MATERNIDADE EM UM ÚTERO TEMPORÁRIO artigo (1) (Salvo Automaticamente)
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MATERNIDADE EM UM ÚTERO TEMPORÁRIO artigo (1) (Salvo Automaticamente)

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MATERNIDADE EM UM ÚTERO TEMPORÁRIO: Complexidades e efeitos nas relações entre doadora-bebê-pais
 *Kaciana Gonçalves Alves. Graduada na Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO) no curso de Psicologia. Em Formação em Psicanálise Instituto de Ensino de Psicanálise de Pernambuco (IEPPE).

Resumo: Este artigo apresenta, de forma sucinta, uma pesquisa bibliográfica sobre casais com dificuldades em engravidar na contemporaneidade, nesse sentido, tem recorrido às Técnicas de Fertilização Assistida na intenção de conceber o próprio filho. Essa procura tem repercutido entre os diversos países, inclusive no Brasil. Nesse caso, o projeto parental se presume no desejo de ter um filho mesmo que para isso a ciência conceda. Considerada como um dos procedimentos da reprodução assistida, a cessão de útero temporário ainda é uma técnica bastante nova, com pouca experiência e sem leis específicas. É regulamentada pela resolução 2.013/13, do Conselho Federal de Medicina que autoriza o útero temporário por outrem na impossibilidade extrema de gestação. Diante desse contexto, a presente pesquisa teve como objetivo compreender a complexidade das relações envolvidas entre a mãe doadora, bebê e pais do projeto parental e propor uma discussão a partir das bases psicanalíticas. Como resultado deste trabalho, percebeu-se que a complexidade envolvida nessa temática faz-se fundamental escutar as palavras do casal que deseja pactuar com a doadora do útero esse projeto. Assim, como quanto à compreensão do envolvimento de outra mulher e do médico em todo esse processo.
Palavras chaves: Reprodução Humana Assistida; Desejos; Impasses.
Abstract: This article presents, in a succinct way, a bibliographical research on couples with difficulties in becoming pregnant in the contemporaneity, in this sense, has turned to Assisted Fertilization Techniques in the intention to conceive the own child. This demand has had repercussions among the various countries, including Brazil. In this case, the parental project is presumed in the desire to have a child even if science grants it. Considered as one of the procedures of assisted reproduction, the temporary wiring of the uterus is still a fairly new technique, with little experience and no specific laws. It is regulated by resolution 2.013 / 13 of the Federal Council of Medicine that authorizes the temporary uterus by others in the extreme impossibility of gestation. Given this context, the present research aimed to understand the complexity of the relationships involved between the donor, baby and parents of the parental project and to propose a discussion based on the psychoanalytic bases. As a result of this work, it was noticed that the complexity involved in this theme makes it essential to listen to the words of the couple who wish to agree with the donor of the uterus this project. So how about understanding the involvement of another woman and the doctor in this whole process.
Keywords: Assisted Human Reproduction; Wishes; Impasses.
INTRODUÇÃO
O presente estudo tem como objetivo compreender a complexidade das relações envolvidas entre a mãe doadora do útero, bebê e os pais do projeto parental, tendo em vista, que pode ocasionar implicações significativas para o desenvolvimento do bebê, considerando a singularidade de cada indivíduo. Atualmente, casais estéreis e homoafetivos têm procurado clínicas especializadas em Técnicas de Fertilização Assistida (TFA) como forma de conceber o próprio filho. Essa ideia, avassaladora tem sido desejo de muitos casais homoafetivos devido as suas condições e limitações humanas. A técnica em foco está crescendo assustadoramente, principalmente por parte da mulher, quando se depara com a situação de se sentir incapacitada de gerar filhos. O sentimento que prevalece é o de uma insuportável ferida narcísica por não poder albergar um bebê em seu ventre.
