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BIANCA CRISTINE LOPES DE OLIVEIRA PEREIRA
A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO para O DESENVOLVIMENTO DO APRENDIZADO INFANTIL
JUNDIAI
2018
BIANCA CRISTINE LOPES DE OLIVEIRA PEREIRA
A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO PARA O DESENVOLVIMENTO DO APRENDIZADO INFANTIL
Projeto apresentado ao Curso de Psicologia da Instituição. .
Orientador: Leandra Maria Luna Navarros
JUNDIAÍ
2018
14
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
Este projeto de pesquisa enfoca o estudo sobre os benefícios do lúdico para a infantil.
Freud (1968) afirmava que as crianças vivenciam com muito mais intensidade as suas atividades lúdicas (ou seja, as brincadeiras, jogos, histórias, etc); vivenciam melhor pois elas se entregam à essas brincadeiras de maneira muito séria e para essa seriedade, alinhada com a extrema facilidade criativa para criar cenários imaginários e diferentes personagens, Alves (2009, p.46) pontua que elas “fazem do seu corpo um versátil brinquedo com o qual exploram a realidade”. Compreender o conceito de brincar e averiguar a importância do lúdico no desenvolvimento infantil é essencial (e urgente, atualmente), pois:
A criança que não brinca, não se aventura em algo novo, desconhecido. Se ao contrário, é capaz de brincar, de fantasiar, de sonhar, está revelando ter aceito o desafio do crescimento, a possibilidade de errar, de tentar e arriscar para progredir e evoluir (LAURENTINO & MELO, 2015, p.3)
Por lúdico, é importante pontuar que se trata de uma palavra que deriva do termo latino “ludus”, que remete à brincadeiras e jogos. Por isso o termo significa aquilo que se refere tanto ao brincar como ao jogar (CUNHA, 1997). É amplamente entendido que o lúdico, ou seja, as brincadeiras e os jogos são atividades que remetem ao espírito infantil. Em outras palavras, a sociedade reconhece no lúdico um comportamento típico das crianças, peculiar aos seus interesses e necessidades.
O lúdico, como um elemento cultural que está presente em todas as formas de organização social, especialmente na vida das crianças, e é uma das maiores fascinações do homem desde sempre (ALVES, 2009). E a sua importância para o desenvolvimento e também para o processo de aprendizagem das crianças, segundo o autor, ultrapassa os limites da modernidade – e, por se tratar de modernidade, é a partir do século XVIII que o lúdico é efetivamente associado à educação das crianças, sobretudo as pequenas e desde então passa a ser inevitável a associação à educação escolarizada.
Contudo, para falar de lúdico e do brincar, é importante definir o seu conceito e assim, o diferenciar das outras formas de comportamento (LAURENTINO & MELO, 2015). De acordo com Kishimoto (1998, p.106): “a complexidade de uma brincadeira mostra a complexidade da tarefa de defini-la”.
Para Klein (1991), considerada a principal criadora da técnica de psicanálise em crianças, elas têm como meio natural de expressão, o brincar. É neste momento que a criança liberta-se de seus sentimentos e problemas:
Ao interpretar não apenas as palavras das crianças mas também suas atividades com seus brinquedos, apliquei este princípio básico à mente da criança, cujo brincar e atividades variadas – na verdade, todo o seu comportamento – soa meios de expressar o que o adulto expressa predominantemente através de palavras (KLEIN 1991, p.35)
Winnicott (1975) propõe uma perspectiva diferente. Enquanto Klein compreende o lúdico como uma forma de comunicação, o autor emprega o seu olhar sobre o lúdico como um objeto de estudo profundo, que se inicia na relação mãe-bebê.
Apesar das divergências encontradas, compreende-se que a execução dessa pesquisa constituirá em um avanço na produção do conhecimento nesta área, uma vez que, por conta da precariedade do acesso à essas informações, o ensino com técnicas lúdicas está fadada à uma desvalorização que se faz crescente.
