que bombeia íons de sódio para “fora” por meio da 
membrana celular, enquanto, ao mesmo tempo, bombeia íons de potássio de 
“fora” para “dentro”. Essa bomba está presente em todas as células do corpo, é 
responsável pela manutenção das diferenças de concentração de sódio potássio 
mediante a membrana celular, além de estabelecer um potencial elétrico negativo 
no interior da célula (GUYTON, HALL, 2006).
A proteína carreadora tem três características:
1. Contém três sítios de fixação para os íons de sódio (voltados para a face 
interna da célula).
2. Contém dois sítios de fixação para os íons de potássio (voltados para a 
face externa da célula).
3. Próxima aos íons de fixação de sódio, existe atividade ATPase.
Simplificando: A bomba de sódio-potássio impede que a célula inche até es-
tourar, por isso transfere o sódio do interior para o exterior da célula, que levará 
juntamente com ele uma quantidade de água. Consequentemente criará um 
potencial negativo no interior celular e positivo em seu exterior.
acomodação da membrana: 
falta de atividade apesar da 
elevação da voltagem
Se o potencial da membrana se elevar de forma muito lenta durante vários milisse-
gundos, em vez de em fração de milissegundo, as comportas lentas de inativação 
dos canais de sódio terão tempo suficiente para se fecharem ao mesmo tempo 
em que as comportas de ativação estiverem se abrindo. Como resultado, a aber-
tura das comportas de ativação não será tão eficaz para promover o aumento do 
fluxo de íons de sódio, como ocorre normalmente. Portanto, o aumento lento do 
potencial interno de uma fibra nervosa vai exigir voltagem limiar mais elevada ou 
impede, completamente, a geração de potencial de ação; por vezes, até mesmo 
com elevações da voltagem até zero ou com voltagem positiva. Esse fenômeno 
é chamado de acomodação da membrana ao estímulo.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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propagação do 
potencial de ação
Nos parágrafos precedentes, discutimos o potencial de ação como se ele ocor-
resse em ponto único da membrana celular. Contudo, um potencial de ação 
gerado em qualquer ponto de uma membrana excitávelexcita, geralmente, as 
regiões adjacentes da membrana, resultando na propagação desse potencial 
de ação.
Quando uma fibra nervosa é excitada, a permeabilidade aumenta para o sódio, 
forma um “circuito local” do fluxo de corrente entre as regiões despolarizadas da 
membrana e as áreas adjacentes da membrana em repouso; cargas elétricas po-
sitivas, carreadas pelos íons de sódio que se difundem para o interior, fluem para 
o interior da fibra, por meio da região despolarizada e, em seguida, por vários mi-
límetros, ao longo da parte central do axônio. Essas cargas positivas aumentam 
a voltagem, por distância de 1 a 3 mm nas fibras calibrosas, até valor acima do 
valor limiar da voltagem para geração do potencial de ação. Por conseguinte, os 
canais de sódio nessas novas áreas ficam imediatamente ativados enquanto o 
potencial de ação se propaga. Em seguida, essas novas áreas despolarizadas pro-
duzem novos circuitos locais de fluxo de corrente com pontos mais distantes da 
membrana, causando mais e mais despolarizações. Dessa forma, o processo da 
despolarização trafega ao longo de toda a extensão da fibra. A transmissão do 
processo de despolarização ao longo de fibra nervosa ou muscular é chamada 
de impulso nervoso ou muscular (GUYTON, HALL, 2006).
fibras nervosas 
mielínicas e amielínicas
Fibras mais calibrosas são fibras mielínicas, enquanto as mais delgadas são 
amielínicas. Um tronco nervoso típico contém cerca de duas vezes mais fibras 
amielínicas que mielínicas. A parte central dessa fibra é o axônio, e sua membra-
na representa a verdadeira membrana condutora formando aquela “estrada” que 
comentamos anteriormente, que tem a função de levar e trazer as informações. 
O interior do axônio é ocupado pelo axoplasma, que é um líquido intracelular 
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bastante viscoso. Circundando o axônio, existe a bainha de mielina a qual, muitas 
vezes, é bem maior que o próprio axônio e que, a intervalos de cerca de 1 a 3 
mm, ao longo de toda a extensão do axônio, é interrompida pelos nodos de 
Ranvier. A bainha de mielina é formada, em torno do axônio, pelas células de 
Schwann do seguinte modo: a membrana de uma célula de Schwann, inicial-
mente, circunda o axônio. Em seguida, essa célula gira em torno do axônio por 
muitas voltas, depositando múltiplas camadas de sua membrana celular, que 
contém a substância lipídica esfingomielina. Essa substância é excelente isolan-
te, capaz de diminuir o fluxo iônico por meio da membrana por cerca de 5.000 
vezes, ao mesmo tempo em que reduz a capacidade da membrana por 50 
vezes. Contudo, no ponto de junção entre duas células de Schwann sucessivas, 
ao longo do axônio, persiste pequena região não isolada, com apenas cerca de 
2 a 3 µm de extensão, por onde os íons podem fluir, com facilidade, do líquido 
extracelular para o interior do axônio. Essa região é o nodo de Ranvier e é nesse 
ponto que ocorrerá mais facilmente, aqueles processos do potencial de ação 
citados anteriormente, a despolarização e repolarização da fibra que estava em 
repouso, permitindo assim que apenas partes do axônio sejam despolarizadas. 
Antes que perguntem, isso mesmo, o estímulo praticamente ganha asas e salta 
por sobre a camada isolantes de lipídios (bainha de mielina), pulando de nodo 
em nodo de Ranvier (GUYTON, HALL, 2006).
condução “saltatória” 
nas fibras mielínicas
Muito embora os íons não possam fluir com intensidade significativa através 
das espessas bainhas de mielina dos nervos mielinizados, eles podem fluir com 
grande facilidade pelos nodos de Ranvier. Por conseguinte, os potenciais de ação 
só podem ocorrer nos nodos. Assim, os potenciais de ação são conduzidos de 
nodo para nodo, processo chamado de condução saltatória. Isto é, a corrente elé-
trica flui pelos líquidos extracelulares que circundam a fibra, mas também pelo 
axoplasma, de nodo a nodo, excitando sequencialmente os sucessivos nodos. 
Assim, o impulso nervoso salta ao longo da fibra, o que deu origem à designa-
ção de “saltatória”.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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a condução saltatória é importante por duas razões. Primeira, por fazer com que a despolarização salte por sobre longos trechos, ao longo do eixo da fibra nervosa. Esse mecanismo aumenta muito a velocidade da 
transmissão neural nas fibras mielinizadas, de 5 a 50 vezes. Segunda, a condução 
saltatória conserva energia para o axônio, pois apenas os nodos despolarizam, 
permitindo perda de íons cerca de 100 vezes menor do que a que seria neces-
sária, caso não ocorresse condução saltatória e, como resultado, exigindo pouca 
atividade metabólica para o restabelecimento das diferenças de concentração 
de sódio e potássio, através da membrana celular, após uma série de impulsos 
nervosos (GUYTON, HALL, 2006).
Outra característica da condução saltatória nas grandes fibras mielínicas é a 
seguinte: o excelente isolamento criado pela membrana de mielina e a redução 
de 50 vezes da capacidade da membrana permitem que o processo de repola-
rização ocorra com transferência muito reduzida de íons. Assim, ao término do 
potencial de ação, quando os canais de sódio começam a fechar, a repolariza-
ção ocorre de modo tão rápido que, em geral, os canais de potássio ainda não 
estão abertos em número significativo. Como resultado, a condução do impulso 
nervoso por fibra nervosa mielínica é efetuada, quase que inteiramente, pelas 
variações sequenciais dos canais de sódio voltagem-dependentes, com contri-
buição muito pequena dos canais de potássio.
velocidade de condução 
nas fibras nervosas
A velocidade de condução nas fibras nervosas varia desde o mínimo de 0,5 m/s, 
nas fibras amielínicas mais delgadas, até cerca de 100 m/s (o comprimento de 
um campo de futebol em um segundo), nas fibras mielínicas mais calibrosas. 
Em termos aproximados, essa velocidade de condução aumenta em proporção 
direta com o diâmetro nas fibras mielínicas e com a raiz quadrada do diâmetro 
da fibra nas amielínicas (GUYTON, HALL, 2006).
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considerações finais
Nesta unidade, conseguimos compreender alguns fundamentos importantes 
para a elucidação do aprendizado e de qual forma ele acontece e se prende em 
nosso cérebro. Vimos que ao se tratar de aprendizagem, devem-se observar inú-
meros processos intrínsecos que estão simultaneamente acontecendo dentro 
de nosso organismo.
Em verdade, nós, seres humanos, mesmo que presos a uma redoma de vidro 
desde o nascimento, aprenderíamos muito e com toda a certeza iríamos nos 
desenvolver do ponto de vista biológico. Por outro lado, foi possível também iden-
tificar que a estimulação ambiental, quando bem ofertada aos aprendizes, pode 
possibilitar caminhos mais fáceis para se alcançar um determinado estágio de 
conhecimento. Evidenciamos a necessidade de se preocupar globalmente com 
os processos e estratégias oferecidas dentro do contexto escolar. Sendo assim, 
poderíamos desenvolver um melhor alicerce para que não apenas se aprenda, 
mas se aprenda de maneira satisfatória.
Fica lançado em nossa discussão inicial que não estamos totalmente prepara-
dos para trabalhar com o aprendizado, uma vez que nem todos os métodos irão 
funcionar igualmente para todos. Podemos afirmar, então, que nossas capacita-
ções realizadas até hoje, provavelmente, também não consideravam o cérebro 
e seu funcionamento, ou sua possibilidade de adaptação. Capacitações ou for-
mação continuada vai muito além de um curso de pós-graduação ou de uma 
palestra municipal, é ir a campo, identificar falhas no sistema e proporcionar ao 
acadêmico um aprendizado alicerçado em bases científicas, com um trabalho 
cirúrgico, bem estruturado e direcionado também ao prazer.Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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atividades de autoestudo
1. É muito comum a discussão de como o ser humano aprende ou como 
apresentamos dificuldades para se alcançar o aprendizado desejado ou 
imposto, não importando a classe social ou sexo. Diante do exposto, como 
nosso cérebro aprende?
2. Muitos indivíduos, durante o processo de ensino-aprendizagem, não apre-
sentam um resposta satisfatória diante das solicitações do docente, seja por 
estarem inclusos em um meio muito heterogêneo, ou por falta de vontade 
de aprender. Como podemos apontar os alicerces para o aprendizado e 
como você os utilizaria em seu campo de trabalho?
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filme
Ao Mestre com Carinho
Diretor: James Clavell
Duração: 1:45 min
Ano: 1967
País: Reino Unido
Gênero: Drama
Sinopse:Mark Thackeray (Sidney Poitier) é engenheiro, mas ficou desempregado e re-
solveu dar aulas em Londres. Ele começa a ensinar alunos majoritariamente brancos em 
uma escola no bairro operário de East End. Thackeray se depara então com adolescen-
tes indisciplinados e desordeiros, e que estão determinados a destruir suas aulas. Só que 
o engenheiro, acostumado com hostilidades, não se amedronta e enfrenta o desafio de 
ensinar uma turma de baderneiros. Ao receber um convite para voltar a atuar como en-
genheiro, ele tem que decidir se pretende seguir como mestre ou voltar ao antigo cargo.
filme
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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a ViDa De helen Keller
Helen Adams Keller nasceu dia 27 de junho de 1880 em uma pequena cidade rural do 
Alabama, nos Estados Unidos (EUA), mas a vida de Helen começa a ser “destruída”, trans-
formando-se em uma história de vida dramática, quando Helen adoece aos 19 meses de 
idade. Uma doença de natureza misteriosa, que perdurava dias, fazendo com que a família 
de Helen aguardasse o pior, que ela viesse a falecer. Os médicos da época chamaram de 
“Febre Cerebral”, já os médicos de nossos dias dizem que poderia se tratar de meningi-
te ou escarlatina. Mas quando a febre baixou e a doença cessou, a família de Helen não 
podia esperar que algo complicado viesse a surgir mais uma vez, perceberam que Helen 
não respondia a gestos e sons e logo foi comprovado que a doença havia deixado Helen 
completamente cega e surda.
Em consequência a essa situação, a infância de Helen se tornara muito complicada, trans-
formando-a em uma criança muito difícil. Ela não tinha limites, quebrava muitas coisas, 
gritava e aterrorizava a todos, “um monstro que deveria ser internada numa instituição”.
Quando a menina completara seis anos e com a família desesperada, a mãe de Helen, 
Kate Keller, tinha lido um livro de Charles Dickens, “Notas Americanas”, que tratava de 
um magnífico trabalho realizado com outra mulher cega e surda, Laura Bridgman. Após 
esse momento, a família de Helen, em uma consulta com um médico especialista, con-
firmava que jamais a menina que nascera “perfeita” voltaria a enxergar e a ouvir, mas que 
todos familiares deveriam perder as esperanças, pois Helen ainda poderia ser ensinada. 
Um perito em crianças surdas, Alexander Perkins Bell, indicou aos Kellers, que buscas-
sem um professor para Helen, Michael Anagnos, diretor do Instituto Perkins e Asylum 
Massachusetts para Cegos, o qual recomendou imediatamente uma aluna antiga da ins-
tituição, senhora Anne Sullivan, que perdeu boa parte da visão aos cinco anos, mas após 
uma cirurgia recuperou boa parte da visão.
Anne Sullivan encontra Helen em março de 1887 e passa a ensiná-la imediatamente, co-
meçando com o soletrar da palavra “Boneca” com os dedos (presente que trouxera para 
Helen), após essa, outras palavras passaram a ser ensinadas, no entanto, Helen movia os 
dedos, mas não compreendia seus significados. Além de alfabetizá-la, Anne tinha de con-
trolar e educar o mau gênio da menina, como melhorar a falta de educação e modos à 
mesa. Mesmo com muita dificuldade e os boicotes de Helen, Anne insistia, até que, em 
algumas semanas, o trabalho começou a surtir efeito e o comportamento da menina 
Helen passou a mudar, o “milagre” aconteceu, assim como os laços entre as duas.
Várias foram as tentativas e estratégias utilizadas pela professora, uma delas foi um jato 
d’água despejado sobre uma das mãos de Helen, a qual na outra mão aprendia a sole-
trar a palavra água. Depois a palavra bomba de água, depois professor e assim em pouco 
tempo Helen conhecia trinta e nove novas palavras. Logo, a professora ensinou-a a ler, 
em braile, com letras em alto relevo.
Após Helen ser citada em um artigo por Michael Anagnos, chamando-a de “fenômeno”, 
ganha muita publicidade na mídia e em fotos, deixando um legado por possibilitar ou 
estimular diretamente o desenvolvimento de novas tecnologias e métodos de ensino 
para pessoas cegas e ou surdas.
Fonte: Texto adaptado e extraído do site http://www.asurdosporto.org.pt/artigo.asp?idartigo=91, acesso 
em: 31 de agosto de 2014.
Para saber mais acesse o site da associação de surdos do Porto http://www.asurdosporto.org.pt ou no 
filme “O Milagre de Anne Sullivan”.
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relato de 
caso
O professor do 6º ano do ensino público regular nota em sua sala de aula, que uma das 
alunas não apresenta boa compreensão dos assuntos falados por ele quando se posi-
ciona de costas para a classe, por exemplo, no momento que escreve na lousa e explica 
verbalmente, de modo simultâneo o conteúdo programático. Posto isso, o professor 
passa a perceber que Gabriela a aluna, apresenta uma grande fixação em seus lábios, o 
que indica possivelmente a tentativa de leitura labial. Logo após essa observação e com 
um diagnóstico dias depois, comprovando a desconfiança, foi detectada deficiência au-
ditiva, a partir desse momento, o docente inicia um trabalho estratégico de se posicionar 
frente a aluna e falar de modo mais lento, permitindo que ela possa realizar a leitura labial.
Como Gabriela, também passou a apresentar baixa visão quando chegou ao 8º ano do 
ensino público regular, no qual se fez necessário uma intérprete de livros para a aquisi-
ção do conhecimento dentro do contexto escolar, a acadêmica passou a contar também 
com acompanhamento especial dos professores, da equipe pedagógica e atendimento 
psicológico, para melhor continuidade da aprendizagem escolar e otimização do con-
vívio social. 
Até o presente momento o acompanhamento para a aluna na escola ocorre todos os 
dias e em todas as aulas, mas, quando porventura ocorre a ausência da intérprete, o pro-
fessor regente realiza uma mudança nos métodos de ensino, voltando sua atenção de 
forma mais específica para ela. Com todo esse trabalho diferenciado e quase personaliza-
do a aluna consegue apresentar muita habilidade na escrita, na ortografia e no raciocínio 
lógico, ou seja, mesmo com a ausência da audição e a baixa visão, mediante um esforço 
conjunto dentro do contexto escolar, Gabriela aprende tão bem quanto os demais alunos.
Fonte: elaborado pelo autor. O nome é fictício, mas o conteúdo do caso é real, com adaptações.
2 aprendizagem: dimensãO interna dOdesenvOlvimentO HumanO neurOlógicO
Professor Mestre Weslei Jacob
Plano de estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará 
nesta unidade:
•	 Neurociência Cognitiva.
•	 Bases Biológicas e Aprendizagem.
•	 Dimensão Interna do Desenvolvimento.
•	 O Cérebro e o Sistema Nervoso.
•	 Desenvolvimento da Mente e do Comportamento.
objetivos de aprendizagem
•	 Identificar influências do processo de 
ensino-aprendizagem.
•	 Conhecer como o cérebro aprende.
