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INTERVENÇÃO DE TERCEIROS, OPOSIÇÃO, NA, LITISCONSÓRCIO ok

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Paulo Souza

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INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015
Sumário:
Resumo	4
Introdução	5
modalidades de intervenção de terceiros previstas no CPC de 2015	7
Assistência	7
Denunciação da Lide	14
Chamamento ao Processo	25
Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica	31
Amicus Curiae	43
Particularidades da Intervenção de Terceiros	50
Modalidades de intervenção de terceiros previstas no CPC de 1973 e não previstas no CPC de 2015 – Oposição e Nomeação à Autoria	50
Intervenções de Terceiros Típicas e Atípicas	60
Aplicação à Lei 9.099/95 e o CPC de 2015	65
Esclarecimentos sobre os litisconsórcios e a diferença entre Litisconsórcio e Assistência Litisconsorcial	65
Considerações finais	77
Referências	77
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015
Resumo
Dentre as novidades trazidas pelo Código Civil de 2015 é possível verificar alterações significativas na intervenção de terceiros trazida pelo diploma processual anterior. O CPC de 2015 traz como modalidades, em seu texto, a Assistência, a Denunciação da lide, o Chamamento ao Processo, a Desconsideração da Personalidade Jurídica e o Amicus Curiae. Trata-se de rol exemplificativo, uma vez que, como também visto, há outras normas legais que preveem intervenção de terceiros nos casos que especificam, bem assim, como visto, há outras intervenções de terceiros previstas no próprio corpo do CPC de 2015. A alteração do instituto do CPC de 1973 para o CPC de 2015 é expressiva e começa pela diferenciação no rol previsto em cada um dos diplomas. Saiu do rol a Oposição, cuja posição como intervenção de terceiros no anterior CPC era bastante criticada, passando a ser procedimento especial no novo CPC. Saiu também a Nomeação à Autoria e, em seu lugar entra o incidente de substituição réu (artigos 388 e 389 do CPC). Como novidade surgem de forma expressa o Amicus Curiae que, embora não seja terceiro imparcial, ingressa no processo para fornecer subsídios ao órgão jurisdicional para o julgamento da causa. Novidade também é o Incidente de desconsideração da Personalidade Jurídica, em que terceiro (sócio ou empresa, no caso de desconsideração inversa) é trazido ao processo através de citação para atuar no bojo da ação anteriormente ajuizada. A Assistência, embora não prevista no rol das intervenções de terceiros no anterior CPC, nele já era amplamente enquadrado pela doutrina, sendo incrementares as alterações promovidas pelo novo CPC.
Palavras-Chave: Intervenção de Terceiros, Código de Processo Civil de 2015.
Introdução
O Código de Processo Civil de 2015, Lei Nº 13.105, de 16 de março de 2015, trata da intervenção de terceiros no Título III que está contido no Livro III que abrange os sujeitos do processo. Em específico, a intervenção de terceiros vai do artigo 119, que começa a tratar da assistência, ao artigo 138 que cuida por completo do Amicus Curiae.
Segundo Câmara (2017, p. 62) partes
São aqueles que participam em contraditório da formação do resultado do processo. Tal conceito é amplo o suficiente para englobar não só as partes da demanda (demandante e demandado), mas todos os demais atores do contraditório (com o, por exemplo, os terceiros intervenientes).
Assim, de maneira mais geral, os terceiros são aqueles que, não sendo partes, participam da formação do resultado do processo. Gonçalves (2017, p. 298) define os terceiros da seguinte forma: “São terceiros aqueles que não figuram como partes: autores (as pessoas que formulam a pretensão em juízo) e réus (aqueles em face de quem tal pretensão é formulada)”.
De forma simplificada, terceiro é aquele que não pede e que não tem pedido formulado contra si. A contrario senso, parte é aquele que pede ou tem pedido formulado contra si. Em regra, quando o terceiro ingressa no processo, deixa de ser terceiro e passa a ser parte, com exceção feita ao amicus curiae (Gajardoni, aula 5.1). Quanto à assistência simples, há certa divergência se, ao ingressar no processo, seria parte – prevalece o entendimento de que é parte no processo.
Sobre a intervenção dos terceiros, Câmara (2017, p. 83) diz o seguinte:
Chama-se intervenção de terceiro ao ingresso de um terceiro em um processo em curso. Terceiro – frise-se – é todo aquele que não é sujeito de um processo. Assim, sempre que alguém que não participa de um processo nele ingressa e dele começa a participar tem-se uma intervenção de terceiro.
Acerca da intervenção de terceiros, Didier (2017, p. 539) esclarece: “Toda intervenção de terceiro é um incidente de processo, pois terceiro ingressa em processo existente, impondo-lhe alguma modificação e dele passando a fazer parte” (grifo nosso). Atentar para casos de intervenção de terceiros formulada já na petição inicial!!
De outro lado, continua o autor
É importante ter claro que o terceiro só é terceiro antes da intervenção. A partir do momento em que ingressa no processo ele passa a ser um de seus sujeitos e, portanto, adquire a qualidade de parte. Afinal, é parte do processo todo aquele que se apresenta como um sujeito do contraditório, podendo atuar de forma a exercer influência na formação do resultado do processo. E é exatamente assim que atua o terceiro interveniente, qualquer que seja a modalidade de intervenção (Câmara, 2017, p. 83).
Acerca da posição assumida por cada terceiro interveniente, é válida a ponderação trazida por Medina (2016, p. 197)
O assistente simples, mesmo após sua intervenção, permanece terceiro, em relação ao processo, nisso distinguindo-se este modo de intervenção, em relação aos demais, previstos no Código de Processo Civil. Com efeito: (a) na assistência litisconsorcial, o assistente torna-se litisconsorte unitário do assistido; (b) na denunciação da lide, o denunciado torna-se réu em relação ao denunciante, e litisconsorte deste, em relação à outra parte; (c) no chamamento ao processo, o chamado torna-se litisconsorte do réu originário.
Quanto ao amicus curiae, há o entendimento dominante de que, mesmo intervindo no processo, continuaria a ser terceiro. Já no incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica, também prevalece o entendimento de que os terceiros assumem, em verdade, parte da demanda. A esse respeito, Neves (2017, p. 138):
Na hipótese das intervenções de terceiros típicas previstas pelo Novo Código de Processo Civil é possível, a depender de sua espécie, ter-se parte na demanda e parte no processo. Autor ou réu fazem pedido de natureza regressiva contra o denunciado à lide, de forma que essa passa a ser parte na demanda. No chamamento ao processo há formação de um litisconsórcio ulterior passivo entre o réu originário e o chamado ao processo, sendo contra esse dirigido o pedido formulado pelo autor, devendo-se, por essa razão, se considerar o chamado ao processo parte na demanda. Já o assistente, que não faz pedido e contra ele nada é pedido, é tão somente parte no processo, o mesmo ocorrendo com o Ministério Público quando funciona no processo como fiscal da ordem jurídica. (grifos nossos)
[...]
A última intervenção típica é a gerada pela desconsideração da personalidade jurídica por meio da instauração do incidente previsto nos arts. 133 a 137 do Novo CPC. Nesse caso o pretenso credor (autor ou exequente) faz pedido contra os que pretende atingir patrimonialmente, que passam a ser parte na demanda com o acolhimento de sua pretensão. (grifos nossos)
Importante notar que o conceito de parte na demanda ou no processo não se confunde com o conceito de parte material, que é o sujeito que participa da relação de direito material que constitui o objeto do processo. Dessa forma, mesmo que não seja o titular dessa relação de direito material, mas participe do processo, o sujeito será considerado parte processual, independentemente da legalidade de sua presença no processo. É por isso que, mesmo sendo parte ilegítima, o sujeito é considerado parte processual pelo simples fato de participar do processo. Por outro lado, mesmo sendo parte legítima, não há necessidade de a parte processual ser tambémparte material, como bem demonstra o fenômeno da substituição processual. (grifos nossos)
Segundo a melhor doutrina, existem quatro formas de adquirir a qualidade de parte:
(a) pelo ingresso da demanda (autor/opoente);
(b) pela citação (réu, denunciado à lide e chamado ao processo);
(c) de maneira voluntária (assistente e recurso de terceiro prejudicado); 
(d) sucessão processual (alteração subjetiva da demanda, como na extromissão de parte).
Em síntese:
	
	O terceiro ingressante sempre é:
	Pedindo ou tendo pedido contra si:
	Amicus Curiae
	Parte no Processo
	Nunca?
	Assistente Simples
	Parte no Processo
	Nunca?
	Assistente Litisconsorcial
	Parte no Processo
	Parte na Demanda
	Incidente de Desconsideração de PJ
	Parte no Processo
	Parte na Demanda - sempre
	Chamamento ao Processo
	Parte no Processo
	Parte na Demanda - sempre
	Denunciação da Lide
	Parte no Processo
	Parte na Demanda - sempre
Ainda sobre a posição processual, em relação à intervenção de terceiros, Neves (2017, p. 335) acrescenta que:
Apesar das diferentes justificativas que permitem esse ingresso, as intervenções de terceiro devem ser expressamente previstas em lei, tendo fundamentalmente como propósitos a economia processual (evitar a repetição de atos processuais) e a harmonização dos julgados (evitar decisões contraditórias). É natural que, uma vez admitido no processo, o sujeito deixa de ser terceiro e passa a ser considerado parte; em alguns casos "parte na demanda” e noutros “parte no processo”.
De forma sintética, pelo acima exposto, tem-se que terceiro é aquele que intervém no processo sem ser parte (autor ou réu), sendo que sua condição de terceiro somente se mantém até a sua admissão ao processo, quando passa a ser considerado naturalmente parte. Seu ingresso ao processo deve ter previsão legal, qualquer que seja a modalidade de intervenção.
Dadas as definições preliminares do instituto, o presente trabalho tem por objetivo apresentar as modalidades de intervenção de terceiros previstas no Código de Processo Civil de 2015, bem como trazer à tona particularidades do instituto e a ele relacionadas.
modalidades de intervenção de terceiros previstas no CPC de 2015
Assistência – arts. 119 a 124
No CPC de 2015 a Assistência vem tratada entre os artigos 119 a 124, cuja redação é a seguinte:
CAPÍTULO I
DA ASSISTÊNCIA
Seção I
Disposições Comuns
Art. 119. Pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente interessado em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo para assisti-la.
Parágrafo único. A assistência será admitida em qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontre.
Art. 120. Não havendo impugnação no prazo de 15 (quinze) dias, o pedido do assistente será deferido, salvo se for caso de rejeição liminar.
Parágrafo único. Se qualquer parte alegar que falta ao requerente interesse jurídico para intervir, o juiz decidirá o incidente, sem suspensão do processo.
Seção II
Da Assistência Simples
Art. 121. O assistente simples atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido.
Parágrafo único.  Sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente será considerado seu substituto processual.
Art. 122. A assistência simples não obsta a que a parte principal reconheça a procedência do pedido, desista da ação, renuncie ao direito sobre o que se funda a ação ou transija sobre direitos controvertidos.
Art. 123. Transitada em julgado a sentença no processo em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que:
I - pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e pelos atos do assistido, foi impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;
II - desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu.
Seção III
Da Assistência Litisconsorcial
Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido.
Câmara (2017, p. 84), com base no texto legal, faz as seguintes considerações sobre a Assistência:
Intervenção de terceiro voluntária por excelência, a assistência permite ao terceiro interveniente (chamado assistente) ingressar no processo para ajudar uma das partes da demanda (o assistido) a obter sentença favorável (art. 119). Trata-se de modalidade de intervenção típica dos processos cognitivos – já que tem por objetivo permitir que o assistente auxilie o assistido na busca de uma sentença favorável, o que implica dizer que não será a mesma admitida nos processos executivos (ou na fase de cumprimento de sentença).
Continua o mesmo autor:
A assistência é admissível em qualquer procedimento cognitivo, podendo ocorrer em qualquer grau de jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontra (art. 119, parágrafo único). Consequência disto é que o assistente poderá auxiliar o assistido a partir do momento em que seja admitido no processo, não lhe sendo possível praticar atos relativos a estágios anteriores do processo, que para o assistido já estariam preclusos. Pense-se, por exemplo, no caso de ser admitido um assistente para o réu após o saneamento do processo. Não poderá o assistente, neste caso, impugnar o valor atribuído à causa pelo autor, questão que só poderia ter sido suscitada no prazo da contestação (art. 293) (CÂMARA, 2017, p. 84).
Importante a observação feita por Neves (2017, p. 346) no sentido de que não cabe assistência no procedimento sumaríssimo dos Juizados Especiais Cíveis (art. 10 da Lei 9099/95), também não cabe na ADI e ADECON (art. 7º da Lei 9.868/1999), havendo ainda divergência a seu cabimento no mandado de segurança, ainda que o STJ tenha entendimento pacificado pelo não cabimento da assistência simples.
Neves (2017, p. 342) destaca a questão do interesse jurídico como pressuposto da assistência:
O pressuposto da assistência é a existência de um interesse jurídico do terceiro na solução do processo, não se admitindo que um interesse econômico, moral ou de qualquer outra natureza legitime a intervenção por assistência. Dessa forma, somente será admitido como assistente o terceiro que demonstrar estar sujeito a ser afetado juridicamente pela decisão a ser proferida em processo do qual não participa, sendo irrelevante a justificativa no sentido de que sofrerá eventual prejuízo de ordem econômica ou de qualquer outra natureza. A natureza desse interesse jurídico varia conforme a natureza da assistência - simples ou litisconsorcial -, sendo analisada em outro momento.
Interesse jurídico é diferente de interesse moral, corporativo ou econômico (Gajardoni, aula 5.2).
No que tange ao interesse jurídico, duas são as situações em que o interesse do terceiro na causa pode ser qualificado como jurídico. Justamente por conta desta dualidade é que se reconhece a existência duas espécies de assistência em nosso ordenamento jurídico, que diferem ainda quanto ao cabimento, poderes do assistente e efeitos da intervenção, são elas: a assistência simples (artigos 121 a 123) e a assistência litisconsorcial (artigo 124).
Ainda sobre o interesse jurídico, Gonçalves (2017, p. 303) diz o seguinte: “Terá interesse jurídico aquele que tiver uma relação jurídica com uma das partes, diferente daquela sobre a qual versa o processo, mas que poderá ser afetada pelo resultado.” O mesmo autor, tratando da assistência simples afirma que o interesse jurídico depende de três circunstâncias:
a) que o terceiro tenha uma relação jurídica com uma das partes;
b) que essa relação seja diferente da que está sendo discutida no processo, pois se for a mesma ele deveria figurar como litisconsorte, e não como assistente;
c) que essa relação jurídica possa ser afetada reflexamente pelo resultado doprocesso.
Independentemente do interesse jurídico, há situações em que a lei prevê a possibilidade de assistência (assistência anódina). A critério de exemplo (Gajardoni, aula 5.2):
Art. 5º da Lei 9.469/97: dispõe sobre a intervenção da União nas causas em que figurarem, como autores ou réus, entes da administração indireta:
Art. 5º A União poderá intervir nas causas em que figurarem, como autoras ou rés, autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas federais.
Parágrafo único. As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas cuja decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econômica, intervir, independentemente da demonstração de interesse jurídico, para esclarecer questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer, hipótese em que, para fins de deslocamento de competência, serão consideradas partes.
OBS. No caso de Sociedade de Economia Mista federal autora ou ré, não haverá deslocamento de competência – a intervenção anódina não pode atrapalhar o processo. Não pode violar o juiz natural.
Vide súmula nº 150 do STJ: Súmula 150 - Compete a Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas Autarquias ou Empresas publicas. (Súmula 150, CORTE ESPECIAL, julgado em 07/02/1996, DJ 13/02/1996 p. 2608)
Vide súmula nº 224 do STJ: Súmula 224 - Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a declinar da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito. (Súmula 224, CORTE ESPECIAL, julgado em 02/08/1999, DJ 25/08/1999)
Vide art. 45 do CPC:
Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações:
I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho;
II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho.
§ 1o Os autos não serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo perante o qual foi proposta a ação.
§ 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas.
§ 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo
Art. 565 § 4º do CPC:
Art. 565. No litígio coletivo pela posse de imóvel, quando o esbulho ou a turbação afirmado na petição inicial houver ocorrido há mais de ano e dia, o juiz, antes de apreciar o pedido de concessão da medida liminar, deverá designar audiência de mediação, a realizar-se em até 30 (trinta) dias, que observará o disposto nos §§ 2o e 4o.
[...]
§ 4o Os órgãos responsáveis pela política agrária e pela política urbana da União, de Estado ou do Distrito Federal e de Município onde se situe a área objeto do litígio poderão ser intimados para a audiência, a fim de se manifestarem sobre seu interesse no processo e sobre a existência de possibilidade de solução para o conflito possessório.
OBS. Didier trata as possibilidades de intervenção anódinas como intervenção iussu iudici, ou seja, intervenções de terceiros determinadas pelo juiz.
Medina (2016, p. 194) tenta delimitar a distinção existente entre a assistência simples e a assistência litisconsorcial:
Não se confundem, pois, assistência simples e litisconsorcial: “No processo civil, a legitimação de terceiro para intervir como assistente de uma das partes supõe a existência de interesse jurídico próprio, que se qualifica por uma das seguintes circunstâncias: a) a de ser titular de uma relação jurídica sujeita a sofrer efeitos reflexos da sentença, caso em que pode intervir como assistente simples ([[...] art. 119 do CPC/2015]); ou b) a de ser cotitular da própria relação jurídica que constitui o objeto litigioso, caso em que poderá intervir como assistente litisconsorcial ([[...] art. 124 do CPC/2015])” (STJ, REsp 724.507/PR, 1.ª T., rel. Min. Teori Albino Zavascki). Para que se configure a assistência litisconsorcial (ou qualificada), assim, é necessária “a demonstração da titularidade da relação discutida no processo, razão pela qual a eventual incidência de efeitos jurídicos por via reflexa não tem o condão de possibilitar a admissão do agravante na lide nessa modalidade de intervenção processual.
Em resumo, conforme Câmara (2017, p. 85) na situação em que “o terceiro juridicamente interessado não é titular da própria relação jurídica deduzida no processo, mas de outra relação, subordinada, dependente ou conexa à relação controvertida, poderá ele intervir como assistente simples.” Já naqueles casos, continua o mesmo autor (2017, p. 85) em que casos “o terceiro tem interesse jurídico por ser titular da própria relação jurídica deduzida no processo poderá ele intervir como assistente litisconsorcial ou qualificado.”
Sobre a Assistência Simples, Neves (2017, p. 343) afirma que:
Essa é a espécie tradicional de assistência, tanto assim que a locução isolada “assistência” significa assistência simples, também chamada de adesiva. Conforme visto, só se permite a assistência se houver um interesse jurídico do terceiro na solução da demanda, representado no caso pela existência de uma relação jurídica não controvertida, distinta daquela discutida no processo entre o assistente (terceiro) e o assistido (autor ou réu), que possa vir a ser afetada pela decisão a ser proferida no processo do qual não participa.
Ainda sobre a Assistência Simples, Câmara (2017, p. 85), nos termos da Lei processual, diz o seguinte:
A respeito do assistente simples, afirma a lei processual que atuará como auxiliar do assistido, exercendo os mesmos poderes e se sujeitando aos mesmos ônus processuais (art. 121). Significa isto dizer que o assistente simples pode praticar qualquer ato processual que ao assistido também seria legítimo praticar. O assistente simples pode produzir alegações e provas, interpor recursos, impugnar atos praticados pela parte adversa, enfim, pode praticar todos os atos que ao assistido também seria lícito praticar. Fica ele, porém, sujeito aos mesmos ônus processuais, o que implica dizer que terá de observar todas as exigências que ao assistido são impostas para que seus atos sejam admitidos no processo, como a tempestividade e o recolhimento das custas, por exemplo.
Nos termos do artigo 121, o assistente simples será considerado substituto processual do assistido em caso de omissão. Importante frisar que a referida omissão não pode ser via negócio processual, situação em que não poderá ser suprida pelo assistente, visto que o próprio artigo 122 traz que a assistência simples não pode obstar atos negociais entre as partes. A critério de exemplo, caso o réu deixe de alegar cláusula de convenção de arbitragem, isso implicará renúncia à referida arbitragem acaso existente, nos termos do § 6° do artigo 337 do CPC de 2015: “§ 6o A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.” Nessa situação, se o assistido não alegar a convenção de arbitragem, o assistente simples não pode suprir sua falta.
Sobre esse assunto, Câmara (2017, p. 85-86) diz o seguinte: 
Afinal, não seria legítimo considerar que o assistente simples – que não é titular da relação jurídica deduzida no processo – estivesse autorizado a impedir seu titular de dispor sobre seus próprios interesses.
A respeito da discordância entre assistente e assistido, Medina (2016, p. 198) traz as seguintes informações:
Discordância entre assistente simples e assistido. Não pode o assistentesimples atuar em desacordo com a parte assistida (cf. STJ, REsp 1.056.127/RJ, 2.ª T., j. 19.08.2008, rel. Min. Mauro Campbell Marques). [...] É compreensível que seja assim. Afinal, não se pode afirmar que o assistente seja, sempre movido por sentimentos solidários. À semelhança do que sucede com o gestor de negócios, a motivação pessoal do assistente pode ser a obtenção de lucro que perderia, diante da impossibilidade de atuação do assistido (de lucro capiendo) ou a minimização de dano em potencial, que poderia decorrer da inatividade do assistido (de damno evitando). 
Neves (2017, p. 343), tratando ainda da Assistência Simples, traz à tona o tradicional exemplo doutrinário do contrato de sublocação e tece algumas considerações:
O tradicional exemplo lembrado pela doutrina é a intervenção assistencial do sublocatário na ação de despejo promovida pelo locador contra o locatário. Nesse caso o sublocatário mantém com o locatário uma relação jurídica não controvertida, diversa daquela discutida no processo, que será afetada na hipótese de sentença de procedência que decrete o despejo, sendo admissível a intervenção do sublocatário como assistente, para auxiliar o locatário a se sagrar vitorioso no processo, única forma de evitar seu prejuízo jurídico. É evidente que esse exemplo considera que a sublocação não fez parte do contrato originário, porque nesse caso não seria hipótese assistência, mas de litisconsórcio passivo necessário. (grifo nosso)
Outro exemplo de possibilidade de Assistência Simples é trazido por Gonçalves (2017, p. 303-304) e diz respeito ao contrato de seguro:
É certo que, se o réu de uma ação indenizatória tiver seguro, poderá valer-se da denunciação da lide, para já exercer tal direito nos próprios autos. Mas a denunciação é provocada, e pode ocorrer que o segurado não a faça, optando por, em caso de derrota, ajuizar ação autônoma de regresso em face da seguradora. Nesse caso, a seguradora, a quem interessa a vitória do segurado exatamente para que não se constitua o direito ao regresso, pode ingressar como assistente simples do segurado. Ela tem interesse jurídico em que a sentença seja favorável ao segurado. A existência ou não do direito de regresso depende do que ficar decidido no processo principal, pois, se o segurado não for condenado, não haverá o que cobrar da seguradora. Há, portanto, relação de prejudicialidade entre a ação indenizatória e o direito de regresso contra a seguradora, razão pela qual ela pode ingressar como assistente simples. (grifo nosso)
Comentando o artigo 123 do CPC de 2015, Câmara (2017, p. 86) remata a questão da Assistência Simples da seguinte forma:
Tendo o assistente simples intervindo no processo e nele sido proferida sentença de mérito, o trânsito em julgado desta implicará a produção de um efeito conhecido como eficácia da intervenção (art. 123). Significa isto dizer que, a partir do momento em que a sentença de mérito se torne irrecorrível, não poderá o assistente simples, em processo posterior, tornar a discutir a justiça da decisão. Fica ele, pois, alcançado por uma eficácia preclusiva da coisa julgada, que impede que, em processo futuro, se volte a discutir não só o que foi efetivamente decidido mas, também, os fundamentos da sentença. Não se produz a eficácia [preclusiva] da intervenção, porém, se o assistente demonstrar (no processo posterior) que (i) pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e atos do assistido, foi impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença; ou (ii) desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu (exceptio male gesti processus). (grifo nosso)
Em relação à Assistência Litisconsorcial, Câmara (2017, p. 86) faz as seguintes considerações:
De outro lado, o assistente litisconsorcial (ou qualificado), embora não seja litisconsorte do assistido (já que não é demandante nem demandado), é tratado como se fosse litisconsorte (art. 124). Significa isto dizer que o assistente litisconsorcial é tratado, ao longo do processo, do mesmo modo como se trataria um litisconsorte. Assim, por exemplo, no caso de uma das partes da demanda ter um assistente litisconsorcial, sendo eles representados por advogados distintos (de diferentes escritórios de advocacia), seus prazos processuais serão dobrados (art. 229), salvo se o processo tramitar em autos eletrônicos (art. 227, § 2o). Do mesmo modo, no caso de pretenderem o demandante e o demandado estabelecer uma solução consensual para a causa, será preciso que com ela concorde o assistente litisconsorcial (que é, afinal de contas, titular da posição jurídica de direito material sobre a qual se busca estabelecer o acordo). Quanto ao mais, porém, a ele se aplicam as disposições acerca da assistência simples (podendo o assistente litisconsorcial exercer os mesmos poderes que o assistido, sujeitando-se aos mesmos ônus, além de ser alcançado pela eficácia da intervenção). (grifo nosso)
No que diz respeito à Assistência Litisconsorcial, Gonçalves (2017, p. 306) conclui o seguinte:
[...] o assistente litisconsorcial, em havendo legitimidade extraordinária concorrente, nada mais é que litisconsorte facultativo unitário ulterior: se mais de um cotitular ingressar com a demanda, haverá o litisconsórcio facultativo unitário. Se só um ingressar, e os demais o fizerem posteriormente, serão chamados assistentes litisconsorciais (só não são chamadas litisconsortes porque ingressaram ulteriormente). (grifo nosso)
Para aclarar a situação, o mesmo autor (2017, p. 306) exemplifica mencionando uma ação possessória de bem em condomínio:
a) A ação pode ser ajuizada por apenas um dos condôminos e pode assim permanecer até o final. Como o objeto litigioso será todo o imóvel, a coisa julgada material, em caso de sentença de mérito, estender-se-á a todos os condôminos, não só àquele que propôs a ação, dada a sua condição de substituídos processuais.
b) A ação poderá ser ajuizada por todos os condôminos em conjunto, ou por alguns deles, caso em que haverá um litisconsórcio facultativo unitário. Todos — os que ajuizaram a ação e os que não o fizeram — serão atingidos pela coisa julgada. Os que não ingressaram e quiserem ingressar depois poderão fazê-lo, caso em que não serão mais chamados litisconsortes, mas assistentes litisconsorciais.
c) A ação pode ser ajuizada só por um dos cotitulares, mas se os demais quiserem ingressar depois, poderão fazê-lo sempre, a qualquer tempo, na condição de assistentes litisconsorciais.
Gonçalves (2017, p. 339-344) sintetiza as peculiaridades sobre a Assistência da seguinte forma:
QUEM PODE REQUERER: A simples, o terceiro que tenha interesse jurídico na causa. A litisconsorcial, o substituído processual.
A INICIATIVA DA INTERVENÇÃO: É sempre do terceiro, que espontaneamente requer o seu ingresso em processo alheio.
CABIMENTO: Há duas formas de assistência: a simples e a litisconsorcial. A primeira cabe quando o terceiro tem relação jurídica com uma das partes, distinta daquela que está sendo discutida, mas que poderá ser afetada pela decisão. Em suma, quando o terceiro tem interesse jurídico. A litisconsorcial cabe quando há legitimidade extraordinária, pois quem pode figurar como tal é o substituído.
EFEITOS: O assistente simples que for admitido será atingido pela justiça da decisão, salvo se ingressar em fase tão avançada ou tiver a sua atuação de tal forma cerceada, que não puder influir no resultado. Aquele que pode intervir como assistente litisconsorcial será atingido pela coisa julgada, intervindo ou não.
PARTICULARIDADES: O assistente simples não é titular da relação discutida em juízo, mas de uma relação com ela interligada. Por isso, não tem os mesmos poderes que a parte, já que esta pode vetar os atos do assistente que não lhe convenham. Já o assistente litisconsorcial é verdadeiro litisconsorte facultativo unitário ulterior, tendo os mesmos poderes que o litisconsorte unitário. Apenas passa a integrar o processo na fase em que se encontra quando do seu ingresso.PROCEDIMENTO: A assistência pode ser requerida em qualquer fase de processo e grau de jurisdição, mas o assistente tomará o processo no estado em que se encontra. O juiz ouvirá as partes e se houver impugnação, no prazo de quinze dias, decidirá o incidente, sem suspensão do processo.
