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AN02FREV001/REV 4.0 1 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE FISIOTERAPIA NEONATAL Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 2 CURSO DE FISIOTERAPIA NEONATAL MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 3 SUMÁRIO MÓDULO I 1 INTRODUÇÃO 2 PERÍODO NEONATAL 3 CLASSIFICAÇÃO DO NEONATO 3.1 CONCEITOS DE PREMATURIDADE 3.1.1 Prematuridade limítrofe 3.1.2 Prematuridade moderada 3.1.3 Prematuridade extrema 3.1.4 Pequeno para a idade gestacional 3.1.4.1 Etiologia 3.1.4.2 O bebê PIG 3.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO NEONATO 3.3 CARACTERÍSTICAS DO NEONATO PREMATURO 3.4 DIFERENÇAS ANATÔMICAS E FISIOLÓGICAS DOS NEONATOS 3.4.1 Diferenças anatômicas 3.4.2 Diferenças fisiológicas 3.5 RECÉM-NASCIDOS DE ALTO RISCO MÓDULO II 4 DISTÚBIOS RESPIRATÓRIOS DO RECÉM-NASCIDO 4.1 APNEIA DA PREMATURIDADE 4.2 DOENÇA PULMONAR DAS MEMBRANAS HIALINAS (DPMH) 4.3 HIPERTENSÃO PULMONAR PERSISTENTE NEONATAL (HPPN) - CIRCULAÇÃO FETAL PERSISTENTE (CFP) 4.4 PNEUMONIA NEONATAL 4.5 TAQUIPNEIA TRANSITÓRIA DO RECÉM-NASCIDO (TTRN) 4.6 SÍNDROME DE ASPIRAÇÃO MECONIAL (SAM) 4.7 SÍNDROME DE ESCAPE DE AR 4.8 ENFISEMA INTERSTICIAL PULMONAR AN02FREV001/REV 4.0 4 4.9 PNEUMOMEDIASTINO 4.10 PNEUMOTÓRAX 4.11 DISPLASIA BRONCOPULMONAR OU DOENÇA PULMONAR CRÔNICA 5 DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS 5.1 ASFIXIA PERINATAL 5.1.1 Avaliação anteparto 5.1.2 Avaliação intraparto 5.1.3 Avaliação das repercussões sistêmicas 5.1.3.1 Manejo das repercussões sistêmicas na UTI neonatal 5.2 CONVULSÕES NEONATAIS 5.2.1 Crises sutis 5.2.2 Crises tônicas 5.2.3 Crises clônicas 5.2.4 Crises mioclônicas 5.3 HEMORRAGIA PERI-INTRAVENTRICULAR (HPIV) 5.3.1 Tratamento/prevenção 6 MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS DE IMPORTÂNCIA FISIOTERAPÊUTICA 6.1 TORCICOLO CONGÊNITO 6.2 PARALISIA OBSTÉTRICA 6.2.1 Incidência 6.3 PÉ TORTO CONGÊNITO MÓDULO III 7 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA DO NEONATO 7.1 CARACTERÍSTICAS NEONATAIS QUE DEVEM SER OBSERVADAS 7.2 AVALIAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA 7.2.1 Sinais de angústia respiratória 7.2.1.1 Tórax 7.2.1.2 Cor da pele 7.2.1.3 Tosse 7.2.1.4 Padrão respiratório 7.2.2 Ausculta AN02FREV001/REV 4.0 5 7.2.3 Outros sistemas 7.3 AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA 7.3.1 Reflexos arcaicos do recém-nascido 7.3.2 Medidas da cabeça 7.3.3 Exame neurológico do recém-nascido prematuro 8 FISIOTERAPIA EM NEONATOLOGIA 8.1 INDICAÇÃO 8.2 OBJETIVOS GERAIS 8.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 8.4 PROTOCOLO FISIOTERAPÊUTICO NA UTI NEONATAL E UNIDADE INTERMEDIÁRIA 9 FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA 9.1 TÉCNICAS DE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA 9.1.1 Vibração torácica 9.1.2 Compressão torácica 9.1.3 Drenagem postural 9.1.4 Bag squeezing 9.1.5 Manobra zeep 9.1.6 Tosse 9.1.7 Aumento do Fluxo Expiratório (AFE) 9.1.8 Percussão torácica 9.1.9 Fisioterapia motora e estimulação essencial 9.2 ROTINA ASSISTENCIAL AO NEONATO SUBMETIDO À VENTILAÇÃO MECÂNICA 9.2.1 Aspiração de vias aéreas 9.2.1.1 Sistema de aspiração aberta 9.2.1.2 Sistema de aspiração fechada 9.2.2 Posicionamento terapêutico 9.2.2.1 Posicionamento em prono 9.2.2.2 Posicionamento em supino 9.2.2.3 Posicionamento em decúbito lateral 9.2.2.4 Posicionamento nas diversas patologias respiratórias do período neonatal AN02FREV001/REV 4.0 6 MÓDULO IV 10 ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA 10.1 OXIGENIOTERAPIA 10.2 GASOMETRIA ARTERIAL 10.3 CPAP 10.4 CPAP NASAL 10.5 VENTILAÇÃO MECÂNICA INVASIVA 10.5.1 Indicações de ventilação pulmonar mecânica 10.5.2 Tipos de ventiladores 10.5.3 Modos de ventilação pulmonar