1.1 O Problema
Encontrou-se o problema, justamente, na falta de concordância entre os autores revisados, no que se refere ao conceito de brincar, embora muitas especulações tenham sido produzidas à respeito. Devido às incertezas acerca da definição desse conceito, acontecem os questionamentos (principalmente dos pais) sobre a real importância do lúdico para dentro do ambiente escolar, levando assim, à uma desvalorização das atividades recreativas.
	A partir do observado, a pesquisa bibliografia propõe a seguinte questão: qual a importância e quais os benefícios da ludicidade na educação infantil?
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Compreender como os processos lúdicos podem ser empregados como estratégia que colabora positivamente no processo de ensino-aprendizagem da educação infantil.
2.2 Objetivos Específicos
1. Compreender o percurso teórico dos estudos sobre o lúdico e as implicações para a educação infantil no âmbito escolar;
2. Identificar estudos sobre o lúdico e suas diferentes perspectivas teóricas no que se refere ao processo terapêutico e de aprendizagem;
3. Estabelecer relação entre a educação infantil e os efeitos positivos da ludicidade empregados ao processo de aprendizagem.
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3 JUSTIFICATIVA
É sabido que as crianças dedicam grande parte do seu tempo aos jogos e ao brincar, desta forma, o estudo sobre as crianças e o seu desenvolvimento através de formas lúdicas e de brincadeiras é um tema que tem sido explorado com mais interesse das pessoas em geral e também de profissionais, especialmente os profissionais da psicologia e da educação. Contudo, como todo tema de grande interesse, gera também bastante questionamentos e dúvidas, que acontecem, justamente, pela falta de informações (dos pais, demais pessoas e inclusive de alguns profissionais) sobre a real importância da ludicidade no ambiente escolar. 
Discutir a formação das crianças pautada nas suas interações, vivências e experiências lúdicas, entendo-as como indivíduos, faz-se de extrema importância, não apenas para o desenvolvimento delas, mas também para nós, enquanto educadores e sociedade, sobre como as interpretamos. 
O trabalho vem como uma contribuição de abrir espaço para uma reflexão acerca da notoriedade do valor do brincar, e de outras ludicidades, como estratégicas eficazes no processo de ensino e aprendizado.
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Tendo em vista tudo o que já foi discutido nos tópicos anteriores, o referencial que fundamenta a construção deste projeto de trabalho de conclusão centra-se, em caráter de revisão de bibliografia, no aprofundamento dos conhecimentos sobre os processos lúdicos e como estes podem colaborar positivamente no processo de ensino-aprendizagem da educação infantil. Inicialmente serão percorridos os caminhos dos teóricos acerca do lúdico – que encontra refutações e contradições entre os estudiosos, mais precisamente dentro do ambiente escolar e na educação infantil. Depois, serão abordadas diferentes perspectivas teóricas sobre o processo terapêutico e de aprendizagem, uma vez que muitos teóricos têm enfatizado, por diferentes visões, a importância do desenvolvimento cognitivo, para, por fim, estabelecer relação entre a educação infantil e os feitos positivos em se ter o lúdico como ferramenta para o processo de aprendizagem.
Para o problema deste trabalho, que questiona-se sobre os benéficos da ludicidade na educação infantil, Barros (2009) apresenta a redução dos espaços de brincar nos dias atuais. Com isso, Moyles (2002) diz que, apesar das varias especulações feitas à respeito do tema, a falta de concordância entre os autores ainda é muito presente. E, justamente devido à essas incertezas, Figueiredo (2008) ressalta que essas levam as pessoas aos questionamentos e eventual descrédito das atividades recreativas no âmbito escolar.
