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Apostila direito previdenciario[1]

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trabalhadores avulsos; pequenos produtores rurais e pescadores 
artesanais trabalhando em regime de economia familiar. 
 
O RGPS é regido pela Lei nº 8.213/91, sendo de filiação compulsória e 
automática para os segurados obrigatórios, permitindo ainda que pessoas que 
não estejam enquadradas como obrigatórios e não tenham regime próprio de 
previdência se inscrevam como segurados facultativos, passando também a 
serem filiados ao RGPS. É o único regime previdenciário compulsório brasileiro 
que permite a adesão de segurados facultativos, em obediência ao princípio da 
universalidade do atendimento (Artigo 194, I). 
 
Regimes Próprios de Previdência Social 
Artigo 40, caput, da CF, estabelece que para os agentes públicos titulares de 
cargos efetivos, bem como para os ocupantes de cargos vitalícios (magistrados, 
membros do MP e Tribunal de Contas) deve haver Regimes Previdenciários 
Próprios. Portanto, há um estatuto próprio dispondo sobre direitos 
previdenciários e regras de participação no custeio do regime diferenciado. 
 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 33331111 
Artigo 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é 
assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante 
contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos 
pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e 
atuarial e o disposto neste artigo. 
 
No que tange aos Regimes Próprios de Previdência Social, os sujeitos 
protegidos nesta relação jurídica são os agentes públicos ocupantes de cargos 
efetivos e vitalícios, sendo que as regras de aposentadoria sempre foram 
diferenciadas dos trabalhadores de iniciativa privada, sendo traços marcantes 
até a reforma constitucional: 
 
Fixação de base de cálculo da aposentadoria com base na última remuneração 
(integralidade), e não uma média de remunerações auferidas como no RGPS; 
 
Regra de paridade em que se estabelecia o reajuste dos proventos de 
aposentadoria e pensões no mesmo índice e na mesma data em que fossem 
reajustados os servidores públicos na atividade. 
 
O Artigo 40, caput, estabeleceu que para os agentes públicos ocupantes de 
cargos efetivos, bem como para os ocupantes de cargos vitalícios (magistrados, 
membros do MP e Tribunal de Contas) deve haver Regimes 
Previdenciários Próprios. Portanto, há um estatuto próprio dispondo sobre 
direitos previdenciários e regras de participação no custeio do regime 
diferenciado. 
 
Regime previdenciário próprio: 
(A aposentadoria do servidor, ao contrario do que ocorre na iniciativa privada, 
ROMPE a relação laborativa entre o servidor publico e o ente da federação, pois 
a aposentadoria é caso de vacância do cargo publico (lei 8112, Artigo 33, VII)). 
Com a reforma, Os servidores que tiverem preenchido os requisitos para 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 33332222 
aposentadoria sob as regras anteriores à aprovação da reforma continuarão a 
ter os proventos calculados com base na última remuneração recebida em 
atividade (integralidade). E as aposentadorias e pensões assim garantidas serão 
reajustadas na mesma época e pelos mesmos índices aplicados às 
remunerações dos funcionários ativos (paridade). A matéria foi regulamentada 
pela Lei 10.887, de 18.06-2004, no Artigo 1º: 
 § 1o As remunerações consideradas no cálculo do valor inicial dos 
proventos terão os seus valores atualizados mês a mês de acordo 
com a variação integral do índice fixado para a atualização dos 
salários-de-contribuição considerados no cálculo dos benefícios do 
regime geral de previdência social. 
 § 2o A base de cálculo dos proventos será a remuneração do 
servidor no cargo efetivo nas competências a partir de julho de 1994 
em que não tenha havido contribuição para regime próprio. 
 § 3o Os valores das remunerações a serem utilizadas no cálculo de 
que trata este artigo serão comprovados mediante documento 
fornecido pelos órgãos e entidades gestoras dos regimes de 
previdência aos quais o servidor esteve vinculado ou por outro 
documento público, na forma do regulamento. 
§ 4o Para os fins deste artigo, as remunerações consideradas no 
cálculo da aposentadoria, atualizadas na forma do § 1o deste artigo, 
não poderão ser: 
I. Inferiores ao valor do salário-mínimo; 
II. Superiores ao limite máximo do salário-de-contribuição, 
quanto aos meses em que o servidor esteve vinculado ao 
regime geral de previdência social. 
 § 5o Os proventos, calculados de acordo com o caput deste artigo, 
por ocasião de sua concessão, não poderão ser inferiores ao valor do 
salário-mínimo nem exceder a remuneração do respectivo servidor 
no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria. Portanto, também 
no tocante ao valor da aposentadoria, as regras da EC. 41, de 2003, 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 33333333 
limitam o seu valor máximo à remuneração do cargo efetivo do 
próprio servidor requerente (Artigo 40 § 2º). 
 
Regras importantes 
Se o servidor público ocupante de cargo efetivo (procurador federal) exerce 
atividade paralelamente na iniciativa privada (professor da Estácio), sujeita-se à 
filiação em dois regimes de previdência social, pois há filiação obrigatória em 
relação a cada uma das atividades desempenhadas. 
 
Artigo 201. § 5o. É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na 
qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de 
previdência. 
 
Por fim, vamos trazer uma inovação da EC. 41 em relação ao regime 
previdenciário próprio do servidor público, que foi palco de muitas polêmicas, 
culminando em ADI no STF: 
 
Obrigatoriedade de contribuição previdenciária tanto para os servidores na ativa 
quanto para uma parte de inativos, haja vista que o regime próprio tem caráter 
contributivo e solidário. 
 
Vamos ilustrar o tema com uma história bem conhecida: Quando um 
servidor público federal se aposenta, ele sempre terá em seus proventos 
desconto proveniente de recolhimento de contribuição previdenciária? 
 
Tudo vai depender do momento em que houve a cobrança. 
Portanto, a resposta mais correta é aquela que aborda a evolução da legislação 
sobre o assunto, haja vista que a questão não traz a época em que foram 
efetuados os descontos previdenciários no contracheque do servidor 
aposentado. 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 33334444 
E, nesse ponto, é fundamental saber o princípio da solidariedade como 
fundamento de ordem constitucional em nosso ordenamento jurídico com a 
publicação da EC. 41/2003. 
 
Artigo 1º da Lei nº 9.783, de 28 de janeiro de 1999. 
Primeiramente, devemos trazer à baila o disposto no Artigo 1º, da Lei nº 9.783, 
de 28 de janeiro de 1999, em sua redação original: 
 
Artigo 1º. A contribuição social do servidor público civil, ativo e inativo, e dos 
pensionistas dos três poderes da União, para a manutenção do regime de 
previdência social dos seus servidores, será de onze por cento, incidente sobre 
a totalidade da remuneração de contribuição, do provento ou da pensão. 
 
O STF, diante da existência de efetiva controvérsia judicial em torno da 
legitimidade constitucional de determinada lei ou ato normativo federal, se 
pronunciou em ADC 8, no sentido de que a Lei nº 9.783/99 (Artigo 1º), ao 
dispor sobre a contribuição de seguridade social relativamente a pensionistas e 
a servidores inativos da União, regulou, indevidamente, matéria não autorizada 
pelo texto da Carta Política, eis que, não obstante as substanciais modificações 
introduzidas pela EC 20/98 no regime de previdência dos servidores públicos, o 
Congresso