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PSICOLOGIA E AUTODESENVOLVIMENTO AULA 10

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PSICOLOGIA E AUTODESENVOLVIMENTO
PSICOLOGIA E AUTODESENVOLVIMENTO
Graduação
PSICOLOGIA E AUTODESENVOLVIMENTO
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10 PROCESSOS SOCIAIS
Nesta unidade, iremos estudar o ramo da Psicologia cujo objeto de
estudo é o ser humano nas suas interações sociais.
OBJETIVOS:
Compreender a importância do aspecto social para a formação
humana.
Analisar as inter-relações entre indivíduo e sociedade, considerando
o processo de cisão imposto pela conjuntura sócio-histórica, entre os
aspectos individuais e coletivos.
Refletir sobre as relações entre capitalismo e alienação,
considerando o trabalho como elemento central da mediação entre indivíduo
e natureza.
Apropriar-se do conceito de indústria cultural, refletindo sobre seus
desdobramentos na vida cotidiana e na formação humana.
PLANO DE UNIDADE:
ƒ Viver é conviver
ƒ Indivíduo X Sociedade
ƒ O capitalismo e a alienação
ƒ Identidade e diferença
ƒ A cultura das massas, ideologia e indústria cultural.
Bons estudos!
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Segundo Aroldo Rodrigues(apud BOCK 2003, p.135) a Psicologia Social é
o estudo das “manifestações comportamentais suscitadas pela interação
de uma pessoa com outras pessoas, ou pela mera expectativa de tal
interação”. Nessa perspectiva a Psicologia Social investiga de que maneira
os aspectos sociais interferem no comportamento humano.
O início da Psicologia social é marcado por uma perspectiva tanto mais
descritiva do comportamento humano em sociedade, do que propriamente
pela busca da compreensão da natureza social do psiquismo humano.
Naquela visão, a Psicologia social contribuiu apenas para a manipulação da
sociedade.
Atualmente vivemos um outro “modelo” de Psicologia social, que se
preocupa em estudar a maneira como a realidade objetiva é apropriada
pelo ser humano e se converte em mundo subjetivo, num processo dinâmico
de interação: o homem muda o mundo que é transformado pelo homem.
Com base nos estudos da Psicologia social numa perspectiva crítica é
possível, inclusive, pensar que toda Psicologia é, de certa maneira, social na
medida em que, na formação humana, o “outro” está sempre presente. Sob
este aspecto, a formação, segundo Adorno (1996, p. 389), “[…] nada mais é
do que a cultura tomada pelo lado de sua apropriação subjetiva”. Então, a
realidade concreta é um elemento fundante da subjetividade humana.
Então, é possível afirmar que: “Viver é conviver”. Concorda?
Faça um exercício reflexivo e tente se imaginar fora do contexto social:
sem os grupos sociais básicos, como a família, a escola, a igreja e tantas
outras instituições sociais que criamos com o intuito de nos ajudarmos
mutuamente na travessia da vida. Será que teria sobrevivido?
Talvez não, considerando nossa total dependência nos primeiros anos
de vida. Precisamos de vários anos até que estejamos autônomos nas
nossas atitudes e aptos a cuidarmos de nós mesmos.
Mas caso tivesse sobrevivido, possivelmente não teria se tornado um
ser humano em sua plenitude.
Vejamos a história das meninas-lobo, você já ouviu falar?
As meninas-lobo, assim chamadas por terem sido encontradas vivendo
entre lobos, em uma floresta na Índia, no ano de 1920, foram denomidadas
de Amala, a que tinha aproximadamente 2 anos, e Kamala, a de 8 anos. Ao
serem encontradas, as meninas não falavam, não sorriam, andavam de quatro
e uivavam, só se alimentavam de carne crua ou podre, comiam e bebiam
como os animais, lançando a cabeça para a frente e lambendo os líquidos.
Singh, o reverendo que as encontrou, tentou desenvolver um processo de
socialização com as meninas, porém Amala, a mais jovem, morreu um ano
após ter sido encontrada e Kamala, que viveu por mais 8 anos, só aprendeu
a andar depois de seis anos, e pouco antes de morrer, tinha um vocabulário
de apenas cinqüenta palavras. Chorou pela primeira vez por ocasião da
morte de Amala.
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Considerando o aspecto natural, ou seja, sua constituição biológica,
podemos afirmar que se tratavam de indivíduos da espécie humana, mas
sabemos que não é somente natureza que nos constitui, são vários os
aspectos que se combinam até que nos tornemos um ser humano. E o
aspecto social é um deles. Com este caso, podemos perceber o quanto o
aspecto social é definitivo para o nosso processo de humanização.
Em sociedade, nós damos significado à nossa existência. Utilizamos
representações mentais e símbolos, somos capazes de dar significado ao
que nos circunda. Somos capazes de produzir as condições necessárias para
a nossa sobrevivência.
Segundo Piéron apud Leontiev (1978, p.238), “A criança no momento do
nascimento, não passa de um candidato à humanidade”.
Portanto, é no processo de socialização que construímos todos os
nossos sistemas de crenças, valores, regras. É nesse processo que
assumimos um papel social, que desenvolvemos um sentimento de
pertencimento a um determinado grupo ou grupos, nos apropriamos dos
conhecimentos produzidos ao longo da existência humana e que
“herdamos” ao nascer.
Criamos uma cultura. Mas o que é cultura?
Bem, o termo cultura pode designar muitas coisas, por exemplo:
dizemos que uma pessoa tem cultura porque tem muito conhecimento
ou domina os princípios eruditos do saber.
Mas, para nós, o importante é saber que cultura significa o conjunto
de representações simbólicas.
Por exemplo, um indiozinho ao nascer em sua tribo receberá, como
herança cultural, um conjunto de valores, regras, costumes que constituirá
e o acompanhará em toda sua vida e que farão dele um representante
daquele povo.
Entretanto, na atualidade vivemos uma dualidade perigosa e, muitas
vezes, perversa. A sociedade está se impondo tão duramente às pessoas,
que o indivíduo tem sido negado. O individual se perde no todo social.
No entanto, seria igualmente perverso se tentássemos negar o social,
pois, como já vimos, o homem é um animal social. Vivemos, portanto,
uma oposição entre o indivíduo e a coletividade.
O CAPITALISMO E A ALIENAÇÃO
Segundo Jobim, (2005, p.34), “o marxismo compreende a relação do
homem com a natureza, consigo mesmo e com os outros homens na
perspectiva da realização da liberdade humana por meio do trabalho”. O
trabalho aqui entendido como a atividade de transformação da natureza,
a possibilidade do homem criar suas formas e condições de existência,
de dar sentido e de constituir-se.
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Considerando ainda a obra de Marx, quando a atividade essencial para
a existência humana – o trabalho – se converte em meio para atingir um fim
ele perde sua perspectiva libertadora. E é esse processo que nos converte
em seres “alienados”, conceito central na teoria marxista.
Um clássico do cinema que retrata essa alienação a qual estamos
submetidos é o filme “Tempos Modernos” de Chaplin. Já assistiu? Vale a
pena. Nesse filme, o protagonista fica, de tal ordem, alienado em decorrência
de seu trabalho repetitivo, que sai da fábrica comportando-se como se ainda
lá estivesse.
Segundo Jobim(2005, p.37):
A atividade produtiva na sociedade capitalista nega a mediação
humana entre sujeito e objeto, homem e natureza; o indivíduo isolado
e reificado é reabsorvido pela natureza. O trabalhador se relaciona
com sua própria atividade como uma atividade externa a ele. A
satisfação lhe é proporcionada por uma possibilidade abstrata: a
possibilidade de vender sua atividade a alguém, dentro de certas
condições. O homem se transforma em mercadoria. Tudo é coisificado
– o homem e suas relações.
Desde o ingresso do ideário burguês no cenário social, lá no período das
grandes revoluções: Industrial, Francesa e outras, e a conseqüente
submissão do trabalho ao capital, ou seja, todo

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