Doença ulcerosa péptica - Questões resolvidas
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Doença ulcerosa péptica - Questões resolvidas


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QUESTÕES
2017 - SUS-SP
1. Um homem de 39 anos, tabagista e hipertenso, é operado por abdome agudo perfurativo. No
intraoperatório, são achadas úlcera perfurada em antro gástrico, com 2cm de diâmetro, e peritonite
purulenta difusa. Qual é a melhor conduta?
a) antrectomia com vagotomia troncular
b) sutura da úlcera e epiploplastia
c) antrectomia com vagotomia seletiva
d) gastrectomia parcial com reconstrução em Y de Roux
e) gastrectomia subtotal e reconstrução à BII
2017 - UERJ
2. Uma paciente de 47 anos teve o diagnóstico de úlcera péptica gástrica tipo 2 , com pesquisa de
Helicobacter pylori positiva, sendo recomendado tratamento com omeprazol, claritromicina e
metronidazol. Cerca de 6 semanas depois, ela comparece ao ambulatório para reavaliação, referindo
melhora clínica, mas informa que continua utilizando inibidor da bomba de prótons, em função da
ocorrência intermitente de s intomas de refluxo gastroesofágic o. A conduta a ser instituída, nesse momento,
é:
a) suspender omeprazo l, trocando o esquema para ranitidina e bismuto
b) manter omeprazol e solicitar nova endoscopia digestiva alta diagnóstica
c) manter omeprazo l e verificar a erradicação do H. pylori com teste com C13
d) suspender omeprazol e realizar teste respiratório da ureia após 1 semana
2017 - SES-RJ
3. O refluxo gastroesofágico pode ser fisiológico ou se caracterizar como doença. Algumas compl icações da
doença do refluxo gastroesofágico são:
a) úlceras, estenose e divertículos
b) divertículos, varizes esofágicas e estenose
c) esofagite, aspiração pulmonar e hemo rragias
d) esofagite, esôfago de Barrett e varizes esofágicas
2016 - SMS-SP
4. Uma paciente de 59 anos é encaminhada ao hospital universitário por apresentar queixas dispépticas há
13 meses, c om piora progressiva e não responsiva a sintomáticos. Foi indicada a realização de endoscopia
digestiva alta, que demonstrou lesão ulcerada c om bordas não bem delimitadas no corpo do estômago,
submetida a biópsias das lesões que demonstrou adenocarcinoma di fuso. De acordo com as características
apresentadas, a melhor classificação para a lesão é Borrmann:
a) I
b) II
c) III
d) IV
2016 - SES-RJ
5. Durante uma antrectomia por doença ulcerosa péptica, ocorre a retirada das células:
a) G produtoras de gastrina
b) parietais produtoras de HCl
c) principais produtoras de pepsinogênio
d) enterocromafins produtoras de histamina
RESPOSTAS
Questão 1. Na úlcera duodenal perfurada, faz-se sutura, podendo-se usar o omento para reforço, e, caso o
paciente se encontre estáv el, pode-se associar a vagotomia troncular para dim inuir o risco de recidiva,
associada a piloroplastia (incorporada à perfuração). Na úlcera gástrica perfurada, é necessário descartar lesão
neoplásica, e a biópsia é obrigatória. A opção por excisão da úlcera e sutura primária ou gastrectomia parcial
depende das condições clínicas do paciente, da idade, da localização da úlcera, se é aguda ou crônica, do grau
de contaminação peritoneal (contaminação abdominal grosseira deve ser tratada com sutura da úlcera e
epiploplastia), entre outros fatores. Em pacientes estáveis com úlcera distal crônica, tende -se a optar por
gastrectomia parcial.
