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FUNDAMENTOS DE MECÂNICA DOS SOLOS Permeabilidade e Percolação Curso – Engenharia Civil Prof. Dr. Manoel Ricardo Dourado Correia Permeabilidade e Percolação É evidente, a partir dos conceitos introduzidos nas aulas anteriores, que as características do solo são muito influenciadas pelo perfil hidrostático Em vários problemas práticos de engenharia, entretanto, a água dos poros não está em repouso, mas flui por meio do solo. O quanto este fluxo ocorre depende muito da porosidade do material, assim como da carga hidrostática causando este fluxo. A figura abaixo mostra um exemplo típico deste caso Permeabilidade e Percolação Importância na Engenharia: •Cálculo de vazões; •Percolação e drenagem; •Recalques e estabilidade•Recalques e estabilidade Permeabilidade e Percolação A característica do solo que permite a passagem da água é denominada ‘permeabilidade’. Sua medida é o coeficiente de permeabilidade, representado pela letra k, o que varia significantemente com: Densidade: Alta densidade, por exemplo, solo bem compactado, significa baixa porosidade, logo baixa permeabilidade e vice-versa. Distribuição granulométrica: Grandes diâmetros de grãos significam grande índice de vazios, permeabilidade e vice-versa.índice de vazios, permeabilidade e vice-versa. Estrutura do solo: Muitas camadas de solo foram depositadas pela água. Elas são mais permeáveis horizontalmente que verticalmente. Descontinuidades: Fissuras, fraturas em argilas ou juntas em rochas ou intrusões de solos diferentes podem aumentar a permeabilidade. Coeficiente de permeabilidade (k) A expressão geral para o coeficiente é obtida a partir da Lei de Darcy, introduzida em 1856 após a realização de ensaios em conexão com o laminar, que é o fluxo em regime permanente, em filtros de areia. Coeficiente de permeabilidade (k) Permeâmetro Situação sem fluxo Coeficiente de permeabilidade (k) Q = vazão; A = área do permeâmetro; k = coeficiente de permeabilidade; h = carga hidráulica que dissipa na percolação; L = trajetória de percolação onde se dissipa “h”; Situação com fluxo dissipa “h”; i = gradiente hidráulico; v = velocidade de percolação. Coeficiente de permeabilidade (k) A lei de Darcy: A vazão dividida pela área indica a velocidade com que a água sai do solo: Logo, a velocidade de percolação é dado por: Coeficiente de permeabilidade (k) A lei expressa a velocidade do fluxo υ: em que i = gradiente hidráulico, dado por: Nota: As dimensões de k são as mesmas da velocidade a partir de v : A vazão é dada por : INTERVALOS DE VARIAÇÃO DO COEFICIENTE DE PERMEABILIDADE Para a bentonita e a 10°C, k = 0,0033 mm/ano (Petermann). Velocidade de Percolação (>) e de descarga (<) A área real da seção transversal, através da qual a água percola, depende do índice de vazios ou porosidade do solo, de modo que é menor que a área A da amostra. Logo, para o mesmo valor de vazão (Q), a velocidade de percolação é maior que a de descarga. Velocidade de Percolação (>) e de descarga (<) A relação entre as velocidades pode ser deduzida em termos de índice de vazios. A partir da equação Logo, a velocidade de percolação é dada por: Exercícios A Figura mostra um filtro instalado entre dois tanques. Calcule o coeficiente de permeabilidade e a velocidade de percolação. A quantidade de água coletada na saída em t = 60 s foi volume (q) = 0,0608 m3. A vazão Q neste caso é dada por: Exercícios A Figura mostra um filtro instalado entre dois tanques. Calcule o coeficiente de permeabilidade e a velocidade de percolação. Exercícios A Figura mostra um filtro instalado entre dois tanques. Calcule o coeficiente de permeabilidade e a velocidade de percolação. Determinação do valor de k O coeficiente de permeabilidade pode ser obtido através de ensaios de laboratório ou de ensaios de campo, este último, mais representativo das condições in situ. Os ensaios padronizados são: (1) Carga constante (2) Carga variável (3) Bombeamento(3) Bombeamento (4) Ensaio em sondagem (5) Adensamento Determinação do valor de k Ensaio de carga constante O ensaio é recomendado para solos de granulometria grossa, tais como pedregulho e areia. Devido ao grande índice de vazios, o fluxo através do solo é relativamente alto. O nível d’água no tanque é constante ao ser mantido um fluxo uniforme com a mesma altura de água h. Asmantido um fluxo uniforme com a mesma altura de água h. As medidas são realizadas apenas após o regime permanente ser alcançado. Determinação do valor de k Ensaio de carga constante Determinação do valor de k Ensaio de carga constante Determinação do valor de k Passo 1:Eliminar as bolhas de ar do sistema. Passo 2:Aumentar o fluxo e anotar o valor de h. Passo 3:Coletar q cm3 de água no cilindro ao longo de t segundos. Passo 4:Medir h e L em centímetros e obter o gradiente hidráulico a partir de: Passo 5:Medir a área da seção transversal A (cm2). Ensaio de carga constante Passo 5:Medir a área da seção transversal A (cm ). Passo 6:Calcular o coeficiente de permeabilidade a partir de: Determinação do valor de k Passo 7:Calcular a velocidade de percolação