A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
60 pág.
APS   ONG Banco de Alimentos COMPLETA 2º semestre

Pré-visualização | Página 9 de 11

da Esperança?
O Banco de Alimentos citou em uma entrevista que é uns dos contribuintes do Arsenal da Esperança. Que tipos de alimentos são enviados por eles? Eles são perecíveis ou não? 
Com que frequência é feita a entrega dos alimentos?
A participação do Banco de Alimentos gerou alguma história emblemática? 
Alguma vez já chegou faltar alimentos?
Para quem deseja contribuir com o Arsenal da Esperança, quais são as medidas cabíveis que a pessoa deve tomar para que essa ajuda chegue até vocês? 
Entrevista com a ONG Arsenal da Esperança
Entrevista com Gianfranco Mellino, 57 anos, administrador do Arsenal da Esperança. 
Aline: Qual foi o sonho que motivou o surgimento do Arsenal da Esperança? 
Gianfranco: Um dos sonhos de quando nasceu este grupo, que se chama SERMIG e significa Serviço Missionário Giovani e é um serviço de jovens que ajudavam os missionários naquela época, há 50 anos, um serviço de ensinar jovens. Porque o grande sonho de Ernesto e de Maria, sua esposa, era de eliminar a fome no mundo, talvez de se ligar ao Banco de Alimentos mais tarde. Então, estávamos fazendo algumas coisas, algumas atividades lá na Itália, para eliminar a fome do mundo. Ou seja, a arrecadação de coisas, de alimentos também, de roupas, de dinheiro para mandar para os lugares que precisavam, para Igrejas Católicas, que ajudavam os missionários, para diminuir um pouco a fome e a injustiça. Na África, tinha um missionário que queria construir um hospital, um posto, um vilarejo, uma coisa assim, ou que precisava de alimento, de remédio, de equipamento, então, o SERMIG fazia arrecadações, através de campanhas em Turim em 1974. 
Depois se tornou uma fraternidade, tornou-se um grupo onde algumas pessoas iniciaram fazer uma escolha de vida, de doação à Deus e às pessoas que mais precisavam. Não somos leigos, consagrados e tem rapazes, moças, homens e mulheres, casais que, como família, fazem parte desse grupo, e mais para frente, tem também três padres, que se tornaram padres da nossa comunidade.
Continuando… precisava levar em frente esse desejo de ajudar os missionários, ajudar onde necessitavam. Depois, há 20 anos, surgiu o Arsenal da Paz em Turim, quando padre Ernesto entendeu que este grupo não era mais um grupo que fazia voluntários, e pediu à Prefeitura este lugar, o Arsenal de Guerra, que se tornou o Arsenal da Paz. Antes fabricavam armas, mas se tornou um lugar de paz. E quando viemos para cá [Brasil], o chamamos de Arsenal da Esperança, porque aqui antigamente era a Hospedaria dos Imigrantes, era aquele lugar que acolhia os imigrantes que chegavam da Europa e da Ásia. Passavam 4, 5 milhões de pessoas aqui. Hoje uma parte do Arsenal é um Museu de Imigração, que foi divido há 20 anos. O nome Arsenal foi para lembrar nossa primeira casa, e Esperança porque tinha esperança aos imigrantes que chegavam. 
Aline: E baseado nessa introdução, por que vocês escolheram o Brasil para ser agraciado com o Arsenal? 
Gianfranco: Porque nós já estávamos trabalhando aqui, estávamos apoiando alguns projetos na Bahia, aqui em São Paulo. De 25 a 30 anos atrás começamos a fazer moradias, porque o nosso fundador tinha conhecido um grupo de padres aqui através da presença de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, que era bispo naquela região, aqui de São Paulo, mas que veio a falecer há 10 anos, e era bispo de Mariana. Mas ele se tornou também o presidente da CBB (Conferência de Bispos do Brasil), e conheceu o Ernesto. Então estávamos ajudando um pouco o Brasil, na Bahia, em Minas Gerais, aqui em São Paulo, onde fizemos moradias, 62 casas em forma de mutirão, um prédio com 19 apartamentos para colocar pessoas que moravam em favelas e cortiços. E depois, Dom Luciano, há 20 anos, soube que o Estado estava se livrando deste espaço, que depois de tornou o DIS (Departamento de Integração Social), uma casa de acolhida para as pessoas que chegavam no Brasil ou vinham de outras regiões do país, migrantes.