•	 Compreender o desenvolvimento cerebral até a 
segunda década de vida.
Ao direcionar nossos esforços para compreender o funcionamento 
do cérebro e como ele pode interferir no processo de ensino apren-
dizagem, estudaremos os aspectos relacionados ao nível cognitivo, 
ao pensamento, ao aprendizadoe à memória, partindo da percep-
ção do mundo que nos rodeia.
A situação de aprendizagem também pode ser percebida de modo 
subjetivo, em que alguns conseguem aprender melhor. Outros têm 
um processo negativo ante a aquisição de informações novas. Tudo, 
de certo modo, está relacionado à captação de informações signifi-
cativas pelas estruturas cerebrais, ou por outro lado, o bloqueio de 
algo devido à insegurança. Podemos apontar como é fundamental 
a experimentação de diferentes possibilidades e situações, devemos 
permitir que qualquer indivíduo tenha acesso ao conhecimento do 
mundo a sua volta, tocando, sentindo, ouvindo ou simplesmente 
vivendo, dentro da sua evolução natural.
O cérebro permite que crianças, na primeira década de vida, possam 
adquirir muitos conhecimentos, uma vez que elas estão interna-
mente propícias a isso. O aprendizado sempre acontece por meio 
dos nossos órgãos dos sentidos, sendo imprescindível conhecer 
as etapas da evolução motora e não se assustar com uma criança 
escalando o sofá ou a pia da cozinha, assim como se surpreender 
com contos e histórias que jamais havia sonhado. Explicaremos 
também, ou pelo menos buscaremos elucidar, o porquê de uma 
mudança tão grande do ponto de vista comportamental na segunda 
década de vida.
O estudo e a compreensão do cérebro a nível cognitivo e desenvol-
vimentista que discutiremos nessa unidade é imprescindível para 
que as intervenções aconteçam de forma pontual, levando em con-
sideração todos os momentos de mudança ou abertura do cérebro 
humano para se adquirir novos conhecimentos.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
46
Caro(a) aluno(a), devido à grande elucidação 
dos conhecimentos inerentes ao cérebro e 
à aprendizagem, podemos iniciar de forma 
mais aprofundada o relacionamento desses 
temas dentro de bases neurológicas e de 
aprendizagem. Poderíamos falar um pouco 
mais sobre aspectos cognitivos ou da ciência 
que estuda essa condição, a neurociência. 
Não que já não tenhamos mencionado na 
primeira parte, mas falar de neurociência, 
como vimos, é falar de aprendizagem, e 
quando falamos de aprendizagem automa-
ticamente devemos colocá-la do ponto de 
vista cognitivo, relacionando-a com todo o 
pensamento humano e memória.
Neurociência cognitiva é o estudo do 
planejamento, do uso da linguagem e das 
diferenças entre memória para eventos es-
pecíficos e memória para execução de 
habilidades motoras. Esses são exemplos 
da análise do nível cognitivo. Essa ciência 
atualmente é um misto de Neurofisiologia, 
Anatomia, Biologia Desenvolvimentista, 
Biologia Molecular e Celular e Psicologia 
Cognitiva. Pois bem, você precisa conhecer 
tudo isso para trabalhar no dia a dia? Evidente 
que não, mas relato aqui, apenas, para mostrar 
o tamanho dessa ciência e como muitas pro-
fissões podem inferir no processo de ensino 
aprendizagem. Ou seja, ensinar ou aprender 
tem todo um aspecto de multidisciplinari-
dade, em que todos são importantes para o 
êxito do aprender.
Pois bem, inicialmente posso apontar 
que o aprendizado é decorrente da sensa-
ção e percepção sensorial que são o ponto 
de partida para a pesquisa dos processos 
mentais. Você pode ter se assustado com 
neUroCiÊnCiA
cognitiva
Pós-Graduação | Unicesumar
47
esse início, mas aqui não teremos dificulda-
des, posso apostar. Quem nunca estudou, 
seja na infância, faculdade ou em outros 
momentos da sua formação, aqueles 
famosos órgãos dos sentidos? Isso mesmo, 
o conhecimento é obtido por meio da 
experiência sensória, de tudo aquilo que 
nós vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos, 
degustamos (e olha que nem estamos 
falando de Psicomotricidade), do nosso 
nascimento até nossa morte. Daí a con-
cepção de que sempre podemos aprender 
desde que nascemos e só paramos quando 
morremos.
As experiências pelas quais passa-
mos em nossas vidas são informações que 
chegam ao sistema nervoso central na 
forma de estímulos sensoriais. O encéfa-
lo processa essas informações procurando 
compará-las com outras que foram previa-
mente guardadas, reconhecendo-as ou não. 
Esse mecanismo não envolve apenas os as-
pectos físicos dessa informação (cor, forma, 
tamanho), mas também as relacionando 
com os aspectos diretamente ligados aos 
sentimentos e emoções. Após seu pro-
cessamento, um conjunto de sensações é 
memorizado com a informação recebida 
que pode ser agradável ou não. Lembra-se 
da criança e da gaveta de facas exemplifi-
cada na unidade inicial desse material? Se 
cortarmos a mão na gaveta de facas, apren-
deremos o que ela gera, normalmente dor, 
ou para que serve aquele objeto.
Permita-me tentar explicar melhor - 
olhe a imagem ao lado e me responda: 
 esse 
 copo está 
 meio cheio ou 
 meio vazio? 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
48
Será esse o problema do Bullyng que 
afeta os dias atuais? Pela falta de expe-
riências que permitam enxergarmos o 
mundo mais bonito?
Fonte: Elaborado pelo Autor.
Certamente obtivemos todos os tipos de res-
posta, uns disseram que está vazio, outros, 
cheio e para, outros, ainda está no meio, 
pois bem, essas respostas emergiram da sua 
cabeça por todas as experiências já vividas 
até aqui, e é dependente sim do ponto de 
vista individual. Tem sido dito que a beleza 
está nos olhos de quem a vê. Como hipóte-
se, essa ideia indica claramente o problema 
central da cognição. O mundo da experiên-
cia é produzido pelo homem que a vivencia.
riscos. Apagou? Analise o papel e veja se ele 
voltou a ser o mesmo papel que antes de 
riscar. Voltou? Analise bem, mesmo sem a 
marca de lápis, certamente uma marca ficou 
na folha em branco, mesmo aquele risco fra-
quinho. Quando você passou a borracha, 
descascou um pouco a folha e ela nunca mais 
voltará a ser como antes, correto? Poderia dar 
outros comandos, risque com uma caneta 
ou amasse esse papel. Teria como deixá-lo 
como antes? Impossível. Pois bem, nosso 
cérebro, quando nascemos, é uma folha em 
branco. Devemos por meio de vários estímu-
los, marcar de forma positiva a cabeça desses 
indivíduos e posso afirmar a todos aqui que 
sempre deixamos nossa marca, para alguns, 
ela é muito forte e, para outros, ela influen-
cia alguma coisa, mesmo que seja como um 
risco fininho na cabecinha desses que estão 
aprendendo. Se ainda não ficou claro, reflita: 
se falar um palavrão. Certamente a criança ra-
pidamente irá gravar, não é? As coisas boas 
também podem ser gravadas, é você quem 
deve ser um dos mediadores disso.
Os órgãos dos sentidos são canais de 
captação dessas novas informações, mas 
eles apresentam algumas limitações, por 
exemplo, nem todas as frequências sonoras 
que chegam ao nosso sistema auditivo são 
percebidas pelo nosso cérebro, isto é, nem 
todos os sons que chegam à região auditiva 
serão processados, assim, consequentemen-
te não iremos percebê-los ou identificá-los 
de modo consciente.
Nosso cérebro ignora 99% das informa-
ções que chegam até ele. Nossas percepções 
Vamos então supor que a mente pudesse 
ser, como se diz, um papel em branco sem 
quaisquer letras, sem quaisquer ideias. Como 
então ela poderia ser mobiliada? De onde 
vêm todos os materiais da razão e do pen-
samento? Para isso, eu respondo em uma 
palavra: Experiência. Experiência que funda-
menta todo nosso conhecimento e, a partir 
dela, em última análise, ele se origina.
Pegue um papel em branco, pegue um 
lápis e faça um risco bem fino e fraco. Agora 
ainda com o lápis, faça um traço mais forte. 
Agora tome uma borracha e apague esses 
Pós-Graduação | Unicesumar
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diferem-se qualitativamentedas proprieda-
des físicas dos estímulos, visto que o sistema 
nervoso extrai somente determinadas partes 
da informação de cada estímulo, enquanto 
ignora outras, e assim interpreta esta informa-
ção no contexto das estruturas encefálicas e 
das experiências prévias. Dessa forma, rece-
bemos ondas eletromagnéticas de diferentes 
frequências, mas as percebemos como as 
cores vermelho, azul e verde. Recebemos 
ondas de pressão dos objetos vibrando em 
diferentes frequências, mas ouvimos sons, pa-
lavras e músicas. Cores, sons, sabores e odores 
são criações mentais construídas pelo encé-
falo a partir da experiência sensória. Elas não 
existem, como tal, fora do encéfalo.
Para explicar melhor, nesse momento, 
ao ler esse material, inúmeros outros sons 
estão ao seu entorno, sejam eles, barulho de 
carro, de portas, do vento, de passarinhos, 
da televisão, do rádio, de pessoas conver-
sando. Simplificando, inúmeros sons estão 
acontecendo e seu cérebro não os percebe, 
uma vez que sua atenção está somente 
nas palavras escritas nesse documento. 
Por exemplo, identifique os sons que estão 
acontecendo agora ao seu entorno. Agora 
os que mais gosto, você percebe a roupa em 
contato com a sua pele? Agora que voltou 
sua atenção para isso, certamente. Você 
percebe a pressão que seu glúteo exerce 
sobre a cadeira? Agora, certamente, pois 
voltou sua atenção para isso. É claro que 
quando viajamos durante horas na posição 
sentada, iremos perceber essa pressão, mas 
o que quero mostrar a você é que nosso 
cérebro escolhe e ordena aquilo que é mais 
importante em dado momento de nosso 
cotidiano, assim ele descarta muitos estí-
mulos sensoriais que chegam a ele, com o 
intuito de priorizar tudo que julga ser mais 
importante naquele momento, agora, por 
exemplo, a leitura desse texto.
Em outras palavras, tudo que sabemos 
sobre a realidade é medida não somente 
pelos órgãos dos sentidos, mas também por 
complexos sistemas que interpretam e rein-
terpretam as informações sensoriais.
O que é aprender? O que é Neurociência? Como 
ensinar da melhor maneira que os cérebros 
possam aprender? Como funciona o cérebro? 
Quais suas potencialidades e limitações? Como 
o conhecimento sobre esses assuntos aborda-
dos podem ser aliados do professor?
Quanta pergunta não é mesmo? Tentarei, 
ao longo dessas páginas, respondê-las e es-
clarecer dúvidas inerentes à aprendizagem 
humana, e a partir de então, proporcionar 
um conhecimento mais palpável e interven-
tivo a todos vocês.
Começamos a responder a primei-
ra pergunta, aprendizagem é um processo 
magnífico que ativa e fortalece sinapses, 
deixando-as cada vez mais intensas, a cada 
estímulo novo, a cada repetição de algo que 
queremos consolidar, circuitos neurais proces-
sam as informações que deverão ser firmadas 
e guardadas em nosso cérebro.
O que é Neurociência já foi explicado 
no item anterior, e chegamos ao seguinte 
questionamento: como o cérebro funciona? 
Bastante complexa essa questão, levaríamos 
uns dois anos para compreender e ter uma 
base de conhecimento ótima sobre o cérebro. 
Então partiremos de questões gerais que ser-
virão de base para um aprofundamento maior.
bASeS neUroLÓgiCAS 
& AprendizAgem
Pós-Graduação | Unicesumar
51
Todos somos únicos, correto? Pelo menos 
aos olhos de nossos pais somos perfeitos, brin-
cadeira pessoal. Falamos há pouco que, devido 
a nossa experiência de vida, e àquilo que 
percebemos do meio que nos rodeia, redes 
neuronais serão moldadas e firmadas e isso 
dependerá da história de cada um. Alguns 
crescem em metrópoles gigantescas, outros 
brincaram muito quando crianças, subindo em 
árvores, jogando pedras etc., parece pouco, 
mas acreditem, nos dias de hoje a falta de se-
gurança e as condições sociais fazem que a 
nova geração tenha um repertório motor li-
mitado, o que torna subir em árvore ou jogar 
uma pedra atividades complexas. Pois bem, 
se nascemos e crescemos em lugares diferen-
tes, nosso cérebro é moldado de uma forma 
diferente. Isso ocorre até mesmo para irmãos 
gêmeos que foram criados na mesma casa e 
educados pelos mesmos pais e professores, 
eles podem ser diferentes, pois as motivações 
e influências ambientais os marcaram diferen-
temente, ou seja, o cérebro é sempre igual 
para meninos e meninas do ponto de vista de 
uma estrutura anatômica, físico-química, mas 
somos diferentes, pois temos redes neuronais 
que nos tornam únicos.
Dependendo da área do cérebro, os 
neurônios processam coisas específicas, 
por exemplo, as inteligências múltiplas 
conforme aponta Gardner em sua obra 
em 1983:
1. Inteligências Linguísticas: característica 
dos poetas, a capacidade mais comple-
ta; Localização no Cérebro: Área de Broca.
2. Inteligências Lógico-Matemática: 
a Capacidade lógica e matemática, 
assim como capacidades científi-
cas; Localização no Cérebro: Área de 
Broca.
3. Inteligência Espacial: a capacidade de 
formar um mundo espacial e de ser 
capaz de manobrar e operar utilizando 
esse modelo (Marinheiros, Engenheiros, 
cirurgiões, etc.); Localização: hemisfério 
direito do cérebro.
4. Inteligência Musical: possuir o dom da 
música como Mozart; Localização: he-
misfério direito do cérebro.
5. Inteligência Corporal Cinestésica: capaci-
dade de resolver problemas ou elaborar 
produtos utilizando o corpo (Dançarinos, 
Atletas, artistas, etc.); Localização: hemis-
fério esquerdo do cérebro.
6. Inteligência Interpessoal: capacida-
de de compreender outras pessoas 
(Vendedores, Políticos, Professores, 
etc.); Localização: Lobos Frontais.
7. Inteligência Intrapessoal: capacidade cor-
relativa, voltada para dentro. Capacidade 
de formar um modelo acurado e verí-
dico de si mesmo e de utilizar esse 
modelo para operar efetivamente na 
vida. Localização: Lobos Frontais.
O cérebro humano funciona integralmente 
(desconsiderando patologias neurológicas), 
essa história que escutamos há tempos que 
utilizamos apenas uma parte do cérebro 
humano e que, quando formos capazes 
de controlar 100% dele, poderemos até 
nos comunicar por telepatia não é verdade 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
52
pessoal, nosso cérebro é sim algo a ser des-
vendado, mas o usamos integralmente.
O cérebro não só aprende, como também 
se reorganiza. Imagine uma pessoa cega e 
responda a seguinte indagação: ela nasce 
com uma capacidade tátil mais aguçada ou 
desenvolve? Aprimora essa condição pela ne-
cessidade? Isso mesmo pessoal, uma criança 
que nasce cega, terá de adaptar outro órgão 
do sentido para minimizar os prejuízos da 
aprendizagem e da experiência, assim são 
aprimorados outros sentidos, como o tátil e 
o auditivo, por exemplo.
O cérebro humano passa por um longo 
processo de maturação biológica durante 20 
anos, ou seja, até o início da fase adulta nossas 
estruturas cerebrais estão sendo amadureci-
das, então não caiam no erro de comparar 
uma criança com um adulto, pois essa his-
tória de adulto em miniatura não é correta.
O desenvolvimento humano é marcado 
por mudanças físicas no cérebro e por aqui-
sições biológico-culturais específicas, que 
são possíveis graças à configuração físico-
química do cérebro naquele determinado 
momento.
A aprendizagem se efetua pela criação de 
novas memórias, ampliação e transformação 
das redes neuronais que guardam os conte-
údos trabalhados anteriormente. Em síntese, 
a prática pedagógica que for planejada e 
executada sem levar em consideração os pro-
cessos internos mentais da espécie humana 
terá grande possibilidadede conduzir o aluno 
a uma situação de não aprendizagem. Posto 
isso, os conhecimentos relacionados a esse 
magnífico órgão, devem ser esclarecedores 
para os profissionais que trabalham com a 
educação, uma vez que devem ser o alicer-
ce na elaboração de métodos durante todo 
o processo de ensino-aprendizagem.
Assim, a escola ideal deve estar focada no 
indivíduo e voltada ao entendimento e de-
senvolvimento do perfil cognitivo do aluno, 
sem esquecer que todos somos diferentes. 
Nem todos aprendem da mesma maneira, 
uma vez que temos interesses e habilidades 
diferenciadas, então nos motivamos e man-
temos a nossa atenção de forma distinta um 
dos outros. É impossível do ponto de vista 
humano, aprender tudo o que há para ser 
aprendido. É verdade que aprendemos até 
o momento de nossa morte, mas conhecer 
tudo, é impossível.
Muito se fala em mudança de currícu-
lo escolar, contudo não quero aqui discutir 
todos esses pontos, assim devemos consi-
derar esse perfil cognitivo individual, pois 
não adianta mudar nada sem que se leve 
em consideração os objetivos e interesses 
desses discentes, permitindo, além de vários 
estilos de aprendizagem, uma ligação entre 
escola e comunidade, não apenas para alunos 
ditos “normais”, mas também para aqueles 
com perfis cognitivos incomuns. Esse papel 
também é do educador, que deve construir e 
transformar essas visões em realidade. Caro(a) 
aluno(a), nunca se esqueça de que todos têm 
algum talento, todos podem brilhar e para 
isso não há um modelo padrão.
