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Poliana Terra P. R. C. Caires Medicina – FASA | Turma VI MÓDULO HABILIDADES PROFISSIONAIS I DIAGNÓSTICO POR IMAGEM – TRATO GENITAL FEMININO + DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO INICIAL 1. Anatomia do Útero Órgão muscular, extraperitoneal e recoberto pelo peritônio; O útero estará dividindo a cavidade pélvica em anterior e posterior; Recessos: vesicouterino (entre a bexiga e o útero) e retouterino/fundo de saco de Douglas (entre o útero e o reto) O Recesso posterior é importante, pois através da vagina podemos ter acesso/tocar o fundo do saco de Douglas. Durante o toque a gente consegue perceber se tem líquido, alguma inflamação ou sangue na cavidade; O útero é fixado pelos ligamentos largos do útero, redondo e útero-sacral. Todos os órgãos do sistema reprodutor feminino irão sofrer estímulos hormonais e como consequência irão responder os estímulos. Com isso, podemos perceber alguns parâmetros de acordo com a idade da paciente: Infância: colo uterino 2x maior que o corpo do útero; Adolescência: já começa a ter uma maior influência hormonal, então a proporção do colo e do corpo uterino estará de 1:1; Adulta: corpo é 2x maior que o colo uterino; Multípara: a proporção será >2:1 devido ao crescimento do feto/bebê no corpo uterino; Pós-menopausa: os estímulos hormonais cessam, assim o útero tende a atrofiar, mas não retorna à sua forma infantil. A cavidade pélvica pode ser estudada por quatro vias: Transabdominal (suprapúbica): a bexiga deve estar cheia de líquido para servir como janela acústica. Dessa forma, ela irá empurrar os gases para longe do útero para facilitar a visão do útero e dos ovários; Transvaginal: contato direto com o útero, logo nenhuma estrutura irá sobrepô- lo. É evitado em crianças, virgens e quando há atrofia (mulheres idosas); Transperineal Transretal: indicado quando tem algum acontecimento pélvico. Ex. endometriose profunda. As vias transretal e transperineal não são muito usadas. 2. Eixo Uterino Versão: maior eixo da vagina em relação ao maior eixo do colo uterino. Flexão: maior eixo do colo uterino em relação ao maior eixo da cavidade uterina; Útero em anteversoflexão é o posicionamento mais comum; Útero em retroversoflexão/retrovertido é mais suscetível à algumas patologias como endometriose; tumores uterinos e tumores dos anexiados (os produtos da menstruação não são expelidos corretamente); 3. Volume Uterino Infância <10 cm³ Paridade 1 Até 140 cm³ Adolescência 10 – 40 cm³ Paridade 2 Até 160 cm³ Nulípara 25 – 90 cm³ Paridade 3 Até 180 cm³ Cálculo do volume: medida do maior eixo do útero; medida do útero anteroposterior e latero-lateral; Mioma uterino é um tipo de tumor benigno da camada muscular do útero que acaba acarretando em um aumento do volume uterino normalmente maior que 90cm³. 4. Endométrio Avaliar a espessura conforme o ciclo ovulatório e a ecotextura; Preocupação no climatério (período depois da última menstruação/pós menopausa); Aumento da espessura sem terapia de reposição hormonal – hormônios exógenos (TRH) pode indicar a ocorrência de câncer/neoplasias; Espessura: até 5mm sem TRH e até 10mm com TRH Pólipo endometrial é um exemplo de tumor benigno que aumenta a espessura do endométrio. Poliana Terra P. R. C. Caires Medicina – FASA | Turma VI 5. Colo Uterino COLO UTERINO NORMAL COLO UTERINO COM AFUNILAMENTO Insuficiência Istmo Cervical: paciente grávida com canal endocervical muito curto (geralmente menor que 2cm) poderá sofrer aborto em semanas mais avançadas, pois o canal não irá ser forte o suficiente para segurar o bebê. Uma solução é costurar o colo uterino, suturando no início da gestão e tirando os pontos perto do parto. 