a partir de: Ensaio de carga constante Passo 8:Repetir os passos 2—7 ao menos quatro vezes. Passo 9:Desenhar i contra υ, como mostrado Determinação do valor de k Ensaio de carga variável O ensaio é recomendado para solos de granulometria fina, solos coesivos, como argila. Devido à permeabilidade muito baixa, o nível piezométrico desce muito lentamente. Determinação do valor de k Ensaio de carga variável Passo 1:Saturar a amostra e eliminar as bolhas de ar do sistema. Passo 2:Aumentar o nível d’água no tubo piezométrico e anotar a altura (h) Passo 3: Permitir que o nível d’água caia até o nível h2 e observar o tempo decorrido t = t2 – t1. Passo 4:Calcular o coeficiente de permeabilidade a partir de:Passo 4:Calcular o coeficiente de permeabilidade a partir de: Determinação do valor de k Ensaio de carga variável Ensaio de carga variável (ensaio) Preparação da amostra: Pode ser indeformada ou reconstituída (compactada) No ensaio, foi utilizada uma amostra reconstituída (compactada – deformada) Ensaio de carga variável (ensaio) Preparar a base do permeâmetro (tampa inferior, tela de arame, camada de areia grossa e anel de borracha) Ensaio de carga variável (ensaio) Envolver o Corpo-de-Prova com argila plástica (bentonita) No topo colocar anel de borracha, areia grossa e fechar com tampa superior. Ensaio de carga variável (ensaio) Efetuar saturação por fluxo ascendente Gradiente hidráulico (i) Força de percolação (S) A expressão geral para a força, exercida sobre o solo pela percolação da água, é obtida considerando as forças hidrostáticas atuando no quadrado da rede de fluxo. Esta força é dada por: Sendo j denominado força de percolação. Observa-se que ela é igual ao produto do gradiente hidráulico, i, pelo (dividido) peso específicoao produto do gradiente hidráulico, i, pelo (dividido) peso específico da água. A força de percolação é uma grandeza semelhante ao peso específico e atua da mesma forma que a força gravitacional. As duas se somam quando atuam no mesmo sentido (fluxo d´água de cima para baixo) e se subtraem quando em sentido contrário (fluxo d´água de baixo para cima). Este aspecto fica mais claro quando se analisam as tensões no solo submetido à percolação. Erosão devido à percolação Os nomes normalmente utilizados para denominar a erosão são ‘piping’, erosão retrorregressiva, areia movediça. Ela é causada pelo fluxo d’água de baixo para cima sob velocidade crítica na areia fina. O solo neste estado não tem capacidade decrítica na areia fina. O solo neste estado não tem capacidadede carga, logo não pode suportar estruturas. O exemplo clássico de piping é a estaca-prancha, uma cortina de contenção que é utilizada para separar a água em diferentes níveis de superfície. Erosão devido à percolação Erosão devido à percolação Observe que o gradiente hidráulico na ruptura é denominado ‘gradiente hidráulico crítico’, dado por: Ou em termos de densidade e índice de vazios: * As duas areias têm o mesmo peso específico 19 Erosão devido à percolação Um ensaio de permeabilidade foi executado em uma amostra de areia e os resultados foram registrados como: A área da seção transversal da amostra: A = 150 cm2 Comprimento da amostra: L = 30 cm Porosidade: n = 39% Água coletada em t = 22 segundos: q = 83 cm3 Altura piezométrica: h = 19,2 cmAltura piezométrica: h = 19,2 cm Densidade da areia: Gs = 2,66 Determine a)Coeficiente de permeabilidade da areia. b)Velocidade de descarga. c)Velocidade de percolação. d)Gradiente hidráulico crítico. e)Altura piezométrica crítica, para a qual o solo irá romper. f)Peso específico submerso da areia. Erosão devido à percolação Um ensaio de permeabilidade foi executado em uma amostra de areia e os resultados foram registrados como: A área da seção transversal da amostra: A = 150 cm2 Comprimento da amostra: L = 30 cm Porosidade: n = 39% Água coletada em t = 22 segundos: q = 83 cm3 Altura piezométrica: h = 19,2 cm Densidade da areia: Gs = 2,66Densidade da areia: Gs = 2,66 Erosão devido à percolação Um ensaio de permeabilidade foi executado em uma amostra de areia e os resultados foram registrados como: A área da seção transversal da amostra: A = 150 cm2 Comprimento da amostra: L = 30 cm Porosidade: n = 39% Água coletada em t = 22 segundos: q = 83 cm3 Altura piezométrica: h = 19,2 cm Densidade da areia: Gs = 2,66Densidade da areia: Gs = 2,66 Erosão devido à percolação Um ensaio de permeabilidade foi executado em uma amostra de areia e os resultados foram registrados como: A área da seção transversal da amostra: A = 150 cm2 Comprimento da amostra: L = 30 cm Porosidade: n = 39% Água coletada em t = 22 segundos: q = 83 cm3 Altura piezométrica: h = 19,2 cm Densidade da areia: Gs = 2,66Densidade da areia: Gs = 2,66 Erosão devido à percolação Um ensaio de permeabilidade foi executado em uma amostra de areia e os resultados foram registrados como: A área da seção transversal da amostra: A = 150 cm2 Comprimento da amostra: L = 30 cm Porosidade: n = 39% Água coletada em t = 22 segundos: q = 83 cm3 Altura piezométrica: h = 19,2 cm Densidade da areia: Gs = 2,66Densidade da areia: Gs = 2,66 BIBLIOGRAFIA