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SEMINÁRIOS II 2º BIMESTRE

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SEMINÁRIOS II 2º BIMESTRE
ÉTICA E DIREITO –CHAIM PERELMAN
1. Justiça e seus problemas
Justiça como uma valor universal, que é invocado para proteger a ordem estabelecida, ou entao justificar reviravoltas revolucionarias. 
A sede pela justiça incita os homens,fornece uma motivação para um mundo melhor, como também para varrer sem piedade tudo que se faz de obstaculo.
Os tribunais de justiça e toda administração da justiça são os escudos que protegem a ordem estabelecida, e os guardiões são os juízes que possuem o papel de aplicar a lei e punir quem as transgridem. Para alguns conservadores o fato de não violar a lei e de se amoldar a ação é a manifestação do sentimento de justiça. 
Quando se tem um conflito uma situação paradoxal, cada parte afirma estar com a justiça, reclamam a vitória da justa causa, sendo assim necessário uma voz neutra que pleteia o fim do conflito, graças a uma decisão justa ninguém acusará de parcialidade,pois cada qual está convencido de que a justiça irá triunfar em sua própria causa. Os campos opostos não possuem a mesma concepção de justiça. Portanto, a justiça apesar de ser um a valor universal é também uma noção confusa. 
Dupreél, nega a existência de uma única e verdadeira justiça, ele apresenta uma visão convencionalista, em que cada qual seria livre para definir a justiça como lhe convém, daí surgia a confusão da noção. 
A justiça assume rostos diversos,adaptados todas as vezes às teses dos adversários confrontados. Assim os antagonistas declaram e se empenham em provar que a justiça está ao seu lado, recorrendo assim aos juízes e árbitros.
A primeira tarefa que se impõe é analisar cientificamente o conceito de justiça que permita observar as variações do conceito. Aristotéles apresentou uma análise afirmando que a noção do justo corresponde às noções de legal e de igual, e a noção de injustiça de ilegal e desigual. As leis para o filosofo visam o interesse comum, chama de justo aquilo que produz e conserva a felicidade para a comunidade politica, será justo aquele que faz o que a lei ordena e evitando o mal que ela veda. A justiça é a virtude em sua integridade. Uma virtude especifica,definível pela sua função de igualdade, racionalidade na ação. A justiça no sentido lato, pode ser dita como ser justo é ser caridoso e injusto ser cruel, mas já no sentido estrito a justiça coincide com a crueldade e a caridade com a injustiça. Assim, se o ato justo é aquele que reserva um tratamento igual a todos, e injusto aquele que favorece ou desfavorece um deles, pode se dizer que o tratamento de um diretor que trata com a mesma dureza todos os alunos é justo, porém o juiz que favorece o réu culpado está agindo injustamente,ainda que seja caridoso. 
A sociedade justa pode ser identificada como a sociedade ideal.Assim, cada sociedade deve estabelecer metas e programas que buscam o bem comum, a justiça não passa do nome do comum. 
Rawls afirma que insiste que a justiça não passa de uma das numerosas virtudes das instituições politicas e sociais, já que uma instituição pode ser ultrapassada,ineficaz,degradante,mas sem ser injusta. A justiça é uma das características de uma sociedade ideal, já que podem ser amoráveis, eficazes, prósperas,boas, assim como justas,mas podem ser justas sem se distingui por essas outras qualidades. E deve ser definida por meio de critérios puramente racionais,exigindo assim uma virtude especifica e não uma qualidade global de toda sociedade ideal que as diversas ideologias e utopias poderiam se apresentar. 
Porém, se afirmamos que é justo tudo aquilo que está de acordo com a lei, basta um ato arbitário do legislador para criar normas de uma conduta justa.
A lei tira sua autoridade da fonte de que a emana. A fonte menos contestada das normas morais e jurídicas é o costume. A conduta habitual costumeira conforme à expectativa dos membros do grupo não necessita ser justificada: espontaneamente será reconhecida como justa,como conforme ao que deve ser. O fato presume o direito. A regra pode ser emanada de uma fonte sagrada, as convenções devem ser respeitadas (contrato social que derivam da autoridade da lei da autonomia individual prévia). 