Acerca desses questionamentos, ressalta Figueiredo (2008):
Trabalhar com o lúdico proporciona ao professor a oportunidade de valorizar a criatividade do aluno, sua criação de regras para o bom andamento dos trabalhos, tomada de decisõese o desenvolvimento da autonomia, o que o ajudará a conhecer-se como pessoa, integrante de uma sociedade, em que, como todos exerce seu papel (2008, p.10)
Observar o comportamento da criança que brinca, é observar a criança que está elaborando a sua capacidade de criatividade, é observar uma criança saudável:
Os que observam o comportamento infantil concordarão que o brincar se manifesta sob várias formas: escorregar, escalar obstáculos, pular, chutar bola, manusear brinquedos, imitar adultos, manipular areia, modelar, etc. O riso ou sorriso, o contentamento, assim como a concentração, o esforço a seriedade, e até a tensão moderada podem revelar-se na expressão fisionômica da criança enquanto brinca; cada detalha do comportamento, tais como mudanças na postura ou na expressão facial, podem dar uma pista sobre o que está se passando na mente da criança (LAURENTINO & MELO, 2015, p.5)
Freud e Melaine Klein (apud BOMTEMPO, 2002) situam o brincar como um meio, uma ferramenta para o alivio de experiências dolorosas. Para Kishimoto (1998) as crianças, diferentemente dos adultos, não conseguem expressar tudo o que sentem através da fala, por está misturada diversos outros fatores. Por isso, cria-se fantasias para atender necessidades que não são atendidas ou satisfeitas, ou ainda, cuja expressão foi reprimida de alguma maneira. Também por isso, Bomtempo (2002, p.2) acredita que “no brincar, interações face a face com uma ou mais pessoas são desenvolvidas, orientando os comportamentos cognitivos e simbólicos”.
HUTIM (2010) compreende o que o brinquedo, como suporte de uma brincadeira, é o que existe de concreto; e a brincadeira, por sua vez, é uma conduta com regras implícitas ou não. Sobre isso, a autora enfatiza que:
A atividade lúdica tem o objetivo de produzir prazer e se divertir ao mesmo tempo quem pratica esta atividade percebe-se que ela vem acompanhada de inúmeras brincadeiras para enriquecer nossos conhecimentos de forma prazerosa na educação. Na educação infantil o lúdico propicia as crianças uma série de desenvolvimentos benéficos, que vai desencadeando seu aprendizado. [...] a capacidade lúdica está diretamente relacionada a sua pré-história de vida. Acredita ser, antes de mais nada, um estado de espírito e um saber que progressivamente vai se instalando na conduta do ser devido ao seu modo de vida. (HUTIM, 2010, p.5)
Dessa forma, é correto postular que a ludicidade dá vasão para uma integração entre as pessoas, permitindo uma maior liberdade de regras e normas. Mas, como ressalta a autora:
[...] não que o lúdico não possua regras, mas suas regras nos jogos e brincadeiras são voltadas para o aprendizado e desenvolvimento da criança, que passa a contar com o professor conforme o desempenho de cada criança de uma forma mais observadora (HUTIM, 2010, p.8)
Assim, o jogo se aplica e se caracteriza como algo aceitável, que vai de encontro com a estrutura da maturidade da criança. Ela então, pode colocar em ação o seu aprendizado, desafiando a si própria, criando uma maneira benéfica para ampliar os seus conhecimentos, através de uma atividade lúdica.
