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Universidade Federal da Grande Dourados Faculdade de Engenharia Curso de Engenharia de Produção Cadeia do processo de produção de Salsicha Amanda Passos de Moraes Ânnela Lissandretti Geovana Koike Koumegawa João Octávio S. Paula Dourados - MS Brasil 2017 1 1. REFERENCIAL TEÓRICO Por logística entende-se que: Logística é definida como a colocação do produto certo, na quantidade certa, no lugar certo, no prazo certo, com a qualidade certa, com a documentação certa, ao custo certo, sendo produzido ao menor custo, da melhor forma, e deslocado mais rapidamente, agregando valor ao produto e dando resultados positivos aos acionistas e aos clientes. Tudo isso respeitando a integridade humana de empregados, de fornecedores e de clientes e a preservação do meio ambiente. (ROSA; RODRIGO DE ALVARENGA, 2011, p.16). Rodrigo de Alvarenga (2011, p.18) afirma que o produto apresenta valor ao cliente, logo, é necessário que o mesmo chegue ao prazo e tempo corretos, além de apresentar qualidade e seguir com as especificações dadas. A logística e a gestão da cadeia de suprimentos estão interligadas. Por definição de gestão da cadeia de suprimentos, cita-se: É a integração de todos os elementos responsáveis por uma cadeia de suprimentos, incluindo o conjunto de técnicas que são utilizadas para possibilitar excelência na integração entre as etapas de uma cadeia de suprimentos, como: transporte, estoque e custo. O gerenciamento apropriado destas etapas facilitará na otimização do serviço e/ou na melhor qualidade do produto ofertado pela empresa, assim melhor satisfazendo seus clientes finais. (SUCUPIRA; ANA CAROLINA, 2016). Conforme citado acima, entende-se que a gestão da cadeia de suprimentos, nada mais é que a relação de clientes e fornecedores com qual a empresa faz negócios diretamente, buscando integração do transporte, custo, qualidade e estoques. Uma adequada gestão da cadeia de suprimentos obteria benefícios além do financeiro. Segundo Ford et al.(2003) citados por Pimentel e Borin (2004), os relacionamentos baseados em ações de parcerias estratégicas estão tornando-se essenciais e a principal razão disso é a obtenção de vantagens competitivas no mercado. Stern et al.(1996) citados também por Pimentel e Borin (2004) retratam o exemplo de atacadistas, estes devem manter esse relacionamento estratégico com seus fornecedores para garantir o recebimento das mercadorias e de informações sobre os produtos mais vendidos, novos produtos, preços de mercado, níveis de estoque, etc. 1.1. Objetivo O trabalho a seguir tem como objetivo a elaboração e análise da rede logística entre uma 2 indústria de processamento de carne suína e bovina, seus fornecedores e seus clientes finais, propondo soluções às problemáticas e possíveis melhorias futuras. 2. CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA A pesquisa foi realizada na Empresa Produfrig de produção de produtos industrializados, localizada na região da Grande Dourados, Mato Grosso do Sul. A Empresa iniciou-se como um pequeno açougue e abate bovino, e hoje é uma das líderes globais no setor de alimentos contando com mais de 250mil colaboradores pelo mundo e mais de 340 unidades de produção. Atua nos segmentos de carnes bovina, suína, ovina e de frango. Além de alimentos, comercializa produtos de higiene e limpeza, colágeno, embalagens metálicas, biodiesel, couros e outros. A empresa Produfrig é uma fábrica de produção de industrializados com uma área de mais de 58.000m² sendo a segunda maior planta de abate de suínos e industrializados e mais de 2500 colaboradores. As famílias de produtos somam mais de 72 produtos em 13 linhas de industrializados e in natura. A empresa é também frigorífico de suínos, e abate em média 3000 cabeças por dia e é usado como matéria-prima para produtos da casa e transportes para outras unidades de indústria. Os princípios e valores de conduta definem o que é ou não aceitável na empresa e quais são as características essenciais para fazer parte do time. Assim, a missão da empresa é “Sermos os melhores naquilo que nos propusermos a fazer, com foco absoluto em nossas atividades, garantindo os melhores produtos e serviços aos clientes, solidez aos fornecedores, rentabilidade aos acionistas e a oportunidade de um futuro melhor a todos os nossos colaboradores”. O que leva a seus principais valores: Atitude de dono, franqueza, disciplina, simplicidade, humildade, determinação e disponibilidade. Os valores servem de guia para tomadas de decisão coerentes com o que a empresa espera que cada colaborador. Figura 1: Mapa de Fluxo de Processos na Empresa Produfrig Fonte: Elaborada pelos autores 3 3. CARACTERIZAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO DA EMPRESA 3.1. Qualitativa (Descritivo) 3.1.1. Análise à Montante Existem 7 fornecedores diferentes para o processo produtivo estudado. São eles: Fornecedor de tripa, que são utilizadas para embutir e dar forma ao produto; Fornecedor de condimentos, que contém todos os sais utilizados para o tempero do produto; Fornecedor de carne suína, que fornece todas as partes suínas utilizadas no processamento; Fornecedor de carne de ave, para utilização do equilíbrio de carnes no processamento; Fornecedor de Corante e Ácido, que são utilizados para dar cor e fixa-la, respectivamente; Fornecedor de embalagem, que oferece o plástico filme para fazer a forma da embalagem primária do produto; e Fornecedor de caixas de papelão, para a embalagem secundária e transporte do produto. A empresa opta por apenas um fornecedor fixo de cada produto, formando uma fidelidade com cada um. Dessa forma, cria um elo de fidelidade e confiabilidade de receber uma matéria-prima com as características necessárias e específicas para atingir a qualidade do produto da empresa. Uma desvantagem de ser apenas um fornecedor é a possível falta do produto por um grande período de tempo. Mas, como a fidelidade é de muito produto, o principal foco do fornecedor é atender a demanda da empresa. Para isso e por conta da grande produção, existe um grande estoque de matéria prima. A empresa mantém contato direto com seus fornecedores, sempre que há uma nova entrega ou pedido. Assim que é feita a análise de inspeção do produto recebido, as informações são passadas para os fornecedores, se houve não desvio de qualidade. A partir disso, sempre que há grandes falhas ou problemas envolvendo alguma matéria-prima específica, um representando do fornecedor vai à fábrica para analisar se está havendo danos na matéria-prima advindo do processo de produção. E o mesmo ocorre com um representante da fábrica visitando a unidade de fornecedor para analisar o processo produtivo da matéria-prima. A partir do principal foco ser a empresa, o parâmetro de estudo será qualidade do produto recebido dos fornecedores. Assim, temos os seguintes dados: Fornecedor Sigla Função Tripa T Fornece tripa para embutir e dar forma ao produto Condimentos CD Fornece condimentos para temperar o produto Carne suína CS Fornece a carne suína Carne de ave CA Fornece a carne de ave Corante e ácido A Fornece o corante e o ácido para dar cor e fixá-la Embalagem E Fornece o filme plástico para a embalagem primária Caixa de papelão P Fornece as caixas para a embalagem secundária 4 Quadro 1: Disposição dos fornecedores e suas funções. 3.1.2. Análise à Jusante Todo produto saí da fábrica sendo diretamente direcionado para um centro de distribuição, localizado em um ponto estratégico do país, que possibilita serenviado para todos os clientes secundários. Os clientes secundários principais do produto são grandes mercados de atacado, como os hipermercados Atacadão, Assaí e Fort Atacadista. Existem muitos riscos com os clientes, pois os mesmos podem cancelar o pedido a qualquer momento se a demanda de mercado não for a estipulada. Assim, com os clientes, não uma relação de extrema confiança, podendo gerar riscos de perda de produto. A localização do CDT é uma vantagem logística para a empresa em relação a entrega do produto a seus clientes. É um ponto estratégico que possibilita a melhor distribuição final do produto não só a seus principais clientes, mas a seus clientes novos e menores. Há uma grande pesquisa e trabalho de marketing para busca de novos clientes, incluindo a parte logística pois, se há uma grande demanda nova, pode haver a possibilidade de um novo CDT ou uma nova unidade de fábrica. Todos os clientes têm livre acesso a comunicação com a empresa a partir de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente), mesmo estes sendo mercados ou consumidores finais, podem haver reclamações, elogios, melhoras, ideias. Porém, os grandes mercados podem solicitar visitas à fábrica para conhecer o processo produtivo do produto. O foco principal do relacionamento com o cliente é entregar o produto com qualidade e na quantidade solicitada. Cliente Secundário Sigla Atacadão AT Assaí AS Fort Atacadista FA Quadro 2: Disposição dos principais clientes secundários da empresa. 3.2. Quantitativo (Analítico) 3.2.1. Modelagem da cadeia de suprimentos Como a qualidade do produto se mostra em ordem de prioridade para a empresa, a pesquisa foi feita voltada para a qualidade do produto. Um dos índices para conferencia de qualidade não só de produto como também de serviço e processo é reclamações de clientes e 5 reclamações para fornecedores. Dessa forma, a análise dos dados se deu da seguinte forma para os fornecedores: Fornecedores T CD CS CA A E P Reclamações 2 0 0 1 0 1 1 Quadro 3: Classificação dos fornecedores diante de reclamações. Onde os pontos de referência foram: Nenhuma reclamação 0 Até 2 reclamaçõe s 1 Mais de 2 reclamaçõe s 2 Quadro 4: Legenda para classificação Tabela 3. Para a classificação quanto as reclamações dos clientes secundários para a empresa, foi analisado da seguinte forma: Clientes AT AS FA Reclamações 2 1 0 Quadro 5: Classificação dos clientes diante das reclamações recebidas. Onde os pontos de referência foram: Nenhuma reclamação 0 Até 3 reclamaçõe s 1 Mais de 3 reclamaçõe s 2 Quadro 6: Legenda para classificação Tabela 5. Estas reclamações são feitas diretamente para o centro de distribuição (CDT) que repassa à empresa Produfrig (PF). 