Naquela época eu estava procurando entidades para assumir esse espaço e Dom Luciano soube disso e sugeriu que viéssemos ao Brasil para assumir essa casa, que talvez tivesse chegado a hora de reafirmar esse nome, o serviço missionário de jovens e então nasceu o Arsenal da Esperança. Falamos de chamar Arsenal da Esperança para lembrar que essa é uma casa de esperança para as pessoas que eram acolhidas, que hoje são acolhidas pela casa. São mil e duzentas pessoas todo dia. No Brasil se fala muito de albergue, mas vamos eliminar a palavra albergue? Nós falamos que é uma casa que acolhe, porque tem uma fraternidade, um grupo de pessoas que abre as portas da própria casa para ajudar quem está precisando, quem está passando muita dificuldade. Não são moradores de rua, são pessoas que estão passando por necessidade.
Aline: Qual é o perfil das pessoas que vocês ajudam?
Gianfranco: Nesses 20 anos, estamos chegando há quase 53 mil pessoas diferentes. Mas, em essência, são homens. Escolhemos homens porque a demanda era mais destes, mas nosso sonho hoje é também abrir uma casa de acolhimento para mulheres com crianças. No entanto, hoje somente homens a partir de 18 anos. Por aqui já passou qualquer tipo de pessoa, não são só moradores de rua, (porque dá para fazer uma distinção entre morador de rua e morador em situação de rua. Moradores de rua são aquelas pessoas que fizeram a escolha de morar nas ruas, que não querem mais sair dessa situação), as vezes pessoas que perderam o trabalho. Aqui já passaram médicos, professores, administradores de empresas, pessoas que falam quatro, cinco idiomas, jornalistas, já passou de tudo. Às vezes, as pessoas acham que são só pobrezinhos, mas não são pobrezinhos, são pessoas que tiveram uma certa cultura. Antes eram mais pessoas do Norte, que chegavam à São Paulo atrás de oportunidades, mas hoje não, diminuiu muito essa migração interna. São pessoas de São Paulo, que estão tendo problema de trabalho, por causa da crise, ou pessoas com problema de droga e álcool, como jovens, que podem cair por não ter oportunidade. A maioria das pessoas que vem aqui é pela falta de trabalho, que precisam se reestruturar, tentar levantar de novo, voltar à sociedade de modo melhor. Porque muitas pessoas ficam sem moradia, trabalho, sem família, então tem que se levantar, mas não queiram cair na rua, querem somente um apoio. Então aqui é essa casa de apoio.
Aline: Como vocês tiram muitas pessoas da rua, dando oportunidade e esperança, existe alguma história emblemática que marcou vocês, que vocês ajudaram, e a pessoa conseguiu se reerguer e hoje até participa da ação do Arsenal?
Gianfranco: Sim, têm algumas pessoas que foram acolhidos e hoje são voluntários da casa, como tem pessoas que foram acolhidas e hoje são funcionários da casa. Nós investimos nisso. Lógico que não podemos ajudar para que todos fiquem aqui, mas as vezes tem alguém que se destaca um pouco mais, então damos oportunidade para se tornar funcionário, ou encaminhamos daqui. Há também pessoas que, por um senso de gratidão, por tudo que foi feito por eles, voltam como voluntários da casa.
Aline: E acabam servindo como referência?
Gianfranco: Sim. Nós temos um coral que anima essas pessoas nas celebrações ou em alguns eventos que somos chamados, e algumas pessoas do grupo deles são ex-acolhidos, que trabalham fora, já tem casa, mas voltam somente para agradecer, se tornar um exemplo aos outros. 
Aline: Eu li um trecho que diz que “só é possível a caminhada graças a confiança do Governo do Estado de S. Paulo e a Prefeitura de S. Paulo”. Eles contribuem em que?
Gianfranco: Quando surgiram, todos os grupos e todas as entidades eram ligadas ao Estado. Mas há 8 anos uma lei fez com que todos os projetos sociais fossem ligados à Prefeitura. Temos um “clubinho” com a Prefeitura, onde ela passa uma verba para nós e com essa verba temos que gerir toda a casa, com todas as despesas que tem uma casa, como água, luz, funcionários, comida, produtos de limpeza, só que às vezes não é o suficiente. Então temos que tratar com doações, parceiros que,