Em complemento às particularidades referidas acima, convém mencionar outras trazidas por Neves (2017, p. 346-353):
O terceiro que se considera assistente - seja simples ou litisconsorcial – deverá requerer seu ingresso no processo por meio de petição devidamente fundamentada, expondo em especial o interesse jurídico que legitima a sua intervenção como assistente. Não há necessidade de preenchimento dos requisitos formais previstos para a petição inicial pelo art. 319 do Novo CPC, considerando-se que o único pedido que o terceiro formula é para ingressar no processo, não levando ao processo qualquer outra pretensão.
[...]
Da decisão interlocutória que admite ou não a intervenção do terceiro como assistente cabe o recurso de agravo de instrumento, nos termos do art. 1.015, IX, do Novo CPC.
[...]
A única postura vedada ao assistente simples é contrariar a vontade expressa do assistido, praticando ato processual contrário a ato processual praticado pelo assistido, em sentido diverso do pretendido pelo assistente.
[...]
[...] admissível a interposição de recurso pelo assistido ainda que o assistente não tenha recorrido, o que lhe será vedado, entretanto, se houver no processo a renúncia ao direito de recorrer ou um ato de aquiescência do assistido. Registre-se que, praticado o ato pelo assistente na omissão do assistido, sua eficácia ficará condicionada à ausência de uma manifestação posterior contrária expressa por parte deste.
[...]
[...] o assistente litisconsorcial atuará no processo como se fosse um litisconsorte unitário [...] em virtude de o assistente litisconsorcial ser também titular do direito que compõe o objeto do processo, os atos de disposição praticados exclusivamente pelo assistido não terão nenhum efeito, sendo necessário que ambos pratiquem tais atos, como renunciar ao direito, reconhecer juridicamente o pedido, transacionar da ação [...] não será jamais substituto processual, porque afinal estará em nome próprio litigando interesse próprio.
Denunciação da Lide – arts. 125 a 129
A Denunciação da Lide aparece tratada, no CPC de 2015, nos artigos 125 a 129, da seguinte forma:
CAPÍTULO II
DA DENUNCIAÇÃO DA LIDE
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo.
§ 1o O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida.
§ 2o Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que eventual direito de regresso será exercido por ação autônoma.
Art. 126. A citação do denunciado será requerida na petição inicial, se o denunciante for autor, ou na contestação, se o denunciante for réu, devendo ser realizada na forma e nos prazos previstos no art. 131.
Art. 127. Feita a denunciação pelo autor, o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-se em seguida à citação do réu.
Art. 128. Feita a denunciação pelo réu:
I - se o denunciado contestar o pedido formulado pelo autor, o processo prosseguirá tendo, na ação principal, em litisconsórcio, denunciante e denunciado;
II - se o denunciado for revel, o denunciante pode deixar de prosseguir com sua defesa, eventualmente oferecida, e abster-se de recorrer, restringindo sua atuação à ação regressiva;
III - se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor na ação principal, o denunciante poderá prosseguir com sua defesa ou, aderindo a tal reconhecimento, pedir apenas a procedência da ação de regresso.
Parágrafo único.  Procedente o pedido da ação principal, pode o autor, se for o caso, requerer o cumprimento da sentença também contra o denunciado, nos limites da condenação deste na ação regressiva.
Art. 129. Se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz passará ao julgamento da denunciação da lide.
Parágrafo único. Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu pedido examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado.
Sobre a denunciação da lide, Câmara (2017, p. 86) faz as seguintes considerações:
A denunciação da lide, modalidade de intervenção forçada de terceiro, pode ser provocada por qualquer das partes da demanda, e é admissível nos casos previstos no art. 125. Através da denunciação da lide, ajuíza-se uma demanda regressiva condicional, destinada a permitir que o denunciante exerça, perante o denunciado, no mesmo processo, um direito de regresso que tenha na eventualidade de vir a sucumbir na demanda principal.
O mesmo autor define a dinâmica do instituto de forma muito precisa:
[...] a denunciação da lide é uma demanda regressiva condicional. Significa isto dizer que o denunciante – seja ele o autor ou o réu –, através da denunciação da lide, ajuíza uma demanda através da qual busca exercer um direito de regresso em face de um terceiro, demanda esta que só será julgada na eventualidade de o denunciante ficar vencido na demanda principal. Há, aí, pois, a subordinação do julgamento da demanda regressiva a uma condição [...]: só será ela julgada se o denunciante vier a sucumbir na demanda principal. (grifo nosso)
[...]
Haverá, então, distintos capítulos de sentença: um para apreciação do mérito da causa principal; outro para apreciação do mérito da demanda regressiva [...]. De outro lado, caso o denunciante seja vencedor na causa principal, não se examinará o pedido formulado na demanda regressiva (para usar aqui uma expressão consagrada, dir-se-á que a denunciação da lide está prejudicada). Também aqui haverá dois distintos capítulos de sentença: um com o julgamento da demanda principal (favorável ao denunciante); outro com a declaração de que a denunciação da lide não será apreciada. (CÂMARA, 2017, p. 89). (grifo nosso)
Para Gonçalves (2017, p. 313) são três as características fundamentais da Denunciação da Lide:
a) É forma de intervenção de terceiros, que pode ser provocada tanto pelo autor quanto pelo réu, diversamente do chamamento ao processo, que só pode ser requerido pelo réu. (grifo nosso)
b) Tem natureza jurídica de ação, mas não implica a formação de um processo autônomo. Haverá um processo único para a ação e a denunciação. Esta amplia o objeto do processo. O juiz, na sentença, terá de decidir não apenas a lide principal, mas a secundária. Por exemplo: em ação de acidente de trânsito, em que há denunciação à seguradora, o juiz decidirá sobre a responsabilidade pelo acidente, e a da seguradora em reembolsar o segurado. (grifo nosso)
c) Todas as hipóteses de denunciação são associadas ao direito de regresso. Ela permite que o titular desse direito já o exerça nos mesmos autos em que tem a possibilidade de ser condenado, o que favorece a economia processual. (grifo nosso)
OBS. Em que pese tudo corra no âmbito do mesmo processo, há a formação de duas relações jurídico-processuais, sendo uma na ação principal e outra na denunciação (Gajardoni, aula 5.3).
Medina (2016, p. 200) acrescenta que “[...] Há, na denunciação da lide, demanda do denunciante contra o denunciado. Não se admite, portanto, denunciação da lide ex officio.”
Câmara (2017, p. 86) traz pertinentes observações acerca da denunciação da lide:
Afirma o caput do art. 125 que a denunciaçãoda lide é, nos casos ali previstos, admissível. Esta redação é perfeitamente compatível com o disposto no § 1o do art. 125, que deixa claro que o direito de regresso não exercido através da denunciação poderá ser atuado em processo autônomo sempre que a denunciação for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida (como se dá, por exemplo, nos processos que tramitam perante os Juizados Especiais, em que é vedada qualquer modalidade de intervenção de terceiros). (grifo nosso)
No mesmo sentido é o Enunciado nº 120 do Fórum Permanente de Processualistas Civis (FPPC): “(art. 125, §1º, art. 1.072, II) A ausência de denunciação da lide gera apenas a preclusão do direito de a parte promovê-la, sendo possível ação autônoma de regresso”. (Grupo: Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros). (FPPC, 2017, p. 22). Essa previsão encerra a questão da obrigatoriedade da denunciação da lide. Trata-se de procedimento facultativo em não obrigatório. Tanto é assim que CPC atual revogou o art. 456 do Código Civil (artigo 1.072, II), e para afastar qualquer dúvida, deixou expresso que a parte que não fizer a denunciação, ou não puder fazê-la, ou a tiver indeferida, poderá exercer o direito de regresso em ação autônoma.
As hipóteses de cabimento da Denunciação da Lide constam nos incisos do artigo 125 do CPC de 2015 e são as apresentadas na sequência. Neves (2017, p. 355) traz a primeira hipótese:
Aduz o art. 125, I, do Novo CPC ser cabível a denunciação da lide do alienante sempre que terceiro reivindicar a coisa, possibilitando-se ao adquirente exercer o direito que da evicção resulta. Significa dizer que, demandado o adquirente de coisa, sua perda em razão de decisão judicial (evicção) lhe gerará um dano que deverá ser ressarcido pelo sujeito que alienou a coisa. Não interessam as razões da evicção, porque em qualquer uma delas - tema de direito material - o alienante tem a responsabilidade regressiva de ressarcir o adquirente pelos danos gerados pela perda da coisa.
A respeito da primeira hipótese de denunciação da lide, Gonçalves (1987, p. 313) esclarece:
A evicção, fenômeno civil relacionado aos contratos onerosos, ocorre quando o adquirente de um bem perde a propriedade ou posse da coisa adquirida, atribuída a terceiro. O exemplo mais comum é o que decorre da aquisição a non domino, feita a quem não era o proprietário da coisa. Aquele que alega ser o verdadeiro dono pode ajuizar ação para reaver o bem, que está com o adquirente. Se ele for condenado a restituí-lo, terá sofrido evicção, com a perda da propriedade ou posse da coisa adquirida, pela qual pagou. O adquirente tem direito de regresso contra o alienante, para reaver o dinheiro que pagou pela coisa da qual ficou privado, já que foi reconhecido que o terceiro era o verdadeiro dono. (grifo nosso)
[...]
O terceiro, que se intitula proprietário, ajuizará ação para reaver o bem em face do adquirente, que é quem o tem consigo. Citado, o adquirente estará correndo risco de evicção, porque, se procedente a reivindicatória, terá de restituir o bem. Para que, caso a evicção se consume, ele possa, no mesmo processo, exercer o direito de regresso contra o alienante, que terá de restituir o dinheiro, fará a ele a denunciação da lide. (grifo nosso)
O mesmo Gonçalves (2017, p. 314), ainda no que diz respeito a evicção, traz exemplo de denunciação da lide feita pelo autor da demanda: 
Imagine-se que A tenha adquirido um imóvel de B. Ao tentar nele ingressar, descobre que está ocupado por C. O adquirente deverá ajuizar ação reivindicatória em face do terceiro. Mas há sempre um risco de que a sentença venha a ser de improcedência (por exemplo, se o ocupante comprova que ingressou na coisa a tempo suficiente para adquiri-la por usucapião, caso em que se terá tornado o novo proprietário). Se isso ocorrer, o adquirente terá sofrido evicção, pois ficará sem o bem e sem o dinheiro. Para poder exercer o direito de regresso, pode, já na petição inicial, fazer a denunciação da lide ao alienante. (grifo nosso)
[...]
Se a ação principal for julgada improcedente, o adquirente A terá sofrido evicção, pois não conseguirá ingressar no imóvel comprado. Terá direito de reaver o que pagou do vendedor, o que será decidido pelo juiz na denunciação da lide. Se a ação for julgada procedente, A não sofrerá evicção, e a denunciação ficará prejudicada, restando ao juiz julgá-la extinta sem resolução de mérito. (grifo nosso)
Câmara (2017, p. 86-87) acrescenta que “Do texto do Código fica claro que só se admite a denunciação da lide, neste caso, ao alienante imediato, não sendo possível realizar-se a denunciação per saltum diretamente em face de algum alienante anterior.” (grifo nosso). A respeito da denunciação da lide per saltum, vedada pela norma processual de 2015, Neves (2017, p. 355) destaca, em tom de lamentação, o seguinte:
A denunciação per saltum se prestava a evitar fraudes comuns, verificadas quando o alienante imediato não tem nenhum patrimônio e não conseguirá responder pelo danos suportados pelo adquirente, enquanto o sujeito que alienou o bem ele é extremamente saudável economicamente, e ficaria a salvo de responsabilização sem esta espécie diferenciada de denunciação da lide.
[...]
A confirmação da opção legislativa vem com o art. 1.072, II, do Novo CPC, que expressamente revoga o art. 456 do CC, de forma a não a não existir mais norma nem no plano processual, nem no plano material, que permita a denunciação per saltum.
Importante frisar que, uma vez feita a denunciação da lide, poderá o denunciado promover uma denunciação sucessiva, contra quem o anteceda na cadeia, conforme artigo 125, I, ou quem seja responsável por indenizá-lo, nos termos do artigo 125, II. Importante atentar que apenas uma denunciação sucessiva é admissível, e o denunciado sucessivo não poderá promover nova denunciação, só podendo exercer eventual direito de regresso perante outro elo da cadeia através de demanda própria, em processo autônomo (art. 125, § 2o).
Ao contrário do que dispunha o CPC de 1973, em que a denunciação da lide poderia ser realizada contra vários antecessores (várias sucessivas) e contra qualquer deles (per saltum), no NCPC somente poderá haver uma única denunciação sucessiva, e apenas contra o antecessor imediato, de forma que, em um mesmo processo poderá haver, no máximo, duas denunciações da lide dentro da mesma cadeia dominial, conforme artigo 125, § 2º – a primeira denunciação e a única denunciação sucessiva possível (Gajardoni, aula 5.3).
No tocante à segunda hipótese de Denunciação da Lide, Neves (2017, p. 355-356) afirma que:
Trata-se da hipótese mais frequente de denunciação da lide em razão de sua evidente amplitude. Enquanto a outra hipótese de cabimento (evicção) exige situação muito específica, a melhor doutrina entende que o art. 125, Il, do Novo CPC permite a denunciação da lide em qualquer hipótese de direito regressivo previsto em lei ou contrato, como ocorre relativamente ao contrato de seguro ou à previsão legal de que o empregador responde pelos atos danosos de seu empregado.
No que diz respeito também à segunda hipótese de Denunciação da Lide, Gonçalves (2017, p. 314-316) diz o seguinte:
Há, a respeito do inciso II, questão bastante controvertida da possibilidade de, por meio da denunciação, serem introduzidas questões novas, que não são objeto de discussão no processo principal e que podem exigir a produção de provas que não seriam necessárias se ela não existisse.
[...]
Apesar de profunda controvérsia doutrinária a respeito, o Superior Tribunal de Justiça tem decidido que a denunciação da lide não pode prejudicar o adversário do denunciante, introduzindo fatos novos que não constituíam o fundamento da demanda principal e que exigiriam instrução que, sem ela, não seria necessária no processo principal [...] Não cabe a denunciação da lide prevista no art. 70, III, do CPC quando demandar a análise de fato diverso dos envolvidos na ação principal. [...] REsp 701.868/PR, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/02/2014.
[...]
Como visto noitem anterior, predomina no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que não cabe a denunciação quando introduz fundamento fático novo, que exige instrução. Quando se trata, porém, de denunciação da lide da Fazenda ao funcionário, a questão não está pacificada, havendo ainda divergências quanto à admissibilidade. Mas o que se pacificou no Superior Tribunal de Justiça é que, se as instâncias comuns tiverem indeferido a denunciação da lide, não se anulará a sentença ou o acórdão, porque isso acabaria trazendo ainda mais prejuízos à economia processual. É o que foi decidido no EREsp 313.886/RN, cuja relatora, Min. Eliana Calmon, faz uma detida análise da questão, fazendo numerosas alusões aos entendimentos daquela Corte.
[...]
A denunciação deverá ser deferida ao funcionário, se não introduzir tais questões novas, que destoem daquilo que já vinha sendo discutido na lide principal. Pode ocorrer, por exemplo, que a ação proposta pelo particular contra a Fazenda já esteja fundada em culpa. Isto é, que o particular, podendo valer-se da responsabilidade objetiva do Estado, prefira fundar o seu pedido na culpa do funcionário. Se esse for o caso, a denunciação da lide nada trará de novo, e deverá ser deferida.
Câmara (2017, p. 87) traz mais esclarecimentos, com base na letra do CPC de 2015, sobre a denunciação da lide:
A denunciação da lide pode ser promovida tanto pelo autor como pelo réu. Caso seja promovida pelo autor, deverá ser requerida desde logo na petição inicial; caso seja promovida pelo réu, deverá ser formulada na contestação (art. 126). A denunciação da lide requerida pelo autor não é, verdadeiramente, uma intervenção de terceiro. É que a demanda já é originariamente dirigida em face dele, que está no processo originariamente e, por isso, não é terceiro. Afinal, como sabido, o terceiro interveniente é definido através de um critério cronológico, considerando-se terceiro aquele que não é parte, motivo pelo qual se deve definir a intervenção do terceiro como o ingresso, em um processo, de alguém que dele não é parte. Deste modo, sendo a demanda regressiva condicional proposta desde a petição inicial em face do denunciado, não se pode verdadeiramente falar aqui em intervenção de terceiro. O que se tem é um litisconsórcio passivo originário eventual. Já a denunciação promovida pelo réu é verdadeira e propriamente uma intervenção de terceiro (já que, originariamente, o denunciado é terceiro em relação ao processo). Neste caso, a denunciação da lide deve ser requerida na contestação. (grifo nosso)
Sobre a imprecisão terminológica presente no artigo 127, Câmara (2017, p. 87-88) faz as seguintes considerações (entendimento minoritário):
Diz o art. 127 que, feita a denunciação pelo autor, o denunciado se torna seu litisconsorte. Isto, porém, não é exato. Na verdade, o denunciado e o denunciante não são litisconsortes, pelo simples fato de que o denunciado não terá demandado nada em seu favor. Como sabido, há litisconsórcio nos casos em que existe pluralidade de demandantes ou de demandados. No caso em exame há apenas um demandante (o autor-denunciante), e o denunciado, nada tendo demandado para si, não é litisconsorte ativo. Sendo a denunciação da lide uma demanda regressiva condicional que, no caso em exame, só será julgada se o autor-denunciante ficar vencido na demanda principal, ao denunciado interessa auxiliar o denunciante a obter sentença favorável. Atuará ele, portanto, na qualidade de assistente do denunciante (e não de seu litisconsorte), na forma prevista no art. 119. E o caso é de assistência simples, já que não há relação jurídica direta entre o denunciado e o adversário do assistido (ou, dito de outro modo, porque o denunciado não é um dos sujeitos participantes da relação jurídica deduzida no processo e sobre a qual litigam autor e réu). (grifo nosso)
Para Neves (2017, p. 359), no entanto, o entendimento acerca da posição entre denunciante e denunciado é a seguinte:
Pelas previsões contidas nos arts. 127 e 128, I, do Novo CPC, a denunciação da lide - realizada por autor ou réu - tornará o denunciante e o denunciado litisconsortes. A denunciação da lide, portanto, criaria um litisconsórcio: (a) ulterior, já que formado depois da propositura da demanda; (b) passivo ou ativo a depender de ser o denunciante autor ou réu na demanda originária; (c) facultativo, porque a denunciação é facultativa, e o processo não será extinto sem resolução do mérito, caso a parte não realize a denunciação da lide; (d) unitário, porque a decisão da ação principal será obrigatoriamente no mesmo sentido para denunciante e denunciado. (grifo nosso)
É natural que essa relação de litisconsórcio só pode ser considerada na demanda originária, visto que na demanda secundária formada pela denunciação da lide o denunciante é adversário do denunciado.
Gonçalves (2017, p. 318) destaca qual tem sido o entendimento do STJ:
[...] se houver a denunciação da lide, o denunciado figurará como litisconsorte do denunciante, diz a lei. Por essa razão, o Superior Tribunal de Justiça tem decidido que há verdadeiro litisconsórcio, e não assistência simples. (grifo nosso)
[...]
As consequências principais que decorrem desse entendimento do STJ são que, havendo verdadeiro litisconsórcio, como denunciante e denunciado terão advogados diferentes (já que figuram em polos opostos na lide secundária), os prazos para eles, desde o comparecimento do denunciado, passarão a ser em dobro (art. 229, do CPC). Além disso, se a denunciação tiver sido feita pelo réu, em caso de procedência haverá condenação direta do denunciante e do denunciado, podendo o credor executar diretamente este último (art. 128, parágrafo único).
Nesse sentido já havia, antes mesmo do Novo CPC, a súmula 537 do STJ:
Súmula 537 - Em ação de reparação de danos, a seguradora denunciada, se aceitar a denunciação ou contestar o pedido do autor, pode ser condenada, direta e solidariamente junto com o segurado, ao pagamento da indenização devida à vítima, nos limites contratados na apólice. (Súmula 537, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/06/2015, DJe 15/06/2015)
A esse respeito, é válida a menção ao Enunciado 121 do FPPC diz: “(art. 125, II, art. 128, parágrafo único) O cumprimento da sentença diretamente contra o denunciado é admissível em qualquer hipótese de denunciação da lide fundada no inciso II do art. 125”. (Grupo: Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros (FPPC, 2017, p. 22).
Ao contrário, caso o titular de um direito discutido na demanda principal nela tenha funcionado somente como assistente simples, não seria possível, em caso de vitória, executar o denunciado diretamente, uma vez que não existiria título executivo para tanto. Ademais, para evitar conluio entre autor e réu, “O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que acordo celebrado entre autor e réu denunciante na ação principal não vincula o denunciado” (NEVES, 2017, p. 360).
O mesmo Neves (2017, p. 360) remata a questão dizendo que:
O mais adequado, portanto, à luz da previsão legal de litisconsórcio formado entre denunciante e denunciado, e da ausência de titularidade de direito deste na ação originária, é concluir pela existência de uma legitimação extraordinária autônoma do denunciado, que permitirá a conclusão de que atua como litisconsorte do denunciante.
Segundo o artigo 88 do CDC, não cabe denunciação da lide nas ações consumeristas:
Art. 88. Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide.
Apesar de o art. 88 do CDC remeter ao art. 13, que trata sobre o comerciante, o STJ entende que a vedação de denunciação da lide prevista no art. 88 do CDC não se restringe à responsabilidade de comerciante por fato do produto (art. 13 do CDC), sendo aplicável também nas demais hipóteses de responsabilidade civil por acidentes de consumo (arts. 12 e 14 do CDC). Em outras palavras, não cabe denunciação da lide nas lides consumeristas de uma formageral. STJ. 4ª Turma. AgRg no AREsp 694.980/MS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/09/2015. (info STJ 592).
Para o STJ, em entendimento ultrapassado e desatualizado do STJ, a vedação à denunciação à lide disposta no art. 88 do CDC restringe-se à responsabilidade do comerciante por fato do produto (art. 13), não alcançando o defeito na prestação de serviços (art. 14). Vunesp elaborou uma questão em 2014 e cobrou este entendimento desatualizado do STJ.
A denunciação da lide em ação envolvendo relação de consumo é vedada pelo Código de Defesa do Consumidor em qualquer situação. Posição atual do STJ – é vedada a denunciação da lide nas ações consumeristas, inclusive nas que se discute a prestação de serviços.
No que diz respeito ao procedimento da denunciação da lide, Câmara (2017, p. 88), com base no texto do CPC de 2015 afirma o seguinte:
[...] havendo denunciação da lide feita pelo autor, deverá ser citado primeiro o litisdenunciado e só depois de decorrido o prazo para que este ofereça resposta é que se poderá promover a citação do réu da demanda principal.
No que diz respeito à denunciação feita pelo autor, Neves (2017, p. 363) sintetiza:
Em aplicação do art. 131 do Novo CPC (aplicável à denunciação da lide nos termos do art. 126 do mesmo diploma legal), o pedido de denunciação da lide feito pelo autor suspende o andamento do processo - melhor seria dizer procedimento principal – devendo a citação do terceiro ocorrer no prazo de 30 dias quando o denunciado for domiciliado no mesmo foro em que tramita a demanda e em 2 meses quando for domiciliado em outro foro ou estiver em local incerto. É expresso o caput do art. 131 do Novo CPC, na previsão de que, não realizada a citação dentro desse prazo, é tornada ineficaz a denunciação, seguindo a demanda entre as partes originárias. Caso o atraso derive de circunstâncias alheias à vontade do denunciante - demora do cartório ou postura do denunciado -, a sanção prevista no artigo ora analisado não será aplicada.
Sendo pedida a denunciação da lide pelo autor, o denunciado à lide passa a ser seu litisconsorte diante de uma petição inicial já apresentada. [...] O respeito ao objeto (causa de pedir e pedido) fixado pelo autor-denunciante limita a atuação do denunciado porque o art. 127 do Novo CPC não prevê mais a possibilidade de emenda da petição inicial, mas apenas a possibilidade de o denunciado acrescentar novos argumentos à petição inicial.
A denunciação da lide feita pelo autor é uma hipótese muito rara. O exemplo dado pela doutrina é o caso da ação reivindicatória proposta pelo proprietário de um bem que denuncia o alienante evicto para garantir o ressarcimento pelos eventuais prejuízos advindos de sua derrota na demanda que move contra o réu (NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. Salvador: Juspodivm, 2017, p. 363).
É válido acrescentar que incumbirá ao réu, quando for denunciante, fornecer, no prazo de trinta dias ou dois meses (se encontrar-se em outra comarca), os elementos necessários para que a citação do denunciado ocorra, como, por exemplo, o comprovante de recolhimento de custas, a indicação do endereço em que a diligência de citação deverá ser realizada etc..
No que diz respeito à Denunciação da Lide feita pelo réu, Neves (2017, p. 363) afirma que:
A denunciação da lide realizada pelo réu é muito mais frequente do que a realizada pelo autor, apontando o art. 126 do Novo CPC que tal espécie de intervenção será feita pelo réu na contestação. Como já afirmado, o princípio da instrumentalidade das formas dispensa a elaboração de uma petição inicial, bastando um mero tópico na contestação descrevendo a causa de pedir da denunciação da lide (tipificação do caso concreto de uma das situações previstas no art. 125 do Novo CPC) e o pedido de citação do denunciado. É nesse sentido o art. 126 do Novo CPC, ao prever que cabe ao réu denunciar à lide o terceiro, na contestação.
No que toca à denunciação feita pelo réu, também são aplicáveis os prazos de trinta dias ou de dois meses para a citação do denunciado à lide (caso o denunciado resida no mesmo outro foro ou em lugar incerto). A consequência do descumprimento do prazo pelo denunciante por culpa própria é a ineficácia da denunciação. Evidentemente que sendo culpa pelo atrás do cartório ou do denunciado não tem qualquer sentido prejudicar o denunciante.
Câmara (2017, p. 88) destaca que da denunciação da lide feita pelo réu, surgem três possibilidades:
[...] no caso da denunciação da lide provocada pelo réu (art. 128), existem três distintas possibilidades previstas na lei: pode o denunciado, uma vez citado, oferecer contestação (art. 128, I); ficar revel (art. 128, II); ou confessar (art. 128, III).
Posturas do denunciado em caso de denunciação feita pelo réu
a) aceitar a denunciação e deduzir defesa contrária à pretensão do autor;
b) ser revel ou negar a qualidade que lhe é atribuída; ou
c) confessar os fatos alegados pelo autor.
O processo é instrumento para a realização do direito material, razão pela qual, se o denunciado reconhece sua condição de garantidor do eventual prejuízo, não há razões práticas para que se exija que, em virtude de defeitos meramente formais na articulação da denunciação da lide, o denunciante se veja obrigado a ajuizar uma ação autônoma de regresso em desfavor do denunciado.
O instituto da denunciação tem a função de adicionar ao processo uma nova lide, atendendo ao princípio da economia processual. Assim, a eventual falta de observância de regra procedimental não implica, necessariamente, o reconhecimento de invalidade dos atos praticados.
Na presente situação, embora a denunciação da lide tenha sido formulada fora do prazo, a denunciada, ao se apresentar apenas para contestar o pedido do autor, reconheceu sua condição de garantidora. Portanto, não deve o juiz desconsiderar essa denunciação, sob pena de violar os princípios da primazia do julgamento de mérito e da instrumentalidade das formas.
Na denunciação formulada pelo réu, podem existir duas lides paralelas:
a) a principal, que consiste na discussão sobre a existência ou não da responsabilidade civil entre autor e réu; e
b) a secundária e sucessiva, que consiste na existência ou não do dever da denunciada de ressarcir o prejuízo do denunciante.
Vale ressaltar, no entanto, que essa segunda lide (letra “b”) pode não existir. Isso porque pode ser que o denunciado compareça ao processo apenas para contestar o pedido do autor, sem negar que tenha dever de indenizar o denunciante caso este perca.
