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Livro Texto   Unidade II

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contemporânea é o trabalho do escultor 
Frans Krajcberg. Nascido na Polônia, adotou o Brasil como pátria e dele tornou-se cidadão. Naturalizado 
brasileiro, é uma presença forte no cenário da arte contemporânea nacional, principalmente por adotar 
elementos naturais em seus trabalhos. Sua arte representa a natureza brasileira utilizando diferentes 
técnicas e materiais, como pedra, cipós trançados, troncos de árvores e os relevos naturais deixados pelo 
mar na praia. No início, usou a pintura para se manifestar e procurava nas rochas e terras mineiras sua 
coloração para pintar suas telas. Mais tarde, buscou nos troncos das árvores devastadas pelas queimadas 
do Mato Grosso e nos cipós mortos por parasitas dos mangues da Bahia a inspiração para seus trabalhos 
como escultor. O objetivo de suas esculturas é dar vida a algo morto da natureza.
Figura 31 – Esculturas de Troncos Queimados (2008), de Krajcberg, feita de árvores das queimadas do Mato Grosso
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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES
5.1 Modernidade e pós-modernidade
Por que há de ser a arte contemporânea uma esfinge questionadora? O que dificulta ao público 
ler e relacionar-se com esse tipo de produção artística? Talvez a perda de referências estéticas, 
talvez a utilização de critérios válidos apenas para as obras do passado. Mudam-se os tempos e 
reconfigura-se a atuação do artista diante deste mundo mutável. Entretanto, sem compreendermos 
aspectos dessas alterações, não visualizaremos nem a transição, nem as novas proposições.
Dois conceitos são basilares na transformação da arte mais recente: a modernidade e a 
pós-modernidade. As pesquisadoras em cultura visual estadunidenses Marita Sturken e Lisa Cartwright 
apresentam em seu livro Practices of Looking: An Introducting to a Visual Culture a modernidade 
e a pós-modernidade como formas de olhar distintas que promoveram transformações na esfera 
artística. Iremos nos dedicar agora a falar sobre esses dois tópicos específicos, de modo a tentar 
compreender a noção de pós-modernidade como intrínseca à arte contemporânea.
Segundo Sturken e Cartwright (2001), a transição da modernidade para a pós-modernidade 
não se deu como um marco. Modernidade e pós-modernidade não são concepções separadas por 
períodos específicos, mas coexistem no mesmo contexto. Isto se evidencia no próprio “pós-“ do termo 
“pós-modernidade”, que ainda dialoga com valores presentes na modernidade, dando-lhes respostas e 
apresentando-lhes novos desenvolvimentos. Há outros autores que situam a pós-modernidade como 
pertencente ao contexto surgido após a Segunda Guerra Mundial (1945), outros após Maio de 1968, e 
outros ainda a partir da queda do Muro de Berlim (1989).
 Observação
 “Maio de 1968” foi a maior greve-geral da história, sendo iniciada 
por um movimento estudantil, na França. Esse acontecimento marcou 
uma série de conquistas sociais que persistem até os dias de hoje, como a 
igualdade de direitos civis, a liberação sexual e o reconhecimento das lutas 
dos estudantes e da diversidade cultural. 
5.2 A modernidade
Sturken e Cartwright (2001) situam o surgimento da modernidade a partir do Iluminismo, alcançando 
seu auge no final do século XIX e início do século XX. Esse auge foi marcado por um grande êxodo 
rural observado nos países ocidentais, principalmente europeus, devido à crescente industrialização. 
A experiência da modernidade foi marcada pelo crescimento da urbanização, industrialização e 
transformação tecnológica, consequências do processo de industrialização capitalista e de sua fé 
ideológica no progresso. Nesse enquadramento, a modernidade fazia crer num sentido linear de progresso, 
em que as modificações tecnológicas e sociais eram imperativas e benéficas para toda a sociedade.
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Unidade II
 Lembrete
O Iluminismo, também conhecido como “Século das Luzes”, foi um 
movimento cultural do século XVIII que se caracterizou pela rejeição da 
tradição e por um grande desenvolvimento no campo científico, tendo 
como base o conceito da razão.
A esperança no futuro teve como consequência o rompimento com as tradições, pois estas 
impediriam a concretização das mudanças. Diversos foram os movimentos artísticos – os “ismos” 
– criados de modo a romper com as convenções do passado, todos eles com seus manifestos 
publicados com a finalidade de garantir sua autenticidade e fixação. Havia a necessidade 
de se enxergar a realidade de novas maneiras. Assim, novos modos de representar o mundo, 
principalmente na pintura, foram criados, em que a materialidade da obra, a sua forma, 
sobrepunha-se ao seu conteúdo. 
A noção de sujeito na modernidade, segundo as autoras, pode ser definida a partir da ideia 
proposta pelo filósofo francês do século XVII, René Descartes: “Penso, logo existo”. Disso resulta uma 
noção de sujeito que adquirirá a sua presença individual a partir da ação do pensar, tornando-se 
portador de uma autoconsciência. O sujeito é uma entidade universal, portanto indiferente aos 
enquadramentos políticos, sociais, econômicos e culturais nos quais poderia ter se desenvolvido 
como pessoa. Para além disso, a obra artística na modernidade era tida como aurática, ou seja, 
portadora de uma autenticidade normalmente relacionada ao gênio criador do artista, algo que, 
na pós-modernidade, será posto em discussão.
Para as autoras, a obra de arte moderna, pintura, escultura ou cinema, possui um discurso 
metalinguístico, cujas características principais ficam retidas nos aspectos plásticos do trabalho. 
Metalinguagem é quando se utiliza uma linguagem para falar dela mesma. Assim, a pintura deixa 
de fazer referência a um outro conteúdo – por exemplo, uma cena histórica – para passar a falar 
sobre o próprio ato de pintar. Sturken e Cartwright chamam essa característica de reflexivity, 
que aqui traduziremos como reflexividade, em que “a obra artística comenta em si o seu próprio 
processo de produção” (STURKEN; CARTWRIGHT, 2001, p. 248, tradução nossa), sem fazer 
referência ao contexto no qual foi elaborada. “Reflexividade é a prática de tornar os observadores 
conscientes do significado material e técnico da produção ao evidenciá-los na imagem ou ao 
utilizá-los como conteúdo da produção cultural” (STURKEN; CARTWRIGHT, 2001, p. 248, tradução 
nossa ). O modernismo introduziu a reflexividade na esfera da arte, principalmente com relação 
à forma e ao aspecto plástico da própria obra de arte. O pós-modernismo deu continuidade ao 
processo, porém de uma maneira diferente, como veremos a seguir. A reflexividade possibilitou 
que a obra de arte moderna se constituísse como autorreferencial, pois seu conteúdo e sua forma 
fazem referência a ela mesma, conferindo-lhe a característica da mobilidade e a autonomia para 
circular livremente.
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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES
 Saiba mais
Um bom exemplo da reflexividade modernista é o filme Um Homem 
com uma Câmera, do cineasta russo Dziga Vertov. Vertov utiliza a linguagem 
cinematográfica para falar dela mesma e da vida cotidiana da cidade. 
UM HOMEM com uma câmera. Dir. Dziga Vertov. União Soviética, 1929. 
68 min.
Na arte moderna a percepção de uma obra de arte por um observador era tida como direta, sem 
considerar que existiria mediação entre obra e observador, ou seja, pouco interferindo nesse processo 
de comunicação os contextos nos quais obra e observador estavam imersos. Essa ideia de imediação 
entre a obra e seu fruidor reflete uma perspectiva que entende a existência de uma única verdade

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