mecânica 10.5.3.1 Ventilação mecânica controlada 10.5.3.2 Ventilação mecânica assistida/controlada 10.5.3.3 Ventilação mandatória intermitente 10.5.3.4 Ventilação mandatória intermitente sincronizada 10.5.3.5 Ventilação com suporte de pressão 10.5.4 Parâmetros ventilatórios 10.5.4.1 Pressão inspiratória 10.5.4.2 PEEP 10.5.4.2.1 Tempo inspiratório e expiratório 10.5.4.2.2 Frequência respiratória 10.5.4.2.3 Fluxo 10.5.4.2.4 FiO2 10.5.5 Complicações da ventilação mecânica 10.5.6 Desmame da ventilação mecânica e extubação 10.6 TERAPIA DE REPOSIÇÃO DO SURFACTANTE PULMONAR REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AN02FREV001/REV 4.0 7 MÓDULO I 1 INTRODUÇÃO A fisioterapia está cada dia mais integrada aos serviços de cuidado intensivo neonatal. Direcionada não só à manutenção das vias aéreas com manobras específicas, como também participando integralmente das atividades interdisciplinares, visando a um melhor desenvolvimento global do neonato, buscando integrá-lo ao meio, estimulando a auto-organização sensório-motora, e estimulando seu Desenvolvimento Neuropsicomotor (DNPM). Por isso, a necessidade de entendermos um pouco mais das peculiaridades do recém-nascido, da fisiopatologia das doenças que acometem o período neonatal e do atendimento fisioterapêutico, propriamente dito. Este conjunto de conhecimentos é necessário para que se dê uma assistência fisioterapêutica adequada a estes pacientes especiais. 2 PERÍODO NEONATAL É o intervalo de tempo compreendido do nascimento até o 28º dia de vida referindo-se, então, desde o nascimento até o momento em que a criança atinge a idade de 27 dias, 23 horas e 59 minutos. 3 CLASSIFICAÇÃO DO NEONATO A avaliação da idade gestacional (IG) no exame do neonato é muito importante para saber qual sua classificação e os principais problemas que poderiam acometê-la. Há parâmetros a serem avaliados para a classificação dividida em três AN02FREV001/REV 4.0 8 categorias básicas: peso, IG e crescimento intrauterino, sendo assim determinados: Pré-termo (PT): são as crianças nascidas vivas antes de 38ª semana, ou seja, 265 dias, ou ainda são denominados prematuros nascidos com menos de 37 semanas; Termo (T): são as crianças nascidas vivas entre 37-42 semanas; Pós-termo (Po): são aquelas nascidas vivas com 42 semanas ou mais de IG. Segundo os critérios adotados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), os nascimentos que ocorrem entre a 37ª semana e 42ª semana completa (259 a 293 dias), após o último período menstrual são considerados a termo. Os nascimentos que ocorrem antes de 37 semanas ou de 259 dias, após o último período menstrual, ainda sobre os critérios da OMS são considerados pré- termo. Os nascimentos ocorridos após 42 semanas inteiras ou mais (249 dias ou mais), após o último período menstrual serão considerados pós-termo segundo os critérios da OMS. Dentro das características da IG, o neonato poderá ser classificado ainda, quanto ao peso e tamanho do nascimento da seguinte forma: AIG - adequado para idade gestacional; GIG - grande para a idade gestacional; PIG - pequeno para idade gestacional. 3.1 CONCEITOS DE PREMATURIDADE De acordo com a OMS (1961), é considerado prematuro, ou pré-termo, o neonato com menos de 37 semanas de gestação. Segundo Leone (1967), uma nova classificação foi feita por meio do peso e da IG, colocando este limite em 38 semanas, considerando, portanto, prematuros os nascidos com 37 6/7 semanas; no AN02FREV001/REV 4.0 9 entanto, permanecem mais utilizados os parâmetros descritos pela OMS. As características antropométricas do neonato prematuro variam sempre de acordo com a IGe com o padrão de crescimento. A IG e o peso de nascimento, da mesma forma que constituem os principais fatores determinantes da incidência de complicações neonatais, também se ligam à ocorrência de deficiências na evolução pós-natal destes neonatos. 