A partir do momento em que o denunciado aceita a denunciação da lide e se limita a impugnar o pedido do autor, demonstra ter admitido a existência da relação jurídica que o obriga regressivamente frente ao denunciante, optando apenas por, junto com o denunciante, resistir à pretensão contida na petição inicial. Nessa hipótese, tendo havido o reconhecimento da denunciação, não haverá mais discussão quanto à lide secundária, ficando o denunciado sujeito aos efeitos da sentença da causa principal. Em outras palavras, se o denunciante perder a lide principal, não haverá mais dúvidas de que o denunciado terá que indenizá-lo. Não existe mais espaço para discussão sobre o dever ou não do denunciado indenizar. Isso já está certo.
Esclarecendo as possibilidades, Câmara (2017, p. 88) acrescenta que “Caso o denunciado ofereça contestação à demanda principal, afirma o texto legal que o processo seguirá com a formação de um litisconsórcio passivo entre denunciante e denunciado. (grifo nosso)
No que diz respeito à primeira possibilidade de denunciação da lide feita pelo réu, Neves (2017, p. 364) diz o seguinte:
A primeira reação do denunciado pelo réu, prevista pelo art. 128, I, do Novo CPC, é contestar o pedido formulado pelo autor, dando a entender que nesse caso ele deixa de impugnar sua denunciação, com o que não mais se discutirá o direito regressivo que motivou sua intervenção no processo. Ainda que não haja previsão expressa nesse sentido, parece ser um reconhecimentotácito do pedido regressivo contra do denunciante.
[...]
Não há [mais] que falar em aceitação da denunciação porque ela é coercitiva, integrando o denunciado ao processo por meio de sua citação independentemente de sua vontade. Diante de tal realidade, salutar afastar qualquer termo que possa levar à enganosa conclusão de que o denunciado pode não aceitar a sua denunciação da lide.
Quanto à segunda possibilidade, Neves (2017, p. 364-365) 
Ao prever a revelia do denunciado pelo réu, o art. 128, II, do Novo CPC parece se referir às duas ações em que o denunciado figura como réu, deixando, portanto, de se defender tanto na ação secundária gerada pela denunciação da lide como na ação principal.
O legislador aparentemente trata de forma distinta a situação em que o denunciado se insurge apenas na ação principal contra o pedido do autor e quando simplesmente não reage defensivamente. Na primeira haveria uma espécie atipica de reconhecimento tácito do pedido, mas na segunda haverá tão somente revelia, inclusive, dependendo do caso concreto, com a geração de seu principal efeito, a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo réu-denunciante. A previsão de que o denunciante pode restringir sua atuação à ação regressiva corrobora o entendimento de que a pretensão regressiva ainda não está definida no caso de revelia do denunciado.
[...]
A redação do art. 128, II, do Novo CPC, portanto, é extremamente feliz ao prever que diante da revelia do denunciado o denunciante pode abster-se de recorrer na ação principal.
No tocante à terceira hipótese de denunciação da lide feita pelo réu, Neves (2017, p. 365) diz que:
No inciso Ill, o art. 128 do Novo CPC prevê hipótese de confissão pelo denunciado dos fatos alegados pelo autor [...]
[...]
Na nova redação, o denunciante poderá prosseguir em sua defesa ou aderir a tal reconhecimento, com o que a matéria fática da ação principal aparentemente estaria resolvida, restando ao juiz somente aplicar o Direito ao caso concreto. A aparência, entretanto, não é correta, porque a confissão não é prova plena, e mesmo que venha de denunciante e denunciado não obriga o juiz a dar os fatos alegados pelo autor como verdadeiros, tudo dependendo da formação de seu livre convencimento motivado. A aderência à confissão nesse caso apenas reforça a carga valorativa da prova, mas não vincula obrigatoriamente o juiz.
No que diz respeito aos honorários advocatícios, Gonçalves (2017, p. 322) diz o seguinte:
Se a ação principal e a denunciação foram ambas julgadas procedentes, a solução será a seguinte: se não tiver havido resistência do denunciado à denunciação, o juiz condenará o réu denunciante a pagar os honorários advocatícios ao autor e condenará o denunciado a ressarcir ao denunciante o que ele despendeu a título de honorários na lide principal, sem a fixação de novos honorários advocatícios para a denunciação. Mas se o denunciado tiver resistido à denunciação, além de ressarcir ao denunciante os honorários da lide principal, será condenado a pagar, ao denunciante, honorários referentes à denunciação.
No mesmo sentido é o Enunciado 122 do FPPC: “(art. 129) Vencido o denunciante na ação principal e não tendo havido resistência à denunciação da lide, não cabe a condenação do denunciado nas verbas de sucumbência”. (Grupo: Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros) (FPPC, 2017, p. 22-23).
No que toca às demais hipóteses, Gonçalves (2017, p. 322) continua:
Mais complexa é a situação quando o denunciante sai vitorioso e a denunciação é extinta sem resolução de mérito. O vencido na ação principal pagará honorários ao vencedor denunciante. Mas este precisará pagar honorários ao denunciado? Ou é o vencido na lide principal quem os pagará também ao denunciado? O art. 129, parágrafo único, dá a solução: “Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu pedido examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado”.
OBS. O denunciante, por sua conta e risco, efetuou a denunciação. Assim, em sendo vencedor na ação principal, devera pagar honorários ao denunciado.
A esse assunto, Neves (2017, p. 365-366) acrescenta:
Ao prever que, sendo a denunciação da lide julgada prejudicada, caberá a condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado, consagra-se o princípio da causalidade (art. 129, parágrafo único do Novo CPC). Afinal, se não havia prejuízo, não existiria razão para exercer o direito regressivo por meio da denunciação da lide, tendo o denunciado injustificadamente dado causa à ação secundária extinta sem a resolução de mérito.
Gonçalves (2017, p. 339-344) sintetiza as peculiaridades sobre a Denunciação da Lide da seguinte forma:
QUEM PODE REQUERER: O autor e o réu que tenham direito de regresso e que o queiram exercer no mesmo processo.
A INICIATIVA DA INTERVENÇÃO: Intervenção provocada pelo autor ou pelo réu.
CABIMENTO: Tem natureza da ação e serve para o exercício do direito de regresso, nos casos de risco de evicção e quando houver direito de regresso decorrente de lei ou de contrato.
EFEITOS: Se a denunciação da lide é feita pelo réu, em caso de procedência, cumprirá ao juiz verificar se ele tinha ou não direito de regresso em face do denunciado. Mas, em caso de improcedência, a denunciação ficará prejudicada e deverá ser extinta sem resolução de mérito. Se requerida pelo autor, caso a ação principal seja procedente, a denunciação ficará prejudicada.
PARTICULARIDADES: Tem predominado o entendimento de que não cabe a denunciação da lide quando ela introduza um fundamento fático novo, que exija a produção de provas que não seriam necessárias sem a denunciação [STJ]. Afinal, ela não pode prejudicar o adversário do denunciante, a quem o direito de regresso não diz respeito. Por isso, tem-se indeferido a denunciação da Fazenda ao funcionário público, quando aquela estiver fundada em responsabilidade objetiva e esta apontar culpa do funcionário, que exija provas.
PROCEDIMENTO: Feita pelo réu, deve ser apresentada no prazo de contestação. O juiz mandará citar o denunciado que poderá apresentar contestação. Formar-se um litisconsórcio em face da parte contrária (embora exista corrente que defenda a existência de assistência simples). Ao final, será proferida sentença conjunta. Se for feita pelo autor, deve ser requerida na inicial. O juiz mandará citar o denunciado, que poderá acrescentar novos argumentos à inicial (pedido principal) e contestar a denunciação.
Mesmo apresentada fora do prazo, a denunciação da lide feita pelo réu pode ser admitida se o denunciado comparece apenas para contestar o pedido do autor
Não é extinta a denunciação da lide apresentada intempestivamente pelo réu nas hipóteses em que o denunciado contesta apenas a pretensão de mérito da demanda principal. STJ. 3ª Turma. REsp 1.637.108-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/6/2017 (Info 606).
Chamamento ao Processo – arts. 130 a 132
O Chamamento do Processo é tratado, no CPC de 2015, nos artigos 130 a 132, da seguinte forma:
Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I - do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II - dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida comum.
Art. 131. A citação daqueles que devam figurar em litisconsórcio passivo será requerida pelo réu na contestação e deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem efeito o chamamento.
Parágrafo único. Se o chamado residir em outra comarca, seção ou subseção judiciárias, ou em lugar incerto, o prazo será de 2 (dois) meses.
Art. 132. A sentença de procedência valerá como título executivo em favor do réu que satisfizer a dívida, a fim de que possa exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou, de cada um dos codevedores, a sua quota, na proporção que lhes tocar.
Sobre o instituto, Gonçalves (2017, p. 323-324) traz o seguinte:
É formade intervenção de terceiros por meio da qual o réu fiador ou devedor solidário, originariamente demandado, trará para compor o polo passivo, em litisconsórcio com ele, o afiançado ou os demais devedores solidários.
[...]
O chamamento não é uma ação de regresso do chamante contra os chamados, mas um meio pelo qual o afiançado ou demais devedores solidários passam a integrar o polo passivo.
[...]
Como todos são condenados, em caso de procedência, o credor poderá promover a execução em face de quem ele desejar: do réu originário ou de qualquer outro. Aquele que pagar se sub-rogará nos direitos do credor e poderá, nos mesmos autos, recobrar a parte que cabe aos demais devedores, ou até a integralidade do débito, no caso de fiança.
Já Câmara (2017, p. 89), de forma mais genérica, define chamamento ao processo da seguinte forma:
Denomina-se chamamento ao processo a intervenção forçada de terceiro que, provocada pelo réu, acarreta a formação de litisconsórcio passivo superveniente entre o demandado original (chamante) e aquele que é convocado a participar do processo (chamado). É admissível em processos cognitivos, nas hipóteses previstas no art. 130. (grifo nosso)
Somente o réu pode chamar ao processo, jamais o autor, diferentemente do que se observa na denunciação da lide. Gonçalves (2017, p. 323) esclarece a diferença fundamental entre o chamamento ao processo e a denunciação da lide:
A diferença fundamental entre o chamamento ao processo e a denunciação da lide, afora o fato de aquele caber apenas nos casos de fiança e solidariedade, é que, nesta, ao menos como regra, não há relação jurídica direta entre o denunciado e o adversário do denunciante [...]. A denunciação constitui verdadeira ação do denunciante contra o denunciado. A ação aforada contra denunciante jamais poderia ter sido aforada direta e exclusivamente contra o denunciado. No chamamento ao processo existe tal relação direta entre os chamados e o autor da ação: a proposta contra o chamante poderia igualmente ter sido proposta contra os chamados [...] (grifo nosso)
Também diferenciando o chamamento ao processo da denunciação da lide, Medina (2016, p. 206) traz o seguinte esclarecimento:
A denunciação provoca, pois, a criação de uma “segunda” relação jurídica processual, correspondente à ação de regresso; já o chamamento provoca apenas a inserção dos chamados no polo passivo (litisconsórcio passivo) da relação processual.
Aproximando o chamamento ao processo da denunciação da lide, Neves (2017, p. 366) diz o seguinte:
Como se verifica na denunciação da lide, a mera citação válida já é suficiente para o chamado ao processo ser integrado ao processo e, vinculado juridicamente a ele, para suportar não só os efeitos da sentença a ser proferida, como também a coisa julgada material.
Para Neves (2017, p. 366) não existe dúvida de que se trata de intervenção facultativa ao réu, sendo plenamente possível o ingresso posterior de ação de regresso contra aqueles sujeitos que poderiam ter sido chamados ao processo. Sobre o assunto, Gonçalves (2017, p. 324-325) diz o seguinte:
O litisconsórcio entre o chamante e os chamados é facultativo e simples. Facultativo porque é sempre opcional: o fiador ou devedor solidário pode preferir recobrar o débito ou a quota-parte dos demais em ação autônoma. Não há obrigatoriedade de chamamento, e o réu não perde o direito de regresso por não o requerer. Simples porque, nos casos de fiança e solidariedade, há sempre a possibilidade de que a sentença possa ser diferente para os réus. Por exemplo: é possível que a fiança seja nula, mas o débito seja válido, caso em que a sentença será de improcedência para o fiador e procedência para o devedor. E no caso de solidariedade, também é possível que um dos devedores comprove, por exemplo, que o contrato é inválido tão somente em relação a ele, mas válido para os demais.
As hipóteses de cabimento do chamamento ao processo encontra-se nos incisos do artigo 130 do CPC de 2015. Sobre a primeira hipótese de cabimento, Câmara (2017, p. 89-90) diz:
Em primeiro lugar, admite-se o chamamento ao processo do afiançado, no processo em que réu é o fiador (art. 130, I). Trata-se do caso em que o credor de uma obrigação garantida por fiança cobra o valor que lhe é devido diretamente do fiador. Este, tendo sido demandado, pode chamar ao processo o afiançado, devedor da obrigação. O chamamento ao processo é admissível ainda que o fiador tenha renunciado ao benefício de ordem (art. 828, I, CC), caso em que se estabelece, entre fiador e afiançado, solidariedade. Não tendo havido renúncia ao benefício de ordem e tendo sido demandado apenas o fiador, o chamamento ao processo se torna (para o fiador) ainda mais importante, já que será essencial para que se forme título executivo em face de ambos (fiador-chamante e afiançado-chamado). Só assim será viável ao fiador, executado, invocar em seu favor o benefício de ordem e exigir que a execução incida primeiro sobre os bens do afiançado (art. 827, CC). É que se o chamamento ao processo não tiver sido feito não haverá título executivo contra o afiançado, motivo pelo qual não será possível que sobre seu patrimônio incida qualquer atividade executiva.
Gonçalves (2017, p. 325-326) acrescenta:
Mesmo que haja benefício de ordem, é possível ajuizar a ação de cobrança apenas em face do fiador porque, sendo ele citado, poderá chamar ao processo o devedor principal, com o que se formará um litisconsórcio passivo entre ambos. Em caso de procedência da demanda, os dois serão condenados, mas na fase executiva, se o oficial de justiça quiser penhorar os seus bens, o fiador pode exigir que, primeiro, sejam excutidos os do devedor principal. Para tanto, é preciso que ele indique bens do devedor que possam ser penhorados.
[...]
O benefício de ordem é direito do fiador exercitável somente na fase executiva, porque diz respeito à prioridade de penhora de bens.
[...]
A falta de oportuno chamamento do devedor implica a perda do benefício de ordem pelo fiador, mas não a do direito de regresso, que poderá sempre ser exercido em ação autônoma.
[...]
[...] só é possível demandar unicamente o fiador, em execução, se ele tiver renunciado ao benefício. Do contrário, a execução terá de incluir no polo passivo o devedor principal, sob pena de indeferimento da inicial.
Sobre a segunda hipótese de chamamento ao processo, Neves (2017, p. 369) afirma:
Segundo o art. 130, II, do Novo CPC, demandado um ou alguns fiadores, é permitido o chamamento ao processo dos demais, que respondem com ele(s) solidariamente perante o credor que ingressou com a demanda judicial. A previsão de chamamento ao processo de fiadores não demandados se coaduna com o chamamento ao processo do devedor principal, de maneira que os dois primeiros incisos do art. 130 o CPC podem ser cumulados no caso concreto.
Sobre a referida cumulação, Gonçalves (2017, p. 327) diz:
Questão interessante é a da possibilidade de o fiador demandado exclusivamente poder chamar ao processo o devedor principal, com fulcro no inciso I, e os demais devedores solidários, com base no inciso II. A resposta só pode ser afirmativa, pois o fiador tem o direito de chamar ao processo tanto o devedor quanto os cofiadores.
Sobre a terceira hipótese, Câmara (2017, p. 90), com base na legislação, traz:
Por fim, admite-se o chamamento ao processo dos demais devedores solidários quando o credor exigir de um (ou alguns) deles o pagamento da dívida comum (art. 130, III). Como sabido, no caso de haver solidariedade passiva, fica o credor autorizado a escolher um dos codevedores e dele cobrar a integralidade da dívida (art. 275, CC), e a propositura da demanda pelo credor em face de apenas um ou alguns dos codevedores não implica renúncia à solidariedade (art. 275, parágrafo único, CC). Uma vez promovida pelo credor a escolha do devedor de quem pretende cobrar a integralidade da dívida, porém, fica o escolhido autorizado a chamar ao processo os demais codevedores (o que, a rigor, pode fazer com que a escolha nenhuma vantagemtraga ao credor, a quem o instituto da solidariedade passiva busca proteger). Efetivado pelo réu o chamamento ao processo, os demais codevedores solidários passarão a integrar o processo como litisconsortes passivos.
A respeito também da última hipótese, Neves (2017, p. 369) ressalta: 
No tocante a essa última hipótese de cabimento prevista pelo art. 130 do Novo CPC, entendimento consagrado nos tribunais superiores pela impossibilidade de chamamento ao processo da União em ação na qual se pede a condenação de Estado Membro a entrega de medicamentos.
Gonçalves (2017, p. 327) destaca que: “Aquele que pagar integralmente a dívida sub-rogar-se-á nos direitos do credor, e poderá cobrar a quota-parte que seria devida pelos demais devedores solidários”. 
Sobre o procedimento do chamamento do processo, Câmara (2017, p. 90) diz:
[...] nada impede que o demandado promova o chamamento não de todos, mas de apenas alguns dos demais codevedores [...]. A citação do(s) chamado(s) deve ser requerida na contestação, devendo ser promovida pelo chamante no prazo de trinta dias, sob pena de ser considerada ineficaz (art. 131). Caso o chamado resida em outra comarca, seção ou subseção judiciária, ou em lugar incerto, o prazo para que o chamante promova a citação do chamado será contado de dois meses (art. 131, parágrafo único). (grifo nosso)
Ainda sobre o procedimento, Neves (2017, p. 370) chama a atenção para uma questão que pode gerar dúvidas:
A novidade, entretanto, gera um questionamento: o réu que pretender chamar ao processo terceiros coobrigados tem necessariamente que contestar o pedido do autor? Apesar de a literalidade do caput do art. 131 do Novo CPC indicar conclusão nesse sentido, não parece que a questão deva ser respondida afirmativamente. Contestação e chamamento ao processo são duas espécies diferentes e autônomas de reação do réu diante de sua citação, de forma que, se o réu pretender se limitar a chamar ao processo sem contestar o pedido do autor, por mais exótica que seja tal opção, terá o prazo de resposta para tanto. (grifo nosso)
Tendo em vista que a posição dos chamados é a de litisconsortes do réu originário, no caso de procedência da ação, Gonçalves (2017, p. 323) diz:
Em caso de procedência, todos serão condenados a pagar ao autor. É o que se depreende da leitura do art. 132 do CPC. Aquele que, na fase executiva, satisfizer a dívida, sub-rogar-se-á nos direitos do credor e poderá, na mesma execução, exigi-la por inteiro do devedor principal (no caso de fiança) ou cobrar a cota de cada um dos codevedores, na proporção que lhes tocar (no caso de solidariedade).
A esse respeito, Câmara (2017, p. 90) esclarece:
[...] procedente o pedido, e tendo um dos réus (seja ele chamante ou chamado) efetuado o pagamento integral da dívida, poderá ele – valendo-se desta mesma sentença como título executivo – buscar a satisfação do seu direito perante seu litisconsorte. Tendo sido o direito do autor satisfeito pelo fiador da obrigação principal (na hipótese prevista no art. 130, I), poderá ele exigir do afiançado o pagamento integral (mas evidentemente a recíproca não é verdadeira, e se o pagamento já tiver sido originariamente feito pelo afiançado nada poderá ele exigir de seu fiador). Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do art. 130, aquele que pagou poderá exigir dos demais o pagamento de suas quotas-partes. (grifo nosso).
Gonçalves (2017, p. 328-328) traz hipótese de chamamento ao processo no caso de dívida de alimento:
O art. 1.698 do Código Civil previu uma nova forma de chamamento ao processo, que não se pode encaixar em nenhuma das previstas no CPC. Trata-se do chamamento ao processo que aquele que deve alimentos em primeiro lugar faz aos demais devedores, que concorrem em grau imediato, quando não tiver recursos para fazer frente à integralidade do débito. O dever de prestar alimentos é divisível, cada devedor responde por sua quota-parte. Inexiste solidariedade entre eles: se alguém carece de alimentos e tem vários filhos em condições de prestá-los, não pode pretender cobrar integralmente de apenas um. Só poderá cobrar deste a parte que lhe cabe, proporcional ao número dos filhos. (grifos nossos)
Além disso, não havendo devedores de mesmo grau capazes de suportar integralmente a obrigação, o art. 1.698 do CC atribui a obrigação aos de grau imediato, observada a ordem do art. 1.697. A lei civil permite que o devedor demandado em alimentos chame ao processo os coobrigados de mesmo grau ou os de grau imediato. Se, por exemplo, o credor tem vários filhos em condições de prestá-los e ajuíza a ação apenas em face de um deles, este chamará ao processo os outros. Parece-nos desnecessário que o filho demandado não tenha condições de suportar integralmente o débito. (grifo nosso)
[...]
Mas o chamamento também cabe quando, tendo demandado o devedor de grau mais próximo, este não tiver condições de responder pela integralidade do débito. Quando o chamado não for codevedor de mesmo grau, mas de grau mais distante, só caberá o chamamento fundado na falta de condições do chamante para suportar a integralidade da dívida. E ele terá o ônus de prová-lo, sob pena de ser o único condenado. [...] Por isso, só é possível ajuizar ação de alimentos em face dos avós, por exemplo, quando se provar que os pais não têm condições de prestá-los. (grifo nosso)
Para o STJ, no caso de alimentos, haveria uma situação de litisconsórcio necessário simples e não seria caso, portanto, de chamamento ao processo:
[...] É sabido que a obrigação de prestar alimentos aos filhos é, originariamente, de ambos os pais, sendo transferida aos avós subsidiariamente, em caso de inadimplemento, em caráter complementar e sucessivo. Nesse contexto, mais acertado o entendimento de que a obrigação subsidiária - em caso de inadimplemento da principal - deve ser diluída entre os avós paternos e maternos, na medida de seus recursos, diante de sua divisibilidade e possibilidade de fracionamento. Isso se justifica, pois a necessidade alimentar não deve ser pautada por quem paga, mas sim por quem recebe, representando para o alimentando, maior provisionamento tantos quantos réus houver no pólo passivo da demanda. Com esse entendimento, a Turma, prosseguindo o julgamento, conheceu do recurso e deu-lhe provimento para determinar a citação dos avós maternos, por se tratar da hipótese de litisconsórcio obrigatório simples. Precedentes citados: REsp 50.153-RJ, DJ 14/11/1994; REsp 261.772-SP, DJ 20/11/2000; REsp 366.837-RJ, DJ 22/9/2003, e REsp 401.484-PB, DJ 20/10/2003. REsp 658.139-RS, Rel. Min. Fernando Gonçalves, julgado em 11/10/2005.
Sobre a aplicação do Chamamento ao Processo no Código de Defesa do Consumidor, em que pese não seja possível a Denunciação da Lide, Neves (2017, p. 371) diz o seguinte:
Apesar da vedação expressa à denunciação da lide, o art 101, II, o CDC permite o chamamento ao processo da seguradora quando o réu tiver com esse terceiro um contrato de seguro de responsabilidade. Nota-se que a intervenção coativa seguradora não se dá tecnicamente por meio do chamamento ao processo, até porque a seguradora não é titular do direito discutido na demanda originária, tampouco obrigada solidária perante o consumidor-autor. Entende-se na doutrina que o legislador propositalmente chama essa intervenção de terceiros de chamamento ao processo para criar no caso concreto uma responsabilidade solidária entre o réu e a seguradora, o que naturalmente beneficia o consumidor-autor em termos de satisfação do seu direito de crédito a ser reconhecido pela sentença. Registre-se que no mesmo dispositivo legal está previsto que, havendo o réu declarado a falência, o consumidor-autor poderá demandar diretamente contra a seguradora. Como já apontado anteriormente, encontram-se no Superior Tribunal de Justiça decisões que permitem essa demanda direta contra a seguradora, mesmo no caso de o réu não estar falido.
Gonçalves (2017, p. 339-344) sintetiza as peculiaridades sobre o Chamamento do Processo da seguinte forma:
QUEM PODE REQUERER:O réu fiador ou devedor solidário.
A INICIATIVA DA INTERVENÇÃO: Intervenção provocada pelo réu.
CABIMENTO: Cabe quando o credor demanda apenas o fiador, que chama ao processo o devedor principal; ou se o for apenas um deles, poderá chamar ao processo os demais; ou um dos devedores solidários, ele poderá fazer o chamamento dos restantes. Cabe, ainda, na hipótese do artigo 1.698 do Código Civil, em que o devedor de alimentos pode acionar os coobrigados devedores imediatos (para o STJ não é caso de chamamento, mas sim de litisconsórcio necessário simples).
EFEITOS: Em caso de procedência, o chamante e o chamado podem ser cobrados. Na fase executiva, o credor pode cobrar qualquer deles, salvo se tratar de fiador com benefício de ordem, que pode exigir primeiro a execução de bens do devedor principal. O que pagar integralmente a dívida, sub-roga-se nos direitos do credor.
PARTICULARIDADES: Há importante controvérsia a respeito da posição dos chamados processos, pois há corrente doutrinária que sustenta que eles não figurariam como litisconsortes, mas formariam uma nova relação, feita entre chamantes e chamados. Essa corrente, conquanto respeitável, não foi acolhida pelo nosso ordenamento jurídico, tendo em vista o artigo 131, que estabelece que os chamados serão litisconsortes do chamante.
PROCEDIMENTO: É sempre requerido pelo réu, no prazo de resposta, entre o chamante e os chamados forma-se um litisconsórcio facultativo simples. O chamamento não é obrigatório e o réu que não o fizer pode cobrar o que é devido em ação autônoma. No entanto, se houver o chamamento, o fiador perde o benefício de ordem.
Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica – arts. 133 a 137
O Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica, no CPC de 2015, vem tratado nos artigos 133 a 137, da forma que segue:
CAPÍTULO IV
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
§ 1o O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os pressupostos previstos em lei.
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da personalidade jurídica.
Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial.
§ 1o A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para as anotações devidas.
§ 2o Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
§ 3o A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2o.
§ 4o O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais específicos para desconsideração da personalidade jurídica.
Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.
Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão interlocutória.
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno.
Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.
A previsão processual da desconsideração da personalidade jurídica é bem recebida por Neves (2017, p. 376) que diz o seguinte:
Tendo seus requisitos previstos em diversas normas legais (art. 50, CC; art. 28, CDC; art. 2º, § 2º, da CLT; art. 135 do CTN; art. 4º da Lei 9.605/98; art. 18, § 3º, da Lei 9.847/99; art. 34 da Lei 12.529/2011, arts. 117, 158, 245 e 246 da Lei 6.404/76), faltava uma previsão processual a respeito do fenômeno jurídico, devendo ser saudada tal iniciativa.
O Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica é espécie de intervenção de terceiro provocada (não voluntária), uma vez que quem requer o ingresso do sócio à lide, para alcançar seu patrimônio, é o credor ou o Ministério Público, nos casos em que intervém. O juiz não pode decretá-la de ofício, sendo obrigatória a provocação para fazê-lo. O terceiro (sócio ou empresa, no caso de desconsideração inversa) é trazido ao processo através de citação para atuar no bojo da ação anteriormente ajuizada. Devido a esse fato, há quem o considere uma verdadeira ação incidente.
Sobre a participação do Ministério Público no incidente, válida a menção ao enunciado de numero 123 do FPPC: “(art. 133) É desnecessária a intervenção do Ministério Público, como fiscal da ordem jurídica, no incidente de desconsideração da personalidade jurídica, salvo nos casos em que deva intervir obrigatoriamente, previstos no art. 178”. (Grupo: Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros). (FPPC, 2017, p. 23).
Acerca do alcance da desconsideração da personalidade jurídica, Neves (2017, p. 377) diz o seguinte:
A jurisprudência, entretanto, valendo-se da ratio das normas legais referidas, as vem interpretando de forma extensiva e criando novas modalidades de desconsideração da personalidade jurídica, não previstas expressamente em lei. Há a desconsideração da personalidade jurídica entre empresas do mesmo grupo econômico, bem como a desconsideração da personalidade jurídica inversa.
