DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09


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DIREITO PROCESSUAL PENAL \u2013 PONTO 09
Juizados Especiais Federais Penais. O Conciliador. Quebra de sigilo fiscal, bancário e de dados. Interceptações de comunicação.
Atualizado por Wilson Medeiros Pereira, outubro de 2010.
Atualizado por Gilberto Pimentel de M. Gomes Jr em agosto de 2012.
I \u2013 JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS PENAIS
1) Considerações iniciais
CF/88, Art. 98. A União, no Distrito Federal e no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;
§ 1º. Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça Federal.(incluído pela EC n° 22/99) (Renumerado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Súmula 428, STJ: \u201cCompete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária.\u201d
Na sua redação original, a CF/88 no seu art. 98 previu, inicialmente e tão-somente, a obrigação da União de criar os Juizados Especiais no âmbito da Justiça do Distrito Federal e Territórios. Posteriormente, querendo ampliar a experiência dos Juizados Especiais Federais no âmbito da Justiça Federal como forma de desafogar a Justiça Federal Comum, a EC n.º 22/99 inseriu um parágrafo único prevendo a possibilidade de sua criação no âmbito da Justiça Federal, sendo posteriormente renumerado para o § 1º por força da EC 45/04.
No plano infraconstitucional, o legislador editou a Lei n° 9.099/95 que somente abrangia os Juizados Especiais Estaduais (incluindo a Justiça do Distrito Federal) e, posteriormente, a 10.259/2001, específica, para o âmbito da Justiça Federal. Esta última Lei tratou, basicamente, sobre o processo civil, dispondo em um único artigo sobre matéria processual (Art. 2º \u2013 na sua redação originária) que ampliou o conceito de infração de menor potencial ofensivo, ao estendê-lo para os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, ou multa, sem fazer nenhuma ressalva quanto a questão do procedimento especial previsto no Art. 61 da Lei. 9.099/95. 
O art. 1º da Lei n° 10.259/2001 prevê que se aplica, subsidiariamente, o disposto na Lei n° 9.099/95. 
	Redação original
	Redação modificada
	Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por Juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo. (Vide Lei nº 10.259, de 2001)
	Lei 9.099/95, Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. (Incluído pela Lei nº 11.313, de 2006)
	Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a um ano, excetuados os casos em que a lei preveja procedimento especial. (Vide Lei nº 10.259, de 2001)
	Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)
	Redação original
	Redação modificada
	Art. 2o Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de competência da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo.
Parágrafo único. Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, ou multa.
	Lei 10.259/01, Art. 2o. Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de competência da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrente da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)
Em razão disso, a doutrina e a jurisprudência do STJ e do STF passou a entender que, por força do princípio da isonomia, o conceito previsto na Lei 10.259/01 revogara o conceito previsto na Lei 9.099/95, inclusive quanto a ressalva do procedimento especial, aplicando-se no âmbito dos Juizados Especiais Estaduais. Sem embargo disso, o STF passou a conjugar a redação original do art. 2º da Lei 10.259/01 com a ressalva do procedimento especial previsto na redação originária do art. 61 da Lei 9.099/95. 
O entendimento anterior de que os procedimentos especiais não competiriam aos juizados especiais criminais foi superado com o advento da Lei 11.313/2006, que unificou no art. 61 da Lei 9.099/95 o conceito de infração de menor potencial para as \u201ccontravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.\u201d, sem adotar ressalva quanto ao procedimento especial. 
Os Juizados Especiais Criminais representaram uma verdadeira revolução no direito processual penal brasileiro ao adotar um modelo consensual de Justiça para os crimes de menor potencial ofensivo, flexibilizando o princípio da indisponibilidade da ação penal, priorizando-se as penas não privativas de liberdade, mas, também, a satisfação dos interesses do ofendido, que passa a ter papel ativo no processo penal. 
O Juizado Especial Criminal exige uma releitura dos conceitos de devido processo legal, presunção de inocência, ampla defesa e contraditório. 
A Lei 9.099/95 não presume a culpa, nem ignora a presunção de inocência (tanto a transação quanto a suspensão do processo asseguram a primariedade do autor do fato).
Apenas possibilita ao autor do fato subtrair-se do processo penal tradicional, conservador, oneroso e desgastante. A transação penal decorre da autonomia da vontade e é produto do exercício da ampla defesa. 
Segundo Pacelli, atualmente, há dois modelos de processo penal no Brasil, um condenatório e um consensual. 
2) A competência territorial dos Juizados Especiais é pautada pelo \u201clugar onde se cometeu à infração penal\u201d (Atividade ou Execução \u2013 art. 63 da Lei 9.099/95). A norma apresenta diferença com a regra geral do art. 70 do CPP que é \u201cdo lugar onde se consumar a infração.\u201d (Consumação)
	
	CP
	CPP
	LEI 9099
	TEMPO DO CRIME
	AÇÃO
(artigo 4O.) \u2013 Juizados também adotou
	
	
	LUGAR DO CRIME
	UBIQUIDADE
(artigo 6o. competência internacional)
	RESULTADO
(artigo 70. direito interno)
	ATIVIDADE
3) Conceito de infração de menor potencial ofensivo \u2013
 
O art. 2º da Lei 10.259/01 prescreve que \u201cCompete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de competência da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência\u201d. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006). 
Ou seja, não traz mais a definição de infração de menor potencial ofensivo, devendo ser buscada na Lei 9.099/95:
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais