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Trabalho apresentado à disciplina de Genética II MECANISMO DE TRANSCRIÇÃO DO DNA Discentes: Amanda de Jesus Magalhães Gustavo Henrique Ferreira Simões Ilana Miriã Lombardi Jane de Freitas Camolesi de Oliveira Karla Tainaily Furini Nathalia Prezotti de Oliveira Otávio Vinicius C. Jorge Docente: Andressa Megumi Niwa Londrina 2018 1. Introdução A transcrição é o primeiro estágio da expressão gênica, envolve a cópia de uma sequência de DNA de um gene para a produção de uma molécula de RNA. Esse processo é altamente seletivo, pois apenas uma pequena porção dos genes é copiada em RNA. Além disso, o processo de transcrição é baseado na complementaridade de bases em uma estrutura denominada “bolha de transcrição”, a qual possui cerca de 18 pares de bases do DNA, os quais são separados e uma das fitas da dupla hélice serve como molde para o RNA que será formado. Vale ressaltar que a ideia de que o DNA atuaria como molde para a síntese de RNA, cujas moléculas, determinariam os arranjos dos aminoácidos nas proteínas foi caracterizado por Francis Crick em 1956, o qual denominou tal processo como “dogma central” da biologia. Podemos, ainda, verificar que alguns autores agrupam os tipos de RNA em duas classes gerais, sendo uma a qual possui a informação genética para a síntese proteica, no caso, o RNA mensageiro (RNAm), e as demais classes (RNA funcionais), devido ao exercício de suas funções biológicas na forma de RNA, ou seja, o próprio RNA é o produto final. Dentre os grupos de RNA funcionais, destacam-se o RNA ribossômico (RNAr) e o RNA transportador (RNAt). Em recentes descobertas, foram destacados, por exemplo, o microRNA, que são pequenas porções de RNA não codificantes, o siRNA, que são pequenos fragmentos produtos da clivagem dos dsRNA (RNA dupla cadeia) pela ação da nuclease Dicer (enzima que cliva moléculas de RNA fita dupla (dsRNA) e ainda o lncRNA que é referido como “RNA longo não codificante” com mais de 200 nucleotídeos e que são importantes na regulação da expressão gênica e na inibição da atividade de elementos de transposição. Diante disso, o presente trabalho trará como objeto de estudo, a formação do RNAm e, portanto, os mecanismos responsáveis pela sua síntese em organismos eucariontes. 2. Objetivos Demonstrar o processo de transcrição e ressaltar sua importante função na síntese proteica e expressão gênica. 3. Metodologia A metodologia utilizada neste trabalho é o método descritivo dos processos de transcrição do DNA consistidos a partir de análise de artigos, livros, e-books e sites referentes aos processos de transcrição e expressão gênica. 4. Transcrição do RNA A transcrição do DNA em moléculas de RNA, é um processo altamente seletivo, onde apenas uma pequena porção dos genes é reproduzida em RNA. O processo de transcrição, assim como a replicação, é baseado na complementaridade de bases, e a síntese de RNA ocorre dentro da estrutura denominada “bolha de transcrição”, que por sua vez é formada por cerca de 18 pares de bases do DNA que são temporariamente separados e uma de suas fitas é utilizada como molde para a síntese do RNA. 4.1. Polimerases do RNA: As polimerases do RNA são enzimas que catalisam a síntese de RNA, como citado anteriormente, a partir de um molde de DNA. Porém, ao contrário das DNA polimerases, as polimerases do RNA, são capazes de iniciar uma nova cadeia de RNA a partir de um molde de DNA, sem a necessidade do iniciador “primer”. Em eucariontes, apesar do mecanismo de transcrição ser basicamente o mesmo que nos procariontes, a maquinaria de síntese de RNA é consideravelmente mais complexa do que nos seres procariontes, consequentemente, é possível verificar em eucariontes, três tipos de polimerases do RNA, onde cada uma delas será responsável pela transcrição de um conjunto específico de genes. Essas enzimas são estruturalmente semelhantes entre si e são denominadas como polimerases I, II e III do RNA, ou ainda, RNA polimerases I, II e III. 4.2. Iniciação da Transcrição Em eucariontes, as “tarefas” de transcrição são divididas entre os três tipos de polimerase, e o evento de início da transcrição é executada pela RNA polimerase II, a qual sintetiza os RNAm. Há algumas diferenças entre a transcrição em procariontes e em eucariontes, a primeira delas se diz respeito à estrutura da região promotora. Os promotores eucarióticos são variados e apresentam diferentes elementos de reconhecimento como por exemplo: o BRE (elemento de reconhecimento ao TFIIB), o TATA (elemento de reconhecimento ao TBP), o elemento iniciador (lnr), o DPE (elemento promotor à jusante) e o DCE (elemento central a montante). Uma outra diferença importante na iniciação eucariótica, é a necessidade de ligação ao DNA de várias proteínas na região promotora, antes que a RNA Polimerase possa se ligar. A polimerase não se liga diretamente ao DNA, e sim a essas proteínas posicionadas na região promotora, que, portanto, recebem a seguinte denominação: “fatores de transcrição basais ou fatores de transcrição gerais (GTF’s). A junção das GTF’s associadas à RNA polimerase constituem o “complexo de pré-iniciação”. Uma das sequências promotoras importantes é a TATA Box, cuja sequência é rica em adenina (A) e timina (T) e localiza-se em torno da posição -30. O consenso TATA Box é reconhecido por uma proteína chamada TBP, parte do complexo TFIID, que é um fator geral de transcrição. O mecanismo de reconhecimento de iniciação pode ser exemplificado a partir da seguinte figura: Após o reconhecimento da região promotora e a formação do complexo de pré-iniciação são transcritos com tamanho inferior a dez nucleotídeos, porém quando a RNA Polimerase II consegue estender essa síntese ao longo da fita, diz-se que o processo de transcrição prosseguiu para a fase de alongamento. 4.3. Fase de alongamento Após a síntese de cerca de nove a dez nucleotídeos de RNA, a subunidade sigma da RNA Polimerase dissocia-se e diversos “fatores de alongamento” se associam a polimerase, que passa a se mover ao longo da fita molde do DNA, consequentemente, alongando a molécula de RNA. A medida que a RNA Polimerase se move ao longo da fita de DNA, adicionando nucleotídeos no sentido 5’ para 3’, ela desenrola a hélice, expondo um novo segmento da cadeia molde. Os nucleotídeos unidos covalentemente à extremidade 3’ da cadeia de RNA em crescimento, formam um híbrido de DNA/RNA na região desenrolada do DNA, esse híbrido possui uma extensão de cerca de oito ou nove nucleotídeos da cadeia crescente de RNA. Atrás do local onde ocorre a síntese do RNA, a região da fita já transcrita volta a se emparelhar, refazendo a dupla hélice do DNA e o RNA que vai se soltando do DNA, emerge como fita simples e livre. Em sequência ao processo de alongamento, há a fase de término, onde em síntese, há a produção do pré-mRNA. 4.4. Fase de término Uma das fases de término nos procariontes é a dependente do fator Rho, que é um fator proteico que se liga a sítios específicos no RNA. Ao alcançar a RNA Polimerase na bolha de transcrição, o Rho “puxa” a transcrição do RNA e o molde de DNA se separa, liberando a molécula de RNA e terminando a transcrição. Há, ainda, sequências de parada de transcrição ao longo do DNA que auxiliam o fator Rho alcançar a RNA Polimerase. Em terminações independentes do fatorRho, há a dependência de uma sequência específica do DNA rica em nucleotídeos C e G. O RNA transcrito desta região se dobra para si mesmo e os nucleotídeos complementares C e G se ligam, formando uma espécie de “grampo de cabelo” estável que prende a RNA Polimerase e, consequentemente, finalize a transcrição. Já em eucariontes, a RNA polimerase II continua transcrevendo após o transcrito ser liberado, e a terminação tem início quando um “sinal de poliadenilação” aparece no transcrito de RNA. Essa é uma sequência de nucleotídeos que marca o fim da transcrição, e o sinal é reconhecido por uma enzima que cliva o transcrito de Pré-mRNA. Por conseguinte, há a ligação da Rat1 à ponta 5’ a qual degrada a molécula de RNA até atingir a RNA Polimerase. 