Em referência ao § 1º do artigo 133 do Novo CPC, Gonçalves (2017, p. 330) destaca que
Compete ao direito material estabelecer quais são as exigências para que se possa aplicar a desconsideração da personalidade jurídica. No âmbito civil, essas exigências estão no art. 50 do CC; e no âmbito consumerista, no art. 28 do Código do Consumidor.
No mesmo sentido Neves (2017, p. 377): “A opção do legislador deve ser saudada porque os pressupostos para a desconsideração da personalidade jurídica são tema de direito material e dessa forma não devem ser tratados pelo Código de Processo Civil”. Da mesma forma Câmara (2017, p. 91)
Respeita-se, assim, o fato de que os diversos ramos do Direito Material estabelecem requisitos distintos para que se desconsidere a personalidade jurídica, cabendo verificar, em cada caso concreto, qual o ramo do Direito Material que rege a causa.
Gonçalves (2017, p. 330) chama a atenção para o fato de que, nos termos do art. 133, § 2º, é possível haver a desconsideração inversa da personalidade jurídica.
Além da desconsideração comum, há ainda a inversa. Na comum, a responsabilidade patrimonial pelas dívidas da empresa é estendida aos sócios; na inversa, a responsabilidade pelas dívidas dos sócios é estendida à empresa. No primeiro caso, embora a dívida seja da pessoa jurídica, o sócio passa a responder judicialmente pelo débito com seu patrimônio pessoal; no segundo, conquanto o débito seja do sócio, será possível alcançar bens da empresa, a quem a responsabilidade é estendida.
Para Gonçalves (2017, p. 331):
Quando desconsidera a personalidade jurídica, o juiz não transforma o sócio em codevedor, mas estende a responsabilidade patrimonial a ele, permitindo que seus bens sejam atingidos para fazer frente ao débito, que continua sendo da empresa. É preciso que se distingam, então, duas relações distintas: a do credor com a empresa, que é uma relação credor-devedor; e a do credor com o sócio, após a desconsideração, que é uma relação credor-responsável, cujos bens podem ser alcançados para pagamento da dívida.
Gonçalves faz um histórico sobre como o sócio poderia se defender da desconsideração, sendo que num primeiro momento só era possível a defesa via embargos de terceiros, não havendo contraditório algum. Num segundo momento, entendeu-se cabível a interposição de embargos à execução, em que havia um contraditório após o oferecimento da desconsideração. Com o Novo CPC, no entanto, diz o autor (2017, p. 332):
Com o incidente previsto nos arts. 133 e ss. do CPC, passa-se a exigir um contraditório prévio, anterior à desconsideração, que constituiforma de intervenção de terceiro porque o sócio, que até então não figurava na relação processual, passa a integrá-la, não na condição de codevedor mas de responsável patrimonial [...]
Além do incidente, o art. 134, § 2º, prevê a possibilidade de que a desconsideração seja requerida na petição inicial, caso em que o sócio será incluído no polo passivo da ação e será citado para oferecer contestação, a respeito da pretensão à desconsideração.
Conclui-se, assim, que a desconsideração pode ser postulada em caráter incidental, isto é, no curso do processo ajuizado em face do devedor, ou em caráter principal, em que a desconsideração é requerida como pretensão inicial, paralela à de cobrança e na qual o sócio figura desde logo como réu.
Em que pese o contraditório na atual norma processual seja o tradicional (prévio), Neves (2017, p. 379-380) afirma que:
[...] sendo enchidos os requisitos típicos da tutela de urgência e do pedido de antecipação dos efeitos da desconsideração da personalidade jurídica, entendo admissível a prolação de decisão antes da intimação dos sócios e da sociedade. Nesse sentido, inclusive, mencionando o poder geral de cautela do juiz, existe decisão do Superior Tribunal de Justiça. (grifo nosso)
No mesmo sentido, Câmara (2017,p. 91) acrescenta: “[...] sempre é possível a concessão de uma medida cautelar destinada a apreender bens do sócio (ou da sociedade, nos casos de desconsideração inversa) para assegurar sua futura utilização em sede executiva”.
Ainda no que tange è defesa do sócio ou da sociedade (na desconsideração inversa), Neves (2017, p. 382) entende de fundamental importância a definição da qualidade processual do sócio após a desconsideração da personalidade jurídica, conforme segue:
A importância prática de definir a qualidade processual do sócio após a desconsideração da personalidade jurídica é a defesa adequada a apresentar na execução; sendo terceiro, a defesa parece ser mais adequadamente apresentada por meio de embargos de terceiro; sendo parte, a defesa será elaborada por meio de embargos à execução (ou mesmo impugnação, no caso de cumprimento de sentença). (grifos nosso)
[...]
O Superior Tribunal de justiça adota o segundo entendimento (de que o sócio é parte), ao apontar citação do sócio e sua integração à relação jurídica processual executiva [...]
 [...]
Entendo que está correto o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça até porque considero que todos os responsáveis patrimoniais secundários, ao terem bem de seu patrimônio constrito em processo alheio, automaticamente passam a ter legitimidade passiva, e, uma vez sendo citados ou integrando-se voluntariamente ao processo, formarão um litisconsórcio passivo ulterior com o devedor. E que mesmo sem previsão legal nesse sentido nada mudará. (grifo nosso)
No mesmo sentido Câmara (2017, p. 91) “O incidente de desconsideração da personalidade jurídica, então, pode acarretar uma ampliação subjetiva da demanda, formando-se, por força do resultado nele produzido, um litisconsórcio passivo facultativo” (grifo nosso).
Há quem entenda de maneira diferente. Para Gonçalves (2017, p. 335), por exemplo, não se forma litisconsórcio, sendo que o alcance do patrimônio do sócio ou da empresa (na desconsideração inversa) ocorre por meio de responsabilização patrimonial, sem maiores detalhamentos, conforme segue:
Se o juiz acolher o pedido de desconsideração, o sócio não será transformado em codevedor, não se transformará em litisconsorte passivo da pessoa jurídica. Mas, quando se chegar à fase executiva (se o requerimento tiver sido formulado em fase anterior), caso se constate que a empresa não tem recursos para cumprir a obrigação, será dado ao credor solicitar a penhora de bens do sócio, a quem foi anteriormente estendida a responsabilidade patrimonial.
Sobre a possibilidade de pedido de desconsideração na petição inicial, Gonçalves (2017, p. 336) diz que
A inicial deve deixar claro que o débito é da empresa e que a pretensão de cobrança está direcionada contra ela. O que se pretende em relação ao sócio não é a sua condenação ao pagamento do débito, mas o reconhecimento de que ele é responsável patrimonial, uma vez que estão preenchidos os requisitos do direito material para a desconsideração da personalidade jurídica. Serão dois os pedidos formulados na inicial: 1) o condenatório, de cobrança, dirigido contra o devedor; e 2) o de extensão da responsabilidade patrimonial, direcionado contra o sócio e fundado no preenchimento dos requisitos do art. 50 do Código Civil ou do art. 28 do CDC.
Ainda no que diz respeito à desconsideração requerida na inicial, é válido destacar que o pedido de cobrança deve ser feito exclusivamente em face da empresa, sob pena de extinção do processo em relação ao sócio, por ilegitimidade de parte. De qualquer forma, nos termos do artigo 229 do CPC de 2015, o sócio será citado, na condição de corréu, para oferecer resposta no prazo de 15 dias. O processo, nessa situação, não ficará suspenso e o juiz decidirá se cabe ou não a desconsideração na própria sentença. 
 [...] o texto do dispositivo tem a vantagem de deixar claro que no caso de pretensão à desconsideração deduzida originariamente, na petição inicial, seu exame se dará juntamente com o das demais pretensões [sentença], sem necessidade de se resolver esta questão primeiro para que só depois seja possível tratar-se das demais questões suscitadas no processo.
Uma vez acolhido o pedido de cobrança, condenará a sociedade ao pagamento do débito; acolhido o pedido de desconsideração, estenderá a responsabilidade patrimonial ao sócio, cujos bens poderão ser penhorados na fase executiva, guardadas as restrições do art. 795 do CPC, inclusive o benefício de ordem.
Também sobre a desconsideração requerida na inicial é o enunciado de nº 248 do FPPC (2017, p. 37):
248. (art. 134, § 2º; art. 336) Quando a desconsideração da personalidade jurídica for requerida na petição inicial, incumbe ao sócio ou a pessoa jurídica, na contestação, impugnar não somente a própria desconsideração, mas também os demais pontos da causa. (Grupo: Petição inicial, resposta do réu e saneamento)
No que diz respeito ainda à desconsideração requerida na inicial, Câmara (2017, p. 94) esclarece qual ele entende ser a posição processual do sócio ou da sociedade (no caso de desconsideração inversa):
Formar-se-á, aí, então, um litisconsórcio passivo originário entre a sociedade e o sócio. E em razão desse litisconsórcio originário não haverá qualquer motivo para a instauração do incidente (art. 134, § 2o). Afinal, nesse feito a pretensão à desconsideração integrará o próprio objeto do processo, cabendo ao juiz, ao proferir decisão sobre o ponto, acolher ou rejeitar tal pretensão. (grifo nosso)
Questão Juiz SP:
c) a resolução da questão relativa à desconsideração da personalidade jurídica será sempre impugnável por agravo de instrumento. 
INCORRETA: Art. 136, CPC. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão interlocutória (agravo de instrumento). 
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator cabe agravo interno. 
Art. 134, § 2° Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica. Aqui não há incidente para ser resolvido por decisão interlocutória como no art. 136! Então: Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.
No que tange à desconsideração como forma de intervenção de terceiros (incidente) propriamente, Gonçalves (2017, p. 333) esclarece que 
Algumas figuras de intervenção de terceiros (denunciação e chamamento) são próprias do processo de conhecimento. O incidente de desconsideração, conforme o art. 134, caput, é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título extrajudicial.
A esse respeito, Neves (2017, p. 377) diz que:
Ao admitir expressamente a desconsideração da personalidade jurídica na execução - processo ecumprimento de sentença - o legislador deixa clara a viabilidade de se incluir no polo passivo e responsabilizar patrimonialmente os sócios mesmo que esses não façam parte do título executivo exequendo.
A sua instauração, seja em que fase for, deverá ser comunicada ao distribuidor para as anotações devidas, conforme consta do artigo 134, § 1º, sendo que a instauração do incidente suspende o curso do processo nos termos do § 2º do mesmo artigo. Sobre a suspensão do processo, Câmara (2017, p. 95) faz importante observação:
Há, pois, apenas uma suspensão imprópria, assim considerada a vedação temporária à prática de alguns atos do processo, permitida a prática de outros (no caso, é permitida apenas a prática dos atos processuais referentes ao processamento do incidente de desconsideração da personalidade jurídica). (grifo nosso)
[...]
Fica, de todo modo, ressalvada a possibilidade de prática de atos urgentes, destinados a impedir a consumação de algum dano irreparável, nos estritos termos do disposto no art. 314.
Neves traz á tona dúvida por parte da doutrina a respeito do momento em que ocorre a instauração do incidente, se quando do pedido ou quando de sua admissão pelo juiz. A esse respeito o autor afirma (2017, p. 379):
[...] é mais adequado entender-se que o mero pedido da parte já seja o suficiente para a instauração do incidente, até mesmo porque, infelizmente, a decisão judicial pode demorar a ser proferida, o que deixará tempo para manobras fraudulentas do sujeito que poderá ser atingido pela desconsideração. (grifo nosso)
Já Câmara (2017, p. 93) entende de maneira diversa, sendo que para o autor:
[...] deve-se considerar instaurado o incidente apenas a partir do momento em que se profira decisão admitindo-o. Neste pronunciamento, então, incumbirá ao juiz determinar a expedição de ofício dirigido ao distribuidor, para que ali promova as necessárias anotações. (grifo nosso)
Para Gonçalves (2017,p. 333), de outra parte:
O processo deverá ficar suspenso desde o momento em que a parte ou o Ministério Público protocolar o pedido de desconsideração. Se o juiz o indeferir de plano, há de se considerar que, pelo menos entre o protocolo e a intimação da decisão do juiz que o indeferiu, o processo terá ficado suspenso, [...]. A suspensão perdurará até que o incidente seja decidido. Mas, proferida a decisão, o processo retoma o curso, ainda que venha a ser interposto recurso pelo prejudicado. A suspensão não se estende, portanto, para depois que o incidente for decidido, ressalvada a hipótese de ao recurso interposto (agravo de instrumento) ser deferido efeito suspensivo pelo relator.
A norma legal constante do CPC de 2015 traz ainda que o requerimento apresentado deve demonstrar que foram preenchidos os pressupostos legais específicos para desconsideração da personalidade jurídica. A esse respeito, Neves (2017, p. 378) faz uma crítica ao novel diploma processual:
Como toda petição postulatória, a petição que veicula o pedido para a instauração do incidente processual de desconsideração da personalidade jurídica deve conter fundamentação (pressupostos legais para a desconsideração) e pedido (desconsideração e penhora sobre o bem dos sócios). Nesse sentido deve-se compreender o § 4º do art. 134 do Novo CPC, que não foi feliz em prever que no requerimento cabe à parte demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais para a desconsideração o que pode passar a equivocada impressão de que o requerente terá que apresentar prova pré-constituída e liminarmente demonstrar o cabimento da desconsideração. Na realidade, o requerente não deve demonstrar, mas apenas alegar o preenchimento dos requisitos legais para a desconsideração, tendo o direito a produção de prova para convencer o juízo de sua alegação, inclusive conforme expressamente previsto nos arts. 135 e 136 do Novo CPC, ao preverem expressamente a possibilidade de instrução probatória no incidente ora analisado. (grifos nossos)
Já para Câmara (2017, p. 95), a inicial deve conter elementos mínimos de prova, em suas palavras:
No ato de requerimento de desconsideração da personalidade jurídica, incumbirá ao requerente apresentar elementos mínimos de prova de que estão presentes os requisitos para a desconsideração (os quais, como visto, serão os estabelecidos na lei substancial). É preciso, então, que sejam fornecidos elementos de prova que permitam ao juiz a formação de um juízo de probabilidade acerca da presença de tais requisitos.
Qualquer que seja o entendimento, uma vez formulada a petição de desconsideração da personalidade jurídica, antes de eventual rejeição liminar do pedido por desatendimento aos requisitos de interposição, em respeito aos artigos 9º e 10 do Novo CPC, deverá o juiz dar vista ao requerente, de modo que este tenha a chance de demonstrar ao juiz que tais requisitos estão presentes.
Sobre quais seriam os requisitos para a desconsideração, Câmara (2017, p. 92) traz alguns exemplos:
Assim é, por exemplo, que nas causas que versem sobre relações de consumo incidirá o disposto no art. 28 do CDC, por força do qual a desconsideração é cabível quando se verificar, em detrimento do consumidor, abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou do contrato social. Haverá, ainda, desconsideração nessas causas se for verificada a falência, o estado de insolvência o encerramento ou a inatividade da pessoa jurídica, desde que provocados por má administração. (grifo nosso)
De outro lado, nas causas em que a relação jurídica subjacente ao processo for regida pelo Código Civil, incidirá o art. 50 deste diploma, por força do qual a desconsideração da personalidade jurídica é cabível quando houver abuso da personalidade jurídica, caracterizado por desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. Veja-se, pois, que a falência por má administração é causa suficiente para a desconsideração quando se trate de uma causa fundada em relação de consumo, mas não o é se a causa for daquelas regidas pelo Código Civil. (grifo nosso)
Nas causas regidas pelo Direito Ambiental, de outro lado, incidirá a norma extraída do art. 4º da Lei no 9.605/1998, por força do qual “poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”. (grifo nosso)
Ainda sobre o procedimento, Gonçalves (2017, p. 334) diz o seguinte:
Instaurado o incidente, o juiz determinará a citação do sócio (na desconsideração direta) ou da pessoa jurídica (na inversa), para que se manifestem no prazo de 15 dias. O incidente assegura contraditório prévio, permitindo que o sócio ou a pessoa jurídica apresentem as suas alegações e procurem demonstrar que não estão presentes os requisitos da lei material para a desconsideração. Além da manifestação do sócio, o pedido de desconsideração poderá ser impugnado, na desconsideração direta, também pela pessoa jurídica, como tem reconhecido o Superior Tribunal de Justiça.
Neves (2017, p. 382) acrescenta que “Além da alegação de ilegitimidade de parte, o sócio poderá alegar todas as outras defesas típicas do devedor, firme no princípio da eventualidade”.
Também no que diz respeito ao procedimento, Câmara (2017, p. 96) acrescenta:
O decurso do prazo sem apresentação de defesa implica revelia, e daí resultará a presunção (relativa) de veracidade das alegações do requerente a respeito dos fatos (art. 344). A presunção, porém – e como não poderia deixar de ser –, só alcança as alegações sobre fatos, motivo pelo qual daí não resulta automaticamente o reconhecimento de que o requerente tem direito à desconsideração da personalidade jurídica. De toda sorte, revel o requerido, ficará o requerente isento do ônus de provar que suas alegações acerca da presença dos requisitos da desconsideração são verdadeiras.
No que tange ainda ao procedimento, Câmara (2017, p. 97) continua:
Todos os meios de prova, típicos ou atípicos (desde que moralmente legítimos), poderão ser produzidos, já que a decisão acercada desconsideração deve basear-se em cognição exauriente. Em outros termos, deverá o juiz proferir sua decisão com base em juízo de certeza, de modo a afirmar se estão ou não presentes os requisitos da desconsideração da personalidade jurídica e, por consequência, permitir que se estenda a atividade executiva (já iniciada ou ainda por iniciar-se) ao patrimônio do sócio ou da sociedade, conforme o caso. (grifo nosso)
A decisão de mérito proferida no incidente (assim entendida a decisão que resolve o mérito próprio do incidente, isto é, que acolhe ou rejeita a pretensão de desconsideração da personalidade jurídica) é apta a alcançar a autoridade de coisa julgada material, tornando-se imutável a indiscutível. Após seu trânsito em julgado só será possível desconstituí-la por meio de ação rescisória, nos casos previstos no art. 966 do CPC. (grifos nossos)
Também Medina (2016, p. 212) menciona a possibilidade de ação rescisória, citando julgado do STJ:
A decisão que julga procedente ou improcedente o pedido de desconsideração, por fazer “juízo sobre a existência ou a inexistência ou o modo de ser da relação de direito material objeto da demanda”, é considerada de decisão de mérito, sujeita a ação rescisória (STJ, REsp 784.799/PR, Rel. Ministro Teori Zavascki, 1.ª T., j. 17.12.2009). (grifo nosso)
A respeito do contraditório, em particular, o entendimento de Neves é de que o legislador dele excluiu o demandado, no que diz respeito ao incidente de desconsideração, só sendo possível o contraditório daquele a que a personalidade se busca desconsiderar. A esse respeito o autor diz o seguinte (2017, p. 380):
Considero, entretanto, que o legislador não foi bem ao excluir o demandado do contraditório, porque este também tem legitimidade e interesse no pedido de desconsideração da personalidade jurídica. Na desconsideração clássica, o Superior Tribunal de Justiça entende que a pessoa jurídica tem legitimidade para impugnar a decisão interlocutória que desconsidera sua personalidade com o intuito de defender a sua regular administração e autonomia.
Diferente entendimento parece ser o de Gonçalves (2017, p. 334):
Embora as partes do incidente sejam o suscitante e o sócio (no caso da desconsideração direta), a pessoa jurídica poderá manifestar-se, postulando o não acolhimento do incidente. Pelas mesmas razões, na desconsideração inversa, embora as partes sejam o suscitante e a pessoa jurídica, o sócio poderá manifestar-se, postulando o indeferimento do pedido. Nesse sentido, o REsp 1.208.852. (grifos nossos)
Trata-se de incidente que pode ocorrer em qualquer fase processual, perante o juiz singular ou perante um tribunal. A respeito disso, Gonçalves (2017, p. 334) diz o seguinte:
O juiz poderá determinar as provas necessárias para que suscitante e suscitado comprovem as suas alegações. Concluída a instrução, ele decidirá o incidente, que será resolvido por decisão interlocutória, contra a qual poderá ser interposto recurso de agravo de instrumento (art. 1.015, IV, do CPC [...] [No tribunal, da] decisão interlocutória unilateral do relator que o decidir, o recurso cabível não será o agravo de instrumento, mas o agravo interno (art. 136, parágrafo único). (grifos nossos)
[...]
Dada a vedação do bis in idem, caso o juiz desacolha o pedido, não será possível formulá-lo em outra fase do processo com os mesmos fundamentos e argumentos do pedido anterior, rejeitados pelo juiz. Mas não haverá óbice que novo pedido seja formulado, desde que fundado em fatos novos, não apresentados e decididos no incidente anterior.
No que tange aos recursos cabíveis no incidente de desconsideração, Neves (2017, p. 383) diz que se trata de uma
[...] decisão interlocutória recorrível por agravo de instrumento nos termos do art. 1.015, IV, do Novo CPC. O conteúdo da decisão para fins de recorribilidade é irrelevante, podendo ter sido o pedido acolhido, rejeitado ou mesmo decidido sem a análise do mérito em razão de alguma imperfeição formal 
Não se descarta, entretanto, a possibilidade de o incidente ser resolvido na sentença, havendo doutrina, inclusive, que entende ser esse o momento de julgamento quando a desconsideração é requerida na própria petição inicial.
Nesses casos, em que a desconsideração é requerida na petição inicial e decidida na sentença, entende Gonçalves (2017, p. 336) que o recurso a ser manejado pelo sócio, caso a desconsideração seja deferida, não seria o agravo de instrumento, como na incidente, mas sim a apelação.
Também Medina (2016, p. 211-212) entende ser cabível a apelação, além do agravo de instrumento:
A decisão interlocutória que acolhe ou rejeita o pedido de desconsideração é impugnável por agravo de instrumento. Caso o pedido (feito na petição inicial, por exemplo) seja resolvido na sentença, caberá apenas apelação – ainda que a sentença tenha dois ou mais capítulos distintos. (grifos nossos)
Contra esse entendimento se insurge Neves (2017, p. 383)
Não concordo com esse entendimento porque estando o incidente maduro para imediato julgamento, o que em regra deve sempre ocorrer antes do momento da prolação da sentença, não faz sentido manter-se o estado de indefinição jurídica quanto à responsabilidade patrimonial secundária dos terceiros.
Sobre os recursos cabíveis no incidente, Câmara (2017, p. 97) acrescenta:
É agravável [de instrumento] não só a decisão de meritis proferida no incidente, mas também a que o declara inadmissível (liminarmente ou após a manifestação do requerido). Eventuais outras decisões interlocutórias proferidas no curso do incidente, porém (como seria o caso de alguma decisão que indeferisse a produção de certa prova), serão irrecorríveis, só podendo ser impugnadas juntamente com a decisão final do incidente (aplicando-se, por analogia, o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 1.009 do CPC). (grifos nossos)
[...]
Instaurando-se o incidente originariamente perante um tribunal, incumbirá ao relator processá-lo e decidi-lo monocraticamente [...].
Concluída a instrução probatória que se faça necessária, incumbirá ao relator decidir, monocraticamente, o incidente de desconsideração da personalidade jurídica. De tal decisão caberá agravo interno (art. 136, parágrafo único, combinado com o art. 1.021). (grifo nosso)
Pode ocorrer de, no curso do incidente, alguma outra decisão ser proferida pelo relator. Neste caso, não obstante a literalidade do texto do art. 1.021, essas decisões deverão ser consideradas irrecorríveis por agravo interno. É que não seria coerente admitir recurso autônomo contra tais decisões se nos casos em que o incidente se instaura originariamente perante órgão judicial de primeira instância decisões equivalentes seriam irrecorríveis em separado.
[...]
Também a parte contrária poderá, em suas contrarrazões ao agravo interno, impugnar aquelas decisões que não admitem recurso em separado (art. 1.009, § 2o, aplicável aqui por analogia).
Neves (2017, p. 383) diverge do entendimento de irrecorribilidade em face de decisões interlocutórias proferidas pelo relator no âmbito dos tribunais:
Há doutrina que entende que nesse caso a decisão será irrecorrível, por analogia à irrecorribilidade por agravo de instrumento das decisões de mesma natureza proferidas pelo juízo de primeiro grau. Discordo desse entendimento diante da literalidade do art. 1.021 do Novo CPC, que não excluiu tais decisões monocráticas do relator do cabimento do agravo interno.
No que diz respeito às despesas e honorários, no caso de sucumbência, Gonçalves (2017, p. 334-335) afirma o seguinte: “Se o juiz desacolher a pretensão, o suscitante será condenado a ressarcir eventuais despesas a que tenha dado causa e os honorários advocatícios do suscitado.” Isso porque o indivíduo contra quem foi requerida a desconsideração foi obrigado a constituir advogado e, não havendo a desconsideração (porque não houve abuso de poder, por exemplo), como ficariam suas despesas? (Gajardoni, aula 5.4).
Sobre a penhora, Gonçalves (2017, p. 335) afirma que 
[...] quando se chegar à fase executiva (se o requerimentotiver sido formulado em fase anterior), caso se constate que a empresa não tem recursos para cumprir a obrigação, será dado ao credor solicitar a penhora de bens do sócio, a quem foi anteriormente estendida a responsabilidade patrimonial. Realizada a penhora, o sócio poderá valer-se dos meios de defesa próprios da execução, seja a impugnação, quando se tratar de cumprimento de sentença, sejam os embargos de devedor.
Uma vez deferida a desconsideração, pode o sócio exigir que antes sejam executados os bens da sociedade para só então serem atingidos os dele, conforme prevê o artigo 795, § 1º do CPC de 2015, situação em que o sócio deve indicar bens da sociedade, situados na mesma Comarca, livres e desembargados, suficientes para pagamento do débito, conforme ditame do artigo 795, § 2º do mesmo diploma. A mesma regra aplica-se no caso de desconsideração inversa. Como visto, o sócio não é codevedor, mas apenas responsável, e se ele pagar a dívida, poderá executar a sociedade nos mesmos autos, consoante os dizeres do artigo 795, § 3º da lei processual.
A esse respeito, Gonçalves (2017, p. 335) acrescenta:
[...] se o juiz desconsiderar a personalidade jurídica da empresa na fase de conhecimento e se até a fase de cumprimento de sentença a sociedade amealhar patrimônio suficiente para fazer frente ao débito, bastará ao sócio que nomeie à penhora os bens desse patrimônio, exigindo que eles sejam penhorados antes dos seus.
Caso o credor ou o Ministério Público não tenham se valido da desconsideração, o juiz não deverá estender a responsabilidade patrimonial ao sócio, devendo indeferir eventual pedido de que bens dos sócios ou da pessoa jurídica (no caso da desconstituição inversa) venham a ser constritos, é o que se pode extrair do artigo 795, § 4º no CPC de 2015.
Interpretando o artigo 137 do CPC de 2015, adentrando no tema da fraude à execução, Gonçalves (2017, p. 335) diz o seguinte:
Parece-nos que o dispositivo deve ser interpretado no sentido de que somente após a desconsideração da personalidade jurídica é que a alienação de bens do responsável patrimonial (sócio, no caso da desconsideração direta ou pessoa jurídica no caso da inversa) poderá ser havido em fraude à execução. Mas não bastará a desconsideração para que tal ocorra, sendo ainda necessária a prova de má-fé do adquirente, observada a Súmula 375 do Superior Tribunal de Justiça.
A referida súmula tem a seguinte redação: “O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente”.
Nesse sentido, Câmara (2017, p. 93), fazendo referência às anotações realizadas pelo cartório distribuidor, esclarece o seguinte:
Essas anotações têm por fim permitir que terceiros, estranhos ao processo, tomem conhecimento do fato de que está pendente o incidente, o que poderá levar ao reconhecimento da responsabilidade patrimonial do requerido (seja ele o sócio, no processo em que a sociedade é demandada, seja a sociedade, no caso de desconsideração inversa). Só assim se poderá viabilizar a incidência da regra extraída do art. 137, por força da qual as alienações ou onerações de bens realizadas pelo requerido já poderão ser consideradas em fraude de execução após a instauração do incidente. É que não se pode considerar fraudulento o ato se seu beneficiário não tinha ao menos a capacidade de saber que o incidente estava instaurado.
O mesmo Câmara (2017, p. 99), sobre fraude à execução, acrescenta que:
[...] o momento a partir do qual se considerará em fraude de execução a alienação ou oneração de bens pelo sócio (ou pela sociedade, no caso de desconsideração inversa) não é propriamente o momento da instauração do incidente [...], mas o momento da citação do responsável. A partir daí, qualquer ato de alienação ou oneração de seus bens será tida como fraude à execução se estiverem presentes os requisitos estabelecidos pelo art. 792 do CPC (grifo nosso).