Pós-Graduação | Unicesumar
53
Quando a criança começa a falar, ela realiza 
uma série de aquisições que a levaram à 
fala, e da mesma maneira a levarão a es-
crever e a ler. O simples brincar, não vou 
aqui defender a brincadeira, uma vez que 
é algo natural inerente à criança em pleno 
desenvolvimento, de maneira despreo-
cupada já mobiliza áreas do cérebro que 
Segundo dados do Censo Es-
colar 2013, o Brasil tem cer-
ca de 40.366.236 estudantes 
matriculados na rede pública 
de educação básica, estadual 
e municipal. Os dados divul-
gados no “Diário Oficial da 
União” apontam que ocorreu 
uma redução no número de 
matrículas em comparação 
ao ano de 2012, essa dimi-
nuição representa cerca de 
1,83%, redução de mais de 
753 mil matrículas. Essa pes-
quisa desconsidera a rede 
pública federal e particular.
O Censo Escolar 2014 está 
sendo coletados desde 28 de 
maio e vai até 15 de agosto. 
Essa análise estatística tem 
por objetivo realizar diag-
nóstico nacional de toda a 
educação básica, e a partir 
dos dados coletados propor-
cionar melhorias em políticas 
públicas, aporte de recursos 
para utilização em transpor-
te e merenda escolar, além 
do Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educa-
ção Básica e de Valorização 
dos Profissionais da Educa-
ção (Fundeb).
Fonte: Texto elaborado a 
partir de pesquisa ao site 
<http://portal.mec.gov.br> 
e matéria disponível no site 
<http://g1.globo.com, publi-
cada em 23 de setembro de 
2013.>
fazem parte da aquisição de conhecimentos 
formais. Quando a criança brinca, redes neu-
ronais são firmadas no córtex motor (área 
do cérebro onde boa parte dos movimen-
tos aprendidos ficam guardados). Quando 
se repete movimentos várias vezes, se de-
senvolve a perícia que será utilizada para o 
processo da escrita, por exemplo, advinhas, 
dimensão interna 
do Desenvolvimento
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
54
cantigas, podem servir de elementos que 
enriquecerão esse processo de escrever, 
além do poder de educar a atenção tão 
importante no processo de aprendizagem. 
Outro exemplo poderia ser o de desenhar, 
processo que antecede a alfabetização, ou 
em outras palavras, já faz parte da alfabetiza-
ção. Então não precisamos “forçar” a criança, 
não há necessidade de saber escrever aos 
3 anos, isso acontecerá naturalmente. 
Lembre-se que o cérebro tem tempo para 
amadurecer. Escola boa não é aquela que 
alfabetiza mais rápido, mas sim aquela que 
desenvolve a criança no tempo correto e 
leva em consideração as fases de amadu-
recimento neural e motor. Quem dera os 
pais pudessem ler isso, não é?!
Falamos há pouco dos órgãos dos sentidos, 
muito estudados no componente curricu-
lar de Psicomotricidade, mas todo aquele 
processo de experienciação é parte de um 
desenvolvimento perceptivo que é a con-
dição para a atenção e, consequentemente, 
formação de memórias. Essa educação dos 
sentidos é a base para a aprendizagem 
humana os quais se combinam, interagem, 
efetivando possibilidades de comportamen-
to que são essenciais à espécie.
Toda a percepção se dá no cérebro, 
ou seja, quando sofremos por amor, por 
exemplo, e aquela dor no peito aflora, na 
verdade a percepção de dor ocorreu em 
educação dos Sentidos
nosso cérebro. Permita-me apresentar de 
outra maneira, imagine que você está na 
praia, olha que coisa boa, está tomando sol 
na areia e acaba dormindo, certamente o sol 
começará a queimar sua pele, mas, enquanto 
você dorme, seu corpo (receptores) está quase 
implorando ao seu cérebro (lembre-se ele é o 
chefe) para que saia do sol, pois está se quei-
mando, mas dormindo você não percebe ou 
não gera uma ação resposta para aquela si-
tuação e acaba por permanecer ali. Quando 
acorda, seu cérebro decodifica as informa-
ções e percebe a dor, nesse momento, você 
já está queimado e nada mais poderá ser 
feito. Assim, acontece em uma anestesia, se 
Pós-Graduação | Unicesumar
55
o cérebro percebe a informação que chega a 
ele pelos órgãos dos sentidos, uma resposta 
será processada com base nas informações 
previamente guardadas em nossa memória. 
Em suma, depois que vivenciamos algo que 
é explorado pelos órgãos dos sentidos, uma 
informação fica gravada em nossa memória 
e sempre que passarmos por algo similar, 
nosso cérebro perceberá e informará todas 
as outras partes corporais envolvidas ou ne-
cessárias naquele momento.
O professor depende dessa capacida-
de em promover experiências ou de formar 
novas memórias (pelos órgãos dos sentidos) 
para garantir que o conteúdo escolhido se 
efetive em conhecimento.
Uma mãe teve dois filhos e os educou de 
formas diferentes. O primeiro filho foi su-
perprotegido, educado de forma a se tornar 
dependente da mãe, inseguro em questões 
físicas e emocionais. Atualmente, é uma 
criança que tem dificuldades em controlar 
suas emoções e sua motricidade, por sem-
pre ser limitada a vivenciar experiências que 
não lhe trouxeram grandes riscos. Obser-
vando agora essa criança com quatro anos, 
percebemos a sua dependência total de um 
adulto, sem autonomia e bastante insegura 
que necessita de acompanhamento no sen-
tido de estimular seu processo de desenvol-
vimento global, passando por acompanha-
mentos com psicólogos e psicomotricistas. 
Ao perceber essas dificuldades do primeiro 
filho a mãe quis aprender mais sobre desen-
volvimento infantil, interessou-se pela pe-
dagogia e percebeu alguns erros cometidos 
de forma que na educação do segundo filho 
possibilitou que o mesmo tivesse contato 
com estímulos diversificados, característicos 
da faixa etária.  Percebemos sua autonomia, 
quanto a sua independência, auxilia o ir-
mão mais velho no sentido de despertar a 
curiosidade levando-o a experimentar o que 
até então desconhecia. Portanto, compre-
endemos como o ambiente, os estímulos, 
as mediações interferem no processo de 
aprendizagem de cada indivíduo, tornan-
do-o único, além do cérebro que conforme 
os estímulos recebidos reorganizam suas 
ações, ampliando seus conhecimentos. 
Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em fatos reais.Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
56
A Leitura
Como você sabe que cadeira é cadeira, ou mesa é uma mesa? Porque aprendi. 
Correto, mas poderia a palavra cadeira ser imaginada como uma mesa ou um 
ventilador? Nesse momento, não, pois alguém nos ensinou o significado de cada 
um dos objetos. Por exemplo, ao ler a palavra fogueira, uma imagem relaciona-
da à fogueira apareceu na sua cabeça. Alguém, algum dia, te ensinou isso. Pois 
bem. Já perceberam uma criança em processo de aprendizagem por volta dos 2 
anos? Passa na televisão uma imagem de um cavalo e a criança aprende a chamá
-lo de “cabalo”, depois passa um cachorro, e a criança o chama de “cabalo”, depois 
um gato, o qual é também chamado de “cabalo”, ou seja, ela associa um animal 
que fica sob quatro patas a “cabalo”. Lentamente começamos a intervir e ensinar 
o nome de todos os animais e também lentamente a criança aprende e assimi-
la essa informação na memória.
Quando se começa a ler e a escrever, o processo de significação do que está escrito 
em um papel é compreendido com base no conhecimento que está na memória. Um 
grande erro do passado, foi a escola tentar nos ensinar o verbo to be sem que conhe-
cêssemos o significado das palavras? Lembrem-se de que ordem natural é aprender a 
gerar significado aos sons, depois reproduzi-los (fala) e só no fim escrever.
A leitura envolve percepção visual, auditiva e a memória, nesses mesmos 
componentes. A palavra é sonora, tanto na oralidade quanto no pensamento. 
Pós-Graduação | Unicesumar
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Em outras palavras, parece que tem alguém falando dentro da nossa cabeça. 
Preste atenção, ao ler uma frase, parece que tem um homenzinho ou mulherzinha 
falando dentro da sua cabeça. Envolvendo também a memória visual e auditiva. 
A omissão desses componentes declina em problemas de leitura.
emoção
A emoção tem obviamente um papel fundamental na função adaptativa e de so-
brevivência da espécie, ou ninguém tem medo de alguma coisa? Alguns chegam 
a ter síndromes do pânico, por exemplo, talvez você tenha medo de aranha 
porque há anos você assistiu àquele filme e desde então pensa que aranhas irão 
aparecer de todos os lugares. Esse medo é bom, auxilia na proteção da espécie.
O sistema límbico, parte do cérebro onde se originam nossas emoções, parti-
cipa dos processos de aprendizagem do ser humano, inclusive da aprendizagem 
dos conhecimentos escolares.
Nossos processos de memória também são moldados pela emoção, algumas boas 
outras nem tanto. Desse modo, toda ação de ensino deve considerar as emoções.
Mas pergunto a você: será que o currículo escolar está restrito apenas à escrita, 
leitura e aritmética? Onde devemos treinar ou ensinar apenas parte do potencial 
individual do ponto de vista cerebral? Ou o sistema educacional tem problemas 
em formar alguns talentos?
Diante disso, é fundamental educar a emoção, aquela habilidade de motivar a 
si mesmo a persistir mediante os acertos e frustrações, controlar impulsos, centra-
lizar emoções para situações específicas, motivar pessoas e fazê-las desenvolver 
seus melhores talentos (RELVAS, 2010).
Será que a escola possibilita um aprendizado permitindo aos alunos correrem 
riscos, mas sem correrem perigo? Estamos preparando-os para a solução de 
problemas e a serem críticos socialmente?
Fonte: Elaborado pelo Autor.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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Será então que nem todos são capazes de aprender? Como já estudamos até o 
momento, vimos que isso não é verdade, todos podemos evoluir e alcançar o co-
nhecimento geral. Para tanto, torna-se fundamental que todo o sistema educacional 
atenda às exigências mínimas da atualidade oferecendo um ensino amplo apoiado 
nas novas tecnologias e sobretudo compreendendo o mínimo possível do funcio-
namento cerebral e suas respostas a diversas situações, sem que esqueçamos das 
diferentes emoções que todos podemos sentir dado um momento específico.
Como visto anteriormente, nosso cérebro trabalha integralmente, e poderíamos, 
quem sabe, trabalhar com a ideia de propor a reprodução de desenhos partindo 
de uma cópia em que o desenho base estaria de cabeça para baixo. Segundo a 
professora de arte da Califórnia Betty Edwards, citada por Relvas (2010, p. 114), esse 
método permitiria uma maior utilização do hemisfério direito do cérebro, havendo 
uma participação bem menor do hemisfério esquerdo, aquele dito que trabalha 
sempre quando os aspectos cognitivos estão mais evidentes. O problema é que 
reproduzir um desenho não deixa de ser um ato cognitivo, e o lado esquerdo do 
cérebro, por ser analítico e verbal, classificaria a figura e a cena antes de iniciar a 
cópia (detalhamento). A diferença é que, segundo a Edwards, esse método de virar 
o desenho de ponta cabeça deixaria a transcrição muito difícil, permitindo assim 
uma maior atuação do hemisfério direito, principalmente nas noções de posição, 
dimensionalidade e orientação.
Outro ponto que chama muito a atenção é a educação emocional comparando 
os diferentes gêneros. Pois bem, são muito evidentes as influências que recebemos de 
“casa”. O meio social nos mostra que o homem é mais bruto e desleixado, já a mulher é 
mais meiga, dócil e organizada. O interessante é que isso acaba por se refletir no con-
texto escolar, criando modelos de desempenho ou rendimento dentro da sala de aula, 
e essa realidade vem, cada vez mais, chamando a atenção de pais e profissionais.
Diante desse contexto, muitos professores criam o seguinte modelo para bons 
alunos, o caderno deve ser limpo e caprichado, normalmente coisa de menina, in-
terpretado muitas vezes como submissão, e aquele material oposto a isso é coisa 
de menino, normalmente considerado como desleixo.
Segundo Relvas (2010), as professoras preferem ter, em suas salas de aula, alunas 
mais curiosas, que demonstre iniciativa, mas ainda com aquele velho padrão femi-
nino de ser dóceis, meigas e tranquilas, tendo inúmeros desenhos coloridos em 
seu caderno., Por outro lado, as meninas em idade escolar já não se satisfazem com 
esse modelo de comportamento feminino, e apresentam no dia a dia uma condi-
ção de independência que pode assustar os docentes, fazendo com que muitos 
Pós-Graduação | Unicesumar
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de nós não nos sentamos preparados para trabalhar com as atuais tendências 
da sexualidade, respeitando os diferentes ritmos de desenvolvimento na infân-
cia e na adolescência. A autora citada no parágrafo anterior também ressalta que 
professoras normalmente preferem alunos indisciplinados, desconsiderando o 
sexo, e se incomodam mais com alunos totalmente dependentes. Argumentam 
que mais vale um indisciplinado com boas notas e ótimo rendimento em sala, 
do que um que vai mal nas notas e com baixo poder de concentração.
Cruzar esses estereótipos sociais no contexto educacional é injusto com os 
meninos, uma vez que essa subjetividade entra em cena e acaba por receber 
avaliações sempre negativas quando comparados às meninas.
Essa competição entre os gêneros ocorre muito fortemente, no entanto, 
meninos normalmente rendem mais que meninas em atividades de explora-
ção, que requerem iniciativa, seja para manipular experimentos em laboratório, 
trabalhar com mapas ou utilizar gráficos e tabelas. Mas se o menino apresenta 
um padrão negativo quando comparado às meninas, por que isso acontece? 
Lembre-se, todos chegaram à sala de aula com padrões sociais preestabelecidos, 
aquela educação trazida de casa, e se não fizermos nada, não daremos oportu-
nidades para que as habilidades individuais apareçam.
Sugiro que tente “inverter papéis”, em que todos os meninos e as meninas reali-
zam atividades como cozinhar, consertar, jogar bola, organizar caixas de insetos etc.Proponha aos alunos que realizem tarefas “incomuns” para aquele tipo de gênero.
Atenção
Para que possamos aprender algo, devemos estar com nossa atenção voltada 
para aquele momento, objetivo ou situação. A aprendizagem depende da inten-
sidade da atenção, sendo assim, é fundamental que esta seja educada.
A formação de memórias de longa duração depende da retomada sucessiva do 
conteúdo para que fortaleçam as conexões que garantem a formação do conceito.
O cérebro humano está sujeito a estímulos externos através dos sentidos, a 
estímulos internos advindos do organismo e a estímulos de ordem emocional. 
Com a atenção e o poder de concentração, não é diferente. Assim, há fatores ex-
ternos e internos que facilitam ou dificultam a atenção. Cada um aprende de um 
jeito, estudamos de maneiras diferentes, correto? Na verdade, temos capacidades 
diferentes de manter nosso foco, nossa atenção. Alguns são facilmente distraídos 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
60
por sons externos que dificultam a leitura, por exemplo, outros, ao estudar para 
uma prova, necessitam de uma televisão ou rádio ligados. Tudo isso é treinado.
Fonseca (2013) cita um modelo subdividindo o cérebro humano em três 
unidades básicas: a primeira é a unidade de alerta e atenção; a segunda de recep-
ção, integração, codificação e processamento sensorial; e a terceira de execução 
motora, planificação e avaliação.
Para o momento, manteremos brevemente nosso foco apenas na primeira 
unidade básica de alerta e atenção. Para o autor, elas são interdependentes, sele-
cionam, filtram, alocam e refinam a integração de estímulos. Sua disfunção pode 
gerar hiperatividade, implicando em problemas de processamento (percepção 
+ memória) e de planificação.
Caro(a) colega, apenas cuide para não rotular um indivíduo que não segue um 
padrão aceitável dizendo que aquele aluno tem Síndrome de Déficit de Atenção, 
Hiperatividade etc.
A escola do futuro deve atender às diversidades, aos diferentes estilos de 
aprendizagem (cada um aprende de um jeito). Esse é o grande desafio do pro-
fissional: conhecer, perceber e identificar como cada aluno aprende para intervir 
com eficiência.
Cristian é uma criança que ingressou na escola em idade normal, com 5 anos. 
Logo foi “rotulado” como um menino problema, agressivo ao extremo, “que-
brava” a escola e materiais, apresentava problemas de comportamento e de 
conduta, além das dificuldades de aprendizagem. 
Com 12 anos, conseguiu concluir a 5º ano do ensino fundamental I. Era um 
aluno que vivia sob medicação, tomava Ritalina e Respiridona, o que ainda 
não controlava totalmente seus impulsos agressivos. Ainda no 5º ano, a pro-
fessora percebeu a dificuldade de Cristian em fazer o registro do conteúdo e 
também da ortografia ilegível, no entanto, o seu raciocínio lógico matemático 
era muito rápido. Partindo dessa observação, passou-se então a ofertar a esse 
aluno atividades de raciocínio e lógica, o que fez com que ele aumentasse 
sua motivação e interesse nas atividades propostas. Dessa forma, esse aluno 
deixou de lado a agressividade e indisciplina, tornando-se mais participativo, 
sociável e interessado. 
Fonte: Elaborado pelo autor. O nome é fictício, mas o conteúdo do caso é real, com adap-
tações.