4.5. Processamento do RNA: No RNA recém-sintetizado há a presença de porções estruturais específicas, tais como: o “CAP do mRNA”, os éxons, íntrons e a cauda poli A. O CAP do RNA é uma modificação que ocorre na extremidade 5’, que confere à molécula uma maior estabilidade, pois a protege da ação de fosfatases e nucleases. Éxons ou “expressed regions” são segmentos de DNA de um gene eucariótico que codificam aminoácidos. Já os íntrons ou “intrangenic regions” são sequências do DNA que não codificam qualquer aminoácido. Cauda poli A, é uma cauda de poliadenilato presente na extremidade 3’, a qual possui cerca de 200 adeninas, que se enrolam ao redor de várias cópias de uma proteína ligadora e possuem a função de atuar como acentuadora no processo de tradução, além de proteger o mRNA da digestão pelas nucleases presentes no meio e, assim como o CAP, garantir maior estabilidade à molécula. Diante do exposto, após o processo de transcrição, há a formação do Pré-RNAm, que possui todas as estruturas citadas acima, essa molécula passará por um processo de recomposição onde os íntrons serão removidos e o produto desse processo será o RNA mensageiro que estruturalmente apresentará apenas o cap na ponta 5’, os éxons ao longo de sua cadeia e em sua extremidade 3’, há a presença da cauda poli A. Ressaltando que a remoção dos íntrons é efetuada por um complexo de ribonucleoproteínas nucleares (snRNPs), também conhecidas como snurps, e o complexo de snurps (4 snurps) dá-se o nome de spliceossomo, consequentemente denominando o processo de remoção dos íntrons como “splicing” Após o processamento do RNA pré-mensageiro há como produto final o RNA mensageiro maduro e funcional. 5. Conclusão Neste trabalho, foi possível observar a importância do processo de transcrição do RNA na síntese de proteínas, a partir desse processo as mensagens contidas nos cístrons, podem ser convertidas em RNA mensageiro, que por sua vez, serve de molde para a produção dos aminoácidos codificados que futuramente sintetizarão proteínas necessárias para a célula. As proteínas são macromoléculas que desempenham papéis importantes em nosso organismo, seja por sua função construtora, como sua função reparadora. Além de suas atuações como enzimas, hormônios e anticorpos, a partir destes poucos exemplos, já é possível ter uma ideia do quão importante esses compostos são para nós, visto que, além de sua grande participação estrutural, há também a atuação do controle metabólico a partir destas moléculas. Neste contexto, sem a transcrição, não há síntese de aminoácidos, consequentemente não há formação de proteínas e sem proteínas é inviabilizada a vida em seu contexto geral. REFERÊNCIAS http://www2.bioqmed.ufrj.br/prosdocimi/RNA/transcricao.htm - Acesso em: 26/03/2018 http://www2.bioqmed.ufrj.br/prosdocimi/RNA/rna.htm - Acesso em: 26/03/2018. http://www2.bioqmed.ufrj.br/prosdocimi/RNA/processamento.htm - Acesso em: 26/03/2018. http://www2.bioqmed.ufrj.br/prosdocimi/RNA/splicing.htm - Acesso em: 26/03/2018. KAMOUN, Pierre. Bioquímica e biologia molecular. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. SANTOS, Vanessa Sardinha Dos. "O que é RNA?"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/biologia/o-que-e-rna.htm>. Acesso em 26/03/2018 SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Transcrição"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/biologia/transcricao.htm>. Acesso em: 26/03/2018 TRANSCRIÇÃO E PROCESSAMENTO DO RNA. (2018). São Paulo. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3005345/mod_resource/content/1/BiologiaMolecular _texto04%20%288%29final.pdf>. Acesso em: 26/03/2018.