Neves (20017, p. 385) afirma ser confusa a redação do dispositivo que cuida do momento a partir do qual se considera fraude à execução, mas conclui com o seguinte entendimento: “[...] diante da literalidade do art. 792, § 3° do Novo CPC, que provavelmente entende ser suficiente a presunção de ciência do sócio do processo movido contra a sociedade para a configuração da fraude à execução”.
Por fim, Gonçalves (2017, p. 339-344) sintetiza as peculiaridades sobre a Desconsideração da Personalidade Jurídica da seguinte forma:
QUEM PODE REQUERER: Deve ser requerida pela parte ou pelo Ministério Público. O requerimento é feito pelo credor que queira estender a responsabilidade patrimonial a sócio, no caso de desconsideração direta ou pessoa jurídica, no caso da inversa.
A INICIATIVA DA INTERVENÇÃO: Forma de intervenção de terceiros provocada.
CABIMENTO: Tem natureza de ação incidente, embora a lei se refira a ele como incidente. Cabe em qualquer fase do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença ou em execução por título extrajudicial quando, preenchidas as exigências do direito material, a parte ou o Ministério Público quiserem estender a responsabilidade patrimonial por dívida a sócio ou pessoa jurídica, em decorrência do uso abusivo de pessoa jurídica para prejudicar credores.
EFEITOS: Acolhido o incidente, haverá a possibilidade de, na execução, se atingida a esfera patrimonial do sócio ou da pessoa jurídica, a quem foi estendida a responsabilidade.
PARTICULARIDADES: Não pode haver confusão entre o objeto da ação e objeto do pedido de desconsideração. As pretensões são distintas. O acolhimento da desconsideração não transforma o sócio ou a pessoa jurídica em codevedores (entendimento minoritário), mas apenas estende a eles a responsabilidade patrimonial, o que significa que, se na fase de execução, não forem encontrados bens do devedor para fazer frente ao débito, o juiz poderá autorizar a penhora de bens do sócio ou da empresa responsabilizada.
PROCEDIMENTO: A desconsideração pode ser requerida já na inicial. Mas nesse caso não haverá intervenção de terceiro, mas ação contra o sócio ou pessoa jurídica, para que o juiz lhes reconheça a responsabilidade. Quanto se tratar de intervenção, o sócio ou pessoa jurídica deverá ser citado, para manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 dias. O juiz colherá as provas que entender necessárias e decidirá o incidente. Contra a decisão cabe agravo de instrumento.
Teorias da Desconsideração da Personalidade Jurídica – art. 50 do CC e 28 do CDC
Discute-se se o incidente de desconsideração da personalidade jurídica do CPC seria aplicável ou não ao direito do consumidor (e ao direito do trabalho). Isso porque os requisitos são objetivos (teoria menor).
As Pessoas Jurídicas (assim como as Físicas) têm direito à personalidade (identificação, liberdade, boa reputação, etc.), direitos reais (pode ser proprietária, usufrutuária, etc.), direitos industriais (artigo 5º, XXIX da Constituição Federal), direitos obrigacionais (comprar, vender, alugar, contratar, etc.) e até mesmo direitos sucessórios (pode adquirir bens causa mortis).
A corrente majoritária da doutrina tem adotado a Teoria da Realidade Técnica, na qual a pessoa jurídica existe de fato e não como uma mera abstração. São Requisitos para a Constituição da Pessoa Jurídica, ou pressupostos de sua existência:
vontade humana criadora. 
obediência a requisitos legais para sua formação;
licitude de sua finalidade.
A desconsideração da Pessoa Jurídica – disregard of the legal entity – prevista no artigo 50 Código Civil, e também no Código de Defesa do Consumidor, artigo 28 e no seu parágrafo 5º, atinge e vincula responsabilidades dos sócios, com intuito de impedir abusos da personalidade jurídica, desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
Pela teoria menor da desconsideração, basta a pessoa jurídica não possuir bens suficientes para aplicar o instituto (não é bem assim, ver adiante) e, assim alcançar os bens dos administradores e sócios, independentemente de culpa ou conduta pessoal destes. O mesmo raciocíniose impõe na Lei Antitruste, para as infrações à ordem econômica, e na Lei de Crimes Ambientais, acompanhada pelo Direito do Trabalho. A teoria menor da desconsideração, acolhida em nosso ordenamento jurídico excepcionalmente no Direito do Consumidor e no Direito Ambiental.
Já a Teoria maior da desconsideração (do Código Civil) tem como pressuposto o descumprimento de uma obrigação por parte da pessoa jurídica somado este ao desvio de finalidade, que ocorre por meio de fraude ou abuso de direito (pressuposto subjetivo – teoria subjetiva) ou o estado de confusão patrimonial (mistura) entre os bens dos sócios e da sociedade (pressuposto objetivo – teoria objetiva), atingindo apenas os sócios e administradores cuja conduta esteja ligada ao fato que ensejar a desconsideração.
No que tange à teoria maior subjetiva, Tomazette (2012, p. 238-247) traz quatro requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica, são eles:
1 – que a sociedade seja personificada (atos constitutivos registrados);
2 – ocorrência de fraude ou abuso de direito (subcapitalização e dissolução irregular);
3 – que os atos sejam imputados diretamente à pessoa jurídica;
4 – insolvência, requisito necessário na visão do STJ.
Como evolução da desconsideração da personalidade jurídica tem-se adotado a Teoria da Sucessão de empresas, pela qual, nos casos em que ficar patente a ocorrência de fraude poderá o magistrado estender as responsabilidades de uma empresa para outra – denominadas empresa sucedida e sucessora, respectivamente.
Não é caso de desconsideração da personalidade, apesar de identificado comumente como tal, as situações em que a lei atribui responsabilidade direta aos sócios e administradores por atos irregulares de gestão, infringentes à lei ou ao estatuto ou contrato social, como acontece com o artigo 135, inciso II, do Código Tributário Nacional.
O Enunciado 229 da III Jornada de Direito Civil do Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal, interpretando que “a responsabilidade ilimitada dos sócios pelas deliberações infringentes da lei ou do contrato torna desnecessária a desconsideração da personalidade jurídica, por não constituir a autonomia patrimonial da pessoa jurídica escudo para a responsabilização pessoal e direta”.
No que diz respeito à desconsideração da personalidade jurídica, o Código Civil trata diretamente do assunto em seu artigo 50, que possui a seguinte redação:
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
O abuso da personalidade deve ser entendido como utilização imoral, em desconformidade com os objetivos do legislador (Tomazette, p. 254). O desvio de finalidade previsto no artigo 50 do Código Civil seria a prática de atos incompatíveis com o estatuto ou contrato social, ou o uso anormal da pessoa jurídica, para uma finalidade diferente daquela em que foi criada. Representa a adoção da teoria maior da desconsideração em sua concepção subjetiva. O desvio de finalidade, na visão de Tomazette (2012, p. 255) é a hipótese, por excelência, para a aplicação da teoria da desconsideração da pessoa jurídica.
Já a confusão patrimonial representa, na visão de Coelho (2009, p. 128), a adoção da concepção objetiva da teoria maior da desconsideração. Na mistura de patrimônios, os limites da autonomia patrimonial da sociedade e de seus sócios não são identificáveis, o que daria ensejo à perda da limitação da responsabilidade a quem der causa a essa confusão. Tomazette (2012, p. 256) afirma que o próprio Superior Tribunal de Justiça vem reconhecendo que o Código Civil adota também a concepção objetiva da teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica. Alguns autores, contudo, se mostram resistentes com a adoção da concepção objetiva.
No Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/90, a desconsideração aparece do art. 28, nos seguintes termos:
Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. (Teoria Maior)
§ 1º (vetado)
§ 2º As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código.
§ 3º As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código.
§ 4º As sociedades coligadas só respondem por culpa.
§ 5º Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. (Teoria Menor)
Assim, os fundamentos legais para a desconsideração em favor do consumidor são:
a) abuso de direito;
b) excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito, violação dos estatutos ou contrato social;
c) falência, estado de insolvência, encerramento da atividade provocados por má administração.
Essas disposições são criticadas por conterem no caput casos de imputação direta, que não se confundem com desconsideração da personalidade jurídica, bem como por exigir no § 5º apenas a existência de prejuízos ao consumidor não indenizados pela pessoa jurídica, indo de encontro ao princípio da autonomia patrimonial (COELHO, 2002: 52).
Acerca do § 5º do artigo 28, nota-se que uma primeira e rápida leitura pode sugerir que a simples existência de prejuízos patrimonial suportado pelo consumidor seria suficiente para autorizar a desconsideração da pessoa jurídica.
Contudo esta interpretação meramente literal não pode prevalecer. Em primeiro lugar porque contesta os fundamentos teóricos da desconsideração, pois a mesma só pode ter a autonomia patrimonial desprezada para inibição das fraudes ou abuso de direito. Assim, obviamente que a simples insatisfação credor não autoriza, por si só, a desconsideração, conforme assenta a doutrina na formulação maior da teoria. Em segundo lugar, porque tal exegese literal tornaria letra morta o caput do mesmo art. 28 do CDC, que circunscreve algumas hipóteses autorizadoras do superamento da personalidade jurídica. Em terceiro lugar, porque essa interpretação equivaleria à eliminação do instituto da pessoa jurídica no campo do direito do consumidor, e, se tivesse sido esta a intenção da lei, norma para operacionalizá-la poderia ser direta, sem apelo à teoria da desconsideração, sendo este o posicionamento de COELHO (2002: 52).
Não é caso de desconsideração da personalidade, apesar de identificado comumente como tal, as situações em que a lei atribui responsabilidade direta aos sócios e administradores por atos irregulares de gestão, infringentes à lei ou ao estatuto ou contrato social, como acontece com o art. 135, inc. II, do Cód. Trib. Nacional
Legislação sobre a desconsideração da personalidade jurídica:
	Teoria Maior
	Teoria Menor
	Lei 12529/13, art. 34 (Lei do CADE): A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social.
Parágrafo único. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.
	Lei 9605/98 (Lei de crimes ambientais), Art. 4º: Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
	CDC, art. 28, caput:O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.
	CDC, art. 28, § 5°: Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.
	Art. 50 do CC: Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
	
	As hipóteses mais restritas, exigem mais requisitos.
Não pode ser aplicada de ofício. Exige requerimento da parte ou do MP.
	As hipóteses são amplas, exigem menos requisitos.
Pode ser aplicada de ofício. O CDC prescreve normas de ordem pública e interesse social.
Desconsideração INVERSA da personalidade jurídica
Na desconsideração inversa (ou invertida) da personalidade jurídica, o juiz, mediante requerimento, autoriza que os bens da pessoa jurídica sejam utilizados para pagar as dívidas dos sócios.
Segundo a Min. Nancy Andrighi, “a desconsideração inversa da personalidade jurídica caracteriza-se pelo afastamento da autonomia patrimonial da sociedade, para, contrariamente do que ocorre na desconsideração da personalidade jurídica propriamente dita, atingir o ente coletivo e seu patrimônio social, de modo a responsabilizar a pessoa jurídica por obrigações do sócio.” (REsp 1.236.916-RS).
Assim, é possível “a desconsideração inversa da personalidade jurídica sempre que o cônjuge ou companheiro empresário valer-se de pessoa jurídica por ele controlada, ou de interposta pessoa física, a fim de subtrair do outro cônjuge ou companheiro direitos oriundos da sociedade afetiva" (REsp 1.236.916-RS).
Os exemplos mais citados pelos livros sobre desconsideração inversa estão no campo do Direito de Família. É o caso de um marido (ou companheiro) que transfere todos os seus bens para a sociedade empresária a fim de não ter que dividir seu patrimônio no divórcio ou dissolução da união estável. Existe a possibilidade de cumulação de pedidos na ação de divórcio (info 606).
O outro sócio da empresa (que não o cônjuge), cuja personalidade jurídica se pretende desconsiderar, que teria sido beneficiada por suposta transferência fraudulenta de cotas sociais por um dos cônjuges, tem legitimidade passiva para integrar a ação de divórcio cumulada com partilha de bens. STJ. 3ª Turma. REsp 1.522.142-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/6/2017 (Info 606).
Enunciado 283-CJF: É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros.
Amicus Curiae – art. 138
A intervenção do Amicus Curiae, no CPC de 2015, vem tratada no artigo 138, da seguinte forma:
CAPÍTULO V
DO AMICUS CURIAE
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.
§ 1o A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3o.
§ 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae.
§ 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas.
Câmara (2017, p. 100) define Amicus Curiae da seguinte forma:
O amicus curiae é um terceiro que ingressa no processo para fornecer subsídios ao órgão jurisdicional para o julgamento da causa. Pode ser pessoa natural ou jurídica, e até mesmo um órgão ou entidade sem personalidade jurídica (art. 138). Exige a lei, para que se possa intervir como amicus curiae, que esteja presente a representatividade adequada, isto é, deve o amicus curiae ser alguém capaz de representar, de forma adequada, o interesse que busca ver protegido no processo.
Ainda na intenção de definir o significado do Amicus Curiae, Câmara (2017, p. 100) acrescenta:
Registre-se, aqui, então, um ponto relevante: o amicus curiae não é um “terceiro imparcial”, como é o Ministério Público que intervém como fiscal da ordem jurídica. O amicus curiae é um sujeito parcial, que tem por objetivo ver um interesse (que sustenta) tutelado. Dito de outro modo, ao amicus curiae interessa que uma das partes saia vencedora na causa, e fornecerá ao órgão jurisdicional elementos que evidentemente se destinam a ver essa parte obter resultado favorável.
No que diz também respeito à delimitação do significado do Amicus Curiae, Câmara (2017, p. 102) remata:
[...] o próprio CPC prevê a atuação de amici curiae no incidente de arguição de inconstitucionalidade (art. 947), no incidente de resolução de demandas repetitivas (art. 980) e nos recursos especiais e extraordinários repetitivos (art. 1.035, § 2o). É que em todos esses casos a decisão a ser proferida terá eficácia vinculante, o que exige – como requisito da legitimação constitucional de tais decisões e de sua eficácia – um contraditório ampliado, fruto da possível participação de todos os setores da sociedade e do Estado que podem vir a ser alcançados. Pois o instrumento capaz de viabilizar essa ampliação do contraditório é, precisamente, o amicus curiae. (grifo nosso)
Em relação à diferença entre Amicus Curiae e Assistente Simples, Câmara (2017, p. 100) esclarece:
O que o distingue do assistente (que também intervém por ter interesse em que uma das partes obtenha sentença favorável) é a natureza do interesse que legitima a intervenção. [...] o assistente é titular da própria relação jurídica deduzida no processo ou de uma relação jurídica a ela vinculada. O amicus curiae não é sujeito de qualquer dessas relações jurídicas (e, por isso, não pode ser assistente). O que legitima a intervenção do amicus curiae é um interesse que se pode qualificar como institucional. Explique-se: há pessoas e entidades que defendem institucionalmente certos interesses. [...] Pois pessoas assim – que não estariam legitimadas a intervir como assistentes – têm muito a contribuir para o debate que se trava no processo. Devem, então, ser admitidas como amici curiae.
Ainda sobre a diferença entre Assistente e Amicus Curiae, Câmara (2017, p. 101-102) continua:
Veem-se, então, duas grandes diferenças entre a atuação do assistente e a do amicus curiae: enquanto o assistente pode recorrer de todas as decisões judiciais, o amicus curiae tem severas limitações recursais. Além disso, o assistente tem [quase] os mesmos poderes processuais que o assistido, enquanto o amicus curiae só tem os poderes que a decisão que admite sua intervenção lhe outorgar. (grifo nosso)
Citando Cassio Scarpinella Bueno, Gonçalves (2017, p. 337) apresenta a justificativa para o ingresso do Amicus Curiae em uma demanda:
“O que enseja a intervenção desse ‘terceiro’ em processo alheio é a circunstância de ser ele, de acordo com o direito material, um legítimo portador de um ‘interesse institucional’, assim entendido aquele interesse que ultrapassa a esfera jurídica de um indivíduo e que, por isso mesmo, é um interesse metaindividual. Um tal ‘interesse institucional’ autoriza o ingresso do ‘amicus curiae’ em processoalheio para que a decisão a ser proferida pelo magistrado leve adequada e suficientemente em consideração as informações disponíveis sobre os impactos e os contornos do que lhe foi apresentado para discussão”.
Para que um terceiro intervenha em uma demanda, Gonçalves (2017, p. 338) esclarece que alguns requisitos hão de ser preenchidos:
a) que seja terceiro, não se podendo admitir quem a qualquer título já integra a lide;
b) pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada: o art. 138, caput, afasta qualquer dúvida que pudesse ainda haver a respeito da possibilidade de a pessoa natural ser admitida com amicus curiae;
c) a representatividade adequada: é preciso que fique evidenciado o interesse institucional, do qual o amicus curiae seja portador, e a relação desse interesse com o objeto do processo.
No que tange à representatividade adequada, válida a menção ao enunciado de número 127 do FPPC (2017, p. 23): “(art. 138) A representatividade adequada exigida do amicus curiae não pressupõe a concordância unânime daqueles a quem representa”. (Grupo: Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros).
Sobre a admissão do Amicus Curiae, Neves (2017, p. 373) pondera:
Para parcela da doutrina, os colegitimados serão sempre admitidos como amicus curiae com o que não concordo porque em meu entendimento esses sujeitos são litisconsortes ulteriores, o que parece ter sido confirmado pelo art. 12-E, § 1º, da Lei 9.868/1999. De qualquer forma, é interessante a utilização dos critérios exigidos pelo Supremo Tribunal Federal para legitimar os sujeitos previstos pelo art. 103 da CF à propositura da ação para definir-se a representatividade dos terceiros que postulam o ingresso no processo como amicus curiae em referidas ações.
A esse respeito, Neves (2017, p. 374) acrescenta:
O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de decidir que a mera presença do sujeito em muitas ações em que se discuta o mesmo tema versado no recurso representativo não é o suficiente para justificar a intervenção da parte como amicus curiae.
Há quem levante dúvida sobre se não seria o amicus curiae em verdade auxiliares da justiça (nesse sentido Gonçalves, 2017, p. 337). Essa questão o próprio CPC de 2015 pacificou ao o prever expressamente como intervenção de terceiros. Para Câmara (2017, p. 101) “[...] isto se justifica em razão do perfil que o amicus curiae veio, ao longo do tempo, passando a ter no direito brasileiro”.
Sobre a posição processual que assume o Amicus Curiae, válida a explanação promovida por Neves (2017, p. 372-373):
No tratamento especifico do terceiro ora tratado, existe corrente doutrinária que entende serem inconfundíveis a figura do amicus curiae e as hipóteses de intervenções de terceiro, devendo ser o primeiro considerado um mero auxiliar do juízo, em figura muito mais próxima do perito do que de um terceiro interveniente. Para outros, apesar das especificidades, trata-se de um terceiro interveniente atípico, admitido no processo como parte não para defender interesse próprio ou alheio, mas ara contribuir com a qualidade da prestação jurisdicional.
Conforme já afirmado, tudo dependerá da elasticidade que se pretenda atribuir ao termo "atípico", mas em meu entendimento a existência do interesse institucional que justifica a participação do amicus curiae o diferencia de forma substancial do mero auxiliar do juiz, tal qual o perito, o intérprete ou o tradutor. Ainda que substancialmente diferente dos terceiros intervenientes tradicionais, prefiro o entendimento de que a intervenção ora analisada é uma espécie diferenciada de intervenção de terceiro tendo como principal consequência a atribuição da natureza jurídica de parte após sua admissão no processo. (grifo nosso)
Sobre a questão da natureza da intervenção do Amicus Curiae, se parte ou auxiliar da justiça, Didier (2017, p. 591) esclarece:
O CPC tomou partido de uma discussão doutrinária: a intervenção de amicus curiae é uma intervenção de terceiro. Assim, o amicus curiae vira parte [do processo]; a ele, por exemplo, não se aplicam as regras sobre suspeição ou impedimento, aplicáveis aos auxiliares da justiça. Atuará, em juízo, na defesa dos interesses que patrocina. Nada obstante, e um tanto quanto paradoxalmente, determina o CPC que essa intervenção não implica alteração de competência em razão da pessoa (art. 138, § 1 º,CPC).
Para Câmara (2017, p. 101)
Trata-se de uma intervenção que pode ser voluntária (já que, nos termos do art. 138, aquele que pretenda manifestar-se como amicus curiae pode requerer seu ingresso no processo) ou forçada [...]. Isto, por si só, já é suficiente para diferenciá-la de todas as demais modalidades de intervenção de terceiros.
Nesse sentido o enunciado número 388 da Carta de Florianópolis do FPPC (2017, p. 51) diz o seguinte: “(arts. 119 e 138) O assistente simples pode requerer a intervenção de amicus curiae”.
Gonçalves (2017, p. 339) destaca a possibilidade de o Amicus Curiae comparecer ao processo por iniciativa de ofício do magistrado ou tribunal:
As particularidades do amicus curiae e de sua posição no processo explicam porque se trata da única forma de intervenção de terceiros que pode ser determinada pelo juiz ou tribunal de ofício. As outras, examinadas anteriormente, ou eram provocadas por alguma das partes, ou decorriam de requerimento voluntário do próprio terceiro. A intervenção do amicus curiae pode ser determinada de ofício. Mas também pode ser requerida pelas partes ou pelo próprio terceiro, que queira intervir nessa qualidade, demonstrando que preenche os requisitos do art. 138, caput. (com grifo no original)
Gonçalves (2017, p. 338) traz o detalhamento dos requisitos (são alternativos, basta um deles), contantes do artigo 138 caput, relativos ao tipo da demanda em que o Amicus Curiae poderá intervir:
a) a relevância da matéria: a lei faz uso de termo vago, que se assemelha àquele exigido para que haja repercussão geral. O art. 1.035, § 5º, reconhece a repercussão geral das causas que tenham relevância do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico. A primeira hipótese que justifica a intervenção do amicus curiae é justamente a relevância, que pode ser também econômica, política, social ou jurídica. O que sobreleva é que a questão discutida transcenda o mero interesse individual das partes, para que se justifique a manifestação de um terceiro, que é portador de um interesse institucional;
b) a especificidade do tema objeto da demanda: é possível que o objeto da demanda exija conhecimentos particulares, específicos, que justifiquem a intervenção do amicus curiae. Aqui também ele intervirá como portador de um interesse institucional, quando a questão discutida, ainda que específica, transcenda o interesse das partes, sem o que não se justifica a intervenção;
c) a repercussão social da controvérsia: Essa hipótese mantém vinculação com as anteriores, sobretudo com a primeira, já que não pode ser considerada irrelevante uma controvérsia que tenha repercussão social. É preciso que essa repercussão mobilize um interesse institucional, do qual o amicus curiae seja portador.
Ainda no que diz respeito aos requisitos, no sentido de convalidar a expressão “ou” contida no caput do artigo 138 do Novo CPC, o enunciado de número 395 do FPPC (2017, p. 52) diz: “(art. 138, caput) Os requisitos objetivos exigidos para a intervenção do amicus curiae são alternativos. (Grupo: Litisconsórcio e intervenção de terceiros)”.
Sobre o procedimento e sobre os poderes do Amicus Curiae, Câmara (2017, p. 101) diz:
Uma vez determinada a intervenção do amicus curiae (de ofício ou por ter sido deferido requerimento formulado por alguma das partes ou pelo próprio terceiro que pretende intervir), deverá o interveniente ser intimado para manifestar-se no prazo de quinze dias (art. 138). Essa intervenção não implica alteração de competência (o que significa dizer, por exemplo, que a intervenção da União como amicus curiae em um processo que tramite perante a Justiça Estadual não o transfere para a JustiçaFederal) nem autoriza a interposição, pelo amicus curiae, de recursos (ressalvados os embargos de declaração e o recurso contra a decisão que julga o incidente de resolução de demandas repetitivas, nos termos do art. 138, §§ 1o e 3o, bem assim da decisão que julga recursos repetitivos [...]. (grifos nossos)
Esse último poder do Amicus Curiae, é convalidado pelo enunciado de número 391 do FPPC (2017, p. 52): “(art. 138, §3º) O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar recursos repetitivos. (Grupos: Litisconsórcio e intervenção de terceiros; Precedentes, IRDR, Recursos Repetitivos e Assunção de competência)”.
Medina (2017, p. 216-217) traz algumas orientações dos tribunais sobre os poderes conferidos ao Amicus Curiae:
O STF decidiu que o amicus curiae não dispõe de poderes inerentes às partes (como, por exemplo, o de delimitar o objeto da demanda); não obstante, admitiu a possibilidade de fazer sustentações orais, de propor a requisição de informações adicionais, de designação de peritos, de convocação de audiências públicas, bem como de recorrer da decisão que haja denegado seu pedido de admissão no processo (STF, ADPF 187/DF, rel. Min. Celso de Mello, j. 15.06.2011), orientação que nos parece acertada.
[...]
O STJ decidiu, antes do CPC/2015, que o amicus curiae não tem legitimidade para recorrer (STJ, EDcl no REsp 1.110.549/RS, 2.ª S., j. 14.04.2010, rel. Min. Sidnei Beneti), salvo da decisão que não o admita como tal no processo (STJ, EDcl no REsp 1.143.677/RS, Corte Especial, j. 29.06.2010, rel. Min. Luiz Fux). De acordo com o CPC/2015, o amicus curiae pode opor embargos de declaração e recorrer da decisão que julga o incidente de resolução de demandas repetitivas (cf. §§ 1.º e 3.º do art. 138 do CPC/2015).
Ainda no que toca aos recursos manejáveis relativos à participação do Amicus Curiae, Câmara (2017, p. 101) acrescenta:
É recorrível [...] a decisão que indefere a intervenção do amicus curiae (art. 1.015, IX), caso em que caberá agravo de instrumento (mas não a que a defere ou determina, nos termos expressos no caput do art. 138). Assim, o terceiro que requer sua admissão no processo como amicus curiae poderá recorrer da decisão que indefere seu ingresso (assim como poderia recorrer a parte que tivesse requerido a intervenção do amicus curiae) [...]
No entanto, a respeito da decisão que indefere a intervenção do amicus curiae, Neves (2017, p. 375) alerta:
[...] se o Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento de que o amicus curiae não é um terceiro interveniente, dificilmente será aceita a aplicação do art. 1.015, IX, do Novo CPC na hipótese ora analisada. Afinal, a natureza jurídica do fenômeno processual deve prevalecer ao caráter topológico de sua previsão legal.
Câmara (2017, p. 101) traz interessante novidade sobre os poderes possíveis de serem concedidos ao Amicus Curiae:
Incumbe ao juiz ou relator, na decisão que admitir ou determinar a intervenção do amicus curiae, definir quais serão seus poderes processuais. Cabe ao magistrado, então, a decisão acerca da possibilidade de o amicus curiae ir além da mera apresentação de uma petição com os elementos que possa oferecer ao juízo (que, na tradição do direito norte-americano, onde o amicus curiae é há muito admitido, se chama amicus curiae brief). É possível, por exemplo, o magistrado estabelecer que o amicus curiae poderá juntar documentos, elaborar quesitos para serem respondidos por peritos, fazer sustentação oral perante o tribunal, participar de audiências públicas etc. (grifos nossos)
Nos processos que tramitam no STF, o amicus curiae pode fazer sustentação oral. Em regra, o amicus curiae dispõe de 15 minutos para a sustentação oral no STF. Se houver mais de um amicus curiae, o prazo para sustentação oral no STF será o mesmo? NÃO. Havendo mais de um amicus curiae, o STF adota a seguinte sistemática: o prazo é duplicado e dividido entre eles. Assim, em vez de 15, os amici curiae (plural de amicus curiae) terão 30 minutos, que deverão ser divididos entre eles. Dessa forma, se são três amici curiae para fazer sustentação oral, o prazo deverá ser considerado em dobro, ou seja, 30 minutos, devendo ser dividido pelo número de sustentações orais. Logo, cada um deles terá 10 minutos para manifestação na tribuna. STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 4/5/2017 (Info 863).