Gabarito = B
Questão 2. A localização da úlcera gástrica tipo 2 de Johnson é basicamente a mesma do tipo I (t ipicamente,
na curvatura menor, próximo à junção da mucosa oxíntica e à mucosa antral), po rém tal tipo está associado a
lesão ulcerosa duodenal ativa ou crônica. Em pacientes com úlcera duodenal complicada ou úlcera gástrica,
sugere-se terapia antissecretora com inibidor da bomba de prótons por 4 a 8 semanas e 8 a 12 semanas,
respectivamente. Na úlcera gástrica, a recomendação é descontin uar a terapia antissecretora somente após
confirmação da cicatrização por m eio da endoscopia. Sugere-se endoscopia de controle na úlcera gástrica nos
seguintes casos: sintomas a despeito do tratamento, etiologia incerta, úlcera gigante (>2cm), biópsias não
realizadas ou inadequadas, úlcera com suspeita de malignidade, endoscopia inicial por sangramento e fatores
de risco para câncer gástrico. Dentre os pacientes em que não necessidade de novo exame endoscópico,
realiza-se a pesquisa do H. pylori por meio de testes não invasivos (teste respiratório, sorologia, antígeno
fecal), após 4 a 6 semanas do tratamento. O teste respiratório da ureia baseia-se na hidrólise da ureia pela
bactéria, produzindo CO 2 e amônia. Um isótopo de carbono marcado é dado via oral; o H. pylori libera o CO2
marcado, que pode ser detectado em amostras na respiração. Pode -se usar o carbono 13 ou 14, com igual
acurácia, mas com preferência pelo primeiro, por não utilizar isótopo radioativo. Sua especificidade é de 95 a
100%, e a sensibilidade, de 88 a 95%. Sempre se suspende terapia antissecretora de 2 a 4 semanas antes do
teste, para evitar falso negativo.
Gabarito = D
Questão 3. Analisando as alternativas:
a) e b) Inco rretas. Estenose péptica ocorre em cerca de 10% dos portadores de doença do refluxo
gastroesofágico (DRGE); é o estreitamento do esôfago causado por inflamação, sem evidência de fibrose ou
ambos. Varizes de esôfago e divertículos não são complicações da DRGE.
c) Co rreta. As lesões consequentes do refluxo gastroesofágico visualizadas à endoscopia podem ser erosões
(solução de continuidade limitada à mucosa com, pelo menos, 3mm de diâmetro, com depósito de fibrina e
permeação neutrofílica do epitélio) esofagite erosiva. Úlceras e sangramento esofágico incidem em 5% dos
pacientes com esofagite consequente à D RGE; habitualmente, estão localizadas na transição esofagogástrica
e raramente manifestam-se com sangramento agudo, sendo geralmente crônico e insidioso, com quadro de
anemia crônica. São consideradas m anifestações atípicas pulmonares da DRGE: asma, tosse crônica,
hemoptise, bronquite, bronquiectasias e pneumonias de repetição.
d) Incorreta. O esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE caracterizada pela oco rrência de metaplasia
intestinal, ou seja, substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal po r epitélio colunar
contendo células intestinalizadas ou caliciformes, em qualquer extensão.
Gabarito = C
Questão 4. Segue a classificação macroscópica de Borrmann:
Tipos
Características
Lesões
Borrmann I
Leo polipoide ou vegetante, bem delimitada
Borrmann II
Lesão ulcerada, bem delimitada, de bordas
elevadas
Borrmann III
Lesão ulcerada, infiltrativa em parte ou em
todas as suas bordas
Borrmann IV
Lesão difusamente infiltrativa, não se no tando
limite entre o tumor e a mucosa normal
Gabarito = C
Questão 5. Analisando as alternativas:
a) Correta. A região gástrica final compreende o antro e o piloro e é composta por células epiteliais e
endócrinas. As epiteliais são predominantemente células mucosas, e um pequeno número de células
oxínticas secretoras de pepsinogênio II. Apesar de também haver em pequeno número, as células G secretoras
de gastrina têm papel vital e são o protótipo das células enteroendócrinas abertas.
b) Incorreta. De longe, as glândulas gástricas mais numerosas e distintas são as oxínticas, responsáveis pela
secreção de ácido, fator intrínseco e enzimas gástricas. Estão intimamente associadas ao corpo e fundo
gástricos. O principal tipo celular das glândulas oxínticas é a célula parietal, responsável pela secreção de íons
hidrogênio (HCl ácido clorídrico).
c) Incorreta. As células principais (zimogênicas) predominam na camada profunda das glândulas oxínticas e
têm papel na síntese e secreção dos pepsinogênios I e II.
d) Incorreta. Células endócrinas, células D contendo somatostatina e células enterocromafins -like
secretadoras de histamina estão dispersas no epitélio oxíntico.
Gabarito = A