Aspectos Historicos da Ocupacao das Terras Brasileiras

Aspectos Historicos da Ocupacao das Terras Brasileiras


DisciplinaLegislaçao Agrária56 materiais623 seguidores
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Aspectos Históricos da 
Ocupação das Terras Brasileiras
4 períodos: 
 Regime Sesmarial (1500/1821)
Regime de Posse (1821/1850)
Regime da Lei de Terras (1850/1889)
Período Republicano (1889 em diante)
 
Origem da legislação agrária brasileira: Direito Português
 As terras eram propriedade do Rei por direito de conquista: logo, a propriedade particular no Brasil tem origem na permissão da Coroa.
Capitanias Hereditárias&
Regime Sesmarial
Em 1534, o Rei de Portugal, Dom João III, decidiu dividir o Brasil em 15 Capitanias Hereditárias, assim chamadas porque seriam pedaços de terras governados por capitães-mores e que passariam de pai para filho. A decisão procedeu da dificuldade de administrar o país e principalmente, pelos contrabandistas que roubavam o pau-brasil.
Regulmentação: Carta Foral de 06/10/1531
o sistema de capitanias hereditárias foi adotado como um sistema de administração indireta em que a Coroa abria mão de várias obrigações e gastos com a colonização, repassando-as para a responsabilidade de particulares. O donatário, recebedor da capitania hereditária, tinha entre outros direitos, realizar a doação de sesmarias para os demais colonizadores
As capitanias eram imensos tratos de terras que foram distribuídos entre fidalgos da pequena nobreza, homens de negócios, funcionários burocratas e militares. Entre os capitães que receberam donatarias, contam-se feitores, tesoureiros do reino, escudeiros reais e banqueiros.
A capitania seria um estabelecimento militar e econômico voltado para a defesa externa e para o incremento de atividades capazes de estimular o comércio português.
O capitão-mor e o governador representavam os poderes do rei como administradores e delegados, com jurisdição sobre o colono português ou estrangeiro, mas sempre católico. Aliás, esta era uma das exigências para a doação de terras.
Sesmaria era uma concessão gratuita , mas condicionada, a homens de família e posses, obrigados a construir torres ou fortalezas, para defende-las e levar gente e navios. Se as condições não fossem cumpridas tornavam-se terras devolutas.
Deveres/Cláusulas/Condições:
Aproveitamento (cultura mais comum: cana-de-açúcar)
Medição e Demarcação (definido pela capacidade de aproveitamento por parte do sesmeiro.) No final do século XVII, com os primeiros conflitos pela posse da terra, se definiu um tamanho tradicional: 3.000 \u201cbraças craveiras\u201d (cada braça=2,2m)
Registro da Carta em livro próprio
Pagamento de foro (tamanho/fertilidade/distância)
Esses registros de terras servem para apresentar algumas informações como o local onde as pessoas viviam; revelar informações pessoais e familiares; se a propriedade foi herdada, doada ou ocupada e quais eram seus limites; se havia trabalhadores e como era constituída a mão-de-obra; em que região ficava tal propriedade; etc.
Todas as posses e sesmarias formadas foram legitimadas em registros públicos realizados junto às paróquias locais. A Igreja, nesse período da Colônia, encontrava-se unida oficialmente ao Estado. Dessa forma, os vigários (ou párocos) das igrejas eram quem faziam os registros das terras ou certidões, como a de nascimento, de casamento, etc. Somente com a proclamação da República, em 1889, Estado e Igreja se separaram.
\u201cSe é inegável que o regime sesmarial garantiu o povoamento do interior do País, precisa reconhecer que os 322 anos de vigência do regime sesmarial favoreceram, no Brasil, a consolidação do latifúndio.\u201d (ROCHA et al)
Ao longo da colonização, os proprietários das sesmarias tornaram-se os grandes proprietários de terra que compunham a elite colonial. Ocupando o topo da hierarquia social, não só concentravam terras, mas também abriam caminho para a conquista de vários outros direitos restritos aos seus semelhantes. Não raro, os sesmeiros ocupavam importantes cargos públicos, integravam os altos postos das instituições militares e garantiam seus interesses em desfavor da maioria da população.