3.1.1 Prematuridade limítrofe A prematuridade limítrofe é a que compreende o grupo de neonatos nascidos entre a 35ª e a 36ª semana de gestação, sendo que estes geralmente pesaram entre 2.200 e 2.800 g, medindo entre 45 e 46 cm de comprimento, e aproximadamente 32,5 cm de perímetro cefálico. Os principais problemas que essas crianças apresentam são: Controle irregular da temperatura corpórea; Deficiência na deglutição; Hiperbilirrubinemia e, menos frequentemente, síndrome do desconforto respiratório idiopático; Infecções neonatais. A distinção do neonato pré-termo limítrofe torna-se importante à vista do exposto, e já o próprio exame clínico o permite. A instabilidade térmica, alterações na mecânica alimentar, uma insuficiência respiratória representada por retrações intercostais, taquipneia e cianose, e uma icterícia importante, podem representar uma imaturidade funcional no neonato PT ou, então, graves sinais de doença no neonato de termo. 3.1.2 Prematuridade moderada AN02FREV001/REV 4.0 10 A prematuridade moderada (PM) pode ser definida quando o neonato é nascido entre 31 e 34 semanas de gestação, sendo que, a maior parte destes nasce com mais de 2.000 g de peso – observa-se que, nos centros mais adiantados, estes prematuros apresentam baixa mortalidade. O peso de nascimento destes neonatos pode oscilar entre 1.600g e 2.300g, sendo a principal causa de óbitos neste grupo a insuficiência respiratória, em especial a DMH, e as infecções neonatais adquiridas. Os sofrimentos e situações clínicas características da prematuridade moderada, habituais neste grupo, são em geral partilhados com os dos pré-termo extremos, descritas a seguir. 3.1.3 Prematuridade extrema Segundo Leone (1994), os recém-nascidos pré-termo extremo (PTE), são definidos como aqueles cuja idade gestacional é menor ou igual a 30 semanas; apresentam, em decorrência desta maior imaturidade, intercorrências mais frequentes e mais graves, favorecendo o desenvolvimento de deficiência a curto e/ou em longo prazo. Estes neonatos costumam pesar menos do que 1.500 g, medir menos do que 38 cm de estatura e menos do que 29 cm de perímetro cefálico, ao nascimento (LEONE, 1994; CALIL, 1996). Os problemas mais frequentes que este grupo costuma apresentar são: Anoxia perinatal; Dificuldade na manutenção da temperatura corpórea; Insuficiência respiratória - DMH, DBP; Crises de apneia; Hiperbilirrubinemia; Infecções adquiridas; Hipo e hiperglicemia; Hipocalcemia precoce; Enterocolite necrotizante; Hemorragia intracraniana; AN02FREV001/REV 4.0 11 Persistência de canal arterial (PCA); Retinopatia da prematuridade - fibroplasia retrolental; "Raquitismo da prematuridade"; Anemia; Malformações congênitas; Iatrogenias - infusão de líquidos e eletrólitos; Efeitos adversos de drogas. 3.1.4 Pequeno para a idade gestacional 3.1.4.1 Etiologia Potencial fetal reduzido: Nanismos; Aberrações cromossômicas; Anencefalia; Anomalias congênitas; Infecções; Gemelaridade. Adequação de suprimento reduzida: Fatores ambientais: Altitude elevada; Exposição a agentes teratogênicos; Irradiações. Fatores maternos: Desnutrição; Baixa idade; AN02FREV001/REV 4.0 12 Pequena estatura; Multiparidade; Pequeno ganho ponderal durante a gestação; Más condições socioeconômicas; Infertilidade; História de perdas fetais; Doenças crônicas maternas: cardiopatias, nefropatias, pneumopatias, diabetes, hipertensão arterial, hemoglobinopatias; Fumo. Fatores placentários: Infartos; Deslocamentos; Hemangiomas; Trombose venosa. 