A respeito do Amicus Curiae, são também os enunciados de número 128 e 249 do FPPC, trazidos por Medina (2016, p. 213):
128. (art. 138; art. 489, § 1º, IV) No processo em que há intervenção do amicus curiae, a decisão deve enfrentar as alegações por ele apresentadas, nos termos do inciso IV do § 1º do art. 489. (Grupo: Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros)
249. (art. 138) A intervenção do amicus curiae é cabível no mandado de segurança. (Grupo: Impactos do CPC nos Juizados e nos procedimentos especiais de legislação extravagante)
Além desses, podem ser mencionados os seguintes enunciados do FPPC (2017, p. 52):
392. (arts. 138 e 190) As partes não podem estabelecer, em convenção processual, a vedação da participação do amicus curiae. (Grupo: Litisconsórcio e intervenção de terceiros)
393. (arts. 138, 926, §1º, e 927, §2º) É cabível a intervenção de amicus curiae no procedimento de edição, revisão e cancelamento de enunciados de súmula pelos tribunais. (Grupo: Litisconsórcio e intervenção de terceiros)
394. (art. 138, § 1º; art. 489, §1º, IV; art. 1022, II; art. 10) As partes podem opor embargos de declaração para corrigir vício da decisão relativo aos argumentos trazidos pelo amicus curiae. (Grupo: Litisconsórcio e intervenção de terceiros)
Para finalizar, Gonçalves (2017, p. 339-344) sintetiza as peculiaridades sobre a intervenção do Amicus Curiae da seguinte forma:
QUEM PODE REQUERER: O terceiro que, não sendo titular de interesse próprio, discutido no processo, mas seja portador de um interesse institucional, poderá manifestar-se, trazendo ao julgador informações relativas à questão jurídica discutida, no sentido de se aprimorar o julgamento.
A INICIATIVA DA INTERVENÇÃO: Pode ser determinada de ofício pelo juiz, requerida por qualquer das partes, ou determinada a pedido do próprio terceiro.
CABIMENTO: Cabe em razão da relevância da matéria discutida, da especificidade do tema objeto da demanda ou da repercussão social da controvérsia, quando se queira aprimorar o julgamento, colhendo manifestação de portador de interesse institucional, com representatividade adequada.
EFEITOS: O amicus curiae emitirá uma manifestação ou opinará a respeito da questão jurídica posta em juízo e da repercussão sobre o interesse institucional de que ele é portador para que o julgador tenha mais elementos sobre o tema no momento de julgar.
PARTICULARIDADES: É forma de intervenção de terceiros muito particular, porque o terceiro não figurará como parte nem como auxiliar da parte, mas como auxiliar do juízo [entendimento polêmico, sendo que para Neves (2017, p. 375) é o entendimento do STF – informativo 772/14, apesar de isso não estar expresso no informativo]. Por isso, sua intervenção fica limitada à emissão de manifestação ou opinião sobre determinada questão jurídica que lhe é apresentada.
PROCEDIMENTO: O juiz de ofício ou a requerimento das partes ou do terceiro admitirá a intervenção por decisão irrecorrível e intimará o amicus curiae a manifestar-se, definindo os seus poderes. O amicus curiae não pode recorrer, exceto para opor embargos de declaração, ou contra decisão que julgar incidente de resolução de demandas repetitivas.
Amicu Curiae e Custos Vulnerabilis (info 891)
Em que consiste o custos vulnerabilis?
Custos vulnerabilis significa “guardiã dos vulneráveis”. Enquanto o Ministério Público atua como custos legis (fiscal ou guardião da ordem jurídica), a Defensoria Pública possui a função de custos vulnerabilis.
Assim, segundo a tese da Instituição, em todo e qualquer processo onde se discuta interesses dos vulneráveis seria possível a intervenção da Defensoria Pública, independentemente de haver ou não advogadoparticular constituído.
Quando a Defensoria Pública atua como custos vulnerabilis, a sua participação processual ocorre não como representante da parte em juízo, mas sim como protetor dos interesses dos necessitados em geral.
No âmbito das execuções penais, a Defensoria Pública argumenta que, desde 2010, existe previsão expressa na Lei nº 7.210/84 autorizando a intervenção da Instituição como custos vulnerabilis:
Art. 81-A. A Defensoria Pública velará pela regular execução da pena e da medida de segurança, oficiando, no processo executivo e nos incidentes da execução, para a defesa dos necessitados em todos os graus e instâncias, de forma individual e coletiva. (Incluído pela Lei nº 12.313/2010).
No âmbito cível, especificamente no caso das ações possessórias, o art. 554, § 1º do CPC é exemplo de intervenção custos vulnerabilis:
Art. 554. (...)
§ 1º No caso de ação possessória em que figure no polo passivo grande número de pessoas, serão feitas a citação pessoal dos ocupantes que forem encontrados no local e a citação por edital dos demais, determinando-se, ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em situação de hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública.
Vale ressaltar que as duas previsões acima são exemplificativas, admitindo-se a intervenção defensoral como custos vulnerabilis em outras hipóteses. A Defensoria Pública defende, inclusive, que essa intervenção pode ocorrer mesmo em casos nos quais não há vulnerabilidade econômica, mas sim vulnerabilidade social, técnica, informacional, jurídica. É o caso, por exemplo, dos consumidores, das crianças e adolescentes, dos idosos, dos indígenas etc. Veja o que diz o ECA: Art. 141. É garantido o acesso de toda criança ou adolescente à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos.
Assim, nos casos de outras espécies de vulnerabilidades, não importa se estamos tratando de pessoas economicamente necessitadas. As outras formas de vulnerabilidades já justificariam a intervenção do órgão na causa.
Como é a atuação do custos vulnerabilis?
A intervenção defensorial custos vulnerabilis tem o objetivo de trazer para os autos argumentos, documentos e outras informações que reflitam o ponto de vista das pessoas vulneráveis, permitindo que o juiz ou tribunal tenha mais subsídios para decidir a causa. É uma atuação da Defensoria Pública para que a voz dos vulneráveis seja amplificada. Em sentido semelhante: ROCHA, Jorge Bheron. A Defensoria como custös vulnerabilis e a advocacia privada. Disponível em https://www.conjur.com.br/2017-mai-23/tribuna-defensoria-defensoria-custos-vulnerabilis-advocacia-privada
O custos vulnerabilis é o mesmo que amicus curiae?
Ainda não há muito escrito sobre o tema, no entanto, a tese institucional da Defensoria Pública é a de que não.
Vejamos as principais diferenças:
	Amicus curiae
	Custos vulnerabilis
	Pode intervir como amicus curiae qualquer pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada.
	Somente a Defensoria Pública pode intervir como custos vulnerabilis.
	Em regra, admite-se a intervenção do amicus curiae em qualquer tipo de processo, desde que:
a) a causa tenha relevância; e
b) a pessoa tenha capacidade de oferecer contribuição ao processo.
	Admite-se a intervenção do custos vulnerabilis em qualquer processo no qual estejam sendo discutidos interesses de vulneráveis.
	Em regra, o amicus curiae não pode recorrer.
Exceção 1: o amicus curiae pode opor embargos de declaração em qualquer processo que intervir (art. 138, § 1º do CPC/2015).
Exceção 2: o amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas (art. 138, § 3º do CPC/2015).
	O custos vulnerabilis pode interpor qualquer espécie de recurso.
No HC 143641/SP (HC coletivo em favor das mulheres presas), várias Defensorias Públicas ingressaram com pedidos para intervir como custos vulnerabilis. Subsidiariamente, pediram a intervenção como amicus curiae. O que o STF decidiu?
O Ministro Relator Ricardo Lewandowski, monocraticamente, admitiu a intervenção das Defensorias Públicas na qualidade de amicus curiae.
No despacho, o Ministro não enfrentou a temática acerca do custos vulnerabilis, tendo simplesmente admitido a intervenção de todos os postulantes como amici curiae (plural de amicus curiae). Veja:
“Defiro o ingresso, como amici curiae, do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), o Instituto Terra Trabalho e Cidadania (ITTC) e a Pastoral Carcerária Nacional, bem como de todas as Defensorias Estaduais que vierem a requerer sua admissão nos autos. Anote-se.”
Particularidades da Intervenção de Terceiros
Modalidades de intervenção de terceiros previstas no CPC de 1973 e não previstas no CPC de 2015 – Oposição e Nomeação à Autoria
Eram previstas pelo CC de 1973, como formas típicas de intervenção de terceiros a Oposição e a Nomeação à Autoria. O novo CPC não as prevê mais no capítulo referente às intervenções de terceiros. No entanto, essas figuras processuais mantém-se presentes ainda no processo civil, com as alterações advindas do novo diploma processual, conforme pode ser observado nos artigos 338 e 339 do CPC de 2015.
No tocante à Nomeação à Autoria, Neves (2017, p. 88), ao fazer um questionamento à exceção ao princípio da inevitabilidade, diz o seguinte:
Esse princípio da inevitabilidade, entretanto, e por incrível que possa parecer, tinha no CPC/1973 uma exceção. Tratava-se da previsão contida no art. 67, que permitia ao terceiro, quando citado em razão de sua nomeação à autoria, simplesmente recusar a sua qualidade de parte, negando-se pura e simplesmente, por sua própria vontade, a integrar a relação jurídica processual. Ao rejeitar a sua integração ao processo, mesmo tendo sido citado, o nomeado à autoria, por sua própria opção, se excluía dos efeitos da jurisdição a serem gerados pela decisão judicial em processo do qual não participará.
Felizmente, os arts. 338 e 339 do Novo CPC afastaram essa verdadeira aberração jurídica, passando a prever que alegada a ilegitimidade passiva pelo réu, e com ela concordando o autor, o terceiro indicado automaticamente se torna réu, voltando a citação a ser uma ordem de integração ao processo e não um mero convite.
Assim, deixa de existir a Nomeação à Autoria e em seu lugar surge o incidente de substituição do réu que traz em si o dever do réu de indicar seu substituto, caso tenha conhecimento. No que diz respeito à alegação de ilegitimidade, Didier (2017, p. 594) ainda entende que se trata de uma modalidade de intervenção de terceiros relacionadas com a resposta do réu, conforme segue:
Há três outras espécies de intervenção de terceiro que podem surgir da resposta do réu. A primeira delas permite a substituição do réu na hipótese do art. 338. A segunda permite a substituição do réu ou a ampliação do polo passivo do processo, na hipótese do art. 339. A terceira promove uma ampliação subjetiva do processo nos casos em que a reconvenção é proposta em litisconsórcio com um terceiro ou proposta em face do autor e um terceiro (art. 343, §§ 3º e 4º, CPC). (grifos nossos)
Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu.
Parágrafo único. Realizada a substituição, o autor reembolsará as despesas e pagará os honorários ao procurador do réu excluído, que serão fixados entre três e cinco por cento do valor da causa ou, sendo este irrisório, nos termos do art. 85, § 8o.
Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
§ 1o O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da petição inicial paraa substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338.
§ 2o No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu.
[...]
Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa.
§ 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias.
§ 2o A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção.
§ 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro.
§ 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro.
Segundo Didier (2017, p. 731)
As regras decorrentes dos arts. 338 e 339 do CPC aplicam-se a qualquer procedimento, mesmo os especiais e aqueles que não admitem intervenção de terceiro, pois é medida saneadora e preocupada com a duração razoável do processo.
O mesmo Didier (2017, p. 730) esclarece o que diz o artigo 338 do CPC de 2015:
A alegação de ilegitimidade passiva, formulada pelo réu em sua defesa, confere ao autor o direito de, no prazo de quinze dias, pedir a alteração da petição inicial para a substituição do réu (art. 338, caput, CPC). Realizada a substituição, o autor reembolsará as despesas e pagará honorários ao procurador do réu excluído, que serão fixados entre três e cinco por cento do valor da causa ou, sendo este irrisório, nos termos do art. 85, § 8º, CPC (art. 338, par. ún., CPC). (grifo nosso)
No que diz respeito do artigo 339 que trata da indicação para substituição ou ampliação do polo passivo, Didier (2017, p. 731) esclarece:
Há situações, porém, em que o réu que alegar a sua ilegitimidade tem o dever de indicar o legitimado passivo. São os casos em que, pelas circunstâncias do caso, o réu tem conhecimento de quem seja o legitimado passivo (art. 339, caput, CPC). (grifos nossos)
Se o réu não cumprir esse dever, arcará com as despesas processuais e indenizará o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação - a responsabilidade civil, no caso, é subjetiva. (grifo nosso)
Aceita a indicação pelo autor este, no prazo de quinze dias, procederá à alteração da petição inicial para a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338, que foi examinado linhas atrás (art. 339, § 1º, CPC). No prazo de quinze dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu: em vez de pedir a substituição do réu, o autor pode pedir a ampliação do polo passivo da demanda. O autor tem o direito de optar por substituir o réu ou ampliar o polo passivo; não há necessidade de consentimento do réu originário. (grifos nossos)
Sobre a questão da ilegitimidade do réu, Câmara (2017, p. 186) diz o seguinte:
Caso o réu alegue sua própria ilegitimidade (ilegitimidade passiva, portanto), incumbe-lhe indicar – desde que tenha conhecimento, claro – quem reputa ser o legitimado, sob pena de arcar com as despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação (art. 339). Tem-se, aí, uma espécie de nomeação à autoria (embora a lei processual não empregue esta denominação, a qual encontra suas origens na nominatio auctoris do Direito romano), criando a lei para o réu o dever jurídico de, sempre que alegar sua ilegitimidade passiva, indicar o nome do verdadeiro responsável, sob pena de responder por perdas e danos. Caso o réu não saiba quem é o verdadeiro responsável, terá de declarar expressamente esse desconhecimento, a fim de liberar-se da obrigação de reparar o dano do autor (e, por força dos princípios da cooperação e da boa-fé, deve-se considerar que não basta a mera declaração do réu de que não conhece o verdadeiro legitimado e, caso fique provado que ele tinha esse conhecimento, deverá ele responder por perdas e danos e pelas despesas processuais). (grifos nossos)
Realizada a alegação de ilegitimidade, Câmara (2017, p. 186) aponta quais são os procedimentos que podem ser tomados pelo autor da demanda:
Havendo na contestação a alegação de ilegitimidade passiva com a nomeação daquele que o réu aponta como sendo o verdadeiro responsável, o autor poderá ter três diferentes atitudes. Pode ele, em primeiro lugar, não aceitar a alegação, caso em que o processo seguirá contra o réu original. Pode, ainda, o autor aceitar a indicação e alterar a petição inicial para dirigir sua demanda ao nomeado, dispondo do prazo de quinze dias para fazê-lo (art. 338). Neste caso, o autor deverá reembolsar as custas que o réu original eventualmente tenha despendido, além de pagar honorários advocatícios fixados entre três e cinco por cento do valor da causa ou, sendo este irrisório, por equidade (art. 338, parágrafo único). Por fim, pode o autor optar por alterar a petição inicial (sempre respeitado o prazo de quinze dias) para incluir no processo o nomeado, o que acarretará a formação de um litisconsórcio passivo ulterior (art. 339, § 2o).
Sobre a questão da ilegitimidade passiva, há vários enunciados da FPPC, dentre os quais (2017, pp. 13, 26, 41, 65):
42. (art. 339) O dispositivo aplica-se mesmo a procedimentos especiais que não admitem intervenção de terceiros, bem como aos juizados especiais cíveis, pois se trata de mecanismo saneador, que excepciona a estabilização do processo. (Grupo: Litisconsórcio, Intervenção de Terceiros e Resposta do Réu)
[...]
44. (art. 339) A responsabilidade a que se refere o art. 339 é subjetiva. (Grupo: Litisconsórcio, Intervenção de Terceiros e Resposta do Réu)
[...]
152. (arts. 338, caput; 339, §§ 1º e 2º; 350 e 351) O autor terá prazo único para requerer a substituição ou inclusão de réu (arts. 338, caput; 339, §§ 1º e 2º), bem como para a manifestação sobre a resposta (arts. 350 e 351). (Grupo: Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros; redação revista no VII FPPC-São Paulo e no VIII FPPC-Florianópolis)
[...]
296. (arts. 338 e 339) Quando conhecer liminarmente e de ofício a ilegitimidade passiva, o juiz facultará ao autor a alteração da petição inicial, para substituição do réu, nos termos dos arts. 339 e 340, sem ônus sucumbenciais. (Grupo: Petição inicial, resposta do réu e saneamento)
[...]
511. (art. 338, caput; art. 339; Lei n. 12.016/2009) - A técnica processual prevista nos arts. 338 e 339 pode ser usada, no que couber, para possibilitar a correção da autoridade coatora, bem como da pessoa jurídica, no processo de mandado de segurança. (Grupo: Impacto do novo CPC e os processos da Fazenda Pública)
No que toca à Oposição, houve apenas uma migração, sendo que a ação antes era enquadrada como intervenção de terceiros e, no Novo CPC, aparece como procedimento especial, que vem tratado nos artigos 682 a 686 da norma processual de 2015.
A definição de oposição é muito bem esplanada por Marinoni et. al. (2017, p. 173), da seguinte forma:
A função da oposição vem claramente estabelecida pelo art. 682 do CPC, servindo para veicular o pedido daquele que pretende, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu. A intenção da oposição, portanto, é a de excluir as “pretensões” dos autor e réu da demanda original, fazendo prevalecer seu interesse sobre o bem ou direito objeto daquela demanda. Trata-se da situação daquele que entende que nenhum dos sujeitos da primeira relação processual tem razão quanto à demanda, de modo a concluir que o interesse ali discutido na realidade lhe pertence. Essa é a tônica da oposição e é também sua função: acoplar ao processo instaurado outro processo, conexo ao primeiro, em que esse terceiro sujeito pretende, da mesma forma como fez o autor do primeiro processo, a coisa ou o direito objeto deste. (grifo nosso)
De maneira mais sucinta, Gonçalves (2017, p. 807) define a oposição: “A oposição consiste em nova ação, que o terceiro ajuíza em face das partes origináriasdo processo. Pressupõe que o terceiro formule pretensão sobre o mesmo objeto já disputado entre as partes”.
De acordo com Marinoni et. al. (2017, p. 173) esclarecem o papel da oposição no atual diploma processual:
Na vigência do Código de Processo Civil de 1973, a oposição era tratada como modalidade de intervenção de terceiro, ainda que sua inclusão nessa categoria fosse amplamente criticada pela doutrina. De fato, a oposição jamais poderia ser qualificada como uma intervenção de terceiro – realizada no processo – na medida em que o opoente, quando participa do processo, formula ação própria, tendente a excluir a pretensão dos sujeitos iniciais sobre o objeto litigioso do processo. Ora, quem formula ação no processo jamais pode ser considerado como terceiro, exercendo o opoente, portanto, nítido papel de parte. (grifo nosso)
O Código de Processo Civil atual, assim, restaurou o regime adequado, concebendo a oposição como uma ação autônoma, ainda que vinculada a outra causa. Haverá, entre a ação original e a oposição, uma relação de subordinação legal, em que a lei estabelece uma relação de prejudicialidade entre a oposição e a ação “principal” (art. 686 do CPC). (grifo nosso)
Enfim, trata-se de hipótese especial de conexão de causas, que não implica apenas a reunião dos processos para julgamento por um só juízo, mas impõe, em princípio, uma tramitação simultânea dos processos e pode gerar, como dito, uma relação de prejudicialidade entre as causas.
Sobre os procedimento em que é cabível a oposição, Gonçalves (2017, p. 811) esclarece:
Só cabe oposição em processo de conhecimento, de procedimento comum ou de procedimento especial que se converta em comum após a citação do réu. Não cabe em processos de execução, ou de conhecimento que tenha procedimento especial e que assim prossiga após a citação.
Sobre a atitude a ser tomada pelo eventual opoente, Marinoni et. al. (2017, p. 173) esclarecem:
Note-se que, na condição de terceiro em relação aos sujeitos do primeiro processo, pode o opoente simplesmente optar por não tomar providência nenhuma à vista do conflito entre autor e réu desta demanda original. Tratando-se de terceiro, não está ele sujeito à coisa julgada, de modo que se a sentença deste processo, ao final, lhe for prejudicial, poderá ajuizar demanda (contra o vencedor daquele primeiro feito), a fim de livrar-se dos efeitos que lhe sejam indesejáveis. Todavia, por razões exclusivas de conveniência, e em prestígio à economia processual, a oposição é o meio mais adequado para a solução do conflito, permitindo que também essa pretensão do terceiro seja decidida conjuntamente com o processo já instaurado. (grifo nosso)
Sobre os requisitos da oposição, cabe destacar que, para a sua propositura, são necessários os seguintes, na visão de Marinoni et. al. (2017, p. 174):
Em primeiro lugar, é necessário que haja um processo judicial já instaurado, em que se discuta sobre coisa ou direito que seja de interesse do opoente [...] Também não é suficiente para o cabimento da oposição a existência de discussão extrajudicial entre terceiros, a respeito de determinado bem ou direito.
A par disso, é fundamental que este processo ainda esteja em curso. Se o processo já foi concluído, então o interessado em deduzir oposição deverá propor uma demanda comum, em face do ganhador do primeiro processo, para fazer prevalecer seu interesse sobre aquele reconhecido judicialmente. Recorde-se que o interessado na oposição é qualificado como um terceiro em relação a este processo e, por isso, não está sujeito à coisa julgada ali formada (art. 506 do CPC). 
[...]
Também será necessário que esse terceiro (opoente) se afirme titular de uma relação jurídica, em face da coisa ou do direito, incompatível com a relação jurídica objeto do primeiro processo. De fato, se a relação jurídica de que se afirma titular o opoente não é incompatível com aquela adjacente ao primeiro processo, então não há interesse na oposição. Assim, por exemplo, se no primeiro processo se discute a posse sobre certo bem, o terceiro proprietário não tem interesse em, por meio da oposição, tornar certo seu direito ao domínio do bem, já que este sequer é questionado ali.
Como se trata de um novo processo, é válido ressaltar ainda que deve ser observada a presença dos pressupostos processuais e das condições da ação, de forma genérica. Assim, de acordo com Marinoni et. al (2017, p. 174):
Como uma nova ação que é, a oposição deve ser deduzida em petição (inicial), com a observância dos requisitos expressos nos arts. 319 e 320 do CPC, obedecendo, como dito, às condições da ação e aos pressupostos processuais. Deverão figurar como réus na oposição as partes do processo originário.
Sobre a propositura e sobre o procedimento da ação de oposição, Gonçalves (2017, p. 811) acrescenta:
Seja apresentada antes ou depois do início da audiência de instrução, a oposição será distribuída por dependência e autuada em apenso. A inicial deve preencher os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC. O juiz determinará a citação dos opostos, que são os autores e os réus da ação. Apesar do litisconsórcio, em que os procuradores serão diferentes, já que atuam em polos opostos na ação principal, o prazo de contestação é de quinze dias. 
Ainda sobre a propositura da oposição, Gonçalves (2017, p. 807) esclarece:
A oposição é ação em que terceiro deduz uma pretensão que coincide com aquela posta em juízo entre o autor e o réu da demanda principal. O terceiro pretende obter o mesmo bem ou vantagem que já era objeto da disputa inicial. Pressupõe, pois, um objeto litigioso, e, para tanto, é necessário que o réu da ação principal já tenha sido citado: de acordo com o art. 240 do CPC, é a citação válida que faz litigiosa a coisa.
Gonçalves (2017, p. 808) esclarece que nem sempre a pretensão do opoente será idêntica em relação aos litigantes originários ou, melhor exemplificando:
Se C quer a coisa para si, é preciso formular, em relação a B, que tem a coisa, uma pretensão condenatória, pedir que ele seja condenado a entregá-la; já em relação a A, a pretensão não terá essa natureza, porque A não tem a posse, mas apenas uma pretensão a ela. O que C pedirá em relação a A é que o juiz declare [pretensão declaratória, portanto] que ele não tem direito à coisa. (grifos nossos)
Sobre a formação de litisconsórcios entre os litigantes na ação originária, Marinoni et. al. (2017, p. 174) dizem o seguinte:
A oposição, como se vê, exige a formação de um litisconsórcio passivo necessário, a ser formado entre todas as partes do processo originário. Ausente esse litisconsórcio, inviabiliza-se o prosseguimento da causa. Por isso, deve o magistrado determinar a emenda à petição inicial, sob pena de seu indeferimento, nos termos das regras aplicáveis ao procedimento comum. (grifo nosso)
A cumulação subjetiva formada entre as partes do processo primeiro gera um litisconsórcio simples, de modo que – ressalvado em relação a defesas comuns – cada um deles age independentemente, ou seja, os atos de um não prejudicarão o outro. Por isso, prevê o art. 684 do CPC, que, caso um dos litisconsortes passivos (opostos) reconheça a procedência da oposição, o processo deve prosseguir contra o outro. (grifo nosso)
Ainda acerca do litisconsórcio formado na oposição, Neves (2017, p. 1000) busca dar a correta classificação. Trata-se de litisconsórcio:
(a) inicial, porque no momento em que a oposição for proposta já deve estar formado; (grifo nosso)
(b) passivo, porque formado no polo passivo; (grifo nosso)
(c) necessário, porque está previsto expressamente em lei a obrigatoriedade formação - e mesmo que não estivesse é decorrência lógica da oposição, visto opoente pretende obter o bem da vida discutido entre autor e réu do processo já trâmite em que se discute a coisa ou direito que é objeto da oposição; (grifo nosso)
(d) simples, porque o juiz não está obrigado a decidir da mesma forma para ambos os litisconsortes [art. 684 c/c 117 do CPC]. (grifo nosso)
Sobre o procedimento de oposição, Neves (2017, p.1001) diz o seguinte:
A oposição será distribuída por dependência, nos termos do parágrafo único do art. 683 do Novo CPC, sendo a competência do juízo em que tramita o processo que tem como objeto a coisa ou direito pretendido pelo opoente absoluta, de caráter funcional. (grifos nossos)
Ainda sobre o procedimento da oposição, Marinoni et. al. (2017, p. 174-175) dizem:
[...] distribuída a oposição por dependência, deve ela tramitar apensada aos autos do primeiro processo. Recebida a petição inicial, deverão os opostos (autor e réu da primitiva ação) ser citados, para responder à nova ação em prazo comum de quinze dias (art. 683, parágrafo único, do CPC) [não prazo em dobro]. A citação dos réus se dá na pessoa de seus advogados (no processo original). Obviamente, porém, se algum deles não tiver advogado constituído neste primeiro processo, deverá ser citado pessoalmente, na forma comum. (grifos nossos)
A regra se limita a aludir à possibilidade de “contestação” pelos réus. Porém, como é lógico, nada impede que, presentes as condições legais, possam também deduzir reconvenção. (grifos nossos)
Acerca da forma como será feita a citação, Neves (2017, p. 1001) menciona divergência doutrinária a respeito:
Diz o art. 683, parágrafo único, do Novo CPC que os opostos serão citados na pessoa dos seus respectivos advogados, existindo polêmica na doutrina da forma a respeito pela qual essa citação deverá ser realizada. Para parcela da doutrina, a mera publicação no diário oficial do nome dos advogados dos opostos encontra fundamento no princípio da celeridade e economia processual, sendo inegavelmente o meio mais rápido e barato de comunicação, sem grave prejuízo para a segurança jurídica. Para a parcela doutrinária majoritária, apesar de realizada em nome dos advogados não basta uma mera publicação no diário oficial, devendo a citação ser pessoal pelas vias tradicionais de citação (carta AR, oficial, edital, meio eletrônico ). É uníssono o entendimento de que o advogado não precisa ter poderes expressos para receber citação. (grifo nosso)
Sobre o julgamento, questão do artigo 685 do CPC de 2015, Neves (2017, p. 1002) coloca o seguinte entendimento:
O parágrafo único do art. 685 do Novo CPC afasta essa possibilidade de sentenças em momentos distintos, de forma que o julgamento dos dois com o mesmo objeto - o originário e a oposição - será sempre realizado por de uma mesma sentença.
Ainda sobre o julgamento da ação originária e da oposição, Marinoni et. al. (2017, p. 175) acrescentam:
[...] sempre que possível, devem ser julgadas em conjunto (art. 685 do CPC). [...] a leitura do dispositivo mencionado dá a entender que sempre deverá haver o julgamento simultâneo da ação primeira e da oposição. Todavia, o art. 686 desfaz essa impressão, ao afirmar que “cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação originária e a oposição, desta conhecerá em primeiro lugar”. Ou seja, é evidente que poderá haver situações em que o julgamento da ação originária e da oposição não ocorra simultaneamente. (grifos nossos)
A respeito desse assunto, antes mesmo do CPC de 2015, a esse respeito, já decidiu o STJ: “Não configura nulidade apreciar, em sentenças distintas, a ação principal antes da oposição, quando ambas forem julgadas na mesma data, com base nos mesmos elementos de prova e nos mesmos fundamentos.” (STJ. 3a Turma. REsp 1.221.369-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/8/2013).