Pós-Graduação | Unicesumar
61
Caros(as) colegas,
Não é querendo criticar, mas já criticando 
o currículo não só escolar, mas também o 
universitário, pergunto a vocês, quem aqui 
já aprendeu algo sobre o desenvolvimento 
humano? Desenvolvimento motor? 
Aprendizagem humana? Nada? Alguns 
certamente responderam que já, e aí vai 
outra indagação, aprendeu tudo em quanto 
tempo, um ou dois semestres? Pois bem, se 
nos propomos a trabalhar com pessoas, deve-
ríamos conhecer as fases evolutivas humanas, 
não apenas em idade infantil, mas também 
na adolescência, na fase adulta e também 
durante o envelhecimento. Caso contrário, 
a probabilidade de nossas intervenções não 
surtirem efeitos, ou pelo menos não de forma 
tão satisfatória, é grande.
Para iniciar, já posso colocar a seguinte in-
formação: quando um bebê nasce já estão 
desenvolvidos o mesencéfalo e a medula, que 
são responsáveis pela frequência cardíaca (FC), 
respiração, funções vitais etc., ou alguém aqui 
já ensinou um bebê a respirar ou controlar os 
batimentos cardíacos? O córtex cerebral ainda 
é pouco desenvolvido, aquele responsável pela 
percepção de movimentos corporais, pensa-
mento e linguagem. Por isso um bebê ao nascer 
parece uma “maria-mole”, ainda há de ser de-
senvolvida muita coisa pelos próximos meses 
o cérebro e o 
sistema nervoso
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
62
de vida. E por fim, o córtex pré-frontal, que é a 
última coisa a ser desenvolvida, localizada logo 
atrás da testa, responsável pelo processamen-
to executivo (BEE, 2011).
Um dos princípios do desenvolvimento 
neurológico, é que o cérebro cresce em surtos 
mais do que de maneira suave. Já percebe-
ram que o bebê de “maria-mole” logo passa a 
explorar o ambiente, aí ninguém mais segura 
essa criança, não é verdade? Toda fase de de-
senvolvimento é acompanhado por uma fase 
de estabilização, em outras palavras, evolui, 
aprende algo, firma bem essa nova fase e 
somente depois desenvolve outra coisa. Na 
infância, os intervalos de crescimento e estabi-
lidade são curtos, daí uma evolução tão rápida.
Até os 5 meses de um bebê, os intervalos 
de evolução de uma fase para outra são de 1 
mês, de passar a maior parte do tempo dormin-
do ou chorando, de acompanhar movimentos 
com olhos, responder a carinhos com sorri-
sos e sons, brincar com os cabelos de quem o 
segura, reconhecer as mãos e brincar com elas, 
sustentar a própria cabeça, pegar e manipular 
objetos e já reconhecer visualmente as pessoas 
que ficam com ele etc. Em pouco tempo, o 
bebê evolui consideravelmente em seu desen-
volvimento. À medida que o bebê envelhece, 
seus períodos de crescimento e estabilização 
também passam a ser mais longos, ocorrendo 
em torno dos 8, 12 e 20 meses, processos de 
se arrastar, engatinhar, tentar pegar os objetos, 
sentir a ausência dos pais, gostar de jogar coisas 
no chão para aprender os barulhos que elas 
farão, gostar de passear, começar a ficar em pé 
e aprender a andar, adorar brincar com diversas 
coisas, e explorar o ambiente, mesmo que para 
isso tenha de abrir gavetas e explorá-las, tudo 
isso permite o início do processo de aquisição 
da linguagem, em que lentamente a criança 
irá nomear e apontar os objetos. O período 
entre os 2 e 4 anos, ocorre muito lentamente, 
nele se dá o desenvolvimento da fala (muito 
rica por sinal), no qual a criança aprende a sig-
nificação de inúmeros objetos. Após os 4 anos, 
há um outro surto importante, como a fluên-
cia da linguagem, tanto para entendimento 
quanto para a fala.
Todos esses surtos de crescimento citados 
anteriormente no cérebro infantil ocorrem de 
forma restrita para algumas partes específi-
cas, por exemplo, aos 20 meses, os marcos de 
desenvolvimento cognitivo, onde a maioria 
dos bebês evidenciam o planejamento di-
rigido ao objetivo em seu comportamento. 
Nesse momento, a criança já pode arrastar 
uma cadeira para ficar alto o suficiente para 
alcançar algo proibido que esteja em um local 
mais alto, ou nunca ninguém viu uma criança 
elaborar um plano de ação para chegar à 
janela escalando o sofá ou ainda colocar uma 
cadeira, subir na cadeira, e a partir dela subir 
no balcão da cozinha e somente depois al-
cançar o pote de balas talvez?
Segundo Bee (2011), dois surtos do cres-
cimento importantes ocorrem durante a 
meninice, onde por voltados 6-8 anos, tornam-
se evidentes melhoras nas habilidades motoras 
finas e na coordenação olho-mão, processo 
inicial importante para que exista qualidade na 
escrita, por exemplo. Já aos 10-12 anos os lobos 
frontais do cérebro, focos no processamento 
Pós-Graduação | Unicesumar
63
da memória, lógica e planejamento.
Ainda em consonância com a autora 
citada acima, outros dois surtos de cresci-
mento cerebrais importantes acontecem na 
adolescência. O primeiro deles ocorre entre 
os 13 e 15 anos e o segundo por volta dos 
17 anos até a fase adulta.
No primeiro deles, podemos perceber uma 
melhora significativa da percepção espacial e 
das funções motoras, mas alguns leitores cer-
tamente perguntarão: “mas se isso passa a ser 
bem desenvolvido, por quais razões adolescen-
tes nessa faixa de idade são tão estabanados 
ou desastrados?“ A situação é a seguinte, 
normalmente no início da adolescência um 
surto de crescimento faz com que as estruturas 
corporais cresçam rápido demais, assim esses 
indivíduos acabam por não terem tempo 
suficiente para o cérebro perceber e calcular em 
pouco tempo a posição, a direção, a angulação 
para que os movimentos aconteçam. Em 
outras palavras, o cérebro está acostuma-
do com uma mão menor, pé menor, cabeça, 
tronco de todas as outras estruturas corpo-
rais menores, assim o cérebro ainda imagina 
um indivíduo, por exemplo, com 1,50m de 
altura quando na verdade já se tem 1,62m. 
Certamente a percepção ainda defasada e 
que logo será percebida pelo cérebro acaba 
ocasionando quedas constantes, derrubam 
e quebram copos, pratos etc. Talvez pela ne-
cessidade de o cérebro perceber como está 
no espaço, esse novo corpo que cresceu, e 
aprender sua nova posição, que adolescen-
tes ficam tanto tempo na frente do espelho. 
Nesse primeiro momento da adolescência, 
por volta de 13 e 15 anos, existe uma diferen-
ciação bastante grande em relação àqueles 
alunos com idades escolares menores, em que 
os adolescentes já não aceitam mais sequer 
com as “crianças mais novas” uma vez que já 
são bem “crescidinhas”, possuem pensamen-
tos abstratos e refletem sobre seus processos 
cognitivos. Algumas mudanças profundas no 
córtex pré-frontal ocorrerão e já terão nessa 
idade a capacidade de controlar consciente-
mente seus pensamentos. Existe também nessa 
fase da evolução humana, do ponto de vista ce-
rebral, uma rápida formação de novas sinapses 
em outras partes do cérebro, áreas que ainda 
necessitam de um melhor amadurecimento, 
esse excesso de sinapses é similar àquela que 
tínhamos no início da vida, em que éramos 
responsáveis por fortalecê-las aprimorando o 
processo de ensino-aprendizagem. Aqui cabe 
lembrá-lo(a) da importância de se fortalecer 
as sinapses da melhor maneira possível, assim 
como em um bebê, em que devemos estimular 
positivamente com o máximo de intensidade 
esse cérebro que está se reformulando.
Ainda nessa fase, uma mudança significa-
tiva assusta pais e professores, porque aquele 
garotinho ou aquela garotinha que adorava a 
companhia dos pais deixa de acompanhá-lo? 
Por que não gosta mais das mesmas coisas e 
dos mesmos brinquedos? Na verdade esses 
surtos de crescimento que ocorrem no cérebro 
são os responsáveis por isso. Não é que eles 
não “te amam mais”, apenas querem vivenciar 
e aprender novas coisas, ainda acima, disse que 
o cérebro, assim como de um bebê, está cheio 
de sinapses que devem ser remoldadas. Desse 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
64
modo eles querem vivenciar com suas pró-
prias pernas, pelas suas próprias decisões. Essa 
mudança é natural, todos nós já passamos por 
isso e assim sempre será. O cérebro deles já não 
gostam mais das mesmas coisas, pois perderam 
o interesse. Estão desmotivados com aquelas 
vivências que tinham até esse momento. Ainda 
é nossa responsabilidade auxiliá-los para que 
façam as melhores escolhas, pois estão em 
um momento que não só querem, mas, pre-
cisam experimentar novas situações e aí que 
mora o perigo, sem nossa interferência posi-
tiva. Veja bem, não é proibindo e trancando 
dentro de casa ou amarrando em uma cadeira, 
mas sim, dialogando e permitindo que dúvidas 
boas fiquem na sua cabeça, que consigam di-
ferenciar o certo do errado, pois como já não 
querem mais estar com você 24 horas por dia, 
virá a necessidade de se incluir em um grupo 
social, terão a necessidade de ser testados e é 
aí que mora o perigo, o mundo das drogas, da 
sexualidade, das vivências perigosas. Por isso, 
defendo que não é amarrá-los, mas sim dialo-
gar e fazer com que aprendam a diferenciar o 
que irá gerar interesses, que mudará as marcas 
cerebrais, mas sem riscos à saúde ou à integri-
dade física dos adolescentes e de todos ao seu 
entorno. Fiquem tranquilos, eles ainda te amam 
e respeitam, apenas precisam de espaço para 
começar a viver e aprender com suas próprias 
pernas, mas como sabemos que eles ainda não 
estão prontos para isso (algumas mães e pais 
jamais estarão) devemos sim interferir da melhor 
maneira nessa evolução desses indivíduos.
O segundo surto de crescimento da ado-
lescência acontece em torno dos 17 anos e se 
estende até a fase adulta. Os lobos frontais do 
córtex são o foco do desenvolvimento, contro-
lam a lógica e o planejamento. Já conseguem 
lidar melhor com as situações problemas que 
requerem funções cognitivas (BEE, 2011).
 Nessa idade não necessariamente 
o cérebro está completamente maduro. 
Lembre-se, essa maturação pode ocorrer até 
os 20 anos de idade, é comum encontramos 
na mídia adolescentes ou quase adultos que 
se envolvem em diversos crimes ou aciden-
tes de trânsito, por exemplo. Para muitos, já 
se imaginam adultos com total consciên-
cia de seus atos, mas na verdade, o cérebro 
ainda está finalizando sua maturação e talvez 
ainda não tenha a noção de consequência, 
ou seja, se pegar o carro e estiver dirigindo 
a 180 km/h, a adrenalina, a estimulação 
que o cérebro precisa, estará sem dúvida 
acontecendo, no entanto certamente ele 
não estará prevendo que nessa velocidade 
ele pode colidir com outro carro e, além de 
morrer, levar ao óbito outras pessoas. Vou 
além, essa noção de consequência, muitas 
vezes, passa pela condição de conseguir 
pensar ou se colocar no lugar do próximo e 
antecipar o que os demais sentirão em virtude 
dos seus atos. Voltamos ao carro, dirigiu em 
alta velocidade, colidiu o veículo e matou 
algumas pessoas. A noção de consequência 
não deve ser apenas “nossa que besteira que 
fiz, matei algumas pessoas”, mas sim, pensar 
“matei pessoas inocentes e estou fazendo os 
familiares sobreviventes sofrerem muito, que 
besteira que fiz”, isso leva tempo para ser al-
cançado. Isso vem com a maturidade: “se eu 
Pós-Graduação | Unicesumar
65
tivesse escutado mais meus pais e professo-
res, certamente teria tido uma vida mais fácil”, 
não é assim? Maturidade pessoal, só o tempo 
traz, mas devemos sim interferir e influenciar 
positivamente esses indivíduos.
mesmo acreditando que é machão, se ficar de 
madrugada em uma rua escura ele morrerá de 
medo, não é verdade? Então plante a dúvida na 
cabeça dele, coloque talvez dessa forma “você 
já pensou que quando voltar da festa pode não 
ter mais nenhum posto de combustível aberto 
e pode ficar sem gasolina de madrugada? Não 
é melhor verificar e se necessário passar no 
posto antes de ir?”, semeou a dúvida, aí para 
seu filho o resultado provavelmente será o se-
guinte “eu decidi passar no posto e abastecer 
o carro”. Não é difícil, é apenas compreender 
a importância das fases dedesenvolvimento 
cerebral e criar métodos diferenciados.
Como disse o ex-jogador de futebol 
Ronaldo “fenômeno” em comentário para a 
rede Globo de televisão durante o jogo do 
Brasil x Camarões, realizado no dia 23/06/2014 
pela Copa do Mundo de Futebol da FIFA 
(Federação Internacional de Futebol), o jogador 
Neymar, com o gesto de cumprimentar todos 
os demais atletas da seleção brasileira antes 
da partida, chamando a responsabilidade para 
si, mesmo tendo somente 22 anos de idade, 
sendo mais novo que muitos outros jogado-
res, talvez ainda não tenha noção do quão 
grandioso é esse gesto, do quão importante 
está sendo para aquele grupo de jogadores, 
“Neymar ainda não tem noção do quanto 
representa para esse grupo. Isso só a idade 
o fará perceber”, em outras palavras, logo o 
cérebro, com o passar da idade, perceberá o 
tamanho da pressão e responsabilidade que 
esse momento gerou para esses jogadores, 
principalmente para um dos líderes da seleção 
brasileira de futebol.
Todos sabem que a realização do Exa-
me Nacional do Ensino Médio (Enem) 
é muito importante para facilitar o in-
gresso em alguma Instituição de En-
sino Superior (IES), uma vez que mui-
tas utilizam as notas atingidas em seu 
processo seletivo. Veja a quantidade 
de instituições de diversas regiões do 
país que irão utilizar em vestibulares 
2015 o Enem 2014 ou o Sistema de 
Seleção Unificada (SiSU): Região Cen-
tro-Oeste = 11 IES; Região Nordeste = 
29 IES; Região Norte = 14 IES; Região 
Sudeste = 27 IES; Região Sul = 20 IES.
Para conhecer a lista completa de Institui-
ções que utilizam ou não o Enem ou SiSU em 
seus processos seletivos, acesse o site <http://
vestibular.brasilescola.com/enem/lista-ade-
sao-enem.htm, ou http://enem.net/universi-
dades-e-faculdades-enem-2014.html.> Texto 
extraído e elaborado a partir dos sites citados 
com acesso em 31 de agosto de 2014.
Assisti a um vídeo interessantíssimo na inter-
net que exemplificava isso de forma magnífica. 
Dizia basicamente o seguinte: se um filho com 
18 anos pedir o carro para ir a uma festa e você 
autorizar, mas mandá-lo passar em um posto e 
abastecer o veículo, certamente ele não passará 
e ficará parado sem combustível. Lembra que 
disse a pouco que devemos influenciar, mas 
eles devem decidir por conta própria (aspectos 
cerebrais). Pois bem, adolescente é medroso, 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
66
O desenvolvimento da mente, na verdade 
,é resultado da maturação do Sistema 
Nervoso, em outras palavras, é a possibili-
dade de realizar atos motores e cognitivos à 
medida que a área que controla sua respec-
tiva função, localizada no Sistema Nervoso, 
se desenvolve.
A complexidade de nosso comportamen-
to inicia por volta dos 2 meses de vida. Ainda 
no período gestacional, algumas células já 
podem disparar potências de ação que irão 
ativar outras células nervosas e musculares. O 
feto já é capaz de realizar movimentos como: 
piscar os olhos, abrir e fechar a boca, deglutir 
ou alguém aí já ensinou um bebê a movi-
mentar os olhos ou as mãos?
Claro que não, ele já nasce com os mús-
culos responsáveis pelo movimento dos 
olhos maduros. O bebê acompanha diver-
sos movimentos ao seu redor sem a intenção 
sensorial. Ele apenas está conhecendo o am-
biente que o cerca, certamente busca olhar 
para outras pessoas que se movimentam, 
gosta de visualizar cores vivas ou qualquer 
outra coisa que se movimente ainda mais se 
mexer e emitir sons, um animal por exemplo. 
Posteriormente, além de acompanhar com 
os olhos, irá segurar e manipular objetos.
desenvolvimento da mente 
e do comportamento
Pós-Graduação | Unicesumar
67
Tudo isso está relacionado com modifica-
ções biológicas que ocorrem de maneira 
intrínseca e que modificam o funcionamento 
do Sistema Nervoso. As progressões dessas 
mudanças vêm de dentro do próprio orga-
nismo e são moduladas pelo ambiente. Não 
quero aqui abordar teorias Piagetianas ou 
Vigotskianas, apenas representar que nossas 
funções cerebrais são modificadas confor-
me o meio em que vivemos. Nosso cérebro 
se adapta, em outras palavras, os neurô-
nios realizaram sinapses diferenciadas de 
acordo com a necessidade ou estimulação 
ambiental.
A criança é como uma planta, ela reve-
la-se por si só, mas os fatores ambientais 
podem modificar sua progressão do desen-
volvimento. A existência de estímulos como 
de adultos, brinquedos, luz etc. faz com que 
tudo seja mais intenso. Para trabalhar com 
criança devemos saber que as conexões 
existem, mas elas precisam ser estabilizadas 
e as sinapses reforçadas para um desenvol-
vimento pleno de todas as funções.