5.1 Dispositivos Intrauterinos DIU – Dispositivo Intrauterino de COBRE: deve estar próximo ao fundo uterino. No fundo uterino ele causará uma reação inflamatória e assim irá poder agir (vai obstruir a tuba uterina e assim o óvulo não será liberado), fora do fundo ele irá causar a reação inflamatória, mas não terá eficácia; DIU DE COBRE (BEM POSICIONADO) DIU DE COBRE (MAL POSICIONADO) DIU – Dispositivo Intrauterino de MIRENA: libera uma substância chamada levonorgestrel (hormônio – efeito regional) e não é visível no ultrassom, exceto em suas extremidades. Não tem necessidade de estar no fundo uterino, pois o efeito é regional 6. Anatomia do Ovário Órgãos pares de formato esfenoide, geralmente orientado verticalmente a bexiga vazia; Em mulheres nulíparas os ovários se encontram na fossa ovariana; Útero em AVF os ovários estão, normalmente, posteriores ou laterais a ele; Gravidez os ovários sofrem deslocamento podendo assumir a posição mais baixa da pelve. Após a fim da gestação há pouca probabilidade dos ovários voltarem a fossa; O ovário possui uma irrigação arterial dupla (artéria ovariana – aorta e artéria uterina – ilíaca interna) que dificulta o infarto do órgão; Sem peritônio: permite que qualquer neoplasia ovariana tenha uma rápida disseminação para a cavidade peritoneal. Características no ultrassom: Ecotextura homogênea / Medula Mais Ecogênica Período produtivo: Folículos periféricos Menopausa: Homegêneo / Hipoecogênico 6.1 Ovário não dominante (INATIVO) x Ovário Dominante (Ativo) Do ponto de vista fisiológico, a resistência dos vasos que estão no folículo dominante diminui. Dessa forma, se o vaso possui menor resistência isso quer dizer que ele irá receber mais fluxo sanguíneo. Importância: visualização mais evidente do ovário dominante para a retirada de óvulos em processos de reprodução assistida. Poliana Terra P. R. C. Caires Medicina – FASA | Turma VI OVÁRIO NÃO DOMINANTE OVÁRIO DOMINANTE VASOS (ALTA X BAIXA RESISTÊNCIA) 7. Propedêutica por imagem em obstetrícia Modalidades: Ultrassonografia, Dopplervelocimetria, Ressonância Magntérica, Raio X e Tomografia Computadorizada. Os dois últimos o médico tende a evitar. Riscos da Radiação Ionizante (RX e TC) Primeiro trimestre: aborto e restrição do crescimento fetal; Segundo e terceiros trimestres: riscos menores; pequeno aumento de risco de câncer na infância; Período da organogênese: Período de maior vulnerabilidade; Ultrassonografia é o método de diagnóstico por imagem mais importante na gestação, por isso ele faz parte da rotina do pré-natal. É um método importante, pois: Estima a idade gestacional e avalia o crescimento fetal; Vitalidade fetal (Perfil Bioquímico Fetal – PBF/Dopler); Rastreamento e diagnóstico de anomalias fetais; Aborto/Ectópica/Neoplasia trofoblástica gestacional; Diagnóstico de gestação múltipla; Situação/Apresentação/Posição; Placenta; Cordão Umbilical; LA; Doenças ginecológicas e não ginecológicas; Procedimentos Invasivos IMPORTANTE RECOMENDAÇÃO DA FEBRASCO 3 Ultrassons: 10ª - 14ª semana; 18ª – 22ª semana e 34ª – 38ª semana. Único exame: 20ª semana. 8. Evolução normal da gestação 4 semanas: Espessamento endometrial; Corpo lúteo em um dos ovários; Saco gestacional – β-HCG de 750 – 1.000mUI/mL (acima de 1.000 pede para fazer o ultrassom na próxima semana e abaixo de 1.000 pode ser que a paciente abortou e não percebeu) Valores muitos altos do exame de β-HCG podem estar associados à uma gravidez gemelar ou à uma neoplasia trofoblástica gestacional. Poliana Terra P. R. C. CairesMedicina – FASA | Turma VI 5 Semanas Vesícula vitelínica (3-7 mm); Permanece da 5ª a 12ª semana; SG com 10mm pode ser visualizada a VV. 6-6,5 semanas: Embrião de 2-3mm, junto à margem da vesícula vitelínica SG com 16mm visualiza-se o embrião; Comprimento Cabeça-Nádega de 5mm visualiza-se o coração 7 semanas: CNN de 9-14mm. O parâmetro CNN é o mais fidedigno para calcular a idade gestacional até 12 semanas; 8 semanas: CCN de 15-22mm 9 semanas: CCN de 23-31mm Poliana Terra P. R. C. Caires Medicina – FASA | Turma VI Translucência Nucal Exame de alta sensibilidade para detecção de T21 (Síndrome de Down) Os pacientes T21 geralmente tem alguma cardiopatia e no período fetal há uma enorme atividade cardíaca. Com isso, haverá uma sobrecarga da região cardíaca e ocasionará a formação de prega nucal (acúmulo de líquido)