As fontes podem ser: o costume, a vontade divina,a vontade dos indivíduos ou da nação, constituem assim 4 fontes da legitimidade das normas e dos mandamentos. 
Para os racionalistas, a justiça é uma relação objetiva independente da vontade divina. Porém, se Deus existe só pode ser justo, e os homens deveriam toma-lo como modelo de sua conduta: devem obedecer a voz de Deus, que seria a voz da consciência. 
Já para os partidários do direito natural, a razão é pois uma faculdade capaz de nos fazer conhecer não só o que é objetivamente verdadeiro ou falso mas também o que é justo e injusto. 
2. Regra de justiça e equidade
 Dentre as virtudes racionais que devem guiar a conduta destacamos duas: a prudência e a justiça. A prudencia é a virtude que faz escolher os meios mais seguros e menos onerosos de alcançar os fins,quando se trata apenas do nosso interesse, fazer com que os atos sejam os mais úteis possíveis, apresentassem o máximo de vantagens e o minimo de inconvenientes. Porém a prudencia não nos diz até onde podemos ir,quais são nossos direitos, obrigações , e como agir para que nossa conduta seja não só eficaz mas também seja justa. Quando se submete uma conduta ao crivo da razão, cabe recorrer ao conceito de justiça, sendo que esta é que á a virtude característica do homem razoável. Uma ação justa deve dar uma racionalidade que faltaria ao ato que fosse apenas caridoso. 
A regra da razão, segundo Leinbniz, exige que proporcionemos o bem que queremos propiciar a todos com as necessidades e com os méritos de cada qual.
Um comportamento ou juízo humano só pode ser qualificado de justo quando puder ser submetido a regras ou a critérios. Para a justiça apenas a pesagem conta, não deixara se impressionar por outras considerações, se preocupando com a imparcialidade. O comportamento justo é regular, uma analise da relação de igualdade decerto projetará alguma luz sobre a ideia de justiça. 
Desde Aristóteles, a ideia de justiça foi se aproximando a ideia de igualdade. É justo tratar da mesma forma seres iguais,porém nada justifica seu tratamento desigual. Assim, a primeira regra de justiça estabelece a exigência do tratamento igual de seres iguais. Essa regra é indiscutível,porém possui restrições, já que não existem dois seres extremamente idênticos, ou dois seres cujas as propriedade sejam extremamente iguais.Se não há seres idênticos, a regra de justiça só tem interesse se nos diz como tratar seres que não são idênticos. 
As pessoas podem se queixar de uma injustiça,por que não receberam o mesmo tratamento que o vizinho, irão buscar por elementos que citem expressamente as diferenças: uma é mais rica,mais influente, que é parente ou amigo de tal funcionário. Queixam-se persuadidas de que essas diferenças não deveriam ter influenciado a decisão. Ou ainda pode acontecer que de queixarem de um tratamento igual, quando deveriam ter um tratamento preferencial. 
Quem se crê injustiçado, apensa pretende certos elementos pertinentes no caso, que deveriam ter influenciado a conclusão. É injusto desprezar esses elementos, como também é injusto levar em conta elementos irrelevantes alheios a situação. 
Caso de aplicação da regra de justiça,medida que é concebida para se aplicar a seres que não são idênticos,exige não o tratamento igual de seres idênticos,mas um tratamento igual de seres essencialmente semelhantes (aqueles que não existem diferenças essenciais,ou seja,diferenças que importam e que cabe levar em conta no caso). A regra justiça assim é definida como regra formal por que não precisa quando dois seres são essencialmente semelhantes nem como se deve trata-los para ser justo. 
No caso concreto deve ser observadas essas duas situações,quando a lei positiva fornece critérios para a sua aplicação por exemplo. A ação conforme a regra de direito é justa, por que aplica corretamente a lei. A importância

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