Regime de Posse
Regulamentação: Resolução nº76, de 17/07/1822
Não há mecanismos de acesso à propriedade, e o sistema de sesmarias é suspenso por esse decreto, começando a vigorar o reconhecimento/legalização da posse.
Constituição de 1824: reconhece o direito de propriedade \u201cem toda a sua plenitude\u201d. Propriedade se caracteriza como um direito absoluto, admitida a desapropriação por utilidade pública, desde que a terra e benfeitorias fosse pagas previamente.
\u201c(...)no Brasil o sistema de propriedade territorial estava em completa balbúrdia e quase que em parte alguma se podia dizer com certeza se o solo era particular ou público\u201d (Lígia Osório)
Regime da Lei de Terras
Regulamentação: Lei 601, de 18/09/1850 (Lei de Terras)
Estabelece a compra como único meio de se apropriar das terras devolutas (a não ser na faixa de fronteira). As sesmarias tinham que ser revalidadas e as posses legitimadas (condição: cultura e moradia habituais + medição da terra em prazo determinado pelo governo, que estabelecia limite máximo de tamanho), ou seja, transformadas em propriedade.
Terras devolutas: aquelas que não eram privadas e nem se destinavam a um fim público.
Obrigação de registrar as terras possuídas perante os vigários das paróquias (Registros do Vigário). Registro era pago por palavra.
\u201cOs que se apossarem de terras devolutas ou alheias, a nelas derribarem matos, ou lhes puserem fogo, serão obrigados a despejo, com perda de benfeitorias e demais sofrerão a pena de dois a seis meses de prisão e a multa de 100$000 além da satisfação do dano causado.\u201d (art.2º)
A fase republicana
Manutenção do direito à propriedade pela Constituição de 1891 e todas seguintes
Passa aos estados as terras devolutas :
\u201cTanto a Coroa como os proprietários eram incapazes, em geral, de localizar com exatidão as terras que lhe pertenciam. [Os estados] receberam um espólio incerto nos limites e anárquico na titulagem.\u201d
Código Civil de 1916: regulamentação dos contratos agrários, usucapião, direito de vizinhança, etc.
Estatuto da Terra: Lei 4.504/64
Constituição Federal de 1988
Código Civil de 2002
Diferenciando a posse da propriedade
PROPRIEDADE
É o que consiste no poder jurídico do homem sobre uma coisa determinada, afetando-a direta e imediatamente sobre todos ou sobre certos respeitos. 2- Diz-se do poder jurídico a todos oponível, e exercido direta e imediatamente sobre coisa certa que se lhe subordina. 
Tratava-se de um direito absoluto, com efeito erga omnes
o proprietário tem como faculdades usar, gozar e dispor de seu bem, assim como direito de reavê-lo de quem injustamente o possua (art.1228 do novo Código Civil).
Função social da propriedade
\u201cA propriedade, portanto, não seria mais aquela atribuição de poder tendencialmente plena, cujos confins são definidos externamente, ou, de qualquer modo, em caráter predominantemente negativo, de tal modo que, até uma certa demarcação, o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. A determinação do conteúdo da propriedade, ao contrário, dependerá de centros de interesses extra-proprietários, os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica da propriedade.\u201d
\u201cPelo novo CC, a propriedade, sem deixar de ser um direito subjetivo, um jus, passa a ser considerada, também, um munus, exprimindo, simultaneamente, um direito e um dever. Assim, deixa de ser um direito pleno, retirando-se da propriedade privada sua incondicional prevalência, e, destarte, não se legitimando todo e qualquer ato ou omissão do proprietário, na medida em que o seu conteúdo depende de interesses extraproprietários, inseridos na relação jurídica de propriedade, pelo estatuto jurídico que dá configuração à sua função social\u201d.
POSSE
Pelo novo Código Civil, \u201cconsidera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.\u201d (art.1196). Portanto, aquele que usa é possuidor, aquele que usa, goza e dispõe também o é.
Para Savigny, a posse se constitui de dois