3.1.4.2 O bebê PIG Foram definidos dois tipos de retardo do crescimento intrauterino ou de bebês pequenos para idade gestacional (PIG): O tipo PIG proporcional ou simétrico, com desnutrição crônica, em que são afetados tanto o peso quanto o comprimento, desde o primeiro trimestre da gravidez. Essas crianças nascem pequenas, mas com proporções idênticas aos parâmetros da normalidade, como miniaturas perfeitas. É o tipo PIG desproporcional ou assimétrico, que recebe influências no terceiro trimestre, quando o peso aumentaria mais que o comprimento. O feto então utiliza suas reservas de gordura, o que provoca a perda de peso com manutenção do comprimento e PC dentro da normalidade. AN02FREV001/REV 4.0 13 3.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO NEONATO Nos primeiros 15 dias de vida, o neonato apresenta peculiaridades que o faz ser perfeitamente individualizado. Descrição das características padrões do neonato nascido a termo, isto é, neonato com período gestacional de 38 semanas. Estatura média: sexo masculino, 50 cm; sexo feminino, 49 cm; Peso médio: varia entre 3.180 a 3.640 g; Perímetro cefálico: 33 a 37 cm; Perímetro torácico: 33 cm; Batimentos cardíacos: em torno de 120 batimentos por minuto, podendo variar de 70 a 160; Respiração: os movimentos respiratórios são visíveis em nível de parede abdominal, numa frequência em torno de 40 a 60 incursões por minuto; Pele: a pele do neonato é caracterizada por extraordinária finura, e por isso, extremamente sensível aos traumas. Ao nascer, apresenta o vérnix caseoso; trata-se de uma camada gordurosa esbranquiçada que cobre toda a pele, acumulando-se nas dobras das articulações. De acordo com as atividades do neonato, dentro de horas, a pele assume uma coloração que vai do róseo ao vermelho vivo, denominado de eritema fisiológico. A cor pálida intensa pode sugerir estado de choque, anemia, anoxia, distúrbio respiratório, etc. Após o eritema fisiológico, instala-se a descamação fisiológica. No ombro e às vezes nos braços, a pele fica coberta com um véu fino, chamado lanugo, que desaparece em poucas semanas; Cabelo: os cabelos dos neonatos a termo são geralmente sedosos e finos; Pregas plantares: o neonato a termo apresenta uma série de pregas plantares; Órgãos genitais: o neonato masculino quase sempre apresenta fimose acentuada; o escroto é muitas vezes volumoso. No sexo feminino, chama atenção o aumento de volume dos grandes lábios, a secreção vaginal geralmente é de cor branca e de consistência cremosa; AN02FREV001/REV 4.0 14 Glândulas mamárias: após o nascimento ocorre um aumento por dois ou três dias, permanecendo o nódulo palpável por dois ou três meses; Temperatura: o neonato esfria-se e aquece-se facilmente em virtude da imaturidade do sistema termorregulador. Ao nascer, sua temperatura é igual a da mãe. Depois cai de 1ºC a 30ºC, voltando em torno de seis horas, mais ou menos, para 37ºC. Em seguida, varia de 34,7ºC a 36,7ºC; Choro: é vigoroso e de timbre variável; Postura: subordina-se à atividade intrauterina e ao tônus muscular; Atividade espontânea: os neonatos de termo tem maior atividade, os movimentos dos membros inferiores são mais irregulares e dos superiores tendem a ser simétricos. 3.3 CARACTERÍSTICAS DO NEONATO PREMATURO Ao longo dos últimos 30 anos vêm se acumulando dados sobre as características comportamentais e fisiopatológicas sobre os prematuros. Seguindo o mesmo referencial dos dados acima, segue a classificação do prematuro: Pele: quanto menor é a IG, mais fina e lisa será a pele do prematuro, assumindo um aspecto gelatinoso nos fetos extremamente imaturos. Orelha: no pré-termo extremo, a orelha tende a ser chata e disforme; o encurvamento da borda dopavilhão auricular é inversamente proporcional à IG. Região plantar: a ausência de linhas indica prematuridade extrema. Quanto maior a prematuridade, menos marcas serão