Bee (2011) aponta que os sistemas visual 
e auditivo de um bebê são imaturos ao nas-
cimento, onde tudo é um misto desfocado, 
com sons ouvidos em um silêncio neutro, 
sem nenhum significado, apenas barulho. 
Com a progressão no desenvolvimento, com 
o manuseio de objetos serão adquiridas in-
formações sobre formas e lugares. O mais 
importante é que a criança aprende pouco a 
pouco, no sentido de espaço e tempo, cada 
uma no seu ritmo.
Você já ensinou um recém-nascido a 
mover os braços?
Fonte: Autor.
Segundo dados divulgados pelo IBGE (Ins-
tituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 
cerca de 24% da população Brasileira possui 
algum tipo de deficiência. O registro reali-
zado em 2012 no Brasil aponta que o país 
conta com 45,6 milhões de pessoas com de-
ficiências motora, visual, auditiva ou mental. 
Com base no Censo 2010, a maior incidência 
é a deficiência visual que atinge aproxima-
damente 36 milhões de pessoas (aproxima-
damente 19%) declararam ter dificuldade de 
enxergar, mesmo com óculos ou lentes de 
contato. Praticamente 10 milhões apresen-
tam algum grau de deficiência auditiva, 13 
milhões apresentam deficiências motoras e 
quase 3 milhões portam deficiência mental 
ou intelectual.
Ainda de acordo com informações do IBGE, 
a região nordeste registra os maiores níveis 
para todas as deficiências. Já a região sul, apre-
sentou o menor percentual de pessoas com 
deficiência visual, o centro-oeste tem a me-
nor taxa de deficiência auditiva e motora, e a 
região norte tem menos deficientes mentais.
Fonte: Texto extraído de <http://www.todosnos.
unicamp.br:8080/lab/ibge-24-da-populacao-pos-
sui-algum-tipo-de-deficiencia>. Acesso em: 31 de 
Agosto de 2014.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
68
Com a maturação do cérebro ocorren-
do em seu tempo natural, alguns aspectos 
desenvolvimentistas ficam muito evidentes 
apenas pela observação. Ao final do 1º mês 
de vida, a musculatura do bebê já não é tão 
flácida, e a inervação motora já é muito mais 
eficiente (capaz de segurar objetos, mas não 
de manipulá-los, aos 10 meses é capaz de 
sentar e até de ficar em pé muitas vezes), 
possui grande habilidade com as mãos. 
Alguns meses depois é capaz de ficar em 
pé sem auxílio nenhum, aí ninguém mais 
segura esse bebê. Só permita aqui apontar 
minha indignação com aqueles andadores, 
vulgo “disquinho”, em algumas localidades, se 
alguém tem isso em casa, quebre. Não tenho 
condições aqui de afirmar se ocorrerão preju-
ízos e em qual magnitude para essa criança, 
mas não é a ordem natural do desenvolvi-
mento humano. Assim, existe a possibilidade 
do bebê se desenvolver de maneira frágil, 
uma queda e já ocorre uma fratura, talvez 
não aprenda que se cair deve se levantar 
sozinho etc., na sequência, pouco a pouco 
surgem as tentativas de se comunicar e as 
primeiras palavras (meninas normalmente 
andam e falam mais rápido que os meninos, 
se passarem dos dois anos e não houvernem 
a tentativa de se comunicar procure um es-
pecialista). Ainda não consegue se socializar, 
mas o convívio social favorece o desenvol-
vimento das emoções e da organização de 
suas ideias. Após os dois anos, então, o que 
é dele é dele. Dificilmente quer comparti-
lhar com o próximo, diferentemente dos 
primeiros meses. Aos 2 anos já deixa de ser 
bebê. A compreensão das palavras ainda é 
restrita e ele precisa organizar sua experiên-
cia mexendo, manuseando e apertando. Em 
outras palavras, explorando o ambiente, cuide 
das gavetas ou se tudo estiver quieto e silen-
cioso, corra porque ele está aprontando. De 
2 para 3 anos as mudanças são visíveis com 
o aumento da coordenação motora, e aos 3 
anos já corre e pula demonstrando bastante 
equilíbrio. Nessa fase, ocorre o amadureci-
mento das funções cognitivas e a criança 
torna-se capaz de prestar atenção e repetir 
sequências de números e histórias, tendo 
ela o hábito de ler e contar histórias, mesmo 
que elas já as conheça. Mude algum perso-
nagem ou permita que elas faça isso, e que 
acima de tudo, elas perceba as mudanças, 
você também pode iniciar a história e para 
que ela termine, entre outras possibilidades.
As mudanças nesses três primeiros anos 
de vida, quando abordamos o desenvolvi-
mento do comportamento, são, sem dúvida, 
marcantes e sujeitas à intensa investigação. 
Já o desenvolvimento do corpo e da mente 
continua por muitos anos.
No outro extremo, temos aspectos do 
desenvolvimento relacionados ao envelhe-
cimento, que é inevitável, e os mais velhos 
também devem aprender, e da mesma forma 
podemos e devemos intervir, como já foi 
citado anteriormente, sobre a estimulação 
cognitiva de idosos, mas em termos simplis-
tas, assim, como todos os nossos sistemas 
orgânicos, o nosso Sistema Nervoso também 
envelhece.
Difícil delimitar quando isso se inicia, já 
Pós-Graduação | Unicesumar
69
que até a terceira década de vida os proces-
sos de mielinização estão acontecendo, mas 
provavelmente o envelhecimento começa 
antes disso. Na verdade, envelhecimento é 
um processo extenso do desenvolvimento. 
Existem programas para conter ou retardar o 
envelhecimento, além da estimulação cogni-
tiva, poderia apontar a reposição hormonal.
Acredita-se que mutações e anomalias 
cromossômicas se acumulem ao longo da 
idade, assim como erros na duplicação do 
DNA que ocorrem de maneira aleatória se 
acumulam ao longo do tempo. Como os 
erros genéticos passam a ser grandes, a for-
mação de proteínas aberrantes nos leva à 
senilidade (BEE, 2011).
Apesar de muitos idosos terem suas capaci-
dades intelectuais intactas, outros apresentam 
perda de memória e de funções cognitivas. O 
peso, os giros do córtex cerebral têm sulcos 
mais profundos apontando a atrofia do córtex, 
associada à perda neuronal (BEE, 2011).
Até em virtude dessa condição de que 
quando utilizamos nossa memória ou o 
cérebro com frequência nos mantemos mais 
saudáveis do ponto de vista neurológico, 
para tanto atualmente está sendo bastante 
difundido o trabalho de estimulação cogniti-
va para idosos, que pode ser entendido como 
atividades que buscam estimular as funções 
cognitivas superiores como memória, veloci-
dade de processamento, linguagem, função 
executiva, dentre outras. O objetivo é ameni-
zar ou mesmo sanar as possíveis dificuldades 
em uma ou mais dessas funções.
Idosos que recebem estimulação, 
demoram mais para começar a sofrer pre-
juízos na memória ou em outras funções 
cognitivas superiores quando comparados 
a idosos que não recebem nenhuma esti-
mulação, além de gerar inúmeros benefícios 
para a qualidade de vida na velhice.
Informações declaradas pelo IBGE (Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística) apon-
tam que os maiores índices de incidência 
de portadores de deficiência estão entre 
mulheres e idosos. Se compararmos todos 
os portadores de deficiência, cerca de 26 
milhões são mulheres (26,5%), 20 milhões 
são homens (21,2%) e os idosos apresen-
tam o maior índice com cerca de 67,7% das 
pessoas com mais de 65 anos apresentam 
algum tipo de deficiência.
Fonte: Texto extraído de <http://noticias.uol.com.
br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/06/29/idosos-e
-mulheres-sao-maioria-entre-portadores-de-defi-
ciencia-aponta-ibge.htm>, com acesso em: 31 de 
Agosto de 2014. Maiores informações no site www.
ibge.gov.br
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
70
Do nascimento até a nossa morte aprende-
mos coisas novas ou adaptamos informações 
antigas. Todo esse conhecimento é obtido 
por meio da experiência sensorial de tudo 
aquilo que nós vemos, ouvimos, sentimos, 
degustamos e cheiramos. A partir desse 
ponto, fica claro para todos nós que muitas 
vezes adultos podem atrapalhar o desenvol-
vimento natural de um indivíduo saudável 
em constante evolução, pois “boicotamos” e 
impossibilitamos as experiências que conse-
quentemente marcam o cérebro infantil nos 
momentos evolutivos adequados.
Foi apresentado que a influência do am-
biente é fundamental para moldar nossas 
conexões neurais e assim aprendermos. É 
como a história contada para uma criança 
da Educação Infantil, a literatura nesse caso é 
uma atividade de exploração do imaginário, 
onde desenvolverá a percepção visual pelas 
figuras do livro, observando personagens e 
até se tornando o ator principal, desenvol-
vendo a atenção, despertando o interesse, 
trabalhando as emoções, possibilitando a 
aplicação de regras e tudo isso já fazendo 
parte do processo de aprendizagem sem que 
necessariamente ela tenha de ler ou escrever.
Entendemos assim, que o “cantinho do 
castigo” para crianças de 3 anos é perda 
de tempo, uma vez que eles não têm ca-
pacidade cognitiva para compreender as 
consequências de seus atos e ações, que 
a criança deve mexer, manipular, sentir as 
mais variadas possibilidades para adquirir 
conhecimentos diversos. Percebemos nessa 
discussão que adolescentes devem ser dire-
cionados por meio de dúvidas plantadas na 
cabeça deles, já que para essas pessoas o im-
portante é descobrir pelas próprias pernas. 
Nosso direcionamento é fundamental, mas 
não podemos obrigar o cérebro a ter atenção 
ou interesse em aprender tal informação que 
desejamos passar.
Caro(a) colega,, ao fechar essa unidade, re-
pensem as condutas utilizadas com crianças 
e adolescentes, pois os estudos do cérebro 
estão aí para auxiliar no transcorrer do pro-
cesso e ser concluído com êxito.
considerações finais
Pós-Graduação | Unicesumar
71
1. Nós, seres humanos, nascemos já com o mínimo de conhecimento para a 
sobrevivência e logo nosso cérebro começa a mudar, crescendo em surtos, 
sempre com um período sequente de estabilização. Tais surtos podem acon-
tecer em tempos e proporções diferentes. Quais são as principais idades em 
que essas mudanças ou esses surtos acontecem intensamente em nosso 
cérebro?
2. Se levarmos em consideração as dimensões internas do desenvolvimento 
de uma criança, podemos afirmar que ela realiza aquisições de conheci-
mentos diversos para, a partir de então, começar a falar, ler e escrever. Um 
indivíduo que brinca naturalmente mobiliza áreas do cérebro e provavel-
mente aprenderá mais facilmente os conteúdos formais. Dentro desse 
contexto, por qual motivo é interessante o desenvolvimento de atividades 
que levam em consideração e primam os órgãos dos sentidos?
atividades de autoestudo
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
72
filme
L’enfant Sauvage / O Menino Selvagem / O Garoto Selvagem / El Pequeño Selvaje.
Elenco: Kevin Kline, Steven Culp,Embeth Davidtz
Duração: 1h 49min
Ano: 1970
País: França
Gênero: Drama
Sinopse: O autor François Truffaut, baseando-se em fatos reais, relata a história de um 
menino, encontrado em uma floresta na França por caçadores, que jamais teve algum 
tipo de convívio social com outras pessoas, onde o garoto não fala e não anda como 
humano, ele tem por volta de 11 ou 12 anos, e só vive em contato com animais. O menino 
foi levado para casa do Dr. Itard, onde com muitos cuidados foi ensinado a viver como 
humano, e aos poucos o menino foi desenvolvendo suas capacidades e surpreendeu a 
todos com seus esforços.
filme
Pós-Graduação | Unicesumar
73
córtex pré-frontal Versus emoções e tomaDa De Decisão
Todos os documentos que tratam de aspectos cognitivos, emocionais, de aprendiza-
gem, ou em outras palavras, primam pelo estudo voltado às funções cerebrais trazem 
consigo uma nota, um texto ou uma abordagem mais complexa sobre o famoso caso 
do trabalhador ferroviário “Phineas Gage”, em que aos 25 anos de idade, no ano de 1848, 
nos Estados Unidos (EUA). Foi exposto a uma explosão mal calculada que gerou uma de-
sastrosa reação, possibilitando que uma barra de ferro de 1 m de comprimento, 3 cm 
de diâmetro e 6 kg, atravessasse o crânio do operário, gerando uma enorme lesão no 
cérebro e perda de um dos olhos. Com o acometimento da lesão, certamente pela falta 
de um tratamento médico satisfatório, até pela falta de pesquisas e de medicamentos 
que surtissem efeito, Gage, superando todas as expectativas, sobreviveu, e após dois 
meses estava com seu tratamento concluído. O mais impressionante é que mesmo sem 
todos os recursos médicos atuais, ele não demonstrava nenhum prejuízo em relação aos 
seus sentidos. Podia ouvir, falar, sentar, se movimentar e utilizar o olho restante para a 
visão sem nenhuma restrição. No entanto, os familiares e amigos que conheciam e con-
viviam com o trabalhador relataram que “Gage já não era mais Gage”, antes uma pessoa 
persistente, eficiente, responsável e capaz, passou a ser, após a lesão, incapaz de realizar 
suas funções, irresponsável, irreverente, caprichoso, obsceno e socialmente inadequado. 
Obviamente perdeu sua família, amigos e emprego, morreu cedo aos 38 anos de idade 
e atualmente seu crânio e a barra de ferro estão expostos em um museu nos EUA.
Pesquisadores passaram a utilizar esse caso como fonte ou inspiração para novas pesqui-
sas, e com os recursos tecnológicos atualmente, foi possível compreender que o córtex 
pré-frontal é fundamental para o processamento emocional e para tomadas de decisão.
Poderia relatar outro caso similar, que ocorreu com um brasileiro, Eduardo, que também 
sofreu uma lesão que atingiu a área frontal do cérebro, quando um vergalhão atravessou 
seu crânio em 2012. Naquela época acreditava-se que o brasileiro após perder 11% da 
massa encefálica ficaria mais desinibido, bem humorado, mas teria dificuldade em plane-
jar o futuro, mudança comportamental e difícil relacionamento com familiares e amigos. 
Atualmente, Eduardo continua surpreendendo, uma vez que não apresenta nenhum 
tipo de sequela ou alteração de sua personalidade ou do comportamento, segue com 
uma vida normal. Esse é mais um dos maravilhosos casos que o cérebro se adapta para 
suprir a falta de alguma região específica que foi lesada (neuroplasticidade). Esse mis-
terioso caso da medicina fez com que muitas autoridades médicas voltassem esforços 
para compreender esse fato e sugerem que como o caso de Phineas Gage, se torne alvo 
de estudos no futuro.
Fonte: Texto baseado na obra de Lent, R. Neurociência da Mente ao Comportamento. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2008, e na reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão 
em maio de 2014, estando disponível também em <http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/05/
brasileiro-ferido-por-vergalhao-e-estudado-por-neurocientistas-em-ny.html>, com acesso em: 31 de 
Agosto de 2014.
Gestão de Negócios
74
relato de 
caso
Em uma determinada escola, logo após as férias, houve uma grande compra de materiais 
pedagógicos. Dentre eles, havia uma quantidade enorme de bonecas fora do “padrão 
de beleza” para os dias atuais. As bonecas eram negras, com uma barriga saliente e “sem 
bumbum”, ou seja, com aspectos físicos desproporcionais diante dos tais padrões co-
nhecidos pelas crianças.
Cada turma recebeu uma quantidade dessas bonecas juntamente com outros brinquedos. 
A professora, sabendo da importância de ensinar as diferenças e influenciar positivamen-
te essas crianças de 4 anos de idade, deixou as bonecas antigas, aquelas mais “bonitinhas” 
guardadas e levou para a sala apenas os novos brinquedos. Ao distribuí-las para iniciar 
a atividade, se surpreendeu com a rejeição de praticamente 100% da turma, e mesmo 
com a tentativa de incluir esses brinquedos, muitas meninas preferiam brincar de “carri-
nho” com os meninos ou fazer atividades didáticas, mas não aceitaram as novas bonecas. 
Diante dessa situação, não houve alternativa, que não a de se reunir com a equipe pe-
dagógica e demais professores, para tentar solucionar esse “problema” e encontrar uma 
estratégia para que as crianças passassem a aceitar essas bonecas “diferentes”.
Ficou decidido após a reunião que: as bonecas antigas ficariam guardadas até que as 
crianças aceitassem e brincassem com os novos materiais. Deveria ser apresentada a 
história do livro “A menina bonita do laço de fita” que explora as diferenças, tanto no 
livro quanto na realidade; apresentação de diferentes gravuras onde os aspectos físicos 
fossem valorizados, utilizando recortes e colagens feitas pelos próprios alunos, além da 
exploração oral das imagens formadas; trabalho com aspectos emocionais, valorizando 
os sentimentos (todos temos os mesmos sentimentos, independentemente de nossos 
aspectos físicos, todos necessitam de afeto), respeitando ao próximo uma vez que as 
nossas capacidades não dependem de um padrão estético, cor, raça ou gênero.
Após tantas tentativas e estratégias, as estimulações feitas pela professora começaram a 
surtir efeito e as crianças lentamente começaram a brincar com as novas bonecas. Logo 
as bonecas antigas voltaram a fazer parte das atividades.
Fonte: Elaborado pelo autor e baseado em fatos reais.