Sabe-se que o contexto em que se vive atualmente algumas pessoas tendem a realizar seus desejos a qualquer custo (no caso em questão o de ser pais) sem se importarem com as consequências em que isto, possivelmente, pode causar a saúde psíquica dos envolvidos. Na verdade, os futuros pais devem buscar dissociar a demanda consciente de ter um filho do desejo inconsciente que opera na produção subjetiva. E, se assim, não for o proceder, isto, provavelmente, repercutirá na vida inteira dos envolvidos trazendo males irreparáveis.
É impressionante como são constantes os anúncios na internet de mulheres dispostas a alugar o seu ventre, por diversos motivos que variam do lucro à solidariedade, sendo cobrado, na maioria dos casos, um valor absurdo por esta prática. Na verdade, não só basta encontrá-la, o maior desafio seria pactuar com uma mulher decidida a cumprir o contrato, ou seja, realizar todo o processo desde o desenvolver do bebê no útero; dar a luz e, por fim, entregar a criança aos pais do projeto parental. Mas essa situação revela uma problemática ameaçadora, pois ao longo do tempo a doadora do útero possivelmente começa a criar fantasias, chegando a sonhar em ficar com o bebê.
De certo, a relação da mãe com o seu próprio corpo e o bebê é fundamental para o desenvolvimento desse. Estudos comprovam, de fato, que a mãe transmite seus estados emocionais para o psiquismo de seu feto, através do misterioso mundo sensorial. A convivência desse feto no período gestacional e, principalmente, após seu desenvolvimento como sujeito, possivelmente, será de grandes marcas inconscientes. Sabendo que a sua geradora rejeitou, enquanto a sua mãe do projeto parental a todo o momento desejava.
A partir disso, intentou-se realizar um estudo que compreendesse a complexidade das relações envolvidas entre a mãe doadora, bebê e pais do projeto parental e propor uma discussão a partir das bases teóricas psicanalíticas, Construindo por meio disso, os seguintes objetivos específicos: Contextualizar as técnicas atuais de reprodução assistida e os trâmites para a maternidade de substituição, atinando para o desejo e as expectativas dos pais do projeto parental ao longo desse processo, assimilando as causas que levam uma mulher a alugar o próprio ventre e as consequências dessa prática para a doadora, bebê e pais.
É sabido que a expressão “barriga de aluguel” no Brasil é totalmente imprópria, pois remete a algo comercializável e, de acordo com a nossa legislação, não é permitido, pois em hipótese alguma a cessão temporária do útero, assim chamada no Brasil, deve ter finalidade lucrativa ou comercial, embora esta prática, em alguns países como a Índia e os Estados Unidos, sejam totalmente legalizadas. Dessa forma, o Conselho Federal de Medicina (CFM), autoriza a barriga de aluguel (procedimento regulamentado pela resolução 2.013/13). Contudo se houver algum problema médico que impeça ou contraindique a gestação da doadora genética tal procedimento não deve ser viabilizado.
Diante dessa breve discussão, percebe-se o quanto é preciso que se tenha um olhar analítico, visto que envolvem aspectos biopsicossociais. Pois, ainda em nossa cultura a mulher se vê inferior ante à infertilidade indesejada - grande geradora de seu sofrimento psíquico, sabendo, por certo, que o outro é completude, alento da companhia almejada.
REPRODUÇÃO ASSISTIDA: CONTEXTO ATUAL

A reprodução medicamente assistida é um conjunto de técnicas utilizadas para promover uma fecundação quando esta não pode ocorrer por vias naturais. Essa vem ganhando espaço na sociedade e mudando a vida de muitos casais que não podem conceber o próprio filho, sejam por questões de infertilidade ou esterilidade. Com seus avanços a ciência tem realizado diversos procedimentos em prol deste casal que chega à clínica ou em hospitais especializados a fim de realizar está técnica (MONTEIRO e TEIXEIRA 2011).
Desta forma, tentando solucionar este problema, as tecnologias reprodutivas, cada vez mais modernas, estão proporcionando a esses, o direito à procriação, utilizando as diversas formas de reprodução medicamente assistida entre elas – a fertilização in vitro, a