encontradas nas plantas dos pés. Glândula mamária: a glândula mamária em geral não pode ser palpada no PT, o que pode ser confundido na avaliação do RN-PIG que pode apresentar diminuição acentuada ou até mesmo ausência do tecido mamário. Aréola mamária: a ausência de aréola é uma característica do PT, podendo em alguns casos ser visualizado apenas o mamilo, ou a presença da aréola lisa sem a linha pontilhada. AN02FREV001/REV 4.0 15 3.4 DIFERENÇAS ANATÔMICAS E FISIOLÓGICAS DOS NEONATOS As diferenças anatômicas e fisiológicas próprias do neonato são muitas. A vulnerabilidade destes neonatos fica, muitas vezes, aumentada principalmente no que se refere às questões cardiorrespiratórias, sendo a angústia respiratória, a obstrução das vias aéreas e a insuficiência respiratória, patologias frequentemente encontradas neste período. Há ainda, as diferenças estruturais e funcionais dos prematuros, que também aumentam a suscetibilidade para complicações cardiopulmonares e complicações clínicas. Algumas diferenças são protetoras e funcionais em um neonato saudável normal, mas podem contribuir para o aumento de complicações em neonatos pré-termo patológicos. 3.4.1 Diferenças anatômicas As diferenças que afetam a função cardiopulmonar em neonatos incluem as seguintes: Laringe alta: permitindo que o neonato respire e degluta simultaneamente até aproximadamente três a quatro meses de idade. A posição alta da laringe e a resistência relativamente baixa da passagem aérea nasal contribuem para a possibilidade de o neonato respirar exclusivamente pelo nariz. No neonato, a laringe está localizada entre a terceira e quarta vértebra cervical, enquanto no adulto situa-se entre a quarta e a quinta; isto implica que durante a laringoscopia as cordas vocais têm uma posição anterior e superficial em relação às outras estruturas. Tecido linfático: as vias aéreas podem se encontrar obstruídas em razão do espessamento do tecido linfático. AN02FREV001/REV 4.0 16 Superfície alveolar: no neonato a termo, esta área representa aproximadamente um vinte avos da área da superfície alveolar do adulto. O desenvolvimento e a multiplicação alveolar é contínua até aproximadamente oito anos de idade, sendo que é muito mais rápida no primeiro ano de vida. O neonato usa esta capacidade de recrutar novos alvéolos como condição protetora. Em contraste com esse crescimento alveolar pós-natal, a formação das vias aéreas condutoras está completa por volta da 16ª semana de gestação. Durante a infância, o diâmetro das vias aéreas e o suporte estrutural são reduzidos, e, portanto, as chances de obstrução e colapso das vias aéreas aumentam, principalmente no período neonatal. Estruturas anatomofisiológicas pulmonares: no neonato são encontrados, em pequenos números, os canais para ventilação colateral, denominados poros de Kohn e canais de Lambert. Segundo Crane, embora pouco se saiba sobre essas estruturas, a observação que os lobos médio e superior direitos (LMD e LSD) apresentam menos canais colaterais pode estar associado com a maior incidência de atelectasia de LMD e LSD em neonatos. Caixa torácica: no neonato, a caixa torácica apresenta uma configuração circular no plano horizontal. Esta configuração diminui a eficiência da ventilação e aumenta a distorção no formato da parede torácica em razão do ângulo de inserção do diafragma que é horizontal que, quando combinado à caixa torácica, também horizontal e mais cartilaginosa, altera as respostas musculares. Cavidade oral: no neonato, a cavidade oral é proporcionalmente menor do que a língua, podendo resultar em uma obstrução significativa. Epiglote: o neonato tem a epiglote mais dura e estreita, com uma angulação fora do eixo da traqueia, tornando difícil a fixação da epiglote