Pós-Graduação | Unicesumar
75
3 cérebrO: O pOder de se reprOgramare fOrmar memórias
Professor Mestre Weslei Jacob
Plano de estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará 
nesta unidade:
•	 Evolução do Estudo do Cérebro
•	 Neuroplasticidade Cerebral
•	 Formação de Memóriasobjetivos de aprendizagem
•	 Conhecer a evolução do estudo cerebral e/ou 
neurológico.
•	 Aprender sobre a capacidade de adaptação neuronal.
•	 Entender como são formadas as memórias.
São raras as pessoas que conseguem lembrar-se de uma parte de 
sua infância, principalmente nos quatro primeiros anos de vida, pelo 
fato das redes neuronais e toda a base cerebral ainda não estar to-
talmente formada, bem como pelas informações que são levadas 
de um lado para o outro pelos neurônios ainda não estarem com-
pletamente consolidadas. É interessante ressaltar o quão importante 
é para o cérebro e sua formação de memórias a estimulação nas 
idades corretas, como o fato de propor desenhos até os sete anos 
e do por que fortalecer a escrita e a matemática na adolescência. 
A ausência da prática da leitura e dos cálculos, bem como de qual-
quer outra situação, pode levar à perda de nossas memórias, nosso 
cérebro, se não estimulado, pode vir a “falhar” durante a terceira 
idade. Formar memórias é mais do que moldar a personalidade, 
é promover conhecimento saudável ao longo de toda uma vida.
Nesta última unidade, iremos descrever os aspectos principais de 
como o aprendizado fica retido em nossa memória e todos os seus 
mecanismos neurais. Aqui serão analisadas a evolução do estudo 
do cérebro e as redes neuronais.Será apontado também, como são 
formadas as memórias em todas as suas fases, funções e duração. 
Descrevem-se aqui os mecanismos de feedback ou retroalimen-
tação que são essenciais para o aprendizado a nível cerebral das 
funções motoras que não deixam de fazer parte do aprendizado.
Falar em aprendizado, é mencionar de maneira direta a formação 
de memórias, termo referente à aquisição de conhecimento ou de 
informações que ficam gravadas em nosso cérebro, essa aquisição 
é denominada aprendizagem.
As memórias são codificadas nos neurônios, armazenadas em 
redes neuronais e evocadas por essas mesmas redes ou até mesmo 
por outras. Nossas memórias podem ser moldadas por emoções 
que vão além de estar triste ou alegre, fazem parte da exteriori-
zação do desejo e das vontades do ser humano ao longo do seu 
desenvolvimento.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
78
A década de 90 foi considerada a década 
do cérebro, onde devido a uma necessi-
dade histórica de se compreender não só 
o funcionamento desse órgão como um 
todo, mas para a solução de diversos pro-
blemas sociais.
Durante os primórdios da civilização 
humana na história, inúmeros são os relatos 
que tentavam compreender o cérebro 
humano e suas relações com as funções 
mentais, e a partir disso compreender todo o 
comportamento e funcionamento do corpo 
humano. Já em 1.700 a. C., com o passar dos 
séculos, alguns dos grandes alvos de estudos 
na tentativa de compreender as operações 
mentais eram o cérebro, coração e o fígado. 
Civilizações antigas do Egito, Mesopotâmia, 
Índia e China buscavam encontrar onde 
estava localizada a alma no corpo humano.
A necessidade de desvendar o funciona-
mento do corpo humano e tentar encontrar 
respostas do por que pessoas aparentemen-
te perfeitas apresentavam características 
fora dos padrões sociais aceitáveis, assim, 
o cérebro continuava a ser alvo de muitos 
estudos e, lentamente, devido-a sua ativida-
de elétrica, começou a ser mapeado.
Assim, chegamos aos Estados Unidos no 
final do século xx, onde o governo auto-
rizou e facilitou a liberação de verbas para 
estudos, construção de laboratórios e equi-
pamentos que permitissem estudar ainda 
do estudo do cérebro
eVoLUÇÃo
Pós-Graduação | Unicesumar
79
mais o cérebro e quem sabe com isso resol-
ver vários problemas de cunho neurológico. 
Evidentemente que muito rapidamente essa 
necessidade de continuar a desvendar o 
cérebro se espalhou por todo o mundo.
Várias obras e pesquisas foram realizadas, 
ainda com o intuito de comparar o cérebro 
humano com uma máquina, um computa-
dor, mas somos diferentes, pois tomamos 
decisões por conta própria, temos emoções e 
inúmeras funções que não se pode encontrar 
em um aparelho eletrônico. No entanto, po-
deríamos destacar cinco importantes pontos 
que deixam claro a atuação do cérebro em 
qualquer momento do nosso cotidiano: (1) 
todos os processos mentais, inclusive os 
mais complexos, derivam de operações do 
cérebro; (2) os genes e seus produtos, as pro-
teínas, são determinantes importantes dos 
padrões de interconexões entre neurônios 
cerebrais e dos detalhes do seu funcionamen-
to; (3) da mesma forma que as combinações 
de genes contribuem para a conduta (in-
cluindo conduta social), reciprocamente a 
conduta e os fatores sociais podem exercer 
ações sobre o cérebro, modificando a expres-
são dos genes e, em consequência, alterando 
as funções dos neurônios e seus circuitos; (4) 
as modificações da expressão gênica, pro-
duzidas pela aprendizagem, originam novos 
padrões de conexões neuronais; (5) de tal 
modo, a psicoterapia é eficaz para produ-
zir mudanças a longo prazo na conduta de 
pacientes, fazendo isso provavelmente por 
meio da aprendizagem, que deve provo-
car alterações na expressão dos genes que 
O cérebro humano é como um com-
putador? Será possível que um robô 
tome decisões por conta própria?
Fonte: Elaborado pelo autor.
alteram a força das conexões sinápticas e 
modificações neuronais estruturais, as quais, 
por sua vez, mudam os padrões anatômicos 
das interconexões neuronais dos cérebros.
Sobre os itens, poderíamos destacar que 
o dois e o três levam em consideração as 
interações entre dimensões biológicas e cul-
turais dos sujeitos, e o três e o quatro, que 
a genética não é predominante no com-
portamento dos sujeitos. Determinados 
genes propiciam comportamentos sociais 
inadequados, podendo ser corrigidos pela 
aprendizagem (modificação sináptica 
interneurônios).
Determinados 
genes propiciam 
comportamentos 
sociais inadequa-
dos, podendo ser 
corrigidos pela 
aprendizagem. 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
80
Ainda na década de 90, o estudo do cérebro 
foi incrementado com as neuroimagens, as 
quais é possível acompanhar em tempo real 
o processo neuronal de um sujeito que está 
sendo testado. Pode-se apontar os seguintes 
testes: Imagem de Ressonância Magnética 
(IRM); Imagem por Ressonância Magnética 
Funcional (IRMF); Tomografia por Emissão 
de Pósitrons (TEP). 
Esses novos equipamentos subsidiaram a 
visualização de alguns processos cerebrais e, 
assim, o entendimento de certas dificuldades 
de aprendizagem devido à falta de funciona-
mento de algumas partes do cérebro.
Um exemplo bastante interessante é o 
de indivíduos com dislexia (não conseguem 
processar sons rápidos), dificuldade com 
fonemas, que ocorre normalmente porque 
no cérebro dessas pessoas existe a falta de 
conexões neurais, quando comparadas as de 
pessoas normais.
Após a detecção desse distúrbio, cientistas 
utilizaram um programa de computador três 
horas por dia, durante quatro semanas. Como 
inicialmente a fala era lenta e os sons pro-
longados, muito facilmente essas crianças 
que passaram por esse tratamento estavam 
aptas a processarem a fala em ritmo normal.
O aluno apresentado nesse caso se desen-
volvia dentro dos padrões normais até os 9 
anos de idade, entretanto, após os 9 anos de 
idade, não conseguia mais aprender os con-
teúdos escolares na íntegra, apresentando 
dificuldades na memorização e assimilação, 
apresentando prejuízos em seu desenvolvi-
mento. Isso ocorreu devido a um acidente 
automobilístico, no qual o aluno teve perda 
de parte da massa encefálica. 
Para que esse aluno obtenha êxito na apren-
dizagem dos conteúdos, é necessário que 
o professor desenvolva estratégias diversi-
ficadas como: recursos áudio-visuais, jogos 
pedagógicos, atendimento individualizado, 
adaptações extracurriculares de pequeno 
porte, além de frequentar a sala de recursos 
no contraturno.
Fonte: Elaborado pelo autor. Baseado em fatos reais.
Pós-Graduação | Unicesumar
81
Já está bastante claro que os neurônios são 
células cerebrais responsáveis pela constru-
ção do conhecimento. Como comentado na 
primeira unidade deste livro, essas estruturas 
nervosas têm a capacidade de conversar. São 
sim, consideradas “fofoqueiras”, ou seja, não 
conseguem guardar apenas a informação 
para si, se comunicando e espalhando as no-
tícias a todos os demais neurônios à sua volta, 
que, por sua vez, também contaram a novi-
dade para outros neurônios próximos deles e, 
assim, um efeito dominó será desencadeado.
Em resumo, quando um neurônio estiver 
eletricamente ativo, outras áreas próximas a 
ele também ficam, deixando assim toda uma 
área ou região do cérebro com atividade elé-
trica em intensa atividade. Isso fortalece o 
pensamento científico de que o processa-
mento da informação, o qual concebem as 
memórias do mundo, que estão interligadas 
entre si, formam uma rede de significadosnecessários ao conhecimento.
Permita-me tentar esclarecer um pouco 
melhor essa condição. Imagine, ou melhor, 
pense em um animal, uma vaca, por exemplo, 
pensou? O que mais você imaginou além 
da vaca? Certamente pode ter pensado no 
leite, nas manchinhas pretas, no sininho, no 
em rede
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
82
bezerro etc; mas por que isso aconteceu se 
o meu comando foi apenas para pensar na 
vaca? Pois bem, meu(inha) amigo(a), acima 
coloquei a seguinte informação, os neurônios 
são fofoqueiros, interligados por uma rede 
de informações e diversas representações si-
milares a uma única palavra ou um conceito 
ligado entre fios. De forma simplista, nossos 
conhecimentos estão interconectados por 
uma similaridade padrão de informações, 
ou seja, se pedir para pensar na vaca, tudo o 
que se associa a essa palavra será lembrado, 
mesmo que indiretamente. Assim como falar 
da finalidade do papel, você logo pensará 
que é para escrever, mas para escrever preciso 
do lápis, que necessita de uma base sólida, 
talvez uma mesa, e assim sucessivamente. 
Mas veja, papel poderia ser utilizado em di-
versos outros contextos, não apenas para 
escrever. Desse modo, quando aprendemos 
algo novo, tal informação será armazenada 
naquela ligação entre neurônios onde existir 
uma similaridade conceitual. Daí a ideia ou a 
metáfora de que o conhecimento é formado 
em uma rede.
Se os neurônios são intimamente in-
terligados, se um deles der “defeito”, os 
demais à sua volta também apresen-
tarão problemas?
Fonte: Elaborado pelo Autor.
neUropLASTiCidAde 
CEREBRAL
A ciência já conhece a capacidade de reorga-
nização e reestruturação de nossas conexões 
neurais, neuroplasticidade. Técnicas de re-
programação mental surgem a cada dia. Até 
quando continuaremos a vivenciar experiên-
cias que culminem na obrigação de vivermos 
dentro de uma realidade insatisfatória e de-
sagradável, se dentro de nós mesmos existe 
a possibilidade de fazer mudanças e trans-
formar nossa realidade? Tudo depende da 
conscientização e da vontade de cada um.
Todo tecido nervoso apresenta plas-
ticidade, ou seja, propriedade do Sistema 
Nervoso de alterar sua função ou sua estru-
tura em resposta às influências ambientais 
que o atingem.
Pós-Graduação | Unicesumar
83
exemplo 1
Lesão traumática e cirurgia no cérebro 
podem levar a mudanças de posição de 
setores funcionais com o redireciona-
mento de circuitos neurais.
exemplo 2
Um simples fato novo: precisamos (essas 
informações que estão adquirindo ao 
longo da leitura) de alterações sinápticas 
moleculares que possibilitem a memo-
rização desse novo fato por um longo 
tempo durante a vida.
Tentarei explicar de forma mais simples. Volte 
ao exemplo 1 e imagine um indivíduo que 
sofreu Acidente Vascular Encefálico (AVE), 
antigamente conhecido como um Derrame 
Cerebral. Esse evento gera a morte de alguns 
neurônios e dependendo da magnitude o 
efeito colateral pode ser pequeno ou muito 
grande, e quem sabe levando essa pessoa a 
óbito. Mas vamos partir de uma lesão mais 
simples, após sofrer um AVE a pessoa certa-
mente ficará com uma região do seu corpo 
paralisada, correto? Pois bem, esse indivíduo 
talvez desenvolva, a partir desse evento, a di-
ficuldade de falar, manipular objetos e até 
mesmo andar. Então se iniciam as sessões de 
fisioterapia e acompanhamentos com fono-
audiólogos e outros profissionais, tudo com 
a intenção de melhorar o funcionamento das 
funções afetadas, correto? Passando por um 
período de tratamento, as funções perdidas 
lentamente começam a apresentar melhoras, 
mas como isso pode acontecer se os neurô-
nios morreram? Na verdade, nosso Sistema 
Nervoso se adaptou permitindo que um novo 
caminho de sinapses leve a informação até o 
músculo específico, e assim os movimentos 
de mãos, pés e boca acabam por melhorar. 
Ainda não está claro, não é? Ok, tentarei outra 
analogia, tudo bem? Pense na cidade em que 
você mora, sendo ela grande ou pequena, 
não importa, suponha que existam duas 
vias de acesso à sua cidade. A principal é por 
meio de uma ponte que passa sobre um rio 
muito extenso. Por um evento natural, choveu 
demais, a ponte foi levada pelo rio e com 
ela a principal vida de acesso à sua cidade. 
Ao incluir pessoas com deficiência no 
contexto escolar tornamos o ambiente 
mais propício à aprendizagem, partin-
do do ponto de que somos únicos e os 
métodos devem ser direcionados tam-
bém de maneira individual. Assim, ao 
oferecer muitos recursos, menos limites 
sociais e educacionais esse público en-
contrará.
Com a consolidação de direitos ou de 
políticas para a Educação Inclusiva, o 
Brasil em cinco anos (2007 – 2012) au-
mentou em mais de 100% e em alguns 
estados brasileiros esse crescente in-
gresso ultrapassou os 300% no número 
de alunos com deficiência em escolas 
regulares, passando de pouco mais de 
300 mil para aproximadamente 620 mil 
alunos. O MEC vem auxiliando as redes 
públicas a deixarem para trás aquele 
modelo ultrapassado que segregava 
muitos cidadãos em idade escolar.
Fonte: Disponivel em: <http://revistaesco-
lapublica.uol.com.br/textos/37/inclusao-pa-
ra-todos-308482-1.asp, acesso em: 31 ago. 
2014.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
84
Quando eu me desloco até lá para ministrar 
uma aula, me deparo com a ponte caída e 
não tenho como passar (imagine aqui o AVE), 
se eu não posso entrar por esse caminho, o 
que poderia fazer? Muito bem, isso mesmo, 
tenho um acesso secundário. Muitas vezes 
o caminho não é tão bom, ou tão perto, 
assim terei de andar mais, por estradas que 
muitas vezes não foram feitas para esse tipo 
de acesso, mas independentemente desses 
fatores eu consigo chegar à cidade, mesmo 
que tenha que dar a volta no estado inteiro, 
correto? Pense aqui na neuroplasticidade 
ou plasticidade cerebral. Em outros termos, 
me adaptei para chegar ao meu destino. Isso 
ocorre com as estradas de ligação de estí-
mulos dentro do nosso organismo. Se um 
caminho foi prejudicado por algum evento, 
meu corpo trabalhará para encontrar um 
novo caminho de ligação.
“o que os olhos não Veem 
o cérebro sente”
Quantos já não ouviram falar de uma si-
tuação que acomete esses amputados, 
independentemente da forma com que 
ocorreram, a perceberem ou sentirem do-
res no membro ausente? Isso mesmo, es-
tamos falando da síndrome do membro-
fantasma, muitos relatam sentir o membro 
ausente ainda presente, seja sentir dores, 
movimentos, posição e quaisquer outras 
sensações que poderiam experimentar se 
não o tivessem perdido, como ao levantar 
da cama e saírem caminhando, obviamen-
te que acabarão caindo. Talvez isso ocorra 
pela representação cerebral realizada por 
neurônios vizinhos, que os fazem perceber 
mediante a comparação do membro intacto, 
o cérebro percebe ou pelo menos acredita, 
mediante o conhecimento corporal, que a 
parte ausente do corpo ainda está lá.
Para que isso seja “arrumado” em nosso cére-
bro, torna-se fundamental uma reorganiza-
ção nas áreas funcionais do córtex cerebral. 
Em outras palavras, nosso cérebro tem de 
se reprogramar, ou reaprender que aquele 
membro já não existe mais, além é claro de 
todo um trabalho psíquico baseado em fa-
tores fisiológicos, terapias e medicamentos 
que podem se tornar eficazes para a cura 
dessas sensações que acabam por não ape-
nas serem dolorosas, mas enlouquecedoras.
Fonte: artigo disponível em: <http://www.cien-
ciasecognicao.org/revista/index.php/cec/article/
view/651/433>. Escrito pelos autores Demidoff, 
Pacheco e Franco. Acesso em: 31 ago. 2014.