No que diz respeito ao recurso cabível contra a decisão que resolve a oposição, Neves (2017, p. 1002) afirma o seguinte: “Como a oposição e o processo que tenha como objeto a mesma coisa ou direito pretendido pelo opoente serão necessariamente julgadas pela mesma sentença, não resta dúvida de que o recurso cabível será a apelação” (grifo nosso).
Ainda no que concerne ao julgamento das ações (originária e oposição), acerca dos desfechos possíveis, Gonçalves (2017, p. 809) acrescenta:
O juiz pode julgar procedente a oposição e improcedente a ação originária, caso em que a posse deverá ser entregue ao opoente; pode julgar improcedente a oposição e procedente a ação originária, caso em que a coisa deverá ser entregue ao autor dessa ação [originária]; e, por fim, tanto a oposição quanto a ação podem ser julgadas improcedentes, caso em que o direito à posse será do réu [da ação originária], que já a tinha consigo. Mas não será possível que a oposição e a ação sejam julgadas, ambas, inteiramente procedentes. É admissível, por exemplo, que as duas sejam julgadas parcialmente procedentes, como na hipótese de o opoente e o autor da ação principal serem donos, cada qual, de uma parte ou fração ideal da coisa. (grifos nossos)
Sobre a possibilidade de propositura da oposição mesmo após a sentença, Marinoni et. al. (2017, p. 175) dizem:
[...] mesmo depois de proferida a sentença, é possível o oferecimento de oposição, já que ainda não foi definida a relação entre as partes originárias. Somente com o trânsito em julgado da sentença da ação originária, definida a controvérsia entre essas partes, é que perderá sua função a oposição, já que não haverá mais dois sujeitos litigando sobre direito ou coisa que interessa ao opoente. Neste caso, porém, a oposição assumirá o formato de recurso de terceiro prejudicado (art. 996 do CPC). Nesse caso, se necessário, poderá haver instrução da oposição perante a instância recursal, com posterior julgamento da pretensão do terceiro, juntamente com o recurso de uma das partes se houver, ou de forma autônoma. (grifos nossos)
Ainda no que diz respeito ao momento do ajuizamento da oposição e as atitudes a serem tomadas pelo magistrado, Marinoni et. al. (2017, p. 175) dizem o seguinte:
Se a oposição for ajuizada antes do início da audiência de instrução no processo originário, este deve aguardar até que a oposição chegue no mesmo estágio, prosseguindo a partir daí simultaneamente processo primeiro e oposição, para julgamento conjunto (art. 685, caput). Se, porém, no processo originário, já se tiver iniciado a audiência de instrução, então o juiz deverá determinar a suspensão do “curso do processo ao fim da produção das provas, salvo se concluir que a unidade da instrução melhor atende ao princípio da duração razoável do processo” (art. 685, parágrafo único). Por outras palavras, quando já iniciada a audiência de instrução no processo originário, deve o juiz determinar a paralisação deste, para realizar (na oposição) a produção de provas e, assim, para que os dois processos cheguem no mesmo momento processual, para serem julgados concomitantemente. Todavia, entendendo mais conveniente, poderá o juiz, ao invés de determinar a suspensão da demanda original, impor a instrução conjunta das duas causas (ação primeira e oposição), prosseguindo então para a fase decisória, julgando ambas as demandas. (grifos nossos)
Marinoni et. al. (2017, p. 175) chamam a atenção para a possibilidade de existência de mais de uma oposição simultaneamente, conforme segue:
[...] nada impede a convivência de várias oposições, quando haja mais de um “terceiro” que manifeste interesse sobre o bem ou o direito objeto do processo original. Em tal situação, o regime padrão permanece aplicável, dando-se preferência para a tramitação simultânea de todos esses processos e julgamento conjunto de todas as pretensões. (grifos nossos)
No que diz respeito ao valor da causa, válida a menção ao enunciado de número 178 do FPPC (2017, p. 28):
178 (arts. 554 e 677) O valor da causa nas ações fundadas em posse, tais como as ações possessórias, os embargos de terceiro e a oposição, deve considerar a expressão econômica da posse, que não obrigatoriamente coincide com o valor da propriedade. (Grupo: Procedimentos Especiais).
Para encerrar o tema, no tocante à diferença existente entre a oposição e os embargos de terceiro, Gonçalves (2017, p. 809) esclarece:
Não há como confundir a oposição com os embargos de terceiro. Nestes, um terceiro vai a juízo para postular que seja desconstituída a apreensão de um bem que foi indevidamente realizada, porque a coisa lhepertencia, e não às partes. Nos embargos, o terceiro não entra na disputa pela coisa litigiosa, mas quer tão somente liberar um bem indevidamente apreendido. Não há relação de prejudicialidade entre os embargos e a ação em que o bem foi apreendido, diferentemente do que ocorre na oposição. (grifos nossos).
Também no sentido de distinguir oposição de embargos de terceiros, Medina (2016, p. 932) esclarece:
A oposição atua no plano do processo de conhecimento, não objetivando desconstituir constrições processuais indevidas, mas sim obter declaração de um direito material do opoente e a condenação de um dos opostos. Embora, indiretamente, possa implicar em desconstrição de bens e direitos, não é essa sua finalidade principal.
Finalizando a questão, Neves (2017, p. 999), também tratando da diferença entre oposição e embargos de terceiros, remata da seguinte forma:
[...] diferencia-se da oposição dos embargos de terceiro, não sendo correto o entendimento de que a diferença entre esses dois institutos está na existência de uma constrição judicial ou ameaça, existente somente nos embargos. É correta a afirmação de que só existem embargos de terceiro se houver uma indevida constrição judicial de bem de terceiro, mas a mera existência dessa constrição não é o suficiente para diferenciar os institutos, considerando-se que também é possível existir uma oposição diante de uma constrição judicial. A diferença, na realidade, diz respeito ao objeto desses dois institutos jurídicos: nos embargos de terceiro não interessa ao terceiro o direito material discutido na ação principal, porque para ele é irrelevante ter razão nessa demanda autor ou réu, bastando a demonstração de que a constrição foi realizada indevidamente e que o bem constrito deve ser liberado; já na oposição, o autor terá que discutir o direito material controvertido no processo entre autor e réu, porque será do convencimento de que o direito material não é de um nem do outro, mas seu, que dependerá a vitória do opoente.
Intervenções de Terceiros Típicas e Atípicas
As intervenções de terceiros típicas são aquelas tratadas como intervenção de terceiros pela Lei (NCPC), ou seja, aquelas constantes do Livro III, Capítulo III, do CPC de 2015, quais sejam: a assistência (arts. 119 a 124), a denunciação da lide (arts. 125 a 129), o chamamento ao processo (arts. 130 a 132), o incidente de desconsideração da· personalidade jurídica (arts. 133 a 137) e o amicus curiae (art. 138).
No entanto, Neves (2017, p. 336) esclarece que há outras intervenções previstas em legislação esparsa, a que chama de intervenções atípicas:
[...] nem todas as intervenções encontram sua justificação nessas modalidades típicas de intervenção de terceiro, o que demonstra que o rol legal é meramente exemplificativo. Previsões legais esparsas que permitem a intervenção de um terceiro em processo já em andamento e que não são tipificáveis em nenhuma dessas cinco modalidades, constituem as chamadas intervenções de terceiros atípicas. A definição dessa espécie de intervenção dependerá da amplitude, que se pretenda dar à atipicidade, não existindo unanimidade na doutrina a respeito de quais efetivamente sejam essas intervenções atípicas.
Ainda no tocante às intervenções de terceiros previstas no próprio CPC, Didier (2017, p. 594) destaca a substituição do réu e a indicação do novo réu, figuras que se aproximam e substituíram a nomeação à autoria e a elas acrescenta ainda ampliação subjetiva do processo na reconvenção:
Há três outras espécies de intervenção de terceiro que podem surgir da resposta do réu. A primeira delas permite a substituição do réu na hipótese do art. 338. A segunda permite a substituição do réu ou a ampliação do polo passivo do processo, na hipótese do art. 339. A terceira promove uma ampliação subjetiva do processo nos casos em que a reconvenção é proposta em litisconsórcio com um terceiro ou proposta em face do autor e um terceiro (art. 343, §§ 3º e 4º, CPC).
O mesmo Didier (2017, p. 594-595), ainda no âmbito do CPC, inclui como intervenção de terceiros (atípicas) também as denominadas intervenções iussu iudicis, que seriam intervenções de terceiros determinadas pelo juiz. Seriam intervenções iussu iudici clássicas:
a) a intervenção de amicus curiae, que, como visto, pode ser determinada ex officio;
b) citação do litisconsorte passivo necessário (art. 115, par. ún., CPC). A hipótese não é de litisconsórcio necessário por determinação do juiz: é determinação, pelo juiz, de citação de um litisconsorte necessário, de acordo com os critérios legais que imponham a necessariedade. Se o autor não promover a citação (adiantar o valor das custas, providenciar endereço do réu etc.), o magistrado extinguirá o processo sem resolução do mérito.
c) citação dos interessados na produção antecipada de prova (art. 382, § 12, CPC). Caso o juiz entenda que há algum interessado na prova do fato ou na produção da prova, cuja citação não tenha sido requerida, poderá determiná-la ex officio. Ex: caso de seguradora, em que haverá futura denunciação da lide.
d) pode o juiz determinar a intimação de possível terceiro interessado em opor embargos de terceiro (art. 675, parágrafo único, e art. 792, § 42, CPC).
A hipótese do artigo 75, § 1º, do CPC também pode ser considerada uma intervenção de terceiros provocada (iussu iudice):
Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente:
VII - o espólio, pelo inventariante;
§ 1o Quando o inventariante for dativo, os sucessores do falecido serão intimados no processo no qual o espólio seja parte.
Didier (2017, p. 596-597) traz também intervenções iussu iudici previstas na legislação extravagante:
Há, ainda, algumas regras semelhantes na legislação extravagante: a) na Lei de Ação Popular e na Lei de Improbidade Administrativa, impõe-se a intimação da pessoa jurídica de direito público, cujo ato se questiona, para que assuma a posição de litisconsorte ativa ou passiva, conforme seja o seu interesse; b) no Código de Defesa do Consumidor, prevê-se a intimação das vítimas na ação coletiva proposta para a tutela de direitos individuais homogêneos; c) a intimação do fiador na ação revisional de aluguel, obrigatória para alguns autores; d) a intimação do sublocatário na ação de despejo, obrigatória conforme o § 2º do art. 59 da Lei n. 8.245/1991, que poderá tornar-se assistente tanto do locador quanto do locatário (sublocador). Em todos esses casos, porém, a intervenção é determinada pela lei. 
Não se trata, convém reforçar, de provocação para demandar (provocatio ad agendum): imposição do magistrado para que o terceiro seja demandante. É mera cientificação, para que terceiro assuma a posição no processo de acordo com os seus interesses.
Didier (2017, p. 597-600) traz também intervenção de terceiro prevista pelo artigo 109, inciso I, da Constituição Federal. Tal dispositivo deu origem à lei 9.469/97 que prevê duas modalidades de intervenção para a União e para as pessoas de direito público em seu artigo 5º:
São duas as modalidades interventivas. 
I) O caput do art. 5' da Lei n. 9.469/1997 prevê uma intervenção especial para a União. O dispositivo legitimou a União a intervir de forma ampla em processo alheio, tendo em vista apenas a qualidade das partes em litígio, independentemente da demonstração de juridicidade do interesse que leva à intervenção.
Há presunção legal absoluta do interesse jurídico da União nas causas de que faça parte fundação pública federal, autarquia federal, empresa pública federal ou sociedade de economia mista federal.
lI) A Lei n. 9.649/1997 ainda cria outra modalidade de intervenção de terceiro. 
O parágrafo único do art. SQ criar uma modalidade especial de intervenção de terceiro para todas as pessoas jurídicas de direito público (não somente a União, nem tampouco se restringe às pessoas públicas federais: qualquer uma, inclusive as estaduais e municipais). 
É também intervenção que pode dar-se em qualquer dos paios do processo, a qualquer tempo e grau de jurisdição, sem ampliação do objeto litigioso.Didier (2017, p. 601-603) traz outra espécie de intervenção de terceiros, para a formação de litisconsórcio voluntário ou litisconsórcio facultativo ulterior simples:
Intervenção litisconsorcial voluntária é designação utilizada pela doutrina para referir-se a dois fenômenos bastante distintos: 
a) assistência litisconsorcial, em que o terceiro voluntariamente pede para tornar-se litisconsorte unitário ulterior de alguém, nos casos em que há co legitimação (intervenção do co legitimado); 
b) o litisconsórcio facultativo ulterior ativo simples, em que terceiro ingressa em processo pendente, formulando pedido autônomo para si, semelhante ao que já havia sido formulado.
[...]
A alteração subjetiva do paio ativo do processo, com o acréscimo de um litisconsorte, só é possível em caso de assistência litisconsorcial ou de denunciação da lide formulada pelo autor- entendendo o denunciado como litisconsorte do denunciante contra o seu adversário-, ou em caso de reunião de demandas conexas, quando, pela identidade do pedido, haveria litisconsórcio unitárío. 
A estabilidade subjetiva do paio ativo opera-se, assim, com a propositura da demanda (art. 312, CPC). O litisconsórcio facultativo ativo deve ser inicial- nesse sentido, REsp 769.884-Rj, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. em 28.3.2006, Informativo do STJ n. 279, 27-31 de março de 2006.
[...]
Luiz Paulo da Silva Araújo Filho considera possível a intervenção, desde que se preencham dois pressupostos, de modo a evitar a burla à garantia do juiz natural: 
a) "depois de ajuizada mais de uma ação sobre o tema, a alternativa entre intervir neste ou naquele processo, perante este ou aquele juízo, constitui escolha que transgride, em tese, o princípio do juiz natural, devendo o interessado sujeitar-se à distribuição e à sua própria sorte;" 
b) "após a concessão de medida liminar, mesmo havendo um único processo, não deve ser admitida, salvo casos excepcionalíssimos, a intervenção litisconsorcial voluntária"
Há ainda outra espécie de intervenção de terceiro que se dá na ação de alimentos. Nesse sentido, Didier (2017, 604) diz o seguinte:
O art. 1.698 do Código Civil trouxe inovação sem precedente no direito processual civil brasileiro: criou hipótese de intervenção de terceiro. 
Ei-lo: "Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide". 
A análise deste novo instituto parte de algumas premissas - a despeito do acerto ou desacerto da conclusão, pretende-se que ela seja coerente com os fundamentos que passam a ser desenvolvidos: a) trata-se de instituto criado para ajudar o credor de dívida alimentar - autor, portanto, da ação de alimentos; b) é modalidade interventiva nova: não se deve tentar "enquadrá-la" em nenhuma das espécies de intervenção de terceiro até então existentes; c) é modalidade de intervenção coacta, pois o terceiro ingressa no processo por provocação de uma das partes; d) a obrigação alimentar não é solidária.
Para Didier (2017, p. 605) trata-se de modalidade diversa da denunciação da lide e do chamamento ao processo.
Inicialmente, cumpre afastar qualquer semelhança entre esta intervenção de terceiro e a denunciação da lide ou chamamento ao processo. Se não há possibilidade de direito de regresso, não se pode falar nem de denunciação da lide, que o tem como pressuposto fundamental, nem de chamamento ao processo. Se não há solidariedade, também por isso a alusão ao chamamento não se justifica.
Por outro lado, em sentido contrário, entendendo ser uma situação em que se aplicaria o chamamento ao processo, ainda que com particularidades restritas à ação de alimentos, BUENO, Cassio Scarpinella. Partes e terceiros no processo civil brasileiro, p. 284-292; THEODORO JR., Humberto "O novo e as regras heterotópicas de natureza processual".
Neves (2017, p. 338) diferencia a intervenção na ação de alimentos ora tratada do chamamento ao processo da seguinte forma:
Sendo o chamamento ao processo hipótese de intervenção fundada em obrigação solidária, e não sendo solidária a obrigação alimentar, como seria possível afirmar-se que o art. 1.698 do CC é espécie de chamamento ao processo? Como se nota, não é uma diferença sutil, que possa simplesmente ser absorvida no próprio conceito do chamamento ao processo, porque essa espécie de intervenção de terceiros somente existe em virtude da existência entre parte e terceiro de dívida de natureza solidária. Parece bastante claro que sem essa solidariedade entre parte e terceiro, a intervenção jamais poderá ser considerada uma espécie - ainda que sui generis - de chamamento ao processo.
O mesmo Didier (2017, p. 607) traz que:
De acordo com o enunciado n. 523 das Jornadas de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal, a legitimidade para requerer o chamamento é de ambas as partes; "O chamamento dos codevedores para integrar a lide, na forma do art. 1.698 Código Civil pode ser requerido por qualquer das partes, bem como pelo Ministério Público, quando legitimado".
Sobre a intervenção de terceiros na ação de alimentos, Neves (2017, p. 340) remata:
Não sendo possível incluir a intervenção de terceiros prevista pelo art. 1.698 do Código Civil no âmbito da denunciação à lide ou do chamamento ao processo - a análise de outras espécies de intervenção foi dispensada em virtude de diferenças básicas e indiscutíveis com o instituto ora analisado -,não há outra conclusão possível que não seja a de que o Código Civil criou uma espécie anômala de intervenção de terceiros, que não se confunde com nenhuma daquelas espécies previstas no Capítulo I, do Título III, do Livro I do Novo Código de Processo Cívil.
Neves (2017, p. 341) coloca no rol das intervenções de terceiros atípicas também algumas intervenções de terceiros atípicas:
Sempre que um terceiro ingressa na demanda executiva durante a fase de expropriação do bem com a intenção de adquiri-lo, estar-se-á diante de uma espécie atípica de intervenção de terceiros. Atualmente, pode-se imaginar essa situação na adjudicação por todos os legitimados que não o exequente (art. 876, § 5º, do Novo CPC); na alienação do bem realizada pelo próprio exequente, por corretor especializado ou por leiloeiro (art. 880 do Novo CPC); na alienação judicial por meio de arrematação, naturalmente por sujeito que não seja o exequente.
Também haverá intervenção anômala sempre que outros credores ingressem na demanda executiva para discutir o direito de preferência. Cada qual participará do incidente processual que se formará (concurso de credores) defendendo interesse próprio à satisfação de seu crédito em primeiro lugar, sendo impossível imaginar que essa situação seja amoldável às espécies de intervenção de terceiros previstas pelo Código de Processo Civil.
Por fim, Neves (2017, p. 341) traz outra modalidade anômala de intervenção de terceiros, qual seja, aquela que ocorre no curso de produção antecipada de prova.
A melhor doutrina criou uma espécie de assistência provocada, na qual o requerente da produção antecipada de provas simplesmente pedirá a citação do terceiro para fazer parte desse processo. Apesar de seu tratamento procedimental de assistente, sua intervenção coercitiva - independentemente de sua vontade - afasta essa espécie de intervenção da assistência clássica. Segundo a melhor doutrina, uma vez integrado ao processo, mesmo que se mantenha omisso, a prova será plenamente eficaz contra esse sujeito. Como se nota, essa espécie atípica de intervenção – assistência provocada - terá o mérito de ampliar subjetivamente a eficácia da prova produzida antecipadamente.
[...]
Não só a doutrina, como também a jurisprudência, mostrou-se sensível à problemática mencionada; existem julgados na vigência do diploma processual revogado no sentido de admitir um terceiro noprocesso cautelar de produção antecipada de provas por meio de uma intervenção atípica chamada assistência provocada.
Intervenção de terceiros por inserção ou por ação (Gajardoni, aula 5.1)
A intervenção de terceiros por inserção é aquela que ocorre dentro da mesma relação jurídico-processual já instalada, ou seja, dentro da mesma demanda. Ex: Assistência e Amicus Curiae.
Já a intervenção de terceiros por ação é aquela que ocorre por meio de uma nova relação jurídico-processual, ou seja, com uma demanda ajuizada contra ou pelo terceiro. Ex: Denunciação da lide – há a relação jurídica entre as partes e há a relação jurídica entre denunciante e denunciado.
Aplicação à Lei 9.099/95 e o CPC de 2015
A respeito desse assunto, o posicionamento da doutrina é praticamente unânime. Em regra não cabe intervenção de terceiros, conforme enunciado do artigo 10 da Lei 9.099/95. No entanto, o artigo 1.062 do Novo CPC traz exceção expressa a essa regra ao prever a possibilidade de permitir o Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica mesmo no âmbito dos juizados especiais.
No tocante à aplicação das intervenções de terceiros aos juizados especiais, Didier (2017, p. 542) diz o seguinte:
No procedimento dos juizados Especiais Cíveis, de acordo com o art. 10, Lei n. 9.099/1995, não se admite intervenção de terceiro. Eduardo Sodré, porém, defende o cabimento do recurso de terceiro no âmbito dos juizados Especiais, porque não compromete a razoável duração do processo. (grifo nosso)
O art 1.062 do Código de Processo Civil alterou um pouco esse microssistema, ao permitir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica no âmbito dos juizados Especiais Cíveis.
De fato, como observa Gonçalves (2017 p. 851)
O art. 10 da Lei n. 9.099/95 é peremptório: “Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de terceiros, nem a assistência. Admitir-se-á o litisconsórcio”.
A razão para que a intervenção de terceiros seja vedada é que traria demoras incompatíveis com a celeridade dos processos nos juizados especiais.
Mas o art. 1.062 do CPC abre uma exceção, ao autorizar o incidente de desconsideração da personalidade jurídica nos processos de competência do Juizado Especial Cível.
Esclarecimentos sobre os litisconsórcios e a diferença entre Litisconsórcio e Assistência Litisconsorcial
Os litisconsórcios são tratados nos artigos 113 a 118 do CPC de 2015, da forma que segue:
TÍTULO II
DO LITISCONSÓRCIO
Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide;
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença.
§ 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar.
Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes.
Art. 115. A sentença de mérito, quando proferida sem a integração do contraditório, será:
I - nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a todos que deveriam ter integrado o processo;
II - ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram citados.
Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio passivo necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar, sob pena de extinção do processo.
Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes.
Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar.
Art. 118. Cada litisconsorte tem o direito de promover o andamento do processo, e todos devem ser intimados dos respectivos atos.
No sentido de definir e de esclarecer como se dá a formação dos litisconsórcios, Câmara (2017, p. 78) coloca:
Litisconsórcio é a pluralidade de demandantes ou de demandados em um mesmo processo. Assim, sempre que em um processo houver mais de um demandante ou mais de um demandado, ter-se-á um processo litisconsorcial. Pode formar-se o litisconsórcio por três diferentes razões (tendo-se, aí, as chamadas três figuras do litisconsórcio): por comunhão de direitos ou obrigações; por conexão de causas; por afinidade de questões (art. 113). Haverá litisconsórcio por comunhão de direitos ou obrigações quando os demandantes ou demandados forem titulares do mesmo direito ou devedores da mesma obrigação. É o que se dá, por exemplo, quando cônjuges, casados pelo regime da comunhão de bens e, por isso, cotitulares da propriedade de um imóvel, o reivindicam de outrem. Existirá litisconsórcio por conexão de causas quando os litisconsortes cumularem (ou quando em face deles forem cumuladas) demandas conexas pelo objeto ou pela causa de pedir. Figure-se o seguinte exemplo: dois acionistas de uma companhia, por motivos diferentes, pretendem a anulação de uma assembleia geral de acionistas, e formulam suas demandas em um só processo (conexão pelo pedido). Por fim, haverá litisconsórcio por afinidade de questões quando duas ou mais pessoas se litisconsorciarem para ajuizar demandas cumuladas (ou quando em face delas forem ajuizadas tais demandas cumuladas) com base em um elemento de fato ou de direito que lhes seja afim (como, por exemplo, se tem na hipótese de servidores públicos que, em litisconsórcio, postulam a inclusão em suas remunerações de certa gratificação devida em função de alguma atividade que exercem – as chamadas gratificações pro labore faciendo – tendo por fundamento um mesmo dispositivo legal que prevê tal verba) (grifos nossos)
Sobre a formação dos litisconsórcios, Didier (2017, p. 533-536) diz o seguinte:
Entre eles há, como facilmente se nota, uma escalada de intensidade do vínculo que une os litisconsortes, desde um vínculo fortíssimo, representado pela comunhão, até um muito tênue, a mera afinidade de questões.
[...]
São exemplos de litisconsórcio por comunhão: o litisconsórcio formado pelos condôminos para a proteção do condomínio e o litisconsórcio formado em razão de uma obrigação solidária. O litisconsórcio entre denunciante e denunciado à lide e o litisconsórcio facultativo sucessivo entre mãe e filho (examinado em item anterior) são exemplos de litisconsórcio por conexão. O litisconsórcio que se forma pelos indivíduos titulares de direitos individuais homogêneos (situações repetitivas) é exemplo de litisconsórcio por afinidade.
Denomina-se "impróprio" o litisconsórcio por afinidade, "porque fundado numa conexidade imprópria" - "quando a decisão das causas depender, total ou parcialmente, da resolução de questões idênticas" Trata-se de litisconsórcio que jamais pode ser unitário, sendo sempre facultativo e simples.
A respeito do tamanho dos litisconsórcios e da possibilidade de sua limitação pelo magistrado, Câmara (2017, p. 81) destaca o seguinte:
Pode acontecer de formar-se um litisconsórcio facultativo com um número excessivamente grande de participantes, capaz de comprometer a duração razoável do processo ou o exercício do direito de defesa. É o fenômeno conhecido como litisconsórcio multitudinário [litisconsórcio ativo facultativo por afinidade é o melhor exemplo de litisconsórcio multitudinário]. Neste caso, deverá haver a limitação do número de litisconsortes, de ofício ou a requerimento do interessado (art. 113, §§ 1o e 2o).Esta limitação pode ocorrer na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou em sede executiva (seja no caso de processo de execução, seja em sede de cumprimento de sentença). (grifo nosso)
Casos de limitação do litisconsórcio multitudinário pelo juiz (art. 113 §§ 1º e 2º)
1 – dificultar a rápida solução do conflito;
2 – dificultar o direito de defesa;
3 – dificultar a execução.
Também sobre litisconsórcio multitudinário é o enunciado de número 10 do FPPC (2017, p. 08):
(arts. 113, §§ 1º e 2º, art. 240, § 1º). Em caso de desmembramento do litisconsórcio multitudinário, a interrupção da prescrição retroagirá à data de propositura da demanda original. (Grupo: Litisconsórcio, Intervenção de Terceiros e Resposta do Réu; redação revista no III FPPC-Rio) (grifos nossos).
A respeito do litisconsórcio multitudinário é válida ainda a menção aos enunciados de número 116 e 386 do FPPC (2017, pp. 22; 51):
(arts. 113, §1º, e 139, VI) Quando a formação do litisconsórcio multitudinário for prejudicial à defesa, o juiz poderá substituir a sua limitação pela ampliação de prazos, sem prejuízo da possibilidade de desmembramento na fase de cumprimento de sentença. (Grupo: Negócios Processuais) (grifo nosso)
[...]
(art. 113, §1º; art. 4º) A limitação do litisconsórcio facultativo multitudinário acarreta o desmembramento do processo. (Grupo: Litisconsórcio e intervenção de terceiros) (grifos nossos)
Ainda no que toca aos litisconsórcios multitudinários, Didier (2017, p. 534) acrescenta:
Na decisão que limitar o número de litigantes, o juiz estabelecerá quais deles permanecerão no processo e o número máximo de integrantes de cada grupo de litisconsortes, ordenando o desentranhamento e a entrega de todos os documentos exclusivamente relativos aos litigantes considerados excedentes. Não há número máximo ou mínimo previsto em lei; o juiz, atento às particularidades do caso, definirá o número de litisconsortes. Observe que a decisão de limitação implica desmembramento do processo, e não a extinção dele. (grifos nossos)
No que diz respeito à classificação dos litisconsórcios, Neves (2017, p. 309) adota os seguintes critérios:
(i) posição processual na qual foi formado – ativo, passivo ou misto;
(ii) momento de sua formação – inicial ou ulterior;
(iii) sua obrigatoriedade ou não (formação) – necessário ou facultativo;
(iv) o destino dos litisconsortes no plano material (decisão) - simples ou unitário.