com a lâmina do laringoscópio; além deste fato, as cordas vocais são mais cartilaginosas e facilmente lesadas. AN02FREV001/REV 4.0 17 Anel cricoide: no neonato, o anel cricoide é a porção mais estreita das vias aéreas, em vez das cordas vocais; portanto, a sonda endotraqueal, que passa facilmente pelas cordas vocais, pode não prosseguir distalmente pela obstrução em nível de anel cricoide. Traqueia: a traqueia do neonato é curta, mede em torno de 4 a 5 cm; em razão da curta distância da traqueia, é comum a extubação acidental ou ainda a intubação seletiva à direita. 3.4.2 Diferenças fisiológicas As principais diferenças que afetam a função cardiopulmonar incluem as seguintes: Diminuição da complacência pulmonar: os neonatos normais a termo apresentam aumento na complacência pulmonar na primeira semana de vida. A diminuição da complacência significa que o neonato está necessitando de maiores pressões de insuflação para manter o volume pulmonar, eles precisam trabalhar mais para ventilar seus pulmões. Este problema aumenta com a deficiência de surfactante e os alvéolos são mantidos a volumes baixos, diminuindo a capacidade residual funcional (CRF), o que é comum ocorrer em diversas patologias neonatais. Padrão respiratório: o padrão respiratório do neonato, normalmente, é irregular; este fato está diretamente relacionado à imaturidade do recém-nascido. Frequência respiratória: os neonatos compensam as dificuldades respiratórias aumentando a velocidade em vez da profundidade da ventilação. Sono: o neonato dorme até 20 horas por dia podendo passar 80% desse tempo em sono de movimento rápido dos olhos (REM), enquanto no adulto apenas 20% do tempo de sono é na fase de sono REM. Durante o sono REM, ocorre grande aumento do trabalho respiratório secundário à diminuição do tônus muscular AN02FREV001/REV 4.0 18 postural correspondente também à musculatura intercostal, o que faz com que a caixa torácica superior se retraia enquanto o diafragma se contrai. O trabalho respiratório aumenta ainda mais devido à redução de 30% na CRF durante o sono REM. Diafragma: O diafragma do neonato apresenta uma porcentagem reduzida de fibras musculares do tipo I, vermelhas, correspondendo a aproximadamente 25% se comparado com 50% no adulto, sendo estas fibras de contração lenta, resistentes à fadiga e com alto teor de oxidação. No prematuro, as fibras de tipo I podem ser de apenas 10% das fibras musculares do diafragma. Em consequência disso, fica aumentada a suscetibilidade à fadiga da musculatura respiratória. 3.5 RECÉM-NASCIDOS DE ALTO RISCO Vinte cinco a vinte e nove por cento dos bebês que requerem assistência neonatal intensiva são estimados como sendo de alto risco para comprometimento neurológico ou retardo do desenvolvimento. Indicadores de risco para o desenvolvimento para encaminhamento à terapia neonatal: Risco biológico: Peso abaixo de 1.500 g; Idade gestacional menor ou igual a 32 semanas; Pequeno para a idade gestacional; Asfixia perinatal; Problemas neurológicos: hemorragia intracraniana; convulsão neonatal; meningite; Doença pulmonar crônica: ventilação prolongada; broncodisplasia pulmonar; Hipoglicemia sintomática; Hiperbilirrubinemia; AN02FREV001/REV 4.0 19 Infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, vírus da herpes tipo II, sífilis, citomegalovírus). Risco estabelecido: Hidrocefalia; Microcefalia; Anormalidades cromossômicas; Anormalidades musculoesqueléticas; Nascimento múltiplo acima de dois; Lesões do plexo braquial; Miopatias congênitas; Erros inatos do metabolismo; Infecção por HIV. Risco ambiental e social: Abuso materno de drogas ou álcool; Anormalidades no estado comportamental(irritabilidade excessiva, instabilidade do estado comportamental). FIM DO MÓDULO I