Pós-Graduação| Unicesumar
85
Do ponto de vista da aprendizagem, quanto 
mais novo o ser humano, maior a plasticida-
de cerebral. Nesse momento, toda aquela 
adaptação e construção de sinapses, discu-
tidas na primeira unidade deste livro, pode 
ser considerada plasticidade do cérebro. Em 
outras palavras, é o estabelecimento ou for-
talecimento de milhares de sinapses que os 
cerca de 100 bilhões de neurônios existentes 
em nosso cérebro humano estão realizan-
do, mediante as necessidades encontradas.
A plasticidade permite que áreas do 
cérebro destinadas a uma função específi-
ca possam desempenhar ou assumir outras 
funções, ou seja, volte ao AVE, os neurônios 
que formavam a estrada para movimentar 
o polegar após a lesão deverão movimen-
tar músculos do antebraço, na verdade, é 
um acúmulo de funções.
Se pararmos para analisar do ponto 
de vista animal, todos somos capazes de 
aprender, tudo é dependente da variedade 
comportamental e sobrevivência da espécie, 
no entanto, só absorvemos algo novo devido 
a uma série de sofisticadas estruturas neuro-
nais, geneticamente determinadas a serem 
plásticas.
A maior plasticidade neuronal humana 
ocorre até os três anos de idade. Durante 
este período, o bebê possui grande sensibi-
lidade às influências externas, e acredita-se 
atualmente que ele desenvolve suas capa-
cidades cognitivas proporcionalmente ao 
Uma mãe, com gestação complicada 
e risco de aborto decorrente de infec-
ções, conseguiu concluir o período 
gestacional dentro do tempo estima-
do (41 semanas), com realização de 
uma cesárea. Porém o organismo da 
mãe não reagiu à anestesia causando 
parada cardiorrespiratória, associado 
ao atraso do desenvolvimento fetal, o 
qual tinha tamanho e peso de prema-
turo. Tudo sinalizava para uma crian-
ça com muitas limitações, segundo o 
relatório médico, que praticamente 
afirmou que a criança nunca andaria 
e nem falaria no tempo considerado 
normal para sua idade. Desesperada, 
a mãe diante do fato adotou iniciati-
vas que foram decisivas para o desen-
volvimento da criança que apresen-
tava pautas de autismo. A busca de 
conhecimento atrelado ao trabalho 
intenso de estimulação possibilitou 
resultados positivos, permitindo que 
a criança andasse e falasse dentro do 
tempo “normal”.
Segundo o Neuropediatra, ocorreu 
uma adaptação cerebral para o de-
senvolvimento específico de algumas 
funções motoras e cognitivas o que 
demonstra que devemos sempre acre-
ditar nas possibilidades mais diversas, 
talvez até remotas, que possam ser 
desenvolvidas para uma criança.
Fonte: Elaborado pelo autor. Caso fictício.
nível de estímulo recebido. Por essa razão, 
neuropsicólogos passaram a recomendar 
o ensino de palavras e música durante esse 
período.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
86
O termo memória refere-se ao processo 
mediante ao qual adquirimos, formamos, 
conservamos e evocamos informação. A fase 
de aquisição é convencionalmente chamada 
de aprendizagem, enquanto o termo evo-
cação recebe a denominação de expressão, 
recuperação e lembrança (LENT, 2007).
Só é possível lembrar-se de algo que 
gravamos em nosso cérebro e só gravamos 
aquilo que aprendemos. Em outras palavras, 
não podemos fazer o que não sabemos, nem 
comunicar o que não conhecemos. O acervo 
de nossas memórias nos faz quem somos, um 
indivíduo único, sem outro idêntico. Temos 
“memórias” e memórias que dependem da 
experiência, algumas demoram mais outras 
menos para serem codificadas e armazena-
das em nosso intelecto.
As consequências disso para a aprendiza-
gem na escola são bastante claras. Os alunos 
só memorizam certa informação na medida 
em que a mesma seja útil para suas ações, 
nem que seja apenas para “passar de ano”, ob-
viamente, como discutido inicialmente neste 
livro, dependemos também, para a formação 
dessa memória ou aprendizado, de um aluno 
motivado e engajado com o conteúdo, que 
está atento a tudo, assim se aprende mais.
formação de memórias
Os conteúdos planejados e ensinados 
por você realmente são úteis ou interes-
santes para seus alunos? Pense como 
aluno para chegar a essa resposta.
Fonte: Elaborado pelo Autor.
Pós-Graduação | Unicesumar
87
Nosso cérebro é tão magnífico que somos 
capazes de esquecer. Imagine um fato ou 
momento da sua vida que te incomoda e te 
deixa triste. Nosso cérebro é tão fascinante 
que é capaz de “lembrar” quais as memó-
rias que não queremos evocar, daquilo que 
não nos faz bem. Esse obviamente é um 
esforço subconsciente que evita evocar más 
lembranças.
Lent (2007) pressupõe que memórias de-
terminam também a nossa personalidade. 
O ambiente em que fomos criados permite 
que sejamos diferentes. Aqueles que cres-
ceram em locais atemorizantes podem se 
tornar pessoas mais medrosas, cuidadosas, 
introvertidas etc. Isso muitas vezes é influen-
ciado mais por condições ambientais do que 
propriamente condições genéticas.
Mas o que são nossas memórias mesmo? 
lanço o desafio de levantar da cadeira, sofá ou 
de qualquer lugar que esteja agora e colocar 
o dedo na tomada, topa? Está bem, tenta-
mos outro então, vá até a cozinha, ascenda 
uma boca do fogão, deixe passar aproxima-
damente dois minutos, vá até ele novamente 
e desligue a boca. Depois de ter feito esse 
processo coloque a mão sobre a “tampi-
nha” do fogão, pode ser agora? Você pode 
ter sorrido, ou chamado de louco, mas por 
que não aceitou o desafio? Não aceitou, pois 
já conhece o resultado dessas ações que 
propus. Já sabe que irá tomar um choque 
ou se queimará, e isso, meu(inha) caro(a), 
são as memórias, ou nosso aprendizado, que 
durante anos foram sendo fortalecidas em 
nossa memória, devido às nossas vivências 
práticas, teóricas, mediadas por pais, pro-
fessores e quaisquer outras influências que 
pudemos ter ao longo de nosso desenvol-
vimento natural.
Nossa memória pode, ao longo dos anos, 
passar por algumas deformações, uma vez 
que vamos perdendo aquilo que não nos 
interessa, aquilo que não nos marcou, ou 
incorporamos aquilo que nos fez bem em 
algum momento da nossa vida (lembrança). 
Quantos não gostariam de se recordar de 
momentos da infância não é mesmo? Mas 
poucas lembranças certamente nos restam 
daquela época. Mas busque em sua memória 
o que almoçou há duas semanas. Talvez, não 
se recorde nem do que almoçou hoje ou 
ontem. Olha que complicado, porque me 
lembro de um jantar ou momento de 2 anos 
Dos 3 anos até os 8 anos, Paulo mos-
trava comportamento normal, era um 
bom aluno, dedicado em tirar boas 
notas na escola, se destacando por 
sua inteligência dos demais alunos. 
Porém, dos 9 anos em diante tudo mu-
dou. Passou a sofrer bullyng, e em um 
certo dia, no intervalo das aulas, um 
grupo de alunos abaixou as calças de 
Paulo e todos da escola riram. A par-
tir desse momento, o trauma nunca 
mais foi esquecido, trazendo mudan-
ças comportamentais, se tornando um 
aluno desmotivado, desinteressado. 
Não respeitava mais os pais e nem os 
professores, fugia de casa e da escola, 
passava as noites na rua e falava fixa-
mente em suicídio.
Fonte: Elaborado pelo autor. Caso fictício.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
88
atrás perfeitamente, como se o tivesse viven-
ciado há pouco, e não recordamos de um 
simples fato de poucos dias ou horas? Meu 
(inha) caro(a), nosso cérebro é surpreendente, 
mas já imaginou o tamanho de nossa cabeça 
se guardássemos em nossa memória tudo 
que vivemos até hoje? Seríamos pessoas com 
cabeças “alienígenas” de tão grande. Para que 
isso não ocorra, nosso cérebro descarta, joga 
fora, tudo aquiloque não é interessante, que 
é irrelevante para nossa vida. Guarda e forta-
lece apenas aquilo que é importante.
Pense neste livro, você está lendo-o e 
estudando a fundo (pelo menos é assim 
que gosto de pensar), e ficará sabendo 
muito sobre o assunto “Bases Neurológicas 
e Aprendizagem”, e tudo que lhe for pergun-
tado agora será rapidamente respondido.
Por outro lado, se não retomar essas infor-
mações com frequência, se esquecer desse 
material na gaveta e daqui seis meses pre-
cisar novamente desse conhecimento, você 
se lembrará de tudo como agora? Evidente 
que não, e é assim para tudo pessoal! 
Fortalecemos aquilo que usamos e des-
cartamos aquilo que não é relevante para 
aquele período de tempo de nossas vidas. 
Sim, antes que questione aquele ditado que 
se “aprendemos a andar de bicicleta uma vez 
nunca mais esquecemos”, talvez no princí-
pio o seu pedalar não seja tão coordenado e 
possivelmente se desequilibrará e até poderá 
cair, mas rapidamente retomamos do fundo 
de nossa memória esse aprendizado que 
nos marcou significativamente em algum 
momento de nossas vidas.
Segundo o autor Lent (2007), nossas me-
mórias podem ser subdivididas em memórias 
declarativas, explícitas procedimentais ou 
implícitas.
Em um primeiro momento, as memórias 
declarativas ou explícitas são aquelas às quais 
que temos acesso consciente (exemplo: nossa 
história e o mundo que nos cerca). Podem ser 
também subdivididas em memória episódi-
ca (exemplo: festa de 15 anos, casamento) e 
memória semântica (conhecimento sobre o 
ambiente que nos rodeia, no qual lembramos 
sem saber como). Participam na sua forma-
ção regiões corticais (pré-frontais, entorrinal, 
parietal etc.) e o hipocampo, localizado no 
lobo temporal (transforma experiência em 
memória, depende de circuitos subcorticais).
Indivíduos com amnésia são aqueles 
com falta ou algum distúrbio relacionado à 
memória declarativa que acabamos de citar.
Em um segundo momento, essa subdi-
visão ocorre em memórias procedimentais 
ou implícitas São aquelas informações 
sem acesso consciente, que ocorrem de 
forma automática, como, por exemplo, 
dirigir um carro ou digitar um documento. 
Certamente, você, se não estiver passan-
do pelo processo de aprendizagem, não 
tem que pensar mais em pisar na embre-
agem, passar a marcha e depois soltar o 
pé da embreagem lentamente e com o 
outro acelerar. Ao digitar esse documento 
a você, estou escrevendo sem ter que ficar 
fracionando meus pensamentos e depois 
lentamente juntar as letras para, na sequ-
ência, formar as palavras e frases.
Pós-Graduação | Unicesumar
89
Do ponto de vista funcional existe uma 
memória crucial no momento da aquisição 
ou evocação de qualquer memória, seja ela 
declarativa ou não: memória de trabalho ou 
operacional. Tem função de manter a infor-
mação viva disponível enquanto está sendo 
processada e/ou percebida. Esta forma de 
memória é sustentada pela atividade elétri-
ca de neurônios do córtex pré-frontal e sua 
interação com o córtex entorrinal, o hipo-
campo e a amígdala (LENT, 2007).
Funciona basicamente da seguinte 
maneira, a memória de curta duração tem 
a função de manter viva em nossa mente 
determinada informação que queremos ad-
quirir, por um tempo médio de 30 minutos a 
6 horas. Durante esse período, está atuando 
principalmente a memória de trabalho. Após 
esse momento, se nosso cérebro entender 
que tal informação é relevante, será transfor-
mada em memória de longa duração, que 
pode durar muitas horas, dias ou até anos.
A formação da memória de longa 
duração requer uma sequência de eventos 
moleculares por várias horas e é suscetível 
a diversas influências como, por exemplo, 
Figura: Os tipos e subtipos de memória e suas principais características
Fonte: Lent (2007, p 246)
função e duração das memórias
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
90
o hipocampo, que é interconectado com 
todas as regiões do cérebro que registram 
e modulam o caráter emocional das expe-
riências e com aquelas que determinam se 
são novas ou não. O córtex entorrinal, que 
auxilia a região do hipocampo na forma-
ção dessas memórias declarativas, recebe e 
emite fibras a vários núcleos da amígdala e 
do septo medial, do córtex pré-frontal me-
diolateral (essencial para o processamento 
da memória de trabalho), do córtex parietal 
associativo da maior parte do córtex senso-
rial (LENT, 2007).
O hipocampo, a amígdala e o córtex 
entorrinal, pré-frontal e parietal recebem 
também vias de informação referentes ao 
estado de consciência, alerta e ansiedade.
Memória de curta duração mantém a 
informação comportamentalmente disponí-
vel enquanto a memória de longa duração 
ainda não foi adquirida de forma definitiva. 
Essa memória de curta duração acontece de 
maneira conjunta e paralela com a formação 
da memória de longa duração.
Mesmo que sejam processadas na 
mesma região (o hipocampo, o córtex en-
torrinal e o córtex parietal associativo) ambas 
são paralelas. Com a administração de farma-
cológicos intra-hipocampal, intra-entorrinal 
ou intraparietal, pode cancelar a memória 
de curto prazo, deixar intacta a memória de 
longa duração.
feedback e aprendizagem
A utilização do feedback ou retroalimenta-
ção tem funções importantes relacionadas à 
aprendizagem, pois de acordo com Schimidt e 
Wrisberg (2001), é a informação que é recebida 
pelo executante após realizar um movimen-
to ou habilidade motora específica. Tem a 
finalidade de informar, reforçar e motivar; é 
normalmente transmitindo por meio de sím-
bolos, gestos, imagens e voz. O feedback é 
auxiliador fundamental no fortalecimento de 
aprendizagem técnica ou motora, podendo 
ser desenvolvido por meio de feedbacks in-
trínsecos (internos) ou extrínsecos (externos).
Para Magill (2000), o feedback intrínse-
co corresponde a uma informação interna 
e natural que surge pela percepção dos 
órgãos dos sentidos em decorrência de um 
movimento específico, durante ou após sua 
realização. Dentro desse contexto, quando 
um indivíduo percebe, por algum órgão sen-
sorial, se o movimento foi ou não realizado 
de forma correta, durante a prática do pro-
cesso de aprendizagem, já se torna possível 
perceber qual procedimento deve ser men-
talizado para que ao final da execução ele 
aconteça da melhor forma possível.
Pós-Graduação | Unicesumar
91
Pois bem, suponhamos a seguinte ideia, 
sabendo que todo movimento humano se 
inicia no cérebro humano, mais especifica-
mente no sistema nervoso central (SNC), em 
uma área conhecida como córtex motor, local 
onde boa parte dos nossos conhecimentos 
motrizes estão guardados em nossa cabeça.
Diante desse aspecto, sempre que que-
remos realizar alguma ação que envolva 
movimentos, inúmeros são os eventos que 
acontecem em nosso corpo, iniciando em 
nossa cabeça. Suponha que quer iniciar um 
movimento de chutar uma bola no gol, ao 
pensar nessa situação, seu SNC irá decodificar 
essa vontade e buscará no seu córtex motor o 
movimento já aprendido, já armazenado em 
sua memória, obviamente que o cérebro não 
consegue realizar tudo sozinho, ele precisa da 
ajuda de outras estruturas como os músculos 
e o cerebelo, por exemplo. Pois bem, quando 
pensamos em chutar a bola no gol, meu sistema 
nervoso central busca no córtex motor a ha-
bilidade já aprendida, e a partir desse ponto, 
a informação passará pelas células piramidais 
que saem do córtex motor, sendo levadas aos 
órgãos alvos. Nesse caso, principalmente os 
músculos da perna, não entrando emcondi-
ções de que o córtex é auxiliado por outras 
duas áreas, sendo elas a área motora primária 
e as áreas motoras suplementares, ambas tra-
balham principalmente para a boa execução 
dos movimentos esportivos, também é evi-
dente que para realizar esse gesto técnico do 
futebol, outros músculos como os abdominais, 
os braços e tantos outros auxiliam no equilíbrio 
e na coordenação do movimento.
Seguindo com essa ideia, pense no 
movimento que saiu do córtex motor em 
direção ao músculo efetor, segue igualmen-
te uma cópia da mesma informação para 
o cerebelo, esse é responsável por compa-
rar o movimento executado com aquele 
que deveria ser realizado inicialmente. Pois 
bem, a informação é levada ao músculo e 
também uma cópia para o cerebelo, os mús-
culos executam o gesto técnico. Existem nos 
músculos estruturas chamadas propriocep-
tores, que percebem todo o movimento, 
ângulo, tensão, alongamento etc., e têm a 
função de informar o cérebro de todas essas 
reações ou mudanças, adaptações corpo-
rais localizadas em cada momento de cada 
novo movimento ou situação imposta pelo 
meio ambiente ou pelo esporte. Esses pro-
prioceptores, estruturas neuromusculares 
localizadas nas articulações dos membros 
inferiores (das pernas), enviam uma informa-
ção ao cerebelo dizendo como foi realizado, 
na realidade, o movimento ordenado pelo 
cérebro. O cerebelo, por sua vez, compara as 
duas informação, aquela inicial que veio do 
cérebro, e essa outra enviada pelos proprio-
ceptores localizados nos membros inferiores. 
Caso essa comparação identifique uma falha 
no movimento, um feedback é direciona-
do ao cérebro, solicitando uma mudança, 
um novo estímulo, para que o movimen-
to técnico seja realizado de forma correta, 
assim todo o processo se reinicia, tornan-
do-se cíclico até que o movimento realizado 
pelos músculos aconteça perfeitamente ou, 
pelo menos, da forma que o cérebro mandou. 