No que diz respeito à posição processual, o litisconsórcio poderá ser ativo, se formado no polo ativo, passivo, se formado no polo passivo, ou misto, se formado em ambos os polos, ativo e passivo. A este respeito Didier (2017, p. 509): “O litisconsórcio pode ser ativo ou passivo, a depender do polo da relação processual em que ele se formar. Será considerado misto, se a pluralidade de pessoas ocorrer em ambos os polos da relação”.
No que diz respeito ao momento de sua formação, o litisconsórcio poderá ser inicial ou ulterior. A esse respeito Didier (2017, p. 510) esclarece:
Litisconsórcio inicial é aquele que se forma contemporaneamente à formação do procedimento ou do incidente, quer porque mais de uma pessoa postulou, quer porque em face de mais de uma pessoa a demanda foi proposta. É a regra geral – preserva o princípio do juiz natural.(grifo nosso)
Litisconsórcio ulterior é aquele que surge após o procedimento ter-se formado. É visto como algo excepcional, pois tumultua a marcha do procedimento. (grifo nosso)
De três maneiras pode surgir o litisconsórcio ulterior: 1) em razão de uma intervenção de terceiro (chamamento ao processo e denunciação da lide, por exemplo); 2) pela sucessão processual (o ingresso dos herdeiros no lugar da parte falecida, art. 110 do CPC); 3) pela conexão ou continência (arts. 55 e 58 do CPC), se impuserem a reunião das causas para processamento simultâneo.
Em relação ao destino dos litisconsortes no plano material, os litisconsórcios podem ser classificados em simples e unitário. A esse respeito Didier (2017, p. 510-511) esclarece:
Há litisconsórcio unitário quando o provimento jurisdicional de mérito tem de regular de modo uniforme a situação jurídica dos litisconsortes, não se admitindo, para eles, julgamentos diversos. O julgamento terá de ser o mesmo para todos os litisconsortes. Esta é, aliás, a definição legal, prevista no art. 116 do CPC [...] (grifo nosso)
O litisconsórcio unitário é a unidade da pluralidade: vários são considerados um; o litisconsórcio unitário não é o que parece ser:, pois várias pessoas são tratadas no processo como se fossem apenas uma. 
Para que se caracterize como unitário, o litisconsórcio dependerá da natureza da relação jurídica controvertida: haverá unitariedade quando o mérito envolver uma relação jurídica indivisível. É imprescindível perceber que são dois os pressupostos para a caracterização da unitariedade, que devem ser investigados nesta ordem: a) os litisconsortes discutem uma única relação jurídica; b) essa relação jurídica é indivisível. (grifos nossos)
[...]
Há litisconsórcio unitário quando se "litisconsorciam" para a defesa de uma mesma relação jurídica. Algumas situações servem de exemplo: (grifo nosso)
a) dois legitimados ordinários: como dois condôminos em demanda para proteger a coisa comum; 
b) um legitimado ordinário e um extraordinário: como nos casos do litisconsórcio entre o denunciante e o denunciado à lide (arts. 127 e 128, CPC) e o do litisconsórcio entre o adquirente e o alienante da coisa litigiosa (art. 109, § 2º, CPC); 
c) legitimados extraordinários: como é o caso do litisconsórcio entre legitimados para a tutela coletiva (p. ex., litisconsórcio entre o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal para o ajuizamento de uma ação coletiva). 
O regime da unitariedade nada diz sobre ser necessária ou facultativa a formação do litisconsórcio. Ele atua num outro momento, posterior à necessariedade de sua formação (e, por isso, comumente chamado de "segundo momento"): diante do litisconsórcio já efetivamente formado, regula ele, a partir do exame do objeto litigioso, a uniformidade do julgamento. É importante não relacionar, neste momento, o litisconsórcio unitário e o litisconsórcio necessário [...] (grifo nosso)
[...]
O litisconsórcio simples (ou comum) é aquele em que a decisão judicial sobre o mérito pode ser diferente para os litisconsortes. A mera possibilidade de a decisão ser diferente já torna simples o litisconsórcio. (grifo nosso)
Ele ocorre quando os litisconsortes discutem uma pluralidade de relações jurídicas ou quando discutem uma relação jurídica cindível (como normalmente ocorre nos casos de solidariedade, conforme já visto). 
O litisconsórcio simples é o que parece ser: cada um dos litisconsortes é tratado como parte autônoma.
A circunstância de serem os litisconsórcios unitários ou simples define o regime de tratamento entre os litisconsortes reciprocamente. A esse respeito, Didier (2017, p. 528) esclarece, expondo três regras:
Se o litisconsórcio é unitário, o tratamento dos litisconsortes deve ser uniforme, pois a decisão haverá de ser a mesma para todos; se o litisconsórcio é simples, os litisconsortes são tratados como partes distintas, sendo que os atos de um não beneficiam nem prejudicam o outro (art. 117 do CPC). (grifos nossos)
[...]
Considera-se determinante a conduta da parte que a leva a uma situação desfavorável; é, por isso, potencialmente lesiva; são exemplos: a confissão, a revelia, o reconhecimento da procedência do pedido, a renúncia ao direito sobre o qual se funda a demanda etc. A conduta alternativa é aquela que pela qual a parte busca uma melhora da sua situação processual - é alternativa porque esse resultado almejado não ocorrerá necessariamente, mas é o que se busca. São exemplos: recorrer, contestar, alegar, produzir prova etc. (grifos nossos)
[...]
1) A conduta determinante de um litisconsorte não pode prejudicar o outro, qualquer que seja o regime de litisconsórcio. No litisconsórcio unitário, a conduta determinante somente será eficazse todos os litisconsortes consentirem. No litisconsórcio simples, a conduta determinante é eficaz [somente] para o litisconsorte que a praticou. 
2) No litisconsórcio simples, a conduta alternativa [benéfica] de um litisconsorte [em regra] não aproveita aos demais - art. 117, CPC. Cumpre apontar duas situações excepcionais...: 1) art. 1.005 – recurso interposto por um aproveita aos demais se a eles for benéfico; 2) art. 345, I, se um dos litisconsortes contesta, não haverá os efeitos da revelia.
[...]
3) No litisconsórcio unitário, em razão da necessidade de tratamento uniforme, a conduta alternativa [benéfica] de um litisconsorte estende os seus efeitos aos demais [art. 117, CPC]. Exemplo disso é a regra do caput do art. 1.005 do CPC, que amplia a eficácia subjetiva do recurso interposto por um litisconsorte para beneficiar os outros, se o caso for de litisconsórcio unitário. Convém lembrar, porém, que, por opção legislativa, o recurso interposto por um devedor solidário estende os seus efeitos aos demais (art. 1.005, par. ún., CPC), mesmo não sendo unitário o litisconsórcio pois a solidariedade pode implicar litisconsórcio unitário ou simples, a depender da divisibilidade ou não do bem jurídico envolvido (arts. 257 e 263 do Código Civil).
No que toca à sua obrigatoriedade ou não, o litisconsórcio poderá ser necessário ou facultativo. Didier (2017, p. 512-516), sobre o assunto, esclarece:
O litisconsórcio necessário está ligado diretamente à indispensabilidade da integração do polo da relação processual por todos os sujeitos, seja por conta da própria natureza da relação jurídica discutida (unitariedade), seja por imperativo legal. (grifo nosso)
[...]
Facultativo é o litisconsórcio que pode ou não se formar. Trata-se do litisconsórcio cuja formação fica a critério dos litigantes. (grifo nosso)
[...]
[...] o litisconsórcio unitário passivo será, em regra, necessário.
[...]
[...] excepcionalmente, pode haver litisconsórcio unitário passivo facultativo.
São raros os exemplos: a) litisconsórcio formado entre réu-denunciante e denunciado à lide (art. 128, I. CPC); b) litisconsórcio formado entre réu-alienante de coisa litigiosa e adquirente da coisa litigiosa (art. 109, § 22, CPC); c) litisconsórcio entre devedores solidários de obrigação indivisível (art. 275, Código Civil). (grifos nossos)
[...]
O litisconsórcio também será necessário quando assim o dispuser expressamente a lei (art. 114. primeira parte, CPC). 
A partir daí se pode chegar já a uma conclusão: é perfeitamente possível que haja litisconsórcio necessário simples. Basta que a lei, por questão de conveniência e buscando preservar a harmonização dos julgados e a eficiência, imponha a obrigatoriedade. 
O litisconsórcio necessário-simples é, basicamente, o litisconsórcio necessário por força de lei. Assim, nem todo litisconsórcio necessário é unitário. 
São exemplos de litisconsórcio necessário por força de lei - litisconsórcio simples: a) litisconsórcio entre cônjuges (art. 73, § 1º, CPC); b) na ação de usucapião de imóvel (art. 246, § 3º, CPC); c) demarcação de terras (art. 57 4, CPC). (grifos nossos)
[...]
O art. 115 do CPC cuida da natureza da sentença de mérito proferida sem a citação de litisconsorte necessário. O dispositivo distingue duas situações: a) falta de citação de litisconsorte necessário unitário; b) falta de citação de litisconsorte necessário simples. 
a) Se houver litisconsórcio necessário unitário passivo, a falta de citação de qualquer dos réus torna a sentença de mérito, que é ineficaz em relação a qualquer deles, passível de invalidação a qualquer tempo, por provocação, também, de qualquer deles (art. 115, I. CPC). Do mesmo modo, a falta de integração do litisconsórcio necessário ativo torna a sentença ineficaz em relação a ele. 
b) Se o caso é de litisconsórcio necessário simples, a sentença é válida e eficaz em relação àqueles que participaram do feito, e ineficaz em relação àquele que não foi citado (art. 115, II, CPC), isso "porque a sentença, no caso, tem um conteúdo específico em relação a ele e somente em relação a ele".
Sobre o litisconsórcio necessário, Câmara (2017, p. 80) faz alguns esclarecimentos.
Por dizer respeito às “condições da ação” (mais especificamente à legitimidade ad causam – que nesse caso é plúrima), incumbe ao juiz verificar de ofício se estão ou não presentes no processo todos aqueles que nele devem figurar como litisconsortes necessários. Ausente algum, o juiz determinará ao demandante que requeira a citação de todos os que ainda não integram o processo, dentro do prazo que lhe assinar, sob pena de extinção do processo [por falta de legitimidade, art. 17 do CPC] (art. 115, parágrafo único). (grifos nossos)
Pode ocorrer, porém, de não se perceber que um litisconsórcio necessário que deveria ter sido formado não se constituiu, vindo-se a proferir sentença de mérito. Neste caso, sempre será possível a invalidação da sentença em grau de recurso (já que é possível conhecer-se da questão relativa à ausência, no processo, da parte legítima de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, nos termos do disposto no art. 482, § 3o). Transitada em julgado a sentença, porém, deve-se ter por sanada a nulidade da sentença (em razão da assim chamada eficácia sanatória geral da coisa julgada). (grifo nosso)
Efeitos da não formação do litisconsórcio
1. Facultativo – não haverá efeito algum. A parte que não entrou como litisconsorte, pode entrar com ação em separado.
2. Necessário (115 NCPC)
a) se a constatação ocorrer antes da sentença (intervenção iussi iudiciss – art. 115, parágrafo único, CPC), o juiz pode determinar a integração do réu ausente ao polo passivo de ofício? Não! O juiz não pode inserir de ofício parte no processo. O juiz vai determinar a emenda da inicial (art. 115, § único) – dizendo que faltou um litisconsorte necessário. Caso não haja emenda da inicial, é caso de extinção sem julgamento do mérito (art. 115, § único parte final e art. 485, VI). Falta de legitimidade ad causam.
b) se a constatação ocorrer após a sentença transitada em julgado (efeitos variáveis)
se unitário – sentença nula para todos (art. 115, I) – cabível ação rescisória.
se simples – a sentença é ineficaz para os que não foram citados (art. 115, II) e válida para os que foram citados.
Ainda sobre o litisconsórcio necessário, Câmara (2017, p. 79) afirma que ele somente ocorrerá no polo passivo, conforme segue:
O litisconsórcio necessário é sempre passivo. Não existe litisconsórcio necessário ativo, por ser esta uma figura que atenta contra a lógica do sistema processual brasileiro. Isto se diz porque o direito processual civil brasileiro está construído sobre dois pilares de sustentação: o direito de acesso ao Judiciário e a garantia da liberdade de demandar. Em outras palavras, a base do direito processual civil brasileiro está construída sobre estas duas ideias fundamentais: (a) ninguém é obrigado a demandar; mas (b) é livre o acesso ao Judiciário àqueles que pretendem ajuizar demandas. Pois a admissão de um litisconsórcio necessário ativo desequilibraria este sistema. É que se fosse admitida a existência de algum caso de litisconsórcio ativo necessário, sempre se poderia encontrar algum caso em que um dos litisconsortes necessários quisesse demandar e outro não, e neste caso se teria de admitir uma das duas seguintes hipóteses: (i) ou seria possível obrigar-se alguém a demandar contra sua vontade (o que contraria a garantia da liberdade de demandar); ou (ii) ficaria o outro impedido de demandar sozinho em busca da satisfação de seus interesses (o que contraria o direito de acesso ao Judiciário). Pois a única forma de evitar isso é afirmar-se que o litisconsórcio ativo nunca é necessário, mas sempre facultativo. (grifos nossos)
Didier (2017, p. 518) discute essa possibilidade e aponta exceções:
É muito rara a previsão de um litisconsórcio necessário ativo por força de lei. A excepcionalidade justifica-se em razão de tudo o quanto foi dito neste item. 
Há, porém, uma exceção,que precisa ser apontada, até porque confirma a regra. 
A ação de responsabilidade civil contra administrador de uma sociedade anônima pode ser proposta por acionistas que representem pelo menos cinco por cento do capital social, caso a assembleia-geral deliberadamente decida por não promover a ação (art. 159, § 4º, da Lei n. 6.404/1976).
[...]
Há outra regra que deriva dessa previsão: a possibilidade de acionistas que representam mais de cinco por cento do capital social ajuizarem ação de dissolução parcial de sociedade anônima de capital fechado (art. 599, § 2º, CPC). O raciocínio é em tudo semelhante.
Neves (2017, p. 321-322) discute o assunto e propõe que aquele que resista à pretensão seja colocado como réu, para que seja possível o exercício da ação, ou, em suas palavras:
[...] a corrente doutrinária que parece mais correta é aquela que é defende a colocação do sujeito como réu, mantendo-se nessa posição processual até o final do processo. Na realidade, a solução passa pelo conceito de lide no caso concreto. Sempre que alguém resiste a uma pretensão deve ser colocado no polo passivo, independentemente do polo que ocupa na relação de direito material, porque há tempos encontram-se dissociadas essas duas espécies de relação jurídica. Não haverá nenhum problema se os sujeitos estiverem no mesmo polo da relação de direito material e em polos opostos no processo judicial. A ideia principal é: quem resiste a uma pretensão é réu, e assim deverá compor a relação jurídica processual.
Neves (2017, p. 316-317) entende importante a distinção entre os litisconsórcios necessário e unitário e faz os seguintes apontamentos:
Não se devem confundir esses dois fenômenos processuais, até mesmo porque a questão da necessidade da formação do litisconsórcio diz respeito ao momento inicial da demanda, de propositura da ação, enquanto a questão referente à unitariedade diz respeito a outro momento processual, o da decisão da demanda. Saber se o litisconsórcio deve ou não ser formado não influencia obrigatoriamente no conteúdo uniforme ou não da decisão a ser proferida no processo no qual o litisconsórcio se formou. Nesse sentido, deve ser elogiado o Novo Código de Processo Civil que em seus arts. 114 e 116, conceitua de maneira distinta e correta os litisconsórcios e unitário e necessário.
[...]
Em síntese conclusiva são possíveis algumas afirmações: 
(i) todo litisconsórcio necessário em virtude da incindibilidade do objeto do processo será também unitário;
(ii) todo litisconsórcio facultativo em que exista legitimação extraordinária ou ordinária concorrente e disjuntiva será unitário;
(iii) em regra, o litisconsórcio necessário em virtude de expressa previsão em lei será simples.
Sobre essas relações, Gajardoni (2016, aula 4.2) faz as seguintes observações:
O litisconsórcio necessário por força da lei poderá ser simples ou unitário. Mas quando for necessário por força da incindibilidade da relação jurídica será unitário, salvo quando a lei expressamente admitir a legitimação concorrente - (art. 103 da CF) (art .5º da LACP) (art. 1314 do CC) - caso em que será facultativo e unitário.
[o art. 103 da CF/88 trata da legitimação concorrente para ADI e ADC;]
[o art. 5º LACP trata da legitimação concorrente para a propositura da Ação Civil Pública]
[o art. 1.314 do NCPC trata da ação proposta por condômino que verse sobre coisa comum]
Sobre a combinação possível entre os litisconsórcios unitário, simples, necessário e facultativo, Didier (2017, p. 516-517) estabelece as seguintes regras:
a) litisconsórcio necessário-unitário: no polo passivo, como regra, embora não seja absurda a hipótese de um litisconsórcio unitário passivo facultativo (solidariedade passiva em obrigação indivisível, p. ex.); (grifo nosso)
b) litisconsórcio necessário-simples: quando a necessariedade se der por força de lei; (grifo nosso)
c) litisconsórcio facultativo-unitário, no polo ativo, quase que exclusivamente; (grifo nosso)
d) litisconsórcio facultativo-simples, que corresponde à generalidade das situações. (grifo nosso)
Didier (2017, p. 530-532) acrescenta a existência de modalidades especiais de litisconsórcios com base nos pedidos formulados na petição inicial, quais sejam: litisconsórcio sucessivo, litisconsórcio eventual e litisconsórcio alternativo.
Há a possibilidade de cumulação sucessiva de pedidos, de modo que o segundo pedido somente possa ser acolhido se o primeiro também o for - trata-se de um dos casos de cumulação própria de pedidos, a ser examinado no capítulo sobre a petição inicial. (grifo nosso)
A cumulação sucessiva de pedidos pode dar origem a um litisconsórcio em que cada litisconsorte formule um pedido, mas o pedido de um somente possa ser acolhido se o pedido do outro o for. Este é um exemplo de litisconsórcio facultativo surgido em razão de uma cumulação de pedidos formulados por partes distintas, em que o pedido de uma delas depende do acolhimento do pedido da outra.
[...]
Há a possibilidade de cumulação eventual de pedidos, de modo que o segundo pedido somente possa ser examinado se o primeiro não for acolhido (art. 326, caput, CPC) - trata-se de um dos casos de cumulação imprópria de pedidos, a ser examinado no capítulo sobre a petição inicial e o pedido. (grifo nosso)
Da cumulação eventual de pedidos pode surgir um litisconsórcio facultativo. É possível cogitar a formulação de uma cumulação de pedidos, em que cada pedido seja dirigido a uma pessoa, mas o segundo pedido somente possa ser examinado se o primeiro não puder ser atendido. Também aqui pode ser suscitado o óbice da literalidade do art. 327 do CPC, que permite a cumulação de pedidos contra o mesmo réu, o que não é o caso. Mas a clara conexão entre os pedidos autoriza a que sejam cumulados; é que, formulados em demandas autônomas, haveria conexão, de todo jeito, a impor a reunião dos processos (art. 55,§ 1º, do CPC).
[...]
Há a possibilidade de cumulação alternativa de pedidos, de modo que se formulem vários pedidos para que apenas um deles, qualquer deles, seja acolhido (art. 326, par. ún., CPC). O autor não expressa qualquer preferência entre os pedidos formulados- trata-se de um dos casos de cumulação imprópria de pedidos, a ser examinado no capítulo sobre a petição inicial e o pedido. (grifo nosso)
Da cumulação alternativa de pedidos pode surgir um litisconsórcio facultativo. É possível cogitar a formulação de uma cumulação de pedidos, em que cada pedido seja dirigido a uma pessoa, mas somente um deles possa ser atendido. Também aqui pode ser suscitado o óbice da literalidade do art. 327 do CPC, que permite a cumulação de pedidos contra o mesmo réu, o que não é o caso. Mas a clara conexão entre os pedidos autoriza a que sejam cumulados; é que, formulados em demandas autônomas, haveria con·exão, de todo jeito, a impor a reunião dos processos (art. 55,§ 12, CPC).
São consideradas figuras problemáticas no que toca ao litisconsórcio, as seguintes (Gajardoni, aula 4.3):
1 Litisconsórcio ativo, facultativo e ulterior (art. 5º, XXXVII, CF)
OBS. Gajardoni entende que é inconstitucional. Violação do juiz natural, pois as pessoas, em tese, poderiam escolher o juiz de acordo com seus interesses.
2. Litisconsórcio ativo necessário
a) inexiste (115, PU, NCPC) (75, § 1º, NCPC)
O suprimento ou a autorização judicial permitiria a ação.
b) existe (114, § 2, CF – convenção coletiva) (26 EOAB – ação de honorários de advogado substabelecido)
Sustenta-se que se um dos litisconsortes ativos necessários não desejarem a demanda, a parte que a quer o colocaria no polo passivo (mas então se argumenta que não se trataria mais de litisconsórcio ativo, pois os outros estariam no polo passivo)
Para Gajardoni não existe litisconsórcio ativo necessário.
3. Litisconsórcio passivo eventual
Pedidos alternativos contra vários réus, com ordem de preferência.
Ex. art. 134, § 2º - incidente de desconsideração da personalidade jurídica.
4. Litisconsórcio passivo alternativo
Pedidos alternativos contra vários réus, sem ordem de preferência.Ex. art. 547 – ação de consignação em pagamento quando há dúvida sobre quem deva receber.
Outro exemplo: ação de reconhecimento de paternidade, quando há vários possíveis pais.
No intuito de esclarecer a diferença entre o litisconsórcio e a assistência litisconsorcial, é válido lembrar que o assistente litisconsorcial, como visto anteriormente, é aquele que é cotitular da relação jurídica a que está submetido o autor ou réu. Por força do artigo 124 do CPC de 2015, esses assistentes são tratados como se litisconsortes fossem, isso implica a aplicação dos mesmos prazos e anuência no caso de solução consensual. Há em entenda que, em verdade, o assistente litisconsorcial nada mais é do que um litisconsorte facultativo unitário ulterior (GONÇALVES, 2017, p. 306).
Tratando da relação entre a assistência litisconsorcial e o litisconsórcio, Neves (2017, p. 344) busca esclarecer o assunto, conforme segue:
A assistência litisconsorcial somente é possível nos casos de litisconsórcio facultativo, porque somente nesse caso o titular do direito poderá ser excluído da demanda por vontade das partes, Significa dizer que, se porventura o autor tivesse formado o litisconsórcio entre todos os titulares do direito, não haveria terceiros a ingressar como assistentes. Como esse litisconsórcio, entretanto, é facultativo, uma vez não formado por vontade do autor, os titulares do direito que ficaram de fora da relação jurídica processual serão os terceiros que, querendo, ingressarão no processo alheio como assistentes litisconsorciais. (grifo nosso)
[...]
A corrente doutrinária que defende que o substantivo assistência prepondera sobre o adjetivo litisconsorcial, afirmava que a redação do art. 54 do CPC/1973, o mesmo se podendo dizer da redação do art. 124 do Novo CPC, não estabelecendo que o assistente será considerado litisconsorte, simplesmente significando que o seu tratamento procedimental será de litisconsorte, mas a sua qualidade processual continua a ser de assistente. Sustenta-se que esse terceiro que ingressa no processo e nada pede e contra ele nada é pedido, de forma que o seu ingresso não inclui no processo qualquer nova demanda, o que é suficiente para não considerá-lo parte.
Não parece ser esse, entretanto, o melhor entendimento, porque o fato de o terceiro que ingressa no processo não fazer pedido ou contra ele nada ser pedido é irrelevante na definição de sua posição jurídica processual. Na realidade, fazendo ou não o pedido ou sendo ou não feito pedido contra ele, por ser o titular do direito material discutido no processo, o acolhimento ou a rejeição o atingirá da mesma forma que o atingiria se o sujeito tivesse feito pedido ou contra ele tivesse sido feito qualquer pedido. O que precisa restar claro é que o pedido será sempre o mesmo, esteja o sujeito presente ou não no início da demanda, tornando-se absolutamente irrelevante o fato de aquele pedido ser feito expressamente por ele ou contra ele.
Intervindo no processo, passa a ser parte, sendo tal constatação inegável até porque o mesmo ocorre com o assistente simples. E também será parte na demanda, considerando-se que é titular do direito discutido no processo. Tendo o terceiro legitimidade para participar do processo e somente não o fazendo desde o início por vontade do autor, a partir do instante em que passa a fazer parte da relação jurídica processual como titular do direito discutido, deverá ser considerado parte na demanda.
No mesmo sentido Didier (2017, p. 551-552) esclarece:
A assistência litisconsorcial é hipótese de litisconsórcio unitário facultativo ulterior. Trata-se de intervenção espontânea pela qual o terceiro transforma-se em litisconsorte do assistido, daí porque o seu tratamento é igual àquele deferido ao assistido, isto é, atua com a mesma intensidade processual, não vigorando as normas que o colocam em posição subsidiária. Há litisconsórcio unitário ulterior, aplicando-se, a partir daí, todo o regramento sobre o assunto. Por isso o CPC a denomina de assistência litisconsorcial. (grifo nosso)
Como é um litisconsórcio facultativo unitário ulterior, a assistência litisconsorcial costuma dar-se no pala ativo, ambiente propício para o surgimento de litisconsórcio facultativo unitário.
A esse respeito, Didier (2017, p. 514) esclarece que as situações de litisconsórcio facultativo unitário ocorrem notadamente no polo ativo da relação jurídica processual, pelos seguintes motivos:
a) não se pode condicionar o direito de ação do autor à participação dos demais colegitimados como litisconsortes ativos; 
b) proposta a demanda sem a presença de todos os co legitimados, não poderia o magistrado ordenar a integração do polo ativo pelos co legitimados faltantes, já que não é admissível, no nosso sistema, que alguém seja obrigado a litigar, como autor, em demanda judicial.
No que diz respeito à correta classificação processual do Assistente Litisconsorcial (se assistente ou litisconsorte) Neves (2017, p. 346) conclui o seguinte:
A conclusão, portanto, é de inexistência da figura jurídica criada pelo art. 124 do Novo CPC, considerando-se que o assistente litisconsorcial na verdade é reputado autor ou réu a partir do momento em que ingressa no processo, em verdadeira hipótese de litisconsórcio facultativo ulterior. De qualquer forma, mesmo a doutrina que defende a existência de assistência litisconsorcial, é tranquila em afirmar que embora não seja litisconsorte, esse assistente é tratado, no tocante à aplicação regras procedimentais, como se o fosse. (grifo nosso).
Considerações finais
Como visto, o CPC de 2015 traz como modalidades de intervenção de terceiros expressamente previstas em seu texto a Assistência, a Denunciação da lide, o Chamamento ao Processo, a Desconsideração da Personalidade Jurídica e o Amicus Curiae. Trata-se de rol exemplificativo, uma vez que, como também visto, há outras normas legais que preveem intervenção de terceiros nos casos que especificam, bem assim, como visto, há outras intervenções de terceiros previstas no próprio corpo do CPC de 2015.
A alteração do instituto do CPC de 1973 para o CPC de 2015 é expressiva e começa pela diferenciação no rol previsto em cada um dos diplomas. Saiu do rol a Oposição, cuja posição como intervenção de terceiros no anterior CPC era bastante criticada, passando a ser procedimento especial no novo CPC. Saiu também a Nomeação à Autoria e, em seu lugar entrou o incidente de substituição réu (artigos 388 e 389 do CPC), nos casos em que haja conhecimento a respeito da identidade de quem deva figurar como réu.
Como novidade surgem de forma expressa o Amicus Curiae que, embora não seja terceiro imparcial, ingressa no processo para fornecer subsídios ao órgão jurisdicional para o julgamento da causa. Novidade também é o Incidente de desconsideração da Personalidade Jurídica, em que terceiro (sócio ou empresa, no caso de desconsideração inversa) é trazido ao processo através de citação para atuar no bojo da ação anteriormente ajuizada. A Assistência, embora não prevista no rol das intervenções de terceiros no anterior CPC, nele já era amplamente enquadrado pela doutrina, sendo incrementares as alterações promovidas pelo novo CPC.
Referências
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NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil – volume único. 9ª Ed. Salvador: Juspodivm, 2017.

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