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BV581 - Fisiologia Vegetal Básica - Desenvolvimento 
Aula 9: Tropismos e Nastismos 
Prof. Marcelo C. Dornelas 
 
Tropismos versus Nastimos 
Tropismos decorrem do crescimento diferencial da planta ou parte dela 
(por expansão ou divisão celular), geralmente são irreversíveis e ocorrem em 
resposta a um estímulo externo, sendo dependentes de sua direção. 
Já os nastismos são geralmente decorrentes de expansão diferencial 
de um grupo de células (por diferenças de turgor), geralmente são reversíveis e 
ocorrem em resposta a um estímulo externo, sendo independentes de sua 
direção. 
TROPISMOS 
 Uma vez que os tropismos dependem da direção do estímulo, os 
mesmos podem ser POSITIVOS (quando o crescimento se dá em direção ao 
estímulo) ou NEGATIVOS (quando o crescimento se dá em direção contrária 
ao estímulo). 
 Além de serem positivos ou negativos, há vários tipos de tropismos com 
relação ao tipo de estímulo que os induzem: Fototropismos (repostas à luz), 
Geotropismo ou Gravitropismo (resposta à gravidade), Tigmotropismo 
(resposta ao toque ou contato), Hidrotropismo (resposta à umidade), 
Quimiotropismo ou quemotropismo (reposta a compostos químicos), 
Termotropismo (resposta à temperatura), etc. 
Fototropismo 
O fototropismo já era estudado por Darwin, que determinou que caules e 
folhas possuem fototropismo positivo (crescem em direção à luz) e raízes 
possuem fototropismo negativo. Posteriormente descobriu-se que as auxinas 
possuem um papel importante no fototropismo. Durante muito tempo pensou-
se que a auxina se degradava do lado mais claro do caule e a auxina que 
permanecia intacta do lado sombreado causava expansão celular. Hoje se 
supõe que as diferenças de concentração de auxinas do lado iluminado e do 
lado sombreado não se devem à degradação, mas sim ao transporte polar de 
auxinas da região iluminada para o lado sombreado. 
 
 
 
Geotropismo 
 Também conhecido como gravitropismo. Caules possuem geotropismo 
negativo enquanto as raízes possuem geotropismo positivo. 
 A mesma concentração de auxinas pode induzir a expansão de células 
do caule, causando o geotropismo negativo, e reprimir a expansão de células 
da raiz, causando o geotropismo positivo destas estruturas. Isto se deve ao fato 
de que, como qualquer outro hormônio, uma determinada concentração de 
auxina pode ter efeitos indutores em um tecido e repressores em outro! 
 
 
Pouco se sabe do mecanismo através do qual a planta percebe a força da 
gravidade, mas aparentemente isto acontece em tecidos como a endoderme e 
a coifa da raiz. Plantas das quais a coifa foi removida, apresentam crescimento 
agravitrópico da raiz. As células da coifa possuem estatólitos que são 
grânulos de amido que se organizam dentro da célula de acordo com a 
gravidade. O mecanismo molecular pelo qual a posição dos estatólitos é 
transmitida ao resto da planta é desconhecido. 
 
Hidrotropismo 
 Em sua busca constante por água, praticamente todas as plantas 
possuem raízes com hidrotropismo positivo. Este estímulo é tão forte, que pode 
abolir o geotropismo positivo das raízes e em alguns casos, as raízes podem 
crescer com geotropismo negativo, se houver fonte de água disponível, 
localizada de tal forma que a estimule a fazer isso. 
Tigmotropismo 
 A maior parte das plantas possui tigmotropismo negativo, sendo que o 
crescimento é reprimido pelo toque constante com outras estruturas. No 
entanto, algumas plantas (consideradas escandentes, ou popularmente 
chamadas de ¨trepadeiras¨) possuem tigmotropismo positivo e usam desta 
propriedade para buscar áreas com maior luminosidade, ¨escalando¨ suas 
hospedeiras até o dossel. Muitas vezes isto é feito através de estruturas 
especializadas, as gavinhas. 
Nutação 
 A nutação é um movimento errático, aparentemente aleatório do caule 
das plantas, visível apenas quando filmadas e colocando-se o filme de forma 
acelerada. Não se entende muito bem a função adaptativa deste movimento e 
considera-se que seja apenas uma consequência da flutuação das 
concentrações de auxina no caule durante o desenvolvimento. A nutação é 
uma exceção com relação aos outros tropismos pois não parece ter um 
estímulo claro e nem uma direção determinada. 
Nastismos 
 Ao contrário dos tropismos que são uma forma de crescimento direcional 
irreversível, os nastismos são reversíveis e podem ser interpretados como 
movimentos observáveis muitas vezes a olho nu e são determinados por 
diferenças de turgor das células de um determinado tecido. 
Tigmonastismo 
 Em plantas leguminosas, os tecidos localizados na base do pecíolo foliar 
e dos folíolos são denominados de pulvinos. O pulvino é a estrutura 
responsável pelo rápido movimento foliar em algumas leguminosas, como o 
caso de Mimosa pudica. As células localizadas do lado abaxial e do lado 
adaxial dos pulvinos de Mimosa apresentam uma capacidade diferencial de 
perder ou ganhar água. Desta forma, quando estimulados pelo toque (ataque 
de herbívoros, etc), os folíolos (que possuem pulvinos em sua base), fecham-
se em um movimento rápido. Este movimento é causado por causa do trânsito 
subido de água de células da região adaxial para as células da região abaxial 
dos pulvinos. Esta modificação de turgor é causada por modificações bruscas 
no funcionamento das bombas de íons presentes nas membranas dos 
vacúolos e é precedida por uma onda de transporte de cálcio. 
 
 
Nictinastismo 
 As leguminosas possuem ainda um movimento de fechamento ou 
¨abaixamento¨ das folhas, através do mesmo mecanismo pulvinar 
(modificações de turgor nas células), mas que não é causado pelo toque e sim 
pelo ciclo circadiano. Desta forma, as folhas ganham posições diferentes 
durante o dia e a noite, provavelmente para otimizar a fotossíntese e ao mesmo 
tempo minimizar perdas de água por evapotranspiração.

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