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
92
Em síntese, sai uma informação do córtex 
motor que é direcionado aos músculos e uma 
cópia ao cerebelo, os músculos realizam os 
movimentos, as estruturas neuromusculares 
localizadas junto às articulações informam 
o cerebelo de como foi realizado na prática 
o movimento, o cerebelo compara a infor-
mação inicial com aquela realizada pelas 
estruturas musculares, se necessário gera um 
feedback para o cérebro solicitando uma cor-
reção ou não, isso acontece inúmeras vezes 
até o movimento ficar perfeito. Talvez, por 
esse motivo, com a prática continuada, che-
gamos à perfeição ou melhoria da técnica 
em qualquer movimento, sendo ele espor-
tivo ou não (FOSS; FOx, 2010).
Para Schmidt e Wrisberg (2001), o feedback 
extrínseco existe por necessitarmos de uma 
informação externa, vinda, por exemplo, de 
um instrutor, um vídeo ou qualquer infor-
mação que poderia influenciar o aprendiz. 
Essas instruções externas são absorvidas 
Feedback para correção de movimentos técnicos 
Fonte: Foss e Fox (2010 apud JACOB, 2014.
pelo sistema sensorial, e a partir desse ponto, 
servirá como informação para aprimoramen-
to do rendimento técnico, pois o resultado 
final do movimento ou da tarefa servirá como 
complemento para o feedback intrínseco 
que foi abordado acima.
Pós-Graduação | Unicesumar
93
Desse modo, por meio de um feedback 
extrínseco advindo da audição, visão, tato 
etc., o executante terá a percepção de gerar 
conclusões internas de como pode ou deve 
ser realizado tal gesto técnico, e após essa 
análise, tem a possibilidade de melhorar seu 
rendimento.
Segundo Magill (2000), o feedback ex-
trínseco é subdividido em dois tipos, sendo 
um relacionado com a própria realização, co-
nhecimento da execução ou da performance 
(CP), e outro relacionado com o conhecimen-
to do resultado obtido (CR).
Ainda de acordo com Magill (2000), o CP 
é quando se recebe uma informação sobre o 
padrão da execução do movimento, das ca-
racterísticas que o indivíduo produziu para 
desempenhar aquele gesto. Normalmente 
,essa informação surge dos treinadores que 
buscam passar informações muitas vezes 
verbais para melhorar o rendimento em de-
terminado movimento, como, por exemplo, 
quando um treinador de futebol diz ao 
jogador que está treinando cobranças de 
faltas: “coloque o pé de apoio mais próximo da 
bola no momento do chute”. O segundo tipo 
de feedback extrínseco é o CR, que também 
ocorre muitas vezes de forma verbal, for-
necendo a informação sobre o movimento 
realizado em relação ao objetivo pretendido. 
Suponha, por exemplo, a informação sobre 
o resultado de uma ação, como quando um 
jogador acerta 10 (dez) finalizações a gol no 
primeiro tempo de um jogo e o seu treina-
dor diz: “você realizou 10 (dez) finalizações a 
gol em 45 (quarenta e cinco) minutos”.
Em resumo, o feedback intrínseco é im-
portante para a percepção individual dos 
erros cometidos na realização do gesto motor 
aliado ao feedback extrínseco demonstrado 
por fontes externas, como, exemplo, o pro-
fessor que por meio de informações verbais e 
ou visuais molda o padrão de movimento do 
aluno, lhe dando as informações do que tem 
que ser melhorado. Tanto o feedback intrín-
seco como o extrínseco se complementam, 
sendo considerados fatores fundamentais 
para o aprendizado e para o rendimento de 
habilidades motoras específicas.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
94
considerações finais
Ainda não se conhece definitivamente o 
mecanismo, ou os mecanismos, pelo qual o 
cérebro adquire, armazena e evoca as infor-
mações. A hipótese é que haveria alteração 
da função sináptica criando novos circuitos 
neuronais e seriam essas novas ligações que 
codificariam as informações. Esse modelo 
tornou-se bastante plausível depois que se 
comprovou, experimentalmente, o aumento 
da resposta sináptica com a aplicação de es-
tímulos repetitivos.
Assim, acredita-se que o substrato da 
memória é o aumento da função sináptica 
(hipertrofia) ou a criação de novas sinapses. 
Esse modelo é bastante interessante, pois, 
além de esclarecer como são guardadas as 
informações, permite explicar, também, a 
atenuação das lembranças, fenômeno co-
nhecido por todos e que ocorreria em virtude 
da diminuição da função sináptica causada 
pelo desuso. 
Desse modo, podemos apontar o cérebro 
humano ou a formação de memórias com a 
seguinte analogia: imagine um músculo qual-
quer do nosso corpo; quando vamos para a 
academia de ginástica e trabalhamos alguns 
desses músculos eles acabam por aumentar 
seu tamanho, correto? Se nos afastarmos por 
um tempo significativo e pararmos de utiliza 
com uma alta intensidade nossos músculos, 
eles diminuirão seu tamanho, isso também 
é correto. Pois bem, nosso cérebro funciona 
da mesma maneira. Nós fortalecemos as 
conexões sinápticas, nosso conhecimen-
to aumenta desde que submetamos nosso 
cérebro a trabalhos ou exigências que o façam 
se reorganizar, que ele realmente sinta a ne-
cessidade de se adaptar. Se pararmos nosso 
cérebro, essas conexões acabam sendo enfra-
quecidas e a partir de então, esquecemos. Em 
outras palavras, nosso “cérebro fica menor”.
Diante dessa abordagem de aprendiza-
do ou das nossas memórias, não é possível 
evocar uma informação, se ela não foi devi-
damente arquivada. Para que o ser humano 
possa reter na memória determinada infor-
mação, é necessário que sua atenção esteja 
voltada para isso. Sem atenção, não há qual-
quer possibilidade de guardar um fato e, sem 
guardá-lo, não há como recuperá-lo depois. 
Lembrem-se,sem a atenção o aprendiza-
do não acontece. Sabe aquele momento 
que você ou qualquer outra pessoa se pega 
olhando para uma questão de prova e a 
questão olha para você, você olha para ela, e 
assim permanece por longos minutos ou até 
horas? Pois é, nada vai acontecer. Você só se 
lembrará de uma resposta se a aprendeu, ou 
seja, como vai buscar em seu cérebro a res-
posta para aquela questão se nunca estudou 
como deveria, se não aprendeu? Uma dica: 
não fique esperando por uma resposta do 
além ou uma “cola”, entregue a prova e apro-
veite melhor o seu tempo.
Pós-Graduação | Unicesumar
95
atividades de autoestudo
1. Sabendo que neurônios são células cerebrais responsáveis pela produção 
do conhecimento ou aprendizado, como são formadas nossas memórias?
2. Muito se sabe sobre o poder de adaptação ou de reprogramação cerebral 
sempre que necessário, por outro lado, pouco se sabe sobre o poder das 
estruturas encefálicas e de qual modo podem nos permitir uma vida mais 
satisfatória. Diante do exposto, o que significa neuroplasticidade cerebral?
3. Tanto se argumenta sobre patologias que nos levam à perda de memória, 
como a amnésia, por exemplo, ou coisas mais corriqueiras, como não se 
lembrar de algo, como lembrar com muita facilidade e jamais se esque-
cer de algum evento ou situação. De acordo com o que foi supracitado, o 
que são memórias de curta e longa duração? E por que estão diretamen-
te relacionadas?
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
96
conclusão
Quem já se perguntou algo relacionado à aprendizagem humana? Você já re-
fletiu sobre como conseguiu aprender tudo até esse momento da sua vida? 
Estranho, não é? Conhecemos tantas coisas, sabemos muito, mas ao mesmo 
tempo sabemos tão pouco sobre nós mesmos ou como chegamos até aqui. Sei 
que você pode ter falado que aprendeu graças a seus pais, avós ou professor. Pois 
bem, mas quem te ensinou a reconhecer o rosto da sua mãe se até os 5 meses 
aproximadamente não conseguia identificá-la pela forma representada em seus 
olhos? Verdade. Você só a reconhecia pelo cheiro ou pela voz. Mas como apren-
deu a calcular, escrever, andar, correr, cantar, falar e tudo mais que aprendeu 
desde sua infância até agora? Todas as formas de aprendizagem são naturais em 
nosso cotidiano. Levanto agora pequenos problemas e agora parece ser ainda 
mais confuso. Para tentar responder parte dessas dúvidas, surge essa tal ciência 
que estuda o Sistema Nervoso Humano.
Estudar o Sistema Nervoso é fundamental, pois é ele quem controla todas 
as funções do nosso organismo. Claro que existem outras partes que auxiliam 
nesse controle, mas o chefe, o patrão, é nosso Sistema Nervoso, e como íntimos 
dessa região, temos os neurônios que desempenham papéis importantíssimos 
em nosso dia a dia, desde toda a coordenação de movimentos até a resolução 
de problemas de cunho cognitivo.
Vamos pensar o aprendizado de forma fragmentada, por etapas ou estágios. 
Primeiro, para aprendermos algo, temos que ter um contato, uma experiência 
concreta com o novo, com a informação que deverá ser aprendida futuramen-
te. Após isso, em nossa cabeça, desenvolverão conexões abstratas do real, coisas 
que só existem para nosso mundo imaginário. Após esse momento, podemos 
tentar experimentar no real aquilo que imaginamos e ver se dará certo, e in-
dependentemente do resultado, obteremos uma informação concreta. Já se 
pegou observando uma criança que vê os pais mexerem em uma gaveta e tiram 
de lá coisas diariamente, mas não deixam a criança se aproximar dessa gaveta? 
Suponha que é uma gaveta de facas, então, ela não pode se aproximar para não 
Pós-Graduação | Unicesumar
97
se cortar, pois é perigoso. Um detalhe, a criança não sabe o que é isso na reali-
dade, ela imagina bilhões de possibilidades até ela abrir a gaveta e pegar a faca. 
Pode ser que ela se corte, aí sim ela saberá na realidade o significado daquele 
instrumento e provavelmente irá associar a um conhecimento novo de dor. Em 
outras palavras, obtemos uma informação e damos algum significado para ela, 
depois criamos novas ideias a partir deste significado e as colocamos em prática. 
Quando somos capazes de realizar essas etapas, inúmeras áreas do córtex cere-
bral estão sendo estimuladas e de maneira natural serão geradas e firmadas as 
conexões neurais. Após esse processo, aprendemos de forma natural.
Conhecer aspectos inerentes à base neurológica e seus aspectos intrínse-
cos que se relacionam à aprendizagem humana não nos trará uma “receita de 
bolo”, como normalmente esperamos, mas, sem dúvida nenhuma, muitos cami-
nhos serão mostrados. Quando se conhece essa base, podemos nortear nosso 
trabalho e ajudar o aluno/aprendiz a perceber que é ele quem está no controle, 
fazê-lo compreender o quanto tudo aquilo é e será importante para toda a sua 
vida e ajudá-lo a encontrar emoções, e o mais importante, ensiná-lo a lidar com 
ela. Lembre-se, sempre que a aprendizagem oferecer controle e a percepção de 
progresso, e sempre trará ao aluno uma sensação estimulante.
Um erro comum ao discutir esse assunto e levantar a palavra “aluno” é que a 
associamos sempre com crianças em idade escolar. No entanto, todas as ques-
tões relacionadas a essas informações se relacionam com o desenvolvimento de 
qualquer pessoa, em qualquer idade, com o intuito de melhorar o rendimento 
de discentes e docentes em busca de algo maior.
Professores, o entendimento do conhecimento de como o cérebro funcio-
na é fundamental para que haja um planejamento escolar viável e palpável, com 
estratégias diferenciadas para a aplicação dos métodos de aprendizagem dos 
conteúdos escolares. Também é imprescindível para que o planejamento seja 
adequado ao potencial neurológico dos alunos, isto é, nem banalizar o conteú-
do, nem ir além da capacidade de compreensão de um grupo específico.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
98
filme
Óleo de Lorenzo / Lorenzo’s Oil
Diretor: George Miller
Duração: 2:30 min
Ano: 1992
País: Estados Unidos
Gênero: Drama
Sinopse: Um garoto levava uma vida normal até que, quando tinha seis anos, estranhas coisas acon-
teceram, pois ele passou a ter diversos problemas de ordem mental que foram diagnosticados como 
ALD, uma doença extremamente rara que provoca uma incurável degeneração no cérebro, levando o 
paciente à morte em, no máximo, dois anos. Os pais do menino ficam frustrados com o fracasso dos 
médicos e a falta de medicamento para uma doença desta natureza. Assim, começam a estudar e a 
pesquisar sozinhos, na esperança de descobrir algo que possa deter o avanço da doença.
reposição hormonal com células bioiDênticas
Reposição de hormônios é um assunto tão difundido e ao mesmo tempo tão polêmico, não é? Quantos 
leitores já não escutaram que um praticante de academia “tomou bomba”, fez uso de reposição de hormô-
nios, como a testosterona, por exemplo, ou de mulheres que estão entrando na menopausa e necessitam 
de estrogênio que acabam por diminuir com a idade. Evidentemente, com o passar dos anos, nosso or-
ganismo passa a necessitar de hormônios que vão deixando de ser produzidos por inúmeros fatores. O 
mais interessante é que indústrias farmacêuticas encontram fórmulas mágicas para oferecer produtos 
manipulados, como os da tireoide, quase todas as mulheres já tomaram ou ouviram falar. Mas o espan-
toso é que sintetizar hormônios produzidos por nosso organismo não é tão simples, como sugere o Dr. 
Lair Ribeiro, ao dizer que nosso organismo produz na quantidade ideal para um bom funcionamento do 
organismo. Então cuidado, ir correndo a uma farmácia de manipulação e comprar um hormônio “pareci-
do” com aquele que seu corpo produz naturalmente não é o suficiente. Segundo oDoutor, nosso corpo 
é como uma chave e fechadura, temos hormônios ou chaves específicas para regiões corporais ou fecha-
duras também específicas. Se for até a porta da sua casa e tentar abri-la com uma chave de outro lugar, 
irá machucar a fechadura a ponto de estragá-la e nenhuma chave mais funcionar, nem mesmo aquela es-
pecífica. Pois bem, diante disso, poderíamos refletir do por que tantas pessoas acabam por desenvolver 
doenças diversas como: câncer de mama, enfartes, doenças cardiovasculares, dentre tantas outras. Será 
meramente coincidência? Não! Estudos já comprovam que a reposição desses hormônios parecidos podem 
fazer muito mal à saúde. Por outro lado, surge a reposição hormonal com células bioidênticas, hormônios 
com a mesma estrutura molecular produzida pelo nosso organismo. Cuidado! Não se engane pensando 
que só por ser também produzido em laboratório elas prejudicarão a saúde. É como se levasse a chave a 
um chaveiro. Ele moldará de forma perfeita para que a porta seja aberta sem danos. Assim são esses hor-
mônios com estruturas moleculares idênticas àquelas produzidas naturalmente pelo nosso organismo.
Tudo se fundamenta do ponto de vista de que se quando mais novos produzíamos hormônios em 
quantidades adequadas vivíamos muito bem, então porque não manter essa saúde ou qualidade de 
vida sem os sintomas desagradáveis do processo de envelhecimento? Homens e mulheres procurem 
um médico para evitar possíveis riscos desnecessários.
Disponível em: http://www.lairribeiro.com.br/reposicao-hormonal-sem-riscos/>. Acesso em 31 ago. 2014.
filme
Pós-Graduação | Unicesumar
99
relato de 
caso
A senhora Maria Madalena era professora do ensino fundamental. Como amava muito dar aulas de 
história, se especializou e ainda concluiu um mestrado. Após muitos anos como docente em sala de 
aula e tantos outros como diretora, Maria realizou mais um sonho quando pode abrir sua própria 
escola particular. Os anos passavam depressa, até que certo dia a professora, diretora e proprietária 
Maria passou a apresentar dificuldades no controle dos movimentos corporais. Após tantos exames, 
alguns realizados nos Estados Unidos, foi descoberta uma doença hereditária que acometia o Sistema 
Nervoso, a doença de Huntington, um distúrbio neurológico que quanto mais vezes é passada ao 
longo das gerações, mais cedo os sintomas aparecem.
Com o passar dos meses seu quadro clínico começou a se agravar, Maria começou a apresentar diver-
sos sintomas que prejudicavam sua atividade profissional, como: demência, movimentos anormais, 
reflexos anormais, passadas “saltitantes” e largas, fala hesitante ou de pouca enunciação. Como não 
existe tratamento que surte um efeito significativo, o uso de medicamentos e as tentativas de retar-
dar os efeitos motores, fizeram com que a professora independente, forte e inteligente, tivesse de 
vender sua escola, largar suas aulas, mudar de cidade para viver sob os cuidados de seus filhos que 
estão em cursos universitários em outra localidade.
Atualmente, Maria luta insistentemente contra a doença, tenta retardá-la na esperança de ser en-
contrada a cura e quem sabe assim poder a voltar ministrar aulas. Os cuidados são inúmeros, Maria 
faz tratamento com Fonoaudiólogos, Neurologistas, profissionais da Educação Física e também 
Psicólogos. E até o presente momento ainda conta com o auxílio de familiares e amigos para diaria-
mente renovar sua esperança.
Fonte: Elaborado pelo autor. O nome é fictício, mas o conteúdo do caso é real, com adaptações.
Neuropsicopedagogia: estrutura neurológica e aprendizagem
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referências
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