6 3.2.2. Análise gráfica da cadeia de suprimentos A partir da coleta desses dados, e da posterior análise, os dados foram dispostos no programa Netdraw e obteve-se o seguinte resultado: Figura 2. Diagrama de redes da empresa em relação aos fornecedores e clientes. Fonte: Elaborada pelos autores Conforme mostra o diagrama de redes da empresa, os fornecedores e clientes não possuem relações entre si, apenas a empresa Produfrig possui relação com todos. Os fornecedores têm uma ligação direta com a empresa o que facilita a resolução das reclamações, já os clientes secundários possuem ligação direta apenas com o centro de distribuição o que dificulta um pouco mais a solução das reclamações, porém, por outro lado as informações chegam mais organizadas para a empresa. Como se pode observar as linhas mais grossas são as relações que possuem mais de 3 reclamações, que são o fornecedor “T” e o cliente secundário “AT”, as linhas de largura média são as relações que possuem até 3 reclamações e as mais finas são relações que não possuem reclamações. 7 3.2.3. Indicadores de densidade, centralidade, proximidade e intermediação 3.2.3.1. Indicador de densidade Figura 3: Relatório de densidade Fonte: Elaborada pelos autores De acordo com o relatório de densidade gerado no software pode-se observar que a densidade obtida na rede foi de 41%. Esta porcentagem está baixa pois tanto os fornecedores quanto os clientes não possuem comunicação entre si, apenas se relacionam com a empresa. Talvez se existisse uma comunicação entre eles a rede poderia ser melhor. 3.2.3.2. Indicador de centralidade e intermediação Figura 4: Relatório de grau de centralidade Fonte: Elaborada pelos autores De acordo com o relatório gerado observa-se que os nós que se relacionam com a maior 8 quantidade de nós é a própria empresa e o centro de distribuição. Portanto o nó de maior importância é o da empresa que está ligada à maior parte dos atores da rede. Consequentemente a empresa encontra-se na centralidade de intermediação, apenas ela tem o controle de repassar informações para os diferentes fornecedores. Já os clientes dependem do centro de distribuição para receberem e/ou passarem informações de/para empresa. 3.2.3.3. Indicador de proximidade Figura 5: Relatório da centralidade de proximidade Fonte: Elaborada pelos autores Como pode-se observar a empresa possui o maior valor de centralidade de proximidade pois é o nó que possui menor distância em relação aos demais nós. Seguida pelo centro de distribuição que é o intermédio entre a empresa e os clientes secundários. Portanto, os nós da empresa e do centro de distribuição são os mais importantes dentro da rede devido à sua influência. 4. CONCLUSÃO A observação da rede logística nos permite concluir que a detenção do conhecimento de demanda, estoque, necessidades dos clientes, entre outros, está totalmente centralizada na Empresa ProduFrig, pois não existe nenhum mecanismo de comunicação entre os demais elos na rede, com exceção do Centro de Distribuição e os Cliente Finais (Atacadão, Assaí e Fort Atacadista). Essa centralização do conhecimento impossibilita um maior planejamento estratégico de todos os outros elos, não favorecendo o modelo produtivo dos Fornecedores e exigindo um alto nível de estoque nos Centros de Distribuição. Portanto, necessita-se da implantação de um mecanismo de comunicação entre todos os agentes da rede logística, possibilitando um melhor planejamento e redução de custos de estoque. 9 Como a empresa opta pela utilização de Fornecedores exclusivos, que entregam os inputs com alta confiabilidade na qualidade, necessita-se de estoques de matéria-prima muito altos, tendo como prioridade a continuidade dos processos produtivos. Porém, deste modo, a empresa está à mercê de possíveis falhas e atrasos não planejados, que poderiam em casos extremos ocasionar a parada na linha de produção. A utilização de fornecedores reservas poderia solucionar essa problemática, porém a baixa probabilidade de ocorrência de casos extremos mostra a necessidade de uma melhor análise de viabilidade de implantação de novos acordos. 10 5. REFERÊNCIAS ROSA, RODRIGO DE ALVARENGA, GESTÃO DE OPERAÇÕES E LOGÍSTICA 1 , Santa Catarina, 2011 160 p. Pimentel Claro, Danny, Borin de Oliveira Claro, Priscila, GERENCIANDO RELACIONAMENTOS COLABORATIVOS COM FORNECEDORESRAE - Revista de Administração de Empresas, 2004. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=155117781007>. Acesso em: 5 de julho de 2017.