Acerca dos meandros entre as diferenças teóricas, não é possível falar de Klein sem que se fale de Freud, uma vez, ambos psicanalistas, divergem em um ponto considerado crucial, como diz Oliveira (2010) sobre a abordagem kleiniana:
Klein diverge do pai da psicanálise em relação à importância crucial que este atribui à sexualidade, na medida em que ela coloca a agressividade, inata na criança, como central em sua teoria, ao invés da vida sexual. Pode-se concluir que esta autora ampliou o freudismo ao estudar estes sentimentos inatos, presentes nas relações do neonato com sua mãe; bem como ao aprofundar-se nos fenômenos psicóticos, já que estes foram abordados por Freud de maneira escassa. Ela produziu uma teoria nova na psicanálise, a qual estuda minuciosamente, de maneira integrada, todos os fenômenos psíquicos desde o nascimento até a morte. A teorização kleiniana a respeito das fantasias inconscientes Melanie Klein e as fantasias inconscientes é extremamente precisa e detalhada (OLIVEIRA, 2007, p.81)
Ainda que divergindo sobre a como percebem o brincar, Klein e Freud ainda concordam sobre a importância do ato de brincar. Winnicott, por sua vez, propõe algo diferente, como o olhar para o brincar como o objeto de estudo. Para o autor, segundo Laurentino & Melo:
[...] o brincar começa na relação mãe-bebê, quando a mãe torna concreto aquilo que o bebê está pronto para encontrar. O objeto proposto por ela é repudiado, aceito de novo e objetivamente percebido. Se a mãe pode desempenhar esse papel por certo tempo, sem impedimentos, então o bebê tem certa experiência de controle mágico, isto é, experiência daquilo que é chamado de onipotência. O bebê começa então a fruir baseadas em uma relação da onipotência dos processos intrapsíquicos com o controle que tem do real. Esse processo complexo é altamente dependente da mãe ou figura materna, à importância disso reveste-se no fato de que o bebê desenvolve a capacidade de confiar na mãe, e consequentemente, nas demais pessoas que o circundam. Winncott afirma que: confiança do bebê na mãe “cria aqui um playground intermediário, onde a ideia de magia se origina, visto que o bebê, até certo ponto, experimenta onipotência”. Ao usar o termo playground o autor tinha em mente o brincar, uma vez que neste momento começa a brincadeira. O playground é o espaço potencial existente entre a mãe e o bebê, ou o que os une (LAURENTINO & MELO, 2015, p.2)
Há muito o que se discutir sobre a conceituação do lúdico, quais suas definições e quais são os efeitos benéficos enquanto ferramenta para a aprendizagem infantil; e é o que o trabalhado tentará descortinar. Também ha ainda um forte paradigma acerca dos jogos infantis em sala de aula, que os rebaixam a titulo de futilidade, ou de algo não sério, sem que se estude, com responsabilidade e comprometimento os seus meios, especialmente quando inseridos em uma proposta educativa que se baseia na interação. Por fim, Kishimoto (1998) é correto quando diz que “o enraizamento de tais concepções não impede o aparecimento de novos paradigmas” (p.21).
5 METODOLOGIA
Este estudo é caracterizado como pesquisa bibliográfica, pois foi-se elegido livros e publicações cientificas sobre o tema proposto para fazer a relação de benefícios que os processos lúdicos desempenham sobre o processo de aprendizagem infantil.
A pesquisa consiste em uma análise de conceitos teóricos básicos sobre o lúdico, bem como sobre a educação infantil e seus fundamentos e os processos de aprendizagem. A pesquisa também tratará da relação entre os aspectos citados e em seguida, versará sobre os benefícios advindos da integração dessas especialidades.
REFERÊNCIAS
ALVES, F. D. O Lúdico e a Educação Escolarizada da Criança. (Im)pertinências da educação: o trabalho educativo em pesquisa [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.
BARROS, F. C. O. M. Cadê o brincar? : da educação infantil para o ensino fundamental. São Paulo: Cultura Acadêmica,12009.
CUNHA, A. G. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
FIGUEIREDO, C. D. A importância do brincar para o desenvolvimento infantil no contexto escolar. Faculdade de Ciências da Saúde - FACES. UniCEUB. Brasília, 2008
FREUD, S. Obras Completas. Madri: Biblioteca Nueva, 1968.
KISHIMOTO, T.M. (org.) O Jogo e a Educação Infantil. São Paulo: Pioneira, 1998.
KLEIN, M. Inveja e gratidão: e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
LAURENTINO, M.C.S & MELO, V.B. O Brincar nas Perspectivas: Freudiana, Kleiniana e Winnicottiana. Curso online de Psicoterapia e Psicanálise. Disponivel em: <https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/o-brincar-nas-perspectivas-freudiana-kleiniana-e-winnicottiana>.
MOYLES, J. R. Só brincar? O papel do brincar na educação infantil. Porto Alegre: Ed. Artmed Editora, 2002.
OLIVEIRA, M.P. Melanie Klein e as suas fantasiasinconscientes. Winnicott E-prints Série 2, vol. 2, nº 2, p. 82. 2007.
WINNICOTT, D. W. O brincar & a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

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